sábado, 12 de junho de 2010

OS JOGOS DE HOJE


ARGENTINA E ESTADOS UNIDOS OS MELHORES RESULTADOS

Os jogos de hoje foram melhores que os de ontem. No primeiro jogo, a Coreia do Sul, que já não é uma surpresa, dominou a Grécia (a equipa mais fraca das que já se exibiu) e ganhou naturalmente por 2-0. Os jogadores coreanos que jogam na Europa, principalmente Park Ji- Sung, destacou-se como a grande vedeta da equipa, embora jogando sempre com o conjunto e para o conjunto.
A equipa grega pareceu uma equipa deslocada, sem classe para participar em representação da Europa numa competição desta envergadura. Com a segunda presença em fases finais, soma quatro derrotas, doze golos sofridos e zero marcados.
No jogo seguinte, a Argentina surpreendeu positivamente, como equipa, já que no que respeita a jogadores toda a gente sabe que tem os melhores do mundo. Venceu 1-0 a Nigéria, com golo de Heinze, e mais teriam sido, não fora a Nigéria ter um excelente guarda-redes (Enyeama), justamente considerado o melhor em campo.
A única questão que se pode pôr relativamente à Argentina é a seguinte: não jogando a equipa pelas laterais como se justifica a inclusão nela de um extremo puro como Di Maria? Não se pode dizer que Di Maria tenha passado ao lado do jogo. O jogo é que passou todo ele ao lado de Di Maria e, quando assim é, não há nada a fazer. Messi esteve bem e até poderia ter feito mais do que um golo não fora, como já se disse, a exibição do guarda-redes da Nigéria.
A Nigéria tem uma equipa combativa e com bons jogadores, mas a Argentina é melhor.
Finalmente, a Inglaterra desiludiu. A equipa que na Europa havia ganho tudo, experimentou grandes dificuldades face a uma excelente equipa norte-americana, que também já não constitui surpresa para ninguém. Uma equipa corajosa, que não vira a cara à luta, que quer ganhar e que conta, além do mais, com um excelente guarda-redes (Tom Howard). Foi feliz no golo (um grande frango de Green), mas outro poderia ter marcado não fora o mesmo Green ter feito uma excelente defesa.
O que mais se estranhou na equipa inglesa não foi tanto um qualquer tipo de desorganização, mas a incapacidade para pôr no terreno um jogo capaz de surpreender os americanos. Se é isto o que a Inglaterra joga dificilmente chegará onde o seu treinador prometeu levá-la.
Coreia do Sul 2 - Grécia 0;
Argentina 1 - Nigéria 0;
Estados unidos 1 - Inglaterra 1

FRANÇA-URUGUAI, OUTRA SECA


ISTO NÃO PROMETE NADA

Segundo jogo, segunda decepção. Durante todo o jogo houve duas oportunidades de golo, uma para cada lado, das quais só uma a sério.
Quem viu há pouco os jogos da França no Mundial 2006 e compara com o jogo de hoje só pode lamentar que a França esteja tão diferente. É outra equipa, são outros jogadores e talvez ai esteja a explicação.
O “povo” não profissional do futebol que fala sobre os jogos não tem dúvidas em afirmar que o jogo foi uma seca e que o futebol de uma e de outra equipa não entusiasmou ninguém. Por isso, não deixa de ser interessante confrontar essas opiniões com as dos comentadores profissionais. Foi interessante ouvi-los falar sobre este jogo na RTP N. Um deles, que este ano levou 8 na Luz, acha que a França tem equipa para ir à final ou mesmo para ganhar. Para a próxima leva 10, que é uma conta mais redonda!
Veremos, amanhã, o que dá a Argentina-Nigéria e a Inglaterra-EUA, porque hoje foi de mais. O segundo jogo, como espectáculo, ainda foi pior do que o primeiro. Que interesse tem jogar de um lado e do outro apenas com a obsessão de não deixar o adversário marcar. Pelo que já se viu só há uma forma de este campeonato se salvar: é marcar um golo cedo. Se não há golo cedo, como ninguém verdadeiramente o procura, com a passagem do tempo tudo via ficando pior.
Os dois uruguaios que jogam em Portugal foram menos ofensivos do que costumam ser. Álvaro Pereira cometeu inclusive alguns deslizes, Maxi Pereira esteve mais “certinho”, sem ter sido brilhante.
Na França, até Ribéry parece estar a jogar pior. No fim do jogo, o seleccionador francês disse que a sua equipa, pelas oportunidades que desfrutou, merecia ganhar. Que jogo é que ele esteve a ver?
México 1 - RAS 1;
Uruguai 0 - França 0

sexta-feira, 11 de junho de 2010

COMEÇOU O MUNDIAL 2010 NA ÁFRICA DO SUL



A PRIMEIRA DECEPÇÃO

Começou hoje o Mundial de futebol na África do Sul. Mandela não merecia que o começo do Mundial ficasse associado a uma tragédia familiar - única nota triste num dia que ficará para a história da África do Sul.
Foi certamente por demagogia que Blatter decidiu o mundial em África. Mas nada mais justo, nem mais merecido. São africanos ou descendentes de africanos muitos dos grandes jogadores da história do futebol. Quando a África daqui a umas décadas for um continente muito diferente do que ainda hoje é, não obstante os extraordinários progressos dos últimos anos, o futebol brilhará em África como em nenhuma outra parte do mundo.
A cerimónia de abertura foi linda e espectacular, tal como ontem já havia sido o concerto que antecedeu o início dos jogos. Em contrapartida, o jogo de abertura foi fraco. O México jogou aquilo que sempre joga: um futebol lento, pouco audaz, sem a qualidade dos seus vizinhos do sul. Até poderia ter resolvido o jogo na primeira parte em duas ou três ocasiões em que dispôs de grandes facilidades concedidas por uma equipa sul-africana, muito ingénua e com muita dificuldade em posicionar-se correctamente no terreno.
Parreira é um homem experiente, mas o seu futebol também não varia muito. Muitas cautelas defensivas e um ou outro contra-ataque bem feito. E por aqui se ficou a selecção da África do Sul, que poderia ter ganho o jogo, à vontade, na segunda parte e acabou por empatar.
O golo que sofreu já não se aceita na primeira década do século XXI. Agora até se percebe melhor o que Jorge Jesus quer dizer quando se refere ao trabalho do treinador. Mas não foi apenas nesse golo que a selecção da RAS esteve mal. O posicionamento em campo dos seus jogadores deixa muito a desejar, nomeadamente – mas não só – nos desdobramentos ofensivos.
Enfim, um jogo que não apetece rever. Mais logo se ficará com uma primeira ideia do que pode esperar estas duas equipas no grupo a que pertencem. Mas não parece que possam esperar grande coisa.
Três notas: grande golo de Tshabalala numa boa jogada de contra-ataque; o excelente guarda-redes (Khune) da África do Sul; e a boa exibição de Giovanni dos Santos

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A SELECÇÃO PORTUGUESA



O JOGO DE HOJE O MUNDIAL DE 2006

Portugal fez hoje o último jogo-treino antes do teste decisivo com a Costa do Marfim.
A nota dominante do jogo foi a lesão de Nani, que, pelos vistos, já partiu lesionado para a África do Sul. A equipa portuguesa deve ter perdido o jogador em melhor forma juntamente com Fábio Coentrão.
Os jogadores e Queiroz, a avaliar pelas palavras e pelos rostos, parecem ter ficado muito contentes com a vitória sobre Moçambique por 3-0.
Revendo os jogos do Mundial de 2006, percebe-se muito facilmente que Portugal tinha à época uma equipa incomparavelmente melhor. Ricardo Carvalho era mais novo e estava em excelente forma; Simão, mais magro, e mais jogador; Tiago em grande forma; e esse extraordinário Ricardo que, na hora dos grandes jogos, estava sempre presente.
O que Ricardo fez no euro 2004 e dois anos mais tarde no Mundial da Alemanha, nos jogos com a Inglaterra, ficará para sempre como uma das mais notáveis páginas do desporto português. Principalmente o jogo da Luz, contra a Inglaterra, é inesquecível.
A selecção de agora não suscita entusiasmo. Acredito que Queiroz não ajude nada. Havia qualquer coisa de magnético em Scolari que empolgava os adeptos. Até poderia não ser um grande treinador de campo, mas ninguém, como ele, sabe comunicar com os jogadores e com o público. Apesar de ter a imprensa quase toda contra ele (por despeito e mesquinhez dos jornalistas), ele tinha o público consigo e isso lhe bastava.
Queiroz até pode a generalidade da imprensa a favor, mas aquela conversa “profef”da Cruz Quebrada não só não entusiasma ninguém, como ainda indispõe muita gente.
No próximo dia 15 logo se ficará com uma ideia de como as coisas vão correr.

domingo, 6 de junho de 2010

A SELECÇÃO ARGENTINA



EM PRINCÍPIO A MELHOR...E NO FIM?

A Argentina, na América do Sul, poderia ser um país diferente de todos os demais. Enfim, de todos menos um. Poderia, mas não é. É igual aos demais, porventura até pior em alguns casos.
Com a selecção, este ano, passa-se o mesmo. Poderia ser a melhor de todas. Ao nível mundial. Bem orientada, a Argentina tinha jogadores para fazer duas equipas sensivelmente iguais, ambas com capacidade para discutir entre si a final, se não se cruzassem antes.
Pois não obstante tudo isso, há um clima, a rodear a selecção, que não augura nada de bom.
Desde logo, essa história dos “holligans” é inadmissível. Toda a gente sabe o que se passa no campeonato da Argentina e no Torneio de Abertura. Lutas selvagens ente os adeptos das equipas rivais. Brutalidades sem conta. A que ninguém na Argentina consegue pôr cobro.
Pois, como se não bastasse o que fazem por lá, pagaram-lhes para acompanhar a selecção à África do Sul. E as responsabilidades não são de ninguém, embora haja cada vez mais suspeitas de que o próprio governo está não está isento delas, além claro, da federação e do seleccionador.
Por outro lado, crescem à volta da selecção as”promessas” mais estapafúrdias. É Maradona que promete subir o Obelisco nu, como se fosse um Apolo com muito para mostrar, digno de figurar na estatuária grega.
É Bilardo, já com idade para ter juízo, que promete coisas ainda piores. E é, finalmente, uma Miss que promete desnudar-se se, tal como os outros, a Argentina for campeã!
Há qualquer coisa de decadente que augura o pior, apesar da excelência da matéria prima.

sábado, 5 de junho de 2010

VILLAS-BOAS SEGUNDA ESCOLHA




PINTO DA COSTA QUERIA JESUS


Diz quem sabe, que Pinto da Costa tentou tudo o que era humanamente possível para levar Jesus: ofereceu-lhe muito dinheiro, facilidades de toda a ordem...e até um clube na Europa, depois de ganhar no Porto.

Jesus recusou. E só se não fosse inteligente o não faria. Explicando melhor: noutro contexto Jesus nem teria hesitado. Mas depois de já ter provado ser capaz de ganhar com o Benfica, de ter um excelente plantel, só iria para o Porto se fosse pouco inteligente. E isso ele não é. Que vantagens teria em mudar para o Porto? Nenhumas, absolutamente nenhumas. E teria muito a perder.

É óbvio que qualquer profisional entre ganhar no Benfica e ganhar no Porto prefere ganhar no Benfica. Tem o apoio e o entusiasmo de 70% do país. Se fosse para o Porto, iria ser assobiado de norte a sul e teria apenas o apoio de uns poucos.

São, portanto, razões muito objectivas e nada sentimentais ou emocionais as que levam Jesus a ficar no Benfica. Ganhar por ganhar, num grande clube!

Depois da recusa de Jesus, foram buscar Villas-Boas que estava em stand by desde há seis meses

BENITEZ ABANDONA LIVERPOOL




SEGUE-SE UM CLUBE ITALIANO?


Rafa Benitez é uma espécie de Mourinho II. Aliás, quando Mourinho estava em Inglaterra perdeu contra ele algumas vezes, uma das quais o impediu de chegar à final da Champions League.
Apesar de registar aos 50 anos várias vitórias no seu curriculum, entre as quais uma Liga dos Campeões, está longe de ter a ificácia de Mourinho.
Então, porquê Mourinho II? Porque tal como Mourinho, tudo sacrifica à vitória. O seu futebol, tal como o de Mourinho, é feio, sem espectacularidade. No ano em que ganhou a Liga dos Campeões, o Liverpool foi o clube com menos posse de bola, algo a rondar os 30%!
Em provas a eliminar, ainda se pode dizer que Rafa se bate com Mourinho, mas nas provas por pontos fica-lhe muito aquem.
Se Benitez for para o Inter, como muito provavelmente irá, tem todas as condições para “brilhar”. O futebol dele é aceitável pelos italianos.
Jorge Jesus sofreu este ano em Anfield Road porventura a sua derrota mais amarga. Tinha todas as condições para vencer o Liverpool ...e perdeu por 4-1!
Jesus ainda não está preparado para jogar na Europa contra equipas traiçoeiras. Se vier a estar, situar-se-á como treinador ao nível de um Guardiola, de um Cruif e de outros do mesmo género, já que o seu futebol é incomparavelmente mais atractivo.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O FCP TEM NOVO TREINADOR




O SIGNIFICADO DA VITÓRIA

O Porto tem novo treinador. Apesar de ninguém o conhecer e de nada ter que objectivamente o recomende, todos, no clube, esperam de André Villas-Boas os maiores feitos.
O treinador está para o Porto, como o governo para os neoliberais. O seu principal papel é não atrapalhar, já que o êxito está, à partida, garantido.
O recente exemplo de Jesualdo Ferreira, como anteriormente o de Fernando Santos, demonstra que no FCP somente as derrotas pertencem ao treinador. As vitórias não. Pelo menos, no plano interno é assim.
O treinador somente adquire relevo ou notoriedade (negativa), se perder. Se ganhar, o seu único mérito estará em não ter inviabilizado a vitória.
Toda a gente sente que é assim. O que até hoje ninguém ousou perguntar foi: “E se eles (no FCP) tiverem razão"?
É muito provável que tenham razão. Já alguém que conhecia o clube por dentro, alguém que vivia na sua intimidade, um dia declarou, citando o presidente a propósito das vitórias de Mourinho: “Mourinho não ganhou só!”.
Pois é, a questão é mesmo essa. E assim sendo o FCP é que tem razão. Quem perde os campeonatos é o treinador. Mas quem os ganha não é ele.
E há todas as razões para supor que vai continuar a ser assim. Os indícios indicam que o caminho está de novo aberto...

APITO DOURADO




A BATOTA VAI CONTINUAR

A recente sentença de um tribunal do Porto absolvendo uma série de acusados do processo “Apito Dourado” constitui um rude golpe para todos aqueles que lutam pela verdade desportiva. Esta sentença, tal como outras já proferidas por tribunais da mesma cidade, representa objectivamente um grande alento para todos os que se dedicam a actividades batoteiras no futebol.
Aqueles, cujas conversas ouvimos, que combinaram árbitros, que conduzram árbitros à casa de um presidente de um clube de futebol, aqueles que manipulam jornais, aqueles que têm jornalistas “por conta”, depois desta sentença, e das anteriores, só podem sentir-se tentados a continuar. Ainda com mais força e com mais certezas. A certeza de que o crime compensa!
Não sei, nem a maior parte das pessoas saberá, de quem é a culpa. O que sei, tal como a maioria das pessoas, é que um clima de impunidade grassa no futebol.
E sei também, como a maior parte das pessoas, que tal prática está fundamentalmente circunscrita a uma zona geográfica do país, que os beneficiários dessa prática são sempre os mesmos e que todos os processos intentados contra eles têm sistematicamente o mesmo resultado.
E também sei que estas práticas têm para cima de 30 anos!
As gravações não servem como meio de prova. Os testemunhos presenciais também não...porque quem os presta não é credível. Mas quando aquele que não é credível de acusador passa a réu já é credível contra ele o testemunho daquele que antes era acusado!.
O ano que vem, pelos antecedentes recentes, promete ser mais “um dos bons velhos anos do futebol português”!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

MOURINHO JÁ ESCOLHEU AS SUAS VÍTIMAS



CONCLUSÕES DA APRESENTAÇÃO

A primeira grande vítima da contratação de Mourinho, pelo Real Madrid, não deixa ninguém surpreendido: é o futebol espectáculo. Mourinho já disse que “bonito é ganhar”. Com esta simples fraseele advertiu os adeptos do Real Madrid que não contassem com ele para jogar um futebol como o do Barcelona. Para ele, o que interessa é ganhar. Quem quer espectáculo que vá ao circo ou ao cinema.
Como o Real Madrid não tem ganho quase nada nos últimos tempos ou tem ficado aquem das expectativas dos adeptos, é muito provável que estes, na primeira época, se ele ganhar, lhe perdoem o futebol feio. Mas na segunda época já vão ser mais exigentes. E cada vez mais se o Barcelona continuar a jogar bonito e a imprensa do mundo inteiro continuar a elogiar o Barcelona. Madrid não aceita a subalternidade.
A segunda vítima é Valdano. O futebol que Valdano tem na cabeça e a ideia que ele tem do futebol não tem nada a ver com Mourinho. Valdano é um artista, com tendência para filosofar. Mourinho é um mercenário, com tendência para mudar. Enquanto estiver não aceita que alguém com ele divida o palco e menos ainda que interfira no seu futebol. Ao fim de algum tempo, as relações entre os dois deteriorar-se-ão e Valdano, como já aconteceu notras ocasiões, partirá.
A terceira vítima é Raul de quem ele quer fazer o mais rapidamente possível uma espécie de Rui Costa, sem acesso ao balneário. Raul poderá servir-lhe para escorraçar Valdano.
A quarta grande vítima é Cristiano Ronaldo. Antes de mais porque o narcisismo de ambos levará inevitavelmente ao choque. Nem Ronaldo aceita Mourinho, nem Mourinho aceita Ronaldo. Mas o choque vai-se dar no campo e não fora dele. Mourinho vai querer que Ronaldo defenda, que jogue mais para a equipa, que deixe de ser a vedeta. Ronaldo não vai aceitar perder as suas características para passar a ser mais um. Como Ronaldo é um valioso activo do RM, Mourinho vai ter muita mais dificuldade em “domar” Ronaldo. Mais uma vez tudo dependerá dos resultados. Se Mourinho ganhar, Ronaldo ou se submete ou sai. Se não ganhar, quem sai é Mourinho.

A SELECÇÃO GANHOU




CAMARÕES IGUAL A COSTA DO MARFIM?


Verdadeiramente, o que interessa saber é se entre os Camarões e a Costa do Marfim há alguma semelhança. Para já apenas se confirma a análise que Manuel José já tinha feito. Na África subsariana as vedetas têm um comportamento anti-desportivo que muito prejudica a equipa. A diferença de tratamento entre as vedetas e a generalidade dos jogadores é gritante. E ninguém consegue pôr cobro a isto.
O exemplo de Eto'o, ontem, confirma esta análise. Nunca no Barcelona ele teria feito o que fez na Covilhã.
Se Drogba tiver o mesmo comportamento, tudo ficará muito facilitado para Portugal.
Independentemente da vitória, que não tem discussão, o que sobressai na equipa portuguesa é a falta de uma “filosofia” de jogo e de equipa. Vê-se que os jogadores estão orientdos para ocupar certas posições, mas não se vê como se ligam entre si, como se movimentam enquanto equipa.
E depois Queiroz continua a fazer asneiras: tem algum sentido substituir Pedro Mendes por Ricardo Carvalho? E Dany, no meio, também não dá. E Liedson ainda está pior do que esteve a maior parte do ano no Sporting. E Deco...já acabou. E faz sentido levar um jogador que já não joga há quase seis meses para participar num torneio relativamente curto, de grande intensidade?
Estas as conclusões do jogo de ontem. O próximo, com Moçambique, não deverá ser muito diferente. A primeira e última palavra será dita no jogo com a Costa do Marfim.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O QUE QUEIROZ NÃO PERCEBE





ELE E OS SEUS EXERCÍCIOS DE “MOTIVAÇÃO” PSICOLÓGICA

Sempre me fez muita confusão essa “história” da motivação” psicológica para quem ganha milhões. Se eles não têm motivação, que motivação terá a Luísa, a que “sobe a calçada?
Embora acredite que o público possa ter um efeito decisivo no comportamento dos jogadores. Mas é um efeito que não pode ser analisado isoladamente. Ele funciona nos dois sentidos. O público entusiasma os jogadores e os jogadores entusiasmam o público.
Queiroz não percebe isto. Insulta, com argumentos à altura da sua inteligência, o público que assobia. Porque o público está lá, é para aplaudir. Caso contrário, que fique em casa! Hugo Almeida, um rapaz igualmente muito inteligente, pensa o mesmo.
Então eu vou fazer-lhe um desenho (ao Queiroz, do outro não quero saber…)
Notícias do Mundial: Di Maria desembarca em Joanesburgo e ofusca Messi e Maradona! David Luiz é “assediado” em pleno Rio de Janeiro por torcedores portugueses! Claque brasileira à parte, os mais aplaudidos da “selecção canarinha” na África do Sul são Ramires e Luisão.

sábado, 29 de maio de 2010

O "ENTUSIASMO" FRIO QUE A SELECÇÃO SUSCITA



QUEIROZ E A GUERRA

Queiroz bem precisa de se preparar para a guerra. Não aquilo a que ele chama guerra, que não passa de um campeonato do mundo de futebol. Mas a que o espera logo que regresse das terras austrais.
Não adianta continuar a qualificar o seleccionador, até porque a melhor forma de o avaliar, além dos resultados, claro, é o modo como os jogadores se exprimem, durante o estágio, na comunicação social, a forma como se relacionam com o público, etc.
Por aí se vê logo o que vale um treinador. Alguns ou dizem as mesmas “baboseiras” que já ouviram ao treinador: “Se é para assobiar, não venham cá. Não precisamos de vocês” . Outros proferem frases insensatas:”Vamos ser campeões”, “Somos tão bons como os melhores” e outras tiradas semelhantes.
Infelizmente, Queiroz não só “deixa” dizer estas coisas, como diz o mesmo.
Hoje, na Covilhã, o repórter da SIC esforçava-se por transmitir um entusiasmo que a meia dúzia de pessoas presente desmentia. Numa voz empolgante, o pobre repórter pedia opiniões e as pessoas presentes respondiam: “são uns antipáticos”; ou outro: “Nem sequer cumprimentam a gente, passam a correr”; ou ainda outro: “Não jogam nada”.
No futebol, principalmente no futebol, o povo tem uma intuição muita precisa do que vai acontecer…

quinta-feira, 27 de maio de 2010

MOURINHO E O PREÇO DOS JOGADORES




QUE HIPOCRISIA!

Os jornais de hoje dão conta das declarações de Mourinho sobre a possível aquisição de Di Maria pelo Real Madrid.
Mourinho dá o seu assentimento, se o preço for acessível. E explica porquê. Di Maria é bom num campeonato pequeno, mas tem dúvidas que o seu rendimento seja igual num campeonato grande, como o espanhol, o italiano e o inglês.
Até aqui tudo bem. É a opinião técnica de quem tem a responsabilidade de indicar os jogadores que pretende e em que termos.
Só que Mourinho conclui: “É que não gosto que os meus clubes paguem preços loucos pelos jogadores!”
Eu também não percebo – e creio que ninguém percebe – por que razão a Judiciária ou as autoridades inglesas e italianas de investigação criminal não investigaram as transferências de Paulo Ferreira para o Chelsea e a de Quaresma para o Inter.
Como se sabe foram transferências a preços módicos: a de Paulo Ferreira 20 milhões de euros em 2004 e a de Quaresma 30 milhões em 2008.
Como eu gostava de ter percebido o que se passou. Assim só posso imaginar. Talvez Mourinho nos ajude comprando Hulk por 100 milhões!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

SOBRE O PRÓXIMO MUNDIAL



OS MAIS FORTES

O próximo Mundial da África do Sul provavelmente não trará surpresas, embora seja previsível que as equipas com melhores jogadores não ganhem. Como de costume, ganhará o melhor conjunto.
A equipa que tem indiscutivelmente melhores jogadores é a Argentina. A Argentina tem tantos e tão bons jogadores que os que não vão à África do Sul, bem orientados, teriam grandes hipóteses de discutir o primeiro lugar.
Maradona, um jogador ímpar, cuja performance apenas poderá ser superada por Messi, se continuar com o mesmo nível de rendimento que tem tido até aqui, está muito longe, como treinador, de se assemelhar ao que foi como jogador.
Vê-se que a equipa não tem uma ideia de jogo. Vive do extraordinário valor dos seus jogadores.
Portanto, não é muito seguro que consiga ultrapassar os obstáculos seguintes, se um conjunto bem organizado se atravessar no seu caminho.
Sorte diferente poderá ter a Espanha igualmente servida por excelentes jogadores e muito bem conduzida. O Brasil é uma incógnita. Os jogadores mais conhecidos nem sempre têm conseguido na selecção aquilo que os brasileiros mais desejavam. Veremos como se comportam os outros. E veremos também como Dunga actuará num contexto muito diferente do contexto sul-americano.
Grandes esperanças acompanham a selecção inglesa, não tanto pelo nível dos seus jogadores, que é um nível médio alto, semelhante ao dos que na última década participaram noutras competições, mas pela excelência do seu treinador, Fábio Capelo. É equipa para chegar muito longe, porventura ao título.
E, por último, vem a Itália, que pode sempre ser campeã. Tal como as equipas de Mourinho, a selecção italiana é formada e treinada para não perder em caso algum e, à medida que o torneio se aproximar do fim, para ganhar.
Fora do rol dos favoritos, mas imediatamente a seguir, a França e a Alemanha, teoricamente com mais hipóteses para a França do que para Alemanha. Embora a Alemanha possa contrariar todos os prognósticos.
Dos três seguintes: Holanda, Dinamarca e Portugal, a selecção portuguesa é a que terá mais dificuldades em transpor a fase de grupos. Provavelmente ficará por aí.

terça-feira, 25 de maio de 2010

DI MARIA NO REAL MADRID?




O QUE O ESPERA

Depois de mais um jogo na selecção Argentina, onde marcou um belo golo, um dos cinco com que a selecção de Maradona derrotou o Canadá, voltaram com insistência as notícias de que Di Maria estaria a caminho do Real Madrid.
Um administrador da SAD do Benfica já negou que houvesse transferências negociadas e embora tal informação seja verdadeira hoje, dificilmente o Benfica terá capacidade para segurar Di Maria por mais uma época.
É, porém uma pena que Di Maria, a sair, vá ser treinado por Mourinho. Um artista, como o jovem argentino, ficaria muito mais bem entregue a treinadores que gostem de futebol, que privilegiem aquilo a Jesus chamou a “nota artística”.
Com Mourinho, Di María arrisca-se a ser um segundo lateral esquerdo e a regredir enquanto jogador. Se fosse mais velho, ainda se poderia impor a Mourinho, jovem como é vai ter de submeter-se.
É pena que no Benfica ninguém aconselhe Di Maria a escolher o melhor clube para ele. É claro que o interesse do Benfica é o dinheiro e algum jogador do Real. Mas será uma pena deixar Di Maria nas mãos de Mourinho. Basta ver o salto que Di Maria deu com Jesus. Basta fazer a comparação entre o que ele jogava com os anteriores treinadores e o que joga agora. Tudo porque Jorge Jesus lhe não cerceou a sua criatividade, antes a estimulou.

E SE SCOLARI FOR O PRÓXIMO TREINADOR DO PORTO?



ALGO SE ESTÁ A PASSAR


Os jornais dão conta que Scolari ficará brevemente livre de compromissos e que o seu destino se resolverá em Portugal.

É óbvio que Scolari quer ficar em Portugal. Conhece isto. Gosta disto. Tem cá amigos. Os filhos não querem ir para o Brasil. Enfim, o que precisa é de um clube. Claro que o Queiroz dentro de um mês e meio está despedido. No entanto, voltar à selecção não parece muito provável.

Scolari, pelas suas caracteísticas, é um treinador que encaixa muito bem no Porto. O "Vito" Baía? Nada que Pinto da Costa não pudesse resolver.

Em suma, não me admiraria nada se Scolari viesse a ser o próximo treinador do Porto!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

MOURINHO NO REAL MADRID




PELA PRIMEIRA VEZ UMA SITUAÇÃO NOVA

Pela primeira vez, desde o Benfica, onde passou fugaz e arrogantemente, Mourinho vai treinar, como tudo indica, uma equipa com largo apoio popular.
Até aqui, com excepção do Benfica, onde apesar de tudo ganhou fama e prestígio, Mourinho sempre treinou equipas relativamente ostracizadas no país a que pertencem.
Foi assim com o FCP o qual, por força de uma cultura muito própria, de contemporização com a violência, de desrespeito pelos adversários, de pequeno regionalismo sectário, além de suspeitas mais que fundadas sobre o modo como encara a verdade desportiva, tem um restrito número de adeptos geograficamente muito circunscrito.
Foi assim com o Chelsea, situado num bairro rico de Londres, com poucos adeptos e sempre identificado como o clube dos ricos. Sem qualquer comparação com os populares clubes londrinos, o Chelsea viu, sob este ponto de vistam, agravada a sua situação por ter sido comprado por um oligarca russo que, em poucos anos, fez uma fortuna colossal a partir dos despojos do “socialismo real”.
Foi assim também com o Inter que é, das grandes equipas italianas, seguramente a menos popular e mais desprezada, um pouco pelas mesmas razões do Chelsea, agravadas por estarmos a falar de um país de paixões intensas tanto na política, como no futebol. Ainda um dia destes um adepto do Inter justificava o conflito de Mourinho com os media italianos dizendo. “Isso só acontece porque ele está no Inter. Se estivesse no Milan ou Juve, tudo seria diferente”.
A verdade é que a Mourinho também lhe agrada este clima de cerco, que vê inimigos por todo o lado e traições em todas as esquinas.
No Real Madrid o clima é outro por muito grande que seja a rivalidade com o Barcelona, ou até com alguns clubes de Navarra (Ossassuna) e do País Basco.
Atrevo-me a pensar que algum arrastamento nas negociações terá a ver com isto. Mourinho não estará certamente interessado em trabalhar com pessoas civilizadas como Jorge Valdano e vai querer construir no RM um clima semelhante àquele que sempre tem tido por onde passou, salvo no Benfica.
Depois, haverá outros problemas: os de protagonismo com as vedetas do Real. Quem mais vai sofrer será Cristiano Ronaldo a quem auguro o fim dos “dias felizes” em Madrid se passar a ter José Moutinho como treinador.
Vamos ver…

domingo, 23 de maio de 2010

JOGADORES DA SELECÇÃO ASSOBIADOS





QUEIROZ VAI PERCEBER…

Queiroz vai perceber à sua custa, nem que seja preciso fazer-lhe um desenho. Só que agora já é tarde.
Qualquer pretexto serve para que os adeptos se manifestem. Que façam a Queiroz o que já tinham feito a Artur Jorge e que nunca fizeram a Scollari.
Se Queiroz fosse mais inteligente olhava para a convocatória de Vicente del Bosque e percebia como se faz uma selecção para se ter o apoio do país, quando há, como sempre acontece, relativamente a certos lugares, vários jogadores de valia equivalente. Uma coisa é quando há indiscutíveis. Outra é quando todos são mais ou menos iguais naquele lugar. Nestes casos é preciso actuar “politicamente”. Mas para actuar politicamente é preciso ser livre, além de inteligente, e Queiroz não é uma coisa nem outra.
Isto não acaba aqui. Começa aqui…

sábado, 22 de maio de 2010

VITÓRIA DO ANTI-FUTEBOL EM MADRID




O INTER GANHOU A LIGA DOS CAMPEÕES

Num jogo em que apenas defendeu, Mourinho ganhou a Liga dos Campeões Europeus, em Madrid, derrotando Bayern por 2-0. Com um guarda-redes, nove defesas e um avançado, Mourinho, servido por excelentes jogadores, venceu.
Venceu, mas prestou um mau serviço ao futebol. Nenhum adepto de futebol, desinteressado da contenda em questão, se revê naquele futebol mercenário, anti-espectáculo, que apenas busca, com covardia e traição, alcançar a vitória.
Quem puser de parte a componente espectáculo no futebol, a que enche os estádios, a que entusiasma o público, a que anima a natureza aleatória do jogo, contribui para o seu declínio como grande espectáculo de massas.
Mourinho assenta o seu jogo na sobreexploração dos seus jogadores e na sua despersonalização como artistas da bola.
Ontem foi com Drogba, que sozinho tinha a seu cargo toda a defesa adversária, agora é com Milito, esse extraordinário jogador, que Mourinho encarrega de tudo resolver sozinho, como hoje voltou a fazer.
Colocando jogadores como Eto’o como segundo defesa lateral e marcando Arjen Robben com dois, três jogadores, Mourinho pode ganhar, mas ninguém que goste de futebol aplaude aquelas vitórias.
Diz-se que abandonará Itália no final da época. Faz mal. Itália é o único dos grandes países do futebol onde o seu tipo de jogo tem antecedentes e compreensão. Na Inglaterra, como se viu, ganhou, mas não convenceu. Foi despedido por anti-jogo. No Madrid, apesar da sede de vitórias, dificilmente o seu futebol poderá suportar o confronto do futebol artístico do Barcelona. Em Santiago de Bernabeu, a curto prazo, quererão mais que vitórias.
Elogia-se muito Mourinho, então, os comentadores portugueses ficam mesmo de gatas, mas esquece-se o futebol muito parecido que Fernando Santos praticava no Estrela da Amadora quando tinha de jogar na Luz e noutros grandes estádios. Muito semelhante, com a diferença de os jogadores de Fernando Santos serem de quinta categoria e os de Mourinho de primeiríssima qualidade.
Honra ao Bayern e Van Gaal que tentaram durante noventa minutos jogar futebol espectáculo e que devem ter somado mais de 60% de posse de bola!