terça-feira, 22 de junho de 2010

A ESPANHA GANHOU...MAS O CHILE TAMBÉM



TUDO MUITO COMPLICADO NO GRUPO H

Depois do memorável Portugal-Coreia, o Chile ganhou à Suíça por 1-0. Os helvéticos ainda tentaram fazer ao Chile o mesmo que tinham feito à Espanha, mas a expulsão de Berahmi à meia hora de jogo deixou a Suíça fragilizada. Mesmo assim, resistiu até 15 minutos do fim e quase no derradeiro minuto poderia ter empatado, não fora a tentação de a maior parte dos avançados de colocar a bola o mais perto possível do poste.
A arbitragem do saudita Khalil al Ghamdi não terá sido das melhores, principalmente nos cartões amarelos, embora a expulsão pareça acertada, apesar das críticas dos suíços.
O Chile ganhou as duas partidas em que participou, sempre pela margem mínima, e terá de se atribuir valor a isso, apesar de não ser a mais espectacular das selecções latino-americanas de segunda linha.
No jogo da noite, a Espanha venceu as Honduras por 2-0, embora pudesse ter ganho por mais. A equipa mudou alguma coisa depois do jogo com a Suíça, não obstante tudo o que foi dito pelos responsáveis espanhóis. Torres jogou na frente com Villa, mas nem por isso a Espanha prescindiu do seu característico estilo de jogo, feito de muitos passes.
Falhada que foi a hipótese de 3-0, por falhanço de Villa na marcação de uma grande penalidade, a Espanha parece ter ficado satisfeita com o resultado e não mais procurou o golo com a mesma convicção, apesar de ter andado sempre lá muito perto. No contra-ataque a Espanha não é tão forte como Portugal. Leva mais tempo a chegar à baliza contrária. E isso hoje, assistindo aos dois jogos, foi muito notório.
Supondo que Portugal passa aos oitavos de final – e passará a menos que aconteça um duplo cataclismo – irá quase de certeza defrontar a Espanha, se a Espanha passar. É certo que a Espanha passa sempre desde que ganhe ao Chile, e somente ficará em segundo lugar se a Suíça ganhar às Honduras por um resultado que, na diferença entre golos marcados e sofridos, seja superior em um golo à vitória da Espanha sobre o Chile. Se a Espanha não ganhar não passa e se empatar só passa se a Suíça perder com as Honduras. Em conclusão, se a Espanha passar dificilmente não será primeiro. Portanto, se Portugal quer evitar a Espanha em princípio terá de ganhar ao Brasil.
Portugal 7 - Coreia do Norte 0;
Chile 1 - Suíça 0;
Espanha 2 - Honduras 0.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PORTUGAL GOLEIA COREIA DO NORTE POR 7 - 0


RONALDO QUASE TÃO NOCIVO COMO DECO, SE...

A FIFA considerou Ronaldo o homem do jogo. Há quatro anos, nas vésperas do Mundial da Alemanha, um repórter free-lancer inglês percorreu o mundo a fazer uma reportagem tendente a demonstrar quão corruptos são os processos usados pela FIFA na gestão do futebol mundial. Tanto quanto me recordo, a FIFA recusou-se sempre a responder às várias questões que o repórter lhe pretendia colocar e, pelo contrário, enviou várias recomendações aos presumíveis entrevistados para que se recusassem a participar na reportagem.
Seja verdade ou não o que então se disse da FIFA, a verdade é que ninguém percebe os critérios que determinam a escolha do “melhor em campo”. A única coisa que se sabe é que a escolha quase nunca coincide com o que se passa no campo. E sabe-se também que Cristiano Ronaldo está ligado a mil e um interesses comerciais. E ainda se sabe, principalmente desde que Scolari deixou de ser seleccionador, que as prestações de Ronaldo na selecção não só têm sido más, como têm sido prejudiciais à equipa. Não vale a pena perder muito tempo com isto, porque, salvo os comentadores tipo Bruno Prata e outros tontos como os da RTP N, toda a gente está de acordo com a qualificação das prestações de Ronaldo na selecção.
Começando pelo homem do jogo. Há claramente três: Coentrão, Tiago e Meireles, depois do golo.
Meireles com o golo que marcou – uma excelente desmarcação a corresponder a uma excelente abertura de Tiago – acabou por ser decisivo para o desfecho da partida. Até ao golo não esteve bem. Perdeu algumas bolas e fez dois ou três passes errados. Tiago esteve sempre muito bem – muito melhor do que Deco – e marcou dois golos. Coentrão esteve excelente durante todo o jogo. Se tivesse marcado um golo – e esteve quase a marcar numa excelente jogada com Ronaldo – seria ele inevitavelmente o homem do jogo. Não tendo marcado, deve repartir essa distinção com Tiago.
O jogo tem claramente duas fases. A primeira parte, em que a Coreia jogou ao seu nível, e Portugal fez uma excelente exibição, porventura a melhor da era Carlos Queiroz. E a segunda parte, em que depois do segundo golo a equipa coreana se desconjuntou completamente e facilitou a goleada a partir dos 3 a 0.
Na primeira parte ficou evidente quão perniciosa é (do ponto de vista do jogo jogado, claro) a presença de Deco na equipa. Deco está em decadência desde que saiu do Barcelona e suas prestações na selecção depois dessa data têm sido sempre negativas. Emperra o jogo, perde muitas bolas. Enfim, só um tonto não vê que Deco não tem lugar. Mas nessa primeira parte ficou também patente a participação negativa de Ronaldo na equipa. Com o estatuto de vedeta ou até de super vedeta, sem correspondência no jogo de equipa, Ronaldo remata quando deveria passar; corre com a bola quando deveria servir um companheiro; enfim só está em campo a pensar em si.
No segundo tempo, depois da equipa coreana se ter desconjuntado, Ronaldo melhorou consideravelmente como jogador de equipa. Deve ter tido um lampejo de inteligência que o iluminou na hora certa, fazendo-lhe ver que se valoriza muito mais jogando para a equipa do que desbaratando inutilmente o esforço colectivo para satisfação do seu super-ego. Oxalá continue no futuro, do mesmo modo como acabou o jogo. Caso contrário, não faz qualquer falta.
As alterações introduzidas na equipa e a sua dinâmica – a dinâmica colectiva vale mais do que qualquer esquema táctico teórico – estão na origem desta sensacional reviravolta. A equipa desde logo mostrou uma outra vontade, patente nas subidas de Coentrão pela banda esquerda do campo e no modo como Tiago se desenvencilhava das funções a meio-campo. Apesar de a bola se perder quando ia para Ronaldo, nunca a equipe perdeu a sua identidade.
Boa exibição da defesa, guarda-redes incluído, apesar das conhecidas limitações actuais de Miguel; razoável exibição de Pedro Mendes na fase difícil; bom desempenho dos médios e uma outra alegria na faixa direita com Simão.
O futebol tem destas coisas. Ainda ontem pensávamos que a Coreia jogando como jogou contra o Brasil seria um adversário dificílimo e, afinal, a dinâmica da equipa portuguesa acabou por ser bem mais eficaz que a da brasileira.

PORTUGAL-COREIA DO NORTE:ANTEVISÃO



JOGO MUITO DIFÍCIL

O jogo de amanhã entre Portugal e a Coreia do Norte vai ser um jogo muito difícil. A Coreia não quer perder. E tem jogadores para isso. Até para ganhar. Portugal, se não ganhar estará automaticamente eliminado por mais que as famosas contas digam outra coisa.
E a verdade é que só muito dificilmente a selecção portuguesa ganhará. Primeiro, porque a Coreia fecha-se bem e contra-ataca com muita eficiência; depois, porque se a Coreia jogar contra Portugal como jogou contra o Brasil não haverá na equipa portuguesa nenhum jogador com talento para furar a muralha coreana. Já se viu que Cristiano Ronaldo não tem essas características, nem nada que se pareça. Poderá, numa bola parada, fazer qualquer coisa, mas romper por entre a defensiva coreana é coisa que ele não será capaz.
Por outro lado, se a equipa se enerva e permite o contra-ataque poderá com muita facilidade sofrer golos.
Os comentadores portugueses, nomeadamente os televisivos, que são os que eu vejo e ouço, dizem coisas espantosas. Por exemplo: o Brasil não tem criativos; Kaká está para a selecção brasileira como Deco para a portuguesa. Ainda não perceberam que o Deco funciona a gasóleo agrícola. Mas com esta conversa também já estão a perspectivar uma vitória contra o Brasil, quando o que deveriam fazer era tratar de encurtar a largura da baliza de Eduardo. Depois, falam de esquemas e mais esquemas, como se o futebol fosse uma espécie de geometria, esquecendo-se que os esquemas sem os artistas de nada valem. E a equipa portuguesa não tem artistas no campo nem no comando técnico. Além de que eles falam de esquemas como realidades estáticas e isso no futebol moderno, tal como acontece no basquetebol, já não existe. Ou quando existe leva à derrota.
Cristiano Ronaldo falou hoje à imprensa e disse as coisas de sempre. Só que no campo fica tudo muito aquém das palavras. E gosta de rematar dizendo que não tem nada a provar na selecção. Se um jogador brasileiro ou argentino dissesse semelhante coisa nunca mais jogava, chamasse-se ele Messi ou Kaká. Só que eles não dizem tal coisa, porque são menos vaidosos do que Ronaldo e mais inteligentes.
Deco não vai jogar. É indiferente se não joga por lesão ou por castigo. De facto, não joga, porque está a jogar muito pouco. É a melhor solução. Também não se percebe porque joga Paulo Ferreira, ainda por cima tendo pela frente um jogador tão difícil de marcar. E Pedro Mendes, joga? Mais um, que não adianta nada.
Em conclusão: voto num empate no jogo de amanhã.

BRASIL VENCE COM CLASSE



COSTA DO MARFIM OPTA POR DAR PANCADA

O jogo da noite entre o Brasil e a Costa do Marfim ilustra, melhor que mil palavras, por que Portugal empatou e o Brasil ganhou ao mesmo adversário.
Os “rapazes” da RTP N gastam o seu tempo numa conversa que roça o ridículo, em esquemas tácticos e mais esquemas tácticos, esquecendo-se do essencial. O Brasil ganhou porque tem jogadores que são capazes de, nos momentos complicados, resolver as situações difíceis com o seu talento.
Foi assim que Maicon “abriu” a baliza da Coreia do Norte, abertura a que logo depois Robinho e Elano deram seguimento.
E hoje aconteceu a mesma coisa. Numa jogada em que intervieram três jogadores foi concluída por um deles (Luís Fabiano) com um remate sensacional. E no começo da segunda parte, numa bola vinda de Júlio César – o mais seguro guarda-redes do Mundial – novamente Luis Fabiano, sozinho, no meio de três corpulentos marfinenses, fez mais um golo notável. Que tenha havido um pouco de “braço” não tira brilho à jogada. E como se não chegasse Kaká ainda fez um magnífico passe que Elano soube aproveitar com muita oportunidade e inteligência.
A diferença é esta. O resto é conversa. Só que esta diferença é abissal.
Do lado da Costa do Marfim foi pena que Cervinho não tivesse entrado mais cedo e que Drogba continue infelizmente a cinquenta por cento. Mesmo assim, marcou um golo.
Entre as incidências do jogo uma forte censura para o árbitro francês que deveria ter posto rapidamente um ponto final na violência de alguns jogadores da Costa do Marfim – ter-se-ia evitado a lesão de Elano e a expulsão de Káká. Aliás, expulsão incompreensível, não só por não ter feito nada, mas, porque, a ter feito, deveria ter levado vermelho directo. Inacreditável também a validação do segundo golo, depois de ele próprio ter visto, como se depreende das imagens, que o golo foi marcado com a ajuda do braço. A conversa do árbitro com Fabiano é elucidativa. Eu sei que foi com o braço que você dominou a bola, mas fiz de conta que foi com o peito. Ao que Fabiano respondeu, não, não foi mesmo com o peito. É isto o que as imagens querem dizer!
É também lamentável que os jogadores brasileiros se tenham deixado levar pelas provocações de alguns marfinenses. Todos têm a experiência suficiente para fazer melhor nesse capítulo.
Eslováquia 0 - Paraguai 2;
Itália 1 - Nova Zelândia 1;
Brasil 3 - Costa do Marfim 1.

domingo, 20 de junho de 2010

ITÁLIA VOLTA A EMPATAR




PARAGUAI AFIRMA-SE

O Paraguai tem uma excelente equipa. Já o tinha demonstrado contra a Itália e confirmou-o hoje. Com jogadores poderosos e tecnicamente muito dotados, o Paraguai afirma-se como uma das melhores equipas da prova.
A Eslováquia mais uma vez demonstrou não ter categoria para estar no Mundial. Aliás, com as equipas europeias passa-se algo que merece ser realçado. Por um lado, como vem sendo hábito em campeonatos anteriores, a sua completa incapacidade para ganhar fora da Europa. Em princípio, diz a história que quem ganha com esta incapacidade europeia é o Brasil, mais raramente a Argentina. Veremos como tudo evolui, mas não seria uma surpresa se o Brasil e a Argentina se viessem a defrontar na final, caso não se cruzem antes.
Há, porém, outro lado da questão, no que toca às equipas europeias, que merece ser realçado: à medida que as equipas de outros continentes se “europeízam” muito por força de a maior parte dos seus jogadores actuarem na Europa, as equipas europeias menorizam-se no confronto com este novo estilo, em última instância, igual ao seu.
Prova disto foi o que se passou no jogo da tarde entre a Itália e a Nova Zelândia. Apesar de muito favorecida por uma arbitragem (guatemalteca) que errou muito, a Itália não conseguiu ir além do empate. Não se trata, ao contrário do que já aconteceu noutros campeonatos, de um mau início da Itália. Trata-se de uma equipa fraca, que, tal como a do Euro 2008, vai ter muita dificuldade em passar à fase seguinte. Há gente velha na equipa que perdeu brilho (caso de Canavarro, uma espécie de Deco da defesa italiana, também ele a “gasóleo”) e há gente nova, sem classe. É a decadência do futebol italiano, depois de anos e anos de corrupção. É bom não esquecer que Mourinho ganhou a Champions League no Inter praticamente sem jogadores italianos.
Hoje, se a Itália tivesse perdido – e poderia ter perdido se o árbitro não tivesse marcado aquele penalty ou tivesse marcado um outro que realmente aconteceu na área italiana – ninguém se poderia sentir escandalizado.

HOLANDA, PRIMEIRA EQUIPA APURADA


CAMARÕES, PRIMEIRA ELIMINADA

A jornada de hoje veio mais uma vez lembrar, a quem esteja esquecido, que a supremacia europeia começa a ser posta em causa, não tanto do ponto de vista dos títulos ganhos, em que há igualdade com a América Latina, mas da prestação da generalidade das equipas em prova.
De facto, a Europa tem 13 equipas em prova e essa superioridade ao nível da participação relativamente aos outros continentes – 6 de África, 5 da América do Sul, 3 da Ásia, 2 da América do Norte, 2 da Oceânia e 1 da América Central – está longe de se demonstrar dentro do campo.
Apesar de a FIFA ser uma entidade muito conservadora não seria de estranhar que numa das próximas edições o peso da Ásia aumentasse em detrimento da Europa.
O Holanda-Japão deixou muito claro a dificuldade por que a Holanda passou para derrotar o Japão, que deu sempre uma excelente réplica, sem nunca se inferiorizar e que poderia perfeitamente ter empatado não fora, mais uma vez, um erro do guarda-redes. O jogo foi emotivo e o resultado poderia a todo o momento ter sido alterado. Não foi, mas o Japão aí está para discutir a passagem à fase seguinte com a Dinamarca.
No jogo seguinte, do Grupo D, entre o Gana e a Austrália, mais uma vez se assistiu a uma autopenalização dos australianos que foram forçados a jogar com dez durante a maior parte da partida.
Uma mão ou braço na bola sobre a linha de golo mandou Harry Kewell mais cedo para o balneário e permitiu o empate de penalty. É o segundo golo de penalty que o Gana marca.
A Austrália nunca se deu por vencida, lutou até ao fim e até poderia ter ganho. O empate, porém, ajusta-se melhor ao que se passou em campo. Cresce a curiosidade de saber o que podem fazer os australianos com onze em campo do princípio ao fim.
No jogo da noite, os Camarões foram mais uma vez derrotados, apesar dos inúmeros erros defensivos cometidos pela Dinamarca.
A ganhar por 1-0, em consequência de um golo clamoroso da defensiva dinamarquesa, Eto’o, pela forma como festejou, deve ter suposto que poderia, enfim, rivalizar com Roger Milla. Mais uma vez se enganou. Eto’o não tem condições para liderar uma equipa. Está de facto muito longe do seu compatriota mais famoso.
A Dinamarca é uma equipa que comete muitos erros, apesar de ser uma equipa voluntariosa, não sendo, portanto de estranhar que o Japão venha a acompanhar a Holanda nos oitavos de final.

Holanda 1 – Japão 0;
Gana 1 – Austrália 1;
Camarões 1 – Dinamarca 2.

sábado, 19 de junho de 2010

A INGLATERRA CONTINUA SEM GANHAR


TRÊS BONS JOGOS

O futebol tem destas coisas: ninguém esperaria a derrota da Alemanha frente à Sérvia e ela aconteceu. Há quem não goste destas coisas: há quem goste de ter a certeza do resultado antes do jogo. Mas essa é outra conversa. Tem de ficar para outra altura.
Não se pode dizer que o árbitro da Alemanha-Sérvia tenha sido o responsável pelo que aconteceu. Apenas se pode dizer que actuou com um critério disciplinar muito restrito para os nossos hábitos. Os jogadores têm de perceber isso e adaptar-se, tanto mais que ele actuou da mesma forma relativamente a ambas as equipas.
A jogar com dez durante cerca de uma hora, a Alemanha sofreu um golo logo após a expulsão de Klose e depois poderia até ter ganho. Mas desperdiçou todas as oportunidades que teve, inclusive um penalty.
Há coisas que quem vê futebol não percebe que não sejam vistas por quem está lá dentro. Hoje não era o dia de Podolsky. Já tinha falhado golos. Por que foi ele o encarregado de marcar o penalty?
Vamos ver como fica o grupo amanhã, depois do Austrália-Gana. Uma coisa é certa: a Alemanha continua sendo a melhor selecção do grupo. Por isso deverá passar.
No jogo seguinte, assistiu-se a uma partida emocionante como são todas aquelas em que os Estados Unidos participam. Já foi assim em 2006 e em 2002. A perder por 2-0, os Estados Unidos continuaram a jogar sem qualquer quebra emocional na busca de um resultado positivo, que só não aconteceu porque um árbitro do Mali resolveu invalidar um golo “limpinho”. Como já antes tinha penalizado um jogador americano com um cartão amarelo por a bola lhe ter batido na cara! São erros a mais. Todos contra o mesmo lado. Foi até hoje a pior arbitragem do Mundial, que têm estado bem.
Os dois pontos tirados aos Estados Unidos vão-lhes fazer muita falta. É incrivelmente injusto que uma equipa possa ter de regressar a casa por um clamoroso erro de arbitragem. Se falta houve na jogada do golo, ela era contra a Eslovénia e teria dada lugar à marcação de uma grande penalidade e nunca à anulação do golo. Inaceitável!
No jogo da noite, a Inglaterra mais uma vez decepcionou. Agora já não se pode dizer que tenha sido um azar. Não, a Inglaterra neste Mundial ainda não jogou nada e se continuar assim regressará mais cedo à ilha. Contra as expectativas, a Argélia fez um excelente jogo e tem jogadores com uma técnica notável. Um toque de bola fantástico, que não tinham revelado no primeiro jogo. Há ali muito da boa escola francesa de formação.
Ambas as equipas mudaram de guarda-redes depois dos frangos da primeira jornada. E ambos estiveram bem.
Está tudo em aberto neste Grupo, embora, com outro árbitro, os Estados Unidos já tivessem quase a qualificação garantida
Alemanha 0 - Sérvia 1;
EUA 2 - Eslovénia 2;
Inglaterra 0 - Argélia 0.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

GRANDE ARGENTINA!


MÉXICO PÕE FRANÇA KO

O dia começou com uma grande exibição da Argentina, indiscutivelmente a equipa com mais talentos. Nunca ninguém duvidou da categoria individual desta geração de jogadores argentinos: são fantásticos! Duvidava -se – e nós também – da capacidade de Maradona para construir uma equipa. Felizmente parece que nos enganámos. A Argentina está melhor em cada jogo, dá espectáculo e não há ninguém que goste de futebol que não fique apaixonado por este futebol.
Algumas dúvidas apenas na defesa. Heinze nem sempre cobre bem, Gutierrez está adaptado a lateral esquerdo e quanto aos dois centrais vamos ver como é depois da lesão de Samuel.
Messi não tem rival. Ninguém no futebol de hoje se lhe equipara. Que os árbitros estejam atentos e que não deixem fazer a Messi o que o actual treinador da Coreia do Sul fez a Maradona em 1986
No jogo seguinte, a Grécia venceu uma Nigéria que não há meio de acertar por mais valiosos que sejam os seus jogadores. Hoje foi uma expulsão inadmissível, que comprometeu definitivamente o trabalho da equipa, e depois as lesões. E até o guarda-redes, que é excelente, não segurou o remate do qual resultou o segundo golo grego.
A Grécia ganhou porque soube explorar muito bem a inferioridade numérica do adversário, que não soube reagir a essa situação. Antes da expulsão de Kaita, a Grécia era uma equipa derrotada, que não parecia capaz de reagir. A expulsão deu-lhe um ânimo que ela não tinha e passou a partir daí a pressionar com muita intensidade, sem que a Nigéria tivesse conseguido libertar-se da pressão física e psicológica decorrente da nova situação.
Ainda está tudo em aberto quanto ao segundo lugar, já que o primeiro deverá ser da Argentina.
À noite fechou-se a segunda jornada do Grupo A. E, como se esperava, a França jogou mal e perdeu. Que longe está esta França da do Mundial de 2006! O México tem uma equipa bem organizada, com bons avançados, mas ainda não jogou contra uma equipa de valor médio para se ficar a saber o que verdadeiramente vale. A vitória de hoje foi demasiado fácil para permitir tirar conclusões.
Com este resultado a França deve ter dito adeus ao Mundial. Já só uma conjugação de vários factores a salvaria.

Argentina 4 – Coreia do Norte 1;
Grécia 2 – Nigéria 1;
México 2 – França 0.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

GRANDE JORNADA DE FUTEBOL


VITÓRIAS DO CHILE, URUGUAI E SUÍÇA
A vitória do Uruguai e a derrota da Espanha marcaram o dia de hoje, muito mais do que a vitória do Chile sobre as Honduras.
O Chile, que nem costuma ser um habitué das fases finais e que nelas já não ganhava um jogo há muitos anos, impôs-se com relativa facilidade às Honduras, que estão ainda longe de poderem aspirar a um lugar com alguma visibilidade na alta roda do futebol mundial. A equipa chilena, apesar de ter ficado em segundo lugar na eliminatória sul-americana, logo atrás do Brasil e apenas com duas derrotas, ambas contra o Brasil, parece ser a mais fraca do continente. Tanto o Paraguai como o Uruguai pareceram superiores, sem falar obviamente no Brasil e na Argentina.
No jogo da tarde, vimos uma Espanha que continua a praticar um futebol fantástico, mas que hoje foi incapaz de vencer a sólida Suíça, que, jogando com as armas que tem, conseguiu neutralizar, com alguma sorte à mistura, o futebol ofensivo de uma das melhores equipas do torneio.
A imprensa espanhola, muito triunfalista antes do jogo, não encontrou outra forma de desvalorizar a vitória da Suíça que não fosse através da invenção de um pretenso fora de jogo na jogada do golo. Curiosamente não viram, nessa mesma jogada, o penalty que Casillas cometeu sobre o avançado suíço. Enfim, desculpas muito parecidas com outras que se ouvem por cá no futebol interno.
No jogo da noite, o Uruguai, com Forlan no comando, fez um excelente jogo contra a África do Sul, uma equipa modesta, que hoje deverá ter ficado praticamente arredada da fase seguinte. Com um futebol mais aberto do que aquele que jogara contra a França, o Uruguai não deu qualquer chance e venceu naturalmente.

Chile 1- Honduras 0;
Espanha 0 – Suíça 1;
Uruguai 3 – RAS 0

terça-feira, 15 de junho de 2010

O BRASIL GANHOU COM DIFICULDADE


BOA EXIBIÇÃO DA COREIA DO NORTE

No jogo da manhã, a Nova Zelândia conseguiu o primeiro ponto em fases finais do Mundial. Foi um empate merecido, alcançado quase no último segundo do jogo. O empate favoreceu a Itália, porque depois deste resultado, no Grupo F, voltou tudo ao começo.
No jogo da noite, a Coreia do Norte resistiu bem ao Brasil. É claro que a extraordinária classe dos jogadores brasileiros (o golo de Maicon é um portento – aliás, igual ao que marcou a Portugal - e o passe de Robinho para Elano também) acabou por se impor. Mas do jogo ficaram duas lições: o modelo de jogo brasileiro não aproveita completamente a potencialidade dos seus jogadores, e a outra lição é a de que a Coreia do Norte vai ser muito mais difícil do que alguns supunham. 2-1 é um resultado que se ajusta bem ao que se passou.
Portugal vai ter uma tarefa muito difícil. Depois da decepção de hoje, registada por toda a imprensa internacional, tudo se decidirá no jogo com a Coreia do Norte. E o que hoje se viu não permite esperar nada de muito positivo.
Nova Zelândia 1- Eslováquia 1;
Portugal 0 - Costa do Marfim 0;
Brasil 2 - Coreia do Norte 1

QUEIROZ NÃO TEM EMENDA



QUE SE PODE FAZER A QUEM NÃO TEM INTELIGÊNCIA?

Queiroz é mesmo uma desgraça. Depois ter dito umas baboseiras sobre o jogo, veio no pior estilo português – mais correctamente: no pior estilo de um certo “pôncio futebol” – queixar-se da protecção que Didier Drogba tinha no braço direito. Uma protecção aprovada pela Fifa e pelo árbitro! Em vez de se ter regozijado por uma grande estrela do futebol mundial, mesmo diminuída, ter podido apresentar-se no Mundial, Queiroz com aquela falta de inteligência que o caracteriza veio acusar a Fifa de estar a favorecer a Costa do Marfim! É preciso ser muito “bronco” para acreditar que alguém vai nessa conversa.
Aliás, minutos depois era desautorizado por Deco, tanto na forma como pôs a equipa a jogar, como na estúpida polémica que pretendeu criar à volta de um caso inexistente.
Erikson, como sempre, um Senhor na resposta que deu sobre o caso.

A SELECÇÃO SEM SURPRESAS


POUCO MAIS HÁ A ESPERAR

Não constituiu qualquer surpresa, para quem acompanha o futebol, o resultado e a exibição da selecção portuguesa perante a Costa do Marfim. Não ter perdido até se pode considerar um bom resultado face aos constrangimentos existentes. Que são, fundamentalmente, dois.
Em primeiro lugar, como toda a gente sabe, o seleccionador tem muitas limitações. Limitações de ordem táctica e “política”. Queiroz não mobiliza ninguém, não cria empatia com o público e a sua presença arrasta um ambiente negativo que a todos afecta.
Mas também tem limitações de outra ordem: de ordem futebolística propriamente ditas. A equipa de Queiroz joga sem objectivos, é passiva, fechada, sem ambição, nem movimentação. Ele não tem uma ideia de futebol jogado. Joga para ver no que dá.
Por isso não deixam de ser espantosas as suas declarações no fim do encontro quando acusou a Costa do Marfim de falta de ambição e de vontade de atacar. Que jogo é que Queiroz esteve a ver? É certo que a Costa do Marfim começou cautelosa, mas foi aos poucos tomando conta do jogo e poderia ter marcado por mais de uma vez. Como pode Queiroz fazer semelhantes afirmações se nem Coentrão, nem Paulo Ferreira assumiram qualquer papel atacante. Coentrão foi uma vez à linha de fundo, por conta própria, mas Paulo Ferreira nunca passou a linha do meio-campo.
Não é preciso andar muito para trás, basta ver os jogos do Mundial de 2006, para logo se perceber que existe uma fundamental diferença na maneira de jogar dos laterais: tanto Miguel, como Nuno Valente jogavam tanto à frente como atrás. Com Queiroz os laterais não passam a linha do meio-campo!
O segundo constrangimento é a matéria-prima, que está longe de ser excelente. O guarda-redes, penalties à parte, não será melhor nem pior dos que nos últimos anos têm servido naquele lugar. Mas já o mesmo se não pode dizer dos dois laterais direitos: tanto Miguel como Paulo Ferreira já não têm condições para jogar na selecção. Por razões diferentes. Ricardo Carvalho está em fim de carreira e já não é aquele excelente jogador de 2004 e até de 2006. Bruno Alves, se for para dar “porrada” e jogar karaté, como faz no Porto, é bom. Mas para jogar futebol é vulgar. Coentrão é um substituto à altura, para melhor, de Nuno Valente, que Queiroz não sabe aproveitar.
Na linha média falta um verdadeiro “volante”, lugar a que em Portugal se dá o imbecil nome de “trinco”. Pedro Mendes como mais uma vez se viu hoje não desempenha o lugar com eficiência. Depois, Deco, a quem competia pensar o jogo, está em fim de careira e nem convocado deveria ter sido. Meireles é lutador, nem sempre clarividente, mas ninguém lhe pode pedir para fazer de Deco.
Nas alas, Cristiano Ronaldo ressente-se claramente da falta de classe dos seus companheiros e vai tentando fazer o que pode, que não há-de ser muito. Danny prometeu muito, mas não jogou nada. E Simão também já está na fase declinante da sua carreira. Talvez consiga jogar 60 minutos. E Liedson está visto que não sabe jogar assim. Tem de jogar acompanhado para render. O que é espantoso é que Queiroz o tenha ido buscar para um lugar que ele não sabe desempenhar! Se não há jogadores para o acompanharem na frente, por que foi convocado o Liedson?
Dito isto, pouco mais há a esperar da selecção com Queiroz à frente. Só mesmo um excepcional treinador, com estes jogadores, poderia aspirar a mais. Digamos que esta selecção, com Queiroz à frente, se tivesse jogado este ano no campeonato português seria equipa para disputar o 4.º lugar com o Sporting.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

VITÓRIAS DA HOLANDA E DO JAPÃO




EMPATE DA ITÁLIA

Nos jogos de hoje começou por se assistir a uma vitória da Holanda sobre a Dinamarca por 2-0. Contava-se com um jogo entusiasmante, de ataque por parte das duas equipas, mas não foi isso o que se viu. A Dinamarca fechou-se mais do que se esperava e a Holanda, embora atacando mais e tendo registado mais uma vitória a somar a muitas que já leva, esteve longe de ser aquela equipa que deixa o público encantado com o seu futebol.
Teve a vida facilitada com um auto-golo e depois acabou por marcar o segundo numa fase do jogo em que Elia, recém-entrado, já se tinha encarregado de dar outra animação ao jogo.
No jogo seguinte, o Japão derrotou os Camarões com toda a naturalidade por 1-0. Já se tinha percebido na Covilhã que os Camarões não têm uma grande equipa. E Eto’o está muito longe de imitar o grande Roger Milla.
O Japão, sempre muito lutador, mereceu ganhar, embora só se perceba bem até onde pode ir uma equipa asiática depois de jogar contra uma equipa europeia.
No jogo da noite, a Itália empatou com o Paraguai. A Itália começou bem, mais ousada do que habitualmente, mas depressa percebeu que aquele Paraguai nada tinha a ver com a equipa que participou noutras edições do Mundial. É uma equipa muito europeia, com jogadores muito fortes e combativos. De um lado e do outro defendeu-se bem e as oportunidades de golo foram raríssimas. Aliás, as únicas que se concretizaram foram de bola parada. A Itália e o Paraguai são certamente as duas equipas mais fortes do grupo.
Holanda 2 - Dinamarca 0;
Japão 1 - Camarões 0;
Itália 1 - Paraguai 1

QUE SE PASSA COM NANI?



UMA SEMANA PARA RECUPERAR?

Há todas as razões para supor que a história de Nani não está bem contada. A Federação e o staff técnico da selecção, a começar pelo seleccionador, falam numa lesão na clavícula. Aparentemente o jogador não tem queixas, nem sinais externos de qualquer lesão. Um braço ao peito, por exemplo.
Também não se percebeu bem como se lesionou. No primeiro dia que não apareceu no treino, Queiroz, ainda em Portugal, disse que tinha ficado no ginásio em recuperação e falou mesmo em lesão muscular. Mesmo assim foi para a África do Sul. E de um momento para o outro passou a ter uma lesão que não lhe permitia fazer o Mundial. Uma lesão numa clavícula. Mas ninguém mostrou nada. Nem exames médico feitos in locu. Nada. Nem uma ida ao hospital, nada. Tudo tratado com a prata da casa. O Quim, quando se lesionou na Suíça, vinha com sinais externos de lesão.
Hoje o jogador chegou a Lisboa, com pouca vontade de falar e muita de se ver livre dos jornalistas e diz que a recuperação levará uma semana. Uma semana? Então Pepe não joga há quase sete meses, não vai certamente jogar no primeiro jogo e fica e Nani não pode ficar se só precisa de uma semana para se curar?
Há aqui qualquer coisa que não bate certo…

domingo, 13 de junho de 2010

A ALEMANHA PROMETE!





AS OUTRAS CINCO QUE JOGARAM HOJE NÃO CONVENCEM

O primeiro jogo do dia foi uma verdadeira seca. As equipas africanas acima do Sahara não convencem. Até podem ganhar a Copa de África, mas ficam sempre muitos furos abaixo das subsaharianas, quando estas são boas.
A Argélia não fugiu à regra: jogo lento, sem imaginação, sem grandes protagonistas – um futebol de fazer abrir a boca, bocejar.
Outro tanto se diga da Eslovénia que também não mostrou nada, nem provavelmente mostrará. Ganhou, com um grande frango de Faouzi Chaouchi e contra dez (por mais uma infantilidade), por expulsão de Guezzal, mas o único resultado justo era um empate a zero. Um zero grande!
Depois veio a Sérvia e o Gana. A coisa melhorou um pouco, mas nada de especial. O primeiro tempo foi para esquecer. No começo da segunda parte, no primeiro quarto de hora ou talvez menos o Gana deu indícios de que queria dar outro ritmo ao jogo e marcar. Mas foi sol de pouca dura. A Sérvia reagiu, mas pouco depois tudo se equilibrou. Numa altura em que a Sérvia estava relativamente por cima, viu um jogador (Lukovic) expulso por acumulação de amarelos, sem desculpas e como se aquelas duas asneiras não bastassem, Kuzmanovic cortou com a mão um lance na área que não oferecia qualquer perigo imediato.
E assim o Gana, já conformado com o empate, não desperdiçou aquela oportunidade que lhe caiu do céu. Gyan marcou. A Sérvia ainda tentou o empate, mas já era tarde.
O último jogo entre a Alemanha e a Austrália foi o melhor. Mais do que isso: a Alemanha foi até agora a equipa que melhor se exibiu. A Alemanha apenas levanta uma dúvida: a consistência da sua defesa na zona central do terreno. Tivesse a Alemanha dois bons centrais e já estaria encontrado um dos finalistas. Assim, é difícil fazer vaticínios. Perceber até que ponto o excelente jogo de ataque poderá superar as eventuais deficiências defensivas. Apesar das excelentes prestações nos últimos Mundial e Europeu, a Alemanha parece ter este ano uma equipa bem melhor. Será que Ballack faz mesmo falta? Ou será que Özil é mesmo muito bom e além do mais só tem vinte e um anos?
É certo que a Austrália ficou aquém do que se esperava e ainda viu um jogador expulso na segunda parte (Cahill). Mas quem é que com a Alemanha vai render o que se esperava? Tudo isto para dizer que os 4-0 com que hoje a Alemanha derrotou a Austrália podem não ser uma excepção.
Das quatro grandes equipas que até hoje jogaram, somente a Alemanha deu espectáculo. A Argentina esteve bem, mas tanto a França como a Inglaterra desiludiram!
Eslovénia 1 - Argélia 0;
Sérvia 0 - Gana 1 ;
Alemanha 4 - Austrália 0

sábado, 12 de junho de 2010

OS JOGOS DE HOJE


ARGENTINA E ESTADOS UNIDOS OS MELHORES RESULTADOS

Os jogos de hoje foram melhores que os de ontem. No primeiro jogo, a Coreia do Sul, que já não é uma surpresa, dominou a Grécia (a equipa mais fraca das que já se exibiu) e ganhou naturalmente por 2-0. Os jogadores coreanos que jogam na Europa, principalmente Park Ji- Sung, destacou-se como a grande vedeta da equipa, embora jogando sempre com o conjunto e para o conjunto.
A equipa grega pareceu uma equipa deslocada, sem classe para participar em representação da Europa numa competição desta envergadura. Com a segunda presença em fases finais, soma quatro derrotas, doze golos sofridos e zero marcados.
No jogo seguinte, a Argentina surpreendeu positivamente, como equipa, já que no que respeita a jogadores toda a gente sabe que tem os melhores do mundo. Venceu 1-0 a Nigéria, com golo de Heinze, e mais teriam sido, não fora a Nigéria ter um excelente guarda-redes (Enyeama), justamente considerado o melhor em campo.
A única questão que se pode pôr relativamente à Argentina é a seguinte: não jogando a equipa pelas laterais como se justifica a inclusão nela de um extremo puro como Di Maria? Não se pode dizer que Di Maria tenha passado ao lado do jogo. O jogo é que passou todo ele ao lado de Di Maria e, quando assim é, não há nada a fazer. Messi esteve bem e até poderia ter feito mais do que um golo não fora, como já se disse, a exibição do guarda-redes da Nigéria.
A Nigéria tem uma equipa combativa e com bons jogadores, mas a Argentina é melhor.
Finalmente, a Inglaterra desiludiu. A equipa que na Europa havia ganho tudo, experimentou grandes dificuldades face a uma excelente equipa norte-americana, que também já não constitui surpresa para ninguém. Uma equipa corajosa, que não vira a cara à luta, que quer ganhar e que conta, além do mais, com um excelente guarda-redes (Tom Howard). Foi feliz no golo (um grande frango de Green), mas outro poderia ter marcado não fora o mesmo Green ter feito uma excelente defesa.
O que mais se estranhou na equipa inglesa não foi tanto um qualquer tipo de desorganização, mas a incapacidade para pôr no terreno um jogo capaz de surpreender os americanos. Se é isto o que a Inglaterra joga dificilmente chegará onde o seu treinador prometeu levá-la.
Coreia do Sul 2 - Grécia 0;
Argentina 1 - Nigéria 0;
Estados unidos 1 - Inglaterra 1

FRANÇA-URUGUAI, OUTRA SECA


ISTO NÃO PROMETE NADA

Segundo jogo, segunda decepção. Durante todo o jogo houve duas oportunidades de golo, uma para cada lado, das quais só uma a sério.
Quem viu há pouco os jogos da França no Mundial 2006 e compara com o jogo de hoje só pode lamentar que a França esteja tão diferente. É outra equipa, são outros jogadores e talvez ai esteja a explicação.
O “povo” não profissional do futebol que fala sobre os jogos não tem dúvidas em afirmar que o jogo foi uma seca e que o futebol de uma e de outra equipa não entusiasmou ninguém. Por isso, não deixa de ser interessante confrontar essas opiniões com as dos comentadores profissionais. Foi interessante ouvi-los falar sobre este jogo na RTP N. Um deles, que este ano levou 8 na Luz, acha que a França tem equipa para ir à final ou mesmo para ganhar. Para a próxima leva 10, que é uma conta mais redonda!
Veremos, amanhã, o que dá a Argentina-Nigéria e a Inglaterra-EUA, porque hoje foi de mais. O segundo jogo, como espectáculo, ainda foi pior do que o primeiro. Que interesse tem jogar de um lado e do outro apenas com a obsessão de não deixar o adversário marcar. Pelo que já se viu só há uma forma de este campeonato se salvar: é marcar um golo cedo. Se não há golo cedo, como ninguém verdadeiramente o procura, com a passagem do tempo tudo via ficando pior.
Os dois uruguaios que jogam em Portugal foram menos ofensivos do que costumam ser. Álvaro Pereira cometeu inclusive alguns deslizes, Maxi Pereira esteve mais “certinho”, sem ter sido brilhante.
Na França, até Ribéry parece estar a jogar pior. No fim do jogo, o seleccionador francês disse que a sua equipa, pelas oportunidades que desfrutou, merecia ganhar. Que jogo é que ele esteve a ver?
México 1 - RAS 1;
Uruguai 0 - França 0

sexta-feira, 11 de junho de 2010

COMEÇOU O MUNDIAL 2010 NA ÁFRICA DO SUL



A PRIMEIRA DECEPÇÃO

Começou hoje o Mundial de futebol na África do Sul. Mandela não merecia que o começo do Mundial ficasse associado a uma tragédia familiar - única nota triste num dia que ficará para a história da África do Sul.
Foi certamente por demagogia que Blatter decidiu o mundial em África. Mas nada mais justo, nem mais merecido. São africanos ou descendentes de africanos muitos dos grandes jogadores da história do futebol. Quando a África daqui a umas décadas for um continente muito diferente do que ainda hoje é, não obstante os extraordinários progressos dos últimos anos, o futebol brilhará em África como em nenhuma outra parte do mundo.
A cerimónia de abertura foi linda e espectacular, tal como ontem já havia sido o concerto que antecedeu o início dos jogos. Em contrapartida, o jogo de abertura foi fraco. O México jogou aquilo que sempre joga: um futebol lento, pouco audaz, sem a qualidade dos seus vizinhos do sul. Até poderia ter resolvido o jogo na primeira parte em duas ou três ocasiões em que dispôs de grandes facilidades concedidas por uma equipa sul-africana, muito ingénua e com muita dificuldade em posicionar-se correctamente no terreno.
Parreira é um homem experiente, mas o seu futebol também não varia muito. Muitas cautelas defensivas e um ou outro contra-ataque bem feito. E por aqui se ficou a selecção da África do Sul, que poderia ter ganho o jogo, à vontade, na segunda parte e acabou por empatar.
O golo que sofreu já não se aceita na primeira década do século XXI. Agora até se percebe melhor o que Jorge Jesus quer dizer quando se refere ao trabalho do treinador. Mas não foi apenas nesse golo que a selecção da RAS esteve mal. O posicionamento em campo dos seus jogadores deixa muito a desejar, nomeadamente – mas não só – nos desdobramentos ofensivos.
Enfim, um jogo que não apetece rever. Mais logo se ficará com uma primeira ideia do que pode esperar estas duas equipas no grupo a que pertencem. Mas não parece que possam esperar grande coisa.
Três notas: grande golo de Tshabalala numa boa jogada de contra-ataque; o excelente guarda-redes (Khune) da África do Sul; e a boa exibição de Giovanni dos Santos

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A SELECÇÃO PORTUGUESA



O JOGO DE HOJE O MUNDIAL DE 2006

Portugal fez hoje o último jogo-treino antes do teste decisivo com a Costa do Marfim.
A nota dominante do jogo foi a lesão de Nani, que, pelos vistos, já partiu lesionado para a África do Sul. A equipa portuguesa deve ter perdido o jogador em melhor forma juntamente com Fábio Coentrão.
Os jogadores e Queiroz, a avaliar pelas palavras e pelos rostos, parecem ter ficado muito contentes com a vitória sobre Moçambique por 3-0.
Revendo os jogos do Mundial de 2006, percebe-se muito facilmente que Portugal tinha à época uma equipa incomparavelmente melhor. Ricardo Carvalho era mais novo e estava em excelente forma; Simão, mais magro, e mais jogador; Tiago em grande forma; e esse extraordinário Ricardo que, na hora dos grandes jogos, estava sempre presente.
O que Ricardo fez no euro 2004 e dois anos mais tarde no Mundial da Alemanha, nos jogos com a Inglaterra, ficará para sempre como uma das mais notáveis páginas do desporto português. Principalmente o jogo da Luz, contra a Inglaterra, é inesquecível.
A selecção de agora não suscita entusiasmo. Acredito que Queiroz não ajude nada. Havia qualquer coisa de magnético em Scolari que empolgava os adeptos. Até poderia não ser um grande treinador de campo, mas ninguém, como ele, sabe comunicar com os jogadores e com o público. Apesar de ter a imprensa quase toda contra ele (por despeito e mesquinhez dos jornalistas), ele tinha o público consigo e isso lhe bastava.
Queiroz até pode a generalidade da imprensa a favor, mas aquela conversa “profef”da Cruz Quebrada não só não entusiasma ninguém, como ainda indispõe muita gente.
No próximo dia 15 logo se ficará com uma ideia de como as coisas vão correr.

domingo, 6 de junho de 2010

A SELECÇÃO ARGENTINA



EM PRINCÍPIO A MELHOR...E NO FIM?

A Argentina, na América do Sul, poderia ser um país diferente de todos os demais. Enfim, de todos menos um. Poderia, mas não é. É igual aos demais, porventura até pior em alguns casos.
Com a selecção, este ano, passa-se o mesmo. Poderia ser a melhor de todas. Ao nível mundial. Bem orientada, a Argentina tinha jogadores para fazer duas equipas sensivelmente iguais, ambas com capacidade para discutir entre si a final, se não se cruzassem antes.
Pois não obstante tudo isso, há um clima, a rodear a selecção, que não augura nada de bom.
Desde logo, essa história dos “holligans” é inadmissível. Toda a gente sabe o que se passa no campeonato da Argentina e no Torneio de Abertura. Lutas selvagens ente os adeptos das equipas rivais. Brutalidades sem conta. A que ninguém na Argentina consegue pôr cobro.
Pois, como se não bastasse o que fazem por lá, pagaram-lhes para acompanhar a selecção à África do Sul. E as responsabilidades não são de ninguém, embora haja cada vez mais suspeitas de que o próprio governo está não está isento delas, além claro, da federação e do seleccionador.
Por outro lado, crescem à volta da selecção as”promessas” mais estapafúrdias. É Maradona que promete subir o Obelisco nu, como se fosse um Apolo com muito para mostrar, digno de figurar na estatuária grega.
É Bilardo, já com idade para ter juízo, que promete coisas ainda piores. E é, finalmente, uma Miss que promete desnudar-se se, tal como os outros, a Argentina for campeã!
Há qualquer coisa de decadente que augura o pior, apesar da excelência da matéria prima.