domingo, 22 de agosto de 2010

BENFICA: QUARTA DERROTA CONSECUTIVA


ALGUÉM TEM DE SE IMPOR
É preciso distinguir uma personalidade perseverante de uma personalidade teimosa. O perseverante é aquele que, com base em anteriores experiências e perfeito conhecimento das suas capacidades, insiste progressivamente no caminho do êxito. O teimoso é aquele que despreza a experiência e sem qualquer sustentabilidade insiste em manter opiniões ou condutas que repetidamente levam ao insucesso.
O perseverante avalia bem as condições em que actua, sendo o resultado da sua perseverança tanto mais seguro quanto inteligente for a avaliação que delas faz. O teimoso é estúpido, despreza todos os elementos relevantes de análise e insiste no erro até que o erro o destrua.
Jorge Jesus é teimoso. Insistir em Roberto quando toda a gente já percebeu que o “rapaz” não tem as menores condições para ocupar a baliza do Benfica é uma atitude suicidária.
Alguém vai ter de pôr cobro a isto: a crítica desportiva em geral, por mais óbvias que sejam os fundamentos das suas análises, não fará dobrar a teimosia de Jesus. Os adeptos que vão ao Estádio da Luz, ou de uma grande percentagem deles, também não, já que a sua principal preocupação será a de fazer a defesa do guarda-redes. Assim sendo, só uma reacção vinda dos jogadores ou de quem manda poderá pôr fim a esta triste situação.
É que o Benfica arrisca-se a perder não apenas os 8,5 milhões que o jogador custou, mas todos os demais investimentos feitos de há dois ou três anos a esta parte, a começar pelos resultados da Champions League.
Roberto tira pontos em todos os jogos. Hoje, a equipa do Benfica joga com um jogador que funciona como um "adversário infiltrado", além de outro que apenas faz figura de corpo presente. E não há nenhuma equipa, como já aqui dissemos, por melhor que seja, que resista a isto!
O que está a acontecer também desmistifica Jesus como treinador. Ele, como tantos outros, actua irracionalmente, com base uma "fé" estúpida que não leva a lado nenhum.
Mas não é somente Roberto que não pode jogar: Cardozo também não pode. Mas há mais aspectos a reparar, que serão analisados em artigo à parte.
Repetindo uma “proeza” que já não acontecia há 58 anos e que apenas por duas vezes ocorreu na longa história do Benfica – perder os dois primeiros jogos do campeonato –, Jorge Jesus, em princípio, não revalidará o título, já que somente uma super época poderia reverter a actual situação.
Enfim, não há muito mais a dizer depois do que se passou na Choupana. Tudo o que sobre este assunto poderia ser dito já aqui foi escrito noutros posts no último mês.
Para bem do Benfica e do futebol alguém terá de se impor. E já!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

E, AGORA, QUEIROZ?



SELECCIONADOR CONTINUA A RESISTIR

Pelo episódio da Covilhã, Queiroz apanhou um mês de suspensão. É pouco, mas o instrutor do processo terá entendido que não houve obstrução, mas apenas injúrias à equipa de controlo anti-doping.
Todavia, ainda este processo não estava concluído, e já Queiroz se metia noutra. Em entrevista ao semanário Expresso insulta um vice-presidente da Federação.
Aparentemente, Queiroz sente-se seguro. A Comissão de Disciplina, novamente “disciplinada” pelo que de pior há no futebol português, aplicou-lhe a pena mínima. E ninguém se espantaria se o Conselho de Justiça o absolver. Pois se até o ano passado com uma composição menos favorável aos tais “senhores do futebol” teve a pouca vergonha de equiparar os stewards a público, este ano, com uma composição "à medida", é muito capaz de considerar Queiroz uma “vítima” da brigada anti-doping…
Resta esperar que o Instituto do Desporto de Portugal avoque o processo e lhe aplique a pena merecida.
Quanto ao segundo processo, por insultos a Amândio de Carvalho, em qualquer outra federação, com um mínimo de dignidade, se poderia antecipar o resultado. Na Federação Portuguesa de Futebol talvez também se possa antecipar o resultado…mas no sentido exactamente contrário ao que seria legítimo esperar.
No meio de tudo isto, continua sem se perceber o que anda o presidente do Benfica a fazer…

TAÇA EUROPA



AS EQUIPAS PORTUGUESAS: MAIS OU MENOS O ESPERADO

A primeira ronda dos jogos de play off para apuramento da fase de grupos da Taça Europa coreu, para as equipas portuguesas, mais ou menos como se esperava.
O Marítimo perdeu na Bielorrússia com o Bate Borisov por uma margem que não deixa qualquer hipótese de recuperação. Salvo milagre, está eliminado.
O Sporting, que já se tinha visto atrapalhado para passar a fase anterior contra uma equipa dinamarquesa da parte baixa da tabela, perdeu hoje, em casa, com o Brondby por 2-0. Em princípio, também está eliminado. Os sportinguistas, que já estão bem arrependidos de terem despedido Paulo Bento, já começam a sentir saudades de Carvalhal. Avizinha-se um ano pior do que o anterior…
Finalmente, o Porto venceu naturalmente o Gent e é, pelo seu prestígio e maturidade, um sério candidato à vitória na Taça Europa. Sim, toda a gente sabe que é ainda muito cedo, mas as previsões, a fazer-se, só têm interesse se forem feitas nesta altura.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

BRAGA VENCEU E CONVENCEU



A MELHOR EQUIPA PORTUGUESA DA ACTUALIDADE

O Braga venceu esta noite o Sevilha por 1-0 e fez um grande jogo, principalmente na segunda parte. Depois de ter eliminado o Celtic, o Braga deu hoje um grande passo no sentido do apuramento para a fase de grupos da Champions League. Se lá chegar, vai certamente fazer uma prova brilhante.
A equipa perdeu vários jogadores, que estão longe, nas equipas para onde foram, de atingir o brilhantismo com que se exibiram em Braga na época passada, mas nem por isso perdeu identidade, nem deixou de continuar a jogar um futebol atraente, muito seguro defensivamente e perigoso no ataque.
Goste-se ou não de Domingos, como pessoa, tem de reconhecer-se que tecnicamente é muito bom e que a classe e a eficácia com que o Braga se exibe são mérito seu.
O resultado desta noite, embora sendo escasso, é, numa prova a eliminar, um resultado excelente. Arriscaria afirmar que na próxima terça-feira o Braga celebrará a sua participação na Liga dos Campeões.
Internamente, o Braga é hoje a melhor equipa portuguesa e seguramente um sério candidato ao título.
Podem parecer ousadas estas afirmações no princípio de época, mas o que já se viu e o que se antevê noutros lados, não deixa margem para muitas dúvidas. O Sporting está mais ou menos na mesma, o Benfica está pior e vai piorar ainda mais e o Porto não vai ter capacidade para ombrear com o Braga.
Daqui a pouco tempo já tudo será mais claro. E então voltaremos a falar.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

BENFICA: TERCEIRA DERROTA CONSECUTIVA


O QUE SE ESPERAVA

Só mesmo os mais ingénuos poderiam supor que o Benfica deste ano estava ao nível do do ano passado. Não está. Está muito pior, como aqui já tinha sido dito.
Três erros crassos marcaram desde início a preparação do Benfica para a nova época.
O primeiro, absolutamente imperdoável, foi o modo como o treinador despediu Quim, em directo, num programa de televisão para atrasados mentais e marcadamente anti-benfiquista. Um jogador bicampeão, internacional, com cerca de seis anos de casa, merecia outra consideração. Se o Benfica fosse dirigido por alguém que percebesse de futebol e que além disso carregasse em si o prestígio da instituição, Quim continuaria e Jesus teria de “engolir” a sua ousada decisão. Por estranho que pareça, estes comportamentos têm efeitos nefastos sobre todo o grupo, como se está a ver.
Em segundo lugar, nunca o Benfica deveria ter contratado Roberto, que corre o risco de se transformar em motivo de chacota nos campos adversários em que seja chamado a actuar. Ou se o contratasse, deveria ter sido explicado que ele veio para o Benfica como pagamento da transferência de Simão para o Atlético de Madrid, na parte ainda não paga.
Em terceiro lugar, o Benfica deveria ter “industriado” os seus empresários para venderem David Luiz (pelo melhor preço, algo entre 35 e 40 milhões de euros), Cardozo (por um preço bem inferior ao da cláusula penal) e Ramires (dada a inevitabilidade da transferência).
Com parte destas receitas mantinha Di Maria e Coentrão, de preferência com prorrogação dos respectivos contratos e assegurava o equilíbrio da equipa, buscando no mercado alguém que pudesse substituir Ramires (embora sabendo-se que Ramires é insubstituível) e David Luiz. Não falta no Brasil ou na Argentina quem esteja à altura daquelas vagas, contanto que a equipa se tivesse mantido equilibrada.
Agora, fazer o que o Benfica fez – e a culpa recai sobretudo em Jesus e Rui Costa -, que foi perder cerca de 60% da eficácia da equipa do ano passado e não ter contratado absolutamente ninguém para colmatar essas faltas, é um erro imperdoável. Realmente, as contratações efectuadas não se destinam a suprir aquelas faltas, mas antes a reforçar lugares que já estavam bem servidos. O que é positivo, mas de forma alguma chega.
O Benfica deste ano não tem alma, nem parece ter a frescura física do ano passado. E pior do que tudo isso. O treinador teima em jogar num sistema para o qual não tem jogadores.
Como se verá, a arrogância de Jesus não vai chegar. Será, pelo contrário, um factor negativo. Aliás, é uma arrogância dos fracos, já que as muitas asneiras feitas este ano não aconselhariam a ninguém aquele tipo de comportamento dentro do Benfica.

domingo, 15 de agosto de 2010

QUEIROZ AO ATAQUE


O FUTEBOL JÁ ESTÁ A PERDER

Queiroz sentiu as “costas quentes”. Não admira: o que há de pior no futebol português está do seu lado. Sentindo esse apoio, logo a vertente carroceira e truculenta de Queiroz veio novamente ao de cima, atacando jornalistas e todos os que pretendem investigá-lo, a ponto de ter ousado afirmar que o “seu caso” tinha contornos de perseguição política.
A entrevisto de Queiroz ao Expresso é toda ela uma vergonha, apenas possível por já estar a antever o desfecho do processo que lhe foi instaurado. Aconteça o que acontecer – e é muito provável que Queiroz continue, não obstante as declarações do SE do Desporto – o futebol português já está a perder.
Já está a perder, porque escasseia o tempo para substituir Queiroz antes do início da fase de qualificação do Europeu. E já está a perder, porque, se Queiroz ficar, não conseguirá aguentar o lugar por muito tempo. A animosidade que a sua personalidade levanta na maioria esmagadora dos adeptos da selecção não lhe vai permitir ir muito longe. Se não for demitido pela Federação, sê-lo-á pelo “povo do futebol”.
Inacreditável em todo isto é a atitude do presidente do Benfica. Não se percebe bem se o homem é estúpido ou, não o sendo, que tipo de objectivos tem em vista. Depois de ter “oferecido” a direcção da Liga a um fanático adepto do Porto, vem agora, juntamente com Pinto da Costa, apoiar o seleccionador.
Uma coisa é certa: faça esse cavalheiro o que fizer, os benfiquistas não o seguirão. E não deixarão de interrogar-se sobre a natureza dos interesses que o movem para se comportar como se comportou sobre dois assuntos em que os interesses estratégicos do Benfica apontavam e apontam no sentido oposto.
As recentes posições do presidente do Benfica são ainda mais graves do que a incompetência e as atitudes de Queiroz, na medida em que põem a nu a completa ausência de democracia no clube mais popular e de maiores tradições democráticas em Portugal. Enfim, uma vergonha!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A DERROTA DO BENFICA



O QUE ESTÁ PIOR
O Benfica ganhou os dois jogos do troféu do Guadiana por 4-1, respectivamente contra o Feyenoord e o Aston Villa, e um clima de euforia tomou conta dos benfiquistas e, de certo modo, da própria equipa técnica.
O jogo de ontem, contra o Tottenham, veio repor as coisas no seu lugar, ou seja, deixar a dúvida sobre o real valor da equipa.
O ano passado, por esta altura, parecia não haver dúvidas: o Benfica iria fazer uma grande época, como fez, e logo no primeiro jogo oficial os adeptos acorreram em massa ao Estádio da Luz e aplaudiram demoradamente a equipa, não obstante o empate alcançado pelo Marítimo num jogo onde se tivesse perdido por seis não seria demais.
Este ano há várias nuvens a pairar sobre a equipa, das quais a mais “preta” não é certamente a saída de Di Maria, apesar de tratar de um jogador praticamente insubstituível. Outras estão longe de se dissiparem. A primeira de todas é a insegurança gerada pelo guarda-redes Roberto que não consegue transmitir confiança à equipa. Depois, outra não menos grave, a saída de Ramires, um dos melhores jogadores que passou pela equipa do Benfica. Vai confirmar-se nos próximos anos a real valia deste jogador, absolutamente fundamental para a equipa em que alinhe, seja ela a selecção do Brasil, o Benfica ou o Chelsea. Seguidamente, a dúvida sobre se vai sair mais alguém (Coentrão, David Luiz ou outro) e ausência de um esquema de jogo claro, ditado pela indecisão que paira sobre a definitiva composição da equipa.
No próximo sábado, contra o Porto, se aferirá do real valor da equipa nesta fase da época…
Preocupante, entretanto, é a arrogância cada vez mais marcada com que Jesus se relaciona com os jornalistas sempre que não gosta das perguntas…

domingo, 1 de agosto de 2010

PORTO PERDE SEGUNDA VEZ NO TORNEIO DE PARIS





SEM DEFESA, O PORTO É FRÁGIL

Vilas-Boas não acerta com a defesa. Sem Bruno Alves e com Meireles em dúvida sobre se parte ou se fica, o Porto traz inquietos os seus adeptos. Como sempre acontece quando as coisas começam a correr mal por culpa própria ou por mérito dos adversários, os treinadores culpam os árbitros.
Simultaneamente, o treinador vai deixando entender que aqueles jogadores querem sair, sem que, contudo, haja propostas nesse sentido. Será mesmo assim? Que os jogadores querem sair é óbvio. Bruno Alves já queria sair o ano passado e Meireles também já deu a entender que quer mudar de ares. E propostas certamente haverá. Provavelmente, não aquelas que o Porto quereria…
Apesar de o Porto ter perdido duas vezes seguidas e de não ter feito grandes jogos na pré-época, ainda é muito cedo para tirar conclusões. Tudo pode ainda mudar: quer as impressões favoráveis, como as desfavoráveis.
No próximo sábado, em Aveiro, já se verá como se comporta este Porto nos jogos “a doer”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

AS DUAS PRIMEIRAS "VÍTIMAS" DE MOURINHO



GUTI E RAUL

Como aqui tínhamos previsto, Mourinho iria seguramente operar várias mudanças no Real Madrid. Sabe-se que uma das decisões mais difíceis com que qualquer treinador se depara consiste em afastar de uma equipa famosa (em princípio, até de qualquer equipa) os “históricos”, carregados de prestígio e de anos de casa, quando começam a envelhecer e teimam em continuar.
Poucos são os treinadores com coragem para os afastar. Os adeptos estão afeiçoados a tais jogadores, já que eles contribuíram para muitos dos títulos conquistados e partilharam com a afiction muitas tardes de glória.
Os adeptos têm muita dificuldade em distinguir o merecido reconhecimento que lhes deve eternamente ser tributado pelo clube onde jogaram e o afastamento do plantel. Normalmente, a paixão leva-os a supor que esse reconhecimento só estará à medida da retribuição devida se as ditas glórias forem mantidas no plantel.
Poucos são os que seguem o exemplo de Zidane: afastar-se ainda no auge da forma. Normalmente, têm tendência a “arrastar-se”, de preferência na equipa onde se consagraram. Só quando isso se torna impossível por imposição do treinador é que eles tentam outra via: normalmente tendem a ir para uma equipa de segunda linha mas ainda com algumas pretensões.
Foi essa a via escolhida por Raul – uma das maiores glórias da história do RM – e será certamente também a de Guti – um “canterano” com mais de duas décadas de clube.
Esta é a primeira vitória de Mourinho. Quem se seguirá? Penso que será Valdano…por razões aparentemente diferentes. Vamos aguardar.

BENFICA SEM ROBERTO EM ALBUFEIRA




NÃO SOFREU GOLOS, MAS TAMBÉM NÃO BRILHOU

Coincidência ou não, o Benfica jogou sem Roberto e não sofreu qualquer golo. O jogo não foi grande coisa e o adversário também não.
Há ainda muita indecisão. Pode não ter nada a ver uma coisa com a outra, mas não me admirava nada que esta indecisão que se nota na equipa esteja relacionada com o facto de ainda se não saber quem fica. O ano passado havia dúvidas sobre quem poderia entrar. Este ano as dúvidas são sobre quem poderá sair. E esta indecisão pesa muito mais do que a outra, principalmente quando o que está em dúvida são jogadores como Ramires, Luisão, David Luiz ou Coentrão..
Rui Costa que é manifestamente uma pessoa pouco dotada, com pouca capacidade para se exprimir (provavelmente estudou muito pouco ou quase nada), complica mais do que facilita com as suas confusas intervenções. Percebe-se que há pressões de vários lados e que algo não está estável. Mas vamos ter de aguardar para confirmar ou infirmar esta impressão.
Entretanto, os comentadores da Sport TV que, com o se sabe, actuam sempre como adeptos ou empregados de certos clubes – e quase nunca como profissionais – deram mais uma grande ajuda a Jorge Jesus com os comentários feitos em off sobre o guarda-redes do Benfica.
O que eles disseram só é condenável pelos termos utilizados e não tanto pelas ideias expressas. Mas já se sabe como é: no futebol a paixão tudo supera e até impede a lucidez e a análise racional daquilo que está à vista de todos.
De facto, como aqui já dissemos várias vezes, Roberto é muito mais do que uma contratação falhada. É uma contratação contra o Benfica que somente pode ser neutralizada – isto é, colocada no rol das contratações falhadas – se for impedido de jogar em qualquer jogo oficial.
Só que a partir de agora, Jesus vai ter mais argumentos para o pôr a jogar e vai até contar com o apoio de adeptos acríticos, dispostos a apoiar tudo o que possa parecer como uma justa luta contra uma campanha contra o Benfica..
Por que é que tudo isto aconteceu e está acontecendo é que toda a gente espera ainda se venha a perceber um dia…

QUEIROZ E O EXEMPLO DA ARGENTINA



AS DUAS VIAS

A FPF tem à sua disposição duas vias para se ver livre de Queiroz, se essa for a sua vontade.
A primeira é a que se poderia chamar a via argentina e que consiste em exigir a Queiroz que ponha a seu lado alguém que perceba de futebol com um estatuto perfeitamente definido. Supondo que o actual seleccionador tem um mínimo de brio profisssional, optará, tal como Maradona, por pôr o lugar à disposição. À cautela, para o caso pouco digno de Queiroz aceitar "companhia", convém que a pessoa escolhida para actuar a seu lado seja alguém versado em pugilismo ou em artes marciais para o caso de ser necessário responder a outro tipo de argumentos, além dos especificamente futebolísticos.
A segunda via consiste em instaurar rapidamente um processo disciplinar a Queiroz com base nos factos já apurados no inquérito da IND e demiti-lo com justa causa.
Ao que se diz, há quem na Federação não esteja de acordo com o despedimento de Queiroz, embora se não perceba bem porquê. No futebol onde há dinheiro há sempre alguns mistérios que só mesmo os iniciados compreendem…Queiroz ganha muito dinheiro…muitíssimo, muito mais do que aquilo que merece e mesmo assim há quem queira que ele continue a ganhar esse dinheiro mesmo sem qualquer razão técnica que o justifique. Estranho. Muito estranho. Vamos esperar por sexta-feira para ficarmos a saber o que se passou.

domingo, 25 de julho de 2010

BENFICA NÃO DESCE MÉDIA DE GOLOS SOFRIDOS



ROBERTO NÃO SERVE, MAS HÁ MAIS QUEM NÃO ESTEJA BEM

Ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas, salvo aquelas que o futuro apenas se encarregará de confirmar. É o que se passa com o guarda-redes, que mais uma vez se viu que não tem cultura de baliza.
O primeiro golo até poderia entrar. O que não pode é entrar da forma que entrou. O guarda-redes ou saía ou adiantava-se, encurtando o ângulo, e fazia a mancha. O que não pode é um homem de um metro e noventa ficar de pé quase junto à baliza à espera que o avançado adversário remate.
Portanto, Roberto é assunto arrumado. Se o treinador quiser perder e sofrer golos uns atrás dos outros, joga com Roberto. Se quiser evitar este descalabro, joga com quem tiver à mão, seja Júlio César ou Moreira. Não fica bem servido, mas comparativamente com a hipótese que se perfila é a única solução aceitável.
É igualmente indiscutível que a equipa não está a defender bem. David Luiz comete muitos erros tácticos, como aqui se já disse. Sidney também não é Luisão e os laterais que têm jogado estão longe de igualar a competência dos que ainda estão de férias.
Coentrão já regressou e, se ficar, há muitas hipóteses de ele regressar ao lugar de ala esquerdo, já que o Benfica, na sua ausência, não tem quem jogue pelas alas. O que seria mau, já que ele é muito melhor com defesa esquerdo.
A equipa vai marcando golos, vai superando as deficiências defensivas marcando muitos golos, mas, como já se viu, isso não chega. Por outro lado, a sensação com que se fica é a de que há uma certa desarrumação na equipa, a ponto de se ficar com a impressão de que nem todos sabem qual é o seu papel, contrariamente ao que acontecia o ano passado em que nada parecia acontecer por acaso.
O melhor que Jesus tem a fazer é deixar-se de respostas arrogantes e impertinentes sobre o guarda-redes e tratar de distribuir os papéis de modo a que um possa fazer a melhor interpretação possível da função que lhe cabe. E arranjar quem jogue pelas bandas, porque mesmo depois do regresso a tempo inteiro de Coentrão e de Maxi Pereira - e supondo que ambos jogarão nos lugares em que jogaram o ano passado - não se lhes pode pedir que eles desempenhem sozinhos aquela função e que, além disso, ainda defendam.
Ainda há muitas nuvens por dissipar sobre o Estádio da Luz…

sábado, 24 de julho de 2010

ESTÁ NA HORA DE DESPEDIR QUEIROZ

SEM INDEMNIZAÇÃO

Pelas notícias que vieram a público, com base num inquérito já realizado pelo Instituto do Desporto de Portugal, Queiroz ter-se-ia comportado incorrectamente para com os médicos da autoridade antidopagem, durante o estágio da selecção na Covilhã. O Governo confirma a gravidade dos factos imputados.
Queiroz, com a sua habitual arrogância e má educação, ter-se-á insurgido contra esta “intromissão” das autoridades antidopagem no estágio da selecção. É caso para dizer que o pessoal do Instituto até andou com alguma sorte, pois em “circunstâncias normais” poderia ter-lhe acontecido o mesmo que já aconteceu a outros que criticaram as opções técnicas de Queiroz.
Com base nos factos já apurados, a FPF tem matéria mais do que suficiente para instaurar um processo disciplinar a Queiroz e, com base na prova nele obtida, despedi-lo com justa causa.
É preferível operar por esta via, caída do céu, do que colocar-lhe um verdadeiro treinador na equipa técnica, nomeação que Queiroz iria boicotar e que seria, na prática, uma verdadeira fonte de conflitos.
Tudo está em saber, como sempre acontece em Portugal, qual o nível de compadrio e de “cumplicidades” entre o pessoal da Federação e Queiroz, para se poder avaliar até que ponto podem ser tiradas as consequências adequadas do comportamento do seleccionador.
É caso para perguntar o que pensa o Sr. Lobo deste comportamento de Queiroz, ele que tão escandalizado se mostrou e até “envergonhado”, como português, quando Scolari, em defesa de um jogador português e reagindo a uma provocação de sérvio Dragutinovic, tentou afastá-lo com o punho.
O actual caso é muito mais grave porque se trata de um seleccionador que se insurge contra o controlo antidopagem, algo que, por exemplo, na Volta a França estaria sujeito a sanções severíssimas e poderia, inclusive, integrar um tipo legal de crime. Mas é óbvio que o Sr. Lobo vai encontrar uma justificação para o comportamento de Queiroz, um comportamento que, quem sabe, “como português”, o orgulha ou, pelo menos, o não ednvergonha!

BENFICA: QUANTOS FICAM?

QUE HIPÓTESES COM OUTRO PLANTEL?

Depois da transferência de Di Maria, têm-se multiplicado nos jornais as notícias sobre outras inevitáveis saídas no plantel benfiquista. As notícias visam fundamentalmente Ramires, David Luiz e Fábio Coentrão. Não é muito provável que saiam os três, mas somente quando o mercado fechar, no fim de Agosto, se saberá, com segurança, quem partiu e quem ficou.
O assédio aos jogadores mais influentes não se faz apenas por via das verbas a pagar ao clube com os quais eles têm contrato, mas principalmente pelos ordenados milionários com que lhes acenam os clubes que os pretendem. Postos perante este cenário, os clubes com menos recursos têm escassas possibilidades de resistir. É que não é fácil manter no plantel um jogador a quem ofereceram um ordenado várias vezes superior ao que está auferindo no clube a que está vinculado.
Isto para dizer, que o vínculo contratual e o montante da cláusula de rescisão não são determinantes para manter no plantel um jogador que queira partir, embora também daqui se não possa concluir que nada valem. Não é isso o que se pretende dizer. O vínculo e as cláusulas contratuais condicionam, mas não são determinantes.
O mais provável perante uma forte insistência, acompanhada de uma proposta razoável, segundo os critérios do mercado, é que o jogador acabe por ser transferido por um preço inferior ao estabelecido na cláusula de rescisão que blinda o contrato.
É esse o risco que o Benfica corre. Apesar do muito dinheiro que aquelas transferências lhe possam proporcionar, fica a incógnita das suas consequências no plano desportivo. É que não é fácil substituir em poucas semanas jogadores daquele gabarito. Um plantel pode não ser constituído por jogadores de luxo, como era o da época passada no Benfica, mas tem de ser um plantel equilibrado e bem estruturado.
E a questão que se coloca é a seguinte: se Di Maria já não é substituível de imediato, Ramires e Fábio Coentrão sê-lo-ão ainda menos. Não há no plantel do Benfica quem esteja à altura de os substituir na função, mesmo que com menos brilho. Já o caso de David Luiz é diferente. O jovem defesa-central é um magnífico jogador, mas é muito indisciplinado tacticamente e até se pode levantar a dúvida sobre se alguma vez ele poderá ser o patrão de uma defesa. Se pode ser ele a comandar a manobra defensiva da equipa ou se, para brilhar, terá de ter sempre alguém que seja capaz de fazer aquele serviço. E, é claro, que um jogador com estas características, por muito bom que seja – e David Luiz é-o sem dúvida – é sempre mais facilmente substituível.
Resta saber se com a saída de quatro jogadores fundamentais Jorge Jesus está em condições de continuar a garantir a qualidade (possível) e a competitividade (máxima).
É bom lembrar que Mourinho no Porto venceu com uma equipa que ele construiu com poucos recursos e feita de “retalhos” apanhados nas sobras do Benfica, da União de Leiria e mais alguns. É óbvio que há uma diferença: a equipa de Mourinho, no Porto, foi construída por ele; a equipa de Jorge Jesus, no segunda ano de Benfica, a confirmarem-se as transferências, será uma equipa “desconstruída”. A verdade é que nunca, no Porto, Mourinho teve um plantel com o valor individual do plantel do Benfica do ano passado. É altura, portanto, de Jesus, com outros recursos, confirmar o seu valor.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

DUELO NOS PIRINÉUS



ANDY SCHLECK ESTEVE VALENTE, MAS NÃO CHEGOU

Mais um grande espectáculo na Volta à França, durante a subida do Tourmalet, em que se assistiu a um extraordinário duelo entre jovem luxemburguês, Andy Schleck, e o camisola amarela, Contador, que até contou com a presença do Presidente da República de França, grande amante da modalidade.
Schleck tudo tentou para se distanciar de Contador. Atacou forte durante a subida do Tourmalet, ainda muito longe da meta, mas Contador seguiu-o. Mudou de ritmo várias vezes. Conduziu a escalada sempre na frente. Tentou, por várias vezes, que o seu principal adversário o olhasse nos olhos, mas a tudo Contador resistiu.
Na chegada à meta os dois corredores iam praticamente a par, e Contador, certamente para “compensar” a sua atitude na subida de Port De Balés, não se fez ao sprint, deixando que Schleck ganhasse a etapa.
Certamente que tudo teria sido diferente se o luxemburguês não tivesse perdido o primeiro lugar nas condições em que o perdeu. Nesse caso, teria de ser Contador a atacar e Schleck estaria muito mais à vontade, inclusive para contra-atacar na hora própria. Mas como a história não tem “ses” e a corrida também é feita das suas contingências, Schleck, não obstante o seu valor, a sua força e o excelente momento de forma que atravessa, deve, salvo imponderável, ter dito hoje adeus à Volta à França, já que, no contra-relógio, as chances de superar Contador são praticamente nulas.
No fim da etapa Sarkozy confraternizou longamente, com muito entusiasmo, com os dois grandes do dia e também com Lance Armstrong que se entretanto se juntou ao grupo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

CONTADOR: UM MAU EXEMPLO


ANDY SCHLECK – FORÇA, A VITÓRIA ESTÁ AO TEU ALCANCE!


Hoje um post sobre ciclismo.
Não se pode dizer que tenha sido um grande dia para o desporto espanhol. Na última contagem (Port de Balés) do prémio da montanha da etapa de hoje, entre Pamiers e Bagnéres de Luchon, Andy Schleck, o jovem camisola amarela, lançou um vigoroso ataque para se distanciar do segundo classificado, Alberto Contador.
No momento em que o ataque se desenvolvia com toda a intensidade, Schleck teve um acidente mecânico, a corrente saltou, e Contador aproveitou-se da paragem forçada do jovem luxemburguês para se distanciar juntamente com um grupo de corredores.
Schleck, sozinho, respondeu com toda a coragem para preservar a magra vantagem, 31 s, que o separava do segundo classificado. Como a meta estava muito próxima, o jovem Schleck não logrou alcançar os fugitivos e perdeu a camisola amarela por 8 segundos.
O gesto de Contador fica com quem o praticou! O pelotão saberá valia-lo. Não é um gesto único. Já por mais de uma vez se viu quem tenha feito o mesmo. Mas felizmente há muitos outros exemplos de sentido contrário no ciclismo e na própria Volta à França. Interrogado o final da corrida sobre o seu comportamento, Contador mentiu, quando afirmou que não se apercebeu do que se passou e que só mais tarde soube o que tinha acontecido. Mentira!
Schleck ainda tem chances…mas não tem equipa. Está sozinho…

domingo, 18 de julho de 2010

O BENFICA TEM UM PROBLEMA GRAVE


E QUANTO MAIS TARDE O RECONHECER, PIOR

O Benfica tem um grave problema que não pode por mais tempo ser iludido. Cada bola que vai à baliza entra! Em quatro jogos sofreu nove golos! É verdade que a defesa ainda não é a do ano passado, mas isso não é desculpa. Várias foram as vezes que o ano passado jogou na defesa com jogadores diferentes dos titulares e não sofreu golos.
O problema está no guarda-redes. E não é um problema pequeno. É um grandíssimo problema. Roberto não tem margem de progressão. É aquilo que mostra que é. Aliás, se há um lugar onde não margem para esperar por progressões quando a base de que se parte é fraca, é o lugar de guarda-redes.
Jesus não pode continuar a tapar o sol com a peneira ou a ficar à espera de que aconteça algum milagre. Não vai acontecer. Roberto não posiciona correctamente em função das jogadas, sai mal nos cruzamentos, é incapaz de sair com êxito nas bolas por alto e dá "frangos” atrás de “frangos”.
A equipa não tem confiança nele, nem sequer lhe passa a bola, tal é o medo que uma qualquer jogada nas suas proximidades dê golo.
Jesus não pode continuar a desculpar-se e a desculpá-lo com a bola, porque os golos que sofreu ontem e hoje não têm nada a ver com a bola.
Não há nenhuma equipa, por melhor que seja, que resista a uma média de dois, três golos sofridos na sua baliza. Menos ainda quando a maior parte deles é da responsabilidade do guarda-redes.
De imediato, só há uma solução: é pô-lo no banco. E depois tentar contratar outro, por alguém que saiba escolher. Pois está visto que Jesus não sabe.
Quim era um guarda-redes médio. Podia não dar pontos (às vezes até dava), mas nunca tirava pontos. Jesus foi buscar este, porque queria um guarda-redes que desse pontos. Acontece que este tira pontos e não serão poucos, se o deixarem continuar.
O preço que ele custou (incrível!) não pode ser desculpa para o manter na baliza, porque a sua presença nas redes do Benfica rapidamente triplica ou quadruplica aquele prejuízo. Alguém imaginou aquele guarda-redes a jogar na Liga dos Campeões?
Quanto ao resto, Kardec confirma-se como o grande reforço da equipa. Será bom negócio deixar ir o Cardozo por um preço aceitável. Já!

QUE BENFICA, EM 2010-2011?



PIOR

Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, há meia dúzia de jogadores que ainda não regressaram, mas tudo aponta no sentido de esta equipa não ser capaz de repetir o feito da do ano passado.
O treinador é o mesmo, mas ainda se não sabe com que jogadores vai contar. O que já se sabe é que, há um ano, a equipa que então iniciava a preparação não tinha comparação com esta. Não só na atitude, mas também no próprio modelo de jogo.
O Benfica perdeu Di Maria e seguramente não vai encontrar quem o substitua na próxima época, por mais prometedoras que sejam (se forem) as novas aquisições. Di Maria, quando chegou, também não substituiu Simão. E pode até acontecer, supondo que Coentrão fica, que não apenas se perca Di Maria, mas também o próprio Coentrão...no lugar que o notabilizou.
Depois há outra incógnita chamada Ramires. Se Ramires também for embora, então a situação piora gravemente. Ramires é hoje um jogador tão importante que nem sequer é ousado supor que no recente campeonato do mundo tudo poderia ter sido diferente se Ramires não estivesse a cumprir castigo no jogo do Brasil contra a Holanda.
David Luís, que não se sabe se fica, não parece estar com a cabeça na equipa. A sua “incultura táctica” aumenta a olhos vistos de jogo para jogo.
A única revelação do Benfica parece ser Kardec, o único cuja permanência na equipa poderia suprir com proveito a hipotética ausência de Cardozo. Se fizesse um bom negócio, o Benfica não ficaria nada a perder com a saída de Cardozo.
Finalmente, o guarda-redes, que parece ser um grande “barrete”. Em quatro jogos da pré-época já sofreu cerca de um terço dos golos sofridos por Quim, a época passada, durante todo o campeonato.
Já se percebeu que guarda-redes não é o forte de Jesus. O ano passado foi buscar ao Belenenses Júlio César, e apesar de ter tido a pretensão de o colocar como titular, acabou por ter o bom senso de o pôr a jogar apenas na Liga Europa, onde deu algumas pequenas “barracas” e uma grande, em Liverpool.
Este rapaz que veio de Espanha, como se verá, não serve e é inadmissível que o Benfica tenha gasto na sua contratação quase o dobro do que custou Eduardo ao Génova. Ninguém percebe isto. Como ninguém aceita nem percebe que Jorge Jesus tenha despedido Quim em directo num programa televisivo, dominado pelo anti-benfiquismo primário, e muito próximo de um programa para atrasados mentais.
O Presidente do Benfica não deveria ter admitido aquela atitude de Jesus e deveria pura e simplesmente tê-lo desautorizado, sem dramatismo. Quim, duas vezes campeão e titular durante vários anos da baliza do Benfica, merecia outro respeito.
É preciso que se saiba que quem dispensa e quem compra jogadores no Benfica é a direcção, certamente sob proposta do treinador e do director desportivo. Mas a última palavra é sempre do clube, tendo o treinador que se sujeitar a ela.
Veremos o que se vai passar durante época, mas não seria certamente um bom sinal se situações destas ou parecidas se repetirem.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

FEDERAÇÃO RECONHECE LIMITAÇÕES DE QUEIROZ




…E PARECE ESPERAR QUE QUEIROZ TAMBÉM AS RECONHEÇA

A situação económico-financeira da Federação, que tem como causa próxima o desempenho de Queiroz à frente da selecção nacional, não lhe permite tomar as decisões que se impunham, sem que com esta constatação se pretenda desculpar a Federação, por uma situação que ela própria criou.
É no quadro deste condicionalismo que tem de se entender a breve comunicação ontem feita depois de uma longa reunião de direcção.
Quando se afirma que se justifica a introdução de alterações na equipa técnica e logo a seguir se esclarece que tais alterações serão tratadas em próxima reunião com o seleccionador, pretende-se dizer antes de mais nada que há problemas na equipa técnica que a Federação quer resolver. Portanto, problemas que o seleccionador não equacionou, mas que a Federação reconhece existirem (na esteira, aliás, da generalidade dos portugueses).
E, em segundo lugar, diz-se o óbvio, ou seja, que tais alterações serão tratadas com o seleccionador muito brevemente. O que já não é tão óbvio, sem contudo deixar de constituir uma esperança, é que o seleccionador se demita por lhe estar a ser imposta uma alteração para a qual não foi chamado a decidir.
Aqui é que a Federação muito provavelmente se engana, pois tudo aponta no sentido de Queiroz se não demitir.
Demita-se ou não, Queiroz ficará ainda mais fragilizado e sem grandes possibilidades práticas de levar a bom termo a qualificação para o Euro 2012.

terça-feira, 13 de julho de 2010

QUEIROZ, QUE FUTURO?


NÃO TEM CONDIÇÕES PARA FICAR

Enquanto a RTP N se esforça por demonstrar que Queiroz, apesar das asneiras, deve ficar, dando assim corpo a uma campanha que tem a su origem nos já conhecidos poderes fácticos do futebol português, outros comentadores de outras estações televisivas menos sujeitas à tirania informativa daqueles poderes vão fazendo o que está ao seu alcance para demonstrar que Queiroz não serve. No meio de tudo isto, patético e ridículo, Rui Santos, enquanto intriga contra meio mundo, vai igualmente fazendo a defesa de Queiroz com argumentos indefensáveis. Não se percebeu ainda se esta defesa de Queiroz apenas serve para justificar os ataques soezes que fez a Scolari ou se, pura e simplesmente, porque tem medo dos argumentos que Queiroz costuma utilizar para tentar calar os seus críticos mais contundentes.
Os argumentos usados para defender a continuidade de Queiroz são ridículos. Falam em “projecto”, em “formação”, em “estruturas do futebol” e outras coisas do género para justificar a sua permanência no lugar. A verdade é que, por mais importante que sejam algumas daquelas coisas – e são – não cabe ao seleccionador tratar delas. Se a Federação quer disponibilizar avultadas verbas para que os clubes com escola façam formação e se quer regular essa sua intervenção, então que contrate alguém para o efeito. Alguém que até poderia ser Queiroz, se é verdade que sabe tanto quanto se apregoa de formação e organização do futebol. Ele pode calmamente fazer o seu trabalho e logo se verá daqui a dez ou quinze anos se deu os frutos esperados.
É duvidoso, de resto, para não dizer que é falso, que Queiroz se tenha minimamente preocupado com aquelas questões durante o tempo em que exerceu as funções de seleccionador. Em primeiro lugar, na preparação da campanha para a África do Sul, Queiroz obrigou a Federação a gastar cerca de quatro milhões de euros, para nada, quando parte de tal dinheiro poderia ser utilizada, se ele tivesse as tais preocupações que dizem ter, na formação dos clubes. Depois, ele próprio ficou com uma maquia muitíssimo importante do dinheiro que a Federação tinha ganho e ganhou, já que está sendo pago principescamente. Finalmente, é muito duvidoso que um seleccionador que convoca para a selecção jogadores brasileiros, naturalizados para o efeito, com 32 anos, esteja minimamente preocupado com a formação.
Queiroz deve sair e muito rapidamente. Como se verá, caso fique, não terá condições para continuar. Vai ter que jogar à porta fechada para se proteger do público, que manifestamente não o quer.
Os “senhores do futebol”, apoiados pelos que lhes amplificam as pretensões, tudo vão fazer para Queiroz continuar. Nessa luta vão ser apoiados, como já estão sendo, por aqueles que desistiram de ter autonomia e já se disponibilizaram para transformar o seu clube numa simples sucursal de interesses alheios. Pode até acontecer que aguentem Queiroz, mas resultado está antecipadamente conhecido: é o futebol português que perde. O que aos “senhores do futebol” pouco lhes interessa, se eles ficarem a ganhar.