quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PORTUGAL GOLEIA A ESPANHA


GRANDE EXIBIÇÃO NA LUZ

Num jogo particular destinado a promover a candidatura ibérica à realização de um dos dois próximos campeonatos do mundo e, simultaneamente, integrado nas comemorações do Centenário da República, Portugal realizou uma portentosa exibição, no Estádio da Luz, contra a Espanha, campeã do Mundo e da Europa.
Na primeira parte, assistiu-se a um jogo intensíssimo, sempre com predominância da equipa portuguesa. A Espanha nunca conseguiu impor o jogo que a tornou mundialmente famosa nas duas últimas competições em que participou e ganhou. Pelo contrário, foi a equipa portuguesa que, pela velocidade que imprimiu ao jogo, se impôs e obrigou a Espanha a correr atrás da bola, coisa que, como se sabe, ela não gosta,nem está habituada a fazer.
Pena foi que o excelente golo de Ronaldo tivesse sido irregularmente anulado. De facto, a bola já estava dentro da baliza quando Nani lhe tocou, além de que, segundo parece, Nani não estaria em off side.
Alguns minutos depois, Carlos Martins marcou; pouco antes Piqué tinha evitado, de cabeça, sobre a linha, um golo certo do mesmo Carlos Martins.
Na segunda parte, durante mais de meia hora, a selecção continuou empolgada, apesar das substituições, e introduziu a bola por três vezes na baliza de Casillas. Uma por Sérgio Ramos, emendando um belo remate de Postiga; outro do mesmo Postiga a passe de Moutinho; e a finalizar, um de Hugo Almeida.
Foi, de facto, um jogo memorável, tanto mais que a Espanha não perdia por 4-0 desde 1942! De facto, além desse jogo contra a Itália, contam-se pelos dedos as goleadas sofridas pela Espanha: 7-1 contra a Itália, em Amesterdão, em 1928; 6-1 contra o Brasil, em 1950; 6-2, contra a Escócia, em Madrid, em 1963; e 4-1, contra a Argentina, em Setembro passado.
Impossível é também não comparar o desempenho desta selecção com a selecção de Queiroz. Fica provado, se necessário fosse, que dificilmente Portugal poderia ter tido um seleccionador do que Queiroz.
Aqueles “sábios” do futebol que defenderam Queiroz têm de se render à evidência. A menos que, como parece, alguns deles também não tenham ainda percebido bem o que é o futebol. Ainda não compreenderam, por exemplo, o papel que os factores emocionais desempenham neste jogo. Propositadamente deixamos de lado os intriguistas que, em solilóquio na televisão, tanto se esforçaram por escorraçar Scolari e defender Queiroz.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

MOURINHO, OS "REGALOS" E OUTRAS COISAS



NO SUL DA EUROPA HÁ COISAS ESTRANHAS

Causaram grande polémica em Espanha as declarações de Mourinho na véspera da deslocação do Real Madrid a Gijon.
Mourinho quis deixar um alerta sobre uma ocorrência muito comum nos países do sul da Europa, nomeadamente na Itália, na Espanha e em Portugal: nem todas as equipas se empenham da mesma forma em todos os jogos.
Obviamente que não se pode exigir que as equipas joguem sempre da mesma maneira e façam excelentes exibições. Mas muitas vezes é mais do que notório que há equipas que jogam certos jogos com uma força e um empenhamento que noutros não põem, nomeadamente contra equipas que com aquelas concorrem.
Isso levou Mourinho a denunciar o comportamento do Gijon contra o Barcelona, que jogou em Camp Nou com cinco ou seis reservistas, e desde início conformado com o resultado. Na véspera da deslocação às Astúrias, para demonstrar que não se “corta”, Mourinho fez a denúncia dos “partidos regalados”.
Em Portugal, são muito frequentes situações destas. Só que ninguém as denuncia, apesar de algumas delas serem evidentes.
Neste campeonato, em Portugal, já se passaram destas coisas. Nos dois sentidos: há equipas que se superam pelo empenho que põem no jogo e há equipas que se batem muito abaixo das suas possibilidades em jogos onde poderiam fazer muito mais.
Porquê? Essa a questão. Uma coisa, porém, é certa: se as situações forem denunciadas, elas tendem a desaparecer ou a diminuir; se não forem, tendem a manter-se ou até a ampliar-se.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

OS SPORTINGUISTAS



A INDESMENTÍVEL DECADÊNCIA

O ano passado por esta altura os sportinguistas estavam bem melhor do que este ano e estavam nervosíssimos. Este ano à 10.ª jornada estão a 13 pontos do primeiro classificado; no ano passado, à mesma jornada, estavam a 11 pontos. E a crise era tremenda. Por todo o lado se pediam cabeças.
Nos anos anteriores, embora desde cedo tivessem perdido as esperanças de poder ganhar o campeonato, também não houve crise.
Tudo isto tem uma explicação que, sendo em si bem simples, é, por outro lado, bem eloquente sobre a profunda crise que ataca o Sporting. Mais do que uma crise, é o sinal de decadência.
Verdadeiramente, o Sporting não concorre para ganhar. E muito menos ao Porto. O Sporting concorre para não ficar atrás do Benfica ou, quando muito, para ficar perto do Benfica.
Que o Porto tenha treze pontos de vantagem este ano, que nos anos anteriores o Porto tenha ficado sempre à frente do Sporting com muitos pontos de avanço, isso é coisa que não interessa nada ao Sporting.
Ainda na última jornada os sportinguistas estavam tão contentes com a derrota do Benfica, que nem deram pela vitória do Guimarães.
Que importância tem perder com o Guimarães em casa (mal estes comentadores de agora sabem que já os “cinco violinos” haviam in illo tempore perdido em casa pelo mesmo score), se o Benfica também perdeu, ainda por mais?
Não há maior sinal de decadência de um clube do que o revelado pelo comportamento dos seus adeptos e simpatizantes, quando estes deixam de se interessar pelos resultados do seu clube e apenas lhes interessa ficar à frente ou a par do rival, qualquer que seja o lugar que este ocupe.
É este o espectáculo que semanalmente nas televisões os comentadores do Sporting nos oferecem, mais aqueles que, ocasionalmente, se intrometem para reforçar a mesma ideia ainda com comentários mais lamentáveis.
Transformado numa sucursal do Porto, o Sporting, por culpa dos seus pobres comentadores, corre o risco de ser uma espécie de “aguadeiro” do clube do norte. E em troca o que ganham os sportinguistas com isso? Nada, limitam-se alguns deles a fazer o papel de “idiotas úteis”.
Do lado do Benfica, por muito que isso custe ao Sporting, o clube de Alvalade deixou de ser um rival. Há mais de vinte anos! Pelo contrário, os benfiquista até olham para o Sporting com aquele benevolência com que costumam acompanhar o trajecto das equipas de segunda linha…

terça-feira, 9 de novembro de 2010

JESUS SEM MARGEM PARA ERRAR



CONFIRMA-SE A ANÁLISE DE ONTEM

Tal como prevíamos, Jorge Jesus esgotou no jogo de domingo passado a sua margem de erro. Esgotou-a, porque a ultrapassou largamente.
Não está em causa perder contra o principal rival, se o rival é melhor ou jogou melhor. O que está em causa é cometer os mesmos erros; o que está em causa é não aprender com o passado.
Se o homem inteligente é o que aprende com os erros alheios, ao homem normal exige-se que aprenda com os próprios.
Tal como em Liverpool, na Primavera passada, também agora no Dragão, Jesus cometeu os mesmos erros, optando por um sistema completamente inapropriado para o jogo em causa, quer pelo sistema em si, quer pelos jogadores escolhidos para o desempenhar.
É possível colectivamente anular ou, pelo menos, atenuar consideravelmente a mais-valia da equipa adversária, nomeadamente se a sua acção se desenvolve nas alas, como é o caso de Hulk.
Em vez de optar pela marcação de um para um, que nunca resultaria completamente, mesmo com o melhor lateral esquerdo, Jesus deveria ter optado pela marcação de dois para um, executada colectivamente, consoante o posicionamento do jogador e o próprio desenvolvimento das jogadas.
Depois, Jesus não pode jogar contra as grandes equipas apenas com um médio defensivo. Repare-se: Mourinho não o faz no Real Madrid e tem os jogadores que todos conhecemos. Com pode fazê-lo o Benfica com esta equipa?
Também neste caso Jesus não aprendeu nada com o passado, nem percebeu as diferenças entre a última época e esta.
O ano passado Jesus pôde jogar assim no Benfica com relativo êxito (não se pode esquecer a Taça de Portugal e a Liga Europa) por duas razões:
Em primeiro lugar, porque o Benfica era mais forte, às vezes muito mais forte, do que as equipas contra as quais jogou, tanto cá dentro como lá fora;
Em segundo lugar, porque tal sistema de jogo assentava, por um lado, na extraordinária capacidade atacante de Di Maria – um jogador capaz de levar o jogo para a frente 20 a 30 metros sempre que tocava na bola – e pela extraordinária cultura táctica de Ramires, que, com ou sem instruções do treinador, conseguia desempenhar várias funções em diversas partes do campo, sem deixar de desempenhar a que prioritariamente lhe estava destinada – médio ala direito.
O ano passado o sistema funcionou praticamente contra quase todas as equipas porque quase todas eram inferiores ao Benfica. Quase: de facto, não funcionou contra as grandes equipas, qualquer que fosse o seu momento de forma. Não funcionou contra o Liverpool, em Anfield Road, campo onde o Benfica claudicou, tal como no domingo passado.
Em conclusão: o Benfica tem que jogar com os jogadores no seu lugar e tem de actuar com mais preocupações defensivas, consoante os adversários.
Jesus não pode desculpar-se com os jogadores que tem, nem exigir mais reforços. Os jogadores que o Benfica tem foram escolhidos ou “homologados” por Jesus e os que vieram de novo foram especificamente escolhidos por ele para substituir os que os que iam partir. Se se enganou, tem de saber remediar o erro.
Aliás, nem sequer é certo que os jogadores comprados este ano não sirvam. Ainda é cedo para se saber. Provavelmente servem, Jesus é que não sabe ou ainda não aprendeu a utilizá-los.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

JORGE JESUS: CRÉDITO ESGOTADO




PODE JESUS CONTINUAR?

Depois do que Jorge Jesus fez ontem, algo tacticamente inaceitável, depois das contratações feitas este ano, algo inconcebível para as necessidades da equipa, muito dificilmente recuperará o crédito indispensável para continuar no Benfica.
São erros a mais e muito dinheiro gasto. A equipa mais cara da história do Benfica dificilmente recuperará do desaire sofrido no Porto.
Não se trata de saber se a equipa poderá ainda ganhar o campeonato, porque essa pergunta tem, para toda a gente, a resposta óbvia. O que se trata é de saber se a equipa está em condições de lutar em cada jogo, como se esse jogo fosse importante para ganhar o campeonato. E a resposta a esta pergunta dificilmente poderá ser afirmativa.
Quem está de fora percebe que a empatia entre os jogadores e o treinador está sendo gradualmente destruída. É como se o treinador tivesse esgotado o seu repertório e nada mais tivesse para dizer de novo. Os sinais vindos a público da parte de alguns jogadores apontam nesse sentido.
Talvez fosse melhor que o Benfica e Jesus rescindissem amigavelmente, sem custos para qualquer das partes, já que dificilmente os benfiquistas aceitarão que à frente da equipa continue alguém que perdeu com o Porto por 5-0.
É verdade que já houve no Benfica quem tivesse perdido por mais (7-1) e tivesse continuado. Mas esse alguém, depois dessa derrota, disse: Vou falar com os meus jogadores e estou certo que vamos ganhar o campeonato.
E ganhou. John Mortimore percebeu que a derrota não teve nada a ver com erros tácticos flagrantes, como também se apercebeu do sentimento de revolta que aquele resultado tinha causado nos jogadores.
O caso de Jesus é diferente. Repete erros. Não aprende com eles. Já o ano passado em Liverpool também não compreendeu as características da equipa contra quem ia jogar. E foi o que se viu…
Haverá quem ache esta posição extemporânea. E haverá também quem entenda que ela é fruto da frustração do momento. Ver-se-á que não é. O que se vai passar na Champions League porá a nu a realidade aqui antecipada.

NOITE FANTÁSTICA DE HULK



BENFICA HUMILHADO NO DRAGÃO

Grande borrada de Jesus no jogo do Dragão. Grande borrada de Jesus seria um título adequado para o que se passou esta noite, não fora a injustiça que tal título representaria para um jogador como Hulk que nada tem a ver com as opções tácticas dos treinadores.
As opções de Jesus estavam derrotadas antes de o jogo começar e somente as suas indesmentíveis limitações o impediram de ver o que toda a gente imediatamente antecipou mal viu a formação da equipa do Benfica.
De facto, tentar travar Hulk no um para um com David Luiz é coisa que somente poderia passar pela cabeça de Jesus.
Coentrão é muito melhor a defesa esquerdo do que a médio ala do mesmo lado, além de que, no jogo de hoje, o que se exigia era alguém que juntamente com Coentrão se encarregasse sistematicamente de travar Hulk.
Não o tendo feito, tendo deixado o excelente jogador do Porto à vontade, o resultado viu-se: três golos em poucos minutos, todos pelo mesmo lado.
As mudanças operadas na 2.ª parte não demonstram que tanto valia jogar com Fábio Coentrão atrás como à frente, como pretende Jesus, apenas demonstram que Jesus não compreendeu o jogo antes de jogado, nem depois de jogado durante 45 minutos.
A acrescer a este erro crasso, mais dois: a colocação de Aimar numa posição que não é a sua, nem na qual tenha alguma vez feito grandes jogos pelo Benfica; e a posição de Carlos Martins, também diferente da que costuma ocupar.
Depois, a classe da actual equipa do Porto fez o resto. E o resto foi uma goleada de 5-0. Uma vergonha para o Benfica e uma humilhação dificilmente reparável.
É de presumir uma grande debandada da equipa do Benfica na reabertura do mercado e, antes disso, mais frustrações na Liga dos Campeões.
Ficou provado: Jesus não é nem nunca será um grande treinador. Será apenas aquilo que sempre tinha sido antes de chegar ao Benfica.
O Porto, pelo contrário, está embalado para uma grande época, em várias competições, e para a revelação de mais um treinador.
É salutar ganhar dentro do campo. É igualmente muito salutar saber perder dentro e fora do campo…

domingo, 7 de novembro de 2010

O ÁRBITRO DO PORTO-BENFICA


PEDRO PROENÇA

Veja aqui e depois não se admire

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A VITÓRIA DO BENFICA


O BOM E O MAU

A vitória que o Benfica foi construindo até aos 75 minutos de jogo, se tivesse sido alcançada o ano passado, dir-se-ia que era brilhante.
Como foi alcançada este ano, e estando, no fundo, os sócios e os imensos simpatizantes do Benfica descrentes da equipa (basta olhar para a assistência do Estádio da Luz), vai dizer-se que foi uma vitória à imagem do Benfica que temos este ano. De um Benfica irregular, que tarda a impor-se e que, muito provavelmente, vai combinado em cada jogo, o bom com o mau.
No jogo de hoje, as equipas, acabadas de defrontar-se há quinze dias, entraram relativamente desconfiadas uma da outra. Afinal, pensava cada uma delas, que tipo de equipa vou defrontar?
O Benfica não entrou avassalador como era seu hábito nas provas europeias, nos bons velhos tempos. Tanto assim que o Lyon introduziu por duas vezes a bola na sua baliza nos primeiros quinze minutos de jogo. A primeira vez em off side, a segunda, depois de a bola ter sido dominada com o braço.
Forte nas bolas paradas o ano passado, o Benfica não desaprendeu tudo. De bola parada, a cruzamento de Carlos Martins, Kardec de cabeça marcou um lindo golo. Pouco depois, num rápido contra-ataque, Carlos Martins fez o último passe para Coentrão, que, sem deixar cair, marcou um grande golo. Antes, já César Peixoto tinha falhado um golo incrível.
Perto do intervalo, de canto marcado por Carlos Martins, Javi Garcia bateu o guarda-redes francês de cabeça e fez o terceiro.
No segundo tempo, o Benfica não entrou para defender o resultado, mas para o segurar, dando a iniciativa ao adversário, e esperando, num contra-ataque, aumentá-lo. Foi o que aconteceu na sequência de um canto marcado pelo Lyon. Numa rapidíssima transição ofensiva em que intervieram quatro jogadores, Carlos Martins fez o passe final para Coentrão, que, num magnífico chapéu, marcou o golo mais lindo da noite.
Daí para a frente tiveram lugar as substituições, Saviola por Jara, Kardec por Weldon e Carlos Martins por Felipe Menezes, e com elas o descalabro da equipa.
Uma deficiente cobertura no centro do terreno, numa bola que Coentrão deixou cruzar, permitiu a Gourcuff marcar o primeiro aos 74 minutos; onze minutos depois, Gomis, na marcação de um canto, fez o segundo e a partir daí o Benfica tremeu. Se até aos 85 minutos o Benfica ainda voltou às redes do Lyon e esteve mesmo em vias de marcar por Maxi Pereira, a partir do segundo golo dos franceses a equipa já só pensava no apito final do árbitro. Tanto assim que, mesmo no fim do jogo, num livre marcado do meio do campo, Roberto teve uma saída verdadeiramente suicida à cabeça da área, permitindo a Lovren transformar em golo um toque de cabeça que, noutras circunstâncias, não teria qualquer perigo.
Mas ficaram da exibição do Benfica algumas lições. A primeira é a de que Coentrão é muito mais eficiente a defesa do que a médio ala esquerdo; a segunda é a de que César Peixoto, não obstante as suas fragilidades, confere mais equilíbrio à equipa do que Gaitan, nomeadamente quando Coentrão sobe – e muitas são as vezes em que o faz; finalmente, viu-se hoje, pela primeira vez, com Salvio, alguém que dá profundidade à equipa. Não faz o que Di Maria fazia o ano parecido, mas faz algo de semelhante e isso é uma notícia fantástica para os benfiquistas.
Quanto ao mais, o que já se sabia: Jara, continua assustado, ainda não sabe ao que veio e está permanentemente perdido em campo. O Benfica tem de decidir se o recambia para a Argentina ou se o põe a jogar na Europa num clube que lhe faça perceber o que é o futebol europeu.
David Luuiz continua desconcentrado. Só por acaso não aconteceu hoje o que já tinha acontecido em Gelsenkirchen e em Lyon: uma perda de bola e golo do adversário. E só por acaso também, numa bola simplíssima, não fez um auto-golo numa das suas famosas “roscas”. Um caso a seguir com atenção…
Conclusão: a vitória era o mais importante, os golos também podem ser e a “psicologia” da equipa igualmente.

domingo, 31 de outubro de 2010

O PORTO GANHOU EM COIMBRA



O BRAGA PERDEU EM VILA DO CONDE

O Braga deste ano não é o do ano passado. Nem sei se o deixariam ser, mesmo que a equipa estivesse à altura. Nada melhor para o Rio Ave que conseguiu a sua primeira vitória, logo contra o vice-campeâo do ano passado.
Assim, resta ao Braga lutar por um lugar europeu. O campeonato ainda só vai na nona jornada, mas para um clube que o ano passado discutiu o título até ao fim, esta terceira derrota intercalada, com mais dois empates em jogos anteriores, deixa pouco espaço para grandes ambições. Quatro vitórias em nove jogos, é muito pouco.
O Porto ganhou em Coimbra, como vem acontecendo regularmente nas últimas décadas. Num campo impossível, o jogo teve aspectos de verdadeira lotaria. No primeiro tempo, os jogadores da Académica reclamaram um penalty, em jogada que a televisão não repetiu, como frequentemente acontece a norte do Mondego nos jogos em que participa certo clube. Não marcou a Académica, marcou o Porto, por Varela, praticamente na única bola que rematou em toda a primeira parte.
Na segunda parte, a Académica passou muitas bolas ao seu adversário, jogou sempre muito longe da baliza do Porto e falhou muito. Poderia ter sofrido o 2-0, não fora Moutinho ter mandado a bola à barra. Mesmo no fim do jogo, com algumas substituições entretanto feitas, a Académica acordou e esteve a milímetros de empatar. Primeiro foi um livre contra a barra, depois uma recarga incrivelmente perdida por Sougou. Mesmo no fim, no meio de uma grande confusão, com muitos ressaltos, o árbitro interrompeu na área portista uma jogada quando a Académica estava de posse da bola em condições de rematar, o que originou uma vivíssima onda de protestos dos estudantes. A televisão, para não variar, não voltou a mostrar a imagem.

sábado, 30 de outubro de 2010

ARMANDO DIEGO MARADONA, 50 ANOS



O QUE O TORNA ÚNICO

Já aqui tivemos oportunidade de escrever a propósito de Pelé e dizer que ele é, pelos títulos conquistados, o maior.
Todavia, Maradona é único! Dentro e fora do campo. Nunca ninguém esquecerá as suas brilhantes exibições no Campeonato do Mundo de 1986, nem como tentou repetir esse êxito, quatro anos depois, em Itália. Esteve perto de o conseguir: perdeu na final contra a Alemanha. Nunca mais, depois dele, a selecção da Argentina voltou a chegar tão longe. Também nunca ninguém esquecerá o que fez pelo Nápoles e como conseguiu levar o insignificante clube do mezzogiorno italiano à vitória em dois campeonatos nacionais contra os poderosos clubes do norte.
Igualmente inesquecíveis são os seus fantásticos golos, sem esquecer o que foi marcado com a mão – a mão de Deus – contra a Inglaterra. Por isso, muitos o consideram o melhor jogador de sempre. Tecnicamente era fantástico. Jogava com o pé esquerdo, mas nunca ninguém notava que lhe faltava o direito, tal a mestria com que fazia da bola o que queria. Era clarividente no passe, imbatível no drible e mortífero no remate em jeito!
Estatisticamente, porém, os seus títulos e palmarés não se equiparam aos de Pelé. Um Mundial de sub 20; um Campeonato do Mundo; um campeonato argentino; dois campeonatos italianos; uma Taça do Rei (Espanha); uma Taça de Itália; uma Supertaça de Itália; e uma Taça UEFA. Melhor marcador, por três vezes, do campeonato metropolitano argentino e, por duas, do nacional; melhor marcador do campeonato italiano (uma vez) e da Taça de Itália, também uma vez.
Maradona, além da selecção da Argentina, ao serviço da qual participou em quatro fases finais do campeonato de mundo (de 1982 a 1994), jogou no Argentino Juniors, pequeno clube de Buenos Aires onde começou a sua extraordinária carreira de futebolista – aos nove anos já era entrevistado para a televisão e com quinze anos atraía multidões. Mais tarde, foi transferido para o grande e popular clube da Argentina, o Boca Juniors, tendo, no primeiro jogo em que alinhou pelo novo clube, levado à Bombonera 65 mil pessoas! Seguiu-se o Barcelona, onde tudo lhe correu mal: doença por mais de três meses (hepatite); lesão (106 dias fora dos relvados por entrada violenta de Goikoetxea) e castigo (três meses de suspensão, pela enorme confusão na final da Taça do Rei com o Atlético de Bilbau). Depois, seguiu-se o Nápoles, para onde o Barcelona aceita transferi-lo e Maradona aceita ir por estar financeiramente arruinado.
É, porém, no pequeno Nápoles, sem história no futebol europeu e sem palmarés na Itália (apenas duas Taças de Itália e alguns títulos nas divisões inferiores) que Maradona revela, na Europa, toda a sua extraordinária classe. Recebido no Estádio de San Paolo como um Deus, Maradona acabaria por ser decisivo nas duas vitórias que até hoje o Nápoles ostenta no campeonato italiano, tendo-lhe fugido a terceira por ter sido derrotado na penúltima jornada pelo grande Milan, de Van Basten e Ruud Gullit.
Em Nápoles, Maradona estava no seu ambiente, a ponto de em 1990, no Campeonato Mundo, ter influenciado os napolitanos a apoiar a selecção da Argentina contra a Itália. Ficou célebre o seu apelo aos napolitanos: “Durante trezentos e sessenta e quatro dias do ano, vocês são considerados pelo resto do país como estrangeiros e, hoje, têm de fazer o que eles querem, torcendo pela selecção italiana. Eu, por outro lado, sou napolitano durante os trezentos e sessenta e cinco dias do ano”.
A partir de 1990 começa a decadência, deixa o Nápoles em litígio, ruma a Sevilha, onde não faz nada de muito especial; de Sevilha regressa a Argentina, assina pelo Newell’s Old Boys, onde uma série de lesões o impedem de jogar mais quatro jogos oficiais. A seguir é a passagem pelo campeonato do mundo de 1990, depois de uma cura de emagrecimento, que juntamente com outros factores, levou a mais uma análise antidoping positiva. Castigado durante quinze meses pela FIFA, Maradona tenta o lugar de director-técnico em dois pequenos clubes argentinos. Sem êxito nesta passagem, volta, com Cannigia, ao Boca Juniors como jogador, onde as coisas até começaram por não correr mal, mas foram piorando à medida que o campeonato se aproximava do fim. Com excepção de uma notável vitória sobre o River Plate, o grande rival do Boca, nada de muito importante há assinalar. Afasta-se definitivamente em 1997.
Com crises múltiplas depois daquela data, algumas das quais lhe iam custando a vida, Maradona não deixou de ser notícia quase sempre pelas piores razões.
A sua grande tristeza continua a ser a exclusão da selecção de 1978 (que viria a ganhar o Mundial) por decisão de Menotti. A grande alegria, a vitória de 1986, no Campeonato do Mundo, realizado no México.
Dentro dos relvados nunca foi controverso, apesar de nem sempre ser pacífico. Porém, quando tentou prolongar a sua carreira para além do razoável, depois de já ter sido punido várias vezes sempre pelo mesmo motivo, todo o mundo suspirava pelo seu afastamento definitivo, por respeito ao enormíssimo jogador que ele tinha sido. Fora dos relvados, Maradona, quando lúcido, tem combatido os grandes poderes instalados. Infelizmente, essa luta tem sido pouco considerada pelo rosário de erros graves que tem cometido ao longo da vida.
Nomeado seleccionador da Argentina, conseguiu, depois de um apuramento difícil, causar alguma emoção na África do Sul, pelo estilo caloroso e carinhoso com que lidava com os jogadores. A derrota contra a Alemanha por 4-0, embora não lhe tenha retirado popularidade junto dos indefectíveis, fê-lo perder o lugar de seleccionador da Argentina, que continua a ser a sua grande ambição.
O que reservará o futuro a Maradona? Na Argentina tudo pode acontecer…

QUINTA VITÓRIA CONSECUTIVA DO BENFICA


CINCO JOGOS SEM SOFRER GOLOS

O Benfica ganhou 2-0 perante uma equipa aguerrida que nunca facilitou a vida ao adversário, embora pudesse ter perdido por mais, várias foram as oportunidades falhadas na segunda metade do segundo tempo.
Com um grande golo de Aimar, na primeira parte, e outro de Kardec, na segunda, de grande penalidade, o Benfica construiu a sua quinta vitória consecutiva, sem sofrer golos.
O Benfica não caminha para uma equipa como a do ano passado, que era uma equipa excepcional, mas se assim continuar estará ao mesmo nível do que tem sido o das equipas vitoriosas nos últimos anos. Solidez defensiva e aproveitamento das oportunidades, mesmo que não sejam muitas.
Outras questões à parte, foi assim que o Porto ganhou os últimos campeonatos. Este ano, o início desastroso do Benfica pode ter deitado tudo a perder.
Tudo vai depender do modo como os adversários do Porto o defrontarem. Se o defrontarem do mesmo modo que o Leiria o defrontou no último fim-de-semana (e já houve outros), bem pode desde já encomendar as faixas de campeão. Pelo contrário, se as equipas, em casa ou no Dragão, defrontarem o Porto com o mesmo entusiasmo e agressividade com que o Paços de Ferreira foi á Luz – até parecia que estava a jogar a permanência – então o Porto, como qualquer outra equipa, perderá pontos e tudo poderá acontecer.
É bom que se diga, para não haver equívocos, que o último parágrafo não envolve uma crítica ao Paços, apesar de alguma virilidade a mais. Pelo contrário, o que se pretende é que todas demonstrem o mesmo brio profissional dos pacenses.
Amanhã com a Académica logo veremos…

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O BENFICA LÁ GANHOU


MAS NÃO ENTUSIASMA

Num jogo triste, sem emoção, o Benfica lá ganhou no Algarve, ao Portimonense com um golo de Javi Garcia.
Não sei se é a tristeza que a ausência de criatividade traz ao jogo ou se é mais alguma coisa, mas a verdade é que o Benfica é uma equipa triste. Os jogadores estão tristes, o treinador está desanimado, por muito que tente disfarçá-lo, e os adeptos já só esperam que o Campeonato termine…e ainda agora começou.
A equipa é uma sombra da da época passada. Para tornar o ambiente ainda mais sombrio, os órgãos sociais do Benfica tiveram a infeliz ideia de apelar à não participação dos adeptos nos jogos fora. O ambiente não poderia ser mais funéreo.
Pela primeira vez, desde que Jesus está no Benfica, um jogador substituído saiu do campo a correr em direcção aos balneários. Quando as coisas não estão bem, tudo acontece. Saviola, até tinha jogado bem na primeira parte, mas Jesus, depois do golo, já estava com medo e começou a tratar da defesa.
Sem ter necessidade de defender abertamente – o Portimonense não chegava a tanto – viu-se que o treinador não acreditava na ampliação do resultado e tratou de pôr em campo quem o pudesse defender.
Jara, mais uma vez falhou. Vê-se que é um jogador que carrega uma tristeza excessiva. Não acredito que fique por cá muito mais tempo. E Gaitan também está assustado.
Que se passa com este Benfica? Por que é que Vieira e seus comparsas não fazem um apelo de sentido contrário ao que fizeram, para ver se os adeptos transmitem alguma alegria e confiança à equipa?

domingo, 24 de outubro de 2010

COM DI MARIA ATÉ MOURINHO É DIFERENTE





...E CRISTIANO RONALDO TAMBÉM

Por cada jogo do Real Madrid a que os adeptos do Benfica assistem, mais se intensifica o choro pela partida de Di Maria.
Com Di Maria e Ramires no time, o Benfica, muito provavelmente, estaria à frente do campeonato, com o Porto a dois pontos.
Só que esta conversa, como ontem aqui disse a propósito do septuagésimo aniversário de Pelé, não faz qualquer sentido. A história não tem “ses".
Acontece que no caso do actual Benfica faz algum sentido…porque Jorge Jesus continua a jogar como se tivesse na equipa aqueles dois jogadores. Os jogadores contratados este ano foram comprados para que o Benfica continuasse a jogar da mesma maneira. Foram comprados para substituir Di Maria e Ramires.
Como se vê, o erro não poderia ser maior. Se cá dentro a coisa ainda pode ser disfarçada – e não pode, quatro derrotas provam o contrário – lá fora, então, a insistência é um profundo desastre.
O Benfica não pode jogar apenas com Javi Garcia a pivot à frente da defesa e depois com uma linha média composta por Gaitan, Aimar, Carlos Martins e Saviola (um pouco mais recuado do que habitualmente).
O ano passado isso poderia fazer-se com Ramires, Aimar, Saviola e Di Maria, porque Ramires cobria todo o jogo ofensivo da equipa adversária, nomeadamente, mas não só, o veiculado pelo meio e pela direita e Di Maria, sem quase participar no jogo defensivo, empurrava o jogo para a frente como nunca ninguém – no futebol moderno – fez no Benfica
Há assim um duplo erro de Jesus: em primeiro lugar, comprou jogadores para substituir os ausentes que nem de perto nem de longe têm as mesmas características; em segundo lugar, insiste em jogar com os novos jogadores da mesma maneira que antes jogava, acreditando, contra a evidência dos factos, que eles podem jogar da mesmo modo.
No meio de tudo isto, quem brilha é o Real Madrid, que parece uma máquina tão ou mais eficiente que o Benfica do ano passado.
Evidentemente que o mérito é de Mourinho, principalmente pela inteligência, pois não tendo abdicado de certos princípios fundamentais do seu futebol – grande solidez defensiva (e lá temos Xabi Alonso e Khedira a jogar, a par, à frente da defesa e um dos médios ala a defender, neste caso Di Maria) – soube perceber que tinha jogadores muito diferentes dos do ano passado e até dos que teve no Chelsea e pôs a equipa a jogar de outra maneira, de acordo com as suas mais valiosas características.
E é por isso, por ter estes jogadores, que o futebol de Mourinho está diferente, mantendo-se Mourinho igual. Di Maria está hoje melhor do que no Benfica (porque também defende) e Ronaldo também (menos individualista, mais jogador de equipa). Ou seja, se Mourinho melhorou Di Maria, também é verdade que Di Maria mudou, alterou, o futebol de Mourinho.
Esta seria, insisto uma vez mais, a lição que Jorge Jesus, à sua dimensão e à dimensão dos jogadores que tem, deveria aprender.

sábado, 23 de outubro de 2010

PELÉ, 70 ANOS




O TEMPO PASSA, MAS PELÉ FICARÁ PARA SEMPRE

Falámos do jogador, do extraordinário jogador, que, durante 21 anos, no Santos, na Selecção do Brasil e, já no ocaso da carreira, no Cosmos de Nova York, inundou os relvados de alegria, magia e golos.
Não tem o menor interesse perguntar o que seria hoje Pelé, se jogasse agora. A história não tem “ses”. A vida de cada um de nós também não. Vivemos o tempo que a natureza nos destina e é nesse tempo que temos de provar quem somos.
Nunca na história do futebol, um extraordinário jogador ganhou tantos títulos como Pelé.
Três Campeonatos do Mundo, dez campeonatos paulistas, quatro campeonatos Rio-S.Paulo, duas Taças de Libertadores da América, duas Copas Intercontinentais, uma Recopa Sul-Americana, uma Recopa dos Campeões Intercontinentais, uma Liga Norte-Americana de Futebol.
Marcou 1284 golos em 1375 jogos; jogou 115 vezes pela selecção do Brasil; marcou 95 golos pela Selecção brasileira; marcou 127 golos na temporada de 1959; foi 11 vezes o melhor marcador do campeonato paulista.
Está tudo dito. Também não faz qualquer sentido dizer que Pelé nunca jogou na Europa, não tendo, portanto, sido submetido à dura prova do futebol europeu. No tempo de Pelé, isso não faz sentido. Os grandes jogadores brasileiros jogavam todos, ou quase todos, no Brasil. As equipas sul-americanas, nomeadamente as brasileiras, eram melhores do que as europeias. Só mais tarde, depois de Pelé se ter retirado, ou quando já estava na América do Norte, é que a tendência se inverteu. Os grandes jogadores sul-americanos passaram a jogar nas equipas europeias e as grandes equipas europeias passaram a ser indiscutivelmente superiores às latino-americanas. Pelo contrário, no tempo de Pelé, havia vários estrangeiros (bons) a jogar no Brasil.
E o que conta é o que Pelé fez no seu tempo e não o que Pelé faria hoje, porque isso é impossível saber-se.
Sabemos o que no seu tempo fizeram outros extraordinários jogadores…e todos lhe foram inferiores. E nem sequer sabemos o que poderiam ter sido esses jogadores se tivessem jogado na equipa do Santos ou na selecção do Brasil, pela simples razão de nunca lá terem estado…
Portanto, por mais que se goste de Maradona, de Zidane, de Cruyff, de Bekenbauer, de Eusébio, de Messi, nenhum deles ganhou os títulos que Pelé ganhou, nenhum deles marcou tanto golos como Pelé, nenhum deles – nem os contemporâneos, nem os pósteros – igualou Pelé.
Pelé é, muito justamente, o maior!

SINGULARIDADES DA JUSTIÇA NO PORTO





MAIS UM CASO

Não vale a pena fazer de conta que não sabemos: a justiça no Porto, em tudo quanto diga respeito a futebol, está sob suspeita. Podem assistir-lhe as melhores razões do mundo, mas depois daquilo que todos ouvimos e daquilo que a observação quotidiana nos ensinou, há razões para que a suspeita exista. E não é o alegado cumprimento das normas do Código Processo Penal que vai dissipar essa suspeita.
Ricardo Bexiga, vereador na Câmara de Gondomar, foi agredido por vários encapuzados no parque de estacionamento da Alfândega do Porto. Bexiga sempre criticou a promiscuidade entre o futebol e a política e era persona non grata dos meios dirigentes desportivos dominantes na cidade.
Carolina Salgado, depois de terminado o seu namoro com Pinto da Costa, acusou o Presidente do Porto de ter perpetrado o ataque a Bexiga e de ela própria ter feito os contactos e os pagamentos aos executantes do crime.
Em consequência da investigação foram constituídos arguidos Pinto da Costa, o chefe da claque do Porto, Superdragões, e Carolina Salgado.
Apesar de o processo ter sido integrado na investigação dos casos relacionados com o Apito Dourado, sob a direcção de Maria José Morgado, ele foi mais tarde arquivado pelo DIAP do Porto, por falta de provas!
Obviamente, que se as provas eram apenas testemunhais, se não havia (por culpa da polícia de investigação) vestígios de outra natureza que pudessem contribuir para identificar os executantes, os visados pela acusação de Carolina Salgado, bem como aqueles com quem ela diz ter contactado posteriormente (Lourenço Pinto) iriam naturalmente negar todas as suas afirmações, como não poderia deixar de ser.
Face a testemunhos de igual valor, o MP louvou-se nos do sr. Pinto da Costa, do chefe dos superdragões, do sr. Lourenço Pinto e ordenou o arquivamento do processo.
Mais tarde, em consequência deste resultado, Carolina Salgada foi acusada de difamação agravada…e foi ontem condenada a dez meses de prisão, convertidos em 300 dias de trabalho comunitário.
Moral da história: Carolina Salgada não tem credibilidade, nem honorabilidade de nenhuma espécie; a honorabilidade está toda do lado de Pinto da Costa e também da Justiça do Porto que trata do futebol, a qual, pelo facto, de ser justiça, está sempre acima de qualquer suspeita!
Segunda moral da história: na Palermo dos “bons velhos tempos” os traidores eram eliminados; no Porto, fazem “trabalho comunitário”.
Terceira moral da história: para que o trabalho comunitário não constitua um meio de propagação das “virtudes morais” de Carolina Salgado à comunidade, será de esperar que a entidade encarregada da execução da pena lhe arranje um trabalho isolado, sem contactos de qualquer espécie.
Quarta e derradeira moral da história: Ricardo Bexiga ficou com uma grande sova, um braço ao peito, dezassete pontos na cabeça (e teria ficado com muito mais se não fosse perito em artes marciais) e nós ficamos todos muito tranquilos porque Pinto da Costa e seus acólitos, neste caso e em todos os demais em que estiveram envolvidos no Apito Dourado, foram absolvidos em homenagem ao princípio “in dubio pro reo”, que também é um princípio fundador da personalidade de Pinto da Costa. Ou seja, está tudo bem, porque ficamos todos em casa….

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

BENFICA DIZ ADEUS À LIGA DOS CAMPEÕES




JORGE JESUS TEM MUITO QUE APRENDER

Com o resultado de ontem, em Lyon, o Benfica praticamente disse adeus à Champions League, mesmo que ganhe – e não vai ganhar – os três jogos que lhe faltam.
De facto, se o Lyon apenas ganhar ao Hapoel de Chipre ficará com 12 pontos e, seguramente, um goal average melhor que o do Benfica; se o Schalke 04 apenas perder com o Benfica ficará também com 12 pontos e, ao que tudo indica, com um goal average igualmente melhor que o do Benfica.
Portanto, mesmo na hipótese óptima, que não se confirmará, o Benfica não chegará lá…
E não chega porque não tem equipa para isso. Tão-pouco o treinador está à altura dos grandes desafios de uma Liga dos Campeões, quase sempre jogada ao mais alto nível.
Como ontem se viu, os jogadores falham muitos passes, a maior parte das vezes deixando a equipa em situação de risco. Depois, individualmente, com excepção de Coentrão – um fantástico jogador – todos os demais perdem no confronto directo com os de Lyon.
Poderia, todavia, o Benfica ter feito muito mais, se o treinador, por um lado, não insistisse em pôr a equipa a jogar como se lá tivesse Di Maria e Ramires; e, por outro lado, se tivesse compreendido a tempo e horas como joga o Lyon. A arrogância com que partiu para França – “Ganhar ao Lyon é perfeitamente normal” – foi-lhe fatal.
Com um meio campo muito frágil e deixando ao Lyon a possibilidade de atacar pelas alas, quase sempre em condições de um para um, pouco mais restava ao Benfica do que aguentar dentro da sua área o sufoco que o adversário lhe causava.
Depois da expulsão de Gaitan, Jesus deveria ter-se preocupado menos com o empate que, como se viu era uma miragem, e muito mais em não sofrer golos que, na melhor das hipóteses, lhe vão ser fatais nas contas finais.
Na próxima jornada é provável que tudo fique decidido: não parece que o Benfica tenha equipa para ganhar ao Lyon.
E, assim, o Benfica volta a desperdiçar a hipótese de fazer algo na grande Europa. Com excepção da época de Köeman, tem sido sempre a mesma desgraça.
Jesus que ponha os pés na terra, olhe para Mourinho (com muita humildade) e tente aprender algo com ele…

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

MOURINHO E RONALDO PÕEM CASTELA A SEUS PÉS












CONTRA A ARROGÂNCIA CASTELHANA A EFICIÊNCIA PORTUGUESA

Só quem acompanha de muito perto a imprensa madrilista pode fazer uma ideia da sobranceria com que Mourinho tem sido tratado pelos castelhanos. Mourinho tem estado à altura do desafio. Nunca se deixou vergar. Sempre respondeu com altivez e confiança. Nunca se identificou com Castela nem com as suas virtudes. Pelo contrário, sempre fez questão de realçar as suas, confiante e decidido na rota a prosseguir quaisquer que fossem as críticas.
Mesmo os que em Portugal não gostam do futebol de Mourinho ou nem sempre apreciam a sua arrogância, têm de se sentir orgulhosos por essa altivez e arrogância ser agora exibida, sem contemplações, na terra onde é menos apreciada.
A equipa não marcava golos, não fazia futebol bonito, enfim, Mourinho não percebia o que era o Madrid: o Real Madrid hegemónico de Franco e seus sequazes. Mourinho, sempre de fora, seguiu o seu caminho, indiferente à ideia que na realidade estava por detrás de todas as críticas: é o Madrid que molda o treinador e não o treinador que molda o Madrid!
Indiferente, Mourinho continua a ganhar, a jogar cada vez melhor, a marcar golos …e a falar na Liga inglesa como exemplo do que é o futebol. Serve aos espanhóis o que eles nunca conseguem tragar: as virtudes alheias, por mais óbvias que sejam.
Curiosamente, Ronaldo – quem diria – segue-lhe o exemplo. Mourinho protegeu-o e ensinou-o. Hoje já começa a ser outro jogador, sem perder nenhuma das qualidades que o fizeram famoso. Confia no seu trabalho e nos seus êxitos. A sua confiança já não advém do que pensam os adeptos, mas da estima em que é tido pelo treinador.
Ricardo Carvalho, eficientíssimo e discreto, ensina aos madrilistas como se joga no centro da defesa. Acabou a “maldição” dos centrais merengues.
Os três, com Mourinho ao lema, seguros da sua classe, olham com sobranceria para a arrogância castelhana.
Ainda hoje Cruyff reconhece que Mourinho é um grande treinador…mas nunca seria o treinador da sua equipa. Porquê? Porque não representa o clube.
É isso mesmo, Mourinho está de fora. Nunca, como em Madrid, tal atitude pode deixar de ser enaltecida pelos portugueses. Nunca, como em Madrid, tal atitude é apenas suportada pelo estado de necessidade em que o clube se encontra.
Todavia, na hora da partida pedir-lhe-ão para ficar…e muito provavelmente ele dirá não!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

GRANDE VITÓRIA DA SELECÇÃO


NEM PARECEM OS MESMOS

A selecção fez hoje um grande jogo contra a Dinamarca, a tal que no início da era Queiroz veio a Lisboa ganhar por 3 a 2. A selecção marcou por três vezes mas teve cerca de dez oportunidades de golo, coisa que com o treinador anterior praticamente não existia.
Toda a equipa esteve bem, apesar da infelicidade de Ricardo Carvalho, embora Nani acabe por sobressair ao marcar dois golos e oferecer o terceiro. Mas também Coentrão voltou a encher o campo e Ronaldo, menos egoísta, poderia ter marcado mais vezes não fora a excelente exibição do guarda-redes dinamarquês.
A linha média que hoje alinhou é superior às que nos últimos dois anos jogaram na selecção e a defesa, com esta configuração, também é melhor do que a anterior.
Depois da terceira vitória consecutiva da Noruega, a equipa portuguesa vai ter que continuar a fazer muito pela vida e esperar que alguma coisa corra mal aos noruegueses.
Paulo Bento entrou com o pé direito e se mantiver a independência de escolha deve continuar a merecer a confiança dos adeptos. De facto, a selecção com Queiroz era um pesadelo…

O FCP E AS ESCUTAS



ELES NÃO QUEREM QUE SE FALE NAQUILO QUE TODOS SABEM!

As escutas que no fim da última semana foram divulgadas pelo You Tube demonstram à saciedade que a corrupção não existe apenas no futebol mas também noutros domínios onde era suposto lutar contra ela.
As escutas não têm nada de novo…a não ser poderem ser ouvidas. Toda a gente percebe que o que nestes últimos trinta anos não foi escutado é muitíssimo mais grave do que aquilo a que agora se teve acesso.
Existe no futebol português um esquema mafioso cujos tentáculos abrangem muita gente e inibem ainda muita mais.
Não são apenas os árbitros que se prestam aos mais repugnantes papéis. As escutas que têm vindo a público não deixam margem para dúvidas de que não há condições de imparcialidade judicial em certas áreas geográficas do país. Na ausência de juízes corajosos que estejam, tal como estiveram muitos juízes italianos nos processos contra a Mafia, dispostos a arrostar com as consequências de um julgamento justo, só há uma forma de resolver o assunto: é julgar esses casos noutros tribunais situados noutras áreas geográficas menos sujeitas às pressões dos “batoteiros”.
O que se passou esta semana com Rui Moreira no programa Trio de Ataque é bem elucidativo do que está acontecer. Eles não querem que se fale no que aconteceu, apesar de se tratar de factos notórios, do conhecimento geral. Armam-se em vítimas e falam em “autos de fé”, como se exposição dos factos pelos próprios intervenientes, livremente, sem qualquer tipo de coacção, pudesse de perto ou de longe equiparar-se a um auto de fé.
Como de costume, o representante do Sporting sente-se chocado…porque o que é privado, privado se deve manter, nomeadamente as vigarices.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O BENFICA ENTRE AS DERROTAS E AS VITÓRIAS



O BRAGA MAIS LONGE DA ÉPOCA PASSADA

Apesar de ter sido um jogo interessante, o Benfica-Braga de ontem esteve muito longe da emoção que rodeou o jogo do ano passado. No último campeonato, o Benfica e o Braga eram inequivocamente as melhores equipas em prova e toda gente sabia que se o Benfica não ganhasse aquele jogo dificilmente seria campeão.
Este ano, pelo contrário, a derrota de um dos dois implicava o afastamento definitivo do derrotado da luta pelo título (mesmo sem se saber ainda o resultado do Porto) e o empate teria consequências funestas para ambos.
Na verdade, tanto o Benfica como o Braga estão longe do brilhantismo da época passada. O Benfica já leva cinco derrotas em jogos oficiais (o ano passado só perdeu seis vezes em todas as competições) e outras tantas vitórias. O Braga com duas derrotas e dois empates no campeonato e com três derrotas na Liga dos Campeões também está muito longe de repetir a época passada.
No jogo de hoje o Benfica dispôs de mais oportunidades, embora não fossem muitas, mas o seu domínio nunca foi inequívoca. Percebia-se que se o Braga marcasse primeiro sairia da Luz com a vitória. Uma boa jogada e um grande golo de Carlos Martins arrumaram a questão.
Todavia, a vitória não dá para embandeirar em arco. O Benfica continua sob observação em todas as frentes…