quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A DECEPÇÃO ESPANHOLA





E LOGO DOIS ESTRANGEIROS...

De uma maneira geral os países europeus são muito chauvinistas, uns porque são novos, com independências recentes, outros porque são velhos, mas com fronteiras contestadas.
Dificilmente se encontra um país mais arrogante e mais nacionalista do que a Espanha, muito fruto da herança imperial de Castela e das múltiplas humilhações sofridas depois do “siglo d’oro”.
É no fundo essa atitude que justifica o grande azedume com que a imprensa espanhola, nomeadamente a de Madrid, acolheu a premiação de dois profissionais de futebol que trabalham em Espanha…mas são estrangeiros.
Tudo isto, porque tinham por certo que Vicente del Bosque seria o escolhido como melhor treinador, aliás uma excelente pessoa, humilhado pelo Real Madrid aqui há uns anos, apesar de o clube madrileno tanto lhe dever, e que um dos dois grandes jogadores do Barcelona, Iniesta ou Xavi, seria o escolhido como melhor jogador.
A imprensa de Madrid, que apoia claramente o Real Madrid e mantém uma viva rivalidade com o Barcelona, sentiu como se de um jogador do Real se tratasse a preterição de ambos por Messi, igualmente do Barça, mas argentino.
E nem o facto de Mourinho treinar o RM constituiu motivo suficiente para olvidar a afronta que a preterição de del Bosque ou até de Guardiola constituíram.
A Marca titulava em primeira página especial: Dois vencedores (Mourinho e Messi) e um anti-espanhol (Joseph Blatter), o suíço que a Espanha inteira ostraciza por “repetidamente” a querer humilhar!
Onde é que está essa repetida humilhação? Na escolha da Rússia para sede do Mundial de 2018 e na decisão de ontem….com a qual Blatter, teoricamente, nada teve a ver.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

OS PRÉMIOS DA FIFA






SURPRESAS NÃO SURPREENDENTES

Constava com muita insistência na imprensa nacional e internacional que os principais prémios da FIFA iam para Vicente Del Bosque e Iniesta ou Xavi. De fora ficariam Mourinho e Leonel Messi.
E a convicção era tanta que até os principais excluídos estavam convencidos de que não seriam premiados.
Não aconteceu assim. Mourinho foi muito justamente considerado o melhor treinador do ano, já que o seu feito só foi superado pelo de Guardiola num ano em que os treinadores não eram galardoados por aquela organização.
Tendo ganho a Taça de Itália, o Campeonato Italiano e a Liga dos Campeões, Mourinho estava na primeira fila para receber o prémio, por muito que se conteste o seu estilo, o seu contributo para o futebol em geral e inclusive o seu futebol.
Vicente del Bosque ganhou o Campeonato do Mundo, como antes já tinha ganho grandes títulos no Real Madrid, entre os quais a Liga dos Campeões, mas a vitória numa prova relativamente curta, por mais importante e espectacular que seja, como é um Campeonato do mundo, não pode comparar-se à vitória em três provas, de grande prestígio e de grande dificuldade. Se nenhum treinador concorrente tivesse reunido em si vários títulos, seria normal a atribuição a Del Bosque. Com três títulos, Mourinho dificilmente poderia ser excluído.
Guardiola, apesar de ter ganho a Liga espanhola e de treinar a equipa que melhor e mais espectacular futebol pratica, além de ela própria ser indiscutivelmente a melhor equipa de futebol do mundo, não poderia vencer Mourinho por ter perdido no confronto directo com o treinador português a eliminatória das meias-finais da Liga dos Campeões.
Quanto ao melhor jogador do mundo, ninguém tem dúvidas de que é Messi. Como Messi não ganhou com a Argentina o Campeonato do Mundo, admitia-se que um dos seus dois mais dotados companheiros do Barcelona, campeões do mundo, pudesse este ano ser premiado. Não apenas para premiar o mérito individual, mas também a vitória espanhola e a “cantera” do Barcelona.
Não foi esse, porém, o critério que prevaleceu entre os votantes e apesar da simpatia generalizada de que desfrutam tanto Iniesta como Xavi tem de considerar-se que o prémio atribuído a Messi premeia o melhor jogador do mundo, porventura aquele que virá a ser considerado o melhor jogador de todos os tempos!
Daí que as “surpresas” de hoje à tarde não sejam surpreendentes…

O RECOMEÇO DO CAMPEONATO



QUASE TUDO NORMAL

O campeonato recomeçou após longa paragem sem grandes surpresas. De sublinhar entre estas a vitória da Naval em Guimarães, depois de reduzida a nove unidades e no começo do ciclo Carlos Mozer. Dada como certa na segunda divisão, a Naval vai agora demonstrar nos jogos subsequentes até onde vai o efeito Mozer. Espera-a já na próxima jornada um jogo difícil com o Porto, onde ninguém conta com surpresas.
O porto ganhou normalmente ao Marítimo, por 4-1, apesar de não contar com Falcão. Muito dificilmente perderá a vantagem que leva para o Benfica.
O Sporting consolidou o terceiro lugar vencendo o Braga por 2-1 em Alvalade. À parte os cerca de 10 minutos em que aconteceram todos os golos, foi um jogo pouco emotivo que o Sporting ganhou naturalmente. O Braga está uma sombra do Braga da época passada. Falha muitos passes, tem menos solidez defensiva e pouca eficácia no ataque.
O Benfica terá feito o melhor jogo da época fora de casa e tudo indica que a equipa está num crescendo, que pode ser insuficiente para recuperar a vantagem que o separa do Porto, mas muito importante para readquirir a confiança dos adeptos. Se o Benfica passar a dar espectáculo, como aconteceu o ano passado, pode ter a certeza de que terá os adeptos consigo. E o facto de dar espectáculo e isso ser reconhecido pela imprensa e os media em geral constituirá em si um efeito destabilizador para os demais, nomeadamente para o Porto.
Em Leiria, na primeira parte e nos últimos quinze minutos da segunda, o Benfica esteve muito próximo da equipa do ano passado, havendo jogadores decisivos, como Saviola, em grande forma
Tudo mudará quando o próximo jogo do Benfica deixará de ser esperado como uma confirmação do jogo anterior e passar a ser encarado como mais um motivo de alegria pelo espectáculo que os adeptos esperam da equipa.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

MOURINHO RETRATADO TAL QUAL É


A IMPRENSA DE MADRID NÃO POUPA MOURINHO

Aqui há muitos meses, neste post, antecipámos as dificuldades de Mourinho em Madrid, bem como as suas previsíveis vítimas.
Também dissemos que Mourinho, com experiência em clubes párias, iria ter muita dificuldade em adaptar-se ao Real Madrid.
Finalmente, Mourinho não é tão inteligente quanto o julgam. É um narciso, um ególatra, que apenas pensa em si e nos seus êxitos. E quem assim actua corre sempre o risco de não compreender o contexto em que actua.
É certo que nem todas as equipas em que Mourinho ganhou títulos são iguais. Há diferenças entre elas, mas todas têm de comum o serem equipas pequenas – equipas de apenas alguns. com poucos adeptos
O Porto é de longe aquele que melhor se adequa à personalidade de Mourinho. Tudo vale, tudo se pode fazer, desde que esses feitos levem à vitória. Pode-se fomentar a violência, pode-se coagir as arbitragens, pode-se mesmo levá-las para “casa” ou dar-lhes “fruta”, pode-se achincalhar os adversários, pode-se usar a intimidação e a violência contra jornalistas e outros agentes desportivos – desde que com essas práticas se alcance a vitória, elas serão boas. No Porto, Mourinho mais do que mestre, foi aluno: foi lá que ele aprendeu a ser quem é.
No Chelsea as coisas eram diferentes. Antes de mais, porque se estava em Inglaterra. Muitas das práticas que tinha aprendido em Portugal não poderiam ser transplantadas para lá. Mesmo assim, algumas foram.
A seu favor tinha o facto de o Chelsea ser um clube pequeno, um clube de ricos, numa Londres onde o futebol era originariamente proletário, comprado por um oligarca russo, que acima de tudo queria vitórias. Mas que, curiosamente, não desprezava, contrariamente à generalidade dos adeptos, o espectáculo.
A ausência de grandes vitórias no plano europeu e o desprezo pelo espectáculo ditaram a sorte de Mourinho. Foi despedido.
No Inter havia grande “fome” de vitórias nacionais e europeias. Arredado das vitórias nacionais durante largos anos, o Inter, beneficiando da grande crise do futebol italiano, nomeadamente da Juve e do Milan, havia encetado o regresso aos títulos nacionais antes de Mourinho. Com Mourinho consolidou-os e regressou aos títulos europeus, dos quais estava afastado há muitas décadas.
Como clube pouco popular que é, sem adeptos na Itália e com poucos adeptos na Lombardia, o Inter era o clube ideal para Mourinho poder fazer todo o tipo de guerras com os árbitros, com a imprensa, com os colegas, enfim, fazer uma completa demonstração de uma personalidade com um carácter que não respeita nada nem ninguém para atingir os seus fins.
No auge das suas vitórias, completamente embriagado com o seu próprio endeusamento, chegou a Madrid, sem perceber bem – vê-se agora – o chão que pisava. Já em anteriores ocasiões tinha dado sobejas provas de não compreender o “madridismo”, mas a partir do momento em que foi humilhado pelo Barcelona e em que levou um dos maiores “banhos de bola” da história do futebol, Mourinho ficou transtornado e desequilibrado tão forte foi a “machadada” desferida no seu incomensurável orgulho.
As cenas de domingo passado, a recusa em comparecer hoje na conferência de imprensa, foram a gota de água que fizeram a imprensa de Madrid dizer, sem meias-palavras, o que dele pensa, como se pode ler aqui (Madrid descobre o pior de Mourinho) e aqui (Que o Madrid se defenda de Mou).

Na conferência de imprensa de domingo, atacou Valdano. Florentino Peres, sem rodeios, respondeu. "Jorge é quem melhor nos representa".

Esta página da Marca é bem o exemplo do que é hoje Mourinho em Madrid.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

AFINAL, MOURINHO NÃO AGUENTA A PRESSÃO



OS CLUBES DE MOURINHO

Fica cada vez mais patente a cada dia que passa que Mourinho tem muita dificuldade em conviver com quem o supere. E para evitar ou tentar evitar que tal aconteça, Mourinho lança mão, sem escrúpulos, de tudo o que lhe possa ser útil.
Nenhum critério de natureza ética o demove nesse objectivo. Os seus critérios são puramente pragmáticos e utilitários. O que for útil, é bom. A mais completa amoralidade é a norma de conduta de Mourinho.
Por isso, Cruyft, com razão, diz que Mourinho pode ser, e é, um bom treinador para a sua equipa, mas não é um bom treinador para o país, para o futebol e para todos aqueles que podem tirar proveito de um grande exemplo.
Acontece que para Mourinho estas palavras não representam nada, nem sequer ele as interioriza como uma censura. O seu objectivo é ganhar, e, desde que o consiga, convive muito bem com tudo o resto.
Acontece que no Real Madrid as coisas não são bem iguais às de outros clubes por onde Moutinho passou. O Real Madrid quer ganhar, mas quer acima de tudo ser um clube de projecção nacional e mundial, sem mancha. Um clube que respeita os adversários, que respeita as estruturas do futebol nacional, europeu e mundial em que está integrado, em suma, o Real Madrid não é, nem quer ser um clube pária, mesmo que esse fosse o segredo ou o caminho mais curto para as vitórias. O Real Madrid quer ser, e nunca pela sua história abdicará disso, um clube de referência.
Aquilo a que eles chamam de “madridismo” não aceita, nem pode aceitar, os comportamentos de Mourinho e da sua gente.
Mourinho vem de outras experiências, umas de batota declarada e confirmada por escutas, outras de clubes adquiridos por plutocratas sem escrúpulos, oligarcas autoritários que se acham com direito a tudo, outras ainda de clubes impopulares e rejeitados não apenas pela grande maioria dos adeptos do futebol, mas inclusive da cidade ou região a que pertencem. É nestes ambientes que Mourinho se sente bem. Neles goza de rédea solta para utilizar a vasta gama de recursos que sabe pôr ao seu serviço para ganhar.
No RM não vai poder actuar assim. E não é facto de ontem já ter pedido desculpa ao presidente pelo que aconteceu na véspera que ele se pode sentir habilitado a voltar actuar da mesma maneira no dia seguinte.
Além do mais, em Madrid percebem que Mourinho está completamente destabilizado pelo futebol do Barcelona. Afinal, Mourinho não aguente a pressão. Ele que tanto se gabava de ser indiferente a tudo o que o rodeava…
Como desculpa, dizem alguns, tem a seu favor o ter levado um dos maiores “banhos de futebol” de que há memória!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O JOGO DE PAÇOS DE FERREIRA



DOIS ENIGMAS E UMA CERTEZA

O Porto ganhou em Paços de Ferreira por 3-0. Dois golos nos descontos e um na primeira parte.
Apenas dois enigmas.
Primeiro, o penalty marcado a favor do Porto, depois de corte com o pé de um jogador do Paços;
Segundo, os falhanços de Rondon…um caso a seguir com atenção.
A certeza é a do comentador de arbitragem da TVI - nem na arbitragem da Liga o quiseram!

domingo, 19 de dezembro de 2010

O REAL MADRID NA SPORT TV



ATÉ DI MARIA JÁ É "ANGELITO"

São ridículos, absolutamente ridículos, os comentários e a narração dos jogos do Real Madrid na Sport TV.
O comentador e o narrador são dois adeptos fanáticos do conjunto madrilista, não certamente por se tratar do Real Madrid, mas por a equipa ser treinada por Mourinho e lá ter Ronaldo e Ricardo Carvalho, além de Di Maria, que, desde que lá está, até passou a “Angelito”. O mesmo que o ano passado fazia imensas “fitas”, é agora um super craque.
É este “saloiismo bacoco”, disfarçado de patriotismo futebolístico, que faz com que o narrador e o comentador se refiram às vicissitudes do jogo e ao árbitro como se estivessem a tratar de um assunto deles e, por extensão de todos nós, pondo nele tal fervor e tanto facciosismo, que tornam o espectáculo, além de ridículo, insuportável.
Quem simplesmente queira assistir a um jogo de futebol não consegue. Os ditos “funcionários” da Sport TV – estes ou outros, já que é quase idêntico o comportamento de todos – não percebem que o Real Madrid está claramente traumatizado pelo êxito e pelas exibições do Barcelona - que, essas sim, arrebatam multidões em todo o mundo -, e, por isso, joga com intranquilidade e até pior do que poderia fazer noutras circunstâncias. Eles não percebem que as vitórias do Barcelona, sempre ligadas a exibições deslumbrantes, com prestações individuais verdadeiramente extasiantes, têm um efeito demolidor sobre a moral dos jogadores do Real, nomeadamente daqueles que supunham poder ombrear com os grandes craques do Barcelona.
E como não compreendem isto, ou fazem que não compreendem, procuram desculpas nas arbitragens, que, segundo a opinião deles, agem sempre contrariamente aos interesses do Real – o que também não deixa de ser ridículo para quem minimamente conheça o futebol espanhol – e atribuem todo o tipo de méritos e de elogios aos jogadores portugueses, mesmo quando os não merecem.
A Sport TV deveria saber que quem paga a assinatura para ver os jogos transmitidos em canal fechado paga isso mesmo: a possibilidade de ver jogos e não para assistir a verdadeiros comícios de apoio a uma determinada equipa.
Por esta forma de actuar dos tais funcionários da Sport TV igualmente se afere a sua completa ausência de profissionalismo. O que eles fazem abertamente com o Real Madrid, fazem-no encapotadamente na maior parte dos outros jogos. Só que, como não se trata de uma equipa portuguesa, eles partem do princípio que todos os espectadores apoiam aquela onde estão portugueses e, por isso, sentem-se tão à vontade como quando estão a relatar um jogo da selecção nacional. O que eles se esquecem é que a maior parte das pessoas o que quer é ver futebol e que as poupem ao fanatismo dos comentadores.
O clima em Madrid, e na Espanha em geral, á volta de Mourinho é cada vez pior. A arrogância do português, o auto-elogio permanente e a sombra, ou antes, o sol que irradia de Barcelona vão fazendo contra ele o seu caminho.
Aliás, este clima criado por Mourinho e a sua gente está-se tornando gradualmente insustentável. Ainda hoje Silvino se meteu com o banco do Sevilha – e não o contrário – e depois empurrou violentamente o delegado de campo do próprio RM. E tudo isto acontece, porque Mourinho “fez-se grande” em habitats onde a violência não era uma excepção e onde a impunidade era a regra!
EM TEMPO
Lidas as declarações de Mourinho após o encontro com Sevilha, percebe-se que ele pede a "cabeça" de Valdano. Como aqui se vaticinou logo que Mourinho assinou pelo Real, Valdano seria uma das suas próximas vítimas.
Valdano é demasiado civilizado para lidar com Mourinho. Não é com gente como Valdano que Mourinho está habituado a tratar...

sábado, 18 de dezembro de 2010

BENFICA VENCE E SOBE DE RENDIMENTO



A DEFESA AINDA COM FALHAS

O Benfica venceu o Rio Ave por 5-2 e realizou uma exibição que, do ponto de vista atacante, se aproximou das da época passada. Tanto na eficácia finalizadora, como na exibição, o Benfica jogou muito bem na primeira meia hora e depois, na segunda parte, soube reagir bem ao golo do Rio Ave e marcar em quase todas as situações de golo.
De evidenciar a boa exibição do Rio Ave, com excepção da tal primeira meia hora, que, apesar de ter sofrido golos em momentos decisivos do jogo, nunca se entregou e criou permanentemente dificuldades ao Benfica.
Com uma equipa quase Argentina é natural que o Benfica tenha feito gala de um bom toque de bola, apesar de algumas falhas, e de um virtuosismo muito próprio dos jogadores argentinos.
Contra, as falhas defensivas que continuam a existir. Falhas que não são necessariamente individuais, embora também existam, mas da organização defensiva da equipa. Se o Benfica melhorar neste aspecto, que tem sido o seu principal problema esta época, é provável que se aproxime do Porto.
Boas exibições individuais de Salvio, que foi o melhor em campo, de Saviola, a subir de rendimento de jogo para jogo, e de Roberto, que esteve à altura nos momentos decisivos. Do lado do Rio Ave, boa exibição de João Tomás.
Entretanto, o treinador do Porto deu mais uma vez provas do seu baixo nível. Comportando-se como adepto, e não como treinador, irá certamente, mais tarde ou mais cedo, sofrer as consequências dessa sua atitude.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

AS EQUIPAS PORTUGUESAS NA LIGA EUROPA



PERSPECTIVAS

Arredadas da Liga dos Campeões, por exclusiva responsabilidade do Benfica, que nem sequer cumpriu a obrigação de ganhar os jogos em casa, as equipas portuguesas concentraram-se todas na Liga Europa.
Apesar de o Benfica e o Porto defrontarem equipas de ligas da “Primeira Divisão” europeia, a verdade é que nem estas nem as outras duas equipas ainda em prova (Sporting e Sporting de Braga) irão ter pela frente equipas muito fortes.
O Braga jogará com o Lech Poznan da Polónia, que está em 10.º lugar a onze pontos do primeiro. Jogando primeiro em Poznan e, depois em Braga, há todas as condições para que a equipa bracarense siga em frente.
Já ao Sporting cabe-lhe defrontar o Rangers, em primeiro lugar na Liga escocesa, com apenas uma derrota. Este jogo é bem capaz de ser o mais difícil dos quatro, embora o Sporting costume fazer bons resultados com equipas britânicas. O problema é que o Sporting tanto faz hoje um jogo bom como amanhã um jogo péssimo. E como nunca se sabe com o que se pode contar, a eliminatória está em aberto, com mais probabilidades para os escoceses.
Ao Benfica cabe-lhe o Estugarda, já conhecido do clube da Luz nestas andanças. Com Trappattoni, o Benfica perdeu na Alemanha por 3-0 na Taça UEFA, numa modalidade parecida com a actual Liga Europa. O problema do Benfica é semelhante ao do Sporting: a irregularidade da equipa. Quanto ao resto, o Estugarda está em penúltimo lugar na Bundesliga, embora com muitos golos marcados…mas também com muitos sofridos. Contra, ainda o facto de em mais de 50 anos de competições europeias o Benfica nunca ter conseguido ganhar na Alemanha, mesmo quando as equipas que defrontou ocupavam, à época, os últimos lugares da tabela – Nürnberg, Hertha de Berlim e Schalke 04.
O Porto tem a tarefa facilitada, não apenas porque está a jogar bem e muito moralizado, mas também porque o Sevilha tem sido uma permanente decepção. Eliminado da Champions League pelo Braga, apurou-se in extremis na fase de grupos da Liga Europa, em consequência de uma inexplicável fraca prestação do Borússia de Dortmund. Em 12.º lugar na Liga espanhola, a vinte pontos do Barcelona, com mais golos sofridos do que marcados, o Sevilha não é, nem de perto nem de longe, uma equipa que possa fazer frente ao FCP.
Sendo certo que daqui a Fevereiro muita coisa pode acontecer e até mudar, é, no entanto, plausível, feitas todas as contas, que o Porto e o Braga tenham as eliminatórias garantidas, perspectivando-se muitas dificuldades para o Benfica e para o Sporting.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O BENFICA GANHOU, MAS ...



HÁ TRISTEZA NO FUTEBOL DO BENFICA

Pela primeira vez, como treinador, Jorge Jesus apresentou-se perante a imprensa com um ar abatido e triste, aparentemente sem soluções para o mal que afecta o Benfica.
O jogo contra o Braga, também a passar um mau bocado, não foi bom, nem foi mau. Foi um jogo triste, sem alma, no qual à partida se sabia que um passaria e outro ficaria.
Há qualquer coisa nos jogadores do Benfica que nem eles, nem o treinador, conseguem erradicar.
A equipa joga como se não houvesse treinador. Embora isso não seja necessariamente culpa do treinador. Do mesmo modo que o ano passado jogava como se o treinador estivesse permanentemente “dentro do campo” a explicar-lhe o que fazer, embora isso também não fosse mérito exclusivo do treinador.
Há, de facto, qualquer coisa no futebol, que está para além da lógica e da racionalidade. Há no futebol um lado afectivo e emocional que, não sendo suficiente para transformar onze jogadores numa boa equipa, é, todavia, necessário para fazer de onze bons jogadores uma boa equipa.
Há qualquer coisa no Benfica que se “quebrou” e que somente por um daqueles acasos em que o futebol é fértil se pode voltar a “soldar”.
Talvez Jesus não seja treinador para mais de um ano, principalmente pelas suas limitadíssimas capacidades comunicacionais e também pelo super ego que exibe quando está vitorioso. Nem uma coisa nem outra se adquirem ou perdem aos cinquenta anos…
Talvez que o Benfica devesse ter vendido quase todos os jogadores que queriam sair, nomeadamente os estrangeiros, e devesse ter comprado bem e a tempo alguém para os substituir.
Talvez…O que parece ser certo é que o Benfica não encontra dentro de si forças suficientes para se manter no topo. De cada vez que lá chega, volta a cair. E depois de cair leva muito tempo a levantar-se de novo.
Importante, muito importante é conseguir um lugar na Liga dos Campeões da próxima época. Não é que o resto seja secundário. O que não pode é sacrificar-se o essencial na tentativa de alcançar o acessório.

sábado, 11 de dezembro de 2010

BENFICA: UM FUTURO COMPLICADO



A GRANDE OPÇÃO

Multiplicam-se as análises sobre o actual momento do Benfica e, simultaneamente, as declarações de apoio do Presidente a Jesus. Vieira, ao contrário de Pedro, o apóstolo, três vezes o confirmou e todavia o exemplo do apóstolo que, por três vezes o renegou, acabaria por frutificar até hoje: “ Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.
Vieira o que verdadeiramente quer dizer é: “Tu és Jesus e contigo ao leme não construirei o meu Benfica”.
Certamente que Jesus não é a pessoa certa para reconstruir o Benfica. Não é, nem tinha que ser. Essa não é a função do treinador. Essa é a função do Presidente. Se depois de tantos fracassos e de não menos ilusões levianamente vendidas o Benfica tomba com tanta facilidade na vulgaridade, a culpa é do Presidente. Que não sabe liderar. Que não sabe escolher. Que está mal acompanhado.
E mais uma vez isso vai acontecer este ano. Não adianta ter ilusões. Já se percebeu que o treinador, pelas suas próprias fragilidades – incultura, impreparação para lidar com o êxito e com o inêxito, incapacidade de comunicar e, inclusive, deficiências técnicas graves tanto na escolha dos jogadores como na preparação dos jogos – e pelo contexto em que actua – uma direcção fraca, arrogante no exercício do poder e frágil na imposição da verdadeira autoridade – não está, por si, em condições de recuperar o Benfica para o que falta da época.
Dificilmente o Benfica contará com a “revolta do balneário”, feita de orgulho ferido e de amor-próprio. E também não conta, como já se disse, com uma presidência à altura das circunstâncias. Menos ainda poderá esperar qualquer benevolência, por mínima que seja, vinda do exterior. Já se percebeu que não haverá disso: as pequenas e “inocentes” ajudas estão reservadas para o Porto, quando necessárias – contra a Naval, contra o Nacional, contra o Moreirense, contra o Vitória de Setúbal – ou para o Sporting, que, de tão fraco, as não aproveita ou até as esbanja logo a seguir – e tantas e tão caricatas são, que nem vale a pena enumerá-las.
O Benfica tem de ter um treinador que seja um profundo conhecedor do grande futebol europeu, assim alguém como o actual treinador do Shaktar Donetz, alguém que apoiado por uma direcção competente prepare o Benfica para um comportamento positivo constante nas provas europeias.
O campeonato nacional é importante. A vitória na Liga é muito reconfortante, mas, por estranho que possa parecer, não é o mais importante. Importante é apurar-se para a Liga dos Campeões e assegurar uma participação positiva na prova.
No estrangeiro, o que conta, o que dá prestígio e dinheiro, é a Liga dos Campeões. Fora das três, no máximo, quatro, grandes ligas europeias, ninguém sabe quem foi o campeão da Bielorrússia, da Ucrânia ou de Portugal. Mas passa nas televisões de todo o mundo o resumo da derrota do Benfica contra o Hapoel de Israel e fica a insignificância da equipa que a sofre. Ao contrário, as vitórias na prova, o apuramento na fase de grupos, a passagem da primeira eliminatória, se forem um hábito constante, dão à equipa uma dimensão universal, feita de factos e não de mitos.
É neste sentido que o Benfica tem de apostar. Participar regularmente com um mínimo de brilho na Liga dos Campeões é muito mais rentável que uma vitória no campeonato nacional. O resto…virá por acréscimo.

A COVARDIA DE RUI SANTOS



UM EXEMPLO ENTRE MUITOS

Rui Santos é um intriguista vulgar. Somente num país onde a paixão clubista se sobrepõe a toda a racionalidade e no qual, além do mais, as polémicas, tanto no futebol, como na política, não primam pela lógica e pela racionalidade se pode compreender que um comentador tão vulgar tenha alguma audiência.
Aliás, comentador em solilóquio, já que inclusive lhe falta a coragem para debater e discutir conjuntamente.
Vem estas breves considerações a propósito de um artigo que o dito intriguista publicou na Record de quinta-feira, 9 de Dezembro, sobre as incidências do Porto-Vitória de Setúbal, de segunda-feira passada.
Não podendo deixar de referir-se ao modo como o FCP assegurou a vitória, Rui Santos critica a arbitragem, mas sempre daquela forma tímida de quem receia pelas consequências, se “falar de mais”. E quando nada, absolutamente nada o justifica, introduz, manifestamente para sua defesa pessoal, o Benfica na questão, dando a entender que divide com o Porto os favores da arbitragem.
Se se tratasse de uma calúnia, semelhante a tanta outras em que RS é useiro e vezeiro, ele não mereceria qualquer resposta. Apenas a tem, porque aquele artigo demonstra que ele – o tal da verdade desportiva – não passa de um tipo sem coragem. Nenhuma coragem.
É que o Benfica não vem naquele artigo a propósito de nada, nem sequer de um qualquer outro jogo dos disputados este ano. O Benfica vem ali, apenas para o defender de uma investida portista, que nunca se sabe - e ele também sabe isso – como é feita. Dizer mal de uma arbitragem que favoreceu o Porto, metendo no mesmo saco o Benfica é algo, que na compreensão que ele tem das coisas, o deixa fisicamente descansado. Que miséria!
Se ao menos falasse do Sporting que, com corrupção ou sem corrupção – só os dirigentes e os influentes sportinguistas o sabem -, regista este ano (e também o ano passado) uma série inconcebível de “erros graves” a seu favor, ainda se compreenderia, por muito que a citação apenas tivesse por objectivo não o deixar isolado frente ao Porto.
Agora que tenha envolvido o Benfica é um acto de profunda covardia!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

RÚSSIA E QATAR SEDES DO MUNDIAL 2018 E 2022

DUAS GRANDES APOSTAS DA FIFA

Já há muito se percebeu que a FIFA quer fazer do futebol o primeiro desporto mundial. Os novos mercados e as regiões que até hoje nunca tinham organizado uma prova desta envergadura foram, naturalmente, os privilegiados nas escolhas. Mas não só. As escolhas da FIFA também são políticas, no sentido corrente e não pejorativo do termo.
A dúvida não estava na escolha da Rússia que, desde início, se apresentou com grande favoritismo. A dúvida estava entre os Estados Unidos e o Qatar. Apesar de os Estados Unidos representarem um grande mercado que ainda não está ganho para o futebol, tem de compreender-se que a FIFA com a sua decisão quis igualmente dar um contributo para a atenuação das tensões mundiais.
A escolha de um país árabe, situado numa zona nevrálgica do globo, acaba por representar um voto de confiança naqueles que não acreditam nas guerras entre civilizações.
E pelo que já se sabe a respeito das votações, as coisas passaram-se de modo muito diferente daquele que vinha sendo antecipado pelos “entendidos”.
Assim, relativamente ao Mundial de 18, o primeiro candidato a ser eliminado foi a Inglaterra, com apenas 2 votos na primeira votação, contra 4 da Holanda/Bélgica, 7 de Portugal/Espanha e 9 da Rússia.
No segundo round, a Holanda/Bélgica perdeu 2 votos, tendo ficado com 2, Portugal manteve os mesmos 7 e a Rússia somou os dois da Inglaterra, mais os 2 que a dupla H/B perdeu, além dos 7 que já tinha, tendo ficado com 13.
Resultado final: vitória concludente da Rússia por 13 a 7.
Quanto ao Mundial de 22, as coisas foram mais renhidas.
Na primeira volta, o Qatar somou 11; os EUA, 3; a Coreia do Sul, 4; e o Japão, 3 e a Austrália 1, tendo sido eliminada.
Na segunda volta, o Qatar perdeu um voto (10); os EUA ganharam 2 (5); a Coreia do Sul ganhou 1 (5); e o Japão perdeu 1 (2), tendo sido eliminado.
Na terceira volta, o Qatar voltou a subir para 11: os EUA ganharam mais um voto (6); e a Coreia do Sul Manteve os mesmos 5, tendo sido eliminada.
Na quarta e última volta, os 5 votos antes atribuídos à Coreia dividiram-se pelo Qatar (3) e pelos EUA (2).
Resultado final: Qatar 13, Estados Unidos 8.
O campeonato de 2018 disputar-se-á em 13 cidades do vasto território da Rússia, desde a mais ocidental Kaliningrado (antiga Könisberg) até à mais oriental Ekateringburg. Haverá também jogos no sul, no Cáucaso, em Sochi, no Mar Negro, em Krasnodar; em Rostov–on-Don, perto do Mar Azov; no Volga, em Volgogrado (antiga Estalinegrado), em Samara; em Kazan (ambas relativamente perto da cidade natal de Lenine – Simbirsk, hoje Ulianovsk); a ocidente do Volga, Saransk; e depois Nizhny Novgorod, ainda no Volga ocidental; ainda nas margens do Volga, mas muito mais a norte, Yaroslavl’; e por fim San Petersburgo e Moscovo.
Enfim, a Rússia terá certamente todas as condições para fazer um grande Mundial. Assim se espera.
A atribuição ao Qatar será analisada noutro post.

UM PALPITE SOBRE A DECISÃO DOS MUNDIAIS DE 2018 E 2022



UM SIMPLES PALPITE…

Como se sabe, Portugal e a Espanha concorrem conjuntamente à realização do Mundial de 2018.Têm como “adversários” nesta corrida a Inglaterra, a Rússia e a Bélgica/Holanda.
Para a realização do de 2022 competem os Estados Unidos, o Qatar, o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália.
Depois de tudo o que se passou – e passou-se alguma coisa, por muito que os ingleses sejam parciais nas “notícias” que veiculam – parece muito difícil que a realização do Mundial de 2018 venha a caber aos países da Península Ibérica.
Provavelmente, também não irá para a Inglaterra. Seria difícil defender a decisão, por tudo o que aconteceu.
A Rússia também é suspeita, mas no novo regime em que agora vive ainda não organizou uma grande prova desportiva.
Sobre a Holanda e a Bélgica não recaem quaisquer suspeitas, mas também parece não estarem reunidas as condições mínimas para ganhar de forma indiscutível.
Assim, ponderados os prós e os contras, inclino-me para a vitória da Rússia.
Relativamente ao de 2022, a decisão parece mais fácil: os Estados Unidos vão ganhar.
A Coreia do Sul e o Japão, que agora concorrem separados, não terão grandes hipóteses, tendo em conta que ainda em 2002 o organizaram.
As Austrália que, sem a concorrência dos Estados Unidos, teria algumas hipóteses, verá por essa razão muito dificultada a sua escolha.
Finalmente, o Qatar, debaixo de grandes suspeitas, terá poucas hipóteses, apesar de ter muito dinheiro. Depois, o Golfo ainda não é uma região tranquila…e ninguém sabe como será daqui a doze anos.
Assim, a pouco menos de doze horas da decisão, o meu palpite é: Rússia e Estados Unidos.

LIGA EUROPA: SPORTING APURADO E EM PRIMEIRO LUGAR



MELHOR NA EUROPA, DO QUE EM PORTUGAL

O Sporting ganhou o jogo de esta noite contra o Lille por 1-0. Não foi um grande jogo, mas foi o suficiente para o Sporting passar à fase seguinte da Liga Europa.
O Lille, apesar do lugar que ocupa no Championat, não demonstrou em Alvalade possuir grandes predicados para competir com o Sporting. Batido em França e em Lisboa, o Lille vai ter agora de ganhar ao Gent para garantir a continuação na prova.
Mais uma vez o Sporting beneficiou de um erro escandaloso do árbitro. Dificilmente se encontrará esta época uma equipa tão beneficiada na Europa como o Sporting , tanto interna como internacionalmente.
São bolas que não entram transformadas em golos, são off sides de metros não assinalados, são agressões não punidas, enfim, há de tudo.
Será interessante ouvir os “comentadores” do Sporting sobre tudo isto. Eles que até já conseguiram “demonstrar” que o golo contra o Porto não foi marcado em posição de fora-de-jogo. Claro, que o Porto não liga muito a isso. Não convém hostilizar o Sporting, que lhe faz falta para outras guerras…
De facto, os “comentadores” do Sporting, os tais que só tem princípios, convicções, honradez e outros atributos que apenas a eles pertencem, levantam suspeições quando um erro, um simples erro, prejudica a sua equipa. Mas ficam silenciosos quando se passa o contrário…e acham que errar é humano.
Humano é…mas tem sido sempre a favor do Sporting.
Hoje foi uma coisa nunca vista: um jogador que já tinha amarelo desviou fraudulentamente a bola com a mão, um segundo empurrou o adversário e tocou também com a mão na bola e, finalmente, um terceiro voltou a passá-la com a mão. Tudo isto num canto, com três árbitros por perto: o de campo, o de baliza e o liner!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

JESUS NA FLASH INTERVIEW


VILLAS BOAS NO BANCO

Ao que se ouve, causou certa polémica o modo como Jorge Jesus abandonou a flash interview no domingo passado, depois do jogo com o Beira-Mar.
A flash interview é, como o nome indica, uma curta entrevista sobre as incidências do jogo imediatamente feita após o termo da partida. Segundo os regulamentos da Liga, cada equipa disponibilizará para a dita entrevista um jogador (de dois solicitados pela estação emissora do jogo) e o treinador.
Nem o treinador nem o jogador estão obrigados a responder sobre as questões que nada tenham a ver com o jogo e o entrevistador, em princípio, deverá cingir-se a estes aspectos nas questões que formula.
Todavia, como o jornalista não está ao abrigo de qualquer regulamento da Liga, regendo-se apenas pelas leis da República, nada o impede de questionar os entrevistados sobre outras matérias. E estes têm duas opções: ou respondem, já que nada os impede de o fazerem; ou, pura e simplesmente, não respondem.
É perfeitamente natural que tanto no flash interview, como na entrevista colectiva, haja perguntas provocatórias…”legalmente admissíveis”.
No futebol português, tudo depende da protecção que o jornalista tem. Se não tiver qualquer espécie de protecção e o seu lugar correr perigo se “desalinhar”, certamente não as fará. Não é, por acaso, que nunca há perguntas provocatórias feitas a certo clube. É que além daquelas razões, outras há que aconselham a que não sejam feitas, como a história demonstra.
Neste contexto, o que Jorge Jesus deveria ter feito no domingo passado era dizer ao entrevistador, com toda a tranquilidade, que não responderia às suas perguntas. E não se compreende, dadas, por um lado, as conhecidas limitações de Jesus para se exprimir, e, por outro, o conhecimento que se têm da personalidade e das preferências clubistas do entrevistador, que a assessoria de imprensa do Benfica não tenha preparado o treinador para esta eventualidade. Esta é mais uma prova do amadorismo e do improviso que grassa naquele clube.
Os protestos da "classe jornalística"são de uma enorme hipocrisia, conhecido que é o seu silêncio sobre os prolongados "black out" que o clube das Antas costuma fazer sem qualquer oposição. E muito mais do que isso das agressões, ameaças e boicotes de toda a ordem contra quem "desalinhar"
No que respeita a André Villas Boas, técnico do FCP, começa a ficar claro alguns aspectos interessantes da sua personalidade enquanto treinador.
Percebe-se que ele está no Porto sobre brasas, não porque os resultados não tenham até estado além do esperado, nas porque ele sente que tem tudo a provar e que está permanentemente a ser avaliado. E é óbvio que isto causa um enorme desgaste emocional.
Numa primeira fase, para que não houvesse dúvidas de que ele não era neutro, mas da casa, assumiu-se como adepto, na tentativa antecipada de preparar o terreno para atenuação de uma eventual contestação se as coisas não corressem completamente bem.
Com o tempo e as vitórias foi deixando esmorecer esta faceta, sem contudo a perder. Mas percebe-se a grande estabilidade emocional que o assalta quando a equipa está em dificuldades e corre o risco de não ganhar. O modo como celebrou os golos do Porto em Guimarães e em Alvalade são prova disso. Mas mais do que a celebração dos golos é a incapacidade que revela de se comportar no banco de acordo com as regras, tanto assim que, das duas vezes que o Porto empatou, foi expulso.
Veremos até onde o levará a sua instabilidade emocional, prova clara da ausência de maturidade como treinador.

BARCELONA - O MAIOR "BANHO DE BOLA" DOS TEMPOS MODERNOS


UMA HUMILHAÇÃO SEM PRECEDENTES

Assistiu-se esta noite a uma das maiores exibições de futebol de que há memória num clássico do futebol.
A exibição do Barcelona foi total. O Real Madrid foi reconduzido ao papel de uma equipa de segunda categoria. Não por demérito da equipa de Madrid, mas por mérito exclusivo da equipa catalã.
Não há palavras para descrever tanta superioridade, tanta classe, tanto domínio como o que hoje se viu em Camp Nou.
A equipa catalã exibiu-se a um nível superior ao da selecção espanhola, campeã do mundo. É um regalo ver jogar Messi, Iniesta, Xavi, Pedro, enfim, todos sem excepção.
Custa a perceber como uma equipa de Mourinho é ridicularizada, humilhada, reconduzida a nível zero.
Vendo melhor, a explicação é simples: Mourinho nunca jogou nas equipas que treinou, salvo com o Porto cá dentro – e nem sempre – como joga este ano com o Madrid. O jogo típico das equipas de Mourinho é o jogo do Inter e do Chelsea. No Real Madrid Mourinho não pode jogar assim: em Santiago de Bernabeu não lhe permitiriam. Também é verdade que o Real Madrid não precisa de jogar à Mourinho, na maior parte dos jogos, para ganhar. Só que a questão que se põe é a seguinte: consegue esta equipa do Real Madrid, com Ronaldo, Di Maria, Özil, Higuain, mudar eficazmente o sistema de jogo naquelas partidas em que não tem argumentos para dividir o jogo com o adversário?
Não há dúvida de que a melhor materialização do espírito de Mourinho é o Inter do ano passado com os jogadores que o compunham. Conseguiu ganhar ao Barcelona e até eliminá-los. É certo que foi com a grande colaboração de Olegário Benquerença. Mas mesmo sem Benquerença nunca seria humilhado como foi este ano.
Outra conclusão que o jogo de hoje permite tirar, embora ela fosse óbvia, é a de que Cristiano Ronaldo não se compara a Messi. Messi é um jogador do “outro mundo”, enquanto Ronaldo não passa de um bom jogador deste mundo. Mas não é somente Messi que é fenomenal: Xavi e Iniesta também são!
Esta é a maior humilhação da carreira de Mourinho. Veremos até que ponto este resultado o afectará na sua carreira de treinador. Um resultado alcançado num jogo em que ele não se pode desculpar com nada, excepto com a grande classe do adversário.
Finalmente, é uma vergonha o que se passa na Sport TV. Um provincianismo bacoco que, além de ser, em si, uma vergonha, é também inaudível por quem paga uma taxa para ver futebol. O Sr. Castelo não pode fazer do microfone da televisão um instrumento doméstico. Se ele quer apoiar uma equipa que o faça na sua casa e não publicamente, a ponto de impedir os telespectadores de assistirem calmamente a um jogo de futebol. No caso, a um magnífico jogo de futebol!
Que pena não haver canais desportivos sem locutores, nem comentadores…

domingo, 28 de novembro de 2010

BENFICA: CARDOOOZO!



BOM JOGO EM AVEIRO

Antes de falar sobre o jogo de hoje à noite, em Aveiro, algumas considerações sobre o “envolvimento” jornalístico que acompanha certos jogos de futebol.
Quando os jogos de futebol da Primeira liga são transmitidos pelo Sport TV, a regra é conhecida: se forem jogados a norte do Mondego, o relator do jogo e o comentador são afectos ao FCP e não pronunciam qualquer palavra que possa ser usada depois contra o clube das Antas. A não ser quando a vitória é tão clara, que até convém dizer algo contra para simular alguma imparcialidade.
Quando se disputam abaixo do Mondego, na maior parte das vezes continua a haver alguém afecto ao FCP e o outro membro da reportagem ora simpatiza com o Sporting ora com o Benfica.
Na TVI as coisas não são bem assim. Em regra, as estão mais divididas. Ainda hoje, por exemplo, o locutor simpatizava com o Benfica, sem nunca deixar de ser imparcial, e o comentador – que agora também comenta política – é um conhecido fanático do FCP. Perante as vicissitudes do jogo, o dito comentador não tinha outra alternativa senão confirmar o locutor, tão evidentes eram as questões em análise. Mas fazia-o sempre com um “mas”. Enfim, os números e a exibição acabaram por se impor.
Mas eis que no flash interview está destacado um conhecido provocador que, no respeitante aos intervenientes do Benfica, apenas estava interessado em assuntos que nada tinham a ver como o jogo. Fê-lo com Saviola e também com Jesus. Saviola, como fala em espanhol (ou castelhano, como queiram), embora desagradado, tinha mais condições para sair incólume. Mas com Jesus, as coisas já são diferentes. Como tem mais dificuldade a reagir a provocações, deixou o dito provocador a falar sozinho…
Quanto ao jogo propriamente dito, ele marca o regresso de Cardozo como grande goleador e jogador decisivo para o Benfica. Grande segundo golo. Grande jogada no golo de Saviola, o terceiro. E muito bem marcada a grande penalidade, com muita calma e confiança. Aliás, já tinha havido outra que o árbitro não viu.
Além do regresso de Cardozo, que verdadeiramente precisava de descanso – o descanso que não tinha tido na época própria –, assistiu-se ao jogo de uma equipa que, por várias vezes, pareceu a do ano passado.
Ruben Amorim equilibrou o meio-campo e Saviola aproximou-se bastante do Saviola do ano passado.
Na defesa ainda algumas oscilações e uma certa “tremedeira” nas bolas paradas. Javi também parece estar a regressar à boa forma. No entanto, é preciso ter em conta que, com o Benfica deste ano, todas as previsões podem falhar. É preciso esperar, para ver…
O Beira-Mar jogou bem. Reagiu no fim do primeiro-tempo ao grande domínio do Benfica e começou em bom nível a segunda parte. Mas depressa a reacção aveirense foi neutralizada com o excelente segundo golo de Cardozo, numa grande jogada e num belo remate a culminar um rápido contra-ataque.

SPORTING EMPATOU, MAS DEVERIA TER GANHO


MANICHE COM RESPONSABILIDADE NO EMPATE

Afinal, o tal super Porto é uma equipa ao alcance de quem jogue contra ele com vontade de ganhar e um mínimo de inteligência táctica. Com excepção de uma pequena fífia da defesa do Sporting, o Porto pura e simplesmente não existiu na primeira parte.
Nunca ninguém tinha jogado assim contra o Porto este ano – os seja, normalmente. Com excepção do primeiro jogo contra o Naval em que o árbitro, consciente ou inconscientemente, deu a vitória ao Porto e de um outro na Madeira, contra o Nacional, em que a dualidade de critérios foi evidente, sempre em benefício do Porto, e sem falar agora na Taça de Portugal e no Moreirense…que não vem ao caso, a imagem com que mais insistentemente se fica do Porto deste ano é a daquele jogo contra o Leiria, em que o Leiria pura e simplesmente não jogou (vá-se lá saber porquê) e do jogo contra o Benfica em que a equipa da Luz entrou em campo positivamente “assustada” e com erros técnicos e tácticos de palmatória. Até que apareceu o Sporting que jogou como normalmente deve jogar uma equipa.
E então nem Hulk foi o “papão” que costuma ser, nem Beluchi se passeou pelo meio-campo como habitualmente e nem a a defesa teve descanso vendo-se obrigada a trabalhar muito para não sofrer mais golos.
Na segunda parte, o Sporting esmoreceu um pouco e o Porto arrebitou. Mas nunca teria chegado ao golo se não fosse mais uma vez Maniche. Falhou duas bolas seguidas em zona proibida - na primeira, a defesa do Sporting ainda conseguiu evitar o pior, mas na segunda, além de ter criado uma situação grave quando a equipa estava descompensada, ainda ficou no chão a simular uma lesão que não existiu, tudo isto tendo contribuído para que Hulk se acercasse da área do Sporting numa incursão pela direita e feito o cruzamento para Falcao, que, sem marcação, fez o golo.
Bem andou o treinador do Sporting, que pouco depois substituiu Maniche. Depois da expulsão de Maicon, o Porto só pensou em defender-se e assegurar o empate. Algum individualismo de alguns jogadores e a pouco serenidade de outros impediram, de certa forma, uma vitória que seria justíssima.
De realçar na equipa do Sporting, antes de mais, o empenho, a garra e a solidariedade com que lutou. Individualmente, grande exibição de Liedson, que, quando está em boa forma física e quer jogar, é, de facto, um grande jogador. Rui Patrício também jogou sempre muito bem, sendo de prever que será dentro de muito pouco tempo o titular da selecção.
As queixas do Porto e do seu treinador não têm qualquer cabimento. Podem dar-se por felizes com o resultado.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

BENFICA EM QUEDA LIVRE


O DIAGNÓSTICO É FÁCIL DE FAZER

O Benfica, o grande Benfica de tão nobres tradições na Taça dos Campeões, foi hoje vergonhosamente batido por um modesto Hapoel de Telavive por 3-0! Com a derrota ficam também completamente hipotecadas todas as hipóteses de prosseguir na prova. Uma vergonha!
Não adianta dizer que o Benfica dominou o jogo e que foi batido exactamente nas três vezes em que o adversário foi à sua área. Porque a desculpa ainda agrava mais a situação. É inadmissível que uma equipa com pretensões, e tão cara, se deixe bater no mesmo jogo em duas bolas paradas, para mais estando em ambos os casos em superioridade numérica na área.
É claro que há contratações que estão rendendo aquém do que se esperava; é também verdade que há jogadores que este ano jogam muito menos do que o ano passado. Sim, tudo isso é verdade. Só que o problema da equipa é outro.
Este ano não há verdadeiramente uma equipa. Nem há solidariedade, nem há entrega. Há descrença. Acima de tudo muita descrença. E alguém tem de ser responsável pelo que se passa.
Evidentemente, que o primeiro responsável é o presidente, que tem, desde sempre, uma atitude errante na condução do Benfica, nomeadamente no seu relacionamento com os técnicos. Ora confia exageradamente, ora lhes tira o “tapete”.
Esta atitude não é de um verdadeiro dirigente. De alguém que comanda, que sabe escolher o rumo certo e manter as distâncias, sem quebra de solidariedade, mas também sem perda de liderança.
Vieira, quando tudo corre bem, tece elogios exagerados às pessoas com quem ainda se não incompatibilizou, para logo a seguir as desqualificar se as coisas passam a correr mal ou a não correr como deviam. Agiu assim com Rui Costa e com Jesus. Como já antes tinha agido com Camacho. E em todos os casos agiu mal. Porque nem Rui Costa, nem Camacho, nem Jesus alguma vez mereceram os elogios (técnicos) que lhes prodigalizou, nem tão pouco se justificava o ostracismo a que foram ou vão ser votados.
Claro que isto leva, primeiramente, a uma hipervalorização imerecida e, secundariamente, a uma desvalorização excessiva que imediatamente se propaga a toda a equipa.
Ao ter entregado a Jesus a responsabilidade exclusiva pelas contratações, Vieira agiu mal, como antes já tinha agido quando concedeu plenos poderes a Rui Costa. É que tanto Jesus, como Rui Costa têm muitas limitações. Tinham de ser acompanhados muito mais de perto para que a equipa não caísse na posição em que está.
Logo se percebia que Jesus, no estilo bem português de fanfarronice (que é sempre tanto maior quanto menos se sabe), estava completamente transtornado com os êxitos do ano passado e logo se supôs superior a todos. A queda não poderia ter sido pior. Mais: os primeiros a aperceber-se das limitações do técnico foram os jogadores. Hoje Jesus não comanda a equipa. A equipa está à deriva por não ter quem lhe transmita, com autoridade e saber, força anímica. E sem força anímica no futebol nada se consegue de duradoiro.
Em conclusão: com Vieira à frente do futebol do Benfica situações como a deste ano vão acontecer sempre. Aliás, desde que ele lá está ainda não aconteceu outra coisa, salvo o ano passado.
Em segundo lugar, Jesus como treinador do Benfica está esgotado. Já deu o que tinha a dar. Agora há que ampará-lo até Maio…e escolher alguém com conhecimentos mais estruturados pelo estudo académico e pela prática.
A época do autodidatismo analfabético acabou…
Outra conclusão a tirar do que se passa é a de que o Benfica deve vender já na reabertura do mercado os jiogadores mais valorizados, sob pena de os ter contrariados na equipa e a perder valor.
Enfim, a última conclusão é a de que a derrota no Porto afinal não tem o mérito que lhe quiseram atribuir, pois se até o desconhecido Hapoel de Telavive lhes dá três...O que há, é muito demérito de quem perde!