quinta-feira, 9 de setembro de 2010

EM NOME DE QUEM FALA LF VIEIRA?


QUE INTERESSES DEFENDE VIEIRA?

Não se pode dizer que tenha causado uma grande surpresa a entrevista de LFV, presidente do Benfica, na SIC, quando afirmou que o grande responsável pelo que se passa com a selecção é o Secretário de estado do Desporto. Depois do apoio que já tinha publicamente prestado a Queiroz tudo era expectável.
Em primeiro lugar, é espantoso que o presidente do Benfica não compreenda as vantagens que decorrem para o futebol português, logo para o Benfica, de uma selecção comandada por um seleccionador independente. Um seleccionador que não esteja na selecção para fazer fretes aos clubes, aos empresários, mas antes para seguir uma linha de independência que apenas tenha por objectivo a grandeza da selecção.
Depois, Filipe Vieira não percebe que Queiroz é um homem de Pinto da Costa e que a Pinto da Costa, em matéria de futebol, apenas lhe interessa o FCP. Tudo o resto é secundário e instrumental. Se tiver de sacrificar os interesses da selecção ao FCP não hesitará, nem um minuto, em fazê-lo.
Vieira já cometeu o grave erro de colocar na Liga ou de apoiar a ida para a Liga de uma personalidade cimeira do FCP que, independentemente das suas desavenças com Pinto da Costa, apenas está interessada no seu clube e no regresso a ele num lugar cimeiro.
Causa também estranheza que tendo andado Vieira a servir de caudatário do PS em múltiplas ocasiões apareça agora a atacar o Secretário de Estado de um governo PS que apenas se limitou a cumprir a lei. Será que lhe “cheira” a mudança de poder?
Vieira é um pequeno ditador, autoritário, inculto que não respeita nem representa o sentimento da generalidade dos benfiquistas sobre esta matéria, ou seja, sobre a continuidade do seleccionador e da gente que está à frente da Federação.
Continuam, porém, pouco claras as razões que levam Vieira a defender pontos de vista totalmente contrários aos defendidos pela generalidade dos benfiquistas, daqueles a quem apenas interessa a “saúde” da selecção. Que interesses movem Vieira? Essa a questão.
Ainda a propósito da entrevista de ontem: uma previsão arriscada. Não se chegará ao Natal sem que Vieira entre em conflito com Jesus. Trata-se de uma previsão, mas não há dúvida de que há sinais muito ténues que apontam nesse sentido…

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

PORTUGAL QUASE FORA DO EURO 2012



O QUE FAZ CORRER QUEIROZ?

Já se sabia há muito que Queiroz não era o homem indicado para substituir Scolari. Todas as pessoas minimamente interessadas pelo futebol sabiam isto. Por maioria de razão deveriam também sabê-lo aqueles que fazem do futebol a sua profissão, nomeadamente os dirigentes da FPF.
Então, por que foi escolhido Queiroz? Não pode haver muitas dúvidas a esse respeito: Queiroz foi escolhido com base em interesses que nada têm a ver com os da selecção. São interesses de outra ordem, que o grande patrão do futebol português saberá explicar melhor do que ninguém. Queiroz serve a estratégia daqueles que não aceitam um seleccionador independente, bem como daqueles empresários que precisam da selecção para potenciar os seus negócios, maximizar os lucros e reforçar a sua influência junto de terceiros.
Escolhido Queiroz por se enquadrar no perfil de quem utiliza a selecção como mais um elemento da sua política de hegemonia, outra dúvida não menos relevante se levanta: por que razão celebrou Madail com ele um contrato de quatro anos, a preços milionários e com objectivos mínimos principescamente pagos? Não saberia Madail, há tanto tempo no futebol, que não há nada mais volúvel do que a situação de um treinador? Certamente sabia. Então, por que fez um contrato por quatro anos? Como nestas matérias não há ingenuidades, um contrato de “média-longa duração”, numa área tão insegura como é a de seleccionador nacional, só pode justificar-se por haver uma reciprocidade de interesses pouco compreensível para a generalidade das pessoas.
Depois do Mundial a sorte de Queiroz estava traçada em função da prestação da equipa e dos resultados desportivos. Madail, porém, nada fez. Mas Queiroz encarregou-se – felizmente – de o substituir. Perturbou o controlo anti-doping e expôs às sanções legais. Sanção que o Conselho de Disciplina da FPF quis atenuar para além dos domínios do logicamente possível. Sabe-se agora que dos quatro depoimentos que constavam dos autos sobre o comportamento de seleccionador, o CD deu preferência ao de Queiroz contra os outros três coincidentes entre si. Por aqui já se percebe que tipo de CD vamos ter na Liga…
Daí que o Estado, que não abdicou, a favor da auto-regulamentação, do seu poder fiscalizador e sancionatório em matéria de controlo anti-doping, tenha, legitimamente, avocado o processo e exercido o poder sancionatório que a lei lhe confere. Pode Queiroz chamar-lhe “justiça governamental” ou outra coisa qualquer que nem por isso tal poder deixa de ser perfeitamente legal e idêntico a tantos outros exercidos pelos poderes púbicos. Se Queiroz não está contente com a decisão, faça o que qualquer outro cidadão faz quando não concorda com as decisões da Administração: recorre delas para o tribunal competente e impugna o acto!
Apesar de haver razões mais do que suficientes para despedir Queiroz, Madail, certamente obedecendo aos tais poderes que dominam o futebol e indiferente aos resultados da selecção, quer manter o seleccionador. Qualquer que venha a ser a decisão da próxima quinta-feira, o pior já está feito. A selecção perdeu 5 pontos em dois jogos e está praticamente arredada da fase final do próximo Europeu. Uma vergonha!
Queiroz, por seu turno, indiferente à sorte desportiva da selecção e cuidando apenas dos seus imediatos interesses bem como dos de quem o lá pôs – ou seja, com as “costas quentes” – quer ficar a qualquer preço numa demonstração de carácter que dispensa qualquer comentário.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

SELECÇÃO: O GRANDE EQUÍVOCO



LIMPEZA, EXIGE-SE!
Está muita gente a mais na selecção: a direcção da Federação, a equipa técnica e alguns jogadores.
O que hoje aconteceu contra Chipre não constituiu uma surpresa. O “caso Queiroz”, que a FPF já se revelou incapaz de resolver, acabou por se impor. Apesar de punido pela Autoridade anti-dopagem e de processado pela própria Federação, Queiroz mantém-se à frente da selecção. Porquê? Porque há na Federação quem esteja empenhado em que ele lá fique. Porquê? Não, seguramente no interesse do futebol português...
Hoje, a equipa sofreu quatro golos de uma modesta equipa e marcou outros tantos. Agostinho Oliveira, subalterno de Queiroz, considera extremamente positiva a produção atacante da equipa portuguesa, apenas obscurecida pelos erros defensivos “da parte de trás” da equipa.
Este é o primeiro grande equívoco da noite de hoje. Portugal teve uma muito vasta produção atacante, embora relativamente ineficaz, contra Chipre, exactamente por Chipre ser um adversário fraco. Não há grande mérito no domínio ofensivo português. O que há é muito demérito no seu jogo defensivo.
O segundo equívoco decorre de se supor que os erros apenas são imputáveis à “parte de trás” da equipa. Isso era dantes. Hoje, quem ataca e quem defende é a equipa.
Finalmente, prova de que há muita gente a mais na selecção é a própria convocatória e a composição da equipa...que tem, como não podia deixar de ser, por detrás a “mão incompetente” de Queiroz.
Como todos estes assuntos deveriam ter sido tratados em Agosto – e não foram – vão ter de ser tratados, porventura já com prejuízos irreparáveis, em Outubro!

domingo, 29 de agosto de 2010

NOTAS DA JORNADA AINDA INCOMPLETA


O QUE SOBRESSAI

Para começar, o que sobressai é a vitória do Guimarães na Madeira, ao Nacional, por 3-1. Com um jogador brasileiro vindo quase de véspera, que pouca gente, por cá, conhecerá, provavelmente comprado por pouco dinheiro, o Guimarães viu o recém-chegado Toscano - assim se chama a vedeta vimaranense – marcar três golos.
Outros fartam-se de procurar no Brasil e não encontram nada de jeito, a não ser por muito dinheiro e, mesmo assim, sempre aquém das expectativas.
A Académica, ultimamente tão competitiva na Luz, ficou-se pela derrota em Aveiro, frente ao Beira-Mar.
Talvez seja importante sublinhar que no jogo da Luz ninguém do Benfica contestou a grande penalidade. É óbvio que a penalidade não tem discussão, mas o que é de assinalar é ela ser marcada na casa de uma grande equipa com a mesma tranquilidade com teria sido marcada a uma equipa que luta para não descer.
Não se passam assim as coisas em todos os estádios e, em alguns deles, os árbitros, em condições semelhantes, nem sequer o penalty marcam para não terem de expulsar o guarda-redes. Ninguém se esquece daquele guarda-redes que tinha “autorização” para jogar a bola com a mão fora da área e que, fizesse o que fizesse dentro da área, nunca era penalty.
Mourinho, em Espanha, continua arrogante e com uma conversa que às vezes até parece importada daqui. Diz que o Barcelona só joga com onze e que muitas vezes joga contra dez. E também se insurge por o campeonato ficar para do 15 dias e ele só ter quatro jogadores para trabalhar.
O que quer Mourinho? Que os jogadores que agridem os craques do Barça continuem em campo? E quer também, em matéria de selecções, um regime de excepção para o Real Madrid?

A VITÓRIA DO BENFICA


O QUE AINDA FALTA

O Benfica começou bem o jogo de ontem à noite, no melhor estilo da época passada. Jogada pelo lado esquerdo entre Coentrão e Gaitan, cruzamento deste e o apagado Cardozo, no lugar certo, fez o golo, ainda não tinham decorrido cinco minutos de jogo.
Pouco depois, desentendimento entre Maxi Pereira e Júlio César, a jogar em vez de Roberto, e penalty a favor do Setúbal, com a consequente expulsão do guarda-redes, muito culpado no lance, por não se ter desenvencilhado imediatamente da bola.
Entra Roberto para o lugar de Júlio César e sai Sálvio. Hugo Leal marca a grande penalidade e Roberto defende, atirando-se para o lado certo. Estava restabelecida a confiança.
O Setúbal, apesar de jogar com mais um, nunca incomodou verdadeiramente o Benfica, que, muito perto do intervalo fez o 2-0, em corner de Aimar e boa cabeçada de Luisão.
No segundo tempo o jogo prosseguiu no mesmo ritmo, lento, apenas um pouquinho mais rápido quando o Benfica atacava. Em mais uma boa jogada pela esquerda, Gaitan volta a cruzar, o guarda-redes defende e Aimar, na recarga, faz o golo. De permeio, ainda uma ou duas razoáveis defesas de Roberto e mais uma saída em falso, desta vez sem consequências.
No fim do jogo, os benfiquistas estavam contentes, tinham ganho pela primeira vez e não sofreram golos. Mas nem tudo está bem e o Setúbal também não foi a equipa ideal para testar o Benfica neste momento.
Pode, porém, dizer-se que o problema da ala esquerda está aparentemente resolvido e bem. Com Coentrão atrás e Gaitan à frente, o Benfica deste ano vai ter uma asa esquerda de grande nível, quase igual à do ano passado. Do lado direito, ainda não deu para ver: Maxi continua fisicamente abaixo das suas capacidades – o que é normal, dado o atraso com que começou – e Sálvio jogou tão pouco que não deu para ver o que vale.
No meio campo há melhorias indiscutíveis em Xavi Garcia e em Aimar, em grande forma. Na defesa, David Luiz continua muito “solto” para o bem e para o mal e Luisão, nunca comprometendo, também não está ainda a cem por cento. Não será, todavia, pela linha defensiva, igual à do ano passado, que o Benfica claudicará. O mesmo se não diga do guarda-redes, onde a insegurança vai continuar. Júlio César, como se viu o ano passado, também tem grandes fragilidades, ontem confirmadas mais uma vez.
Na frente é que as coisas não vão bem. Cardozo está ainda mais apático do que era hábito e, pior do que tudo, Saviola tarda em aparecer. E sabe-se como Saviola foi, no ano passado, fundamental.
Martins e Amorim estão ao seu nível, sendo jogadores com que sempre se pode contar.
Em conclusão: a dinâmica da equipa ainda não se assemelha à época passada, mas já está melhor do que nos primeiros jogos. É porém ainda cedo para se dizer se o progresso vai continuar. Para isso será necessário outra movimentação e eficácia da linha vançada, o que ontem ainda não aconteceu.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

GRANDE SPORTING DE BRAGA


BRAGA ARRASA SEVILHA

Tal como aqui se tinha há previsto, o Braga apurou-se para a fase de grupos da Champions League, vencendo o Sevilha em Sanchez Pizjuan por 4-3. Esta vitória, obtida na capital andaluza, constitui um resultado que ficará para sempre na história do clube.
Mais uma vez o Braga demonstrou possuir um futebol maduro e sério, de excelente qualidade, que não se intimida qualquer que seja o adversário.
O Braga vendeu jogadores que se notabilizaram no clube, tidos por pedras-chaves da equipa, comprou jogadores que poucos conheciam, e, se diferença existe, do ano passado para este ano, é para melhor.
A sobrecarga de jogos poderá debilitar um pouco a equipa a nível interno, habituada como está a fazer apenas um jogo por semana, mas não parece que esta nova situação e a inexperiência pesem negativamente no comportamento internacional da equipa.
Aparentemente, o Braga prepara-se para fazer uma grande época na Champions. Pelo menos, parte cheio de moral, enquanto outros estão, à partida, muito debilitados.
Viva o Sporting de Braga!

A COMISSÃO DE DISCIPLINA DA FPF COMEÇA MAL




ADOP AVOCA O PROCESSO DE QUEIROZ

A Comissão de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol não poderia começar pior o seu mandato. Acaba de ser empossada e já foi desautorizada pela Autoridade Antidopagem que, não tendo concordado com a sanção imposta a Carlos Queiroz, avocou o processo e vai julgá-lo de acordo com a competência que a lei lhe confere.
A perturbação ou a tentativa de inviabilização do controlo antidoping é uma falta tão grave que qualquer tentativa de “branqueamento” de um comportamento suspeito correria sempre o risco de não passar incólume.
Dentro daquela lógica que campeia no futebol português, de tudo ser permitido, desde a corrupção dos resultados até à manipulação de jornalistas, passando pelas ameaças e agressões a todos aqueles que se não conformam com a viciação da verdade desportiva (são, de facto, muitos anos de práticas desonestas), a recém-empossada Comissão de Disciplina, querendo marcar bem a diferença com a sua antecessora – a tal que pretendeu, sem êxito, morigerar o futebol português -, supôs que poderia reiniciar o regresso ao passado com um caso de doping. Enganou-se redondamente, porque este é um dos tais casos em que o Estado não entregou o seu poder de fiscalizar e punir à auto-regulação.
A avocação supõe, antes de mais, que o Estado, analisado o processo, não se conforma com o modo como os factos foram julgados. Não se sabe, nem se podem prever as consequências desta avocação, mas pode antecipar-se com segurança que, dentro de dias, os “penalistas de serviço” – os tais que em anteriores disputas sempre defenderam os corruptos – aí estarão a descobrir qualquer "insanável ilegalidade" no procedimento adoptado.
De pouco lhes valerá. A Autoridade Antidopagem de Portugal vai exercer a sua competência e se concluir, face aos factos apurados no processo, que Queiroz perturbou o controlo antidoping, dificilmente o ainda seleccionador escapará a uma pesada sanção.
Com este processo reiniciado e com outro “às costas”, Queiroz não tem condições mínimas para continuar à frente da selecção. Se mesmo assim continuar, então bem pode dizer-se o futebol português está pior do que nunca.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

OLHANDO OS OUTROS JOGOS


O QUE SE PERSPECTIVA

A actualidade benfiquista é tão intensa e tão absorvente, interessa a um tão grande número de adeptos, que resta pouco tempo para dedicar aos demais acontecimentos desportivos.
Das duas jornadas já jogadas importa destacar o bom desempenho do Nacional, que ganhou em Vila do Conde e ao Benfica. Igual número de pontos soma o Porto com duas vitórias, uma feliz, no primeiro jogo, outra tranquila, no segundo.
De realçar também a vitória tangencial do Sporting, contra o Marítimo, que o livrou de entrar, muito cedo, numa crise profunda da qual dificilmente sairia.
O Braga, ao empatar em Setúbal, onde o ano passado ganhou, já começou pior, embora no jogo jogado se tenha mantido substancialmente idêntico.
Quanto ao resto, ainda é cedo para se saber quem vai confirmar-se na luta pelos lugares cimeiros imediatamente seguintes aos reservados aos quatro do costume.
Também é cedo para se começar a falar de arbitragem, embora, sem que tal facto constitua motivo de desculpa, ao Benfica já tenham sido escamoteadas, pelo menos, duas grandes penalidades: uma (ou duas) contra a Académica e outra contra o Nacional. Pelo contrário, o Porto beneficiou de uma falta inexistente, para marcar o segundo golo contra o Beira-Mar. O Sporting não tem razão quando reclama uma grande penalidade sobre Liedson na primeira parte do jogo contra o Marítimo porque é Liedson que comete falta, não assinalada, sobre o guarda-redes. De referir também que a entrada de Rui Patrício sobre João Pereira, colega de equipa, é brutal. Não é a primeira vez que Patrício sai da baliza de joelho em riste para amedrontar os adversários. Em jogada semelhante contra um adversário deveria ser expulso, pura e simplesmente. Lamentáveis, em matéria de arbitragem, os comentários de Pedro Henriques na TVI. Agora se percebe melhor porque foi despromovido. Infelizmente os critérios televisivos de escolha dos comentadores assentam mais na facilidade com que se está perante as câmaras do que na competência de quem comenta.
Apesar da linguagem desabrida do presidente do Porto, absolutamente normal numa pessoa com a sua educação, passado e cadastro desportivo, e do seguidismo do novel treinador/adepto, este não vai ser um campeonato com muita agressividade se o Benfica ficar fora da corrida, como parece que vai ficar, logo nas primeiras jornadas. É que uma boa parte dessa agressividade resulta do ódio e inveja dos êxitos benfiquistas. Os sportinguistas, nomeadamente os que tendem a comportar-se como uma filial do Porto, aceitarão com alguma benevolência os insucessos da sua equipa, se o Benfica não for à frente. Também o treinador do Braga usará este ano uma linguagem completamente diferente da do ano passado, logo que o Benfica esteja arredado do título. E depois, os múltiplos tentáculos que Porto tem espalhados pelas diversas equipas (Académica, Portimonense, Leiria, etc.) também tenderão a ser menos agressivos se o Benfica não oferecer uma réplica à altura.

ROBERTO: UM CASO SEM PRECEDENTES




EMPRÉSTIMO: A SAÍDA POSSÍVEL

Não existe caso semelhante na história centenária do Benfica. Foi preciso chegar ao ano 2010, a um Benfica altamente profissionalizado, com altíssimos investimentos no plantel, treinado pelo conhecido “rei das tácticas”, para que uma situação insólita ocorresse na equipa de futebol.
Um guarda-redes que ninguém conhecia, com menos de duas de dezenas de jogos na primeira liga espanhola, é contratado pela verba mais alta até hoje despendida pelo clube na aquisição de um jogador, para substituir o guarda-redes menos batido do último campeonato, bicampeão nacional, durante anos consecutivos convocado para a selecção nacional, e desde há seis anos no Benfica.
Despedido em directo, pelo treinador, num programa de televisão, poucos dias depois de conquistado o título nacional, os benfiquistas ficaram a saber que o responsável técnico do clube procurava um guarda-redes que “desse pontos”.
Cerca de um mês depois o Benfica anunciava a contratação de um tal Roberto, espanhol, por 8,5 milhões de euros. Fiados na competência técnica de Jorge Jesus, os benfiquistas acreditaram que na época 2010-2011 iriam ter na baliza um super guarda-redes, capaz de colmatar as dolorosas saídas que se anunciavam de algumas das “pérolas” da época passada.
Dois jogos realizados na Suíça, durante o estágio, logo demonstraram que algo de muitíssimo estranho se passava com o novo guarda-redes. A primeira impressão com que se ficou foi a de que o “rapaz” não via bem, porventura afectado por um grave defeito de visão. Sem que esta impressão se tivesse desvanecido, outras igualmente se consolidaram. O “rapaz” não tinha técnica, parecia, a quem o via, que estava experimentando pela primeira vez a natureza do lugar. Depois, percebeu-se também que não tinha reflexos, nem era capaz de calcular com um mínimo de segurança as saídas à bola.
Mas o Benfica lá foi ganhando quase todos os jogos da pré-época, sofrendo golos em catadupa, cada vez mais estranhos, porque se mostrava capaz de ir marcando mais do que aqueles que sofria.
Depois, iniciou-se a época: três jogos, três derrotas e asneiras em série do dito guarda-redes. O treinador, que já se tinha mostrado incapaz de colmatar as saídas de Di Maria e Ramires, quer por via dos substitutos que escolheu, quer por causa do sistema de jogo que perfilhou, teima, arrogante e estupidamente, em fazer “ouvidos de mercador” a todas as críticas que dentro e fora do clube estavam a ser feitas ao tal guarda-redes que “tira pontos”. Até que o jogo da Madeira, contra o Nacional, impõe uma conclusão a que ninguém pode furtar-se: o guarda-redes escolhido por Jesus não pode continuar na baliza, instabiliza a equipa e sofre golos impensáveis em qualquer escalão inferior do futebol jogado a sério.
A única saída possível, face a este desastrado cenário, é pedir “pelas almas” a algum clube espanhol que leve o rapaz emprestado, de modo a que ele possa ficar por lá nos anos subsequentes, tentando o Benfica, nos escassos dias que lhe restam, até ao fecho do mercado adquirir um terceiro guarda-redes, na certeza de que qualquer solução é sempre melhor do que a actual.
Nunca, na longa história do Benfica, semelhante pesadelo aconteceu com o homem da baliza. Desde os primórdios do campeonato, com Tavares e Amaro na baliza, e logo depois com Rosa, Contreiras ou Bastos, até ao século XXI nunca tal aconteceu na baliza do Benfica. Em homenagem aos grandes guarda-redes que por lá passaram, alguns já falecidos, impõe-se que Roberto saia, não como uma pena aplicada a um pobre atleta que apenas foi vítima da incompetência de quem contrata, mas como consequência inevitável da sua inadequação ao lugar.

domingo, 22 de agosto de 2010

OS ERROS DE JORGE JESUS




O BENFICA PERDIDO NO MERCADO

Por uma vez vou ter de estar de acordo com o Sr. Freitas Lobo. Como aqui já disse: o treinador do Benfica teima em jogar num sistema para o qual não tem jogadores. Freitas Lobo, na Bola da semana passada, repete a ideia: não há clonagens tácticas. Jorge Jesus “monta equipa” como se lá tivesse Ramires e Di Maria. E, na verdade, não tem.
Tal atitude não augura nada de bom para o Benfica, nem atesta muito favoravelmente sobre a tal “inteligência futebolística” de Jorge Jesus. Como já aqui se disse, Ramires e Di Maria são insubstituíveis, mais Ramires do que Di Maria, mas isso não significa que, com tempo, o Benfica não tivesse podido encontrar soluções alternativas. De valor certamente diferente, mas alternativas.
Jesus não fez isso. Contratou jogadores para outros lugares e até, num caso bem conhecido, esbanjou dinheiro. E agora, com uma prova já disputada, com o campeonato iniciado e com a Champions League à porta, anda meio perdido no mercado à procura de reforços para substituírem Di Maria e Ramires. Uma coisa é certa: não vai encontrar nada igual. Quando muito, alguém que possa desempenhar idênticas funções, mas com outro brilho.
No Braga, tudo se passou ao contrário. Houve várias saídas, mas com tempo e saber encontraram-se as substituições adequadas. E aí está o Braga como se nada lhe tivesse acontecido. Ou me engano muito, ou no Benfica vai andar-se toda a época a “chorar” as saídas de Ramires e de Di Maria, porque, qualquer que seja a solução encontrada, nunca os fará esquecer.
Jorge Jesus tem este ano a verdadeira prova de fogo da sua carreira: ou vence ou fracassa. Duas derrotas consecutivas no campeonato e uma contratação completamente falhada, que Jesus se recusa a reconhecer, não auguram nada de bom. Só Jesus não percebe que aquele guarda-redes não tem lugar em nenhuma equipa da primeira divisão portuguesa.
Ganhar o ano passado, com os jogadores que o Benfica tinha, era o mais fácil. Mérito seria fazê-lo ganhar este ano…
É provável que em toda esta “embrulhada” o presidente do Benfica também tenha as suas responsabilidades. A primeira, como sempre, é a de não perceber nada de futebol. A segunda é a de não se ter imposto na hora própria. Mas ainda está a tempo de fazer ver a Jesus o que este teima em não reconhecer. Mais uma semana e será tarde, muito tarde…

BENFICA: QUARTA DERROTA CONSECUTIVA


ALGUÉM TEM DE SE IMPOR
É preciso distinguir uma personalidade perseverante de uma personalidade teimosa. O perseverante é aquele que, com base em anteriores experiências e perfeito conhecimento das suas capacidades, insiste progressivamente no caminho do êxito. O teimoso é aquele que despreza a experiência e sem qualquer sustentabilidade insiste em manter opiniões ou condutas que repetidamente levam ao insucesso.
O perseverante avalia bem as condições em que actua, sendo o resultado da sua perseverança tanto mais seguro quanto inteligente for a avaliação que delas faz. O teimoso é estúpido, despreza todos os elementos relevantes de análise e insiste no erro até que o erro o destrua.
Jorge Jesus é teimoso. Insistir em Roberto quando toda a gente já percebeu que o “rapaz” não tem as menores condições para ocupar a baliza do Benfica é uma atitude suicidária.
Alguém vai ter de pôr cobro a isto: a crítica desportiva em geral, por mais óbvias que sejam os fundamentos das suas análises, não fará dobrar a teimosia de Jesus. Os adeptos que vão ao Estádio da Luz, ou de uma grande percentagem deles, também não, já que a sua principal preocupação será a de fazer a defesa do guarda-redes. Assim sendo, só uma reacção vinda dos jogadores ou de quem manda poderá pôr fim a esta triste situação.
É que o Benfica arrisca-se a perder não apenas os 8,5 milhões que o jogador custou, mas todos os demais investimentos feitos de há dois ou três anos a esta parte, a começar pelos resultados da Champions League.
Roberto tira pontos em todos os jogos. Hoje, a equipa do Benfica joga com um jogador que funciona como um "adversário infiltrado", além de outro que apenas faz figura de corpo presente. E não há nenhuma equipa, como já aqui dissemos, por melhor que seja, que resista a isto!
O que está a acontecer também desmistifica Jesus como treinador. Ele, como tantos outros, actua irracionalmente, com base uma "fé" estúpida que não leva a lado nenhum.
Mas não é somente Roberto que não pode jogar: Cardozo também não pode. Mas há mais aspectos a reparar, que serão analisados em artigo à parte.
Repetindo uma “proeza” que já não acontecia há 58 anos e que apenas por duas vezes ocorreu na longa história do Benfica – perder os dois primeiros jogos do campeonato –, Jorge Jesus, em princípio, não revalidará o título, já que somente uma super época poderia reverter a actual situação.
Enfim, não há muito mais a dizer depois do que se passou na Choupana. Tudo o que sobre este assunto poderia ser dito já aqui foi escrito noutros posts no último mês.
Para bem do Benfica e do futebol alguém terá de se impor. E já!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

E, AGORA, QUEIROZ?



SELECCIONADOR CONTINUA A RESISTIR

Pelo episódio da Covilhã, Queiroz apanhou um mês de suspensão. É pouco, mas o instrutor do processo terá entendido que não houve obstrução, mas apenas injúrias à equipa de controlo anti-doping.
Todavia, ainda este processo não estava concluído, e já Queiroz se metia noutra. Em entrevista ao semanário Expresso insulta um vice-presidente da Federação.
Aparentemente, Queiroz sente-se seguro. A Comissão de Disciplina, novamente “disciplinada” pelo que de pior há no futebol português, aplicou-lhe a pena mínima. E ninguém se espantaria se o Conselho de Justiça o absolver. Pois se até o ano passado com uma composição menos favorável aos tais “senhores do futebol” teve a pouca vergonha de equiparar os stewards a público, este ano, com uma composição "à medida", é muito capaz de considerar Queiroz uma “vítima” da brigada anti-doping…
Resta esperar que o Instituto do Desporto de Portugal avoque o processo e lhe aplique a pena merecida.
Quanto ao segundo processo, por insultos a Amândio de Carvalho, em qualquer outra federação, com um mínimo de dignidade, se poderia antecipar o resultado. Na Federação Portuguesa de Futebol talvez também se possa antecipar o resultado…mas no sentido exactamente contrário ao que seria legítimo esperar.
No meio de tudo isto, continua sem se perceber o que anda o presidente do Benfica a fazer…

TAÇA EUROPA



AS EQUIPAS PORTUGUESAS: MAIS OU MENOS O ESPERADO

A primeira ronda dos jogos de play off para apuramento da fase de grupos da Taça Europa coreu, para as equipas portuguesas, mais ou menos como se esperava.
O Marítimo perdeu na Bielorrússia com o Bate Borisov por uma margem que não deixa qualquer hipótese de recuperação. Salvo milagre, está eliminado.
O Sporting, que já se tinha visto atrapalhado para passar a fase anterior contra uma equipa dinamarquesa da parte baixa da tabela, perdeu hoje, em casa, com o Brondby por 2-0. Em princípio, também está eliminado. Os sportinguistas, que já estão bem arrependidos de terem despedido Paulo Bento, já começam a sentir saudades de Carvalhal. Avizinha-se um ano pior do que o anterior…
Finalmente, o Porto venceu naturalmente o Gent e é, pelo seu prestígio e maturidade, um sério candidato à vitória na Taça Europa. Sim, toda a gente sabe que é ainda muito cedo, mas as previsões, a fazer-se, só têm interesse se forem feitas nesta altura.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

BRAGA VENCEU E CONVENCEU



A MELHOR EQUIPA PORTUGUESA DA ACTUALIDADE

O Braga venceu esta noite o Sevilha por 1-0 e fez um grande jogo, principalmente na segunda parte. Depois de ter eliminado o Celtic, o Braga deu hoje um grande passo no sentido do apuramento para a fase de grupos da Champions League. Se lá chegar, vai certamente fazer uma prova brilhante.
A equipa perdeu vários jogadores, que estão longe, nas equipas para onde foram, de atingir o brilhantismo com que se exibiram em Braga na época passada, mas nem por isso perdeu identidade, nem deixou de continuar a jogar um futebol atraente, muito seguro defensivamente e perigoso no ataque.
Goste-se ou não de Domingos, como pessoa, tem de reconhecer-se que tecnicamente é muito bom e que a classe e a eficácia com que o Braga se exibe são mérito seu.
O resultado desta noite, embora sendo escasso, é, numa prova a eliminar, um resultado excelente. Arriscaria afirmar que na próxima terça-feira o Braga celebrará a sua participação na Liga dos Campeões.
Internamente, o Braga é hoje a melhor equipa portuguesa e seguramente um sério candidato ao título.
Podem parecer ousadas estas afirmações no princípio de época, mas o que já se viu e o que se antevê noutros lados, não deixa margem para muitas dúvidas. O Sporting está mais ou menos na mesma, o Benfica está pior e vai piorar ainda mais e o Porto não vai ter capacidade para ombrear com o Braga.
Daqui a pouco tempo já tudo será mais claro. E então voltaremos a falar.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

BENFICA: TERCEIRA DERROTA CONSECUTIVA


O QUE SE ESPERAVA

Só mesmo os mais ingénuos poderiam supor que o Benfica deste ano estava ao nível do do ano passado. Não está. Está muito pior, como aqui já tinha sido dito.
Três erros crassos marcaram desde início a preparação do Benfica para a nova época.
O primeiro, absolutamente imperdoável, foi o modo como o treinador despediu Quim, em directo, num programa de televisão para atrasados mentais e marcadamente anti-benfiquista. Um jogador bicampeão, internacional, com cerca de seis anos de casa, merecia outra consideração. Se o Benfica fosse dirigido por alguém que percebesse de futebol e que além disso carregasse em si o prestígio da instituição, Quim continuaria e Jesus teria de “engolir” a sua ousada decisão. Por estranho que pareça, estes comportamentos têm efeitos nefastos sobre todo o grupo, como se está a ver.
Em segundo lugar, nunca o Benfica deveria ter contratado Roberto, que corre o risco de se transformar em motivo de chacota nos campos adversários em que seja chamado a actuar. Ou se o contratasse, deveria ter sido explicado que ele veio para o Benfica como pagamento da transferência de Simão para o Atlético de Madrid, na parte ainda não paga.
Em terceiro lugar, o Benfica deveria ter “industriado” os seus empresários para venderem David Luiz (pelo melhor preço, algo entre 35 e 40 milhões de euros), Cardozo (por um preço bem inferior ao da cláusula penal) e Ramires (dada a inevitabilidade da transferência).
Com parte destas receitas mantinha Di Maria e Coentrão, de preferência com prorrogação dos respectivos contratos e assegurava o equilíbrio da equipa, buscando no mercado alguém que pudesse substituir Ramires (embora sabendo-se que Ramires é insubstituível) e David Luiz. Não falta no Brasil ou na Argentina quem esteja à altura daquelas vagas, contanto que a equipa se tivesse mantido equilibrada.
Agora, fazer o que o Benfica fez – e a culpa recai sobretudo em Jesus e Rui Costa -, que foi perder cerca de 60% da eficácia da equipa do ano passado e não ter contratado absolutamente ninguém para colmatar essas faltas, é um erro imperdoável. Realmente, as contratações efectuadas não se destinam a suprir aquelas faltas, mas antes a reforçar lugares que já estavam bem servidos. O que é positivo, mas de forma alguma chega.
O Benfica deste ano não tem alma, nem parece ter a frescura física do ano passado. E pior do que tudo isso. O treinador teima em jogar num sistema para o qual não tem jogadores.
Como se verá, a arrogância de Jesus não vai chegar. Será, pelo contrário, um factor negativo. Aliás, é uma arrogância dos fracos, já que as muitas asneiras feitas este ano não aconselhariam a ninguém aquele tipo de comportamento dentro do Benfica.

domingo, 15 de agosto de 2010

QUEIROZ AO ATAQUE


O FUTEBOL JÁ ESTÁ A PERDER

Queiroz sentiu as “costas quentes”. Não admira: o que há de pior no futebol português está do seu lado. Sentindo esse apoio, logo a vertente carroceira e truculenta de Queiroz veio novamente ao de cima, atacando jornalistas e todos os que pretendem investigá-lo, a ponto de ter ousado afirmar que o “seu caso” tinha contornos de perseguição política.
A entrevisto de Queiroz ao Expresso é toda ela uma vergonha, apenas possível por já estar a antever o desfecho do processo que lhe foi instaurado. Aconteça o que acontecer – e é muito provável que Queiroz continue, não obstante as declarações do SE do Desporto – o futebol português já está a perder.
Já está a perder, porque escasseia o tempo para substituir Queiroz antes do início da fase de qualificação do Europeu. E já está a perder, porque, se Queiroz ficar, não conseguirá aguentar o lugar por muito tempo. A animosidade que a sua personalidade levanta na maioria esmagadora dos adeptos da selecção não lhe vai permitir ir muito longe. Se não for demitido pela Federação, sê-lo-á pelo “povo do futebol”.
Inacreditável em todo isto é a atitude do presidente do Benfica. Não se percebe bem se o homem é estúpido ou, não o sendo, que tipo de objectivos tem em vista. Depois de ter “oferecido” a direcção da Liga a um fanático adepto do Porto, vem agora, juntamente com Pinto da Costa, apoiar o seleccionador.
Uma coisa é certa: faça esse cavalheiro o que fizer, os benfiquistas não o seguirão. E não deixarão de interrogar-se sobre a natureza dos interesses que o movem para se comportar como se comportou sobre dois assuntos em que os interesses estratégicos do Benfica apontavam e apontam no sentido oposto.
As recentes posições do presidente do Benfica são ainda mais graves do que a incompetência e as atitudes de Queiroz, na medida em que põem a nu a completa ausência de democracia no clube mais popular e de maiores tradições democráticas em Portugal. Enfim, uma vergonha!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A DERROTA DO BENFICA



O QUE ESTÁ PIOR
O Benfica ganhou os dois jogos do troféu do Guadiana por 4-1, respectivamente contra o Feyenoord e o Aston Villa, e um clima de euforia tomou conta dos benfiquistas e, de certo modo, da própria equipa técnica.
O jogo de ontem, contra o Tottenham, veio repor as coisas no seu lugar, ou seja, deixar a dúvida sobre o real valor da equipa.
O ano passado, por esta altura, parecia não haver dúvidas: o Benfica iria fazer uma grande época, como fez, e logo no primeiro jogo oficial os adeptos acorreram em massa ao Estádio da Luz e aplaudiram demoradamente a equipa, não obstante o empate alcançado pelo Marítimo num jogo onde se tivesse perdido por seis não seria demais.
Este ano há várias nuvens a pairar sobre a equipa, das quais a mais “preta” não é certamente a saída de Di Maria, apesar de tratar de um jogador praticamente insubstituível. Outras estão longe de se dissiparem. A primeira de todas é a insegurança gerada pelo guarda-redes Roberto que não consegue transmitir confiança à equipa. Depois, outra não menos grave, a saída de Ramires, um dos melhores jogadores que passou pela equipa do Benfica. Vai confirmar-se nos próximos anos a real valia deste jogador, absolutamente fundamental para a equipa em que alinhe, seja ela a selecção do Brasil, o Benfica ou o Chelsea. Seguidamente, a dúvida sobre se vai sair mais alguém (Coentrão, David Luiz ou outro) e ausência de um esquema de jogo claro, ditado pela indecisão que paira sobre a definitiva composição da equipa.
No próximo sábado, contra o Porto, se aferirá do real valor da equipa nesta fase da época…
Preocupante, entretanto, é a arrogância cada vez mais marcada com que Jesus se relaciona com os jornalistas sempre que não gosta das perguntas…

domingo, 1 de agosto de 2010

PORTO PERDE SEGUNDA VEZ NO TORNEIO DE PARIS





SEM DEFESA, O PORTO É FRÁGIL

Vilas-Boas não acerta com a defesa. Sem Bruno Alves e com Meireles em dúvida sobre se parte ou se fica, o Porto traz inquietos os seus adeptos. Como sempre acontece quando as coisas começam a correr mal por culpa própria ou por mérito dos adversários, os treinadores culpam os árbitros.
Simultaneamente, o treinador vai deixando entender que aqueles jogadores querem sair, sem que, contudo, haja propostas nesse sentido. Será mesmo assim? Que os jogadores querem sair é óbvio. Bruno Alves já queria sair o ano passado e Meireles também já deu a entender que quer mudar de ares. E propostas certamente haverá. Provavelmente, não aquelas que o Porto quereria…
Apesar de o Porto ter perdido duas vezes seguidas e de não ter feito grandes jogos na pré-época, ainda é muito cedo para tirar conclusões. Tudo pode ainda mudar: quer as impressões favoráveis, como as desfavoráveis.
No próximo sábado, em Aveiro, já se verá como se comporta este Porto nos jogos “a doer”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

AS DUAS PRIMEIRAS "VÍTIMAS" DE MOURINHO



GUTI E RAUL

Como aqui tínhamos previsto, Mourinho iria seguramente operar várias mudanças no Real Madrid. Sabe-se que uma das decisões mais difíceis com que qualquer treinador se depara consiste em afastar de uma equipa famosa (em princípio, até de qualquer equipa) os “históricos”, carregados de prestígio e de anos de casa, quando começam a envelhecer e teimam em continuar.
Poucos são os treinadores com coragem para os afastar. Os adeptos estão afeiçoados a tais jogadores, já que eles contribuíram para muitos dos títulos conquistados e partilharam com a afiction muitas tardes de glória.
Os adeptos têm muita dificuldade em distinguir o merecido reconhecimento que lhes deve eternamente ser tributado pelo clube onde jogaram e o afastamento do plantel. Normalmente, a paixão leva-os a supor que esse reconhecimento só estará à medida da retribuição devida se as ditas glórias forem mantidas no plantel.
Poucos são os que seguem o exemplo de Zidane: afastar-se ainda no auge da forma. Normalmente, têm tendência a “arrastar-se”, de preferência na equipa onde se consagraram. Só quando isso se torna impossível por imposição do treinador é que eles tentam outra via: normalmente tendem a ir para uma equipa de segunda linha mas ainda com algumas pretensões.
Foi essa a via escolhida por Raul – uma das maiores glórias da história do RM – e será certamente também a de Guti – um “canterano” com mais de duas décadas de clube.
Esta é a primeira vitória de Mourinho. Quem se seguirá? Penso que será Valdano…por razões aparentemente diferentes. Vamos aguardar.

BENFICA SEM ROBERTO EM ALBUFEIRA




NÃO SOFREU GOLOS, MAS TAMBÉM NÃO BRILHOU

Coincidência ou não, o Benfica jogou sem Roberto e não sofreu qualquer golo. O jogo não foi grande coisa e o adversário também não.
Há ainda muita indecisão. Pode não ter nada a ver uma coisa com a outra, mas não me admirava nada que esta indecisão que se nota na equipa esteja relacionada com o facto de ainda se não saber quem fica. O ano passado havia dúvidas sobre quem poderia entrar. Este ano as dúvidas são sobre quem poderá sair. E esta indecisão pesa muito mais do que a outra, principalmente quando o que está em dúvida são jogadores como Ramires, Luisão, David Luiz ou Coentrão..
Rui Costa que é manifestamente uma pessoa pouco dotada, com pouca capacidade para se exprimir (provavelmente estudou muito pouco ou quase nada), complica mais do que facilita com as suas confusas intervenções. Percebe-se que há pressões de vários lados e que algo não está estável. Mas vamos ter de aguardar para confirmar ou infirmar esta impressão.
Entretanto, os comentadores da Sport TV que, com o se sabe, actuam sempre como adeptos ou empregados de certos clubes – e quase nunca como profissionais – deram mais uma grande ajuda a Jorge Jesus com os comentários feitos em off sobre o guarda-redes do Benfica.
O que eles disseram só é condenável pelos termos utilizados e não tanto pelas ideias expressas. Mas já se sabe como é: no futebol a paixão tudo supera e até impede a lucidez e a análise racional daquilo que está à vista de todos.
De facto, como aqui já dissemos várias vezes, Roberto é muito mais do que uma contratação falhada. É uma contratação contra o Benfica que somente pode ser neutralizada – isto é, colocada no rol das contratações falhadas – se for impedido de jogar em qualquer jogo oficial.
Só que a partir de agora, Jesus vai ter mais argumentos para o pôr a jogar e vai até contar com o apoio de adeptos acríticos, dispostos a apoiar tudo o que possa parecer como uma justa luta contra uma campanha contra o Benfica..
Por que é que tudo isto aconteceu e está acontecendo é que toda a gente espera ainda se venha a perceber um dia…

QUEIROZ E O EXEMPLO DA ARGENTINA



AS DUAS VIAS

A FPF tem à sua disposição duas vias para se ver livre de Queiroz, se essa for a sua vontade.
A primeira é a que se poderia chamar a via argentina e que consiste em exigir a Queiroz que ponha a seu lado alguém que perceba de futebol com um estatuto perfeitamente definido. Supondo que o actual seleccionador tem um mínimo de brio profisssional, optará, tal como Maradona, por pôr o lugar à disposição. À cautela, para o caso pouco digno de Queiroz aceitar "companhia", convém que a pessoa escolhida para actuar a seu lado seja alguém versado em pugilismo ou em artes marciais para o caso de ser necessário responder a outro tipo de argumentos, além dos especificamente futebolísticos.
A segunda via consiste em instaurar rapidamente um processo disciplinar a Queiroz com base nos factos já apurados no inquérito da IND e demiti-lo com justa causa.
Ao que se diz, há quem na Federação não esteja de acordo com o despedimento de Queiroz, embora se não perceba bem porquê. No futebol onde há dinheiro há sempre alguns mistérios que só mesmo os iniciados compreendem…Queiroz ganha muito dinheiro…muitíssimo, muito mais do que aquilo que merece e mesmo assim há quem queira que ele continue a ganhar esse dinheiro mesmo sem qualquer razão técnica que o justifique. Estranho. Muito estranho. Vamos esperar por sexta-feira para ficarmos a saber o que se passou.

domingo, 25 de julho de 2010

BENFICA NÃO DESCE MÉDIA DE GOLOS SOFRIDOS



ROBERTO NÃO SERVE, MAS HÁ MAIS QUEM NÃO ESTEJA BEM

Ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas, salvo aquelas que o futuro apenas se encarregará de confirmar. É o que se passa com o guarda-redes, que mais uma vez se viu que não tem cultura de baliza.
O primeiro golo até poderia entrar. O que não pode é entrar da forma que entrou. O guarda-redes ou saía ou adiantava-se, encurtando o ângulo, e fazia a mancha. O que não pode é um homem de um metro e noventa ficar de pé quase junto à baliza à espera que o avançado adversário remate.
Portanto, Roberto é assunto arrumado. Se o treinador quiser perder e sofrer golos uns atrás dos outros, joga com Roberto. Se quiser evitar este descalabro, joga com quem tiver à mão, seja Júlio César ou Moreira. Não fica bem servido, mas comparativamente com a hipótese que se perfila é a única solução aceitável.
É igualmente indiscutível que a equipa não está a defender bem. David Luiz comete muitos erros tácticos, como aqui se já disse. Sidney também não é Luisão e os laterais que têm jogado estão longe de igualar a competência dos que ainda estão de férias.
Coentrão já regressou e, se ficar, há muitas hipóteses de ele regressar ao lugar de ala esquerdo, já que o Benfica, na sua ausência, não tem quem jogue pelas alas. O que seria mau, já que ele é muito melhor com defesa esquerdo.
A equipa vai marcando golos, vai superando as deficiências defensivas marcando muitos golos, mas, como já se viu, isso não chega. Por outro lado, a sensação com que se fica é a de que há uma certa desarrumação na equipa, a ponto de se ficar com a impressão de que nem todos sabem qual é o seu papel, contrariamente ao que acontecia o ano passado em que nada parecia acontecer por acaso.
O melhor que Jesus tem a fazer é deixar-se de respostas arrogantes e impertinentes sobre o guarda-redes e tratar de distribuir os papéis de modo a que um possa fazer a melhor interpretação possível da função que lhe cabe. E arranjar quem jogue pelas bandas, porque mesmo depois do regresso a tempo inteiro de Coentrão e de Maxi Pereira - e supondo que ambos jogarão nos lugares em que jogaram o ano passado - não se lhes pode pedir que eles desempenhem sozinhos aquela função e que, além disso, ainda defendam.
Ainda há muitas nuvens por dissipar sobre o Estádio da Luz…

sábado, 24 de julho de 2010

ESTÁ NA HORA DE DESPEDIR QUEIROZ

SEM INDEMNIZAÇÃO

Pelas notícias que vieram a público, com base num inquérito já realizado pelo Instituto do Desporto de Portugal, Queiroz ter-se-ia comportado incorrectamente para com os médicos da autoridade antidopagem, durante o estágio da selecção na Covilhã. O Governo confirma a gravidade dos factos imputados.
Queiroz, com a sua habitual arrogância e má educação, ter-se-á insurgido contra esta “intromissão” das autoridades antidopagem no estágio da selecção. É caso para dizer que o pessoal do Instituto até andou com alguma sorte, pois em “circunstâncias normais” poderia ter-lhe acontecido o mesmo que já aconteceu a outros que criticaram as opções técnicas de Queiroz.
Com base nos factos já apurados, a FPF tem matéria mais do que suficiente para instaurar um processo disciplinar a Queiroz e, com base na prova nele obtida, despedi-lo com justa causa.
É preferível operar por esta via, caída do céu, do que colocar-lhe um verdadeiro treinador na equipa técnica, nomeação que Queiroz iria boicotar e que seria, na prática, uma verdadeira fonte de conflitos.
Tudo está em saber, como sempre acontece em Portugal, qual o nível de compadrio e de “cumplicidades” entre o pessoal da Federação e Queiroz, para se poder avaliar até que ponto podem ser tiradas as consequências adequadas do comportamento do seleccionador.
É caso para perguntar o que pensa o Sr. Lobo deste comportamento de Queiroz, ele que tão escandalizado se mostrou e até “envergonhado”, como português, quando Scolari, em defesa de um jogador português e reagindo a uma provocação de sérvio Dragutinovic, tentou afastá-lo com o punho.
O actual caso é muito mais grave porque se trata de um seleccionador que se insurge contra o controlo antidopagem, algo que, por exemplo, na Volta a França estaria sujeito a sanções severíssimas e poderia, inclusive, integrar um tipo legal de crime. Mas é óbvio que o Sr. Lobo vai encontrar uma justificação para o comportamento de Queiroz, um comportamento que, quem sabe, “como português”, o orgulha ou, pelo menos, o não ednvergonha!

BENFICA: QUANTOS FICAM?

QUE HIPÓTESES COM OUTRO PLANTEL?

Depois da transferência de Di Maria, têm-se multiplicado nos jornais as notícias sobre outras inevitáveis saídas no plantel benfiquista. As notícias visam fundamentalmente Ramires, David Luiz e Fábio Coentrão. Não é muito provável que saiam os três, mas somente quando o mercado fechar, no fim de Agosto, se saberá, com segurança, quem partiu e quem ficou.
O assédio aos jogadores mais influentes não se faz apenas por via das verbas a pagar ao clube com os quais eles têm contrato, mas principalmente pelos ordenados milionários com que lhes acenam os clubes que os pretendem. Postos perante este cenário, os clubes com menos recursos têm escassas possibilidades de resistir. É que não é fácil manter no plantel um jogador a quem ofereceram um ordenado várias vezes superior ao que está auferindo no clube a que está vinculado.
Isto para dizer, que o vínculo contratual e o montante da cláusula de rescisão não são determinantes para manter no plantel um jogador que queira partir, embora também daqui se não possa concluir que nada valem. Não é isso o que se pretende dizer. O vínculo e as cláusulas contratuais condicionam, mas não são determinantes.
O mais provável perante uma forte insistência, acompanhada de uma proposta razoável, segundo os critérios do mercado, é que o jogador acabe por ser transferido por um preço inferior ao estabelecido na cláusula de rescisão que blinda o contrato.
É esse o risco que o Benfica corre. Apesar do muito dinheiro que aquelas transferências lhe possam proporcionar, fica a incógnita das suas consequências no plano desportivo. É que não é fácil substituir em poucas semanas jogadores daquele gabarito. Um plantel pode não ser constituído por jogadores de luxo, como era o da época passada no Benfica, mas tem de ser um plantel equilibrado e bem estruturado.
E a questão que se coloca é a seguinte: se Di Maria já não é substituível de imediato, Ramires e Fábio Coentrão sê-lo-ão ainda menos. Não há no plantel do Benfica quem esteja à altura de os substituir na função, mesmo que com menos brilho. Já o caso de David Luiz é diferente. O jovem defesa-central é um magnífico jogador, mas é muito indisciplinado tacticamente e até se pode levantar a dúvida sobre se alguma vez ele poderá ser o patrão de uma defesa. Se pode ser ele a comandar a manobra defensiva da equipa ou se, para brilhar, terá de ter sempre alguém que seja capaz de fazer aquele serviço. E, é claro, que um jogador com estas características, por muito bom que seja – e David Luiz é-o sem dúvida – é sempre mais facilmente substituível.
Resta saber se com a saída de quatro jogadores fundamentais Jorge Jesus está em condições de continuar a garantir a qualidade (possível) e a competitividade (máxima).
É bom lembrar que Mourinho no Porto venceu com uma equipa que ele construiu com poucos recursos e feita de “retalhos” apanhados nas sobras do Benfica, da União de Leiria e mais alguns. É óbvio que há uma diferença: a equipa de Mourinho, no Porto, foi construída por ele; a equipa de Jorge Jesus, no segunda ano de Benfica, a confirmarem-se as transferências, será uma equipa “desconstruída”. A verdade é que nunca, no Porto, Mourinho teve um plantel com o valor individual do plantel do Benfica do ano passado. É altura, portanto, de Jesus, com outros recursos, confirmar o seu valor.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

DUELO NOS PIRINÉUS



ANDY SCHLECK ESTEVE VALENTE, MAS NÃO CHEGOU

Mais um grande espectáculo na Volta à França, durante a subida do Tourmalet, em que se assistiu a um extraordinário duelo entre jovem luxemburguês, Andy Schleck, e o camisola amarela, Contador, que até contou com a presença do Presidente da República de França, grande amante da modalidade.
Schleck tudo tentou para se distanciar de Contador. Atacou forte durante a subida do Tourmalet, ainda muito longe da meta, mas Contador seguiu-o. Mudou de ritmo várias vezes. Conduziu a escalada sempre na frente. Tentou, por várias vezes, que o seu principal adversário o olhasse nos olhos, mas a tudo Contador resistiu.
Na chegada à meta os dois corredores iam praticamente a par, e Contador, certamente para “compensar” a sua atitude na subida de Port De Balés, não se fez ao sprint, deixando que Schleck ganhasse a etapa.
Certamente que tudo teria sido diferente se o luxemburguês não tivesse perdido o primeiro lugar nas condições em que o perdeu. Nesse caso, teria de ser Contador a atacar e Schleck estaria muito mais à vontade, inclusive para contra-atacar na hora própria. Mas como a história não tem “ses” e a corrida também é feita das suas contingências, Schleck, não obstante o seu valor, a sua força e o excelente momento de forma que atravessa, deve, salvo imponderável, ter dito hoje adeus à Volta à França, já que, no contra-relógio, as chances de superar Contador são praticamente nulas.
No fim da etapa Sarkozy confraternizou longamente, com muito entusiasmo, com os dois grandes do dia e também com Lance Armstrong que se entretanto se juntou ao grupo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

CONTADOR: UM MAU EXEMPLO


ANDY SCHLECK – FORÇA, A VITÓRIA ESTÁ AO TEU ALCANCE!


Hoje um post sobre ciclismo.
Não se pode dizer que tenha sido um grande dia para o desporto espanhol. Na última contagem (Port de Balés) do prémio da montanha da etapa de hoje, entre Pamiers e Bagnéres de Luchon, Andy Schleck, o jovem camisola amarela, lançou um vigoroso ataque para se distanciar do segundo classificado, Alberto Contador.
No momento em que o ataque se desenvolvia com toda a intensidade, Schleck teve um acidente mecânico, a corrente saltou, e Contador aproveitou-se da paragem forçada do jovem luxemburguês para se distanciar juntamente com um grupo de corredores.
Schleck, sozinho, respondeu com toda a coragem para preservar a magra vantagem, 31 s, que o separava do segundo classificado. Como a meta estava muito próxima, o jovem Schleck não logrou alcançar os fugitivos e perdeu a camisola amarela por 8 segundos.
O gesto de Contador fica com quem o praticou! O pelotão saberá valia-lo. Não é um gesto único. Já por mais de uma vez se viu quem tenha feito o mesmo. Mas felizmente há muitos outros exemplos de sentido contrário no ciclismo e na própria Volta à França. Interrogado o final da corrida sobre o seu comportamento, Contador mentiu, quando afirmou que não se apercebeu do que se passou e que só mais tarde soube o que tinha acontecido. Mentira!
Schleck ainda tem chances…mas não tem equipa. Está sozinho…

domingo, 18 de julho de 2010

O BENFICA TEM UM PROBLEMA GRAVE


E QUANTO MAIS TARDE O RECONHECER, PIOR

O Benfica tem um grave problema que não pode por mais tempo ser iludido. Cada bola que vai à baliza entra! Em quatro jogos sofreu nove golos! É verdade que a defesa ainda não é a do ano passado, mas isso não é desculpa. Várias foram as vezes que o ano passado jogou na defesa com jogadores diferentes dos titulares e não sofreu golos.
O problema está no guarda-redes. E não é um problema pequeno. É um grandíssimo problema. Roberto não tem margem de progressão. É aquilo que mostra que é. Aliás, se há um lugar onde não margem para esperar por progressões quando a base de que se parte é fraca, é o lugar de guarda-redes.
Jesus não pode continuar a tapar o sol com a peneira ou a ficar à espera de que aconteça algum milagre. Não vai acontecer. Roberto não posiciona correctamente em função das jogadas, sai mal nos cruzamentos, é incapaz de sair com êxito nas bolas por alto e dá "frangos” atrás de “frangos”.
A equipa não tem confiança nele, nem sequer lhe passa a bola, tal é o medo que uma qualquer jogada nas suas proximidades dê golo.
Jesus não pode continuar a desculpar-se e a desculpá-lo com a bola, porque os golos que sofreu ontem e hoje não têm nada a ver com a bola.
Não há nenhuma equipa, por melhor que seja, que resista a uma média de dois, três golos sofridos na sua baliza. Menos ainda quando a maior parte deles é da responsabilidade do guarda-redes.
De imediato, só há uma solução: é pô-lo no banco. E depois tentar contratar outro, por alguém que saiba escolher. Pois está visto que Jesus não sabe.
Quim era um guarda-redes médio. Podia não dar pontos (às vezes até dava), mas nunca tirava pontos. Jesus foi buscar este, porque queria um guarda-redes que desse pontos. Acontece que este tira pontos e não serão poucos, se o deixarem continuar.
O preço que ele custou (incrível!) não pode ser desculpa para o manter na baliza, porque a sua presença nas redes do Benfica rapidamente triplica ou quadruplica aquele prejuízo. Alguém imaginou aquele guarda-redes a jogar na Liga dos Campeões?
Quanto ao resto, Kardec confirma-se como o grande reforço da equipa. Será bom negócio deixar ir o Cardozo por um preço aceitável. Já!

QUE BENFICA, EM 2010-2011?



PIOR

Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, há meia dúzia de jogadores que ainda não regressaram, mas tudo aponta no sentido de esta equipa não ser capaz de repetir o feito da do ano passado.
O treinador é o mesmo, mas ainda se não sabe com que jogadores vai contar. O que já se sabe é que, há um ano, a equipa que então iniciava a preparação não tinha comparação com esta. Não só na atitude, mas também no próprio modelo de jogo.
O Benfica perdeu Di Maria e seguramente não vai encontrar quem o substitua na próxima época, por mais prometedoras que sejam (se forem) as novas aquisições. Di Maria, quando chegou, também não substituiu Simão. E pode até acontecer, supondo que Coentrão fica, que não apenas se perca Di Maria, mas também o próprio Coentrão...no lugar que o notabilizou.
Depois há outra incógnita chamada Ramires. Se Ramires também for embora, então a situação piora gravemente. Ramires é hoje um jogador tão importante que nem sequer é ousado supor que no recente campeonato do mundo tudo poderia ter sido diferente se Ramires não estivesse a cumprir castigo no jogo do Brasil contra a Holanda.
David Luís, que não se sabe se fica, não parece estar com a cabeça na equipa. A sua “incultura táctica” aumenta a olhos vistos de jogo para jogo.
A única revelação do Benfica parece ser Kardec, o único cuja permanência na equipa poderia suprir com proveito a hipotética ausência de Cardozo. Se fizesse um bom negócio, o Benfica não ficaria nada a perder com a saída de Cardozo.
Finalmente, o guarda-redes, que parece ser um grande “barrete”. Em quatro jogos da pré-época já sofreu cerca de um terço dos golos sofridos por Quim, a época passada, durante todo o campeonato.
Já se percebeu que guarda-redes não é o forte de Jesus. O ano passado foi buscar ao Belenenses Júlio César, e apesar de ter tido a pretensão de o colocar como titular, acabou por ter o bom senso de o pôr a jogar apenas na Liga Europa, onde deu algumas pequenas “barracas” e uma grande, em Liverpool.
Este rapaz que veio de Espanha, como se verá, não serve e é inadmissível que o Benfica tenha gasto na sua contratação quase o dobro do que custou Eduardo ao Génova. Ninguém percebe isto. Como ninguém aceita nem percebe que Jorge Jesus tenha despedido Quim em directo num programa televisivo, dominado pelo anti-benfiquismo primário, e muito próximo de um programa para atrasados mentais.
O Presidente do Benfica não deveria ter admitido aquela atitude de Jesus e deveria pura e simplesmente tê-lo desautorizado, sem dramatismo. Quim, duas vezes campeão e titular durante vários anos da baliza do Benfica, merecia outro respeito.
É preciso que se saiba que quem dispensa e quem compra jogadores no Benfica é a direcção, certamente sob proposta do treinador e do director desportivo. Mas a última palavra é sempre do clube, tendo o treinador que se sujeitar a ela.
Veremos o que se vai passar durante época, mas não seria certamente um bom sinal se situações destas ou parecidas se repetirem.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

FEDERAÇÃO RECONHECE LIMITAÇÕES DE QUEIROZ




…E PARECE ESPERAR QUE QUEIROZ TAMBÉM AS RECONHEÇA

A situação económico-financeira da Federação, que tem como causa próxima o desempenho de Queiroz à frente da selecção nacional, não lhe permite tomar as decisões que se impunham, sem que com esta constatação se pretenda desculpar a Federação, por uma situação que ela própria criou.
É no quadro deste condicionalismo que tem de se entender a breve comunicação ontem feita depois de uma longa reunião de direcção.
Quando se afirma que se justifica a introdução de alterações na equipa técnica e logo a seguir se esclarece que tais alterações serão tratadas em próxima reunião com o seleccionador, pretende-se dizer antes de mais nada que há problemas na equipa técnica que a Federação quer resolver. Portanto, problemas que o seleccionador não equacionou, mas que a Federação reconhece existirem (na esteira, aliás, da generalidade dos portugueses).
E, em segundo lugar, diz-se o óbvio, ou seja, que tais alterações serão tratadas com o seleccionador muito brevemente. O que já não é tão óbvio, sem contudo deixar de constituir uma esperança, é que o seleccionador se demita por lhe estar a ser imposta uma alteração para a qual não foi chamado a decidir.
Aqui é que a Federação muito provavelmente se engana, pois tudo aponta no sentido de Queiroz se não demitir.
Demita-se ou não, Queiroz ficará ainda mais fragilizado e sem grandes possibilidades práticas de levar a bom termo a qualificação para o Euro 2012.

terça-feira, 13 de julho de 2010

QUEIROZ, QUE FUTURO?


NÃO TEM CONDIÇÕES PARA FICAR

Enquanto a RTP N se esforça por demonstrar que Queiroz, apesar das asneiras, deve ficar, dando assim corpo a uma campanha que tem a su origem nos já conhecidos poderes fácticos do futebol português, outros comentadores de outras estações televisivas menos sujeitas à tirania informativa daqueles poderes vão fazendo o que está ao seu alcance para demonstrar que Queiroz não serve. No meio de tudo isto, patético e ridículo, Rui Santos, enquanto intriga contra meio mundo, vai igualmente fazendo a defesa de Queiroz com argumentos indefensáveis. Não se percebeu ainda se esta defesa de Queiroz apenas serve para justificar os ataques soezes que fez a Scolari ou se, pura e simplesmente, porque tem medo dos argumentos que Queiroz costuma utilizar para tentar calar os seus críticos mais contundentes.
Os argumentos usados para defender a continuidade de Queiroz são ridículos. Falam em “projecto”, em “formação”, em “estruturas do futebol” e outras coisas do género para justificar a sua permanência no lugar. A verdade é que, por mais importante que sejam algumas daquelas coisas – e são – não cabe ao seleccionador tratar delas. Se a Federação quer disponibilizar avultadas verbas para que os clubes com escola façam formação e se quer regular essa sua intervenção, então que contrate alguém para o efeito. Alguém que até poderia ser Queiroz, se é verdade que sabe tanto quanto se apregoa de formação e organização do futebol. Ele pode calmamente fazer o seu trabalho e logo se verá daqui a dez ou quinze anos se deu os frutos esperados.
É duvidoso, de resto, para não dizer que é falso, que Queiroz se tenha minimamente preocupado com aquelas questões durante o tempo em que exerceu as funções de seleccionador. Em primeiro lugar, na preparação da campanha para a África do Sul, Queiroz obrigou a Federação a gastar cerca de quatro milhões de euros, para nada, quando parte de tal dinheiro poderia ser utilizada, se ele tivesse as tais preocupações que dizem ter, na formação dos clubes. Depois, ele próprio ficou com uma maquia muitíssimo importante do dinheiro que a Federação tinha ganho e ganhou, já que está sendo pago principescamente. Finalmente, é muito duvidoso que um seleccionador que convoca para a selecção jogadores brasileiros, naturalizados para o efeito, com 32 anos, esteja minimamente preocupado com a formação.
Queiroz deve sair e muito rapidamente. Como se verá, caso fique, não terá condições para continuar. Vai ter que jogar à porta fechada para se proteger do público, que manifestamente não o quer.
Os “senhores do futebol”, apoiados pelos que lhes amplificam as pretensões, tudo vão fazer para Queiroz continuar. Nessa luta vão ser apoiados, como já estão sendo, por aqueles que desistiram de ter autonomia e já se disponibilizaram para transformar o seu clube numa simples sucursal de interesses alheios. Pode até acontecer que aguentem Queiroz, mas resultado está antecipadamente conhecido: é o futebol português que perde. O que aos “senhores do futebol” pouco lhes interessa, se eles ficarem a ganhar.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

AS ESCOLHAS DO MUNDIAL



OS MELHORES E AS DECEPÇÕES

Nada a dizer relativamente às escolhas de que já se tem conhecimento. Forlán, o melhor jogador. Casillas, o melhor guarda-redes. Müller, o mais goleador. Müller, ainda, a revelação jovem.
Tudo certo. Mais difícil é escolher a equipa do Mundial, embora a escolha do melhor onze tenda a recair sobre os jogadores das equipas que fizeram mais jogos. De qualquer modo, essa é tarefa de treinador. A nós cabe-nos apenas dizer os jogadores que mais se destacaram durante o Mundial. Nesta perspectiva, a nossa escolha é a seguinte:
Casillas e Eduardo; Sérgio Ramos, Maicon, Puyol, Juan, Lahm e Fábio Coentrão; Schweinsteiger, Von Bommel, Özil, Sneijder e Xavi; Robben, Forlan, Müller e Villa.
A equipa sensação foi o Uruguai. Depois a Alemanha e a Holanda: A Espanha confirmou o favoritismo com que partiu e, por ter perdido o primeiro jogo, foi obrigado a jogar todos os restantes da mesma forma que jogou o último, ou seja, como uma final.
As grandes decepções do Mundial, no plano colectivo, foram os finalistas de 2006, França e Itália. Depois a Inglaterra. A seguir a Argentina e o Brasil.
Do ponto de vista individual, Cristiano Ronaldo só foi decepção para quem desconhece as suas habituais prestações na selecção portuguesa. Tendo, porém, em conta a fama de que goza, foi uma desilusão. A seguir, Rooney e Eto’o, este mais do que aquele. Depois Kaká, mais pela instabilidade emocional do que pelo jogo jogado, e Torres, uma sombra do jogador que conhecemos. Messi por a sua equipa ter sido eliminada (com o grande Maradona, a Argentina foi duas vezes à final e ganhou uma).
Ao contrário do que alguns dizem, o Mundial jogou-se a um nível muito elevado. Três características foram comuns às equipas que chegaram mais longe: rigor táctico; espírito de equipa e ambição. Certamente que interessa ter bons intérpretes, mas não basta tê-los para ganhar. Se faltar algumas das três características apontadas, a equipa com os melhores intérpretes será eliminada, como se viu.
Vai ser difícil regressar às tricas mesquinhas do futebol pátrio depois destes sessenta e quatro jogos…

ACABOU! A ESPANHA GANHOU!



HOLANDA RESISTIU ENQUANTO PÔDE

A Espanha ganhou o Mundial 2010. E não há muito a dizer sobre a sua vitória quando todas as análises que antecederam o Grande Jogo apenas versavam sobre como poderia a Holanda neutralizar o jogo da Espanha. Quando a questão se põe nestes termos, isso significa que há uma evidente superioridade de uma equipa sobre a outra. Já que não se trata de saber como vencê-la, mas como impedir o adversário de ganhar.
E a Holanda esteve perto de o conseguir. Esteve a dois minutos de impedir que no jogo jogado a Espanha ganhasse. Para chegar onde chegou, a Holanda fez aquilo que se previa: pressionou alto a Espanha, através dos seus jogadores atleticamente mais poderosos, foi distribuindo alguns pontapés no corpo dos adversários e na bola, esperando que num lançamento longo, bem sucedido, um dos seus dois grandes artistas resolvesse o assunto. E isto também esteve para acontecer por duas vezes. Mas não aconteceu. Casillas não deixou.
Quando a resistência holandesa já tinha chegado aos limites – de facto Robben e Van Persie estavam completamente esgotados -, a Espanha ganhou com um golo de Iniesta.
Não foi muito inteligente substituir De Jong por Van der Vaart como se viu imediatamente e, mais tarde, no golo sofrido, já que é sua a incorrecta posição em campo que coloca em jogo Iniesta. Deveria ter saído Van der Persie. Por que não saiu, só o treinador holandês o saberá, embora para o espectador fique a suspeita de que a reacção pouco cordial do jogador na última vez que foi substituído tenha estado na origem do erro cometido.
De qualquer maneira a Espanha jogou mais e foi a melhor durante o torneio. O seu futebol não assenta apenas na excelente circulação de bola, mas também numa muito eficaz capacidade de a recuperar. O ponto negativo da Espanha, eventualmente relacionável com o seu modelo de jogo, é a sua fraca capacidade concretizadora. Marcou oito golos em sete jogos. Todos os jogos posteriores à fase de grupos foram ganhos apenas por 1-0.

domingo, 11 de julho de 2010

ALEMANHA EM TERCEIRO LUGAR


URUGUAI NÃO RESISTIU A MUSLERA

O Uruguai não conseguiu levar de vencida o seu adversário de ontem, apesar da excelente exibição que fez em campo e de a Alemanha ter alinhado manifestamente desfalcada.
Não se percebe bem se Alemanha alinhou sem Lahm, Podolski e Klose por lesão ou doença destes jogadores ou se o fez por castigo. A verdade é que a Alemanha, sem a presença dos seus habituais titulares, não mostrou ser a equipa que noutras ocasiões se exibiu.
O Uruguai, jogando muito mais ligado e fazendo alinhar todas as suas vedetas, esteve melhor na maior parte do jogo. Todavia, não resistiu, nem qualquer outra equipa resistiria, à tarde desastrada do seu guarda-redes, Muslera. O primeiro golo da Alemanha resulta de uma defesa para a frente da baliza, numa bola chutada de muito longe e o segundo de uma saída em falso num cruzamento que Jansen aproveitou naturalmente.
Apesar dos excelentes golos de Forlán, a equipa não resistiu e acabou por sofrer o terceiro, após a marcação de um canto, numa série de ressaltos. Sabe-se que o Uruguai reage bem nos últimos minutos de jogo, quando está a perder, mas já não demonstra a mesma capacidade de resistência quando esta a ganhar ou empatada. E ontem isso aconteceu mais uma vez.
De qualquer modo, fica desta participação do Uruguai no Mundial da África do Sul uma excelente prestação, a melhor desde há várias décadas, e um conjunto de excelentes exibições individuais com destaque para Forlán, com cinco golos marcados, e porventura o melhor jogador do torneio. Se não for o escolhido, é apenas por o Uruguai ter ficado em quarto lugar.
Da Alemanha fica a certeza de que tem um conjunto de jovens com muitíssimo valor, capazes de discutirem numa próxima oportunidade a supremacia do futebol europeu e mundial. E fica também a certeza, no jogo contra a Espanha, não obstante a errada atitude da equipa, de que Müller fez muita falta e de que a sua presença poderia ter ditado um jogo diferente daquele a que se assistiu.
O ponto mais fraco da Alemanha, não jogando Lahm, é o dos laterais. Quanto ao resto não precisa de se preocupar, esperando-se que daqui até ao próximo Mundial encontre um substituto à altura para Klose, o que também não será fácil.

sábado, 10 de julho de 2010

O PRESIDENTE LULA EM JOANESBURGO




AS LIMITAÇÕES QUE O CARGO IMPÕE

O Presidente do Brasil esteve em Joanesburgo para receber das mãos da FIFA e do Presidente Sul-Africano o testemunho para a realização do Mundial de 2014 e apresentar o emblema do próximo campeonato, que terá lugar no Brasil, como se sabe.
E, mais uma vez, Lula da Silva não resistiu a pronunciar-se, a sério, sobre o actual Mundial, bem como sobre as equipas que vão disputar a final.
Diz o Presidente que a Espanha, nos seis jogos que já fez, ainda não convenceu e que a Holanda joga “aquele futebol” que nada tem a ver com o de 74 da era Cruyff. E teceu ainda uma crítica irónica, mas séria a Dunga, sobre as tão proclamadas virtudes defensivas da selecção brasileira.
Toda a gente conhece a paixão de Lula pelo futebol, pelo seu Corinthians e pela selecção brasileira. A questão que se põe é se ele deve falar a sério sobre essas questões, na qualidade de Presidente do Brasil, e ainda por cima fora do país, tanto mais que ele se exprime com a parcialidade típica do mais apaixonado dos torcedores.
De facto, não se compreende bem que sendo ele o excelente político que todos admiram, ainda não tenha aprendido os dissabores que as suas incursões pelos domínios futebolísticos lhe podem causar. É que os visados pelos seus comentários tendem a responder-lhe não vendo nele o Presidente do Brasil, mas o torcedor vulgar que distorce a realidade. Ninguém nos domínios da sua competência, dentro ou fora do Brasil, se atreveria a responder-lhe, como já lhe responderam Tevez, quando jogava no Corinthians, e se recusou a ir ao Palácio do Planalto no ano em foi campeão, ou Ronaldo, no Campeonato do Mundo de 2006, a propósito da tal questão do peso a mais.
E desta vez arrisca-se que um espanhol qualquer, num jornal ou numa televisão, lhe responda à letra.
Enfim, até os grandes homens têm imperfeições…

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O QUE SE PODE ESPERAR DA FINAL




A ESPANHA PARTE EM VANTAGEM

A grande questão que se põe relativamente ao jogo de domingo entre as duas equipas finalistas é saber como pode a Holanda neutralizar a circulação de bola da Espanha, de forma a impedir que o jogo seja apenas jogado de um lado.
A avaliar pelos últimos três jogos, terá de reconhecer-se que é uma tarefa difícil.
A Holanda se não quer ser completamente dominada e sujeitar-se a ficar apenas com as escassas chances que as simples vicissitudes do jogo por vezes permitem tem de fazer pressão alta, diz a maior parte dos entendidos. Só que esta estratégia depara-se logo com uma grande dificuldade. Quem é que na equipa da Holanda tem condições técnicas para fazer esta pressão alta? Van Persie, Robben, Sneijder? Certamente não. Nenhum deles tem capacidade nem disponibilidade física para fazer sequer o que Hugo Almeida fez na selecção portuguesa, enquanto Queiroz o deixou jogar. Dick Kuyt, sim, à semelhança do que já fez contra o Brasil tanto em relação a Maicon como em relação a Daniel Alves. Mas não chega. Em seu auxílio tem de estar permanentemente presente Van Bommel e De Jong. Mas se estes vierem para a primeira linha da pressão, quem fica na segunda?
Tudo problemas muito complicados de resolver pelo treinador holandês. Depois há ainda outra fragilidade da equipa holandesa: a defesa. Com a capacidade de passe e a técnica de circulação de bola de Xavi e de Iniesta não vão faltar na defesa da Holanda situações semelhantes à de Robinho no jogo contra o Brasil.
Em princípio, portanto, a Espanha vencerá e, desta vez, marcará mais do que um golo. Mas há, evidentemente, uma grande curiosidade em saber como vai jogar a Holanda. E como a bola é redonda – e este Mundial tem demonstrado isso mesmo – e a emoção e o estado de alma das equipas também desempenham um importantíssimo papel, ninguém poderá dizer o que vai acontecer se, por exemplo, a Holanda marcar primeiro, numa das tais vicissitudes do jogo em que o futebol é fértil.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

ESPANHA NA FINAL



ALEMANHA DESILUDE

Esperava-se mais da Alemanha. E principalmente de Joachim Löw que parece não ter aprendido nada com os anteriores jogos da Espanha.
Está provado que quem entregar o jogo à Espanha, quem lhe conceder a iniciativa do jogo e defender perto da sua área está condenado à derrota. Mais tarde ou mais cedo o golo aparece. Ou de bola parada ou de bola corrida. Com os jogadores que a Alemanha tem, esperava-se muito mais da sua equipa.
Vistos todos os jogos contra a Espanha, somente o Chile terá jogado de forma tacticamente correcta. Pressionou alto, dificultou a manobra da Espanha e se não tivesse ocorrido aquela expulsão certamente tudo teria sido diferente. Depois, o Paraguai, jogando no seu estilo, também dificultou a Espanha.
Não tendo a Alemanha, como até hoje nenhuma equipa ainda teve, a possibilidade de dividir o jogo com a Espanha em todo o campo, supunha-se que privilegiasse o jogo directo, como fez a Suíça, além do mais por ter outros jogadores para interpretar esse tipo de futebol.
É certo que as arbitragens nunca erram contra a Espanha e já erraram várias vezes a seu favor, como hoje aconteceu ao perdoar um penalty de Sérgio Ramos sobre Özil. De qualquer modo, a Espanha justificou amplamente a vitória, porque foi a equipa que praticou melhor futebol.
Para quem não acredita na imprevisibilidade do futebol e julga que nada no futebol acontece por acaso tem no jogo de hoje mais dois exemplos que demonstram exactamente o contrário: a Alemanha sofrer um golo de canto; segundo, o golo ser marcado de cabeça por um dos mais baixos jogadores em campo. Mas, muitos outros, poderiam ser apontados ao longo do campeonato.
Jogando à Barcelona, a Espanha ganhou. Quem ganha ao Barcelona? Mourinho ganhou, dir-se-á. Sim, com Milito e com Olegário Benquerença. Hoje a Alemanha esteve irreconhecível e não jogou nem à Mourinho, nem à germânica. Depois, faltou Müller, que não explica tudo, mas explica alguma coisa. Enfim, falta de ambição e errada estratégia.
Com a Espanha a jogar assim e a jogarem assim contra ela, a vitória está assegurada.

URUGUAI CAIU DE PÉ




32 ANOS DEPOIS A HOLANDA VOLTA A UMA FINAL

Enquanto a RTP N prossegue o seu programa com o insuportável Costa, o Sr. Lobo, que ainda não percebeu o que é o futebol, o tal outro que levou oito na Luz e confiava na França como grande favorito, nada melhor do que falar um pouco desse grande jogo que o Uruguai realizou hoje na Cidade do Cabo contra a Holanda.
Sem três dos seus principais titulares, um deles muito importante, o Uruguai demorou algum tempo a ligar o seu jogo, tendo-o conseguido por volta da meia hora quando Forlan, em mais um extraordinário golo, empatou o jogo.
No segundo tempo, o Uruguai impôs a pressão alta, recuperou muitas bolas e estava manifestamente por cima quando a Holanda, por intermédio de Sneijder, marcou o segundo, num lance que deixa muitas dúvidas. Com efeito, há um jogador holandês em fora de jogo, que retira a visibilidade ao guarda-redes e que inclusive faz uma simulação à passagem da bola, bola essa que já tinha ressaltado num jogador uruguaio.
Por muitas tácticas e teorias que os comentadores apresentem, a verdade é que um golo num jogo como este – que define a passagem à final – acaba por constituir um rude golpe na equipa que o sofre, deixando-a normalmente sem capacidade de reacção durante algum tempo.
Foi o que aconteceu, agravado pelo facto de o Uruguai estar a jogar mais, desde o início da segunda parte. Daí até sofrer o terceiro, numa boa jogada finalizada de cabeça por Robben, passou pouco tempo e tudo parecia decidido a favor da Holanda.
Entretanto, Forlan, esgotado e já a errar passes foi substituído, Álvaro Pereira, que retira qualidade à equipa, também e o Uruguai logrou ainda marcar o segundo, por Maxi, em cima do minuto noventa. Daí até ao fim foi um sufoco para a Holanda, que, não obstante a pressão, conseguiu aguentar o resultado.
Tem que se dar os parabéns a Tabarez, um grande treinador, que, com uma única vedeta (Forlan), construiu uma grande equipa.
A equipa da Holanda, apesar dos excelentes resultados feitos na fase e qualificação, apesar de somar por vitórias todos os jogos disputados neste Mundial, não tem uma equipa que convença toda a gente. Tem grandes individualidades, que têm sido decisivas – Sneijder e Robben -, mas está longe de entusiasmar como entusiasma a Alemanha.
Amanhã se saberá se a Alemanha é mais uma daquelas equipas que encanta e perde o título (como noutros mundiais tem acontecido) ou se é uma equipa que vai conseguir a final. Se vier a ser o caso, se verá então o que realmente vale a Holanda.
Para evitar dúvidas: está fora de questão que a Holanda não seja uma grande equipa. O que se duvida é que seja a melhor.
Uma nota final: é estranho que Van Bommel faça tantas faltas durante os jogos e nunca seja punido. Somente hoje, já no fim do jogo, e ao que parece por incorrecção terá sido admoestado.
Holanda 3 - Uruguai 2

segunda-feira, 5 de julho de 2010

JOÃO MOUTINHO NO FCP




AS EXPLICAÇÕES DO SPORTING

A transferência de João Moutinho para o FCP, em princípio, clube rival do Sporting, causou uma enorme consternação nas hostes sportinguistas. Não tanto a transferência em si, há muito esperada, mas antes por ela ter tido como destino um clube português.
O presidente e o director desportivo do Sporting numa sessão pública de psicanálise clubística já vieram justificar-se, imputando todas as responsabilidades à personalidade perversa do jogador.
O jogador não queria continuar no Sporting, criava dificuldades e problemas de toda a ordem, por isso impunha-se vendê-lo tanto mais que ele não já deixara de ser digno de fazer a defesa dos “valores sportinguistas”. Só que, dizem os responsáveis do Sporting, não havia quem quisesse comprá-lo. Perante este quadro, na ausência de uma proposta estrangeira, e considerando-se inalcançável o montante da cláusula de rescisão, o honrado presidente do FCP abeirou-se do Sporting e frontalmente deu-lhe conhecimento do seu interesse na aquisição do jogador, mas apenas – e isto que fique bem claro – se o Sporting quisesse vender.
Neste contexto, o Sporting não tinha alternativa: ou desvalorizava completamente um activo até 2014 (data do termo do contrato) ou aceitava a proposta do FCP. Aceitou…para bem do clube.
Não há dúvida que no futebol português um azar vem sempre acompanhado. João Moutinho não foi convocado para a selecção nem mesmo depois de Nani ter abandonado o estágio, facto que causou incompreensão generalizada tanto mais que se tratava de um jogador presente em toda a fase de qualificação e mesmo no Euro 2008. Teria contra si certamente o facto de não ter feito uma época muito conseguida, mas isso além de também ter sido irrelevante para a fase de qualificação, poderia igualmente sê-lo para a fase final uma vez que ele era um “jogador de selecção”. E um “jogador de selecção” é sempre convocado qualquer que seja o seu momento de forma ou a época que tenha feito (Klose, Podolski, etc.). Mas não foi. Primeiro enigma!
Sabe-se que no futebol português o seleccionador não é criticado ou apoiado por certos protagonistas em função dos seus defeitos ou dos seus méritos como treinador, mas antes de certas outras qualidades ou da ausência delas. Por exemplo, Scolari foi atacadíssimo mesmo quando ganhava ou alcançava resultados antes impensáveis. Os ataques não eram dirigidos à sua prestação técnica, mas à sua insubmissão a certos poderes fácticos. Era atacado por ser independente. Outros são apoiados, apesar de só fazerem asneiras.
Portanto, a não convocatória de João Moutinho para a selecção dificultou a sua transferência para o estrangeiro e facilitou a sua transferência para o mercado nacional, onde as suas capacidades como atleta eram bem conhecidas. Minada depois a vontade do futebolista, com elogios e qualificações muito a propósito, estavam reunidas as condições para que ele ficasse cá.
Não se percebe, por isso, muito bem o ataque violento desferido contra o jogador pelos responsáveis do Sporting. No fundo, eles são os responsáveis pelo que aconteceu. Não apenas porque não foram capazes de criar para o jogador um contexto negocial diferente, mas também porque a relativa subalternidade em que se têm colocado relativamente ao FCP facilitou este desfecho e nem sequer lhes permite perceber com clareza a complexa teia urdida à volta de João Moutinho.
A subalternidade relativamente ao FCP não é apenas da responsabilidade dos dirigentes máximos do Sporting mas de todos aqueles que em nome do clube se exprimem publicamente nos jornais, na televisão e na rádio, com comentários sempre muito coincidentes com a estratégia do FCP.
Tudo bem…quando acaba bem!