sábado, 23 de outubro de 2010

PELÉ, 70 ANOS




O TEMPO PASSA, MAS PELÉ FICARÁ PARA SEMPRE

Falámos do jogador, do extraordinário jogador, que, durante 21 anos, no Santos, na Selecção do Brasil e, já no ocaso da carreira, no Cosmos de Nova York, inundou os relvados de alegria, magia e golos.
Não tem o menor interesse perguntar o que seria hoje Pelé, se jogasse agora. A história não tem “ses”. A vida de cada um de nós também não. Vivemos o tempo que a natureza nos destina e é nesse tempo que temos de provar quem somos.
Nunca na história do futebol, um extraordinário jogador ganhou tantos títulos como Pelé.
Três Campeonatos do Mundo, dez campeonatos paulistas, quatro campeonatos Rio-S.Paulo, duas Taças de Libertadores da América, duas Copas Intercontinentais, uma Recopa Sul-Americana, uma Recopa dos Campeões Intercontinentais, uma Liga Norte-Americana de Futebol.
Marcou 1284 golos em 1375 jogos; jogou 115 vezes pela selecção do Brasil; marcou 95 golos pela Selecção brasileira; marcou 127 golos na temporada de 1959; foi 11 vezes o melhor marcador do campeonato paulista.
Está tudo dito. Também não faz qualquer sentido dizer que Pelé nunca jogou na Europa, não tendo, portanto, sido submetido à dura prova do futebol europeu. No tempo de Pelé, isso não faz sentido. Os grandes jogadores brasileiros jogavam todos, ou quase todos, no Brasil. As equipas sul-americanas, nomeadamente as brasileiras, eram melhores do que as europeias. Só mais tarde, depois de Pelé se ter retirado, ou quando já estava na América do Norte, é que a tendência se inverteu. Os grandes jogadores sul-americanos passaram a jogar nas equipas europeias e as grandes equipas europeias passaram a ser indiscutivelmente superiores às latino-americanas. Pelo contrário, no tempo de Pelé, havia vários estrangeiros (bons) a jogar no Brasil.
E o que conta é o que Pelé fez no seu tempo e não o que Pelé faria hoje, porque isso é impossível saber-se.
Sabemos o que no seu tempo fizeram outros extraordinários jogadores…e todos lhe foram inferiores. E nem sequer sabemos o que poderiam ter sido esses jogadores se tivessem jogado na equipa do Santos ou na selecção do Brasil, pela simples razão de nunca lá terem estado…
Portanto, por mais que se goste de Maradona, de Zidane, de Cruyff, de Bekenbauer, de Eusébio, de Messi, nenhum deles ganhou os títulos que Pelé ganhou, nenhum deles marcou tanto golos como Pelé, nenhum deles – nem os contemporâneos, nem os pósteros – igualou Pelé.
Pelé é, muito justamente, o maior!

SINGULARIDADES DA JUSTIÇA NO PORTO





MAIS UM CASO

Não vale a pena fazer de conta que não sabemos: a justiça no Porto, em tudo quanto diga respeito a futebol, está sob suspeita. Podem assistir-lhe as melhores razões do mundo, mas depois daquilo que todos ouvimos e daquilo que a observação quotidiana nos ensinou, há razões para que a suspeita exista. E não é o alegado cumprimento das normas do Código Processo Penal que vai dissipar essa suspeita.
Ricardo Bexiga, vereador na Câmara de Gondomar, foi agredido por vários encapuzados no parque de estacionamento da Alfândega do Porto. Bexiga sempre criticou a promiscuidade entre o futebol e a política e era persona non grata dos meios dirigentes desportivos dominantes na cidade.
Carolina Salgado, depois de terminado o seu namoro com Pinto da Costa, acusou o Presidente do Porto de ter perpetrado o ataque a Bexiga e de ela própria ter feito os contactos e os pagamentos aos executantes do crime.
Em consequência da investigação foram constituídos arguidos Pinto da Costa, o chefe da claque do Porto, Superdragões, e Carolina Salgado.
Apesar de o processo ter sido integrado na investigação dos casos relacionados com o Apito Dourado, sob a direcção de Maria José Morgado, ele foi mais tarde arquivado pelo DIAP do Porto, por falta de provas!
Obviamente, que se as provas eram apenas testemunhais, se não havia (por culpa da polícia de investigação) vestígios de outra natureza que pudessem contribuir para identificar os executantes, os visados pela acusação de Carolina Salgado, bem como aqueles com quem ela diz ter contactado posteriormente (Lourenço Pinto) iriam naturalmente negar todas as suas afirmações, como não poderia deixar de ser.
Face a testemunhos de igual valor, o MP louvou-se nos do sr. Pinto da Costa, do chefe dos superdragões, do sr. Lourenço Pinto e ordenou o arquivamento do processo.
Mais tarde, em consequência deste resultado, Carolina Salgada foi acusada de difamação agravada…e foi ontem condenada a dez meses de prisão, convertidos em 300 dias de trabalho comunitário.
Moral da história: Carolina Salgada não tem credibilidade, nem honorabilidade de nenhuma espécie; a honorabilidade está toda do lado de Pinto da Costa e também da Justiça do Porto que trata do futebol, a qual, pelo facto, de ser justiça, está sempre acima de qualquer suspeita!
Segunda moral da história: na Palermo dos “bons velhos tempos” os traidores eram eliminados; no Porto, fazem “trabalho comunitário”.
Terceira moral da história: para que o trabalho comunitário não constitua um meio de propagação das “virtudes morais” de Carolina Salgado à comunidade, será de esperar que a entidade encarregada da execução da pena lhe arranje um trabalho isolado, sem contactos de qualquer espécie.
Quarta e derradeira moral da história: Ricardo Bexiga ficou com uma grande sova, um braço ao peito, dezassete pontos na cabeça (e teria ficado com muito mais se não fosse perito em artes marciais) e nós ficamos todos muito tranquilos porque Pinto da Costa e seus acólitos, neste caso e em todos os demais em que estiveram envolvidos no Apito Dourado, foram absolvidos em homenagem ao princípio “in dubio pro reo”, que também é um princípio fundador da personalidade de Pinto da Costa. Ou seja, está tudo bem, porque ficamos todos em casa….

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

BENFICA DIZ ADEUS À LIGA DOS CAMPEÕES




JORGE JESUS TEM MUITO QUE APRENDER

Com o resultado de ontem, em Lyon, o Benfica praticamente disse adeus à Champions League, mesmo que ganhe – e não vai ganhar – os três jogos que lhe faltam.
De facto, se o Lyon apenas ganhar ao Hapoel de Chipre ficará com 12 pontos e, seguramente, um goal average melhor que o do Benfica; se o Schalke 04 apenas perder com o Benfica ficará também com 12 pontos e, ao que tudo indica, com um goal average igualmente melhor que o do Benfica.
Portanto, mesmo na hipótese óptima, que não se confirmará, o Benfica não chegará lá…
E não chega porque não tem equipa para isso. Tão-pouco o treinador está à altura dos grandes desafios de uma Liga dos Campeões, quase sempre jogada ao mais alto nível.
Como ontem se viu, os jogadores falham muitos passes, a maior parte das vezes deixando a equipa em situação de risco. Depois, individualmente, com excepção de Coentrão – um fantástico jogador – todos os demais perdem no confronto directo com os de Lyon.
Poderia, todavia, o Benfica ter feito muito mais, se o treinador, por um lado, não insistisse em pôr a equipa a jogar como se lá tivesse Di Maria e Ramires; e, por outro lado, se tivesse compreendido a tempo e horas como joga o Lyon. A arrogância com que partiu para França – “Ganhar ao Lyon é perfeitamente normal” – foi-lhe fatal.
Com um meio campo muito frágil e deixando ao Lyon a possibilidade de atacar pelas alas, quase sempre em condições de um para um, pouco mais restava ao Benfica do que aguentar dentro da sua área o sufoco que o adversário lhe causava.
Depois da expulsão de Gaitan, Jesus deveria ter-se preocupado menos com o empate que, como se viu era uma miragem, e muito mais em não sofrer golos que, na melhor das hipóteses, lhe vão ser fatais nas contas finais.
Na próxima jornada é provável que tudo fique decidido: não parece que o Benfica tenha equipa para ganhar ao Lyon.
E, assim, o Benfica volta a desperdiçar a hipótese de fazer algo na grande Europa. Com excepção da época de Köeman, tem sido sempre a mesma desgraça.
Jesus que ponha os pés na terra, olhe para Mourinho (com muita humildade) e tente aprender algo com ele…

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

MOURINHO E RONALDO PÕEM CASTELA A SEUS PÉS












CONTRA A ARROGÂNCIA CASTELHANA A EFICIÊNCIA PORTUGUESA

Só quem acompanha de muito perto a imprensa madrilista pode fazer uma ideia da sobranceria com que Mourinho tem sido tratado pelos castelhanos. Mourinho tem estado à altura do desafio. Nunca se deixou vergar. Sempre respondeu com altivez e confiança. Nunca se identificou com Castela nem com as suas virtudes. Pelo contrário, sempre fez questão de realçar as suas, confiante e decidido na rota a prosseguir quaisquer que fossem as críticas.
Mesmo os que em Portugal não gostam do futebol de Mourinho ou nem sempre apreciam a sua arrogância, têm de se sentir orgulhosos por essa altivez e arrogância ser agora exibida, sem contemplações, na terra onde é menos apreciada.
A equipa não marcava golos, não fazia futebol bonito, enfim, Mourinho não percebia o que era o Madrid: o Real Madrid hegemónico de Franco e seus sequazes. Mourinho, sempre de fora, seguiu o seu caminho, indiferente à ideia que na realidade estava por detrás de todas as críticas: é o Madrid que molda o treinador e não o treinador que molda o Madrid!
Indiferente, Mourinho continua a ganhar, a jogar cada vez melhor, a marcar golos …e a falar na Liga inglesa como exemplo do que é o futebol. Serve aos espanhóis o que eles nunca conseguem tragar: as virtudes alheias, por mais óbvias que sejam.
Curiosamente, Ronaldo – quem diria – segue-lhe o exemplo. Mourinho protegeu-o e ensinou-o. Hoje já começa a ser outro jogador, sem perder nenhuma das qualidades que o fizeram famoso. Confia no seu trabalho e nos seus êxitos. A sua confiança já não advém do que pensam os adeptos, mas da estima em que é tido pelo treinador.
Ricardo Carvalho, eficientíssimo e discreto, ensina aos madrilistas como se joga no centro da defesa. Acabou a “maldição” dos centrais merengues.
Os três, com Mourinho ao lema, seguros da sua classe, olham com sobranceria para a arrogância castelhana.
Ainda hoje Cruyff reconhece que Mourinho é um grande treinador…mas nunca seria o treinador da sua equipa. Porquê? Porque não representa o clube.
É isso mesmo, Mourinho está de fora. Nunca, como em Madrid, tal atitude pode deixar de ser enaltecida pelos portugueses. Nunca, como em Madrid, tal atitude é apenas suportada pelo estado de necessidade em que o clube se encontra.
Todavia, na hora da partida pedir-lhe-ão para ficar…e muito provavelmente ele dirá não!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

GRANDE VITÓRIA DA SELECÇÃO


NEM PARECEM OS MESMOS

A selecção fez hoje um grande jogo contra a Dinamarca, a tal que no início da era Queiroz veio a Lisboa ganhar por 3 a 2. A selecção marcou por três vezes mas teve cerca de dez oportunidades de golo, coisa que com o treinador anterior praticamente não existia.
Toda a equipa esteve bem, apesar da infelicidade de Ricardo Carvalho, embora Nani acabe por sobressair ao marcar dois golos e oferecer o terceiro. Mas também Coentrão voltou a encher o campo e Ronaldo, menos egoísta, poderia ter marcado mais vezes não fora a excelente exibição do guarda-redes dinamarquês.
A linha média que hoje alinhou é superior às que nos últimos dois anos jogaram na selecção e a defesa, com esta configuração, também é melhor do que a anterior.
Depois da terceira vitória consecutiva da Noruega, a equipa portuguesa vai ter que continuar a fazer muito pela vida e esperar que alguma coisa corra mal aos noruegueses.
Paulo Bento entrou com o pé direito e se mantiver a independência de escolha deve continuar a merecer a confiança dos adeptos. De facto, a selecção com Queiroz era um pesadelo…

O FCP E AS ESCUTAS



ELES NÃO QUEREM QUE SE FALE NAQUILO QUE TODOS SABEM!

As escutas que no fim da última semana foram divulgadas pelo You Tube demonstram à saciedade que a corrupção não existe apenas no futebol mas também noutros domínios onde era suposto lutar contra ela.
As escutas não têm nada de novo…a não ser poderem ser ouvidas. Toda a gente percebe que o que nestes últimos trinta anos não foi escutado é muitíssimo mais grave do que aquilo a que agora se teve acesso.
Existe no futebol português um esquema mafioso cujos tentáculos abrangem muita gente e inibem ainda muita mais.
Não são apenas os árbitros que se prestam aos mais repugnantes papéis. As escutas que têm vindo a público não deixam margem para dúvidas de que não há condições de imparcialidade judicial em certas áreas geográficas do país. Na ausência de juízes corajosos que estejam, tal como estiveram muitos juízes italianos nos processos contra a Mafia, dispostos a arrostar com as consequências de um julgamento justo, só há uma forma de resolver o assunto: é julgar esses casos noutros tribunais situados noutras áreas geográficas menos sujeitas às pressões dos “batoteiros”.
O que se passou esta semana com Rui Moreira no programa Trio de Ataque é bem elucidativo do que está acontecer. Eles não querem que se fale no que aconteceu, apesar de se tratar de factos notórios, do conhecimento geral. Armam-se em vítimas e falam em “autos de fé”, como se exposição dos factos pelos próprios intervenientes, livremente, sem qualquer tipo de coacção, pudesse de perto ou de longe equiparar-se a um auto de fé.
Como de costume, o representante do Sporting sente-se chocado…porque o que é privado, privado se deve manter, nomeadamente as vigarices.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O BENFICA ENTRE AS DERROTAS E AS VITÓRIAS



O BRAGA MAIS LONGE DA ÉPOCA PASSADA

Apesar de ter sido um jogo interessante, o Benfica-Braga de ontem esteve muito longe da emoção que rodeou o jogo do ano passado. No último campeonato, o Benfica e o Braga eram inequivocamente as melhores equipas em prova e toda gente sabia que se o Benfica não ganhasse aquele jogo dificilmente seria campeão.
Este ano, pelo contrário, a derrota de um dos dois implicava o afastamento definitivo do derrotado da luta pelo título (mesmo sem se saber ainda o resultado do Porto) e o empate teria consequências funestas para ambos.
Na verdade, tanto o Benfica como o Braga estão longe do brilhantismo da época passada. O Benfica já leva cinco derrotas em jogos oficiais (o ano passado só perdeu seis vezes em todas as competições) e outras tantas vitórias. O Braga com duas derrotas e dois empates no campeonato e com três derrotas na Liga dos Campeões também está muito longe de repetir a época passada.
No jogo de hoje o Benfica dispôs de mais oportunidades, embora não fossem muitas, mas o seu domínio nunca foi inequívoca. Percebia-se que se o Braga marcasse primeiro sairia da Luz com a vitória. Uma boa jogada e um grande golo de Carlos Martins arrumaram a questão.
Todavia, a vitória não dá para embandeirar em arco. O Benfica continua sob observação em todas as frentes…

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

BENFICA: A CRUA REALIDADE



PERDEU E VAI PERDER MAIS VEZES

O Benfica foi hoje na Alemanha, contra o último classificado da Bundesliga, embora com alguns bons jogadores, a equipa que realmente é: uma equipa que comete erros defensivos individuais graves, que revela uma completa inoperância atacante, que é frequentemente ineficaz nas transições ofensivas, que tem falta de criatividade a meio do campo e, principalmente, pouca velocidade.
Para este somatório de defeitos concorrem vários factores. Começando pelos jogadores: Cardozo não joga, Saviola está uma sombra do que foi a época passada, Fábio Coentrão, sendo, juntamente com Luisão, o jogador maias regular, vale metade a médio ala do que valeria a lateral esquerdo, David Luiz está completamente desconcentrado e Javi Garcia precisa de alguém que o ajude e o dobre, antes dos centrais, quando a equipa adversária contra-ataca.
Claro que Jesus tem responsabilidade nisto. O seu mérito está em ter posto a jogar no sistema mais eficiente os jogadores de que dispunha o ano passado. Este ano, sabendo que ia perder jogadores importantes, não tratou de os substituir por alguém com as mesmas características. Alguns até podem vir a revelar-se, mas quem joga a Liga dos Campeões precisa dos jogadores para essa competição e não para daqui a vários anos. E, contrariamente à sua tese - quem está mal deve continuar a jogar até estar bem - já deveria ter sentado Cardozo no banco, bem como David Luiz e, uma ou outra vez, Saviola.
Domingo, o Benfica joga a época: se perder ou empatar fica sem qualquer hipótese na Liga, e não só. Aliás, as três recentes vitórias do Benfica são enganadoras. O Apoel de Telavive é uma equipa do meio da tabela da Liga portuguesa; o Sporting não joga nada e estaria mais ou menos a par do Marítimo se não fossem os favores (ou os erros, como se queira) da arbitragem; e o Marítimo é o último do campeonato ou um dos últimos. E até o Setúbal que está melhor do que qualquer um destes jogou macio na Luz, quase como quem já entra derrotado.
Com as equipas que vão à sua frente na tabela, o Benfica perdeu com todas, excepto com o Braga com o qual só jogará domingo. E também perdeu com o Nacional que tem quase os mesmos pontos do Benfica. Portanto, este Benfica é uma sombra daquele que o ano passado ganhou o campeonato. E mesmo que melhore alguma coisa, melhorará sempre pouco!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

MOURINHO A PENTE FINO



A PRESSÃO EM MADRID

Os madrilistas e o seu fanatismo clubístico, apenas comparável ao execrável nacionalismo chauvinista dos espanhóis, ainda não têm ideias seguras sobre como lidar com Mourinho. Por um lado, contestam-lhe o futebol, que está longe de merecer a nota artística do do Barcelona, lamentam a falta de golos e sentem-se impotentes para o influenciar como nas últimas décadas tem acontecido com todos os treinadores que por lá tem passado. Por outro lado, gostam das vitórias, mesmo que pela diferença mínima, apreciam que a equipa não sofre golos e têm uma secreta esperança de que a “estrela” ganhadora de Mourinho acabe também por brilhar em Madrid, mesmo com um futebol que os não satisfaz.
Depois é muito mais fácil exacerbar a crítica relativamente a um estrangeiro, nomeadamente se ele é um português. Se fosse alemão e tivesse o curriculum de Mourinho passariam o tempo a bajulá-lo. Com Mourinho passam o tempo a esquadrinhar os jogos que leva à frente do Real Madrid comparando, ponto por ponto, a actuação da equipa este ano com a do ano passado, de Pellegrini. Quantos ataques fez o Real este ano e o ano passado, quantos passes, quantos remates, quantos golos, quantos pontos, enfim, tudo o que possa ser comparado com a mais completa indiferença de Mourinho, que não entra no jogo da imprensa e não dá qualquer importância aos números que os jornais vão apresentando.
Hoje, mais uma vez, o Real Madrid não sofreu golos, marcou um e ganhou. Teve alguma sorte. Também isso é normal. Mourinho não é homem de azares.

O BRAGA JÁ ENCAIXOU NOVE!




E AGORA DE QUEM SE QUEIXA DOMINGOS PACIÊNCIA?

Levar nove a zero em dois jogos da Liga dos Campeões não é título que se recomende para qualquer treinador. De facto, o descalabro não poderia ser maior e o treinador do Braga, à semelhança do que já tinha acontecido o ano passado, demonstra que é um treinador doméstico sem capacidade para enfrentar os grandes embates europeus. Outras equipas portuguesas têm demonstrado dificuldades nas provas europeias, mas ser goleado por nove a zero em dois jogos parece ser um record que somente o Sporting conseguiu bater nos jogos com o Bayern de Munique.
O treinador do Braga, também contrariamente ao que acontece cá dentro, não tem de que se queixar, a não ser de ele próprio. Não pode acolher-se à protecção da casa-mãe (dele e do presidente do Braga, não do Braga) e pedir ajuda no combate contra os “sarracenos”, não pode inventar, como se fossem doutrem, os “túneis” que ele próprio criou, tem de ficar com os nove que já leva …e digeri-los.
É lamentável pelo Braga e pelos bracarenses que tal coisa lhes esteja a acontecer, mas pode ser que semelhantes desaires sirvam de profilaxia ao seu treinador. Já pouco falta para todos ficarmos a saber se aprendeu alguma coisa com estes dois resultados…

domingo, 26 de setembro de 2010

BENFICA FALHOU MUITO




A EQUIPA VAI-SE RENCONTRANDO

O Benfica fez um jogo interessante nos Barreiros, mas sofreu desnecessariamente por ter falhado muitas oportunidades. Cardozo, que no domingo passado marcou, mas já havia falhado muito, voltou a falhar ainda mais. À sua conta perdeu três golos feitos; Saviola poderia ter marcado dois e o árbitro, mais uma vez, escandalosamente, perdoou uma grande penalidade, cometida por dois jogadores do Marítimo, sobre Saviola.
O Marítimo, porém, nunca se entregou: empatado e a perder por um zero, poderia ter marcado por duas vezes, além de ter havido um lance duvidoso na área do Benfica.
Roberto, contra todas as expectativas, vai-se afirmando. Esteve muito bem. Repartiu com Coentrão o título de melhor em campo. Mas Carlos Martins também jogou bem, assim como Saviola que, para ter sido perfeito, só lhe faltou marcar.
Como o Porto ganhou e o Braga também, o Benfica não recuperou pontos relativamente aos seus dois principais adversários.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PAULO BENTO SELECCIONADOR



A GRANDE INCÓGNITA

Foi recebida com alívio pela generalidade da comunicação social e do público desportivo, em geral, a designação de Paulo Bento como seleccionador nacional.
Paulo Bento tem à sua frente uma tarefa muito difícil: qualificar a selecção portuguesa para o Euro 2012.
E a tarefa é difícil, em primeiro lugar, porque a Federação é um lugar muito pouco recomendável. A sua primeira prestação e, simultaneamente, avaliação, dirá respeito ao modo como com ela se relacionar e ao grau de independência com que for capaz de agir. Vai ser difícil…
Depois, a tarefa continua sendo difícil, porque Paulo Bento, diga-se o que se disser, é um técnico com pouca experiência. Tendo feito um bom trabalho no Sporting, a tarefa que agora o espera nada tem a ver com a sua anterior situação. No Sporting, Paulo Bento, com um lote limitado de jogadores, em número e em qualidade, alcançou feitos notáveis (como se está ver). Na selecção ele vai ter, até em excesso, o que no Sporting lhe faltava, e o que lhe vai escassear é a sua experiência. A experiência de lidar com jogadores que jogam nas melhores equipas do mundo e que, pela sua já longa experiência, imediatamente detectam as fragilidades de quem os treina.
Isto não significa que Paulo Bento não seja capaz de fazer o que dele se espera. Significa apenas que Paulo Bento é, em certa medida, uma incógnita que ele próprio terá por missão desvendar.

AINDA A DELIBERAÇÃO DOS ÓRGÃOS SOCIAIS DO BENFICA


O BOICOTE AOS JOGOS FORA

Depois do jogo do Benfica com o Vitória, em Guimarães, os órgãos sociais do Benfica deliberaram protestar contra a arbitragem de Olegário Benquerença, pedir à direcção que suspenda as negociações com a TV Sport e apelar aos sócios e simpatizantes do Benfica para que apenas assistam aos jogos do clube no Estádio da Luz.
No que respeita ao protesto sobre a arbitragem, pode dizer-se que a iniciativa dos órgãos sociais foi, em princípio, bem sucedida, já que Vítor Pereira, Presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, veio, num gesto pouco usual, comentar várias passagens de diversos jogos, entre eles o de Guimarães, dando razão às queixas do Benfica.
Se relativamente ao aconteceu de nada serve o reconhecimento do erro, já quanto ao que pode acontecer no futuro o gesto se revela de grande utilidade porque constitui uma séria advertência aos árbitros que erram por encomenda.
As demais matérias tratadas já a dita deliberação deixam muito a desejar ou são mesmo de todo inconsistentes.
Não interessa suspender as negociações para as transmissões televisivas, o que interessa é fazer um bom contrato e assegurar um tratamento imparcial por parte dos comentadores. A questão tal como foi decidida tem todo o ar de protecção de outros interesses defendidos por pessoas que participam nos órgãos sociais do Benfica. Ora, os órgãos sociais do Benfica não devem servir para fazer fretes, mas para assegurar a defesa dos interesses do clube.
A terceira deliberação – a do boicote aos jogos fora – é completamente descabida e só pode mesmo ter sido tomada por pessoas que não sabem o que é o Benfica. Pois se a grandeza do clube está na grande massa de adeptos que consegue mobilizar, em todo o mundo, fora do Estádio da Luz, pedir aos sócios e simpatizantes que deixem de acompanhar o Benfica é o mesmo que pedir-lhes que deixem de entender o Benfica tal qual ele é. Aliás, tal deliberação só pode mesmo ter sido tomada por gente muito limitada dos subúrbios de Lisboa. Gente que confunde o Benfica com a Damaia ou a Reboleira!
Por isso, impõe-se que os simpatizantes do Benfica no país e no estrangeiro continuem a acompanhar o clube fazendo da sua massiva presença nos estádios um atestado de incompetência e de estupidez passado a quem votou semelhante deliberação.
Todos aos Barreiros, no domingo, já!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

BENFICA REDIMIDO?




PODERIA TER SIDO UMA GOLEADA

Qual das três teses está correcta? A de Jesus? A dos críticos? Ou a dos que, como Mozer e o Autor deste blog, imputam a um certo desinteresse dos alguns jogadores o mau início de época do Benfica?

Jorge Jesus insiste num começo de época atribulado com os jogadores a chegar aos “bochecchos” como causa primeira dos vários desaires do Benfica. Os críticos acham que Jorge Jesus quer jogar da mesma maneira que jogava o ano passado sem os mesmos intérpretes. Mas há também quem entenda que alguns dos jogadores basilares da época passada demonstraram este ano uma muito menor entrega o jogo, casos de Luisão, David Luiz e Cardozo, por não terem sido transferidos como desejariam.

Provavelmente há um fundo de verdade em todas elas. De facto, Jesus não mudou o sistema de jogo, apesar de não contar com Di Maria nem com Ramires, e manifestamente não tern a equipa quem os substitua à esquerda nem à direita. Talvez puxando à frente Fábio Coentrão possa resolver parte do problema.

Também é verdade que os jogadores que estiveram no Mundial foram chegando durante a pré-época em ocasiões distintas , não iniciando nenhum deles a preparação na mesma altura dos demais (os que não foram à África do Sul). E é também verdade que há (tem havido) jogadores em baixa de forma física, como é o caso de Maxi e Cardozo. Mas também é verdade que há jogadores que foram ao Mundial (Coentrão e Ruben Amorim) em excelente forma física.

É certo igualmente que David Luiz tem cometido muitos erros e que Cardozo tem parecido aos adeptos e ao público em geral bastante “molengão”.

Todavia, com duas vitórias consecutivas, as coisa parecem estar a mudar. Principalmente hoje, o Benfica já teve períodos muito semelhantes aos do ano passado, tendo-se o Sporting livrado, por muito pouco, de ter saído da Luz com uma goleada. Houve uma subida de forma física de alguns jogadores e já houve várias jogadas como as do ano passado. Do ponto de vista defensivo, a equipa também esteve muito bem.

Outro aspecto que os críticos e os comentadores profissionais tem deixado passar em claro é que este ano o Benfica tem menos posse de bola, havendo já alguns jogos oficiais com menos posse de bola do que o seu adversário. Ora, este índice, se se mantiver, significa que, afinal, o Benfica não está a jogar do mesmo modo do ano passado. E atenção: menos possse de bola não significa jogar pior, nem ter menos hipóteses de ganhar. Hoje, por exemplo, foi um dos jogos mais conseguidos do Benfica, e a equipa teve menos posse de bola do que o Sporting.

A prova real só virá, contudo, daqui a algumas semanas, com a realização de amis alguns jogos, já que nem o Sporting, nem o Apoel de Televive são suficientemente fortes para permitir tirar conclusões.



domingo, 12 de setembro de 2010

POR QUE NÃO GANHA O BENFICA?


DONDE VEM A APATIA?

Sabe-se que o Benfica tem sido prejudicado pelas arbitragens. Olegário Benquerença fez uma arbitragem vergonhosa em Guimarães. Não é a primeira, nem será a última, ainda por cima com o beneplácito da UEFA.
Sabe-se que contra a Académica também ficaram por marcar duas grandes penalidades, salvo erro na mesma jogada.
Mas sabe-se também que a Académica jogou melhor do que o Benfica e que o Guimarães dispôs de facilidades impensáveis na área de um candidato ao título. Ninguém pode ser campeão a defender assim.
O Benfica deixou de saber defender e deixou de saber atacar. Jorge Jesus disse o ano passado que os erros da defesa eram imputáveis ao treinador em 60% e em 40% aos jogadores; e que os erros do ataque eram da responsabilidade dos jogadores em 60% e do treinador em 40%. Como o Benfica desaprendeu de atacar e de defender, a responsabilidade pelo que se passa cabe ao treinador, no conjunto, em 50%.
Jorge Jesus nunca tinha treinado, antes de ir para o Benfica, uma equipa com vedetas. Por isso não percebeu que, no fim de uma época recheada de êxitos e de boas exibições, os jogadores mais valorizados queriam tirar um proveito pessoal dessa valorização. Ficando no Benfica, mesmo com bons ordenados, estavam muitos furos abaixo daquilo que poderiam ganhar num clube das “ligas ricas”.
E por muito que se fale de profissionalismo, a atitude deles não é mesma, quando são obrigados a ficar. Esta é a primeira razão da falência do Benfica.
A segunda tem inequivocamente a ver com o guarda-redes. O Benfica não tem guarda-redes, como já se viu e se continuará a ver. Roberto não tem escola, nem estilo de guarda-redes. Parece que está a jogar na baliza pela primeira vez. Nenhuma equipa do mundo pode jogar sem guarda-redes!
O estado de espírito existente na equipa, além de se propagar aos sócios e simpatizantes, propaga-se ao próprio treinador. Que semelhança há entre este treinador e o do ano passado? O treinador não vibra, não ordena, não “ralha”, não tem rasgos tácticos, enfim, também ele está abúlico. Será que Jesus é um treinador de um só ano ou está sendo contagiado pela equipa? Jesus é um daqueles raros casos que piora com o tempo.
Finalmente, o presidente do Benfica não percebe nada de futebol, é autocrático, está – como não podia deixar de ser – mal acompanhado e, por isso, não foi capaz de antecipar o que se iria passar.
Se houver um grande fracasso na Liga dos Campeões, o Benfica corre riscos que vão muito para além dos resultados das competições desportivas…

sábado, 11 de setembro de 2010

BENFICA PIOR DO QUE A SELECÇÃO



TRÊS DERROTAS EM QUATRO JOGOS

É evidente que O Benfica foi prejudicado. Não é bem assim. O prejuízo não pressupõe culpa. Em Guimarães o Benfica foi roubado. Roubado por um árbitro que, entre muitas outras façanhas, já tirou um golo de dentro da baliza do Porto, marcado por Petit, e defendido por Victor Baía um bom meio metro dentro da linha de golo, e colocou Mourinho e o Inter na final da Champions League com uma arbitragem incrivelmente tendenciosa em San Siro, contra o Barcelona. Portanto, Olegário Benquerença não é um árbitro sério. Isso já se sabia. Embora hoje tenha exagerado: dois penalties por marcar e dois off sides inexistentes com os respectivos jogadores isolados. Além disso, cartões inacreditáveis com o claro propósito de condicionar a equipa.
O que se passou demonstra também que a natureza autocrática do poder que governa o Benfica não lhe serve. Vieira, autocrático e suburbano – e não há nada pior do que um ditador suburbano – apoiou Fernando Gomes para a Liga, quando toda a gente sabia e sabe que não no FCP ninguém imparcial. Fernando Gomes com o que já se passou nesta Liga até já fez esquecer Adriano Pinto. Vieira não apresentou nenhuma justificação para o fazer, como também mais tarde para defender Queiroz, tendo-se limitado a dizer: “Os benfiquistas têm de perceber que eu sei o que estou a fazer”. Descontando o analfabetismo de uma pessoa que assim se justifica, o que resta desta sua declaração é o total desprezo pelos sócios e simpatizantes do Benfica. Vieira, como sempre dissemos, está a mais no Benfica. O Benfica não é clube para gente como Vieira!
Independentemente de tudo o que está dito, a verdade é que o Benfica do ano passado teria ganho ao Guimarães e à equipa de arbitragem. A equipa deste ano não consegue. Não consegue, antes de mais, porque não tem guarda-redes, mas também porque Cardozo não joga! Mas há mais: David Luiz comete erros sobre erros e não é o mesmo jogador dos outros anos. É óbvio que está contrariado. Deveria ter sido vendido. A forma como entrou no lance do segundo golo não é digna de um jogador da selecção do Brasil.
Com três jogadores a menos, com Maxi ainda muito condicionado pelo extraordinário esforço feito no Mundial, o Benfica não tem alma. Jorge Jesus tem de mexer na equipa: substituir Roberto, pôr David Luiz no banco e deixar de fora Cardozo.
Por mais de uma vez, a bola circulou pelo ar em frente da baliza do Benfica com toda a facilidade, como se de um jogo de voleibol se tratasse. Isto não pode acontecer.
No fim do jogo, Vieira insurgiu-se contra a arbitragem – e muito justamente -, tendo culpado Vítor Pereira. Pereira pode ser culpado, mas já lá estava. Se há coisas novas na arbitragem, a imputação tem de ser feita a quem chegou de novo. E quem chegou de novo foi o presidente da Liga, que Vieira apoiou!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A RTP É MUITO "PLURALISTA"



VIVA A DEMOCRACIA ...

Na RTP 1, na segunda-feira, a Sra Campos Ferreira faz um programa sobre a Casa Pia para levar lá o Carlos Cruz, na quinta seguinte a Sra Judite de Sousa, outra conhecida “democrata”,leva lá o mesmo Carlos Cruz para continuar a sua campanha de absolvição mediática, depois de numa das últimas semanas ter levado o Duarte Lima…Tudo gente recomendável. Na RTP N o Secretário de Estado do Desporto é diariamente injuriado pelos comentadores pró-Queiroz, sem que o espectador tenha sequer direito a ouvir um critico do ex-seleccionador. Atitude que já vem desde o Campeonato do Mundo
O que temos é o Sr. António Simões a destilar o seu "ódio de estimação" a quem lhe retirou de lá o Queiroz. Viva a democracia do Sr. António Simões, conhecido defensor do salazarismo, critico da democracia e mui chegado à direita.
De facto, o que se passa na RTP é uma vergonha. O Simões ficou sem o taxo, o Carvalhal está com medo de perder o taxo que lhe arranjaram como comentador e o Sr. Lobo está apaixonado pelo projecto do “Queiroz” – o tal projecto que ele trocou por umas férias em Moçambique, quando foi solicitada a sua presença junto da equipa que estava a disputar uma prova dos sub-qualquer coisa!
E ainda falavam da Moura Guedes. Ao pé destes senhores, ela é uma “menina de coro de igreja”.

EM NOME DE QUEM FALA LF VIEIRA?


QUE INTERESSES DEFENDE VIEIRA?

Não se pode dizer que tenha causado uma grande surpresa a entrevista de LFV, presidente do Benfica, na SIC, quando afirmou que o grande responsável pelo que se passa com a selecção é o Secretário de estado do Desporto. Depois do apoio que já tinha publicamente prestado a Queiroz tudo era expectável.
Em primeiro lugar, é espantoso que o presidente do Benfica não compreenda as vantagens que decorrem para o futebol português, logo para o Benfica, de uma selecção comandada por um seleccionador independente. Um seleccionador que não esteja na selecção para fazer fretes aos clubes, aos empresários, mas antes para seguir uma linha de independência que apenas tenha por objectivo a grandeza da selecção.
Depois, Filipe Vieira não percebe que Queiroz é um homem de Pinto da Costa e que a Pinto da Costa, em matéria de futebol, apenas lhe interessa o FCP. Tudo o resto é secundário e instrumental. Se tiver de sacrificar os interesses da selecção ao FCP não hesitará, nem um minuto, em fazê-lo.
Vieira já cometeu o grave erro de colocar na Liga ou de apoiar a ida para a Liga de uma personalidade cimeira do FCP que, independentemente das suas desavenças com Pinto da Costa, apenas está interessada no seu clube e no regresso a ele num lugar cimeiro.
Causa também estranheza que tendo andado Vieira a servir de caudatário do PS em múltiplas ocasiões apareça agora a atacar o Secretário de Estado de um governo PS que apenas se limitou a cumprir a lei. Será que lhe “cheira” a mudança de poder?
Vieira é um pequeno ditador, autoritário, inculto que não respeita nem representa o sentimento da generalidade dos benfiquistas sobre esta matéria, ou seja, sobre a continuidade do seleccionador e da gente que está à frente da Federação.
Continuam, porém, pouco claras as razões que levam Vieira a defender pontos de vista totalmente contrários aos defendidos pela generalidade dos benfiquistas, daqueles a quem apenas interessa a “saúde” da selecção. Que interesses movem Vieira? Essa a questão.
Ainda a propósito da entrevista de ontem: uma previsão arriscada. Não se chegará ao Natal sem que Vieira entre em conflito com Jesus. Trata-se de uma previsão, mas não há dúvida de que há sinais muito ténues que apontam nesse sentido…

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

PORTUGAL QUASE FORA DO EURO 2012



O QUE FAZ CORRER QUEIROZ?

Já se sabia há muito que Queiroz não era o homem indicado para substituir Scolari. Todas as pessoas minimamente interessadas pelo futebol sabiam isto. Por maioria de razão deveriam também sabê-lo aqueles que fazem do futebol a sua profissão, nomeadamente os dirigentes da FPF.
Então, por que foi escolhido Queiroz? Não pode haver muitas dúvidas a esse respeito: Queiroz foi escolhido com base em interesses que nada têm a ver com os da selecção. São interesses de outra ordem, que o grande patrão do futebol português saberá explicar melhor do que ninguém. Queiroz serve a estratégia daqueles que não aceitam um seleccionador independente, bem como daqueles empresários que precisam da selecção para potenciar os seus negócios, maximizar os lucros e reforçar a sua influência junto de terceiros.
Escolhido Queiroz por se enquadrar no perfil de quem utiliza a selecção como mais um elemento da sua política de hegemonia, outra dúvida não menos relevante se levanta: por que razão celebrou Madail com ele um contrato de quatro anos, a preços milionários e com objectivos mínimos principescamente pagos? Não saberia Madail, há tanto tempo no futebol, que não há nada mais volúvel do que a situação de um treinador? Certamente sabia. Então, por que fez um contrato por quatro anos? Como nestas matérias não há ingenuidades, um contrato de “média-longa duração”, numa área tão insegura como é a de seleccionador nacional, só pode justificar-se por haver uma reciprocidade de interesses pouco compreensível para a generalidade das pessoas.
Depois do Mundial a sorte de Queiroz estava traçada em função da prestação da equipa e dos resultados desportivos. Madail, porém, nada fez. Mas Queiroz encarregou-se – felizmente – de o substituir. Perturbou o controlo anti-doping e expôs às sanções legais. Sanção que o Conselho de Disciplina da FPF quis atenuar para além dos domínios do logicamente possível. Sabe-se agora que dos quatro depoimentos que constavam dos autos sobre o comportamento de seleccionador, o CD deu preferência ao de Queiroz contra os outros três coincidentes entre si. Por aqui já se percebe que tipo de CD vamos ter na Liga…
Daí que o Estado, que não abdicou, a favor da auto-regulamentação, do seu poder fiscalizador e sancionatório em matéria de controlo anti-doping, tenha, legitimamente, avocado o processo e exercido o poder sancionatório que a lei lhe confere. Pode Queiroz chamar-lhe “justiça governamental” ou outra coisa qualquer que nem por isso tal poder deixa de ser perfeitamente legal e idêntico a tantos outros exercidos pelos poderes púbicos. Se Queiroz não está contente com a decisão, faça o que qualquer outro cidadão faz quando não concorda com as decisões da Administração: recorre delas para o tribunal competente e impugna o acto!
Apesar de haver razões mais do que suficientes para despedir Queiroz, Madail, certamente obedecendo aos tais poderes que dominam o futebol e indiferente aos resultados da selecção, quer manter o seleccionador. Qualquer que venha a ser a decisão da próxima quinta-feira, o pior já está feito. A selecção perdeu 5 pontos em dois jogos e está praticamente arredada da fase final do próximo Europeu. Uma vergonha!
Queiroz, por seu turno, indiferente à sorte desportiva da selecção e cuidando apenas dos seus imediatos interesses bem como dos de quem o lá pôs – ou seja, com as “costas quentes” – quer ficar a qualquer preço numa demonstração de carácter que dispensa qualquer comentário.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

SELECÇÃO: O GRANDE EQUÍVOCO



LIMPEZA, EXIGE-SE!
Está muita gente a mais na selecção: a direcção da Federação, a equipa técnica e alguns jogadores.
O que hoje aconteceu contra Chipre não constituiu uma surpresa. O “caso Queiroz”, que a FPF já se revelou incapaz de resolver, acabou por se impor. Apesar de punido pela Autoridade anti-dopagem e de processado pela própria Federação, Queiroz mantém-se à frente da selecção. Porquê? Porque há na Federação quem esteja empenhado em que ele lá fique. Porquê? Não, seguramente no interesse do futebol português...
Hoje, a equipa sofreu quatro golos de uma modesta equipa e marcou outros tantos. Agostinho Oliveira, subalterno de Queiroz, considera extremamente positiva a produção atacante da equipa portuguesa, apenas obscurecida pelos erros defensivos “da parte de trás” da equipa.
Este é o primeiro grande equívoco da noite de hoje. Portugal teve uma muito vasta produção atacante, embora relativamente ineficaz, contra Chipre, exactamente por Chipre ser um adversário fraco. Não há grande mérito no domínio ofensivo português. O que há é muito demérito no seu jogo defensivo.
O segundo equívoco decorre de se supor que os erros apenas são imputáveis à “parte de trás” da equipa. Isso era dantes. Hoje, quem ataca e quem defende é a equipa.
Finalmente, prova de que há muita gente a mais na selecção é a própria convocatória e a composição da equipa...que tem, como não podia deixar de ser, por detrás a “mão incompetente” de Queiroz.
Como todos estes assuntos deveriam ter sido tratados em Agosto – e não foram – vão ter de ser tratados, porventura já com prejuízos irreparáveis, em Outubro!

domingo, 29 de agosto de 2010

NOTAS DA JORNADA AINDA INCOMPLETA


O QUE SOBRESSAI

Para começar, o que sobressai é a vitória do Guimarães na Madeira, ao Nacional, por 3-1. Com um jogador brasileiro vindo quase de véspera, que pouca gente, por cá, conhecerá, provavelmente comprado por pouco dinheiro, o Guimarães viu o recém-chegado Toscano - assim se chama a vedeta vimaranense – marcar três golos.
Outros fartam-se de procurar no Brasil e não encontram nada de jeito, a não ser por muito dinheiro e, mesmo assim, sempre aquém das expectativas.
A Académica, ultimamente tão competitiva na Luz, ficou-se pela derrota em Aveiro, frente ao Beira-Mar.
Talvez seja importante sublinhar que no jogo da Luz ninguém do Benfica contestou a grande penalidade. É óbvio que a penalidade não tem discussão, mas o que é de assinalar é ela ser marcada na casa de uma grande equipa com a mesma tranquilidade com teria sido marcada a uma equipa que luta para não descer.
Não se passam assim as coisas em todos os estádios e, em alguns deles, os árbitros, em condições semelhantes, nem sequer o penalty marcam para não terem de expulsar o guarda-redes. Ninguém se esquece daquele guarda-redes que tinha “autorização” para jogar a bola com a mão fora da área e que, fizesse o que fizesse dentro da área, nunca era penalty.
Mourinho, em Espanha, continua arrogante e com uma conversa que às vezes até parece importada daqui. Diz que o Barcelona só joga com onze e que muitas vezes joga contra dez. E também se insurge por o campeonato ficar para do 15 dias e ele só ter quatro jogadores para trabalhar.
O que quer Mourinho? Que os jogadores que agridem os craques do Barça continuem em campo? E quer também, em matéria de selecções, um regime de excepção para o Real Madrid?

A VITÓRIA DO BENFICA


O QUE AINDA FALTA

O Benfica começou bem o jogo de ontem à noite, no melhor estilo da época passada. Jogada pelo lado esquerdo entre Coentrão e Gaitan, cruzamento deste e o apagado Cardozo, no lugar certo, fez o golo, ainda não tinham decorrido cinco minutos de jogo.
Pouco depois, desentendimento entre Maxi Pereira e Júlio César, a jogar em vez de Roberto, e penalty a favor do Setúbal, com a consequente expulsão do guarda-redes, muito culpado no lance, por não se ter desenvencilhado imediatamente da bola.
Entra Roberto para o lugar de Júlio César e sai Sálvio. Hugo Leal marca a grande penalidade e Roberto defende, atirando-se para o lado certo. Estava restabelecida a confiança.
O Setúbal, apesar de jogar com mais um, nunca incomodou verdadeiramente o Benfica, que, muito perto do intervalo fez o 2-0, em corner de Aimar e boa cabeçada de Luisão.
No segundo tempo o jogo prosseguiu no mesmo ritmo, lento, apenas um pouquinho mais rápido quando o Benfica atacava. Em mais uma boa jogada pela esquerda, Gaitan volta a cruzar, o guarda-redes defende e Aimar, na recarga, faz o golo. De permeio, ainda uma ou duas razoáveis defesas de Roberto e mais uma saída em falso, desta vez sem consequências.
No fim do jogo, os benfiquistas estavam contentes, tinham ganho pela primeira vez e não sofreram golos. Mas nem tudo está bem e o Setúbal também não foi a equipa ideal para testar o Benfica neste momento.
Pode, porém, dizer-se que o problema da ala esquerda está aparentemente resolvido e bem. Com Coentrão atrás e Gaitan à frente, o Benfica deste ano vai ter uma asa esquerda de grande nível, quase igual à do ano passado. Do lado direito, ainda não deu para ver: Maxi continua fisicamente abaixo das suas capacidades – o que é normal, dado o atraso com que começou – e Sálvio jogou tão pouco que não deu para ver o que vale.
No meio campo há melhorias indiscutíveis em Xavi Garcia e em Aimar, em grande forma. Na defesa, David Luiz continua muito “solto” para o bem e para o mal e Luisão, nunca comprometendo, também não está ainda a cem por cento. Não será, todavia, pela linha defensiva, igual à do ano passado, que o Benfica claudicará. O mesmo se não diga do guarda-redes, onde a insegurança vai continuar. Júlio César, como se viu o ano passado, também tem grandes fragilidades, ontem confirmadas mais uma vez.
Na frente é que as coisas não vão bem. Cardozo está ainda mais apático do que era hábito e, pior do que tudo, Saviola tarda em aparecer. E sabe-se como Saviola foi, no ano passado, fundamental.
Martins e Amorim estão ao seu nível, sendo jogadores com que sempre se pode contar.
Em conclusão: a dinâmica da equipa ainda não se assemelha à época passada, mas já está melhor do que nos primeiros jogos. É porém ainda cedo para se dizer se o progresso vai continuar. Para isso será necessário outra movimentação e eficácia da linha vançada, o que ontem ainda não aconteceu.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

GRANDE SPORTING DE BRAGA


BRAGA ARRASA SEVILHA

Tal como aqui se tinha há previsto, o Braga apurou-se para a fase de grupos da Champions League, vencendo o Sevilha em Sanchez Pizjuan por 4-3. Esta vitória, obtida na capital andaluza, constitui um resultado que ficará para sempre na história do clube.
Mais uma vez o Braga demonstrou possuir um futebol maduro e sério, de excelente qualidade, que não se intimida qualquer que seja o adversário.
O Braga vendeu jogadores que se notabilizaram no clube, tidos por pedras-chaves da equipa, comprou jogadores que poucos conheciam, e, se diferença existe, do ano passado para este ano, é para melhor.
A sobrecarga de jogos poderá debilitar um pouco a equipa a nível interno, habituada como está a fazer apenas um jogo por semana, mas não parece que esta nova situação e a inexperiência pesem negativamente no comportamento internacional da equipa.
Aparentemente, o Braga prepara-se para fazer uma grande época na Champions. Pelo menos, parte cheio de moral, enquanto outros estão, à partida, muito debilitados.
Viva o Sporting de Braga!

A COMISSÃO DE DISCIPLINA DA FPF COMEÇA MAL




ADOP AVOCA O PROCESSO DE QUEIROZ

A Comissão de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol não poderia começar pior o seu mandato. Acaba de ser empossada e já foi desautorizada pela Autoridade Antidopagem que, não tendo concordado com a sanção imposta a Carlos Queiroz, avocou o processo e vai julgá-lo de acordo com a competência que a lei lhe confere.
A perturbação ou a tentativa de inviabilização do controlo antidoping é uma falta tão grave que qualquer tentativa de “branqueamento” de um comportamento suspeito correria sempre o risco de não passar incólume.
Dentro daquela lógica que campeia no futebol português, de tudo ser permitido, desde a corrupção dos resultados até à manipulação de jornalistas, passando pelas ameaças e agressões a todos aqueles que se não conformam com a viciação da verdade desportiva (são, de facto, muitos anos de práticas desonestas), a recém-empossada Comissão de Disciplina, querendo marcar bem a diferença com a sua antecessora – a tal que pretendeu, sem êxito, morigerar o futebol português -, supôs que poderia reiniciar o regresso ao passado com um caso de doping. Enganou-se redondamente, porque este é um dos tais casos em que o Estado não entregou o seu poder de fiscalizar e punir à auto-regulação.
A avocação supõe, antes de mais, que o Estado, analisado o processo, não se conforma com o modo como os factos foram julgados. Não se sabe, nem se podem prever as consequências desta avocação, mas pode antecipar-se com segurança que, dentro de dias, os “penalistas de serviço” – os tais que em anteriores disputas sempre defenderam os corruptos – aí estarão a descobrir qualquer "insanável ilegalidade" no procedimento adoptado.
De pouco lhes valerá. A Autoridade Antidopagem de Portugal vai exercer a sua competência e se concluir, face aos factos apurados no processo, que Queiroz perturbou o controlo antidoping, dificilmente o ainda seleccionador escapará a uma pesada sanção.
Com este processo reiniciado e com outro “às costas”, Queiroz não tem condições mínimas para continuar à frente da selecção. Se mesmo assim continuar, então bem pode dizer-se o futebol português está pior do que nunca.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

OLHANDO OS OUTROS JOGOS


O QUE SE PERSPECTIVA

A actualidade benfiquista é tão intensa e tão absorvente, interessa a um tão grande número de adeptos, que resta pouco tempo para dedicar aos demais acontecimentos desportivos.
Das duas jornadas já jogadas importa destacar o bom desempenho do Nacional, que ganhou em Vila do Conde e ao Benfica. Igual número de pontos soma o Porto com duas vitórias, uma feliz, no primeiro jogo, outra tranquila, no segundo.
De realçar também a vitória tangencial do Sporting, contra o Marítimo, que o livrou de entrar, muito cedo, numa crise profunda da qual dificilmente sairia.
O Braga, ao empatar em Setúbal, onde o ano passado ganhou, já começou pior, embora no jogo jogado se tenha mantido substancialmente idêntico.
Quanto ao resto, ainda é cedo para se saber quem vai confirmar-se na luta pelos lugares cimeiros imediatamente seguintes aos reservados aos quatro do costume.
Também é cedo para se começar a falar de arbitragem, embora, sem que tal facto constitua motivo de desculpa, ao Benfica já tenham sido escamoteadas, pelo menos, duas grandes penalidades: uma (ou duas) contra a Académica e outra contra o Nacional. Pelo contrário, o Porto beneficiou de uma falta inexistente, para marcar o segundo golo contra o Beira-Mar. O Sporting não tem razão quando reclama uma grande penalidade sobre Liedson na primeira parte do jogo contra o Marítimo porque é Liedson que comete falta, não assinalada, sobre o guarda-redes. De referir também que a entrada de Rui Patrício sobre João Pereira, colega de equipa, é brutal. Não é a primeira vez que Patrício sai da baliza de joelho em riste para amedrontar os adversários. Em jogada semelhante contra um adversário deveria ser expulso, pura e simplesmente. Lamentáveis, em matéria de arbitragem, os comentários de Pedro Henriques na TVI. Agora se percebe melhor porque foi despromovido. Infelizmente os critérios televisivos de escolha dos comentadores assentam mais na facilidade com que se está perante as câmaras do que na competência de quem comenta.
Apesar da linguagem desabrida do presidente do Porto, absolutamente normal numa pessoa com a sua educação, passado e cadastro desportivo, e do seguidismo do novel treinador/adepto, este não vai ser um campeonato com muita agressividade se o Benfica ficar fora da corrida, como parece que vai ficar, logo nas primeiras jornadas. É que uma boa parte dessa agressividade resulta do ódio e inveja dos êxitos benfiquistas. Os sportinguistas, nomeadamente os que tendem a comportar-se como uma filial do Porto, aceitarão com alguma benevolência os insucessos da sua equipa, se o Benfica não for à frente. Também o treinador do Braga usará este ano uma linguagem completamente diferente da do ano passado, logo que o Benfica esteja arredado do título. E depois, os múltiplos tentáculos que Porto tem espalhados pelas diversas equipas (Académica, Portimonense, Leiria, etc.) também tenderão a ser menos agressivos se o Benfica não oferecer uma réplica à altura.

ROBERTO: UM CASO SEM PRECEDENTES




EMPRÉSTIMO: A SAÍDA POSSÍVEL

Não existe caso semelhante na história centenária do Benfica. Foi preciso chegar ao ano 2010, a um Benfica altamente profissionalizado, com altíssimos investimentos no plantel, treinado pelo conhecido “rei das tácticas”, para que uma situação insólita ocorresse na equipa de futebol.
Um guarda-redes que ninguém conhecia, com menos de duas de dezenas de jogos na primeira liga espanhola, é contratado pela verba mais alta até hoje despendida pelo clube na aquisição de um jogador, para substituir o guarda-redes menos batido do último campeonato, bicampeão nacional, durante anos consecutivos convocado para a selecção nacional, e desde há seis anos no Benfica.
Despedido em directo, pelo treinador, num programa de televisão, poucos dias depois de conquistado o título nacional, os benfiquistas ficaram a saber que o responsável técnico do clube procurava um guarda-redes que “desse pontos”.
Cerca de um mês depois o Benfica anunciava a contratação de um tal Roberto, espanhol, por 8,5 milhões de euros. Fiados na competência técnica de Jorge Jesus, os benfiquistas acreditaram que na época 2010-2011 iriam ter na baliza um super guarda-redes, capaz de colmatar as dolorosas saídas que se anunciavam de algumas das “pérolas” da época passada.
Dois jogos realizados na Suíça, durante o estágio, logo demonstraram que algo de muitíssimo estranho se passava com o novo guarda-redes. A primeira impressão com que se ficou foi a de que o “rapaz” não via bem, porventura afectado por um grave defeito de visão. Sem que esta impressão se tivesse desvanecido, outras igualmente se consolidaram. O “rapaz” não tinha técnica, parecia, a quem o via, que estava experimentando pela primeira vez a natureza do lugar. Depois, percebeu-se também que não tinha reflexos, nem era capaz de calcular com um mínimo de segurança as saídas à bola.
Mas o Benfica lá foi ganhando quase todos os jogos da pré-época, sofrendo golos em catadupa, cada vez mais estranhos, porque se mostrava capaz de ir marcando mais do que aqueles que sofria.
Depois, iniciou-se a época: três jogos, três derrotas e asneiras em série do dito guarda-redes. O treinador, que já se tinha mostrado incapaz de colmatar as saídas de Di Maria e Ramires, quer por via dos substitutos que escolheu, quer por causa do sistema de jogo que perfilhou, teima, arrogante e estupidamente, em fazer “ouvidos de mercador” a todas as críticas que dentro e fora do clube estavam a ser feitas ao tal guarda-redes que “tira pontos”. Até que o jogo da Madeira, contra o Nacional, impõe uma conclusão a que ninguém pode furtar-se: o guarda-redes escolhido por Jesus não pode continuar na baliza, instabiliza a equipa e sofre golos impensáveis em qualquer escalão inferior do futebol jogado a sério.
A única saída possível, face a este desastrado cenário, é pedir “pelas almas” a algum clube espanhol que leve o rapaz emprestado, de modo a que ele possa ficar por lá nos anos subsequentes, tentando o Benfica, nos escassos dias que lhe restam, até ao fecho do mercado adquirir um terceiro guarda-redes, na certeza de que qualquer solução é sempre melhor do que a actual.
Nunca, na longa história do Benfica, semelhante pesadelo aconteceu com o homem da baliza. Desde os primórdios do campeonato, com Tavares e Amaro na baliza, e logo depois com Rosa, Contreiras ou Bastos, até ao século XXI nunca tal aconteceu na baliza do Benfica. Em homenagem aos grandes guarda-redes que por lá passaram, alguns já falecidos, impõe-se que Roberto saia, não como uma pena aplicada a um pobre atleta que apenas foi vítima da incompetência de quem contrata, mas como consequência inevitável da sua inadequação ao lugar.

domingo, 22 de agosto de 2010

OS ERROS DE JORGE JESUS




O BENFICA PERDIDO NO MERCADO

Por uma vez vou ter de estar de acordo com o Sr. Freitas Lobo. Como aqui já disse: o treinador do Benfica teima em jogar num sistema para o qual não tem jogadores. Freitas Lobo, na Bola da semana passada, repete a ideia: não há clonagens tácticas. Jorge Jesus “monta equipa” como se lá tivesse Ramires e Di Maria. E, na verdade, não tem.
Tal atitude não augura nada de bom para o Benfica, nem atesta muito favoravelmente sobre a tal “inteligência futebolística” de Jorge Jesus. Como já aqui se disse, Ramires e Di Maria são insubstituíveis, mais Ramires do que Di Maria, mas isso não significa que, com tempo, o Benfica não tivesse podido encontrar soluções alternativas. De valor certamente diferente, mas alternativas.
Jesus não fez isso. Contratou jogadores para outros lugares e até, num caso bem conhecido, esbanjou dinheiro. E agora, com uma prova já disputada, com o campeonato iniciado e com a Champions League à porta, anda meio perdido no mercado à procura de reforços para substituírem Di Maria e Ramires. Uma coisa é certa: não vai encontrar nada igual. Quando muito, alguém que possa desempenhar idênticas funções, mas com outro brilho.
No Braga, tudo se passou ao contrário. Houve várias saídas, mas com tempo e saber encontraram-se as substituições adequadas. E aí está o Braga como se nada lhe tivesse acontecido. Ou me engano muito, ou no Benfica vai andar-se toda a época a “chorar” as saídas de Ramires e de Di Maria, porque, qualquer que seja a solução encontrada, nunca os fará esquecer.
Jorge Jesus tem este ano a verdadeira prova de fogo da sua carreira: ou vence ou fracassa. Duas derrotas consecutivas no campeonato e uma contratação completamente falhada, que Jesus se recusa a reconhecer, não auguram nada de bom. Só Jesus não percebe que aquele guarda-redes não tem lugar em nenhuma equipa da primeira divisão portuguesa.
Ganhar o ano passado, com os jogadores que o Benfica tinha, era o mais fácil. Mérito seria fazê-lo ganhar este ano…
É provável que em toda esta “embrulhada” o presidente do Benfica também tenha as suas responsabilidades. A primeira, como sempre, é a de não perceber nada de futebol. A segunda é a de não se ter imposto na hora própria. Mas ainda está a tempo de fazer ver a Jesus o que este teima em não reconhecer. Mais uma semana e será tarde, muito tarde…

BENFICA: QUARTA DERROTA CONSECUTIVA


ALGUÉM TEM DE SE IMPOR
É preciso distinguir uma personalidade perseverante de uma personalidade teimosa. O perseverante é aquele que, com base em anteriores experiências e perfeito conhecimento das suas capacidades, insiste progressivamente no caminho do êxito. O teimoso é aquele que despreza a experiência e sem qualquer sustentabilidade insiste em manter opiniões ou condutas que repetidamente levam ao insucesso.
O perseverante avalia bem as condições em que actua, sendo o resultado da sua perseverança tanto mais seguro quanto inteligente for a avaliação que delas faz. O teimoso é estúpido, despreza todos os elementos relevantes de análise e insiste no erro até que o erro o destrua.
Jorge Jesus é teimoso. Insistir em Roberto quando toda a gente já percebeu que o “rapaz” não tem as menores condições para ocupar a baliza do Benfica é uma atitude suicidária.
Alguém vai ter de pôr cobro a isto: a crítica desportiva em geral, por mais óbvias que sejam os fundamentos das suas análises, não fará dobrar a teimosia de Jesus. Os adeptos que vão ao Estádio da Luz, ou de uma grande percentagem deles, também não, já que a sua principal preocupação será a de fazer a defesa do guarda-redes. Assim sendo, só uma reacção vinda dos jogadores ou de quem manda poderá pôr fim a esta triste situação.
É que o Benfica arrisca-se a perder não apenas os 8,5 milhões que o jogador custou, mas todos os demais investimentos feitos de há dois ou três anos a esta parte, a começar pelos resultados da Champions League.
Roberto tira pontos em todos os jogos. Hoje, a equipa do Benfica joga com um jogador que funciona como um "adversário infiltrado", além de outro que apenas faz figura de corpo presente. E não há nenhuma equipa, como já aqui dissemos, por melhor que seja, que resista a isto!
O que está a acontecer também desmistifica Jesus como treinador. Ele, como tantos outros, actua irracionalmente, com base uma "fé" estúpida que não leva a lado nenhum.
Mas não é somente Roberto que não pode jogar: Cardozo também não pode. Mas há mais aspectos a reparar, que serão analisados em artigo à parte.
Repetindo uma “proeza” que já não acontecia há 58 anos e que apenas por duas vezes ocorreu na longa história do Benfica – perder os dois primeiros jogos do campeonato –, Jorge Jesus, em princípio, não revalidará o título, já que somente uma super época poderia reverter a actual situação.
Enfim, não há muito mais a dizer depois do que se passou na Choupana. Tudo o que sobre este assunto poderia ser dito já aqui foi escrito noutros posts no último mês.
Para bem do Benfica e do futebol alguém terá de se impor. E já!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

E, AGORA, QUEIROZ?



SELECCIONADOR CONTINUA A RESISTIR

Pelo episódio da Covilhã, Queiroz apanhou um mês de suspensão. É pouco, mas o instrutor do processo terá entendido que não houve obstrução, mas apenas injúrias à equipa de controlo anti-doping.
Todavia, ainda este processo não estava concluído, e já Queiroz se metia noutra. Em entrevista ao semanário Expresso insulta um vice-presidente da Federação.
Aparentemente, Queiroz sente-se seguro. A Comissão de Disciplina, novamente “disciplinada” pelo que de pior há no futebol português, aplicou-lhe a pena mínima. E ninguém se espantaria se o Conselho de Justiça o absolver. Pois se até o ano passado com uma composição menos favorável aos tais “senhores do futebol” teve a pouca vergonha de equiparar os stewards a público, este ano, com uma composição "à medida", é muito capaz de considerar Queiroz uma “vítima” da brigada anti-doping…
Resta esperar que o Instituto do Desporto de Portugal avoque o processo e lhe aplique a pena merecida.
Quanto ao segundo processo, por insultos a Amândio de Carvalho, em qualquer outra federação, com um mínimo de dignidade, se poderia antecipar o resultado. Na Federação Portuguesa de Futebol talvez também se possa antecipar o resultado…mas no sentido exactamente contrário ao que seria legítimo esperar.
No meio de tudo isto, continua sem se perceber o que anda o presidente do Benfica a fazer…

TAÇA EUROPA



AS EQUIPAS PORTUGUESAS: MAIS OU MENOS O ESPERADO

A primeira ronda dos jogos de play off para apuramento da fase de grupos da Taça Europa coreu, para as equipas portuguesas, mais ou menos como se esperava.
O Marítimo perdeu na Bielorrússia com o Bate Borisov por uma margem que não deixa qualquer hipótese de recuperação. Salvo milagre, está eliminado.
O Sporting, que já se tinha visto atrapalhado para passar a fase anterior contra uma equipa dinamarquesa da parte baixa da tabela, perdeu hoje, em casa, com o Brondby por 2-0. Em princípio, também está eliminado. Os sportinguistas, que já estão bem arrependidos de terem despedido Paulo Bento, já começam a sentir saudades de Carvalhal. Avizinha-se um ano pior do que o anterior…
Finalmente, o Porto venceu naturalmente o Gent e é, pelo seu prestígio e maturidade, um sério candidato à vitória na Taça Europa. Sim, toda a gente sabe que é ainda muito cedo, mas as previsões, a fazer-se, só têm interesse se forem feitas nesta altura.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

BRAGA VENCEU E CONVENCEU



A MELHOR EQUIPA PORTUGUESA DA ACTUALIDADE

O Braga venceu esta noite o Sevilha por 1-0 e fez um grande jogo, principalmente na segunda parte. Depois de ter eliminado o Celtic, o Braga deu hoje um grande passo no sentido do apuramento para a fase de grupos da Champions League. Se lá chegar, vai certamente fazer uma prova brilhante.
A equipa perdeu vários jogadores, que estão longe, nas equipas para onde foram, de atingir o brilhantismo com que se exibiram em Braga na época passada, mas nem por isso perdeu identidade, nem deixou de continuar a jogar um futebol atraente, muito seguro defensivamente e perigoso no ataque.
Goste-se ou não de Domingos, como pessoa, tem de reconhecer-se que tecnicamente é muito bom e que a classe e a eficácia com que o Braga se exibe são mérito seu.
O resultado desta noite, embora sendo escasso, é, numa prova a eliminar, um resultado excelente. Arriscaria afirmar que na próxima terça-feira o Braga celebrará a sua participação na Liga dos Campeões.
Internamente, o Braga é hoje a melhor equipa portuguesa e seguramente um sério candidato ao título.
Podem parecer ousadas estas afirmações no princípio de época, mas o que já se viu e o que se antevê noutros lados, não deixa margem para muitas dúvidas. O Sporting está mais ou menos na mesma, o Benfica está pior e vai piorar ainda mais e o Porto não vai ter capacidade para ombrear com o Braga.
Daqui a pouco tempo já tudo será mais claro. E então voltaremos a falar.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

BENFICA: TERCEIRA DERROTA CONSECUTIVA


O QUE SE ESPERAVA

Só mesmo os mais ingénuos poderiam supor que o Benfica deste ano estava ao nível do do ano passado. Não está. Está muito pior, como aqui já tinha sido dito.
Três erros crassos marcaram desde início a preparação do Benfica para a nova época.
O primeiro, absolutamente imperdoável, foi o modo como o treinador despediu Quim, em directo, num programa de televisão para atrasados mentais e marcadamente anti-benfiquista. Um jogador bicampeão, internacional, com cerca de seis anos de casa, merecia outra consideração. Se o Benfica fosse dirigido por alguém que percebesse de futebol e que além disso carregasse em si o prestígio da instituição, Quim continuaria e Jesus teria de “engolir” a sua ousada decisão. Por estranho que pareça, estes comportamentos têm efeitos nefastos sobre todo o grupo, como se está a ver.
Em segundo lugar, nunca o Benfica deveria ter contratado Roberto, que corre o risco de se transformar em motivo de chacota nos campos adversários em que seja chamado a actuar. Ou se o contratasse, deveria ter sido explicado que ele veio para o Benfica como pagamento da transferência de Simão para o Atlético de Madrid, na parte ainda não paga.
Em terceiro lugar, o Benfica deveria ter “industriado” os seus empresários para venderem David Luiz (pelo melhor preço, algo entre 35 e 40 milhões de euros), Cardozo (por um preço bem inferior ao da cláusula penal) e Ramires (dada a inevitabilidade da transferência).
Com parte destas receitas mantinha Di Maria e Coentrão, de preferência com prorrogação dos respectivos contratos e assegurava o equilíbrio da equipa, buscando no mercado alguém que pudesse substituir Ramires (embora sabendo-se que Ramires é insubstituível) e David Luiz. Não falta no Brasil ou na Argentina quem esteja à altura daquelas vagas, contanto que a equipa se tivesse mantido equilibrada.
Agora, fazer o que o Benfica fez – e a culpa recai sobretudo em Jesus e Rui Costa -, que foi perder cerca de 60% da eficácia da equipa do ano passado e não ter contratado absolutamente ninguém para colmatar essas faltas, é um erro imperdoável. Realmente, as contratações efectuadas não se destinam a suprir aquelas faltas, mas antes a reforçar lugares que já estavam bem servidos. O que é positivo, mas de forma alguma chega.
O Benfica deste ano não tem alma, nem parece ter a frescura física do ano passado. E pior do que tudo isso. O treinador teima em jogar num sistema para o qual não tem jogadores.
Como se verá, a arrogância de Jesus não vai chegar. Será, pelo contrário, um factor negativo. Aliás, é uma arrogância dos fracos, já que as muitas asneiras feitas este ano não aconselhariam a ninguém aquele tipo de comportamento dentro do Benfica.

domingo, 15 de agosto de 2010

QUEIROZ AO ATAQUE


O FUTEBOL JÁ ESTÁ A PERDER

Queiroz sentiu as “costas quentes”. Não admira: o que há de pior no futebol português está do seu lado. Sentindo esse apoio, logo a vertente carroceira e truculenta de Queiroz veio novamente ao de cima, atacando jornalistas e todos os que pretendem investigá-lo, a ponto de ter ousado afirmar que o “seu caso” tinha contornos de perseguição política.
A entrevisto de Queiroz ao Expresso é toda ela uma vergonha, apenas possível por já estar a antever o desfecho do processo que lhe foi instaurado. Aconteça o que acontecer – e é muito provável que Queiroz continue, não obstante as declarações do SE do Desporto – o futebol português já está a perder.
Já está a perder, porque escasseia o tempo para substituir Queiroz antes do início da fase de qualificação do Europeu. E já está a perder, porque, se Queiroz ficar, não conseguirá aguentar o lugar por muito tempo. A animosidade que a sua personalidade levanta na maioria esmagadora dos adeptos da selecção não lhe vai permitir ir muito longe. Se não for demitido pela Federação, sê-lo-á pelo “povo do futebol”.
Inacreditável em todo isto é a atitude do presidente do Benfica. Não se percebe bem se o homem é estúpido ou, não o sendo, que tipo de objectivos tem em vista. Depois de ter “oferecido” a direcção da Liga a um fanático adepto do Porto, vem agora, juntamente com Pinto da Costa, apoiar o seleccionador.
Uma coisa é certa: faça esse cavalheiro o que fizer, os benfiquistas não o seguirão. E não deixarão de interrogar-se sobre a natureza dos interesses que o movem para se comportar como se comportou sobre dois assuntos em que os interesses estratégicos do Benfica apontavam e apontam no sentido oposto.
As recentes posições do presidente do Benfica são ainda mais graves do que a incompetência e as atitudes de Queiroz, na medida em que põem a nu a completa ausência de democracia no clube mais popular e de maiores tradições democráticas em Portugal. Enfim, uma vergonha!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A DERROTA DO BENFICA



O QUE ESTÁ PIOR
O Benfica ganhou os dois jogos do troféu do Guadiana por 4-1, respectivamente contra o Feyenoord e o Aston Villa, e um clima de euforia tomou conta dos benfiquistas e, de certo modo, da própria equipa técnica.
O jogo de ontem, contra o Tottenham, veio repor as coisas no seu lugar, ou seja, deixar a dúvida sobre o real valor da equipa.
O ano passado, por esta altura, parecia não haver dúvidas: o Benfica iria fazer uma grande época, como fez, e logo no primeiro jogo oficial os adeptos acorreram em massa ao Estádio da Luz e aplaudiram demoradamente a equipa, não obstante o empate alcançado pelo Marítimo num jogo onde se tivesse perdido por seis não seria demais.
Este ano há várias nuvens a pairar sobre a equipa, das quais a mais “preta” não é certamente a saída de Di Maria, apesar de tratar de um jogador praticamente insubstituível. Outras estão longe de se dissiparem. A primeira de todas é a insegurança gerada pelo guarda-redes Roberto que não consegue transmitir confiança à equipa. Depois, outra não menos grave, a saída de Ramires, um dos melhores jogadores que passou pela equipa do Benfica. Vai confirmar-se nos próximos anos a real valia deste jogador, absolutamente fundamental para a equipa em que alinhe, seja ela a selecção do Brasil, o Benfica ou o Chelsea. Seguidamente, a dúvida sobre se vai sair mais alguém (Coentrão, David Luiz ou outro) e ausência de um esquema de jogo claro, ditado pela indecisão que paira sobre a definitiva composição da equipa.
No próximo sábado, contra o Porto, se aferirá do real valor da equipa nesta fase da época…
Preocupante, entretanto, é a arrogância cada vez mais marcada com que Jesus se relaciona com os jornalistas sempre que não gosta das perguntas…

domingo, 1 de agosto de 2010

PORTO PERDE SEGUNDA VEZ NO TORNEIO DE PARIS





SEM DEFESA, O PORTO É FRÁGIL

Vilas-Boas não acerta com a defesa. Sem Bruno Alves e com Meireles em dúvida sobre se parte ou se fica, o Porto traz inquietos os seus adeptos. Como sempre acontece quando as coisas começam a correr mal por culpa própria ou por mérito dos adversários, os treinadores culpam os árbitros.
Simultaneamente, o treinador vai deixando entender que aqueles jogadores querem sair, sem que, contudo, haja propostas nesse sentido. Será mesmo assim? Que os jogadores querem sair é óbvio. Bruno Alves já queria sair o ano passado e Meireles também já deu a entender que quer mudar de ares. E propostas certamente haverá. Provavelmente, não aquelas que o Porto quereria…
Apesar de o Porto ter perdido duas vezes seguidas e de não ter feito grandes jogos na pré-época, ainda é muito cedo para tirar conclusões. Tudo pode ainda mudar: quer as impressões favoráveis, como as desfavoráveis.
No próximo sábado, em Aveiro, já se verá como se comporta este Porto nos jogos “a doer”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

AS DUAS PRIMEIRAS "VÍTIMAS" DE MOURINHO



GUTI E RAUL

Como aqui tínhamos previsto, Mourinho iria seguramente operar várias mudanças no Real Madrid. Sabe-se que uma das decisões mais difíceis com que qualquer treinador se depara consiste em afastar de uma equipa famosa (em princípio, até de qualquer equipa) os “históricos”, carregados de prestígio e de anos de casa, quando começam a envelhecer e teimam em continuar.
Poucos são os treinadores com coragem para os afastar. Os adeptos estão afeiçoados a tais jogadores, já que eles contribuíram para muitos dos títulos conquistados e partilharam com a afiction muitas tardes de glória.
Os adeptos têm muita dificuldade em distinguir o merecido reconhecimento que lhes deve eternamente ser tributado pelo clube onde jogaram e o afastamento do plantel. Normalmente, a paixão leva-os a supor que esse reconhecimento só estará à medida da retribuição devida se as ditas glórias forem mantidas no plantel.
Poucos são os que seguem o exemplo de Zidane: afastar-se ainda no auge da forma. Normalmente, têm tendência a “arrastar-se”, de preferência na equipa onde se consagraram. Só quando isso se torna impossível por imposição do treinador é que eles tentam outra via: normalmente tendem a ir para uma equipa de segunda linha mas ainda com algumas pretensões.
Foi essa a via escolhida por Raul – uma das maiores glórias da história do RM – e será certamente também a de Guti – um “canterano” com mais de duas décadas de clube.
Esta é a primeira vitória de Mourinho. Quem se seguirá? Penso que será Valdano…por razões aparentemente diferentes. Vamos aguardar.

BENFICA SEM ROBERTO EM ALBUFEIRA




NÃO SOFREU GOLOS, MAS TAMBÉM NÃO BRILHOU

Coincidência ou não, o Benfica jogou sem Roberto e não sofreu qualquer golo. O jogo não foi grande coisa e o adversário também não.
Há ainda muita indecisão. Pode não ter nada a ver uma coisa com a outra, mas não me admirava nada que esta indecisão que se nota na equipa esteja relacionada com o facto de ainda se não saber quem fica. O ano passado havia dúvidas sobre quem poderia entrar. Este ano as dúvidas são sobre quem poderá sair. E esta indecisão pesa muito mais do que a outra, principalmente quando o que está em dúvida são jogadores como Ramires, Luisão, David Luiz ou Coentrão..
Rui Costa que é manifestamente uma pessoa pouco dotada, com pouca capacidade para se exprimir (provavelmente estudou muito pouco ou quase nada), complica mais do que facilita com as suas confusas intervenções. Percebe-se que há pressões de vários lados e que algo não está estável. Mas vamos ter de aguardar para confirmar ou infirmar esta impressão.
Entretanto, os comentadores da Sport TV que, com o se sabe, actuam sempre como adeptos ou empregados de certos clubes – e quase nunca como profissionais – deram mais uma grande ajuda a Jorge Jesus com os comentários feitos em off sobre o guarda-redes do Benfica.
O que eles disseram só é condenável pelos termos utilizados e não tanto pelas ideias expressas. Mas já se sabe como é: no futebol a paixão tudo supera e até impede a lucidez e a análise racional daquilo que está à vista de todos.
De facto, como aqui já dissemos várias vezes, Roberto é muito mais do que uma contratação falhada. É uma contratação contra o Benfica que somente pode ser neutralizada – isto é, colocada no rol das contratações falhadas – se for impedido de jogar em qualquer jogo oficial.
Só que a partir de agora, Jesus vai ter mais argumentos para o pôr a jogar e vai até contar com o apoio de adeptos acríticos, dispostos a apoiar tudo o que possa parecer como uma justa luta contra uma campanha contra o Benfica..
Por que é que tudo isto aconteceu e está acontecendo é que toda a gente espera ainda se venha a perceber um dia…

QUEIROZ E O EXEMPLO DA ARGENTINA



AS DUAS VIAS

A FPF tem à sua disposição duas vias para se ver livre de Queiroz, se essa for a sua vontade.
A primeira é a que se poderia chamar a via argentina e que consiste em exigir a Queiroz que ponha a seu lado alguém que perceba de futebol com um estatuto perfeitamente definido. Supondo que o actual seleccionador tem um mínimo de brio profisssional, optará, tal como Maradona, por pôr o lugar à disposição. À cautela, para o caso pouco digno de Queiroz aceitar "companhia", convém que a pessoa escolhida para actuar a seu lado seja alguém versado em pugilismo ou em artes marciais para o caso de ser necessário responder a outro tipo de argumentos, além dos especificamente futebolísticos.
A segunda via consiste em instaurar rapidamente um processo disciplinar a Queiroz com base nos factos já apurados no inquérito da IND e demiti-lo com justa causa.
Ao que se diz, há quem na Federação não esteja de acordo com o despedimento de Queiroz, embora se não perceba bem porquê. No futebol onde há dinheiro há sempre alguns mistérios que só mesmo os iniciados compreendem…Queiroz ganha muito dinheiro…muitíssimo, muito mais do que aquilo que merece e mesmo assim há quem queira que ele continue a ganhar esse dinheiro mesmo sem qualquer razão técnica que o justifique. Estranho. Muito estranho. Vamos esperar por sexta-feira para ficarmos a saber o que se passou.

domingo, 25 de julho de 2010

BENFICA NÃO DESCE MÉDIA DE GOLOS SOFRIDOS



ROBERTO NÃO SERVE, MAS HÁ MAIS QUEM NÃO ESTEJA BEM

Ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas, salvo aquelas que o futuro apenas se encarregará de confirmar. É o que se passa com o guarda-redes, que mais uma vez se viu que não tem cultura de baliza.
O primeiro golo até poderia entrar. O que não pode é entrar da forma que entrou. O guarda-redes ou saía ou adiantava-se, encurtando o ângulo, e fazia a mancha. O que não pode é um homem de um metro e noventa ficar de pé quase junto à baliza à espera que o avançado adversário remate.
Portanto, Roberto é assunto arrumado. Se o treinador quiser perder e sofrer golos uns atrás dos outros, joga com Roberto. Se quiser evitar este descalabro, joga com quem tiver à mão, seja Júlio César ou Moreira. Não fica bem servido, mas comparativamente com a hipótese que se perfila é a única solução aceitável.
É igualmente indiscutível que a equipa não está a defender bem. David Luiz comete muitos erros tácticos, como aqui se já disse. Sidney também não é Luisão e os laterais que têm jogado estão longe de igualar a competência dos que ainda estão de férias.
Coentrão já regressou e, se ficar, há muitas hipóteses de ele regressar ao lugar de ala esquerdo, já que o Benfica, na sua ausência, não tem quem jogue pelas alas. O que seria mau, já que ele é muito melhor com defesa esquerdo.
A equipa vai marcando golos, vai superando as deficiências defensivas marcando muitos golos, mas, como já se viu, isso não chega. Por outro lado, a sensação com que se fica é a de que há uma certa desarrumação na equipa, a ponto de se ficar com a impressão de que nem todos sabem qual é o seu papel, contrariamente ao que acontecia o ano passado em que nada parecia acontecer por acaso.
O melhor que Jesus tem a fazer é deixar-se de respostas arrogantes e impertinentes sobre o guarda-redes e tratar de distribuir os papéis de modo a que um possa fazer a melhor interpretação possível da função que lhe cabe. E arranjar quem jogue pelas bandas, porque mesmo depois do regresso a tempo inteiro de Coentrão e de Maxi Pereira - e supondo que ambos jogarão nos lugares em que jogaram o ano passado - não se lhes pode pedir que eles desempenhem sozinhos aquela função e que, além disso, ainda defendam.
Ainda há muitas nuvens por dissipar sobre o Estádio da Luz…