terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

MOURINHO: VALE TUDO?


“PORRADA” EM MESSI

É hoje quase um lugar-comum a afirmação de que Mourinho não trouxe nada de novo ao futebol. Grandes especialistas na matéria, têm-se debruçado sobre o assunto e, sem qualquer tipo de animosidade relativamente ao treinador português, concluem que, com Mourinho, o futebol que se joga no campo não progrediu nada.
É muito difícil abordar este tema em Portugal, do mesmo modo que é difícil abordar o tema Cristiano Ronaldo: um mundo de paixões e de insultos abatem-se sobre quem ousa objectivamente dizer qualquer coisa sobre o assunto.
De facto, olhando, sem paixão, para as equipas de Mourinho não se vê nada nelas que já não se tenha visto noutras. Os méritos de Mourinho, se assim se podem chamar, são outros. De facto Mourinho não trouxe nada de novo ao futebol jogado, mas trouxe muita coisa nova ao futebol que se joga fora do campo.
Mourinho percebeu que o futebol é hoje o maior espectáculo do mundo e como grande espectáculo que é não tem apenas um palco. Tem vários. E os mais importantes são os que se situam fora do campo. Essa a grande novidade que Mourinho trouxe ao futebol. Antes dele somente Helénio Herrera no princípio da segunda metade do século passado tinha antevisto essa outra dimensão do futebol.
O artigo que no passado dia 6 de Fevereiro o suplemento Domingo, de El País, publicou – 1.000 minutos com Mourinho (y su teatro) – ilustra muito bem esta faceta inovadora de Mourinho.
E nesse quadro, tantas vezes lamentável, que devem ser vistas as recentes declarações de Mourinho sobre Cristiano Ronaldo que, objectivamente, mais não são do que um convite à violência sobre Messi.
A propósito das entradas que Cristiano Ronaldo sofre, diz Mourinho: “Não tem o privilégio de outros. Há outros ante os quais os adversários se desviam, têm medo de lhe meter o pé, para não tocarem em ninguém. A ele…crack! Mede 1 metro e 85, é uma “besta” e tem um bom corpo para que lhe dêem. E continua.”
Estas declarações são lamentáveis e indignas de um profissional de futebol. Elas são um bom exemplo do tal futebol fora do campo que Mourinho joga. Mourinho não se queixa das agressões ou entradas mais ríspidas que o seu jogador sofre. Mourinho não pede a protecção dos “artistas” como frequentemente fazem outros colegas seus. Mourinho quer é “tratamento igual” para Messi…o tal que não tem 1,85m. Se Ronaldo leva “porrada”, Messi também deve levar! No fundo, Mourinho está-se nas tintas para Ronaldo, o que Mourinho quer é que o Barcelona perca pontos. E sabe que o melhor meio para lá chegar é dando “porrada” em Messi. Então, que venha ela.
Mourinho não é exemplo para ninguém!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A LENTA AGONIA DO SPORTING



A DESPEDIDA DE LIEDSON E O RESTO…

A situação do Sporting já aqui foi analisada demoradamente. De certa forma, o momento que hoje se vive era previsível e mais dia, menos dia tinha de acontecer. Os grandes responsáveis pela actual situação são todos aqueles que dominam o Sporting depois da intervenção Roquete, que, aliás, mais não é do que a prova da incapacidade de adaptação do Sporting aos novos tempos.
Todavia, a actual nomenklatura é muito mais responsável do que aqueles que os antecederam. Desde os que falam diariamente nas televisões, aos que são chamados a “representar” o Sporting, até aos que efectivamente o dirigem, todos eles, sem excepção, optaram por um caminho que somente poderia levar ao abismo.
A fúria anti-benfiquista que os anima, a aliança com o Porto, que trata o Sporting entre o paternalismo descarado e estado de espírito de quem se prepara para lançar uma OPA amigável, só poderia levar ao que se está a ver.
Completamente desligados do sentir dos associados, tomando o clube como uma coisa sua, esta gente, se não for corrida no próximo acto eleitoral, levará o Sporting para os patamares mais baixos da sua história, se não mesmo para o seu fim.
O que se acaba de passar com Liedson é elucidativo. O jogador diz que não forçou a saída, mas não desmente que o Sporting lhe devia dinheiro. A direcção, em gestão, sente-se autorizada a vender ao desbarato o mais valioso jogador do Sporting nos últimos sete anos sem ter dado uma explicação cabal para a sua saída. No jogo de despedida, os adeptos choram a saída de Liedson, como quem antecipa a certeza de um futuro ainda mais triste. E depois de tudo isto, menos de oito dias depois de o jogador ter saído, o director desportivo do clube, Costinha, vem dizer que a saída de Liedson foi um negócio ruinoso. Antes disso, para tornar a situação ainda mais cómico-trágica, o treinador vem dizer (pedir) para que o jogador, antes de partir, ainda faça mais "dois joguinhos".
É muito, mesmo para um clube de bairro. Para um clube como o Sporting parece ser o presságio de um triste toque a finados.

BENFICA EM GRANDE



PORTO NÃO CONVENCE

O Benfica jogou, em Setúbal, logo a seguir ao jogo do Porto, em casa, contra o Rio Ave e no fim dos dois jogos toda a gente ficou a perdeber a grande diferença que, neste momento, existe sobre as duas equipas.
O Bonfim é um terreno tradicionalmente difícil para o Benfica. Já lá tem perdido pontos muitas vezes ou até eliminatórias, embora também tenha somado muitas vitórias, quase sempre difíceis.
E este ano, mais uma vez, o Benfica defrontou uma equipa que não pode, certamente, jogar muitas vezes como jogou ontem, porque, se jogasse, não estaria no lugar que está. Mistérios…
Apesar de o Setúbal ter feita uma boa primeira parte, o Benfica nunca esteve em risco, salvo numa desatenção de Roberto logo corrigida pelo próprio. Pelo contrário, várias foram as vezes em que o Benfica atacou a baliza adversária com possibilidade de golo. Apenas negado por mérito do guarda-redes Diego ou por Miguelito ter salvado o golo sobre a linha de baliza, o que, aliás, voltou a fazer na segunda parte.
Como consequência normal das oportunidades criadas, o Benfica marcou a trinta segundos do termo da primeira parte num excelente golo de Gaitan, depois de uma perda de bola do Setúbal, perto da área do Benfica, que Saviola, pela direita, conduziu magistralmente, fazendo um passe largo para as costas da defesa setubalense.
A execução de Gaitan foi perfeita e, contrariamente ao que disse João Pinto na TVI, não foi um remate relativamente falhado, mas um remate executado com muita técnica. Aliás, Gaitan, continuando assim, breve fará esquecer definitivamente Di Maria, se é que já não fez.
Na segunda parte, o Setúbal voltou a entrar com força, muito empenhado, chegou a fazer um remate com relativo perigo do lado direito, que Roberto defendeu bem e um outro de longe, por Pitbull, a que Roberto voltou a corresponder com excelente defesa.
Na parte final do jogo, como acontecia o ano passado, o Benfica voltou a superiorizar-se e marcou naturalmente o segundo golo, numa excelente recuperação e posterior execução de Jara, a passe de Maxi. Jara, tal como Gaitan, embora jogando menos tempo, está-se afirmando como um excelente reforço e hoje já parece um jogador completamente diferente daquele que cá chegou.
Qualquer um deles, apesar de muito novos, levou muito menos tempo a afirmar-se do que Di Maria. E isso também demonstra que o Benfica é hoje uma equipa muito diferente da de há quatro anos.
O Benfica ainda marcou um terceiro golo por Javi, anulado pelo árbitro, por falta que só ele viu. O mesmo árbitro que na Luz não viu duas grandes penalidades a favor do Benfica, no jogo inaugural, contra a Académica. Coincidências…
E ainda poderia ter voltado a marcar por duas vezes, se tivesse havido mais sorte num caso e menos individualismo noutro.
Antes, jogou o Porto em casa contra o Rio Ave. Foi um jogo triste, sem chama, muito próprio da fase que o Porto atravessa. E essa tristeza contagiou o Rio Ave que foi uma sombra da equipa que jogou na Luz. Facto que o seu treinador de certo modo confirmou quando disse que o Rio Ave jogou com muito respeito pelo Porto… E com esta já é a quarta ou a quinta vez que os adversários do Porto, no Dragão, jogam muito abaixo do seu real valor. Mistérios…
Prova do desnorte e do desequilíbrio emocional que já atingiu o treinador do Porto, é o modo como respondeu às perguntas dos jornalistas e ao facto de ter confessado que o importante era ganhar, nem que fosse com golos marcados com a mão!
Espantoso que, com excepção de Fernando Correia, nenhum comentador desportivo tenha feito alusão a esta incrível declaração!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A RTP E O JOGO DO DRAGÃO


NÃO TEM EMENDA

Quem ouviu os comentários que acompanhavam o resumo do jogo de ontem que a RTP, desde ontem até hoje, repetiu vezes sem conta não pode deixar de se rir.
Rir é uma força de expressão. De facto, é inadmissível que comentários daquele nível sejam publicados.
Um jogador do Porto (James) faz uma descarada simulação, o comentador dá a entender que pode ter havido penalty. Outro jogador do Porto (Hullk) cai na área numa jogada com Coentrão. Toda a gente vê (em câmara lenta vê-se isso) que o Coentrão não lhe toca. O comentador dá a entender que Coentrão o pisa. Numa disputa de bola com Coentrão, em que este faz legalmente obstrução, Belluci irrita-se, e já fora do campo, atinge-o propositadamente na cara com a mão. O comentador fala na agressividade de Coentrão e antecipa o segundo cartão amarelo ao jogador do Benfica, para nada ter de se pronunciar quer sobre a agressão de Belluci, quer sobre a expulsão de Coentrão (uma vergonha).
E os exemplos poderiam repetir-se até ao fim do jogo. Mais caricato ainda, no programa “Pontapé de saída” de hoje à noite as imagens que começam por passar são as do jogo do campeonato, sem que este comentário pretenda atingir os dois comentadores do programa (Freitas Lobo e Carvalhal).
De facto, a RTP do Porto está completamente dominada.
Sobre o jogo de ontem interessa ainda dizer algo que no comentário de ontem ficou omitido. Depois de dois grandes desaires (Liverpool e Porto) decorrentes de uma deficiente interpretação da equipa adversária, Jorge Jesus aprendeu. E foi inteligente: não só aprendeu, como soube aplicar o que aprendeu. Está, portanto, de parabéns e com ele todos os jogadores que souberam interpretar a ideia do treinador.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

VITÓRIA CLARA DO BENFICA NO DRAGÃO




O PORTO ESTEVE AO SEU NÍVEL

Num jogo em que foi sempre superior, o Benfica foi hoje ao Dragão vencer por 2-0 a primeira eliminatória da meia-final.
Temia-se que o Benfica entrasse no jogo sem confiança e receoso, tal o clima de euforia que varria as hostes portistas. Não foi isso o que aconteceu. Desde o apito inicial do árbitro logo se viu que o Benfica estava ali para disputar o jogo sem tibiezas. E foi essa atitude do Benfica que logo rendeu os seus frutos nos momentos iniciais do jogo com um golo só possível num jogador como Coentrão.
De facto, Coentrão, enquanto esteve em campo, deu espectáculo, demonstrou a sua extraordinária categoria e acabou ingloriamente expulso a meia hora do fim por uma decisão infeliz de Paulo Batista, árbitro do encontro, sempre muito pressionado pelos jogadores do Porto. Uma decisão difícil de compreender, além de mais porque ocorre logo a seguir a um gesto agressivo de Belluci que ficou impune.
Toda a gente está de acordo com a justiça da vitória do Benfica e, principalmente, com o esquema táctico posto em prática por Jorge Jesus. Limitando ou neutralizando a acção de dois jogadores muito influentes na manobra do meio-campo portista - Belluci e João Moutinho –, Jorge Jesus impediu o Porto de fazer o seu jogo habitual, levando-o a perder muitas bolas logo na saída de jogo. Javi Garcia e César Peixoto cumpriram na perfeição esse papel, tendo inclusive Javi feito o segundo golo aos vinte minutos de jogo.
O Porto tem dado indícios de que está a sofrer uma quebra de rendimento, colectiva e individualmente, da qual tem saído sem derrotas mais por demérito dos adversários do que por mérito próprio.
Sem Falcão e com Hulk no centro, o Porto fica mais fraco, embora a principal fraqueza da equipa esteja na defesa que não é nada de especial.
Mesmo reduzido a dez unidades, o Benfica continuou a controlar o jogo. O Porto nunca esteve na iminência de marcar um golo, embora tivesse estado muito próximo de sofrer o terceiro, não fora a grande defesa de Helton a remate de Cardozo.
Acabo por não se sentir a falta de David Luiz, embora o modo como o Benfica jogou tenha favorecido muito as características de Sidnei e de Luisão. Com adversários mais fracos, jogando a equipa mais subida não será de estranhar que ocorram algumas dificuldades que um David Luiz em forma conseguia neutralizar.
Do Benfica pouco mais há dizer, a não ser toda a equipa jogou muito bem, sendo de destacar, além daqueles que já foram referidos, a excelente e esforçada exibição de Gaitan, já completamente integrado na manobra da equipa.
Para não variar, o autocarro da equipa do Benfica voltou a ser atacado antes das portagens, ainda dentro da área metropolitana do Porto. E continuará a sê-lo, tal como já tinha sido, durante a noite, vandalizada a Casa do Benfica, em Gaia, porque não uma única voz no FCP que condene estes actos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

COMENTÁRIOS DISPERSOS SOBRE FUTEBOL




NACIONAL E ESTRANGEIRO

O Benfica ganhou todos os jogos da fase de grupos da Taça da Liga, qualificando-se para a meia-final, na qual defrontará o Sporting, na Luz.
O Sporting perdeu o último jogo no Estoril, numa partida muito pobre, voltando a deixar inúmeras dúvidas sobre o que será o Sporting até ao fim da época.
O treinador desculpou-se com as duas penalidades assinaladas a favor do Estoril, mas nada disse sobre o último jogo do campeonato, contra o Marítimo, no qual foram perdoadas duas grandes penalidades ao Sporting e não foi assinalada a falta do jogador que marcou o primeiro golo, cometida na própria jogada do golo.
A situação que se vive no Sporting faz prever que não chega a magnífica forma de Rui Patrício para resolver todas as situações, nomeadamente a partir de agora que vai deixar de contar com Liedson.
Esta é, de resto, uma transferência incompreensível, principalmente para os adeptos, pois não estando em jogo nenhuma especial receita – na melhor das hipóteses cerca de dois milhões de euros…embora o Corintians negue – não se percebe como pode o Sporting dar-se ao luxo de dispensar a meio da época o seu mais emblemático jogador dos últimos sete anos. De facto, Liedson é um caso raro de jogador que reúne em si várias qualidades de ponta de lança. Joga bem de cabeça, tem um apurado sentido posicional, “rouba” bolas aos defesas ou aos guarda-redes em zonas fatais para quem as perde, joga com ambos os pés, enfim, passarão certamente muitos anos até que o Sporting volta a ter alguém como ele. Alguém tão importante que, quando estava em forma, conseguia disfarçar as debilidades de toda uma equipa. Também terá os seus defeitos e por eles terá pago o Sporting por mais de uma vez, em momentos cruciais, mas também nesses casos o grande responsável foi o clube…que não soube impor-se.
Voltando ao Benfica: apesar das vitórias em série, treze, há a sensação de que o Benfica vai hoje às Antas com pouco à vontade. Há qualquer coisa tanto no discurso de J. Jesus como dos jogadores que não entusiasma. E há uma insegurança defensiva latente, capaz de fazer tremer a equipa, mesmo nos melhores momentos. Ou como dizem outros: falta saber defender quando perde a bola. Vamos esperar para ver…
Entretanto, David Luiz foi-se, como se esperava. Não havia nada a fazer, mesmo que na hipótese absurda de o Benfica não precisar do valor da transferência, estava sempre em causa a impossibilidade de poder cobrir a oferta que o Chelsea fez ao jogador. São números astronómicos para o nosso campeonato.
Só desejar-lhe boa sorte e esperar que os adeptos do Benfica, quando o David Luuiz voltar à Luz, em jogos particulares ou oficiais, seja recebido como merece. E que eles percebam o que é hoje um profissional de futebol.
Em Espanha, Mourinho perdeu em Pamplona, face ao Osasuna e, para muita gente, disse adeus ao título. Desculpou-se depois com os vários jogos que o Real tem feito, mas o que realmente continua a pesar na equipa, além da copiosa derrota de Barcelona, é Mourinho não ter podido “montar” uma equipa à sua maneira: uma equipa muito defensiva, com um avançado capaz de pelear com três defesas ou mesmo quatro e que, além disso, não falhe as oportunidades de que dispõe.
É claro que Mourinho gostaria também de ter presente o “ensinamento” de Pinto da Costa: não deixar que haja surpresas nos jogos contra os pequenos, principalmente quando estão no fundo da tabela. Só que Mourinho não pode usar em Espanha os mesmos recursos que Pinto da Costa, em Portugal, usava para ele…
Por outro lado, continua a ser muito difícil para a gente do Real Madrid perceber por que é o Barça aplaudido nos campos onde vai jogar (e Messi endeusado) enquanto o Real é assobiado (e Ronaldo detestado). Este clima pode ser fatal para Mourinho…

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

OS JOGOS DE HOJE: DO PORTO E DO BENFICA



AS CONCLUSÕES QUE SE IMPÕEM

No jogo de hoje ficou mais uma vez claro que o Benfica está em nítida subida de forma. Está uma equipa espectáculo, com algumas deficiências defensivas, e com eficácia atacante intermitente.
Até ao momento, melhor dizendo, depois do jogo com o Porto, não têm sido os golos sofridos, nas poucas vezes em que isso aconteceu, que têm retirado eficácia atacante à equipa. Embora reste saber como reagirá a equipa se tiver de virar o resultado.
Outro aspecto que não pode de forma alguma ser desprezado é a marcação de grandes penalidades. O ano passado, Cardozo não converteu uma única penalidade, sempre que a marcou com o Benfica (ou o Paraguai) empatado ou a perder. Este ano já tinha quebrado esse “enguiço”, mas hoje o "velho problema" voltou a aparecer. E quanto a David Luiz, por mais que se tente negar as evidências, é óbvio que há coisas que “mexem com a gente”. E ele está, há muito tempo, a sofrer as consequências disso.
Tudo assuntos que Jesus não pode descurar, embora se perceba que ele teve que moderar o discurso do princípio de época, para voltar a ganhar os jogadores.
A vitória de 2-0 sobre o Rio Ave, em Vila do Conde, foi uma boa vitória, que coloca o Benfica na meia-final da Taça de Portugal, embora pudesse ter tido uma maior expressão.
Quanto ao Porto, a conclusão que se retira é a de que o Porto é cada vez mais Hulk. Sem Hulk, ou com Hulk desinspirado, o Porto seria uma equipa completamente diferente. Já aqui disse e repito: Hulk é, de todos os jogadores que depois de 1960 pisaram os relvados portugueses, o mais parecido com Eusébio. Não é um Eusébio, mas é o que mais se assemelha.
Estranho é que, tendo no último domingo o Benfica feito uma grande exibição, o Nacional nunca se tenha entregado e tenha inclusive feito um grande jogo. Hoje, no Porto, para o campeonato, passou-se exactamente o contrário: o Nacional não existiu. Mérito do Porto? O Porto não jogou melhor do que o Benfica no domingo passado, apesar de estar a jogar contra uma equipa que não jogou.
Mistérios do futebol ….

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PARABÉNS EUSÉBIO


EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA


Parabéns Eusébio. 69 anos...Quem diria!

Parabéns a todos os que se associaram à festa de Eusébio, especialmente a Vitor Baía!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

AINDA O JOGO DA LUZ CONTRA O NACIONAL



O QUE FAZ FALTA…

Chega a ser ridículo a importância que a imprensa e as televisões deram àqueles “chega para lá” a que se assistiu durante breves segundos, no final do jogo da Luz, entre o Benfica e o Nacional.
Ninguém sabe como tudo começou, nem procura saber. Isso não interessa. Para a comunicação social o que interessa é o que possa aparecer como insólito, por mais insólito que seja a criação de um facto onde nada de relevante existiu.
Contrariamente ao que já tinha acontecido noutras deslocações do Nacional a Lisboa – tanto na Luz como em Alvalade – desta vez o jogo decorreu sem incidentes. Nem os jogadores do Nacional foram violentos, como aconteceu o ano passado, nem os jogadores do Benfica se envolveram em qualquer espécie de quezílias.
Depois de um grande jogo, de um grande espectáculo de futebol, que o Benfica ganhou com grande brilho e uma grande exibição, pesem embora as facilidades defensivas que concedeu na parte final do jogo – e que o Nacional soube aproveitar muito bem -, não mais se falou do jogo na maior parte da comunicação social, mas apenas e só de uma suposta “agressão” que ninguém viu, e que nenhum dos intervenientes confirma, do treinador do Benfica a um jogador do Nacional.
Ridículo! A RTP logo secundarizou o jogo, omitiu as condições em que foi marcado o penalty a favor do Porto contra o Beira-Mar, e passou a criar (a tentar criar) um facto onde nada de relevante existiu. O Record e o super intriguista Rui Santos logo falaram em “agressão” e em “facto muito grave”, transformando a dita ocorrência na notícia do jogo.
E, todavia, a grande ocorrência do Campeonato é que o Porto já leva três vitórias por 1-0, obtidas na marcação de outros tantos penalties marcados em condições mais que duvidosas. E o Benfica leva outras tantas derrotas, pela diferença mínima, em jogos em que ficaram por marcar quatro grandes penalidades que, no mínimo, lhe poderiam ter permitido empatar dois jogos que perdeu e ganhar outro.
E depois…é só fazer as contas! Esta a grande ocorrência.
A pequena ocorrência é resulta de uns vulgares empurrões entre Jesus e um jogador do Nacional. Empurrões recíprocos que ninguém, pelas televisões, viu como começaram nem porquê. Empurrões e nada mais, como os próprios intervenientes confirmam.
Pode não ser uma actuação bonita e certamente não é, mas só por grande hipocrisia se pode fazer do que se viu um caso do futebol português!
Entretanto, o treinador do Porto na sua ubíqua qualidade de técnico, adepto e super-dragão já veio criticar Jesus, em mais uma prova da sua inestimável solidariedade.
Não era preciso esta crítica para se perceber, embora agora fique claro para os que então não viram, que os elogios a Jesus depois do jogo no Porto, eram elogios à sua própria pessoa. Elogiando Jesus, elogiava-se a si próprio. Já os de Pinto da Costa obedeciam a dois propósitos: o primeiro desestabilizar e dividir o Benfica, como foi dito; o segundo, marcar terreno para uma futura substituição de Villas Boas. Foi talvez por ter percebido isto, que o super-dragão das Antas hoje atacou.

MOURINHO: A PROVA DE FORÇA CONTINUA



QUEM VAI GANHAR?

Mourinho nas muitas disputas em que intervém tem a seu favor já ter somado um número considerável de importantes vitórias em cerca de dez anos de profissão. Contra, nunca ter feita nada de especial pelo futebol, havendo até quem diga, entre os nomes mais famosos deste desporto, que Mourinho não trouxe nada de novo nem de bom ao futebol. Trouxe certamente vitórias para as equipas que treina, mas só isso.
No Real Madrid a história repete-se. Nada fazendo em prol de novos talentos – Mourinho prefere os jogadores feitos e com provas dadas, tenham eles 25 ou 35 anos –, o treinador do Real, acossado por um Barcelona brilhante até hoje quase sem deslizes, exige um ponta de lança com créditos firmados e grande experiência, para ter a certeza de que nas oportunidades (poucas ou muitas) de que a sua equipa desfruta esteja lá na frente quem não falhe.
Não lhe basta ter à frente Cristiano Ronaldo, Benzema, Pedro Leon, além obviamente de Di Maria e Kaká. Mourinho quer mais. Quer um avançado centro que prenda em permanência os dois centrais da equipa adversária, para que Ronaldo e Di Maria fiquem com mais liberdade nas incursões pelo centro.
O Real Madrid, com Valdano à frente, resiste e contabiliza: desde que Mourinho chegou, o Real, citando apenas as vedetas, contratou: Di Maria, Özil, Khedira, Ricardo Carvalho. Com os jogadores que já lá estavam – Casillas, Ramos, Pepe, Marcelo, Xabi Alonso, Cristiano, Kaká, Gago, Higuain, Diarra, Lass, Benzema, só para citar os mais famosos, qualquer treinador tinha obrigação de formar uma super-equipa.
Por outro lado, a direcção desportiva do Real Madrid e a junta dirigente, passando em revista os últimos três anos, conhecem bem o resultado a que levou a satisfação das exigências de anteriores treinadores: à dispensa de grandes jogadores, dos melhores do mundo, que logo depois de dispensados pelo Real brilharam a grande altura nos novos clubes e nas respectivas selecções nacionais. Por isso não cede.
Mourinho sabe bem que não tem equipa para se bater com o Barcelona por mais jogadores que contrate. O seu objectivo não é, portanto, ganhar vantagem no confronto face a face com o Barcelona. O seu objectivo é outro: Mourinho sabe que uma equipa como a do Barcelona, altamente competitiva e fascinantemente artística, pode falhar contra equipas menores. E são essas falhas que Mourinho quer aproveitar para ganhar. Mas para aproveitar essas falhas a cem por cento o Real não pode falhar. Em certos países, essas falhas contra as equipas menores podem resolver-se sem a contratação de jogadores, como Mourinho bem sabe. Em Espanha, porém, elas só se resolvem no campo, com jogadores que não falhem!
Sabendo isto, Mourinho continua fazenda a guerrilha antes e depois de cada jogo, arregimentando os jogadores para a sua causa, na esperança de assim pressionar os dirigentes e de os responsabilizar perante os adeptos pelo fracasso da equipa.
Para muita gente, Mourinho não tem, pelos processos de actuação que utiliza, um carácter que se recomende. Também não tem um futebol que entusiasme. Talvez ele perceba que está, porventura, a fazer no Real a sua prova de vida – da “vida” ao nível a que se habituou e a que habituou os adeptos das equipas que treina – dai que ele tenha elevado a luta a um ponto sem recuo: ou ganha, subjugando Florentino e "correndo" Valdano; ou perde, e sai sem honra nem glória.

domingo, 23 de janeiro de 2011

BENFICA: ESPECTÁCULO NA LUZ




NINGUÉM JOGA ASSIM EM PORTUGAL

Grande espectáculo na Luz. É provável que a equipa não tenha em todos os jogos a mesma consistência defensiva, mas o seu nível exibicional, aquele que o adepto gosta, é igual ou mesmo superior ao do ano passado.
O jogo de hoje, disputado pelas duas equipas com grande intensidade, foi um grande espectáculo de futebol. O Benfica foi indiscutivelmente muito mais vistoso do que o Nacional, tendo construído ao longo do jogo grandes oportunidades que não concretizou. Mas o Nacional jogou sempre com o mesmo entusiasmo, nunca se entregou, como algumas equipas fazem, principalmente em certos campos.
Mais uma vez o árbitro não assinalou um penalty daqueles que só ele não viu, em jogada da qual, aliás, resultou o primeiro golo do Benfica.
Na segunda parte, o Benfica, apesar de ter sofrido dois golos, quando ganhava por 3-0, foi ainda mais espectacular do que na primeira até ao primeiro golo do Nacional.
O primeiro golo do Nacional surge de bola parada - mais um esta época - e o segundo resulta de o Benfica não ter compreendido o modo como, a partir do primeiro golo, o Nacional se dispôs em campo. Certamente entusiasmados com a exibição que estavam fazendo, os jogadores do Benfica continuarem a jogar como até aí, com a intenção de dilatarem o resultado – o que poderia obviamente ter acontecido – sem se terem dado conta que o Nacional estava a jogar com a equipa partida, com muita gente na frente, tornando difícil a neutralização de qualquer jogada de contra-ataque, resultante de uma perda de bola do Benfica. E foi o que aconteceu. Sempre com a equipa muito balanceada no ataque, sem preocupação em guardar o resultado, o Benfica sofreu o segundo golo.
Mas não chegou a tremer, aliás, qualquer resultado que não fosse a vitória por vários golos seria sempre uma grande injustiça. E exactamente porque a confiança era muita, Jara pôs ponto final à questão com mais um golo.
A vitória por 4-2 não espelha completamente a verdade do jogo: o resultado poderia ser mais dilatado, mas faz jus à competitividade que o Nacional pôs em campo. E é quase certo que os adeptos do Benfica preferem estes jogos entusiasmantes, jogado por muitos artistas, com belas jogadas, do que aquele “joguinhos” em que se ganha por 1-0, sempre com a equipa muito contida para não ter surpresas.
Concluindo: está visto que não há penalties a favor do Benfica por mais descarados que sejam. Com o de hoje, já são nove os que ficaram por marcar. Em contrapartida, nos jogos do Porto nunca há dúvida, quando algo se assemelha a uma falta dentro da área adversária. É penalty!
E assim já lá vão três jogos por 1-0, todos ganhos na transformação de grandes penalidades mais que duvidosos: foi assim na Figueira da Foz contra a Naval; foi assim no Porto contra o Setúbal; e hoje em Aveiro contra o Beira-Mar!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

BENFICA: APOSTAS GANHAS E FALHADAS



As LIÇÕES DO JOGO CONTRA O OLHANENSE

Alinhando contra o Olhanense com uma equipa quase completamente diferente da habitual, da qual apenas alinharam David Luiz fora do lugar, Maxi Pereira, Javi Garcia e Aimar durante cerca de uma hora, Jorge Jesus teve oportunidade de ver em acção numa fase adiantada da época um conjunto de jogadores pouco utilizados.
Mesmo sabendo-se que os jogadores menos utilizados têm um ritmo diferente dos habituais titulares, algumas lições se podem tirar do jogo contra o Olhanense, que o Benfica ganhou por 3-2.
A primeira, se é que já não estava tirada, é a de que David Luiz fora do seu ligar vale menos cinquenta por cento. Se numa altura em que lutava por se firmar na equipa a abnegação com que lutava no lugar de defesa esquerdo ainda lhe permitia disfarçar algumas fragilidades, hoje, conquistada que está, com todo o mérito, um lugar na equipa, tirá-lo do centro da defesa é diminui-lo e desvalorizá-lo.
César Peixoto, sem prejuízo de todo o empenho que põe em jogo, não está à altura das responsabilidades do clube. Mas isso não justifica que o jogador seja relativamente hostilizado por uma parte do público. Ele faz o que pode e entrega-se ao jogo com dedicação. Merecia mais respeito.
Ayrton não descola. É um jogador pesado, pouco ágil e não vai passar muito daquilo. Sydnei é lento, desconcentrado e gera intranquilidade na equipa.
Kardec, outra das apostas de Janeiro do ano passado, também não descola, nem nunca será um grande ponta de lança. Um ponta de lança precisa de inteligência e instinto, podendo este, se for muito apurado, dispensar alguma inteligência. O que não existe em nenhuma parte do mundo é um grande ponta de lança sem instinto goleador. Kardec não fareja o golo, nem tem o instinto de saber onde encontrar a bola. Pelo contrário, posiciona-se sempre mal, quase sempre em condições de não poder concluir. Tem mais instinto para fugir da bola do que para encontrá-la.
Filipe Menezes promete quando começa a jogar, mas depois desaparece e nunca mais se dá por ele. Para um jogador do meio-campo, esta é uma característica fatal.
Jara sobre o qual havia tantas dúvidas parece ser reforço. Como aqui já se tinha dito, Jara pareceu muitas vezes um jogador triste, desadaptado, sem ligação com a equipa. Integrado, animado, Jara poderá tornar-se num grande jogador. Ontem marcou um grande golo e fez uma boa exibição.
Gaitan já deu provas mais do que suficientes – aliás, Jesus recorreu a ele e a Savio, quando as coisas estavam mal paradas - de que pode ser um excelente reforço, mas tem de perceber, principalmente quando joga no meio do campo, que, na Europa, contra uma equipa média, perder a bola na primeira fase de construção quando a equipa está toda balanceada para a frente é fatal: normalmente resulta em golo do adversário. E ontem, nos vinte minutos que jogou, perdeu algumas bolas.
Um jogo que estava sendo fácil, que poderia ter rendido mais golos, acabou por ser salvo por Salvio que saiu do banco, a vinte minutos do fim, para marcar um grande golo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

MOURINHO E O REAL MADRID



O QUE SE ESPERAVA

Antes do começo da época e antes que alguém o dissesse enumerei neste blogue as previsíveis vítimas de Mourinho no Real Madrid, se conseguisse impor a sua vontade soberana.
E simultaneamente alertei para o facto de o Real Madrid ser um clube completamente diferente de todos por que Mourinho tinha passado até então (com excepção do Benfica, onde esteve episodicamente), sendo de esperar grandes dificuldades de adaptação numa personalidade como a de Mourinho habituada a que sejam os outros a adaptar-se a ele.
As previsíveis vítimas de Mourinho, segundo o prognóstico que então fiz, seriam: Jorge Valdano; Cristiano Ronaldo; e o futebol espectáculo.
E expliquei: Valdano era demasiado culto e educado para caber na mesma equipa de Mourinho, ainda por cima numa posição de superioridade hierárquica. O estilo de Mourinho é outro: é o que vimos no Porto; no Inter; também no Chelsea, apesar de a Inglaterra impor limitações objectivas difíceis de ultrapassar; e no Real Madrid no jogo contra o Sevilha.
Cristiano Ronaldo, a segunda vítima, por Mourinho lhe reservar um papel idêntico ao de Eto’o. Aqui enganei-me, mas já explicarei porquê.
A terceira vítima seria o futebol espectáculo de que o Real jamais abdicaria, não só por o seu grande rival ter, desde Cruyff, esse futebol como matriz (embora sem sempre o conseguir), mas fundamentalmente por o Real ser quem é: a equipa do século XX! Poderia, admiti, na primeira época essa inevitável tendência de Mourinho para privilegiar exclusivamente a eficácia ser-lhe “perdoada” se ganhasse algo que se visse, mas jamais o Real aceitaria, como não aceitou com Capelo e outros, perder a sua identidade futebolística em troca de vitórias conseguidas “à Inter”. Daí, ter concluído que a “pátria do futebol” de Mourinho era a Itália, percebendo-se mal por que a abandonou.
E depois num outro post acrescentei: Mourinho ou percebe completamente uma equipa como Real Madrid e se adapta, ou vai ter muitas dificuldades em lá continuar. E expliquei porquê: até hoje Mourinho sempre treinou, com a tal excepção do Benfica, aquilo a que chamei “equipas párias”. Equipas que fazem da sua pequenez a sua força; equipas que vivem em guerra permanente contra todos os que não se submetem às suas estratégias e vontades: árbitros, jornalistas, jornais e estações de rádio e de televisão, equipas adversárias, enfim, toda a gente de fora.
Criam um clima de violência verbal e de constante provocação contra árbitros e jornalistas; pressionam árbitros; fazem “cenas” impróprias do desporto em campo e no acesso aos balneários; enfim, comportam-se realmente como párias. O exemplo máximo é o FCP, onde Mourinho verdadeiramente se educou, mas também as outras, com nuances e algumas diferenças, têm semelhanças entre si, desde logo por serem equipas só de alguns: ou dos ricos; ou de uma família; em regra, apenas com o apoio de um bairro de uma grande cidade.
No Real Madrid tudo seria diferente e nada disto seria admitido. O Real tem um nome a defender, construído com o prestígio adquirido em mais de um século de existência, respeitado e admirado nos quatro cantos do mundo, pelo que de forma alguma aceitaria que Mourinho passasse as marcas, mesmo que ganhasse.
Ainda é cedo para dizer que Mourinho não ganhou. E pode até vir a ganhar, mas a verdae é que ele já está a ensaiar o discurso da derrota, talvez porque ele próprio já tenha interiorizado o falhanço.

Na tentativa de se adaptar às exigências futebolísticas do Real, aceitou não sacrificar Cristiano Ronaldo em nome do futebol espectáculo (já o mesmo se não poderá dizer completamente de Di Maria), aceitou jogar o jogo que o Real e os seus adeptos querem ver jogado …e até agora tem falhado!

Falhou, primeiro, porque a Liga espanhola é muito difícil; depois, porque há nela uma super-equipa que deu a Mourinho um dos maiores “banhos de bola” da história do futebol. Mourinho, depois desse jogo de Camp Nou, nunca mais se recompôs. E Florentino Pérez, depois desse jogo, também percebeu que Mourinho não era o tal Midas que transformava em ouro tudo o que tocava; pelo contrário, até viu nele a existência de algum latão. E depois, a gota de água foi o jogo contra o Sevilha no Santiago de Bernabeu.
As cenas de violência com a equipa técnica do Sevilha, o empurrão ao veterano director de campo do Real Madrid, o ataque aos árbitros, o tratamento desrespeitoso a Jorge Valdano, a reacção da imprensa “madridista”, enfim, tudo isso pesou definitivamente na balança para que Florentino Pérez tenha claramente optado por Valdano e desautorizado Mourinho.
O jogo de Almeria, que confirma o nervosismo de Mourinho e o seu falhanço, foi apenas um pretexto que Mourinho tenta aproveitar a seu favor contra Valdano. Mas sem qualquer êxito, porque aquela conversa muito em voga no FCP – e infelizmente também já em uso noutras latitudes – para “atrasados mentais” não pega em Espanha. Por mais manobras de diversão que Mourinho invente, toda a gente percebeu que pôr Kaká a jogar no lugar de Benzema foi um erro…que a entrada de Benzema reparou parcialmente. Também não colhe em Madrid a versão que Mourinho se esforça por passar para os media e os adeptos, segundo a qual todos o problemas decorrem da sua relação com Valdano. Dito de outro modo, afastado este tudo seria diferente
Em conclusão: não admira que Mourinho diga que quer ir embora; contudo, em Madrid toda a gente percebe que Mourinho está a jogar a sua derradeira cartada para expulsar Valdano impor o seu estilo, fazendo ele próprio a ligação da equpa com o Presidente. Só que não será com empates na casa do “colista” do campeonato que o vai conseguir!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O SPORTING DEU-SE MAL COM A DEMOCRACIA


DE CRISE EM CRISE

O Sporting navega de crise em crise há muitos, muitos anos. Primeiramente, esteve dezoito anos sem ganhar o campeonato e agora já lá vão quase dez desde a última vitória.
A partir da grande transformação operada no futebol, entendido como um grande negócio, e quando, simultaneamente, se esbateu o papel dos “mecenas” que antes todas as equipas buscavam, o Sporting deixou de ter meios para competir em igualdade de circunstâncias contra os seus principais rivais.
Em princípio, nada justificaria que o Sporting tivesse menos meios do que o Porto, porque sendo então um clube com maior projecção nacional do que o Porto e beneficiando de uma escola de formação de jogadores indiscutivelmente superior, além de também ter, à época, um passado desportivo, em várias modalidades, mais rico do que o seu rival nortenho, tudo apontaria no sentido de o Sporting poder congregar os meios necessários para se manter de facto (isto é, com vitórias) e não em teoria como um dos maiores clubes portugueses.
Tal não aconteceu. O Sporting sofreu, como muitos outros clubes de menor dimensão, as consequências da sua inadaptação à nova situação.
O Sporting era – e ainda é, nos aspectos que contam – aquilo a que se poderia chamar um clube "aristocrático". As “boas famílias” de Lisboa eram e são do Sporting, o Sporting esteve sempre ligado a extractos da alta/média burguesia e era dirigido por uma espécie de “governo aristocrático” onde o povo só entrava para desempenhar o mesmo tipo de funções (metaforicamente falando) que os hoplitas desempenhavam na Grécia antiga: a guerra, ou seja, em linguagem futebolística, para prestar no campo apoio à equipa!
Foi assim que o Sporting foi concebido e foi assim que o Sporting funcionou na maior parte da sua história. Contrariamente ao Benfica que sempre foi um clube popular, ligado à arraia-miúda, apoiado por tudo quanto é suburbano à volta de Lisboa e com apoio esmagador no resto do país, o Benfica, em consonância com a sua origem, sempre foi, pelo menos até Vieira, um clube democrático, dirigido pelo voto popular. Um clube onde sempre houve confronto de opiniões expresso na apresentação de listas divergentes. Sempre, tanto durante a ditadura salazarista, como depois, até Vieira.
Já no Porto as coisas se passavam de forma diferente. Prevalecendo-se do facto de se tratar do maior clube da segunda maior cidade do país, com pretensões a assumir-se como clube regional (o que ainda hoje, não obstante os progressos, está longe de ser uma evidência), o FCP sempre viveu muito “encostado” à cidade que o viu nascer e tudo nele era tratado numa perspectiva bairrista. Um bairrismo clássico, não violento, nem excludente, que cantava as virtudes dos seus sem hostilizar os de fora.
Com a chegada na década de oitenta de Pinto da Costa ao poder, depois de uma luta fratricida pela sua conquista, o FCP assumiu-se como uma verdadeira ditadura, com palavras de ordem hostis e violentas contra quem era de fora e a criação de um clima de permanente crispação no futebol português que já nada tinha a ver com as antigas e saudáveis rivalidades clubistas. Mesmo dentro do próprio clube reina para todos a mais férrea disciplina, não se admitindo dissidências nem oposições. O único candidato que até agora ousou desafiar em eleições o poder de Pinto da Costa foi ferozmente hostilizado, apodado de louco e só não foi internado num hospital psiquiátrico porque a tanto não chegava o poder do presidente do Porto.
Esta estratégia, porém, aliada a outros tantos factos inconfessáveis, resultou e causou danos incalculáveis nos dois grandes clubes de Lisboa. Mais, muito mais, no Sporting do que no Benfica. O Benfica levou algum tempo a perceber o que se estava a passar, mas acabou por perceber. Estribado numa falsa ou verdadeira amizade que utilizava perversamente, o presidente do Porto conseguiu neutralizar a oposição do Benfica durante a fase inicial de ascensão e consolidação do seu poder. O Benfica acabou por reagir depois, desorientou-se frequentemente quando começou a constatar que já tinha perdido influência e protagonismo, mas, como nunca perdeu adeptos nem apoio popular, conseguiu manter-se na luta.
O Sporting não percebendo o que se estava a passar e vendo sempre no Benfica o seu principal rival, nunca, salvo episodicamente, se opôs com firmeza à crescente hegemonia portista, com a qual frequentemente se aliou para proveito e gáudio de Pinto da Costa.
Por outro lado, continuando a ser governado “aristocraticamente”, mesmo depois da extinção do conselho dos quinhentos, o Sporting não estava preparado para lidar com as demandas provenientes da base. Esta, desde sempre habituada a obedecer, foi aceitando durante muito tempo sem grandes protestos os presidentes que lhe apresentavam para dirigir o clube. Ainda houve um começo de revolta há muitos anos atrás com Gonçalves, saído directamente do povo, e depois com Cintra, tão povo quanto o primeiro, embora aureolado de self made man formado na “cultura do compra por 5 e vende por 50”, que os posteriores desenvolvimentos do 25 de Abril amplamente facilitavam.
Como, porém, os resultados foram péssimos, no primeiro caso, e maus, no segundo, rapidamente se voltou à cooptação dos presidentes dentro do círculo restrito aristocrático dominante.
Primeiro foi Santana Lopes pela mão de Roquete, depois o próprio Roquete enfado com os desmandos empresariais de Santana Lopes, a seguir Dias da Cunha e depois Soares Franco. Depois da chegada de Pinto da Costa ao poder, este foi apesar de tudo o melhor período do Sporting: ganhou dois campeonatos, Taças de Portugal, Supertaças e vários segundos lugares.
Todavia, como houve uma cisão no grupo dirigente durante o mandato do último presidente cooptado (Soares Franco) entre facção deste e a de Dias da Cunha, não foi possível, por pressão de bases cada vez mais exigentes, manter o sistema da cooptação seguida de ratificação.
E o presidente seguinte teve mesmo de ir a votos. Ganhou José Eduardo Bettencourt por larguíssima margem. Apesar de legitimado eleitoralmente pelo voto dos sócios, Bettencourt, empossado como presidente profissional, não resistiu à pressão das bases. Não soube impor-se; não souber dirigir; não soube contratar; enfim, era difícil encontrar alguém que num tão curto espaço de tempo fizesse tantas asneiras.
Primeiro foi a demissão de Paulo Bento, o treinador que melhor serviu o Sporting nas últimas décadas; depois a revolta do balneário ou de parte dele contra Sá Pinto, director desportivo, e a sua substituição por Costinha, um homem sem qualquer ligação ao clube, onde nunca conseguiu impor-se nem criar qualquer tipo de empatia com os adeptos nem com os media; antes disso o tratamento desprimoroso para com Carvalhal, um homem inteligente que, tendo ficado com a equipa em condições difíceis, deixou o Sporting na UEFA, onde aliás fez com ele uma excelente temporada; a seguir o anúncio da substituição de Carvalhal, com a época a decorrer, pelo treinador do Vitória de Guimarães, clube onde, aliás, tinha chegado já no decurso dessa mesma época ido do Paços de Ferreira; depois, a venda de Moutinho ao Porto num negócio que os sócios não compreenderam; finalmente, a contratação de Couceiro para superintender em Costinha e no treinador.
Restou-lhe a demissão na pior fase da época, deixando o clube à deriva.
EM TEMPO:
Os sportinguistas são impagáveis. Nicolau Santos, subdirector do Expresso, tão liberal em economia e em política caseira, desde as leis do trabalho ao comércio internacional, é proteccionista em matéria de futebol! Grande coerência.
A Federação ou a Liga, diz ele, deveriam impor aos clubes a inclusão de um número mínimo de jogadores portugueses nas equipas. Porquê? É fácil responder, porque o Sporting não tem dinheiro para competir com o Benfica nem com o Porto.
E por que não limitar as exportações da Alemanha à obrigatoriedade de aquisição de uma determinada percentagem de produtos portugueses? E...e.. por aí fora. Não há nada como o futebol, a paixão clubista, para os ver mandar a coerência às malvas!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011



APESAR DE NÃO SE TER EMPENHADO MUITO

A ideia com que fica qualquer pessoa que tenha visto jogo – e que atribua à Sport TV a importância que ela tem no comentário desportivo: zero! – é a de que o Benfica ganhou bem o jogo e poderia ter ganho por mais, principalmente enquanto a Académica jogou com onze.
Houve incríveis oportunidades falhadas, que se tivessem sido concretizadas teriam arrastado a equipa para uma exibição demolidora, porventura até mais consistente que muitas da época passada.
As bolas não entraram, por falta de eficácia do Benfica, e a equipa, a partir do momento em que passou a jogar contra dez, achou que mais tarde ou mais cedo marcaria mais vezes, tal a facilidade com que chegava à baliza contrária.
Assim não aconteceu e, sem nunca ter tremido, nem nada que se assemelhe, o Benfica sentiu um pouco chegar aos últimos dez minutos apenas com um golo de diferença. Porque, toda a gente sabe, quão fácil é numa qualquer bola perdida ou até num bom contra-ataque sofrer um golo.
É natural que a equipa não estivesse na parte final tão fresca quanto tem estado, embora a principal razão para um certo esmorecimento tenha muito mais a ver com a redobrada cautela em não sofrer um golo do que com qualquer tipo de cansaço.
É também verdade que um ou outro jogador pode não estar agora tão bem quanto esteve no princípio da época, mas isso, a ser verdade, só se passa com aqueles que iniciaram a época em grande forma, como Carlos Martins. Os demais estão agora muito melhor.
O árbitro não esteve bem. Toda a gente sabe que este árbitro raramente está bem. Mais difícil é saber, porque tal acontece, embora também se saiba que a principal razão para as suas falhas seja a incompetência.
O golo do Benfica pode ter sido irregular. Com a imagem parada percebe-se o que se passa. Com a bola corrida parece normal. Indesculpável, porém, é o cartão amarelo a Coentrão em vez da marcação de uma grande penalidade. E uma outra grande penalidade que ficou por marcar, por mão dentro da área de um jogador da Académica.
De qualquer modo, o árbitro nada tem a ver com a vitória do Benfica, nem tão-pouco com a escassez do resultado. Com a eficácia que tem demonstrado nos últimos jogos, o Benfica teria ganho por vários, sendo para o efeito irrelevante a actuação do árbitro.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

TODOS IGUAIS, PARA PIOR



A PROPÓSITO DE UM EPISÓDIO DO TRIO DE ATAQUE

Por se ter oposto à liberdade de imprensa, o sr. Rui Moreira teve de abandonar o programa da RTP acima referido.
Depois dos habituais protestos e ameaças, foi substituído pelo sr. Guedes que se apresentou como “corredor por conta própria”. Foi logo muito louvado, tanto pelo homem das sondagens, como pelo cineasta. E compreende-se: sem ele ou sem alguém que substituísse o anterior, o programa acabaria e lá se ia uma “renda mensal” de que se não pode prescindir, ainda por cima em tempos de crise.
Foi pena. Foi pena porque estes programas são um convite à estupidez e à incultura a que quase nenhum dos participantes escapa e a RTP, como serviço público que é, deveria dar o exemplo.
Mas não deu. E o programa continua, bem como os das estações concorrentes, cada um deles pior que o outro e sempre com o que há de mais lamentável no comentário desportivo.
A título de exemplo vale a pena atentar no que se passou ontem (digo ontem, porque vi, por acaso, em repetição).
O sr. Vasconcelos, a propósito do jogo do Benfica em Leiria, trouxe à discussão o jogo do Leiria no Porto. Jogo que aqui já havíamos comentado, por mais que uma vez, por termos estranhado a completa passividade com que a equipa do Leiria encarou o jogo. Mas só ontem fiquei a saber, pela intervenção de Vasconcelos, que o Leiria jogou no Porto sem os seus dois melhores jogadores – Silas e Carlão – por deliberada opção do treinador! Aliás, já não é a primeira vez que equipas da dimensão desportiva do Leiria jogam no Porto sem os melhores jogadores ou são substituídos, no decurso dos jogos, quando estão a fazer grandes exibições (os tristes casos do Belenenses e também do Setúbal, aqui há uns anos, servem de exemplo)
Reposta do comentador do FCP: “O Leiria jogou contra o Porto sem os mesmos jogadores que jogou contra o Benfica”.
Só que os dois referidos jogadores à data do jogo contra o Benfica já haviam sido transferidos. Já não pertenciam ao clube!
Que comparação pode haver entre as duas situações? É mesmo uma argumentação para atrasados mentais. Como de costume, o comentador do SCP, em tudo quanto não seja para atacar o Benfica, não tem opinião!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

NOVA VITÓRIA DO BENFICA




O PORTO EM DIFICULDADES

O Benfica ganhou sem dificuldade ao Olhanense por 5-0, passando, assim; à eliminatória seguinte da Taça de Portugal, contra o Rio Ave, em Vila do Conde.
Cada vez mais a equipa tanto pelo nível das suas exibições, como pelos resultados se vai aproximando mais da da época passada, conquistando a confiança dos adeptos.
Saviola está outra vez a ser determinante e Cardozo confirmou o seu regresso aos golos. Salvio torna-se uma certeza a cada dia que passa bem como Gaitan.
Acabou por não ser um jogo muito exigente, mas o mérito vai todo para o Benfica, que o tornou fácil.
Compreende-se melhor o “discurso” do presidente do Porto, face às exibições do Benfica. Está com medo!
No seu estilo de pessoa que não respeita o adversário, seja ele forte ou fraco, que só sabe conviver num clima de violência latente, além de tudo o mais que dele se sabe – e que é audivelmente público! -, percebe-se que ele vai recorrer a todos os meios para impedir que o Benfica se aproxime…
Este ano ele não “vai dormir”. O ano passado, confessou, andou a "dormir", mas este ano não fará o mesmo. A gente já sabia que ele e o Reinaldo Teles trabalhavam de noite, mas supúnhamos que dormiam de dia. Afinal, vão deixar de dormir, o que significa que a coisa já não está como estava.
E não está. Como ainda hoje se viu contra o Pinhalnovense.

A DECEPÇÃO ESPANHOLA





E LOGO DOIS ESTRANGEIROS...

De uma maneira geral os países europeus são muito chauvinistas, uns porque são novos, com independências recentes, outros porque são velhos, mas com fronteiras contestadas.
Dificilmente se encontra um país mais arrogante e mais nacionalista do que a Espanha, muito fruto da herança imperial de Castela e das múltiplas humilhações sofridas depois do “siglo d’oro”.
É no fundo essa atitude que justifica o grande azedume com que a imprensa espanhola, nomeadamente a de Madrid, acolheu a premiação de dois profissionais de futebol que trabalham em Espanha…mas são estrangeiros.
Tudo isto, porque tinham por certo que Vicente del Bosque seria o escolhido como melhor treinador, aliás uma excelente pessoa, humilhado pelo Real Madrid aqui há uns anos, apesar de o clube madrileno tanto lhe dever, e que um dos dois grandes jogadores do Barcelona, Iniesta ou Xavi, seria o escolhido como melhor jogador.
A imprensa de Madrid, que apoia claramente o Real Madrid e mantém uma viva rivalidade com o Barcelona, sentiu como se de um jogador do Real se tratasse a preterição de ambos por Messi, igualmente do Barça, mas argentino.
E nem o facto de Mourinho treinar o RM constituiu motivo suficiente para olvidar a afronta que a preterição de del Bosque ou até de Guardiola constituíram.
A Marca titulava em primeira página especial: Dois vencedores (Mourinho e Messi) e um anti-espanhol (Joseph Blatter), o suíço que a Espanha inteira ostraciza por “repetidamente” a querer humilhar!
Onde é que está essa repetida humilhação? Na escolha da Rússia para sede do Mundial de 2018 e na decisão de ontem….com a qual Blatter, teoricamente, nada teve a ver.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

OS PRÉMIOS DA FIFA






SURPRESAS NÃO SURPREENDENTES

Constava com muita insistência na imprensa nacional e internacional que os principais prémios da FIFA iam para Vicente Del Bosque e Iniesta ou Xavi. De fora ficariam Mourinho e Leonel Messi.
E a convicção era tanta que até os principais excluídos estavam convencidos de que não seriam premiados.
Não aconteceu assim. Mourinho foi muito justamente considerado o melhor treinador do ano, já que o seu feito só foi superado pelo de Guardiola num ano em que os treinadores não eram galardoados por aquela organização.
Tendo ganho a Taça de Itália, o Campeonato Italiano e a Liga dos Campeões, Mourinho estava na primeira fila para receber o prémio, por muito que se conteste o seu estilo, o seu contributo para o futebol em geral e inclusive o seu futebol.
Vicente del Bosque ganhou o Campeonato do Mundo, como antes já tinha ganho grandes títulos no Real Madrid, entre os quais a Liga dos Campeões, mas a vitória numa prova relativamente curta, por mais importante e espectacular que seja, como é um Campeonato do mundo, não pode comparar-se à vitória em três provas, de grande prestígio e de grande dificuldade. Se nenhum treinador concorrente tivesse reunido em si vários títulos, seria normal a atribuição a Del Bosque. Com três títulos, Mourinho dificilmente poderia ser excluído.
Guardiola, apesar de ter ganho a Liga espanhola e de treinar a equipa que melhor e mais espectacular futebol pratica, além de ela própria ser indiscutivelmente a melhor equipa de futebol do mundo, não poderia vencer Mourinho por ter perdido no confronto directo com o treinador português a eliminatória das meias-finais da Liga dos Campeões.
Quanto ao melhor jogador do mundo, ninguém tem dúvidas de que é Messi. Como Messi não ganhou com a Argentina o Campeonato do Mundo, admitia-se que um dos seus dois mais dotados companheiros do Barcelona, campeões do mundo, pudesse este ano ser premiado. Não apenas para premiar o mérito individual, mas também a vitória espanhola e a “cantera” do Barcelona.
Não foi esse, porém, o critério que prevaleceu entre os votantes e apesar da simpatia generalizada de que desfrutam tanto Iniesta como Xavi tem de considerar-se que o prémio atribuído a Messi premeia o melhor jogador do mundo, porventura aquele que virá a ser considerado o melhor jogador de todos os tempos!
Daí que as “surpresas” de hoje à tarde não sejam surpreendentes…

O RECOMEÇO DO CAMPEONATO



QUASE TUDO NORMAL

O campeonato recomeçou após longa paragem sem grandes surpresas. De sublinhar entre estas a vitória da Naval em Guimarães, depois de reduzida a nove unidades e no começo do ciclo Carlos Mozer. Dada como certa na segunda divisão, a Naval vai agora demonstrar nos jogos subsequentes até onde vai o efeito Mozer. Espera-a já na próxima jornada um jogo difícil com o Porto, onde ninguém conta com surpresas.
O porto ganhou normalmente ao Marítimo, por 4-1, apesar de não contar com Falcão. Muito dificilmente perderá a vantagem que leva para o Benfica.
O Sporting consolidou o terceiro lugar vencendo o Braga por 2-1 em Alvalade. À parte os cerca de 10 minutos em que aconteceram todos os golos, foi um jogo pouco emotivo que o Sporting ganhou naturalmente. O Braga está uma sombra do Braga da época passada. Falha muitos passes, tem menos solidez defensiva e pouca eficácia no ataque.
O Benfica terá feito o melhor jogo da época fora de casa e tudo indica que a equipa está num crescendo, que pode ser insuficiente para recuperar a vantagem que o separa do Porto, mas muito importante para readquirir a confiança dos adeptos. Se o Benfica passar a dar espectáculo, como aconteceu o ano passado, pode ter a certeza de que terá os adeptos consigo. E o facto de dar espectáculo e isso ser reconhecido pela imprensa e os media em geral constituirá em si um efeito destabilizador para os demais, nomeadamente para o Porto.
Em Leiria, na primeira parte e nos últimos quinze minutos da segunda, o Benfica esteve muito próximo da equipa do ano passado, havendo jogadores decisivos, como Saviola, em grande forma
Tudo mudará quando o próximo jogo do Benfica deixará de ser esperado como uma confirmação do jogo anterior e passar a ser encarado como mais um motivo de alegria pelo espectáculo que os adeptos esperam da equipa.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

MOURINHO RETRATADO TAL QUAL É


A IMPRENSA DE MADRID NÃO POUPA MOURINHO

Aqui há muitos meses, neste post, antecipámos as dificuldades de Mourinho em Madrid, bem como as suas previsíveis vítimas.
Também dissemos que Mourinho, com experiência em clubes párias, iria ter muita dificuldade em adaptar-se ao Real Madrid.
Finalmente, Mourinho não é tão inteligente quanto o julgam. É um narciso, um ególatra, que apenas pensa em si e nos seus êxitos. E quem assim actua corre sempre o risco de não compreender o contexto em que actua.
É certo que nem todas as equipas em que Mourinho ganhou títulos são iguais. Há diferenças entre elas, mas todas têm de comum o serem equipas pequenas – equipas de apenas alguns. com poucos adeptos
O Porto é de longe aquele que melhor se adequa à personalidade de Mourinho. Tudo vale, tudo se pode fazer, desde que esses feitos levem à vitória. Pode-se fomentar a violência, pode-se coagir as arbitragens, pode-se mesmo levá-las para “casa” ou dar-lhes “fruta”, pode-se achincalhar os adversários, pode-se usar a intimidação e a violência contra jornalistas e outros agentes desportivos – desde que com essas práticas se alcance a vitória, elas serão boas. No Porto, Mourinho mais do que mestre, foi aluno: foi lá que ele aprendeu a ser quem é.
No Chelsea as coisas eram diferentes. Antes de mais, porque se estava em Inglaterra. Muitas das práticas que tinha aprendido em Portugal não poderiam ser transplantadas para lá. Mesmo assim, algumas foram.
A seu favor tinha o facto de o Chelsea ser um clube pequeno, um clube de ricos, numa Londres onde o futebol era originariamente proletário, comprado por um oligarca russo, que acima de tudo queria vitórias. Mas que, curiosamente, não desprezava, contrariamente à generalidade dos adeptos, o espectáculo.
A ausência de grandes vitórias no plano europeu e o desprezo pelo espectáculo ditaram a sorte de Mourinho. Foi despedido.
No Inter havia grande “fome” de vitórias nacionais e europeias. Arredado das vitórias nacionais durante largos anos, o Inter, beneficiando da grande crise do futebol italiano, nomeadamente da Juve e do Milan, havia encetado o regresso aos títulos nacionais antes de Mourinho. Com Mourinho consolidou-os e regressou aos títulos europeus, dos quais estava afastado há muitas décadas.
Como clube pouco popular que é, sem adeptos na Itália e com poucos adeptos na Lombardia, o Inter era o clube ideal para Mourinho poder fazer todo o tipo de guerras com os árbitros, com a imprensa, com os colegas, enfim, fazer uma completa demonstração de uma personalidade com um carácter que não respeita nada nem ninguém para atingir os seus fins.
No auge das suas vitórias, completamente embriagado com o seu próprio endeusamento, chegou a Madrid, sem perceber bem – vê-se agora – o chão que pisava. Já em anteriores ocasiões tinha dado sobejas provas de não compreender o “madridismo”, mas a partir do momento em que foi humilhado pelo Barcelona e em que levou um dos maiores “banhos de bola” da história do futebol, Mourinho ficou transtornado e desequilibrado tão forte foi a “machadada” desferida no seu incomensurável orgulho.
As cenas de domingo passado, a recusa em comparecer hoje na conferência de imprensa, foram a gota de água que fizeram a imprensa de Madrid dizer, sem meias-palavras, o que dele pensa, como se pode ler aqui (Madrid descobre o pior de Mourinho) e aqui (Que o Madrid se defenda de Mou).

Na conferência de imprensa de domingo, atacou Valdano. Florentino Peres, sem rodeios, respondeu. "Jorge é quem melhor nos representa".

Esta página da Marca é bem o exemplo do que é hoje Mourinho em Madrid.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

AFINAL, MOURINHO NÃO AGUENTA A PRESSÃO



OS CLUBES DE MOURINHO

Fica cada vez mais patente a cada dia que passa que Mourinho tem muita dificuldade em conviver com quem o supere. E para evitar ou tentar evitar que tal aconteça, Mourinho lança mão, sem escrúpulos, de tudo o que lhe possa ser útil.
Nenhum critério de natureza ética o demove nesse objectivo. Os seus critérios são puramente pragmáticos e utilitários. O que for útil, é bom. A mais completa amoralidade é a norma de conduta de Mourinho.
Por isso, Cruyft, com razão, diz que Mourinho pode ser, e é, um bom treinador para a sua equipa, mas não é um bom treinador para o país, para o futebol e para todos aqueles que podem tirar proveito de um grande exemplo.
Acontece que para Mourinho estas palavras não representam nada, nem sequer ele as interioriza como uma censura. O seu objectivo é ganhar, e, desde que o consiga, convive muito bem com tudo o resto.
Acontece que no Real Madrid as coisas não são bem iguais às de outros clubes por onde Moutinho passou. O Real Madrid quer ganhar, mas quer acima de tudo ser um clube de projecção nacional e mundial, sem mancha. Um clube que respeita os adversários, que respeita as estruturas do futebol nacional, europeu e mundial em que está integrado, em suma, o Real Madrid não é, nem quer ser um clube pária, mesmo que esse fosse o segredo ou o caminho mais curto para as vitórias. O Real Madrid quer ser, e nunca pela sua história abdicará disso, um clube de referência.
Aquilo a que eles chamam de “madridismo” não aceita, nem pode aceitar, os comportamentos de Mourinho e da sua gente.
Mourinho vem de outras experiências, umas de batota declarada e confirmada por escutas, outras de clubes adquiridos por plutocratas sem escrúpulos, oligarcas autoritários que se acham com direito a tudo, outras ainda de clubes impopulares e rejeitados não apenas pela grande maioria dos adeptos do futebol, mas inclusive da cidade ou região a que pertencem. É nestes ambientes que Mourinho se sente bem. Neles goza de rédea solta para utilizar a vasta gama de recursos que sabe pôr ao seu serviço para ganhar.
No RM não vai poder actuar assim. E não é facto de ontem já ter pedido desculpa ao presidente pelo que aconteceu na véspera que ele se pode sentir habilitado a voltar actuar da mesma maneira no dia seguinte.
Além do mais, em Madrid percebem que Mourinho está completamente destabilizado pelo futebol do Barcelona. Afinal, Mourinho não aguente a pressão. Ele que tanto se gabava de ser indiferente a tudo o que o rodeava…
Como desculpa, dizem alguns, tem a seu favor o ter levado um dos maiores “banhos de futebol” de que há memória!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O JOGO DE PAÇOS DE FERREIRA



DOIS ENIGMAS E UMA CERTEZA

O Porto ganhou em Paços de Ferreira por 3-0. Dois golos nos descontos e um na primeira parte.
Apenas dois enigmas.
Primeiro, o penalty marcado a favor do Porto, depois de corte com o pé de um jogador do Paços;
Segundo, os falhanços de Rondon…um caso a seguir com atenção.
A certeza é a do comentador de arbitragem da TVI - nem na arbitragem da Liga o quiseram!

domingo, 19 de dezembro de 2010

O REAL MADRID NA SPORT TV



ATÉ DI MARIA JÁ É "ANGELITO"

São ridículos, absolutamente ridículos, os comentários e a narração dos jogos do Real Madrid na Sport TV.
O comentador e o narrador são dois adeptos fanáticos do conjunto madrilista, não certamente por se tratar do Real Madrid, mas por a equipa ser treinada por Mourinho e lá ter Ronaldo e Ricardo Carvalho, além de Di Maria, que, desde que lá está, até passou a “Angelito”. O mesmo que o ano passado fazia imensas “fitas”, é agora um super craque.
É este “saloiismo bacoco”, disfarçado de patriotismo futebolístico, que faz com que o narrador e o comentador se refiram às vicissitudes do jogo e ao árbitro como se estivessem a tratar de um assunto deles e, por extensão de todos nós, pondo nele tal fervor e tanto facciosismo, que tornam o espectáculo, além de ridículo, insuportável.
Quem simplesmente queira assistir a um jogo de futebol não consegue. Os ditos “funcionários” da Sport TV – estes ou outros, já que é quase idêntico o comportamento de todos – não percebem que o Real Madrid está claramente traumatizado pelo êxito e pelas exibições do Barcelona - que, essas sim, arrebatam multidões em todo o mundo -, e, por isso, joga com intranquilidade e até pior do que poderia fazer noutras circunstâncias. Eles não percebem que as vitórias do Barcelona, sempre ligadas a exibições deslumbrantes, com prestações individuais verdadeiramente extasiantes, têm um efeito demolidor sobre a moral dos jogadores do Real, nomeadamente daqueles que supunham poder ombrear com os grandes craques do Barcelona.
E como não compreendem isto, ou fazem que não compreendem, procuram desculpas nas arbitragens, que, segundo a opinião deles, agem sempre contrariamente aos interesses do Real – o que também não deixa de ser ridículo para quem minimamente conheça o futebol espanhol – e atribuem todo o tipo de méritos e de elogios aos jogadores portugueses, mesmo quando os não merecem.
A Sport TV deveria saber que quem paga a assinatura para ver os jogos transmitidos em canal fechado paga isso mesmo: a possibilidade de ver jogos e não para assistir a verdadeiros comícios de apoio a uma determinada equipa.
Por esta forma de actuar dos tais funcionários da Sport TV igualmente se afere a sua completa ausência de profissionalismo. O que eles fazem abertamente com o Real Madrid, fazem-no encapotadamente na maior parte dos outros jogos. Só que, como não se trata de uma equipa portuguesa, eles partem do princípio que todos os espectadores apoiam aquela onde estão portugueses e, por isso, sentem-se tão à vontade como quando estão a relatar um jogo da selecção nacional. O que eles se esquecem é que a maior parte das pessoas o que quer é ver futebol e que as poupem ao fanatismo dos comentadores.
O clima em Madrid, e na Espanha em geral, á volta de Mourinho é cada vez pior. A arrogância do português, o auto-elogio permanente e a sombra, ou antes, o sol que irradia de Barcelona vão fazendo contra ele o seu caminho.
Aliás, este clima criado por Mourinho e a sua gente está-se tornando gradualmente insustentável. Ainda hoje Silvino se meteu com o banco do Sevilha – e não o contrário – e depois empurrou violentamente o delegado de campo do próprio RM. E tudo isto acontece, porque Mourinho “fez-se grande” em habitats onde a violência não era uma excepção e onde a impunidade era a regra!
EM TEMPO
Lidas as declarações de Mourinho após o encontro com Sevilha, percebe-se que ele pede a "cabeça" de Valdano. Como aqui se vaticinou logo que Mourinho assinou pelo Real, Valdano seria uma das suas próximas vítimas.
Valdano é demasiado civilizado para lidar com Mourinho. Não é com gente como Valdano que Mourinho está habituado a tratar...

sábado, 18 de dezembro de 2010

BENFICA VENCE E SOBE DE RENDIMENTO



A DEFESA AINDA COM FALHAS

O Benfica venceu o Rio Ave por 5-2 e realizou uma exibição que, do ponto de vista atacante, se aproximou das da época passada. Tanto na eficácia finalizadora, como na exibição, o Benfica jogou muito bem na primeira meia hora e depois, na segunda parte, soube reagir bem ao golo do Rio Ave e marcar em quase todas as situações de golo.
De evidenciar a boa exibição do Rio Ave, com excepção da tal primeira meia hora, que, apesar de ter sofrido golos em momentos decisivos do jogo, nunca se entregou e criou permanentemente dificuldades ao Benfica.
Com uma equipa quase Argentina é natural que o Benfica tenha feito gala de um bom toque de bola, apesar de algumas falhas, e de um virtuosismo muito próprio dos jogadores argentinos.
Contra, as falhas defensivas que continuam a existir. Falhas que não são necessariamente individuais, embora também existam, mas da organização defensiva da equipa. Se o Benfica melhorar neste aspecto, que tem sido o seu principal problema esta época, é provável que se aproxime do Porto.
Boas exibições individuais de Salvio, que foi o melhor em campo, de Saviola, a subir de rendimento de jogo para jogo, e de Roberto, que esteve à altura nos momentos decisivos. Do lado do Rio Ave, boa exibição de João Tomás.
Entretanto, o treinador do Porto deu mais uma vez provas do seu baixo nível. Comportando-se como adepto, e não como treinador, irá certamente, mais tarde ou mais cedo, sofrer as consequências dessa sua atitude.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

AS EQUIPAS PORTUGUESAS NA LIGA EUROPA



PERSPECTIVAS

Arredadas da Liga dos Campeões, por exclusiva responsabilidade do Benfica, que nem sequer cumpriu a obrigação de ganhar os jogos em casa, as equipas portuguesas concentraram-se todas na Liga Europa.
Apesar de o Benfica e o Porto defrontarem equipas de ligas da “Primeira Divisão” europeia, a verdade é que nem estas nem as outras duas equipas ainda em prova (Sporting e Sporting de Braga) irão ter pela frente equipas muito fortes.
O Braga jogará com o Lech Poznan da Polónia, que está em 10.º lugar a onze pontos do primeiro. Jogando primeiro em Poznan e, depois em Braga, há todas as condições para que a equipa bracarense siga em frente.
Já ao Sporting cabe-lhe defrontar o Rangers, em primeiro lugar na Liga escocesa, com apenas uma derrota. Este jogo é bem capaz de ser o mais difícil dos quatro, embora o Sporting costume fazer bons resultados com equipas britânicas. O problema é que o Sporting tanto faz hoje um jogo bom como amanhã um jogo péssimo. E como nunca se sabe com o que se pode contar, a eliminatória está em aberto, com mais probabilidades para os escoceses.
Ao Benfica cabe-lhe o Estugarda, já conhecido do clube da Luz nestas andanças. Com Trappattoni, o Benfica perdeu na Alemanha por 3-0 na Taça UEFA, numa modalidade parecida com a actual Liga Europa. O problema do Benfica é semelhante ao do Sporting: a irregularidade da equipa. Quanto ao resto, o Estugarda está em penúltimo lugar na Bundesliga, embora com muitos golos marcados…mas também com muitos sofridos. Contra, ainda o facto de em mais de 50 anos de competições europeias o Benfica nunca ter conseguido ganhar na Alemanha, mesmo quando as equipas que defrontou ocupavam, à época, os últimos lugares da tabela – Nürnberg, Hertha de Berlim e Schalke 04.
O Porto tem a tarefa facilitada, não apenas porque está a jogar bem e muito moralizado, mas também porque o Sevilha tem sido uma permanente decepção. Eliminado da Champions League pelo Braga, apurou-se in extremis na fase de grupos da Liga Europa, em consequência de uma inexplicável fraca prestação do Borússia de Dortmund. Em 12.º lugar na Liga espanhola, a vinte pontos do Barcelona, com mais golos sofridos do que marcados, o Sevilha não é, nem de perto nem de longe, uma equipa que possa fazer frente ao FCP.
Sendo certo que daqui a Fevereiro muita coisa pode acontecer e até mudar, é, no entanto, plausível, feitas todas as contas, que o Porto e o Braga tenham as eliminatórias garantidas, perspectivando-se muitas dificuldades para o Benfica e para o Sporting.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O BENFICA GANHOU, MAS ...



HÁ TRISTEZA NO FUTEBOL DO BENFICA

Pela primeira vez, como treinador, Jorge Jesus apresentou-se perante a imprensa com um ar abatido e triste, aparentemente sem soluções para o mal que afecta o Benfica.
O jogo contra o Braga, também a passar um mau bocado, não foi bom, nem foi mau. Foi um jogo triste, sem alma, no qual à partida se sabia que um passaria e outro ficaria.
Há qualquer coisa nos jogadores do Benfica que nem eles, nem o treinador, conseguem erradicar.
A equipa joga como se não houvesse treinador. Embora isso não seja necessariamente culpa do treinador. Do mesmo modo que o ano passado jogava como se o treinador estivesse permanentemente “dentro do campo” a explicar-lhe o que fazer, embora isso também não fosse mérito exclusivo do treinador.
Há, de facto, qualquer coisa no futebol, que está para além da lógica e da racionalidade. Há no futebol um lado afectivo e emocional que, não sendo suficiente para transformar onze jogadores numa boa equipa, é, todavia, necessário para fazer de onze bons jogadores uma boa equipa.
Há qualquer coisa no Benfica que se “quebrou” e que somente por um daqueles acasos em que o futebol é fértil se pode voltar a “soldar”.
Talvez Jesus não seja treinador para mais de um ano, principalmente pelas suas limitadíssimas capacidades comunicacionais e também pelo super ego que exibe quando está vitorioso. Nem uma coisa nem outra se adquirem ou perdem aos cinquenta anos…
Talvez que o Benfica devesse ter vendido quase todos os jogadores que queriam sair, nomeadamente os estrangeiros, e devesse ter comprado bem e a tempo alguém para os substituir.
Talvez…O que parece ser certo é que o Benfica não encontra dentro de si forças suficientes para se manter no topo. De cada vez que lá chega, volta a cair. E depois de cair leva muito tempo a levantar-se de novo.
Importante, muito importante é conseguir um lugar na Liga dos Campeões da próxima época. Não é que o resto seja secundário. O que não pode é sacrificar-se o essencial na tentativa de alcançar o acessório.

sábado, 11 de dezembro de 2010

BENFICA: UM FUTURO COMPLICADO



A GRANDE OPÇÃO

Multiplicam-se as análises sobre o actual momento do Benfica e, simultaneamente, as declarações de apoio do Presidente a Jesus. Vieira, ao contrário de Pedro, o apóstolo, três vezes o confirmou e todavia o exemplo do apóstolo que, por três vezes o renegou, acabaria por frutificar até hoje: “ Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.
Vieira o que verdadeiramente quer dizer é: “Tu és Jesus e contigo ao leme não construirei o meu Benfica”.
Certamente que Jesus não é a pessoa certa para reconstruir o Benfica. Não é, nem tinha que ser. Essa não é a função do treinador. Essa é a função do Presidente. Se depois de tantos fracassos e de não menos ilusões levianamente vendidas o Benfica tomba com tanta facilidade na vulgaridade, a culpa é do Presidente. Que não sabe liderar. Que não sabe escolher. Que está mal acompanhado.
E mais uma vez isso vai acontecer este ano. Não adianta ter ilusões. Já se percebeu que o treinador, pelas suas próprias fragilidades – incultura, impreparação para lidar com o êxito e com o inêxito, incapacidade de comunicar e, inclusive, deficiências técnicas graves tanto na escolha dos jogadores como na preparação dos jogos – e pelo contexto em que actua – uma direcção fraca, arrogante no exercício do poder e frágil na imposição da verdadeira autoridade – não está, por si, em condições de recuperar o Benfica para o que falta da época.
Dificilmente o Benfica contará com a “revolta do balneário”, feita de orgulho ferido e de amor-próprio. E também não conta, como já se disse, com uma presidência à altura das circunstâncias. Menos ainda poderá esperar qualquer benevolência, por mínima que seja, vinda do exterior. Já se percebeu que não haverá disso: as pequenas e “inocentes” ajudas estão reservadas para o Porto, quando necessárias – contra a Naval, contra o Nacional, contra o Moreirense, contra o Vitória de Setúbal – ou para o Sporting, que, de tão fraco, as não aproveita ou até as esbanja logo a seguir – e tantas e tão caricatas são, que nem vale a pena enumerá-las.
O Benfica tem de ter um treinador que seja um profundo conhecedor do grande futebol europeu, assim alguém como o actual treinador do Shaktar Donetz, alguém que apoiado por uma direcção competente prepare o Benfica para um comportamento positivo constante nas provas europeias.
O campeonato nacional é importante. A vitória na Liga é muito reconfortante, mas, por estranho que possa parecer, não é o mais importante. Importante é apurar-se para a Liga dos Campeões e assegurar uma participação positiva na prova.
No estrangeiro, o que conta, o que dá prestígio e dinheiro, é a Liga dos Campeões. Fora das três, no máximo, quatro, grandes ligas europeias, ninguém sabe quem foi o campeão da Bielorrússia, da Ucrânia ou de Portugal. Mas passa nas televisões de todo o mundo o resumo da derrota do Benfica contra o Hapoel de Israel e fica a insignificância da equipa que a sofre. Ao contrário, as vitórias na prova, o apuramento na fase de grupos, a passagem da primeira eliminatória, se forem um hábito constante, dão à equipa uma dimensão universal, feita de factos e não de mitos.
É neste sentido que o Benfica tem de apostar. Participar regularmente com um mínimo de brilho na Liga dos Campeões é muito mais rentável que uma vitória no campeonato nacional. O resto…virá por acréscimo.

A COVARDIA DE RUI SANTOS



UM EXEMPLO ENTRE MUITOS

Rui Santos é um intriguista vulgar. Somente num país onde a paixão clubista se sobrepõe a toda a racionalidade e no qual, além do mais, as polémicas, tanto no futebol, como na política, não primam pela lógica e pela racionalidade se pode compreender que um comentador tão vulgar tenha alguma audiência.
Aliás, comentador em solilóquio, já que inclusive lhe falta a coragem para debater e discutir conjuntamente.
Vem estas breves considerações a propósito de um artigo que o dito intriguista publicou na Record de quinta-feira, 9 de Dezembro, sobre as incidências do Porto-Vitória de Setúbal, de segunda-feira passada.
Não podendo deixar de referir-se ao modo como o FCP assegurou a vitória, Rui Santos critica a arbitragem, mas sempre daquela forma tímida de quem receia pelas consequências, se “falar de mais”. E quando nada, absolutamente nada o justifica, introduz, manifestamente para sua defesa pessoal, o Benfica na questão, dando a entender que divide com o Porto os favores da arbitragem.
Se se tratasse de uma calúnia, semelhante a tanta outras em que RS é useiro e vezeiro, ele não mereceria qualquer resposta. Apenas a tem, porque aquele artigo demonstra que ele – o tal da verdade desportiva – não passa de um tipo sem coragem. Nenhuma coragem.
É que o Benfica não vem naquele artigo a propósito de nada, nem sequer de um qualquer outro jogo dos disputados este ano. O Benfica vem ali, apenas para o defender de uma investida portista, que nunca se sabe - e ele também sabe isso – como é feita. Dizer mal de uma arbitragem que favoreceu o Porto, metendo no mesmo saco o Benfica é algo, que na compreensão que ele tem das coisas, o deixa fisicamente descansado. Que miséria!
Se ao menos falasse do Sporting que, com corrupção ou sem corrupção – só os dirigentes e os influentes sportinguistas o sabem -, regista este ano (e também o ano passado) uma série inconcebível de “erros graves” a seu favor, ainda se compreenderia, por muito que a citação apenas tivesse por objectivo não o deixar isolado frente ao Porto.
Agora que tenha envolvido o Benfica é um acto de profunda covardia!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

RÚSSIA E QATAR SEDES DO MUNDIAL 2018 E 2022

DUAS GRANDES APOSTAS DA FIFA

Já há muito se percebeu que a FIFA quer fazer do futebol o primeiro desporto mundial. Os novos mercados e as regiões que até hoje nunca tinham organizado uma prova desta envergadura foram, naturalmente, os privilegiados nas escolhas. Mas não só. As escolhas da FIFA também são políticas, no sentido corrente e não pejorativo do termo.
A dúvida não estava na escolha da Rússia que, desde início, se apresentou com grande favoritismo. A dúvida estava entre os Estados Unidos e o Qatar. Apesar de os Estados Unidos representarem um grande mercado que ainda não está ganho para o futebol, tem de compreender-se que a FIFA com a sua decisão quis igualmente dar um contributo para a atenuação das tensões mundiais.
A escolha de um país árabe, situado numa zona nevrálgica do globo, acaba por representar um voto de confiança naqueles que não acreditam nas guerras entre civilizações.
E pelo que já se sabe a respeito das votações, as coisas passaram-se de modo muito diferente daquele que vinha sendo antecipado pelos “entendidos”.
Assim, relativamente ao Mundial de 18, o primeiro candidato a ser eliminado foi a Inglaterra, com apenas 2 votos na primeira votação, contra 4 da Holanda/Bélgica, 7 de Portugal/Espanha e 9 da Rússia.
No segundo round, a Holanda/Bélgica perdeu 2 votos, tendo ficado com 2, Portugal manteve os mesmos 7 e a Rússia somou os dois da Inglaterra, mais os 2 que a dupla H/B perdeu, além dos 7 que já tinha, tendo ficado com 13.
Resultado final: vitória concludente da Rússia por 13 a 7.
Quanto ao Mundial de 22, as coisas foram mais renhidas.
Na primeira volta, o Qatar somou 11; os EUA, 3; a Coreia do Sul, 4; e o Japão, 3 e a Austrália 1, tendo sido eliminada.
Na segunda volta, o Qatar perdeu um voto (10); os EUA ganharam 2 (5); a Coreia do Sul ganhou 1 (5); e o Japão perdeu 1 (2), tendo sido eliminado.
Na terceira volta, o Qatar voltou a subir para 11: os EUA ganharam mais um voto (6); e a Coreia do Sul Manteve os mesmos 5, tendo sido eliminada.
Na quarta e última volta, os 5 votos antes atribuídos à Coreia dividiram-se pelo Qatar (3) e pelos EUA (2).
Resultado final: Qatar 13, Estados Unidos 8.
O campeonato de 2018 disputar-se-á em 13 cidades do vasto território da Rússia, desde a mais ocidental Kaliningrado (antiga Könisberg) até à mais oriental Ekateringburg. Haverá também jogos no sul, no Cáucaso, em Sochi, no Mar Negro, em Krasnodar; em Rostov–on-Don, perto do Mar Azov; no Volga, em Volgogrado (antiga Estalinegrado), em Samara; em Kazan (ambas relativamente perto da cidade natal de Lenine – Simbirsk, hoje Ulianovsk); a ocidente do Volga, Saransk; e depois Nizhny Novgorod, ainda no Volga ocidental; ainda nas margens do Volga, mas muito mais a norte, Yaroslavl’; e por fim San Petersburgo e Moscovo.
Enfim, a Rússia terá certamente todas as condições para fazer um grande Mundial. Assim se espera.
A atribuição ao Qatar será analisada noutro post.