terça-feira, 1 de março de 2011

AS LIGAS PORTUGUESA E ESPANHOLA



SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS

Em Portugal, nos últimos anos, apenas duas, às vezes três equipas têm lutado pelo título até ao fim. E nem sempre têm sido as mesmas: a maior parte das vezes tem sido o Porto, outras o Sporting, outras ainda o Benfica e ano passado o Braga.
Mas a vitória, se se exceptuar o ano em que o Boavista foi campeão, tem cabido apenas a três: ao Porto, ao Sporting e ao Benfica.
Abaixo destes há aquilo a que se poderia denominar uma classe média relativamente estável, que luta por um lugar nas provas da UEFA. Há variações, mas o Braga, o Guimarães, o Paços de Ferreira, o Nacional, o Marítimo, às vezes o Leiria, constituem o essencial deste núcleo, sem prejuízo de alguns deles já terem descido de divisão.
Daí para baixo, as equipas lutam para não descer.
Na Espanha, nos últimos anos, tem-se cavado um fosso entre as duas principais equipas – o Real Madrid e o Barcelona – e as restantes, nomeadamente as que constituem a tal “classe média”, composta por um núcleo bem mais forte e variado.
A questão que se põe é saber se em Portugal se está a caminhar para uma situação semelhante, em que apenas dois clubes dominam a luta pelo título, ou se a situação este ano vivida é excepcional e irrepetível.
As eleições no Sporting vão dar certamente uma resposta importante a este problema, dependo dessa resposta muito do que o Sporting vai ser no futuro próximo.
Em Espanha há cada vez mais a convicção de que apenas duas equipas podem lutar pelo título. Esta situação é altamente negativa para a competitividade do campeonato e tende, pelo própria forma como se distribuem as verbas da televisão, a agravar ainda mais o fosso entre aquelas duas e as demais.
A verdade é que este ano há alguma semelhança entre o que se passa nos dois países. Com uma grande diferença: enquanto as duas equipas espanholas estão na Liga dos Campeões, lutando pela vitória, as duas portuguesas estão na Liga Europa, também a lutar pelo título.
Todavia, enquanto em Espanha o Barcelona joga melhor e vai à frente com sete pontos de avanço, em Portugal quem joga melhor, desde há muito tempo, é Benfica que vai em segundo com oito pontos de atraso.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

FÁBIO COENTRÃO VALE OURO!


JOGO EMOTIVO NA LUZ

Cedo se percebeu que o Benfica deste domingo não iria repetir o dos últimos quatro jogos. Nem humanamente seria exigível. A intensidade dos últimos jogos, depois de uma série de jogos de três em três dias, não poderia repetir-se.
As corridas de Gaitan, de Salvio, de Maxi, pelas laterais, e a própria manobra atacante eram diferentes. Um pouquinho mais calmas. Mesmo assim, provavelmente mais rápidas que as de qualquer outra equipa portuguesa. Mas quem está habituado a ver jogar o Benfica a cem a hora, logo se percebeu que este jogo iria ser mais pausado.
Mais pausado não significa menos seguro. Nem menos dominador. Pelo contrário, o Benfica dominou o tempo todo e jogou a maior parte do jogo no campo adversário.
O Marítimo, por seu turno, com jogadores rápidos na frente, esperou o tempo todo por uma descompensação do Benfica para poder marcar. Não o conseguiu. O golo que marcou, quando o domínio do Benfica já era avassalador, ocorreu a cerca de 15 minutos do fim, num lance de bola parada: um canto. Uma excelente impulsão de Robson, vindo de trás, deixou-o mais alto que as
“torres” do Benfica, e teve ainda a felicidade, ou a arte, de colocar a bola no poste direito de Roberto, completamente fora do seu alcance.
Apesar de cansado, o Benfica reagiu e com muita alma. Impulsionado por um público que redobrou o apoio depois de a equipa estar em desvantagem, o Benfica continuou a atacar com mais entusiasmo ainda.
Fábio Coentrão, sempre incansável, tão extraordinário na sua técnica como na sua garra, fez um magnífico passe cruzado, rasteiro, fora do alcance dos defesas e do guarda-redes do Marítimo a que Salvio acorreu, marcando, com a velocidade e o sentido de oportunidade que se lhe reconhece.
O guarda-redes do Marítimo, que já vinha realizando uma grande exibição, continuou a defender tudo o que lá ia, como um remate de cabeça de Kardec, entretanto em jogo por substituição com Javi, que a todos parecia indefensável.
Mais uns minutos e Luisão, também de cabeça, marcou um golo que o árbitro anulou. Certo ou errado? Luisão não tocou no guarda-redes, mas Cardozo que estava á sua frente, de costas para a baliza, viu o guarda-redes chocar contra si, sem que da sua parte tivesse havido a mínima intenção de o impedir de jogar. Na Inglaterra seria golo. Em Portugal, depende de quem o marca e do tempo em que é marcado. Não haveria nada a opor se todos os árbitros, em circunstâncias idênticas, anulassem lances iguais. Mas, como se sabe, não o fazem.
Pouco depois, em mais uma bola na área, Fábio Coentrão, com muitos jogadores à sua frente, dominou a bola com o pé esquerdo e marcou com o pé direito um grande golo. Fechava com chave de oiro para o Benfica, um jogo muito emotivo.
É natural que os jogadores do Marítimo sintam uma certa frustração, porque perderam um jogo que a nove minutos do fim estavam a ganhar. Mas apenas não têm de que queixar. Perderam bem. E nem se compreendem muito bem nem as reacções de alguns jogadores do Marítimo no fim do jogo, nem as declarações do seu treinador (com sotaque do norte), que parece querer responsabilizar parcialmente a equipa de arbitragem pelo que aconteceu.
Nada, porém, mais injusto. Pois se o árbitro cometeu alguns erros – e cometeu – eles foram todos contra o Benfica. Além do golo anulado a Luisão, de que já falámos, há um claro penalty, na primeira parte, por mão na bola, que o árbitro com base num critério que permite jogar com os braços fora do perímetro do corpo, não marcou. E ainda um fora-de-jogo inexistente a Coentrão.
Do jogo fica a excelente exibição do guarda-redes do Marítimo, a “alma” e a classe de Coentrão, a quem o Benfica muito deve esta difícil vitória por 2-1.

FIM-DE-SEMANA MOVIMENTADO



O PORTO CAMINHA PARA A VITÓRIA NO CAMPEONATO

O fim-de-semana começou com a exoneração de Paulo Sérgio como treinador do Sporting. Rescisão amigável, diz-se. Ou seja, o Sporting comprometeu-se a pagar o contrato até ao fim, não tendo, portanto, Paulo Sérgio necessidade de recorrer aos tribunais para reclamar os seus direitos. Daí o “amigável”.
Depois do que se passou no jogo contra o Glasgow Rangers, Paulo Sérgio não tinha condições para continuar. O golo que ditou a eliminação do Sporting é bem o espelho da equipa. E é também o retrato do seu comando técnico. Embora equipa e técnico também sejam vítimas da “nomenklatura” sportinguista.
Enfim, depois da demissão do presidente, da exoneração do director desportivo, depois da transferência de Liedson para o Corínthians, da rescisão de Paulo Sérgio, só faltava mesmo o director geral assumir as funções de treinador. Que tem de comum com a “nomenklatura” que o nomeou, idêntica proximidade ao FC Porto.
Pelo Sporting, portanto, tudo, infelizmente, normal.
Restam os candidatos a presidente que ainda não tiveram verdadeiramente tempo de se exibir, mesmo aqueles que não representam qualquer surpresa por serem demasiadas conhecidas as suas posições e as consequências dessas posições.
Em Olhão, o Porto ganhou naturalmente. Nem na primeira, nem na segunda parte o Olhanense mostrou argumentos capazes de se impor ao Porto. Com esta vitória, o Porto entreabriu a porta do título por mais brilhante que continue a ser a prestação do Benfica. O que se passou no início do campeonato – árbitros e fracas exibições – acabará por ditar o resultado final.
Com uma vitória concludente por 3-0, um bom golo de Belluci e dois de Falcao, à ponta de lança, resolveram o desafio, sem que o Olhanense verdadeiramente tivesse tido uma grande oportunidade de golo.
De sublinhar apenas, no que respeita ao Porto, a notícia do Record que dá como seguro a existência de um pré-acordo entre a SAD portista e o treinador do Beira-Mar. Notícia que, como se viu, muito irritou o “chefe” da SAD, que não se inibiu de utilizar as suas habituais grosserias para a contestar. Verdade ou mentira a notícia aí está. Tal como em tempos esteve a de Villas-Boas quando ainda era treinador da Académica e que, por duas vezes, “engodou” o Sporting.
Quem não tem nada com isto, nem com a designação de José Couceiro para treinador do Sporting, é Jesus, como treinador do Benfica. Por isso, deveria ter ficado calado e não opinar sobre assuntos que não lhe dizem respeito.
Em concorrência com o Sporting, temos ainda a derrota do Guimarães em casa, na estreia do novo treinador da Académica e a vitória do surpreendente Paços de Ferreira sobre o Vitória de Setúbal, cada vez mais perto dos lugares de descida.
Finalmente, em Espanha, o recém-adversário do Porto, empatou no Vicente Calderón, e o Barcelona passeou a sua classe em Maiorca, onde ganhou por 2-0.
Em contrapartida, o Real Madrid empatou a zero na Corunha, onde já não ganha há muitos anos, ficando agora a sete pontos do Barcelona. Mourinho, mau perdedor, como sempre, atribui o inêxito a forças ocultas, que o obrigam a jogar à quarta e…ao domingo! Este Mourinho, não perde os “grandes” hábitos que aprendeu na casa-mãe. Mas não está a ser inteligente: estas desculpas podem colher junto das claques merengues, mas não têm qualquer acolhimento no adepto normal do Real Madrid!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

GRANDE VITÓRIA DO BENFICA EM STUTTGART


BRAGA TAMBÉM PASSOU; SPORTING NÃO

Ontem foi um grande dia para o Benfica. Pela primeira vez, em meio século, conseguiu vencer na Alemanha, em provas oficiais. Nem o grande Benfica da década de 60 tinha conseguido tal feito. Seis empates em dezoito jogos era tudo o que até ontem tinha conseguido. É certo que o Stuttgart está longe de ser actualmente uma grande equipa alemã. Mas é uma equipa constituída por excelentes jogadores, que joga num campeonato muito competitivo onde tudo pode sempre acontecer, tanto nos jogos internos, como internacionais, qualquer que seja o lugar que a equipa em causa ocupa na Bundesliga. Ainda esta época se viu isso com o Schalke 04.
Independentemente destas considerações, o Benfica realizou uma excelente exibição na sequência do que vem fazendo, principalmente desde o princípio do ano. Os jogadores são muitíssimo talentosos, estão em grande forma e Jesus fez deles, como já tinha feito o ano passado, uma equipa, na verdadeira acepção da palavra. Uma equipa onde cada um, não obstante o seu labor colectivo, tem sempre oportunidade de mostrar a sua valia individual e os seus dotes de artista.
Ninguém joga como o Benfica em Portugal e poucas são as equipas que, na Europa, proporcionam idênticos espectáculos.
No entanto, manda a prudência e o bom senso que, nem os jogadores, nem o treinador do Benfica, entrem em triunfalismos. Deve manter-se sempre o respeito pelo adversário e deve saber-se ganhar. Se o Benfica souber prevenir-se contra estes males, ainda poderá chegar muito longe este ano.
No jogo de ontem, toda a equipa jogou bem, embora a exibição de Jara não tenha deixado ninguém indiferente. Grande exibição. Mas o mesmo se terá de dizer de Gaitan, de Salvio, de Aimar, de Cardozo, de Roberto, de Luisão, enfim de todos.
O Benfica poderia ter ganho por mais, mas assegurados que estão os 2-0 e com eles a eliminatória, o que conta é a exibição que os proporcionou.
O Stuttgart, eliminado que está da Liga Europa, vai passar um mau bocado na Bundesliga.
O Braga talvez tenha feito ontem o resultado mais surpreendente da jornada e o mais difícil. Não é fácil, nos jogos europeus a eliminar, virar um resultado de 1-0. Mas de uma equipa que este ano já bateu o Arsenal pode sempre esperar-se tudo. Talvez tenha tido um pouquinho de sorte, principalmente no fim. Mas haverá futebol sem sorte?
O Sporting continua a sua lenta agonia rumo a um destino cada vez mais trágico. O golo marcado pelo Glasgow Ranger, no prolongamento, é das jogadas mais inacreditáveis que se podem ver no futebol profissional. Como é possível, independentemente dos antecedentes da jogada, que quatro jogadores do Sporting tenham deixado completamente livres outros tantos jogadores do Ranger? Vê-se e revê-se a jogada e pensa-se que se está a jogar um jogo diferente do futebol. Quatro jogadores do Sporting, em linha, encostados uns aos outros, deixam quatro ou cinco jogadores do Ranger, igualmente em linha, sem marcação, do outro lado da baliza! Inacreditável. Qualquer daqueles quatro ou cinco jogadores tinha passibilidade de fazer o golo. Se um, isolado, já seria demais, quatro ou cinco é uma aberração.
Entretanto, comentadores como Oliveira e Costa – um dos responsáveis pela actual situação do Sporting (no plano ideológico) - continuam a supor que o Sporting teve azar! Azar deles e …do Sporting!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O FCP PERDEU EM CASA, MAS PASSOU


PAIROU NO DRAGÃO O FANTASMA DA ELIMINAÇÃO

O Porto perdeu em casa por 0-1 contra o Sevilha, mas assegurou a passagem aos oitavos de final da Liga Europa, mercê do resultado alcançado há oito dias em Espanha.
A primeira conclusão que se pode tirar do jogo do Dragão, que esteve muito longe de ser um grande jogo, é a de que o Porto também está longe de ser a excelente equipa que se supunha em construção quando, em Novembro do ano passado, derrotou o Benfica por 5-0.
Contra uma equipa lenta nos seus processos de jogo, com pouca eficácia no passe e muito previsível no desenrolar das jogadas, o Porto não foi capaz de impedir a derrota. E esteve a um passo de ser eliminado num cruzamento de Jesus Navas que Negredo, mal posicionado, não aproveitou, desperdiçando uma oportunidade de baliza aberta.
Luís Fabiano, na segunda parte, pouco depois de ter entrado, fez o golo da vitória e só a partir desse momento o jogo animou um pouco, com lances repartidos, perto de ambas as balizas.
É certo que o Porto também poderia ter marcado, tanto na primeira parte, remate de cabeça de Falcao à barra, como no segundo tempo, depois de o Sevilha já estar a ganhar e o jogo ter ficado aberto. Valeu ao Sevilha a excelente actuação do seu guarda-redes, Javi Varas.
O Porto tem problemas nas alas, se encontrar extremos rápidos, está sem inspiração no meio-campo e vive muito à custa das iniciativas de Hulk. Que também já viveu melhores dias esta época…
Nos jogos da Liga dos Campeões a grande proeza vai inteirinha para o Bayern de Munique que, mesmo no fim do jogo, derrotou o Inter, em San Siro, com um golo de Mario Gomez, apesar de o Inter ter desfrutado de algumas oportunidades que não soube aproveitar.
No outro jogo, em Marselha, o Manchester não foi além do empate a zero, numa partida com poucas oportunidades de golo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

TRIO DE ATAQUE


OLIVEIRA E COSTA DE ACORDO COM CABRAL

Oliveira e Costa, conhecido homem das sondagens, também especialista em assuntos do Fundo Social Europeu, é um daqueles comentadores desportivos que, em nome do Sporting, muito tem contribuído para a estupidificação nacional, tal o baixo nível intelectual da generalidade das suas intervenções.
Não é apenas o sectarismo vesgo de que padece que o diminui, é acima de tudo a sua incapacidade intelectual para ver o óbvio, e a utilização de argumentos pueris em defesa de teses que nem os mais diminuídos são capazes de aceitar como boas.
É a gente como ele que o Sporting deve muito da situação em que se encontra. É que para além dos erros de gestão económica e desportiva na condução do clube, há erros no campo da comunicação desportiva tão evidentes da maior parte dos comentadores “encartados” do Sporting que é impossível não lhes atribuir uma responsabilidade no mínimo idêntica à dos directores.
Ontem depois das ridículas declarações do treinador adjunto do Sporting, no fim do jogo contra o Benfica, Eduardo Barroso, comentador residente da TVI 24, insurgiu-se veementemente contra o que ouviu, tendo feito a propósito uma intervenção que merece ser escutada por todos os sportinguistas e desportistas em geral.
Pois não é que hoje, Oliveira e Costa, no trio de ataque veio fazer a defesa do pobre adjunto do Paulo Sérgio, concordando, ponto por ponto, com tudo o que ele havia dito ontem. Que o Sporting fez um grande jogo, não merecia perder, teve azar e o Benfica sorte, etc, etc. Mas não contente com o que acabava de dizer, ainda acrescentou que a claque do Benfica se comportou pior do que a do Sporting!
Do lado do Porto, o pobre Guedes concordou com aquela sua natural inclinação para apoiar tudo quanto a inteligência rejeita!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

LIGA DOS CAMPEÕES: REAL EMPATOU, CHELSEA VENCEU


OITAVOS DE FINAL

O Real Madrid empatou em Lyon por 1-1, num jogo difícil, bem disputado e em que a equipa francesa foi sempre mais ousada e ofensiva. O Real jogou à Mourinho. Parecia o Inter do ano passado, por esta altura. Com preocupações defensivas, arriscando muito pouco no ataque e esperando que, numa bola parada ou num contra-ataque, pudesse fazer um golo.
É certo que o Lyon não desfrutou de oportunidades de golo, o Real impediu sempre que tal acontecesse, embora o Lyon tivesse feito durante a maior parte do tempo as “despesas do jogo”.
No começo da segunda parte, o Real, em jogadas de bola parada ou na sua sequência, acertou com uma bola no poste e outra na trave. Muito mais tarde, na primeira jogada de Benzema, que entrara a substituir Adebayor, marcou. O tal avançado que não marcava golos, pela segunda ou pela terceira vez, acaba por ser decisivo para o Real.
É claro que o problema de Mourinho relativamente a Benzema não é os golos. Para marcar golos está lá o Ronaldo e Benzema também acaba sempre por marcar. O problema é outro: o que Mourinho queria era alguém muito forte na frente, que segure a defesa, jogue de costas para a baliza e corra a frente de ataque em toda a sua extensão. Nada melhor, não tendo Drogba, do que Adebayor para fazer esse papel.
Perto do fim, o Lyon empatou por Gommis e até ao final do jogo continuou sempre a ameaçar o Real que, recolhido na defesa, conseguiu manter o empate.
Os comentadores televisivos portugueses, que vêem virtudes de Mourinho em todo o lado, ficaram muito felizes por, pela primeira vez, o Real Madrid ter marcado um golo no estádio Gerland, do Olympique de Lyon.
Desde 2002 que o Real Madrid não passados oitavos de final. Desta vez, tem o caminho aberto.
No outro jogo, o Chelsea ganhou, na Dinamarca, ao F C Copenhaga, com dois golos de Anelka.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

NENHUM SOARES DIAS DERROTA O BENFICA!


MAIS UMA GRANDE VITÓRIA

É difícil aceitar a inocência da arbitragem de Soares Dias. Como se explica o número de cartões amarelos exibidos na primeira meia hora de jogo? Era evidente o propósito de expulsar um jogador do Benfica. Muita gente supôs que seria Carlos Martins. Mas não há dúvida que foi mais inteligente expulsar Sidnei. Algum árbitro do mundo que puniria com um cartão amarelo a primeira falta de Sidnei?
Enfim, como aqui se tem dito: com o Benfica a jogar assim nenhuma equipa de arbitragem o derrota. Foi este Benfica que faltou no princípio de época. Com arbitragens “normais”, os jogos perdidos de princípio de época, muito provavelmente, teriam sido ganhos. E agora tudo seria diferente. Mas não é. Fica o registo de mais uma tentativa que não passou de isso mesmo: uma tentativa sem êxito. O Benfica ganhou 2-0 e somou mais uma vitória.
Indo ao jogo: o Benfica entrou muito forte e logo perdeu um golo. Mas por volta do quarto de hora, continuando a dominar o jogo, Salvio marcou um excelente golo num cruzamento de Gaitan.
E assim o jogo continuou, com o Benfica sempre por cima, até que Sidnei foi expulso, praticamente sobre o intervalo. Houve luta, pundonor do Sporting, mas a equipa está perdida e animicamente derrotada.
Na segunda parte o Benfica esperou o jogo do Sporting, baixou as linhas e dominou todas as tentativas. Só uma vez, Matias Fernandez rematou em condições de golo, mas aí esteve Roberto em grande, a ganhar pontos!
E esperava-se que num contra-ataque o Benfica acabasse por marcar. Não foi num contra-ataque, mas na sequência de uma jogada de bola parada, Gaitan marcou e o jogo ficou resolvido.
Bom jogo, excelente jogo, mais uma vez da ala esquerda do Benfica, Coentrão e Gaitan. Jogo igualmente bom da ala direita: Maxi melhora com o andar do jogo e acaba sempre com mais força do que começou. Salvio é também hoje um jogador decisivo. Na defesa, Luisão está imbatível: nem cartões amarelos os árbitros lhe conseguem mostrar. Xavi continua em grande forma e Sidnei foi ingloriamente arredado do jogo. Jardel, seu substituto, teve azar, tanto como o jogador do Sporting que com ele chocou, mas continuou em jogo e não comprometeu a equipa. Cardozo deu luta na frente, mas não etá rápido sobre a bola. Carlos Martins cumpriu e Saviola teve de ser sacrificado para colmatar a saída de Sidnei.
Finalmente, foi um jogo sem casos. Está ainda por saber o preço que o Benfica vai pagar por esta vitória: com menos de três dias para recuperar, o jogo de Stuttgart vai ser uma incógnita.
Nos programas desportivos de hoje, o Benfica-Sporting domina os acontecimentos. Os comentadores do Sporting estão conformados com a derrota, mas inconformados com a situação do clube. Muitos advogam o óbvio: que na próxima direcção não figure gente ligada às últimas gestões. Mas vai ser muito difícil afastar a nomenklatura. No futebol, como na política ela resiste!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

AS EQUIPAS PORTUGUESAS NA LIGA EUROPA


JORNADA GLOBALMENTE POSITIVA

São aceitáveis os resultados das equipas portuguesas na Liga Europa. O Benfica terá ficado aquém do se esperava. O Porto esteve ao nível dos jogos anteriores. O Braga perdeu pela diferença mínima e vai ter dificuldades em casa. O Sporting fez um bom resultado na Escócia.
Começando pelo Porto que quase só soma vitórias: teve alguma sorte no segundo golo, fruto de uma infantilidade da defesa do Sevilha, mas foi sempre melhor equipa, embora com algumas dificuldades nas alas. Se tudo correr normalmente, passará a eliminatória. O Sevilha não tem equipa para surpreender o Porto, nem sequer para fazer no Dragão um jogo semelhante ao que fez em Madrid, contra o Real. Tem, portanto, o seu destino traçado, de resto em consonância com o fraco campeonato que internamente vem fazendo.
O Braga esteve mais ou menos igual a si próprio. O Braga deste ano, por isto ou por aquilo, fica sempre aquém do que se espera. Ontem perdeu por 1-0 que é sempre um resultado muito ingrato nos jogos a eliminar. Não tem a eliminatória perdida, mas também está muito longe de poder repetir em casa o que fez contra o Arsenal. É que o Poznam não virá a Braga jogar aberto. E já se viu que no contra-ataque é capaz de marcar. O jogo da segunda volta será muito difícil e o Braga cometerá um grande feito se passar a eliminatória.
O Sporting fez um bom resultado em Glasgow, jogando mais ou menos ao nível a que este ano tem estado. O principal problema do Sporting é ter de jogar o segundo jogo em casa, onde raramente ganha. É certo que não precisa de ganhar para passar, basta-lhe empatar a zero, que é um dos tais resultados que quase nunca se alcança quando se joga para ele. Em suma: o Sporting é uma incógnita. Teoricamente tem todas as condições para passar, mas em Alvalade tudo pode acontecer.
O Benfica ganhou à tangente a uma equipa que, apesar de estar muito mal classificada na Bundesliga, nem por isso deixa de ser um conjunto constituído por excelentes jogadores, capazes de interpretar muito bem um esquema táctico, como ontem se viu.
O Benfica encarou a partida com triunfalismo. Jesus disse que era natural que o Stuttgart estivesse assustado. Viu-se que não estava e quem ficou assustado, no primeiro tempo, com o jogo da equipa alemã foi o Benfica, que não conseguia ligar o seu jogo. De certo modo, o Stuttgart fez em Lisboa ao Benfica aquilo que o Benfica fez no Dragão ao Porto. Pressionou alto o Benfica e desorientou-o. Mas há uma diferença: o Benfica, embora com dificuldade, conseguiu reagir, tendo-lhe valido não apenas a categoria dos seus jogadores, mas principalmente a sua excelente condição física. Quando os alemães quebraram, por volta dos 70 minutos, o Benfica agigantou-se e acabou o jogo em bom plano, tendo até perdido algumas oportunidades para aumentar a diferença.
De salientar, na equipa do Benfica, a excelente exibição laterais, Maxi e Coentrão, principalmente na segunda parte, o jogo inteligente de Aimar, a quebra de Salvio relativamente ao que têm sido as suas prestações, a segurança de Luisão e o incansável trabalho de Jara e também de Gaitan. Javi teve muitas preocupações defensivas e Sidnei ficou um pouco aquém dos últimos jogos. Cardozo, que estava um pouco desaparecido do jogo, com pouca bola, embora muito presente no jogo aéreo, acabou por dar sinal de si no momento em que era mais preciso. Empatou o jogo com um bom remate e confirmou o golo de Jara.
Na baliza Roberto cumpriu. O golo não tinha defesa.
Na Alemanha, onde nunca ganhou, o Benfica vai ter dificuldades. A eliminação terá um efeito devastador no ânimo dos adeptos e acabará por prejudicar a equipa. Mais do quer em qualquer outra competição, o Benfica está jogando a época na Liga Europa. E se alguma lição se pode tirar do jogo da Luz é a de que o triunfalismo nunca compensa. E a outra, que já se sabia, mas que, pelos vistos, é frequentemente esquecida, é a de que a Liga portuguesa não se pode comparar às grandes Ligas da Europa. São constituídas por equipas muito mais competitivas, sempre capazes, apesar da classificação em que estão, de ombrear com grandes equipas, tanto no seu campeonato, como nos jogos internacionais.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

RESCALDO DA JORNADA




OS PROGRAMAS DESPORTIVOS

Quis o acaso que neste começo de semana tivesse visto o essencial de dois programas desportivos, cujos comentadores são adeptos dos três grandes e participam nos respectivos programas em defesa dos seus clubes.
É um exercício de delicado, a mais das vezes votado ao insucesso. Daí que frequentemente aqui se tenha dito que se trata de programas para atrasados mentais. Mesmo assim, dá para ver quem é menos atrasado…
Começando pelo jogo do Sporting e esclarecendo um facto: não há na primeira Liga portuguesa clube que este ano tenha sido mais favorecido que o Sporting. Provavelmente, trata-se de erros, mas nem por isso deixam de ser erros graves. Também é verdade que o Sporting nem sempre tem sabido aproveitar esses inúmeros erros, como naquele ano em que beneficiou de inúmeros penalties e falhou-os quase todos. Mas disto ninguém tem culpa. Melhor dizendo: a culpa a existir é toda do Sporting.
Depois o Sporting faz uma “choradeira” imensa sempre que qualquer coisinha o prejudica. Tudo consequências da actual situação (que já não é assim tão actual como parece…) do clube.
No jogo de Olhão, o Sporting marcou o primeiro golo em fora de jogo. Pode admitir-se que é um lance difícil da ajuizar “em velocidade normal”, coisa que os comentadores do Sporting nunca concedem aos outros, mas nem por isso deixa de ser em fora de jogo. Por outro lado, houve um fora de jogo mal assinalado a Postiga num lance em que ficava isolado face ao guarda-redes. Portanto, ficou ela por ela. Nada a reclamar. Os protestos de Paulo Sérgio são inaceitáveis, face ao que se passou no campo, embora se compreendam pelo que se passa fora do campo, entre sportinguistas, relativamente ao clube.
A propósito: Dias Ferreira vai-se candidatar e leva o Futre. Ainda não disseram se vão ser empregados de luxo do Sporting, tal era como Bettencourt, ou se vão a votos noutro registo. Também falaram em Figo como apoiante…Mas aí já se sabe: o Figo leva dinheiro pelos apoios…
O jogo do Porto, em Braga, visto à lupa, como naqueles programas acontece nos programas em que se analisam os "lances polémicos", foi uma vergonha. Mais uma.
Em primeiro lugar, Belluci deveria ter sido expulso por ter dado três “peitadas” ao árbitro. Comportamento inadmissível que hoje certamente não vai repetir em Sevilha. Houve também um penalty que o mesmo Belluci cometeu sobre um jogador do Braga, dando-lhe dois toques, um em cada pé, fazendo-o cair. O árbitro fez que não viu. Mais tarde, Vandinho pisou propositadamente Belluci. Deveria ter sido expulso. Não foi. É verdade que se Belluci tivesse sido expulso antes, como deveria ter sido, já lá não estaria para ser pisado. Mas como estava, Vandinho deveria ter ido para a rua.
Finalmente, estranha, muito estranha, a marcação de Rodriguez a Otamendi no primeiro golo do Porto. Como é que um experimentadíssimo defesa central, um dos homens baluarte do Braga do ano passado, faz uma marcação daquelas, deixando que Otamendi actuasse como se estivesse a marcar um livre sem oposição? Quem souber que responda. Mas vai ser difícil responder, porque aquilo não é coisa que se veja no futebol profissional.
Por último, o mesmo Otamendi marcou o segundo golo em off side. Mente quem diz que apenas estava adiantado um braço do jogador. É falso. É o corpo que está adiantado, todo o torso. É difícil ver? Certamente, mas há quem veja, noutras paragens, o “joanete” do Cardozo ligeirissimamente adiantado. Dois critérios, duas consequências diametralmente opostas.
No jogo da Luz, contra o Guimarães, um golo limpo anulado a Saviola e um golo anulado a Cardozo por ter o tal “joanete” adiantado relativamente aos adversários.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ESPECTACULAR EXIBIÇÃO DO BENFICA



O PORTO TAMBÉM GANHOU

O Benfica realizou hoje, contra o Guimarães na Luz, uma das mais espectaculares exibições dos últimos anos. Quis e a sorte e o árbitro que o resultado tivesse ficado apenas por 3-0.
Vale a pena começar por aqui: pelo árbitro. Foram as arbitragens que deram ao Porto a maior parte dos pontos que leva de vantagem sobre o Benfica. Mas atenção: o árbitro só foi decisivo, porque o Benfica estava longe do seu melhor. Com a equipa a jogar como actualmente joga, o Benfica ganha com facilidade às duas equipas: à adversária e à de arbitragem, como hoje aconteceu. Também hoje o árbitro, por sua exclusiva iniciativa, resolveu anular um golo limpo a Saviola, tal como Cosme Machado havia feito o mesmo a Javi Garcia, no domingo passado. Nenhum deles foi necessário para ganhar, mas vai haver um domingo em que vai ser…
E Cardozo viu igualmente ser-lhe anulado um golo por estar em linha, enquanto no jogo do Porto, em Braga, Otamendi, ligeiramente adiantado, viu o golo que marcou ser validado. Critérios…
De salientar no jogo da Luz a excelente exibição de Sidnei, um golo e um passe longo para Aimar marcar um dos mais belos golos do campeonato. Bonito golo também o Carlos Martins já no fim do encontro.
No Benfica apenas Cardozo não está ao nível do ano passado. Falhou mais um penalty, desta vez com o resultado em 2-0, num pontapé sem nexo, para as bancadas. Está na hora de Jorge Jesus escolher outro marcador ded penalties.
Depois deste jogo e da vitória do Porto em Braga, a questão que agora se põe é saber se o Benfica consegue manter o mesmo nível exibicional e de eficácia, sabendo que o Porto não cede. E sabendo também como têm sido fracas e pouco competitivas um certo número de exibições dos adversários do Porto, no Dragão. Pior ainda: sabendo que o terceiro classificado está a doze pontos! Vai ser preciso muito brio, para não ceder à facilidade…
Pena também que o segundo jogo das meias-finais da Taça de Portugal não ocorra dentro do tempo normal e se tenha de esperar por ele numa altura em que o campeonato já estará decido.
Se o Porto ganhar o campeonato, na história ficará essa vitória e não o excelente futebol praticado pelo Benfica. De facto, é lamentável que uma equipa que está em vias de bater os mais brilhantes records do clube não ganhe o campeonato.
No jogo de Braga, o Porto jogou o suficiente para ganhar a um Braga fraco, que é uma sombra da equipa do ano passado. Sem jogar muito, sem ser brilhante, o Porto ganhou naturalmente.
No sábado, o Sporting continua igual a si próprio. Empatou em Olhão, mas conserva o terceiro lugar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

VITÓRIA DA ARGENTINA



O EMPATE FICARIA MELHOR

A vitória da Argentina, obtida no fim do jogo, de grande penalidade, não é certamente o resultado mais ajustado ao que se passou em campo.
Coentrão, sempre tão decisivo, provocou hoje o penalty que deu a vitória ao adversário. Aliás, Coentrão não cometeu uma, mas duas faltas, para grande penalidade, na mesma jogada, embora o árbitro só tenha assinalado a segunda.
Igualmente responsável pela derrota, relativamente ao jogo jogado, é Hugo Almeida que falhou duas bolas, ambas indesculpáveis. E até Ronaldo, que marcou um excelente golo, poderia ter feito outro, se tivesse tido um pouco mais de sorte ou de concentração.
Do lado português sobressai a nítida baixa de forma dos jogadores do FC Porto. Moutinho e Rolando jogaram o jogo todo sem brilho. Moutinho, de resto, nem se viu.
Rui Patrício demonstrou mais uma vez que a baliza lhe pertence. A única dúvida está em saber se Paulo Bento vai esperar o próximo deslize de Eduardo para o tirar da selecção ou se vai tirá-lo no primeiro jogo oficial. Embora se trate de uma situação melindrosa, até do ponto de vista pessoal, seria bom que a baliza fosse entregue a Rui Patrício.
Ronaldo esteve bem, embora só tenha jogado uma hora, e vê-se que é agora um jogador mais solidário. Confirma assim a impressão que tinha começado a deixar na era Paulo Bento de que passou a ser um jogador de equipa.
Do lado da Argentina, Messi, embora tenha estado bem, não é na selecção o mesmo jogador que joga no Barcelona. Mas isso não é da sua responsabilidade, mas da equipa que não tem, por melhores que sejam os jogadores que a compõem, a dinâmica da equipa catalã. Mas foi o grande Messi que vemos jogar todas as semanas que esteve no passe do primeiro golo, marcado por Di Maria. E ainda noutras jogadas, se bem que com menos êxito colectivo.
Também é difícil perceber, num jogo particular, se esta equipa da Argentina é defensivamente mais segura que a de Maradona. Houve muitas substituições e o jogo teve um ritmo mais lento do que os oficiais, acabando por se tornar difícil uma avaliação minimamente correcta. Todavia, quem viu o jogo ficou com a impressão de que se o trio de ataque português não tivesse saído tão cedo e ao mesmo tempo provavelmente o resultado teria sido outro.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O DUELO MESSI-RONALDO



















OU O PORTUGAL-ARGENTINA DE AMANHÃ



A imprensa desportiva da península, mais correctamente: a de Portugal e a de Madrid, não se tem cansado de trazer para a primeira página o jogo de amanhã, em Genebra, entre Portugal e a Argentina, não apenas pelo mérito que as duas equipas merecem, mas principalmente por aquilo a que chamam o duelo Ronaldo-Messi.
Qual dos dois é o melhor? Até parece que o jogo tem por fim esse objectivo: saber qual dos dois é o melhor.
Antes de irmos a esse suposto duelo, convém dizer que Portugal nunca defrontou a Argentina em jogos oficiais. Em jogos particulares as duas selecções defrontaram-se por 6 vezes, quatro em Lisboa e duas no Rio de Janeiro.
Nos jogos realizados em Lisboa, 1928, 1952, 1954 e 1961, Portugal empatou o primeiro por 0-0, perdeu os dois seguintes por 1-3 e o último por 0-2.
Nos jogos disputados no Rio de Janeiro, em 1964 e 1972, o primeiro integrado num torneio amigável chamado “Taça das Nações”, e o segundo no torneio da “Independência do Brasil”, também amigável, Portugal perdeu o primeiro por 0-2 e ganhou o segundo por 3-1.
Nos jogos disputados em Lisboa, em 1952 e 1954, os dois golos de Portugal, foram marcados por Travassos, tudo numa época em que a marcação de um golo que fosse, a uma equipa com o prestígio da Argentina já era, em si, um feito! No dia do jogo de 1954 nasceu a filha de Matateu e o famoso moçambicano para comemorar a data pôs à filha o nome de Argentina!
Os golos portugueses na vitória de 1972, no Rio de Janeiro, foram marcados por Adolfo, Eusébio e Dinis.
Feita a estatística dos jogos entre as duas equipas, fica o tal duelo Messi-Ronaldo. Por muito que custe aos portugueses, toda a gente sabe que Messi é melhor do que Ronaldo. Embora lhe falte um título a nível de selecção, Messi tem demonstrado no Barcelona que é o grande jogador das pequenas e das grandes ocasiões. Nos grandes duelos, Messi está sempre presente. E não falta quem o coloque no topo de todos os tempos, bem ao lado das lendárias “estrelas” argentinas, Di Stéfano e Maradona!
Com Ronaldo, infelizmente, não se passa o mesmo. Nos jogos importantes, nos grandes torneios, contra grandes equinas, Ronaldo "desaparece”, tanto na selecção como nas equipas de clube. Se não se pode dizer que ele seja uma espécie de “Fernando Mamede” do futebol, porque Ronaldo joga muitas vezes bem ou muitíssimo bem em jogos oficiais, a verdade é que nos grandes confrontos que teve de disputar tanto na selecção portuguesa, como no Manchester ou no Real Madrid, Ronaldo ficou sempre aquém do que dele se esperava, salvo no Euro 2004, em que, ainda “criança”, jogou sempre bem.
Como o jogo de amanhã não é oficial, pode ser que Ronaldo repita a exibição que fez, em Lisboa, no particular contra a Espanha. E espera-se também que Bruno Alves ou Pepe, se jogarem, não tenham ouvido as recentes palavras de Mourinho e não “agridam” Messi…
Mas o jogo tem certamente outros motivos de interesse: a selecção da Argentina está recheada de “estrelas” e a portuguesa, com Paulo Bento, tem sempre dado bons espectáculos.
É isso que se espera sem picardias, nem agressões!

MOURINHO: VALE TUDO?


“PORRADA” EM MESSI

É hoje quase um lugar-comum a afirmação de que Mourinho não trouxe nada de novo ao futebol. Grandes especialistas na matéria, têm-se debruçado sobre o assunto e, sem qualquer tipo de animosidade relativamente ao treinador português, concluem que, com Mourinho, o futebol que se joga no campo não progrediu nada.
É muito difícil abordar este tema em Portugal, do mesmo modo que é difícil abordar o tema Cristiano Ronaldo: um mundo de paixões e de insultos abatem-se sobre quem ousa objectivamente dizer qualquer coisa sobre o assunto.
De facto, olhando, sem paixão, para as equipas de Mourinho não se vê nada nelas que já não se tenha visto noutras. Os méritos de Mourinho, se assim se podem chamar, são outros. De facto Mourinho não trouxe nada de novo ao futebol jogado, mas trouxe muita coisa nova ao futebol que se joga fora do campo.
Mourinho percebeu que o futebol é hoje o maior espectáculo do mundo e como grande espectáculo que é não tem apenas um palco. Tem vários. E os mais importantes são os que se situam fora do campo. Essa a grande novidade que Mourinho trouxe ao futebol. Antes dele somente Helénio Herrera no princípio da segunda metade do século passado tinha antevisto essa outra dimensão do futebol.
O artigo que no passado dia 6 de Fevereiro o suplemento Domingo, de El País, publicou – 1.000 minutos com Mourinho (y su teatro) – ilustra muito bem esta faceta inovadora de Mourinho.
E nesse quadro, tantas vezes lamentável, que devem ser vistas as recentes declarações de Mourinho sobre Cristiano Ronaldo que, objectivamente, mais não são do que um convite à violência sobre Messi.
A propósito das entradas que Cristiano Ronaldo sofre, diz Mourinho: “Não tem o privilégio de outros. Há outros ante os quais os adversários se desviam, têm medo de lhe meter o pé, para não tocarem em ninguém. A ele…crack! Mede 1 metro e 85, é uma “besta” e tem um bom corpo para que lhe dêem. E continua.”
Estas declarações são lamentáveis e indignas de um profissional de futebol. Elas são um bom exemplo do tal futebol fora do campo que Mourinho joga. Mourinho não se queixa das agressões ou entradas mais ríspidas que o seu jogador sofre. Mourinho não pede a protecção dos “artistas” como frequentemente fazem outros colegas seus. Mourinho quer é “tratamento igual” para Messi…o tal que não tem 1,85m. Se Ronaldo leva “porrada”, Messi também deve levar! No fundo, Mourinho está-se nas tintas para Ronaldo, o que Mourinho quer é que o Barcelona perca pontos. E sabe que o melhor meio para lá chegar é dando “porrada” em Messi. Então, que venha ela.
Mourinho não é exemplo para ninguém!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A LENTA AGONIA DO SPORTING



A DESPEDIDA DE LIEDSON E O RESTO…

A situação do Sporting já aqui foi analisada demoradamente. De certa forma, o momento que hoje se vive era previsível e mais dia, menos dia tinha de acontecer. Os grandes responsáveis pela actual situação são todos aqueles que dominam o Sporting depois da intervenção Roquete, que, aliás, mais não é do que a prova da incapacidade de adaptação do Sporting aos novos tempos.
Todavia, a actual nomenklatura é muito mais responsável do que aqueles que os antecederam. Desde os que falam diariamente nas televisões, aos que são chamados a “representar” o Sporting, até aos que efectivamente o dirigem, todos eles, sem excepção, optaram por um caminho que somente poderia levar ao abismo.
A fúria anti-benfiquista que os anima, a aliança com o Porto, que trata o Sporting entre o paternalismo descarado e estado de espírito de quem se prepara para lançar uma OPA amigável, só poderia levar ao que se está a ver.
Completamente desligados do sentir dos associados, tomando o clube como uma coisa sua, esta gente, se não for corrida no próximo acto eleitoral, levará o Sporting para os patamares mais baixos da sua história, se não mesmo para o seu fim.
O que se acaba de passar com Liedson é elucidativo. O jogador diz que não forçou a saída, mas não desmente que o Sporting lhe devia dinheiro. A direcção, em gestão, sente-se autorizada a vender ao desbarato o mais valioso jogador do Sporting nos últimos sete anos sem ter dado uma explicação cabal para a sua saída. No jogo de despedida, os adeptos choram a saída de Liedson, como quem antecipa a certeza de um futuro ainda mais triste. E depois de tudo isto, menos de oito dias depois de o jogador ter saído, o director desportivo do clube, Costinha, vem dizer que a saída de Liedson foi um negócio ruinoso. Antes disso, para tornar a situação ainda mais cómico-trágica, o treinador vem dizer (pedir) para que o jogador, antes de partir, ainda faça mais "dois joguinhos".
É muito, mesmo para um clube de bairro. Para um clube como o Sporting parece ser o presságio de um triste toque a finados.

BENFICA EM GRANDE



PORTO NÃO CONVENCE

O Benfica jogou, em Setúbal, logo a seguir ao jogo do Porto, em casa, contra o Rio Ave e no fim dos dois jogos toda a gente ficou a perdeber a grande diferença que, neste momento, existe sobre as duas equipas.
O Bonfim é um terreno tradicionalmente difícil para o Benfica. Já lá tem perdido pontos muitas vezes ou até eliminatórias, embora também tenha somado muitas vitórias, quase sempre difíceis.
E este ano, mais uma vez, o Benfica defrontou uma equipa que não pode, certamente, jogar muitas vezes como jogou ontem, porque, se jogasse, não estaria no lugar que está. Mistérios…
Apesar de o Setúbal ter feita uma boa primeira parte, o Benfica nunca esteve em risco, salvo numa desatenção de Roberto logo corrigida pelo próprio. Pelo contrário, várias foram as vezes em que o Benfica atacou a baliza adversária com possibilidade de golo. Apenas negado por mérito do guarda-redes Diego ou por Miguelito ter salvado o golo sobre a linha de baliza, o que, aliás, voltou a fazer na segunda parte.
Como consequência normal das oportunidades criadas, o Benfica marcou a trinta segundos do termo da primeira parte num excelente golo de Gaitan, depois de uma perda de bola do Setúbal, perto da área do Benfica, que Saviola, pela direita, conduziu magistralmente, fazendo um passe largo para as costas da defesa setubalense.
A execução de Gaitan foi perfeita e, contrariamente ao que disse João Pinto na TVI, não foi um remate relativamente falhado, mas um remate executado com muita técnica. Aliás, Gaitan, continuando assim, breve fará esquecer definitivamente Di Maria, se é que já não fez.
Na segunda parte, o Setúbal voltou a entrar com força, muito empenhado, chegou a fazer um remate com relativo perigo do lado direito, que Roberto defendeu bem e um outro de longe, por Pitbull, a que Roberto voltou a corresponder com excelente defesa.
Na parte final do jogo, como acontecia o ano passado, o Benfica voltou a superiorizar-se e marcou naturalmente o segundo golo, numa excelente recuperação e posterior execução de Jara, a passe de Maxi. Jara, tal como Gaitan, embora jogando menos tempo, está-se afirmando como um excelente reforço e hoje já parece um jogador completamente diferente daquele que cá chegou.
Qualquer um deles, apesar de muito novos, levou muito menos tempo a afirmar-se do que Di Maria. E isso também demonstra que o Benfica é hoje uma equipa muito diferente da de há quatro anos.
O Benfica ainda marcou um terceiro golo por Javi, anulado pelo árbitro, por falta que só ele viu. O mesmo árbitro que na Luz não viu duas grandes penalidades a favor do Benfica, no jogo inaugural, contra a Académica. Coincidências…
E ainda poderia ter voltado a marcar por duas vezes, se tivesse havido mais sorte num caso e menos individualismo noutro.
Antes, jogou o Porto em casa contra o Rio Ave. Foi um jogo triste, sem chama, muito próprio da fase que o Porto atravessa. E essa tristeza contagiou o Rio Ave que foi uma sombra da equipa que jogou na Luz. Facto que o seu treinador de certo modo confirmou quando disse que o Rio Ave jogou com muito respeito pelo Porto… E com esta já é a quarta ou a quinta vez que os adversários do Porto, no Dragão, jogam muito abaixo do seu real valor. Mistérios…
Prova do desnorte e do desequilíbrio emocional que já atingiu o treinador do Porto, é o modo como respondeu às perguntas dos jornalistas e ao facto de ter confessado que o importante era ganhar, nem que fosse com golos marcados com a mão!
Espantoso que, com excepção de Fernando Correia, nenhum comentador desportivo tenha feito alusão a esta incrível declaração!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A RTP E O JOGO DO DRAGÃO


NÃO TEM EMENDA

Quem ouviu os comentários que acompanhavam o resumo do jogo de ontem que a RTP, desde ontem até hoje, repetiu vezes sem conta não pode deixar de se rir.
Rir é uma força de expressão. De facto, é inadmissível que comentários daquele nível sejam publicados.
Um jogador do Porto (James) faz uma descarada simulação, o comentador dá a entender que pode ter havido penalty. Outro jogador do Porto (Hullk) cai na área numa jogada com Coentrão. Toda a gente vê (em câmara lenta vê-se isso) que o Coentrão não lhe toca. O comentador dá a entender que Coentrão o pisa. Numa disputa de bola com Coentrão, em que este faz legalmente obstrução, Belluci irrita-se, e já fora do campo, atinge-o propositadamente na cara com a mão. O comentador fala na agressividade de Coentrão e antecipa o segundo cartão amarelo ao jogador do Benfica, para nada ter de se pronunciar quer sobre a agressão de Belluci, quer sobre a expulsão de Coentrão (uma vergonha).
E os exemplos poderiam repetir-se até ao fim do jogo. Mais caricato ainda, no programa “Pontapé de saída” de hoje à noite as imagens que começam por passar são as do jogo do campeonato, sem que este comentário pretenda atingir os dois comentadores do programa (Freitas Lobo e Carvalhal).
De facto, a RTP do Porto está completamente dominada.
Sobre o jogo de ontem interessa ainda dizer algo que no comentário de ontem ficou omitido. Depois de dois grandes desaires (Liverpool e Porto) decorrentes de uma deficiente interpretação da equipa adversária, Jorge Jesus aprendeu. E foi inteligente: não só aprendeu, como soube aplicar o que aprendeu. Está, portanto, de parabéns e com ele todos os jogadores que souberam interpretar a ideia do treinador.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

VITÓRIA CLARA DO BENFICA NO DRAGÃO




O PORTO ESTEVE AO SEU NÍVEL

Num jogo em que foi sempre superior, o Benfica foi hoje ao Dragão vencer por 2-0 a primeira eliminatória da meia-final.
Temia-se que o Benfica entrasse no jogo sem confiança e receoso, tal o clima de euforia que varria as hostes portistas. Não foi isso o que aconteceu. Desde o apito inicial do árbitro logo se viu que o Benfica estava ali para disputar o jogo sem tibiezas. E foi essa atitude do Benfica que logo rendeu os seus frutos nos momentos iniciais do jogo com um golo só possível num jogador como Coentrão.
De facto, Coentrão, enquanto esteve em campo, deu espectáculo, demonstrou a sua extraordinária categoria e acabou ingloriamente expulso a meia hora do fim por uma decisão infeliz de Paulo Batista, árbitro do encontro, sempre muito pressionado pelos jogadores do Porto. Uma decisão difícil de compreender, além de mais porque ocorre logo a seguir a um gesto agressivo de Belluci que ficou impune.
Toda a gente está de acordo com a justiça da vitória do Benfica e, principalmente, com o esquema táctico posto em prática por Jorge Jesus. Limitando ou neutralizando a acção de dois jogadores muito influentes na manobra do meio-campo portista - Belluci e João Moutinho –, Jorge Jesus impediu o Porto de fazer o seu jogo habitual, levando-o a perder muitas bolas logo na saída de jogo. Javi Garcia e César Peixoto cumpriram na perfeição esse papel, tendo inclusive Javi feito o segundo golo aos vinte minutos de jogo.
O Porto tem dado indícios de que está a sofrer uma quebra de rendimento, colectiva e individualmente, da qual tem saído sem derrotas mais por demérito dos adversários do que por mérito próprio.
Sem Falcão e com Hulk no centro, o Porto fica mais fraco, embora a principal fraqueza da equipa esteja na defesa que não é nada de especial.
Mesmo reduzido a dez unidades, o Benfica continuou a controlar o jogo. O Porto nunca esteve na iminência de marcar um golo, embora tivesse estado muito próximo de sofrer o terceiro, não fora a grande defesa de Helton a remate de Cardozo.
Acabo por não se sentir a falta de David Luiz, embora o modo como o Benfica jogou tenha favorecido muito as características de Sidnei e de Luisão. Com adversários mais fracos, jogando a equipa mais subida não será de estranhar que ocorram algumas dificuldades que um David Luiz em forma conseguia neutralizar.
Do Benfica pouco mais há dizer, a não ser toda a equipa jogou muito bem, sendo de destacar, além daqueles que já foram referidos, a excelente e esforçada exibição de Gaitan, já completamente integrado na manobra da equipa.
Para não variar, o autocarro da equipa do Benfica voltou a ser atacado antes das portagens, ainda dentro da área metropolitana do Porto. E continuará a sê-lo, tal como já tinha sido, durante a noite, vandalizada a Casa do Benfica, em Gaia, porque não uma única voz no FCP que condene estes actos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

COMENTÁRIOS DISPERSOS SOBRE FUTEBOL




NACIONAL E ESTRANGEIRO

O Benfica ganhou todos os jogos da fase de grupos da Taça da Liga, qualificando-se para a meia-final, na qual defrontará o Sporting, na Luz.
O Sporting perdeu o último jogo no Estoril, numa partida muito pobre, voltando a deixar inúmeras dúvidas sobre o que será o Sporting até ao fim da época.
O treinador desculpou-se com as duas penalidades assinaladas a favor do Estoril, mas nada disse sobre o último jogo do campeonato, contra o Marítimo, no qual foram perdoadas duas grandes penalidades ao Sporting e não foi assinalada a falta do jogador que marcou o primeiro golo, cometida na própria jogada do golo.
A situação que se vive no Sporting faz prever que não chega a magnífica forma de Rui Patrício para resolver todas as situações, nomeadamente a partir de agora que vai deixar de contar com Liedson.
Esta é, de resto, uma transferência incompreensível, principalmente para os adeptos, pois não estando em jogo nenhuma especial receita – na melhor das hipóteses cerca de dois milhões de euros…embora o Corintians negue – não se percebe como pode o Sporting dar-se ao luxo de dispensar a meio da época o seu mais emblemático jogador dos últimos sete anos. De facto, Liedson é um caso raro de jogador que reúne em si várias qualidades de ponta de lança. Joga bem de cabeça, tem um apurado sentido posicional, “rouba” bolas aos defesas ou aos guarda-redes em zonas fatais para quem as perde, joga com ambos os pés, enfim, passarão certamente muitos anos até que o Sporting volta a ter alguém como ele. Alguém tão importante que, quando estava em forma, conseguia disfarçar as debilidades de toda uma equipa. Também terá os seus defeitos e por eles terá pago o Sporting por mais de uma vez, em momentos cruciais, mas também nesses casos o grande responsável foi o clube…que não soube impor-se.
Voltando ao Benfica: apesar das vitórias em série, treze, há a sensação de que o Benfica vai hoje às Antas com pouco à vontade. Há qualquer coisa tanto no discurso de J. Jesus como dos jogadores que não entusiasma. E há uma insegurança defensiva latente, capaz de fazer tremer a equipa, mesmo nos melhores momentos. Ou como dizem outros: falta saber defender quando perde a bola. Vamos esperar para ver…
Entretanto, David Luiz foi-se, como se esperava. Não havia nada a fazer, mesmo que na hipótese absurda de o Benfica não precisar do valor da transferência, estava sempre em causa a impossibilidade de poder cobrir a oferta que o Chelsea fez ao jogador. São números astronómicos para o nosso campeonato.
Só desejar-lhe boa sorte e esperar que os adeptos do Benfica, quando o David Luuiz voltar à Luz, em jogos particulares ou oficiais, seja recebido como merece. E que eles percebam o que é hoje um profissional de futebol.
Em Espanha, Mourinho perdeu em Pamplona, face ao Osasuna e, para muita gente, disse adeus ao título. Desculpou-se depois com os vários jogos que o Real tem feito, mas o que realmente continua a pesar na equipa, além da copiosa derrota de Barcelona, é Mourinho não ter podido “montar” uma equipa à sua maneira: uma equipa muito defensiva, com um avançado capaz de pelear com três defesas ou mesmo quatro e que, além disso, não falhe as oportunidades de que dispõe.
É claro que Mourinho gostaria também de ter presente o “ensinamento” de Pinto da Costa: não deixar que haja surpresas nos jogos contra os pequenos, principalmente quando estão no fundo da tabela. Só que Mourinho não pode usar em Espanha os mesmos recursos que Pinto da Costa, em Portugal, usava para ele…
Por outro lado, continua a ser muito difícil para a gente do Real Madrid perceber por que é o Barça aplaudido nos campos onde vai jogar (e Messi endeusado) enquanto o Real é assobiado (e Ronaldo detestado). Este clima pode ser fatal para Mourinho…

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

OS JOGOS DE HOJE: DO PORTO E DO BENFICA



AS CONCLUSÕES QUE SE IMPÕEM

No jogo de hoje ficou mais uma vez claro que o Benfica está em nítida subida de forma. Está uma equipa espectáculo, com algumas deficiências defensivas, e com eficácia atacante intermitente.
Até ao momento, melhor dizendo, depois do jogo com o Porto, não têm sido os golos sofridos, nas poucas vezes em que isso aconteceu, que têm retirado eficácia atacante à equipa. Embora reste saber como reagirá a equipa se tiver de virar o resultado.
Outro aspecto que não pode de forma alguma ser desprezado é a marcação de grandes penalidades. O ano passado, Cardozo não converteu uma única penalidade, sempre que a marcou com o Benfica (ou o Paraguai) empatado ou a perder. Este ano já tinha quebrado esse “enguiço”, mas hoje o "velho problema" voltou a aparecer. E quanto a David Luiz, por mais que se tente negar as evidências, é óbvio que há coisas que “mexem com a gente”. E ele está, há muito tempo, a sofrer as consequências disso.
Tudo assuntos que Jesus não pode descurar, embora se perceba que ele teve que moderar o discurso do princípio de época, para voltar a ganhar os jogadores.
A vitória de 2-0 sobre o Rio Ave, em Vila do Conde, foi uma boa vitória, que coloca o Benfica na meia-final da Taça de Portugal, embora pudesse ter tido uma maior expressão.
Quanto ao Porto, a conclusão que se retira é a de que o Porto é cada vez mais Hulk. Sem Hulk, ou com Hulk desinspirado, o Porto seria uma equipa completamente diferente. Já aqui disse e repito: Hulk é, de todos os jogadores que depois de 1960 pisaram os relvados portugueses, o mais parecido com Eusébio. Não é um Eusébio, mas é o que mais se assemelha.
Estranho é que, tendo no último domingo o Benfica feito uma grande exibição, o Nacional nunca se tenha entregado e tenha inclusive feito um grande jogo. Hoje, no Porto, para o campeonato, passou-se exactamente o contrário: o Nacional não existiu. Mérito do Porto? O Porto não jogou melhor do que o Benfica no domingo passado, apesar de estar a jogar contra uma equipa que não jogou.
Mistérios do futebol ….

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PARABÉNS EUSÉBIO


EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA


Parabéns Eusébio. 69 anos...Quem diria!

Parabéns a todos os que se associaram à festa de Eusébio, especialmente a Vitor Baía!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

AINDA O JOGO DA LUZ CONTRA O NACIONAL



O QUE FAZ FALTA…

Chega a ser ridículo a importância que a imprensa e as televisões deram àqueles “chega para lá” a que se assistiu durante breves segundos, no final do jogo da Luz, entre o Benfica e o Nacional.
Ninguém sabe como tudo começou, nem procura saber. Isso não interessa. Para a comunicação social o que interessa é o que possa aparecer como insólito, por mais insólito que seja a criação de um facto onde nada de relevante existiu.
Contrariamente ao que já tinha acontecido noutras deslocações do Nacional a Lisboa – tanto na Luz como em Alvalade – desta vez o jogo decorreu sem incidentes. Nem os jogadores do Nacional foram violentos, como aconteceu o ano passado, nem os jogadores do Benfica se envolveram em qualquer espécie de quezílias.
Depois de um grande jogo, de um grande espectáculo de futebol, que o Benfica ganhou com grande brilho e uma grande exibição, pesem embora as facilidades defensivas que concedeu na parte final do jogo – e que o Nacional soube aproveitar muito bem -, não mais se falou do jogo na maior parte da comunicação social, mas apenas e só de uma suposta “agressão” que ninguém viu, e que nenhum dos intervenientes confirma, do treinador do Benfica a um jogador do Nacional.
Ridículo! A RTP logo secundarizou o jogo, omitiu as condições em que foi marcado o penalty a favor do Porto contra o Beira-Mar, e passou a criar (a tentar criar) um facto onde nada de relevante existiu. O Record e o super intriguista Rui Santos logo falaram em “agressão” e em “facto muito grave”, transformando a dita ocorrência na notícia do jogo.
E, todavia, a grande ocorrência do Campeonato é que o Porto já leva três vitórias por 1-0, obtidas na marcação de outros tantos penalties marcados em condições mais que duvidosas. E o Benfica leva outras tantas derrotas, pela diferença mínima, em jogos em que ficaram por marcar quatro grandes penalidades que, no mínimo, lhe poderiam ter permitido empatar dois jogos que perdeu e ganhar outro.
E depois…é só fazer as contas! Esta a grande ocorrência.
A pequena ocorrência é resulta de uns vulgares empurrões entre Jesus e um jogador do Nacional. Empurrões recíprocos que ninguém, pelas televisões, viu como começaram nem porquê. Empurrões e nada mais, como os próprios intervenientes confirmam.
Pode não ser uma actuação bonita e certamente não é, mas só por grande hipocrisia se pode fazer do que se viu um caso do futebol português!
Entretanto, o treinador do Porto na sua ubíqua qualidade de técnico, adepto e super-dragão já veio criticar Jesus, em mais uma prova da sua inestimável solidariedade.
Não era preciso esta crítica para se perceber, embora agora fique claro para os que então não viram, que os elogios a Jesus depois do jogo no Porto, eram elogios à sua própria pessoa. Elogiando Jesus, elogiava-se a si próprio. Já os de Pinto da Costa obedeciam a dois propósitos: o primeiro desestabilizar e dividir o Benfica, como foi dito; o segundo, marcar terreno para uma futura substituição de Villas Boas. Foi talvez por ter percebido isto, que o super-dragão das Antas hoje atacou.

MOURINHO: A PROVA DE FORÇA CONTINUA



QUEM VAI GANHAR?

Mourinho nas muitas disputas em que intervém tem a seu favor já ter somado um número considerável de importantes vitórias em cerca de dez anos de profissão. Contra, nunca ter feita nada de especial pelo futebol, havendo até quem diga, entre os nomes mais famosos deste desporto, que Mourinho não trouxe nada de novo nem de bom ao futebol. Trouxe certamente vitórias para as equipas que treina, mas só isso.
No Real Madrid a história repete-se. Nada fazendo em prol de novos talentos – Mourinho prefere os jogadores feitos e com provas dadas, tenham eles 25 ou 35 anos –, o treinador do Real, acossado por um Barcelona brilhante até hoje quase sem deslizes, exige um ponta de lança com créditos firmados e grande experiência, para ter a certeza de que nas oportunidades (poucas ou muitas) de que a sua equipa desfruta esteja lá na frente quem não falhe.
Não lhe basta ter à frente Cristiano Ronaldo, Benzema, Pedro Leon, além obviamente de Di Maria e Kaká. Mourinho quer mais. Quer um avançado centro que prenda em permanência os dois centrais da equipa adversária, para que Ronaldo e Di Maria fiquem com mais liberdade nas incursões pelo centro.
O Real Madrid, com Valdano à frente, resiste e contabiliza: desde que Mourinho chegou, o Real, citando apenas as vedetas, contratou: Di Maria, Özil, Khedira, Ricardo Carvalho. Com os jogadores que já lá estavam – Casillas, Ramos, Pepe, Marcelo, Xabi Alonso, Cristiano, Kaká, Gago, Higuain, Diarra, Lass, Benzema, só para citar os mais famosos, qualquer treinador tinha obrigação de formar uma super-equipa.
Por outro lado, a direcção desportiva do Real Madrid e a junta dirigente, passando em revista os últimos três anos, conhecem bem o resultado a que levou a satisfação das exigências de anteriores treinadores: à dispensa de grandes jogadores, dos melhores do mundo, que logo depois de dispensados pelo Real brilharam a grande altura nos novos clubes e nas respectivas selecções nacionais. Por isso não cede.
Mourinho sabe bem que não tem equipa para se bater com o Barcelona por mais jogadores que contrate. O seu objectivo não é, portanto, ganhar vantagem no confronto face a face com o Barcelona. O seu objectivo é outro: Mourinho sabe que uma equipa como a do Barcelona, altamente competitiva e fascinantemente artística, pode falhar contra equipas menores. E são essas falhas que Mourinho quer aproveitar para ganhar. Mas para aproveitar essas falhas a cem por cento o Real não pode falhar. Em certos países, essas falhas contra as equipas menores podem resolver-se sem a contratação de jogadores, como Mourinho bem sabe. Em Espanha, porém, elas só se resolvem no campo, com jogadores que não falhem!
Sabendo isto, Mourinho continua fazenda a guerrilha antes e depois de cada jogo, arregimentando os jogadores para a sua causa, na esperança de assim pressionar os dirigentes e de os responsabilizar perante os adeptos pelo fracasso da equipa.
Para muita gente, Mourinho não tem, pelos processos de actuação que utiliza, um carácter que se recomende. Também não tem um futebol que entusiasme. Talvez ele perceba que está, porventura, a fazer no Real a sua prova de vida – da “vida” ao nível a que se habituou e a que habituou os adeptos das equipas que treina – dai que ele tenha elevado a luta a um ponto sem recuo: ou ganha, subjugando Florentino e "correndo" Valdano; ou perde, e sai sem honra nem glória.

domingo, 23 de janeiro de 2011

BENFICA: ESPECTÁCULO NA LUZ




NINGUÉM JOGA ASSIM EM PORTUGAL

Grande espectáculo na Luz. É provável que a equipa não tenha em todos os jogos a mesma consistência defensiva, mas o seu nível exibicional, aquele que o adepto gosta, é igual ou mesmo superior ao do ano passado.
O jogo de hoje, disputado pelas duas equipas com grande intensidade, foi um grande espectáculo de futebol. O Benfica foi indiscutivelmente muito mais vistoso do que o Nacional, tendo construído ao longo do jogo grandes oportunidades que não concretizou. Mas o Nacional jogou sempre com o mesmo entusiasmo, nunca se entregou, como algumas equipas fazem, principalmente em certos campos.
Mais uma vez o árbitro não assinalou um penalty daqueles que só ele não viu, em jogada da qual, aliás, resultou o primeiro golo do Benfica.
Na segunda parte, o Benfica, apesar de ter sofrido dois golos, quando ganhava por 3-0, foi ainda mais espectacular do que na primeira até ao primeiro golo do Nacional.
O primeiro golo do Nacional surge de bola parada - mais um esta época - e o segundo resulta de o Benfica não ter compreendido o modo como, a partir do primeiro golo, o Nacional se dispôs em campo. Certamente entusiasmados com a exibição que estavam fazendo, os jogadores do Benfica continuarem a jogar como até aí, com a intenção de dilatarem o resultado – o que poderia obviamente ter acontecido – sem se terem dado conta que o Nacional estava a jogar com a equipa partida, com muita gente na frente, tornando difícil a neutralização de qualquer jogada de contra-ataque, resultante de uma perda de bola do Benfica. E foi o que aconteceu. Sempre com a equipa muito balanceada no ataque, sem preocupação em guardar o resultado, o Benfica sofreu o segundo golo.
Mas não chegou a tremer, aliás, qualquer resultado que não fosse a vitória por vários golos seria sempre uma grande injustiça. E exactamente porque a confiança era muita, Jara pôs ponto final à questão com mais um golo.
A vitória por 4-2 não espelha completamente a verdade do jogo: o resultado poderia ser mais dilatado, mas faz jus à competitividade que o Nacional pôs em campo. E é quase certo que os adeptos do Benfica preferem estes jogos entusiasmantes, jogado por muitos artistas, com belas jogadas, do que aquele “joguinhos” em que se ganha por 1-0, sempre com a equipa muito contida para não ter surpresas.
Concluindo: está visto que não há penalties a favor do Benfica por mais descarados que sejam. Com o de hoje, já são nove os que ficaram por marcar. Em contrapartida, nos jogos do Porto nunca há dúvida, quando algo se assemelha a uma falta dentro da área adversária. É penalty!
E assim já lá vão três jogos por 1-0, todos ganhos na transformação de grandes penalidades mais que duvidosos: foi assim na Figueira da Foz contra a Naval; foi assim no Porto contra o Setúbal; e hoje em Aveiro contra o Beira-Mar!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

BENFICA: APOSTAS GANHAS E FALHADAS



As LIÇÕES DO JOGO CONTRA O OLHANENSE

Alinhando contra o Olhanense com uma equipa quase completamente diferente da habitual, da qual apenas alinharam David Luiz fora do lugar, Maxi Pereira, Javi Garcia e Aimar durante cerca de uma hora, Jorge Jesus teve oportunidade de ver em acção numa fase adiantada da época um conjunto de jogadores pouco utilizados.
Mesmo sabendo-se que os jogadores menos utilizados têm um ritmo diferente dos habituais titulares, algumas lições se podem tirar do jogo contra o Olhanense, que o Benfica ganhou por 3-2.
A primeira, se é que já não estava tirada, é a de que David Luiz fora do seu ligar vale menos cinquenta por cento. Se numa altura em que lutava por se firmar na equipa a abnegação com que lutava no lugar de defesa esquerdo ainda lhe permitia disfarçar algumas fragilidades, hoje, conquistada que está, com todo o mérito, um lugar na equipa, tirá-lo do centro da defesa é diminui-lo e desvalorizá-lo.
César Peixoto, sem prejuízo de todo o empenho que põe em jogo, não está à altura das responsabilidades do clube. Mas isso não justifica que o jogador seja relativamente hostilizado por uma parte do público. Ele faz o que pode e entrega-se ao jogo com dedicação. Merecia mais respeito.
Ayrton não descola. É um jogador pesado, pouco ágil e não vai passar muito daquilo. Sydnei é lento, desconcentrado e gera intranquilidade na equipa.
Kardec, outra das apostas de Janeiro do ano passado, também não descola, nem nunca será um grande ponta de lança. Um ponta de lança precisa de inteligência e instinto, podendo este, se for muito apurado, dispensar alguma inteligência. O que não existe em nenhuma parte do mundo é um grande ponta de lança sem instinto goleador. Kardec não fareja o golo, nem tem o instinto de saber onde encontrar a bola. Pelo contrário, posiciona-se sempre mal, quase sempre em condições de não poder concluir. Tem mais instinto para fugir da bola do que para encontrá-la.
Filipe Menezes promete quando começa a jogar, mas depois desaparece e nunca mais se dá por ele. Para um jogador do meio-campo, esta é uma característica fatal.
Jara sobre o qual havia tantas dúvidas parece ser reforço. Como aqui já se tinha dito, Jara pareceu muitas vezes um jogador triste, desadaptado, sem ligação com a equipa. Integrado, animado, Jara poderá tornar-se num grande jogador. Ontem marcou um grande golo e fez uma boa exibição.
Gaitan já deu provas mais do que suficientes – aliás, Jesus recorreu a ele e a Savio, quando as coisas estavam mal paradas - de que pode ser um excelente reforço, mas tem de perceber, principalmente quando joga no meio do campo, que, na Europa, contra uma equipa média, perder a bola na primeira fase de construção quando a equipa está toda balanceada para a frente é fatal: normalmente resulta em golo do adversário. E ontem, nos vinte minutos que jogou, perdeu algumas bolas.
Um jogo que estava sendo fácil, que poderia ter rendido mais golos, acabou por ser salvo por Salvio que saiu do banco, a vinte minutos do fim, para marcar um grande golo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

MOURINHO E O REAL MADRID



O QUE SE ESPERAVA

Antes do começo da época e antes que alguém o dissesse enumerei neste blogue as previsíveis vítimas de Mourinho no Real Madrid, se conseguisse impor a sua vontade soberana.
E simultaneamente alertei para o facto de o Real Madrid ser um clube completamente diferente de todos por que Mourinho tinha passado até então (com excepção do Benfica, onde esteve episodicamente), sendo de esperar grandes dificuldades de adaptação numa personalidade como a de Mourinho habituada a que sejam os outros a adaptar-se a ele.
As previsíveis vítimas de Mourinho, segundo o prognóstico que então fiz, seriam: Jorge Valdano; Cristiano Ronaldo; e o futebol espectáculo.
E expliquei: Valdano era demasiado culto e educado para caber na mesma equipa de Mourinho, ainda por cima numa posição de superioridade hierárquica. O estilo de Mourinho é outro: é o que vimos no Porto; no Inter; também no Chelsea, apesar de a Inglaterra impor limitações objectivas difíceis de ultrapassar; e no Real Madrid no jogo contra o Sevilha.
Cristiano Ronaldo, a segunda vítima, por Mourinho lhe reservar um papel idêntico ao de Eto’o. Aqui enganei-me, mas já explicarei porquê.
A terceira vítima seria o futebol espectáculo de que o Real jamais abdicaria, não só por o seu grande rival ter, desde Cruyff, esse futebol como matriz (embora sem sempre o conseguir), mas fundamentalmente por o Real ser quem é: a equipa do século XX! Poderia, admiti, na primeira época essa inevitável tendência de Mourinho para privilegiar exclusivamente a eficácia ser-lhe “perdoada” se ganhasse algo que se visse, mas jamais o Real aceitaria, como não aceitou com Capelo e outros, perder a sua identidade futebolística em troca de vitórias conseguidas “à Inter”. Daí, ter concluído que a “pátria do futebol” de Mourinho era a Itália, percebendo-se mal por que a abandonou.
E depois num outro post acrescentei: Mourinho ou percebe completamente uma equipa como Real Madrid e se adapta, ou vai ter muitas dificuldades em lá continuar. E expliquei porquê: até hoje Mourinho sempre treinou, com a tal excepção do Benfica, aquilo a que chamei “equipas párias”. Equipas que fazem da sua pequenez a sua força; equipas que vivem em guerra permanente contra todos os que não se submetem às suas estratégias e vontades: árbitros, jornalistas, jornais e estações de rádio e de televisão, equipas adversárias, enfim, toda a gente de fora.
Criam um clima de violência verbal e de constante provocação contra árbitros e jornalistas; pressionam árbitros; fazem “cenas” impróprias do desporto em campo e no acesso aos balneários; enfim, comportam-se realmente como párias. O exemplo máximo é o FCP, onde Mourinho verdadeiramente se educou, mas também as outras, com nuances e algumas diferenças, têm semelhanças entre si, desde logo por serem equipas só de alguns: ou dos ricos; ou de uma família; em regra, apenas com o apoio de um bairro de uma grande cidade.
No Real Madrid tudo seria diferente e nada disto seria admitido. O Real tem um nome a defender, construído com o prestígio adquirido em mais de um século de existência, respeitado e admirado nos quatro cantos do mundo, pelo que de forma alguma aceitaria que Mourinho passasse as marcas, mesmo que ganhasse.
Ainda é cedo para dizer que Mourinho não ganhou. E pode até vir a ganhar, mas a verdae é que ele já está a ensaiar o discurso da derrota, talvez porque ele próprio já tenha interiorizado o falhanço.

Na tentativa de se adaptar às exigências futebolísticas do Real, aceitou não sacrificar Cristiano Ronaldo em nome do futebol espectáculo (já o mesmo se não poderá dizer completamente de Di Maria), aceitou jogar o jogo que o Real e os seus adeptos querem ver jogado …e até agora tem falhado!

Falhou, primeiro, porque a Liga espanhola é muito difícil; depois, porque há nela uma super-equipa que deu a Mourinho um dos maiores “banhos de bola” da história do futebol. Mourinho, depois desse jogo de Camp Nou, nunca mais se recompôs. E Florentino Pérez, depois desse jogo, também percebeu que Mourinho não era o tal Midas que transformava em ouro tudo o que tocava; pelo contrário, até viu nele a existência de algum latão. E depois, a gota de água foi o jogo contra o Sevilha no Santiago de Bernabeu.
As cenas de violência com a equipa técnica do Sevilha, o empurrão ao veterano director de campo do Real Madrid, o ataque aos árbitros, o tratamento desrespeitoso a Jorge Valdano, a reacção da imprensa “madridista”, enfim, tudo isso pesou definitivamente na balança para que Florentino Pérez tenha claramente optado por Valdano e desautorizado Mourinho.
O jogo de Almeria, que confirma o nervosismo de Mourinho e o seu falhanço, foi apenas um pretexto que Mourinho tenta aproveitar a seu favor contra Valdano. Mas sem qualquer êxito, porque aquela conversa muito em voga no FCP – e infelizmente também já em uso noutras latitudes – para “atrasados mentais” não pega em Espanha. Por mais manobras de diversão que Mourinho invente, toda a gente percebeu que pôr Kaká a jogar no lugar de Benzema foi um erro…que a entrada de Benzema reparou parcialmente. Também não colhe em Madrid a versão que Mourinho se esforça por passar para os media e os adeptos, segundo a qual todos o problemas decorrem da sua relação com Valdano. Dito de outro modo, afastado este tudo seria diferente
Em conclusão: não admira que Mourinho diga que quer ir embora; contudo, em Madrid toda a gente percebe que Mourinho está a jogar a sua derradeira cartada para expulsar Valdano impor o seu estilo, fazendo ele próprio a ligação da equpa com o Presidente. Só que não será com empates na casa do “colista” do campeonato que o vai conseguir!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O SPORTING DEU-SE MAL COM A DEMOCRACIA


DE CRISE EM CRISE

O Sporting navega de crise em crise há muitos, muitos anos. Primeiramente, esteve dezoito anos sem ganhar o campeonato e agora já lá vão quase dez desde a última vitória.
A partir da grande transformação operada no futebol, entendido como um grande negócio, e quando, simultaneamente, se esbateu o papel dos “mecenas” que antes todas as equipas buscavam, o Sporting deixou de ter meios para competir em igualdade de circunstâncias contra os seus principais rivais.
Em princípio, nada justificaria que o Sporting tivesse menos meios do que o Porto, porque sendo então um clube com maior projecção nacional do que o Porto e beneficiando de uma escola de formação de jogadores indiscutivelmente superior, além de também ter, à época, um passado desportivo, em várias modalidades, mais rico do que o seu rival nortenho, tudo apontaria no sentido de o Sporting poder congregar os meios necessários para se manter de facto (isto é, com vitórias) e não em teoria como um dos maiores clubes portugueses.
Tal não aconteceu. O Sporting sofreu, como muitos outros clubes de menor dimensão, as consequências da sua inadaptação à nova situação.
O Sporting era – e ainda é, nos aspectos que contam – aquilo a que se poderia chamar um clube "aristocrático". As “boas famílias” de Lisboa eram e são do Sporting, o Sporting esteve sempre ligado a extractos da alta/média burguesia e era dirigido por uma espécie de “governo aristocrático” onde o povo só entrava para desempenhar o mesmo tipo de funções (metaforicamente falando) que os hoplitas desempenhavam na Grécia antiga: a guerra, ou seja, em linguagem futebolística, para prestar no campo apoio à equipa!
Foi assim que o Sporting foi concebido e foi assim que o Sporting funcionou na maior parte da sua história. Contrariamente ao Benfica que sempre foi um clube popular, ligado à arraia-miúda, apoiado por tudo quanto é suburbano à volta de Lisboa e com apoio esmagador no resto do país, o Benfica, em consonância com a sua origem, sempre foi, pelo menos até Vieira, um clube democrático, dirigido pelo voto popular. Um clube onde sempre houve confronto de opiniões expresso na apresentação de listas divergentes. Sempre, tanto durante a ditadura salazarista, como depois, até Vieira.
Já no Porto as coisas se passavam de forma diferente. Prevalecendo-se do facto de se tratar do maior clube da segunda maior cidade do país, com pretensões a assumir-se como clube regional (o que ainda hoje, não obstante os progressos, está longe de ser uma evidência), o FCP sempre viveu muito “encostado” à cidade que o viu nascer e tudo nele era tratado numa perspectiva bairrista. Um bairrismo clássico, não violento, nem excludente, que cantava as virtudes dos seus sem hostilizar os de fora.
Com a chegada na década de oitenta de Pinto da Costa ao poder, depois de uma luta fratricida pela sua conquista, o FCP assumiu-se como uma verdadeira ditadura, com palavras de ordem hostis e violentas contra quem era de fora e a criação de um clima de permanente crispação no futebol português que já nada tinha a ver com as antigas e saudáveis rivalidades clubistas. Mesmo dentro do próprio clube reina para todos a mais férrea disciplina, não se admitindo dissidências nem oposições. O único candidato que até agora ousou desafiar em eleições o poder de Pinto da Costa foi ferozmente hostilizado, apodado de louco e só não foi internado num hospital psiquiátrico porque a tanto não chegava o poder do presidente do Porto.
Esta estratégia, porém, aliada a outros tantos factos inconfessáveis, resultou e causou danos incalculáveis nos dois grandes clubes de Lisboa. Mais, muito mais, no Sporting do que no Benfica. O Benfica levou algum tempo a perceber o que se estava a passar, mas acabou por perceber. Estribado numa falsa ou verdadeira amizade que utilizava perversamente, o presidente do Porto conseguiu neutralizar a oposição do Benfica durante a fase inicial de ascensão e consolidação do seu poder. O Benfica acabou por reagir depois, desorientou-se frequentemente quando começou a constatar que já tinha perdido influência e protagonismo, mas, como nunca perdeu adeptos nem apoio popular, conseguiu manter-se na luta.
O Sporting não percebendo o que se estava a passar e vendo sempre no Benfica o seu principal rival, nunca, salvo episodicamente, se opôs com firmeza à crescente hegemonia portista, com a qual frequentemente se aliou para proveito e gáudio de Pinto da Costa.
Por outro lado, continuando a ser governado “aristocraticamente”, mesmo depois da extinção do conselho dos quinhentos, o Sporting não estava preparado para lidar com as demandas provenientes da base. Esta, desde sempre habituada a obedecer, foi aceitando durante muito tempo sem grandes protestos os presidentes que lhe apresentavam para dirigir o clube. Ainda houve um começo de revolta há muitos anos atrás com Gonçalves, saído directamente do povo, e depois com Cintra, tão povo quanto o primeiro, embora aureolado de self made man formado na “cultura do compra por 5 e vende por 50”, que os posteriores desenvolvimentos do 25 de Abril amplamente facilitavam.
Como, porém, os resultados foram péssimos, no primeiro caso, e maus, no segundo, rapidamente se voltou à cooptação dos presidentes dentro do círculo restrito aristocrático dominante.
Primeiro foi Santana Lopes pela mão de Roquete, depois o próprio Roquete enfado com os desmandos empresariais de Santana Lopes, a seguir Dias da Cunha e depois Soares Franco. Depois da chegada de Pinto da Costa ao poder, este foi apesar de tudo o melhor período do Sporting: ganhou dois campeonatos, Taças de Portugal, Supertaças e vários segundos lugares.
Todavia, como houve uma cisão no grupo dirigente durante o mandato do último presidente cooptado (Soares Franco) entre facção deste e a de Dias da Cunha, não foi possível, por pressão de bases cada vez mais exigentes, manter o sistema da cooptação seguida de ratificação.
E o presidente seguinte teve mesmo de ir a votos. Ganhou José Eduardo Bettencourt por larguíssima margem. Apesar de legitimado eleitoralmente pelo voto dos sócios, Bettencourt, empossado como presidente profissional, não resistiu à pressão das bases. Não soube impor-se; não souber dirigir; não soube contratar; enfim, era difícil encontrar alguém que num tão curto espaço de tempo fizesse tantas asneiras.
Primeiro foi a demissão de Paulo Bento, o treinador que melhor serviu o Sporting nas últimas décadas; depois a revolta do balneário ou de parte dele contra Sá Pinto, director desportivo, e a sua substituição por Costinha, um homem sem qualquer ligação ao clube, onde nunca conseguiu impor-se nem criar qualquer tipo de empatia com os adeptos nem com os media; antes disso o tratamento desprimoroso para com Carvalhal, um homem inteligente que, tendo ficado com a equipa em condições difíceis, deixou o Sporting na UEFA, onde aliás fez com ele uma excelente temporada; a seguir o anúncio da substituição de Carvalhal, com a época a decorrer, pelo treinador do Vitória de Guimarães, clube onde, aliás, tinha chegado já no decurso dessa mesma época ido do Paços de Ferreira; depois, a venda de Moutinho ao Porto num negócio que os sócios não compreenderam; finalmente, a contratação de Couceiro para superintender em Costinha e no treinador.
Restou-lhe a demissão na pior fase da época, deixando o clube à deriva.
EM TEMPO:
Os sportinguistas são impagáveis. Nicolau Santos, subdirector do Expresso, tão liberal em economia e em política caseira, desde as leis do trabalho ao comércio internacional, é proteccionista em matéria de futebol! Grande coerência.
A Federação ou a Liga, diz ele, deveriam impor aos clubes a inclusão de um número mínimo de jogadores portugueses nas equipas. Porquê? É fácil responder, porque o Sporting não tem dinheiro para competir com o Benfica nem com o Porto.
E por que não limitar as exportações da Alemanha à obrigatoriedade de aquisição de uma determinada percentagem de produtos portugueses? E...e.. por aí fora. Não há nada como o futebol, a paixão clubista, para os ver mandar a coerência às malvas!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011



APESAR DE NÃO SE TER EMPENHADO MUITO

A ideia com que fica qualquer pessoa que tenha visto jogo – e que atribua à Sport TV a importância que ela tem no comentário desportivo: zero! – é a de que o Benfica ganhou bem o jogo e poderia ter ganho por mais, principalmente enquanto a Académica jogou com onze.
Houve incríveis oportunidades falhadas, que se tivessem sido concretizadas teriam arrastado a equipa para uma exibição demolidora, porventura até mais consistente que muitas da época passada.
As bolas não entraram, por falta de eficácia do Benfica, e a equipa, a partir do momento em que passou a jogar contra dez, achou que mais tarde ou mais cedo marcaria mais vezes, tal a facilidade com que chegava à baliza contrária.
Assim não aconteceu e, sem nunca ter tremido, nem nada que se assemelhe, o Benfica sentiu um pouco chegar aos últimos dez minutos apenas com um golo de diferença. Porque, toda a gente sabe, quão fácil é numa qualquer bola perdida ou até num bom contra-ataque sofrer um golo.
É natural que a equipa não estivesse na parte final tão fresca quanto tem estado, embora a principal razão para um certo esmorecimento tenha muito mais a ver com a redobrada cautela em não sofrer um golo do que com qualquer tipo de cansaço.
É também verdade que um ou outro jogador pode não estar agora tão bem quanto esteve no princípio da época, mas isso, a ser verdade, só se passa com aqueles que iniciaram a época em grande forma, como Carlos Martins. Os demais estão agora muito melhor.
O árbitro não esteve bem. Toda a gente sabe que este árbitro raramente está bem. Mais difícil é saber, porque tal acontece, embora também se saiba que a principal razão para as suas falhas seja a incompetência.
O golo do Benfica pode ter sido irregular. Com a imagem parada percebe-se o que se passa. Com a bola corrida parece normal. Indesculpável, porém, é o cartão amarelo a Coentrão em vez da marcação de uma grande penalidade. E uma outra grande penalidade que ficou por marcar, por mão dentro da área de um jogador da Académica.
De qualquer modo, o árbitro nada tem a ver com a vitória do Benfica, nem tão-pouco com a escassez do resultado. Com a eficácia que tem demonstrado nos últimos jogos, o Benfica teria ganho por vários, sendo para o efeito irrelevante a actuação do árbitro.