
OU UM ACTO FALHADO?
O programa da RTP N, “Pontapé de Saída”, realizado todas as semanas exclusivamente com “gente do Norte” – Freitas Lobo, Carlos Carvalhal, Álvaro Costa e o pivot – e um convidado, em regra um treinador ou um jogador ou ex-jogador, este eventualmente oriundo de outras áreas geográficas – tem a pretensão, louvável, de apenas falar de futebol.
De facto, como há muitos programas sobre futebol que apenas, ou quase, têm a arbitragem como objecto de todas as conversas, as mais das vezes perfeitamente imbecis, justifica-se que haja um programa que apenas trate de futebol. O que não quer dizer que em situações excepcionais erros clamorosos de arbitragem não pudessem ser abordados lateralmente na medida em que prejudicam o futebol. Todavia, os comentadores residentes nunca o fazem relativamente ao futebol doméstico, embora uma ou outra vez o tenham feito relativamente aos jogos da selecção e das competições europeias de clube.
No entanto, como neste país não há ninguém imparcial em matéria de futebol – desde logo os comentadores e jornalistas da rádio, imprensa escrita e televisão não têm a hombridade de declarar as suas simpatias clubistas –, o pontapé de saída embora se esforce por parecê-lo também não o é.
Carvalhal, que mantém uma atitude em geral correcta na análise dos jogos, não está igualmente à vontade em relação a todos os clubes. Sem referir o caso especial do Sporting, por onde passou recentemente, fazendo, por isso, questão de ser mais reservado, vê-se que trata o Porto com “pezinhos de lã”. A coacção difusa (ou efectiva) que o clube de Campanhã exerce obre os media, principalmente os situados no Porto, é muito forte e aqueles que vivem do futebol têm medo desagradar e sofrer as respectivas consequências. E cita-se o caso de Carvalhal como um caso limite, pois mesmo sendo um profissional sério e inteligente, até ele sofre esse constrangimento, independentemente das simpatias que possa ter.
Já o caso de Freitas Lobo é mais evidente. Jamais a excelente equipa do Benfica do ano passado ou deste ano lhe mereceu um elogio sem reticências. Elogios apenas pode haver em relação a algum jogador, mas apenas depois de ele abandonar o clube, como agora sucede com Di Maria, Ramires ou David Luiz.
(À parte: ao citar aqueles nomes, percebe-se que, nos tempos que correm, o Benfica para ganhar um campeonato em Portugal precisa de ter uma super-equipa, embora haja quem os ganhe com jogadores vulgares…de que nunca mais se ouve falar, depois de saírem).
Freitas Lobo, sempre tão exigente, tem, porém, várias excepções: a primeira é Carlos Queiroz. Para além do estilo truculento e malcriado que o caracteriza, Queiroz é futebolisticamente falando um zero à esquerda. Pois Freitas Lobo defendeu-o não apenas socialmente, mas também no plano técnico-táctico, vendo nele qualidades que só ele vislumbra.
O pivot, completamente alinhado com o “estilo de jornalismo desportivo do Porto”, faz o possível, sempre, para não trazer “a jogo” algo que possa prejudicar o FCP ou beneficiar o Benfica.
No último programa, onde Carvalhal não esteve, falaram com Peseiro, que não deixou de fazer várias críticas a Queiroz, falaram da selecção – e Freitas Lobo aproveitou para dar uma forte “tareia” em Pepe, pelas declarações que fez relativamente a Queiroz, embora nunca se tenha lembrado de dar idêntica “tareia” a Pepe pelas selvajarias que ele pratica em campo – e nem por um segundo se referiram aos jogos da última jornada.
Como é possível que gente que “gosta tanto de futebol” não tenha mostrado nem feito alusão a uma das mais belas jogadas de futebol de que há memória como foi aquela da qual resultou o terceiro golo do Benfica em Paços de Ferreira? Para quem anda permanentemente a pesquisar na internet jogadas que fizeram época ou golos que ficaram na memória de todos, o “Pontapé de saída” omite uma das mais belas jogadas e dos mais extraordinários golos do futebol moderno.
Ainda vão ter que explicar isto…






























