terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

QUEM MANDA NO SPORTING?



DOMINGOS DESPEDIDO

Depois da derrota na Madeira, frente ao Marítimo, o Sporting despediu o treinador contratado por dois anos, poucas horas depois de o presidente do clube ter garantido à comunicação social que Domingos continuaria ao serviço do Sporting. Embora no Sporting já nada se estranhe e tudo pareça possível, não deixa de ser intrigante o modo como tudo se passou.

Quem está de fora e se limita a acompanhar pela comunicação social as declarações dos responsáveis do clube – responsáveis é um modo de falar … - e dos comentadores desportivos oficiais e oficiosos que o Sporting tem espalhados por toda a comunicação social fica com a ideia de que há dentro do clube forças fácticas relativamente organizadas, unidas por vínculos de fanatismo clubista, que, em momentos de crise mais intensa, podem facilmente ser empurradas para a frente com vista à prossecução imediatista de certos objectivos sem qualquer avaliação prévia da sua factibilidade e, portanto, capazes de pôr em causa qualquer esboço de estratégia que estivesse a ser ensaiada.

O Sporting como clube que nunca se adaptou à modernidade continua prisioneiro de pessoas que têm uma visão passadista do futebol sem que do lado da massa associativa surja alguém, alguma força, capaz de impor uma outra visão das coisas. Pelo contrário, as teses amplamente difundidas pelos responsáveis e comentadores acabam por criar na base desportiva de apoio do clube uma visão ainda mais retrógrada do que a dos supostos responsáveis.

Todos estes problemas estruturais se agravam nos anos de maior êxito do Benfica. Nesses períodos o clube fica possesso de uma fúria sectária que o leva aos maiores erros com graves repercussões nos planos desportivo e financeiro que gradual e consolidadamente repetidos vão pondo em causa a sua própria existência ou, pelo menos, de clube com o estatuto que ainda tem no futebol português.

A substituição apressada de Domingos por Sá Pinto ocorreu depois de uns quantos elementos da claque afecta ao antigo futebolista ter manifestado no aeroporto de Lisboa o seu desagrado pelo treinador após o regresso da equipa da Madeira.

Como no Sporting ninguém se pergunta por que razão tantos e tão variados treinadores têm falhado, não é de admirar que mais uma vez se espere do novo técnico o remédio para os males de que o clube padece. Só que desta vez o remédio foi encontrado no seio dos próprios males que corroem o clube. Sá Pinto não tem como treinador nenhum atributo que o qualifique para a função. Mas como é um grande sportinguista com provas dadas no pugilismo tentará com base nos seus recursos fazer pelo Sporting o que os sectores mais radicais do clube gostariam que já tivesse sido feito.

Se Sá Pinto falhar, o Sporting ainda poderá recorrer a Eduardo Barroso, outro grande sportinguista, que tem a seu favor a superior capacidade de motivação dos adeptos – e, quem sabe, dos jogadores - fazendo-lhes crer que, no ano de Domingos, o Sporting até poderia ter sido campeão se não tivesse sido roubado pelos árbitros. Depois deste, se também falhar, é que já vai ser mais difícil encontrar substituto, pois não parece nada provável que Dias Ferreira ou Oliveira e Costa, principalmente este, estejam na disposição de o substituir.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

BENFICA MAIS NA FRENTE



PORTO PERDEU EM BARCELOS
Remontada encarnada em Santa Maria da Feira

No primeiro grande jogo da jornada, jogado na Feira, o Benfica ganhou por 2-1 ao Feirense. Foi um verdadeiro jogo de campeonato, jogado com muita garra pela equipa da casa e com grande espírito de sacrifício pelo Benfica.

Na primeira parte o jogo terminou empatado e logo se percebeu que iria ser um jogo muito disputado, apesar do ascendente que a equipa da Luz já demonstrava. Na segunda parte, na sequência de um canto, o Feirense marcou de cabeça por Varela, que saltou mais alto e melhor que os defensores benfiquistas. Logo a seguir o Benfica empatou, também de canto, por intermédio do mesmo Varela, que cabeceou para a própria baliza um desvio de cabeça de Cardozo.

A partir do empate o Benfica foi pressionando sempre mais – Gaitan falhou inexplicavelmente um golo de cabeça – mas nunca pôde descansar, já que a todo o momento, em passes longos, o Feirense tentava colocar a bola nas costas dos defesas benfiquistas. Rodrigo rematou com perigo, perto da baliza, uma bola que o Guarda-redes do Feirense defendeu com o pé e logo a seguir, o mesmo Rodrigo, numa das suas típicas explosões em direcção à baliza adversária, foi derrubado por Varela. Penalty que Cardozo converteu com um remate fortíssimo ao centro da baliza. O Feirense ainda teve oportunidade de empatar, mas Emerson, muito perto da linha de baliza, interceptou um remate que tinha todas as condições para ter êxito.

Muito perto do fim, na compensação de 5 minutos concedida pelo árbitro, Rodrigo voltou a isolar-se, poderia ter feito o terceiro golo, mas voltou a perder o duelo com o guarda-redes. Mais uma vez Rodrigo falhou no frente a frente. Sendo hoje porventura o mais espectacular e explosivo jogador do Benfica, Rodrigo tem manifesta dificuldade neste tipo de lances. Raramente os converte, se e que já converteu algum. Um assunto, portanto, a que os responsáveis técnicos do Benfica deveriam dar a melhor atenção, já que se trata de um jogador jovem, de extraordinário talento, que poderia ter à sua conta quase tantos golos como Cardozo…se não falhasse com tanta frequência os remates aparentemente mais fáceis.

Alguns benfiquistas queixaram-se das medidas do campo e do facto de o jogo se ter realizado na Feira e não no Estádio Municipal de Aveiro. Protesto e queixa que se não compreendem. O campo do Feirense tem as medidas regulamentares e o Feirense só lá não joga se e quando não quiser.

A arbitragem cometeu alguns erros, mas não se pode dizer que tenha tido influência no resultado. Marcou um fora de jogo ao Feirense em vez de ter marcado uma falta por jogo perigoso, no contexto de uma jogada da qual resultou um golo anulado ao Feirense. Mas mesmo que o golo tivesse sido assinalado, ninguém poderá afirmar o que se teria passado a seguir. O jogo como realidade física teria sido obviamente outro e não aquele que depois se jogou. Quem pode garantir que teria havido o canto do qual resultou o golo do Feirense ou o canto que possibilitou o empate do Benfica? Obviamente, ninguém. Uma coisa é uma equipa estar a ganhar e, por virtude de um erro, não ter sido validado um golo que aumentaria a vantagem, outra muito diferente é as equipas estarem empatadas quando ocorre um golo hipoteticamente mal anulado. Neste caso, ninguém poderá dizer que o golo que essa mesma equipa marca logo a seguir teria sido marcado. É que o jogo já não seria fisicamente o mesmo, seria outro. Cada lance, em cada jogo, condiciona o sentido do jogo.

E também não terá sido por o árbitro não ter expulsado Tiago que o Benfica ganhou apenas pela diferença mínima.

Os benfiquistas festejaram exuberante e efusivamente o fim do jogo, por terem percebido que se tratava de um jogo importantíssimo na caminhada para o título.

O grande destaque da jornada veio, porém, de Barcelos, onde o Gil Vicente infligiu a primeira derrota do campeonato ao Porto, quebrando uma longa invencibilidade da equipa portista.

O Porto esteve irreconhecível. Perdeu por 3-1 por culpa própria e também por muito mérito do Gil Vicente. É certo que o árbitro também não esteve bem, mas não foi por causa dele que o Porto perdeu. O segundo golo do Gil é precedido de um milimétrico fora de jogo – um erro comum no futebol, embora muito doloroso para a equipa que lhe sofre as consequências. Houve também um choque não intencional entre o guarda-redes do Gil e Kleber, na disputa de uma bola que, quando o choque ocorreu, já não estava ao alcance do jogador portista. E houve ainda uma mão, dentro da área, de um jogador do Porto, que não mereceu do árbitro qualquer sanção.

Apesar de estes erros, dificilmente se poderá dizer que o Porto perdeu por causa deles. Neste caso, o mais que se poderá dizer é que o Gil Vicente, se o segundo golo não tivesse sido validado, teria ido para o intervalo a ganhar apenas por 1-0. E que a sua validação não influenciou fisicamente o jogo da segunda parte, que é um jogo que recomeça sem influência física das jogadas da primeira parte. Se influência houve, ela só poderia ter sido anímica. Mas não é nada provável que um grande campeão como o Porto se deixe abater por esse tipo de coisas. Enfim, o Porto perdeu porque jogou menos e mal.  

Finalmente, em Alvalade, o Sporting venceu pela primeira vez este ano com dois golos de cabeça do gigante norte-americano. O Beira-Mar mandou duas bolas à trave e foi tudo o que fez.

Amanhã, o Marítimo- Braga, um jogo muito importante para os lugares cimeiros da classificação.

Na parte de baixo da tabela, de realçar a segunda vitória consecutiva do Paços de Ferreira e mais uma derrota do Setúbal, agora nos lugares de despromoção juntamente com o Leiria. O Guimarães, continuando assim, tende a ficar isolado entre os cinco primeiros e os restantes dez.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O BARCELONA PASSOU, MAS O REAL MADRID FEZ UM GRANDE JOGO



VITÓRIA TÁCTICA DOS JOGADORES DO REAL
El argentino perdonó un mano a mano a los diez segundos y, en la imagen, se topó con Pinto minutos más tarde.



O Real Madrid realizou ontem, em Camp Nou, a melhor exibição da era Mourinho contra o Barcelona. Com excepção do primeiro quarto de hora da segunda parte, em que pareceu perturbado pelo segundo golo do Barça, marcado no último segundo dos descontos da primeira parte, o Real Madrid foi sempre a melhor equipa em campo.

Jogando sem medo, de igual para igual, contra a poderosa equipa do Barcelona, os jogadores do Real Madrid demonstraram ontem que Mourinho não tem razão. O Real Madrid que tem no seu plantel vários dos melhores jogadores do mundo não pode ter medo de jogar o jogo pelo jogo contra nenhum adversário, mesmo que ele se chame Barcelona.

Mourinho traumatizado pelos 5-0 que o ano passado levou em Camp Nou nunca mais quis correr riscos para que o seu incomensurável ego não ficasse de vez ferido de morte. E daí para cá em todos os jogos contra o Barcelona, sem excepção, remeteu-se a uma estúpida atitude defensiva que prejudicava a equipa no plano táctico, no plano competitivo e até na própria auto-estima dos jogadores, embora evitasse uma hipotéctica e improvável goleada que era exactamente aquilo por que Mourinho não queria voltar a passar.

Os jogadores do Real Madrid, cientes do seu valor e também muito conscientes de que os jogos não se repetem, contestaram desde então a atitude defensiva de Mourinho e demonstraram publicamente o seu mal-estar por o treinador, com a imposição daquele comportamento táctico, estar, em última análise, a descrer das grandes potencialidades do plantel que tem à sua disposição.

Depois de uma longa luta levada a cabo em parceria com a imprensa mais exigente e com os sectores históricos do Real Madrid, os jogadores do Real acabaram por impor a Mourinho uma atitude táctica muito diferente da que havia adoptado em todos os anteriores jogos contra o Barcelona. E o resultado viu-se: o Real realizou uma das melhores exibições da época contra a equipa que há vários anos vem sendo considerada a melhor do mundo e somente não alcançou o objectivo em vista – passar a eliminatória – por manifesto azar.

Todavia, ao contrário do que Mourinho pretende fazer crer, a eliminação do Real Madrid ficou a dever-se a azares próprios do futebol. Higuain, mal o jogo tinha começado, desaproveitou uma “oferta” incrivelmente; passado pouco tempo, voltou a falhar uma oportunidade clara de golo e depois foi Özil que, primeiro, viu a trave deter um remate indefensável e depois falhou uma nova “oferta” da defesa do Barcelona, desta vez de Pinto.

O árbitro não teve qualquer influência no resultado. Resolveu todas as situações duvidosas deixando jogar, tanto de um lado como do outro, principalmente as que se passaram dentro das áreas. Perdoou a expulsão de Lass por entrada violenta sobre Messi que se encaminhava perigosamente para a baliza (no mínimo, seria o segundo amarelo) e esteve bem na anulação do golo a Sérgio Ramos por este ter afastado ilegalmente (puxão num braço) um adversário da jogada.

Talvez tenha havido excesso de zelo na expulsão de Sérgio Ramos nos minutos finais do jogo (a marcação da falta teria sido suficiente, principalmente depois do que se passou com Lass) e deveria ter compensado os minutos de compensação com mais trinta segundos.

Em conclusão, pode dizer-se que o Barcelona como grande equipa que é teve ontem o seu dia de sorte; não fora mais uma vez o génio de Messi e o extraordinário golo de Daniel Alves e teria caído aos pés de um grande Madrid …que tem acima de tudo de se queixar de si próprio. Pela ineficácia ou pelo azar que ontem acompanhou a equipa e pela atitude táctica adoptada no primeiro jogo. É que se tratava de um jogo a eliminar em duas mãos. É bom não esquecer.

Como aqui se disse, depois do jogo de ontem, o Real Madrid tem abertas as portas para uma dupla vitória na liga espanhola e na liga dos campeões.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

EUSÉBIO 70 ANOS



UMA VIDA AO SERVIÇO DO FUTEBOL E DO BENFICA

Longa vida, Eusébio!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

BENFICA CONTINUA NA FRENTE



PORTO MANTÉM PERSEGUIÇÃO 



 

Porto e Benfica ganharam pelo mesmo resultado – 3-1 – os jogos da primeira jornada da primeira volta.

A vitória do Porto acabou sendo mais fácil que a do Benfica. O Guimarães disputa o jogo pelo jogo, qualquer que seja o adversário. Isso permitiu ao Porto encontrar espaços e pôr em jogo o seu futebol sem temer excessivamente o resultado de um contra-ataque, arma primeira daqueles que só sabem defender.

Mesmo sem Hulk, com James Rodriguez ao leme, o Porto foi equipa mais do que suficiente para o Guimarães. James continua afirmando-se como a grande referência dos “dragões”. Moutinho confirma também o apuramento de forma que depois do Natal se vem verificando. Com Moutinho a jogar como no ano passado, o Porto será seguramente uma equipa diferente.

Na Luz, cedo se percebeu que o Gil Vicente vinha jogar com marcações muito rígidas, deixando sempre muito pouco espaço para a criatividade dos jogadores benfiquistas, tanto assim que somente na sequência de uma jogada de bola parada o Benfica conseguiu marcar na primeira parte, por Cardozo.

Mas esse golo não chegou para o Benfica sair para o intervalo a vencer. Pouco antes do fim da primeira parte, numa bola rechaçada por Artur, Rodrigo com um fortíssimo pontapé de meia distância fez a igualdade. Um grande golo.

Na segunda parte, o Gil esteve a milímetros de marcar o segundo, num desentendimento da defesa benfiquista, mas Artur, mais uma vez, salvou a equipa de uma situação difícil.

E por aí se ficou o Gil Vicente em matéria de ataque que nem sequer chegar a aproveitar uma situação potencialmente perigosa inventada pelo árbitro.

Mas o facto de o Gil não atacar não significa que não estivesse a tolher com eficácia a manobra atacante benfiquista. Perante a incapacidade atacante do Benfica, Jesus substituiu Gaitan por Aimar, e, logo a seguir, Javi Garcia por Bruno César, fazendo recuar Witsel.
E cinco minutos depois o Benfica marcava por Rodrigo e no minuto seguinte por Aimar, numa grande jogada do argentino, a passe de Nolito.

O jogo ficou arrumado e o Benfica respirou de alívio.

Nos outros jogos realce para a vitória do Braga sobre o Rio Ave (2-1), consolidando o terceiro lugar, para a vitória de Marítimo em Aveiro (1-2), na senda da excelente época que está fazendo e para o decepcionante empate do Sporting em Olhão (0-0), agora a treze pontos do Benfica, a onze do Porto, a cinco do Braga e em igualdade com o Marítimo (29 pontos cada).

Finalmente, o Paços de Ferreira, que já não vencia para o campeonato há meses, ganhou ao Setúbal por 2-1, ficando apenas a dois pontos da equipa sadina, que é penúltima, bem como do Leiria e do Rio Ave.


MOURINHO ASSOBIADO EM CHAMARTIN



MOURINHO EM LUTA CONTRA A NATUREZA DO REAL MADRID



Deu-se definitivamente a viragem em Madrid. Mourinho e Real Madrid são incompatíveis.

Desde o início se sabia que isso iria acontecer: em vários textos, escritos em diferentes datas, fez-se neste blogue uma antevisão do que se iria passar em Madrid.
Mourinho tem uma personalidade e um futebol que não se adaptam ao estilo dos grandes clubes da Europa: os clubes populares que construíram a sua grandeza com base num código de honra de que nunca abdicaram e com a prática de um futebol empolgante e corajoso no qual sempre contou mais o modo como concebiam o seu jogo do que o modo como destruíam o futebol adversário.

Compreende-se que num clube faminto de títulos e com uma pequena base de apoio social, um treinador como Mourinho possa prosperar. Mas nunca isso acontecerá num grande clube, que junte ao seu historial de vitórias uma legião incontável de seguidores. Esses clubes querem outro futebol, exigem do treinador outra atitude – são clubes que, por pertencerem à aristocracia do futebol, não se deixam impressionar com vitórias obtidas a qualquer preço. Querem espectáculo e aplauso geral. Não querem guerras, nem quesílas desprestigiantes.

O dia de ontem selou irremediavelmente a separação ou talvez mesmo o divórcio entre Mourinho e o Real Madrid histórico – Mourinho foi assobiado no estádio Santiago de Bernabéu quando os “hinchas” do topo sul cantaram o seu nome.
O sinal, porém, estava dado desde a véspera. A Marca, o jornal madridista por excelência e que até ao último jogo com o Barcelona sempre tinha seguido uma política de atenuação da crispação entre o treinador e os "históricos" do Madrid, noticiou na portada as desavenças havidas entre Mourinho e uma parte do balneário – os "espanhóis" do Real Madrid, dando assim corpo e tornando público perante os aficionados um conflito que o El País desde à muito se vinha fazendo eco.

Como é seu hábito quando perde, Mourinho voltou a culpar os jogadores da derrota contra o Barça. Ou dito mais correctamente: culpou certos jogadores da derrota contra o Barça, depois de publicamente ter elogiado dois dos portugueses que participaram no jogo – Ronaldo e Pepe.

Acusou Sérgio Ramos de não marcado Puyol na marcação do canto do qual resultou o primeiro golo do Barça quando toda a gente viu que foi Pepe que se deixou antecipar pela fulgurante cabeçada do catalão.

Então, porquê Sérgio Ramos? Porque era o andaluz que, segundo Mourinho, estava encarregado  de vigiar Puyol nos cantos. Ramos não se ficou e explicou a Mourinho que, dentro do campo, o jogo assume dinâmicas que ele não percebe, por nunca ter jogado futebol, que obrigam a fazer modificações. Como Piqué e Puyol estavam fazendo “barreira” nos cantos, disse Ramos, foi preciso trocar marcações para assegurar uma maior eficiência.

O episódio só tem importância, porque a partir dele muita outra coisa veio à discussão, nomeadamente o modo como o Madrid sistematicamente se apresenta perante o Barcelona – como equipa de segunda ordem, defendendo com oito e procurando pela via do contra-ataque marcar um golo que lhe permita no sistema ultradefensivo adoptado ganhar o jogo.

Pior do que a discussão, foi a publicidade que ela veio a ter na imprensa espanhola. Mourinho ameaçou os “filtradores” da notícia deixando simultaneamente claro que há no Real Madrid um núcleo de jogadores que trabalha contra ele. Núcleo que a imprensa não tem qualquer dificuldade em identificar com os “espanhóis”, nomeadamente os internacionais espanhóis que, não obstante a oposição de Mourinho, conseguiram manter boas relações com os seus colegas internacionais do Barcelona – Piqué, Xavi, Iniesta, Puyol, entre outros.

Do lado de Mourinho, os portugueses. Pepe, violento e sem personalidade, é a voz do dono, qualquer que seja o treinador; Coentrão, ainda sem perceber bem o que se passa com ele, aproxima-se de Mourinho convencido que assim será beneficiado; Cristiano Ronaldo, que Mourinho se esforça por não ter contra si e a quem até faz elogios despropositados, egoísta e ególatra como é, estará sempre do lado de quem o distinga.

Os brasileiros Marcelo e Kaká, como grandes profissionais que são, acham que esta guerra não é deles e o que querem é jogar.

Os alemães, primeiramente do lado de Mourinho, têm ultimamente marcado algumas distâncias, principalmente Özil.

A próxima quarta-feira será, mais do que qualquer outro dia, um dia decisivo para Mourinho. Tanto ou até mais do que o resultado interessará o modo como o Real Madrid se apresentar em Camp Nou. Se mantiver o estilo dos últimos jogos e perder, Mourinho dirá adeus a Madrid mais dia, menos dia.

Se o Real se apresentar em Barcelona como grande equipa que é, disposta a discutir o jogo e o resultado no campo todo, Mourinho ainda terá uma chance, mesmo que perca. Isso significa que os jogadores venceram a batalha táctica contra Mourinho e, por isso, tudo farão para ganhar o campeonato e disputar com ambição a Liga dos Campeões.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

BARCELONA: OUTRO BANHO DE BOLA




MOURINHO VOLTA A PERDER
1-2: Un Barça inimitable e invencible se exhibe ante el Madrid

 Barcelona de Guardiola é  o grande pesadelo de Mourinho. Voltou a perder, desta vez para a Taça do Rei. Mourinho fez tudo igual ao que havia feito das vezes anteriores. Apenas mudou alguns jogadores, certamente por estar convencido de que com estes lograria alcançar o que das outras vezes não conseguiu. Resultado: perdeu de novo.
Mais uma vez Mourinho transformou o grande Real Madrid numa equipa vulgar, de segunda ordem, que entra em campo apenas para não perder, tentando, num golpe de sorte, ganhar. Falhou, mais uma vez.

Com uma equipa altamente defensiva, com Altintop na direita, Coentrão na esquerda, e com Ricardo Carvalho e Sérgio Ramos no meio, jogando imediatamente atrás de um poderoso trivote, Lass, Pepe e Xabi Alonso, deixando a frente do jogo praticamente entregue a Ronaldo, na esquerda, às vezes com o apoio de Benzema, e Higuain na direita, em funções mais defensivas do que atacantes, Mourinho supôs que assim estancaria o jogo atacante do Barça pelo centro do terreno, com três homens a “cair” simultânea ou sucessivamente sobre Messi, neutralizaria as incursões atacantes de Daniel Alves e dificultaria a manobra de Iniesta.

E de facto aconteceu que o Barcelona, na primeira parte, não conseguiu penetrar tão facilmente pelo centro, como noutros jogos tem feito, mas nem por isso, a partir do primeiro quarto de hora de jogo, deixou de dominar completamente o Real, com mais ou menos perigo.

Esta estratégia, que é uma estratégia para não perder, tentando marcar com base um jogo muito vertical, até pareceu resultar, quando Ronaldo, recebendo aos 10 minutos, uma bola que conduziu até à entrada a área sem oposição e iludindo a marcação de Piqué e de Alves, rematou forte com o pé esquerdo quando ambos contavam que ele flectisse para a direita e fez golo.

Foi uma jogada inteligentemente concluída por Ronaldo, mas facilitada por Pinto, que deixou a bola passar muito perto da sua perna direita.

A partir daí Mourinho já só pensava em repetir a dose. Mas a verdade é que nunca mais voltou a ter uma oportunidade.

Com o trivote do meio campo exclusivamente dedicado a funções defensivas, com Benzema e Ronaldo exaustos de tanto marcarem os defesas do Barça, com Higuain na primeira marcação a Iniesta, embora quase sempre ineficaz, só restava ao Madrid ver o Barcelona jogar e esperar que a numerosa aglomeração de jogadores à entrada e dentro da sua área impedisse o adversário de marcar.

No primeiro tempo ainda conseguiu evitar o empate, apesar de o Barcelona ter enviado duas bolas à trave, embora a percentagem de posse de bola - 69%/31% - não deixasse antever nada de muito positivo para a segunda parte.

Logo após o recomeço, na marcação de um canto, Puyol fez o empate de cabeça e mais tarde, correspondendo a um passe genial de Messi, Abidal fez o segundo.

Estava consumada a derrota e com ela o fracasso da estratégia de Mourinho que, abdicando de jogar à bola e abdicando de grandes jogadores, condena as “estrelas” do Real a uma vulgaridade própria das equipas sem ambição.

Coentrão, que se notabilizou pelos seus raids no corredor esquerdo, nunca ultrapassou a linha do meio campo e poucas vezes sequer lá chegou. Higuain não existiu como avançado. A pouco mais de vinte minutos do fim foi substituído por Callejón que entrou para as mesmas funções. Ronaldo, esgotado em missões defensivas e de pressão sobre os defesas do Barça, cedo deixou de ter condições para mudar a sorte do jogo, dando até a sensação de que estava fisicamente diminuído.
Mourinho ainda fez entrar Özil para o lugar de Lass, mas também não se deu por ele exactamente por lhe caber fazer o mesmo papel do jogador que substituiu. Ou seja, Özil não entrou para jogar com a criatividade que se lhe reconhece e admira, mas para jogar como Lass vinha antes fazendo. E depois, perto do fim, tirou Pepe e meteu Granero sem que da substituição resultasse algo de diferente.

O Barça nem sequer precisou de ser um grande Barça para jogar em Madrid como se estivesse em La Masia. A ponto de se poder afirmar que hoje não há campo em Espanha onde o Barça jogue tão à vontade como no Santiago de Bernabéu.

Lamentável, mais uma vez, a actuação de Pepe. Primeiro um “pisão” violento e desnecessário a Busquets, depois uma vergonhosa simulação num lance com Fabregas e por fim uma agressão covarde a Messi, pisando-lhe propositadamente a mão quando o argentino estava por terra. Deplorável também o comportamento de Coentrão que, simulando, num lance dividido, uma entreajuda a Messi, aproveitou para lhe dar uma forte “tapa” na cabeça. Inqualificável…

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

BENFICA NA FRENTE NO FIM DA PRIMEIRA VOLTA

SPORTING EM QUARTO A ONZE PONTOS
Terminou ontem a primeira volta com o Benfica na frente, sem derrotas, e apenas seis pontos perdidos, correspondentes a três empates fora: Gil Vicente, Porto e Braga.
O Porto mantém-se no segundo lugar, também sem derrotas, apenas a dois pontos do Benfica.

O Braga ascendeu ao terceiro lugar, depois da vitória de ontem sobre o Sporting, do qual está distanciado três pontos. A oito pontos do Benfica e a seis do Porto, o Braga poderá não ser um candidato ao título, mas será certamente uma das grandes equipas da segunda metade da prova, não sendo ousado antecipar que acabará por ter, quanto mais não seja indirectamente, um papel relevante na disputa do título.

O Sporting continua a curva descendente, internamente iniciada depois do jogo contra o Benfica, e está agora em quarto lugar apenas com dois pontos de vantagem sobre o Marítimo, que é quinto.

A euforia sportinguista decorrente de um conjunto ininterrupto de vitórias na fase intermédia da primeira volta não tinha razão de ser, como aqui foi explicado antes que os “azares” tivessem começado a acontecer. Os “azares” começaram no exacto momento em que o Sporting passou a defrontar equipas fortes: primeiro foi a Lazio, depois o Benfica, o Porto e, por último, o Braga. Até então, com excepção do jogo da primeira mão contra a Lazio, em Alvalade, o Sporting apenas defrontara equipas fracas. Natural, portanto, que lhes ganhasse. Quando as dificuldades apertaram, viu-se que o Sporting não estava ao nível do Porto nem do Benfica, sequer do Braga, como também não estava das equipas médias das grandes ligas europeias, contra as quais não jogou, salvo a Lazio (uma vitória e uma derrota).

Ainda ontem, em Braga, estiveram patentes as grandes limitações sportinguistas, principalmente na defesa, não sendo, portanto, de esperar, com os meios de que dispõe, melhorias significativas na segunda volta. Por outras palavras, o Sporting deste ano está praticamente igual ao do ano passado. Igualmente a onze pontos, com a diferença de este ano estar em quarto e o ano passado em terceiro.

O Porto mantém intactas as possibilidades de ser campeão. Não deslumbra, mas ganha. E tem em James Rodriguez a grande estrela da equipa, uma estrela que em eficácia se equipara a Hulk, e a quem não será difícil vaticinar um grande futuro europeu.

O Benfica, depois de uma breve oscilação antes do Natal, mais exibicional do que de resultados, porventura provocada por cansaço e excesso de jogos, retomou o grande nível do seu futebol, porventura menos espectacular do que há dois anos, mas muito mais consistente. Tanto assim que tem, no fim da primeira volta, mais três pontos do que na época em que foi campeão.

É hoje, sem dúvida, a equipa mais fiável do futebol português. Ser campeão ou não vai depender do modo como a equipa souber lidar com as duas grandes provas em que está inserida: o campeonato e a Liga dos Campeões.

No Benfica há mais do que uma grande revelação. E há também jogadores que se revalorizaram e outros que se adaptaram em tempo recorde, tendo em conta a realidade futebolística donde provinham.

Artur, Garay, Witsel, Nolito, Bruno César e Rodrigo (e até Malic) parece que já jogam na equipa há vários anos. Javi está ao seu melhor nível, Maxi voltou a ser o que era (depois do descanso), Luizão e Aimar rejuvenesceram, Gaitan, quando fisicamente disponível, irradia classe, e Cardozo marca golos como só ele sabe marcar. Esta, sem dúvida, a melhor equipa do Benfica desde há muitos anos.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

MESSI E GUARDIOLA, POIS CLARO, OS MELHORES DO MUNDO




FERGUSON DISTINGUIDO COM O "PRÉMIO PRESIDENTE"

[foto de la noticia]



Pelo terceiro ano consecutivo, Messi foi considerado o melhor jogador do mundo, igualando, assim, o feito até agora apenas alcançado por Platini entre 1983/85.

A bola de ouro, instituída pelo France Football em 1956, premiou até 1990 o melhor jogador europeu.

A partir de 1991, a FIFA instituiu o prémio de melhor jogador do ano, tendo o France Football, a partir de 1995, alargado a concessão do prémio a todos os jogadores que competiam na Europa, qualquer que fosse o continente de que era originário. E a partir de 2007 passou a ser indiferente o lugar onde o jogador se exibisse.

Os dois prémios mantiveram-se separados até 2010, data em que passou a haver apenas a distinção da FIFA, com o nome de Bola de Ouro da FIFA, destinada a premiar o melhor jogador do ano. Nem sempre entre 1995 e 2010 os dois prémios coincidiram na escolha do jogador do ano, embora os premiados tenham continuado a ser, até hoje, apenas os jogadores que jogam nas ligas europeias.
Messi venceu à frente de Cristiano Ronaldo e de Xavi, reflectindo a classificação a ordem natural das coisas.
Pep Guardiola:

Entre os treinadores, Guardiola, como se esperava, venceu. Fergusson, que recebeu uma distinção especial pela carreira– Prémio do Presidente -, ficou em segundo lugar à frente de Mourinho.
Alex Ferguson.jpg

Compreende-se mal que Mourinho, que apenas ganhou a Taça do Rei, tenha ficado à frente de André Vilas Boas que ganhou todas as provas em que participou, com excepção da Taça da Liga.

O Prémio Puskas, destinado a premiar o melhor golo, foi merecidamente atribuído à grande vedeta brasileira do Santos, Neymar, que concorria contra Messi e Rooney.

Messi apenas tem 24 anos. Se nada de grave lhe acontecer, todos aqueles que com ele concorrerem na próxima meia dúzia de anos vão ter de se contentar com um lugar secundário. Azares…

Mourinho e Ronaldo não foram à cerimónia, em Zurique, pretextando um jogo amanhã contra o Málaga…a pouco mais de uma hora de Madrid em avião. À mesma hora em que os premiados falavam para aos media, Mourinho dava uma conferência de imprensa para dizer hiopocritamente que, se pudesse, teria estado em Zurique para felicitar Guardiola. Não há dúvida que nestas coisas de “fair play” Portugal não poderia estar pior representado.
Las mejores imágenes de la gala del Balón de Oro 2011


A japonesa Homare Sawa ganhou o prémio feminino, à frente da brasileira Marta



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

BENFICA NA FRENTE



RECOMEÇO DO CAMPEONATO
Benfica chega à liderança com exibição "à campeão"



Depois da paragem do Natal, recomeçou a “Liga Zon Sagres” com um empate da Académica em Setúbal, na sexta-feira, e um novo empate no sábado entre o Sporting e o Porto.

O clássico de Alvalade não foi um jogo muito emotivo, nem gerou polémica, como é normal nos jogos entre as duas equipas.

O Porto veio a Alvalade para não perder, buscando embora a hipótese de ganhar, sempre por intermédio de Hulk, e o Sporting procurava o mesmo. Como nem um nem outro arriscaram o suficiente para ganhar, o empate a zero acaba por ser o resultado normal e talvez o que também mais conviesse ao Benfica, que jogava no dia seguinte em Leiria.

No domingo, ao começo da noite, o Benfica defrontou o Leiria na Marinha Grande e ganhou, jogando bem, por 4-0.

Pouco antes do começo do jogo soube-se que nem Aimar nem Gaitan poderiam jogar, mas nem a ausência de um nem outro, não obstante a sua enorme valia, acabaram por ter qualquer importância no desfecho da partida. Com um banco de luxo, o Benfica pôde substituí-los sem prejuízo para a dinâmica da equipa.

Com Bruno César na direita e Nolito na esquerda, tendo atrás um Maxi (com as baterias recarregadas) e um Emerson mais afoito nas acções ofensivas, a equipa, muito equilibrada no meio campo, com Javi e Witzel, acabou por proporcionar aos dois homens mais adiantados – Cardozo e Rodrigo – lances mais do que suficientes para ganhar a partida sem preocupações.

E assim aconteceu. Logo no começo, Bruno César, sempre com os olhos postos na baliza, fez o primeiro golo tranquilizando a equipa. E outros se poderiam ter seguido. Mas só no recomeço Cardozo fez o dois zero – um golaço – e lá mais para o fim do jogo, Rodrigo, por duas vezes, fixou o resultado em 4-0.

Depois do jogo de Guimarães, para a Taça da Liga, ter ficado a incerteza sobre se o Benfica, contra onze, seria capaz de fazer o mesmo que fez contra dez, o de domingo serviu para tirar qualquer dúvida a esse respeito.

A paragem fez bem ao Benfica, que estava cansado e a precisar de férias.

Com a vitória de Leiria, o Benfica passou para a frente a dois pontos do Porto e a oito do Sporting e do Braga, que hoje ganhou em Aveiro ao Beira-Mar.

É assim muito provável que o campeonato venha a decidir-se entre o Benfica e o Porto, tudo dependendo do modo como o Benfica for capaz de aguentar na “frente interna” a pressão da Champions League.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O CAMPEONATO NACIONAL NO FIM DE 2011



PORTO E BENFICA NA FRENTE



Ao fim de treze jornadas, o Porto mantém uma regularidade muito próxima da do ano passado, apesar de todas as críticas dirigidas ao treinador, enquanto o Benfica está manifestamente a fazer uma época bem melhor do que a do ano passado e até superior à de há dois anos, em que se sagrou campeão.

Na presente época o Benfica apenas perdeu seis pontos, em três empates, todos fora, contando por vitórias os jogos realizados em casa. Há dois anos, no fim da primeira volta, tinha empatado três vezes e perdido uma. Empatou com o Marítimo em casa e fora com o Sporting e o Olhanense; e perdeu em Braga. Enquanto o Porto, este ano já perdeu em treze jornadas o mesmo número de pontos que o ano passado perdeu em trinta, embora por esta altura, no ano passado, só tivesse mais dois pontos do que este ano.

O Sporting é que está francamente melhor do que nas épocas anteriores, apesar de nos últimos jogos ter dado algumas indicações de que poderá, em breve, claudicar. O melhor período do Sporting correspondeu no plano interno e no internacional a uma série de jogos com adversários de segunda categoria, com excepção da Lázio. Na parte final da primeira volta ficaram-lhe reservados três jogos difíceis. O primeiro já perdeu, contra o Benfica, restando-lhe ainda o Porto e o Braga.

Como sempre tem acontecido nos últimos anos, quando os resultados começam a ser desfavoráveis, o Sporting culpa os árbitros e faz sobre eles uma enorme pressão. Só mesmo quando o descalabro é total é que os sportinguistas se calam. E, todavia, não há equipa em Portugal que nestes últimos seis anos tenha sido tão favorecida pelos árbitros como o Sporting. Mas como por duas vezes foi prejudicado, entre dezenas de erros a seu favor, utilizou esses pequenos desaires da arbitragem para fazer uma campanha para pressionar os árbitros a, na dúvida, apitarem sempre a seu favor.

Este ano, depois de uma campanha inicial muito intensa, as coisas acalmaram com os resultados, mas logo a campanha recomeçou mal os desaires voltaram a acontecer e tem-se intensifficado nos últimos dias manifestamente para condicionar a arbitragem nos dois jogos difíceis com que se encerrará a primeira volta.

Em quarto lugar, o Braga, a dois pontos do Sporting, não se dá por vencido e espera terminar a primeira volta à frente do Sporting. E tem de se concordar que o Braga é hoje, sob todos os pontos de vista, uma equipa mais consistente que a do Sporting.

A partir do quinto lugar, ocupado pelo Marítimo, a fazer uma excelente época, abre-se um enorme fosso que vai até ao penúltimo classificado, o Rio Ave, uma das equipas que melhor futebol tem praticado no campeonato.

Neste grupo de dez equipas há que destacar a fraquíssima capacidade realizadora do Nacional e do Vitória de Setúbal (nove golos) e a excelente capacidade defensiva do Beira-Mar (oito golos), apenas igualado pelo Porto.

No último posto, o Paços de Ferreira, com três dezenas de golos sofridos, a fazer uma época decepcionante.

Ainda é cedo, porém, para ter ideias claras sobre como ficarão as coisas no final. Somente depois do encerramento do mercado de Janeiro se poderá ficar com uma ideia mais precisa do valor das equipas na segunda parte da temporada.

Na frente, tudo indica que a luta vai ser entre o Porto e o Benfica, sem que tal signifique desistência dos demais. O Porto, se mantiver o plantel, conta com o natural desgaste do Benfica na Champions, para se consolidar no primeiro lugar, apesar de também ele participar na Liga Europa. Tudo vai, porém, depender do próximo jogo do Porto na eliminatória contra o Manchester City. Se o Porto passar, muito provavelmente encontrará o Sporting, que tem um adversário fácil, e começará a pensar que poderá repetir o êxito do ano passado.

É, no entanto, de acreditar que entre a Liga Europa, que para o Porto é uma espécie de segunda divisão do futebol europeu, e o campeonato nacional, o Porto dê preferência a este. O Benfica, pelo contrário, vai querer chegar o mais longe possível na Champions e tudo fará para se manter na prova. É, portanto, provável que o Porto tenha alguma vantagem neste duelo.

BARCELONA CAMPEÃO DO MUNDO E MOURINHO DESPEITADO


O SANTOS FEZ O QUE PÔDE


No domingo de manhã, hora europeia, o Barcelona escreveu mais uma brilhante página na história do futebol. Sagrou-se campeão do mundo de clubes, derrotando o Santos por 4-0.

Foi o que se pode dizer uma vitória normal face à grande superioridade que o Barcelona hoje indiscutivelmente tem perante qualquer time do mundo. É certo que o Santos deste ano, mal classificado no campeonato brasileiro, não é o mesmo Santos que ganhou a Libertadores, mas isso é apenas um detalhe que não altera nada do essencial.

Aliás, o Santos e a imprensa brasileira em geral, reconheceram essa superioridade com a galhardia própria de quem gosta de futebol. E no Brasil sabe-se, como em nenhuma outra parte, o que é bom futebol. A grande vedeta do Santos, Neymar, foi o primeiro a reconhecer que o Barcelona “deu uma aula de futebol”. O que não deixa de ser uma atitude de grandeza, que somente os artistas seguros da sua arte sabem reconhecer, sem recearem que desse reconhecimento resulte ofuscado o seu próprio valor.

É já hoje um lugar comum dizer-se que este Barcelona de Guardiola, este Barcelona que ganhou 13 títulos em 16 possíveis, ficará para sempre nas páginas douradas da História do Futebol. Não apenas pelos títulos conquistados, que são importantes, mas por deixar uma marca indelével na forma de jogar e de encarar o jogo.

Mourinho, despeitado com as vitórias catalãs, não foi capaz de esconder o ressentimento com que assiste aos êxitos do seu grande rival. Deu-lhe os parabéns, mas minimizou a importância da vitória: os jogos que o Barcelona ganhou no Japão não têm grande importância. Só lhe faltou dizer, mas era nisso que estava a pensar, que já ganhou uma final ao Barça na Copa do Rei e o eliminou nas meias-finais da Champions, quando treinava o Inter de Milão (só que aí teria de acrescentar que ganhou ele …mais Olegário Benquerença, o árbitro português, que apitou a meia-final de Milão…).

E Mourinho também não percebe – ou faz que não percebe – que aquilo que o mundo inteiro celebra não é tanto as vitórias do Barcelona como o futebol do Barcelona! Facto irrelevante para quem, como Mourinho, o que interessa é ganhar!


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ECOS DA VITÓRIA DO BARCELONA EM MADRID



AS TÁCTICAS DE MOURINHO

 Enquanto o Real Madrid vai lambendo as feridas de mais uma derrota contra o Barcelona na era Mourinho, a grande equipa catalã prepara-se para disputar a final do Mundial de clubes, no Japão, contra o Santos de Neymar.

Florentino Pérez no tradicional jantar de Natal do Real Madrid voltou a defender Mourinho em termos inusitados no grande clube merengue, a ponto de ter dito que a passada vitória na “Copa del Rey” foi para muita gente a mais importante na história da Taça de Espanha.

Perante este e outros tantos elogios, que parecem de todo despropositados face aos objectivos que o clube e o treinador haviam fixado para a época 2010/2011, duas conclusões se podem retirar das palavras do presidente do Real Madrid: primeiro, a de que ele tem o seu futuro no clube cada vez mais hipotecado ao que Mourinho conseguir fazer; e segundo, a de que o apoio prestado ao treinador em termos nunca antes concedido visa retirar-lhe qualquer desculpa semelhante à que o ano passado apresentou para justificar ter ficado aquém das metas ambicionadas pelos “aficionados”.

A verdade é que apesar da “limpeza de balneário” exigida por Mourinho no fim da época passada, que teve como consequência mais sonante a dispensa de Jorge Valdano como director desportivo, continua a saber-se na imprensa – em alguma imprensa de qualidade – o que se passa no balneário do Real Madrid.

Valdebebas está assim longe de ser aquele “bunker” sonhado por Mourinho como local onde no mais completo segredo pudesse gizar as suas famosas tácticas, tanto no que elas têm de jogo jogado, como de “jogos” de outra natureza.

Soube-se logo após a derrota contra o Barça, que Mourinho antes do jogo foi tocado por um dilema “hamletiano” que acabou por resolver “politicamente”.

Por um lado, Mourinho sabe que não pode impedir a maior posse de bola do Barcelona, realize-se o jogo em Camp Nou, no Bernabéu ou em terreno neutro. Mas sabe também que não pode em Madrid, perante os “aficionados merengues” remeter-se a uma táctica de equipa pequena, fundamentalmente preparada para defender, que busca num desequilíbrio do adversário ganhar vantagem no marcador.

Por isso idealizou aquilo a que os seus jogadores pejorativamente chamam o “trivote” e que ele “politicamente” denomina “triângulo de pressão ofensiva”, exactamente para dar a ideia de que não é uma táctica defensiva.

Em Valência, o dito trivote funcionou com Xabi, como vértice, atrás de Lass e Khedira, nos outros dois ângulos do triângulo.

Em Madrid contra o Barcelona, sacrificar Özil, o jogador mais criativo da equipa, seria uma demonstração de fraqueza e de medo que os adeptos não perdoariam. Então, Mourinho viu-se forçado a substituir Khedira par Özil. Só que, contrariamente ao que se passou em Mestalla, em Chamartin seria Özil o vértice do dito triângulo, tendo-lhe sido atribuídas nessas novas funções tantas tarefas (apoiar criativamente os ataques de Di Maria, Cristiano e Benzema), além das que tinha que desempenhar como vértice do triângulo, que o pobre rapaz caiu exausto, muito antes do fim do jogo, acabando por ser substituído por Khedira.

Mas não foi tudo: preocupado, como sempre, com as jogadas de Messi pelo centro do terreno, deu instruções a Lass e Xabi, para que se mantivessem no centro do campo, bem próximos de Pepe e de Ramos, de modo a fechar os espaços por onde Messi pudesse passar.

Concluindo, o trivote de Mourinho contra o Barça, apesar da inclusão de Özil, acabou por ser muito mais fechado e compacto que o de Valência. Querendo enganar a “afición”, Mourinho acabou por se enganar a  si próprio.

De facto, o pobre do Özil ficou com a missão impossível de acompanhar Benzema na pressão a Busquets e a Piqué; de auxiliar Cristiano e Di Maria quando estes fizessem pressão sobre os laterais; e, finalmente, de colocar-se entre Lass e Xabi, perto dos centrais, quando o Barça atacasse pelo meio.

Para finalizar, Coentrão e Marcelo não tinham autorização para subir, como, de resto, já tínhamos referido no último post.

Mourinho queria defender com seis atrás na primeira parte, e no segundo tempo com todos, se as coisas estivessem a correr bem.

Tudo foi por água abaixo quando Messi, exactamente pelo centro do terreno, fez aquilo que Mourinho temia que ele viesse a fazer.

E Mourinho não esteve com meias medidas: culpou os jogadores pelo sucedido. Tanto trabalho, tanta imaginação táctica, para nada. Culpou-os inclusive de não terem derrubado Messi: “Numa bola dividida, ou os meus jogadores a ganham ou a bola tem de ficar ali”. Eis a máxima de Mourinho…

As reacções não se fizeram esperar. Casillas, a voz livre do balneário do Madrid, já disse que o Barcelona não pode constituir uma obsessão.

A verdade é que para Mourinho continuará a ser. As tácticas postas em campo no último jogo demonstram-no. Mourinho não abdicou num milímetro que fosse das suas ideias, mesmo quando transigiu na concessão da titularidade a Özil em vez de Khedira. Trocou os jogadores por razões “políticas” mas manteve tudo na mesma, com a agravante de ter entregado a Özil uma missão impossível, uma missão que ele manifestamente não poderia cumprir.

Mas isto demonstra também que Mourinho não é tão inteligente quanto se supõe Tem antes aquilo a que em português se chama manha, algo que está longe de ser uma companhia recomendável.




segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

BARCELONA, A MAGIA DO FUTEBOL



INIESTA E MESSI DESLUMBRAM BERNABÉU

Iniesta pone al Madrid a sus pies



Nunca na história do futebol houve uma equipa como a do Barcelona de Guardiola. Nem mesmo o fabuloso Brasil de 82, que há dias perdeu um dos seus mais brilhantes intérpretes, se equipara a esta equipa catalã. Não apenas porque o Barça século XXI sabe atacar e defender como nenhuma outra - e o Brasil defendia mal, mas também porque os adversários que hoje se lhe opõem são superiores, em todos os planos, àqueles que há trinta anos se opunham aos brasileiros.

Mas não adianta estar agora a fazer comparações, sempre falíveis, com esta ou aquela equipa. E se se chamou à discussão o Brasil 82 foi apenas para dizer que a equipa até há bem pouco considerada a mais deslumbrante da história do futebol, perdeu agora esse troféu para uma outra ainda melhor, muito melhor, o Barcelona.

A vitória de ontem, por 3-1, no Estádio Santiago de Bernabéu, contra aquele que alguns já consideravam o melhor Madrid da última década, tem um sabor especial, por várias razões. Primeiro, por o Barcelona ter entrada praticamente a perder com um golo sofrido aos 20 segundos por fífia inacreditável de Valdés. O guarda-redes que joga tão bem com as mãos como com os pés ofereceu um passe de morte a Di Maria que não se fez rogado a rematar. A bola bateu em Puyol, sobrou para Özil, que voltou a rematar, tabelou num defesa catalão e ressaltou para Benzema que fez o golo. Um golo que leva muito mais tempo a descrever do que o tempo de jogo que então existia.

O Barcelona continuou a fazer o seu jogo e o Madrid, apesar da vantagem caída do céu, manteve-se fiel ao padrão táctico que Mourinho durante semanas havia idealizado para este encontro. Pressão alta a começar pelos três da frente (Benzema, Cristiano Ronaldo e Di Maria), um meio campo poderoso (Özil, Lass e Xabi) e quatro defesas (Coentrão, Ramos, Pepe e Marcelo) sem autorização para subir, salvo os centrais numa ou noutra bola parada.

Ou seja, Mourinho manteve-se fiel aos seus princípios de futebol quando joga contra equipas poderosas - um futebol sem coragem que tudo sacrifica, nomeadamente a genialidade dos seus jogadores, a esquemas tácticos fundamentalmente concebidos para impedir o adversário de jogar. E mais uma vez a magia do Barcelona deitou por terra todos os esquemas de Mourinho, tanto os que pretendia aplicar dentro do campo, como os que usou fora dele.

Cristiano Ronaldo, uma das vítimas de Mourinho, ainda poderia ter feito o 2-0, numa altura em que o Barcelona já dominava o jogo, mas a “obsessão” Barcelona, que Mourinho transmite à equipa acaba por contagiar a maior parte dos jogadores, mesmo aqueles cujo futuro menos depende da opinião do treinador.
Problema de raíz, pase al cuadrado


A partir desse lance o Barcelona dominou. Depois de uma - mais uma – genial jogada de Messi, o pujante Alexis Sanchez bateu Casillas.

Valdés ainda fez mais uma ou outra asneira, mas o desacerto do guarda-redes catalão não foi suficiente para destabilizar o Barcelona que regressou na segunda parte para fazer uma das mais deslumbrantes exibições a que o Bernabéu tem assistido. Iniesta e Messi, simplesmente geniais, acompanhados pelo sempre fantástico Xavi e por Fabregas, que acrescentou futebol, ao muito futebol que equipa já tem, apoiados numa defesa muito segura (Daniel Alves, Puyol, Piqué e Abidal), na qual, apenas a espaços, Abidal destoou e por um volante (Busquet) por onde tudo começa, puseram em campo um futebol espectáculo daqueles que somente eles sabem reservar para os grandes palcos.

E foi com toda a naturalidade que Xavi chegou aos 2-1, apesar do ressalto em Marcelo, e depois ao 3-1, por Fabregas, a concluir um grande centro de Daniel Alves.
<I>La autoridad no se discute</I>


Mourinho, pálido, vendo ruir um após outro os elementos da sua estratégia, meticulosamente alinhados durante semanas, assistia aterrado na área técnica a mais este espectáculo com que o Barcelona o brindava.

Com esta derrota do Real Madrid fica também definitivamente derrotada a concepção futebolística de Mourinho, bem como o mito do treinador vitorioso que, mercê da sua astúcia táctica, é capaz de levar de vencida as equipas mais poderosas da actualidade. A vitória do Barcelona, além de ser a derrota de tudo o que Mourinho futebolisticamente representa, é antes de mais a vitória do futebol. A vitória de quem não abdica da magia dos artistas, a vitória de quem não sacrifica a criatividade artística ao frio percurso de um jogo pretensamente eficaz.


Tudo este ano no Madrid de Mourinho foi preparado para garantir, fosse de que jeito fosse, a derrota do Barça. Tudo: desde o que se passava fora do campo, passando pela questão da arbitragem, até ao que se passaria dentro das quatro linhas. Fora do campo, para Mourinho, os jogadores e a equipa adversária (ele pensava acima de tudo no Barça…) tinham de ser tratados, pelos seus, como inimigos. As arbitragens dos jogos do Barcelona também não poderiam ser poupadas – uma catadupa semanal de críticas deveria recair sobre o "inimigo"para o desmoralizar e condicionar o “colegiado”. Dentro do campo, primeiro o longo trabalho de persuasão destinado a convencer os seus de que defender não é sinal de cobardia, mas de inteligência; depois, a marcação cerrada e a dureza impiedosa sobre os oponentes inimigos, de que Pepe, Marcelo, Lass e a espaços Xabi, deveriam ser os principais intérpretes.

Tudo ruiu. Ruiu primeiramente a concepção bélica do futebol que Mourinho tenta impor no Madrid quando o mais categorizado, prestigiado e respeitadíssimo jogador da equipa, Iker Casillas, se opôs publicamente a ela. Ruiu depois a tese da conspiração arbitral, sem tradição em Madrid, por falta de factos concretos em que se apoie. Ruiu finalmente a tentativa de intimidação dos artistas do Barcelona a qual, além de não ser seguida por toda a equipa, jamais seria aceite pelos árbitros.

Esta derrota de Mourinho contra o Barça, marcará mais do que qualquer outra - das muitas que já colecciona -, um divórcio entre o treinador e os artistas do Real Madrid que aspiram ser livres para poder exibir a sua arte.

Com alguns dos melhores jogadores do mundo nas suas fileiras, o Real Madrid tem obrigação de fazer mais, muito mais, nos grandes jogos, exibindo-se de igual para igual contra os seus grandes rivais.

Mourinho dificilmente ficará com espaço para tentar a derradeira cartada que o seu passado como treinador deixa adivinhar: prescindir de algumas das estrelas em troca de um conjunto de jogadores robotizados que obedeça acefalamente às directrizes do treinador. Nesse conjunto caberá sempre uma estrela de média grandeza no ataque, contanto que se disponha a fazer o trabalho de dois ou de três jogadores e, obviamente, um meio campo tacticamente forte, além de defesas incansáveis e um guarda-redes seguro. Mas vedetas, artistas, não!

Ponto é saber se, não ganhando nada de valor este ano, o Real Madrid lhe concederá essa nova oportunidade.