terça-feira, 12 de julho de 2011

BENFICA: ESTE ANO AINDA VAI SER PIOR QUE O ANO PASSADO

ESTÁ A ACONTECER O QUE SE PREVIA



Se com a equipa do ano passado, Jorge Jesus não conseguiu fazer nada, com a deste ano ainda fará muito menos.

Nunca é demais afirmá-lo: no primeiro ano que passou pelo Benfica, Jesus ganhou o campeonato na última jornada, apesar de ter um plantel que contava com David Luiz, Ramires, Di Maria, Coentrão e Quim, além evidentemente de Luisão, Maxi Pereira, Javi Garcia, Saviola, Aimar e Cardozo.

Com esta equipa, qualquer treinador ganharia o campeonato. O ano passado, sem Ramires, Di Maria e Quim e também, a partir do Natal, David Luiz, mas contando com Sálvio, Gaitan e Jara ficou a mais de 20 pontos do Porto.

Este ano, sem Coentrão e sem Sálvio, mas com uns tantos cujos nomes ainda quase ninguém conhece, o Benfica arrisca-se a disputar com o Braga ou com o Sporting o quarto lugar. Nem sequer vai haver decepções e muito menos surpresas. Já toda a gente percebeu o que se vai passar.

E mais uma vez se confirmará que no Benfica não falta dinheiro, mas falta quem saiba comprar. Porquê? Isso é mais complicado de perceber. A única coisa que se sabe, é que esses repetidos “erros” no Benfica não têm qualquer consequência. E quando descobrem algum mesmo bom, ele acaba por ir para o Porto, sem sequer ter passado pelo Benfica…

Vale a pena esperar mais uns dias para se perceber até onde pode ir o descalabro….

terça-feira, 21 de junho de 2011

VILLAS BOAS RESCINDE COM O PORTO

OS EQUÍVOCOS DE PINTO DA COSTA
Da cadeira de sonho para o Chelsea. Villas Boas segue os passos de Mourinho



Parece cada vez mais evidente que, em matéria de paixões, Pinto da Costa não é fiável. A história de amor que ele tanto encareceu em público entre Vilas Boas e o FCP, tal como tantas outras em que Pinto da Costa tem estado envolvido, correu mal. É certo que o Porto vai receber muito dinheiro, muito mais do que aquilo que o treinador parece valer por muitos e bons que sejam os seus méritos. Só que o dinheiro, por muito que seja, nunca apaga a ferida intensa causada pela “traição”.

Basta ler e ouvir os arautos do FCP nos jornais e nas televisões para imediatamente se perceber a dor intensa que lhes fustiga alma: traição, desonestidade, ingratidão são as palavras mais ouvidas.

De facto, parece impossível como um homem inteligente como Pinto da Costa e tão frio na escolha dos meios para atingir os seus fins seja tão vulnerável às paixões. Como ele acreditou no amor eterno que Vilas Boas jurou ao clube das Antes. Como é possível que Pinto da Costa, que até dizem conhecer os poetas, ainda não tenha percebido que o “amor só é eterno enquanto dura”?  

E hoje na devoradora sociedade capitalista em que vivemos ele é tão fugaz e o dinheiro exerce sobre ele uma influência tão negativa que não deixa de ser espantoso que um homem com tantas “capacidades” para alcançar resultados se deixe envolver por uma história de amor…no futebol. Nesse mesmo futebol onde ele tem resolvido muitas questões com dinheiro e com outros processos, onde o amor nunca entra!

Esta é sem dúvida a maior derrota pessoal de Pinto da Costa. Muito maior do que a sofrida frente a Carolina Salgado, que ele rapidamente descredibilizou (a partir da própria família dela), ou mesmo frente a Mourinho, que ele sempre teve como um “mouro mercenário” pronto a dar o salto na primeira ocasião e com depois acabou por fazer as pazes vendendo-lhe jogadores por preços que só Mourinho pode comprar…

Agora, não se sabe até onde vai a infidelidade: tudo depende de Abramovich para quem o dinheiro é coisa sem importância dada a forma como lhe veio parar às mãos. Ela, a infidelidade, pode estender-se a Moutinho e a Falcao. Seria muito dinheiro, mas nem assim a dor se apagaria…

Com todo esse dinheiro talvez Pinto da Costa ceda à tentação de vir “buscar” Jesus ao Benfica. O que seria certamente um grande alívio para os benfiquistas que podem ter que vir a pagar eles a “cláusula” lá mais para Novembro ou até antes, logo que as ilusões da nova época começem a cair por terra.

A Villas Boas tem de elogiar-se acima de tudo a coragem. Claro que ele tem uma vantagem face aos que, como jogadores, treinadores ou noutras funções, já passaram ou pretenderam passar por situações idênticas às dele: Villas Boas é do Porto, já foi dos Super Dragões, enfim, conhece a casa por dentro. Sabe melhor que ninguém como defender-se. Mesmo assim…foi corajoso!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

BENFICA E A NOVA ÉPOCA

BREVES CONSIDERAÇÕES



Não falta quem vaticine o pior para a nova época que se avizinha. O pior seria o Benfica falhar a Champions. E se tal acontecer desculpas não faltarão: a Copa América será a grande responsável. Até parece que o Benfica não sabia que em 2011 haveria Copa América. De facto, uma equipa com as pretensões do Benfica tem de estar preparada para estas situações. Ou seja, tem de ter uma defesa que, não sendo tão boa como a que estará ausente, saberá mesmo assim desempenhar o seu papel.

Depois há também quem vaticine que se as coisas começarem a correr mal, seja na Champions, seja no Campeonato, Jesus não chegará ao Outono. Se isso viera acontecer, apenas tem de se lamentar que tal desfecho não tenha ocorrido antes na Primavera passada. Na verdade, a sensação que se tem é a de que Jesus está esgotado. A forma habitual de escamotear esta situação é o treinador convencer a direcção que a maior parte dos jogadores tem de ser substituída. Gente nova é, por definição, mais dócil.

Aliás, é este entendimento das coisas que levou à dispensa de Nuno Gomes, bem como a sua parca utilização na temporada finda. Os 52 minutos que Jesus lhe concedeu em 2010/2011 serviram para justificar o desfecho agora conhecido, apesar de nesses escassos 52 minutos ter marcado 4 golos! Nuno Gomes nunca foi um “matador”, mesmo nos seus tempos áureos. Mas é um jogador experiente que, curiosamente, passou a falhar menos com a idade. Se o Benfica tivesse um ponta de lança como Falcao ou mesmo como o Cardozo de 2009/2010 e um segundo ponto de lança de relativa produtividade no tempo que lhe foi concedido, ainda se poderia admitir a dispensa do terceiro ponta de lança. Poderia, mas tratando-se de quem se trata seria sempre uma opção muito discutível. Mas com um jogador como Cardozo que o ano passado passou a maior parte do tempo a “dormir em campo”, provavelmente por não ter saído, e Kardec que não acertou uma para a “caixa” e falhou golos incríveis, a dispensa de Nuno Gomes não tem qualquer justificação técnica, mas apenas e só uma justificação relacionada com a chamada “gestão do plantel”. Jesus não quer na equipa gente de prestígio a criticar pelo silêncio – um silêncio contagiante – o seu trabalho. Ou seja, é a fraqueza do treinador que dispensa Nuno Gomes e não a idade do avançado.

Não é a primeira vez que situações destas acontecem. Elas ocorrem em todas as equipas e sempre pelas mesmas razões. O juízo crítico que elas merecem é que varia consoante os resultados obtidos.

Quanto ao mais, o Benfica continua a comprar muita gente nos jornais e também a vender nos jornais, nestes casos por iniciativa dos empresários e a colaboração dos jogadores em causa. O que se passou com Coentrão é mais uma prova da falta de autoridade da direcção, nomeadamente do presidente. O empresário conta mais…Noutro clube que a gente conhece, se isso acontecesse - que não acontece - o empresário “deixaria de o ser”…

domingo, 5 de junho de 2011

PORTUGAL VENCEU A NORUEGA

TRÊS EQUIPAS COM O MESMO NÚMERO DE PONTOS NO CIMO DA TABELA
Portugal sobe à liderança do grupo com golo de Postiga



No jogo desta noite, no Estádio da Luz, Portugal venceu a Noruega por 1-0, juntando-se assim no cimo da classificação ao adversário de hoje e à Dinamarca, que um pouco antes, vencera a Islândia por 2-0.

No começo do jogo Portugal correu o risco, por duas vezes, de sofrer um golo. Numa das vezes, Eduardo defendeu e na outra o atacante norueguês atirou para as nuvens o que parecia ser um golo fácil. Fora estas duas oportunidades, a Noruega não voltou a estar na eminência de marcar, o que não quer dizer que o jogo tenha sido fácil para Portugal. Pelo contrário, a Noruega defendeu muito bem e dificultou sempre a tarefa da equipa portuguesa.

De facto, cedo se percebeu que o grande goleador Cristiano Ronaldo dificilmente marcaria e os médios que costumam rematar bem, principalmente Martins e Meireles, hoje também não dispuseram de grandes oportunidades.

O golo acabou por aparecer na segunda parte numa jogada de Nani pelo lado direito, que cruzou rasteiro para o centro do terreno onde Postiga, antecipando-se ao defesa, acabou por fazer o golo, rematando de imediato ao canto inferior esquerdo do guarda-redes adversário. Foi de certa forma um golo improvável, já que Postiga, tanto no Sporting como na selecção, precisa de três jogos e umas décimas para marcar um golo. Paulo Bento acabou por acertar quando decidiu pô-lo a jogar em vez de Hugo Almeida, embora tanto um como outro não tenham uma grande relação com o golo, apesar de jogarem a ponta de lança.

Foi um jogo médio da selecção, sem grandes exibições. Talvez apenas Moutinho e Coentrão tenham estado acima dos restantes. Ronaldo, como de costume, joga melhor contra equipas fracas do que contra adversários fortes, tanto na selecção como no seu clube. É certo que acabou a época com um score impressionante de golos marcados, mas as suas exibições são sempre mais conseguidas contra o Málaga ou o Almeria do que contra o Barcelona ou contra os adversários fortes da selecção portuguesa. Ronaldo tem, de facto, este problema: é um grande jogador, mas quando se espera por ele nos grandes jogos, ele nem sempre aparece. Hoje aconteceu isso mais uma vez.

Finalmente, uma parte significativa do mérito da vitória tem de ser atribuído a Paulo Bento que, tendo pegado numa equipa “em cacos” deixada por Queiroz, ganhou os três jogos da qualificação jogados sob o seu comando e recuperou os pontos perdidos, a ponto de hoje ter igualado as duas equipas que iam à frente – Noruega e Dinamarca.

É preciso, porém, ter em conta que nada está ainda decido, as três equipas estão com o mesmo número de pontos, sendo preciso esperar pelos jogos que ai vêm para se saber quem vai ficar à frente e quem vai ficar em segundo lugar. Para já Portugal leva vantagem, tanto pelo número de golos marcados, como pela diferença entre marcados e sofridos, mas vai ser preciso esperar, tanto mais que a Dinamarca ainda tem que jogar, em casa, contra a Noruega e contra Portugal.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O BENFICA NA RTP MEMÓRIA

ONTEM FOI DIA DE COMEMORAÇÕES
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A RTP Memória comemorou ontem condignamente a conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus, pelo Benfica, há 50 anos, contra o Barcelona (3-2).
Dos heróis de Berna, poucos são os que continuam entre nós. Mas todos eles, com excepção de Coluna, lá estiveram a dar o seu testemunho sobre a campanha europeia de 1960/61. Mário João, lembrando o que teve de sofrer nos quinze minutos finais para manter o resultado de 3-2, contra a Barcelona; Ângelo, sempre irónico e vivaz, lembrando antes da final que o seu grande adversário era aquele avião de quatro motores em que estava prestes a entrar, desvalorizou, com graça, a bola que bateu nos dois postes de Costa Pereira: "Não se trata de sorte, mas de culpa do jogador que não sabe acertar na baliza, que é larga, e acerta nos postes, que são estreitos; o Eusébio, que era um grande jogador acertava sempre na baliza"; o Artur, que pouco jogou, explicou a mudança operada no futebol do Benfica nos anos 50, com a vinda de Otto Glória continuada depois por Béla Guttman; o Cruz que ainda ontem estava zangado com o que aconteceu em Viena contra o Rapid; o Zé Augusto recordando com humildade as suas grandes exibições na primeira campanha europeia, principalmente o memorável jogo de Aahrus, donde saiu em ombros, levado pela juventude dinamarquesa.
Pelo ecrã passaram ainda muitas entrevistas da época: de Costa Pereira, o homem que melhor falava na televisão; de José Águas, prometendo esforço e dedicação; de Germano, sempre muito comedido perante os jornalistas; de Béla Guttman, incisivo e confiante; e dos dirigentes do Benfica que ainda nem sequer tinham bem consciência da proeza que estavam a cometer.
O futebol evoluiu muito de então até hoje: táctica, técnica e fisicamente. E a bola, elemento fundamental do jogo, frequentemente esquecida nestas análises, nada tinha a ver com as bolas de hoje. A bola era um autêntico “fardo” para a maior parte dos jogadores: pesada, dura e agressiva. Impossível chutar então com a mesma força com que hoje se chuta. Basta ver que os guarda-redes evitavam o pontapé de saída e sempre que podiam substituíam-no pela reposição da bola em jogo com um pontapé em que a bola era colocada no ar com as mãos, exactamente para não terem de fazer o duro esforço muscular de arrancar um pontapé de longa distância com a bola no solo.
Estas diferenças não impedem, todavia, que em todas a épocas tenha havido grandes jogadores. A equipa do Benfica de 1961, embora inferior à do ano seguinte, já então tinha jogadores que estavam à frente do seu tempo, como era o caso de Coluna e de Germano. E o próprio Santana, que no ano seguinte viria a ser sacrificado (à época não havia substituições) para deixar entrar Eusébio, já tinha todas as características de um jogador moderno.
Mas não interessa fazer comparações com o futebol que então se jogava e o que se joga hoje; não se pode enveredar por esse caminho. As únicas comparações aceitáveis são entre aquele futebol que ontem se viu entre duas equipas finalistas e o jogado por outras equipas na mesma época. Certamente não haveria muito melhor, a não ser porventura o Real Madrid, nessa época eliminado pelo Barcelona, que já então exibia uma apreciável qualidade de passe. Não obstante, foi batido, sem apelo nem agravo, por esse mesmo Benfica na final do ano seguinte.
Mas há outras comparações que nada têm a ver com o futebol praticado pelas equipas, que já é legítimo fazer entre o futebol de então e o da agora. Na altura, o futebol ainda era um desporto saudável e com fair play, tanto dentro como fora do campo. Basta ver como a assistência se distribuía pelo estádio, até junto da linhas de jogo, sem seguranças nem polícias, para logo se perceber que a violência ainda não tinha chegado ao futebol. Depois é igualmente de realçar o modo como os jogadores acatavam as decisões do árbitro, praticamente sem protestos, por mais gravosas que fossem. E ainda como os jogadores mutuamente se respeitavam e como igualmente respeitavam o espectáculo e o público sem entradas violentas nem simulações vergonhosas, como hoje acontece.
Estas é que deveriam ter sido as diferenças que o tal repórter (de ontem) do Público deveria ter assinalado. É natural, porém, que não o possa fazer. A gente sabe quem introduziu o contrário de tudo isso no futebol português …
Entre 1960 e 1989 o Benfica jogou sete finais da Taça dos Campeões, tendo ganho duas, e uma da Taça UEFA; no mesmo período o Porto jogou uma final da Taça dos Campeões, que ganhou, e uma da Taça das Taças, que perdeu; o Sporting jogou uma final da Taça as Taças, que ganhou.
De 1990 até à actualidade, o Benfica não voltou a jogar qualquer final europeia; o Porto jogou uma da Liga dos Campeões, uma da Taça UEFA e outra da Liga Europa, tendo-as ganho todas; o Sporting jogou uma final da Taça UEFA, que perdeu e o Braga jogou uma final da Liga Europa, que igualmente perdeu.

terça-feira, 31 de maio de 2011

BENFICA CAMPEÃO EUROPEU – FOI HÁ 50 ANOS

EM BERNA, EM 31 DE MAIO DE 1961



Há cinquenta anos, em Berna, no Wankdorf Stadium, o Benfica de Béla Guttman, num jogo memorável, venceu o Barcelona por 3-2.
É uma data inesquecível para o desporto português – é a primeira grande vitória – vitória mesmo – de uma equipa portuguesa numa competição internacional de prestígio e na modalidade que mais paixões desperta à superfície da terra.
Três anos apenas distavam do grande feito brasileiro em Estocolmo, que os portugueses haviam seguido e aplaudido como algo que nunca poderia acontecer por cá. Mas aconteceu. E embora o mérito desta conquista caiba aos jogadores do Benfica, à sua direcção, ao seu grande Presidente Maurício Vieira de Brito e ao director do futebol Manuel da Luz Afonso, ninguém poderá esquecer jamais o papel de Béla Guttman como treinador da equipa – uma espécie de mago que transformava em ouro, qual Midas, tudo aquilo em que tocava.
Antes de chegar a Portugal, já tinha sido campeão na Hungria pelo Üjpest, na Holanda pelo Enschede (agora Twente), na Itália pelo Milan, no Uruguai pelo Peñarol e no Brasil pelo S. Paulo.
Este inteligentíssimo e arguto judeu húngaro, depois naturalizado austríaco, que escapou, sabe-se lá como, às garras de Hitler, chegou ao Benfica vindo do Porto onde se tinha sagrado campeão na época de 19958/59. Numa transferência atribulada como sempre são as que ocorrem entre os dois grandes clubes portugueses, Guttman chegou ao Estádio da Luz, até então muito marcado pela herança inovadora de Otto Glória, para logo se sagrar campeão nacional, tendo previsto no contrato que assinou uma verba pela vitória na Taça dos Campeões Europeus, verba que a direcção do Benfica não teve qualquer dificuldade em deixar empolar tão remota era a possibilidade de aquele feito se verificar. De facto, nas cinco anteriores edições da prova, nunca as equipas portuguesas – Sporting (duas vezes), Porto (duas) e Benfica (uma) – haviam passado a primeira eliminatória.
Mas não foi assim na época de 60/61. O Benfica ainda em 1960 ganhou as primeiras duas eliminatórias ao Hearts (5-1, no conjunto dos dois jogos) e ao Üjpest (7-4); e depois em 1961 “despachou” o Aahrus (7-2) e o Rapid de Viena (4-1), enquanto o Barcelona, adversário da final, eliminou sucessivamente o Lierse (5-1), o Real Madrid, detentor dos cinco títulos anteriores, (4-3); o SK Hradec Krávolé (5-1); e o Hamburgo (2-2).
As duas equipas encontraram-se na final com oito jogos realizados - e não com quatro como por ignorância ou manifesto desejo de desvalorizar a vitória diz hoje o repórter do Público, um tal Luís Francisco – para um jogo em que o Barcelona era claramente favorito.
Köcsis marcou ao 20 minutos, de cabeça, Águas, aos 30 minutos, no primeiro ataque do Benfica empatou a centro de Cavém; logo a seguir, aos 32 m, Ramallets aumentou de auto-golo a vantagem para o Benfica; Coluna, no começo da segunda parte, marcou um grande golo e pôs o resultado em 3-1; e depois, aos 75 m, Czibor marcou o segundo do Barcelona.
E foi uma festa como nunca se tinha visto.
Águas foi o melhor marcador da prova com 12 golos, seguido de Zé Augusto com 6.
 Para a história fica a composição das duas equipas:
Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano e Ângelo; Neto e Cruz; José Augusto, Santana, Águas, Coluna e Cavém.
Treinador – Béla Guttman
Barcelona: Ramallets; Foncho, Gensana e Gracia; Verges e Garay; Kubala, Kocsis, Evaristo, Suarez e Czibor.
Treinador – Enrique Orizaola

O BENFICA NO SEU LABIRINTO

O PIOR ESTÁ PARA VIR

Não tinha nada de premonitório o último post que aqui foi escrito sobre o futuro próximo do Benfica.
Antevia-se, com base no que aconteceu este ano, o que poderia acontecer na próxima época. Para além da incompetência dos principais responsáveis, ela já está envenenada pelo que entretanto veio a público: a investigação da PJ, os guarda-redes, enfim, um ruído que não se calará tão cedo.

Os jornais dizem que a PJ investiga a transferência de Júlio César que, como se sabe, foi comprado ao Belenenses. Comprado ao que se diz por um milhão de euros, apesar de no Belenenses só ter entrado metade do dinheiro. Há quem diga que houve comissões não declaradas ao fisco, há quem diga muita coisa.

Entretanto, os suspeitos defendem-se. Mas como se poderá explicar no Benfica a compra de um outro guarda-redes por 8,5 milhões de euros? Quantos guarda-redes no mundo valem esse dinheiro? E o que tem de valer um guarda-redes que vale esse dinheiro? Tudo perguntas que a época que passou deixou sem resposta. Ou ainda pior: tornou quase impossível uma resposta racionalmente aceitável.

Engano? Erro? Mas como pode haver erros desta dimensão em assuntos (teoricamente) da especialidade de quem os pratica?

Não há volta a dar: no Benfica há uma troika que está sob suspeita: Vieira, Rui Costa e Jesus. Não cabe ao adepto nem ao comentador especificar a natureza da suspeita, mas antes enunciar as certezas que os habitam. A primeira é de que a troika é incompetente; e a segunda é a de que é difícil conceber tanta incompetência junta.

A nova época começa perto do fim deste mês: quem tem condições para continuar? Quem vai ter de sair? Essa a interrogação dos adeptos. Só que no Benfica, como no país, quem manda são os bancos…


segunda-feira, 30 de maio de 2011

RESCALDO DA ÉPOCA 2010/2011

AS VITÓRIAS E AS FRUSTRAÇÕES


Embora a época futebolística não tenha ainda acabado em Portugal, falta o jogo da selecção, no que respeita aos clubes está tudo acabado há um bom par de dias.
A época terminou em glória para o FCP e para Villas Boas, que, como treinador, conseguiu um feito notável.
É indiscutível que o Porto tem uma grande equipa que oscilou ligeiramente – muito ligeiramente – durante cerca de sessenta dias, mais ou menos os mesmos em que Falcão esteve lesionado. Mesmo assim, conseguiu durante esse período aguentar-se quase sem derrotas e praticamente sem favores. Aliás, os favores mais importantes – di-lo a experiência – são sempre os do início do campeonato. Isso não quer dizer que uma boa equipa não seja capaz de suplantar a ausência de favores, mas quer apenas significar que a existência desses favores torna a vida mais tranquila.
Quando o seu concorrente mais directo baqueou, o Porto manteve-se forte e vitorioso a ponto de ter quase ter triplicado, no campeonato, a diferença pontual que o separava do segundo classificado, ou seja, antes da derrota do Benfica em Braga por 2-1.
A partir dessa jornada o campeonato ficou entregue e depois ficou também a Taça de Portugal por o Benfica ter claudicado na eliminatória em que partia com dois golos de vantagem E a seguir a Liga Europa, onde desde há muito se previa não haver na prova equipa capaz de ombrear com os portistas.
Quatro títulos - com excepção de um, são títulos conquistados na sequência de muitos jogos - constituem um palmarés invejável para qualquer equipa do mundo.
Do lado do Benfica, pelo contrário, a “débacle” não poderia ser pior. Este foi um dos anos mais negros de toda a história do Benfica, não só pelo insucesso desportivo, mas principalmente pelo modo como a equipa se comportou a seguir ao jogo contra o Braga, para o campeonato. É, de facto, inadmissível que depois da derrota em Braga a equipa tenha entrado numa espiral descendente incontrolável, própria de um clube sem “rei nem roque”. Evidentemente, que os jogadores não podem deixar de ser responsabilizados, embora a responsabilidade maior pertença à direcção (da SAD e desportiva) e ao treinador. O que se passou durante os dois meses finais da época acabou por ser o espelho fiel daquilo que o Benfica é – uma equipa à deriva.
Pior ainda: esta situação só pode agravar-se na próxima época. Mantendo-se os mesmos intervenientes – e não há nenhuma razão para supor que vão mudar – os defeitos enquistados só podem tornar mais grave a presente situação.
No Benfica falta muita coisa, desde logo um plantel mais equilibrado, mas muito mais importante do que o plantel é o que está por detrás do plantel – a direcção e a equipa técnica. Há muita incompetência no Benfica e muito pouca instrução. Sabe-se hoje que as qualificações não são sinónimo de emprego garantido, mas sabe-se também que sem qualificações não há emprego. Os três principais responsáveis pelo futebol do Benfica – Vieira, Rui Costa e Jesus – não têm por junto a escolaridade mínima obrigatória que hoje se exige a um jovem em idade escolar. E o Benfica, como não pode deixar de ser, ressente-se disto. Em regra, uma regra quase sem excepções, as grandes empresas têm à sua frente gente preparada, com profundos conhecimentos no ramo e com elevadas qualificações académicas. Ainda houve um tempo em que o futebol estava à margem destas exigências, mas hoje está cada menos e quem continuar a apostar na iliteracia só pode esperar o descalabro.
AS qualificações só por si não são garantia de êxito, mas sem elas o êxito será certamente muito mais difícil.
O Benfica não tem quem saiba falar em público, quem seja capaz de interpretar e muito menos de gizar uma estratégia comunicacional.
Depois, o Benfica contrata mal e fala muito. O Benfica – soube-se agora – não tinha um treinador de guarda-redes competente. Mas de quem é a responsabilidade: da pessoa que desempenhava essas funções ou do treinador principal? O que se passou com os guarda-redes foi uma vergonha. E vamos lá ver se, face ao que veio a público, se a vergonha ainda não será maior. Aliás, o que está vindo a público levanta fundadas suspeitas sobre as razões profundas das múltiplas “asneiras” cometidas pelos dirigentes do Benfica. Pode bem ser que a “burrice” afinal mais não seja de que um expediente utilizado em proveito próprio por quem dirige.
Em conclusão, antevê-se um descalabro na próxima época ainda maior do que o desta.
O Sporting esteve ao nível daquilo que tem sido desde que lá saiu Paulo Bento. Esteve mal, muito mal, apesar de na ponta final ter recuperado um pouquinho relativamente aos seus concorrentes mais directos.
Já o Braga, acabou por fazer uma daquelas épocas em que esteve à beira de conseguir várias coisas, sem ter alcançado nenhuma. Todavia, as duas derrotas que infligiu ao Benfica e a presença na final da Liga Europa, onde não foi nada inferior ao Porto, garantiram um lugar na história aos jogadores e ao treinador. Um lugar que será doravante muito recordado se o Braga regredir ou que será mais depressa esquecido, se os próximos anos continuarem a ser de progresso e ascensão.
Quanto ao resto, o campeonato findo foi marcado por uma profunda desigualdade entre o Porto e as demais equipas concorrentes, desigualdade tão grande que deu mesmo para abrir um segundo fosso entre o Benfica e os demais.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O FCP E OS ÁRBITROS




O QUE O FCP DE PINTO DA COSTA NÃO ACEITA

A Marca noticia hoje um jantar entre elementos da direcção do FCP e o árbitro que dirigiu o jogo contra o Villarreal, para a Liga Europa, na última quinta-feira, no qual também teria estado presente, a partir de certa altura, Pinto da Costa.
Como seria de esperar, a direcção do Porto nega e anuncia que vai processar a Marca e o jornalista que escreveu a notícia.
Entretanto, soube-se que o elemento indicado pela FPF para fazer o acompanhamento do árbitro, a chamada “ligação”, foi, nem mais nem menos, o ex-arbitro António Garrido!
António Garrido, como toda a gente sabe, trabalhou para o Porto durante muitos anos, na “difícil tarefa de aconselhar o FCP em matéria de arbitragem”. Garrido terá sido o primeiro “sportinguista” a bandear-se para o FCP. Outros se lhe seguiram, tendo tal percurso feito escola até hoje.
A notícia da Marca não pode constituir para ninguém que conheça o futebol português uma “descoberta sensacional”. Pinto da Costa até diz que a notícia é falsa, mas o que ninguém consegue explicar é por que razão tais notícias têm o Porto como alvo. São coisas que só acontecem com o Porto e ao Porto!
Martins dos Santos, ex-árbitro de futebol, que durante anos foi acusado de beneficiar escandalosamente o FCP e de prejudicar vergonhosamente o Benfica, apesar de múltiplas vezes suspeito, conseguiu sempre escapar à “complexa justiça” da cidade do Porto, mas um dia destes, quando se dedicava ao seu habitual “métier”, foi apanhado pela judiciária a “vender um jogo” de uma divisão secundária. E parece que desta vez está tramado, porque as notas estavam marcadas. Faltou-lhe a “expertise” e a protecção que, noutras constâncias, o tornaram invulnerável durante tanto tempo.
Mas por que razão o Porto, tendo frequentemente uma boa equipa de futebol, não foge à suspeita, segundo a vox populi, de não dispensar a ajuda dos árbitros? Segundo a convicção popular há duas arreigadas razões que justificam tal comportamento:
A primeira é o Porto, nomeadamente o seu presidente, não aceitar como normal a imparcialidade dos árbitros; os árbitros ou tendem para o lado do Porto, ou são hostilizados;
A segunda – muito mais importante do que a primeira – é o presidente do Porto não aceitar a natureza aleatória do jogo: “se somos melhores, temos de ganhar sempre”; mais, “se somos melhores, não temos que nos desgastar física e emocionalmente na busca de um resultado”.
Ou seja, a beleza do futebol como jogo não existe. O que existe é a “beleza do resultado”.
Mourinho, no Real Madrid, ressente-se muito de velhos hábitos que agora não pode manter…

quarta-feira, 4 de maio de 2011

MOURINHO ELIMINADO PELO BARÇA



A VITÓRIA DO FUTEBOL


O jogo desta noite entre o Barcelona e o Real Madrid fechou um conjunto de quatro confrontos em menos de um mês com clara vantagem para o Barcelona: ganhará a Liga; irá à final da Champions e apenas perdeu a Taça do Rei.
Ou seja, o Barcelona ganhou o mais importante. Poderia o Real Madrid ter feito mais? De uma maneira geral a crítica é muito clara a esse respeito: o Madrid poderia ter feito mais…se não fosse Mourinho.
É que desta vez Mourinho perdeu dentro e fora do campo, o que é novo nele, já que normalmente a sua estratégia passa por começar ganhar fora do campo para depois assegurar a vitória lá dentro.
Em Madrid essa estratégia não deu certo. Ela teve desde muito cedo a forte oposição de um largo sector influente do Real, que viu com maus olhos o “teatro” de Mourinho antes e depois dos jogos. E depois também não aceitou que Mourinho, dentro do campo, sacrificasse o futebol e a classe de um valioso naipe de jogadores a uma estratégia puramente “resultadista”.
Mourinho, habituado a ter o apoio incondicional dos adeptos e convencido que, por via dos resultados, pode subjugar as vontades dos que se lhe opõem, situem-se eles na crítica mediática ou na direcção do clube, não mediu bem as consequências de pôr em prática, num clube como o Real Madrid, uma certa forma de alcançar resultados à revelia do futebol jogado. Ou seja, pensou que no Real, como nos outros três clubes por onde andou, os resultados tudo justificariam. Enganou-se. No Real Madrid os resultados contam…mas têm de se chegar a eles jogando futebol que convença.
E Mourinho não só não conseguiu alcançar os objectivos a que se propôs, como ainda é responsabilizado por não os ter alcançado. Com os jogadores de que o Real dispõe, Mourinho tinha de fazer muito mais e acima de tudo tinha a obrigação de tentar ganhar jogando contra o adversário olhos nos olhos. Se perdesse – e provavelmente, nesta fazer da época, não perderia – toda a gente lhe perdoaria. Assim, toda a gente o responsabiliza.
A “conversa” de Mourinho não só indispôs a UEFA, como, inclusive, conseguiu criar conflitos e picardias entre jogadores que, embora sendo rivais, se respeitavam e até se estimavam por muitos deles fazerem parte da mesma equipa – a vitoriosa selecção de Espanha.
Mourinho e alguns jogadores menos clarividentes bem podem imputar responsabilidades à arbitragem. Mas esse argumento não leva a lado nenhum, porque qualquer pessoa que tenha visto os últimos quatro confrontos com o Barcelona sabe que a equipa catalã foi sempre melhor em todos os jogos e todos mereceu ganhar, mesmo o que perdeu.
Como aqui já se disse, é muito provável que o fim do “mito Mourinho” tenha começado em Espanha, exactamente com ele ao serviço da “equipa do século XX” e tendo ao seu dispor um lote invejável dos melhores jogadores do mundo.
A vitória do Barça é, assim, a vitória do futebol e tudo aponta para uma grande final em Wembley entre duas equipas que, acima de tudo, gostam de jogar futebol.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O FIM DE ÉPOCA DO BENFICA



O QUE É MELHOR: SER ELIMINADO OU IR À FINAL?

Neste triste final de época muitos serão os benfiquistas que por estes dias formulam uma pergunta de resposta aparentemente fácil: o que é melhor para o Benfica na Liga Europa: ser eliminado pelo Braga ou ir à final com o Porto?
Aparentemente, o melhor é ir à final: num simples jogo as probabilidades de ganhar tendem a ser idênticas; e como para ganhar é preciso lá ir, a resposta está dada. O pior é que no subconsciente dos benfiquistas, jogadores incluídos, paira o espectro de quatro derrotas esta época contra o Porto, qual delas a mais humilhante. É provável que este factor pese decisivamente no jogo de quinta-feira contra o Braga.
Por outro lado, há factores de descrença que estão muito para além dos méritos do Porto: a questão do guarda-redes,
Roberto foi mal batido no jogo contra o Braga, por deficiente posicionamento, como voltou ontem a ser mal batido contra o Olhanense. Perante situações que se repetem não há jogador, principalmente na defesa, que entre em campo confiante.
No Porto, pelo contrário, respira-se confiança. Há confiança, mas não há excesso de confiança e é essa atitude que tem sido decisiva na consolidação da caminhada vitoriosa da equipa. Contra o Villareal foi o que se viu e ontem, em Setúbal, o costume.
Na próxima quinta-feira o Porto tem todas as condições para repetir em Espanha a exibição e o resultado, mais golo, menos golo, da semana passada.
Finalmente, o Sporting e o Braga vão ter de discutir entre ambos o terceiro lugar, não sendo difícil vaticinar que nesta disputa o Sporting leva vantagem.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

MOURINHO DERROTADO PELO BARÇA



MOURINHO NÃO SABE PERDER

O jogo de hoje à noite entre o Real Madrid e o Barcelona merece ficar na história do futebol por marcar o confronto entre duas concepções antagónicas de futebol - o futebol do Barcelona e da sua escola de que Guardiola é um digno representante e o futebol de Mourinho imposto à equipa mais vitoriosa da história do futebol – o Real Madrid.
A vitória clara, inequívoca, do Barça sobre o Real Madrid é acima de tudo a vitória do futebol contra o anti-futebol. A vitória de quem sabe privilegiar o futebol e recusar a violência. A vitória do futebol de classe contra o futebol covarde – do futebol que apenas tem como objectivo o resultado quaisquer que sejam os processos para lá chegar.
O Real Madrid, o grande Madrid, com nove vitórias na Champions, não merecia isto. Com alguns dos melhores jogadores do mundo, o Real Madrid vê-se forçado, pelas concepções futebolísticas do seu treinador, a jogar o futebol típico de uma equipa vulgar. De uma equipa que passa o jogo à espera de uma falha do adversário para ganhar, nem que tal vitória seja conseguida à custa de uma repartição da posse de bola de 20% para 80%!
Hoje, para bem do futebol, Mourinho foi derrotado pelo Barcelona por 2-0, com dois golos de Messi.
Aconteceu o que se esperava, o que os mais avisados já tinham antecipado: Pepe, cuja função em campo é impedir que se jogue futebol, nem que para isso tenha de usar quaisquer meios, foi expulso, em consequência de uma entrada violenta sobre Dani Alves.
Mourinho queixou-se em termos impróprios da decisão do árbitro e foi igualmente expulso. De que se queixa Mourinho? Das faltas cometidas por uma equipa que apenas tem 20% de posse de bola? Mourinho, tão inteligente, não quer perceber que as expulsões são uma consequência do futebol que ele pratica e das instruções que transmite aos seus jogadores.
É lamentável que um jogador como Cristiano Ronaldo tenha de ficar prisioneiro das estratégias de Mourinho e não possa explanar o seu futebol. É lamentável que Ronaldo não possa num jogo desta importância ombrear com Messi, no plano individual.
Ninguém pode ficar indiferente ao sacrifício de Ronaldo, isto para não falar dos que nem sequer entraram em campo, preteridos pelo futebol de Mourinho.
Os jogadores começam a aperceber-se que o futebol que praticam nos grandes confrontos não é o que se espera deles, nem o que está ao nível daquilo que a classe individual de cada um poderia proporcionar.
Por tudo isso, não seria de admirar se o dia de hoje também marcasse o começo do fim do mito Mourinho…

domingo, 24 de abril de 2011

BENFICA - UMA VITÓRIA QUE NÃO EMPOLGA




FESTEJOS FÚNEBRES


O Benfica ganhou a Taça da Liga, mas ninguém considerou o feito importante. É a competição sem prestígio na qual é preciso estabelecer sanções para obrigar as equipas a actuar com um mínimo de titulares. E depois do que se passou no Campeonato e na Taça de Portugal, ganhar ao Paços de Ferreira era o mínimo que se poderia exigir.
Mesmo assim foi uma vitória sofrida, sem brilho e pela tangente. Não que o Paços de Ferreira tivesse criado grandes oportunidades ou tivesse suplantado o Benfica durante os noventa minutos de jogo, mas exactamente por o Benfica não ter ultrapassado a mediania perante uma equipa que não dispõe dos mesmos argumentos.
Na primeira meia hora, o Benfica ainda jogou algo que se visse. Tanto assim que marcou dois golos, um por Jara de cabeça, na sequência de uma jogada de Coentrão e outro por Javi numa bola parada marcada por Martins, mas depois foi caindo gradualmente. No segundo tempo, Luisão num lance infeliz fez auto golo e a partir daí o Benfica pensou muito mais em defender-se do que em aumentar a diferença. E embora o Paços não tivesse disposto de uma clara oportunidade de golo, um certo pendor defensivo do Benfica irritou os adeptos, que não estavam mesmo nada dispostos a esquecer o que se passou contra o Porto por duas vezes em menos de quinze dias. Só uma grande exibição da equipa restituiria a alegria às bancadas e a confiança aos jogadores.
Como isso não aconteceu, os festejos foram tudo menos alegres ou vibrantes. Ganhou, cumpriu a obrigação, mas ninguém reconheceu mérito no feito.
A equipa constitua instável e improdutiva. Psicologicamente foi-se abaixo e há jogadores que já não deveriam alinhar há alguns jogos. O primeiro é Cardozo, que não se percebe bem o que anda a fazer em campo. E para que se percebesse, Jesus, no seu português muito especial, disse que o Cardozo ficava em campo para apoiar nas “estratégias defensivas”!
Saviola também não está bem há muito tempo e não se percebe se não está bem porque Cardozo está péssimo ou se é antes por razões que lhe são inerentes.
Já há muito que Jesus com os jogadores que tem deveria ter tentado dar uma resposta a isto, colocando na frente outro jogador em vez de Cardozo e se mesmo assim Saviola continuasse em baixo substituí-lo também. Não se percebe, ninguém percebe, por que não joga Weldon e o treinador também não explica.
O que o treinador explica são outras coisas, como esta: os jogadores estavam cansados; não tiveram três dias de descanso para recuperar; havia muitos jogadores nos limites; então, como havia muitos, esperou até ao minuto 88 para ver o que estava mais cansado e fazer a respectiva substituição! A gente ouve e não acredita…
Nos adeptos e nos espectadores ficou a convicção – daí os assobios e a irritação – de que o Benfica não dispõe de argumentos para alcançar a final da Liga Europa e de que o treinador está um deserto de ideias. Quinta-feira, já se verá como vai ser…
O árbitro, Pedro Proença, como quase sempre que apita o Benfica, só faz asneira. Se é de propósito ou não, ele o saberá. Inventou um penalty a favor do Paços, por falta de Maxi que só ele viu. E cerca de doze minutos mais tarde não marcou um penalty por falta sobre Saviola que somente ele não viu!
Se Proença apitar na próxima quarta-feira o Real Madrid Barcelona, há todas as razões para supor que se irá assistir a uma segunda edição do Inter-Barça do ano passado, apitado pelo Benquerença…
Quanto aos jogadores do Benfica, realce para Moreira, que defendeu um penalty, e esteve sempre bem – se a forma fosse o único critério que conta, ele seria escolhido para a meia-final de quinta-feira. Só que outros valores mais altos se alevantam…
Realce também para Aimar que jogou com garra e com vontade de ganhar; assim como Carlos Martins. De Coentrão nem adianta falar tal é o empenho, a vontade e a classe que põe em todos os jogos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

BENFICA - ANNUS HORRIBILIS




COMO NÃO HÁ MEMÓRIA

A presente época ficará certamente na história do Benfica como a sua pior época. Só mesmo uma improvável vitória na Liga Europa a poderia atenuar. Mas tal não acontecerá. O Benfica não tem equipa para ir à final.
Todos sabemos que no futebol sem batota tudo pode acontecer (e com batota também) mas não será uma antecipação arrojada concluir desde já que a época que está correndo constituirá uma das maiores frustrações do futebol do Benfica.
Nem sequer é equiparável ao pobre sexto lugar alcançado pela dupla Vilarinho-Toni na sequência da vitória eleitoral contra Vale e Azevedo e do despedimento de Mourinho como treinador. Tudo porque Vilarinho na sua imensa sabedoria queria à frente do Benfica um treinador benfiquista. Se queria um benfiquista por que não foi buscar o Barbas à Costa da Caparica, que é um benfiquista de alma e coração, a quem o clube muito deve, e nunca se aproveitou do clube para colher qualquer vantagem?
Mas esta época ainda é pior, porque este era o ano da confirmação. Depois de uma vitória no Campeonato o ano passado, alcançada com um futebol vistoso, empolgante, construído na base de uma equipa de luxo, que teve de se bater até ao último dia contra dois adversários que durante toda a época não lhe deram tréguas, este ano era, pelo seu significado simbólico e prático, o ano decisivo para o Benfica – ou se mantinha no topo e dava uma forte machadada na hegemonia do Porto ou voltava a perder e a vitória do ano passado passaria a ter um significado idêntico à de 2004/05.
Logo se percebeu pela forma como o Benfica iniciou as provas oficiais – Supertaça, Campeonato e Liga dos Campeões – que a equipa deste ano estava a léguas da do ano passado, incapaz pelas suas prestações de se alcandorar novamente no topo do futebol português. Erros vários, pelos quais são responsáveis a direcção e o treinador, logo deixaram antever o que se iria passar. E tudo ficou mais grave, quando o Benfica perdeu a Supertaça logo no início da época para o Porto, que até ai tinha sido uma equipa hesitante e instável, e depois, quase de enfiada, perdeu três jogos no início do campeonato e começou pessimamente a Liga dos Campeões, na qual acabaria por se classificar no terceiro lugar do grupo, sem honra nem glória, mercê de um golo conseguido no último minuto pelo Lyon contra o Hapoel de Televive.
Perante tamanha “catástrofe”, os dirigentes e o treinador ainda ensaiaram o discurso da vitimização, favorecido por alguns erros de arbitragem num ou dois jogos, mas a contundente derrota por 5-0 que a seguir o Porto lhe infligiu acabou por deitar por terra aquela estratégia e a deixar a nu a crua realidade – o Benfica deste ano era um flop!
A seguir a esta derrota, manteve-se o plano inclinado na Liga dos Campeões e nas competições domésticas. No entanto, mercê de um conjunto de jogos em casa com equipas fracas, a equipa conseguiu fazer vários jogos sem perder, tendo depois embalado, nos meses de Janeiro e Fevereiro, para uma série de vitórias e de exibições, entre as quais a vitória no Porto para a Taça de Portugal, que voltaram a dar novo ânimo aos desalentados adeptos benfiquistas.


O pior foi que aquilo que poderia ter sido aproveitado para galvanizar a equipa, na base de um discurso prudente e realista, deu lugar, por parte dos dirigentes e também do treinador, a um discurso triunfalista, desportivamente insustentável por quem continuava o oito pontos de diferença do primeiro, que continuava a ganhar, jogando melhor ou pior, mas sem nunca perder um ponto.
E novamente voltou uma euforia que os factos não sustentavam. Criou-se nos adeptos a convicção de que a Taça de Portugal já estava ganha, a Liga Europa para lá caminhava, a Taça da Liga eram favas contadas e campeonato ainda estava por decidir, pois, tendo como certa a vitória na Luz contra o Porto, só seria preciso esperar que este “escorregasse” mais duas vezes para ele ficar no “papo”.
E depois foi o que se viu: a derrota em Braga, de um Braga que até esse jogo ainda nem sequer tinha despertado para o campeonato, as derrotas e os empates subsequentes e, para cúmulo da vergonha e da humilhação, a vitória do Porto na Luz, selando do mesmo passo a conquista do título no estádio menos improvável de todo o campeonato.
Ficavam as outras três frentes, tidas pelos responsáveis desportivos e técnicos como “absolutamente seguras”. E eis que nova humilhação acontece: o Porto volta a ganhar na Luz por margem suficiente para afastar o Benfica da final.
O grande objectivo da época – quebrar a hegemonia portista – não só ficou por alcançar, como, pelo contrário, aquela ficou muito mais consolidada, com alicerces muito seguros na profunda desmoralização infligida às hostes benfiquistas.
Tudo se perdeu: as competições, a arrogância, a moral, o brio e até a superioridade moral, que episódios lamentáveis ocorridos na Luz e na TV Benfica igualmente destruíram.
Ao Benfica fica a possibilidade de uma vitória na “tacinha da latinha de cerveja” e o medo – sim, é disso que se trata: o treinador do Benfica tem medo do Porto – de reencontrar o Porto na final da Liga Europa.
Nunca na história do Benfica se tinha vivido tamanha humilhação!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

MOURINHO GANHOU A COPA DO REI AO BARÇA



MÉRITO? SIM, DO ANTI-FUTEBOL

Como se esperava, depois do jogo de sábado passado, Mourinho acabou por levar a melhor sobre o Barcelona, na final da Copa do Rei, em Valencia, com um golo de Cristiano Ronaldo, no prolongamento.
Muito continuarão ver neste triunfo a prova do imenso talento de Mourinho. Se se olhar o futebol como um simples confronto agonístico entre duas formações, algo parecido com uma batalha, da qual depende o futuro e a sorte dos que nela participam, sim, há mérito e talento.
Porém, se o futebol for olhado como um confronto lúdico e aleatório, em que os próprios intervinientes se empenham e se divertem, destinado a proporcionar espectáculo aos que no campo ou pela televisão o seguem emocionados, tem de considerar-se que Mourinho é a negação do futebol como espectáculo.
Mourinho joga com o único objectivo de ganhar, nem que para isso tenha de sacrificar completamente o futebol. Aliás, ele nem se dá conta que está a sacrificar algo, porque é para ele tão evidente que o que está em jogo é apenas um confronto que tudo o resto lhe passa à margem.
Mais uma vez, foi penoso ver hoje dez dos melhores jogadores do mundo, metidos no seu meio-campo com o único objectivo de impedir o Barcelona de jogar. todavia, como os jogadores que fazem este triste espectáculo são muito bons, acontece que num contra-golpe podem marcar e garantir vitória.
Foi isso o que mais uma vez aconteceu. Numa bola lançada sobre o lado esquerdo, Di Maria foi mais rápido que Dani Alves, centrou e Ronaldo foi soberbo no golpe de cabeça. Estava alcançada a vitória.
Uma grande frustração para os artistas de Guardiola, que, a bem do futebol e do espectáculo que ele proporciona, vão ter de encontrar o antídoto para este anti-futebol de Mourinho, próprio de uma equipa de terceiro nível.
O futebol de Mourinho faz lembrar o do “falecido” Estrela da Amadora no tempo de Fernando Santos, quando se deslocava ao Estádio da Luz para empatar por 0-0, ou, quem sabe, num golpe de sorte ganhar. Só que os jogadores do Estrela eram pagos a pataco enquanto os do Real são pagos a peso de ouro. Mereciam outra consideração...
É triste para o futuro do futebol que treinadores como Mourinho continuem a ganhar assim, embora seja certo que as suas potencialidades estão cada vez mais limitadas aos jogos a eliminar.

O PORTO É MUITO MELHOR QUE O BENFICA



ESTE PORTO ESTÁ MUITOS FUROS ACIMA DO BENFICA

Não é só Porto, como equipa, que está muitos furos acima do Benfica, é também Villas-Boas como treinador que está a léguas de Jesus.
Adivinhava-se o que ia acontecer: só mesmo um super Benfica poderia travar este Porto, exuberante, confiante, compacto que joga como uma verdadeira equipa. E o Benfica tinha caído a pique depois do jogo com o Braga. O treinador tem responsabilidade nisso. Deveria ter assumido todos os jogos que faltava jogar com o mesmo empenhamento. O Benfica não fez isso: pôs de lado o campeonato, onde se arrasta penosamente e apostou (supôs) tudo nas outras provas.
Só que não há várias provas: há uma única prova. Para se estar a cem por cento, tem de se estar com a mesma mentalidade em todas as competições.
Tínhamos previsto neste blogue que isto iria acontecer. E ainda só estamos no começo do fim. Ainda faltam o Paços de Ferreira e o Braga, ambos com hipóteses de ganhar.
No jogo de hoje, o Benfica – o mesmo é dizer o seu treinador – cometeu vários erros. Em primeiro lugar, tentou dar a iniciativa do jogo ao Porto. O Porto não a aceitou. E o Benfica continuou privado das suas melhores armas que são os alas. Sem Gaitan e sem Salvio, mais ainda se justificava que Coentrão tivesse subido, como costuma fazer, e Maxi, também.
Mas não foi isso o que aconteceu. Durante toda a primeira parte, Maxi e Coentrão nunca subiram, e a maior posse de bola do Benfica não passou de um logro (posse de bola sem progressão), já que o Porto dominou sempre o jogo e poderia, na primeira parte ter marcado, pelo menos uma vez, nas três oportunidades que teve.
Ao passo que o Benfica teve umas bolas paradas que não deram nada e que só uma vez criou algum perigo.
Logo se percebeu que o meio-campo portista era fortíssimo, enquanto o do Benfica não existia. As bolas iam longas para a frente, onde Cardozo - picado pela “mosca tsé-tsé – é como se não existisse. Foi um erro grave deixar Aimar no banco e outro não ter posto a jogar na ala direita Weldon, que não se percebe porque não joga.
Na segunda parte, o Porto passeou a sua exuberante classe; arrumou o Benfica em dez minutos e esperou pelo fim do jogo.
As substituições de Jesus foram tardias e a de Kardec, desnecessária, porque também já viu que é uma “múmia” em campo.
No espaço de quinze dias, o Porto humilhou pela segunda vez o Benfica na Luz. Os que, arrogantemente, supunham que a eliminatória estava ganha, não vão aprender nada com o que aconteceu. É que alguns são mesmo muito pouco inteligentes. E quanto mais se mostram na televisão, mais triste é a figura que fazem.
Jesus, tal como os dirigentes antes referidos, também tem imensas limitações. Antes de mais é preciso perceber que quem não é capaz de expor, com um mínimo de coerência, uma ideia, dificilmente poderá, como treinador, ter alguma competência. É penoso ouvi-lo…No Benfica, o seu tempo terminou…
O Porto será naturalmente a equipa vencedora da Liga Europa. Este Porto é muito melhor que o Porto de Mourinho, que era uma espécie de Grécia, com um futebol feio e nada corajoso.
Não há comparação possível: este é muito melhor. A equipa assume o jogo, não é covarde, sem ser temerária. Faz o que tem de fazer, dando espectáculo, com consistência.
A vitória por 3-1 não só é inteiramente merecida como justifica os parabéns de quem gosta de futebol!

terça-feira, 19 de abril de 2011

PARA COUCEIRO PERCEBER




NO RESCALDO DO PORTO-SPORTING DE DOMINGO PASSADO

No fim do jogo de domingo passado, Couceiro dirigiu algumas críticas à arbitragem, com muita moderação e sem o ar agressivo que usou na Luz, apesar de não haver qualquer espécie de comparação entre as duas arbitragens.
Couceiro sabia onde estava, local que ele conhece bem por experiência própria, por isso limitou-se a fazer o "número" que lhe competia sem ter sido acintoso, aliás na linha do que tem sido o Sporting dos últimos tempos relativamente ao Porto.
Mas entre as coisas que disse, uma houve causou profundo mal-estar nas hostes portistas, não obstante a sua razoabilidade.
Disse Couceiro: “Os bancos (de suplentes e técnicos), em Portugal, deveriam estar colocados como em Espanha; a equipa visitante deveria ter o banco do lado direito e a visitada do lado esquerdo”.
O objectivo é evidente: evitar que a equipa da casa passe o tempo todo a pressionar o fiscal de linha. Aliás, a medida é tão acertada que até deveria ser imposta pela FIFA.
Resposta de Pinto da Costa: “Como ele (referindo-se a Couceiro) vai deixar de treinar o Sporting dentro de três jornadas, na próxima época que arranje uma equipa da Liga espanhola para ter os bancos como ele gosta”.
Além de ser uma resposta ordinária, de mau gosto, como são quase todas as intervenções de Pinto da Costa, ela é muito mais do que isso. É a resposta de quem não aceita, nem admite que um seu ex-empregado formule propostas ou faça críticas prejudiciais ao “grémio portista”. Mais ainda: é uma resposta que contém implícita uma ameaça: com essa conversa já não arranjas aqui emprego (subentenda-se nas “filiais e “dependências” do Porto, que são muitas, como se sabe).
Couceiro corre assim o risco de não ser protegido pelo Sporting, como tudo indica, e de ter perdido um “amigo” que não admite infidelidades.
É assim o futebol português…

segunda-feira, 18 de abril de 2011

CRUYFF CONFIRMA ANÁLISE DESTE BLOGUE SOBRE MOURINHO


MOURINHO DISFARÇA O RM DE EQUIPA MENOR

Johan Cruyff confirma, ponto por ponto, as analises que aqui têm sido feitas sobre Mourinho. Depois do banho de bola há uns meses levou em Camp Nou, quando ainda estava hesitante entre assumir a grandeza do Real ou fazer dele uma espécie de Inter de Madrid, Mourinho decidiu que nunca mais voltaria a perder por aquela vergonhosa margem, nem que para isso tivesse que transformar a maior equipa do mundo – a equipa do século XX – numa vulgar equipa de futebol defensivo que luta para não descer de divisão. E foi o que passou a fazer nos grandes confrontos. O RM joga como aqui há uns anos jogavam em Portugal as equipas que lutavam para não descer de divisão.

Só que o objectivo de Mourinho, embora usando os mesmos processos, é diferente. Joga para ganhar títulos. E pode fazê-lo porque tem consigo alguns dos melhores jogadores do mundo.

E é isso que leva Cruyff a afirmar que “Mourinho não é um treinador de futebol, mas de títulos. Não é um técnico se olharmos para este desporto como um espectáculo, para os adeptos, seja no estádio, seja em directo”.

E continua a velha glória do futebol holandês e mundial: “Quem joga em casa, em Santiago de Bernabéu, com sete defesas, tem muito medo”. E acrescenta, igualmente no sentido já referido neste blogue: “Bernabéu não permite uma gestão deste tipo de treinadores”.

Cruyff diz ainda que Mourinho disfarça o RM de equipa menor, pondo-a a jogar atrás, para em contra-ataque tentar tirar partido do adiantamento da equipa adversária, embora sujeitando-se como sempre tem acontecido a que a sua equipa, massacrada pelo adversário, cometa muitas faltas e sofra expulsões.

Finalmente, Cruyff entende ainda que pôr Pepe a jogar no meio-campo é um convite a que vá para o balneário mais cedo.

Só faltou dizer que Pepe tem gozado, principalmente na Champions, da benevolência dos árbitros, como aconteceu contra o Olympique de Lyon.

Mourinho não gosta de futebol. Gosta de ganhar. Mourinho tem um futebol covarde face aos artistas de que dispõe. O futebol ficaria a perder…se Mourinho ganhasse, como durante anos a fio ficou a perder quando as tácticas do catenaccio italiano dominavam parte do futebol europeu. Viva a Premier League!

PORTO CONTINUA INVICTO

BENFICA CUMPRE OS MÍNIMOS
Foi mais um jogo triste o desta tarde no Estádio da Luz entre o Benfica e o Beira-Mar.

As segundas linhas do Benfica são fracas e alguns têm uma atitude irresponsável. Até dá sono ver aqueles rapazes a jogar a passo, displicentemente, como se estivessem a jogar a “feijões”. Aimar e Martins bem tentaram imprimir outro ritmo, mas não conseguiram. Sidnei é um autêntico desastre, além de irresponsável. Marcou um golo, porque era quase impossível não fazê-lo. Mesmo assim, esteve em vias de falhar.

O Beira-Mar na primeira parte esteve afoito e poderia ter marcado. Na segunda caiu muito, tendo voltado a atingir um certo ritmo, mesmo no fim. Esforço, de resto, premiado por um belo golo por um miúdo ganês que por acaso até é do Benfica.

Na segunda parte, a entrada de Maxi, a vinte minutos do fim deu outro ritmo ao jogo e foi nesse período que o Benfica marcou o segundo golo, por Jara. Cardozo também entrou. Não trouxe nada ao jogo. Está tão irresponsável como Sidnei.

Uma equipa que não é capaz de jogar a um nível elevado, jogue quem jogar, não dá garantias. Animicamente vale pouco e competitivamente também. Por outras palavras, o Benfica tem a eliminatória da Taça de Portugal em risco, o que a acontecer seria uma vergonha. Mas está mais para isso do que para outra coisa.

Elmano Santos esteve ao seu nível. Apesar de investigado no “Apito Dourado”, nada se passou. Continua em grande forma e já se viu que é um árbitro com quem se pode contar…Como é possível? Como é possível negar o que toda a gente vê? Uma vergonha!

O Porto depois de estar a perder, virou o resultado e ganhou por 3-2, tendo o terceiro golo do Porto e o segundo do Sporting sido marcados a poucos minutos do fim. O Porto joga para ganhar. Com vontade de ganhar. Constituiria uma grande surpresa se este época voltasse a perder.


ADITAMENTO


Interessa acrescentar que o Sporting se queixa da arbitragem, mas sem razão. Rolando, segundo os sportinguistas, jogou a bola com a mão dentro da área. E daí? Rolando tem autorização para jogar a bola com a mão dentro da área, tal como Vítor baía tinha para defender com a mão fora dela.

Já, segundo Pedro Henriques, se um jogador do Benfica, caído na área, de costas na direcção de quem chuta, sofre o embate da bola no braço, junto ao corpo, é falta!

Queixam-se, queixam-se...porque desconhecem as regras...

domingo, 17 de abril de 2011

A ESTRATÉGIA DE MOURINHO


O REAL MADRID-BARCELONA

O jogo desta noite, entre o Real Madrid e o Barcelona, era muito importante para Mourinho. Não pelo que dele pudesse resultar para a Liga espanhola, que essa já há muitas jornadas está entregue ao Barcelona, mas como ensaio para os três jogos que se seguem e que são decisivos para as competições em que se inserem.

Como se sabe, Mourinho não tem um futebol corajoso, um futebol daqueles que o adepto gosta de ver – que afronte o adversário, que acredite nas suas potencialidades e esteja disposto a arriscar para ganhar.

Mourinho só joga assim, quando joga, com os mais fracos. Mourinho tem um futebol diferente, um futebol que alguns chamam covarde e que outros preferem qualificar de muito táctico.

Claro que, quando as armas não são iguais, quando os jogadores que estão de um e outro lado do campo são tão desiguais no seu valor individual, justifica-se que se chame táctico ao futebol jogado pela equipa individualmente mais fraca.

Mas não é nada disso o que se passa com o Real Madrid. Os merengues têm uma equipa de luxo onde jogam alguns dos melhores jogadores do mundo. Uma equipa que se dá ao luxo, como hoje aconteceu, de ter no banco jogadores como Káká, Özil, Adebayor, Higuain, para citar apenas alguns, tem de ter a coragem de jogar outro futebol.

Mas não foi isso o que se viu. O primeiro tempo terminou com uma percentagem de posse de bola de 25%-75%! Com Pepe a jogar a médio para “dar pancada” no Xavi, no Iniesta ou quem lhe aparecesse pela frente.

Mourinho quis hoje testar o tipo de jogo que vai usar na quarta-feira na final da Copa do Rei e logo depois nas meias-finais da Champions League. Um futebol que entregue o jogo ao adversário para, no contra-golpe ou numa bola longa, jogada para as costas da defesa do Barcelona, o poder surpreender.

É esse o jogo que Mourinho vai fazer, tentando manter o resultado em branco o mais tempo possível. O que verdadeiramente Mourinho gostaria de ter no RM era o Drogba de há quatro anos ou o Milito do ano passado. Um centro-avante que fosse capaz de dar luta durante todo o jogo a quatro defesas, para manter os outros atacantes livres para funções defensivas e soltos no esporádico contra-ataque.

Viu-se hoje o Real Madrid, o grande Real Madrid, a fazer uma coisa que já nem as equipas mais defensivas fazem: subir apenas cinco homens na marcação dos cantos, deixando os outros cinco recuados para prevenir o contra-ataque adversário.

Como já aqui dissemos várias vezes, Mourinho é um homem com sorte. O Barcelona não pode facilitar nos jogos a eliminar, apesar do Real Madrid, hoje, ter tido o seu melhor período a partir do momento em que passou jogar com dez e sentiu que tinha de arriscar para não perder.

Ou seja, o jogo de hoje demonstrou – se tal demonstração ainda fosse necessária – que Mourinho não gosta de futebol. Mourinho gosta de ganhar!

Para terminar: Mourinho queixa-se da arbitragem. Tanto quanto se percebe, indevidamente. O penalty que dá o empate ao Madrid não existe e há um, na primeira parte, sobre Villa, indiscutível, que o árbitro não marcou e que ditaria a expulsão de Casillas.

Mas quer lá Mourinho saber dos factos. Mourinho o que quer é ganhar!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

TRÊS EQUIPAS PORTUGUESAS NAS MEIAS-FINAIS DA LIGA EUROPA

PORTO, BENFICA E BRAGA

O Porto foi o primeiro a entrar em campo. Ganhou naturalmente por 5-2 contra uma equipa fraca que vai em último lugar do campeonato russo. Uma equipa que sofre dez golos em dois jogos, apesar de ter marcado três, não deixa de ser uma equipa sem nível para participar nas provas epopeias, mesmo que se trate da II divisão europeia, como muitos dizem.

Isto não quer dizer que o Porto não passasse à mesma, se o adversário fosse mais forte. Já defrontou equipas mais fortes e ganhou a todas. Na próxima eliminatória o Porto vai defrontar uma das melhores equipas da Liga Europa, apesar de também ela não ser, no contexto europeu, uma grande equipa.

O Braga passou uma eliminatória difícil, com mérito e é, das três equipas portuguesas, a que cometeu o maior feito. Por razões muito simples: em primeiro lugar, porque ganhou na sua caminhada europeia a grandes equipas; e, em segundo lugar, porque estava longe de ter a mesma cotação europeia do Porto e do Benfica.

O empate a zero em casa, depois do empate a um golo em Kiev valeu-lhe a eliminatória.

A próxima eliminatória europeia, contra o Benfica, vai servir para tirar a prova dos nove, mesmo relativamente ao que se passou em Braga no jogo do campeonato contra a equipa da Luz.

O Benfica, que também não defrontou na Liga Europa nenhuma grande equipa europeia, embora tenha jogado com uma das mais renomadas da dita liga, passou a eliminatória contra o PSV por 6-3 no cômputo dos dois jogos. Em Lisboa, 4-1 e 2-2 na Holanda.Não se pode dizer que o Benfica tenha corrido perigo em Eindhoven.

O Benfica começou bem o jogo, deveria ter marcado por duas vezes, ganhou confiança e ia cometendo o mesmo erro que, há um ano, em Liverpool lhe foi fatal. Esqueceu-se que estava a jogar um jogo a eliminar, com um resultado a proteger. A forma irresponsável como se lançou na aventura do golo, com a defesa muito subida, e com o PSV a insistir nas bolas para as costas da defesa, fez com o Benfica sofresse dois golos em dez minutos e tivesse ficado a um passo da desvantagem na eliminatória.

No entanto, ainda no primeiro tempo, a equipa foi-se recompondo aos poucos, embora sabendo que de um momento para outro tudo poderia acontecer, e lá conseguiu um golo – aliás, um magnífico golo de Luisão – sobre o intervalo que lhe devolveu definitivamente a tranquilidade.

No segundo tempo tudo foi diferente. E é bom não esquecer, os jogos têm sempre duas partes…

O Benfica dominou o jogo, marcou o segundo, deu a volta ao jogo e controlou-o até final sem problemas. Isso não significa que o Benfica não tenha alguns problemas. Primeiro, a equipa, embora saiba reagir à adversidade e à desvantagem, joga de uma maneira quando desde início começa a controlar o jogo e de outra, muito mais intranquila, quando o adversário lhe troca as voltas e o tenta surpreender, seja por via de marcações impiedosas, seja no contra-ataque.

Nestas situações têm residido as dificuldades do Benfica. Depois, é preciso reconhecer que o parceiro de Luisão, seja ele qual for, dificilmente faz esquecer David Luiz, mesmo sem este a jogar bem; que há intranquilidade relativamente à baliza, além de Cardozo também estar com dificuldades.

No jogo de hoje, Luisão foi fundamental e César Peixoto também realizou um bom jogo. Carlos Martins foi muito útil e Gaitan, sem ter estado mal, já há muito tempo que não faz um grande jogo.

Feitas as contas, acabaram por ficar em prova as melhores equipas, sendo que a do Porto é a mais consistente. Se passar a próxima eliminatória, será favorita á vitória, seja contra o Benfica, seja contra o Braga.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

LIGA DOS CAMPEÕES - QUARTOS DE FINAL


REAL MADRID E SCHALKE 04 NAS MEIAS FINAIS


Sem surpresa e sem forçar o Real Madrid venceu o jogo da segunda mão, em White Hart Lane, contra o Tottenham por 1-0, golo de Cristiano Ronaldo.

No pensamento de Mourinho e dos jogadores estavam os próximos e decisivos encontros com o Barça. Nada menos que quatro em dezoito dias. Aparentemente, o menos relevante será certamente o da Liga.

De facto, se o Barcelona ganhar, o campeonato ficará definitivamente resolvido. Se empatar ficará tudo na mesma, ou seja, manter-se-á a vantagem dos catalães. Mas se o Real Madrid ganhar, mais do que o resultado, importante poderá ser o seu efeito do resultado sobre os outros três jogos, nomeadamente sobre os da Liga dos Campeões

Uma derrota do Barcelona no Santiago de Bernabéu fará crer aos madrilistas que é possível vencê-los nas meias-finais da Champions, o mais importante, e, por arrastamento, na final da Copa do Rei.

E sabe-se como Mourinho é forte nos jogos a eliminar. Como recorre a tudo para ganhar. O Barcelona sabe-o por experiência própria.

No outro jogo, apenas para cumprir calendário, pois a eliminatória já vinha decidida de San Siro, o Schalke 04 voltou a ganhar, desta vez pela margem mínima (2-1), com mais um golo de Raul, que se consagra como o melhor marcador da Champions e como o mais importante reforço da equipa de Gelsenkirchen.

Enganam-se os que pensam que as meias-finais serão “favas contadas” para o Manchester. Não constituiria qualquer surpresa a ausência da equipa inglesa, em Maio, no estádio de Wembley

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O BENFICA ESTÁ A PISAR CAMINHOS PERIGOSOS


O CASO DA BENFICA TV


Filipe Vieira, quase tão silencioso como Cavaco, falou para dizer que não falava. Só falará depois do jogo das meias-finais da Taça de Portugal contra o Porto.

Fez mal em ter ficado calado. Deveria ter pedido desculpas aos benfiquistas e ao Porto pelo que se passou na Luz, no fim do jogo contra o Porto.

O apagão é inadmissível e constitui uma vergonha para os benfiquistas. Mas deveria ter dito mais. Deveria ter criticado a equipa por não ter voltado a ganhar nas competições domésticas depois do jogo contra o Braga.

Entretanto, factos muito mais graves aconteceram. As televisões dos clubes são em quase todo o lado antros de fanatismo doentio que em nada ajudam à grandeza dos clubes. Podem, inclusive, tornar-se veículos de violência se o poder público nada fizer para as vigiar e conter, aplicando-lhes as sanções devidas.

Qualquer que seja o apreço que Pinto da Costa mereça aos benfiquistas como homem do desporto, melhor dizendo, do futebol – e certamente a consideração é nula – é inadmissível que a TV do clube sirva de meio para a expressão de sentimentos vulgares, de baixo nível, impróprios de serem ouvidos pelo grande público.

O Benfica é, mais uma vez, responsável pelo que se passou e com o seu silêncio, que cada vez se assemelha mais a assentimento, apenas favorece e potencia que no clube da Luz se crie um clima e uma moral desportiva cada vez mais parecidos com os do clube de Campanhã.

Urge tomar medidas, limpando quem está a mais. Se o Benfica o não fizer é porque já está a caminho de se transformar num clube diferente daquele que o povo português conhece há mais de 100 anos!

LIGA DOS CAMPEÕES


MANCHESTER UNITED E BARÇA NAS MEIAS-FINAIS


Nada de novo se passou hoje como nada de novo se passará amanhã na Liga dos Campeões.

O Manchester ganhou tranquilamente ao Chelsea, uma equipa sem alma, em cima da qual se despejam rios de dinheiro, sem qualquer efeito útil. Embora seja verdade que só assim pode gastar quem o ganhou da forma que se conhece.

Fernando Torres não marca, não tem trazido nada à equipa e é óbvio que Drogba é muito mais jogador. Mas não chega.

Não sendo uma extraordinária equipa, o Manchester ganhou sem dificuldade. E Giggs demonstrou que, perto dos 40 anos, ainda é um grande jogador.

Em Portugal, os jogadores mais velhos são votados ao ostracismo, tal como os trabalhadores mais antigos nas empresas. No Benfica isso então é evidente.

Um jogador experiente pode não poder jogar o tempo todo, embora Giggs tenha sido o que correu mais, mas, se for bom, jogará bem o tempo que lhe estiver destinado. Veremos se o Manchester terá as mesmas facilidades contra o Schalke 04 na próxima eliminatória.

O Barcelona cumpriu calendário e ganhou com mais um golo de Messi. Espera-o um Real Madrid, sedento de vingança. Mourinho vai fazer o possível e o impossível por ganhar a próxima eliminatória. Quem será o árbitro?


ADITAMENTO


Faltou dizer que o árbitro do Manchester United-Chelsea foi o conhecido Olegário Benquerença. Sem ter cometido as enormidades que o ano passado puseram o Inter na final, esteve mal no capítulo disciplinar. Na dúvida expulsou Ramires, ex-benfiquista, apesar de agora estar equipado de azul. Mas deixou em campo Terry...que sempre equipou de azul.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O BENFICA ARRASTA-SE PENOSAMENTE


E DESVIRTUA O CAMPEONATO


O que se está passando com o Benfica é a imagem do que aconteceu há oito dias no fim do jogo contra o Porto na Luz: uma equipa sem perspectivas comandada por uma direcção sem rumo.

O pior que pode acontecer a uma equipa, como a uma pessoa, é perder a sua dignidade face ao infortúnio ocasional ou provocado.

Depois da derrota em Braga, o Benfica empatou na Luz com o Portimonense, último classificado, perdeu com o Porto, primeiro classificado e voltou a perder na Figueira da Foz contra a Naval, penúltimo classificado.

O Benfica tinha obrigação de ganhar estes três jogos, independentemente dos efeitos que tais vitórias pudessem ter na classificação geral. Tinha obrigação de ganhar em defesa da honra, em defesa da verdade desportiva e, acima de tudo, pelo respeito que deve aos associados e simpatizantes.

A pouca vergonha que o Benfica anda a fazer nesta parte final d campeonato vai ter consequências muito negativas no prestígio do clube e, contrariamente ao que se pretende fazer crer, também nas provas ainda em disputa.

Quem aceita a derrota como uma situação normal ou quem do alto das suas responsabilidades defende a “gestão do plantel” como o mais importante a fazer neste momento, está a prestar um mau serviço ao Benfica e ao seu futuro. Quando se ouve altos responsáveis do clube a fazer estupidamente a defesa de tais pontos de vista, o menos que se lhes pode exigir é que se demitam.

Na Espanha o Real e o Barça com compromissos europeus e nacionais importantes no futuro próximo não deixam de ganhar os jogos que têm pela frente, qualquer que seja a composição da equipa.

O Benfica deste ano está um passo do Benfica de Vilarinho treinado por Toni. E há todas as razões para supor que esse passo vai ser dado!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

VITÓRIAS DO BENFICA E DO PORTO NA LIGA EUROPA


O BRAGA EMPATOU EM KIEV


Aparentemente, o Benfica e o Porto estão nas meias-finais da Liga Europa e Braga vai a caminho. Mas só aparentemente, porque na realidade apenas o Porto tem a eliminatória garantida.

O Sporting de Braga vai ter em casa mais dificuldades do que aquelas que experimentou em Kiev, onde beneficiou de uma expulsão incrível de Shevchenko que muito lhe facilitou o jogo do Braga na segunda-parte.

Sem nunca ter estado perdido, o Braga teve alguma sorte. Primeiro, na forma como obteve o seu golo - um auto-golo - e depois por não ter sofrido mais nenhum, sem com isto se retirar o mérito do seu guarda-redes em vários lances. Como sempre, esteve excelente.

É difícil fazer um prognóstico sobre o desfecho desta eliminatória, embora a carreira internacional do Braga esta época permita acalentar todas as esperanças.

Independentemente da natureza do campo em Moscovo, o Porto já tem a eliminatória garantida. O Spartak não tem a menor hipótese de virar o resultado de 5-1.

O Porto começou mal o jogo, poderia ter sofrido golos por duas vezes, mas depois do primeiro golo de Falcao a equipa redimiu-se e embalou para uma grande exibição na segunda parte, com mais dois golos do colombiano, um de Varela e outro de Maicon.

Falcao assume-se cada vez mais como o grande jogador do Porto. Com Falcao a equipa é uma coisa, sem ele é outra, completamente diferente. Falcao é hoje um dos grandes pontas de lança do futebol mundial, e tem no Porto quem o saiba servir na perfeição.

O Benfica, depois da derrota de domingo e quando se temia que ela tivesse consequências na subsequente produção da equipa, apresentou-se na Luz com o propósito de fazer uma grande exibição. O público, que igualmente se acreditava que pudesse começar a desertar, correspondeu em grande número, proporcionado a maior assistência da época.

Os argentinos do Benfica “encheram” o campo com a sua arte, mas a classe de Fábio Coentrão e a grande categoria de Maxi Pereira foram igualmente decisivas para o resultado alcançado.


Vencer o PSV Eindhoven, ou qualquer outra equipa, por 4-1, numa prova a eliminar, é sempre um grande resultado em qualquer parte do mundo. Mas o Benfica somente terá tranquilidade na Holanda se marcar um golo e quanto mais cedo o marcar, melhor. Se isso não acontecer, passará um mau bocado, num campo muito difícil, onde outras equipas, no passado, em provas internacionais, já foram goleadas.

No jogo desta noite da Luz o Benfica poderia ter marcado mais golos. Alguns foram falhados de forma incrível, tanto no primeira como na segunda parte. Depois do golo sofrido, o Benfica intranquilizou-se e perdeu a confiança com que se vinha exibindo. Essa pequena fase do jogo é bem o exemplo do que pode acontecer em Eindhoven.

Grandes exibições dos laterais, Coentrão e Maxi, grande exibição de Aimar – uma das melhores da época -, que marcou o primeiro golo, dois golos de Salvio, igualmente com uma grande exibição, e outro a finalizar de Saviola, que poderia ter marcado mais.

Roberto voltou a falhar, mas não adianta falar mais no assunto até final da época.