sexta-feira, 9 de março de 2012

GRANDE EXIBIÇÃO DO SPORTING NA LIGA EUROPA



VITÓRIA SOBRE O MANCHESTER CITY
Depois de um conjunto de exibições sofríveis, o Sporting arrancou hoje em Alvalade uma excelente exibição contra o Manchester City, vencendo por 1-0.
A equipa milionária de Manchester, que há dias, nesta mesma Liga Europa, despachou o Porto por um rotundo 6-1 no conjunto das duas mãos e lidera o campeonato inglês destacado, teve sorte em ter saído de Alvalade apenas derrotada pela margem mínima – 1-0 – já que tanto pela exibição do Sporting como pelas oportunidades que criou se justificava perfeitamente uma vitória por mais um golo.
Xandão, central sportinguista, merce destaque pelo excelente golo que marcou no recomeço do jogo, o qual não fica nada, mas mesmo nada, a dever àquele que Cristiano Ronaldo marcou há dias em Vallecas e que tanto alarido provocou nos media de todo o mundo.
O que mais impressionou no Sporting foi a excelente condição física que a equipa demonstrou e o rigor táctico que foi capaz de manter durante todo o jogo, nunca se entusiasmando excessivamente com o seu próprio jogo a ponto de deixar a rectaguarda desguarnecida.  
Mas esta partida também serviu para demonstrar que se o Sporting se empenhar exclusivamente na tarefa de jogar à bola, em vez de andar a procurar desculpas nas arbitragens para os resultados que não tem conseguido obter, acabará certamente por tirar dessa atitude mais vantagens do que as que tem tirado com os frequentes queixumes a que se entrega.
Uma vantagem de 1-0 não é para nenhuma equipa uma vantagem segura numa competição a eliminar. Mas é uma vantagem importante como a história das competições europeias frequentemente demonstra.
Se em Manchester o Sporting não se desmembrar, se souber defender bem e se for eficaz nos contra-ataques poderá criar muitas dificuldades aos ingleses. O que o Sporting não pode é ir para a Inglaterra com complexos ou jogar com medo. Isto apesar dos excelentes jogadores que a equipa do Manchester City tem no seu plantel e das espectaculares exibições que este ano já fez, como, por exemplo,  contra os dois históricos do futebol inglês (M United e Arsenal).   
Por outro lado, quem jogar não pode incorrer em picardias desnecessárias e prejudiciais como as que João Pereira hoje protagonizou. Aliás, a atitude de João Pereira durante o jogo, principalmente depois da entrada de Balloteli, vem pôr a nu as dificuldades por que a selecção portuguesa poderá passar no Euro 2012 com jogadores como João Pereira e Pepe na defesa.
O árbitro, embora não tenha cometido erros, salvo ter poupado a expulsão de João Pereira, como antes de certo modo também já tinha poupado a de Jong, está contudo muito longe de ter a classe e a personalidade do árbitro que na terça-feira arbitrou o Benfica – Howard Webb.
A respeito de arbitragem de assinalar ainda os ridículos comentários dos comentadores que na SIC avcompanhavam o jogo em directo a propósito de pretensos penalties cometidos durante a partida.
Nos demais jogos da Liga Europa, realce para a vitória em casa do Atlético de Madrid contra o Besiktas por 3-1, com dois golos de Salvio e a excelente exibição do Athletic de Bilbau, em Old Trafford, contra o United, coroada por uma vitória por 3-2.

quinta-feira, 8 de março de 2012

MESSI ARRASA BAYER DE LEVERKUSEN

Messi (foto AP)


MESSI O GÉNIO IMPAR DO FUTEBOL

Esta noite assistiu-se em Camp Nou a uma exibição de Messi que ficará para sempre na história do futebol. Uma exibição que deslumbra não apenas quem, em directo, assistiu a ela mas também todos aqueles que pelos tempos fora vão ter possibilidade de a ver e rever.
Batendo o seu anterior record, Messi marcou  cinco golos, alguns verdadeiramente fantásticos, ao Bayer de Leverkusen, dois na primeira parte e três na segunda, na vitória do Barcelona por 7-1! Muito bom também o golo de Bellarabi já sobre os noventa minutos de jogo.
Não é a primeira vez que numa competição europeia um jogador marca cinco golos – Altafini, de triste memória para o Benfica, anos 60, já o havia feito pela Juventus e também o dinamarquês Soren Lerby pelo Ajax - mas é a primeira vez que o melhor jogador do mundo de todos os tempos marca cinco golos! Com os golos de hoje, Messi fica com doze golos em sete jogos na Champions.
De sublinhar também os dois golos do jovem Tello que entrou no segundo tempo (por um triz não marcou o terceiro) e também como não poderia deixar de ser a composição da equipa do Barcelona apenas com cinco estrangeiros no decurso do jogo, embora alguns deles formados em La Masia, numa época em que as grandes equipas europeias às vezes nem um nacional tem.
É difícil perceber como uma equipa fantástica como o Barcelona tem dez pontos de diferença relativamente ao Real Madrid. Os maus resultados fora de casa são a causa aparente desta diferença já que no confronto entre as duas equipas o Barça levou sempre a melhor, tanto nos resultados como nas exibições.
Bem se pode dizer que Mourinho, não obstante o mérito das vitórias alcançadas, teve a sorte de encontrar um Barcelona que se encarregou de lhe proporcionar os pontos que nos confrontos directos lhe negou. E quando assim acontece não há recuperação possível por mais fantástica que a equipa seja. O Real vai ganhar a Liga, ao Barça resta-lhe ganhar a Copa do Rei e a Champions.
Na RTP, tão maltratada pelos falsos medidores de audiência, o comentador Tadeias esforça-se por tirar o mérito à vitória do Barcelona e à exibição de Messi com base nas fraquezas alheias. Além de ser uma atitude estupidamente sectária – todo o mundo percebe porquê – é também ridícula.
No outro confronto, em Nicósia, entre o Apoel e o Lyon, os cipriotas apuraram-se no desempate por grandes penalidades. Depois da derrota na França por 1-0 e idêntico resultado em casa, com golo de Manduca, que acabaria por ser ingloriamente expulso no prolongamento, foram os penalties a ditar a passagem do Apoel aos quartos-de-final.
Que não haja qualquer ilusão: os cipriotas que eliminaram o Porto e Shaktar Donetz e agora o Lyon têm uma excelente equipa. Praticam um futebol vistoso e eficaz, além de defenderem muito bem. Quem os menosprezar vai certamente dar-se mal.
No Apoel jogam vários portugueses e alguns outros jogadores brasileiros que já jogaram em Portugal. Não parece todavia que, apesar do percurso da equipa, Paulo Bento tenha dedicado qualquer atenção a estes “emigrantes” ….
Para já nos quartos-de-final estão: Benfica, Milan, Barcelona e Apoel. De hoje a oito dias se conhecerão os restantes quatro.

quarta-feira, 7 de março de 2012

AINDA A ARBITRAGEM DE PEDRO PROENÇA



PROENÇA É CORRUPTO?



Tendo em conta o historial de Pedro Proença nos jogos em que apita o Benfica é de admitir, em primeiro lugar, que a tal simpatia clubista que se diz o árbitro ter declarado é manifestamente falsa e depois que Proença apita deliberadamente contra o clube da Luz.

Que a alegada simpatia clubista é falsa não resulta, como é óbvio, do facto de o árbitro não favorecer o Benfica, o que seria inadmissível, mas de deliberadamente o prejudicar. E, claro, está muito mais à vontade para o fazer depois de ter feito constar que até é simpatizante do clube. Há todas as razões para supor que se trata de uma jogada maquiavélica de alguém que manipula os árbitros de Lisboa não só por toda a gente estar de sobreaviso sobre a manipulação dos árbitros de outras regiões, o que aconteceu durante mais de duas décadas, mas por relativamente aos da capital ser muito mais fácil iludir aquela suspeição.

Em segundo lugar, sendo Proença um árbitro internacional, que até está escolhido para apitar no próximo europeu, tem de admitir-se que a UEFA lhe reconhece alguma competência já que não iria arriscar-se a levar para a Polónia e a Ucrânia um árbitro capaz de distorcer abertamente a verdade desportiva. E, de facto, há razões para supor que Proença não é incompetente ou, pelo menos, não é tão incompetente como as arbitragens dos jogos do Benfica deixariam supor. Basta passar em revista sete ou oito vídeos, disponíveis no you tube, de arbitragens de jogos do Benfica por Proença para imediatamente se perceber que não é por incompetência que Proença prejudica o Benfica. Dois ou três exemplos: no jogo contra o Porto, no Dragão, Proença está a menos de dos metros e de frente para o lance entre Lizandro e Yebda e, não obstante, ter visto uma simulação punível do jogador do Porto, marcou penalty contra o Benfica! No jogo contra o Braga, Proença, em cima do lance, perdoa uma agressão sobre Gaitan, outra sobre Javi Garcia e um penalty descarado sobre Luisão! Tudo jogadas que ele viu. Num famoso jogo contra o Boavista, quando Valentim Loureiro era o Vice-rei das arbitragens, Proença perdoou dois penalties descarados cometidos na sua frente um dos quais na sequência de uma jogada bem violenta. E a história poderia continuar em jogos contra o Penafiel, o Sporting, etc.

Conhecido que é este historial de Proença, não pode deixar de responsabilizar-se o presidente do Benfica por não se ter oposto imediata e resolutamente à sua nomeação. Vieira deveria ter dito que com aquele árbitro o Benfica não jogaria, mesmo que isso lhe acarretasse a perda de três pontos. E deveria ter dito mais: que aceitaria qualquer outro árbitro, até mesmo Pinto da Costa, o Rei das arbitragens, mas Proença não. Tendo deixado as coisas seguir o seu rumo tem o resultado esperado. Agora é tarde para se queixar.

Os comentadores do Sporting de segunda e terça-feira acham que Proença é um árbitro como os outros e que na Luz até nem esteve muito mal. Eduardo Barroso já está muito preocupado com o árbitro que vai apitar o Benfica em Paços de Ferreira, porque, como toda a gente percebe, esse jogo é decisivo para o futuro do Sporting no campeonato em curso! Ou seja, Barroso, como todos os demais sportinguistas que opinam nos media, já tem a época ganha …se o Benfica a perder!

Por seu turno, o Guedes do Porto não tem dúvida: Proença favoreceu o Benfica do primeiro ao último minuto. Ao menos o Guedes tem a virtude de deixar logo claro que não tem qualquer vergonha e que está ali para defender o Proença a qualquer custo!

BENFICA DERROTA ZENITE E PASSA AOS QUARTOS-DE-FINAL



GRANDE MAXI PEREIRA
Maxi Pereira muito satisfeito



Contrariando as previsões mais pessimistas, o Benfica derrotou hoje à noite na Luz o Zénite de S. Petersburgo por 2-0 com golos de Maxi Pereira e de Nelson Oliveira.

O Zénite entrou no Estádio da Luz com a mesma estratégia que em Dezembro passado pôs em prática no Porto: aguentar o empate e tentar num contra-ataque, possibilitado pelo nervosismo e ansiedade da equipa adversária, marcar um golo que acabasse de vez com a eliminatória.

No Porto, a estratégia resultou, apesar de o Zénite não ter marcado. O empate a zero foi suficiente para eliminar o Porto e apurar o Zénite para a fase seguinte da Liga dos Campeões.

Durante a primeira parte o Zénite não chegou a criar nenhuma situação de perigo junto das redes benfiquistas, salvo um remate que poderia ter sido perigoso depois de uma brincadeira de Artur, enquanto o Benfica foi sempre uma equipa mais atacante, apesar de equilibrada, e poderia por Bruno César ou até por Maxi ter marcado mais cedo.

Não o fez e o empate até seria aceitável no fim da primeira parte se não tivesse havido, já nas compensações, aquela brilhante jogada de Witsel que Maxi – o melhor em campo – finalizou com êxito.

Na segunda parte, o Benfica sem verdadeiramente recuar, entregou de certo modo a condução do jogo ao adversário, esperando num contra-ataque fazer o segundo golo e tornar praticamente inviável para o Zénite a passagem na eliminatória.  

E teve essa oportunidade por mais de uma vez. Por Cardozo, duas vezes, por Witsel, por Jardel e por Nelson Oliveira.

A equipa do Benfica pareceu hoje mais fresca do que nos últimos jogos, principalmente Luisão que fez uma excelente exibição, parecendo, por isso, algo exageradas as palavras que aqui foram escritas sobre ele antes deste jogo. Jardel, jogando em substituição de Garay, cumpriu plenamente e fez um jogo interessante.

Gaitan também fez hoje o seu melhor jogo depois do Natal, embora não ainda ao nível dos realizados na primeira parte da época. Do outro lado do campo, Bruno César foi um excelente jogador de equipa, incansável, batalhador e sempre presente atrás e à frente. Não marcou, mas jogou muito bem.

Javi e Witsel no meio-campo estancaram a maior parte das iniciativas do Zénite. Javi mais discreto mas muito eficiente e Witsel exuberante tanto quando jogou a médio como quando avançou para apoiar Cardozo e depois Nelson Oliveira. Fez também um grande jogo.

Nas alas Maxi foi simplesmente fantástico! Um poço de energia e de combatividade. Ele foi a muito justo título o homem da noite, não apenas pelo golo que marcou – e já não seria pouco – mas pela forma como se bateu incansavelmente durante toda a partida. Emerson cumpriu, não cometeu nenhum erro e apoiou várias vezes a equipa na frente.

Cardozo esteve apático, como é seu hábito, e talvez perdulário de mais. Falhou um golo que teria acabado com o jogo muito mais cedo e não aproveitou outras oportunidades menos flagrantes que noutras circunstâncias talvez tivessem tido outro desfecho. Rodrigo esforçou-se, mas está longe de ter recuperado a forma de há cinco jogos atrás.

Jesus esteve bem nas substituições. Trocou Rodrigo por Nolito e, um pouco mais tarde, Gaitan por Matic. Nolito trouxe outra animação ao ataque e Matic mais consistência ao meio-campo. A dez minutos do fim Nelson Oliveira substituiu Cardozo.

É pena que este esperançoso jogador da formação benfiquista não jogue mais vezes. Jesus vai ter de apostar nele mais vezes e com isso ficará a ganhar o Benfica e a selecção, que certamente o não dispensará.

Bruno Alves entrou na segunda parte e foi muito assobiado pelo público da Luz sendo caso para perguntar em que sentido este comportamento do público condiciona o jogador: se negativa ou positivamente.

Como acima se dizia o Benfica, na segunda parte, permitiu ao Zénite a condução do jogo, mas isso não significa que alguma vez os russos tenham conseguido penetrar na área benfiquista. De facto, o único remate com algum perigo foi feito à entrada da área. O Benfica, pelo contrário, teve várias oportunidades de golo e acabou por fazê-lo por Nelson Oliveira igualmente nos descontos finais. Um bom golo.

Por último, uma palavra muito especial para o árbitro. Toda a gente sabe que Howard Webb é um excelente árbitro. Na Luz ele deu uma verdadeira lição de arbitragem. Impôs-se pela categoria. Todas aquelas palhaçadas que ocorrem nas competições portuguesas e a que os árbitros dão guarida tiveram no jogo da Luz a resposta devida: o árbitro pura e simplesmente ignorou-as sem que com isso tivesse perdido autoridade. Dá gosto ver arbitrar assim, principalmente num país onde os árbitros são tão ou mais responsáveis do que os jogadores por tudo o que acontece no campo.

Em Inglaterra a extraordinária recuperação do Arsenal (3-0) não foi suficiente para anular a desvantagem trazida de Milão. Por muito azar, mesmo muito, não marcou ao Arsenal na mesma jogada o quarto golo.

Assim, para já, Benfica e Milan nos quartos-de-final da Champions.

segunda-feira, 5 de março de 2012

ANTEVISÃO DO BENFICA ZÉNITE



FIM DA ÉPOCA PARA O BENFICA?
O Benfica joga na partida de amanhã contra o Zénite muito mais do que uma eliminatória da Liga dos Campeões. Se uma eliminatória já não seria pouco, imagina-se o que será quando num jogo se joga o destino de uma época.
É óbvio que o jogo não teria esta importância se o Benfica não tivesse, como lhe competia, perdido cinco pontos em Guimarães e em Coimbra, nas partidas que antecederam o confronto com o Porto. Dando de barato que o jogo contra o Porto é sempre um jogo de resultado aleatório – o que, de resto, está a deixar de ser, pelo menos na Luz, onde o Porto tem ganho com inusitada frequência -, fica sempre por justificar o duplo desaire nos dois jogos anteriores.
De facto, se o Benfica amanhã for eliminado, não será de estranhar que um descalabro de consequências para já incalculáveis se abata sobre a equipa no que falta disputar das provas domésticas onde ainda se encontra.
Tendo em conta que na Luz a defesa do Benfica tem sido a pior dos últimos cinquenta anos, permitindo golos a todas as esquipas, excepto ao Sporting, não será de esperar nada de substancialmente diferente no jogo de amanhã.  Esse score tão negativo já deveria ter merecido dos responsáveis técnicos uma análise cuidada, tanto mais que no futebol as coincidências têm limites. Pela análise detalhada de todos os golos sofridos já teria sido possível compreender onde está erro e tentar remediá-lo.
A equipa técnica não o fez até hoje e já não será para o jogo de amanhã que o vai fazer. Uma coisa é certa, independentemente de uma análise muito mais pormenorizada do que está acontecer, nos últimos jogos Luisão tem estado a “anos-luz” daquilo que tem feito noutras épocas e até nesta época. A causa primeira parece ser uma muito deficiente condição física que não tem deixado de se agravar depois da lesão que sofreu aqui há umas semanas. E, com todo o respeito por Luisão, que tem ao longo de muitas épocas sido o verdadeiro patrão defesa benfiquista e um jogador profissionalmente empenhado, a verdade é que Luisão sem condição física tem a agilidade e o desembaraço de um velho, como ainda no último jogo conta o Porto se viu.
Portanto, a primeira coisa que a equipa técnica deveria fazer, par o jogo de amanhã, era, dada a incapacidade de Garay, substituir a habitual dupla de centrais por Jardel e Miguel Vítor, dois rapazes novos, com muita força e outra tanta vontade de jogar, já que não parece nada provável que Luisão esteja minimamente em condições de “parar” Kerzhakov, Shirokov & C.ª. Aliás, a ausência de Garay, dificilmente pode deixar de ser imputada à equipa técnica que o pôs a jogar contra o Porto, apesar de lesionado.
Por outro lado, sem Aimar, castigado e lesionado, o desenvolvimento do jogo do Benfica contra uma equipa como o Zénite vai constituir outro problema já que não se vê quem no actual plantel possa desempenhar o seu papel. Provavelmente, jogará Witsel (que também tem vindo a descer de forma), com Nolito ou Bruno César de um lado e Gaitan do outro, e Cardozo e Rodrigo na frente.
Além dos centrais, Emerson continuará a ser um problema. Mas é preciso não crucificar o jogador. A sua situação agravou-se nos últimos tempos pelo mal geral que afecta a equipa: deficiente condição física. E este mal, por óbvias razões, afecta mais a prestação de Emerson do que a dos restantes, sem prejuízo do que se disse a propósito de Luisão.
Para concluir: o Benfica tem no jogo de amanhã tudo a perder e pouco a ganhar. O que tem a ganhar, se amanhã ganhar, só lá para o fim de Março se verá…

SPORTING AGUENTA O QUARTO LUGAR



DERROTA DO MARÍTIMO EM GUIMARÃES
V. Setúbal vs Sporting (António Cotrim/Lusa)
 O Sporting, que recebeu um grande alento na sexta-feira, com a derrota do Benfica em casa contra o Porto, não conseguiu, mesmo assim, evitar a derrota em Setúbal.  
Para os sportinguistas, a perda de oito pontos pelo Benfica em três jogos consecutivos, já representava uma grande vitória, tanto mais que tinham quase por certo a vitória em Setúbal e a continuação do descalabro benfiquista.
O primeiro pressuposto, infelizmente para os sportinguistas, não se verificou. Na linha das fracas exibições que a equipa vem fazendo com Sá Pinto, o Sporting repetiu em Setúbal aquilo que tem sido a sua prestação nos jogos anteriores. Com a diferença de, desta vez, ter saído derrotado, como aliás poderia ter saído de todos os anteriores confrontos realizados sob o comando do novo treinador.
Ontem, o Sporting fez uma péssima primeira parte e na segunda não melhorou praticamente nada, tanto mais que, com excepção da grande penalidade de que beneficiou, não contou com outra oportunidade de golo.
Com esta vitória por 1-0, o Setúbal dá um passo importante no sentido da manutenção. Mas ainda há um largo caminho a percorrer, embora seja óbvio que a equipa, competitivamente, melhorou muito com a chegada de José Mota.
O Sporting, apesar da derrota, conseguiu aguentar-se no quarto lugar, porque o Marítimo perdeu em Guimarães que, assim, se consolida na sexta posição.
No sábado, antes do jogo do Sporting, o Braga manifestou mais uma vez a sua classe e a excelente forma em que se encontra, vencendo na Madeira o Nacional por 3-1, depois de ter estado a perder.
Com mais esta vitória fora, o Braga perfila-se como um dos grandes candidatos ao título, apesar dos jogos muito difíceis que tem pela frente. Mas tudo vai depender do jogo contra o Porto. Se o Braga ganhar, é de admitir que seja campeão… a menos que algo de anormal se passe. Como já dissemos, o Benfica não irá muito provavelmente constituir um obstáculo à caminhada dos bracarenses, já que há todas as razões para supor que o descalabro benfiquista vai continuar.
Entretanto, nos outros jogos, o Beira-Mar continua a afundar-se e o Paços de Ferreira a distanciar-se da zona de despromoção.
Comentando os jogos, na SIC N, Rui Santos não cabe em si de contente com a derrota do Benfica e no seu estilo intriguista, provocador e sectário vai espalhando veneno, embora em doses porventura letais, apenas para atrasados mentais.  

ADITAMENTO

Revistos alguns dos lances a que Rui Santos se referiu, nomeadamente a falta que antecede o segundo golo do Benfica, não poderá deixar de dizer-se que o comentador da SIC falseia sem pudor a realidade. Numa jogada insusceptível de um juízo de ciência, mas antes sujeita a um juízo de valor, o dito comentador optou pela única conclusão que não colhe qualquer consenso.

Quando alguém qualifica categoricamente um lance de futebol sem avisar o leitor, ouvinte ou espectador, que está fazendo uma interpretação valorativa antes deixando subentendido que está a formular um juízo de ciência - como acontece quando a bola sai ou não fora do campo, entra ou não na baliza, o jogador está ou não em jogo -  esse alguém está tentando vigarizar quem o lê, ouve ou vê.

Os meio de comunicação social não deveriam admitir gente desta nas suas fileiras, sob pena de com ela serem confundidos.

sábado, 3 de março de 2012

O BENFICA PORTO REVISTO A FRIO

ANÁLISE DA DERROTA DO BENFICA
Dragões vencem na Luz e isolam-se na liderança


Quem reviu ou puder rever todo o jogo, de princípio a fim, inclusive as imagens iniciais da entrada das equipas em campo, não pode deixar de notar que o semblante dos jogadores do Benfica era de grande apreensão. Contraídos, com um rictus facial tenso denotador de preocupação excessiva. Não era excesso de concentração, nem sequer concentração devida, era muito mais o espelho de uma excessiva preocupação que disfarçava falta de confiança.

O mesmo se diga do treinador jorge Jesus que manteve praticamente desde início essa mesma atitude. A sua tradicional exuberância gesticular foi substituída, salvo em duas ocasiões, por um indisfarçável receio do que poderia vir a acontecer.

Contrariamente a Vítor Pereira que manteve do princípio ao fim do jogo, mesmo quando estava a perder, uma concentração confiante e optimista que se lhe via no rosto. O mesmo se pode dizer dos jogadores do Porto que nunca demonstraram nas imagens iniciais, nem depois, qualquer tipo de falsa concentração que os inibisse de jogar para ganhar. Com excepção de Rolando e Maicon, talvez por saberem que têm o lugar em risco ou que estão permanente sob exame, todos os demais abordaram o jogo com grande confiança – uma confiança que esta época lhes tem por vezes faltado contra equipas incomparavelmente mais fracas.

Esta diferente atitude psicológica dos dois treinadores é decisiva para o estado de espírito das respectivas equipas. Prova de que Jesus estava com medo são as estúpidas considerações que na véspera do jogo teceu sobre os reforços de Inverno do Porto. São próprias de um homem que está sob tão forte pressão, da qual não consegue libertar-se, que sente necessidade de procurar escapes noutros domínios por mais tontos e sem sentido que esses domínios sejam.

Jesus é num certo sentido uma personalidade bipolar: oscila entre fases de despropositado triunfalismo que o torna eufórico e arrogante e outras de profunda depressão, como ontem à noite, por ele tão difíceis de as aceitar quanto por mais incompreensíveis as tem.

É claro que isto se transmite à equipa. Ou seja, ele não sabe nem é capaz de transmitir à equipa o estado de espírito de que ela necessita em cada momento. Transmite-lhe euforia quando deveria proporcionar-lhe contenção e responsabilidade competitiva e propaga-lhe depressão e receio quando lhe deveria induzir confiança e certeza na vitória.

Dito isto, a primeira conclusão que se retira, depois de revisto, a frio, o jogo, é a de que o Porto ganhou bem. Foi quase sempre a melhor equipa em campo. Mais perigosa, mais confiante e mais criativa.

A segunda conclusão é a de que uma das causas da vitória do Porto está na sua muito melhor condição física. Quem está de fora não sabe se a condição física provém da confiança ou se é a confiança que resulta da condição física. Mas do que não pode haver dúvidas é que o Porto esteve sempre muito melhor fisicamente do que o Benfica. Tal como o ano passado, o Benfica estourou no momento crucial da época.

Há jogadores no Benfica que estão num estado deplorável e que, por isso, não deveriam ter jogado. Um deles é Luisão que não podia com as pernas. Não se pode exigir a um jogador com a sua compleição física que esteja a cem por cento num decisivo Benfica-Porto quando um dia ou dois antes do jogo andou em viagens e em concentração da selecção do Brasil. Garay, embora com outra capacidade física, também se ressentiu. Gaitan não joga nada há vários jogos e Jesus insiste em pô-lo a jogar. Porquê? Mistérios … que deveriam ser desvendados. Tanto mais que Gaitan, mesmo em forma, não tem futebol para mais de uma hora. Javi Garcia regressou, mas jogou mais com o físico de com os pés …na bola. Witsel, apesar da sua juventude, também se ressentiu do jogo de quarta-feira bem com Maxi, embora este menos. Artur, aparentemente mal batido no primeiro golo – um grande golo a mais de cem à hora – esteve muito mal no terceiro golo. Artur tem dado muitos pontos ao Benfica durante a época, mas quando os benfiquistas precisavam que ele fosse apenas regular tem estado aquém das necessidades. Rodrigo, por último,  nunca mais foi o mesmo depois da pancada que Bruno Alves lhe deu em S. Petersburgo.

Os jogadores do Porto, pelo contrário, mesmo os que jogaram na quarta-feira ou na terça fizeram todos um grande jogo com destaque para o incomparável James Rodriguez, uma pérola.

E isto demonstra também que mais uma vez a esperteza saloia de Jesus se virou contra ele. A marcação do jogo para sexta-feira acabou por ser fatal para o Benfica.

Finalmente o árbitro. É verdade que Pedro Proença fez várias "sacanices" como de resto tem feito na dezena de jogos em que já apitou as duas equipas sempre com prejuízo para o Benfica. O Benfica deveria ter recusado o árbitro quaisquer que fossem as consequências. Nem que perdesse o jogo na secretaria. Por uma razão muito simples: é que tanto o Benfica como Proença estão profundamente condicionados um pelo outro. Falar no fim não adianta nada.

Os erros inadmissíveis da equipa de arbitragem estão na validação do terceiro golo do Porto – de facto, só não viu quem não quis – e na expulsão de Emerson. Inacreditável! Nenhum dos cartões é devido. Nem mesmo o segundo. A jogada, apesar de faltosa, não é violenta nem prometedora, já que um segundo jogador do Benfica ficaria ou cortaria a bola logo a seguir. Foi uma expulsão maldosa e intencional de Proença. Mas há mais: na primeira parte cortou, com base numa pretensa falta de Witsel sobre Moutinho, um contra-ataque perigoso do Benfica enquanto na segunda, numa jogada exactamente igual, desta vez contacto de Maicon sobre Witsel, deixou jogar, dela resultando o segundo golo do Porto.

Os demais lances de decisão complicada - mão na área de um defesa portista no remate que antecedeu o primeiro golo de Cardozo; mão de Maicon dentra da área em dispauta de bola com Nolito; braço de Cardozo na área do Benfica - são aceitáveis nos termos em que foram decididos.

Disciplinarmente, Maxi deveria ter sido punido no fim do jogo e Maicon e Gaitan a meio da segunda parte, aliás, na sequência de uma jogada em que deveria ter sido marcado falta, sobre a área do Porto, por entrada de Maicon à bola e às pernas do argentino . 
Uma coisa é porém certa: com ou sem as ”sacanices”de Proença, o Porto, jogando como jogou, teria sido sempre melhor do que o Benfica, tivesse ou não ganho.

Para o Benfica o pior está para vir. Um descalabro como o do ano passado é perfeitamente possível. E não parece que Jesus esteja à altura de o evitar…

sexta-feira, 2 de março de 2012

COMO SE PREVIA, O BENFICA PERDEU



O PORTO SERÁ CAMPEÃO

Este jogo marca definitivamente o fim do mito Jesus no Benfica. Jesus é manifestamente um homem pouco inteligente, pouco ou nada instruído, triunfalista quando deveria ser moderado, e sem categoria para treinar um plantel como aquele que o Benfica tem este ano.

Três derrotas em quatro jogos, nenhuma vitória e oito pontos perdidos para o campeonato é um recorde difícil de bater em qualquer equipa que luta pelo título em qualquer parte do mundo.

A estupidez de Jesus, como aqui se referiu ainda ontem, chega ao ponto de se estar a pronunciar sobre as aquisições de Janeiro do Porto, em vez de falar sobre a sua equipa, como lhe competia.

Não adianta estar a falar de arbitragens. Proença tem pouca categoria, já se sabe, é pressionável, mas tanto o Benfica como o Porto têm de estar acima dessas contingências.
O que conta é derrota em casa por 3-2!
Agora só resta ao Benfica lutar pelo segundo lugar, o que está longe, muito longe, de estar garantido. O campeonato está perdido e o mais provável é que o Benfica continue a perder pontos até ao fim.

Falta ainda dizer que Emerson tem causado este ano diversos problemas ao Benfica pelos quais o jogador não é responsável. O Benfica tem no plantel um campeão da Europa e do Mundo para o lugar de lateral esquerdo,  que Jesus por estupidez, teimosia ou por outro motivo ainda pior e inconfessável se recusa a pôr a jogar.

Terça-feira o Benfica tem a sua prova definitiva e Jesus ou será imediatamente despedido ou ficará apenas até ao fim da época. Se o Benfica for eliminado, como muito provavelmente acontecerá, Jesus não tem condições para continuar. Se passar o Zénite, a derrota contra o Porto não será esquecida, bem como a perda do campeonato na Luz, e, portanto, no fim da época terá igualmente de se ir embora.

Chega de Jesus no Benfica!

O EMPATE DA SELECÇÃO NA POLÓNIA





ATÉ ONDE PODE CHEGAR A SELECÇÃO?
Numa semana de jogos internacionais particulares, a selecção portuguesa de futebol foi a Varsóvia defrontar a sua congénere polaca na inauguração do Estádio Nacional polaco que servirá de palco à abertura do Euro 2012.
Praticamente na sua máxima força, a selecção portuguesa começou bem o jogo contra os polacos e até poderia, por mais de uma vez, ter-se adiantado no marcador se não fosse o egoísmo de Nani e também de Ronaldo.
Nani e Ronaldo, juntamente com Fábio Coentrão, são as grandes estrelas da selecção. Ronaldo tem até por ambição ganhar o próximo campeonato da Europa. Uma ambição muito dificilmente concretizável.
Primeiro, porque Ronaldo não tem na selecção portuguesa os mesmos jogadores que no Real Madrid ou no Manchester lhe permitem ou permitiram fazer grandes exibições; e depois, porque tanto ele como Nani, principalmente Nani, revelam uma sede de protagonismo que, em equipas sem os recursos das equipas onde normalmente jogam, acaba por lhes ser fatal.
Uma selecção como a portuguesa, que é uma equipa da média alta do futebol europeu, não pode desperdiçar por egoísmo ou ineficácia as oportunidades que o jogo lhe proporciona. Desperdiçando estas, dificilmente aparecerão outras.
Foi o que se passou na primeira parte do jogo contra a Polónia. O ponta de lança da selecção, no caso Hugo Almeida, poderia ter marcado se tivesse havido menos individualismo.
E a equipa portuguesa só não perdeu, porque a Polónia que desfrutou de excelentes ocasiões no fim do jogo, e também no fim da primeira parte, as desperdiçou igualmente ou porque encontrou em Rui Patrício um obstáculo intransponível, o que nem sempre é exigível que aconteça.
Daí que o 0-0 seja um resultado aceitável.
Quanto ao resto, a equipa revelou as habituais fragilidades defensivas, agravadas pela lesão de Coentrão logo no princípio do jogo. João Pereira está longe de corresponder às exigências da selecção, mas Paulo Bento insiste por teimosia ou por ausência de soluções alternativas. Coentrão também não tem do lado esquerdo substituto à altura, como se viu.

No centro da defesa não houve desta vez agressões, o que já é positivo, mas nada garante tanto Bruno Alves como Pepe, principalmente este, não percam a cabeça à menor contrariedade. O que constituiria sempre um problema porque também não há hoje substitutos à altura. Rolando, embora num outro estilo, também comete muitas faltas, principalmente pela frequência com que joga a bola com a mão.
No meio do campo, poderá juntar-se aos que jogaram Carlos Martins e, eventualmente, Hugo Viana, que continua a fazer em Braga grandes exibições, apesar de aparentemente não fazer parte das escolhas de Paulo Bento.
Foi positiva a chamada à selecção de Nelson Oliveira, uma grande promessa do futebol português, praticamente ignorado no Benfica de Jesus.
Na baliza Rui Patrício esteve bem, muito bem até, sem desta vez manifestar o mais leve sinal de intranquilidade, circunstância que noutras ocasiões lhe tem valido exibições irregulares, misturando o óptimo com o mau.
Uma coisa é certa: somente uma selecção muito rigorosa, jogando nos limites da sua competência, poderá aspirar a uma passagem aos quartos de final num grupo que integra a Alemanha, a Holanda e a Dinamarca.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O TREINADOR DO BENFICA NÃO APRENDE



QUEM NÃO APRENDE O QUE É?
«Lucho não melhorou muito o FC Porto» (SAPO)
 Jesus não aprende nada com as derrotas passadas nem com o efeito da sua desordenada e mal concebida verborreia. Quem tem na língua portuguesa um adversário de respeito, deveria antes de mais aprender a contornar esse obstáculo em vez de lhe tentar fazer frente com os poucos recursos de que dispõe.
Jesus exprime com muita dificuldade uma ideia. Há quem diga que ele pensa, logo que tem ideias, só que não sabe exprimi-las. Mesmo aceitando como válida uma explicação que está longe de o ser, ela, a ser aceite, só deveria fazer com que as declarações do treinador do Benfica fossem muito mais cuidadas e preparadas por quem sabe. Se não é exigível que relativamente a ele lhe metam na mão um papel escrito sempre que tem de falar, como passaram a fazer com o presidente, além do mais porque haveria sempre o problema da leitura, já seria perfeitamente concebível que as suas intervenções, pelo menos as que se referem aos grandes jogos, fossem preparadas em colaboração com o assessor de imprensa do clube.
Jesus foi o ano passado humilhado por duas vezes na Luz pelo Futebol Clube do Porto – e com ele todos os benfiquistas – em condições difíceis de esquecer – vitória do campeonato na Luz e eliminação da Taça de Portugal, depois da vitória por 2-0 no Porto – logo, mandaria a prudência, ainda por cima tendo em conta o que se passou nos últimos três jogos do Benfica, que no lançamento de jogo de amanhã só falasse do seu clube e não estivesse a mandar palpites sobre a mais-valia ou a menos valia dos jogadores contratados pelo Porto no mercado de Janeiro. Porque Jesus não está livre que qualquer um dos dois jogadores por ele referidos – Lucho e Janko - lhe "afinfem" dois golos no jogo de amanhã.
Depois da asneira que foi a marcação do jogo com o Porto para dois dias depois do jogo da selecção, seguramente baseada na convicção de que o jogo se disputaria com uma considerável diferença pontual favorável ao Benfica, o que Jesus deveria agora fazer era ser muito prudente e abordar o jogo de amanhã com todas as cautelas. Mas não, continua na mesma…

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O BENFICA EM QUEDA LIVRE



IMINÊNCIA DE DERROTA EM TODAS AS FRENTES


Académica v Benfica Liga Zon Sagres J20 2011/2012


O Benfica está em queda livre. No plano interno, em duas deslocações, a Guimarães e a Coimbra, perdeu a vantagem que a perda de pontos do Porto lhe havia proporcionado. No plano externo, a derrota de S. Petersburgo não augura nada de muito positivo no jogo da segunda eliminatória.

As causas desta queda livre do Benfica têm de ser exclusivamente imputadas ao treinador. Logo que o Benfica se destacou do Porto e realizou algumas exibições contra adversários menores, muito enaltecidas por alguma crítica, o triunfalismo de Jesus passou a ser evidente.

Impreparado para conviver com o êxito, Jesus toma com muita facilidade a nuvem por Juno, e inicia de imediato um discurso que, além de galvanizar os adversários, acaba também por retirar concentração competitiva à equipa.

Ser vencedor ao mais alto nível implica ter os jogadores em permanente estado de tensão, em fazer-lhes perceber que se pode perder muito rapidamente o que se alcançou se o próximo jogo não for encarado ainda com mais espírito competitivo que o anterior.

Quando Jesus exultava com os feitos do Benfica e exibia, mais por atitudes do que por palavras, um triunfalismo inaceitável e contraproducente, estava, sem o saber, a desmobilizar a equipa.

Um treinador tem de estar permanentemente preocupado com o próximo jogo por mais importante que tenha sido a vitória acabada de alcançar. Não foi essa a mensagem que o treinador passou. E o resultado viu-se.

Pode dizer-se que em Coimbra o Benfica teve algum azar, já que em condições normais a exibição teria sido suficiente para assegurar a vitória. Pode ser que tenha havido algum azar. Mas já não é uma questão de azar que este “azar” tenha acontecido depois de duas derrotas.

Agora o Benfica vai ter de jogar tudo no próximo jogo contra o Porto. Que, ao contrário do que diz Jesus, é para o Benfica um jogo decisivo. Se perder, perderá a Liga. Aliás, as hipóteses de derrota são maiores do que as de vitória. O Porto, curiosamente, apesar de goleado na Liga Europa, chega à Luz psicologicamente mais forte do que o Benfica. É que o Benfica, por força do tal triunfalismo acima referido, já tinha a vitória no campeonato como “favas contadas” e está agora a jogar contra a decepção de o recear perdido. Depois de recuperados cinco pontos em dois jogos (é obra!) e com a lembrança do ano passado a pesar na cabeça dos jogadores benfiquistas, o Porto é um sério candidato à vitória.

Quanto ao resto, o Braga espreita ainda a possibilidade de ser campeão – facto que não depende de terceiros – enquanto o Sporting mantém com o Marítimo uma luta acesa pelo quarto lugar.

O grande clássico Benfica-Porto, na sexta-feira, dois dias depois dos jogos das selecções, é mais uma asneira de Jesus, apenas explicável por à data da sua marcação o treinador do Benfica ter contado com uma diferença pontual de, pelo menos, cinco pontos. Ou seja, mais uma manifestação do tal triunfalismo de que falámos.

Os próximos oito dias são decisivos para o Benfica e para Jorge Jesus. Mais para o Benfica que tem muito mais a perder do que para o treinador, a quem mais duas derrotas só poderiam fazer bem…Supondo que ele ainda está em idade de aprender

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

SPORTING APURADO NA LIGA EUROPA


BRAGA ELIMINADO
Matías Fernandéz abriu a porta dos "oitavos"



Num jogo muito sofrido contra uma equipa fraca, mas muito aguerrida, o Sporting ganhou ao Legia de Varsóvia por 1-0, tendo o golo sido marcado na fase do jogo em que mais dificuldades estava a sentir.

Duas notas sobre a equipa do Sporting: primeira sobre a arbitragem; a segunda sobre a condição física.

Mais uma vez o Sporting teve a sorte de contar com uma arbitragem simpática. Na primeira parte, Polga cortou a bola com a mão dentro da área e o árbitro nada assinalou; na segunda parte, João Pereira derrubou um adversário dentro ou fora da área (pareceu dentro) e o árbitro que poderia ter tomado a decisão mais desfavorável, acabou concedendo o livre sobre a linha.

Situações como esta têm acontecido vezes sem conta ao Sporting esta época, bem como em épocas anteriores. Decisões que tomadas noutro sentido poderiam ter mudado completamente a sorte do jogo.

A outra questão que parece não preocupar os sportinguistas é a quantidade de lesões musculares que afecta a equipa, facto que obviamente tem a ver com a natureza da preparação física ministrada. Desta vez três jogadores tiveram de sair por falta de condição física e o próprio Rui Patrício chegou a ameaçar claudicar numa altura em que já não havia a possibilidade de substituição.

O Sporting acabou ganhando o jogo num livre, marcado por Matias Fernandez, fazendo o  golo que tranquilizou a equipa. O golo que os polacos não foram capazes de marcar.

Que não haja ilusões, todavia. O Sporting está muito longe de ter uma boa equipa, embora seja uma equipa muito voluntariosa e batalhadora. Mas tudo, de um momento para o outro, pode cair se encontrar um adversário valioso que naturalmente o derrote.

Na Turquia, o Braga não resistiu à derrota de há oito dias em casa por 2-0 e acabou sendo eliminado, não obstante a vitória de hoje em Istambul por 1-0. O Besiktas segue em frente.

PORTO GOLEADO EM MANCHESTER



A FRUSTRAÇÃO DE UMA ÉPOCA

O Porto somou a décima sexta derrota na Inglaterra, onde nunca ganhou para uma competição europeia, maldição que se estende ao próprio Pais de Gales no qual o Porto também já foi eliminado pelo Wrexham, na época 1984/85, que hoje milita naquilo a que se poderá chamar a quinta divisão inglesa e que naquela época competia numa divisão inferior.

Esta derrota por 4-0 e a consequente eliminação, depois do afastamento da Champions League, não deixa de constituir um rude golpe desportivo e financeiro para a equipa da Antas que este ano acalentava esperanças de poder disputar com pretensões a prova máxima do futebol europeu.

Com uma equipa praticamente igual à do ano passado, menos Falcao, mas com Iturbe, anunciado pelos responsáveis do Porto como um novo Messi, e sem Villas-Boas, o Porto nunca se conseguiu encontrar como equipa, apesar de no Campeonato manter intactas as possibilidades de vitória.

A enorme legião de comentadores, oficiais e oficiosos, afectos ao Porto passou a época a “chorar” por Falcao tal como há dois anos passara todo o campeonato a carpir a ausência de Lucho, o que não deixa de ser um modo sombrio e até doentio de encarar o futebol moderno, que, como se sabe, não se compadece com esses sentimentalismos. Aliás, Pinto da Costa dizia o ano passado, quando comemorava com auto-suficiência as vitórias da época, que tinha no plantel substitutos para todos os que tinham jogado com mais regularidade, excepto para Hulk.

Ontem, o Porto, além de perder, foi também goleado, o que de resto não é a primeira vez que sucede na Inglaterra. E não deixa de ser ridículo que perante uma tão grande diferença exibicional entre as duas equipas, traduzida numa eficácia de competência, alguns responsáveis do Porto e comentadores continuem a afirmar que o Porto até não jogou mal, só que não soube… (fazer isto ou aquilo).

De facto, não foi nada disso o que se passou. Tanto no Porto como em Manchester, o City foi sempre muito mais equipa em todos os domínios, essa a razão por que venceu a eliminatória por 6-1!

Com esta derrota fica também manchada a famosa competência técnica de Pinto da Costa, responsabilizado pelos adeptos pelas escolhas desastrosas e arrogantes em matéria de equipa técnica, considerada culpada pela má época europeia do Porto.

Mas, a ser assim, fica também demonstrado que afinal a “estrutura” do Porto não é aquela tal máquina oleada capaz de suportar qualquer andamento. Pelo contrário, o que a presente época do Porto revela é que nenhuma destas grandes equipas dos pequenos países tem condições para manter, contrariados, os grandes jogadores que aspiram, depois das vitórias alcançadas, por grandes contratos nas equipas ricas do futebol europeu.

O Porto de há uns anos, constituído por um núcleo forte de jogadores portugueses, muitos deles da área geográfica do clube, ainda poderia ter a pretensão de manter a equipa coesa face à “ameaça” externa. Mas hoje tudo mudou. Mais correctamente: tudo começou mudar na segunda época de Mourinho no Porto. É nessa altura que se altera definitivamente a “estrutura” do plantel do Porto. Os jogadores ou são estrangeiros ou, se são portugueses, são do sul, não tendo sequer alguns deles qualquer problema em não se identificarem afectivamente com o clube.

Ainda está para se saber como vai o Porto “digerir” esta mudança. Para uma equipa que assentou, pelo menos desde que Pinto da Costa lá está (há décadas), no “bairrismo” agressivo e xenófobo a sua força, que sentido faz para um colombiano ou peruano esta conversa? Ou seja, o Porto também vai ter de se reconverter. Vai ter de ser um clube igual aos outros. O que se está a passar este ano é uma boa ajuda…

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O BENFICA EM QUEBRA



RESISTIRÁ O BENFICA AO INVERNO?
Aimar entre Leonel Olímpio e Paulo Sérgio (foto AP)



Depois da derrota em S. Petersburgo, contra o Zénite, em condições que logo levantaram dúvidas quanto à real capacidade da equipa no presente momento da época, o Benfica voltou a claudicar, desta vez no Campeonato Nacional, perdendo em Guimarães por 1-0.

Já não a primeira vez que a equipa comandada por Jorge Jesus soçobra no momento crucial da época. Sucedeu assim o ano passado: depois de um começo para esquecer, o Benfica reequilibrou-se, mas voltou a cair na parte decisiva da época. E mesmo no ano em que foi campeão com Jesus ninguém poderá esquecer o desastre de Anfield Road, ocorrido num período em que o Liverpool já tinha mergulhado na crise em que ainda se encontra.

Mas se no ano passado ainda poderia haver uma pequena justificação para o que sucedeu, dada a exiguidade do plantel e a ausência de grandes nomes no banco, coisa que este ano não poderá servir de desculpa já que o Benfica reuniu na sua equipa um dos melhores planteis da sua história centenária.

Há quem fale na ausência de Javi Garcia para justificar as derrotas e até diga que as três derrotas oficiais do Benfica aconteceram em jogos em que o espanhol não jogou. Por maiores que sejam os méritos de Javi, e certamente são pelo extraordinário equilíbrio que assegura à equipa, nenhum conjunto poderá ficar prisioneiro da ausência de um jogador.

O problema tem mais a ver com a situação em que a equipa se encontra: a incapacidade demonstrada nos dois últimos jogos de criar verdadeiras oportunidades de golo e a fragilidade defensiva. Na Rússia os golos marcados foram mais demérito do adversário, nomeadamente do guarda-redes, do que mérito do Benfica. E os golos sofridos, com excepção de um, foram nos dois jogos resultantes de erros defensivos.

Nos próximos três jogos se decidirá o futuro do Benfica este ano nas provas em que ainda está e que  verdadeiramente interessam: o campeonato e a Liga dos Campeões. Os jogos de Coimbra e contra o Porto na Luz serão decisivos. Um Benfica normal, sem quebras, tinha todas as condições para levar de vencida os dois encontros. A Académica há muito entrou em crise e o Porto, não obstante o ambiente dos grandes jogos, continua muito longe da equipa que foi o ano passado, como nestes últimos oito dias se viu nos jogos contra o City e contra o Setúbal.

Na Liga dos Campeões, se é certo que ninguém poderá exigir ao Benfica que vença todos os encontros, também não é aceitável que seja eliminado pelo Zénite de S. Petersburgo, cuja equipa é inferior. Mas vai ser muito difícil ao Benfica superar na Luz a desvantagem contra a equipa treinada por Spalletti.

Depois da derrota do Benfica, Porto e Braga ficaram mais perto. E o Sporting mais feliz, já que o grau de felicidade de uma grande parte os seus adeptos não se mede pelas vitórias da sua equipa, mas pelas derrotas do Benfica (ver, por exemplo, a efusiva alegria do inconfundível E. Barroso).

A propósito: o Sporting continua apostado em fazer da arbitragem o bode expiatório dos seus inúmeros desaires. Depois do que se tem passado este ano, depois inclusive da forma como a equipa assegurou a presença na final da Taça de Portugal, não deixa de ser caricato e totalmente desprovido de pudor o longo protesto enviado à comissão de arbitragem após o jogo contra o Paços de Ferreira.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

BENFICA PERDE EM S. PETERSBURGO



DERROTA COMPROMETEDORA
Shirókov corrige a Zhevnov en medio del intenso frío


Num tereno impróprio para a prática do futebol, o Benfica perdeu em S. Petersburgo, contra o Zenit, por 3-2.

A invocação do estado do terreno, igual para as duas equipas, não serve obviamente de desculpa, mas é inaceitável que a UEFA tão frequentemente exigente a despropósito permita que uma das provas máximas do calendário futebolístico mundial se possa jogar num campo sem relva. Não é somente a temperatura exterior que é inaceitável para a prática do futebol, é também o pretenso relvado - uma vergonha.

Se a UEFA quer manter os jogos na Rússia e noutros países em Fevereiro terá de alterar os regulamentos e exiir que tais jogos se realizem em recintos fechados e em relava artificial. Assim, como se jogou hoje, não é admissível.

Mas sabe-se como é o futebol internacional. Sabe-se como actuam a FIFA e a UEFA. O que não se sabe nem se compreende é por que tanto uma como outra podem actuar com tanta impunidade.

Mas vamos ao jogo. Desde o início ficou claro que o Benfica iria privilegiar um tipo de jogo – futebol directo e muito físico – que nada tem a ver com o modo como habitualmente joga. O Zenit, pelo contrário, manteve o seu estilo habitual. Começou rápido e aproximou-se da área do Benfica várias vezes com relativa facilidade. O Benfica não conseguia ligar o jogo. Na frente, Cardozo e Rodrigo não conseguiam segurar a bola e Bruno César também não estava a ser o jogador que o Benfica precisava. Apenas Gaitan ia dando sinais da sua classe em jogadas individuais.

Quando o jogo parecia assentar, uma entrada brutal de Bruno Alves – um verdadeiro animal – colocou Rodrigo fora do campo, provavelmente com uma lesão grave. Quase a pedido, o árbitro deu-lhe o amarelo, quando pura e simplesmente o deveria ter expulsado. Na RTP, o incrível Tadeia não tem uma palavra sobre a entrada assassina do ex-jogador do Porto. Apenas finge apenas preocupação com a lesão de Rodrigo. O brasileiro ainda regressou, inferiorizado, mas apenas para dar tempo a Aimar de fazer um aquecimento conveniente.

Com a entrada de Aimar o jogo do Benfica até melhorou. Passou a haver ordem no meio campo e outra ligação entre os sectores.

E é na sequência de uma falta marcada por Cardozo que o Benfica marcou o primeiro golo, por intermédio de Maxi Pereira. O guarda-redes russo defendeu para a frente e Maxi, mais rápido, fez a recarga vitoriosa.

O Zenit reagiu logo a seguir em força. Pressionou de imediato o Benfica e numa boa jogada de ataque empatou com um bom golo, num remate de primeira de Shirokov que não deixou tempo de reacção a Artur.

Após o golo, a pressão do Zenit abrandou, mas o Benfica não se prevaleceu desse abrandamento. O empate servia e assim se foi para o intervalo.

Além do que já foi dito, notou-se alguma dificuldade em Luisão se adaptar às condições do jogo, contrariamente a Garay e Maxi que estiveram sempre em grande nível, principalmente Maxi que fez uma excelente primeira parte.

No segundo tempo o Benfica equilibrou o jogo e até deu a sensação de que tudo poderia terminar num empate a um golo. Mas eis que numa brilhante jogada o Zenit marca o segundo aos 71 minutos por Semak. E o pior esteve para acontecer logo a seguir: por muito pouco o Zenit não voltou a marcar logo a seguir.

Entretanto, numa jogada inofensiva – uma disputa de bola aérea perto da área – Aimar é punido com um amarelo e falha o segundo jogo, na Luz. O árbitro, brando com Bruno Alves, foi agora excessivamente rigoroso com Aimar, que aparentemente nada fez para merecer o amarelo. Até Tadeia concorda com esta observação…

Perto do fim do jogo, aos 88 minutos o Benfica empatou por intermédio de Cardozo. Mas quase não deu para festejar, já que no minuto seguinte Shirokov marca pela segunda vez, desfazendo a igualdade.

É a segunda derrota do Benfica esta época e a primeira na Liga dos Campeões. Aparentemente uma derrota por 3-2 fora de casa numa eliminatória não é grave. Marcar dois golos fora dá sempre alguma margem de recuperação. O pior é que o Benfica sofreu três golos em condições não muito aceitáveis, principalmente o primeiro e o terceiro e os dois que marcou eram perfeitamente evitáveis com outro guarda-redes. E é isso que leva a que o jogo da segunda volta tenha de ser encarado com alguma preocupação. O Zenit já demonstrou que sabe defender bem, como fez no Porto, e atacar com muita rapidez.

Com o empate a dois o Benfica teria a eliminatória praticamente garantida. Derrotado, nem que seja pela margem mínima, tudo se complica pelo diferente tipo de jogo que o Zenit irá pôr em prática na Luz, certamente muito diferente do que poria se tivesse empatado.