sexta-feira, 19 de agosto de 2011

MOURINHO INCENDEIA O FUTEBOL ESPANHOL




MOURINHO JOGA O SEU FUTURO ATÉ AO NATAL

Basta ler a imprensa espanhola e conhecer um pouco a psicologia colectiva do país vizinho para imediatamente se perceber que Mourinho está com a “cabeça a prémio”, jogando na presente temporada o destino do seu próximo futuro.

Antes de mais os espanhóis, como muitos outros povos, são ferozmente nacionalistas, capazes de cerrar fileiras contra o inimigo externo mesmo que internamente se mantenham disputas muito acesas, senão mesmo violentas.

Mourinho é considerado na Espanha um estrangeiro arrogante, que não se deixa subalternizar ou intimidar por viver em país alheio. A arrogância de Mourinho assenta na vitória. E vitória é coisa que Mourinho ainda não alcançou em Espanha, salvo a Copa do Rei, jogada no contexto de múltiplos jogos com o arqui-rival Barcelona do qual saiu derrotado nos demais.

Mais do que em qualquer outro país, Mourinho, em Espanha, depois da humilhante derrota por 5-0, assentou a sua estratégia num confronto verbal violento contra o Barcelona e contra diversos outros poderes do futebol espanhol, quebrando assim uma tradição do “madridismo” que sempre se orgulhou de construir a sua grandeza futebolística apenas e só dentro do campo de jogo.

Para estar completamente à vontade e sentir que a sua estratégia era levada à prática sem hesitações nem reticências, Mourinho, depois de convencer (?) Florentino Pérez que o seu caminho era o único que poderia travar a hegemonia do Barcelona, reclamou para si todo o poder, afastou Valdano e passou a ser ele a comandar toda a acção do Real Madrid tanto dentro como fora do campo numa manifestação de concentração de poder como antes nunca se tinha visto na história do Real Madrid.
Os sectores “intelectuais” do Real reagiram nos chamados jornais de referência a esta predominância de Mourinho, mas o presidente apoiado pelos “hinchas”, pela Marca e, o que parece, pelos jogadores, tem mantido a confiança em Mourinho na expectativa de que este seja o caminho certo para a vitória. Que a alcançar-se tudo desculparia…

Mourinho, “educado” no que há de pior no futebol português, incapaz de ganhar dentro do campo por mérito próprio ao grande Barcelona da actualidade, quis transportar para Espanha, ao serviço do Real Madrid, o clima de permanente guerrilha e de violência verbal que há vários anos existe em Portugal, de modo a criar na aficcion merengue e nos próprios jogadores um estado de espírito capaz de os convencer de que somente a luta contínua contra o inimigo externo poderá levar à vitória.

E então, desde a agressividade no campo, por vezes violência, à guerra verbal fora do campo, tudo lhe vai servindo para atingir os seus fins. Em conferências de imprensa cada vez mais patéticas, Mourinho tem aparecido como uma espécie de mórmon do Utah, fanático, que só vê pecado e devassidão fora da sua seita, contra os quais luta, numa pugna desigual, pela “virtude” que só ele incarna.

Acontece que a Espanha não é Portugal e apesar da fractura, por vezes violenta, da sociedade espanhola em múltiplos outros domínios, ela não se tem deixado instrumentalizar no futebol pelos métodos muito rudimentares de que Mourinho faz uso. Por várias razões: em primeiro lugar, porque Mourinho é estrangeiro, desagradando ao espanhol entrar numa guerra comandada por um estrangeiro; depois, porque há em Espanha a convicção generalizada, mesmo nas hostes do Real Madrid, de que o Barcelona tem uma grande equipa e o que os madridistas verdadeiramente queriam era a construção de uma equipa em Madrid que, pelo seu futebol, pudesse suplantar a de Barcelona e não uma guerra contra o poder de supostos inimigos externos…já que, por definição, o poder está com eles, no centro e não na periferia; finalmente, porque os espanhóis têm um orgulho desmedido na sua selecção, campeã da Europa e do Mundo, e o que menos pretendem é a criação de um clima de violência e de permanente crispação que possa levar à desagregação da selecção, maioritariamente constituída por jogadores do Madrid e do Barcelona.

Por todas estas razões, e mais ainda pelo passado do Real Madrid e o seu tradicional posicionamento no futebol espanhol, Mourinho vai ter poucas hipóteses, ou nenhumas, de ganhar os jogos fora do campo, pelo que começa a escassear o tempo que lhe resta para provar o que vale. Até ao Natal se definirá o seu futuro e, em grande medida, o seu futuro como treinador de mérito.

É muito provável que, para combater o clima que Mourinho está a tentar criar no futebol espanhol, muito rapidamente sejam tomadas medidas severas contra ele na sequência dos acontecimentos de quarta-feira passada. Medidas que, a acontecerem, Mourinho tentará mais uma vez aproveitar ao serviço da sua estratégia. Mas sem êxito, pois como já se viu, o caminho seguido por Mourinho não tem saída.
E isso também demonstra, como neste blogue sempre se tem defendido, que Mourinho não é assim tão inteligente quanto o fizeram. Se persistir na sua estúpida estratégia vai mesmo, mais tarde ou mais cedo, ter de regressar à base, que esse sim é o lugar do mundo onde melhor se poderá integrar e onde terá mestres à altura para colmatar as suas eventuais lacunas ou mesmo para tomarem a seu cargo o essencial do “jogo sujo” de que não prescindem para as suas actuações.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

MOURINHO DERROTADO NA SUPERCOPA ESPANHOLA


MESSI É ÚNICO
Messi sí que es único

Num jogo muito intenso, preparado tacticamente ao milímetro por Mourinho, o Real Madrid, apesar de ter estado melhor do que nos cinco jogos do ano passado contra o Barcelona, o mais que conseguiu foi marcar dois golos e criar algum suspense a nove minutos do fim.
Viu-se, mal o jogo começou, que Mourinho optou desta vez por uma pressão muito alta para tentar “matar” à nascença o jogo do Barça e simultaneamente fazer uma marcação cerrada a Xavi, o grande maestro do meio-campo, certamente por admitir que neutralizando-o acabaria por “secar” a fonte inspiradora da essência do jogo catalão.
Pressão alta, no estilo Mourinho, não significa jogar ao ataque; significa apenas defender ou destruir mais à frente. E foi isso o que Mourinho fez, apoiando-se sempre que possível no jogo violento de Pepe – um verdadeiro animal à solta nos campos de futebol. Tentando desorganizar o jogo do Barcelona na sua origem, Mourinho também acreditava tirar partido nas bolas transviadas por intermédio de Cristiano Ronaldo ou Benzema, ou até de Özil.
E assim aconteceu nos primeiros minutos de jogo a ponto de alguns terem ficado com a sensação de que estava encontrado o antídoto para o "tica-taca" do Barcelona. Puro engano: a pressão alta pressupõe dobragens eficazes e protecção sem falhas das costas da defesa. Na primeira oportunidade lá estava Messi a isolar com um passe longo Iniesta que fez golo. E a cena repetiu-se por várias vezes até ao último minuto de jogo só não tendo outras consequências porque na baliza do Real Madrid está um super guarda-redes - Casillas, capaz de ganhar a maior parte das disputas no um contra um.
Mesmo assim o Real sempre incomodou, tendo igualmente posto à prova a eficiência de Valdez (um portento a jogar com os pés), acabando por empatar com um golo de Cristiano Ronaldo aparentemente marcado em fora de jogo.  
Perto do fim da primeira parte, na sequência de um canto, Messi, a passe de calcanhar de Piqué, desembaraçou-se dos opositores merengues e fez de pé direito o 2-1 para o Real Madrid.
Na segunda parte o jogo perdeu qualidade. Percebeu-se que o Barcelona ainda está longe da forma física ideal, tendo por isso baixado propositadamente o ritmo de jogo.
Mourinho deixou Khedira, já com um cartão amarelo, no balneário e fez entrar no jogo Marcelo, para o lugar de Coentrão, que passou doravante a desempenhar a ingrata e infrutífera tarefa de marcar Messi. Via-se, porém, não obstante todas as cautelas de Mourinho, que a todo o momento Pedro ou Messi poderiam aparecer isolados frente a Casillas e fazer o 3-1, tanto mais que as tarefas agressivamente defensivas que Marcelo estava encarregado de desempenhar ficaram muito cedo prejudicadas com um entrado dura que lhe mereceu o cartão amarelo.
Apesar da intensidade do jogo e quando já se esperava a vitória do Barcelona, o Real Madrid por Benzema empatou a nove minutos do fim na sequência de uma série de ressaltos após a marcação de um canto, quando Kaká já se encontrava em jogo.
Animaram-se as hostes madridistas que viram nesse golo o prenúncio de uma vitória em Camp Nou, fosse no prolongamento ou nos penalties. Mas eis que poucos minutos volvidos, o super Messi, muito provavelmente o melhor jogador de todos os tempos, põe ponto final na contenda, concluindo com um grande golo uma típica jogada de ataque do Barcelona.
Os minutos que decorreram até ao fim do jogo são de grande nervosismo para ambas as equipas. Mas os de Madrid perdem a cabeça e Marcelo, o tal que tinha vindo com instruções de impor mais dureza no corredor direito do Barça, tem uma entrada verdadeiramente assassina sobre Fabregas, entrado pouco tempo antes, e é expulso.
Como o lance ocorreu junto à linha da área técnica, assistiu-se à cena do costume em circunstâncias semelhantes. Quem estava fora do campo entrou em “jogo”, gerou-se uma grande confusão, logo aproveitada por Mourinho para meter um dedo no olho do adjunto de Guardiola, acabando Villa e Özil, que já tinham sido substituídos, por ser expulsos e outros jogadores admoestados com cartão amarelo.
Entre um modelo de jogo que acredita na sua superioridade técnico-táctico e a escravidão da táctica acabou, mais uma vez, por vencer o futebol de quem joga e deixa jogar contra o futebol de quem acima de tudo se preocupa em não deixar jogar. Salve, Guardiola!
Do ponto de vista lúdico, dimensão que o futebol não pode deixar de ter não obstante os grandes interesses que lhe estão associados, constituirá certamente uma grande frustração para os jogadores mais criativos a “escravidão” táctica a que Mourinho os submete. Que saudades vão ter Di Maria e Coentrão das “liberdades” de que gozavam no Benfica e que tanta fama lhes granjearam nos quatro cantos do mundo. Em Madrid, como ainda hoje se viu, nunca passarão de uma peça – mais uma – da engrenagem montada por Mourinho para sua glória pessoal.
Finalmente, uma referência às grandes exibições. Para além do super Messi, destaque muito especial para Daniel Alves e para Casillas, ambos com exibições impecáveis. Cristiano Ronaldo, melhor na primeira parte do que na segunda, perdeu mais uma vez, a grande distância, o confronto com Messi.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O BENFICA EMPATOU NA HOLANDA


A ELIMINATÓRIA NÃO ESTÁ RESOLVIDA

'Rei' Artur vale empate ao Benfica na Holanda (2-2)

 O Benfica empatou na Holanda contra o Twente no play off da Liga dos Campeões 2011/2012 num jogo bem disputado, emocionante e com várias hipóteses de golo para cada lado.
As oportunidades do Twente foram quase todas neutralizadas por Artur que fez mais uma grande exibição. Desde Michel Preudhomme que o Benfica não tinha na baliza um guarda-redes com tanta classe. Artur é um daqueles guarda-redes que despontam tarde, que se afirmam perto dos trinta e que ainda têm pela frente uma grande carreira. Ao Benfica não poderia ter acontecido nada melhor depois da decepção que Roberto constituiu a época passada.
O Twente marcou muito cedo, aos seis minutos, depois de Gaitan ter desperdiçado uma oportunidade flagrante de golo quando se encontrava isolado a frente a Mihaylov.
Depois de um começo mais forte dos holandeses, o Benfica empatou num grande golo de Cardozo, depois de uma recuperação de bola de Aimar, que voltou a realizar uma grande exibição.
Pouco depois numa jogada de contra-ataque em que participaram vários jogadores do Benfica, Witsel, frente ao guarda-redes adversário, numa demonstração de grande classe e de grande compreensão do que é um jogo colectivo, lateralizou para Nolito que assim marcou o terceiro golo na Champions.
Na primeira parte, em remates de longe ou de bola parada Artur foi chamado a intervir, fazendo-o sempre com segurança, embora o Benfica tivesse o jogo relativamente controlado.
No segundo tempo intensificou-se a pressão do Twente, com Artur sempre a responder bem, e com o Benfica a ameaçar marcar o terceiro.
Aos sessenta minutos, Aimar foi substituído por Saviola, e o jogo do Benfica perdeu alguma consistência. Saviola não concretizou a maior parte das jogadas em que interveio, nem trouxe nada de novo ao ataque do Benfica.
Ruben Amorim entrou para o lugar de Gaitan, mas não foi suficiente para compensar a nítida baixa de forma física de Maxi. Revendo o encontro, percebe-se que com o "Maxi doutras eras" o Twente não teria marcado os golos que marcou – nem o primeiro, nem o segundo. Em ambos Maxi tem responsabilidades. As condições em que entrou na equipa, depois da vitória na Copa América, não são as melhores. Tal como o ano passado vai ser necessário esperar algum tempo para ver chegar o grande Maxi.
Perto do fim do jogo, o Twente empatou com um golo irregular sancionado pelo árbitro e pelo juiz de baliza, ambos muito perto do lance.
O Benfica terminou o jogo tranquilamente, poderia até ter ganho, se Nolito mantivesse a mesma eficácia a que nos acostumou.
Em suma: o Benfica tem todas as condições para passar a eliminatória, mas não pode facilitar. Tem de defender melhor e ser mais eficaz no ataque. De sublinhar que os golos sofridos pelo Benfica este ano têm sido todos de bola corrida. Talvez porque nas bolas paradas tenha Artur na baliza. Talvez porque nas bolas corridas a defesa precise ainda de muito trabalho. Cinco golos em quatro jogos oficiais é muito golo…

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PEDRO HENRIQUES – O GRANDE DETURPADOR



DECISÃO INADMISSÍVEL DA TVI


A TVI manteve no programa desportivo Mais Futebol a mesma equipa do ano passado, depois da saída de Sá Pinto.
É absolutamente inadmissível que a emissora tenha escolhido para comentar a arbitragem um árbitro classificado em último lugar na época 2009/2010 e que, por isso, teria baixado de categoria se tivesse continuado no activo. Acontece que Pedro Henriques é medíocre. Mas é mais do que isso: como ele está vendo o mesmo que todos nós vemos e interpreta os lances de forma completamente diferente daquilo que eles foram e sempre em benefício directo ou indirecto do mesmo clube só pode tirar-se a conclusão de que tal comentador não é confiável. E nada pior do que ter no futebol gente ostensivamente suspeita. A TVI tem obrigação de o mandar para casa imediatamente se quiser servir o futebol. Se, pelo contrário, pretender associar-se à batota deve mantê-lo.
 Dos lances apreciados relativos à primeira jornada a única coisa que se pode dizer a partir das imagens apresentadas é que no jogo do Guimarães-Porto Benquerença esteve igual a si próprio. Ou seja, uma alma gémea de Pedro Henriques. Marcou contra o Guimarães uma grande penalidade inexistente e fez que não viu uma mão de Rolando…que continua, como na época passada, com autorização para jogar a bola com a mão dentro da área. Mas há mais: o jogador que pisou Moutinho foi punido e Moutinho numa entrada violenta sobre um avançado do Guimarães foi punido com amarelo quando deveria ter sido expulso.
Nas várias incidências do jogo vê-se perfeitamente que Benquerença arbitrou a favor do Porto. Como sempre. Também não deveria estar no futebol
No jogo Gil Vicente - Benfica é completamente falso que Nolito esteja em off-side. Há uma imagem distorcida que sugere essa possibilidade, mas na imagem em que se vê a metade do campo defendida pela turma de Barcelos percebe-se perfeitamente que Nolito está em jogo. Aliás, nem sequer está em linha!
No jogo de Alvalade é falso que o Jogador do Olhanense tenha tocado voluntariamente a bola com a mão. Na rotação do corpo a bola toca-lhe na mão involuntariamente. De acordo com o critério da generalidade dos árbitros portugueses tal situação não configura uma infracção. Critério certamente discutível, antes de mais pela sua subjectividade. Em tais casos não seria nada difícil, mesmo tendo em conta a letra da lei, formular um critério objectivo que pusesse termo às polémicas que tais lances suscitam.
Há duas expulsões não sancionadas, uma para cada lado. No lance do golo anulado a Postiga, parece que o jogador está em jogo. Mas a imagem da TVI não é esclarecedora. Pode ser que na emissora que transmitiu o jogo tenha sido mostrada outra imagem, mas as da TVI não esclarecem nada.
Em conclusão: continua tudo na mesma: batota no campo e batota no comentário…

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

COMEÇOU O CAMPEONATO: O BENFICA EMPATOU EM BARCELOS




ERROS CRASSOS DE JESUS




O Benfica tem um plantel melhor que o do ano passado, tem bons valores individuais, poderia fazer uma boa equipa, mas não tem um treinador à altura. Estar a ganhar por 2-0 aos dezanove minutos de jogo e empatar é algo que não augura nada de bom.

Mais uma vez o arrogante Jesus evidenciou aos olhos de toda a gente as suas conhecidas limitações. Em primeiro lugar, é inexplicável que Cappedevila não tenha sido convocado, nem faça parte da lista dos jogadores utilizáveis no play-off da Liga dos Campeões. Mesmo que haja razões técnicas para o deixar de fora, as justificações de Jesus são inaceitáveis. Só quem pretenda criar mau ambiente no balneário pode apresentar justificações como as de Jesus.

Mas há mais: no jogo desta noite, contra o Gil Vicente, a saída de Aimar, em detrimento de Jara, é mesmo de quem percebe pouco de futebol. Não está em causa a entrada de Witsel, naquela altura ou mais tarde, mas sim a substituição do jogador mais criativo do Benfica, ainda por cima a jogar muito bem, deixando ficar em campo quem reúne poucas ou nenhumas condições para jogar de início. DE facto, manter Jara em campo foi um erro: um erro crasso. Mas se a saída de Aimar é injustificável, a de Gaitan também anda lá perto. Não que Gaitan estivesse a fazer uma grande exibição, mas com Gaitan em campo é sempre possível esperar que o “impossível” aconteça. Enzo Perez ainda está muito longe de poder corresponder às exigências do futebol europeu.

Tudo isto será estupidez do treinador? Provavelmente é, mas nunca é de pôr de parte a hipótese, num desporto tão permeável aos mais diversos interesses, como é o futebol profissional, que haja, além da estupidez, outras razões.

Jesus é caprichoso, vingativo e acima de tudo pouco inteligente. Cabe-lhe por inteiro a responsabilidade do empate.

Na defesa, só Artur realizou uma grande exibição. Ruben Amorim, tal como Jara, é para entrar com o jogo em andamento, de preferência no meio do campo. O primeiro golo do Gil Vicente resulta de uma falha sua, inadmissível em alta competição, com a agravante de ser um tipo de intervenção (no caso, de não intervenção) que já poderia ter dado mau resultado uns minutos antes. Foi por um triz que não deu.

Emerson é um jogador de qualidade média, sem rasgo, com poucas falhas, mas de pouquíssima utilidade atacante. Não convocar o lateral esquerdo da selecção espanhola, campeão da Europa e do Mundo, é algo que só mesmo está ao alcance de um treinador como Jorge Jesus.

Os centrais que jogaram também não são nada de especial. Jardel é vulgar e Garay está longe de ser um craque. Ou seja, Luisão faz muita falta.

A linha média tem hoje mais força, mas ela só será rentabilizada se na frente houver jogadores de grande nível. E esses não são certamente Jara, nem Enzo Pérez - este, pelo menos, para já.

Nolito e Saviola marcaram pelo Benfica. Com o golo de hoje, Nolito soja soma cinco com a camisola do Benfica

O Gil Vicente ficou claramente perturbado com a rapidez e a capacidade de contra-ataque do Benfica, sofreu dois golos em menos de vinte minutos, mas nunca se desorganizou. Marcou no fim da primeira parte um golo oferecido por Ruben Amorim e no começo da segunda, quando parecia estar a claudicar, por Laionel. Um grande golo! Manda, todavia, a verdade que se diga que antes e depois do dois zero o Gil Vicente só não marcou devido à grande classe de Artur.
A arbitragem, embora sem clase, comno se esperava, não teve qualquer influência no resultado. Marcou faltas inexistentes num jogo disputado com correcção, salvo uma ou outra simulação. Puniu uma, deixou por punir outra.

Em conclusão, o Benfica começa mal e, como se verá, Jesus não tem futuro na Luz. São erros a mais…

terça-feira, 12 de julho de 2011

BENFICA: ESTE ANO AINDA VAI SER PIOR QUE O ANO PASSADO

ESTÁ A ACONTECER O QUE SE PREVIA



Se com a equipa do ano passado, Jorge Jesus não conseguiu fazer nada, com a deste ano ainda fará muito menos.

Nunca é demais afirmá-lo: no primeiro ano que passou pelo Benfica, Jesus ganhou o campeonato na última jornada, apesar de ter um plantel que contava com David Luiz, Ramires, Di Maria, Coentrão e Quim, além evidentemente de Luisão, Maxi Pereira, Javi Garcia, Saviola, Aimar e Cardozo.

Com esta equipa, qualquer treinador ganharia o campeonato. O ano passado, sem Ramires, Di Maria e Quim e também, a partir do Natal, David Luiz, mas contando com Sálvio, Gaitan e Jara ficou a mais de 20 pontos do Porto.

Este ano, sem Coentrão e sem Sálvio, mas com uns tantos cujos nomes ainda quase ninguém conhece, o Benfica arrisca-se a disputar com o Braga ou com o Sporting o quarto lugar. Nem sequer vai haver decepções e muito menos surpresas. Já toda a gente percebeu o que se vai passar.

E mais uma vez se confirmará que no Benfica não falta dinheiro, mas falta quem saiba comprar. Porquê? Isso é mais complicado de perceber. A única coisa que se sabe, é que esses repetidos “erros” no Benfica não têm qualquer consequência. E quando descobrem algum mesmo bom, ele acaba por ir para o Porto, sem sequer ter passado pelo Benfica…

Vale a pena esperar mais uns dias para se perceber até onde pode ir o descalabro….

terça-feira, 21 de junho de 2011

VILLAS BOAS RESCINDE COM O PORTO

OS EQUÍVOCOS DE PINTO DA COSTA
Da cadeira de sonho para o Chelsea. Villas Boas segue os passos de Mourinho



Parece cada vez mais evidente que, em matéria de paixões, Pinto da Costa não é fiável. A história de amor que ele tanto encareceu em público entre Vilas Boas e o FCP, tal como tantas outras em que Pinto da Costa tem estado envolvido, correu mal. É certo que o Porto vai receber muito dinheiro, muito mais do que aquilo que o treinador parece valer por muitos e bons que sejam os seus méritos. Só que o dinheiro, por muito que seja, nunca apaga a ferida intensa causada pela “traição”.

Basta ler e ouvir os arautos do FCP nos jornais e nas televisões para imediatamente se perceber a dor intensa que lhes fustiga alma: traição, desonestidade, ingratidão são as palavras mais ouvidas.

De facto, parece impossível como um homem inteligente como Pinto da Costa e tão frio na escolha dos meios para atingir os seus fins seja tão vulnerável às paixões. Como ele acreditou no amor eterno que Vilas Boas jurou ao clube das Antes. Como é possível que Pinto da Costa, que até dizem conhecer os poetas, ainda não tenha percebido que o “amor só é eterno enquanto dura”?  

E hoje na devoradora sociedade capitalista em que vivemos ele é tão fugaz e o dinheiro exerce sobre ele uma influência tão negativa que não deixa de ser espantoso que um homem com tantas “capacidades” para alcançar resultados se deixe envolver por uma história de amor…no futebol. Nesse mesmo futebol onde ele tem resolvido muitas questões com dinheiro e com outros processos, onde o amor nunca entra!

Esta é sem dúvida a maior derrota pessoal de Pinto da Costa. Muito maior do que a sofrida frente a Carolina Salgado, que ele rapidamente descredibilizou (a partir da própria família dela), ou mesmo frente a Mourinho, que ele sempre teve como um “mouro mercenário” pronto a dar o salto na primeira ocasião e com depois acabou por fazer as pazes vendendo-lhe jogadores por preços que só Mourinho pode comprar…

Agora, não se sabe até onde vai a infidelidade: tudo depende de Abramovich para quem o dinheiro é coisa sem importância dada a forma como lhe veio parar às mãos. Ela, a infidelidade, pode estender-se a Moutinho e a Falcao. Seria muito dinheiro, mas nem assim a dor se apagaria…

Com todo esse dinheiro talvez Pinto da Costa ceda à tentação de vir “buscar” Jesus ao Benfica. O que seria certamente um grande alívio para os benfiquistas que podem ter que vir a pagar eles a “cláusula” lá mais para Novembro ou até antes, logo que as ilusões da nova época começem a cair por terra.

A Villas Boas tem de elogiar-se acima de tudo a coragem. Claro que ele tem uma vantagem face aos que, como jogadores, treinadores ou noutras funções, já passaram ou pretenderam passar por situações idênticas às dele: Villas Boas é do Porto, já foi dos Super Dragões, enfim, conhece a casa por dentro. Sabe melhor que ninguém como defender-se. Mesmo assim…foi corajoso!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

BENFICA E A NOVA ÉPOCA

BREVES CONSIDERAÇÕES



Não falta quem vaticine o pior para a nova época que se avizinha. O pior seria o Benfica falhar a Champions. E se tal acontecer desculpas não faltarão: a Copa América será a grande responsável. Até parece que o Benfica não sabia que em 2011 haveria Copa América. De facto, uma equipa com as pretensões do Benfica tem de estar preparada para estas situações. Ou seja, tem de ter uma defesa que, não sendo tão boa como a que estará ausente, saberá mesmo assim desempenhar o seu papel.

Depois há também quem vaticine que se as coisas começarem a correr mal, seja na Champions, seja no Campeonato, Jesus não chegará ao Outono. Se isso viera acontecer, apenas tem de se lamentar que tal desfecho não tenha ocorrido antes na Primavera passada. Na verdade, a sensação que se tem é a de que Jesus está esgotado. A forma habitual de escamotear esta situação é o treinador convencer a direcção que a maior parte dos jogadores tem de ser substituída. Gente nova é, por definição, mais dócil.

Aliás, é este entendimento das coisas que levou à dispensa de Nuno Gomes, bem como a sua parca utilização na temporada finda. Os 52 minutos que Jesus lhe concedeu em 2010/2011 serviram para justificar o desfecho agora conhecido, apesar de nesses escassos 52 minutos ter marcado 4 golos! Nuno Gomes nunca foi um “matador”, mesmo nos seus tempos áureos. Mas é um jogador experiente que, curiosamente, passou a falhar menos com a idade. Se o Benfica tivesse um ponta de lança como Falcao ou mesmo como o Cardozo de 2009/2010 e um segundo ponto de lança de relativa produtividade no tempo que lhe foi concedido, ainda se poderia admitir a dispensa do terceiro ponta de lança. Poderia, mas tratando-se de quem se trata seria sempre uma opção muito discutível. Mas com um jogador como Cardozo que o ano passado passou a maior parte do tempo a “dormir em campo”, provavelmente por não ter saído, e Kardec que não acertou uma para a “caixa” e falhou golos incríveis, a dispensa de Nuno Gomes não tem qualquer justificação técnica, mas apenas e só uma justificação relacionada com a chamada “gestão do plantel”. Jesus não quer na equipa gente de prestígio a criticar pelo silêncio – um silêncio contagiante – o seu trabalho. Ou seja, é a fraqueza do treinador que dispensa Nuno Gomes e não a idade do avançado.

Não é a primeira vez que situações destas acontecem. Elas ocorrem em todas as equipas e sempre pelas mesmas razões. O juízo crítico que elas merecem é que varia consoante os resultados obtidos.

Quanto ao mais, o Benfica continua a comprar muita gente nos jornais e também a vender nos jornais, nestes casos por iniciativa dos empresários e a colaboração dos jogadores em causa. O que se passou com Coentrão é mais uma prova da falta de autoridade da direcção, nomeadamente do presidente. O empresário conta mais…Noutro clube que a gente conhece, se isso acontecesse - que não acontece - o empresário “deixaria de o ser”…

domingo, 5 de junho de 2011

PORTUGAL VENCEU A NORUEGA

TRÊS EQUIPAS COM O MESMO NÚMERO DE PONTOS NO CIMO DA TABELA
Portugal sobe à liderança do grupo com golo de Postiga



No jogo desta noite, no Estádio da Luz, Portugal venceu a Noruega por 1-0, juntando-se assim no cimo da classificação ao adversário de hoje e à Dinamarca, que um pouco antes, vencera a Islândia por 2-0.

No começo do jogo Portugal correu o risco, por duas vezes, de sofrer um golo. Numa das vezes, Eduardo defendeu e na outra o atacante norueguês atirou para as nuvens o que parecia ser um golo fácil. Fora estas duas oportunidades, a Noruega não voltou a estar na eminência de marcar, o que não quer dizer que o jogo tenha sido fácil para Portugal. Pelo contrário, a Noruega defendeu muito bem e dificultou sempre a tarefa da equipa portuguesa.

De facto, cedo se percebeu que o grande goleador Cristiano Ronaldo dificilmente marcaria e os médios que costumam rematar bem, principalmente Martins e Meireles, hoje também não dispuseram de grandes oportunidades.

O golo acabou por aparecer na segunda parte numa jogada de Nani pelo lado direito, que cruzou rasteiro para o centro do terreno onde Postiga, antecipando-se ao defesa, acabou por fazer o golo, rematando de imediato ao canto inferior esquerdo do guarda-redes adversário. Foi de certa forma um golo improvável, já que Postiga, tanto no Sporting como na selecção, precisa de três jogos e umas décimas para marcar um golo. Paulo Bento acabou por acertar quando decidiu pô-lo a jogar em vez de Hugo Almeida, embora tanto um como outro não tenham uma grande relação com o golo, apesar de jogarem a ponta de lança.

Foi um jogo médio da selecção, sem grandes exibições. Talvez apenas Moutinho e Coentrão tenham estado acima dos restantes. Ronaldo, como de costume, joga melhor contra equipas fracas do que contra adversários fortes, tanto na selecção como no seu clube. É certo que acabou a época com um score impressionante de golos marcados, mas as suas exibições são sempre mais conseguidas contra o Málaga ou o Almeria do que contra o Barcelona ou contra os adversários fortes da selecção portuguesa. Ronaldo tem, de facto, este problema: é um grande jogador, mas quando se espera por ele nos grandes jogos, ele nem sempre aparece. Hoje aconteceu isso mais uma vez.

Finalmente, uma parte significativa do mérito da vitória tem de ser atribuído a Paulo Bento que, tendo pegado numa equipa “em cacos” deixada por Queiroz, ganhou os três jogos da qualificação jogados sob o seu comando e recuperou os pontos perdidos, a ponto de hoje ter igualado as duas equipas que iam à frente – Noruega e Dinamarca.

É preciso, porém, ter em conta que nada está ainda decido, as três equipas estão com o mesmo número de pontos, sendo preciso esperar pelos jogos que ai vêm para se saber quem vai ficar à frente e quem vai ficar em segundo lugar. Para já Portugal leva vantagem, tanto pelo número de golos marcados, como pela diferença entre marcados e sofridos, mas vai ser preciso esperar, tanto mais que a Dinamarca ainda tem que jogar, em casa, contra a Noruega e contra Portugal.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O BENFICA NA RTP MEMÓRIA

ONTEM FOI DIA DE COMEMORAÇÕES
Images: sportlisboaebenfica196061bernatceil4.jpg

A RTP Memória comemorou ontem condignamente a conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus, pelo Benfica, há 50 anos, contra o Barcelona (3-2).
Dos heróis de Berna, poucos são os que continuam entre nós. Mas todos eles, com excepção de Coluna, lá estiveram a dar o seu testemunho sobre a campanha europeia de 1960/61. Mário João, lembrando o que teve de sofrer nos quinze minutos finais para manter o resultado de 3-2, contra a Barcelona; Ângelo, sempre irónico e vivaz, lembrando antes da final que o seu grande adversário era aquele avião de quatro motores em que estava prestes a entrar, desvalorizou, com graça, a bola que bateu nos dois postes de Costa Pereira: "Não se trata de sorte, mas de culpa do jogador que não sabe acertar na baliza, que é larga, e acerta nos postes, que são estreitos; o Eusébio, que era um grande jogador acertava sempre na baliza"; o Artur, que pouco jogou, explicou a mudança operada no futebol do Benfica nos anos 50, com a vinda de Otto Glória continuada depois por Béla Guttman; o Cruz que ainda ontem estava zangado com o que aconteceu em Viena contra o Rapid; o Zé Augusto recordando com humildade as suas grandes exibições na primeira campanha europeia, principalmente o memorável jogo de Aahrus, donde saiu em ombros, levado pela juventude dinamarquesa.
Pelo ecrã passaram ainda muitas entrevistas da época: de Costa Pereira, o homem que melhor falava na televisão; de José Águas, prometendo esforço e dedicação; de Germano, sempre muito comedido perante os jornalistas; de Béla Guttman, incisivo e confiante; e dos dirigentes do Benfica que ainda nem sequer tinham bem consciência da proeza que estavam a cometer.
O futebol evoluiu muito de então até hoje: táctica, técnica e fisicamente. E a bola, elemento fundamental do jogo, frequentemente esquecida nestas análises, nada tinha a ver com as bolas de hoje. A bola era um autêntico “fardo” para a maior parte dos jogadores: pesada, dura e agressiva. Impossível chutar então com a mesma força com que hoje se chuta. Basta ver que os guarda-redes evitavam o pontapé de saída e sempre que podiam substituíam-no pela reposição da bola em jogo com um pontapé em que a bola era colocada no ar com as mãos, exactamente para não terem de fazer o duro esforço muscular de arrancar um pontapé de longa distância com a bola no solo.
Estas diferenças não impedem, todavia, que em todas a épocas tenha havido grandes jogadores. A equipa do Benfica de 1961, embora inferior à do ano seguinte, já então tinha jogadores que estavam à frente do seu tempo, como era o caso de Coluna e de Germano. E o próprio Santana, que no ano seguinte viria a ser sacrificado (à época não havia substituições) para deixar entrar Eusébio, já tinha todas as características de um jogador moderno.
Mas não interessa fazer comparações com o futebol que então se jogava e o que se joga hoje; não se pode enveredar por esse caminho. As únicas comparações aceitáveis são entre aquele futebol que ontem se viu entre duas equipas finalistas e o jogado por outras equipas na mesma época. Certamente não haveria muito melhor, a não ser porventura o Real Madrid, nessa época eliminado pelo Barcelona, que já então exibia uma apreciável qualidade de passe. Não obstante, foi batido, sem apelo nem agravo, por esse mesmo Benfica na final do ano seguinte.
Mas há outras comparações que nada têm a ver com o futebol praticado pelas equipas, que já é legítimo fazer entre o futebol de então e o da agora. Na altura, o futebol ainda era um desporto saudável e com fair play, tanto dentro como fora do campo. Basta ver como a assistência se distribuía pelo estádio, até junto da linhas de jogo, sem seguranças nem polícias, para logo se perceber que a violência ainda não tinha chegado ao futebol. Depois é igualmente de realçar o modo como os jogadores acatavam as decisões do árbitro, praticamente sem protestos, por mais gravosas que fossem. E ainda como os jogadores mutuamente se respeitavam e como igualmente respeitavam o espectáculo e o público sem entradas violentas nem simulações vergonhosas, como hoje acontece.
Estas é que deveriam ter sido as diferenças que o tal repórter (de ontem) do Público deveria ter assinalado. É natural, porém, que não o possa fazer. A gente sabe quem introduziu o contrário de tudo isso no futebol português …
Entre 1960 e 1989 o Benfica jogou sete finais da Taça dos Campeões, tendo ganho duas, e uma da Taça UEFA; no mesmo período o Porto jogou uma final da Taça dos Campeões, que ganhou, e uma da Taça das Taças, que perdeu; o Sporting jogou uma final da Taça as Taças, que ganhou.
De 1990 até à actualidade, o Benfica não voltou a jogar qualquer final europeia; o Porto jogou uma da Liga dos Campeões, uma da Taça UEFA e outra da Liga Europa, tendo-as ganho todas; o Sporting jogou uma final da Taça UEFA, que perdeu e o Braga jogou uma final da Liga Europa, que igualmente perdeu.

terça-feira, 31 de maio de 2011

BENFICA CAMPEÃO EUROPEU – FOI HÁ 50 ANOS

EM BERNA, EM 31 DE MAIO DE 1961



Há cinquenta anos, em Berna, no Wankdorf Stadium, o Benfica de Béla Guttman, num jogo memorável, venceu o Barcelona por 3-2.
É uma data inesquecível para o desporto português – é a primeira grande vitória – vitória mesmo – de uma equipa portuguesa numa competição internacional de prestígio e na modalidade que mais paixões desperta à superfície da terra.
Três anos apenas distavam do grande feito brasileiro em Estocolmo, que os portugueses haviam seguido e aplaudido como algo que nunca poderia acontecer por cá. Mas aconteceu. E embora o mérito desta conquista caiba aos jogadores do Benfica, à sua direcção, ao seu grande Presidente Maurício Vieira de Brito e ao director do futebol Manuel da Luz Afonso, ninguém poderá esquecer jamais o papel de Béla Guttman como treinador da equipa – uma espécie de mago que transformava em ouro, qual Midas, tudo aquilo em que tocava.
Antes de chegar a Portugal, já tinha sido campeão na Hungria pelo Üjpest, na Holanda pelo Enschede (agora Twente), na Itália pelo Milan, no Uruguai pelo Peñarol e no Brasil pelo S. Paulo.
Este inteligentíssimo e arguto judeu húngaro, depois naturalizado austríaco, que escapou, sabe-se lá como, às garras de Hitler, chegou ao Benfica vindo do Porto onde se tinha sagrado campeão na época de 19958/59. Numa transferência atribulada como sempre são as que ocorrem entre os dois grandes clubes portugueses, Guttman chegou ao Estádio da Luz, até então muito marcado pela herança inovadora de Otto Glória, para logo se sagrar campeão nacional, tendo previsto no contrato que assinou uma verba pela vitória na Taça dos Campeões Europeus, verba que a direcção do Benfica não teve qualquer dificuldade em deixar empolar tão remota era a possibilidade de aquele feito se verificar. De facto, nas cinco anteriores edições da prova, nunca as equipas portuguesas – Sporting (duas vezes), Porto (duas) e Benfica (uma) – haviam passado a primeira eliminatória.
Mas não foi assim na época de 60/61. O Benfica ainda em 1960 ganhou as primeiras duas eliminatórias ao Hearts (5-1, no conjunto dos dois jogos) e ao Üjpest (7-4); e depois em 1961 “despachou” o Aahrus (7-2) e o Rapid de Viena (4-1), enquanto o Barcelona, adversário da final, eliminou sucessivamente o Lierse (5-1), o Real Madrid, detentor dos cinco títulos anteriores, (4-3); o SK Hradec Krávolé (5-1); e o Hamburgo (2-2).
As duas equipas encontraram-se na final com oito jogos realizados - e não com quatro como por ignorância ou manifesto desejo de desvalorizar a vitória diz hoje o repórter do Público, um tal Luís Francisco – para um jogo em que o Barcelona era claramente favorito.
Köcsis marcou ao 20 minutos, de cabeça, Águas, aos 30 minutos, no primeiro ataque do Benfica empatou a centro de Cavém; logo a seguir, aos 32 m, Ramallets aumentou de auto-golo a vantagem para o Benfica; Coluna, no começo da segunda parte, marcou um grande golo e pôs o resultado em 3-1; e depois, aos 75 m, Czibor marcou o segundo do Barcelona.
E foi uma festa como nunca se tinha visto.
Águas foi o melhor marcador da prova com 12 golos, seguido de Zé Augusto com 6.
 Para a história fica a composição das duas equipas:
Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano e Ângelo; Neto e Cruz; José Augusto, Santana, Águas, Coluna e Cavém.
Treinador – Béla Guttman
Barcelona: Ramallets; Foncho, Gensana e Gracia; Verges e Garay; Kubala, Kocsis, Evaristo, Suarez e Czibor.
Treinador – Enrique Orizaola

O BENFICA NO SEU LABIRINTO

O PIOR ESTÁ PARA VIR

Não tinha nada de premonitório o último post que aqui foi escrito sobre o futuro próximo do Benfica.
Antevia-se, com base no que aconteceu este ano, o que poderia acontecer na próxima época. Para além da incompetência dos principais responsáveis, ela já está envenenada pelo que entretanto veio a público: a investigação da PJ, os guarda-redes, enfim, um ruído que não se calará tão cedo.

Os jornais dizem que a PJ investiga a transferência de Júlio César que, como se sabe, foi comprado ao Belenenses. Comprado ao que se diz por um milhão de euros, apesar de no Belenenses só ter entrado metade do dinheiro. Há quem diga que houve comissões não declaradas ao fisco, há quem diga muita coisa.

Entretanto, os suspeitos defendem-se. Mas como se poderá explicar no Benfica a compra de um outro guarda-redes por 8,5 milhões de euros? Quantos guarda-redes no mundo valem esse dinheiro? E o que tem de valer um guarda-redes que vale esse dinheiro? Tudo perguntas que a época que passou deixou sem resposta. Ou ainda pior: tornou quase impossível uma resposta racionalmente aceitável.

Engano? Erro? Mas como pode haver erros desta dimensão em assuntos (teoricamente) da especialidade de quem os pratica?

Não há volta a dar: no Benfica há uma troika que está sob suspeita: Vieira, Rui Costa e Jesus. Não cabe ao adepto nem ao comentador especificar a natureza da suspeita, mas antes enunciar as certezas que os habitam. A primeira é de que a troika é incompetente; e a segunda é a de que é difícil conceber tanta incompetência junta.

A nova época começa perto do fim deste mês: quem tem condições para continuar? Quem vai ter de sair? Essa a interrogação dos adeptos. Só que no Benfica, como no país, quem manda são os bancos…


segunda-feira, 30 de maio de 2011

RESCALDO DA ÉPOCA 2010/2011

AS VITÓRIAS E AS FRUSTRAÇÕES


Embora a época futebolística não tenha ainda acabado em Portugal, falta o jogo da selecção, no que respeita aos clubes está tudo acabado há um bom par de dias.
A época terminou em glória para o FCP e para Villas Boas, que, como treinador, conseguiu um feito notável.
É indiscutível que o Porto tem uma grande equipa que oscilou ligeiramente – muito ligeiramente – durante cerca de sessenta dias, mais ou menos os mesmos em que Falcão esteve lesionado. Mesmo assim, conseguiu durante esse período aguentar-se quase sem derrotas e praticamente sem favores. Aliás, os favores mais importantes – di-lo a experiência – são sempre os do início do campeonato. Isso não quer dizer que uma boa equipa não seja capaz de suplantar a ausência de favores, mas quer apenas significar que a existência desses favores torna a vida mais tranquila.
Quando o seu concorrente mais directo baqueou, o Porto manteve-se forte e vitorioso a ponto de ter quase ter triplicado, no campeonato, a diferença pontual que o separava do segundo classificado, ou seja, antes da derrota do Benfica em Braga por 2-1.
A partir dessa jornada o campeonato ficou entregue e depois ficou também a Taça de Portugal por o Benfica ter claudicado na eliminatória em que partia com dois golos de vantagem E a seguir a Liga Europa, onde desde há muito se previa não haver na prova equipa capaz de ombrear com os portistas.
Quatro títulos - com excepção de um, são títulos conquistados na sequência de muitos jogos - constituem um palmarés invejável para qualquer equipa do mundo.
Do lado do Benfica, pelo contrário, a “débacle” não poderia ser pior. Este foi um dos anos mais negros de toda a história do Benfica, não só pelo insucesso desportivo, mas principalmente pelo modo como a equipa se comportou a seguir ao jogo contra o Braga, para o campeonato. É, de facto, inadmissível que depois da derrota em Braga a equipa tenha entrado numa espiral descendente incontrolável, própria de um clube sem “rei nem roque”. Evidentemente, que os jogadores não podem deixar de ser responsabilizados, embora a responsabilidade maior pertença à direcção (da SAD e desportiva) e ao treinador. O que se passou durante os dois meses finais da época acabou por ser o espelho fiel daquilo que o Benfica é – uma equipa à deriva.
Pior ainda: esta situação só pode agravar-se na próxima época. Mantendo-se os mesmos intervenientes – e não há nenhuma razão para supor que vão mudar – os defeitos enquistados só podem tornar mais grave a presente situação.
No Benfica falta muita coisa, desde logo um plantel mais equilibrado, mas muito mais importante do que o plantel é o que está por detrás do plantel – a direcção e a equipa técnica. Há muita incompetência no Benfica e muito pouca instrução. Sabe-se hoje que as qualificações não são sinónimo de emprego garantido, mas sabe-se também que sem qualificações não há emprego. Os três principais responsáveis pelo futebol do Benfica – Vieira, Rui Costa e Jesus – não têm por junto a escolaridade mínima obrigatória que hoje se exige a um jovem em idade escolar. E o Benfica, como não pode deixar de ser, ressente-se disto. Em regra, uma regra quase sem excepções, as grandes empresas têm à sua frente gente preparada, com profundos conhecimentos no ramo e com elevadas qualificações académicas. Ainda houve um tempo em que o futebol estava à margem destas exigências, mas hoje está cada menos e quem continuar a apostar na iliteracia só pode esperar o descalabro.
AS qualificações só por si não são garantia de êxito, mas sem elas o êxito será certamente muito mais difícil.
O Benfica não tem quem saiba falar em público, quem seja capaz de interpretar e muito menos de gizar uma estratégia comunicacional.
Depois, o Benfica contrata mal e fala muito. O Benfica – soube-se agora – não tinha um treinador de guarda-redes competente. Mas de quem é a responsabilidade: da pessoa que desempenhava essas funções ou do treinador principal? O que se passou com os guarda-redes foi uma vergonha. E vamos lá ver se, face ao que veio a público, se a vergonha ainda não será maior. Aliás, o que está vindo a público levanta fundadas suspeitas sobre as razões profundas das múltiplas “asneiras” cometidas pelos dirigentes do Benfica. Pode bem ser que a “burrice” afinal mais não seja de que um expediente utilizado em proveito próprio por quem dirige.
Em conclusão, antevê-se um descalabro na próxima época ainda maior do que o desta.
O Sporting esteve ao nível daquilo que tem sido desde que lá saiu Paulo Bento. Esteve mal, muito mal, apesar de na ponta final ter recuperado um pouquinho relativamente aos seus concorrentes mais directos.
Já o Braga, acabou por fazer uma daquelas épocas em que esteve à beira de conseguir várias coisas, sem ter alcançado nenhuma. Todavia, as duas derrotas que infligiu ao Benfica e a presença na final da Liga Europa, onde não foi nada inferior ao Porto, garantiram um lugar na história aos jogadores e ao treinador. Um lugar que será doravante muito recordado se o Braga regredir ou que será mais depressa esquecido, se os próximos anos continuarem a ser de progresso e ascensão.
Quanto ao resto, o campeonato findo foi marcado por uma profunda desigualdade entre o Porto e as demais equipas concorrentes, desigualdade tão grande que deu mesmo para abrir um segundo fosso entre o Benfica e os demais.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O FCP E OS ÁRBITROS




O QUE O FCP DE PINTO DA COSTA NÃO ACEITA

A Marca noticia hoje um jantar entre elementos da direcção do FCP e o árbitro que dirigiu o jogo contra o Villarreal, para a Liga Europa, na última quinta-feira, no qual também teria estado presente, a partir de certa altura, Pinto da Costa.
Como seria de esperar, a direcção do Porto nega e anuncia que vai processar a Marca e o jornalista que escreveu a notícia.
Entretanto, soube-se que o elemento indicado pela FPF para fazer o acompanhamento do árbitro, a chamada “ligação”, foi, nem mais nem menos, o ex-arbitro António Garrido!
António Garrido, como toda a gente sabe, trabalhou para o Porto durante muitos anos, na “difícil tarefa de aconselhar o FCP em matéria de arbitragem”. Garrido terá sido o primeiro “sportinguista” a bandear-se para o FCP. Outros se lhe seguiram, tendo tal percurso feito escola até hoje.
A notícia da Marca não pode constituir para ninguém que conheça o futebol português uma “descoberta sensacional”. Pinto da Costa até diz que a notícia é falsa, mas o que ninguém consegue explicar é por que razão tais notícias têm o Porto como alvo. São coisas que só acontecem com o Porto e ao Porto!
Martins dos Santos, ex-árbitro de futebol, que durante anos foi acusado de beneficiar escandalosamente o FCP e de prejudicar vergonhosamente o Benfica, apesar de múltiplas vezes suspeito, conseguiu sempre escapar à “complexa justiça” da cidade do Porto, mas um dia destes, quando se dedicava ao seu habitual “métier”, foi apanhado pela judiciária a “vender um jogo” de uma divisão secundária. E parece que desta vez está tramado, porque as notas estavam marcadas. Faltou-lhe a “expertise” e a protecção que, noutras constâncias, o tornaram invulnerável durante tanto tempo.
Mas por que razão o Porto, tendo frequentemente uma boa equipa de futebol, não foge à suspeita, segundo a vox populi, de não dispensar a ajuda dos árbitros? Segundo a convicção popular há duas arreigadas razões que justificam tal comportamento:
A primeira é o Porto, nomeadamente o seu presidente, não aceitar como normal a imparcialidade dos árbitros; os árbitros ou tendem para o lado do Porto, ou são hostilizados;
A segunda – muito mais importante do que a primeira – é o presidente do Porto não aceitar a natureza aleatória do jogo: “se somos melhores, temos de ganhar sempre”; mais, “se somos melhores, não temos que nos desgastar física e emocionalmente na busca de um resultado”.
Ou seja, a beleza do futebol como jogo não existe. O que existe é a “beleza do resultado”.
Mourinho, no Real Madrid, ressente-se muito de velhos hábitos que agora não pode manter…

quarta-feira, 4 de maio de 2011

MOURINHO ELIMINADO PELO BARÇA



A VITÓRIA DO FUTEBOL


O jogo desta noite entre o Barcelona e o Real Madrid fechou um conjunto de quatro confrontos em menos de um mês com clara vantagem para o Barcelona: ganhará a Liga; irá à final da Champions e apenas perdeu a Taça do Rei.
Ou seja, o Barcelona ganhou o mais importante. Poderia o Real Madrid ter feito mais? De uma maneira geral a crítica é muito clara a esse respeito: o Madrid poderia ter feito mais…se não fosse Mourinho.
É que desta vez Mourinho perdeu dentro e fora do campo, o que é novo nele, já que normalmente a sua estratégia passa por começar ganhar fora do campo para depois assegurar a vitória lá dentro.
Em Madrid essa estratégia não deu certo. Ela teve desde muito cedo a forte oposição de um largo sector influente do Real, que viu com maus olhos o “teatro” de Mourinho antes e depois dos jogos. E depois também não aceitou que Mourinho, dentro do campo, sacrificasse o futebol e a classe de um valioso naipe de jogadores a uma estratégia puramente “resultadista”.
Mourinho, habituado a ter o apoio incondicional dos adeptos e convencido que, por via dos resultados, pode subjugar as vontades dos que se lhe opõem, situem-se eles na crítica mediática ou na direcção do clube, não mediu bem as consequências de pôr em prática, num clube como o Real Madrid, uma certa forma de alcançar resultados à revelia do futebol jogado. Ou seja, pensou que no Real, como nos outros três clubes por onde andou, os resultados tudo justificariam. Enganou-se. No Real Madrid os resultados contam…mas têm de se chegar a eles jogando futebol que convença.
E Mourinho não só não conseguiu alcançar os objectivos a que se propôs, como ainda é responsabilizado por não os ter alcançado. Com os jogadores de que o Real dispõe, Mourinho tinha de fazer muito mais e acima de tudo tinha a obrigação de tentar ganhar jogando contra o adversário olhos nos olhos. Se perdesse – e provavelmente, nesta fazer da época, não perderia – toda a gente lhe perdoaria. Assim, toda a gente o responsabiliza.
A “conversa” de Mourinho não só indispôs a UEFA, como, inclusive, conseguiu criar conflitos e picardias entre jogadores que, embora sendo rivais, se respeitavam e até se estimavam por muitos deles fazerem parte da mesma equipa – a vitoriosa selecção de Espanha.
Mourinho e alguns jogadores menos clarividentes bem podem imputar responsabilidades à arbitragem. Mas esse argumento não leva a lado nenhum, porque qualquer pessoa que tenha visto os últimos quatro confrontos com o Barcelona sabe que a equipa catalã foi sempre melhor em todos os jogos e todos mereceu ganhar, mesmo o que perdeu.
Como aqui já se disse, é muito provável que o fim do “mito Mourinho” tenha começado em Espanha, exactamente com ele ao serviço da “equipa do século XX” e tendo ao seu dispor um lote invejável dos melhores jogadores do mundo.
A vitória do Barça é, assim, a vitória do futebol e tudo aponta para uma grande final em Wembley entre duas equipas que, acima de tudo, gostam de jogar futebol.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O FIM DE ÉPOCA DO BENFICA



O QUE É MELHOR: SER ELIMINADO OU IR À FINAL?

Neste triste final de época muitos serão os benfiquistas que por estes dias formulam uma pergunta de resposta aparentemente fácil: o que é melhor para o Benfica na Liga Europa: ser eliminado pelo Braga ou ir à final com o Porto?
Aparentemente, o melhor é ir à final: num simples jogo as probabilidades de ganhar tendem a ser idênticas; e como para ganhar é preciso lá ir, a resposta está dada. O pior é que no subconsciente dos benfiquistas, jogadores incluídos, paira o espectro de quatro derrotas esta época contra o Porto, qual delas a mais humilhante. É provável que este factor pese decisivamente no jogo de quinta-feira contra o Braga.
Por outro lado, há factores de descrença que estão muito para além dos méritos do Porto: a questão do guarda-redes,
Roberto foi mal batido no jogo contra o Braga, por deficiente posicionamento, como voltou ontem a ser mal batido contra o Olhanense. Perante situações que se repetem não há jogador, principalmente na defesa, que entre em campo confiante.
No Porto, pelo contrário, respira-se confiança. Há confiança, mas não há excesso de confiança e é essa atitude que tem sido decisiva na consolidação da caminhada vitoriosa da equipa. Contra o Villareal foi o que se viu e ontem, em Setúbal, o costume.
Na próxima quinta-feira o Porto tem todas as condições para repetir em Espanha a exibição e o resultado, mais golo, menos golo, da semana passada.
Finalmente, o Sporting e o Braga vão ter de discutir entre ambos o terceiro lugar, não sendo difícil vaticinar que nesta disputa o Sporting leva vantagem.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

MOURINHO DERROTADO PELO BARÇA



MOURINHO NÃO SABE PERDER

O jogo de hoje à noite entre o Real Madrid e o Barcelona merece ficar na história do futebol por marcar o confronto entre duas concepções antagónicas de futebol - o futebol do Barcelona e da sua escola de que Guardiola é um digno representante e o futebol de Mourinho imposto à equipa mais vitoriosa da história do futebol – o Real Madrid.
A vitória clara, inequívoca, do Barça sobre o Real Madrid é acima de tudo a vitória do futebol contra o anti-futebol. A vitória de quem sabe privilegiar o futebol e recusar a violência. A vitória do futebol de classe contra o futebol covarde – do futebol que apenas tem como objectivo o resultado quaisquer que sejam os processos para lá chegar.
O Real Madrid, o grande Madrid, com nove vitórias na Champions, não merecia isto. Com alguns dos melhores jogadores do mundo, o Real Madrid vê-se forçado, pelas concepções futebolísticas do seu treinador, a jogar o futebol típico de uma equipa vulgar. De uma equipa que passa o jogo à espera de uma falha do adversário para ganhar, nem que tal vitória seja conseguida à custa de uma repartição da posse de bola de 20% para 80%!
Hoje, para bem do futebol, Mourinho foi derrotado pelo Barcelona por 2-0, com dois golos de Messi.
Aconteceu o que se esperava, o que os mais avisados já tinham antecipado: Pepe, cuja função em campo é impedir que se jogue futebol, nem que para isso tenha de usar quaisquer meios, foi expulso, em consequência de uma entrada violenta sobre Dani Alves.
Mourinho queixou-se em termos impróprios da decisão do árbitro e foi igualmente expulso. De que se queixa Mourinho? Das faltas cometidas por uma equipa que apenas tem 20% de posse de bola? Mourinho, tão inteligente, não quer perceber que as expulsões são uma consequência do futebol que ele pratica e das instruções que transmite aos seus jogadores.
É lamentável que um jogador como Cristiano Ronaldo tenha de ficar prisioneiro das estratégias de Mourinho e não possa explanar o seu futebol. É lamentável que Ronaldo não possa num jogo desta importância ombrear com Messi, no plano individual.
Ninguém pode ficar indiferente ao sacrifício de Ronaldo, isto para não falar dos que nem sequer entraram em campo, preteridos pelo futebol de Mourinho.
Os jogadores começam a aperceber-se que o futebol que praticam nos grandes confrontos não é o que se espera deles, nem o que está ao nível daquilo que a classe individual de cada um poderia proporcionar.
Por tudo isso, não seria de admirar se o dia de hoje também marcasse o começo do fim do mito Mourinho…

domingo, 24 de abril de 2011

BENFICA - UMA VITÓRIA QUE NÃO EMPOLGA




FESTEJOS FÚNEBRES


O Benfica ganhou a Taça da Liga, mas ninguém considerou o feito importante. É a competição sem prestígio na qual é preciso estabelecer sanções para obrigar as equipas a actuar com um mínimo de titulares. E depois do que se passou no Campeonato e na Taça de Portugal, ganhar ao Paços de Ferreira era o mínimo que se poderia exigir.
Mesmo assim foi uma vitória sofrida, sem brilho e pela tangente. Não que o Paços de Ferreira tivesse criado grandes oportunidades ou tivesse suplantado o Benfica durante os noventa minutos de jogo, mas exactamente por o Benfica não ter ultrapassado a mediania perante uma equipa que não dispõe dos mesmos argumentos.
Na primeira meia hora, o Benfica ainda jogou algo que se visse. Tanto assim que marcou dois golos, um por Jara de cabeça, na sequência de uma jogada de Coentrão e outro por Javi numa bola parada marcada por Martins, mas depois foi caindo gradualmente. No segundo tempo, Luisão num lance infeliz fez auto golo e a partir daí o Benfica pensou muito mais em defender-se do que em aumentar a diferença. E embora o Paços não tivesse disposto de uma clara oportunidade de golo, um certo pendor defensivo do Benfica irritou os adeptos, que não estavam mesmo nada dispostos a esquecer o que se passou contra o Porto por duas vezes em menos de quinze dias. Só uma grande exibição da equipa restituiria a alegria às bancadas e a confiança aos jogadores.
Como isso não aconteceu, os festejos foram tudo menos alegres ou vibrantes. Ganhou, cumpriu a obrigação, mas ninguém reconheceu mérito no feito.
A equipa constitua instável e improdutiva. Psicologicamente foi-se abaixo e há jogadores que já não deveriam alinhar há alguns jogos. O primeiro é Cardozo, que não se percebe bem o que anda a fazer em campo. E para que se percebesse, Jesus, no seu português muito especial, disse que o Cardozo ficava em campo para apoiar nas “estratégias defensivas”!
Saviola também não está bem há muito tempo e não se percebe se não está bem porque Cardozo está péssimo ou se é antes por razões que lhe são inerentes.
Já há muito que Jesus com os jogadores que tem deveria ter tentado dar uma resposta a isto, colocando na frente outro jogador em vez de Cardozo e se mesmo assim Saviola continuasse em baixo substituí-lo também. Não se percebe, ninguém percebe, por que não joga Weldon e o treinador também não explica.
O que o treinador explica são outras coisas, como esta: os jogadores estavam cansados; não tiveram três dias de descanso para recuperar; havia muitos jogadores nos limites; então, como havia muitos, esperou até ao minuto 88 para ver o que estava mais cansado e fazer a respectiva substituição! A gente ouve e não acredita…
Nos adeptos e nos espectadores ficou a convicção – daí os assobios e a irritação – de que o Benfica não dispõe de argumentos para alcançar a final da Liga Europa e de que o treinador está um deserto de ideias. Quinta-feira, já se verá como vai ser…
O árbitro, Pedro Proença, como quase sempre que apita o Benfica, só faz asneira. Se é de propósito ou não, ele o saberá. Inventou um penalty a favor do Paços, por falta de Maxi que só ele viu. E cerca de doze minutos mais tarde não marcou um penalty por falta sobre Saviola que somente ele não viu!
Se Proença apitar na próxima quarta-feira o Real Madrid Barcelona, há todas as razões para supor que se irá assistir a uma segunda edição do Inter-Barça do ano passado, apitado pelo Benquerença…
Quanto aos jogadores do Benfica, realce para Moreira, que defendeu um penalty, e esteve sempre bem – se a forma fosse o único critério que conta, ele seria escolhido para a meia-final de quinta-feira. Só que outros valores mais altos se alevantam…
Realce também para Aimar que jogou com garra e com vontade de ganhar; assim como Carlos Martins. De Coentrão nem adianta falar tal é o empenho, a vontade e a classe que põe em todos os jogos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

BENFICA - ANNUS HORRIBILIS




COMO NÃO HÁ MEMÓRIA

A presente época ficará certamente na história do Benfica como a sua pior época. Só mesmo uma improvável vitória na Liga Europa a poderia atenuar. Mas tal não acontecerá. O Benfica não tem equipa para ir à final.
Todos sabemos que no futebol sem batota tudo pode acontecer (e com batota também) mas não será uma antecipação arrojada concluir desde já que a época que está correndo constituirá uma das maiores frustrações do futebol do Benfica.
Nem sequer é equiparável ao pobre sexto lugar alcançado pela dupla Vilarinho-Toni na sequência da vitória eleitoral contra Vale e Azevedo e do despedimento de Mourinho como treinador. Tudo porque Vilarinho na sua imensa sabedoria queria à frente do Benfica um treinador benfiquista. Se queria um benfiquista por que não foi buscar o Barbas à Costa da Caparica, que é um benfiquista de alma e coração, a quem o clube muito deve, e nunca se aproveitou do clube para colher qualquer vantagem?
Mas esta época ainda é pior, porque este era o ano da confirmação. Depois de uma vitória no Campeonato o ano passado, alcançada com um futebol vistoso, empolgante, construído na base de uma equipa de luxo, que teve de se bater até ao último dia contra dois adversários que durante toda a época não lhe deram tréguas, este ano era, pelo seu significado simbólico e prático, o ano decisivo para o Benfica – ou se mantinha no topo e dava uma forte machadada na hegemonia do Porto ou voltava a perder e a vitória do ano passado passaria a ter um significado idêntico à de 2004/05.
Logo se percebeu pela forma como o Benfica iniciou as provas oficiais – Supertaça, Campeonato e Liga dos Campeões – que a equipa deste ano estava a léguas da do ano passado, incapaz pelas suas prestações de se alcandorar novamente no topo do futebol português. Erros vários, pelos quais são responsáveis a direcção e o treinador, logo deixaram antever o que se iria passar. E tudo ficou mais grave, quando o Benfica perdeu a Supertaça logo no início da época para o Porto, que até ai tinha sido uma equipa hesitante e instável, e depois, quase de enfiada, perdeu três jogos no início do campeonato e começou pessimamente a Liga dos Campeões, na qual acabaria por se classificar no terceiro lugar do grupo, sem honra nem glória, mercê de um golo conseguido no último minuto pelo Lyon contra o Hapoel de Televive.
Perante tamanha “catástrofe”, os dirigentes e o treinador ainda ensaiaram o discurso da vitimização, favorecido por alguns erros de arbitragem num ou dois jogos, mas a contundente derrota por 5-0 que a seguir o Porto lhe infligiu acabou por deitar por terra aquela estratégia e a deixar a nu a crua realidade – o Benfica deste ano era um flop!
A seguir a esta derrota, manteve-se o plano inclinado na Liga dos Campeões e nas competições domésticas. No entanto, mercê de um conjunto de jogos em casa com equipas fracas, a equipa conseguiu fazer vários jogos sem perder, tendo depois embalado, nos meses de Janeiro e Fevereiro, para uma série de vitórias e de exibições, entre as quais a vitória no Porto para a Taça de Portugal, que voltaram a dar novo ânimo aos desalentados adeptos benfiquistas.


O pior foi que aquilo que poderia ter sido aproveitado para galvanizar a equipa, na base de um discurso prudente e realista, deu lugar, por parte dos dirigentes e também do treinador, a um discurso triunfalista, desportivamente insustentável por quem continuava o oito pontos de diferença do primeiro, que continuava a ganhar, jogando melhor ou pior, mas sem nunca perder um ponto.
E novamente voltou uma euforia que os factos não sustentavam. Criou-se nos adeptos a convicção de que a Taça de Portugal já estava ganha, a Liga Europa para lá caminhava, a Taça da Liga eram favas contadas e campeonato ainda estava por decidir, pois, tendo como certa a vitória na Luz contra o Porto, só seria preciso esperar que este “escorregasse” mais duas vezes para ele ficar no “papo”.
E depois foi o que se viu: a derrota em Braga, de um Braga que até esse jogo ainda nem sequer tinha despertado para o campeonato, as derrotas e os empates subsequentes e, para cúmulo da vergonha e da humilhação, a vitória do Porto na Luz, selando do mesmo passo a conquista do título no estádio menos improvável de todo o campeonato.
Ficavam as outras três frentes, tidas pelos responsáveis desportivos e técnicos como “absolutamente seguras”. E eis que nova humilhação acontece: o Porto volta a ganhar na Luz por margem suficiente para afastar o Benfica da final.
O grande objectivo da época – quebrar a hegemonia portista – não só ficou por alcançar, como, pelo contrário, aquela ficou muito mais consolidada, com alicerces muito seguros na profunda desmoralização infligida às hostes benfiquistas.
Tudo se perdeu: as competições, a arrogância, a moral, o brio e até a superioridade moral, que episódios lamentáveis ocorridos na Luz e na TV Benfica igualmente destruíram.
Ao Benfica fica a possibilidade de uma vitória na “tacinha da latinha de cerveja” e o medo – sim, é disso que se trata: o treinador do Benfica tem medo do Porto – de reencontrar o Porto na final da Liga Europa.
Nunca na história do Benfica se tinha vivido tamanha humilhação!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

MOURINHO GANHOU A COPA DO REI AO BARÇA



MÉRITO? SIM, DO ANTI-FUTEBOL

Como se esperava, depois do jogo de sábado passado, Mourinho acabou por levar a melhor sobre o Barcelona, na final da Copa do Rei, em Valencia, com um golo de Cristiano Ronaldo, no prolongamento.
Muito continuarão ver neste triunfo a prova do imenso talento de Mourinho. Se se olhar o futebol como um simples confronto agonístico entre duas formações, algo parecido com uma batalha, da qual depende o futuro e a sorte dos que nela participam, sim, há mérito e talento.
Porém, se o futebol for olhado como um confronto lúdico e aleatório, em que os próprios intervinientes se empenham e se divertem, destinado a proporcionar espectáculo aos que no campo ou pela televisão o seguem emocionados, tem de considerar-se que Mourinho é a negação do futebol como espectáculo.
Mourinho joga com o único objectivo de ganhar, nem que para isso tenha de sacrificar completamente o futebol. Aliás, ele nem se dá conta que está a sacrificar algo, porque é para ele tão evidente que o que está em jogo é apenas um confronto que tudo o resto lhe passa à margem.
Mais uma vez, foi penoso ver hoje dez dos melhores jogadores do mundo, metidos no seu meio-campo com o único objectivo de impedir o Barcelona de jogar. todavia, como os jogadores que fazem este triste espectáculo são muito bons, acontece que num contra-golpe podem marcar e garantir vitória.
Foi isso o que mais uma vez aconteceu. Numa bola lançada sobre o lado esquerdo, Di Maria foi mais rápido que Dani Alves, centrou e Ronaldo foi soberbo no golpe de cabeça. Estava alcançada a vitória.
Uma grande frustração para os artistas de Guardiola, que, a bem do futebol e do espectáculo que ele proporciona, vão ter de encontrar o antídoto para este anti-futebol de Mourinho, próprio de uma equipa de terceiro nível.
O futebol de Mourinho faz lembrar o do “falecido” Estrela da Amadora no tempo de Fernando Santos, quando se deslocava ao Estádio da Luz para empatar por 0-0, ou, quem sabe, num golpe de sorte ganhar. Só que os jogadores do Estrela eram pagos a pataco enquanto os do Real são pagos a peso de ouro. Mereciam outra consideração...
É triste para o futuro do futebol que treinadores como Mourinho continuem a ganhar assim, embora seja certo que as suas potencialidades estão cada vez mais limitadas aos jogos a eliminar.

O PORTO É MUITO MELHOR QUE O BENFICA



ESTE PORTO ESTÁ MUITOS FUROS ACIMA DO BENFICA

Não é só Porto, como equipa, que está muitos furos acima do Benfica, é também Villas-Boas como treinador que está a léguas de Jesus.
Adivinhava-se o que ia acontecer: só mesmo um super Benfica poderia travar este Porto, exuberante, confiante, compacto que joga como uma verdadeira equipa. E o Benfica tinha caído a pique depois do jogo com o Braga. O treinador tem responsabilidade nisso. Deveria ter assumido todos os jogos que faltava jogar com o mesmo empenhamento. O Benfica não fez isso: pôs de lado o campeonato, onde se arrasta penosamente e apostou (supôs) tudo nas outras provas.
Só que não há várias provas: há uma única prova. Para se estar a cem por cento, tem de se estar com a mesma mentalidade em todas as competições.
Tínhamos previsto neste blogue que isto iria acontecer. E ainda só estamos no começo do fim. Ainda faltam o Paços de Ferreira e o Braga, ambos com hipóteses de ganhar.
No jogo de hoje, o Benfica – o mesmo é dizer o seu treinador – cometeu vários erros. Em primeiro lugar, tentou dar a iniciativa do jogo ao Porto. O Porto não a aceitou. E o Benfica continuou privado das suas melhores armas que são os alas. Sem Gaitan e sem Salvio, mais ainda se justificava que Coentrão tivesse subido, como costuma fazer, e Maxi, também.
Mas não foi isso o que aconteceu. Durante toda a primeira parte, Maxi e Coentrão nunca subiram, e a maior posse de bola do Benfica não passou de um logro (posse de bola sem progressão), já que o Porto dominou sempre o jogo e poderia, na primeira parte ter marcado, pelo menos uma vez, nas três oportunidades que teve.
Ao passo que o Benfica teve umas bolas paradas que não deram nada e que só uma vez criou algum perigo.
Logo se percebeu que o meio-campo portista era fortíssimo, enquanto o do Benfica não existia. As bolas iam longas para a frente, onde Cardozo - picado pela “mosca tsé-tsé – é como se não existisse. Foi um erro grave deixar Aimar no banco e outro não ter posto a jogar na ala direita Weldon, que não se percebe porque não joga.
Na segunda parte, o Porto passeou a sua exuberante classe; arrumou o Benfica em dez minutos e esperou pelo fim do jogo.
As substituições de Jesus foram tardias e a de Kardec, desnecessária, porque também já viu que é uma “múmia” em campo.
No espaço de quinze dias, o Porto humilhou pela segunda vez o Benfica na Luz. Os que, arrogantemente, supunham que a eliminatória estava ganha, não vão aprender nada com o que aconteceu. É que alguns são mesmo muito pouco inteligentes. E quanto mais se mostram na televisão, mais triste é a figura que fazem.
Jesus, tal como os dirigentes antes referidos, também tem imensas limitações. Antes de mais é preciso perceber que quem não é capaz de expor, com um mínimo de coerência, uma ideia, dificilmente poderá, como treinador, ter alguma competência. É penoso ouvi-lo…No Benfica, o seu tempo terminou…
O Porto será naturalmente a equipa vencedora da Liga Europa. Este Porto é muito melhor que o Porto de Mourinho, que era uma espécie de Grécia, com um futebol feio e nada corajoso.
Não há comparação possível: este é muito melhor. A equipa assume o jogo, não é covarde, sem ser temerária. Faz o que tem de fazer, dando espectáculo, com consistência.
A vitória por 3-1 não só é inteiramente merecida como justifica os parabéns de quem gosta de futebol!