terça-feira, 23 de agosto de 2011

O SPORTING E A ARBITRAGEM



O QUE VERDADEIRAMENTE ESTÁ EM JOGO



Não há hoje a menor dúvida de que o Sporting pretende criar um clima de constrangimento sobre a arbitragem para que os árbitros, em caso de dúvida, apitem sempre a seu favor.

A estatística dos últimos anos aponta inequivocamente no sentido de o Sporting ser o clube mais favorecido pelos erros de arbitragem. O ano passado se não tivessem sido os erros que o favoreceram o Sporting teria ficado bem abaixo do Braga. Acontece, todavia, que o Sporting, para escamotear os múltiplos erros de gestão em que a sua direcção tem incorrido ao longo dos anos, soube mediaticamente prevalecer-se de duas situações em que saiu desfavorecido, para, a partir delas, e com base numa aliança tácita com o Futebol Clube do Porto, criar um clima de vitimização em nada correspondente à realidade.

Referimo-nos ao penalty do jogo da final da Taça da Liga que permitiu ao Benfica empatar o jogo e depois ganhá-lo no desempate por grandes penalidades e ao jogo contra o Beira-Mar, há duas épocas atrás, em que o clube de Aveiro marcou no início do jogo um golo com a mão, acabando por vencer a partida por 1-0.

Em ambos os casos, a irregularidade somente se detectou pela televisão, após múltiplas repetições de diversos ângulos, não sendo portanto legítimo a partir destes dois casos tirar quaisquer outras consequências que não sejam as de que num jogo de futebol há erros, cometidos por todos …e também pelos árbitros.

Depois, tanto num jogo como noutro, o Sporting, se fosse realmente superior, teria tido tempo mais do que suficiente para dar a volta ao jogo. Não fez por falta de classe e não por culpa dos árbitros.  

Mas há mais: depois da demissão de Bettencourt, Carlos Freitas, então ao serviço do Braga, entrevistado pela televisão, demonstrou que ao Sporting, ao contrário do que se diz, não tem faltado dinheiro, mas talento directivo e ilustrou as suas declarações com as centenas de contratações falhadas pelo clube de Alvalade, concluindo que, com tantos erros, não há clube que resista.

Pois é esse mesmo Carlos Freitas que agora ao serviço do Sporting e apenas com duas jornadas cumpridas vem declarar que o campeonato já perdeu toda a credibilidade depois do que se passou nas duas primeiras jornadas. E tudo isto porquê? Porque, como já se viu, o Sporting não joga rigorosamente nada e tudo aponta para mais um rol de contratações falhadas. O esforço financeiro que o Sporting realizou para esta época está longe de poder ser compensado em campo por manifesta falta de classe dos jogadores contratados. Mas não somente por isso. Também por qualquer coisa de muito negativo que se passa dentro do clube que faz com alguns – não todos – dos jogadores contratados pelo Sporting tenham em Alvalade um rendimento bem inferior ao que exibiram noutras equipas, inclusive nas respectivas selecções.

Por último, percebe-se que o Sporting, subalternizando-se, mantém a sua aliança tácita com o FCP. Como se vê pelas declarações prestadas pelos dirigentes leoninos, eles não estão nada preocupados com os penalties mal assinalados a favor do Porto – penalties inexistentes aos alhos de qualquer espectador imparcial – mas apenas com o facto de em idênticas circunstâncias não serem marcados contra o Benfica!

É esta a credibilidade que o Sporting quer trazer ao futebol português! Um credibilidade que apenas o favoreça e, se possível, também ao Porto, contra o qual, depois de Dias da Cunha-fase II, o Sporting nunca mais levantou a voz nem publicamente contestou as vantagens que o clube das Antas retira dos “erros” de arbitragem.


domingo, 21 de agosto de 2011

O BARCELONA-REAL MADRID AINDA NÃO ACABOU

Puyol, Casillas y Piqué


MOURINHO EM APUROS

 Como se previa e como aqui foi amplamente antecipado, Mourinho vai ter muita dificuldade em acabar a época no Real Madrid e, se tal acontecer, essa será seguramente uma derrota maior do que os 5-0 que levou do Barça.
Estão longe de se extinguir as sequelas dos eventos do último jogo do Real Madrid em Barcelona. Tudo o que ao longo destes dias se tem vindo a conhecer, mais não é do que a prova do profundo mal-estar que reina no Real em consequência do comportamento de Mourinho à frente da equipa.
Para além daquilo que foi revelado através de imagens, sabe-se agora que Mourinho, ao contrário do que ele vinha tornando público, considerava de extrema importância a vitória na Supercopa. Com dez dias de vantagem na preparação sobre o Barcelona, Mourinho “impôs” a vitória aos seus pupilos, importantíssima do seu ponto de vista pelo efeito desmoralizador que teria sobre os catalães.
Para isso deu-lhes instruções muito seguras sobre como actuar. Não adornar as jogadas; jogar rápido, vertical e simples, em poucos toques, para evitar os contra-ataques conduzidos por Messi. Intimou-os também a jogar duro quando não tivessem a bola, já que nenhum árbitro – disse-lhes Mourinho – teria a coragem de mostrar um amarelo a um jogador do Madrid nas duas primeiras faltas.
As coisas correram mal, como se sabe, e do balneário saíram críticas responsabilizando o treinador pelo sucedido. Segundo os jogadores, o último golo do Barcelona resulta de um incorrecto posicionamento de Coentrão que, não tendo rotina do médio, mas apenas de lateral ou extremo, posicionou-se defeituosamente. Os colegas, porém, não o culpam a ele, mas sim a Mourinho.
Em todo o caso, a imprensa espanhola lá vai dizendo que Coentrão no meio do campo recuperou apenas uma bola, contra oito do Xabi Alonso na segunda parte e acrescentam que Marcelo, no segundo tempo, como defesa esquerdo, recuperou mais do dobro das de Coentrão na primeira.
Hoje os jornais espanhóis trazem mais desenvolvimentos sobre o jogo da Supercopa e sobre Mourinho.
Nos primeiros oito meses de Mourinho em Madrid, Casillas, o capitão do Real e da selecção, afastou-se completamente da política de comunicação de Mourinho, bem como do “grupinho” dos jogadores de Jorge Mendes, que no fim dos treinos ficava nas imediações relvados de Valdebebas a conversar com o treinador e com o empresário. Segundo se diz, Casillas passava ao largo para nem sequer ter de lhes falar. Depois insurgiu-se publicamente contra o egoísmo de Ronaldo e Mourinho queixou-se publicamente de não ser acompanhado pelo capitão na defesa da equipa. Florentino Pérez terá então pedido a Casillas, grande símbolo do Real, que fizesse demonstrações públicas de lealdade a Mourinho. Foi a partir de então que Casillas passou a dizer aquilo que o treinador queria que ele dissesse, a ponto de ter entrado em conflito com alguns dos seus grandes amigos da selecção, nomeadamente Xavi.
No jogo da passada quarta-feira, Casillas foi muito criticado por ter dito que Fabregas, seu companheiro de selecção, estava a fazer teatro. Porém, depois de ter visto repetidas vezes a entrada de Marcelo, rectificou a sua posição e telefonou a Xavi e a Puyol, para lhes dizer isso mesmo.
A selecção falou mais alto. Entre seguir acriticamente Mourinho e desagregar a selecção, Casillas defendeu a Espanha, como se previa e como os espanhóis de todos os clubes desejariam.
Entretanto, Mourinho passou a ser internamente muito mais crítico de Ronaldo que, como toda a gente viu, não se meteu na confusão, ficou a falar tranquilamente com Iniesta e também já deu público conhecimento pelo desconforto que para ele representa entrar numa partida contra o Barcelona numa posição defensiva.
Em resumo: aquilo que Mourinho mais prezava e que julgava controlar – a privacidade do balneário – está hoje completamente posto em causa: a devassada é da responsabilidade dos jogadores, e não de outros sectores, que vão, anonimamente, dando conta do que lá se passa e do seu estado de espírito. E tudo isto vai “corroendo” Mourinho e fazer aumentar a paranóia de que já dá claros indícios quando pretende fazer crer que está lutando sozinho….contra todos!

BENFICA VENCE FEIRENSE

BENFICA VENCE MAS NÃO CONVENCE




O Benfica venceu o primeiro jogo em casa na segunda rodada do campeonato frente ao Gil Vicente recém-promovido por 3-1.
O resultado parece folgado, mas é enganador. O Benfica marcou cedo e poderia, no primeiro tempo, ter ampliado a vantagem não fosse a falta de pontaria, ou a pontaria a mais, dos seus avançados. Como não marcou e sofreu na segunda parte o golo do empate, por Rabiola, passou por algumas dificuldades que só mesmo muito perto do fim conseguiu aliviar.

A nota mais negativa é o Benfica continuar a sofrer golos de bola corrida por falta de coordenação na defesa. No golo do Gil Vicente, uma parte da defesa subiu e dois jogadores ficaram, deixando o avançado do Gil em jogo e à vontade para fazer golo.

Logo a seguir ao empate, Saviola caminhava isolado para as redes, mas o árbitro interrompeu a jogada para mancar um fora de jogo inexistente. Algum tempo depois também um avançado do Gil, Ludovic, caiu depois de um contacto com Javi Garcia. Apesar de Javi ter entrado na jogada com os braços abertos – o que é permitido – e de ter tocado nas costas do jogador do Gil Vicente, não parece que o lance seja merecedor de grande penalidade. Obviamente que uma jogada idêntica com Hulk daria penalty, mas na Europa ninguém marcaria tal falta.

Lá mais para diante, Maxi isolou-se pelo lado direito, ganhou a linha de baliza e cruzou para Cardozo que fez golo. Estava desfeito o empate, mas o jogo não estava acabado. Só por inépcia de Jonathan é que o Gil Vicente não voltou a empatar numa jogada semelhante à que deu o golo do Benfica.

Perto do fim a passe de Witsel, Bruno César, que entretanto tinha entrado, marcou um grande golo em remate cruzado, depois de num curto espaço de terreno se ter desenvencilhado de dois adversários.

Foi a tranquilidade, mas a dúvida quanto a este Benfica permanece. Sofre muitos golos. Tem falta de sincronização na defesa. E concede espaços exagerados. Na próxima quarta-feira se jogo o futuro próximo da equipa.

No Benfica, Capdevila estreou-se como titular, tendo Emerson ficado na bancada. No decurso do jogo, Witsel rendeu Gaitan aos 60 minutos; Bruno César entrou para o lugar de Aimar aos 77m e Enzo Pérez substituiu Nolito perto do fim do jogo.

Nolito igualou Eusébio, marcando nos primeiros cinco jogos oficiais em que participou. Interessante, tanto mais que Jesus, ao contratá-lo, parecia ter-lhe reservado um lugar no banco. O espanhol impôs-se e hoje quem espera a sua vez para jogar é Enzo Pérez.


sábado, 20 de agosto de 2011

PROBLEMAS DA ARBITRAGEM




O PORTO MAIS UMA VEZ; OS PROTESTOS DO SPORTING; E AS FALSAS SOLUÇÕES...
Liga pede à FPF árbitro de 2ª categoria (SAPO)

 O Sporting tem de arranjar uma desculpa para os sucessivos maus resultados com que iniciou a época. A arbitragem é desculpa mais simples e mais fácil, apesar de nos últimos dois anos ter sido indiscutivelmente a equipa que mais beneficiou dos “erros” de arbitragem.
Já voltaremos ao Sporting e às suas propostas. Antes, porém, interessa analisar o que se passou no Porto-Gil Vicente. Uma vergonha, é o mínimo que se poderá dizer. Logo aos quatro minutos Otamendi deveria ter sido expulso por ter derrubado, isolado, o avançado do Gil que corria em direcção à baliza do Porto. O árbitro resolveu o assunto, marcando penalty e admoestando o defesa do Porto com um simples cartão amarelo.
Poucos minutos depois, Hulk, mais uma vez, caiu na área, sem ninguém lhe tocar, numa simulação grosseira que o árbitro sancionou com uma grande penalidade contra o Gil Vicente. Um escândalo! Se isto continua assim mais vale acabar já com o campeonato e encarregar o presidente da comissão de arbitragem de entregar o título ao Porto. Recuperando o vernáculo de Eduardo Catroga, o mais que se pode dizer é quem tocar em Hulk, dentro da área, com um “pentelho” sofre grande penalidade.
Mas há mais: um pouco mais tarde, num cruzamento, um avançado do Gil Vicente é, dentro da área, positivamente abalroado por um defesa do Porto e o árbitro nada marca. O mesmo que em Guimarães, ou seja, o costume.
Voltando às críticas do Sporting. A principal crítica que se pode fazer às queixas do Sporting é a falta de credibilidade. Nunca, mesmo nos casos mais escandalosos, os comentadores do Sporting na TV reconheceram um erro de arbitragem que os favorecesse, salvo quando o lance já não tinha qualquer interesse para o desfecho do encontro. Com os dirigentes, nestes últimos anos, passou-se exactamente o mesmo. Por isso, há todas as razões para supor que aquilo que o Sporting pretende é pressionar a arbitragem, para que esta passe a apitar em seu favor.
Quanto às propostas destinadas a assegurar a verdade desportiva, é preciso perceber muito bem o que se pretende. À semelhança do que se passa com as propostas de Rui Santos, também não se percebe muito bem o que é que o Sporting quer. O assunto já foi abordado neste blogue, mas vale a pena voltar a ele.
Em primeiro lugar, tudo o que se destine a assegurar a transparência da arbitragem é de louvar: critérios de nomeação dos árbitros; conhecimento público dos relatórios e classificações; criação de uma instância de recurso constituída por pessoas idóneas, nomeadas à margem dos clubes, para decidir, no máximo, em três dias, sobre a classificação atribuída ao árbitro e outras medidas no mesmo sentido serão bem-vindas e devem ser apoiadas por quem realmente preza a verdade desportiva.
Já quanto ao que se passa dentro do campo, relativamente às decisões do árbitro e quanto à possibilidade de recorrer a meios externos, é preciso compreender muito bem o que se pretende.
As leis que regem o futebol, como quaisquer outras leis, para serem aplicadas carecem de interpretação. E por mais rígidos que sejam os critérios que o intérprete está obrigado a seguir, resta sempre na interpretação de qualquer norma uma margem de irredutível subjectividade, tanto maior quanto mais difícil for a definição dos conceitos utilizados na sua redacção. Raros são os casos em que a aplicação de uma norma resulta de uma interpretação unívoca. Isso só acontece quando usam grandezas matemáticas (a barreira tem de estar a colocada a x metros da bola) ou outros casos semelhantes (por exemplo, é golo quando a bola ultrapassa por inteiro a linha da baliza ou, a regra de fora de jogo, nos casos em que a bola provenha de um companheiro de equipa ou ainda nos casos de a bola ter ou não ter saído das linhas de jogo). Nos demais casos há sempre lugar a uma avaliação, que se não for feita pelo árbitro vai ter de ser feita por alguém em seu lugar.
Portanto, o que é preciso perceber é se o Sporting pretende que a arbitragem recorra às ditas novas tecnologias em todos os casos ou apenas naqueles em que a aplicação da norma resulta de uma interpretação unívoca, isto é, uma interpretação que não varia em função de quem a faz, ou, de uma forma mais simples, nos casos em que o que está em jogo é uma simples declaração de ciência e não uma valoração.
Postas as coisas nestes termos, que são os únicos em que correctamente a questão se pode pôr, não deveria haver qualquer objecção ao recurso a esses novos meios nos casos em que o que está em jogo é uma simples declaração de ciência: a bola entrou ou não entrou; saiu ou não saiu; a barreira estava ou não estava à distância regulamentar; foi ou não foi off-side (embora neste caso apenas se houver meios tecnicamente fiáveis; de outro modo presta-se a batota).
Nos demais casos é absolutamente contrário à natureza do futebol criar uma instância de recurso susceptível de modificar a decisão do árbitro. É da essência do futebol que o árbitro decida em última instância, sem prejuízo obviamente do protesto por erro técnico. Se nestes casos se recorresse às novas tecnologias o que na prática se estava a fazer era a substituir a avaliação do árbitro pela avaliação de uma outra entidade estranha ao terreno de jogo. O futebol não é isso.
As arbitragens competentes e as arbitragens sérias têm de ser alcançadas por outras vias.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

MOURINHO INCENDEIA O FUTEBOL ESPANHOL




MOURINHO JOGA O SEU FUTURO ATÉ AO NATAL

Basta ler a imprensa espanhola e conhecer um pouco a psicologia colectiva do país vizinho para imediatamente se perceber que Mourinho está com a “cabeça a prémio”, jogando na presente temporada o destino do seu próximo futuro.

Antes de mais os espanhóis, como muitos outros povos, são ferozmente nacionalistas, capazes de cerrar fileiras contra o inimigo externo mesmo que internamente se mantenham disputas muito acesas, senão mesmo violentas.

Mourinho é considerado na Espanha um estrangeiro arrogante, que não se deixa subalternizar ou intimidar por viver em país alheio. A arrogância de Mourinho assenta na vitória. E vitória é coisa que Mourinho ainda não alcançou em Espanha, salvo a Copa do Rei, jogada no contexto de múltiplos jogos com o arqui-rival Barcelona do qual saiu derrotado nos demais.

Mais do que em qualquer outro país, Mourinho, em Espanha, depois da humilhante derrota por 5-0, assentou a sua estratégia num confronto verbal violento contra o Barcelona e contra diversos outros poderes do futebol espanhol, quebrando assim uma tradição do “madridismo” que sempre se orgulhou de construir a sua grandeza futebolística apenas e só dentro do campo de jogo.

Para estar completamente à vontade e sentir que a sua estratégia era levada à prática sem hesitações nem reticências, Mourinho, depois de convencer (?) Florentino Pérez que o seu caminho era o único que poderia travar a hegemonia do Barcelona, reclamou para si todo o poder, afastou Valdano e passou a ser ele a comandar toda a acção do Real Madrid tanto dentro como fora do campo numa manifestação de concentração de poder como antes nunca se tinha visto na história do Real Madrid.
Os sectores “intelectuais” do Real reagiram nos chamados jornais de referência a esta predominância de Mourinho, mas o presidente apoiado pelos “hinchas”, pela Marca e, o que parece, pelos jogadores, tem mantido a confiança em Mourinho na expectativa de que este seja o caminho certo para a vitória. Que a alcançar-se tudo desculparia…

Mourinho, “educado” no que há de pior no futebol português, incapaz de ganhar dentro do campo por mérito próprio ao grande Barcelona da actualidade, quis transportar para Espanha, ao serviço do Real Madrid, o clima de permanente guerrilha e de violência verbal que há vários anos existe em Portugal, de modo a criar na aficcion merengue e nos próprios jogadores um estado de espírito capaz de os convencer de que somente a luta contínua contra o inimigo externo poderá levar à vitória.

E então, desde a agressividade no campo, por vezes violência, à guerra verbal fora do campo, tudo lhe vai servindo para atingir os seus fins. Em conferências de imprensa cada vez mais patéticas, Mourinho tem aparecido como uma espécie de mórmon do Utah, fanático, que só vê pecado e devassidão fora da sua seita, contra os quais luta, numa pugna desigual, pela “virtude” que só ele incarna.

Acontece que a Espanha não é Portugal e apesar da fractura, por vezes violenta, da sociedade espanhola em múltiplos outros domínios, ela não se tem deixado instrumentalizar no futebol pelos métodos muito rudimentares de que Mourinho faz uso. Por várias razões: em primeiro lugar, porque Mourinho é estrangeiro, desagradando ao espanhol entrar numa guerra comandada por um estrangeiro; depois, porque há em Espanha a convicção generalizada, mesmo nas hostes do Real Madrid, de que o Barcelona tem uma grande equipa e o que os madridistas verdadeiramente queriam era a construção de uma equipa em Madrid que, pelo seu futebol, pudesse suplantar a de Barcelona e não uma guerra contra o poder de supostos inimigos externos…já que, por definição, o poder está com eles, no centro e não na periferia; finalmente, porque os espanhóis têm um orgulho desmedido na sua selecção, campeã da Europa e do Mundo, e o que menos pretendem é a criação de um clima de violência e de permanente crispação que possa levar à desagregação da selecção, maioritariamente constituída por jogadores do Madrid e do Barcelona.

Por todas estas razões, e mais ainda pelo passado do Real Madrid e o seu tradicional posicionamento no futebol espanhol, Mourinho vai ter poucas hipóteses, ou nenhumas, de ganhar os jogos fora do campo, pelo que começa a escassear o tempo que lhe resta para provar o que vale. Até ao Natal se definirá o seu futuro e, em grande medida, o seu futuro como treinador de mérito.

É muito provável que, para combater o clima que Mourinho está a tentar criar no futebol espanhol, muito rapidamente sejam tomadas medidas severas contra ele na sequência dos acontecimentos de quarta-feira passada. Medidas que, a acontecerem, Mourinho tentará mais uma vez aproveitar ao serviço da sua estratégia. Mas sem êxito, pois como já se viu, o caminho seguido por Mourinho não tem saída.
E isso também demonstra, como neste blogue sempre se tem defendido, que Mourinho não é assim tão inteligente quanto o fizeram. Se persistir na sua estúpida estratégia vai mesmo, mais tarde ou mais cedo, ter de regressar à base, que esse sim é o lugar do mundo onde melhor se poderá integrar e onde terá mestres à altura para colmatar as suas eventuais lacunas ou mesmo para tomarem a seu cargo o essencial do “jogo sujo” de que não prescindem para as suas actuações.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

MOURINHO DERROTADO NA SUPERCOPA ESPANHOLA


MESSI É ÚNICO
Messi sí que es único

Num jogo muito intenso, preparado tacticamente ao milímetro por Mourinho, o Real Madrid, apesar de ter estado melhor do que nos cinco jogos do ano passado contra o Barcelona, o mais que conseguiu foi marcar dois golos e criar algum suspense a nove minutos do fim.
Viu-se, mal o jogo começou, que Mourinho optou desta vez por uma pressão muito alta para tentar “matar” à nascença o jogo do Barça e simultaneamente fazer uma marcação cerrada a Xavi, o grande maestro do meio-campo, certamente por admitir que neutralizando-o acabaria por “secar” a fonte inspiradora da essência do jogo catalão.
Pressão alta, no estilo Mourinho, não significa jogar ao ataque; significa apenas defender ou destruir mais à frente. E foi isso o que Mourinho fez, apoiando-se sempre que possível no jogo violento de Pepe – um verdadeiro animal à solta nos campos de futebol. Tentando desorganizar o jogo do Barcelona na sua origem, Mourinho também acreditava tirar partido nas bolas transviadas por intermédio de Cristiano Ronaldo ou Benzema, ou até de Özil.
E assim aconteceu nos primeiros minutos de jogo a ponto de alguns terem ficado com a sensação de que estava encontrado o antídoto para o "tica-taca" do Barcelona. Puro engano: a pressão alta pressupõe dobragens eficazes e protecção sem falhas das costas da defesa. Na primeira oportunidade lá estava Messi a isolar com um passe longo Iniesta que fez golo. E a cena repetiu-se por várias vezes até ao último minuto de jogo só não tendo outras consequências porque na baliza do Real Madrid está um super guarda-redes - Casillas, capaz de ganhar a maior parte das disputas no um contra um.
Mesmo assim o Real sempre incomodou, tendo igualmente posto à prova a eficiência de Valdez (um portento a jogar com os pés), acabando por empatar com um golo de Cristiano Ronaldo aparentemente marcado em fora de jogo.  
Perto do fim da primeira parte, na sequência de um canto, Messi, a passe de calcanhar de Piqué, desembaraçou-se dos opositores merengues e fez de pé direito o 2-1 para o Real Madrid.
Na segunda parte o jogo perdeu qualidade. Percebeu-se que o Barcelona ainda está longe da forma física ideal, tendo por isso baixado propositadamente o ritmo de jogo.
Mourinho deixou Khedira, já com um cartão amarelo, no balneário e fez entrar no jogo Marcelo, para o lugar de Coentrão, que passou doravante a desempenhar a ingrata e infrutífera tarefa de marcar Messi. Via-se, porém, não obstante todas as cautelas de Mourinho, que a todo o momento Pedro ou Messi poderiam aparecer isolados frente a Casillas e fazer o 3-1, tanto mais que as tarefas agressivamente defensivas que Marcelo estava encarregado de desempenhar ficaram muito cedo prejudicadas com um entrado dura que lhe mereceu o cartão amarelo.
Apesar da intensidade do jogo e quando já se esperava a vitória do Barcelona, o Real Madrid por Benzema empatou a nove minutos do fim na sequência de uma série de ressaltos após a marcação de um canto, quando Kaká já se encontrava em jogo.
Animaram-se as hostes madridistas que viram nesse golo o prenúncio de uma vitória em Camp Nou, fosse no prolongamento ou nos penalties. Mas eis que poucos minutos volvidos, o super Messi, muito provavelmente o melhor jogador de todos os tempos, põe ponto final na contenda, concluindo com um grande golo uma típica jogada de ataque do Barcelona.
Os minutos que decorreram até ao fim do jogo são de grande nervosismo para ambas as equipas. Mas os de Madrid perdem a cabeça e Marcelo, o tal que tinha vindo com instruções de impor mais dureza no corredor direito do Barça, tem uma entrada verdadeiramente assassina sobre Fabregas, entrado pouco tempo antes, e é expulso.
Como o lance ocorreu junto à linha da área técnica, assistiu-se à cena do costume em circunstâncias semelhantes. Quem estava fora do campo entrou em “jogo”, gerou-se uma grande confusão, logo aproveitada por Mourinho para meter um dedo no olho do adjunto de Guardiola, acabando Villa e Özil, que já tinham sido substituídos, por ser expulsos e outros jogadores admoestados com cartão amarelo.
Entre um modelo de jogo que acredita na sua superioridade técnico-táctico e a escravidão da táctica acabou, mais uma vez, por vencer o futebol de quem joga e deixa jogar contra o futebol de quem acima de tudo se preocupa em não deixar jogar. Salve, Guardiola!
Do ponto de vista lúdico, dimensão que o futebol não pode deixar de ter não obstante os grandes interesses que lhe estão associados, constituirá certamente uma grande frustração para os jogadores mais criativos a “escravidão” táctica a que Mourinho os submete. Que saudades vão ter Di Maria e Coentrão das “liberdades” de que gozavam no Benfica e que tanta fama lhes granjearam nos quatro cantos do mundo. Em Madrid, como ainda hoje se viu, nunca passarão de uma peça – mais uma – da engrenagem montada por Mourinho para sua glória pessoal.
Finalmente, uma referência às grandes exibições. Para além do super Messi, destaque muito especial para Daniel Alves e para Casillas, ambos com exibições impecáveis. Cristiano Ronaldo, melhor na primeira parte do que na segunda, perdeu mais uma vez, a grande distância, o confronto com Messi.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O BENFICA EMPATOU NA HOLANDA


A ELIMINATÓRIA NÃO ESTÁ RESOLVIDA

'Rei' Artur vale empate ao Benfica na Holanda (2-2)

 O Benfica empatou na Holanda contra o Twente no play off da Liga dos Campeões 2011/2012 num jogo bem disputado, emocionante e com várias hipóteses de golo para cada lado.
As oportunidades do Twente foram quase todas neutralizadas por Artur que fez mais uma grande exibição. Desde Michel Preudhomme que o Benfica não tinha na baliza um guarda-redes com tanta classe. Artur é um daqueles guarda-redes que despontam tarde, que se afirmam perto dos trinta e que ainda têm pela frente uma grande carreira. Ao Benfica não poderia ter acontecido nada melhor depois da decepção que Roberto constituiu a época passada.
O Twente marcou muito cedo, aos seis minutos, depois de Gaitan ter desperdiçado uma oportunidade flagrante de golo quando se encontrava isolado a frente a Mihaylov.
Depois de um começo mais forte dos holandeses, o Benfica empatou num grande golo de Cardozo, depois de uma recuperação de bola de Aimar, que voltou a realizar uma grande exibição.
Pouco depois numa jogada de contra-ataque em que participaram vários jogadores do Benfica, Witsel, frente ao guarda-redes adversário, numa demonstração de grande classe e de grande compreensão do que é um jogo colectivo, lateralizou para Nolito que assim marcou o terceiro golo na Champions.
Na primeira parte, em remates de longe ou de bola parada Artur foi chamado a intervir, fazendo-o sempre com segurança, embora o Benfica tivesse o jogo relativamente controlado.
No segundo tempo intensificou-se a pressão do Twente, com Artur sempre a responder bem, e com o Benfica a ameaçar marcar o terceiro.
Aos sessenta minutos, Aimar foi substituído por Saviola, e o jogo do Benfica perdeu alguma consistência. Saviola não concretizou a maior parte das jogadas em que interveio, nem trouxe nada de novo ao ataque do Benfica.
Ruben Amorim entrou para o lugar de Gaitan, mas não foi suficiente para compensar a nítida baixa de forma física de Maxi. Revendo o encontro, percebe-se que com o "Maxi doutras eras" o Twente não teria marcado os golos que marcou – nem o primeiro, nem o segundo. Em ambos Maxi tem responsabilidades. As condições em que entrou na equipa, depois da vitória na Copa América, não são as melhores. Tal como o ano passado vai ser necessário esperar algum tempo para ver chegar o grande Maxi.
Perto do fim do jogo, o Twente empatou com um golo irregular sancionado pelo árbitro e pelo juiz de baliza, ambos muito perto do lance.
O Benfica terminou o jogo tranquilamente, poderia até ter ganho, se Nolito mantivesse a mesma eficácia a que nos acostumou.
Em suma: o Benfica tem todas as condições para passar a eliminatória, mas não pode facilitar. Tem de defender melhor e ser mais eficaz no ataque. De sublinhar que os golos sofridos pelo Benfica este ano têm sido todos de bola corrida. Talvez porque nas bolas paradas tenha Artur na baliza. Talvez porque nas bolas corridas a defesa precise ainda de muito trabalho. Cinco golos em quatro jogos oficiais é muito golo…

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PEDRO HENRIQUES – O GRANDE DETURPADOR



DECISÃO INADMISSÍVEL DA TVI


A TVI manteve no programa desportivo Mais Futebol a mesma equipa do ano passado, depois da saída de Sá Pinto.
É absolutamente inadmissível que a emissora tenha escolhido para comentar a arbitragem um árbitro classificado em último lugar na época 2009/2010 e que, por isso, teria baixado de categoria se tivesse continuado no activo. Acontece que Pedro Henriques é medíocre. Mas é mais do que isso: como ele está vendo o mesmo que todos nós vemos e interpreta os lances de forma completamente diferente daquilo que eles foram e sempre em benefício directo ou indirecto do mesmo clube só pode tirar-se a conclusão de que tal comentador não é confiável. E nada pior do que ter no futebol gente ostensivamente suspeita. A TVI tem obrigação de o mandar para casa imediatamente se quiser servir o futebol. Se, pelo contrário, pretender associar-se à batota deve mantê-lo.
 Dos lances apreciados relativos à primeira jornada a única coisa que se pode dizer a partir das imagens apresentadas é que no jogo do Guimarães-Porto Benquerença esteve igual a si próprio. Ou seja, uma alma gémea de Pedro Henriques. Marcou contra o Guimarães uma grande penalidade inexistente e fez que não viu uma mão de Rolando…que continua, como na época passada, com autorização para jogar a bola com a mão dentro da área. Mas há mais: o jogador que pisou Moutinho foi punido e Moutinho numa entrada violenta sobre um avançado do Guimarães foi punido com amarelo quando deveria ter sido expulso.
Nas várias incidências do jogo vê-se perfeitamente que Benquerença arbitrou a favor do Porto. Como sempre. Também não deveria estar no futebol
No jogo Gil Vicente - Benfica é completamente falso que Nolito esteja em off-side. Há uma imagem distorcida que sugere essa possibilidade, mas na imagem em que se vê a metade do campo defendida pela turma de Barcelos percebe-se perfeitamente que Nolito está em jogo. Aliás, nem sequer está em linha!
No jogo de Alvalade é falso que o Jogador do Olhanense tenha tocado voluntariamente a bola com a mão. Na rotação do corpo a bola toca-lhe na mão involuntariamente. De acordo com o critério da generalidade dos árbitros portugueses tal situação não configura uma infracção. Critério certamente discutível, antes de mais pela sua subjectividade. Em tais casos não seria nada difícil, mesmo tendo em conta a letra da lei, formular um critério objectivo que pusesse termo às polémicas que tais lances suscitam.
Há duas expulsões não sancionadas, uma para cada lado. No lance do golo anulado a Postiga, parece que o jogador está em jogo. Mas a imagem da TVI não é esclarecedora. Pode ser que na emissora que transmitiu o jogo tenha sido mostrada outra imagem, mas as da TVI não esclarecem nada.
Em conclusão: continua tudo na mesma: batota no campo e batota no comentário…

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

COMEÇOU O CAMPEONATO: O BENFICA EMPATOU EM BARCELOS




ERROS CRASSOS DE JESUS




O Benfica tem um plantel melhor que o do ano passado, tem bons valores individuais, poderia fazer uma boa equipa, mas não tem um treinador à altura. Estar a ganhar por 2-0 aos dezanove minutos de jogo e empatar é algo que não augura nada de bom.

Mais uma vez o arrogante Jesus evidenciou aos olhos de toda a gente as suas conhecidas limitações. Em primeiro lugar, é inexplicável que Cappedevila não tenha sido convocado, nem faça parte da lista dos jogadores utilizáveis no play-off da Liga dos Campeões. Mesmo que haja razões técnicas para o deixar de fora, as justificações de Jesus são inaceitáveis. Só quem pretenda criar mau ambiente no balneário pode apresentar justificações como as de Jesus.

Mas há mais: no jogo desta noite, contra o Gil Vicente, a saída de Aimar, em detrimento de Jara, é mesmo de quem percebe pouco de futebol. Não está em causa a entrada de Witsel, naquela altura ou mais tarde, mas sim a substituição do jogador mais criativo do Benfica, ainda por cima a jogar muito bem, deixando ficar em campo quem reúne poucas ou nenhumas condições para jogar de início. DE facto, manter Jara em campo foi um erro: um erro crasso. Mas se a saída de Aimar é injustificável, a de Gaitan também anda lá perto. Não que Gaitan estivesse a fazer uma grande exibição, mas com Gaitan em campo é sempre possível esperar que o “impossível” aconteça. Enzo Perez ainda está muito longe de poder corresponder às exigências do futebol europeu.

Tudo isto será estupidez do treinador? Provavelmente é, mas nunca é de pôr de parte a hipótese, num desporto tão permeável aos mais diversos interesses, como é o futebol profissional, que haja, além da estupidez, outras razões.

Jesus é caprichoso, vingativo e acima de tudo pouco inteligente. Cabe-lhe por inteiro a responsabilidade do empate.

Na defesa, só Artur realizou uma grande exibição. Ruben Amorim, tal como Jara, é para entrar com o jogo em andamento, de preferência no meio do campo. O primeiro golo do Gil Vicente resulta de uma falha sua, inadmissível em alta competição, com a agravante de ser um tipo de intervenção (no caso, de não intervenção) que já poderia ter dado mau resultado uns minutos antes. Foi por um triz que não deu.

Emerson é um jogador de qualidade média, sem rasgo, com poucas falhas, mas de pouquíssima utilidade atacante. Não convocar o lateral esquerdo da selecção espanhola, campeão da Europa e do Mundo, é algo que só mesmo está ao alcance de um treinador como Jorge Jesus.

Os centrais que jogaram também não são nada de especial. Jardel é vulgar e Garay está longe de ser um craque. Ou seja, Luisão faz muita falta.

A linha média tem hoje mais força, mas ela só será rentabilizada se na frente houver jogadores de grande nível. E esses não são certamente Jara, nem Enzo Pérez - este, pelo menos, para já.

Nolito e Saviola marcaram pelo Benfica. Com o golo de hoje, Nolito soja soma cinco com a camisola do Benfica

O Gil Vicente ficou claramente perturbado com a rapidez e a capacidade de contra-ataque do Benfica, sofreu dois golos em menos de vinte minutos, mas nunca se desorganizou. Marcou no fim da primeira parte um golo oferecido por Ruben Amorim e no começo da segunda, quando parecia estar a claudicar, por Laionel. Um grande golo! Manda, todavia, a verdade que se diga que antes e depois do dois zero o Gil Vicente só não marcou devido à grande classe de Artur.
A arbitragem, embora sem clase, comno se esperava, não teve qualquer influência no resultado. Marcou faltas inexistentes num jogo disputado com correcção, salvo uma ou outra simulação. Puniu uma, deixou por punir outra.

Em conclusão, o Benfica começa mal e, como se verá, Jesus não tem futuro na Luz. São erros a mais…

terça-feira, 12 de julho de 2011

BENFICA: ESTE ANO AINDA VAI SER PIOR QUE O ANO PASSADO

ESTÁ A ACONTECER O QUE SE PREVIA



Se com a equipa do ano passado, Jorge Jesus não conseguiu fazer nada, com a deste ano ainda fará muito menos.

Nunca é demais afirmá-lo: no primeiro ano que passou pelo Benfica, Jesus ganhou o campeonato na última jornada, apesar de ter um plantel que contava com David Luiz, Ramires, Di Maria, Coentrão e Quim, além evidentemente de Luisão, Maxi Pereira, Javi Garcia, Saviola, Aimar e Cardozo.

Com esta equipa, qualquer treinador ganharia o campeonato. O ano passado, sem Ramires, Di Maria e Quim e também, a partir do Natal, David Luiz, mas contando com Sálvio, Gaitan e Jara ficou a mais de 20 pontos do Porto.

Este ano, sem Coentrão e sem Sálvio, mas com uns tantos cujos nomes ainda quase ninguém conhece, o Benfica arrisca-se a disputar com o Braga ou com o Sporting o quarto lugar. Nem sequer vai haver decepções e muito menos surpresas. Já toda a gente percebeu o que se vai passar.

E mais uma vez se confirmará que no Benfica não falta dinheiro, mas falta quem saiba comprar. Porquê? Isso é mais complicado de perceber. A única coisa que se sabe, é que esses repetidos “erros” no Benfica não têm qualquer consequência. E quando descobrem algum mesmo bom, ele acaba por ir para o Porto, sem sequer ter passado pelo Benfica…

Vale a pena esperar mais uns dias para se perceber até onde pode ir o descalabro….

terça-feira, 21 de junho de 2011

VILLAS BOAS RESCINDE COM O PORTO

OS EQUÍVOCOS DE PINTO DA COSTA
Da cadeira de sonho para o Chelsea. Villas Boas segue os passos de Mourinho



Parece cada vez mais evidente que, em matéria de paixões, Pinto da Costa não é fiável. A história de amor que ele tanto encareceu em público entre Vilas Boas e o FCP, tal como tantas outras em que Pinto da Costa tem estado envolvido, correu mal. É certo que o Porto vai receber muito dinheiro, muito mais do que aquilo que o treinador parece valer por muitos e bons que sejam os seus méritos. Só que o dinheiro, por muito que seja, nunca apaga a ferida intensa causada pela “traição”.

Basta ler e ouvir os arautos do FCP nos jornais e nas televisões para imediatamente se perceber a dor intensa que lhes fustiga alma: traição, desonestidade, ingratidão são as palavras mais ouvidas.

De facto, parece impossível como um homem inteligente como Pinto da Costa e tão frio na escolha dos meios para atingir os seus fins seja tão vulnerável às paixões. Como ele acreditou no amor eterno que Vilas Boas jurou ao clube das Antes. Como é possível que Pinto da Costa, que até dizem conhecer os poetas, ainda não tenha percebido que o “amor só é eterno enquanto dura”?  

E hoje na devoradora sociedade capitalista em que vivemos ele é tão fugaz e o dinheiro exerce sobre ele uma influência tão negativa que não deixa de ser espantoso que um homem com tantas “capacidades” para alcançar resultados se deixe envolver por uma história de amor…no futebol. Nesse mesmo futebol onde ele tem resolvido muitas questões com dinheiro e com outros processos, onde o amor nunca entra!

Esta é sem dúvida a maior derrota pessoal de Pinto da Costa. Muito maior do que a sofrida frente a Carolina Salgado, que ele rapidamente descredibilizou (a partir da própria família dela), ou mesmo frente a Mourinho, que ele sempre teve como um “mouro mercenário” pronto a dar o salto na primeira ocasião e com depois acabou por fazer as pazes vendendo-lhe jogadores por preços que só Mourinho pode comprar…

Agora, não se sabe até onde vai a infidelidade: tudo depende de Abramovich para quem o dinheiro é coisa sem importância dada a forma como lhe veio parar às mãos. Ela, a infidelidade, pode estender-se a Moutinho e a Falcao. Seria muito dinheiro, mas nem assim a dor se apagaria…

Com todo esse dinheiro talvez Pinto da Costa ceda à tentação de vir “buscar” Jesus ao Benfica. O que seria certamente um grande alívio para os benfiquistas que podem ter que vir a pagar eles a “cláusula” lá mais para Novembro ou até antes, logo que as ilusões da nova época começem a cair por terra.

A Villas Boas tem de elogiar-se acima de tudo a coragem. Claro que ele tem uma vantagem face aos que, como jogadores, treinadores ou noutras funções, já passaram ou pretenderam passar por situações idênticas às dele: Villas Boas é do Porto, já foi dos Super Dragões, enfim, conhece a casa por dentro. Sabe melhor que ninguém como defender-se. Mesmo assim…foi corajoso!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

BENFICA E A NOVA ÉPOCA

BREVES CONSIDERAÇÕES



Não falta quem vaticine o pior para a nova época que se avizinha. O pior seria o Benfica falhar a Champions. E se tal acontecer desculpas não faltarão: a Copa América será a grande responsável. Até parece que o Benfica não sabia que em 2011 haveria Copa América. De facto, uma equipa com as pretensões do Benfica tem de estar preparada para estas situações. Ou seja, tem de ter uma defesa que, não sendo tão boa como a que estará ausente, saberá mesmo assim desempenhar o seu papel.

Depois há também quem vaticine que se as coisas começarem a correr mal, seja na Champions, seja no Campeonato, Jesus não chegará ao Outono. Se isso viera acontecer, apenas tem de se lamentar que tal desfecho não tenha ocorrido antes na Primavera passada. Na verdade, a sensação que se tem é a de que Jesus está esgotado. A forma habitual de escamotear esta situação é o treinador convencer a direcção que a maior parte dos jogadores tem de ser substituída. Gente nova é, por definição, mais dócil.

Aliás, é este entendimento das coisas que levou à dispensa de Nuno Gomes, bem como a sua parca utilização na temporada finda. Os 52 minutos que Jesus lhe concedeu em 2010/2011 serviram para justificar o desfecho agora conhecido, apesar de nesses escassos 52 minutos ter marcado 4 golos! Nuno Gomes nunca foi um “matador”, mesmo nos seus tempos áureos. Mas é um jogador experiente que, curiosamente, passou a falhar menos com a idade. Se o Benfica tivesse um ponta de lança como Falcao ou mesmo como o Cardozo de 2009/2010 e um segundo ponto de lança de relativa produtividade no tempo que lhe foi concedido, ainda se poderia admitir a dispensa do terceiro ponta de lança. Poderia, mas tratando-se de quem se trata seria sempre uma opção muito discutível. Mas com um jogador como Cardozo que o ano passado passou a maior parte do tempo a “dormir em campo”, provavelmente por não ter saído, e Kardec que não acertou uma para a “caixa” e falhou golos incríveis, a dispensa de Nuno Gomes não tem qualquer justificação técnica, mas apenas e só uma justificação relacionada com a chamada “gestão do plantel”. Jesus não quer na equipa gente de prestígio a criticar pelo silêncio – um silêncio contagiante – o seu trabalho. Ou seja, é a fraqueza do treinador que dispensa Nuno Gomes e não a idade do avançado.

Não é a primeira vez que situações destas acontecem. Elas ocorrem em todas as equipas e sempre pelas mesmas razões. O juízo crítico que elas merecem é que varia consoante os resultados obtidos.

Quanto ao mais, o Benfica continua a comprar muita gente nos jornais e também a vender nos jornais, nestes casos por iniciativa dos empresários e a colaboração dos jogadores em causa. O que se passou com Coentrão é mais uma prova da falta de autoridade da direcção, nomeadamente do presidente. O empresário conta mais…Noutro clube que a gente conhece, se isso acontecesse - que não acontece - o empresário “deixaria de o ser”…

domingo, 5 de junho de 2011

PORTUGAL VENCEU A NORUEGA

TRÊS EQUIPAS COM O MESMO NÚMERO DE PONTOS NO CIMO DA TABELA
Portugal sobe à liderança do grupo com golo de Postiga



No jogo desta noite, no Estádio da Luz, Portugal venceu a Noruega por 1-0, juntando-se assim no cimo da classificação ao adversário de hoje e à Dinamarca, que um pouco antes, vencera a Islândia por 2-0.

No começo do jogo Portugal correu o risco, por duas vezes, de sofrer um golo. Numa das vezes, Eduardo defendeu e na outra o atacante norueguês atirou para as nuvens o que parecia ser um golo fácil. Fora estas duas oportunidades, a Noruega não voltou a estar na eminência de marcar, o que não quer dizer que o jogo tenha sido fácil para Portugal. Pelo contrário, a Noruega defendeu muito bem e dificultou sempre a tarefa da equipa portuguesa.

De facto, cedo se percebeu que o grande goleador Cristiano Ronaldo dificilmente marcaria e os médios que costumam rematar bem, principalmente Martins e Meireles, hoje também não dispuseram de grandes oportunidades.

O golo acabou por aparecer na segunda parte numa jogada de Nani pelo lado direito, que cruzou rasteiro para o centro do terreno onde Postiga, antecipando-se ao defesa, acabou por fazer o golo, rematando de imediato ao canto inferior esquerdo do guarda-redes adversário. Foi de certa forma um golo improvável, já que Postiga, tanto no Sporting como na selecção, precisa de três jogos e umas décimas para marcar um golo. Paulo Bento acabou por acertar quando decidiu pô-lo a jogar em vez de Hugo Almeida, embora tanto um como outro não tenham uma grande relação com o golo, apesar de jogarem a ponta de lança.

Foi um jogo médio da selecção, sem grandes exibições. Talvez apenas Moutinho e Coentrão tenham estado acima dos restantes. Ronaldo, como de costume, joga melhor contra equipas fracas do que contra adversários fortes, tanto na selecção como no seu clube. É certo que acabou a época com um score impressionante de golos marcados, mas as suas exibições são sempre mais conseguidas contra o Málaga ou o Almeria do que contra o Barcelona ou contra os adversários fortes da selecção portuguesa. Ronaldo tem, de facto, este problema: é um grande jogador, mas quando se espera por ele nos grandes jogos, ele nem sempre aparece. Hoje aconteceu isso mais uma vez.

Finalmente, uma parte significativa do mérito da vitória tem de ser atribuído a Paulo Bento que, tendo pegado numa equipa “em cacos” deixada por Queiroz, ganhou os três jogos da qualificação jogados sob o seu comando e recuperou os pontos perdidos, a ponto de hoje ter igualado as duas equipas que iam à frente – Noruega e Dinamarca.

É preciso, porém, ter em conta que nada está ainda decido, as três equipas estão com o mesmo número de pontos, sendo preciso esperar pelos jogos que ai vêm para se saber quem vai ficar à frente e quem vai ficar em segundo lugar. Para já Portugal leva vantagem, tanto pelo número de golos marcados, como pela diferença entre marcados e sofridos, mas vai ser preciso esperar, tanto mais que a Dinamarca ainda tem que jogar, em casa, contra a Noruega e contra Portugal.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O BENFICA NA RTP MEMÓRIA

ONTEM FOI DIA DE COMEMORAÇÕES
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A RTP Memória comemorou ontem condignamente a conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus, pelo Benfica, há 50 anos, contra o Barcelona (3-2).
Dos heróis de Berna, poucos são os que continuam entre nós. Mas todos eles, com excepção de Coluna, lá estiveram a dar o seu testemunho sobre a campanha europeia de 1960/61. Mário João, lembrando o que teve de sofrer nos quinze minutos finais para manter o resultado de 3-2, contra a Barcelona; Ângelo, sempre irónico e vivaz, lembrando antes da final que o seu grande adversário era aquele avião de quatro motores em que estava prestes a entrar, desvalorizou, com graça, a bola que bateu nos dois postes de Costa Pereira: "Não se trata de sorte, mas de culpa do jogador que não sabe acertar na baliza, que é larga, e acerta nos postes, que são estreitos; o Eusébio, que era um grande jogador acertava sempre na baliza"; o Artur, que pouco jogou, explicou a mudança operada no futebol do Benfica nos anos 50, com a vinda de Otto Glória continuada depois por Béla Guttman; o Cruz que ainda ontem estava zangado com o que aconteceu em Viena contra o Rapid; o Zé Augusto recordando com humildade as suas grandes exibições na primeira campanha europeia, principalmente o memorável jogo de Aahrus, donde saiu em ombros, levado pela juventude dinamarquesa.
Pelo ecrã passaram ainda muitas entrevistas da época: de Costa Pereira, o homem que melhor falava na televisão; de José Águas, prometendo esforço e dedicação; de Germano, sempre muito comedido perante os jornalistas; de Béla Guttman, incisivo e confiante; e dos dirigentes do Benfica que ainda nem sequer tinham bem consciência da proeza que estavam a cometer.
O futebol evoluiu muito de então até hoje: táctica, técnica e fisicamente. E a bola, elemento fundamental do jogo, frequentemente esquecida nestas análises, nada tinha a ver com as bolas de hoje. A bola era um autêntico “fardo” para a maior parte dos jogadores: pesada, dura e agressiva. Impossível chutar então com a mesma força com que hoje se chuta. Basta ver que os guarda-redes evitavam o pontapé de saída e sempre que podiam substituíam-no pela reposição da bola em jogo com um pontapé em que a bola era colocada no ar com as mãos, exactamente para não terem de fazer o duro esforço muscular de arrancar um pontapé de longa distância com a bola no solo.
Estas diferenças não impedem, todavia, que em todas a épocas tenha havido grandes jogadores. A equipa do Benfica de 1961, embora inferior à do ano seguinte, já então tinha jogadores que estavam à frente do seu tempo, como era o caso de Coluna e de Germano. E o próprio Santana, que no ano seguinte viria a ser sacrificado (à época não havia substituições) para deixar entrar Eusébio, já tinha todas as características de um jogador moderno.
Mas não interessa fazer comparações com o futebol que então se jogava e o que se joga hoje; não se pode enveredar por esse caminho. As únicas comparações aceitáveis são entre aquele futebol que ontem se viu entre duas equipas finalistas e o jogado por outras equipas na mesma época. Certamente não haveria muito melhor, a não ser porventura o Real Madrid, nessa época eliminado pelo Barcelona, que já então exibia uma apreciável qualidade de passe. Não obstante, foi batido, sem apelo nem agravo, por esse mesmo Benfica na final do ano seguinte.
Mas há outras comparações que nada têm a ver com o futebol praticado pelas equipas, que já é legítimo fazer entre o futebol de então e o da agora. Na altura, o futebol ainda era um desporto saudável e com fair play, tanto dentro como fora do campo. Basta ver como a assistência se distribuía pelo estádio, até junto da linhas de jogo, sem seguranças nem polícias, para logo se perceber que a violência ainda não tinha chegado ao futebol. Depois é igualmente de realçar o modo como os jogadores acatavam as decisões do árbitro, praticamente sem protestos, por mais gravosas que fossem. E ainda como os jogadores mutuamente se respeitavam e como igualmente respeitavam o espectáculo e o público sem entradas violentas nem simulações vergonhosas, como hoje acontece.
Estas é que deveriam ter sido as diferenças que o tal repórter (de ontem) do Público deveria ter assinalado. É natural, porém, que não o possa fazer. A gente sabe quem introduziu o contrário de tudo isso no futebol português …
Entre 1960 e 1989 o Benfica jogou sete finais da Taça dos Campeões, tendo ganho duas, e uma da Taça UEFA; no mesmo período o Porto jogou uma final da Taça dos Campeões, que ganhou, e uma da Taça das Taças, que perdeu; o Sporting jogou uma final da Taça as Taças, que ganhou.
De 1990 até à actualidade, o Benfica não voltou a jogar qualquer final europeia; o Porto jogou uma da Liga dos Campeões, uma da Taça UEFA e outra da Liga Europa, tendo-as ganho todas; o Sporting jogou uma final da Taça UEFA, que perdeu e o Braga jogou uma final da Liga Europa, que igualmente perdeu.

terça-feira, 31 de maio de 2011

BENFICA CAMPEÃO EUROPEU – FOI HÁ 50 ANOS

EM BERNA, EM 31 DE MAIO DE 1961



Há cinquenta anos, em Berna, no Wankdorf Stadium, o Benfica de Béla Guttman, num jogo memorável, venceu o Barcelona por 3-2.
É uma data inesquecível para o desporto português – é a primeira grande vitória – vitória mesmo – de uma equipa portuguesa numa competição internacional de prestígio e na modalidade que mais paixões desperta à superfície da terra.
Três anos apenas distavam do grande feito brasileiro em Estocolmo, que os portugueses haviam seguido e aplaudido como algo que nunca poderia acontecer por cá. Mas aconteceu. E embora o mérito desta conquista caiba aos jogadores do Benfica, à sua direcção, ao seu grande Presidente Maurício Vieira de Brito e ao director do futebol Manuel da Luz Afonso, ninguém poderá esquecer jamais o papel de Béla Guttman como treinador da equipa – uma espécie de mago que transformava em ouro, qual Midas, tudo aquilo em que tocava.
Antes de chegar a Portugal, já tinha sido campeão na Hungria pelo Üjpest, na Holanda pelo Enschede (agora Twente), na Itália pelo Milan, no Uruguai pelo Peñarol e no Brasil pelo S. Paulo.
Este inteligentíssimo e arguto judeu húngaro, depois naturalizado austríaco, que escapou, sabe-se lá como, às garras de Hitler, chegou ao Benfica vindo do Porto onde se tinha sagrado campeão na época de 19958/59. Numa transferência atribulada como sempre são as que ocorrem entre os dois grandes clubes portugueses, Guttman chegou ao Estádio da Luz, até então muito marcado pela herança inovadora de Otto Glória, para logo se sagrar campeão nacional, tendo previsto no contrato que assinou uma verba pela vitória na Taça dos Campeões Europeus, verba que a direcção do Benfica não teve qualquer dificuldade em deixar empolar tão remota era a possibilidade de aquele feito se verificar. De facto, nas cinco anteriores edições da prova, nunca as equipas portuguesas – Sporting (duas vezes), Porto (duas) e Benfica (uma) – haviam passado a primeira eliminatória.
Mas não foi assim na época de 60/61. O Benfica ainda em 1960 ganhou as primeiras duas eliminatórias ao Hearts (5-1, no conjunto dos dois jogos) e ao Üjpest (7-4); e depois em 1961 “despachou” o Aahrus (7-2) e o Rapid de Viena (4-1), enquanto o Barcelona, adversário da final, eliminou sucessivamente o Lierse (5-1), o Real Madrid, detentor dos cinco títulos anteriores, (4-3); o SK Hradec Krávolé (5-1); e o Hamburgo (2-2).
As duas equipas encontraram-se na final com oito jogos realizados - e não com quatro como por ignorância ou manifesto desejo de desvalorizar a vitória diz hoje o repórter do Público, um tal Luís Francisco – para um jogo em que o Barcelona era claramente favorito.
Köcsis marcou ao 20 minutos, de cabeça, Águas, aos 30 minutos, no primeiro ataque do Benfica empatou a centro de Cavém; logo a seguir, aos 32 m, Ramallets aumentou de auto-golo a vantagem para o Benfica; Coluna, no começo da segunda parte, marcou um grande golo e pôs o resultado em 3-1; e depois, aos 75 m, Czibor marcou o segundo do Barcelona.
E foi uma festa como nunca se tinha visto.
Águas foi o melhor marcador da prova com 12 golos, seguido de Zé Augusto com 6.
 Para a história fica a composição das duas equipas:
Benfica: Costa Pereira; Mário João, Germano e Ângelo; Neto e Cruz; José Augusto, Santana, Águas, Coluna e Cavém.
Treinador – Béla Guttman
Barcelona: Ramallets; Foncho, Gensana e Gracia; Verges e Garay; Kubala, Kocsis, Evaristo, Suarez e Czibor.
Treinador – Enrique Orizaola

O BENFICA NO SEU LABIRINTO

O PIOR ESTÁ PARA VIR

Não tinha nada de premonitório o último post que aqui foi escrito sobre o futuro próximo do Benfica.
Antevia-se, com base no que aconteceu este ano, o que poderia acontecer na próxima época. Para além da incompetência dos principais responsáveis, ela já está envenenada pelo que entretanto veio a público: a investigação da PJ, os guarda-redes, enfim, um ruído que não se calará tão cedo.

Os jornais dizem que a PJ investiga a transferência de Júlio César que, como se sabe, foi comprado ao Belenenses. Comprado ao que se diz por um milhão de euros, apesar de no Belenenses só ter entrado metade do dinheiro. Há quem diga que houve comissões não declaradas ao fisco, há quem diga muita coisa.

Entretanto, os suspeitos defendem-se. Mas como se poderá explicar no Benfica a compra de um outro guarda-redes por 8,5 milhões de euros? Quantos guarda-redes no mundo valem esse dinheiro? E o que tem de valer um guarda-redes que vale esse dinheiro? Tudo perguntas que a época que passou deixou sem resposta. Ou ainda pior: tornou quase impossível uma resposta racionalmente aceitável.

Engano? Erro? Mas como pode haver erros desta dimensão em assuntos (teoricamente) da especialidade de quem os pratica?

Não há volta a dar: no Benfica há uma troika que está sob suspeita: Vieira, Rui Costa e Jesus. Não cabe ao adepto nem ao comentador especificar a natureza da suspeita, mas antes enunciar as certezas que os habitam. A primeira é de que a troika é incompetente; e a segunda é a de que é difícil conceber tanta incompetência junta.

A nova época começa perto do fim deste mês: quem tem condições para continuar? Quem vai ter de sair? Essa a interrogação dos adeptos. Só que no Benfica, como no país, quem manda são os bancos…


segunda-feira, 30 de maio de 2011

RESCALDO DA ÉPOCA 2010/2011

AS VITÓRIAS E AS FRUSTRAÇÕES


Embora a época futebolística não tenha ainda acabado em Portugal, falta o jogo da selecção, no que respeita aos clubes está tudo acabado há um bom par de dias.
A época terminou em glória para o FCP e para Villas Boas, que, como treinador, conseguiu um feito notável.
É indiscutível que o Porto tem uma grande equipa que oscilou ligeiramente – muito ligeiramente – durante cerca de sessenta dias, mais ou menos os mesmos em que Falcão esteve lesionado. Mesmo assim, conseguiu durante esse período aguentar-se quase sem derrotas e praticamente sem favores. Aliás, os favores mais importantes – di-lo a experiência – são sempre os do início do campeonato. Isso não quer dizer que uma boa equipa não seja capaz de suplantar a ausência de favores, mas quer apenas significar que a existência desses favores torna a vida mais tranquila.
Quando o seu concorrente mais directo baqueou, o Porto manteve-se forte e vitorioso a ponto de ter quase ter triplicado, no campeonato, a diferença pontual que o separava do segundo classificado, ou seja, antes da derrota do Benfica em Braga por 2-1.
A partir dessa jornada o campeonato ficou entregue e depois ficou também a Taça de Portugal por o Benfica ter claudicado na eliminatória em que partia com dois golos de vantagem E a seguir a Liga Europa, onde desde há muito se previa não haver na prova equipa capaz de ombrear com os portistas.
Quatro títulos - com excepção de um, são títulos conquistados na sequência de muitos jogos - constituem um palmarés invejável para qualquer equipa do mundo.
Do lado do Benfica, pelo contrário, a “débacle” não poderia ser pior. Este foi um dos anos mais negros de toda a história do Benfica, não só pelo insucesso desportivo, mas principalmente pelo modo como a equipa se comportou a seguir ao jogo contra o Braga, para o campeonato. É, de facto, inadmissível que depois da derrota em Braga a equipa tenha entrado numa espiral descendente incontrolável, própria de um clube sem “rei nem roque”. Evidentemente, que os jogadores não podem deixar de ser responsabilizados, embora a responsabilidade maior pertença à direcção (da SAD e desportiva) e ao treinador. O que se passou durante os dois meses finais da época acabou por ser o espelho fiel daquilo que o Benfica é – uma equipa à deriva.
Pior ainda: esta situação só pode agravar-se na próxima época. Mantendo-se os mesmos intervenientes – e não há nenhuma razão para supor que vão mudar – os defeitos enquistados só podem tornar mais grave a presente situação.
No Benfica falta muita coisa, desde logo um plantel mais equilibrado, mas muito mais importante do que o plantel é o que está por detrás do plantel – a direcção e a equipa técnica. Há muita incompetência no Benfica e muito pouca instrução. Sabe-se hoje que as qualificações não são sinónimo de emprego garantido, mas sabe-se também que sem qualificações não há emprego. Os três principais responsáveis pelo futebol do Benfica – Vieira, Rui Costa e Jesus – não têm por junto a escolaridade mínima obrigatória que hoje se exige a um jovem em idade escolar. E o Benfica, como não pode deixar de ser, ressente-se disto. Em regra, uma regra quase sem excepções, as grandes empresas têm à sua frente gente preparada, com profundos conhecimentos no ramo e com elevadas qualificações académicas. Ainda houve um tempo em que o futebol estava à margem destas exigências, mas hoje está cada menos e quem continuar a apostar na iliteracia só pode esperar o descalabro.
AS qualificações só por si não são garantia de êxito, mas sem elas o êxito será certamente muito mais difícil.
O Benfica não tem quem saiba falar em público, quem seja capaz de interpretar e muito menos de gizar uma estratégia comunicacional.
Depois, o Benfica contrata mal e fala muito. O Benfica – soube-se agora – não tinha um treinador de guarda-redes competente. Mas de quem é a responsabilidade: da pessoa que desempenhava essas funções ou do treinador principal? O que se passou com os guarda-redes foi uma vergonha. E vamos lá ver se, face ao que veio a público, se a vergonha ainda não será maior. Aliás, o que está vindo a público levanta fundadas suspeitas sobre as razões profundas das múltiplas “asneiras” cometidas pelos dirigentes do Benfica. Pode bem ser que a “burrice” afinal mais não seja de que um expediente utilizado em proveito próprio por quem dirige.
Em conclusão, antevê-se um descalabro na próxima época ainda maior do que o desta.
O Sporting esteve ao nível daquilo que tem sido desde que lá saiu Paulo Bento. Esteve mal, muito mal, apesar de na ponta final ter recuperado um pouquinho relativamente aos seus concorrentes mais directos.
Já o Braga, acabou por fazer uma daquelas épocas em que esteve à beira de conseguir várias coisas, sem ter alcançado nenhuma. Todavia, as duas derrotas que infligiu ao Benfica e a presença na final da Liga Europa, onde não foi nada inferior ao Porto, garantiram um lugar na história aos jogadores e ao treinador. Um lugar que será doravante muito recordado se o Braga regredir ou que será mais depressa esquecido, se os próximos anos continuarem a ser de progresso e ascensão.
Quanto ao resto, o campeonato findo foi marcado por uma profunda desigualdade entre o Porto e as demais equipas concorrentes, desigualdade tão grande que deu mesmo para abrir um segundo fosso entre o Benfica e os demais.