terça-feira, 20 de março de 2012

A ARBITRAGEM DE BRUNO PAIXÃO



OS PROTESTOS SPORTINGUISTAS




Como seria de esperar, vai um imenso alarido nas hostes sportinguista contra a arbitragem de Bruno Paixão. Alarido muito amplificado por uma comunicação social que, por várias razões, está sempre mais empenhada em "ajudar à festa" do que propriamente em informar e esclarecer.

O que parece estar em causa na arbitragem do árbitro (setubalense?) é a marcação sucessiva de duas grandes penalidades contra o mesmo clube e a subsequente expulsão de um jogador da mesma equipa por acumulação de cartões amarelos.

Em primeiro, lugar deve dizer-se que não é nada frequente - é mesmo excepcional - um árbitro assinalar duas grandes penalidades contra a mesma equipa em jogadas sucessivas e ainda para cúmulo depois de a primeira ter sido defendida. De facto, isto não é vulgar. Não é vulgar a mesma equipa cometer duas faltas em jogadas sucessivas merecedoras de grande penalidade e também não é vulgar, quando tal acontece, o árbitro ter coragem suficiente para marcar a segunda.  

Só que nada disto tem a ver com as leis do jogo. Que realmente não prevêem qualquer tipo de atenuação ou de exclusão da ilicitude pelo facto de a segunda falta ter ocorrido logo a seguir à primeira. Se isto tivesse acontecido no meio do campo, toda a gente acharia o procedimento normal. Como aconteceu na área e ainda por cima depois da defesa da primeira grande penalidade pelo guarda-redes estava criado o clima psicológico propício a uma contestação em larga escala. Foi o que aconteceu.

Assim sendo, o que importa saber é se as faltas que deram origem aos penalties existiram mesmo ou se resultaram de uma deficiente análise do árbitro.

Quanto à primeira falta é muito difícil opinar se houve ou não mão, porque a televisão mostra a jogada por trás e, portanto, não se vê o movimento da mão do jogador. Ou seja, o telespectador não vê. Mas esse não é certamente o critério para a sua marcação: quem tem que ver é o árbitro. E se de facto houve mão – e tanto quanto se percebe os intervenientes do lance não a contestam – ela ocorreu dentro da área. O jogador que tocou a bola com a mão está nesse momento – o tal momento em que na TV se não vê a bola – com os pés sobre a linha da grande-área. Logo, é penalty. O facto de a falta ter sido cometida sobre a linha não muda a natureza da falta: sobre a linha ou dentro da área é a mesma coisa.

Quanto ao segundo penalty não pode haver qualquer dúvida. João Pereira, dentro da área, impede com a mão na bola que o jogador do Gil Vicente a recolha mais à frente e fique em posição privilegiada para servir um companheiro. Portanto, nada a dizer sobre a sanção que corresponde à falta de João Pereira.

João Pereira mentiu quando na sequência do apito do árbitro lhe deu a entender que tinha os braços colados ao corpo. Não tinha, como na TV se vê sem margem para dúvidas. Já não é a primeira vez que João Pereira comete destas habilidades. Na fase de grupos da Liga Europa, contra o Vaslui, em Alvalade, cometeu um penalty, pisando propositadamente Wesley (o árbitro não viu), que acabou por ser expulso por ter ido a seguir tirar desforra. Contra o City, em Alvalade, perto do fim do jogo, jogou a bola com a mão dentro da área. Felizmente o árbitro também não viu ou fez que não viu. Se tivesse marcado o penalty lá cairia por terra a excelente exibição do Sporting e todo o esforço da equipa num jogo memorável. E quem sabe, muito provavelmente a eliminatória.

O comportamento frequentemente irresponsável de João Pereira não constitui apenas um problema para o Sporting. Ele é também um problema para a selecção nacional se Paulo Bento insistir em pô-lo a jogar. Com ele e com Pepe, a defesa portuguesa fica muito vulnerável por razões disciplinares. Ninguém fala ou comenta estes factos. Nenhum comentador sportinguista alude a eles. É mais fácil culpar os árbitros…

Mas voltando ao Gil Vicente-Sporting. A expulsão de Schaars. Nenhuma dúvida quanto ao segundo amarela. É uma entrada propositadamente agressiva de um jogador que já não está emocionalmente equilibrado. A questão que se pode pôr – e deve pôr – é a do primeiro amarelo ao mesmo jogador. De facto, não se compreende que Schaars tenha sido punido com um cartão amarelo por ter cometido a falta que originou o primeiro penalty e João Pereira por uma falta exactamente idêntica –  até mais ostensiva – tenha ficado incólume. Afinal, qual é o critério?

Quanto a uma alegada mão, perto do fim do jogo, de um jogador do Gil Vicente, dentro da área, tem de dizer-se que na TV não se vê qualquer mão. A jogada é filmada de costas e o que se vê é a bola bater na barriga do jogador. Se também bateu ou não na mão só o poderá dizer quem estava de frente. E o árbitro estava e disse, por gestos, que não houve nada.

Em conclusão: a principal crítica que se pode fazer a Bruno Paixão é a mesma que se faz à generalidade dos árbitros portugueses. Mostram muitos cartões amarelos por jogadas que os não merecem; apitam demasiado; não mantêm o mesmo critério do princípio ao fim do jogo; não percebem que o futebol é um jogo de contactos.

ADITAMENTO. A malta da RTP (comentadores e locutores de desporto) diz agora que no primeiro penalty a mão de Schaars está fora da área e os pés sobre a linha o que pode ter induzido o árbitro em erro. Não, o árbitro viu bem. O jogador está dentro da área. A linha, como se disse já, faz parte da área. E o que conta são os pés, tal como no off side.
Quanto ao segundo penalty dizem: "O insólito aconteceu. Por alegada mão de João Pereira..." E depois eclarecem: "Dizemos alegada porque nas imagens não se vê a bola a bater na mão". Vê-se. Não foi mão, foi braço. E o próprio João Pereira não negou que tivesse tocado a bola com o braço. O que disse (mentindo) é que tinha os braços colados ao corpo. Esta RTP não tem emenda!


ADITAMENTO II – AUTOCRÍTICA – No anterior aditamento há dois erros pelos quais peço desculpa.

Em primeiro lugar para que haja off side basta que qualquer parte do corpo (cabeça, tronco ou pernas), salvo os braços, esteja adiantada relativamente ao penúltimo defensor.

Em segundo lugar para que haja penalty por mão é preciso que que a mão do jogador esteja dentro da área, linha incluída. Obviamente que se os pés ou qualquer outra parte do corpo estiver dentro da área mas a mão fora não haverá penalty mas livre directo fora da área.

Visto e revisto o lance do primeiro penalty marcado contra o Sporting em Barcelos, com base em novas imagens que agora apareceram na internet - ou, pelo menos, imagens que não tinham sido mostradas na perspectiva com que agora se vêem – não há qualquer dúvida de que a mão de Schaars foi dentro da área. A imagem vista do ângulo em que o árbitro se encontra, que é mesmo por trás do jogador do Sporting, não deixa qualquer dúvida. Schaars toca propositadamente a bola com a mão dentro da área e o árbitro que está praticamente no mesmo “meridiano” do jogador do Sporting não tem dúvidas.

Quanto ao segundo penalty essas mesmas novas imagens, captadas por trás da baliza de Rui Patrício, também não deixam qualquer dúvida sobre a intencionalidade de João Pereira. Penalty sem dúvida.

segunda-feira, 19 de março de 2012

SPORTING EM QUINTO LUGAR



A IRREGULARIDADE DA EQUIPA LEONINA
Muita polémica e pouco Sporting na vitória do Gil Vicente



Contra as expectativas mais correntes entre os homens da bola, o Sporting foi derrotado por 2-0, em Barcelos, pelo Gil Vicente num jogo interessante de seguir.

Logo aos treze minutos o Gil Vicente marcou num excelente remate de longe de Galo que surpreendeu Rui Patrício. Durante longos minutos a equipa de Barcelos dominou o jogo a ponto de Sá Pinto ter ameaçado fazer substituições muito antes do intervalo. Estava-se perante uma equipa completamente diferente daquela que jogou contra o City. Antes do intervalo o Sporting reagiu mas nunca chegou a ameaçar as redes gilistas.

No segundo tempo, com as substituições operadas por Sá Pinto, sairam Polga e Matias Fernandez e entraram Jeffren e André Martins, o Sporting conseguiu dar alguma réplica ao Gil Vicente, que continuava a jogar muito bem para defender o resultado, sem contudo criar nenhuma séria ocasião de golo.

Com dez minutos de jogo, Bruno Paixão, árbitro da partida, assinalou penalty contra o Sporting por mão de Schaars dentro da área. Os sportinguistas protestaram muito este lance, mas sem razão se tiver havido mão. De facto, pelas deficientes imagens televisivas não se consegue ver o momento em que o jogador do Sporting toca a bola com a mão, mas isso não significa que a mão não tenha existido e não tenha sido vista por quem estava lá dentro.

O que parece ter motivado os protestos sportinguistas foi o facto de a falta ter ocorrido sobre a linha da área. Alguns até dizem que foi fora, como disse o putativo candidato à Câmara Municipal de Lisboa ou a qualquer outro cargo em que seja preciso ir a votos – o sr. Fernando Seara, falsamente em representação do Benfica, realmente em permanente campanha eleitoral – mas fazem-no para ser agradáveis ao eleitorado, por facciosismo ou por ignorância. De facto, uma falta cometida sobre a linha da grande área se tiver de ser punida com um livre directo, esse livre será …um penalty. É o que diz a lei do futebol. Infelizmente o adepto ou o comentador empenhado nas cores clubistas acha que a falta por ter sido sobre a linha já não deveria ser penalty…mas livre por ter sido cometida na linha limite da área. Aliás, são estes mesmos analistas de futebol que acham que o árbitro não deve punir com expulsão uma entrada violenta por ter ocorrido no primeiro ou segundo minuto de jogo!

O pior, porém, estava para vir. Na sequência da marcação do penalty, marcado por Cláudio e defendido por Rui Patrício, a bola ressaltou para o lado direito da linha de cabeceira da baliza sportinguista e João Pereira na ânsia de eliminar o perigo de uma potencial recarga voltou a jogar a bola com a mão. Desta vez não há qualquer dúvida: toda a gente viu a mão, logo penalty.  Tem, porém, de se dar os parabéns ao árbitro por ter tido a coragem de marcar um segundo penalty, indiscutivelmente existente, mas que por ter ocorrido logo a seguir ao lance anterior tenderia a criar um natural constrangimento capaz de levar à sua desculpabilização. Desta Cláudio não falhou.

Com dois zero o Gil Vicente se antes já estava a dominar as operações ficou depois deste golo verdadeiramente senhor do jogo. E mais ainda ficou quando Schaars, aos 68 m, derrubou com alguma violência Hugo Vieira, sendo expulso por acumulação de amarelos. Nada a dizer também.

Com o Sporting de cabeça perdida o jogo acabou ai podendo o Sporting dar-se por feliz por não ter sofrido o terceiro golo em mais de uma ocasião.

O Sporting mais uma vez somente tem de se queixar de si próprio. Num campo difícil como o do Gil Vicente, onde o Benfica empatou e o Porto perdeu, seria necessário jogar com outra atitude. E o Sporting não a teve.

Parabéns também ao treinador do Sporting que soube manter a calma e a ponderação nas palavras quando todos esperavam que ele explodisse, para grande desgosto dos jornalistas que tudo fizeram - uns por clubismo, outros por jornalismo - para que tal acontecesse. Ele melhor do que ninguém sabe certamente que somente um outro Sporting, com outra atitude, poderá chegar a outros resultados.

Prestam um péssimo serviço ao Sporting aqueles comentadores que, vivendo obcecados por fantasmas, tudo fazem, embora involuntariamente, para criar nos jogadores uma permanente atitude de desculpabilização pelos erros que cometem, por criarem no imaginário sportinguista a ideia de que há sempre alguém de fora a quem os erros e os desaires devem ser imputados.

À 23.º JORNADA NA FRENTE TUDO NA MESMA


VITÓRIAS TRANQUILAS DOS TRÊS PRIMEIROS
Festa minhota (foto LUSA)



Não se sabe se por influência da decisão da Liga, se por qualquer outra razão menos fácil de explicar, os jogos dos primeiros classificados foram muito monótonos e disputados com pouca agressividade pelas equipas opositoras.

Começou por ser assim na Choupana, onde o Nacional logo nos primeiros minutos de jogo, desperdiçou oportunidades que não voltaria a ter com o desenrolar da partida e ainda acabou por sofrer um golo tão caricato quanto anormal num jogo de alta competição. Dai até ao fim do jogo ambas as equipas se ativesse arrastardo no campo numa espécie de sofrimento obrigatório a que só poderiam pôr fim quando alguém, de fora, desse aquilo como terminado.

Logo a seguir, na Luz, passou-se mais ou menos o mesmo. As equipas foram jogando e deixando o jogo correr. O Benfica à espera do golo, o Beira-Mar a evitar sofrê-lo. Até que o golo chegou pelo incontornável Cardozo, sem que daí resultasse qualquer alteração de atitude da equipa adversária. E lá para o fim da primeira parte, Gaitan marcou o segundo, sem que sequer se possa dizer que com ele se sossegaram as hostes benfiquistas, porque verdadeiramente nunca chegaram a estar incomodadas.

Para pôr um ponto final na contenda, logo no início da segunda parte Cardozo marcou o terceiro a passe de calcanhar de Nélson Oliveira. E se até ai o jogo já estava chato, imagine-se como ele ficou dai para a frente. De uma sonolência insuportável.

Jesus ainda tentou dar algum alento à equipa fazendo entrar um jovem para lateral direito e pondo Witsel no meio campo, trocando Bruno César por Nolito e depois Nélson Oliveira por Rodrigo, mas tudo continuou na mesma ou pior. Tanto assim que o Beira-Mar ainda teve tempo para marcar um golo, que também estava longe de justificar pelo jogo sonolento em que se deixara envolver.

No dia seguinte o Braga ganhou na Feira com toda a facilidade, somando a décima segunda vitória consecutiva na Liga. E com mais esta vitória reforçou a candidatura a campeão. É certo que ainda tem de jogar contra o Porto, o Benfica e o Sporting, mas como dos quatro parece ser a equipa que nesta fase da época pratica o melhor futebol não será de esperar para si uma dificuldade muito diferente daquela que os adversários igualmente experimentarão.

Quanto ao resto, o Marítimo empatando em Setúbal facilitou a vida ao Sporting na luta pelo terceiro lugar – mais logo se verá se sim ou não -, o Guimarães continua arrastando-se em campo com os salários em atraso, o Paços de Ferreira mantém a fase ascensional iniciada com Calisto e, finalmente, o Leiria, depois de muitas derrotas, lá ganhou ao Rio Ave, remetendo o Feirense para o último lugar.


sexta-feira, 16 de março de 2012

BENFICA – CHELSEA

SPORTING – METALIST

A partir de agora já se sabe que encontros vai haver até à final das duas taças europeias.

Mais uma vez Mourinho teve sorte, muita sorte, no sorteio. Vai defrontar o Apoel que, embora sendo uma boa equipa – a equipa sensação da prova – não vai certamente impedir o Real Madrid de atingir as meias-finais. Seria o escândalo do século, se tal acontecesse. Portanto, em princípio, o Real Madrid defrontará o vencedor do confronto entre o Marselha e o Bayern de Munique, evitando, assim, aquilo que Mourinho mais temia, encontrar o Barcelona antes da final.

Do outro lado do sorteio estão os confrontos entre o Benfica e o Chelsea; e Barcelona e o Milan.

O Chelsea não tem feito uma boa época nas provas inglesas, mas na Europa não poderia ter feito melhor. Poderia ter tido melhores resultados, poderia ter evitado certos “apertos”, mas não estaria numa posição diferente daquela que está se tudo tivesse corrido de outra maneira.

O Chelsea parece corresponder, como adversário, aos desejos do treinador do Benfica. Mas talvez houvesse outros mais apetecíveis. O Chelsea tem jogadores muito experientes e com muita classe que tudo farão, numa prova com a Champions, para nela prosseguirem e tentarem demonstrar que não foi por culpa deles que a época correu mal na Inglaterra.

Por outro lado, também não é nada interessante para o Benfica defrontar jogadores que já alinharam na Luz, um deles – David Luiz – por várias épocas. É do interesse do próprio Benfica que sejam bem recebidos na Luz pelos adeptos.

Essa ideia de que o Benfica se dá bem com as equipas inglesas é uma tese que a história não confirma. Certamente que se dá muito melhor do que o FC do Porto que nunca lá ganhou, apesar de uma vez ter obtido um empate que valeu mais do que uma vitória. Mas na estatística global dos confrontos europeus, o Benfica tem um grande défice relativamente às equipas inglesas. O próprio Jorge Jesus foi copiosamente derrotado em Liverpool, em Anfield Road, num jogo em que se disputava a passagem da equipa às meias-finais da Taça UEFA. Portanto, mais uma vez mandaria a prudência que o treinador do Benfica fosse mais comedido.

Na outra taça, na Liga Europa, o Sporting aparentemente evitou as equipas mais difíceis – as espanholas e as alemãs – e talvez tenha ficado com a mais fraca. Mas isso não quer dizer que tenha a passagem às meias-finais assegurada. Só passará se for o mesmo Sporting que jogou em Lisboa contra o City e Sporting dos primeiros sessenta minutos de Manchester. Se a equipa facilitar, se não interiorizar o respeito pelo adversário, será meio caminho andado para ficar fora da prova.

SPORTING NOS QUARTOS-DE-FINAL DA LIGA EUROPA


JOGO DRAMÁTICO EM MANCHESTER

Leões fizeram a festa em Manchester, frente ao City

Depois de concluída a ronda dos oitavos de final da Liga Europa, o que se pode desde já dizer é que os três principais favoritos à vitória final já estão todos eliminados: FC Porto, Manchester United e Manchester City.

O Sporting, depois do jogo brilhante que realizou em Lisboa na primeira mão, não tinha por essa razão a vida facilitada. A única vantagem do Sporting, adquirida por mérito próprio, era a de obrigar o City a tomar a iniciativa do jogo se queria passar a eliminatória, contrariamente ao que fez com o Porto, exactamente por causa do resultado alcançado no Dragão.

O Sporting apresentou-se em Manchester muito bem sob todos os aspectos: anímicos, técnica e taticamente. Defendeu bem e atacou com inteligência sempre que a oportunidade surgia. E foi assim, quase se poderia dizer com toda a naturalidade, que acabou a primeira parte a ganhar por 2-0.

Sabia-se que se a concentração da equipa se mantivesse a eliminatória estaria desde logo arrumada, porque uma tentativa desesperado do City para reduzir a diferença muito provavelmente teria como consequência ampliá-la.

Acontece, porém, que a partir dos sessenta minutos o Sporting mudou completamente. Não certamente na vontade e no empenho dos jogadores, mas na capacidade física, técnica e tática. Talvez um pouco por força da substituição de dois elementos, Matias Fernandez e Capel, que juntamente com Ismailov, haviam sido muito importantes durante toda a primeira parte.

E foi assim que exactamente aos sessenta minutos Aguero, completamente desmarcado na área, fez o primeiro golo dos ingleses.

O Sporting, depois deste golo, perdeu alguma lucidez, mas não tremeu e tudo apontava para que o jogo, apesar do incentivo do golo, continuasse relativamente controlado. Mas não foi isso o que aconteceu. Aos setenta e cinco minutos, Renato acabado de entrar, fez penalty desnecessário sobre Aguero que Balotelli converteu com muita classe.

A partir do empate, o Sporting, muito esgotado, apesar de ainda estar com a vantagem de um golo na eliminatória, tremeu e temeu-se o pior. Aos oitenta e dois minutos, na marcação de um canto, Aguero novamente sem marcação, fez o terceiro golo do City. Operada a reviravolta no resultado pairou no estádio a convicção de que também se operaria a reviravolta na eliminatória. Por mais de uma vez isso esteve para acontecer. O Sporting resistiu como pôde. Foi perdendo tempo e fazendo anti-jogo como as circunstâncias aconselhavam. Mas só a grande exibição de Rui Patrício impediu, no último segundo do jogo, que o guarda-redes adversário, Joe Hart, marcasse o quarto golo e resolvesse a eliminatória a favor do City.

Enfim, o Sporting voltou a jogar muito bem durante sessenta minutos, mas claudicou na meia hora seguinte. O futebol tem noventa minutos e nos jogos europeus já se perderam títulos que pareciam garantidos e seguros nos três minutos finais de compensação.

Por isso, o Sporting tem todos os motivos para se sentir feliz – eliminou uma das mais caras equipas da actualidade – mas no futuro não pode deixar de ter em conta que os jogos só acabam quando o árbitro dá o apito final.

O árbitro do encontro esteve bem e decidiu sempre com rectidão e sabedoria. Não foi em “fitas” nem tão-pouco tomou atitudes disciplinares despropositadas ou desproporcionadas. Somente a paranoia que perpassa no futebol português a propósito da arbitragem permite ver fantasmas onde eles não existiram. É disso exemplo o comentário do locutor da SIC que não se cansou de ver no jogo coisas que não aconteceram em vez de se preocupar com as que realmente estavam a acontecer.

quinta-feira, 15 de março de 2012

REAL MADRID E CHELSEA NOS QUARTOS DE FINAL



CSKA E NÁPOLES ELIMINADOS
 






 O Real Madrid venceu o CSKA de Moscovo por 4-1 no jogo de volta realizado no Estádio Santiago de Bernabéu.
O Real Madrid, embora superior, acabou por ser feliz nos momentos determinantes do jogo.
Foi feliz no primeiro golo por ter beneficiado da posição de fora de jogo em que se encontravam, antes do último passe, dois jogadores, sendo que um deles (Higuain) acabou fazendo o golo. De facto, no momento do excelente passe de Khedira para Kaká havia dois jogadores do Real muito adiantados que acabaram por beneficiar dessa posição quando o brasileiro centrou.
Foi igualmente feliz no segundo golo - um “frango” do guarda-redes - marcado de muito longe, apesar do remate forte de Ronaldo.
Até ao segundo golo do Real o CSKA tinha desfrutado de algumas oportunidades, construídas em contra-ataques muito rápidos, que não foram aproveitadas, com excepção de uma, anulada por fora de jogo aparentemente mal assinalado.
A partir do momento em que o Real Madrid marcou o terceiro golo, o que aconteceu cerca de trinta segundos depois de Benzema entrar em campo, o jogo ficou praticamente terminado. O CSKA ainda marcou por Tosic, aliás um grande golo, e voltou a criar perigo logo a seguir, mas a sorte da eliminatória já estava traçada, o que acabou sendo confirmado perto do fim do jogo por mais um golo de Ronaldo.
O CSKA pareceu uma equipa mais perigosa e mais bem organizada que o Zénite. Mas isso não bastou para dificultar a vida ao Real Madrid, que acabou passando a eliminatória folgadamente.
Mais difícil e sofrida foi a passagem do Chelsea aos quartos-de-final no jogo que esta noite disputou em Stamford Bridge contra o Nápoles.
Apesar da excelente dupla atacante dos napolitanos, Lavezzi e Cavani, acabou por ser a velha guarda do Chelsea a ditar o destino da eliminatória, assim como quem deixa um recado a Villas-Boas sobre quem manda no balneário.
Num jogo jogado com muita garra por Terry, Drogba, Lampard, aliás autores de três golos, o Chelsea levou a melhor sobre um Nápoles cuja valia está longe de justificar uma tão grande diferença de golos. De facto, o Nápoles acabou sendo traído por uma mão de Dossena tão desnecessária quanto fatal.
No prolongamento Ivanovic fez o 4-1, depois de Torres, que entretanto entrara, ter voltado a falhar um remate sem guarda-redes na baliza. Analisado hoje, o espanhol é um jogador sem lugar na Premier League, apesar de ter custado 58 milhões de euros! Raramente se assiste no futebol a uma quebra tão profunda e tão duradoira como a que Torres tem atravessado tanto no Chelsea como na selecção espanhola. É que além de não marcar golos, falha incompreensivelmente situações de baliza aberta.
Esta vitória do Chelsea, a terceira da era Di Matteo, não parece porém suficiente para fazer de uma equipa claudicante uma equipa perigosa. As dificuldades continuam e ainda hoje foram bem visíveis, apesar da garra com os jogadores encararam o jogo.

Ontem o Bayern eliminou o Basileia, copiosamente batido em Munique por 7-0. Os bávaros parecem ser juntamente com o Real e o Barcelona um dos grandes candidatos ao título europeu. Eficácia não lhes falta.



No outro jogo, o Inter deixou-se eliminar perto do fim pelo Marselha quando estava a um pequeno passo do prolongamento. Num final de jogo dramático, o Marselha empatou por Brandão já depois dos noventa e na jogada seguinte o Inter voltou a marcar de penalty. Mas de nada lhe valeu a vitória por 2-1, face ao resultado da primeira volta, derrota por 1-0, com a particularidade de o golo do Marselha também ter sido obtido já no período de compensação.





segunda-feira, 12 de março de 2012

BENFICA VENCE EM PAÇOS DE FERREIRA DEPOIS DE UM GRANDE SUSTO



SPORTING GOLEIA GUIMARÃES EM ALVALADE
Bruno César (foto LUSA)



Depois do empate do Porto em casa com a Académica e da vitória do Braga sobre o União de Leiria, ao Benfica, se queria manter-se na luta pelo título, só restava vencer em Paços de Ferreira, à semelhança aliás do que tem feito na maior parte das vezes em que lá se deslocou.  

A recente carreira do Paços de Ferreira na era Calisto deixava antever um jogo difícil para o Benfica, apesar de a tradição jogar a seu favor.

O Benfica apresentou no jogo desta tarde algumas alterações: Capdevilla no lugar de Emerson (castigado) e Saviola, que não tem jogado, ao lado de Cardozo. Nos primeiros minutos, ainda houve a impressão de que o Benfica controlaria o jogo, tanto mais que por duas vezes, uma por Nolito, outra por Saviola, esteve à beira de marcar.

Mas logo se percebeu que o contra-ataque do Paços, conduzido por Melgarejo, jogador emprestado pelo Benfica, era fortíssimo e iria colocar grandes dificuldades aos encarnados. E foi o que aconteceu. Durante toda a primeira parte, o Paços deu sempre a sensação de que era mais perigoso do que o Benfica e de que a todo o momento poderia fazer um golo. E assim sucedeu. Michel na sequência de um cruzamento de Melgarejo fez o golo.

No começo da segunda parte, mais precisamente nos primeiros dez minutos, o domínio do Paços acentuou-se de tal forma que só mesmo por muita sorte o Benfica não sofreu novo golo por três vezes.

A verdade é que não tendo marcado o Paços, marcou o Benfica. Jesus substituiu Saviola e Nolito por Nelson Oliveira e Gaitan, tendo ambos sido decisivos no primeiro golo do Benfica, aos 64 minutos, ou seja, quase vinte depois do recomeço. Nelson Oliveira esgueirou-se pela direita, cruzou para Cardozo que deixou passar para Gaitan, que fez golo.

Quatro minutos depois, Bruno César num livre sobre o lado direito, excelentemente marcado, fez o segundo. A partir dai tudo se tornou mais simples para o Benfica e mais difícil para o Paços que, se queria pontuar, teria de ter a iniciativa do jogo. E mais difícil ainda ficou oito minutos depois , por expulsão de Michel, por acumulação de amarelos.

A partir do segundo golo, o Benfica deixou de ter problemas; e tudo se tornou ainda mais fácil depois da expulsão de Michel. Mas as coisas ainda ficaram pior para o Paços a dois minutos do fim, reduzido a nove unidades, por expulsão de Ricardo por entrada violenta sobre Bruno César.

Bruno César não apenas pelo golo que marcou, mas pelas jogadas em que interveio, duas das quais levaram à expulsão de dois jogadores do Paços, acabou,  mais uma vez, por se revelar fundamental para a vitória do Benfica. De realçar igualmente Nélson Oliveira que entrou e mudou o jogo.

Este jogo teve várias incidências que deram lugar a protestos de ambas as equipas. No fim da primeira parte Bruno César foi derrubado na área e o árbitro, inexplicavelmente, adoestou-o com um amarelo! Na segunda parte, Nélson Oliveira caiu na área numa jogada de choque com um defesa do Paços e o árbitro puniu-o igualmente com um amarelo. Admitindo que a jogada não é merecedora de grande penalidade, também de forma alguma se justifica a punição foi uma jogada de choque. Mas já o mesmo se não poderá dizer de um outro lance, perto do fim do jogo, em Nelson Oliveira é claramente derrubado dentro da área e o árbitro nada assinalou.

Quanto à expulsão de Ricardo, embora o jogador acabe por não tocar em Bruno César, nada ou pouco há a dizer da decisão do árbitro, já que o jogador do Paços teve a clara intenção de derrubar o adversário, só não o tendo conseguido porque o benfiquista conseguiu in extremis furtar-se à agressão, saltando sobre as pernas de Ricardo, mas não evitando contudo o desequilíbrio e a consequente perda de uma jogada perigosa. A entrada de Ricardo é violenta, ao jogador e não à bola, não havendo qualquer espécie de dúvida sobre estes lances à luz da lei do jogo. Tais lances têm de ser punidos com falta e disciplinarmente. A única dúvida estaria em saber se o cartão deveria ser amarelo ou vermelho. Como a entrada foi muito violenta justifica-se o vermelho.

Perguntar a Pedro Henriques, ex-árbitro, agora ao serviço da TVI, qual o seu juízo sobre estes lances é a mesma coisa que numa universidade o professor confiar a um repetente burro o encargo de explicar aos colegas como se resolve o teste de uma disciplina em que ele já havia chumbado por mais de uma vez!

No último jogo da noite, o Sporting goleou o Guimarães por 5-0 e juntou-se no quarto lugar ao Marítimo, vencedor na sexta-feira passada do Feirense por 2-1. Com o Guimarães muito fragilizado pelos problemas financeiros que o afligem e destroçado animicamente após o dois zero, o Sporting não perdoou, construindo na segunda parte uma goleada que lhe poderá renovar o ânimo para o jogo em Manchester na próxima quinta-feira!

EMPATE DO PORTO EM CASA CONTRA A ACADÉMICA



BRAGA CONFIRMA SEGUNDO LUGAR



No sábado a grande surpresa aconteceu no Dragão. Depois da vitória na Luz, poucos admitiram que o Porto voltasse a perder pontos nos jogos em casa. E mesmo fora também não faltava quem garantisse que, uma vez na frente, o Porto seria imparável.

Afinal, nove dias após o jogo da Luz, o Porto empatou em casa contra a Académica, depois de ter estado a perder até aos 91 minutos. Foi o que se pode chamar um verdadeiro balde de água fria derramado sobre as hostes portistas, tanto mais que o Braga tendo jogado duas horas antes acabava de averbar mais uma vitória, a décima seguida no campeonato, colando-se ao Porto no cimo da clssificação.

E, mais uma vez, o Porto somente tem de se queixar de si próprio. Durante o primeiro tempo o Porto nunca incomodou a Académica, tendo sofrido um golo numa jogada muito bem conduzida pelo lado direito do ataque dos "estudantes", finalizada por Edinho de cabeça do lado oposto. Apesar do golo, o Porto não reagiu, tendo continuado na mesma toada morna até ao intervalo.

Na segunda parte o Porto tentou virar o jogo, mas faltou-lhe desta vez o brilho e a criatividade que exibiu na Luz, tanto por parte de Hulk como de James. Hulk ainda tentou arrancar um penalty numa jogada confusa, mas o árbitro entendeu que houve simulação e mostrou-lhe um amarelo. Consequência: não joga domingo. Embora não haja penalty – há um simples choque entre os dois jogadores -  também não havia motivo para a sanção disciplinar. É perfeitamente plausível que Hulk caia na sequência do lance. Jó o mesmo não se pode dizer do lance protagonizado pelo jovem James que manifestamente tentou enganar o árbitro com uma simulação.

Depois destas duas tentativas falhadas de inverter o resultado com base numa grande penalidade, o Porto acabou opor beneficiar dela quando menos se contava que tal acontecesse. Pape Sow saltou à bola na área com o braço levantado, impedindo-a de seguir a sua trajectória normal. Penalty sem margem para discussão que Hulk converteu com tiro ao centro da baliza.

E assim perdeu o Porto dois pontos, num jogo em que esteve na iminência de perder três e no qual, antes do jogo, ninguém punha em causa que ganhasse três.

No jogo realizado antes deste, o Braga bateu o claudicante União de Leiria por 2-1, num jogo em que os leirienses se bateram muito bem, apesar de todos os problemas que atravessam, e em que só não empataram ou, pelo menos, só não marcaram dois golos, porque o árbitro resolveu invalidar um golo limpo, marcado no último minuto da compensação da primeira parte, por pretenso fora de jogo.

Não dá para perceber como na jornada passada um liner não foi capaz de ver num lance de bola parada um off-side com mais de um metro e neste jogo um outro juiz de linha foi capaz de ver um fora de jogo de um jogador que estava atrás dos últimos dois jogadores da equipa adversária. Incrível!

Com esta vitória o Braga consolida a sua candidatura ao título de campeão, apesar de por razões tácticas a não assumir.

sexta-feira, 9 de março de 2012

GRANDE EXIBIÇÃO DO SPORTING NA LIGA EUROPA



VITÓRIA SOBRE O MANCHESTER CITY
Depois de um conjunto de exibições sofríveis, o Sporting arrancou hoje em Alvalade uma excelente exibição contra o Manchester City, vencendo por 1-0.
A equipa milionária de Manchester, que há dias, nesta mesma Liga Europa, despachou o Porto por um rotundo 6-1 no conjunto das duas mãos e lidera o campeonato inglês destacado, teve sorte em ter saído de Alvalade apenas derrotada pela margem mínima – 1-0 – já que tanto pela exibição do Sporting como pelas oportunidades que criou se justificava perfeitamente uma vitória por mais um golo.
Xandão, central sportinguista, merce destaque pelo excelente golo que marcou no recomeço do jogo, o qual não fica nada, mas mesmo nada, a dever àquele que Cristiano Ronaldo marcou há dias em Vallecas e que tanto alarido provocou nos media de todo o mundo.
O que mais impressionou no Sporting foi a excelente condição física que a equipa demonstrou e o rigor táctico que foi capaz de manter durante todo o jogo, nunca se entusiasmando excessivamente com o seu próprio jogo a ponto de deixar a rectaguarda desguarnecida.  
Mas esta partida também serviu para demonstrar que se o Sporting se empenhar exclusivamente na tarefa de jogar à bola, em vez de andar a procurar desculpas nas arbitragens para os resultados que não tem conseguido obter, acabará certamente por tirar dessa atitude mais vantagens do que as que tem tirado com os frequentes queixumes a que se entrega.
Uma vantagem de 1-0 não é para nenhuma equipa uma vantagem segura numa competição a eliminar. Mas é uma vantagem importante como a história das competições europeias frequentemente demonstra.
Se em Manchester o Sporting não se desmembrar, se souber defender bem e se for eficaz nos contra-ataques poderá criar muitas dificuldades aos ingleses. O que o Sporting não pode é ir para a Inglaterra com complexos ou jogar com medo. Isto apesar dos excelentes jogadores que a equipa do Manchester City tem no seu plantel e das espectaculares exibições que este ano já fez, como, por exemplo,  contra os dois históricos do futebol inglês (M United e Arsenal).   
Por outro lado, quem jogar não pode incorrer em picardias desnecessárias e prejudiciais como as que João Pereira hoje protagonizou. Aliás, a atitude de João Pereira durante o jogo, principalmente depois da entrada de Balloteli, vem pôr a nu as dificuldades por que a selecção portuguesa poderá passar no Euro 2012 com jogadores como João Pereira e Pepe na defesa.
O árbitro, embora não tenha cometido erros, salvo ter poupado a expulsão de João Pereira, como antes de certo modo também já tinha poupado a de Jong, está contudo muito longe de ter a classe e a personalidade do árbitro que na terça-feira arbitrou o Benfica – Howard Webb.
A respeito de arbitragem de assinalar ainda os ridículos comentários dos comentadores que na SIC avcompanhavam o jogo em directo a propósito de pretensos penalties cometidos durante a partida.
Nos demais jogos da Liga Europa, realce para a vitória em casa do Atlético de Madrid contra o Besiktas por 3-1, com dois golos de Salvio e a excelente exibição do Athletic de Bilbau, em Old Trafford, contra o United, coroada por uma vitória por 3-2.

quinta-feira, 8 de março de 2012

MESSI ARRASA BAYER DE LEVERKUSEN

Messi (foto AP)


MESSI O GÉNIO IMPAR DO FUTEBOL

Esta noite assistiu-se em Camp Nou a uma exibição de Messi que ficará para sempre na história do futebol. Uma exibição que deslumbra não apenas quem, em directo, assistiu a ela mas também todos aqueles que pelos tempos fora vão ter possibilidade de a ver e rever.
Batendo o seu anterior record, Messi marcou  cinco golos, alguns verdadeiramente fantásticos, ao Bayer de Leverkusen, dois na primeira parte e três na segunda, na vitória do Barcelona por 7-1! Muito bom também o golo de Bellarabi já sobre os noventa minutos de jogo.
Não é a primeira vez que numa competição europeia um jogador marca cinco golos – Altafini, de triste memória para o Benfica, anos 60, já o havia feito pela Juventus e também o dinamarquês Soren Lerby pelo Ajax - mas é a primeira vez que o melhor jogador do mundo de todos os tempos marca cinco golos! Com os golos de hoje, Messi fica com doze golos em sete jogos na Champions.
De sublinhar também os dois golos do jovem Tello que entrou no segundo tempo (por um triz não marcou o terceiro) e também como não poderia deixar de ser a composição da equipa do Barcelona apenas com cinco estrangeiros no decurso do jogo, embora alguns deles formados em La Masia, numa época em que as grandes equipas europeias às vezes nem um nacional tem.
É difícil perceber como uma equipa fantástica como o Barcelona tem dez pontos de diferença relativamente ao Real Madrid. Os maus resultados fora de casa são a causa aparente desta diferença já que no confronto entre as duas equipas o Barça levou sempre a melhor, tanto nos resultados como nas exibições.
Bem se pode dizer que Mourinho, não obstante o mérito das vitórias alcançadas, teve a sorte de encontrar um Barcelona que se encarregou de lhe proporcionar os pontos que nos confrontos directos lhe negou. E quando assim acontece não há recuperação possível por mais fantástica que a equipa seja. O Real vai ganhar a Liga, ao Barça resta-lhe ganhar a Copa do Rei e a Champions.
Na RTP, tão maltratada pelos falsos medidores de audiência, o comentador Tadeias esforça-se por tirar o mérito à vitória do Barcelona e à exibição de Messi com base nas fraquezas alheias. Além de ser uma atitude estupidamente sectária – todo o mundo percebe porquê – é também ridícula.
No outro confronto, em Nicósia, entre o Apoel e o Lyon, os cipriotas apuraram-se no desempate por grandes penalidades. Depois da derrota na França por 1-0 e idêntico resultado em casa, com golo de Manduca, que acabaria por ser ingloriamente expulso no prolongamento, foram os penalties a ditar a passagem do Apoel aos quartos-de-final.
Que não haja qualquer ilusão: os cipriotas que eliminaram o Porto e Shaktar Donetz e agora o Lyon têm uma excelente equipa. Praticam um futebol vistoso e eficaz, além de defenderem muito bem. Quem os menosprezar vai certamente dar-se mal.
No Apoel jogam vários portugueses e alguns outros jogadores brasileiros que já jogaram em Portugal. Não parece todavia que, apesar do percurso da equipa, Paulo Bento tenha dedicado qualquer atenção a estes “emigrantes” ….
Para já nos quartos-de-final estão: Benfica, Milan, Barcelona e Apoel. De hoje a oito dias se conhecerão os restantes quatro.

quarta-feira, 7 de março de 2012

AINDA A ARBITRAGEM DE PEDRO PROENÇA



PROENÇA É CORRUPTO?



Tendo em conta o historial de Pedro Proença nos jogos em que apita o Benfica é de admitir, em primeiro lugar, que a tal simpatia clubista que se diz o árbitro ter declarado é manifestamente falsa e depois que Proença apita deliberadamente contra o clube da Luz.

Que a alegada simpatia clubista é falsa não resulta, como é óbvio, do facto de o árbitro não favorecer o Benfica, o que seria inadmissível, mas de deliberadamente o prejudicar. E, claro, está muito mais à vontade para o fazer depois de ter feito constar que até é simpatizante do clube. Há todas as razões para supor que se trata de uma jogada maquiavélica de alguém que manipula os árbitros de Lisboa não só por toda a gente estar de sobreaviso sobre a manipulação dos árbitros de outras regiões, o que aconteceu durante mais de duas décadas, mas por relativamente aos da capital ser muito mais fácil iludir aquela suspeição.

Em segundo lugar, sendo Proença um árbitro internacional, que até está escolhido para apitar no próximo europeu, tem de admitir-se que a UEFA lhe reconhece alguma competência já que não iria arriscar-se a levar para a Polónia e a Ucrânia um árbitro capaz de distorcer abertamente a verdade desportiva. E, de facto, há razões para supor que Proença não é incompetente ou, pelo menos, não é tão incompetente como as arbitragens dos jogos do Benfica deixariam supor. Basta passar em revista sete ou oito vídeos, disponíveis no you tube, de arbitragens de jogos do Benfica por Proença para imediatamente se perceber que não é por incompetência que Proença prejudica o Benfica. Dois ou três exemplos: no jogo contra o Porto, no Dragão, Proença está a menos de dos metros e de frente para o lance entre Lizandro e Yebda e, não obstante, ter visto uma simulação punível do jogador do Porto, marcou penalty contra o Benfica! No jogo contra o Braga, Proença, em cima do lance, perdoa uma agressão sobre Gaitan, outra sobre Javi Garcia e um penalty descarado sobre Luisão! Tudo jogadas que ele viu. Num famoso jogo contra o Boavista, quando Valentim Loureiro era o Vice-rei das arbitragens, Proença perdoou dois penalties descarados cometidos na sua frente um dos quais na sequência de uma jogada bem violenta. E a história poderia continuar em jogos contra o Penafiel, o Sporting, etc.

Conhecido que é este historial de Proença, não pode deixar de responsabilizar-se o presidente do Benfica por não se ter oposto imediata e resolutamente à sua nomeação. Vieira deveria ter dito que com aquele árbitro o Benfica não jogaria, mesmo que isso lhe acarretasse a perda de três pontos. E deveria ter dito mais: que aceitaria qualquer outro árbitro, até mesmo Pinto da Costa, o Rei das arbitragens, mas Proença não. Tendo deixado as coisas seguir o seu rumo tem o resultado esperado. Agora é tarde para se queixar.

Os comentadores do Sporting de segunda e terça-feira acham que Proença é um árbitro como os outros e que na Luz até nem esteve muito mal. Eduardo Barroso já está muito preocupado com o árbitro que vai apitar o Benfica em Paços de Ferreira, porque, como toda a gente percebe, esse jogo é decisivo para o futuro do Sporting no campeonato em curso! Ou seja, Barroso, como todos os demais sportinguistas que opinam nos media, já tem a época ganha …se o Benfica a perder!

Por seu turno, o Guedes do Porto não tem dúvida: Proença favoreceu o Benfica do primeiro ao último minuto. Ao menos o Guedes tem a virtude de deixar logo claro que não tem qualquer vergonha e que está ali para defender o Proença a qualquer custo!

BENFICA DERROTA ZENITE E PASSA AOS QUARTOS-DE-FINAL



GRANDE MAXI PEREIRA
Maxi Pereira muito satisfeito



Contrariando as previsões mais pessimistas, o Benfica derrotou hoje à noite na Luz o Zénite de S. Petersburgo por 2-0 com golos de Maxi Pereira e de Nelson Oliveira.

O Zénite entrou no Estádio da Luz com a mesma estratégia que em Dezembro passado pôs em prática no Porto: aguentar o empate e tentar num contra-ataque, possibilitado pelo nervosismo e ansiedade da equipa adversária, marcar um golo que acabasse de vez com a eliminatória.

No Porto, a estratégia resultou, apesar de o Zénite não ter marcado. O empate a zero foi suficiente para eliminar o Porto e apurar o Zénite para a fase seguinte da Liga dos Campeões.

Durante a primeira parte o Zénite não chegou a criar nenhuma situação de perigo junto das redes benfiquistas, salvo um remate que poderia ter sido perigoso depois de uma brincadeira de Artur, enquanto o Benfica foi sempre uma equipa mais atacante, apesar de equilibrada, e poderia por Bruno César ou até por Maxi ter marcado mais cedo.

Não o fez e o empate até seria aceitável no fim da primeira parte se não tivesse havido, já nas compensações, aquela brilhante jogada de Witsel que Maxi – o melhor em campo – finalizou com êxito.

Na segunda parte, o Benfica sem verdadeiramente recuar, entregou de certo modo a condução do jogo ao adversário, esperando num contra-ataque fazer o segundo golo e tornar praticamente inviável para o Zénite a passagem na eliminatória.  

E teve essa oportunidade por mais de uma vez. Por Cardozo, duas vezes, por Witsel, por Jardel e por Nelson Oliveira.

A equipa do Benfica pareceu hoje mais fresca do que nos últimos jogos, principalmente Luisão que fez uma excelente exibição, parecendo, por isso, algo exageradas as palavras que aqui foram escritas sobre ele antes deste jogo. Jardel, jogando em substituição de Garay, cumpriu plenamente e fez um jogo interessante.

Gaitan também fez hoje o seu melhor jogo depois do Natal, embora não ainda ao nível dos realizados na primeira parte da época. Do outro lado do campo, Bruno César foi um excelente jogador de equipa, incansável, batalhador e sempre presente atrás e à frente. Não marcou, mas jogou muito bem.

Javi e Witsel no meio-campo estancaram a maior parte das iniciativas do Zénite. Javi mais discreto mas muito eficiente e Witsel exuberante tanto quando jogou a médio como quando avançou para apoiar Cardozo e depois Nelson Oliveira. Fez também um grande jogo.

Nas alas Maxi foi simplesmente fantástico! Um poço de energia e de combatividade. Ele foi a muito justo título o homem da noite, não apenas pelo golo que marcou – e já não seria pouco – mas pela forma como se bateu incansavelmente durante toda a partida. Emerson cumpriu, não cometeu nenhum erro e apoiou várias vezes a equipa na frente.

Cardozo esteve apático, como é seu hábito, e talvez perdulário de mais. Falhou um golo que teria acabado com o jogo muito mais cedo e não aproveitou outras oportunidades menos flagrantes que noutras circunstâncias talvez tivessem tido outro desfecho. Rodrigo esforçou-se, mas está longe de ter recuperado a forma de há cinco jogos atrás.

Jesus esteve bem nas substituições. Trocou Rodrigo por Nolito e, um pouco mais tarde, Gaitan por Matic. Nolito trouxe outra animação ao ataque e Matic mais consistência ao meio-campo. A dez minutos do fim Nelson Oliveira substituiu Cardozo.

É pena que este esperançoso jogador da formação benfiquista não jogue mais vezes. Jesus vai ter de apostar nele mais vezes e com isso ficará a ganhar o Benfica e a selecção, que certamente o não dispensará.

Bruno Alves entrou na segunda parte e foi muito assobiado pelo público da Luz sendo caso para perguntar em que sentido este comportamento do público condiciona o jogador: se negativa ou positivamente.

Como acima se dizia o Benfica, na segunda parte, permitiu ao Zénite a condução do jogo, mas isso não significa que alguma vez os russos tenham conseguido penetrar na área benfiquista. De facto, o único remate com algum perigo foi feito à entrada da área. O Benfica, pelo contrário, teve várias oportunidades de golo e acabou por fazê-lo por Nelson Oliveira igualmente nos descontos finais. Um bom golo.

Por último, uma palavra muito especial para o árbitro. Toda a gente sabe que Howard Webb é um excelente árbitro. Na Luz ele deu uma verdadeira lição de arbitragem. Impôs-se pela categoria. Todas aquelas palhaçadas que ocorrem nas competições portuguesas e a que os árbitros dão guarida tiveram no jogo da Luz a resposta devida: o árbitro pura e simplesmente ignorou-as sem que com isso tivesse perdido autoridade. Dá gosto ver arbitrar assim, principalmente num país onde os árbitros são tão ou mais responsáveis do que os jogadores por tudo o que acontece no campo.

Em Inglaterra a extraordinária recuperação do Arsenal (3-0) não foi suficiente para anular a desvantagem trazida de Milão. Por muito azar, mesmo muito, não marcou ao Arsenal na mesma jogada o quarto golo.

Assim, para já, Benfica e Milan nos quartos-de-final da Champions.

segunda-feira, 5 de março de 2012

ANTEVISÃO DO BENFICA ZÉNITE



FIM DA ÉPOCA PARA O BENFICA?
O Benfica joga na partida de amanhã contra o Zénite muito mais do que uma eliminatória da Liga dos Campeões. Se uma eliminatória já não seria pouco, imagina-se o que será quando num jogo se joga o destino de uma época.
É óbvio que o jogo não teria esta importância se o Benfica não tivesse, como lhe competia, perdido cinco pontos em Guimarães e em Coimbra, nas partidas que antecederam o confronto com o Porto. Dando de barato que o jogo contra o Porto é sempre um jogo de resultado aleatório – o que, de resto, está a deixar de ser, pelo menos na Luz, onde o Porto tem ganho com inusitada frequência -, fica sempre por justificar o duplo desaire nos dois jogos anteriores.
De facto, se o Benfica amanhã for eliminado, não será de estranhar que um descalabro de consequências para já incalculáveis se abata sobre a equipa no que falta disputar das provas domésticas onde ainda se encontra.
Tendo em conta que na Luz a defesa do Benfica tem sido a pior dos últimos cinquenta anos, permitindo golos a todas as esquipas, excepto ao Sporting, não será de esperar nada de substancialmente diferente no jogo de amanhã.  Esse score tão negativo já deveria ter merecido dos responsáveis técnicos uma análise cuidada, tanto mais que no futebol as coincidências têm limites. Pela análise detalhada de todos os golos sofridos já teria sido possível compreender onde está erro e tentar remediá-lo.
A equipa técnica não o fez até hoje e já não será para o jogo de amanhã que o vai fazer. Uma coisa é certa, independentemente de uma análise muito mais pormenorizada do que está acontecer, nos últimos jogos Luisão tem estado a “anos-luz” daquilo que tem feito noutras épocas e até nesta época. A causa primeira parece ser uma muito deficiente condição física que não tem deixado de se agravar depois da lesão que sofreu aqui há umas semanas. E, com todo o respeito por Luisão, que tem ao longo de muitas épocas sido o verdadeiro patrão defesa benfiquista e um jogador profissionalmente empenhado, a verdade é que Luisão sem condição física tem a agilidade e o desembaraço de um velho, como ainda no último jogo conta o Porto se viu.
Portanto, a primeira coisa que a equipa técnica deveria fazer, par o jogo de amanhã, era, dada a incapacidade de Garay, substituir a habitual dupla de centrais por Jardel e Miguel Vítor, dois rapazes novos, com muita força e outra tanta vontade de jogar, já que não parece nada provável que Luisão esteja minimamente em condições de “parar” Kerzhakov, Shirokov & C.ª. Aliás, a ausência de Garay, dificilmente pode deixar de ser imputada à equipa técnica que o pôs a jogar contra o Porto, apesar de lesionado.
Por outro lado, sem Aimar, castigado e lesionado, o desenvolvimento do jogo do Benfica contra uma equipa como o Zénite vai constituir outro problema já que não se vê quem no actual plantel possa desempenhar o seu papel. Provavelmente, jogará Witsel (que também tem vindo a descer de forma), com Nolito ou Bruno César de um lado e Gaitan do outro, e Cardozo e Rodrigo na frente.
Além dos centrais, Emerson continuará a ser um problema. Mas é preciso não crucificar o jogador. A sua situação agravou-se nos últimos tempos pelo mal geral que afecta a equipa: deficiente condição física. E este mal, por óbvias razões, afecta mais a prestação de Emerson do que a dos restantes, sem prejuízo do que se disse a propósito de Luisão.
Para concluir: o Benfica tem no jogo de amanhã tudo a perder e pouco a ganhar. O que tem a ganhar, se amanhã ganhar, só lá para o fim de Março se verá…

SPORTING AGUENTA O QUARTO LUGAR



DERROTA DO MARÍTIMO EM GUIMARÃES
V. Setúbal vs Sporting (António Cotrim/Lusa)
 O Sporting, que recebeu um grande alento na sexta-feira, com a derrota do Benfica em casa contra o Porto, não conseguiu, mesmo assim, evitar a derrota em Setúbal.  
Para os sportinguistas, a perda de oito pontos pelo Benfica em três jogos consecutivos, já representava uma grande vitória, tanto mais que tinham quase por certo a vitória em Setúbal e a continuação do descalabro benfiquista.
O primeiro pressuposto, infelizmente para os sportinguistas, não se verificou. Na linha das fracas exibições que a equipa vem fazendo com Sá Pinto, o Sporting repetiu em Setúbal aquilo que tem sido a sua prestação nos jogos anteriores. Com a diferença de, desta vez, ter saído derrotado, como aliás poderia ter saído de todos os anteriores confrontos realizados sob o comando do novo treinador.
Ontem, o Sporting fez uma péssima primeira parte e na segunda não melhorou praticamente nada, tanto mais que, com excepção da grande penalidade de que beneficiou, não contou com outra oportunidade de golo.
Com esta vitória por 1-0, o Setúbal dá um passo importante no sentido da manutenção. Mas ainda há um largo caminho a percorrer, embora seja óbvio que a equipa, competitivamente, melhorou muito com a chegada de José Mota.
O Sporting, apesar da derrota, conseguiu aguentar-se no quarto lugar, porque o Marítimo perdeu em Guimarães que, assim, se consolida na sexta posição.
No sábado, antes do jogo do Sporting, o Braga manifestou mais uma vez a sua classe e a excelente forma em que se encontra, vencendo na Madeira o Nacional por 3-1, depois de ter estado a perder.
Com mais esta vitória fora, o Braga perfila-se como um dos grandes candidatos ao título, apesar dos jogos muito difíceis que tem pela frente. Mas tudo vai depender do jogo contra o Porto. Se o Braga ganhar, é de admitir que seja campeão… a menos que algo de anormal se passe. Como já dissemos, o Benfica não irá muito provavelmente constituir um obstáculo à caminhada dos bracarenses, já que há todas as razões para supor que o descalabro benfiquista vai continuar.
Entretanto, nos outros jogos, o Beira-Mar continua a afundar-se e o Paços de Ferreira a distanciar-se da zona de despromoção.
Comentando os jogos, na SIC N, Rui Santos não cabe em si de contente com a derrota do Benfica e no seu estilo intriguista, provocador e sectário vai espalhando veneno, embora em doses porventura letais, apenas para atrasados mentais.  

ADITAMENTO

Revistos alguns dos lances a que Rui Santos se referiu, nomeadamente a falta que antecede o segundo golo do Benfica, não poderá deixar de dizer-se que o comentador da SIC falseia sem pudor a realidade. Numa jogada insusceptível de um juízo de ciência, mas antes sujeita a um juízo de valor, o dito comentador optou pela única conclusão que não colhe qualquer consenso.

Quando alguém qualifica categoricamente um lance de futebol sem avisar o leitor, ouvinte ou espectador, que está fazendo uma interpretação valorativa antes deixando subentendido que está a formular um juízo de ciência - como acontece quando a bola sai ou não fora do campo, entra ou não na baliza, o jogador está ou não em jogo -  esse alguém está tentando vigarizar quem o lê, ouve ou vê.

Os meio de comunicação social não deveriam admitir gente desta nas suas fileiras, sob pena de com ela serem confundidos.