sábado, 26 de maio de 2012

A SELECÇÃO NACIONAL ASSOBIADA EM LEIRIA




EMPATE A ZERO COM A MACEDÓNIA
PORUGAL - 0 - MACEDÓNIA - 0



No jogo desta tarde, em Leiria, a selecção não foi capaz de ir além de um empate com a Macedónia, num jogo fraco que não agradou a ninguém, a começar pelo público presente no estádio.

Com um alinhamento que não será muito provavelmente o que vai apresentar no Europeu, a selecção não conseguiu vencer a modesta equipa da Macedónia. Com um meio campo sem ideias, incapaz de abrir perspectivas aos avançados, com dois extremos sem grande criatividade, apesar de um deles se chamar Cristiano Ronaldo, e com um ponta de lança que não marca golos nem se coloca em condições de os marcar, a selecção praticamente nada fez no primeiro tempo e no segundo também não.

Na defesa, Coentrão, muito limitado durante a época, por força da tirania táctica de Mourinho, ainda não consegue manter o fulgor doutrora, embora dê algumas indicações de que poderá lá chegar. Do outro lado da defesa, João Pereira não se deparou com grandes dificuldades, embora também não feito nada de especial no ataque, sendo provável que neste jogo, mais do que qualquer outro, se tenha deparado com o fantasma de Bosingwa. Por alguma razão Paulo Bento se viu obrigado a fazer um elogio de todo despropositado.

Beto na baliza e Bruno Alves e Rolando como centrais foram resolvendo as poucas dificuldades que tiveram, embora estes dois tenham porventura recorrido exageradamente a faltas.

Na segunda parte as substituições que foram sendo feitas com a intenção de dar minutos a outros jogadores pouco acrescentaram ao que até então vinha sendo feito. Raul Meireles de quem porventura mais se esperaria passou completamente ao lado do jogo e Nani também nada acrescentou. Hugo Almeida fez o habitual, pouco, e Nelson Oliveira não chegou verdadeiramente a integrar-se no ataque, apesar de ter participado numa jogada com perigo.

Os assobios do público a Quaresma e depois à selecção não podem ser desligados de uma certa crítica a Paulo Bento que vem perdendo com o tempo e com a sua actuação a aura com que partiu. O público é muito sensível à falta de independência do seleccionador – Scolari, é bom lembrá-lo, nunca foi assobiado - e relativamente a Paulo Bento começa a haver indícios de que já está “integrado”.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

AINDA OS DESACATOS DOS ADEPTOS PORTISTAS




É PROIBIDO COMEMORAR?
Associação de Basquetebol do Porto apoia dragões



As justificações apresentadas pelo FCP para os desacatos que aconteceram no pavilhão do dragão depois da vitória do Benfica na Liga Portuguesa de Basquetebol são obviamente inaceitáveis. Como os dirigentes do Porto nunca condenam a violência dos seus adeptos e várias têm sido as vezes que a provem ou aplaudem não seria de esperar que desta vez tivessem uma actuação contrária.

O que é espantoso é que a maior parte da imprensa desportiva acolha directa ou sibilinamente a tese do Porto segundo a qual tudo se deve aos festejos do treinador do Benfica.

Mas poderá alguém com um mínimo de decência criticar a comemoração de uma vitória seja em que campo for? Alguém pode criticar o Porto por o ano passado ter comemorado no Estádio da Luz o título de campeão? O que toda a gente criticou, benfiquistas incluídos, foi o “apagão” e a rega como retaliação pela vitória. Mesmo as atitudes aparentemente mais provocatórias, como o gesto de Jardel em San Siro, depois do golo que marcou ao Milan, têm de ser aceites no futebol como coisas normais.

Mas nem sequer foi nada disso que se passou no pavilhão do Porto, mas antes e só a comemoração por uma vitória difícil alcançada na casa do adversário.

Que os dirigentes do Porto procedam como procederam é normal – naqueles lados não só não há fair play, o que seria o menor dos males, como se recorre a todos os meios para assegurar a vitória. O que é espantoso é que uma parte considerável do jornalismo desportivo “embarque” na conversa do Porto. O que só prova aquilo que aqui frequentemente se tem dito: o jornalismo desportivo é a parte mais corrupta do desporto português.

LUÍS FILIPE VIEIRA ATACA FORTE




E AGORA O QUE VAI RESPONDER O DRAGÃO?

«Um ladrão não deixa de ser ladrão por visitar o Papa»



Seguramente “picado” pelas recentes declarações de José Eduardo Moniz, que se declarou vexado pelos constantes remoques do presidente do FC Porto, a ponto de ter dito: “O Benfica tem de deixar de ser gozado por Pinto da Costa”, Luís Filipe Vieira aproveitou os incidentes do Porto, após o jogo de basquetebol que ditou a vitória do Benfica no respectivo campeonato, bem como o incrível comunicado publicado pela direcção portista, para fazer um ataque sem precedentes a Pinto da Costa.

Depois de ter severamente verberado os incidente e de ter reclamado por justiça disse: “Um ladrão não deixa de ser um ladrão por declamar poesia ou por ir ao Papa. Um fugitivo da justiça não deixa de o ser apenas porque alguns juízes decidiram assobiar para o lado”.

E depois vem aquele rosário de acusações que todo o mundo conhece sobre o que se tem passado no futebol em matéria de arbitragens.

A partir de agora o que terá mais interesse será a reacção do visado. Será que vai para tribunal? Será que vai responder? Será que vai fazer de conta que não é nada com ele e servir, mais tarde, a vingança fria? Ou será ainda que vai acontecer alguma outra coisa semelhante a outras que já aconteceram no passado?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

BENFICA CAMPEÃO NACIONAL DE BASQUETEBOL




O QUE SE PASSOU NO PORTO

O Benfica conquistou o título de campeão da Liga Portuguesa de Basquetebol ao vencer, no Dragão, o quinto e decisivo jogo da final dos play-off. Não vem ao caso comentar a época de ambas as equipas nem sequer os cinco jogos da final rodeados de incerteza quanto ao vencedor até ao último segundo da última partida.

O que importa mais uma vez sublinhar é a incapacidade de a “doutrina desportiva” de Pinto da Costa aceitar a derrota qualquer que seja a modalidade em que ela ocorre e o que frequentemente acontece quando o Porto disputa jogos decisivos no seu reduto seja em futebol ou em qualquer outra modalidade.

Que o Porto tivesse ficado decepcionado com a derrota sofrida é compreensível e aceitável.  Mas de forma alguma se pode aceitar que o Porto, mais uma vez, provoque distúrbios no pavilhão onde o jogo teve lugar e tentativas de agressão que obrigaram a equipa adversária a refugiar-se no balneário sem sequer poder receber publicamente o troféu de campeão.

As imagens televisivas não mentem: o treinador do Porto, por razões que somente ele saberá explicar, veio tirar satisfações junto da equipa técnica e jogadores do Benfica que festejavam, em campo, a vitória. Acalmados os ânimos, o treinador do Porto regressou ao seu lugar e os festejos continuaram até serem interrompidos pelo lançamento de vários objectos para dentro do campo que obrigaram a equipa do Benfica a refugiar-se no balneário durante longo tempo e inclusive a receber fora dos olhares do público a Taça símbolo da vitória.

A polícia perante os desacatos dos adeptos portistas fez o que lhe competia: protegeu os jogadores e a equipa técnica do Benfica dos distúrbios e pôs ordem nas bancadas, apesar de o presidente do Porto ter entrado em campo para invectivar a polícia em vez de a ajudar a restabelecer a ordem.

Pois o Porto, em vez de pedir desculpa pelo sucedido, veio publicamente responsabilizar o treinador do Benfica (!!!) e culpar a polícia pelos desacatos! Perante uma tão grosseira falsificação dos factos e perante o comportamento dos responsáveis máximos do Porto jamais se poderá esperar que deles saia uma palavra contra os comportamentos antidesportivos dos seus adeptos por mais inaceitáveis que eles sejam.

Ontem como hoje deles só se pode esperar comportamentos que directa ou indirectamente incentivem actos como os que ontem tiveram lugar no pavilhão do dragão e que, no fundo, têm pautado a história do FC Porto durante o longo mandato de Pinto da Costa. Além dos discursos demagógicos incendiários ou desrespeitadores dos adversários como aconteceu com as comemorações da vitória no campeonato de futebol, assiste-se, sempre que as circunstâncias o proporcionem, como foi o caso de ontem, à contemporização, se não mesmo a concordância, com tudo o que de negativo vem das bancadas ou da rua.

Curioso será sublinhar, por último, que o jornal Público com a habitual pudicícia que o caracteriza em tudo o que diga respeito ao FCP nem sequer noticiou aqueles acontecimentos.



ADITAMENTO


Se o noticiário da tarde da RTP sobre os desacatos dos adeptos do FCP já havia sido uma vergonha pela parcialidade com que foram noticiados, o da noite, na SIC, é um verdadeiro escândalo. Como é possível que uma estação de televisão apresente como justificação para os desacatos dos desordeiros do Porto umas simples manifestações de contentamento do treinador do Benfica pela vitória alcançada?

Isto só prova o que aqui frequentemente se dito: os grandes corruptos do desporto português são os jornalistas desportivos. Depois deles é que vem os corruptores

FINAL DA TAÇA DO REI OU CONTRA O REI?




BARCELONA-ATHLETIC NA SEXTA-FEIRA

Amanhã defrontam-se em Madrid, no estádio Vicente Calderón, o Barcelona e o Athletic de Bilbau na final da Copa d’ El Rey.
Os dois clubes que mais trofeus conquistaram, depois de uma forte polémica sobre o local a designar para a realização da final, aceitaram jogar em Madrid no estádio do Atlético de Madrid.
Tendo-se confrontado por várias vezes na final desta competição, em jogos sempre marcados por muita emoção, o de amanhã tem um aliciante suplementar de natureza marcadamente política.
O Athletic e o Barcelona são as equipas mais representativas das duas nacionalidades históricas mais nacionalistas do Reino de Espanha – o País Basco e a Catalunha.
O facto de o jogo se realizar em Madrid oferece aos adeptos de ambas as equipas uma oportunidade extraordinária para manifestarem os sentimentos nacionalistas com provável repúdio dos símbolos nacionais espanhóis – o Rey e o hino.
Não é de pôr de parte que sexta-feira em Madrid, à semelhança do que aconteceu em 2009 em Valência, o Rey, ou o Príncipe herdeiro, e o hino sejam assobiados.
Para acirrar ainda mais os ânimos, a presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, conhecida pelas suas posições de extrema-direita, veio propor que se tal acontecer se suspenda o encontro e se realize noutro lugar à porta fechada.
Esta declaração foi prontamente criticada pelas forças políticas bascas e catalãs, bem como pelas galegas, e pelo próprio PSOE que apodou de pirómana a conhecida militante do PP. Mas houve também quem lembrasse que aquelas declarações têm por finalidade criar uma cortina de fumo destinada a evitar que se discuta o défice da sua Comunidade (muito superior ao anunciado) e as manobras políticas, da sua responsabilidade, que levaram à falência de la Bankia.
Aconteça o que acontecer, a polémica que os sectores nacionalistas espanhóis já abriram com os independentistas da Catalunha e do País tendo o futebol como pretexto, relegaram para segundo plano o interesse pelo jogo…pelo menos até à hora do seu começo.
Está também marcada para esse dia uma manifestação da extrema-direita em Madrid, autorizada pelo tribunal apesar da tentativa de adiamento para segunda-feira, sendo por isso muito provável a ocorrência de confrontos no fim do jogo, se a polícia não conseguir separar as claques das duas equipas e os ditos manifestantes.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

AS ESCOLHAS DE PAULO BENTO




A DIFICIL TAREFA DA SELECÇÃO NACIONAL



Já muito se falou das escolhas de Paulo Bento. Portugal com um universo de recrutamento pequeno não tem muito por onde escolher. Não há indiscutíveis que tenham ficado de fora. Mas há dentro, discutíveis.

Paulo Bento perdeu parte da aura que ganhou nos primeiros jogos quando se revelou, primeiro, teimoso, às vezes até casmurro, e depois, menos independente do que muitos supunham.

E são esses dois aspectos que acabam por estar presentes na convocatória anunciada há dias.

Há nomes na lista de convocados que não fazem qualquer sentido, salvo o sentido que resulta de já terem, sem sentido, sido sistematicamente convocados para a fase de grupos e para o play off.

No meio campo Rúben Micael é uma escolha que não acrescenta rigorosamente nada à selecção. Tão pouco a sua prestação na liga espanhola justificaria a chamada. De fora ficaram jogadores como Manuel Fernandes, um médio de grande talento, e mesmo Hugo Viana que não sendo um jogador adaptável a todos os estilos de jogo deveria por isso mesmo ter sido convocado. Numa emergência haveria ali uma alternativa diferente a quem lá estava.

No ataque Ricardo Quarema já demonstrou não ter nem a regularidade nem talvez mesmo a estabilidade psicológica necessárias para jogar na selecção. A selecção necessitaria de alguém que pudesse ser uma verdadeira opção a Ronaldo e a Dani. Quarema não é. Também é injustificável a chamada de dois jogadores com o Postiga e Hugo Almeida, poi,s sendo ambos apenas sofríveis, um deles bastaria.

Na defesa é inadmissível que Bosingwa não tenha sido convocado. Se a chamada de Miguel Lopes foi o que se pode chamar uma surpresa agradável, pelo bom campeonato que fez nesta ponta final, a insistência em João Pereira como titular, além de ser um risco permanente, representa também uma menos valia competitiva no plano técnico. Se tivermos em conta a época medíocre de Coentrão, em grande parte ditada pela concepção táctica castradora de Mourinho, percebe-se o risco que a defesa portuguesa pode correr logo nos primeiros dois jogos, ambos decisivos, com a composição que desde já se adivinha. Risco agravado pela instabilidade disciplinar de Pepe, um defesa “marcado” pelas arbitragens.

Em Portugal os seleccionadores apenas convocam jogadores dos chamados grandes, agora também do Braga por ter repetidamente ficado à frente do Sporting e são completamente avessos à escolha de jovens por mais óbvios que sejam os seus talentos. Essa seguramente a razão por que Hugo Vieira fica de fora.

Deve, porém, reconhecer-se que com estas ou outras escolhas a tarefa de Portugal será sempre muito difícil e a passagem aos quartos de final muito problemática. Se o conseguir será um grande feito já que o grupo que vai integrar no Euro 2012 é sem dúvida o mais forte de todos os que já conheceu desde 1996. Aliás, os grupos do Europeu tendem a ser, quase sem excepções, bastante mais fortes do que os do Mundial.

Ronaldo, que tem beneficiado de uma grande campanha com vista ao “melhor do ano” pela grande época que fez, dificilmente poderá atingir na selecção os níveis exibicionais que alcançou no Real Madrid ou, antes, no Manchester, pela razão simples de lhe faltarem na selecção os jogadores que alinham naqueles clubes.
Vencer a Alemanha ou a Holanda e a Dinamarca é tarefa muito difícil. E, em princípio, Portugal terá de vencer dois jogos para passar ou, talvez, empatar dois e ganhar um. Muito difícil.

ACADÉMICA VENCE A TAÇA DE PORTUGAL



UMA VITÓRIA MERECIDA


ACADÉMICA - 1 - SPORTING - 0


A Académica ganhou hoje pela segunda vez aTaça de Portugal 73 anos depois de ter vencido a primeira.

Num jogo que o Sporting tinha antecipadamente por ganho, tanto assim que os seus adeptos e jornalistas mais conhecidos já comemoravam de véspera uma vitória que igualaria a marca do Porto na competição (16 vitórias). Mais uma vez porém o futebol desfez os prognósticos mais seguros.

Na véspera percebeu-se que o Sporting estava nervoso. Desgostou ao Sporting que Adrien, jogador na Académica, emprestado pelo Sporting, tivesse manifestado publicamente o seu desejo de vencer. Esta gente de Alvalade entende, como a coisa mais natural deste mundo, que os deveres do jogador como profissional se devem subordinar aos interesses do Sporting.

É por esta e por outras como esta que há gente no Sporting que já não se iibe de recorrer a vários meios de pressão para conseguir ganhar fora do campo o que os seus jogadores e a sua equipa técnica não conseguem dentro dele.

Bem vistas as coisas, se em Portugal imperasse a verdade desportiva, o Sporting nem nesta final deveria estar depois do que se passou antes do jogo contra o Marítimo. Mas não somente esteve como o dirigente envolvido no depósito bancário a José Cardinal continua na direcção do clube como se nada se tivesse passado.

Antes da final com a Académica alguns “notáveis” sportinguistas fizeram várias pressões sobre os responsáveis pela arbitragem para que certos árbitros não fossem escolhidos. Acabou por ser escolhido um árbitro com pouco curriculum que, à parte as habituais particularidades da arbitragem portuguesa, nem sequer esteve mal no jgo de hoje, mas que exactamente pelo seu pouco peso institucional se poderia prestar a todo o tipo de pressões dentro e à volta do campo. E viu-se, mal o jogo começou, que os jogadores e o corpo técnico do Sporting estavam dispostos a enveredar por esse caminho. É natural que o árbitro tenha sido um pouco sensível a essa pressão na amostragem de dois cartões amarelos a jogadores da Académica por faltas insignificantes, pouco depois compensados por outros dois cartões exibidos a jogadores do Sporting por protestos. No cômputo geral da partida Paulo Baptista terá cometido dois erros com alguma relevância – um fora de jogo não assinalado a Edinho e uma falta para grande penalidade sobre o mesmo Edinho não assinalada.

Em conclusão: por muito que os sportinguistas venham agora falar da arbitragem – e muito provavelmente virão, como sempre fazem – a vitória da Académica é incontestável e só peca por escassa.

Tal como ontem o Chelsea também hoje a Académica jogou contra o Sporting com as armas que tem. Jogou recuada, com as linhas baixas, procurando sempre tirar partido dos desequilíbrios do Sporting.

E conseguiu executar com êxito esta estratégia. Com três minutos de jogo Marinho marcou de cabeça e cinco minutos depois Edinho – esta tarde manifestamente em dia não – não deu a melhor direcção a um remate de cabeça do qual poderia ter resultado outro golo.

Durante toda a primeira parte o Sporting limitou-se a correr muito com a bola sem nunca verdadeiramente causar qualquer perigo. Aliás, Ricardo, o guarda-redes da Académica, não fez na primeira parte uma única defesa digna desse nome.

Na segunda parte a Académica começou melhor e por duas vezes, separadas por escassos minutos, esteve em vias de marcar, ambas por Edinho. Da primeira vez, isolado frente a Rui Patrício, atirou contra o guarda-redes e da segunda, sozinho de frente para a baliza, falhou um golo certo a centro de um companheiro – bastaria “encostar” o pé, coisa que o avançado da Académica incrivelmente não conseguiu fazer.

À medida que o tempo passava aumentava a ansiedade do Sporting e o cansaço da Académica mas, simultaneamente, ia-se firmando a convicção de que os “estudantes” seriam capazes de aguentar o resultado. E foi o que se passou, a Académica, apesar de cansada esteve sempre à altura, das circunstâncias. É certo que perto do fim do encontro o Sporting falhou a única oportunidade de golo que verdadeiramente teve em toda a partida -  isolado face a Ricardo, Wolfswinkel rematou contra o guarda-redes - mas esse "falhanço" de modo algum interfere com a jistiça do resultado.
O árbitro concedeu seis minutos de compensação, sem que o Sporting tenha conseguido tirar partido desse excepcional tempo-extra nem, tão pouco, da pouca força física que a Académica já acusava. E assim se "escreveu" uma vitória que a Académica já merecia há muitas décadas!

domingo, 20 de maio de 2012

CHELSEA CAMPEÃO EUROPEU






DECEPÇÃO EM MUNIQUE

[foto de la noticia]

CHELSEA - 1 - BAYERN - 1
(4-3, GP)

O Chelsea, contrariando os prognósticos mais correntes, tornou-se campeão europeu em Munique, contra o Bayern, no desempate por grandes penalidades.

Foi um jogo emotivo entre duas equipas que entraram em campo com modelos de jogo completamente diferentes. Embora os propósitos fossem os mesmos (ser campeão), os meios postos em prática para lá chegar por cada uma delas foram, porém, muito diferentes.
O Bayern assumiu o jogo desde início, como fez durante toda a Liga dos Campeões, e procurou desde a princípio ganhar vantagem sobre o adversário com base em ataques continuados, a maior parte deles conduzidos por Robben e Ribery, mais por aquele do que por este. Enquanto o Chelsea se remeteu a uma defensiva cautelosa, tentando explorar o contra-ataque com poucas unidades. Mantendo apenas Drgoba na frente, poucas possibilidades o Chelsea tinha de incomodar os alemães, não obstante a excepcional valia do marfinense. Na primeira parte foi assim que jogou e logo se percebeu que sem Ramires e Raul Meireles poucas seriam as hipóteses de os londrinos poderem incomodar o Bayern com transições rápidas.

Na segunda parte o Chelsea mostrou-se um pouquinho mais, mas o pendor do jogo estava todo do lado dos bávaros. Tanto assim que o Bayern somou dezasseis cantos, sem que o Chelsea tivesse beneficiado de um único!

Perto do fim, depois de algumas perdidas mais ou menos clamorosas, o Bayern, por Thomaz Müller, marcou um golo improvável a Peter Chec. Num cruzamento ao segundo poste, Gomez não chegou à bola e ela, pelo ar, sobrou para Müller que de cabeça marcou fazendo-a bater no chão mesmo à frente do guarda-redes. Inexplicavelmente Chec não chegou à bola. Estavam decorridos 83 minutos de jogo e com este golo parecia decidido o vencedor. Acontece que cinco minutos mais tarde, no único canto de que o Chelsea beneficiou, Drogba fez um grande golo de cabeça.

Estava restabelecido o empate e na arena de Munique todos perceberam que a hipóteses mais  provável seria o prolongamento. Nos minutos que faltavam para o termo do tempo regulamentar o Chelsea afoitou-se mais no campo adversário, mas o jogo acabou mesmo empatado.

Veio o prolongamento e com ele, logo nos primeiros minutos, um penalty a favor do Bayern por falta de Drgoba sobre Ribery, que saiu lesionado. Mais uma vez pareceu que o Chelsea iria ficar em desvantagem com necessidade de a partir de então se expor. Acontece que Robben, que este ano protagonizado falhanços incríveis, não obstante ser um extraordinário jogador, atirou para a defesa de Peter Chec.

Com esta defesa o Chelsea ficou mais animado e o Bayern começou a ver pairar sobre a cabeça dos seus jogadores a maldição que os tem acompanhado nas últimas finais europeias.

E assim foi, no desempate por marcação de grandes penalidades o Bayern perdeu! Manuel Neuer defendeu a primeira por Mata, mas as quatro restantes foram todas convertidas, tendo a última – a decisiva – sido marcada por Drogba. O Bayern, por seu turno, permitiu uma defesa a Chec na penalidade marcada por Olic (que entrara para substituir Ribery) e desperdiçou a marcada por Schweinsteiger. Estava consumada a derrota…

É preciso que se diga que o futebol do Chelsea não tem nada de entusiasmante. Assemelha-se muito ao praticado por Mourinho no Inter e mesmo no Real, nos jogos contra o Barcelona. Mas é indiscutível que é uma equipa servida por grandes jogadores, embora alguns deles em fim de carreira.

Drogba que jogou os cento e vinte minutos e ainda colaborou decisivamente na marcação das grandes penalidades foi o homem do jogo. Não só ganhou, lá frente, praticamente todas as bolas de cabeça, embora sem consequências práticas relevantes uma vez que não tinha ninguém a seu lado que pudesse aproveitar os seus duelos com os centrais adversários, como ainda marcou um grande golo de cabeça, como só ele sabe marcar. É certo que esteve no penalty do Bayern, mas como não foi convertido, acabou por ser o seu, o que marcou no desempate por penalties, que fica para a história do jogo.

Dentre os portugueses somente Bosingwa jogou e, com excepção de uma bola perdida no meio campo, fez uma partida muito segura, cotando-se como um dos grandes elementos do Chelsea, tanto mais que tinha à sua guarda um jogador com a classe de Ribery. Não se pode dizer que Bosingwa o tenha neutralizado, mas impediu que ele tivesse sido tão influente como fora na maior parte dos jogos anteriores, inclusive contra o Real Madrid.

Do lado do Bayern, desde o treinador a Schweinsteiger, passando por Robben, Müller, Lahm e tantos outros, a decepção foi geral. Esta era uma taça que de certo modo tinham por certa. Assim não aconteceu. Houve uma certa injustiça no resultado, embora fosse previsível, depois dos jogos contra o Benfica e contra o Barcelona, o modo como o Chelsea iria jogar. Como disse Jupp Heynkes, o Bayern desaproveitou e sofreu as consequências. Custa muito perder uma final da Liga dos Campeões em qualquer circunstância, mais ainda quando se é melhor equipa e se tem tudo para ganhar. Mas o futebol é assim…

Com esta vitória o Chelsea soma sob o comando de Di Matteo a segunda da época – Taça de Inglaterra e Liga dos Campeões – e sagra-se finalmente campeão europeu, o grande sonho de Abramovich tornado finalmente realidade. Com esta derrota o Bayern iguala o Benfica em finais perdidas – cinco!

É de esperar que com esta vitória do Chelsea o treinador do Benfica tenha aprendido alguma coisa, nomeadamente a ser mais comedido. Como se vê pelo resultado final não havia motivo nenhum para o Benfica desejar a equipa inglesa como adversária nos quartos-de-final, assim como não havia qualquer fundamento para que ele tivesse dito, depois do jogo de Stamford Bridge, que o Chelsea não tinha qualquer hipótese contra o Barcelona, como bem logo corrigiu Ramires quando disse que certamente se tratava de uma previsão exagerada…  

O árbitro português, Pedro Proença, esteve no essencial bem. Os jogadores facilitaram e ele também não errou com gravidade. Os lapsos em que incorreu foram todos de natureza disciplinar: deveria ter admoestado Ashley Cole logo no começo do jogo; por volta dos 20 minutos deveria também mostrado o cartão amarelo a Bosingwa e no fim do prolongamento talvez se tivesse justificado a exibição de um vermelho a Malouda por entrada perigosa sobre um adversário, salvo o erro Kroos.

sábado, 19 de maio de 2012

A FINAL DE LOGO À TARDE




COMO VAI SER?


 Dentro de aproximadamente uma hora defrontam-se na Arena de Munique o Bayern e o Chelsea.

Há vários anos que o Chelsea persegue o sono de ser campeão europeu. Desde que Abramovich chegou ao clube, esse, mais do que o campeonato, tem sido o grande teste de todos os treinadores. Nenhum até hoje escapou a esse desaire. Mourinho ainda se aguentou, primeiro com a conversa das arbitragens, depois com a falta de sorte, mas o insucesso na Liga dos Campeões associado a um futebol pouco entusiasmante foram decisivos para a rescisão do contrato.

Gus Hiddink terá sido o único que saiu pelo seu próprio pé num ano em que o Chelsea foi escandalosamente “roubado” – não há outra maneira de dizer – por um árbitro norueguês no segundo jogo das meias-finais contra o Barcelona. Cinco grandes penalidades por marcar num só jogo, é obra! Nem Pinto de Costa se pode orgulhar de tanto. Mas foi o que aconteceu. Depois perdeu uma final nas grandes penalidades contra o Manchester – Terry falhou e o técnico israelita foi para casa.

Villas-Boas não chegou verdadeiramente a perder a Liga dos Campeões, mas acabou por ser o forte receio de a perder, no jogo da segunda mão dos oitavos de final contra o Nápoles, igualmente associado a um campeonato muito fraco, que ditou o seu afastamento.

Sobra Di Matteo, veterano do “novo” Chelsea, que praticamente conta por vitórias os jogos disputados desde que tomou conta da equipa em substituição de Villas-Boas. Na Liga dos Campeões, além do Nápoles, eliminou o Benfica, com um jogo muito inteligente na Luz e com alguma sorte em Stamford Bridge, e com alguns pequenos, mas decisivos, favores da arbitragem, tanto em Lisboa como em Londres e, surpreendentemente, derrotou o Barcelona nas meias-finais, apesar de ter feito o último jogo em inferioridade numérica por uma inaceitável infantilidade de John Terry.

O Bayern, pelo contrário, é um clube com muita história na Liga e na Taça dos Campeões. Vencedor por quatro vezes, três delas seguidas, e perdedor de quatro das últimas cinco finais em que participou, é sempre um favorito por definição. O período de maior grandeza do Bayern coincide com o apogeu de Beckenbauer, ligeiramente mais novo do que Pelé e Eusébio, e de uns quantos grandes jogadores que então jogavam em Munique, a começar por Paul Breitner.

Das várias finais perdidas pelo Bayern, na fase Lotar Matthäus, outro grande jogador bávaro, a mais dramática foi sem dúvida a jogada contra o Manchester United em 1999. Aos noventa minutos o Bayern ganhava por um zero, depois de ter, principalmente na segunda parte, desperdiçado várias oportunidades. No tempo de compensação o United empatou por Sheringham e depois por Solskjaer marcou o segundo. Foi um choque muito grande do qual o Bayern levou vários anos para se refazer.

Com uma boa prestação na competição deste ano, na qual é de destacar a eliminação do Real Madrid – um velho hábito…-, o Bayern parte com a confiança de quem já ganhou ao vencedor antecipado. No fundo, era isso que Mourinho queria fazer crer, quando deu a entender que o Bayern de Jupp Heynkes não seria um adversário à altura do Real Madrid.

Finalmente, como motivo de interesse a arbitragem do português Pedro Proença. Não é qualquer árbitro que apita a final da Liga dos Campeões. Tem de ser um árbitro com provas dadas na Europa. Ma isso também significa que o reiterados erros de Proença no campeonato doméstico e sempre no mesmo sentido não poderão imputar-se a deficiências técnicas ou a deslizes momentâneos.

O último árbitro português que arbitrou uma final europeia acabou assessor do FCP …para a arbitragem. Será que Proença vai ter o mesmo destino?

quarta-feira, 9 de maio de 2012


AS GRANDES MANOBRAS - ATAQUE A VIEIRA



SPORTING QUER ESCOLHER O ÁRBITRO PARA A FINAL DA TAÇA



Depois da grande desilusão causada pela perda de um campeonato que parecia ganho, há quem dentro do Benfica acredite que estão criadas as condições para um ataque em forma a Vieira, lançando uma candidatura que possa recolher o apoio maioritário dos sócios.

As manobras com esse objectivo já começaram e nem será muito difícil prever os apoios com que poderão contar nem os pontos fracos que mais serão evidenciados.

Aparentemente, mas só aparentemente, a estatística funciona contra Vieira: dois campeonatos, quatro Taças da Liga e cinco participações na Liga dos Campeões tendo em apenas duas delas ultrapassado a fase de grupos, várias participações na Liga Europa, com uma presença na meia-final (logo desvalorizada por ter sido perdida contra o Braga) parece pouco para quem está no poder há vários anos. Um “pouco” que mais se agrava quando comparado com os resultados obtidos pelo Porto no mesmo período – vitórias em todos os campeonatos que o Benfica não ganhou, vitórias na Taça de Portugal, na Supertaça, na Liga Europa, na Liga dos Campeões, enfim, um palmarés invejável e difícil de aceitar sem partilha pelos adeptos benfiquistas.

Depois vem a juntar a isto a frustração das duas últimas épocas que, apesar das promessas, das expectativas e acima de tudo dos investimentos, ficaram muito aquém do pretendido. Ou seja, ficaram pelo segundo lugar no campeonato, com várias humilhações à mistura, com acesso à Liga dos Campeões – acesso directo no próximo ano.

É razoável ou é muito pouco? A resposta é muito simples: se o campeonato português fosse mais competitivo e a luta pelo primeiro lugar estivesse ao alcance de, pelo menos, quatro equipas, capazes de dividir entre si as vitórias, os resultados do Benfica até seriam aceitáveis. Mas como se dá o caso de a luta estar praticamente circunscrita a duas equipas e de uma delas – o Porto – manifestar uma grande superioridade sobre as demais, ao Benfica, como equipa de grandes pergaminhos e titular de um passado glorioso, cai mal, muito mal, este papel de segunda equipa no confronto com o Porto.

Depois dá-se o caso de os treinadores – todos os treinadores da era Vieira – terem ficado francamente abaixo das expectativas – Toni (embora à época Vieira não fosse presidente, mas tão só responsável pelo departamento de futebol), Koeman, Camacho, Fernando Santos, Quique Flores e Jesus. E mesmo o experimentadíssimo Trapattoni, que teve o bom senso de se ir embora mal se sagrou campeão, esteve em risco de não terminar a época em que acabou por ser campeão. E, muito provavelmente, não completaria a segunda se tivesse ficado.

De todos, porém, paradoxalmente, o que mais decepcionou foi Jesus, por ser aquele do qual mais se esperava a partir da vitória alcançada na primeira época. E todavia com os seus três anos de permanência na Luz, Jesus é sem a menor dúvida o treinador com os melhores resultados destes últimos vinte e tal anos.

Entendamo-nos: Jesus não é no plano europeu um grande treinador, mas é um treinador da classe média alta, cujas falhas até seriam, na maior parte dos casos, supríveis por um clube que tivesse uma estrutura técnico-organizativa que ele respeitasse (ou fosse obrigado a respeitar). Entregue a si próprio, aos seus caprichos, às suas limitações culturais, é muito provável que no Benfica cometa erros que noutro clube mais organizado certamente não cometeria – erros comunicacionais (comete imensos) e erros técnico-tácticos (favorecidos pela ausência de uma estrutura superior de enquadramento).

Como estes são os pontos fracos de Vieira é natural que apareça contestação. E é positivo que tal aconteça para evitar a autocracia do presidente.

Acontece, porém, que o que se perfila no horizonte é o pior que ao Benfica poderia acontecer. Um Benfica “governado” pelas empresas de Joaquim Oliveira, com presidentes sob a tutela intelectual de Pinto da Costa, é exactamente aquilo que o Benfica menos precisa.  

Como frequentemente aqui se tem dito, Seara não está nos programas desportivos em que participa para defender os interesses do Benfica, mas apenas e só para se promover politica e desportivamente. Com os viscosos consensos em que frequentemente se enreda, rapidamente se percebe que os seus objectivos são outros. O Benfica serve apenas de apoio e trampolim...

A recente divulgação de um jantar em que participou com inimigos jurados do Benfica, para comemoração da derrota na Luz, contra o Porto, para o campeonato, deixa-lhe pouca margem para continuar na TV em representação do Benfica quanto mais para se candidatar à sucessão de Vieira ou mesmo para participar na escolha do seu eventual sucessor.

No Sporting, pelo contrário, reina o mais completo fanatismo, que em alguns casos – como em Barroso – entra nos domínios do patológico, tal a mania persecutória que enforma a maior parte das suas intervenções. Uma paranóia perigosa tanto no plano desportivo como social.

De facto, depois de tudo o que agora se sabe do Sporting em matéria de árbitros, nomeadamente dos condicionalismos ou mesmo constrangimentos que a partir de dentro lhes procuraram criar, é de uma grande desfaçatez vir para os jornais vetar árbitros e tentar escolher aqueles que de antemão se sabe – sabe-se lá porquê merecerem os favores do Sporting.

Os fanáticos do Sporting continuam a propagar a ideia falsamente documentada de que foram prejudicados pela arbitragem. É falso! Foram beneficiados em muitos jogos; apenas em dois, um deles arbitrado por Pedro Proença, cujas cores clubistas são, como se sabe, mais fortes do que as suas convicções como árbitro, têm razões de queixa.

Já se percebeu que a campanha em curso – a que se conhece, pode haver outras … - visa criar as condições para uma arbitragem amigável no jogo contra a Académica.

Ver-se-á depois o resultado de tudo isto…

terça-feira, 17 de abril de 2012

BAYERN DERROTA REAL MADRID



RIBERY FANTÁSTICO!
[foto de la noticia]
BAYERN 2  - REAL MADRID 1

Há aspectos importantes neste jogo que convém antes de mais nada sublinhar.
Em primeiro lugar, Mourinho não conseguiu evitar a onda de resultados negativos que o Real Madrid, desde há mais de cinquenta anos, colecciona em Munique. Voltou a perder.
Em segundo lugar, Cristiano Ronaldo nos grandes jogos apaga-se. Apagou-se hoje, como se tem apagado muitas outras vezes tanto na selecção nacional como nas equipas que representa. E apaga-se tanto mais quanto mais um ou dois jogadores sobressaem na equipa adversária. É o seu enorme ego que funciona aqui ao contrário: passa da exuberância à depressão.
Em terceiro lugar, Coentrão é hoje um triste sombra do jogador que foi no Benfica. É duvidoso que a jogar assim tenha lugar no Zaragoza.
Howard Web é um grande árbitro. Já aqui foi elogiado várias vezes. Hoje teve dois deslizes: um penalty que ficou por assinalar sobre Gomez por empurrão de Pepe (embora para um árbitro inglês possa ser desculpável) e uma expulsão que ficou por fazer (Marcelo agrediu Müller).
Pepe e Sérgio Ramos voltaram a exibir toda a sua brutalidade. Se não forem expulsos à primeira falta grave, tornar-se-ão cada vez mais perigosos e mais violentos.
Por último, Ribery fez uma exibição simplesmente fantástica. Em todo o campo, sofrendo entradas violentas de vários jogadores, Ribery foi sempre o maior e merce, por isso, todas as honras.
Quanto ao jogo, os alemães tinham razão quando disseram que o Real Madrid não é uma grande equipa. Joga muito à custa das tácticas defensivas quando defronta grandes equipas e da criatividade de grandes jogadores, como Di Maria, quando está em boa forma física, ou de Ronaldo, quando está inspirado.
Apesar de dispor de grandes jogadores, Mourinho privilegia sempre, neste tipo de jogos, os mais duros, os mais disciplinados tacticamente, e aqueles que preferem o resultado ao espectáculo.
Hoje, o Real Madrid foi durante quase todo o jogo dominado pelo Bayern. Com excepção de uma ou outra fase no primeiro tempo, o Bayer foi sempre muito superior. E no segundo tempo dominou por completo. Mas isso não significa que uma equipa como o Real Madrid, com excelentes executantes, não seja sempre perigosa nos contra-ataques. E hoje foi assim que marcou.
Todavia, o Bayern justificava um resultado mais dilatado.
No Bernabéu, Mourinho vai ter de se expor e se o Bayern for igual a si próprio dificilmente será eliminado.

MOURINHO: UMA SEMANA DECISIVA





MOURINHO MUITO NERVOSO



Nunca, como em Espanha, Mourinho foi tão contestado pelos adeptos do clube que treina.

O tema já aqui foi abordado por mais de uma vez. Tem a ver com a natureza do clube que hoje representa, completamente diferente de todos aqueles por onde antes passou (excepção feita ao Benfica, onde esteve episodicamente) e também a ver com o modo de ser espanhol, imperial, dominador e moralizador, que naturalmente rejeita a arrogância e os processos, tantas vezes muito primários, de Mourinho.

Daí que sejam frequentes as críticas cada vez mais violentas que lhe são feitas, até por intelectuais de renome, como esta semana aconteceu no Pais Semanal, por Javier Cercas.

Todos os defeitos de personalidade – e são muitos – de Mourinho são empolados por uma imprensa que já não pode com ele e que manifestamente o rejeita. Os hinchas, os mais selvagens dos seguidores madrilenos, estão certamente com ele. Só que num clube como o Real Madrid esses agrupamentos radicais contam pouco e não fazem opinião.

Por ter consciência de que é detestado, Mourinho aposta tudo esta época em duas vitórias que para ele seriam redentoras e lhe permitiriam abandonar o clube por cima – a vitória no campeonato e a vitória na Liga dos Campeões.

E muito do que acontecer esta semana vai seguramente ditar o futuro próximo de Mourinho. Por isso ela será decisiva.

A vitória na Liga é para ele um objectivo obsessivo: não apenas porque uma vitória na Liga espanhola representaria um duplo record difícil de igualar – vencedor de quatro ligas em quatro países diferentes e simultaneamente vencedor das três ligas mais importantes do mundo – mas também porque seria uma vitória sobre o Barcelona.

O outro objectivo é vencer pela terceira vez a Liga dos Campeões, facto que até hoje nenhum treinador alcançou, e simultaneamente juntar o seu nome, na história do Real Madrid, ao de vários outros que já lograram o mesmo feito.

Com esta dupla vitória Mourinho daria novo alento ao mito da invencibilidade que nunca como em Espanha foi tão abalado e tão soberbamente desprezado.

Dai que Mourinho com o seu enorme, incomensurável, ego aposte tudo nestas duas vitórias, para depois poder “bater com a porta” e ficar desejado. Por isso é tão importante a semana decisiva que hoje começa.

Embora um resultado negativo em Munique, desde que pela diferença mínima, não seja irrecuperável, ele teria contra si o facto muito depreciativo de constituir a repetição do que vem acontecendo ao Real Madrid, em terras bávaras, desde há mais de meio século. E Mourinho, para ser diferente, para poder dizer que continua o special one, tem de ganhar. E tudo fará para o conseguir.

No fim de semana, em Camp Nou, Mourinho no mínimo vai exigir aos seus jogadores que mantenham a diferença pontual que agora os separa dos catalães. Uma derrota, além de pôr em causa a vitória na Liga, seria uma insuportável humilhação. Ficaria claro, absolutamente claro, o que agora já muitos têm por indesmentível: não é o Real Madrid que ganha a Liga, é o Barcelona que a perde.

Algo nos diz que desta vez Messi não vai sair incólume: Mourinho tem por certo que só derrotará o Barcelona se derrotar Messi. E tudo fará e a todos os meios recorrerá para o conseguir. Com Pepe e também com Sérgio Ramos – o mais indisciplinado (dentro do campo) jogador do RM de todos os tempos – tudo se pode esperar, principalmente de Pepe!

Positivamente tem a seu favor a grande forma de Cristiano Ronaldo, supondo que ela se mantém em Camp Nou…


segunda-feira, 16 de abril de 2012

RUI SANTOS E A “VERDADE DESPORTIVA”





OU SEJA, EVITAR AS CONSEQUÊNCIAS DA VERDADE… 


Rui Santos é um típico “jornalista” desportivo. Rodeia as questões importantes. Faz-se de indignado sem nunca apontar as consequências dos actos que alegadamente o indignam. Altera factos passados, com meias verdades e omissões. Insinua, mesmo quando sabe que os factos a que se refere desmentem o sentido da insinuação. Enfim, o jornalista desportivo típico é alguém que faz parte integrante deste futebol que nós temos. Do futebol que se joga fora do campo...
Falou durante mais de meia hora no “Tempo Extra” evitando do princípio ao fim abordar o essencial do “problema Sporting”. Mais: pode até supor-se que falou para obnubilar a verdade, tal a preocupação com que do princípio ao fim escamoteou o essencial. E é também lamentável que nem sequer conheça o sentido de algumas das palavras que emprega. Chamar “famigerado” ao árbitro que apitou o Beira-Mar Sporting é mesmo de analfabeto.
Mas adiante, já passou da meia hora e este “estranho cavalheiro" ainda não foi capaz de abordar o “problema Sporting”, depois de tudo o que se conhece. Ele, se fosse aquilo que não é, ou seja, se fosse pela tal verdade desportiva que ele falsa e hipocritamente apregoa, o que tinha que discutir era o que vai acontecer ao Sporting se os factos que são do domínio público se vierem a provar.
Não. No que ele estava interessado, durante os 35 minutos que dedicou ao assunto, foi adulterar a posição de José Cardinal na tal final da Taça da Liga entre o Benfica e o Sporting. E dizer frases como esta: “a tal final que o Benfica ganhou em consequência da marcação de um penalty inexistente”. Mas algum jornalista sério pode dizer isto? O mais que ele pode dizer é que o Benfica empatou o jogo com esse penalty, empate que nenhuma equipa até ao fim do jogo conseguiu desfazer, jogo que o Sporting acabou por perder por não ter ganho nos penalties.
E esteve sempre muito mais interessado em fazer intriga com o que se passa no interior dos corpos gerentes do Sporting do que em abordar as consequências disciplinares do que se passou.
Em relação ao “problema Sporting”, que é sério e de gravidade extrema, entendeu, em vez de o abordar directamente, transferi-lo para o presidente, Godinho Lopes, dando a entender que o que pode acontecer ao Sporting acaba por depender da atitude deste. O que é falso: Godinho Lopes só poderá agravar uma situação, que de si já é muito grave, mas nunca a poderá resolver. Ela não depende do que ele fizer, mas dos factos!
Então, alguém acredita que o Sr. Pereira Cristóvão estava a actuar como simples adepto? Então, ele não é vice presidente do Sporting? Não era claramente no interesse do clube de que ele é dirigente que estava actuar?
A resposta é óbvia. O que interessa saber é se alguém, além dele, estava metido na “tramóia”. E ai é que já é muito mais difícil supor que ele actou sozinho….


ADITAMENTO

Coroado, o tal que é adepto de Belenenses (ah, ah, ah…), voltou a dizer num programa de comentário da final da Taça da Liga que não há provas de que Polga tenha derrubado Gaitan dentro da área….
Com isto não se quer dizer que Coroado não seja sério. Nada disso. O que se quer dizer é que ele não é imparcial, porque tanto agora, como comentador, como antes, como árbitro, via e analisava as jogadas como adepto. E sabe-se como é o adepto…

domingo, 15 de abril de 2012

BENFICA VENCEU A TAÇA DA LIGA



GIL VICENTE BATEU-SE BEM



BENFICA 2 - GIL VICENTE 1
Sem surpresas – surpresa seria perder – o Benfica venceu em Coimbra a final da Taça da Liga, derrotando o Gil Vicente por 2-1.

O Gil Vicente bateu-se bem, tentando contrariar a supremacia benfiquista sem nunca se desmembrar. Quando teve de atacar mais, porque o jogo se aproximava do fim e a desvantagem permanecia, o Gil fê-lo sempre com as cautelas suficientes para não ser desfeiteado pelo contra-ataque adversário.

O Benfica terá sido ligeiramente superior, não apenas porque assumiu o jogo, mas também – e ai é que esteve a diferença – por ter melhores valores individuais. No essencial não mostrou, porém, estar muito diferente daquilo que tem sido a prestação da equipa no último mês e meio. Daí que a questão do segundo lugar no campeonato continue em aberto, como se verá…

O primeiro golo do Benfica resulta de uma insistência e respectiva recuperação de bola de Bruno César, que depois de deixar para trás o defesa do Gil Vicente, fez uma extraordinária assistência a Rodrigo que, do outro lado do campo, acorreu com classe e prontidão ao passe do companheiro, fazendo o golo.

O golo do empate acontece na segunda parte, perto do fim, numa fase do jogo em que o Gil Vicente procurava com alguma insistência neutralizar a vantagem do Benfica. E acabou por consegui-lo numa insistência conduzida pela direita, após um centro que, depois de um remate falhado,  fez com que a bola fosse na direcção de um jogador do Gil (Zé Luis) que, apesar de rodeado por jogadores do Benfica, conseguiu marcar o golo, perante a passividade de tanta gente. 

Entretanto, Javi, que estava para entrar, como terceira substituição, depois das entradas de Gaitan, ao intervalo, por Nélson Oliveira, hoje muito desinspirado, e de Cardozo, que substituiu Aimar, Javi, dizíamos, acabou por não entrar tendo nos derradeiros minutos Saviola substituído Rodrigo.

Pouco depois de entrar, na sequência de um lançamento de linha lateral, Saviola aproveitou um ressalto e fez o golo da vitória. A sorte que lhe faltou em Olhão, sorriu-lhe em Coimbra. E assim o pequeno argentino regressou aos golos em 2012.  

Witsel foi eleito o homem do jogo, embora Matic tenha feito uma grande exibição. Maxi, com a energia de sempre, trouxe alguma velocidade ao lado direito do Benfica, embora às vezes ponha muita energia na disputa dos lances divididos. Bruno César, como sempre, bem.

A arbitragem, com excepção de um cartão amarelo a Gaitan, esteve bem.

Na conferência de imprensa, Jesus, arrogantemente, escusou-se a responder a uma questão de um jornalista que o interrogava sobre as críticas de alguns adeptos do Benfica pelas opções que tem tomado ao longo da época. Incompreensível esta atitude. Jesus, como qualquer outro treinador, deve explicações aos sócios e adeptos. Por que razão Matic não tem jogado mais vezes; por que razão Saviola, fundamental na vitória do Campeonato 2009 – 2010, tem sido tão frequentemente preterido; por que razão insiste Jesus tanto em Emerson quase sem dar hipóteses a Capdevilla; enfim, por que não há mais rotação no Benfica. Assim como deve explicações pela queda ou quebra abrupta da equipa a partir da 18.ª jornada. Tudo questões a que Jesus foge com a soberba de que não tem que dar respostas a quem não percebe nada de futebol…

sábado, 14 de abril de 2012

O SPORTING E AS SANÇÕES


A DESCIDA DE DIVISÃO COMO SANÇÃO PROVÁVEL

A primeira grande preocupação dos “meirins” deste país e dos jornais desportivos de Lisboa é garantir que o Sporting não será punido pelas actividades ilícitas do seu vice presidente Paulo Pereira Cristóvão.
Embora a generalidade dos portuguese esteja plenamente convencida de que no futebol e na política nunca há punições, por mais abundantes que sejam as provas e eloquentes os factos, convém mesmo assim analisar a questão.
Não olhando muito ao que dizem os jornais desportivos e nunca deixando de ter presente que eles são um dos principais focos de corrupção desportiva deste país pela defesa que sempre fazem dos corruptores e por nunca se colocarem abertamente ao lado da justiça, não deixará de ser estranho para qualquer leigo que o vice presidente de um clube desportivo, actuando nessa qualidade, faça ou mande fazer um depósito bancário na conta de um árbitro para o desacreditar desportivamente e o condenar desportiva e penalmente, prevalecendo-se da própria acção para fazer uma denúncia caluniosa, e não aconteça nada no plano desportivo nem em relação a ele nem em relação ao  ao clube que representa. Ninguém, jurista ou leigo, entenderia tal coisa. Pelo menos, o leigo não entenderia, já que os juristas, muitos juristas, pelo que se tem visto, entendem ou desentendem as questões jurídicas em função de outros factores que nada tem a ver com o Direito ou com a racionalidade das coisas. Então, vejamos como as coisa são:
Se o direito penal, que é do ponto de vista garantístico o ramo mais exigente do direito, já que somente intervém em última instância, quando estão em causa os valores fundamentais da sociedade, pune e castiga este comportamento seria muito estranho que tal acção pudesse ficar impune no plano da disciplina desportiva que é seguramente uma ordem normativa menos exigente, sem com isto se queira dizer que prescinda da culpa.
E a diferença é esta: enquanto o direito penal, para actuar, carece de um prévio tipo legal de crime – por isso os juristas e a Constituição dizem: nula poena sine lege (não há pena sem lei) e nula crimen sine lege (não há crime sem lei que o preveja) – já o direito disciplinar se contenta com menos, embora nunca prescinda do princípio da legalidade nem da culpa. E contentar-se com menos, significa, no caso de que estamos tratando, que o agente desportivo, tendo praticado uma acção ilícita, tenha violado algum ou alguns dos deveres a que está obrigado, que o tenha feito com culpa e que acção lhe seja imputável.
Digamos para leigos que, além dos casos em que há tipificação - ou seja, além daqueles casos em que a conduta está completamente descrita na lei -  os agentes desportivos podem também ser punidos se a sua conduta ilícita violar algum ou alguns dos deveres gerais ou específicos a que por lei estão obrigados contanto que a respectiva conduta seja passível de censura, isto é, praticada com dolo ou culpa.
Para que se perceba: a conduta semelhante à praticada pelo dirigente do Sporting também não está prevista para os funcionários públicos: imagine-se, porém, que um funcionário público depositava na conta bancária de um dirigente uma determinada quantia em dinheiro para subsequentemente o acusar de corrupção. Haverá algum jurista digno desse nome que diga que o funcionário público apenas deve ser punido penalmente?
Mas há mais: segundo vem na imprensa, há a suspeita de que a empresa desse dirigente “espiava” os árbitros para depois os constranger ou coagir. Bem, neste caso é que não há qualquer dúvida, como dúvida não há quanto à sanção a aplicar – descida de divisão!
Aliás, ao Ministério Público não terá passado certamente despercebido o facto de simultaneamente com os protestos do Sporting sobre a arbitragem terem aparecido na internet elementos confidenciais da vida particular dos árbitros, tudo, obviamente, com vista à criação de um clima de constrangimento da arbitragem.
Finalmente, é também voz corrente na imprensa que o presidente do Sporting, Godinho Lopes, está igualmente a ser investigado por haver sérias suspeitas de que estava a par do que se passava –logo, co-autoria moral ou cumplicidade.
Enfim, é óbvio aos olhos da opinião pública que não tem voz nos jornais, nas rádios nem nas televisões que tudo isto é da responsabilidade do Sporting, como não pode deixar de ser. De facto, Pereira Cristóvão não actuou no interesse próprio – actuou como vice presidente do Sporting, logo responsabiliza o clube.