quarta-feira, 16 de novembro de 2011

PORTUGAL QUALIFICADO PARA O EURO 2012

VITÓRIA SOBRE A BÓSNIA POR 6-2

Portugal no pote 3, com Croácia, Grécia e Suécia (SAPO)



Depois de um começo desastroso no grupo de apuramento, a selecção portuguesa de futebol, sob direcção da nova equipa técnica a partir da terceira jornada, venceu com relativa facilidade, e nalguns casos até com certo brilhantismo, os cinco encontros seguintes, mas voltou a claudicar no derradeiro, contra a Dinamarca, no qual lhe bastava um empate para se qualificar directamente.

Não o obteve. Perdeu o jogo e até poderia ter sido goleada pondo inclusive em causa o segundo lugar. Não foi, por sorte, e qualificou-se para o play off, cabendo-lhe defrontar a Bósnia-Herzegovina.

No primeiro jogo, disputado na “muçulmana” Zelica, Portugal jogou bem no primeiro tempo e poderia logo aí ter decidido a eliminatória. Não aconteceu. No segundo tempo, em certas fases do jogo, a Bósnia foi superior, mas sem nunca ameaçar a superioridade portuguesa. O jogo terminou empatado 0-0 e o “tira-teimas” ficou adiado para quatro dias depois, no Estádio da Luz, em Lisboa.

E ontem, nesse jogo da segunda mão contra a Bósnia-Herzegovina, Portugal ganhou, goleando por 6-2.

O resultado espelha de certa forma a diferença entre as duas equipas. Não é que a Bósnia não tenha alguns excelentes jogadores. Tem. O que acontece é que nem sempre as equipas “jugoslavas” têm um futebol condizente com a categoria dos seus jogadores.

E a equipa portuguesa, apesar de não ter contado com todos aqueles que têm categoria para jogar na selecção, por rejeição de alguns deles por parte de Paulo Bento, não teve dificuldade em colocar-se em vencedora, logo nos primeiros minutos de jogo, mercê de um excelente golo de Ronaldo, marcado a cerca de trinta metros de livre directo, depois de pouco antes Meireles ter falhado incrivelmente um “golo certo”, rematando ao lado.

Mais uns minutos, e Nani, que nem sempre tem jogado na selecção o que joga no Manchester United, fez um daqueles remates com que costuma entusiasmar Old Trafford, marcando o segundo. Um grande golo.

Tudo parecia inclinado para uma vitória fácil e folgada, sem sobressaltos. Mas não. Num cruzamento para a área portuguesa, Coentrão saltou com o braço no ar, um pouco à semelhança dos jogadores de andebol, e fez penalty. Foi o 2-1.

No Estádio da Luz pairou o espectro do empate. Logo da eliminação de Portugal. Não porque a Bósnia estivesse a reagir à supremacia portuguesa, mas porque da segunda vez que foi área adversa marcou um golo. Entretanto, a primeira parte terminou.

Na segunda parte, Cristiano Ronaldo, com um novo golo, tornou as coisas fáceis, restabelecendo uma diferença tranquilizante. E mais fáceis ficaram, porque na sequência desse golo, Lulic foi expulso por ter protestado fora de jogo de Ronaldo. A RTP não parou a jogada, nem traçou a tal linha para se perceber se Ronaldo estava ou não em jogo. Nas poucas repetições que passou, uma vezes parecia que sim, outras que não, consoante o ângulo de visão.

Mesmo assim, com dez e a perder por dois de diferença, os bósnios reagiram e marcaram o segundo – um golo também protestado pelos portugueses por alegado fora de jogo. A RTP também não esclareceu, embora nas repetições parecesse que Pepe estava a pôr o adversário em jogo.

A partir daí a selecção portuguesa resolveu tirar todas as dúvidas, mandando no jogo, sem apelo nem agravo. Marcou mais três golos, dois dos quais por Postiga e outro por Veloso num livre directo muito bem executado, que os bósnios estavam manifestamente a contar que fosse marcado por Ronaldo.

No fim, uma grande festa: dos jogadores, da equipa técnica, dos jornalistas e, compreensivelmente, do público.

Que dizer mais? Em primeiro lugar, que as debilidades da equipa se mantém. Há jogos em que se notam menos, como ontem, outras em que se notam mais. Mas estão lá. Há jogadores que não têm categoria para jogar na selecção. Há outros que podem jogar muito mais, como é o caso de Coentrão – que está a ser vítima das “exigências tácticas de Mourinho no RM – e de Nani. E há problemas de posicionamento táctico da equipa em campo que não auguram nada de bom.

A selecção portuguesa sofreu doze golos na fase de grupo, um golo e meio por jogo, o que, a manter-se, desde logo torna inviável qualquer bom resultado na fase final. Dir-se-á que cinco desses golos foram marcados, em apenas dois jogos, sob a direcção da anterior equipa técnica. É verdade. Mas também é verdade que sob a “gestão” Paulo Bento, a equipa sofreu nove golos em sete jogos oficiais. É muito golo sofrido. Algo está mal. E quando isso acontece na defesa a culpa é do treinador pelo menos em setenta por cento, como dizem alguns técnicos. Logo, as perspectivas não são boas…

A “festa da vitória” compreende-se pela enorme pressão que havia sido posta no jogo e pelos riscos que o mesmo implicava, mas é manifestamente desproporcionada face à valia do adversário – a Bósnia, essa “coisa” amputada da Jugoslávia para satisfazer interesses geoestratégicos de uma certa potência europeia…

sábado, 12 de novembro de 2011

PORTUGAL EMPATA NA BÓSNIA A ZERO


E O PLAY OFF CONTINUA EM ABERTO
Cristiano Ronaldo: "não era um relvado era uma horta"

A primeira parte até foi bastante melhor do que aquilo que tem sido hábito, apesar de os médios continuarem a distribuir pouco jogo e de João Pereira não ter combinado uma única jogada com o Nani, pelo lado direito.

Ou seja, apesar das debilidades habituais da selecção (linha média pouco criativa e um defesa direito sem categoria), tudo correu muito melhor, porque o Pepe jogou muito bem – e nem sequer utilizou as habituais brutalidades que costuma pôr em campo – e o Ronaldo deu um grande fôlego à equipa durante toda a primeira parte, bem apoiado por Coentrão, apesar de longe do fulgor que exibia no Benfica.

Se Ronaldo tivesse tido um pouco mais de sorte e se a equipa tivesse um ponta de lança a sério, Portugal teria ido para o intervalo com a eliminatória quase resolvida. Não foi. Foi com um empate a zero, sem que a Bósnia tivesse feito mais do que um remate e, mesmo assim, sem perigo.

Na segunda parte o jogo mudou. A Bósnia apareceu muito mais no meio campo e na grande área de Portugal sem, contudo, causar muito perigo, salvo numa ocasião em que João Pereira não acompanhou a defesa, deixando isolado um avançado bósnio.

Ronaldo não pôde fazer na segunda parte o que fez na primeira. Não era humanamente exigível. O problema está em ele sentir que tem de fazer quase tudo e como obviamente não consegue vai-se desgastando, perdendo força e lucidez. A sua quebra foi a quebra da selecção.

Um simples jogo não dá para concluir que a selecção da Bósnia seja hoje melhor ou muito melhor do que há dois anos. Mas dá para ter a certeza de que vai ser uma equipa muito perigosos na Luz. Porventura mais do que em Zenica. Porquê? Antes de mais porque, numa eliminatória, o resultado de zero a zero é um bom resultado para quem joga em casa, quando entre as equipas em confronto não há um grande desnível. A Bósnia vai certamente tentar aproveitar as potencialidades que um campo mais largo e mais bem tratado, como o da Luz, oferece a quem gosta de jogar em contra-ataque, para dizer à maneira antiga.

Portanto, a eliminatória está longe de estar ganha, apesar de a exibição, na primeira parte, ter estado muito acima do que ultimamente tem sido habitual. Mas nem por isso as debilidades da selecção deixaram de vir à luz do dia.

Vale a pena insistir nelas: um guarda-redes que não sabe jogar com os pés e não dá confiança à equipa; um defesa direito sem classe; uma linha média sem fulgor, principalmente em consequência do abaixamento de forma de Meireles; e um ponta de lança que não existe.

Em conclusão: a “cabeça” de Paulo Bento continua a prémio por culpa própria…

terça-feira, 8 de novembro de 2011

PAULO BENTO COMPLICA A VIDA À SELECÇÃO



E BOSINGWA CONTRA-ATACA



Desnecessariamente Paulo Bento foi acender uma fogueira em que se pode queimar. Sem que nada o exigisse, o seleccionador nacional achou por bem clarificar que Bosingwa foi preterido por não reunir as qualidades emocionais e mentais necessárias para jogar na selecção.

Ora este juízo do seleccionador de forma alguma tinha de ser evidenciado nestes termos. Embora muita gente se pergunta por que razão é Bosingwa preterido por um jogador como João Pereira, Paulo Bento tinha apenas, se quisesse responder, de dar a resposta habitual neste tipo de situações.

Ao especificar, acabou pondo em cheque a personalidade de Bosingwa que, como profissional de futebol que é, tinha e tem todo o direito de se defender contra quem publicamente o deprecia.

E Paulo Bento levou que contar. O jogador do Chelsea não se esqueceu de lhe lembrar o longo castigo que lhe foi aplicado no Euro 2000 pelo seu comportamento no final do jogo contra a França, bem como os sucessivos conflitos que criou no Sporting com vários jogadores, logo diligentemente enumerados  pelo repórter da Bola.

De facto, Paulo Bento tem problemas de relacionamento porventura resultantes de não ter uma presença, como técnico, que se imponha por si.

Escusado será dizer que depois de tudo o que se passou e de ter insistido numa convocatória semelhante à do último jogo, Paulo Bento joga o seu próximo futuro – e seguramente o seu futuro na selecção – no play off contra a Bósnia. Portanto, esta deveria ter sido mais uma razão para ser prudente nas palavras e criterioso nas escolhas.

Não foi numa coisa nem noutra. Oxalá o resultado do jogo de sexta-feira o contradiga…

COMENTÁRIO (ATRASADO) DA ÚLTIMA JORNADA


E DA DA LIGA EUROPA



A jornada dez começou com o empate do Porto em Olhão. Logo se percebeu que tal resultado iria mais uma vez dar lugar a um número incalculável de críticas quer teriam como principal alvo Vítor Pereira, já acusado pelos adeptos do Porto de estar a destruir uma grande equipa.

Podem dizer o que quiserem, mas a verdade é que empatar em Olhão não tem nada de excepcional, antes de mais por o Olhanense estar a fazer um excelente campeonato.

Mas se o Porto não ganhou terá sido por culpa do treinador? Porque não dizem antes que o guarda-redes do Olhanense fez uma defesa espectacular no penalty marcado por Hulk. Aliás, Hulk teve uma segunda oportunidade: falhou a recarga, aparentemente mais fácil do que o próprio penalty.

O Porto até poderia ter perdido, mas não seria justo. Se não jogou para ganhar, também não jogou para perder.

No dia seguinte o Benfica jogou em Braga. Uma deslocação difícil. Ao serviço do Benfica Jesus nunca lá ganhou.

O Benfica parece não ter entrado tão afoito como noutras ocasiões. Dizem alguns que entrou com excessivas cautelas. Talvez, mas também ninguém esquece que o ano passado perdeu lá por duas vezes.

Pedro Proença, mais uma vez, não teve qualquer dúvida em assinalar um penalty contra o Benfica numa jogada que, interpretada à luz do que dizem as regras, não justifica a grande penalidade. Pois é: Pedro Proença não teve dificuldade em ver o que na quarta-feira da semana passada seis olhos, em cima da jogada, não conseguiram ver – uma verdadeira defesa com a mão, dentro da área, de um jogador do Basileia para impedir um cruzamento perigoso de Maxi.

O Braga marcou e a luz do estádio faltou pouco depois. E faltou mais uma vez e outra vez, destruindo completamente o ritmo de jogo, enervando a equipa perdedora e dando tempo de descanso à equipa mais saturada.

Em Braga, nos últimos tempos acontecem coisas estranhas. Há dois ano foi uma agressão a Cardozo e tentativa de agressão a outros jogadores no túnel de acesso aos balneários. A época passada foi aquele teatro do Allan para expulsar Javi Garcia. O mesmo Allan que este ano já veio acusar Javi de o ter insultado. Mas que credibilidade tem um jogador que não tem qualquer problema em desvirtuar a verdade desportiva com uma simulação dolosa?  

O Benfica lá empatou num remate com alguma sorte e até poderia ter ganho se Rodrigo, que já marcou muitos golos, não tivesse falhado, mais uma vez, uma bola de golo.

No dia seguinte jogou o Sporting contra a União de Leiria. Jogou e não convenceu. Acabou por ganhar por 3-1, mas o resultado não espelha o que se passou em campo antes reflecte uma actuação desastrada do árbitro. Mais uma.

De facto, João Pereira – mais uma vez! – deveria ter sido expulso por ter pisado deliberadamente um adversário. Este ano não há sumaríssimos? Mas há mais. O segundo golo do Sporting foi precedido de falta de Capel, falta que só uma televisão mostrou e apenas uma vez. Finalmente, o penalty, no final do jogo, contra o Leiria e a respectiva expulsão, constituem um inacreditável exagero. Mesmo que houvesse penalty – e não houve – nunca uma mão naquelas circunstâncias implicaria expulsão.

Não há dúvida este Sporting sabe o que anda a fazer.

Antes da Jornada para o campeonato nacional, o Braga e o Sporting jogaram a quarta ronda da Liga Europa.

O Braga jogou em casa e ganhou por 5-1, tendo ascendido ao primeiro lugar juntamente com o Birmingham e o Bruges, todos com 7 pontos, reforçando com esta vitória a possibilidade de apuramento.

O Sporting, já apurado, num jogo pobre e triste, perdeu na Roménia por 1-0 contra a mesma equipa que quinze dias antes , em Alvalade, tinha cometido o inacreditável feito de ter jogado um jogo inteiro sem fazer um único remate à baliza!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O BASILEIA EMPATOU NA LUZ

O BENFICA VAI TER QUE FAZER PELA VIDA
Benfica empata com Basileia (1-1) e perde 1.º lugar



No jogo que há pouco terminou, no Estádio da Luz, a contar para a quarta jornada da Liga dos Campeões, o Benfica não conseguiu ir além do empate a um golo, ficando dependente dos seus resultados futuros a qualificação para a fase seguinte.

Em princípio, tal situação não tem nada de trágico. O Benfica depende apenas de si e para se apurar bastar-lhe-á uma vitória. O pior é que o próximo jogo é em Manchester, onde o Benfica nunca ganhou, correndo o risco, se perder, de ficar empatado em pontos com o Basileia, o seu adversário desta noite.

Mas tudo isto são suposições, havendo sempre uma multiplicidade de situações que podem acontecer, umas mais favoráveis, outras menos.

De certo, é o Benfica já ter feito este ano oito jogos para a Liga dos Campeões e não ter perdido nenhum. Ganhou quatro e empatou quatro.

O jogo desta noite não foi uma surpresa. Já aqui se tinha dito, após a vitória de Basileia, que o que mais impressionou na equipa suíça foi ela nunca se ter dado por vencida e ter dado sempre a sensação de que poderia virar o resultado.

E hoje, a partir dos trinta minutos da primeira parte, aconteceu exactamente o mesmo. O Benfica marcou cedo, num belo golo de Rodrigo – poderia até ter marcado mais cedo – e falhou perto da meia hora de jogo uma excelente oportunidade para dilatar a vantagem. Não o fez, o mesmo tendo acontecido ao Basileia na primeira parte ao falhar uma oportunidade de golo em tudo idêntica à do Benfica.

Nos últimos quinze minutos da primeira parte ainda se pensou que era o Benfica que estava a abrandar o ritmo de jogo, mas depois do recomeço logo se percebeu que a questão era outra: era o Basileia que estava impondo o seu ritmo, criando enormes dificuldades ao Benfica.

Na segunda parte o Basileia começou melhor e durante os primeiros dez minutos dominou o jogo. Depois o Benfica reagiu e criou várias situações de perigo na área dos suíços.

O jovem Luís Martins, lançado por Jesus para o lugar de Emerson, ia dando conta do recado, apesar de lhe ter calhado em sorte o jogador mais talentoso do Basileia, Shakiri. Inexplicavelmente, aos sessenta minutos de jogo foi substituído por Miguel Vítor. E logo no mesmo minuto o Basileia empatou num lance em que Maxi e o próprio Miguel Vítor não estão isentos de culpa.

De facto, se Shakiri se estava tornando mais perigoso, o que havia a fazer era reforçar a ajuda a Luís Martins, uma vez que Gaitan já dava claros sinais de esgotamento, pondo em campo alguém que o pudesse substituir.

A opção foi outra e em nada favoreceu a equipa, tanto mais que essa substituição ocorreu exactamente no período em que o Benfica, na segunda parte, esteve melhor.

Depois veio a substituição de Aimar por Cardozo, recuando Rodrigo. Só que não há no Benfica quem substitua Aimar se o jogo ainda não estiver ganho. E claro tudo piorou, apesar das insistências de Maxi pela direita.

Já muito tarde, Gaitan, completamente “estoirado”, foi substituído por Nolito. Ou seja, uma substituição que deveria ter ocorrido por volta da meia-hora só teve lugar a escassos minutos do fim do encontro.

Para lá da substituição de Cardozo por Rodrigo, que implica uma nova forma de jogar na frente, e da entrada de Witsel para o meio-campo, que implica alguma contenção nas transições, o que há de novo nesta equipa do Benfica é a sua incapacidade de manter um ritmo elevado durante todo o jogo, principalmente no que respeita à pressão sobre o adversário. Dá a ideia de que a equipa não tem a preparação física ideal, embora as estatísticas não revelem isso.




quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A QUARTA JORNADA DA LIGA DOS CAMPEÕES



PRIMEIRA RONDA
Fernando com Manduca no Apoel-FC Porto



No que respeita ao Porto, a jornada não poderia correr pior. Empatou a menos de dois minutos do tempo regulamentar e perdeu o jogo nas compensações. Uma lástima.

De facto, interrogam-se os entendidos como pode uma equipa com os mesmos jogadores da época passada, menos Falcao, e reforçada em alguns lugares, ter um comportamento exibicional em geral tão decepcionante e, no plano internacional, tão pouco competitivo.

A tentação será imputar todas as responsabilidades ao novo treinador. É a resposta mais fácil. É provável que o treinador tenha algo a ver com o que se passa, mas porventura menos pelas suas características técnicas do que pelo desvalor com os que os jogadores o vêem.

Explicando melhor: Vítor Pereira até pode perceber muito de futebol e a ele se dever uma boa parte do êxito alcançado o ano passado por Villas-Boas, só que não é assim que os jogadores o vêem. Vêem-no como o adjunto do ano passado e como um homem sem força suficiente para se impor pela presença. Talvez desta interiorização que os próprios jogadores, tal como os adeptos, fazem do treinador se deva a fracassada época do Porto no plano internacional.

Depois do resultado de ontem, ao Porto não lhe basta ganhar os próximos jogos para continuar em prova. Tudo depende dos outros resultados e, principalmente, da expressividade dessas hipotéticas vitórias. Tarefa difícil, para não dizer quase impossível. Tão difícil que até da Liga Europa pode ficar arredado. Pode, mas certamente não ficará.

No outro jogo do Grupo o Zenit venceu os ucranianos do Shakhtar Donetz e firmou-se no segundo lugar com mais três pontos que o Porto.

Nos restantes grupos, de realçar a “semi-escorregadela” do Chelsea que empatou frente à fraca equipa do Genk. Que ideia foi aquela de pôr o David Luiz a marcar penalties?

Por outro lado, a vitória do Valência contra o Leverkusen veio relançar a corrida à passagem à fase seguinte, estando, por agora, ainda tudo em aberto relativamente aos três primeiros – Chelsea, Leverkusen e Valência.

O Arsenal perdeu ontem uma excelente oportunidade de se apurar ou quase, permitindo, com o empate, ao Marselha ainda sonhar com o primeiro lugar. O mais provável, porém, será o Marselha e o Borússia lutarem pelo segundo lugar, tendo os alemães dado ontem um passo decisivo para poderem manter as aspirações a uma passagem aos oitavos de final, algo que, no fim da primeira volta, parecia estar completamente fora de hipótese.

Finalmente o Barcelona carimbou mais uma expressiva vitória, desta vez na República Checa, frente ao Viktoria Plzen, por 4-0. Com mais três golos de Messi – o tal que se suspeitava estar a passar uma má fase - e um outro de Fabregas.

Em Minsk, o Milan não foi além do empate a um golo com o Bate Borisov. Mesmo assim deu para se qualificar para a fase seguinte, juntamente com o Barcelona, tal o desequilíbrio entre os dois primeiros com 10 e 8 pontos, respectivamente, e os dois últimos com dois (Bate) e um ponto (Plzen).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

PORTO, BENFICA E SPORTING CONTINUAM A GANHAR



O SPORTING JÁ ELOGIA OS ÁRBITROS

O primeiro a entrar em campo foi o Porto contra o Paços de Ferreira. Não foi um grande jogo, mas o Porto jogou o suficiente para ganhar. Na primeira parte as coisas estiveram equilibradas e só a infelicidade do Paços as desequilibrou, ao marcar, mesmo no fim da primeira parte, um golo na própria baliza.

 Na segunda parte houve várias substituições, entre as quais a do Hulk, que, embora não tivessem trazido uma melhoria exibicional à equipa, trouxeram golos. E assim com os golos de Kléber e de Moutinho se chegou aos três a zero.

O Porto pode não estar a fazer grandes exibições – e não está – mas nem por isso deixa de ganhar e isso é que importa.

Na Luz, o Benfica iniciou o jogo a marcar. Uma extraordinária jogada nos primeiros segundos concluída por um remate inteligente de Rodrigo, dando seguimento a um passe magistral de Gaitan, abriu o marcador e assinalou o golo mais rápido da Liga. Seguiu-se até cerca da meia hora um verdadeiro vendaval benfiquista que levou a que, poucos minutos depois daquele golo, Rodrigo voltasse a marcar, acorrendo com grande oportunidade a um centro de Maxi.

Depois, o Benfica, embalado pelo êxito e pelo brilhantismo da sua exibição, começou a deixar o jogo correr.

No início da segunda parte, num centro muito consentido pela defesa do Benfica, o Olhanense marcou e reentrou no jogo. Nunca mais o Benfica foi a equipa da primeira meia hora, sem que com isso se queira dizer que o Olhanense jogou de igual para igual. Não jogou, mas jogou o suficiente para perturbar toda a manobra do Benfica. É certo que o Benfica ainda fez um golo, por Cardozo, mal anulado pelo árbitro, que a ter sido validado teria dado à equipa a tranquilidade suficiente para ir mais além.

E acabou por ser o Olhanense, mesmo a findar o jogo, que poderia ter empatado…se não fosse a certeira oposição de Luisão. Seria injusto relativamente ao que se passou em campo, mas seria também uma boa lição para quem esquece que os jogos de futebol têm noventa minutos mais a compensação concedida pelo árbitro.

De salientar a inclusão de Rodrigo a titular pela primeira vez na Liga e logo com dois golos em menos de quinze minutos. Rodrigo movimenta-se bem na frente de ataque e desta vez, frente ao guarda-redes, teve a frieza e a inteligência suficiente para fazer o que em Basileia não conseguiu numa situação idêntica.

O Sporting jogou no domingo, em Aveiro, contra o Feirense. Vê-se que o Sporting é uma equipa diferente da que começou a época. Mas não se conclua daí que o jogo de Aveiro tenha sido um jogo fácil para os leões. Não foi. Enquanto o Feirense esteve a jogar com dez elementos, o Sporting nunca lhe foi superior.

Na segunda parte, numa decisão incompreensível, o árbitro expulsou um jogador do Feirense numa jogada que, embora merecedora de falta, de forma alguma justificava a amostragem do segundo cartão amarelo. A partir daí o Feirense claudicou. Mesmo assim foi preciso que o árbitro assinalasse uma grande penalidade muito duvidosa (o jogador do Sporting já se tinha atirado para o chão quando o jogador do Feirense, ao de leve, lhe tocou) para que o Sporting marcasse o primeiro golo. Depois, lá mais para a frente, numa jogada igualmente muito duvidosa (provável off side), marcou o segundo e o jogo ficou arrumado.

Está a resultar em pleno a campanha contra a arbitragem feita pelo Sporting no início do campeonato. Desde então só tem somado erros decisivos a seu favor, o que faz com que o Sporting seja, indiscutivelmente, a equipa mais favorecida do futebol português nestes últimos anos. Tudo isto, porque o Sporting tem sabido aproveitar muitíssimo bem os dois ou três casos em que nos últimos quatro anos foi prejudicado.

O Braga não passou em Coimbra. Empatou com a Académica a zero tendo perdido, assim, o contacto com os da frente.

Amanhã se saberá se o Marítimo vai continuar a acompanhar o Sporting ou se vai fazer companhia ao Braga.

Para finalizar, uma injusta derrota do Rio Ave, em Guimarães, em consequência de mais uma inacreditável decisão do árbitro.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

PORTO E SPORTING GOLEIAM


BENFICA CUMPRE SERVIÇOS MÍNIMOS
Sporting vs Gil Vicente (LUSA)

O Porto e o Sporting golearam o Nacional da Madeira (5-0) e o Gil Vicente (6-1), enquanto o Benfica ganhou em Aveiro ao Beira Mar, pela margem mínima, mantendo-se na frente da classificação a par do Porto.

Colados ao Sporting e com uma diferença de apenas três pontos continuam o Marítimo e o Braga, ambos a fazer um extraordinário campeonato.

No fundo da tabela está agora o Guimarães, com a penas quatro pontos, depois de mais uma derrota, em Olhão, e da vitória do Rio Ave sobre o União de Leiria.

O campeonato está interessante na frente com cinco equipas a lutar pelo primeiro lugar, mas daí para baixo a diferença já é muito grande. Com o andar das jornadas é natural que estas diferenças se acentuem, restando apenas saber quantos dos que vão à frente se aguentarão na luta pelo título.

A maior incógnita continua a ser o Sporting, não obstante o número de vitórias consecutivas que vem somando.

No estrangeiro, a grande sensação é o Levante que está à frente da Liga espanhola, depois de, na última jornada, o Barcelona ter empatado em casa com o Sevilha, num jogo em que o guarda-redes sevilhano, Javi Varas, defendeu tudo! Com este é o terceiro empate do Barcelona este ano, ou seja, é o pior arranque do Barça na era Guardiola, apesar de o número de golos marcados em oito jornadas (26) ser o mais elevado das três últimas temporadas.

Reina, por isso, grande euforia em Madrid. Mas ainda é cedo para ver para prever como tudo irá evoluir. Para já, o mais importante é o Madrid estar um ponto à frente do Barcelona. E o mais significativo é o Levante já ter ganho ao Real Madrid por 1-0 para a Liga, o que serve para demonstrar que não é por acaso que ocupa o primeiro lugar.

Na Inglaterra, o destaque da jornada vai inequivocamente para a contundente derrota do Manchester United, em Old Trafford, contra o Manchester City por 6-1! Nunca Fergusson tinha sofrido uma derrota tão humilhante à frente do United. Algo vai mal por aquelas paragens e já nada faz supor que a equipa se eleve aos níveis dos anos anteriores.

O Chelsea não aproveitou a derrota do MU para o ultrapassar na geral e fixar-se no segundo posto. Perdeu com o QPR por 1-0 e terminou o jogo com nove unidades, por duas expulsões. Abramovich cada vez mais nervoso e Villas Boas, mais instável, a seis pontos do líder.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

AS EQUIPAS PORTUGUESAS NA LIGA EUROPA

DESTES ÁRBITROS, O SPORTING GOSTA
Wolfswinkel, Carrillo e Matías Fernández celebram o segundo golo dos leões



Na ronda de ontem da Liga Europa, o Braga empatou a um golo na Eslovénia e o Sporting ganhou 2-0 em casa.

O Braga, depois da derrota em casa contra o Brugge, precisava de ganhar fora para igualar a pontuação do Birmingham e dos belgas, ambos na frente com 6 pontos. O empate de ontem contra a equipa mais fraca do grupo – o Maribor – não augura nada de bom para o Braga. Vai ter de ganhar em casa os dois jogos que disputará na “Pedreira” e esperar que os resultados entre os demais contendores corram de feição às suas aspirações. Mas tudo indica que a vida do Braga não estará fácil. Na segunda volta vai ter de fazer muito melhor do que na primeira, onde teve um aproveitamento de apenas 50%, para que possa passar à fase seguinte.

O Sporting, que soma por vitórias, os jogos disputados já é a primeira equipa apurada para a fase seguinte, em virtude dos resultados obtidos entre os demais concorrentes do grupo.

Beneficiando do facto de participar num grupo muito fraco, o Sporting soube aproveitar bem as debilidades alheias para reforçar a sua prestação e a sua confiança nas provas em que participa.

Apesar das declarações do treinador do Sporting sobre a valia da equipa adversária, não pode deixar de realçar-se aquilo que certamente constituirá um recorde, ou até um feito único nas provas europeias, que é o facto de o Sporting ter jogado contra uma equipa que não fez um único – é isso mesmo: um único – remate à sua baliza.

É certo que a equipa romena do Vaslui foi muito prejudicada no início do encontro – o árbitro por indicação de um seu auxiliar não assinalou um penalty contra o Sporting e expulsou na sequência da jogada o único avançado com que a equipa romena contava para todo o jogo -, mas a verdade é que tal facto - esse erro do árbitro, frequente em futebol - não justifica uma prestação tão indigente. Os romenos também se podem queixar de uma mão na grande área do Sporting não assinalada – umas vezes é penalty, outras não – mas, repetimos, nada disso justifica o que ontem se viu em Alvalade.

Também está fora de qualquer justificação o facciosismo com que três dos comentadores da SIC acompanharam o jogo, principalmente João Rosado ao qual para a próxima se aconselha que venha para o estádio equipado à Sporting, e assim seja mostrado nos ecrãs, para que os espectadores compreendam melhor quem está a falar…

Fora isso o Sporting ganhou bem e alguns jogadores fizeram exibições interessantes. João Pereira, porém, tem de ter mais cautela. Ontem beneficiou da indulgência do árbitro, que não viu a jogada em que ele cometeu penalty. Além de que, na sequência desta falta, João Pereira ainda deu uma “tapa” na cabeça de Wesley que, infantilmente, procurou desforra, dando-lhe um encontrão – há quem diga cabeçada, mas a televisão não conseguiu mostrar isso - do qual resultou a sua expulsão, pela “fita” bem encenada que João Pereira soube “montar” mal sentiu o contacto do adversário.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A TERCEIRA JORNADA DA LIGA DOS CAMPEÕES

GRANDES EXIBIÇÕES DO REAL MADRID E DO BARCELONA



A terceira jornada da Liga dos Campeões deixou apenas uma equipa com o máximo de pontos possíveis nos três jogos realizados – o Real Madrid, 9 pontos. Daí para baixo, o melhor que se encontra no topo dos respectivos grupos é equipas com 7 pontos – Bayern de Munique, Benfica, Chelsea, Arsenal e Barcelona (e o Milan, embora em segundo lugar). E há ainda quem vá na frente do grupo com 6 pontos (Inter de Milão) ou mesmo somente com 5 (o inesperado Apoel de Chipre).

O Real Madrid é certamente a equipa que nos últimos dois meses mais tem subido de forma. Depois de uma derrota, contra o surpreendente Levante, e um empate, em Santander, contra o Racing, e de algumas outras exibições titubeantes, na Liga espanhola, os merengues subiram individual e colectivamente de forma e passaram a fazer grandes exibições e a marcar muitos golos, mesmo assim menos que o Barcelona.

De facto, ligado à melhoria do Real estão os grandes momentos de forma de Benzema e Higuain, a inteligência de Xabi Alonso e o regresso de Kaká.

Mourinho exulta com os feitos do Real e toda a sua arrogância volta a estar em alta, sustentada pelos bons resultados e exibições muito mais convincentes, mas, mesmo assim, o fantasma do Barcelona não o larga, a ponto de logo após a vitória contra o Lyon ter desmerecido das vitórias do seu grande rival, em mais uma demonstração de completa falta de desportivismo.

Aliás, difícil seria que uma equipa recheada de tão extraordinários jogadores, seguramente dos melhores do mundo, tão bons e tantos, a ponto de nem todos terem lugar, ao mesmo tempo, na equipa, não praticasse bom futebol e não fizesse bons resultados.

Ainda é cedo, porém, para deitar foguetes. Embora as críticas a Mourinho tenham esmorecido um pouco, a verdadeira valia do Real Madrid e a sua capacidade para afrontar equipas do mesmo nível só se ficará a conhecer depois do próximo confronto com o Barcelona. Vai Mourinho encarar o jogo de igual para igual ou vai refugiar-se novamente no futebol defensivo e covarde que exibiu em anteriores ocasiões?

O Barcelona, com a prata da casa – melhor seria dizer com o ouro da casa – ganha e encanta, mesmo quando falha muitos golos, como ainda ontem aconteceu contra o Viktoria Plzen. Com Iniesta em grande e Messi cada vez melhor, tudo corre bem ao Barcelona a ponto de nem se notar os sucessivos azares que tem tido com os centrais mais rotinados no jogo da equipa.

Quanto ao mais é de salientar a prova do Arsenal, bem melhor na Europa do que na Inglaterra, a relativa regularidade do Chelsea, o regresso do Manchester United às vitórias e a boa prestação das equipas italianas, todas elas com um comportamento na Europa superior ao que têm tido no respectivo campeonato.

Depois, há que sublinhar a boa prova do Apoel de Chipre, que com uma vitória e dois empates comanda o respectivo grupo, as duas vitórias fora de casa do Benfica que lhe valem o comando isolado do grupo, o afundamento exibicional do Lyon e um Manchester City bem aquém das expectativas e da regularidade vitoriosa que tem exibido na Liga Inglesa.

 Finalmente, há a registar a fraca prestação das outras duas equipas espanholas - Valência e Villareal -  com apenas 2 e 1 pontos, respectivamente, a decepcionante prova do campeão alemão em título – Borússia de Dortmund – e a fraca carreira do FC do Porto.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

BARRACA NO DRAGÃO

PORTO EMPATA COM O APOEL
Dragões de 'chama apagada' empatam (1-1)

Quem ouve os comentadores afectos ao clube das Antas percebe com facilidade que há por lá muita intranquilidade e alguma suspeita sobre as razões do gradual descalabro da equipa.

Compreende-se: para quem já dava como certa a presença da equipa nas fases mais avançadas da Liga dos Campeões, porventura até a vitória, os resultados alcançados na prova não poderiam ser mais desanimadores.

Por palavras mais claras: estão a pedir a cabeça do treinador e estão a pressionar Pinto da Costa que está, obviamente, com muitas dificuldades para resolver o problema que o “André” lhe criou.

Depois de as altas esferas do FCP e acólitos terem insinuado que a “alma técnica” da equipa era o Vítor Pereira não vai ser com facilidade que o vão mandar embora. Não pelo Vítor Pereira, coitado, mas pelo que isso representaria de falhanço deles perante os adeptos. Lá se iria a “infalibilidade papal”. Cá dentro, dada a panóplia de meios a que se pode recorrer, ainda as coisas se poderão, mais ou menos, aguentar, mas lá fora vai ser muito mais difícil…

O jogo de hoje foi muito mau para o Porto. A equipa fez talvez a pior exibição da época e o empate desta noite, depois da derrota em S. Peterburgo, começa a comprometer a passagem à fase seguinte. Enfim, ainda nada está perdido, mas já vai ser difícil recuperar o que se perdeu. Aliás, cresce a suspeita de que a equipa daqui para frente só pode piorar. Daí a grande pressão para substituir o treinador.

Tudo vai depender do que acontecer cá dentro nos próximos jogos…

VITÓRIA DO BENFICA EM BASILEIA

...MAS OS SUIÇOS LUTARAM ATÉ AO FIM




O Benfica venceu esta noite na Suíça o Basileia opor 2-0, na terceira jornada do grupo C. Com duas vitórias fora e um empate em casa, o Benfica reúne todas as condições para passar à fase seguinte da Liga dos Campeões. Mas ainda é cedo para deitar foguetes, tanto mais que o Basileia não vai ser no Estádio da Luz uma equipa fácil.

No jogo de hoje, não obstante a justiça indiscutível da vitória, há dois aspectos que não podem deixar de ser ponderados.

O primeiro é a limitada resistência física de alguns jogadores do Benfica que têm manifestas dificuldades em aguentar 90 minutos. Jesus não pode deixar de ter isso em conta nas substituições. Gaitan já tinha noutros jogos dado provas seguras de que não aguenta o tempo todo e mesmo neste jogo, antes de ter “estourado”, também já tinha dado indicações de que não seria capaz de chegar ao fim. Não se compreende, por isso, porque não foi substituído. Claro que há a lesão de Maxi – se é que é lesão – a qual todavia também só prova que já há jogadores na equipa com excesso de jogos.

O segundo aspecto a ter em conta consiste no facto de o Basileia nunca ter aceitado a superioridade do Benfica e ter lutado até ao fim como se os golos sofridos não tivessem passado de um acidente do jogo. Este factor é que verdadeiramente torna a equipa perigosa na sua deslocação à Luz, animada além do mais pelo empate alcançado em Old Trafford.

A outra questão que não pode ser iludida, apesar de se tratar de um incidente normal do jogo, é a expulsão de Emerson. Como vai agora Jesus resolver o problema do lateral esquerdo no próximo jogo, depois de ter deixado de fora Capdevila? Nada que não tivesse aqui sido antecipado. E não vai ser nada fácil, para quem jogar, a partida da Luz, já que o ala direito do Basileia é dos melhores jogadores da equipa. Será por isso muito complicado recorrer a um jogador sem rotina do lugar. Só que a alternativa parece ser ainda pior: recorrer a quem não tem qualquer experiência deste tipo de jogos. Jesus tem de perceber que a Liga dos Campeões não é uma prova para “birras”. Ou será algo mais do que isso? Seja o que for, a responsabilidade será exclusivamente sua. Uma grave responsabilidade!

O Benfica jogou bem durante grande parte do jogo, apesar de o Basileia nunca ter desistido de lutar. Aliás, jogos como o de hoje – e outros já jogados esta época – servem para demonstrar até que ponto é importante ter na baliza um grande guarda-redes. Um guarda-redes que dê confiança à equipa e que a salve de golos quase indefensáveis.

Artur tem feito isso quase sempre, seja forte ou fraca a equipa contra a qual o Benfica jogue. No resto da defesa toda a gente jogou bem, tendo os centrais estado mais uma vez em excelente plano.

Javi viu-se menos no meio campo, porventura porque Witsel vê-se muito. Gaitan e Bruno César também estiveram bem, embora Gaitan pudesse ter aproveitado melhor as oportunidades que teve ou que criou. Aimar jogou como ele gosta, podendo mesmo dizer-se que a equipa se ressentiu com a sua saída. Bruno César não faz a posição do argentino. É um jogador de outro tipo. Mais goleador – aliás marcou um belo golo – e menos armador. Rodrigo, que hoje jogou a titular no lugar de Cardozo, fez uma partida interessante sem deslumbrar.

Cardozo logo que entrou marcou de livre e o golo deu outra tranquilidade à equipa. Nolito não chegou a entusiasmar, nem a entusiasmar-se, mas ajudou muito a equipa na hora em que ela mais precisou. Finalmente, Victor cumpriu.

Talvez se possa dizer, para concluir, que foi uma vitória importante, muito suada, uma vitória de uma equipa claramente superior ao seu adversário, mas não foi uma vitória tranquila, como a expulsão de Jorge Jesus a poucos minutos do fim o comprova. Daí a expectativa com que é aguardado o próximo jogo na Luz contra o Basileia.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A BÓSNIA NO CAMINHO DE PORTUGAL



DIFICULDADES PARA A SELECÇÃO
Paulo Bento confiante para o play-off



No sorteio desta manhã coube a Portugal defrontar a Bósnia-Hertzgovina no jogo de apuramento para a participação na fase final do Euro 2012. Mais uma vez a Bósnia no caminho de Portugal. Repete-se, portanto, o que já tinha acontecido no play-off para o Mundial da África do Sul.

Então, a selecção portuguesa ganhou cá e lá por 1-0. O jogo da Bósnia até acabou por ser mais fácil do que o realizado cá. Desta vez tudo será diferente, a avaliar pelo que viu das duas equipas nos últimos jogos. A Bósnia está francamente melhor do que há dois anos. Tem a maior parte dos jogadores em grande forma, como ainda agora se viu no jogo contra a França. Pelo contrário, a selecção portuguesa está mais fraca. Bem mais fraca, sob todos os pontos de vista.

Se Paulo Bento continuar a insistir nos jogadores que realizaram as últimas partidas, o mais provável é que Portugal seja eliminado. E como Paulo Bento é “casmurro” – o que, francamente, em qualquer actividade, e muito menos no futebol, não é prova de inteligência – não é de esperar que faça grandes alterações.

É preciso, portanto, que com moderação e bom senso a opinião pública desportiva bem como a opinião publicada façam nestas semana que ainda restam a devida pressão para que a equipa seja alterada em algumas das suas pedras basilares.

Com excepção de Ricardo Carvalho – castigado e bem castigado! -, outros jogadores excluídos têm de regressar imediatamente à selecção. Bosingwa tem de jogar a lateral direito – e o melhor é João Pereira nem sequer ser convocado – Pepe ou Meira têm de jogar no centro da defesa ao lado de Bruno Alves – também aqui o melhor é Rolando "ficar em casa"– e Coentrão tem de regressar ao lado esquerdo.

No meio campo, onde não faltam jogadores, há que analisar muito criteriosamente a forma dos que costumam ser convocados. Meireles se estiver como esteve em Copenhaga não deverá alinhar e mesmo Moutinho e Martins têm de estar bem melhor do que estiveram na Dinamarca para justificarem a titularidade na selecção.

Na frente, não faz sentido chamar Postiga. Por que não vem Liedson ou João Tomas? Ou até aquele miúdo que jogou na Colômbia, embora neste caso se compreenda a dificuldade do seleccionador uma vez que Jesus se tem recusado a pô-lo a jogar por pouco que seja (se tivesse sido comprado a um clube estrangeiro e o seu empresário fosse conhecido pelos compradores … certamente já teria jogado mais, depois do que fez no Campeonato do Mundo de Sub-20…). Dany tem também que regressar, quaisquer que tenham sido ou continuem a ser  as “cenas” feitas ou a fazer para festejar os golos.

Na baliza, Rui Patrício não oferece segurança…mas não há outro, tanto mais que Eduardo também não joga.

Sejamos comedidos: Portugal não tem uma grande equipa. Nem tem, com excepção de três – no máximo quatro –, grandes jogadores. Tem, todavia, equipa para ir ao Europeu e para passar a fase de grupos se tudo correr normalmente.

Paulo Bento tem a palavra. A palavra…e o seu futuro nas mãos, apesar da deslocação de Pinto da Costa a Copenhaga…


terça-feira, 11 de outubro de 2011

A DERROTA NA DINAMARCA

UMA LIÇÃO PARA PAULO BENTO

Portugal perde e é relegado para o play-off (2-1)



A selecção portuguesa de futebol perdeu esta noite na Dinamarca por 2-1 em jogo decisivo para o apuramento directo para a fase final do Euro 2012. Perdeu por 2-1, mas poderia ter sido goleada, se não tivesse tido a sorte pelo seu lado em várias ocasiões do jogo.
A derrota, porém, não pode considerar-se uma surpresa face à categoria da maior parte dos jogadores que compuseram a equipa.
 A defesa é fraca, como aqui tem sido referido, a começar por Rui Patrício que logo no início do jogo sofreu, por culpa sua, um golo, que somente uma errada avaliação do árbitro impediu a sua validação. Do lado direito, João Pereira não tem nível de jogador de selecção – é um jogador de segundo plano que somente a “casmurrice” de Paulo Bento teima em fazer dele jogador de selecção. Rolando é um verdadeiro desastre, tanto posicionalmente como tacticamente – e não tendo na selecção permissão para jogar com a mão dentro da sua área – ao contrário do acontece nos jogos realizados pelo seu clube – a sua presença mais que desnecessária é contraproducente. Do lado esquerdo, Eliseu é igualmente muito fraco.
Com uma defesa tão fraca, a acção do meio-campo acaba por se ressentir. Não participa como deveria na construção das jogadas de ataque e também não consegue defensivamente suprir as deficiências da defesa. Todos no meio campo jogaram mal, com destaque para Raul Meireles que só se viu pelas asneiras ofensivas que protagonizou.
Na frente, insistir em Postiga começa a ser doloroso para toda a gente, a começar pelo próprio jogador. A sua presença é decepcionante para o público, para os colegas e certamente também para ele próprio. Este é outro caso típico da “casmurrice” de Paulo Bento. Com uma defesa tão fraca e com um ponta de lança inexistente não há equipa que resista. E não se pode pedir a Ronaldo que tudo resolva, porque qualquer grande jogador, por muito grande que seja, não joga sozinho – o futebol é, mais do que qualquer outro desporto um jogo colectivo.
Paulo Bento vangloriava-se de contar por vitórias os jogos disputados, independentemente dos golos sofridos e dos golos falhados. Falou antes do tempo, pois o jogo em que mais importava ganhar ou, pelo menos, empatar, perdeu-o, comprometendo com a derrota o apuramento para a fase final do Euro 2012. Aliás, com estes jogadores, a selecção não passará à fase final e, ao contrário do que afirmavam os comentadores da RTP, correu mesmo o risco de não se apurar para o play off – bastaria que a Dinamarca não tivesse desperdiçado tanto golo e a Noruega tivesse marcado mais um ou dois.
Paulo Bento tem, dentro do mês que lhe resta, de fazer uma reflexão muito séria sobre a composição da selecção. E tem urgentemente que chamar jogadores que não têm feito parte da equipa e recuperar outros que por uma ou outra razão não puderam – ou não quiseram – dar o seu concurso à equipa.
O caso de Dani é o mais enigmático, já que ninguém acredita que as razões invocadas tenham sido a causa verdadeira da sua ausência. Como enigmática foi a presença de Pinto da Costa na comitiva – a experiência diz que tal personalidade só participa neste tipo de eventos no seu próprio interesse. É provável que dentro de pouco tempo se venha a perceber melhor o que agora ainda está nebuloso.

AFINAL, O “TÚNEL DA LUZ” EXISTE



A TRISTE ARGUMENTAÇÃO DE PINTO DA COSTA



No campeonato de há duas épocas, alguns jogadores do Porto, findo o jogo Benfica-Porto, realizado no Estádio da Luz, foram acusados de terem agredido, no túnel de acesso aos balneários, dois seguranças de serviço ao jogo, alegadamente por estes terem impedido os ditos jogadores de se dirigirem à cabine da equipa de arbitragem.

Em consequência dos actos praticados, dois dos agressores foram suspensos preventivamente, nos termos do regulamento disciplinar e, posteriormente, condenados em primeira instância, ou seja pela Comissão Disciplinar da Liga.

Depois de conhecidos os factos que, aliás foram anunciados pouco depois de terem ocorrido, e de a respectiva suspensão preventiva se ter tornado eficaz, por instauração do competente processo disciplinar, os dirigentes do Futebol Clube do Porto, prevalecendo-se da hegemonia de que o clube goza no plano da comunicação social, puseram em prática uma das mais contundentes campanhas de contra-informação jamais vista no futebol português destinada a deturpar completamente o sentido da ocorrência.

Apoiados pelos seus comentadores desportivos e pelos pivots dos programas desportivos na RTP N de na SIC bem como pelos responsáveis desportivos da RDP, além obviamente dos que escrevem por conta do clube das Antas na imprensa, tudo foi feito para transformar a agressão, que as câmaras de vigilância acabaram por mostrar, numa armadilha do Benfica destinada a privar o Porto da prestação de alguns dos seus jogadores.

O que nas imagens se via como agressão foi transformado numa justificadíssima reacção a uma provocação grosseira, se não mesmo a uma agressão por parte dos seguranças de serviço. O que nas imagens se depreendia ser um acto premeditado de alguns jogadores do Porto que, depois de terem entrado no seu balneário, voltaram a sair para agredir os seguranças, passou a ser interpretado como uma pérfida maquinação do Benfica destinada a atrair os jogadores do Porto a uma cilada.

Enfim, o que as imagens demonstravam, mesmo sem som, transformou-se com o tempo – e também com a ajuda de prestimosos sportinguistas – no seu contrário, a ponto de uma inconcebível decisão do Conselho de Justiça (órgão de recurso), posteriormente proferida, ter equiparado os seguranças de serviço no estádio a …simples elementos do público! Tudo isto também com o apoio de um fanático adepto portista, professor de direito penal (pobres alunos…).

Túnel da Luz passou, no jargão televisivo dos programas afectos ao FCP, a sinónimo de “golpe benfiquista” destinado a privar o Porto de alguns dos seus jogadores, apesar de os agressores terem sido cinco e de somente  dois terem sido castigados.

Acontece que o Departamento de investigação Penal, depois de mais de um ano de instrução do respectivo processo, vem agora acusar cinco jogadores do Porto – Hulk, Sapunaru, Fucile, Cristiano Rodriguez e Helton – de agressão física a dois seguranças de serviço no Estádio da Luz no dia do Benfica-Porto da época 2009/2010! E pede para os agressores penas que vão de três a cinco anos de cadeia!

Colocado perante esta evidência, a Pinto da Costa não lhe sobra mais nada para dizer do que perguntar por que razão não foi Scolari processado em consequência do ocorrido no fim do jogo Portugal-Sérvia para a qualificação do Mundial da África do Sul!

Pinto da Costa sempre tão “inteligente” perante a justiça não lhe resta mais nada para dizer do que confessar implicitamente as agressões dos seus jogadores…

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

AMANHÃ, NA DINAMARCA


E O PASSADO RECENTE

O passado recente do futebol português no plano internacional é positivo, apesar de não ser excelente ou sequer muito bom. De facto, nas provas europeias, o Porto, sem comprometer o apuramento, perdeu em S. Petersburgo contra uma equipa que, tendo jogado melhor, nem por isso está ao nível exibido pela equipa portista nos últimos anos. Mais uma vez a defesa do Porto comprometeu, a começar por Fucile que, como aqui havia sido previsto, estava a ter internamente um comportamento que acabaria por causa dano lá fora. Realmente as permanentes simulações a que recorre – verdadeiras palhaçadas – e a dureza com que aborda os lances que sabe que não vai ganhar, não podem deixar de ter externamente as consequências que a permissividade interna impede que por cá se verifiquem.

Com esta é terceira vez que um jogador do Porto é expulso este ano numa prova internacional. Ou seja, há fortes razões para supor que o Porto deste ano não tem futebol para noventa minutos por manifesta falta de força física. Bem podem os teóricos bola inventar razões tácticas como causa dos fracassos verificados e tentar por todos os meios influenciar o comportamento técnico do treinador que nem por isso os desaires deixarão de verificar-se enquanto a principal causa não for corrigida.

O Benfica ganhou fora tangencialmente a uma equipa fraquinha o que, sendo suficiente, não deve constituir motivo de grande euforia, principalmente pelo resultado que o Basileia alcançou em Manchester. No entanto, é bom que se diga que este Benfica é bem melhor que o do ano passado.

Na Liga Europa, o Sporting manteve a senda de vitórias depois de um desastroso começo de época lá vai, tranquilamente, caminhando para o apuramento. Porém, não há lugar para grandes expectativas: o Sporting ainda não jogou este ano contra uma grande equipa…

O Braga, depois de um começo auspicioso, parece agora estar mergulhado numa crise de resultados do desfecho da qual dependerá em grande medida o comportamento da equipa na presente temporada. Ou o Braga vence imediatamente a presente situação de depressão em que se encontra, retomando o lugar que nas últimas épocas tem ocupado interna e externamente ou, se tal não acontecer, corre o risco de voltar a cair na vulgaridade. Os próximos confrontos serão decisivos.

Finalmente, a selecção está a um passo de se apurar para a fase final do Euro 2012, mas nem por isso o clima que a rodeia é de grande entusiasmo. Contribui para isso, antes de mais, os três golos sofridos contra a Islândia. Aliás, dez golos sofridos em sete jogos é muito golo…É certo que, mesmo perdendo amanhã na Dinamarca, a equipa pode ainda apurar-se directamente ou no play off. No entanto, o que toda a gente espera é que a selecção se apure ficando em primeiro lugar no respectivo grupo. E, em princípio, esse seria o resultado mais provável, não fora dar-se o caso de, com o andar da prova, Portugal ter ficado com uma defesa muito fraca.

Já aqui se disse que João Pereira não convence, nem tão-pouco Eliseu do lado esquerdo. E no meio é o que se vê. A verdade é que com as lesões de Pepe e de Coentrão e com os castigos de Ricardo Carvalho e de Bosingwa não há mais ninguém para aquele sector da equipa. Portanto, agora ou mais tarde, tudo pode acontecer…

Há também na selecção um problema disciplinar que não pode escamoteado. Paulo Bento impõe sem duvida a sua autoridade, mas isso não significa que os jogadores o respeitem. Bosingwa não aceitou ser suplente num jogo particular e Ricardo Carvalho, pela mesma razão, agiu da forma que se conhece.

Isto significa que falta na selecção um conjunto de jogadores (não têm de ser muitos) que, pelo seu prestígio, profissionalismo e autoridade, tenha capacidade para criar no grupo um clima de respeito e de responsabilidade que vá muito para além daquilo que a equipa técnica possa fazer.

Enfim, nem todos os grandes jogadores têm essa capacidade e Ronaldo já tem problemas suficientes para o atrapalhar e com os quais tem muita dificuldade em lidar para ainda se esperar dele algo mais do que aquilo que “está obrigado” a fazer em campo.

Voltaremos a este assunto…

domingo, 25 de setembro de 2011

O PORTO- BENFICA DE SEXTA-FEIRA PASSADA


A DECEPÇÃO PORTISTA


Já quase tudo foi dito sobre o grande clássico da sexta jornada da Liga. Havia fundadas razões para esperar mais uma vitória portista. Pelo menos, é isso o que dizem as estatísticas. Mesmo quando o Porto não detinha a hegemonia do futebol português, mesmo nas épocas longínquas do grande Benfica da década de sessenta, sempre foi muito difícil à equipa da Luz vencer nas Antas.

Por outro lado, a goleada do ano passado, não obstante a vitória que dois meses volvidos o Benfica alcançou no Dragão para a Taça de Portugal, aliás tornada inútil também cerca de dois meses depois, aliada às duas vitórias que o Porto o ano passado alcançou na Luz, criou nas hostes portistas a convicção de que os jogo contra o Benfica teria o desfecho inevitável: mais uma vitória, provavelmente folgada.

E de facto, o Porto realizou uma primeira parte de grande intensidade, embora sem criar excessivo perigo, sendo contudo certo que poderia ter terminado a primeira parte a ganhar por 2-0, não fora a extraordinária defesa de Artur a remate de Fucile na “cara do golo”. Isto para não falar de um fortíssimo remate rasteiro de Hulk que Artur com uma grande defesa desviou para canto.

Ficou contudo a ideia que a grande intensidade que o Porto pôs no jogo se ficou também a dever à incapacidade de o Benfica compatibilizar a exigência de saber defender bem com a necessidade de manter uma atitude atacante eficaz e acima de tudo capaz de impor algum respeito ao adversário.

Dessa deficiência do Benfica tirou o Porto vantagem na primeira parte a ponto de ter tido possibilidade de quase acabar com o jogo.

Na segunda parte tudo foi diferente. Não só se ficou com a ideia de que algumas pedras basilares da equipa do Porto não têm futebol para noventa minutos, como é o caso de Hulk, como também a nova atitude o Benfica, muito mais próximo do que deve ser o seu padrão de jogo contra equipas da mesma valia ou superior, fizeram com o que o jogo da parte complementar fosse completamente diferente daquele a que até aí se tinha assistido.

Logo após o reatamento o Benfica marcou por Cardozo que conclui muito bem um grande passe de Nolito e o Porto, apesar de ter reagido de imediato com um golo de Otamendi, ressentiu-se muito mais do golo do Benfica do que este do segundo golo do Porto, já que tanto a equipa da casa como os espectadores ficaram com a sensação de que as coisas iriam mudar como o desenrolar o jogo acabaria por comprovar.

A ganhar por 2-1, o Porto nunca mais foi uma equipa consistente. Havia cada vez mais espaço para as transições ofensivas do Benfica nem sempre bem conduzidas, mas que evidenciavam uma equipa do Porto já partida. Numa das vezes Cardozo poderia ter feito a igualdade não fora uma grande defesa de Helton. Depois saíram Nolito (a jogar bem) e Aimar (em subrendimento) e entraram Bruno César e Saviola que apenas acentuaram a tendência que já se vinha a impor.

Via-se que o Porto tinha muita dificuldade em aguentar o resultado e estava fazendo tudo para que o jogo se “empastelasse” para terminar como estava. Não conseguiu: numa reposição de bola em jogo, por lançamento da lateral, Cardozo passou a Saviola e este, sem sequer olhar, atirou em profundidade para o lado deveria estar Gaitan – e estava! – que ganhando em corrida a Fucile “fuzilou” Helton com um excelente remate.

Estava feito o empate e aberto um nunca mais acabar de críticas ao treinador do Porto sobre algumas das suas opções tácticas, o qual, infelizmente, depois de muitas explicações se “atirou” ao árbitro - Jorge de Sousa -, responsabilizando-o pelo resultado.

Ridícula, simplesmente ridícula, a justificação de Vítor Pereira. O que ele tem de compreender é por que razão não é o Porto capaz de produzir resultados a partir os sessenta minutos de jogo, mesmo contra nove, como ainda há dias aconteceu com o Shakthar.

E deveria também advertir Fucile de que o recurso permanente às suas capacidades cénicas acabará por ser prejudicial à equipa.

Em conclusão: o Porto não tem a mesma consistência o ano passado e isso parece radicar mais num problema físico do que táctico, além da ausência de Falcão, claro; o Benfica parece estar a aprender a jogar contra equipas da mesma valia ou superior, o que constitui um enorme progresso relativamente às duas últimas épocas, apesar de por agora tal progresso só ter servido para empatar. É preciso mais alguma coisa para que o progresso seja um pouco mais eficaz.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ALGO VAI MAL EM MADRID

MOURINHO E CRISTIANO RONALDO

Numa época em que tudo prometia e em que conseguiu que o presidente Florentino Pérez transferisse para ele todos os poderes do futebol do clube merengue, Mourinho não consegue descolar na Liga espanhola, apesar de o próprio Barcelona ter perdido em quatro jornadas um terço dos pontos em disputa.

O Real Madrid, jogando mal, e tendo ganho apenas um jogo sem dificuldade – o primeiro – já perdeu cinco pontos e vê o inesperado Bétis distanciado cinco pontos no cimo da classificação com doze pontos em quatro jogos; e também o renascido Valência com dez pontos a três de distância, e até o agora riquíssimo Málaga com nove pontos a dois pontos de diferença.

Pior que tudo é que a equipa não joga, apesar de recheada de estrelas. Diz Valdano que o Madrid tem de se preocupar mais com a bola e menos com os árbitros e outras coisas que nada têm a ver com o rendimento da equipa. E que os jogadores estão tão preocupados em correr e em lutar que até se esquecem de jogar.

E as críticas começam também a acumular-se nos adeptos anónimos que vêem na prepotência e na arrogância de Mourinho uma das causas do declínio do Real Madrid e da sua quebra de popularidade em Espanha.

Mourinho é hoje claramente hostilizado em todos os campos do país pelo tipo de discurso que utiliza e pelos comportamentos que protagoniza. E como esta antipatia generalizada se reflecte sobre o comportamento da equipa, os grandes nomes do Real estão preocupados por a equipa ser hoje assobiada em estádios onde antes dividia com os da casa as simpatias do público. Ainda ontem isso se passou em Santander, no El Sardinero.

Mourinho não compreendeu o Real Madrid, nem a sociedade espanhola. Tendo aterrado em Madrid com os clichés típicos do português inculto, não compreendeu que o êxito da sua passagem por Espanha estava muito dependente da forma como ele fosse visto pelos espanhóis. Apesar de rico e de ter ganho muito dinheiro nestes últimos anos, Mourinho, como ególatra que é, deve estar assessorado por yes-men, tão incultos quanto ele, incapazes de lhe prestarem uma verdadeira ajuda nos momentos de dificuldade e principalmente incapazes de o terem ajudado a passar uma imagem capaz de criar alguma empatia com a sociedade espanhola.

 Fiado na inevitabilidade das suas vitórias e nas “liberdades” que elas lhe proporcionam, Mourinho supôs que em Espanha se passaria o mesmo que se passou noutros lados, não tendo tido por isso a preocupação em retocar, no mínimo que fosse, as facetas mais detestáveis da sua personalidade.

O mau clima criado por Mourinho acabará inevitavelmente por se propagar à equipa por muito que os jogadores continuem a afirmar que “Mourinho é o melhor do mundo”. Cada vez se percebe mais que essas e outras frases fazem parte de um ritual que prima pela insinceridade e tem em vista evitar quezílias pessoais com quem, no entender de alguns jogadores, já está a prazo.

Outro caso grave do Real Madrid é Cristiano Ronaldo. Ronaldo, se estiver fisicamente bem – e agora não está, apesar de Mourinho o ter posto a jogar -, tenderá a resolver, directa ou indirectamente, parte dos jogos do Madrid. Mas quando não está não é somente a equipa que se ressente como ele próprio sofre na pele a crítica implacável daqueles que o acusam de ter um problema de imagem, prejudicial à equipa.

Desde que no Mundial da Alemanha, no jogo Portugal-Inglaterra,  Ronaldo contribuiu, por pressões sobre o árbitro, para a expulsão de Rooney, colega de equipa no Manchester, por agressão a Ricardo Carvalho, nunca mais Ronaldo passou a ter vida fácil nos estádios ingleses.

Cristiano Ronaldo teve tanta consciência prévia disso que até se dispôs a abandonar o Manchester, não fora a vinda a Portugal, durante as férias desse ano, de Alex Ferguson para o convencer a ficar.

A verdade é que a partir daí Ronaldo passou a ser assobiado em todos os estádios jogasse pelo Manchester, pela selecção portuguesa ou, agora, pelo Real Madrid. Ronaldo, ególatra, tal como Mourinho, também lida muito mal com o facto e nada tem feito, antes pelo contrário, para o superar e acima de tudo o inviabilizar. Tal pressupunha uma verdadeira campanha imagem feita à base de modéstia e de respeito pelo público de modo a chamar a atenção deste para os aspectos positivos do futebol, da camaradagem e da desvalorização das rivalidades irracionais construídas à base do ódio contra o outro.

Ronaldo nunca fez nada disso e a sua indesmentível rivalidade com Messi, para quem nunca teve sentidas palavras de cortesia desportiva, só o tem prejudicado bem como à equipa que agora representa.

Se Mourinho já é neste plano um “caso perdido”, Cristiano Ronaldo ainda estava a tempo de ser recuperável se tivesse bons conselheiros. É que não basta a Ronaldo ser nos treinos e nos jogos um dedicado profissional, como na realidade é. Um jogador que atingiu a sua projecção mediática tem de ser muito mais do que isso.

Finalmente, com Mourinho sofre também Coentrão, a grande esperança do futebol português, que deve ter feito a maior asneira da sua vida ao ter preterido um grande clube inglês, como o Chelsea, pelo Real Madrid de Mourinho. Mas isso ficará para outra conversa…