sábado, 9 de junho de 2012

SELECÇÃO: NÃO É UMA GRANDE VITÓRIA PERDER






NO FUTEBOL SÓ CONTAM AS QUE ENTRAM
Video: Eurocopa 2012. Grupo B. Alemania 1-0 Portugal
ALEMANHA 1- PORTUGAL 0
Está criada a ideia de que a selecção portuguesa teve azar. Não teve. Não se pode dizer que um resultado é injusto quando uma equipa tem meia oportunidade e marca e outra tem três ou quatro e não marca nenhuma. Isso também é o resultado da qualidade técnica da equipa. Da mesma forma que a equipa portuguesa perdeu oportunidades de golo, também perdeu a bola várias vezes incrivelmente, sempre pela mesma razão: deficiência técnica.

Por outro lado, embora a Alemanha tenha estado aquém da selecção que se apregoava e que a categoria dos seus jogadores exigia, a verdade é que ela foi também desde o início a que demonstrou mais vontade de ganhar. A equipa portuguesa só foi verdadeiramente à procura do golo, quando já tinha sofrido um a menos de quinze minutos do fim. Até aí jogou sempre na contenção, sem nunca ter sido capaz de sair em velocidade e criar perigo. Só numa bola parada poderia ter marcado, como qualquer equipa pode mesmo que não esteja a jogar bem.

Digamos com sinceridade: até ao golo da Alemanha o jogo não prestou. A própria Alemanha não arriscou tanto quanto devia, nem o seu jogo alguma vez chegou a ser empolgante. A equipa portuguesa demonstrou muitas fragilidades técnicas: passes falhados, incapacidade de jogar à frente e alguns jogadores manifestamente em baixa de forma como é inegavelmente o caso de Raul Meireles.

Fábio Coentrão que no Real Madrid tem sido imolado nos sacrifícios tácticos de Mourinho voltou a ser o Fábio que jogava no Benfica e, por isso, e não admira que tenha sido o melhor jogador da equipa portuguesa. Ronaldo esteve bem. Não se exibiu desnecessariamente e sempre que foi solicitado esteve à altura. Nani mais uma vez ficou aquém do que poderia fazer. Não decepcionou mas andou lá perto. Varela entrou muito bem e teria feito um jogo magnífico se não tivesse falhado incrivelmente aquele golo a cinco ou seis minutos do fim.


Quanto ao resto não houve nada de muito diferente do que se esperava. Rui Patrício no golo de Mario Gomez teve, como se pode ver, um movimento errado, dada a posição em que o atacante alemão se encontrava. É um pormenor mas às vezes um pormenor de boa ou má colocação dita a sorte de um jogo. Foi o que se passou.

Pode ser que ainda se venha a chegar à conclusão de que este era afinal o jogo mais fácil da selecção portuguesa. E se assim for estará tudo perdido. De facto, o encontro entre a Holanda e a Dinamarca foi um excelente jogo e uma grande e justificada vitória dos dinamarqueses. A Dinamarca tem uma excelente defesa, uma técnica admirável: passa bem a curta e a longa distância, não falha um passe nem perde a bola. Vai ser muito difícil bater a Dinamarca. A Holanda, pelo contrário, exibiu diversas fragilidades. A defesa jogou mal, o meio campo defende mal e o ataque falha muitas bolas, algumas incrivelmente.

Em resumo: a vida vai estar muito difícil para a Holanda e para Portugal.

HOLANDA - 0 - DINAMARCA - 1

O JOGO DESTA NOITE COM A ALEMANHA




UMA PARTIDA MUITO DIFÍCIL



A selecção portuguesa vai daqui a algumas horas defrontar uma das melhores selecções alemãs de sempre. Pode ainda não ter ganho nada, nem nunca chegar a igualar os feitos da geração de 70, mas nem por isso deixará de ser uma das mais espectaculares selecções deste europeu.

Não é por isso exigível esperar muito da selecção portuguesa. Sabe-se que em futebol tudo é possível, mas não é crível que esta noite venha a ser um desses dias. Independentemente das incógnitas que ainda existem na composição da equipa alemã quanto a dois ou três lugares, o mais certo é que, além de Manuel Neuer na baliza, na defesa joguem Lahm, previsivelmente encarregado de marcar Ronaldo, e Boateng do lado oposto. No meio é mais incerto fazer previsões, estando por desvendar qual a dupla que Löw vai fazer alinhar.

A partir daí a Alemanha joga com uma espécie de um duplo meio campo – mais recuados Schweinsteiger e Khedira e logo depois Müller, Özil e Podolski. Na frente Mario Gomez ou Miroslav Klose. É uma equipa de respeito, sem esquecer ainda a possibilidade de alinhar Kroos ou Schurrle ou ambos, o primeiro no lugar de Khedira e o segundo em vez de Podolski.

Se a equipa portuguesa apresentar um sistema táctico semelhante ao que exibiu contra a Macedónia e a Turquia será certamente uma presa fácil para os alemães. Para fazer face ao poderosíssimo meio campo alemão, Paulo Bento tem necessariamente que povoar o meio campo da equipa portuguesa. Isso implica necessariamente não jogar com dois extremos puros como são Nani e Ronaldo. Um deles tem de ser sacrificado, seja não alinhando, seja passando Ronaldo para o centro do ataque e ficando Nani numa das pontas, preferentemente na oposta à de Fábio Coentrão.

E depois será jogar com garra e muita vontade, sem desculpas. Mas não haja ilusões: a tarefa é mesmo muito difícil e ninguém poderá ficar surpreendido se a Alemanha ganhar com alguma folga, mesmo que Paulo Bento e os jogadores façam o que quase toda a gente entende que eles têm para fazer.

Para terminar, ontem na TVI 24, o comentário sobre o Euro foi lamentável. Um coro de “virgens ofendidas” não se cansou de censurar as palavras de Manuel José, principalmente Pedro Barbosa um “menino muito bem comportadinho” dentro e fora do campo quando era jogador. É preciso ter “lata”!

COMEÇOU O EURO 2012




RÚSSIA GRANDE SELECÇÃO, GRÉCIA EM GRANDE



POLÓNIA 1- GRÉCIA - 1
La tapada Rusia se exhibe y deja la huella de la Euro'2008


No jogo de abertura do Euro 2012, a Polónia empatou em Varsóvia com a Grécia, num jogo emotivo e mal apitado pelo espanhol Velasco Carballo.

A Polónia começou bem e depois de ter ameaçado marcar num cruzamento da direita, acabou por fazê-lo pouco depois, igualmente num cruzamento, por Lewandowski. Passavam dezassete minutos do início do jogo. A partir daí a Polónia, que só voltou a ter mais uma oportunidade, pareceu satisfeita com o resultado. E mais satisfeita terá ficado quando, sobre o intervalo, Carballo expulsou inexplicavelmente Papastathopoulos, a quem minutos antes havia mostrado um cartão amarelo num lance perfeitamente legal. E mais confiante ainda terá ficado quando o árbitro espanhol não marcou uma grande penalidade numa jogada em que a bola foi desviada do seu trajecto com a mão por um defesa polaco.

Na segunda parte, a Grécia renasceu. Logo no recomeço Salpingides aproveitou muito bem uma saída incompleta do guarda-redes polaco para fazer o empate. E com dez a Grécia continuava a atacar, a tentar chegar à vitória, apesar de reduzida a dez unidades. E foi assim que num passe soberbo da linha média, Salpingides ficou isolado frente ao guarda-redes, que impediu o golo derrubando o avançado grego. Não havia nada a fazer, Szczsny foi expulso e o árbitro assinalou penalty. O nosso conhecido Karagounis encarregou-se da marcação. Emoção no estádio, a Grécia poderia passar para frente. Só que…Karagounis rematou para a defesa de Tyton. E até ao fim o empate manteve-se.

Foi pena que a Grécia não tivesse ganho. Enfim, por tudo o que os gregos estão a passar seria certamente uma vitória muito celebrada e que fernando Santos também merecia.



FEDERAÇÃO DA RÚSSIA 4 - REPÚBLICA CHECA - 1

Na segunda partida do Europeu, em Wroclaw, a Rússia goleou a República Checa por 4-1 num jogo em que se ficou a saber que há na extremidade oriental da Europa uma grande selecção – a Rússia. Embora a República Checa tivesse sido uma equipa desorganizada e mal posicionada em campo, nem por isso se pode tirar o mérito à equipa treinada por Dirk Advocaat que fez uma grande exibição e mostrou um futebol bonito.

A Rússia tem de facto um excelente meio campo e tem na frente jogadores de grande talento como Arshavin, Dzagoev e Pavlyuchenko, que entrou aos 74 m para substituir Kerzhahkov, muito desinspirado na finalização.
Todos os golos da selecção russa foram o resultado de excelentes jogadas e um deles será certamente o golo da jornada. Em nosso entender, o golo de Pavlyuchenko, acabado de entrar, merce esse título. De nada valeu aos checos ter Peter Cech na baliza. Hoje ninguém parava os russos, que desde já se perfilam como uma das grandes equipas deste Europeu.

Howard Web, no seu estilo habitual, apitou o jogo sem ter mostrado um cartão. Talvez tenha deixado um penalty por marcar a favor dos russos…que acabou por não fazer falta.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

AINDA A OPORTUNIDADE DAS DECLARAÇÕES DE MANUEL JOSÉ




QUEBROU-SE A LEI DA MORDAÇA



Toda a gente sabe que a maior parte da malta da bola – jogadores, treinadores, dirigentes, jornalistas – não sabe dizer nada de jeito fora do futebol. Claro que há excepções, mas são poucas.

Quando se trata da selecção nacional, nomeadamente antes dos jogos, quase ninguém ousa dizer o que quer que seja. Ou porque falar desestabiliza os jogadores, tratados como verdadeiros atrasados mentais, ou porque quem sabe é o treinador, ou ainda porque só quem está dentro é que percebe.

Alguns comentários são tão patetas, que se alguém em qualquer outra actividade dissesse coisas semelhantes seria imediatamente apodado de “atrasado mental”. No futebol, porém, é normal.

Mas há ainda pior. Está estabelecido, por uma espécie de norma não escrita, que a selecção não se critica…pelo menos antes de jogar. Depois, se as coisas correrem mal, passa-se o que se sabe. Basta recordar, falando apenas das situações mais próximas, o que se passou depois do Mundial de 2000 e até do Mundial da África do Sul, quando é óbvio que se muitas das coisas que já se sabia existirem tivessem sido faladas directamente e sem rodeios muito provavelmente não se teriam passado onde mais importante era que não tivessem acontecido.

As palavras de Manuel José tiveram o condão de abrir uma porta que há muito estava fechada. E, perante elas, as várias pessoas tiveram que se posicionar. E lá vieram os patetas do costume com a ladainha habitual. Mas também houve quem abertamente se tenha posto ao lado de MJ, quer secundando-o nas suas críticas (David Borges, por exemplo) quer reconhecendo-lhe toda a legitimidade para fazer o que fez (Carlos Daniel). Aliás, esta noite MJ voltou a falar na RTP Informação e explicou muito bem tudo o que antes já tinha dito. E ainda teve tempo de elegantemente se referir à "borrada" de Ronaldo na Presidência da República, sem sequer necessitar de lhe citar o nome.

É a democracia a avançar numa das áreas mais opacas das modernas sociedades democráticas. Tanto mais opaca quanto menos consciência cívica houver na respectiva sociedade. De facto, seria inacreditável que os “mandões” do futebol continuassem a reclamar para eles um estatuto que hoje já ninguém tem.

SELECÇÃO: QUEM DEVE RESPEITO A QUEM?



AS RESPOSTAS À CRÍTICA



Manuel José voltou à carga e desta vez ainda com mais propriedade do que na vez anterior. Chamou a atenção para a exibição ostentatória de riqueza num país onde a pobreza aumenta todos os dias. Claro que os jogadores ganham muito dinheiro, claro que a maior parte deles vive num mundo irreal – dramaticamente tornado real, quando arrumarem as botas, para muitos deles -, claro que há vedetismo excessivo e nefasto de alguns. Só que Manuel José nem esses critica, porventura porque sabe melhor do que ninguém, que alguns deles completamente inebriados pela fase da vida que estão a viver nunca iriam compreender. O que Manuel José faz, e bem, é imputar à Federação a responsabilidade por aquele e outros espectáculos. Quem manda é que tem de velar por comportamentos públicos condizentes com a dignidade da função que estão a desempenhar.

E Manuel José poderia ter dito mais. Poderia ter falado na borrada de Ronaldo quando se dirigiu ao Presidente da República. Conhecendo-se como toda a gente conhece as limitações de Ronaldo e a profunda egolatria em que obcecadamente vive, alguém deveria ter explicado a Ronaldo como é que uma pessoa na situação dele – capitão de equipa – se dirige ao Presidente da República. Não se trata de respeitar Cavaco Silva ou de simpatizar com ele. Não é nada disso, apenas e só respeito pela função!

As respostas que vieram de dentro da selecção não são convincentes. Nem sequer adianta falar de Eduardo, já que não era certamente a pessoa mais indicada para responder, apesar de o que disse fazer algum sentido: “No fim prestaremos contas”. Pois, só que no fim pode ser tarde.

Jesualdo Ferreira veio dizer que hoje a profissão tem obrigações a que se não pode fugir, por mais incómodas que sejam. Certamente, mas não iam nesse sentido as críticas de Manuel José, nem o papel do treinador é o de ter de aceitar tudo o que lhe queiram impor. Certamente, Jesualdo estará hoje mais “domesticado”. Vá-se lá saber porquê…

E por fim veio Humberto Coelho exigir respeito. Quem tem de exigir respeito somos nós e não eles. Eles estão lá numa função representativa voluntária da qual tiram bom proveito. Temos, portanto, o direito de exigir uma boa representação. Claro que Humberto Coelho defende o lugar e a estrutura. E não será por ele que as coisas vão deixar de tomar o rumo que se antevê. Se quem o lá pôs estava à espera de coisas diferentes que se desiluda. Mas isto já é outra conversa….


A SELECÇÃO NACIONAL E O CIRCO (DOS PATROCINADORES E DOS EMPRESÁRIOS)




O CLIMA QUE RODEIA A SELECÇÃO



As palavras de Manuel José, ex-treinador do Al Ahly (Egipto), várias vezes vitorioso da Taça dos Campeões de África, foram demolidoras para a selecção e para Paulo Bento. Manuel José não compreende que o estágio da selecção, que deveria ser de grande concentração e trabalho, tenha servido para compromissos publicitários, passeios de charrete, festas e outras coisas do género. Fez uma crítica muito forte a todo o clima extra-futebol que rodeia a selecção.

Carlos Queiroz, embora noutro registo, deu claramente a entender que se não houver pulso forte do seleccionador os patrocinadores tendem a pedir o impensável. E contou um caso que se passou com ele. Propuseram-lhe que escolhesse 22 jogadores e deixasse o 23.º para ser escolhido directamente pelo público numa grande festa que eles – patrocinadores – organizariam. E também não deixou dúvidas quanto ao papel de Madaíl na Federação. De Madail e de João Rodrigues e das múltiplas influências que eles representavam. É caso para dizer que se isso já era assim com Madail, imagine-se o que não será com Fernando Gomes, posto naquele lugar pelos grandes interesses que giram à volta do futebol …e também por alguns eternos ingénuos que se deixam permanentemente enganar!

Manuel Cajuda, mantendo-se elegante e solidário, deu claramente a entender que não só teria escolhido aqueles jogadores como se tivesse que jogar com os que Paulo Bento escolheu não jogaria da mesma maneira. E lá veio outra vez à baila a famosa questão do meio-campo. Portugal tem de ter mais jogadores no meio-campo e de inculcar nos médios mais preocupações defensivas.

Finalmente, Medeiros Ferreira, conhecido comentador político, fez na TVI 24, num programa em que participa com Santana Lopes e Fernando Rosas, uma crítica muito interessante às escolhas de Paulo Bento. Para bom entendedor disse o seguinte: a partir do momento em que mudou a direcção da Federação, Paulo Bento ficou sujeito a critérios mais rígidos para s suas escolhas. Foram convocados jogadores que antes não tinham feito parte das suas escolhas, ou não faziam parte das escolhas mais regulares, por estarem representados por nomes muito influentes do empresariado futebolístico ou por pertencerem a certos clubes, talvez mais correctamente a certo clube. Lembrou a falta que Ricardo Carvalho vai fazer, a pouca classe de Rolando (porém do FCP) e se lhe tivessem dado tempo teria dito mais coisas interessantes.

Não é caso para afirmar que o grande público tenha do fenómeno uma percepção tão minuciosa como a de MF, mas o que não pode haver dúvidas é que o público percebeu que a selecção com Paulo Bento está a regressar ao antigamente. E sabe-se o que isso significa em matéria de resultados….De facto, é muito difícil manter a independência.

O COMENTÁRIO DESPORTIVO E A SELECÇÃO NACIONAL



AINDA O CASO "VÍTOR BAÍA"




No comentário desportivo desta semana ocupou um lugar de destaque a explicação que Scolari deu à RTP sobre a não convocação de Vítor Baia na entrevista que lhe concedeu no Brasil.

Apesar de o assunto ter hoje um interesse meramente histórico, não deixa de ser interessante o modo como foi interpretada pelos diversos comentadores.

Os comentadores afectos ao FCP não aduziram nada de novo relativamente àquilo que ao longo dos anos foram dizendo, mantendo um consistente e inalterável ódio a tudo o que venha de Scolari. Não só negaram que Pinto da Costa e Mourinho tivessem dado uma informação negativa de Vítor Baía, do ponto de vista da personalidade e da sua influência no balneário, como inclusivamente desmentiram um facto que é do conhecimento público e que o próprio Vítor Baía confirmou: o encontro de ambos com Scolari no Restelo em 2003!

A verdade é que, tendo o Scolari convocado sempre tantos elementos do Porto, fica sem explicação, na interpretação que aqueles comentadores fazem do facto, a não convocatória de Vítor Baía. Enfim, a irracionalidade como norma de pensamento.

Do lado dos comentadores afectos ao Benfica, as interpretações não são mais consistentes e deixam no ar a certeza, e não a simples impressão, de que não se aperceberam verdadeiramente das vantagens que para o futebol português teve a liderança de Scolari na selecção nacional. Ao comentador da SIC N só lhe interessava sublinhar que o presidente do Porto tinha influenciado a composição da selecção nacional pelo efeito directo que as suas palavras tiveram nas convocatórias de Scolari relativamente a Vítor Baía. Para tentar explicar o comportamento posterior de Scolari teve de recorrer à ideia de que aquela influência aconteceu num momento de fraqueza. Com franqueza, é preciso uma dose cavalar de benevolência para não adjectivar este raciocínio. Assim, o Benfica não vai lá. Já quanto ao comentador da TVI 24 nem adianta falar. Conhecido nas paredes do Estádio da Luz como lambe-botas, tudo o que ele possa dizer não tem para efeitos de Benfica qualquer importância. A música dele é outra. Uma música que os benfiquistas parece finalmente terem começado a não querer ouvir…

Acabou por ser Dias Ferreira, honra lhe seja feita, que sempre percebeu a importância de Scolari no futebol português, que acabou por dar a única explicação plausível…e óbvia.

Scolari, quando chegou a Portugal, não conhecendo nada e estando em geral rodeado por pessoas que ele não conhecia (salvo Murtosa, evidentemente), quis contactar os presidentes dos clubes e os treinadores das principais equipas, não para ser mandado ou influenciado por eles, para os compreender e ouvir o que eles tinham a dizer-lhe sobre a selecção. E é nesse contexto que falou com Pinto da Costa e Mourinho no Restelo. Ao contar o episódio da forma como o contou, Scolari não quis dizer que tivesse sido influenciado por Pinto da Costa ou por Mourinho, o que quis dizer foi que até Pinto da Costa e Mourinho entendiam que Vítor Baía era um elemento prejudicial ao grupo de trabalho. Mais tarde, como hoje se sabe, os dirigentes e treinador do Porto, obrigados a recuperar Vítor Baía, por Nuno Espírito Santo não estar a agradar a Mourinho, mudaram de opinião e passaram a exigir o que antes aconselharam a não fazer!

Acontece que Scolari foi também informado por gente do futebol, nomeadamente gente ligada à selecção, que Vítor Baía era um elemento preponderante no balneário, mas também desestabilizador. E contaram o que se passou no Mundial de 2002, a indisciplina e ainda o facto de as eliminatórias terem sido jogadas primeiramente por Quim e depois por Ricardo, acabando Vítor Baia, saído de uma lesão e convocado à última hora, por ocupar o lugar sem que nada o justificasse, tanto mais que nem sequer tinha jogado a maior parte dos jogos pelo seu clube.

Enfim, tudo o que se passou em 2002 exigia alguma limpeza e a constituição de um grupo novo. Scolari deixou ficar quem, do seu ponto de vista, não comprometia a coesão do grupo e a sua liderança e dispensou quem, pelas informações que tinha ,não estava à altura desse compromisso.

Além de que, Scolari jogou um amigável contra Portugal para a preparação do mundial de 2002, e gostou da exibição do guarda-redes português. Esse guarda-redes era Ricardo! E, como se viu, Vítor Baía acabou por não fazer falta. O público gostou da decisão de Scolari e por isso o defendeu e apoiou até ao último dia.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

SUCEDEM-SE OS AVISOS A PAULO BENTO




VAI OUVI-LOS?

Quem tiver estado minimamente atento aos múltiplos programas desportivos que as televisões têm dedicado ao Euro 2012 rapidamente terá percebido que reina entre os críticos e o público em geral um clima de grande desconfiança relativamente às capacidades da selecção. Mas percebe também que esse clima não decorre apenas daquilo que já é irremediável – a convocatória de Paulo Bento – mas também, ou até principalmente, das opções técnicas do seleccionador.

Toda a gente acha que jogar contra a Alemanha da mesma forma que se jogou contra a Turquia é puro suicídio. A Alemanha tem porventura um dos melhores meio-campo do mundo – Özil, Khedira e Schweinsteiger – e na frente dele três avançados temíveis que ao menor descuido do adversário lhe fazem o que fizeram à Argentina na África do Sul. Se Paulo Bento insistir em jogar sem um puro médio defensivo e alguém que a seu lado possa desempenhar posicionalmente o mesmo papel e continuar a supor que é apenas com Miguel Veloso a errar passes e a defender mal que vai dar consistência à defesa portuguesa vai certamente sofrer gravíssimos dissabores.

Resumindo, Custódio tem de jogar no lugar de Veloso e Moutinho ou Meireles vão ter que redobrar as cautelas defensivas, tanto mais que nem Nani, nem Ronaldo marcam – o que é algo de impensável no futebol moderno. Jogar com um criativo que não marca é aceitável, jogar com dois, nem sempre muito criativos e nada defensivos, é um convite antecipado à derrota.

Esta é a questão fulcral da equipa, mais do que o desacerto defensivo que se acredita ter sido passageiro, e de que a falta de ponta de lança que já vem sendo crónica. Colocar Ronaldo no centro talvez tenha mais desvantagens do que vantagens, embora contra a Alemanha essa possa porventura ser a melhor solução. Porquê? Porque a entrada de Varela – nunca a de Quaresma – daria mais consistência defensiva a uma das alas e asseguraria maior mobilidade na frente atacante com Ronaldo solto no meio.

O mais certo, porém, é que Paulo Bento se esteja nas tintas para as críticas e acabe fazendo o que tem feito até aqui. Se o faz por teimosia ou por convicção é coisa que só ele sabe. Mas o que nós sabemos é que, se o fizer, essa opção não atestará favoravelmente a sua clarividência técnica.

domingo, 3 de junho de 2012

UMA SELECÇÃO COM POUCO FUTURO




UMA DERROTA CONTUNDENTE
PORTUGAL - 1 - TURQUIA - 3



No jogo de ontem no Estádio da Luz a selecção portuguesa de futebol perdeu por 3-1 contra a da Turquia. Antes de mais, é bom que se diga que a Turquia tem uma equipa muito interessante com alguns excelentes jogadores não podendo por isso afirmar-se que constitui uma grande surpresa a derrota da equipa portuguesa.

De facto, desde o Europeu de há quatro anos que a selecção portuguesa vem perdendo valores sem que tenham aparecido jogadores em número suficiente para substituir os que desde então foram saindo. Com excepção de Fábio Coentrão e de Rui Patrício não houve dos muitos que depois daquela data foram chamados à selecção qualquer outro grande nome a reter.

Esta falta de valores já foi muito notória no Mundial da África do Sul, agravada pela pouca capacidade que Queiroz tinha para lidar com a situação. E agora para o Euro 2012 está-se praticamente na mesma.

Paulo Bento que até começou bem por contraste com o que vinha detrás foi perdendo  pouco a pouco o crédito com que começou, muito por causa de casos que foram surgindo com jogadores e também por no "grande público" – e este em termos de selecção é que conta – se ter perdido parcialmente a confiança nos critérios do seleccionador quanto aos escolhidos.

O que se passou há dias em Leiria já foi um sintoma claro desse estado de espírito do público, por mais que os comentadores e os jornalistas do costume tentassem desvalorizá-lo. De facto, eles ainda não perceberam que quem “manda” na selecção é o público por mais que os jornalistas tentem influenciá-lo. Basta lembrar o que se passou com Scolari: hostilizado por Mourinho, Pinto da Costa e todos os que nos media lhes servem de câmara de ressonância – e são muitos! -, ele pôde contar sempre com o apoio do público. Por uma razão muito simples: o público compreendia e apoiava os seus critérios.

Não quer isto dizer que com Paulo Bento tenhamos regredido aos tempos do Mundial de 2000 ou até mais para trás. Não é isso, mas regredimos.

No jogo de ontem à noite ainda não estamos seguros do que terá sido mais grave: se a derrota, se o convencimento dos jogadores de que jogaram bem. Se eles pensam que jogaram bem é porque ninguém no balneário lhes disse que jogaram mal, que cometeram erros inadmissíveis e que se continuarem assim não vão ter qualquer hipótese num grupo “triplo A”, como é aquele em que estão integrados.

Mas vamos ao jogo, ao que se passou.

Na defesa a opção por Miguel em detrimento de João Pereira talvez tenha sido a única boa notícia. Quanto ao resto, pelo que toca ao esquema defensivo da equipa, tudo foi muito decepcionante: Bruno Alves está muito longe de dar segurança à defesa e Fábio Coentrão parece que perdeu qualidades, tanto a atacar como a defender, embora possa sempre de um momento para o outro renascer. Todos cometeram erros, tendo sido Miguel Lopes o que menos errou. Rui Patrício e Bruno Alves são responsáveis pelo primeiro golo, mas nenhum dos outros três está isento de culpas. Coentrão chegou tarde, porque contava que os outros chegassem primeiro, Miguel Lopes deixou-se ultrapassar e Pepe não fez a dobra com eficácia como lhe competia. No segundo golo, Veloso repetiu o erro em que já havia incorrido por mais de uma vez e Bruno Alves voltou a ser lento e a passar mal uma bola que tinha recebido "à queima". No terceiro, Coentrão deixou cruzar, Eduardo não defendeu para o melhor sítio, Pepe não foi capaz por duas vezes de se desviar da bola ou de lhe dar a direcção devida e Ricardo Costa foi atabalhoado. Tinha tempo e espaço para fazer melhor. Três golos, é muito golo! Quem pode ganhar sofrendo tantos golos?

A linha média talvez ainda tenha jogado pior do que jogou contra a Macedónia. Moutinho está sem ideias, Miguel Veloso é um perigo, como se viu, e somente Meireles poderá dar alguma criatividade àquele meio campo. Poderá, mas não tem dado. E sem meio campo criativo e neutralizador do jogo alheio também não há equipa que se salve. E aqui, digam o que disserem, falta mão do treinador. Se contra a Turquia faltou meio-campo, o que acontecerá contra a Alemanha?

Na frente, tanto Hugo Almeida como Postiga não são jogadores de selecção. Francamente, não adianta insistir. Nelson Oliveira, apesar da sua juventude e inexperiência, ainda é a melhor opção. E se o seleccionador não tem outras, é porque não fez as convocatórias que deveria ter feito.

Sobram os dois extremos ou médios ala, Ronaldo e Nani, que sendo dos melhores jogadores da selecção, raramente jogam mais e melhor do que jogaram ontem. Só quando toda a equipa engrena no jogo, o que já não acontece há muito tempo, é que eles sobressaem. Fora destes casos, quando sobressaem é pela negativa, como hoje aconteceu com Ronaldo que além de falhar um penalty, no momento crucial do jogo, já tinha desperdiçado antes uma outra oportunidade de golo. E mais uma vez veio à tona aquilo que aqui tantas vezes tem sido dito: o rendimento de Ronaldo depende mais do rendimento da equipa do que a equipa dele. Em grandes equipas como o Manchester United e o Real Madrid, Ronaldo joga incomparavelmente mais. Na selecção portuguesa, as boas exibições que tem feito – e foram relativamente raras – estão sempre muito relacionadas com o rendimento do conjunto. Por outras palavras: não é Ronaldo que puxa pela equipa, é a equipa que puxa por Ronaldo. Coisa que Scolari também tinha percebido muito bem desde o início. Sem ferir susceptibilidades foi sempre dizendo isto à sua maneira, deixando para Ronaldo o papel de ser apenas um entre onze e não alguém de quem o onze dependia.

Perante isto, as perspectivas são as piores. Nada ainda está perdido, mas está cada vez mais longe de poder ser ganho….

sábado, 2 de junho de 2012

CRISTIANO RONALDO DESPREZA TORCEDORES




OS MALEFÍCIOS DO VEDETISMO



Não é por acaso que apesar de toda a propaganda feita pelos media a Cristiano Ronaldo e a Mourinho uma parte já significativa dos portugueses não simpatiza com um nem com outro. Ambos perdem claramente no confronto com Messi e Guardiola, pelo anti-vedetismo de Messi e pela nobreza de carácter de Guardiola, qualidades que aqueles dois muito conhecidos elementos do Real Madrid manifestamente não têm.

O caso de Cristiano Ronaldo é de resto muito significativo pelas mudanças que nele se operaram a partir da sua transferência para o Real Madrid. Em Manchester, com Alex Fergusson no comando da equipa, Cristiano Ronaldo aprendeu a se comportar dentro do campo, mas também fora dele. No Real Madrid, o estilo agressivo, belicoso e de grande desrespeito pelos adversários que Mourinho protagoniza e tenta infundir na equipa só podem ter tido como consequência o agravamento dos defeitos de educação que Cristiano Ronaldo já tinha.

No estágio da selecção nacional iniciado há pouco mais de uma semana, Cristiano Ronaldo, nas duas noites de folga que a selecção teve, foi em ambas elas notícia pelos piores motivos. Na primeira, uma desavença numa discoteca com um conhecido modelo português, alegadamente provocada por algo que se terá passado entre o craque português e a namorado do modelo, que acabou com o modelo caído no Rio tejo, felizmente sem outras consequências. Ontem, depois de um jantar com outros colegas da selecção, Ronaldo recusou autógrafos e deixar-se fotografar com adeptos que o esperavam há mais de uma hora para o saudar e homenagear.

Claro, perante a “fuga” de Ronaldo ainda por cima contrastante com a dos colegas que o acompanhavam, os adeptos reagiram vaiando-o e gritando por Messi.

Se os adeptos portugueses já estão com má vontade em relação a ele por entenderem que na selecção quase nunca tem exibições compatíveis com o seu prestígio, ainda com mais má vontade ficarão depois de publicidade que foi dada a estes episódios.

O jogo de amanhã no Estádio da Luz é um bom barómetro de avaliação do modo como o público encara actualmente a selecção, principalmente alguns jogadores.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

VÍTOR BAÍA DESMENTE SCOLARI



O QUE PODERIA VITOR BAÍA DIZER?



Vítor Baía para lá de toda a mediática idolatria que a nomemklatura do FCP faz questão de lhe tributar, tem tido uma relação atribulada com o clube onde mais jogou e onde se tornou famoso.

Primeiro que tudo, e para grande mágoa sua, foi a proibição de participar num dos campeonatos em que Portugal se sagrou campeão mundial de juniores por “imposição” do clube, que dele necessitava para jogar na equipa principal. E por aqui se vê como as coisas já se passavam em matéria de selecção no início dos longínquos anos 90. Quem tinha e quem não tinha influência da selecção.

Depois foi a transferência para o Barcelona, que o FCP tentou contra a vontade de Baía evitar, acabando por a realizar por um preço inacreditável à época para um guarda-redes. Infelizmente, as coisas correram mal a Baía. Independentemente dos títulos que conquistou, foi lá, em Camp Nou, que sofreu as maiores humilhações da sua carreira. Por mais de uma vez um estádio em peso assobiava todas as suas intervenções, quaisquer que elas fossem. E algumas foram anormalmente más para a categoria de um guarda-redes como Vítor Baía. Estava-se na época da “maldição” dos guarda-redes do Barcelona. Não era de facto nada fácil substituir Zubizarreta.

Desmoralizado, Baía regressou ao Porto. E o FCP é um daqueles clubes, como Vítor Baía bem sabe, onde tudo se “paga”. A fidelidade ao clube, mas também as “traições” e as “recuperações” das carreiras aparentemente comprometidas. Para azar de Baía ele lesionou-se e esteve largo tempo inactivo. Até que chegou Mourinho que ele já conhecia do tempo de Bobby Robson - no tempo, como diz Santana Lopes, em que Mourinho andava com o "saco das bolas" às costas.

Tendo em conta o passado recente de Mourinho no clube, como “tradutor” de Robson, e a sua então reduzida dimensão na estrutura da equipa técnica, Baía supôs que poderia ombrear com Mourinho treinador, alguém que ele até tratava por tu. E houve desentendimento grave. Toda a gente tem disso conhecimento: não foi Scolari que inventou; Mourinho chegou a falar no assunto publicamente.

Depois de adequado castigo, Baía, vindo de uma fase decepcionante da sua carreira e tendo consciência de que estava a perder a “parada”, recuou, pediu desculpa e tudo aparentemente se recompôs. Como os sócios e os adeptos continuavam a idolatrar Baía, Pinto da Costa cavalgou essa onda, tanto mais que a subida de forma de Baía em fim de carreira só traria vantagens – e muitas –, como trouxe, à equipa.

Durante esses anos de fim de carreira de Baía, Pinto da Costa, com aquela convicção que ele sabe transmitir, apoiou-o como símbolo do clube e como jogador. As regras estavam bem estabelecidas para que pudesse haver dúvidas quanto ao comportamento a seguir. E Baía aparentemente não as teve tanto assim que aceitou uma passagem tranquila para o banco, dando lugar a uma jovem promessa que entretanto havia surgido.

Terminada a carreira ficou no FC Porto num lugar semelhante ao que agora ocupa Fernando Gomes (outro recuperado por Pinto da Costa) até que com a vinda de Villas-Boas foi despedido. Que ligação havia entre ele e Villas-Boas no tempo de Mourinho é coisa que só dentro do clube sabem.

Já fora de funções, Baía queixa-se de que não lhe estão a prestar no FC Porto o reconhecimento que uma antiga glória como ele merecia. É o ressentimento a vir novamente à superfície. E, pecado dos pecados, diz publicamente que se tivesse sido jogador do Benfica teria tido seguramente outro reconhecimento nacional, dentro e fora do próprio clube. Lamenta muito que no Porto as coisas não se passem assim.

Esta declaração foi fatal. A confiança, que já não era muita, voltou a quebrar-se. O que se terá passado com Baía só ele o saberá. O Porto é uma cidade pequena e tudo quanto esteja directa ou indirectamente ligado ao futebol é dominado pelo FCP. Tudo. Baía que já tinha obrigação de saber isto, voltou a aprender à sua custa. E eis que agora lá vem ele dizer que as palavras de Scolari são falsas já que ninguém de dentro do clube iria pôr em causa a sua participação na selecção nacional, tanto mais que ele tem no presidente do FCP um grande “amigo” sem reservas.

Pois, Baía lá sabe…

quinta-feira, 31 de maio de 2012

ENQUANTO NÃO CHEGA O EURO 2012




CONTINUA A BATOTA NA ITÁLIA

Enquanto não chega o Euro 20122 vamos tomando conhecimento das novas contratações do Benfica, dos humores instáveis do presidente do Braga, dos “azares” do presidente da Académica e da batota na Itália.

O Benfica persegue algo com a obsessão própria de quem não consegue desfazer-se de uma imagem que lhe possa reproduzir a ala esquerda da época 2009/10, Coentrão/Di Maria, e alguém que lhe substitua o insubstituível Ramires. Mais do que a falta de David Luiz, bem colmatada por Garay, aqueles outros três que se foram embora é que continuam a ser no imaginário benfiquistas a causa dos insucessos subsequentes.

Não será certamente uma boa ideia preparar o futuro a partir da nostalgia do passado, mas se o treinador e os adeptos ficam mais confiantes com Ola Johnson, Rojo e Salvio e se acreditam que eles podem substituir Coentrão, Di Maria e Ramires pelo menos iniciarão o novo campeonato com uma confiança que até agora lhes tem faltado.

Em Braga já havia dúvidas sobre as razões que estavam a levar o presidente à não substituição do treinador. Quando menos se esperava ela aconteceu, a pretexto de uma inócua entrevista concedida pelo treinador a um jornal desportivo. Há quem veja nessa substituição a preparação do caminho para o ingresso de Jardim no FCP, arranjando-se para Vítor Pereira um contrato irrecusável numa qualquer outra parte do mundo, a começar pela Grécia e acabar nas arábias ou no Extremo oriente.

Pode ser, mas não é muito crível. É mais razoável pensar que o presidente do Braga está tão ciente de que a ascensão do clube aos lugares cimeiros do futebol português se deve exclusivamente à sua liderança que nem sequer lhe passa pela cabeça, nem quer que passe pela de ninguém, que os treinadores que por lá tem estado têm nisso alguma influência.

Daí que substitua Leonardo Jardim com o mesmo à vontade com que vende ou dispensa um jogador. Dentro desta lógica também não é crível que aposte em alguém que já lá tenha estado. Veremos…

Entretanto, o presidente da Académica, depois da notável vitória da Briosa na Taça de Portugal, viu agravada uma sentença com uma pena bem mais pesada do que aquela em que antes havia sido condenado e que quase tinha passado despercebida na opinião pública. Percebe-se agora que o acto praticado é muito grave – corrupção passiva por acto ilícito e abuso de poder – não diminuindo em nada a gravidade  do seu comportamento o facto de o beneficiado ter sido a equipa de futebol da Associação Académica e não ele, já que o que está em causa é a obtenção de uma vantagem ilícita conseguida no desempenho de funções públicas. Se a censura e a reprovação pelo acto praticado não existissem, como se poderia amanhã censurar quem se deixasse corromper em benefício de um partido político, que mais do que uma instituição de utilidade pública, é um verdadeiro pilar do Estado democrático em que vivemos?

E já que se fala de seriedade, que dizer destes episódios que recorrentemente acontecem em Itália e que até levam o Primeiro Ministro a sugerir, como opinião pessoal, a suspensão do futebol por alguns anos?

A primeira coisa que se pode dizer é que apesar da recorrência do fenómeno também há a recorrência da sanção, enquanto noutros países à recorrência da batota apenas se segue a continuação da batota! Lá como noutros lados também há certos clubes ou jogadores ou outros responsáveis desses clubes que directa ou indirectamente estão sempre associados à batota, não obstante as sanções que já sofreram.

As técnicas de batota no futebol evoluíram muito, não apenas nos objectivos que se pretendem alcançar – são agora mais diversificados – como principalmente nos meios que se utilizam para os atingir. Se a investigação não acompanhar estes meios vai sempre andar atrás e nunca a par do batoteiro, além de outras limitações existentes noutros países, que têm a ver com o funcionamento dos tribunais – isto é: com o não funcionamento – que faz com que dificilmente haja sanções por mais evidentes que sejam as infracções.

terça-feira, 29 de maio de 2012

AS CONFISSÕES DE SCOLARI




A CONFIRMAÇÃO DO QUE SABIA




Em entrevista à RTP, Scolari fala das possibilidades da selecção portuguesa no Euro 2012 e, pela primeira vez, confessa publicamente um conjunto de factos de que já se suspeitava, ou se tinha mesmo a certeza que aconteciam, mas que a partir de agora passam a ter a confirmação de quem conviveu com eles de perto.

Scolari fala da influência de Pinto da Costa nas escolhas do seleccionador, das conversas com o presidente da Federação para lhe sugerir a escolha deste ou daquele jogador e fala também da hostilidade que teve de suportar por se ter mantido fiel à independência de acção à frente da selecção.

Mas fala também, pela primeira vez, pelo menos de modo explícito, sobre a não convocatória de Vítor Baia e curiosamente diz que ficou a saber por Pinto da Costa dos conflitos do guarda-redes com o treinador do Porto e com o clube  o que associado às conversas que entretanto ia tendo sob a influência de Vítor Baia no balneário o levou à sua não convocação.

Confessa também que depois de ter deixado a selecção portuguesa as suas relações com Pinto da Costa normalizaram.

Esta conversa tida em estilo descontraído com o repórter da RTP em São Paulo confirma o que já se sabia quanto à influência de Pinto da Costa em todos os domínios do futebol português mas confirma também que há todas as razões para suspeitar que essa mesma influência se mantém tanto na selecção como noutras áreas do futebol desde que as pessoas que têm a função de decidir nos mais diversos lugares dos órgãos federativos ou da Liga de clubes não tenham a coragem ou a força suficientes para manter a sua independência, fazendo frente às pressões de dirigentes poderosos e temíveis como Pinto da Costa.

Ao nível da selecção é legítimo continuar a perguntar por que razão não foi João Moutinho convocado para o Mundial da África do Sul ou por que motivo chamou Paulo Bento para o euro 2012 jogadores que nunca antes tinham sido convocados, inclusive quando eram titulares nas suas equipas, ou por que deixou de convocar outros.

Assim como é legítimo perguntar como puderam os presidentes do Sporting e do Benfica apoiar para presidente da Federação Portuguesa de Futebol um ex-braço direito de Pinto da Costa que, se divergências teve com ele, foram divergências de gestão empresarial, mas nunca  de estratégia clubística.

COMENTÁRIO SOBRE O COMENTÁRIO DESPORTIVO




ALGUMAS INCONFIDÊNCIAS



Ouvindo, em fim de estação, o comentário desportivo desta segunda-feira fica-se a saber que a provocação isenta de responsabilidade o autor do crime. Não se percebe bem se a provocação é uma causa de exclusão da ilicitude ou se é uma simples causa de exclusão da culpa, mas que para os adeptos e comentadores do FC Porto é algo bem mais grave do que o crime, isso não há qualquer espécie de dúvidas. E também não interessa definir o que é a provocação, se ela tem que ser injusta ou não – para os adeptos e comentadores do Porto bater com a mão no bolso de trás das calças é um acto que justifica e legitima desforra, contanto que seja praticado num pavilhão desportivo do FC Porto e na presença do seu excelentíssimo presidente! Por este lado estamos entendidos.

O que a partir daí se passou fora do campo, ou melhor, o que se passou depois da equipa vencedora ter conseguido sair das instalações do FC Porto, seria tristemente ridículo se não fosse a perfeita imagem da iliteracia que reina no nosso futebol. Quem terá escrito aqueles comunicados?

Mas dos ditos programas ficou também a saber-se que o Benfica já perdeu a confiança no presidente da Federação Portuguesa de Futebol. O que é espantoso é que o Benfica alguma vez lha tenha concedido. Como se compreende que o SLB e o SCP apoiem para presidente um ex-braço direito de Pinto da Costa? Com inimigos destes bem ele pode andar entretido com aquelas coisas que normalmente o distraem, desde que acorde a  seis ou sete jornadas do fim.

E foi isso o que também se percebeu da conversa desta noite. Falando claro: um comentador do Sporting avisou um comentador do Benfica que a estratégia que ele estava a seguir – a de não criticar a arbitragem – iria dar mau resultado, porque ele – comentador do Sporting – sabia que a partir de determinada altura o Benfica iria ser prejudicado. E responsabilizou por tudo o que se passou o presidente da comissão nacional de arbitragem…

Não há nada como um futebol à portuguesa onde tudo se passa e nada acontece!

Finalmente, percebeu-se também que a falta de confiança no seleccionador nacional de futebol já mina a opinião da maior parte dos apoiantes da selecção nacional. Se no próximo jogo, contra a Turquia, não houver uma vitória e uma exibição convincentes, Paulo Bento partirá para a Ucrânia muito isolado dos adeptos, sem margem para errar. E até a instalação da equipa num dos lugares mais luxuosos e mais caros de todos os que foram escolhidos pelos 16 participantes lhe irão cobrar!


sábado, 26 de maio de 2012

A SELECÇÃO NACIONAL ASSOBIADA EM LEIRIA




EMPATE A ZERO COM A MACEDÓNIA
PORUGAL - 0 - MACEDÓNIA - 0



No jogo desta tarde, em Leiria, a selecção não foi capaz de ir além de um empate com a Macedónia, num jogo fraco que não agradou a ninguém, a começar pelo público presente no estádio.

Com um alinhamento que não será muito provavelmente o que vai apresentar no Europeu, a selecção não conseguiu vencer a modesta equipa da Macedónia. Com um meio campo sem ideias, incapaz de abrir perspectivas aos avançados, com dois extremos sem grande criatividade, apesar de um deles se chamar Cristiano Ronaldo, e com um ponta de lança que não marca golos nem se coloca em condições de os marcar, a selecção praticamente nada fez no primeiro tempo e no segundo também não.

Na defesa, Coentrão, muito limitado durante a época, por força da tirania táctica de Mourinho, ainda não consegue manter o fulgor doutrora, embora dê algumas indicações de que poderá lá chegar. Do outro lado da defesa, João Pereira não se deparou com grandes dificuldades, embora também não feito nada de especial no ataque, sendo provável que neste jogo, mais do que qualquer outro, se tenha deparado com o fantasma de Bosingwa. Por alguma razão Paulo Bento se viu obrigado a fazer um elogio de todo despropositado.

Beto na baliza e Bruno Alves e Rolando como centrais foram resolvendo as poucas dificuldades que tiveram, embora estes dois tenham porventura recorrido exageradamente a faltas.

Na segunda parte as substituições que foram sendo feitas com a intenção de dar minutos a outros jogadores pouco acrescentaram ao que até então vinha sendo feito. Raul Meireles de quem porventura mais se esperaria passou completamente ao lado do jogo e Nani também nada acrescentou. Hugo Almeida fez o habitual, pouco, e Nelson Oliveira não chegou verdadeiramente a integrar-se no ataque, apesar de ter participado numa jogada com perigo.

Os assobios do público a Quaresma e depois à selecção não podem ser desligados de uma certa crítica a Paulo Bento que vem perdendo com o tempo e com a sua actuação a aura com que partiu. O público é muito sensível à falta de independência do seleccionador – Scolari, é bom lembrá-lo, nunca foi assobiado - e relativamente a Paulo Bento começa a haver indícios de que já está “integrado”.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

AINDA OS DESACATOS DOS ADEPTOS PORTISTAS




É PROIBIDO COMEMORAR?
Associação de Basquetebol do Porto apoia dragões



As justificações apresentadas pelo FCP para os desacatos que aconteceram no pavilhão do dragão depois da vitória do Benfica na Liga Portuguesa de Basquetebol são obviamente inaceitáveis. Como os dirigentes do Porto nunca condenam a violência dos seus adeptos e várias têm sido as vezes que a provem ou aplaudem não seria de esperar que desta vez tivessem uma actuação contrária.

O que é espantoso é que a maior parte da imprensa desportiva acolha directa ou sibilinamente a tese do Porto segundo a qual tudo se deve aos festejos do treinador do Benfica.

Mas poderá alguém com um mínimo de decência criticar a comemoração de uma vitória seja em que campo for? Alguém pode criticar o Porto por o ano passado ter comemorado no Estádio da Luz o título de campeão? O que toda a gente criticou, benfiquistas incluídos, foi o “apagão” e a rega como retaliação pela vitória. Mesmo as atitudes aparentemente mais provocatórias, como o gesto de Jardel em San Siro, depois do golo que marcou ao Milan, têm de ser aceites no futebol como coisas normais.

Mas nem sequer foi nada disso que se passou no pavilhão do Porto, mas antes e só a comemoração por uma vitória difícil alcançada na casa do adversário.

Que os dirigentes do Porto procedam como procederam é normal – naqueles lados não só não há fair play, o que seria o menor dos males, como se recorre a todos os meios para assegurar a vitória. O que é espantoso é que uma parte considerável do jornalismo desportivo “embarque” na conversa do Porto. O que só prova aquilo que aqui frequentemente se tem dito: o jornalismo desportivo é a parte mais corrupta do desporto português.

LUÍS FILIPE VIEIRA ATACA FORTE




E AGORA O QUE VAI RESPONDER O DRAGÃO?

«Um ladrão não deixa de ser ladrão por visitar o Papa»



Seguramente “picado” pelas recentes declarações de José Eduardo Moniz, que se declarou vexado pelos constantes remoques do presidente do FC Porto, a ponto de ter dito: “O Benfica tem de deixar de ser gozado por Pinto da Costa”, Luís Filipe Vieira aproveitou os incidentes do Porto, após o jogo de basquetebol que ditou a vitória do Benfica no respectivo campeonato, bem como o incrível comunicado publicado pela direcção portista, para fazer um ataque sem precedentes a Pinto da Costa.

Depois de ter severamente verberado os incidente e de ter reclamado por justiça disse: “Um ladrão não deixa de ser um ladrão por declamar poesia ou por ir ao Papa. Um fugitivo da justiça não deixa de o ser apenas porque alguns juízes decidiram assobiar para o lado”.

E depois vem aquele rosário de acusações que todo o mundo conhece sobre o que se tem passado no futebol em matéria de arbitragens.

A partir de agora o que terá mais interesse será a reacção do visado. Será que vai para tribunal? Será que vai responder? Será que vai fazer de conta que não é nada com ele e servir, mais tarde, a vingança fria? Ou será ainda que vai acontecer alguma outra coisa semelhante a outras que já aconteceram no passado?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

BENFICA CAMPEÃO NACIONAL DE BASQUETEBOL




O QUE SE PASSOU NO PORTO

O Benfica conquistou o título de campeão da Liga Portuguesa de Basquetebol ao vencer, no Dragão, o quinto e decisivo jogo da final dos play-off. Não vem ao caso comentar a época de ambas as equipas nem sequer os cinco jogos da final rodeados de incerteza quanto ao vencedor até ao último segundo da última partida.

O que importa mais uma vez sublinhar é a incapacidade de a “doutrina desportiva” de Pinto da Costa aceitar a derrota qualquer que seja a modalidade em que ela ocorre e o que frequentemente acontece quando o Porto disputa jogos decisivos no seu reduto seja em futebol ou em qualquer outra modalidade.

Que o Porto tivesse ficado decepcionado com a derrota sofrida é compreensível e aceitável.  Mas de forma alguma se pode aceitar que o Porto, mais uma vez, provoque distúrbios no pavilhão onde o jogo teve lugar e tentativas de agressão que obrigaram a equipa adversária a refugiar-se no balneário sem sequer poder receber publicamente o troféu de campeão.

As imagens televisivas não mentem: o treinador do Porto, por razões que somente ele saberá explicar, veio tirar satisfações junto da equipa técnica e jogadores do Benfica que festejavam, em campo, a vitória. Acalmados os ânimos, o treinador do Porto regressou ao seu lugar e os festejos continuaram até serem interrompidos pelo lançamento de vários objectos para dentro do campo que obrigaram a equipa do Benfica a refugiar-se no balneário durante longo tempo e inclusive a receber fora dos olhares do público a Taça símbolo da vitória.

A polícia perante os desacatos dos adeptos portistas fez o que lhe competia: protegeu os jogadores e a equipa técnica do Benfica dos distúrbios e pôs ordem nas bancadas, apesar de o presidente do Porto ter entrado em campo para invectivar a polícia em vez de a ajudar a restabelecer a ordem.

Pois o Porto, em vez de pedir desculpa pelo sucedido, veio publicamente responsabilizar o treinador do Benfica (!!!) e culpar a polícia pelos desacatos! Perante uma tão grosseira falsificação dos factos e perante o comportamento dos responsáveis máximos do Porto jamais se poderá esperar que deles saia uma palavra contra os comportamentos antidesportivos dos seus adeptos por mais inaceitáveis que eles sejam.

Ontem como hoje deles só se pode esperar comportamentos que directa ou indirectamente incentivem actos como os que ontem tiveram lugar no pavilhão do dragão e que, no fundo, têm pautado a história do FC Porto durante o longo mandato de Pinto da Costa. Além dos discursos demagógicos incendiários ou desrespeitadores dos adversários como aconteceu com as comemorações da vitória no campeonato de futebol, assiste-se, sempre que as circunstâncias o proporcionem, como foi o caso de ontem, à contemporização, se não mesmo a concordância, com tudo o que de negativo vem das bancadas ou da rua.

Curioso será sublinhar, por último, que o jornal Público com a habitual pudicícia que o caracteriza em tudo o que diga respeito ao FCP nem sequer noticiou aqueles acontecimentos.



ADITAMENTO


Se o noticiário da tarde da RTP sobre os desacatos dos adeptos do FCP já havia sido uma vergonha pela parcialidade com que foram noticiados, o da noite, na SIC, é um verdadeiro escândalo. Como é possível que uma estação de televisão apresente como justificação para os desacatos dos desordeiros do Porto umas simples manifestações de contentamento do treinador do Benfica pela vitória alcançada?

Isto só prova o que aqui frequentemente se dito: os grandes corruptos do desporto português são os jornalistas desportivos. Depois deles é que vem os corruptores

FINAL DA TAÇA DO REI OU CONTRA O REI?




BARCELONA-ATHLETIC NA SEXTA-FEIRA

Amanhã defrontam-se em Madrid, no estádio Vicente Calderón, o Barcelona e o Athletic de Bilbau na final da Copa d’ El Rey.
Os dois clubes que mais trofeus conquistaram, depois de uma forte polémica sobre o local a designar para a realização da final, aceitaram jogar em Madrid no estádio do Atlético de Madrid.
Tendo-se confrontado por várias vezes na final desta competição, em jogos sempre marcados por muita emoção, o de amanhã tem um aliciante suplementar de natureza marcadamente política.
O Athletic e o Barcelona são as equipas mais representativas das duas nacionalidades históricas mais nacionalistas do Reino de Espanha – o País Basco e a Catalunha.
O facto de o jogo se realizar em Madrid oferece aos adeptos de ambas as equipas uma oportunidade extraordinária para manifestarem os sentimentos nacionalistas com provável repúdio dos símbolos nacionais espanhóis – o Rey e o hino.
Não é de pôr de parte que sexta-feira em Madrid, à semelhança do que aconteceu em 2009 em Valência, o Rey, ou o Príncipe herdeiro, e o hino sejam assobiados.
Para acirrar ainda mais os ânimos, a presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, conhecida pelas suas posições de extrema-direita, veio propor que se tal acontecer se suspenda o encontro e se realize noutro lugar à porta fechada.
Esta declaração foi prontamente criticada pelas forças políticas bascas e catalãs, bem como pelas galegas, e pelo próprio PSOE que apodou de pirómana a conhecida militante do PP. Mas houve também quem lembrasse que aquelas declarações têm por finalidade criar uma cortina de fumo destinada a evitar que se discuta o défice da sua Comunidade (muito superior ao anunciado) e as manobras políticas, da sua responsabilidade, que levaram à falência de la Bankia.
Aconteça o que acontecer, a polémica que os sectores nacionalistas espanhóis já abriram com os independentistas da Catalunha e do País tendo o futebol como pretexto, relegaram para segundo plano o interesse pelo jogo…pelo menos até à hora do seu começo.
Está também marcada para esse dia uma manifestação da extrema-direita em Madrid, autorizada pelo tribunal apesar da tentativa de adiamento para segunda-feira, sendo por isso muito provável a ocorrência de confrontos no fim do jogo, se a polícia não conseguir separar as claques das duas equipas e os ditos manifestantes.