quinta-feira, 21 de junho de 2012

PAULO PEREIRA CRISTÓVÃO NA TVI




ENTREVISTADO POR JUDITE DE SOUSA




Pela entrevista que Paulo Pereira Cristóvão, ex-vice presidente do Sporting, ontem concedeu a Judite de Sousa na TVI ficámos a saber que o arguido (suspeito da prática de vários crimes) é um estrénuo defensor do segredo de justiça. Se esse crime, que é vulgar e corrente, ele não comete mal andará o Ministério Público se supõe poder encontrar factos susceptíveis de sustentar a acusação de outros bem mais graves. Por este lado estamos conversados.

E pelo outro também: ficou claro na entrevista do ex-dirigente sportinguista que o Sporting, isto é, a direcção do Sporting, não só tinha conhecimento de todos os actos por ele praticados enquanto dirigente como é solidária com o autor de tais actos. Portanto, para bom entendedor, está tudo dito.

Depois há aquela coisa do dinheiro na conta do árbitro: uma série de coincidências sem qualquer significado, uma viagem à Madeira de um subalterno de Cristóvão certamente para ajudar Jardim a reduzir o défice e uma secretária que entregou um monte de notas ao dito viajante seguramente a título de ajudas de custo.

O que é espantoso é que os órgãos de disciplina da Liga de Clubes e da Federação continuem à margem de tudo isto, principalmente depois de se ter ficado a saber que tudo o que se passou é da responsabilidade de todos, isto é, do Sporting. Vão continuar os órgãos de disciplina daquelas entidades a “assobiar para o lado” como se não tivessem nada com o assunto?

Para concluir só falta falar no defensor de Cristóvão. Que outro indício seria necessário para fazer supor que os factos que lhe estão sendo imputados são da responsabilidade de todos (Sporting) do que a escolha como seu defensor de um conhecido causídico muito conhecido pela “extrema imparcialidade” com que costuma tratar as questões do Sporting?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

EURO 2012 – FIM DA FASE DE GUPOS



AS SURPRESAS E A NORMALIDADE

A fase de grupos terminou com poucas surpresas. Tudo ficou mais ou menos dentro do esperado. Fala-se muito da Holanda, mas para que a Holanda tivesse sido apurada era preciso que Portugal ou a Alemanha tivessem ficado de fora. Mas isso não seria normal. Desde 1996, ou melhor, sempre que Portugal foi à fase final do Europeu de futebol passou a fase de grupos. E Alemanha só não passou uma vez. Em contrapartida já foi campeã. A Holanda uma vez campeã, bem como a Dinamarca, é que nem sempre passaram a fase de grupos. Portanto, como neste grupo, muito forte, dois tinham que sair – como em qualquer outro – surpresa só haveria se um dos eliminados fosse a Alemanha. Fora isso tudo normal.

O outro caso é o da Rússia, principalmente pelo que fez nestes últimos dois anos. É bom não esquecer que a Rússia tem falhado as fases finais do Mundial e do Europeu. E se é verdade que tem estado melhor ultimamente essa melhoria não foi contudo suficiente para se qualificar. A Grécia e a República Checa não são duas grandes potências futebolísticas, mas a Polónia e a Rússia, os outros dois do seu grupo, também não.

Depois, é natural que tenha passado a Itália e a Espanha, bem como a França e a Inglaterra. A Inglaterra não fez ontem um bom jogo contra a Ucrânia. Mas teve mais sorte. Desde logo por não ter sido validado um golo que entrou. Mais uma vez se constata a quase inutilidade dos árbitros de baliza. Aliás, em questões como a de ontem – que não são assuntos de opinião nem de avaliação subjectiva – mais valia recorrer ao vídeo e decidir de acordo com ele sempre que as imagens não deixassem dúvidas. A Inglaterra foi recompensada na Ucrânia do golo que não lhe validaram na África do Sul contra a Alemanha.

Assim, tendo em conta as equipas que passaram, bem se poderá dizer que vamos ter alguns jogos interessantes nos quartos-de-final…nem todos pelas mesmas razões. De todos o que suscita maior entusiasmo é o Grécia-Alemanha por razões extra-futebol. Seria uma grande festa na Grécia e nos países do sul da Europa se os “rapazes do Fernando Santos” eliminassem a Alemanha. Que pena o Karagounis não jogar, injustamente afastado por uma falta que não cometeu.

O Itália-Inglaterra vai ser um jogo interessante principalmente por esta Inglaterra estar futebolisticamente falando mais perto da Itália do que alguma vez já esteve. Já se sabe como é: a Itália nunca deslumbra, mas se defender bem e for eficiente na frente pode sempre ganhar a qualquer equipa. Sempre assim foi e não há razões para supor que vai deixar de ser desta vez.

O Espanha-França é um jogo que, em princípio, a Espanha ganhará, apesar de não ter estado nada bem contra a Croácia. Já não é a “máquina” de há quatro anos nem de há dois, mas deve chegar para a França.

No jogo porventura menos desinteressante da próxima eliminatória, Portugal-República Checa, a questão está em saber como vai a equipa portuguesa lidar com o favoritismo que lhe é atribuído e como vai também lidar com a iniciativa do jogo que os checos lhe vão conceder, ela que é a segunda equipa com menos posse de bola. O clima de euforia em regra nunca traz nada de bom aos portugueses e a idolatria à volta da figura de Ronaldo menos ainda. É preciso que se diga que Ronaldo jogou bem contra a Holanda – uma equipa que tem um futebol do nosso agrado – do mesmo modo que a maior parte dos seus companheiros. E que marcou dois golos, é certo, o segundo com arte, a mesma arte que não teve quando contra a Dinamarca falhou outros tantos. Portanto, nada de exageros…

terça-feira, 19 de junho de 2012

ESPANHA-CROÁCIA – ÁRBITRO MANDA CROÁCIA PARA CASA




ITÁLIA TAMBÉM PASSA, MAS POR MÉRITO PRÓPRIO
Il possibile fallo da rigore di Ramos. LaPresse



Já não há vergonha no futebol. Platini presidente da UEFA já nem sequer disfarça. Diz abertamente quem queria nos quartos-de-final e quem quer na final. Agora só falta que os árbitros sigam à risca os desejos-ordens de Platini, tal como hoje já começou a fazer o alemão Stark que perdoou dois penalties à Espanha e uma expulsão- a de Sérgio Ramos, um verdadeiro animal!

Aconteça o que acontecer este campeonato já está definitivamente marcado pelo que se passou hoje. Quem deveria ter passado era a Croácia e não a Espanha. Agora se percebe que o cartão amarelo a Karagounis não foi obra do acaso, antes obedeceu à mesma lógica. Tudo fazer para eliminar a Grécia e deixar a Rússia em prova. Como é possível transformar um penalty numa falta contra a equipa do jogador que o sofre?

E agora se percebe também quem está por detrás de tudo isto, assim como se percebe o motivo por que árbitros que tão má conta haviam dado de si nas provas nacionais como Proença e Velasco Carballo tenham sido escolhidos para o Europeu. Está tudo dito. Felizmente que Portugal vai jogar os quartos-de-final contra uma equipa que “comercialmente” vale tanto como a portuguesa. Não fosse esse o caso já se saberia qual seria o resultado.

Vergonha! É uma vergonha o futebol de alto nível ter à sua frente gente como Platini. A impunidade da patada de Sérgio Ramos a Mandzukic e agarrão de Busquets a Corluka ficam para a história da pouca-vergonha deste campeonato.

Por mérito da Croácia, a Espanha acabou por ganhar aquele foi o seu pior e mais sofrido jogo de todos os que já fez desde o Euro 2008. Passou com um golo que também ele deixa muitas dúvidas - meio ombro meio braço de Iniesta na recepção da bola. E nada mais há dizer, porque sobre um jogo viciado nunca há muito a dizer.

A Itália que temia um arranjo entre a Espanha e a Croácia passou à fase seguinte e teria também passado se o jogo Gdansk de tivesse tido o desfecho que deveria ter. De assinalar o grande golo de Balotelli e o “grande problema” das equipas que nos cantos teimam em fazer marcação homem a homem.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

GRANDE VITORIA DA SELECÇÃO PORTUGUESA






NOITE DE CRISTIANO RONALDO

El huracán Ronaldo juega como un Balón de Oro


A selecção portuguesa de futebol fez esta noite em Kharkiv uma grande exibição vencendo a Holanda por 2-1. Como tem sido hábito, os portugueses começaram mal, deixando que a Holanda tomasse conta do jogo até ao primeiro golo, aos onze minutos – um grande golo de Van der Vaart que hoje apareceu a titular, deixando Affelay no banco.

Com uma equipa fortemente atacante – Huntelaar também jogou de início – a Holanda encarou este jogo como ele tinha que ser encarado. Um jogo para vencer, pois somente uma vitória, acompanha da de uma derrota da Dinamarca, poderia acalentar a esperança de uma passagem à fase seguinte.

A verdade é que Portugal cedo percebeu que tinha encarar o jogo do mesmo modo, pois, apesar de a vitória poder não ser suficiente, ganhar era o máximo que poderia fazer. O resto já dependeria de terceiros. E de facto assim foi. Logo depois do golo da Holanda Cristiano Ronaldo numa jogada em que teve todo o mérito só por um triz não empatou. E logo a seguir num cruzamento de Nani voltou a estar perto do golo num remate de cabeça.

Adivinhava-se que a equipa portuguesa estava perto do golo e que mais minuto menos minuto acabaria por empatar. E assim foi. Numa jogada magistralmente conduzida pela direita João Pereira fez uma assistência – da mesma qualidade técnica e táctica que a de Silva para Fabregas no jogo contra a Itália – para Cristiano Ronaldo que desta vez não desaproveitou, alcançando o empate aos 27 minutos.

Estava finalmente lançada a equipa para a sua melhor exibição neste Euro 2012. Na defesa tudo corria bem. Pepe, imperial nas alturas e nas bolas pelo solo, rubricava uma das suas melhores exibições ao serviço da selecção. Simplesmente fantástico. Coentrão igualmente magnífico a defender, desta vez com o apoio dos médios, eclipsou Robben e esteve até ao fim do jogo em múltiplos lances de ataque, colaborando com Ronaldo e até funcionando excepcionalmente como ponta de lança. Temos a caminho o grande Coentrão do Mundial de 2010! Bruno Alves sempre muito solidário e esforçado a defender esteve bem na defesa, embora falhe com alguma frequência nos passes de construção, mas sem nunca comprometer. João Pereira esteve seguro, mais colaborante no ataque, tendo tido no lance do primeiro golo uma intervenção que ficará nos anais da selecção. Finalmente, Rui Patrício esteve sempre seguro – o remate de Van der Vaart era indefensável como indefensável era um outro idêntico que fez na segunda parte, mas que o poste devolveu.

Na linha média os três médios correram quilómetros e fizeram aquele trabalho invisível que o adepto nem sempre avalia devidamente mas que esteve na origem do êxito da selecção. Moutinho, apesar das suas deficiências a rematar, fez dois passes notáveis para os extremos, Ronaldo e Nani, na sequência dos quais poderiam ter resultado dois golos se Nani não tivesse falhado escandalosamente um deles. Veloso e Meireles fizeram também um grande jogo, tendo Meireles dado lugar a Custódio aos 71 minutos.

Na frente o trio do costume teve desta vez em Cristiano Ronaldo o grande maestro. Rematou mais de dez vezes sempre com perigo, duas delas ao poste. Fez várias assistências, uma das quais valia mais de meio golo se Nani não a tivesse falhado e fez dois golos, tendo o segundo sido precedido de um trabalho de classe. Hoje sim, esteve à altura do jogador que a selecção precisava e os adeptos esperavam. Nani jogou bem mas não deveria ter jogado tanto tempo. Paulo Bento deveria ter aproveitado o excelente momento psicológico de Varela para, pelo menos, lhe conceder vinte minutos de futebol. Infelizmente, nem um minuto lhe deu. Nani acabou por sair aos 86 minutos para entrar Rolando. Postiga fez o que costuma fazer: correr, pressionar os adversários, reter a bola e alguns remates ou passes de pouca qualidade, excepto o que fez quando estava em off side. Nelson de Oliveira entrou como de costume por volta dos sessenta minutos e também ainda não foi desta que marcou a sua entrada com um golo. Forte e lutador serviu a equipa.

A Holanda é uma equipa que, apesar da grande qualidade do seu futebol, acaba quase sempre por perder contra Portugal. Das últimas três vezes que Portugal a encontrou numa grande competição a Holanda acabou sempre por ir para casa - em 2004, 2006 e agora em 2012. É uma equipa cujo jogo aberto de cariz fortemente atacante satisfaz normalmente muito bem as características do futebol português – um futebol que precisa de espaço e de pouca pressão para se exibir como gosta.
Na segunda parte o jogo esteve relativamente equilibrado, mas sem nunca a Holanda dar a ideia de que poderia ganhar. Todavia, como persistia o empate no outro jogo, era preciso não arriscar. Daí que a equipa portuguesa tenha sido sempre mais perigosa com a bola, acabando por fazer o segundo golo num rápido contra-ataque. A partir dai com a Holanda lançada no ataque em busca do empate, Portugal poderia ter marcado de novo. Assim não aconteceu, tendo a vitória por 2-1 sido suficiente para alcançar o objectivo.
No outro jogo do gupo, Alemanha-Dinamarca, a Alemanha acabou por vencer por 2-1, depois de o empate a um golo ter perdurado durante largo tempo. Um empate que a desfazer-se para o lado da Dinamarca poderia pôr a Alemanha em casa.    

Finalmente, não se compreendem as palavras de Paulo Bento na conferência de imprensa nem a decisão de não se fazer acompanha de jogadores. O futebol – dirigentes, treinadores e jogadores – tem de saber conviver com as críticas. O facto de a selecção hoje ter ganho à Holanda não significa que Paulo Bento tenha necessariamente razão nas suas opções tácticas. Por outro lado, estamos a falar de agentes desportivos – dirigentes incluídos – que ganham milhões. Todos os adeptos têm o direito de os criticar, principalmente quando as suas prestações não correspondem às expectativas e, principalmente, quando ficam muito aquém do ganham!

Não foi esse o caso hoje, mas daí não decorre que eles sejam intocáveis ou que tenhamos de lhes estar especialmente agradecidos pelo que fizeram. Estamos contentes. Eles cumpriram o seu dever!

domingo, 17 de junho de 2012

GRÉÉÉÉÉCIA!!!!




KARAGOUNIS!!!
Giorgos Karagounis

Num jogo emocionante contra a Rússia a Grécia qualificou-se para os quartos de final do Euro 2012! Qualificadas as duas selecções durante grande parte do encontro por força do resultado que então se registava entre a Polónia e a República Checa, a Rússia viu dramaticamente fugir-lhe a qualificação a cerca de quinze minutos do fim a favor daquela selecção que havia batido por uns expressivos 4-1 e contra a qual fizera uma das melhores exibições do torneio. A um minuto do fim, a “inimiga” Polónia esteve quase a repor a Rússia nos quartos de final não fora a inesperada passagem pela linha de golo de um defesa checo que impediu a bola de entrar na baliza.

É assim o futebol! Com a alea própria do jogo tudo pode acontecer num desafio de futebol quando forças estranhas e inimigas da transparência não entram em campo para impor o “destino” já traçado antes de o jogo começar.

Este jogo teve o seu herói. E esse herói foi Karagounis. Foi ele que no tempo extra da primeira parte aproveitou um deslize do defesa direito russo para fazer o golo e foi ele que na segunda parte numa daquelas jogadas que só ele sabe fazer ao entrar pelo centro da área adversária acabou estatelado no solo por aquilo que ele jura, com benzeduras e orações, ter sido uma rasteira do defesa russo. O árbitro não entendeu do mesmo modo e castigou-o com um cartão amarelo. Logo a seguir numa jogada perigosa da contraparte Karagounis arriscou o segundo amarelo e a expulsão. Fernando Santos não perdeu tempo: substituiu-o para não ser expulso. E cá fora, sobre a linha e sempre mal sentado no banco, Karagounis continuou a vibrar como se estivesse lá dentro, temendo em cada lance a tragédia e esperando que o fim do jogo o consagrasse como herói.

Esta vivência grega, sempre exacerbada, sempre no limite, entre a tragédia e heroicidade, desta vez acabou como a Odisseia de Ulisses – aportou a Ítaca e prepara-se para retomar o trono conquistado em 2004!

A Rússia mais uma vez regressa a casa cedo. Com tão bons jogadores, com técnicos experientes e competentes ainda não foi desta que Rússia seguiu em frente. Falta qualquer coisa àquela imensidão…

A cerca de trezentos quilómetros de Varsóvia, em Wroclaw, perto das fronteiras da Alemanha e da República Checa, os checos puseram fora da prova o co-anfitrião para decepção de milhões de polacos que esperavam mais da sua selecção.

A festa continua hoje á mesma hora: mais dois seguirão em frente, mais dois ficarão pelo caminho. É a vida…


sábado, 16 de junho de 2012

O SPORTING E OS ÁRBITROS



E AGORA O QUE VAI ACONTECER?


Avolumam-se as suspeitas de que o Sporting não estará inocente no processo que envolve o seu ex-dirigente Pereira Cristóvão. A primeira dúvida que surgiu – e este blogue logo deu conta dela – foi a seguinte: como pôde Pereira Cristóvão, suspeito de actos tão graves, continuar a desempenhar funções no clube sem a oposição inequívoca dos restantes membros da direcção e dos demais corpos directivos? Desde logo surgiu a suspeita de que Cristóvão tinha argumentos muito fortes para se manter. Argumentos que se impunham aos restantes dirigentes…

E também causou admiração o advogado por ele escolhido para o defender. Claro, que o advogado vai dizer o que diria qualquer advogado. É um dever do advogado…etc e tal. A gente conhece a conversa. Agora o que também se sabe é que o advogado do ex-dirigente é um fanático sportinguista e num assunto que directa ou indirectamente envolve o Sporting ele nunca entraria como causídico se não fosse para, acima de tudo, defender o Sporting. Ou dito de outra maneira: aceitaria o dito advogado patrocinar um processo do qual o Sporting pudesse sair prejudicado?

Pelos desenvolvimentos que o processo foi tendo e pelas investigações entretanto feitas pelas entidades competentes percebe-se agora que a teia é muito mais complexa do que os dirigentes do Sporting queriam fazer crer. Há outros envolvidos no assunto…

Grande clube o Sporting que apesar de lesado, segundo o que tem vindo a público, não apresenta queixa contra o lesante. Porquê?

O que é verdadeiramente estranho é que os órgãos do nosso futebol – Federação, Liga de Clubes – achem tudo isto normal e não seja instaurado um processo de averiguações, já que parece haver todas as razões para supor ou suspeitar de que os actos sob investigação não resultam de uma acção autónoma de Cristóvão como simples cidadão, mas antes praticados na qualidade de dirigente do Sporting.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

PAULO BENTO TEM DE SER RESPONSABILIZADO, APESAR DA VITÓRIA




COMENTÁRIOS NOJENTOS DE JOÃO ROSADO
DINAMARCA - 2 - PORTUGAL - 3


Antes de mais tem de responsabilizar-se Paulo Bento pelo que se passou em Lviv que somente não redundou numa quase inevitável eliminatória pelas vicissitudes próprias de um jogo de futebol e também pelo pundonor posto em campo pela generalidade dos jogadores.

Paulo Bento tem de ser responsabilizado porque é inadmissível que durante todo o jogo tenha deixado completamente só Fábio Coentrão no lado direito do ataque dinamarquês. Ronaldo não ajudou rigorosamente nada e a Paulo Bento só lhe cabia uma de duas coisas: ou substituir Ronaldo por alguém que fizesse esse papel ou encarregar alguém do meio campo de cobrir o segundo homem que sempre aparecia solto para fazer o passe fatal. Os dois golos da Dinamarca surgem de cruzamentos do lado esquerdo da  defesa portuguesa, embora o primeiro seja da responsabilidade de João Pereira que deixou o ala esquerdo dinamarquês à vontade para centrar para Bendtner fazer o golo sem oposição.

Por outro lado, Ronaldo fez uma exibição para esquecer em matéria de finalização. Falhou dois ou três golos que não se podem falhar. Mas não se pode sacrificar Ronaldo, antes de mais porque ele está longe de ser o jogador que para aí se apregoa. Ronaldo não tem nem nunca teve condições para sobressair isoladamente numa equipa média. Ele não é nem nunca será um Maradona, um Cruyft, um Eusébio ou um Messi, para só citar alguns. Ronaldo é um bom jogador cujas capacidades ficam muito potenciadas em grandes equipas, servidas por grandes jogadores, como é o caso do Real Madrid ou do Manchester United. O jogo de hoje até lhe poderá ser muito útil se lhe servir para ele se capacitar das suas reais qualidades. Além de que Ronaldo tem um problema: quase nunca se exibe nos grandes palcos. Com esta é a sua quinta participção em fases finais de grandes competições entre selecções e Ronaldo, com excepção da primeira vez em que ainda era uma "criança", nunca esteve bem.

Não deixa também de ser espantoso que Fábio Coentrão, apesar de desgastado e de ter ficado sempre sozinho perante dois jogadores, ainda tenha tido forças para fazer a jogada e o passe do qual saiu o terceiro golo, por Varela, que voltou a entrar bem no jogo, apesar de ter tido a sorte pelo seu lado – se não tivesse falhado o remate muito provavelmente não teria feito o golo.

Postiga marcou um golo e fez uma simulação que deixou Ronaldo isolado. E nada mais. Como de costume falhou bolas, perdeu bolas, enfim, não deu profundidade ao ataque, embora hoje, pelo golo que marcou, até nem tenha sido um dos seus piores dias.

Pepe fez uma grande exibição. Seguramente o melhor em campo. Marcou o primeiro golo e a ele mais do que a nenhum outro se deve a vitória. Bruno Alves disfarça ao lado de Pepe as suas limitações. Mas nunca comprometeu a equipa.

Rui Patrício com excepção de uma defesa não teve trabalho. Esteve bem quando tinha que estar, já que nos golos nada poderia fazer.

João Pereira, com responsabilidades no primeiro golo, fez aquilo que pode fazer. Não se pode esperar mais dele.

No meio campo, Veloso esteve desta vez em grande nível. A cobrir, a cortar, a passar. Moutinho é aquilo que se viu. Faz faltas, corta, sofre faltas, mas em vão se esperará dele uma jogada de génio ou simplesmente criativa. Meireles esteve um pouco melhor do que da última vez, mas nada de especial, apesar de ter corrido muito.

Nani esteve bem mais uma vez, mas também sem brilhantismos. Mas foi um jogador de equipa: defendeu, construiu e preencheu bem o lado direito do campo.

Nelson Oliveira nos poucos minutos que jogou demonstrou ser um jogador com presença na área, capaz de passar em boas condições, de controlar a bola, de lutar na cobertura e ainda de rematar. Qualquer comparação com Postiga ou Hugo Almeida é pura perda de tempo. É outro jogador.

Quanto ao treinador não se percebe se actua por convicção ou por teimosia. Seja por uma ou outra razão deixa muito a desejar nas suas opções tácticas. Ainda hoje o aperto por que a selecção passou é da sua exclusiva responsabilidade.

Finalmente, uma palavra para o comentário de João Rosado: simplesmente nojento! Como pode um profissional que está a falar para milhões de espectadores ter durante todo o jogo uma atitude tão facciosa, tão parcial, tão interessada na defesa dos jogadores que são ou já foram do seu clube. Se ele tivesse um mínimo de capacidade auto-crítica, voltava a ouvir o comentário que fez ao jogo e nunca mais aparecia na SIC ou na rádio para comentar futebol. Simplesmente vergonhoso.

terça-feira, 12 de junho de 2012

OS GRANDES JOGADORES E OS GRANDES PALCOS



A MARCHA DO EURO 2012
La gioia di Shevchenko dopo il gol del 2-1. Reuters



À medida que o Euro 2012 avança – e com os jogos de hoje ficou concluída a primeira ronda dos quatro grupos – e se vai assistindo a alguns grandes jogos e a excelentes exibições individuais, vai-se também consolidando a ideia de que selecção portuguesa no confronto com as demais tem uma categoria média baixa, à qual, além do jogo de equipa, falta também a presença de grandes jogadores.

Ontem vimos um grande jogo entre a Itália e a Espanha, no qual brilharam a excelência táctica, mais da Itália do que da Espanha, e a grande categoria individual dos jogadores em campo, mais da Espanha do que da Itália. Mas nem numa nem noutra equipa os grandes jogadores deixaram de aparecer. Iniesta foi fantástico durante todo o jogo, uma espécie de Zidane com menos vinte centímetros, e Fabregas que, estando a jogar num lugar que não é o seu, não deixou de na hora certa fazer a desmarcação e o remate decisivos. Do lado italiano, o veterano Di Natali mais uma vez demonstrou a sua extraordinária classe de goleador e de jogador de área, assim como Pirlo a quem a veterania não impede de ser o jogador à volta do qual toda a equipa gira.

Hoje, a França e a Inglaterra também proporcionaram um bom espectáculo, um pouco à semelhança do anterior. A Inglaterra com muitas baixas, algumas delas insubstituíveis, como é o caso de Rooney, soube colmatar com eficácia táctica o que lhe faltou na qualidade técnica do conjunto. Enquanto a França, muito renovada, mostrou sempre uma extraordinária vontade de ganhar e exibiu a classe de vários talentos que todavia não foram suficientes para derrotar a Inglaterra. Como nota interessante do encontro, o facto de os dois golos do jogo terem sido marcados por jogadores do Manchester City (Nasri e Lescott)

O jogo seguinte, entre a Ucrânia e a Suécia, foi um dos jogos mais emocionantes deste Europeu, muito provavelmente pelo brilhantismo que as duas grandes vedetas dos dois países – Shevchenko Ibrahimovic – emprestaram ao jogo.  

Os grandes jogadores aparecem nos grandes palcos. E hoje Shevchenko foi bem a prova cabal disso mesmo. Marcou dois golos extraordinários – o segundo golo é uma verdadeira obra de arte pela forma como ludibriou completamente as marcações – virou o jogo e foi digno da vibrante ovação com que o Estádio de Kiev brindou a sua exibição. Ovação que se repetiu na sala de imprensa quando se apresentou aos jornalistas para prestar declarações. Tanto ele como o seleccionador da Ucrânia, o grande Blockin, mereciam esta vitória.

ESPANHA - 1 - ITÁLIA - I
CROÁCIA - 3 - REPÚBLICA DA IRLANDA - 1
FRANÇA - 1 - INGLATERRA - 1
UCRÂNIA - 2 - SUÉCIA - 1

sábado, 9 de junho de 2012

SELECÇÃO: NÃO É UMA GRANDE VITÓRIA PERDER






NO FUTEBOL SÓ CONTAM AS QUE ENTRAM
Video: Eurocopa 2012. Grupo B. Alemania 1-0 Portugal
ALEMANHA 1- PORTUGAL 0
Está criada a ideia de que a selecção portuguesa teve azar. Não teve. Não se pode dizer que um resultado é injusto quando uma equipa tem meia oportunidade e marca e outra tem três ou quatro e não marca nenhuma. Isso também é o resultado da qualidade técnica da equipa. Da mesma forma que a equipa portuguesa perdeu oportunidades de golo, também perdeu a bola várias vezes incrivelmente, sempre pela mesma razão: deficiência técnica.

Por outro lado, embora a Alemanha tenha estado aquém da selecção que se apregoava e que a categoria dos seus jogadores exigia, a verdade é que ela foi também desde o início a que demonstrou mais vontade de ganhar. A equipa portuguesa só foi verdadeiramente à procura do golo, quando já tinha sofrido um a menos de quinze minutos do fim. Até aí jogou sempre na contenção, sem nunca ter sido capaz de sair em velocidade e criar perigo. Só numa bola parada poderia ter marcado, como qualquer equipa pode mesmo que não esteja a jogar bem.

Digamos com sinceridade: até ao golo da Alemanha o jogo não prestou. A própria Alemanha não arriscou tanto quanto devia, nem o seu jogo alguma vez chegou a ser empolgante. A equipa portuguesa demonstrou muitas fragilidades técnicas: passes falhados, incapacidade de jogar à frente e alguns jogadores manifestamente em baixa de forma como é inegavelmente o caso de Raul Meireles.

Fábio Coentrão que no Real Madrid tem sido imolado nos sacrifícios tácticos de Mourinho voltou a ser o Fábio que jogava no Benfica e, por isso, e não admira que tenha sido o melhor jogador da equipa portuguesa. Ronaldo esteve bem. Não se exibiu desnecessariamente e sempre que foi solicitado esteve à altura. Nani mais uma vez ficou aquém do que poderia fazer. Não decepcionou mas andou lá perto. Varela entrou muito bem e teria feito um jogo magnífico se não tivesse falhado incrivelmente aquele golo a cinco ou seis minutos do fim.


Quanto ao resto não houve nada de muito diferente do que se esperava. Rui Patrício no golo de Mario Gomez teve, como se pode ver, um movimento errado, dada a posição em que o atacante alemão se encontrava. É um pormenor mas às vezes um pormenor de boa ou má colocação dita a sorte de um jogo. Foi o que se passou.

Pode ser que ainda se venha a chegar à conclusão de que este era afinal o jogo mais fácil da selecção portuguesa. E se assim for estará tudo perdido. De facto, o encontro entre a Holanda e a Dinamarca foi um excelente jogo e uma grande e justificada vitória dos dinamarqueses. A Dinamarca tem uma excelente defesa, uma técnica admirável: passa bem a curta e a longa distância, não falha um passe nem perde a bola. Vai ser muito difícil bater a Dinamarca. A Holanda, pelo contrário, exibiu diversas fragilidades. A defesa jogou mal, o meio campo defende mal e o ataque falha muitas bolas, algumas incrivelmente.

Em resumo: a vida vai estar muito difícil para a Holanda e para Portugal.

HOLANDA - 0 - DINAMARCA - 1

O JOGO DESTA NOITE COM A ALEMANHA




UMA PARTIDA MUITO DIFÍCIL



A selecção portuguesa vai daqui a algumas horas defrontar uma das melhores selecções alemãs de sempre. Pode ainda não ter ganho nada, nem nunca chegar a igualar os feitos da geração de 70, mas nem por isso deixará de ser uma das mais espectaculares selecções deste europeu.

Não é por isso exigível esperar muito da selecção portuguesa. Sabe-se que em futebol tudo é possível, mas não é crível que esta noite venha a ser um desses dias. Independentemente das incógnitas que ainda existem na composição da equipa alemã quanto a dois ou três lugares, o mais certo é que, além de Manuel Neuer na baliza, na defesa joguem Lahm, previsivelmente encarregado de marcar Ronaldo, e Boateng do lado oposto. No meio é mais incerto fazer previsões, estando por desvendar qual a dupla que Löw vai fazer alinhar.

A partir daí a Alemanha joga com uma espécie de um duplo meio campo – mais recuados Schweinsteiger e Khedira e logo depois Müller, Özil e Podolski. Na frente Mario Gomez ou Miroslav Klose. É uma equipa de respeito, sem esquecer ainda a possibilidade de alinhar Kroos ou Schurrle ou ambos, o primeiro no lugar de Khedira e o segundo em vez de Podolski.

Se a equipa portuguesa apresentar um sistema táctico semelhante ao que exibiu contra a Macedónia e a Turquia será certamente uma presa fácil para os alemães. Para fazer face ao poderosíssimo meio campo alemão, Paulo Bento tem necessariamente que povoar o meio campo da equipa portuguesa. Isso implica necessariamente não jogar com dois extremos puros como são Nani e Ronaldo. Um deles tem de ser sacrificado, seja não alinhando, seja passando Ronaldo para o centro do ataque e ficando Nani numa das pontas, preferentemente na oposta à de Fábio Coentrão.

E depois será jogar com garra e muita vontade, sem desculpas. Mas não haja ilusões: a tarefa é mesmo muito difícil e ninguém poderá ficar surpreendido se a Alemanha ganhar com alguma folga, mesmo que Paulo Bento e os jogadores façam o que quase toda a gente entende que eles têm para fazer.

Para terminar, ontem na TVI 24, o comentário sobre o Euro foi lamentável. Um coro de “virgens ofendidas” não se cansou de censurar as palavras de Manuel José, principalmente Pedro Barbosa um “menino muito bem comportadinho” dentro e fora do campo quando era jogador. É preciso ter “lata”!

COMEÇOU O EURO 2012




RÚSSIA GRANDE SELECÇÃO, GRÉCIA EM GRANDE



POLÓNIA 1- GRÉCIA - 1
La tapada Rusia se exhibe y deja la huella de la Euro'2008


No jogo de abertura do Euro 2012, a Polónia empatou em Varsóvia com a Grécia, num jogo emotivo e mal apitado pelo espanhol Velasco Carballo.

A Polónia começou bem e depois de ter ameaçado marcar num cruzamento da direita, acabou por fazê-lo pouco depois, igualmente num cruzamento, por Lewandowski. Passavam dezassete minutos do início do jogo. A partir daí a Polónia, que só voltou a ter mais uma oportunidade, pareceu satisfeita com o resultado. E mais satisfeita terá ficado quando, sobre o intervalo, Carballo expulsou inexplicavelmente Papastathopoulos, a quem minutos antes havia mostrado um cartão amarelo num lance perfeitamente legal. E mais confiante ainda terá ficado quando o árbitro espanhol não marcou uma grande penalidade numa jogada em que a bola foi desviada do seu trajecto com a mão por um defesa polaco.

Na segunda parte, a Grécia renasceu. Logo no recomeço Salpingides aproveitou muito bem uma saída incompleta do guarda-redes polaco para fazer o empate. E com dez a Grécia continuava a atacar, a tentar chegar à vitória, apesar de reduzida a dez unidades. E foi assim que num passe soberbo da linha média, Salpingides ficou isolado frente ao guarda-redes, que impediu o golo derrubando o avançado grego. Não havia nada a fazer, Szczsny foi expulso e o árbitro assinalou penalty. O nosso conhecido Karagounis encarregou-se da marcação. Emoção no estádio, a Grécia poderia passar para frente. Só que…Karagounis rematou para a defesa de Tyton. E até ao fim o empate manteve-se.

Foi pena que a Grécia não tivesse ganho. Enfim, por tudo o que os gregos estão a passar seria certamente uma vitória muito celebrada e que fernando Santos também merecia.



FEDERAÇÃO DA RÚSSIA 4 - REPÚBLICA CHECA - 1

Na segunda partida do Europeu, em Wroclaw, a Rússia goleou a República Checa por 4-1 num jogo em que se ficou a saber que há na extremidade oriental da Europa uma grande selecção – a Rússia. Embora a República Checa tivesse sido uma equipa desorganizada e mal posicionada em campo, nem por isso se pode tirar o mérito à equipa treinada por Dirk Advocaat que fez uma grande exibição e mostrou um futebol bonito.

A Rússia tem de facto um excelente meio campo e tem na frente jogadores de grande talento como Arshavin, Dzagoev e Pavlyuchenko, que entrou aos 74 m para substituir Kerzhahkov, muito desinspirado na finalização.
Todos os golos da selecção russa foram o resultado de excelentes jogadas e um deles será certamente o golo da jornada. Em nosso entender, o golo de Pavlyuchenko, acabado de entrar, merce esse título. De nada valeu aos checos ter Peter Cech na baliza. Hoje ninguém parava os russos, que desde já se perfilam como uma das grandes equipas deste Europeu.

Howard Web, no seu estilo habitual, apitou o jogo sem ter mostrado um cartão. Talvez tenha deixado um penalty por marcar a favor dos russos…que acabou por não fazer falta.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

AINDA A OPORTUNIDADE DAS DECLARAÇÕES DE MANUEL JOSÉ




QUEBROU-SE A LEI DA MORDAÇA



Toda a gente sabe que a maior parte da malta da bola – jogadores, treinadores, dirigentes, jornalistas – não sabe dizer nada de jeito fora do futebol. Claro que há excepções, mas são poucas.

Quando se trata da selecção nacional, nomeadamente antes dos jogos, quase ninguém ousa dizer o que quer que seja. Ou porque falar desestabiliza os jogadores, tratados como verdadeiros atrasados mentais, ou porque quem sabe é o treinador, ou ainda porque só quem está dentro é que percebe.

Alguns comentários são tão patetas, que se alguém em qualquer outra actividade dissesse coisas semelhantes seria imediatamente apodado de “atrasado mental”. No futebol, porém, é normal.

Mas há ainda pior. Está estabelecido, por uma espécie de norma não escrita, que a selecção não se critica…pelo menos antes de jogar. Depois, se as coisas correrem mal, passa-se o que se sabe. Basta recordar, falando apenas das situações mais próximas, o que se passou depois do Mundial de 2000 e até do Mundial da África do Sul, quando é óbvio que se muitas das coisas que já se sabia existirem tivessem sido faladas directamente e sem rodeios muito provavelmente não se teriam passado onde mais importante era que não tivessem acontecido.

As palavras de Manuel José tiveram o condão de abrir uma porta que há muito estava fechada. E, perante elas, as várias pessoas tiveram que se posicionar. E lá vieram os patetas do costume com a ladainha habitual. Mas também houve quem abertamente se tenha posto ao lado de MJ, quer secundando-o nas suas críticas (David Borges, por exemplo) quer reconhecendo-lhe toda a legitimidade para fazer o que fez (Carlos Daniel). Aliás, esta noite MJ voltou a falar na RTP Informação e explicou muito bem tudo o que antes já tinha dito. E ainda teve tempo de elegantemente se referir à "borrada" de Ronaldo na Presidência da República, sem sequer necessitar de lhe citar o nome.

É a democracia a avançar numa das áreas mais opacas das modernas sociedades democráticas. Tanto mais opaca quanto menos consciência cívica houver na respectiva sociedade. De facto, seria inacreditável que os “mandões” do futebol continuassem a reclamar para eles um estatuto que hoje já ninguém tem.

SELECÇÃO: QUEM DEVE RESPEITO A QUEM?



AS RESPOSTAS À CRÍTICA



Manuel José voltou à carga e desta vez ainda com mais propriedade do que na vez anterior. Chamou a atenção para a exibição ostentatória de riqueza num país onde a pobreza aumenta todos os dias. Claro que os jogadores ganham muito dinheiro, claro que a maior parte deles vive num mundo irreal – dramaticamente tornado real, quando arrumarem as botas, para muitos deles -, claro que há vedetismo excessivo e nefasto de alguns. Só que Manuel José nem esses critica, porventura porque sabe melhor do que ninguém, que alguns deles completamente inebriados pela fase da vida que estão a viver nunca iriam compreender. O que Manuel José faz, e bem, é imputar à Federação a responsabilidade por aquele e outros espectáculos. Quem manda é que tem de velar por comportamentos públicos condizentes com a dignidade da função que estão a desempenhar.

E Manuel José poderia ter dito mais. Poderia ter falado na borrada de Ronaldo quando se dirigiu ao Presidente da República. Conhecendo-se como toda a gente conhece as limitações de Ronaldo e a profunda egolatria em que obcecadamente vive, alguém deveria ter explicado a Ronaldo como é que uma pessoa na situação dele – capitão de equipa – se dirige ao Presidente da República. Não se trata de respeitar Cavaco Silva ou de simpatizar com ele. Não é nada disso, apenas e só respeito pela função!

As respostas que vieram de dentro da selecção não são convincentes. Nem sequer adianta falar de Eduardo, já que não era certamente a pessoa mais indicada para responder, apesar de o que disse fazer algum sentido: “No fim prestaremos contas”. Pois, só que no fim pode ser tarde.

Jesualdo Ferreira veio dizer que hoje a profissão tem obrigações a que se não pode fugir, por mais incómodas que sejam. Certamente, mas não iam nesse sentido as críticas de Manuel José, nem o papel do treinador é o de ter de aceitar tudo o que lhe queiram impor. Certamente, Jesualdo estará hoje mais “domesticado”. Vá-se lá saber porquê…

E por fim veio Humberto Coelho exigir respeito. Quem tem de exigir respeito somos nós e não eles. Eles estão lá numa função representativa voluntária da qual tiram bom proveito. Temos, portanto, o direito de exigir uma boa representação. Claro que Humberto Coelho defende o lugar e a estrutura. E não será por ele que as coisas vão deixar de tomar o rumo que se antevê. Se quem o lá pôs estava à espera de coisas diferentes que se desiluda. Mas isto já é outra conversa….


A SELECÇÃO NACIONAL E O CIRCO (DOS PATROCINADORES E DOS EMPRESÁRIOS)




O CLIMA QUE RODEIA A SELECÇÃO



As palavras de Manuel José, ex-treinador do Al Ahly (Egipto), várias vezes vitorioso da Taça dos Campeões de África, foram demolidoras para a selecção e para Paulo Bento. Manuel José não compreende que o estágio da selecção, que deveria ser de grande concentração e trabalho, tenha servido para compromissos publicitários, passeios de charrete, festas e outras coisas do género. Fez uma crítica muito forte a todo o clima extra-futebol que rodeia a selecção.

Carlos Queiroz, embora noutro registo, deu claramente a entender que se não houver pulso forte do seleccionador os patrocinadores tendem a pedir o impensável. E contou um caso que se passou com ele. Propuseram-lhe que escolhesse 22 jogadores e deixasse o 23.º para ser escolhido directamente pelo público numa grande festa que eles – patrocinadores – organizariam. E também não deixou dúvidas quanto ao papel de Madaíl na Federação. De Madail e de João Rodrigues e das múltiplas influências que eles representavam. É caso para dizer que se isso já era assim com Madail, imagine-se o que não será com Fernando Gomes, posto naquele lugar pelos grandes interesses que giram à volta do futebol …e também por alguns eternos ingénuos que se deixam permanentemente enganar!

Manuel Cajuda, mantendo-se elegante e solidário, deu claramente a entender que não só teria escolhido aqueles jogadores como se tivesse que jogar com os que Paulo Bento escolheu não jogaria da mesma maneira. E lá veio outra vez à baila a famosa questão do meio-campo. Portugal tem de ter mais jogadores no meio-campo e de inculcar nos médios mais preocupações defensivas.

Finalmente, Medeiros Ferreira, conhecido comentador político, fez na TVI 24, num programa em que participa com Santana Lopes e Fernando Rosas, uma crítica muito interessante às escolhas de Paulo Bento. Para bom entendedor disse o seguinte: a partir do momento em que mudou a direcção da Federação, Paulo Bento ficou sujeito a critérios mais rígidos para s suas escolhas. Foram convocados jogadores que antes não tinham feito parte das suas escolhas, ou não faziam parte das escolhas mais regulares, por estarem representados por nomes muito influentes do empresariado futebolístico ou por pertencerem a certos clubes, talvez mais correctamente a certo clube. Lembrou a falta que Ricardo Carvalho vai fazer, a pouca classe de Rolando (porém do FCP) e se lhe tivessem dado tempo teria dito mais coisas interessantes.

Não é caso para afirmar que o grande público tenha do fenómeno uma percepção tão minuciosa como a de MF, mas o que não pode haver dúvidas é que o público percebeu que a selecção com Paulo Bento está a regressar ao antigamente. E sabe-se o que isso significa em matéria de resultados….De facto, é muito difícil manter a independência.

O COMENTÁRIO DESPORTIVO E A SELECÇÃO NACIONAL



AINDA O CASO "VÍTOR BAÍA"




No comentário desportivo desta semana ocupou um lugar de destaque a explicação que Scolari deu à RTP sobre a não convocação de Vítor Baia na entrevista que lhe concedeu no Brasil.

Apesar de o assunto ter hoje um interesse meramente histórico, não deixa de ser interessante o modo como foi interpretada pelos diversos comentadores.

Os comentadores afectos ao FCP não aduziram nada de novo relativamente àquilo que ao longo dos anos foram dizendo, mantendo um consistente e inalterável ódio a tudo o que venha de Scolari. Não só negaram que Pinto da Costa e Mourinho tivessem dado uma informação negativa de Vítor Baía, do ponto de vista da personalidade e da sua influência no balneário, como inclusivamente desmentiram um facto que é do conhecimento público e que o próprio Vítor Baía confirmou: o encontro de ambos com Scolari no Restelo em 2003!

A verdade é que, tendo o Scolari convocado sempre tantos elementos do Porto, fica sem explicação, na interpretação que aqueles comentadores fazem do facto, a não convocatória de Vítor Baía. Enfim, a irracionalidade como norma de pensamento.

Do lado dos comentadores afectos ao Benfica, as interpretações não são mais consistentes e deixam no ar a certeza, e não a simples impressão, de que não se aperceberam verdadeiramente das vantagens que para o futebol português teve a liderança de Scolari na selecção nacional. Ao comentador da SIC N só lhe interessava sublinhar que o presidente do Porto tinha influenciado a composição da selecção nacional pelo efeito directo que as suas palavras tiveram nas convocatórias de Scolari relativamente a Vítor Baía. Para tentar explicar o comportamento posterior de Scolari teve de recorrer à ideia de que aquela influência aconteceu num momento de fraqueza. Com franqueza, é preciso uma dose cavalar de benevolência para não adjectivar este raciocínio. Assim, o Benfica não vai lá. Já quanto ao comentador da TVI 24 nem adianta falar. Conhecido nas paredes do Estádio da Luz como lambe-botas, tudo o que ele possa dizer não tem para efeitos de Benfica qualquer importância. A música dele é outra. Uma música que os benfiquistas parece finalmente terem começado a não querer ouvir…

Acabou por ser Dias Ferreira, honra lhe seja feita, que sempre percebeu a importância de Scolari no futebol português, que acabou por dar a única explicação plausível…e óbvia.

Scolari, quando chegou a Portugal, não conhecendo nada e estando em geral rodeado por pessoas que ele não conhecia (salvo Murtosa, evidentemente), quis contactar os presidentes dos clubes e os treinadores das principais equipas, não para ser mandado ou influenciado por eles, para os compreender e ouvir o que eles tinham a dizer-lhe sobre a selecção. E é nesse contexto que falou com Pinto da Costa e Mourinho no Restelo. Ao contar o episódio da forma como o contou, Scolari não quis dizer que tivesse sido influenciado por Pinto da Costa ou por Mourinho, o que quis dizer foi que até Pinto da Costa e Mourinho entendiam que Vítor Baía era um elemento prejudicial ao grupo de trabalho. Mais tarde, como hoje se sabe, os dirigentes e treinador do Porto, obrigados a recuperar Vítor Baía, por Nuno Espírito Santo não estar a agradar a Mourinho, mudaram de opinião e passaram a exigir o que antes aconselharam a não fazer!

Acontece que Scolari foi também informado por gente do futebol, nomeadamente gente ligada à selecção, que Vítor Baía era um elemento preponderante no balneário, mas também desestabilizador. E contaram o que se passou no Mundial de 2002, a indisciplina e ainda o facto de as eliminatórias terem sido jogadas primeiramente por Quim e depois por Ricardo, acabando Vítor Baia, saído de uma lesão e convocado à última hora, por ocupar o lugar sem que nada o justificasse, tanto mais que nem sequer tinha jogado a maior parte dos jogos pelo seu clube.

Enfim, tudo o que se passou em 2002 exigia alguma limpeza e a constituição de um grupo novo. Scolari deixou ficar quem, do seu ponto de vista, não comprometia a coesão do grupo e a sua liderança e dispensou quem, pelas informações que tinha ,não estava à altura desse compromisso.

Além de que, Scolari jogou um amigável contra Portugal para a preparação do mundial de 2002, e gostou da exibição do guarda-redes português. Esse guarda-redes era Ricardo! E, como se viu, Vítor Baía acabou por não fazer falta. O público gostou da decisão de Scolari e por isso o defendeu e apoiou até ao último dia.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

SUCEDEM-SE OS AVISOS A PAULO BENTO




VAI OUVI-LOS?

Quem tiver estado minimamente atento aos múltiplos programas desportivos que as televisões têm dedicado ao Euro 2012 rapidamente terá percebido que reina entre os críticos e o público em geral um clima de grande desconfiança relativamente às capacidades da selecção. Mas percebe também que esse clima não decorre apenas daquilo que já é irremediável – a convocatória de Paulo Bento – mas também, ou até principalmente, das opções técnicas do seleccionador.

Toda a gente acha que jogar contra a Alemanha da mesma forma que se jogou contra a Turquia é puro suicídio. A Alemanha tem porventura um dos melhores meio-campo do mundo – Özil, Khedira e Schweinsteiger – e na frente dele três avançados temíveis que ao menor descuido do adversário lhe fazem o que fizeram à Argentina na África do Sul. Se Paulo Bento insistir em jogar sem um puro médio defensivo e alguém que a seu lado possa desempenhar posicionalmente o mesmo papel e continuar a supor que é apenas com Miguel Veloso a errar passes e a defender mal que vai dar consistência à defesa portuguesa vai certamente sofrer gravíssimos dissabores.

Resumindo, Custódio tem de jogar no lugar de Veloso e Moutinho ou Meireles vão ter que redobrar as cautelas defensivas, tanto mais que nem Nani, nem Ronaldo marcam – o que é algo de impensável no futebol moderno. Jogar com um criativo que não marca é aceitável, jogar com dois, nem sempre muito criativos e nada defensivos, é um convite antecipado à derrota.

Esta é a questão fulcral da equipa, mais do que o desacerto defensivo que se acredita ter sido passageiro, e de que a falta de ponta de lança que já vem sendo crónica. Colocar Ronaldo no centro talvez tenha mais desvantagens do que vantagens, embora contra a Alemanha essa possa porventura ser a melhor solução. Porquê? Porque a entrada de Varela – nunca a de Quaresma – daria mais consistência defensiva a uma das alas e asseguraria maior mobilidade na frente atacante com Ronaldo solto no meio.

O mais certo, porém, é que Paulo Bento se esteja nas tintas para as críticas e acabe fazendo o que tem feito até aqui. Se o faz por teimosia ou por convicção é coisa que só ele sabe. Mas o que nós sabemos é que, se o fizer, essa opção não atestará favoravelmente a sua clarividência técnica.

domingo, 3 de junho de 2012

UMA SELECÇÃO COM POUCO FUTURO




UMA DERROTA CONTUNDENTE
PORTUGAL - 1 - TURQUIA - 3



No jogo de ontem no Estádio da Luz a selecção portuguesa de futebol perdeu por 3-1 contra a da Turquia. Antes de mais, é bom que se diga que a Turquia tem uma equipa muito interessante com alguns excelentes jogadores não podendo por isso afirmar-se que constitui uma grande surpresa a derrota da equipa portuguesa.

De facto, desde o Europeu de há quatro anos que a selecção portuguesa vem perdendo valores sem que tenham aparecido jogadores em número suficiente para substituir os que desde então foram saindo. Com excepção de Fábio Coentrão e de Rui Patrício não houve dos muitos que depois daquela data foram chamados à selecção qualquer outro grande nome a reter.

Esta falta de valores já foi muito notória no Mundial da África do Sul, agravada pela pouca capacidade que Queiroz tinha para lidar com a situação. E agora para o Euro 2012 está-se praticamente na mesma.

Paulo Bento que até começou bem por contraste com o que vinha detrás foi perdendo  pouco a pouco o crédito com que começou, muito por causa de casos que foram surgindo com jogadores e também por no "grande público" – e este em termos de selecção é que conta – se ter perdido parcialmente a confiança nos critérios do seleccionador quanto aos escolhidos.

O que se passou há dias em Leiria já foi um sintoma claro desse estado de espírito do público, por mais que os comentadores e os jornalistas do costume tentassem desvalorizá-lo. De facto, eles ainda não perceberam que quem “manda” na selecção é o público por mais que os jornalistas tentem influenciá-lo. Basta lembrar o que se passou com Scolari: hostilizado por Mourinho, Pinto da Costa e todos os que nos media lhes servem de câmara de ressonância – e são muitos! -, ele pôde contar sempre com o apoio do público. Por uma razão muito simples: o público compreendia e apoiava os seus critérios.

Não quer isto dizer que com Paulo Bento tenhamos regredido aos tempos do Mundial de 2000 ou até mais para trás. Não é isso, mas regredimos.

No jogo de ontem à noite ainda não estamos seguros do que terá sido mais grave: se a derrota, se o convencimento dos jogadores de que jogaram bem. Se eles pensam que jogaram bem é porque ninguém no balneário lhes disse que jogaram mal, que cometeram erros inadmissíveis e que se continuarem assim não vão ter qualquer hipótese num grupo “triplo A”, como é aquele em que estão integrados.

Mas vamos ao jogo, ao que se passou.

Na defesa a opção por Miguel em detrimento de João Pereira talvez tenha sido a única boa notícia. Quanto ao resto, pelo que toca ao esquema defensivo da equipa, tudo foi muito decepcionante: Bruno Alves está muito longe de dar segurança à defesa e Fábio Coentrão parece que perdeu qualidades, tanto a atacar como a defender, embora possa sempre de um momento para o outro renascer. Todos cometeram erros, tendo sido Miguel Lopes o que menos errou. Rui Patrício e Bruno Alves são responsáveis pelo primeiro golo, mas nenhum dos outros três está isento de culpas. Coentrão chegou tarde, porque contava que os outros chegassem primeiro, Miguel Lopes deixou-se ultrapassar e Pepe não fez a dobra com eficácia como lhe competia. No segundo golo, Veloso repetiu o erro em que já havia incorrido por mais de uma vez e Bruno Alves voltou a ser lento e a passar mal uma bola que tinha recebido "à queima". No terceiro, Coentrão deixou cruzar, Eduardo não defendeu para o melhor sítio, Pepe não foi capaz por duas vezes de se desviar da bola ou de lhe dar a direcção devida e Ricardo Costa foi atabalhoado. Tinha tempo e espaço para fazer melhor. Três golos, é muito golo! Quem pode ganhar sofrendo tantos golos?

A linha média talvez ainda tenha jogado pior do que jogou contra a Macedónia. Moutinho está sem ideias, Miguel Veloso é um perigo, como se viu, e somente Meireles poderá dar alguma criatividade àquele meio campo. Poderá, mas não tem dado. E sem meio campo criativo e neutralizador do jogo alheio também não há equipa que se salve. E aqui, digam o que disserem, falta mão do treinador. Se contra a Turquia faltou meio-campo, o que acontecerá contra a Alemanha?

Na frente, tanto Hugo Almeida como Postiga não são jogadores de selecção. Francamente, não adianta insistir. Nelson Oliveira, apesar da sua juventude e inexperiência, ainda é a melhor opção. E se o seleccionador não tem outras, é porque não fez as convocatórias que deveria ter feito.

Sobram os dois extremos ou médios ala, Ronaldo e Nani, que sendo dos melhores jogadores da selecção, raramente jogam mais e melhor do que jogaram ontem. Só quando toda a equipa engrena no jogo, o que já não acontece há muito tempo, é que eles sobressaem. Fora destes casos, quando sobressaem é pela negativa, como hoje aconteceu com Ronaldo que além de falhar um penalty, no momento crucial do jogo, já tinha desperdiçado antes uma outra oportunidade de golo. E mais uma vez veio à tona aquilo que aqui tantas vezes tem sido dito: o rendimento de Ronaldo depende mais do rendimento da equipa do que a equipa dele. Em grandes equipas como o Manchester United e o Real Madrid, Ronaldo joga incomparavelmente mais. Na selecção portuguesa, as boas exibições que tem feito – e foram relativamente raras – estão sempre muito relacionadas com o rendimento do conjunto. Por outras palavras: não é Ronaldo que puxa pela equipa, é a equipa que puxa por Ronaldo. Coisa que Scolari também tinha percebido muito bem desde o início. Sem ferir susceptibilidades foi sempre dizendo isto à sua maneira, deixando para Ronaldo o papel de ser apenas um entre onze e não alguém de quem o onze dependia.

Perante isto, as perspectivas são as piores. Nada ainda está perdido, mas está cada vez mais longe de poder ser ganho….

sábado, 2 de junho de 2012

CRISTIANO RONALDO DESPREZA TORCEDORES




OS MALEFÍCIOS DO VEDETISMO



Não é por acaso que apesar de toda a propaganda feita pelos media a Cristiano Ronaldo e a Mourinho uma parte já significativa dos portugueses não simpatiza com um nem com outro. Ambos perdem claramente no confronto com Messi e Guardiola, pelo anti-vedetismo de Messi e pela nobreza de carácter de Guardiola, qualidades que aqueles dois muito conhecidos elementos do Real Madrid manifestamente não têm.

O caso de Cristiano Ronaldo é de resto muito significativo pelas mudanças que nele se operaram a partir da sua transferência para o Real Madrid. Em Manchester, com Alex Fergusson no comando da equipa, Cristiano Ronaldo aprendeu a se comportar dentro do campo, mas também fora dele. No Real Madrid, o estilo agressivo, belicoso e de grande desrespeito pelos adversários que Mourinho protagoniza e tenta infundir na equipa só podem ter tido como consequência o agravamento dos defeitos de educação que Cristiano Ronaldo já tinha.

No estágio da selecção nacional iniciado há pouco mais de uma semana, Cristiano Ronaldo, nas duas noites de folga que a selecção teve, foi em ambas elas notícia pelos piores motivos. Na primeira, uma desavença numa discoteca com um conhecido modelo português, alegadamente provocada por algo que se terá passado entre o craque português e a namorado do modelo, que acabou com o modelo caído no Rio tejo, felizmente sem outras consequências. Ontem, depois de um jantar com outros colegas da selecção, Ronaldo recusou autógrafos e deixar-se fotografar com adeptos que o esperavam há mais de uma hora para o saudar e homenagear.

Claro, perante a “fuga” de Ronaldo ainda por cima contrastante com a dos colegas que o acompanhavam, os adeptos reagiram vaiando-o e gritando por Messi.

Se os adeptos portugueses já estão com má vontade em relação a ele por entenderem que na selecção quase nunca tem exibições compatíveis com o seu prestígio, ainda com mais má vontade ficarão depois de publicidade que foi dada a estes episódios.

O jogo de amanhã no Estádio da Luz é um bom barómetro de avaliação do modo como o público encara actualmente a selecção, principalmente alguns jogadores.