quinta-feira, 8 de novembro de 2012

BENFICA GANHA, MAS FICA LONGE DO APURAMENTO


 
AS TÁCTICAS DE JESUS

 

O Benfica venceu esta noite o Spartak de Moscovo por 2-0 com golos de Cardozo. Esta vitória pode constituir um passo importante para o acesso à Liga Europa (a segunda divisão europeia), mas dificilmente contribuirá para a passagem aos quartos de final da Liga dos Campeões.

Jesus diz que o Benfica está a fazer um percurso dentro da normalidade. O treinador do Benfica acha que, em quatro jogos, perder um em casa e ganhar outro e empatar fora um jogo e perder outro é um percurso normal. É de facto espantoso que tal afirmação tenha sido feita. O que Jorge Jesus não disse é que ele neste percurso não estava a contar apenas com o resultado dos jogos do Benfica, mas também com o resultado dos outros jogos, nomeadamente com os resultados do Barcelona.

E é exactamente por ter entrado em linha de conta com o que não dependia dele que o Benfica está agora na situação de praticamente ter perdido o apuramento para os oitavos de final. O Benfica tinha obrigação de ganhar em Moscovo se queria concorrer directamente com o Celtic para aquele apuramento. Foi isso que o Celtic fez: contou apenas consigo, ganhando em Moscovo e ganhando hoje ao Barcelona.

Para que o Benfica se apurasse seria necessário ganhar ao Celtic e esperar que o Spartak vá a Glasgow ganhar, já que não parece nada provável que o Barcelona perca o último jogo contra o Benfica, quer, nessa altura, esteja ou não apurado.

E não parece nada provável, porque dos três adversários do Barcelona, o Benfica foi o que menos dificuldades lhe levantou. O Spartak marcou dois golos em Camp Nou, esteve a ganhar, e foi com muita dificuldade que o Barcelona virou o resultado. O mesmo se diga do Celtic, que em Barcelona também perdeu pela margem mínima, mesmo no fim do jogo e que hoje na Escócia ganhou por idêntico resultado. O Benfica, pelo contrário, no jogo contra o Barcelona andou o tempo todo a correr atrás da bola.

Bem, no jogo desta noite o Benfica terminou a primeira parte empatado a zero com uma dupla atacante – Lima e Rodrigo – pouco produtiva e com um Sálvio manifestamente desinspirado e um Ola John com muito pouco jogo.

Na segunda parte tudo mudou: Cardozo entrou para o lugar de Rodrigo e pouco depois marcou um golo. Um golo que o árbitro anulou indevidamente. Fá-lo-ia a seguir por duas vezes e ainda poderia ter marcado mais se não tivesse falhado um penalty e desperdiçado duas oportunidades.

A justificação de Jesus para não ter metido Cardozo de início – Cardozo o melhor marcador da equipa – é caricata e só serve para demonstrar que o treinador do Benfica não respeita o espectador. Dizer que Rodrigo jogou para inviabilizar a construção ofensiva do Spartak é uma rematada mentira, como qualquer pessoa que reveja o jogo facilmente constatará. O que se passa é que Jesus errou como tantas vezes tem acontecido por não olhar para os jogos e para os jogadores com objectividade, antes se fiando em "fèzadas" ou em qualquer outra irracionalidade.

Haja em vista o que se passa com Ola John, um extremo excepcional, elegante, criativo, jogando para a equipa e que o Jesus ainda não tinha posto a jogar por razões puramente subjectivas, ou seja, por razões que nada tem a ver com o rendimento do jogador. Assim como não se compreende a insistência em Salvio durante o jogo todo, em detrimento de Gaitan, quando toda a gente vê que Salvio não está em forma há muito mais de um mês, o mesmo se passando com Maxi que está criando problemas contínuos à defesa do Benfica.

Em resumo: o Benfica ganhou bem, embora no primeiro tempo tenha jogado pouco. Teve na segunda parte várias oportunidades, mas vê-se que é uma equipa com fragilidades. Portanto, a classificação na Champions está em linha com a sua real valia. O Benfica tem uma equipa que para as lides internas tem sido, para já, suficiente para levar de vencida as dificuldades que tem encontrado, mas que no plano internacional fica àquem do desejável.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

OS OBJECTIVOS DE EDUARDO BARROSO


 

O SPORTING SOFRE AS CONSEQUÊNCIAS DAS SEITAS QUE O INFESTAM
 

 Eduardo Barroso é um caso típico do Sporting da actualidade. De um Sporting dominado por um conjunto de seitas,  de incompetentes, de petulantes, que vergonhosamente se exibem nas televisões, nos jornais e na rádio, sempre desejosos de um protagonismo que nada, absolutamente nada, da sua passagem pelo futebol justifica ou recomenda.   
Claro que o Sporting tem um problema de classe, um típico problema classista, de desadequação do clube às realidades dos nossos dias.

Toda essa gente que infesta o Sporting e lhe propaga os vícios de que ela própria padece, se tivesse um mínimo de respeito pelo clube, se tivesse um pingo de sportinguismo, afastava-se definitivamente e deixava que gente que ninguém conhece, mas seguramente competente que o Sporting tem, tomasse conta do clube, o modernizasse e o gerisse de acordo com as exigências do nosso tempo.

Assim, com esta gente, o Sporting, aos objectivos de Eduardo Barroso – entrada directa na Liga dos Campeões, Taça Europa, Taça de Portugal e Taça da Liga – vai ter de juntar um outro: a luta pela manutenção.

Que o Sporting se “desfaça” dessas seitas, dessa gente que mediaticamente o representa, o mais rapidamente possível e acredite num outro tipo de pessoas que realmente estejam à altura dos pergaminhos do clube.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O BENFICA DEIXOU DE SER UM CLUBE DEMOCRÁTICO?




 
TUDO INDICA QUE SIM
 
 

A campanha eleitoral para a presidência do Benfica tem decorrido ao mais baixo nível, obviamente por culpa do presidente em exercício e da maior parte da gente que o acompanha. Desde Rui Gomes da Silva, uma presença televisiva que envergonha os benfiquistas passando pelo manipulador, vendedor de lixo televisivo, Moniz, até alguns outros personagens que nem merecem citação, tudo na actual nomenklatura benfiquista é mau demais para poder continuar num novo mandato.

De Vieira o que se pode dizer? Que endividou o Benfica a níveis jamais conhecidos na sua história comprometendo gravemente o futuro do clube; que frequentemente envergonhou os benfiquistas nas suas declarações públicas, arrogantes e inconsequentes; que é o alvo da chacota do presidente do clube rival; e que se deixa enganar pelos múltiplos agentes disfarçados de Pinto da Costa que não perdem uma ocasião para alcançarem com o seu apoio os lugares que de outro modo não conseguiriam. Pior que tudo isto, se é que há pior, é arrogância antidemocrática que passou a imperar no Benfica desde que Vieira chegou à presidência do clube. As tradições democráticas do Benfica mantidas com sageza pela cultura popular do clube, principalmente durante os tempos difíceis da ditadura, foram gravemente adulteradas pela presença de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica.

O modo como o presidente do Benfica se apropriou do clube, fazendo dele coisa sua, a ponto de injuriar e tentar por qualquer meio afastar qualquer opositor, não apenas desta vez, mas sempre que alguém ousou disputar-lhe democraticamente a presidência, constitui uma vergonha que a história do clube não pode aceitar que se mantenha por mais tempo.

Se no plano político e social o consulado de LFV representa a descaracterização do Benfica, ele também não tem nada para oferecer aos milhões de benfiquistas no plano desportivo. Dois campeonatos em onze anos, uma Taça de Portugal e milhões e milhões de euros gastos em jogadores e em treinadores é uma contabilidade que ninguém pode ter por boa. Se é certo que o Benfica tem um estádio novo e um centro de estágio também não é menos verdade que tem um passivo que ronda os seiscentos milhões de euros. É muito, muito pouco. Está na hora de mudar!

 

 

LIGA DOS CAMPEÕES



OS OUTROS JOGOS
 

 

Dentre as equipas portuguesas há a destacar a excelente exibição do Braga na primeira parte em Manchester. Não há equipa em Portugal mais segurança no passe e recepção do que o Braga. Dá gosto ver o modo como o Braga desenvolve uma jogada de contra-ataque, bem como ver girar a bola entre os seus jogadores num futebol objectivo e de grande qualidade. Nenhuma outra equipa tem em Portugal exibe um futebol tão vistoso e atraente.

Foi uma pena que não tivesse segurado a vitória ou, pelo menos, o empate, sendo qualquer um destes resultados amplamente merecidos. As deficiências do Braga deste ano são fundamentalmente de marcação. De posicionamento defensivo. A equipa sofre demasiados golos em situações que não são assim tão difíceis de evitar.

Apesar da derrota em casa contra o Cluj, o Braga mantém intactas as possibilidades de se qualificar. E provavelmente qualificar-se-á.

Já o Porto, com três vitórias nos três primeiros jogos, tem a qualificação praticamente garantida. A vitória desta noite contra o Dínamo de Kiev demonstrou que o Porto tem força na Europa, apesar de o seu futebol estar muito longe de corresponder aos resultados obtidos. Não foi um grande jogo, o Porto não tem uma grande equipa, mas chega para o que se lhe pede. Chega em Portugal, como se verá e vai ser suficiente para na Europa seguir em frente até uma fase honrosa.

Nos demais jogos, sobressai a derrota do Real Madrid em Dortmund, contra o Borússia. O Real Madrid perdeu por 2-1, mas poderia ter perdido por mais se o árbitro não lhe tivesse perdoado duas grandes penalidades evidentes, uma cometida por Pepe, aliás responsável pelo primeiro golo dos alemães, outra por Xabi Alonso. Desta vez Mourinho não vai certamente culpar o árbitro. Ronaldo marcou o golo do Real, mas o mérito todo vai inteirinho para esse extraordinário jogador que é Özil – o tal que Mourinho já pôs de “quarentena” por mais de uma vez. É mesmo preciso não apreciar o futebol como uma arte para censurar publicamente um dos melhores jogadores do plantel e seguramente o mais talentoso.

O outro grande de Espanha, ou melhor da Catalunha, ganhou ontem à tangente ao Celtic, quase nos momentos finais. Por um triz o Celtic teria acabado com as hipóteses de qualificação que os responsáveis benfiquistas ainda tentam fazer crer que têm. Mas não adianta continua a insistir num tema sobre o qual dentro de muito pouco tempo deixará de se poder especular.

No grupo do Real Madrid o Ajax bateu por um confortável 3-1 um Manchester City ainda incapaz de se habituar a estas andanças de alta roda do futebol europeu. O dinheiro não resolve tudo…

Para finalizar, será interessante lançar uma vista de olhos sobre o comentário desportivo português na rádio e na TV em dia de Liga dos Campeões.

Na RDP o responsável pelo desporto exultava com o triunfo portista em termos ditirâmbicos tanto relativamente à equipa como em relação a Jackson. O que diria ele se o Porto tivesse jogado bem. Quem o ouve sem ter visto o jogo teria suposto que o Porto fez uma exibição retumbante. Não está em causa o mérito do Porto nem a justeza da vitória, tal como não estaria o empate. O que está em causa é a ausência de profissionalismo da maior parte dos comentadores da RDP.

Na TV, o facciosismo prende-se mais com os comentários sobre a equipa de Mourinho e de Cristiano Ronaldo. Raramente, para não dizer nunca, eles olham para o adversário do Real Madrid com independência e isenção. Seja relativamente ao jogo por ele praticado, seja relativamente aos jogadores que o põem em prática. Aliás, o mesmo se passa quanto aos jogadores do Real Madrid. Raramente são capazes de enaltecer a extraordinária qualidade da maior parte dos colegas de equipa de Cristiano Ronaldo, a quem ele tanto deve os resultados desportivos que tem obtido. Como facilmente se comprova comparando o seu rendimento no Real Madrid com o alcançado na selecção portuguesa. Todos os demais jogadores do Real Madrid são simplesmente tratados pelos comentadores portugueses como se fossem meros ajudantes ao serviço do português. O mesmo se diga relativamente às arbitragens. Desta vez, porém, os comentadores do programa acabaram por corrigir o comentador de imagens, mas nem essa pequena excepção serviu para Pedro Henriques ver que Pepe não só empurra o jogador do Borússia como também o rasteira. Como é que um ex-árbitro que certamente viu e reviu as imagens não foi capaz de ver que Pepe depois do empurrão ainda toca nas pernas do dianteiro alemão?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O BENFICA NÃO JOGA NADA


 

DERROTADO EM MOSCOVO E PRATICAMENTE AFASTADO DA LIGA DOS CAMPEÕES

 

 

DERROTA DO EM MOSCOVO E PRATICAMENTE AFASTADO DA LIGA DOS CAMPEÕES

 

O Benfica foi derrotado em Moscovo pela diferença mínima (2-1), mas ao intervalo já podia estar a perder por quatro ou cinco. De facto, a equipa do Benfica falha com frequência o primeiro passe, quase sempre o segundo e rarissimamente consegue dar três ou mais toques seguidos na bola.

Por outro lado, não há no futebol do Benfica nada de que a equipa se possa orgulhar. Ninguém consegue descortinar uma ideia de jogo. Para quem exibe a prosápia do treinador do Benfica sobre a “ideia de jogo” e outras tretas a que frequentemente se refere é confrangedor ver uma equipa que não sabe como há-de sair para o ataque, não sabe como há-de desenvolver o ataque quando lá chega e até a capacidade de transição rápida, que durante algum tempo (faz tempo…) a caraterizou, se perdeu.

Até aos setenta e cinco minutos foi confrangedor ver jogar o Benfica. Depois os jogadores empertigaram-se um pouco e deram alguma luta, porém sempre sem deslumbrar e sem a tal ideia de jogo que a equipa manifestamente não tem.

Não pense Jorge Jesus que se pode desculpar com as ausências de Javi e de Witzel.  De facto, já lá não estão e por isso não contam. Aliás, estavam lá o ano passado e foi o que se viu. De qualquer modo, Jesus já teve tempo mais do que suficiente para preparar um meio campo eficaz e eficiente, coisa que o Benfica manifestamente não tem.

De ano para ano o Benfica joga pior. No primeiro ano de Jesus o Benfica ganhou o campeonato e de uma maneira geral os adeptos gostaram do futebol exibido. Um futebol intenso, de ataque, que não dava tréguas aos adversários, tanto em ataque continuado como em transições ofensivas rápidas. No ano seguinte, a espaços, a equipa jogou bem. Ou melhor: entre Dezembro e Fevereiro jogou bem, mas depois afundou-se como, aliás, já se tinha afundado na primeira parte do campeonato. O ano passado foi o que se viu. Ia à frente com cinco pontos e perdeu o campeonato; tinha vantagem na Taça de Portugal e foi eliminado; saiu da Liga dos Campeões nos quartos-de-final e acabou apenas por ganhar a insignificante Taça da Liga. Este ano, a equipa vai à frente no campeonato juntamente com o Porto, mas não é uma equipa confiável. Qualquer espectador imparcial percebe que este Benfica não vai longe, como se está a ver na Liga dos Campeões, na qual em três jogos fez um ponto e marcou apenas um golo. Perdeu dois jogos e empatou outro.

Não há muito mais a dizer, salvo fazer justiça a Lima que foi o melhor jogador do Benfica e o mais esforçado. Sálvio chegou à Luz vindo do Atlético de Madrid em grande forma. Entretanto perdeu a forma física, não tem força e Salvio sem forma física é um jogador vulgar. É caso para perguntar o que fazem os jogadores do Benfica nos treinos. Uma pergunta que faz todo o sentido não apenas pela forma física de alguns jogadores mas também por vários episódios de jogo em que se fica com a ideia de que os jogadores estão a deparar-se com aquela situação pela primeira vez.

Para terminar, interessa dizer que com o resultado de hoje o Benfica está praticamente eliminado da Liga dos Campeões e dificilmente irá à Liga Europa. A jogar assim corre o risco de ser goleado em Camp Nou. De facto, que confiança pode merecer uma equipa que não consegue dar três toques seguidos….

 

 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

SELECÇÃO COMPROMETE PRESENÇA NO BRASIL


 

PAULO BENTO É TEIMOSO
Sem razões para festejar na noite centenária de Ronaldo

 

Como aqui tantas vezes temos dito, Portugal está longe de ter um lote razoável de jogadores de primeira categoria. Tem poucos, muito poucos, dificilmente junta onze, e quando tem de indicar vinte e três há vários que estão muito longe de ter o nível dos melhores.

Esta degradação do valor intrínseco da selecção vem-se manifestando desde o fim do Euro 2004 e depois muito mais claramente a seguir ao Mundial de 2006. Não obstante o fraco ponto de partida, a verdade é que depois daquelas datas a selecção portuguesa de futebol conseguiu estar em todas as fases finais das grandes competições mundiais e europeias de futebol e passar em todas elas a fase de grupos. Todavia, com excepção do Euro 2012, tem sucumbido logo na primeira eliminatória. E também é verdade que desde 2008 não alcança directamente a fase de grupos, tendo sempre tido necessidade de jogar o play off para se apurar.

Desta vez, para o Mundial de 2014, se se apurar – e isso está muito longe de estar garantido – também não será directamente. Não se pode dizer que exista uma certeza absoluta, mas a probabilidade de isso acontecer é diminuta. Se essa probabilidade tivesse de se exprimir em percentagem, ela não iria além dos 5%.

Paulo Bento como qualquer outro seleccionador debate-se com a dificuldade assinalada – a falta de grandes valores em quantidade suficiente. Na selecção portuguesa eles não existem, bastando portanto a ausência de dois jogadores habituais – Meireles e Coentrão – para que a equipa imediatamente se ressinta.

Ressente-se tanto que Cristiano Ronaldo, que em situações normais está longe de ser na selecção o jogador que é no Real Madrid ou foi no Manchester United, fica reconduzido à condição de jogador vulgar se a equipa sofre a falta de dois ou três imprescindíveis. Foi o que se passou nos jogos contra a Rússia em Moscovo e contra a Irlanda do Norte no Porto.  Ronaldo nada fez que o distinguisse. Foi tão vulgar como os outros. E isso até lhe deveria fazer pensar e depois perceber quanto ele deve aos jogadores que jogam a seu lado no Real Madrid, como aliás já devia aos do Manchester. Em vez de andar a dizer que está triste com base em motivos fúteis, deveria dizer que está muito contente e muito realizado por ter a seu lado no RM os jogadores que tem. Que olhe para os que tem a seu lado em Portugal e depois tire as diferenças.

Mas para além desta limitação que ninguém de imediato está em condições de superar, Paulo Bento ainda agrava mais as coisas com a sua conhecida “casmurrice” que infelizmente não é prova de forte personalidade mas de falta de inteligência.

No Euro 2012 Paulo Bento deixou em Portugal jogadores melhores dos que os que foram. Não muitos, mas alguns. Quis, porém, a sorte que as coisas lhe tivessem corrido bem e ele sentiu-se muito fortalecido por não ter “cedido a pressões”. Desta vez fez o mesmo e os resultados estão à vista.

Mas não é só por não ter selecionado os dois ou três jogadores que inequivocamente teriam lugar no lote dos convocados em vez de dois ou três que lá não deveriam estar. É também por persistir num modelo uniforme de jogo qualquer que seja o adversário e o seu modo de jogar.

Iludido com a posse de bola, que ele logo extrapola para dizer que “fizemos um bom jogo” ou que “não merecíamos perder ou empatar”, Paulo Bento insiste em jogar sempre da mesma maneira sem sequer atender convenientemente às características dos jogadores que tem em campo.

Hoje isso foi evidente. Perante uma linha média sem ideias e sem criatividade, absolutamente incapaz de encontrar uma solução de golo para os avançados, sem laterais com capacidade para subir nas faixas e com Ronaldo a desempenhar poucas vezes o papel de extremo, com um ponta de lança que não sabe jogar sozinho na frente, não era previsível um grande jogo, como não foi, nem sequer um jogo com algumas oportunidades de golo, que também não houve praticamente até ao 80 minutos de jogo.

Seguem-se os jogos com Israel (fora e em casa), com a Rússia, o Azabeijão e o Luxemburgo em casa, e com a Irlanda fora. Muitos jogos, mas tudo vai depender muito do próximo jogo contra Israel. A selecção tem de ganhar sob pena de até o segundo lugar ficar em risco.

Depois da derrota da Rússia por 1-0, o empate de hoje (1-1) contra a Irlanda do Norte deixa a selecção em muito má situação. A qualificação para o Brasil, apesar de ainda faltarem seis jogos está manifestamente em causa.

domingo, 7 de outubro de 2012

O BENFICA GANHA MAS NÃO CONVENCE


 
AS CONFERÊNCIAS DE IMPRENSA E OS COMENTADORES
 
Benfica vence à tangente com reviravolta na Luz

 

O jogo que o Benfica jogou esta noite com o Beira-Mar não tem muito que comentar. O Benfica vinha de um “exercício” muito traumatizante. O jogo contra o Barcelona, principalmente na segunda, parte foi penoso. É provável que aquele jogo do Barcelona cause uma fadiga psicológica difícil de superar. Enquanto se mantiver na lembrança dos jogadores aquele correria atrás de uma bola que nunca se alcança é natural que os jogadores abordem os jogos com intranquilidade.

E isso viu-se logo no começo do jogo contra o Beira-Mar. O golo dos aveirenses é a prova manifesta dessa intranquilidade. A equipa do Benfica lá conseguiu reagir mas não acertava com a baliza. Valeu-lhe o facto de o Beira-Mar nunca ter incomodado. Apenas defendia e nada mais.

No fim da primeira parte lá apareceu um penalty que nem sempre é marcado quando aquele tipo de falta acontece na área, mas que é sempre assinalada quando ocorre no meio campo.

Na segunda parte o Benfica durante os primeiros quinze minutos revelou-se incapaz de alterar o resultado, até que Maxi Pereira lá desencantou um golo que só ele sabe marcar, mesmo quando não está em forma. E logo a seguir, por força de um erro da defesa do Beira-Mar, o Benfica lá marcou o segundo golo, mercê também da clarividência de Lima que não ousou rematar e preferiu dar o golo a Rodrigo.

Depois da viragem do resultado, o Benfica terá criado mais uma ou outra situação, mas perdeu muitas bolas incompreensivelmente. E intranquilizou-se tanto que o Beira-Mar, sem jogar grande coisa e sem nunca ter chegado a ser perigoso, deu a sensação de que estava a assustar o Benfica. E talvez estivesse, mas por demérito do Benfica e não por força da prestação dos aveirenses.

No fim do jogo Ulisses Morais, como sempre faz quando vai à Luz, seja qual a equipa que orienta, iniciou uma conversa completamente imbecil sobre a influência psicológica do árbitro no resultado do encontro. Como tem o lugar em risco, provavelmente não passará desta semana, aproveitou a feliz circunstância de jogar na Luz para desancar o árbitro que nada teve a ver com o resultado e simultaneamente denegrir a vitória do Benfica, seu principal objectivo.
Jorge Jesus numa conferência anormalmente longa lá deu a sua versão dos factos e até se referiu especificamente a alguns jogadores  - Enzo Perez, Maxi - depreendendo-se das suas palavras que a derrota contra o Barcelona ainda pesa. Ou dito de outro modo: que o modo de jogar do Barcelona ainda se mantém como um pesadelo que só se desvanecerá depois do segundo jogo.

Na SIC N um comentador, manifestamente frustrado com a situação do Sporting, achou que as palavras de Morais faziam algum sentido. Para João Rosado, fanaticamente anti-benfiquista, tudo o que seja contra o clube da Luz “faz todo o sentido”. Que se cure das mágoas que o Sporting lhe causa e não seja ridículo!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A LIGA PORTUGUESA E AS COMPETIÇÕES EUROPEIAS


O BENFICA-BARCELONA DE LOGO A NOITE
Paços de Ferreira vs Benfica (LUSA)

Na última jornada da Liga portuguesa patenteou-se uma certa capacidade competitiva dos clubes ditos mais fracos com que muitos manifestamente não contavam. Até à última jornada a generalidade dos comentadores, para não dizer todos, era unânime na perda de capacidade competitiva das equipas ditas mais fracas. Por outras palavras, a diferença de potencial entre o Porto, o Benfica e também o Braga e as demais equipas, com excepção do Sporting deixado numa posição intermédia, era tão acentuada que seria de prever um “passeio” dos grandes nos jogos contra os pequenos.
 
Afinal, não é isso o que se tem verificado e a última jornada ilustra bem quão errada estava aquela previsão. O Benfica ganhou pela diferença mínima (2-1) em Paços de Ferreira com grande dificuldade, apesar de ter falhado boas oportunidades de golo. Em contrapartida, aquelas em que marcou decorreram de falhas defensivas dos pacenses, sem menosprezo para o sentido de oportunidade de Lima que se tem revelado altamente concretizador nestes escassos dias que leva de Benfica.
 
Por seu turno, o FC Porto não conseguiu melhor do que um empate em Vila do Conde (2-2) alcançado já no último minuto do jogo. Em toda a segunda parte o Rio Ave foi melhor equipa em campo e não teria sido nenhum escândalo se tivesse ganho. Aliás, esteve sempre mais perto da vitória do que o Porto e poderia mesmo ter marcado mais golos se não fosse o árbitro ter desencantado um fora de jogo que somente ele viu.
 
O Braga, pelo contrário, foi dos três da frente o que ganhou com muita facilidade a um Guimarães (0-2) muito longe daquilo que tem sido nos últimos tempos e que certamente este ano se candidata a ser uma das piores equipas vimaranenses das últimas décadas.
 
Em Alvalade, o Sporting continua o calvário de jogos inconsequentes. Depois da derrota contra o Rio Ave e da vitória muito suada contra o Gil Vicente, aconteceu no fim-de-semana passado o empate contra o Estoril Praia (2-2). Um empate injusto e imerecido para os estorilistas que foram sempre a melhor equipa em campo. O Sporting, que realmente não joga nada, deve o empate ao árbitro da partida. Mais uma vez à semelhança do que tantas vezes tem acontecido o Sporting foi beneficiado pela arbitragem. Primeiro foi a não marcação de um penalty escandaloso a meio da primeira parte e depois uma expulsão incompreensível de um jogador do Estoril a quinze minutos da segunda. Com menos um jogador em campo durante um pouco mais de meia hora o Estoril perdeu algum do fulgor que até tinha tido e acabou por se deixar empatar a poucos minutos do fim do jogo. Entretanto, continua em Alvalade o “folhetim Sá Pinto”. É voz corrente entre os entendidos que a incompetente direcção sportinguista já despediu Sá Pinto, mas ainda não encontrou o pretexto certo para lhe comunicar o despedimento. Se os resultados do Sporting na Liga Europa e no campeonato continuarem como os actuais, ou piores, ainda este ano iremos assistir a muitas convulsões pelo lado de Alvalade.
 
Terminada a jornada com o excelente resultado da Académica na Madeira contra o Marítimo (0-2), a vitória suada do Gil Vicente sobre o Moreirense (4-3), a derrota do Olhanense em casa contra o Nacional (1-2), e o empate do Setúbal em Aveiro (1-1), segue-se a Liga dos Campeões.
 
Na jornada de hoje o Barcelona defronta o Benfica na Luz. Contando por vitórias todos os jogos disputados na Liga Espanhola, o Barcelona apresenta-se na Luz como o grande favorito não apenas ao jogo mas à vitória na competição. Paira uma certa curiosidade sobre como irá o Benfica afrontar a equipa maravilha destes últimos seis anos. Entre o receio de uma humilhação e a esperança num resultado que não deslustre, o benfiquista vão aguardando com ansiedade o jogo de logo à noite. Cresce a curiosidade sobre como irá Jesus “montar” a equipa, ele que é tão dado ao futebol ofensivo. Como irá o Benfica tentar neutralizar o trio maravilha do Barcelona (Xavi, Messi e Iniesta) a que se junta um lote de jogadores de excelente valia.
A resposta parece ser: se nem o Real Madrid, que tem os melhores jogadores do muno, joga de igual para igual contra Barcelona, não será certamente o Benfica que o irá fazer. Se o Benfica conseguisse repetir o excelente jogo que o ano passado o Porto fez contra os catalães na final da Supertaça já seria muito bom. Só que o ano passado, na altura do jogo, o Porto ainda estava muito embalado pelas vitórias da época passada. A tarefa do Benfica deve ser muito mais difícil...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

LUÍS FILIPE VIEIRA DERROTADO


 
O QUE SE SEGUE?

 

O património mais valioso do Sport Lisboa e Benfica, por muito que na sua história pesem os êxitos desportivos, era a sua origem popular e democrática. No Benfica sempre houve eleições livres no tempo da ditadura. Nenhum presidente do Benfica foi eleito ou reeleito sem ter de se bater contra um opositor. E mais de uma vez aconteceu o presidente em exercício perder as eleições no confronto com o outro candidato.

Nada disto se passava nos outros grandes clubes portugueses onde vigoravam princípios e métodos que nada tinham a ver com as regras democráticas.

No Sporting era a “aristocracia” sportinguista, sediada no Conselho Leonino, que tinha nas mãos os destinos do clube. Só muito recentemente o Sporting passou a ter eleições democráticas, mas ainda hoje se ressente desse seu passado “aristocrático”. Gonçalves foi, como se sabe, o primeiro presidente do Sporting eleito pelos sócios e depois, como a experiência foi má, entrou-se num período de co-optação em que as eleições apenas serviam para ratificar a escolha já feita e em exercício. Somente com Bettencourt e agora com Godinho Lopes se institucionalizou verdadeiramente a regra democrática.

No Porto, como toda a gente sabe, vive-se em ditadura com percentagens de aprovação que fazem da Coreia do Norte uma experiência quase democrática. Da única vez em que sob o consulado de Pinto da Costa alguém ousou desafiá-lo esse pobre candidato foi apodado de louco e só por um triz não correu o risco de internamento num hospital psiquiátrico no bom estilo brejnoviano.

Infelizmente, no Benfica durante a gestão de Vieira passou-se algo de semelhante. Pela primeira vez um candidato às eleições foi impedido de participar com base em artifícios estatutários. No fundo, mais perigosa do que a concorrência desse candidato era a ousadia de alguém desafiar o chefe. Era isso que se pretendia evitar. E foi isso que, para vergonha dos benfiquistas, aconteceu.

Felizmente que ontem, para alegria dos benfiquistas, ficou demonstrado que continua viva no clube a pulsão popular e democrática que sempre foi a sua matriz. O Relatório e Contas da gestão de Luís Filipe Vieira foi reprovado por uma margem significativa de sócios.

Vieira, se conhecesse a história do Benfica, se fosse um verdadeiro benfiquista e não um ex-sócio do Alverca, do FCP e do Sporting, demitia-se e convocava eleições. O “chumbo” das contas é também a expressão do descontentamento benfiquista pelos métodos e processos de gestão do Benfica. Não é, pelo facto, de Vieira ter apenas, como ele faz gala em afirmar, a quarta classe que ele deixa de ser quem é para passar a ser um lídimo representante do sentimento popular de que acima falámos. E o mesmo se diga da sua adesão aos princípios democráticos - o modo como trata os adversários internos e frequentemente se imiscui nos assuntos internos de outros clubes demonstra que Vieira não está à altura da tradição do Benfica. Está na hora de sair. E seria bom que ele percebesse isso e poupasse o Benfica a uma luta fraccionista certamente muito negativa para o futuro do clube. Que Vieira vá e que deixe aos benfiquistas o encargo de escolher o novo presidente entre os candidatos que se perfilam para o substituir.

 

 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

COISAS DO FUTEBOL PORTUGUÊS


 

A ARBITRAGEM SEMPRE NA ORDEM DO DIA

 

O Correio da Manhã de hoje noticia que o F. C. Porto teve no dia 14 de Setembro, em Lisboa, uma reunião secreta com o Conselho de Arbitragem, na qual teria “vetado” dois árbitros – Duarte Gomes e Bruno Paixão – para apitarem jogos da equipa. Segundo o jornal, Vítor Pereira e Lucílio Baptista estiveram presentes, mas não Luis Guilherme que declinou o convite para a referida reunião.

É claro que em Portugal nunca se vai saber se isto aconteceu ou não, embora nas declarações prestadas hoje por um membro da associação de árbitros a reunião não tenha sido negada. Negado, no sentido de que não parece crível, foi o veto dos árbitros.

A questão, porem, era fácil de resolver. Certamente o Conselho de Arbitragem tem uma agenda. A primeira coisa aa saber é se dessa agenda consta ou não aquela reunião. Se não constar, então, provando-se que ela teve lugar, ela terá sido uma reunião secreta. E se foi secreta todas as suspeições são legítimas.
E então se saberioa se, de facto, a arbitragem é dirigida de dentro para fora ou ...de fora para dentro.

 

Vítor Pereira, treinador do FCP, disse hoje ou ontem aos jornais que não apenas quer ganhar o próximo jogo do campeonato contra o Rio Ave, mas “aumentar mais a vantagem para os adversários”. Ora vamos lá recapitular para ver se eu percebi: Vítor Pereira quer ganhar, quer fazer três pontos contra o Rio Ave. Mas quer também aumentar a vantagem. Mas como, se a vitória do Porto só vale três pontos? Então, isso significa que para aumentar a vantagem ele tem de interferir nos jogos dos adversários directos (o Benfica, obviamente). E como pode ele interferiu num jogo em que não participa, em que não é parte? Que relação existe entre este parágrafo e o anterior? Essa a grande questão…

 

Jorge Jesus quer ganhar em Paços de Ferreira (quem não quer?) e diz que o Benfica tem de estar preparado para superar obstáculos externos. Até aqui tudo bem. Mas afirma a seguir que a grande prioridade do clube é o campeonato. Então, a Liga dos Campeões, a Taça de Portugal não são prioridades? Lamentável que na véspera de um jogo contra o Barcelona na prova mais famosa do calendário futebolístico europeu o treinador do Benfica venha dizer que a prioridade é o campeonato…

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

AS QUEIXAS DO BENFICA


EMPATE EM COIMBRA
Académica vs Benfica (LUSA)


Antes de mais é importante que se diga que é objectivamente positivo que um árbitro, no campeonato português, tenha a coragem de marcar no mesmo jogo dois penalties contra um “grande”, desde que, obviamente, haja razões para crer que as faltas que os determinam existiram mesmo.
 
Puxando o filme atrás. O ano passado o Sporting fez uma barulheira incrível por Bruno Paixão lhe ter assinalado dois penalties seguidos no jogo contra o Rio Ave. Teria sido ridículo se subjacente àquela falsa indignação não estivesse presente a ideia de que nenhum árbitro em Portugal tem o direito de fazer isso ao Sporting. Os penalties, como todos se recordarão, foram bem assinalados, embora relativamente ao primeiro, depois de muitas visualizações, se pudesse suscitar a dúvida se a falta foi cometida dentro ou fora da área.
 
Ontem aconteceu algo de sensivelmente idêntico. O Benfica também não aceitou os penalties de Carlos Xistra marcados contra si, mas já considera indiscutível (e foi) o que puniu a Académica, bem como a sanção aplicada ao jogador infractor (aceitável, mas discutível).
 
 
No jogo de ontem é até possível que nenhuma das duas faltas assinaladas contra o Benfica causadoras de duas grandes penalidades fosse merecedora daquele castigo máximo. É possível, mas não é óbvio. No lance que originou a primeira grande penalidade Maxi Pereira comete indiscutivelmente falta sobre o avançado da Académica. É um lance muito rápido que se desenrola quase sobre o risco da área. Com a imagem parada percebe-se que a falta se inicia fora da área, mas a dúvida é legítima. No segundo lance, Garay corta a bola legalmente, mas depois propositadamente ou não impede a passagem do avançado da Académica que tenta furar por onde manifestamente não cabia. Este parece um lance que suscita menos dúvidas que o anterior, mas vendo-o à velocidade normal é legítima a dúvida sobre a sua legalidade. Portanto, tem de se aceitar a decisão do árbitro, se a interpretação que ele fez do lance o leva a concluir pela existência da falta máxima.
 
A polémica à volta destes penalties surge, diga-se o que se disser, não por eles terem sido marcados nas condições que o foram, mas por haver na maior parte das pessoas a convicção segura de que em caso algum idêntica ou semelhante situação teria o mesmo desfecho contra o F. C. do Porto. Esse é que é o problema. E é um problema grave. É capaz, um árbitro português, num jogo de campeonato, de marcar contra o FCP dois penalties nas mesmas condições em que ocorreram os de Coimbra ou nas condições em que ocorreram os de Vila do Conde no jogo do Sporting? Mais de oitenta por cento dos inquiridos diria não sem hesitar! E enquanto esta situação existir – e ela existe – o futebol português continuará inquinado de suspeição. Com a agravante de nunca se provar nada, mesmo quando se “ouvem” os prevaricadores a cometerem o delito!
 
No que toca ao jogo de Coimbra, o Benfica tem de se queixar de si próprio. É inadmissível falhar situações de golo feito como as que o Benfica falhou na primeira parte. É também claro que o Benfica está mais fraco. Mais fraco e mais inseguro, depois das transferências (inevitáveis) do mercado de Verão. Dois empates em quatro jogos não auguram nada de bom…
 
O jogo terminou com o empate a duas bolas, as da Académica na conversão de duas grandes penalidades, como já se deixou dito, e as do Benfica na conversão de um penalty por Cardozo, depois de mão na bola de Galo, e o segundo golo a quatro minutos do fim num "tiro" de fora da área de Lima, que se estreou (oficialmente) a jogar e a marcar.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A LIGA DOS CAMPEÕES (CONT.)


A SEGUNDA PARTE DA PRIMEIRA JORNADA

 

No segundo dia da primeira jornada da Liga dos Campeões, o Benfica empatou na Escócia contra o Celtic de Glasgow a zero. Pela primeira vez em quatro jogos contra o Celtic, na Escócia, o Benfica não perdeu, mas também ainda não foi desta que ganhou. E todavia nunca o Benfica havia defrontado um Celtic tão fraco como o de ontem à noite.

Sobre a equipa do Benfica pairava a enorme expectativa de saber como é que ela se comportava depois das saídas de Javi Garcia, Witsel e Saviola (que, em princípio, já não voltam mais) e com as ausências forçadas de Maxi e de Luisão, ambos por castigo. Foi evidente para toda a gente que a equipa se ressentiu, e muito, das ausências de Javi e de Witsel, com as quais tem de passar a conviver, mas também com as de Maxi e Luisão, porventura mais com a do primeiro do que com a do segundo. No que toca a Saviola, verdadeiramente só jogou com regularidade no Benfica no seu primeiro ano. E o resultado viu-se: Saviola foi o segundo melhor marcados da equipa e o Benfica foi campeão. Coincidência ou não, depois de Saviola ter perdido a titularidade nunca mais o Benfica competiu, a sério, pela conquista do título. Saviola parece estar a querer repetir no Málaga a sua primeira época no Benfica.

Diz a crítica que o Benfica, ontem, jogou bem na defesa e falhou no ataque. Não se pode dizer que tenha jogado bem na defesa contra uma equipa que, apesar de muito voluntariosa, nunca criou problemas. E também não se pode dizer que se não sentiu a falta do labor atacante de Maxi, porque sentiu, e muito, por acertadamente que o jovem André tenha estado. No meio da defesa, Jardel não comprometeu, mas não dá a mesmo segurança de Luisão. Enfim, a defesa fez o que lhe competia a defender – não deixou marcar golos – mas ficou muito aquém do que poderia fazer na ajuda ao ataque. E, no meio campo, Matic não é Javi nem Enzo Perez é Witsel. Mas este é assunto sobre o qual não adianta tecer grandes considerações porque o Benfica vai ter de jogar com os jogadores que lá tem e não com os que vendeu.

Na frente a decepção não poderia ser maior. Nem Salvio esteve á altura do que já fez nos três jogos do campeonato, nem Rodrigo, muito desamparado, deixou a ideia de que possa jogar tão desacompanhado. Aimar jogou muito longe da frente e Gaitan perdeu-se em individualismos e na hora de rematar, na única oportunidade de que dispôs, atirou contra as pernas do adversário.

Cardozo, Bruno, César e Nolito que entraram no decorrer do jogo para a substituição, respectivamente, de Aimar, Rodrigo e Gaitan também não acrescentaram nada, embora Bruno César seja um jogador com que o Benfica tem de contar em todos os jogos.

E foi assim num jogo muito enfadonho, sem emoção, pobre e triste que o Benfica evitou pela primeira vez a derrota na Escócia, o qual por essas mesmas razões também impediu que o Benfica de lá tivesse saído vitorioso pela primeira vez.

No outro jogo do grupo, o Barcelona teve de recorrer ao melhor Messi para levar de vencida um jogo em que esteve a perder por 2-1. A reviravolta no resultado (3-2) aconteceu, mais uma vez, por obra de Messi. Parece que este Barcelona de Tito Villanova tem de recorrer muito mais que o anterior ao talento individual de Messi para resolver problemas que o colectivo não soluciona.

O Spartak de Moscovo, pelo menos no jogo de ontem, demonstrou ser uma equipa difícil, daí que o empate do Benfica em Glasgow não seja, ao contrário do que diz Jorge Jesus, um bom resultado.

Nos demais jogos, o Chelsea empatou a dois com a Juventus, apesar da excelente exibição de Óscar; o Shakhtar Donetz ganhou naturalmente ao Nordsjaelland por 2-0; o Bate Borisov ganhou em Lille por 3-1; o Bayern ganhou em Munique, como lhe competia, ao Valencia por 2-1; e, finalmente, no grupo H, o Cluj derrotou surpreendentemente o Braga na Pedreira por 2-0; e o Manchester United ganhou em casa ao Galatasaray por 1-0.

 

A LIGA DOS CAMPEÕES


 

A PRIMEIRA PARTE DA PRIMEIRA JORNADA

 

Depois de quase vinte dias sem futebol de clubes, o futebol regressou na passada terça-feira com o começo da primeira jornada da Liga dos Campeões.

O Porto estreou-se a ganhar contra uma equipa fraca – Dínamo de Zagreb – num jogo onde não se sentiu a falta de Hulk tal foi o domínio exercido sobre a equipa croata. Na Liga dos Campeões, não obstante o nome, há sempre equipas fracas, às vezes em vários grupos e não apenas num, consistindo o mérito de quem participa na prova em ganhar a essas equipas tanto fora como em casa. Foi o que o Porto fez. Portanto, a sua prestação foi irrepreensível.

Na terça-feira o jogo mais emotivo foi sem dúvida o que em Santiago de Bernabéu pôs frente aa frente o Real Madrid, campeão de Espanha, e o Manchester City, campeão de Inglaterra. A primeira parte foi quase toda do Real Madrid que até conseguiu, desta vez, superar as tradicionais dificuldades atacantes quando joga contra equipas que tendem a ter os dez jogadores atrás da linha da bola. Não que durante esse período tenha marcado qualquer golo, mas porque conseguiu, contra o que é habitual, rematar com perigo por várias vezes às redes de Hart – um excelente guarda-redes – quase sempre de fora da área. Se na primeira parte o domínio do jogo pertenceu indiscutivelmente ao Real não é menos verdade que, na segunda parte, as coisas mudaram e poderiam mesmo ter terminado em catástrofe para Mourinho se os deuses da fortuna não tivessem estado mais uma vez pelo seu lado. Depois de ter rondado a baliza madrilista com perigo, quase sempre mediante iniciativas desse extraordinário Yaya Touré, o City acabou por marcar por Dzeko fazendo jus ao domínio que a equipa vinha exercendo.

Só que o Real Madrid também tem nas suas fileiras dos melhores jogadores do mundo. E um deles é Marcelo, esse fantástico lateral esquerdo, a cuja técnica e grande classe de execução se deve o empate. Quando o jogo se aproximava do seu fim, com o City sempre mais perigoso, a equipa inglesa desempatou de livre eximiamente marcado por Kolariov aparentemente com culpas para a defesa adversária, embora ao mais alto nível haja cada vez mais golos como o de Kolarov. Um golo que se supunha ter decidido a partida. Faltavam cinco minutos para o fim do jogo. Com o Real por baixo e a perder antevia-se um tempo muito difícil para Mourinho, tanto dentro da equipa, como fora. Mas os deuses têm um pacto com o homem de Setúbal. Dois minutos depois Benzema rodou sobre si próprio e sobre os adversários que o marcavam e conseguiu à entrada da área descortinar um espaço por onde a bola iria passar em direcção ao golo. Com as duas equipas a querer ganhar o jogo, apesar de se estar a jogar já o tempo de compensação, foi o Real Madrid a equipa mais feliz. Ronaldo do lado esquerdo do seu ataque flectiu ligeiramente para dentro e da esquina da área rematou com força e quase à figura do guarda-redes. Acontece que o defesa do City (Kompany) que estava entre ele e o seu guarda-redes por receio ou para deixar passar a bola na direcção de Hart encolheu-se (agachou-se) e a bola, passando sobre a sua cabeça, a meia-altura, acabou por enganar o guarda-redes. Foi o delírio em Chamartin. Mourinho suspirou de alívio e extravasou a sua ansiedade festejando o golo como se tivesse sido ele a marcá-lo. Com esta vitória ninguém mais se lembrou nem quis saber dos motivos por que Sérgio Ramos não jogou. O ambiente mantém-se tenso, mas para já Mourinho conseguiu adiar ou mesmo eliminar (adiante se verá) o que se estava a antever…

Nos demais jogos o que há de mais saliente é a vitória do Málaga por 3-0 sobre o Zénite, que alinhou com Hulk e com Bruno Alves, mas sem Witsel. Saviola, em grande forma, voltou a marcar. Quanto ao resto – vitória do PSG sobre o Dínamo de Kiev (4-1); do Borússia Dortmund sobre o Ajax (1-0); do Arsenal em Montpellier (1-2); do Schalke 04 em Atenas sobre o Olympiacos (1-2) - quase tudo normal, salvo o empate em casa do Milan com o Anderlecht (0-0).

domingo, 9 de setembro de 2012

TRISTE VITÓRIA DA SELECÇÃO


ASSIM NÃO VÃO LÁ
 

A selecção portuguesa derrotou, penosamente, os amadores do Luxemburgo pela diferença mínima (2-1).
 
Num jogo marcado pela “tristeza de Cristiano Ronaldo”, o ególatra que ganha num ano o que milhões e milhões de portugueses nunca ganhariam em várias vidas, a selecção ressentiu-se, como não poderia deixar de ser, da ausência de uma voz que tivesse sabido pôr termo, com as palavras justas, a essa inacreditável farsa do rapaz da Madeira.
 
Em campo, a selecção foi uma triste sombra daquela que jogou as últimas partidas do Europeu. Apostando no mesmo alinhamento, Paulo Bento não conseguiu que os jogadores interiorizassem a importância do jogo que estavam a jogar. Um jogo que, só por um triz, não traiu logo à partida as esperanças de estar presente no Brasil em 2014.
 
Contrariamente ao que os jogadores parecem supor, o grupo de Portugal não vai ser um passeio fácil até às terras de Vera Cruz. A Rússia será o adversário certamente mais perigoso, um adversário que vai levantar muitas dificuldades em casa, mas seria errado desprezar ou menosprezar os demais parceiros do grupo, nomeadamente Israel, que é sempre um adversário temível tanto em casa como fora.
 
Veremos terça-feira como tudo evoluirá.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O FUTEBOL NACIONAL E AS TRANSFERÊNCIAS


HULK E WITSEL NA RÚSSIA


Enquanto o Benfica e o Porto com mais ou menos dificuldade vão assumindo a liderança da Liga, com duas vitórias e um empate, distanciando-se do Braga e do Sporting, este com um jogo em atraso, os adeptos das duas equipas vão ficando seriamente apreensivos com a consistência dos respectivos plantéis, principalmente no que toca à sua competitividade na prova máxima do futebol europeu.
 
O Benfica partiu para esta época com um plantel invejável, recheado de grandes jogadores em quase todos os sectores, salvo porventura no lado esquerdo da defesa, o que, em seu tempo, levou o presidente a afirmar que o Benfica iniciaria a época com um dos mais talentosos plantéis da sua história, capaz de causar inveja a qualquer grande europeu.
 
De então para cá, o Benfica, referindo apenas as grandes vedetas, perdeu Saviola para o Málaga, Javi para o Manchester City e Witsel para o Zénite. Ou seja, de um momento para o outro ficou sem os dois mais consistentes jogadores do meio campo, agora reduzido a Matic, Carlos Martins e Aimar. Pouco, muto pouco para uma época em várias frentes. Mas não só. Na defesa, para além de Maxi, Luisão, Garay e o adaptado Melgarejo, o Benfica pouco mais tem. Ou melhor: não tem rigorosamente ninguém capaz de se assemelhar a qualquer um dos quatro titulares. Em contrapartida, na frente, principalmente nas alas, tem extremos que davam para duas equipas. No centro, incluindo o segundo ponta de lança, tem Cardozo, Lima e Rodrigo. Portanto, um plantel muito desequilibrado com poucas hipóteses na Europa, onde acima de tudo conta, como se sabe, a consistência e a solidez sectorial e com as hipóteses em Portugal condicionadas à competitividade do Porto, do Braga e do Sporting, bem como à real valia das demais equipas, o que é ainda cedo para se avaliar.
 
O Porto apenas perdeu Hulk, o que é muito, mas bem menos do que poderia ter perdido. A falta de Hulk, tão como a de Falcao no ano passado, é insuprível no quadro das disponibilidades do respectivo plantel. Por mais falta que Hulk venha a fazer – e vai certamente fazer muita falta – o Porto fica mesmo assim mais equilibrado do que o Benfica. Fica com uma baixa de vulto na frente internacional e talvez com uma baixa menos notada na frente interna.
 
Hulk acabou por ser vendido por um preço (40 milhões) bem inferior ao que Pinto da Costa apregoava como indispensável para começo de conversa. Mesmo assim foi bem vendido. Nenhum clube na Europa ocidental daria esse dinheiro por ele.
 
No que toca ao Benfica, Javi terá sido transferido pelo preço justo (20milhões) enquanto Witsel foi vendido por um preço (40 milhões) somente ao alcance de quem não dá qualquer valor ao dinheiro…por não ter tido qualquer trabalho em “ganhá-lo”. De facto, somente os oligarcas russos que se apoderaram dos bens do povo na famigerada gestão Yeltsin ou a camarilha árabe do petróleo podem pagar as verbas por que estão sendo comprados os jogadores este ano transferidos para os clubes de que são proprietários.
 
Do ponto de vista dos clubes portugueses não havia como declinar tais propostas por mais nocivas que elas venham a revelar-se no plano desportivo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

COITADO DO CRISTIANO RONALDO


 
TÃO DEPRIMIDO NAS SENSAÇÕES!
 
É óbvio que Cristiano Ronaldo não faz a menor ideia de quem é “Álvaro de Campos”. Nem como profissional de futebol, que veio para Lisboa com onze anos de idade para “aprender” na escola do Sporting, tinha que o saber.
Mas como craque de futebol universalmente conhecido, que ganha e gasta rios de dinheiro, poderia ter reservado uma pequenina parcela para a aprendizagem de boas maneiras desportivas e sociais em geral. Coisas como, por exemplo: saber como dirigir-se a pessoas que exercem funções representativas de relevo por decisão democrática da comunidade; referir-se publicamente a colegas de profissão, sejam seus companheiros de equipa ou não; felicitar, ou simplesmente cumprimentar, os adversários a quem por mérito próprio – e também por decisão democrática, posto que restrita – foram atribuídos prémios desportivos; enfim, comemorar com os colegas de equipa os feitos por estes cometidos na equipa a que pertence e não apresentar-se publicamente como o centro do mundo, um ególatra, possuído de um egoísmo desmedido e de uma auto-idolatria desportivamente estúpida.
É óbvio que quem assim se comporta perante colegas com personalidade não pode esperar deles amizade nem admiração pessoal. Podem reconhecer-lhe os méritos técnicos e as suas capacidades desportivas, mas detestam-no pessoalmente. E isso é absolutamente normal. Como também é absolutamente normal no futebol o contrário. Ou seja, um indivíduo sem grandes qualidades humanas fora do campo ter no relvado e nas atitudes associadas ao fenómeno desportivo um comportamento exemplarmente solidário e altruísta. Podem os colegas não conviver com ele fora do fenómeno do futebol mas no campo, e em tudo o que a ele estiver ligado, ele poderá sempre contar com a solidariedade e com o apoio sem reticências de todos os colegas.
Portanto, é perfeitamente natural que o comportamento de Ronaldo não gere na equipa em que está integrado relações de solidariedade, assim como também é perfeitamente natural que os espanhóis do Real Madrid tenham uma relação de sadia camaradagem e até de profunda amizade com os espanhóis do Barcelona forjada em anos e anos de camaradagem nas selecções de Espanha. Mourinho quis fazer de cada adversário forte um inimigo perigoso a abater; Ronaldo quer que os colegas de equipa, nomeadamente - mas não só - os espanhóis do Real Madrid, não tenham hesitações na escolha entre ele e os seus "inimigos pessoais" como melhor jogador do mundo, da Europa ou seja lá do que for. "Inimigos" cujo crime consiste em repartirem com ele o talento para jogar futebol.
Em conclusão, Ronaldo socialmente falando não é exemplo para ninguém no plano desportivo. Não se trata de ser mau profissional no apuramento das suas qualidades exclusivamente futebolísticas. Nada disso. Trata-se do seu relacionamento com as pessoas, desde logo com os colegas de profissão, como desportista. Provavelmente na sua ignorância sociológica Ronaldo apreciará instintivamente os servos, mas rejeitará os pares. E quem não aceita os pares não pode esperar deles reconhecimento.
É apenas isto o que se passa com Ronaldo e nada mais. Explicações baseadas na xenofobia, no anti portuguesismo e outras tonteiras do género não fazem neste caso o menor sentido nem têm qualquer capacidade explicativa. O problema não tem nada a ver com a nacionalidade, mas apenas e só com a personalidade...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

ANDRÉS INIESTA, O MELHOR DA UEFA


 

UM PRÉMIO MAIS QUE MERECIDO
Andrés Iniesta, Mejor Jugador de la UEFA
 

 

Iniesta, o excelente jogador do Barcelona e da selecção espanhola, ganhou hoje à tarde o prémio de melhor jogador da UEFA. Votado por 53 jornalistas, representativos das federações europeias, Iniesta sucede a Messi neste novel prémio, numa vitória porventura indiciadora de uma nova consagração lá mais para o fim do ano.

A atribuição a Iniesta do prémio de melhor jogador da UEFA é justíssima. Iniesta tem sido ao longo destas últimas épocas um nome incontornável no Barcelona e na selecção espanhola. Para além das suas exibições, da sua classe, o prémio também simboliza e homenageia a valia do jogador espanhol. A Espanha foi como se sabe consecutivamente campeã da Europa, do Mundo e da Europa; compreender-se-ia mal que não houvesse um jogador espanhol premiado. A vitória de Iniesta por essa razão é também a vitória dos jogadores espanhóis do Real Madrid e do Barcelona, bem dos demais que, jogando noutras equipas, têm dado o seu contributo à selecção nos últimos anos.
Para ganhar Iniesta teve de vencer o insuperável Messi, que o ano passado marcou mais de 50 golos, mas não ganhou o campeonato nem a Liga dos Campeões e o mediático Cristiano Ronaldo, que ganhou o campeonato espanhol, marcou igualmente muitos golos, mas menos que Messi, e que não teve uma prestação excepcional no Europeu.

Iniesta é, além do mais, a anti-estrela, a negação da vedeta moderna. Ele exibe-se no campo e não nas redes sociais, nem tão-pouco tem ao seu serviço um poderosíssimo serviço de marketing. É um rapaz modesto e simples que não procura a ribalta nem se prevalece da sua grande classe para permanentemente se pôr em bicos de pés. Daí que a sua vitória seja unanimente saudada pelos adeptos do futebol em todo o mundo.
É uma vitória justa e merecida. Parabéns Iniesta!

MOURINHO FINALMENTE VENCEU O BARÇA EM CASA




 

REAL MADRID GANHA A SUPERTAÇA
 
El Barça ha salido derrotado en el Bernabéu
 

Depois de dias muitos tensos no balneário do Real Madrid na sequência da derrota contra o Getafe, Mourinho pôde finalmente experimentar o gosto da vitória contra o Barça no Santiago de Bernabéu onde nunca havia vencido o rival que ensombra os seus pesadelos.

Foi difícil ver o jogo na Sport TV. Primeiro, porque as transmissões espanholas não são como as inglesas – em Espanha o que se passa no campo, passa-se lá muito longe, tão longe como se o espectador estivesse no estádio no lugar mais distante do relvado – e depois, porque o comentador daquela estação televisiva não deixa ver o jogo – perturba o espectador com a sua interminável conversa e o seu conhecido facciosismo. Quando se poderá ver em Portugal um jogo de futebol apenas com o som ambiente? Ver o jogo em casa sem ser perturbado pelos comentadores?

O Real Madrid começou arrasador. Jogando largo, com passes compridos para explorar as correrias de Ronaldo, Mourinho pôde assim surpreender Vilanova por duas vezes antes dos primeiros vinte minutos de jogo – uma por Higuain, a passe longo de Pepe e erro clamoroso de Mascherano, outra por Ronaldo numa admirável faena sobre Piqué, também na sequência de um passe longo.

Depois do 2-0 o Real continuou no mesmo ritmo até à expulsão de Adriano aos 27 minutos. O Barça estava aturdido com o jogo do adversário que poderia ter sentenciado a partida um pouco depois, aos 31 m, por Khedira. Mas Valdés estava lá. Higuain ainda voltou a falhar logo a seguir e por aí se ficou a prestação dos madrilenos.

Alex foi substituído por Montoya para colmatar a saída de Adriano e o Barça começou a recompor-se. Antes do fim da primeira parte Messi, num livre à entrada da área, reduziu para 1-2 num excelente golo.

Na segunda parte só houve Barcelona. Com dez elementos em campo, o Barcelona mandou no jogo e encheu o campo. Por várias vezes o empate esteve à vista, mas no frente a frente com Pedro, Tello, Montoya e Jordi Alba, Casillas levou sempre a melhor assegurando com a sua grande classe a vitória do Real Madrid.

Perto do fim do jogo, depois de um intenso domínio do Barça durante toda a segunda parte, Ronaldo e Modric tiveram o terceiro golo nos pés, mas Valdés evitou o golo. Mesmo no fim do jogo, na última jogada, Messi inventou um espaço à entrada da superpovoada área do Madrid, mas a bola saiu ao lado.

A vitória de ontem é para Mourinho uma vitória importante, embora dos quatro títulos em jogo esta época este seja o menos valioso. Nos confrontos com o Barcelona, Mourinho, como treinador do RM, ganhou pela terceira vez um título – Taça de Espanha, Campeonato e Supertaça, por esta ordem – e venceu pela primeira vez no Santiago de Bernabéu o grande rival. Com a de ontem, Mourinho, no RM, soma três vitórias sobre o Barça - todas lhe garantindo um título - muitas derrotas, alguns empates e vários títulos perdidos.

Com uma equipa recheada de supercraques, com um banco tão valioso como os que estão em campo, Mourinho tem tudo para fazer uma grande época. Se não a fizer com estes jogadores, quando aa fará?