domingo, 1 de abril de 2012

BENFICA VENCE BRAGA



PORTO NA FRENTE
Encarnados na luta pelo título após vitória dramática



Contrariando as previsões mais pessimistas, o Benfica venceu em casa o Sporting de Braga por 2-1, ascendendo ao segundo lugar da classificação, agora liderada pelo Porto, que, depois de vencer o Olhanense por 2-0, beneficiou do resultado da Luz.

Apesar de o Braga nas dezenas de confrontos travados com o Benfica para o campeonato só ter vencido em Lisboa uma vez, por 1-0, há mais de meio século, não eram poucos os que admitiam a repetição dessa façanha no jogo de ontem. O passado recente do Benfica e a série de treze vitórias consecutivas do Braga apontavam mais naquele sentido do que numa vitória do Benfica.

  Porém, bem cedo se percebeu que o Benfica não iria ser uma presa fácil. Contrariamente ao que os resumos televisivos e os comentários que os acompanham podem deixar transparecer, o Benfica foi mais dominante durante toda a primeira parte embora não tivesse desfrutado de grandes ocasiões de golo, não obstante as muitas jogadas que protagonizou perto ou dentro da área do Braga. E até foi o Braga que mesmo sobre o fim da primeira parte criou mais perigo. Mas foi uma jogada isolada. As restantes resultantes de um livre marcado por Hugo Viana sobre a barra ou de contra-ataques rápidos nunca chegaram a incomodar verdadeiramente o Benfica.

Durante toda a primeira parte o Braga jogou na contenção, tentando explorar uma ou outra transição e não deixando mesmo, aqui ou ali, de ir fazendo algum anti-jogo. O empate servia-lhe.

Na segunda parte o jogo foi mais vivo e mais repartido. O Benfica beneficiou logo no recomeço de uma excelente oportunidade que Witsel não conseguiu concretizar depois de um passe do atabalhoado Cardozo. Quim defendeu o remate do belga, quando este já se encontrava numa posição difícil, mal enquadrado com a baliza.

Do lado do Braga houve duas grandes oportunidades, uma num remate em jeito de Lima que antecipando-se a Luisão fez a bola rasar a trave e outra lá mais para a frente quando o mesmo Lima, beneficiando da lesão de Miguel Vítor, progrediu sozinho pela direita e centrou para Mossoró de cabeça desperdiçar mesmo em frente da baliza.

O Benfica foi tentando sempre, ora por Rodrigo, Bruno César ou Gaitan, mas os remates ou erravam o alvo ou eram defendidos.

A lesão de Miguel Vítor obrigou o Benfica a fazer recuar Javi Garcia para central e a entrar Matic para o seu lugar. Antes, porém, já Cardozo, completamente apagado, havia cedido o lugar ao jovem Nélson Oliveira que deu outra vivacidade ao jogo de ataque. Mais tarde, Rodrigo seria substituído por Nolito.

Quando o jogo se aproximava do fim, com o Braga satisfeito com o resultado e o Benfica a ver fugir-lhe a possibilidade de continuar a lutar pelo título, o defesa do Braga  Elderson, numa bola relativamente inofensiva, entrou imprudentemente sobre Bruno César, derrubando-o, depois de lhe ter dado uma valente cabeçada na nuca. Como não poderia deixar de ser, o árbitro assinalou penalty.

Witsel com calma e classe fez golo e a Luz respirou de alívio. A vitória estava a um passo de ser conseguida. Só que quatro minutos depois, Capdevilla numa disputa de uma bola sobre a lateral esquerda deu um ligeiro encosto em Paulo César que se deixou cair. O árbitro assinalou falta, que Hugo Viana marcou a meia altura em direcção à baliza. Artur defendeu ligeiramente para o lado e Elderson, que havia cometido o penalty, redimiu-se fazendo o golo na recarga.

Apesar de se saber como Hugo Viana marca aqueles livres, apesar de o Benfica já ter sofrido golos daqueles contra o Braga e outras equipas, directamente ou na sequência do livre, a ideia com que se fica é que a equipa da Luz não aprendeu a lição. A barreira de dois jogadores parece manifestamente insuficiente ou mal feita e a formação de uma linha à frente do guarda-redes com os defesas de costas e os avançados de frente, na expectativa de explorar um hipotético fora de jogo - que, mesmo quando existe, nem sempre é marcado - revelou-se mais uma vez fatal. É altura de rever os processos e ponderar se vale a pena continuar a apostar no fora de jogo, nomeadamente quando a linha se forma poucos metros à frente da baliza. Não seria preferível, nesses casos, ter alguns defesas de frente para a bola?

Com o jogo empatado, voltou a pairar na Luz o espectro de mais uma prova ingloriamente perdida e ainda por cima, mais uma vez, em casa.

É certo que o Benfica continuou a tentar, mas o tempo escasseava. O árbitro concedeu quatro minutos de compensação e quando decorria o segundo minuto Gaitan na direita fez uma excelente jogada endossando a bola a Bruno César que, no coração da área, com muitos jogadores pela frente, colocou rasteiro do seu lado esquerdo fora do alcance de Quim fazendo o golo da vitória.

Estava relançada a euforia na Luz com a possibilidade de continuar a lutar pela vitória no campeonato. O jogo terminou logo a seguir.

Do jogo resulta como ponto negativo para o Benfica a lesão de mais um central. Depois de Garay e Jardel também agora Miguel Vítor vai ficar de fora. E Luisão queixou-se muito na primeira parte, aparecendo na segunda com uma ligadura sobre o joelho esquerdo.

Como ponto positivo, muito positivo, aquilo que parece ser o renascimento de Rodrigo tão importante quanto é certo o seu apagamento ou ausência durante os últimos dez jogos ter coincidido com a quebra de forma da equipa. Bruno César é sempre um jogador importante tanto pela combatividade que põe no jogo como pela capacidade de resolver nos momentos decisivos. Gaitan também parece estar a subir, mas ainda é cedo para o dizer. Javi mantém-se em excelente forma e é neste momento o grande pilar da equipa. Finalmente, Capdevilla é muito mais jogador que Emerson tanto a defender como a atacar ou a passar e só mesmo a má vontade e a casmurrice de Jesus o poderão levar a não o confirmar como titular.

Aliás, foram manifestamente infelizes mais uma vez declarações de Jesus, no fim do jogo, sobre Capdevilla, embora no fim as tivesse tentado remediar.

Sem Aimar, este ano, o Benfica ganhou sempre. E o jogo de ontem confirmou a regra.

A equipa de arbitragem esteve bem e os jogadores também não complicaram.

quarta-feira, 28 de março de 2012

CHELSEA DERROTA BENFICA



AS MEIAS-FINAIS MAIS LONGE

Londrinos vencem na Luz graças a golo de Kalou



Há que ser realista: as prestações do Benfica desde a derrota em S. Petersburgo não deixavam antever nada de muito positivo para este jogo. O Benfica da actualidade não é o Benfica espectacular que ganhou o campeonato há três anos, não é também o Benfica que na época passada ganhou uma série de jogos até à derrota em Braga, nem tão-pouco o Benfica deste ano até ao jogo na Rússia.

É um Benfica mais lento, mas nem por isso melhor posicionado, é um Benfica menos espectacular e sem soluções criativas. Parece que os jogadores foram acometidos de uma qualquer maleita que lhes restringe a imaginação.

Aparentemente, o mal chama-se deficiência física. Aconteceu este ano, sem as actuais consequências, algo de semelhante antes do Natal. Mas tudo se resolveu com a paragem de Inverno. O Benfica parece necessitar de uma paragem. Não a pode ter. Pior: esta é a fase da época em que deveria estar a cem por cento. E não está.

Desde S. Petersburgo o Benfica apenas ganhou quatro jogos: Zénite, Paços de Ferreira, Porto e Beira-Mar – o primeiro para a Champions League, o segundo e o quarto para o Campeonato; e o terceiro para a Taça da Liga. Perdeu quatro: Zénite, Guimarães, Porto e Chelsea – o primeiro e o quarto para a Champions League; o segundo e o terceiro para o Campeonato. Empatou dois: Académica e Olhanense para o Campeonato.

No conjunto, marcou catorze golos e sofreu treze. Portanto, a probabilidade de o Benfica reverter o resultado de hoje à noite na Luz, derrota por 1-0, é muito baixa. Este Benfica não tem condições físicas nem sequer anímicas para virar o resultado.

O jogo de hoje foi um jogo morno, jogado à feição dos interesses do Chelsea, que tinha todo o interesse em adormecer o jogo pelo maior lapso de tempo possível até que a ansiedade desequilibrasse o Benfica e lhe permitisse marcar como veio a acontecer.

Contrariamente ao que era a tradição do Benfica europeu foi muito pausada a entrada no jogo e assim se manteve durante toda a primeira parte. As oportunidades foram quase nulas para o Benfica(há um remate ao lado de Cardozo) embora o Chelsea tenha rematado por duas vezes com algum perigo, primeiro por Torres depois por Meireles.

Na segunda parte o Benfica tentou espevitar o jogo, mas nunca foi verdadeiramente perigoso, embora tenha feito alguns remates que poderiam ter dado golo – uma cabeça de Jardel, um remate de Cardozo e talvez outro de Nolito. E é tudo.

Pelo contrário, do lado do Chelsea o golo resulta de uma boa jogada conduzida por Ramires e depois por Torres e muito bem finalizada por Kalou, com erros de Emerson, de Jardel e mau posicionamento de Luisão, embora este fosse o que menos poderia fazer para o evitar. E o segundo, também num contra-ataque, só não surgiu por sorte.

O que é mais lamentável é que o Benfica não tenha ponta de criatividade para jogar devagar e pareça não ter força para jogar em velocidade.

Os “benfiquistas” do Chelsea, Ramires e David Luiz, foram muito bem recebidos na Luz, como seria de esperar e tanto um como outro fizeram excelentes exibições. Nem um nem outro têm substitutos à altura na equipa do Benfica, principalmente Ramires.

Do árbitro pouco há a dizer. Ou melhor: em Portugal dir-se-ia muito por não ter assinalado uma mão de Terry na área, considerada involuntária embora evidente, e há um remate de Cardozo que David Luiz defende sobre área sem se perceber bem se é com a mão ou outra parte do corpo. Incrível como não há uma câmara capaz de mostrar o lance!

A derrota do Benfica é também uma resposta a Jesus quando pediu a equipa inglesa. Depois tentou emendar com uma explicação que ninguém aceita, principalmente tendo em conta o que disse acerca do Real Madrid (que o não queria por ter lá muitos portugueses e outros jogadores oriundos do Benfica).

Tem-se discutido muito a razão da substituição de Aimar no jogo desta noite, pois sabendo-se que o argentino não poderá alinhar nos próximos dois jogos do campeonato tudo apontaria no sentido de ele se manter mais tempo em campo. Pareceu que Jorge Jesus, a partir de certo momento da segunda parte, por volta dos 70 minutos, estaria mais preocupado em não sofrer golos do que em marcá-los. Daí a razão de ter simultaneamente em jogo Javi, Witsel e Matic. Resultou mal, pouco depois da substituição de Aimar, o Chelsea marcou.

E com este golo a eliminatória ficou praticamente perdida. E vamos ver quantos jogos ganhará o Benfica até ao fim da época…


terça-feira, 27 de março de 2012

O SPORTING DE BRAGA NA FRENTE



MARÍTIMO TAMBÉM GANHOU
Braga vence Académica e assume a liderança da Liga


Com a vitória desta noite sobre a Académica por 2-1, o Braga assegurou o que no princípio do campeonato não passaria de um sonho das mentes mais imaginativas: estar à frente da prova a seis jornadas do fim!
Como aqui se tem dito, o Braga é a equipa mais regular e a que melhor futebol tem jogado pelo menos a partir do primeiro terço do campeonato. O Braga tem passado com extrema facilidade obstáculos que os outros dois candidatos ao título não conseguem contornar ou quando os ultrapassam é sempre rodeados de grandes dificuldades e não menores polémicas.
Foi assim em Paços de Ferreira, na Feira, em Barcelos, em Olhão e noutros campos. É certo que o Braga soçobrou na Liga Europa, na Taça de Portugal e, mais recentemente, na Taça da Liga, parecendo tudo apostar exactamente naquela prova que nunca foi reconhecida como o grande objectivo da equipa – o campeonato!
Com um ponto de vantagem sobre o Porto e com dois sobre o Benfica, o Braga pode encarar o próximo jogo da Luz com relativa tranquilidade: se ganhar distancia-se definitivamente do Benfica, se empatar mantém a diferença embora possa ser ultrapassado pelo Porto e somente se perder ficará com a vida um pouco mais complicada, mas não necessariamente arredado do primeiro ou do segundo lugar. Para o Benfica, pelo contrário, só um resultado lhe interessa – a vitória.
É certo que outros dois jogos difíceis esperam o Braga: o Porto em casa e o Sporting em Alvalade. Mas se o Braga ganhar na Luz, dificilmente o campeonato lhe fugirá. E mesmo se empatar, a vitória no campeonato continua ali, ao virar da esquina, desde que ganhe ao Porto, já que se não antevê que o desalentado Sporting, ansioso por terminar a época, tenha no último jogo a força anímica suficiente para contrariar o Braga.
No jogo desta noite, o Braga, como tantas vezes tem acontecido, começou bem com dois excelentes golos de Mossoró e de Lima, podendo ainda ter marcado mais algum.
Na segunda parte, porém, um “golão” de David Simão – os jogadores emprestados pelo Benfica fizeram nesta jornada o que os craques não foram capazes – sobressaltou o Braga que poderia ter empatado o jogo não fora uma ponta final extraordinária de Quim, que, depois do “frango” de Barcelos, salvou a equipa!
Queixa-se a Académica de uma grande penalidade não assinalada exibindo o seu presidente como prova uma camisola completamente rasgada de um seu jogador numa jogada na área do Braga. As televisões pudicamente nada mostraram e a RTP nem ao caso se referiu, ela que tanto prazer tem na crítica das arbitragens…
O Braga tem estado fora desta polémica (até ver…) e essa atitude aparentemente tem-lhe rendido frutos, como aconteceu no jogo contra o Leiria.
O Marítimo ganhou tangencialmente (3-2) ao surpreendente Gil Vicente continuando a remeter o Sporting para um desprestigiante quinto lugar!

segunda-feira, 26 de março de 2012

BENFICA E PORTO EMPATAM




BRAGA PODE SUBIR AO PRIMEIRO LUGAR


 

A jornada 24.º começou em Olhão e da pior maneira para o Benfica que depois deste regresso dos algarvios à primeira divisão ainda não conseguiu ganhar na "vila cubista”. Pelo terceiro ano consecutivo o Benfica empatou em Olhão, comprometendo seriamente as suas aspirações ao título e até ao segundo lugar.

E, mais uma vez, o Benfica só de si próprio pode ter razão de queixa. Uma primeira parte decepcionante, própria de quem esperava que algo acontecesse por acaso e não por mérito próprio. É certo que o Olhanense fez algum anti-jogo, mas não é menos verdade que o Benfica nada fez para o contrariar e, acima de tudo, não fez jogo.

Para uma equipa que diz manter intactas as aspirações ao primeiro lugar não deixa de ser estranho a apatia, a profunda apatia, com que encarou o jogo.

Na segunda parte Jesus fez entrar Aimar, mas na realidade pouco mudou. Aliás, Aimar dezassete minutos depois de ter entrado foi expulso numa jogada que poderia perfeitamente ter evitado. Não interessa saber se o grande maestro argentino agiu intencionalmente ou não: a decisão do árbitro está correcta e o Benfica não tem que se queixar da arbitragem. Embora tenha havido alguns erros, os maiores foram indiscutivelmente os praticados pelo clube da Luz.

No fim do jogo, Saviola, se estivesse a viver um período mais confiante, teria resolvido o jogo. Não o fez e esse falhanço também vem lembrar quão importante é, numa equipa como o Benfica, com o calendário sobrecarregado, ter uma dezena e meia de jogadores, ou até um pouco mais, que se sintam titulares para poderem estar sempre no máximo das suas faculdades quando entram em campo.

Na verdade, tem de ser motivo de profunda reflexão nas hostes benfiquistas o facto de nos últimos cinco jogos para o campeonato o Benfica ter somado apenas cinco pontos, perdido dez, marcado quatro golos e sofrido cinco! Francamente, que é que os árbitros têm a ver com isto! O Benfica não pode cair no ridículo em que está mergulhado o Sporting. Por um ou outro erro que tenha havido, e houve – há sempre! –, o erro maior é obviamente da equipa!

No dia seguinte, o Sporting lá ganhou dificilmente ao Feirense, último classificado, por 1-0. E os dirigentes leoninos e certamente os comentadores habituais da TV lá irão continuar com a conversa sobre os árbitros. O cúmulo do ridículo e da desfaçatez. De facto, quantas mais vezes se vêem as imagens da arbitragem de Bruno Paixão no jogo de Barcelos, mais se conclui que o homem teve razão nas decisões que tomou.

Pena que esteja agora a ser pessoalmente perseguido e ameaçado, bem como a família, por aqueles que no futebol não aceitam a derrota, cujo comportamento é sem sombra de dúvida favorecido ou até mesmo potenciado pelos comentários desonestos e sectários relativamente à arbitragem como foram os dos dirigentes e comentadores do Sporting, bem como de todos aqueles que nos órgãos de informação sob a capa de independentes lhes seguem as pisadas.

No domingo, a grande surpresa: empate do Porto em Paços de Ferreira. Com uma exibição superior à que vem sendo hábito em jogos anteriores, o Porto preparava-se para celebrar a vitória, quando, a poucos minutos do fim, o Paços empatou o jogo com um excelente golpe de Melgarejo na sequência de um canto.

Até esta altura Cássio tinha defendido tudo e o que ele não defendera o Porto desperdiçara. Por isso, não deixam de ser igualmente ridículas e até pouco sérias as declarações de Vítor Pereira sobre a arbitragem. Incrível como os treinadores tentar imputar aos árbitros as fraquezas ou os falhanços das equipas que dirigem.

Se em muitas outras ocasiões o Porto tem tido sorte, desta vez teve azar. Mas, como o que conta é o resultado, logo à noite o Braga lá estará contra a Académica a tentar chegar ao primeiro lugar. E depois, como será?

quinta-feira, 22 de março de 2012

MOURINHO NÃO SABE PERDER


MAIS UMA TRISTE ACTUAÇÃO
Paradas Romero no pita dos claros penaltis de Arbeloa



Mourinho não sabe perder. Não aceita a natureza aleatória do jogo. Levava dez pontos de avanço sobre o Barcelona e tinha o campeonato por ganho. Guardiola, inteligentemente, já lhe concedeu a vitória. Mas não os adversários que o Madrid tem de defrontar.

Em quatro dias Mourinho perdeu seis pontos. Dois contra o Málaga e outros dois esta noite contra o Villarreal. Impensável para o arrogante Mourinho perder pontos contra uma equipa que luta para não descer e que já vai esta época no enésimo treinador. E impensável também perder pontos contra o seu antecessor em Chamartin, que ele ainda há bem pouco tempo tinha humilhado com declarações impróprias entre profissionais do mesmo ofício.

Mourinho não tem que se queixar das arbitragens. Toda a gente sabe que é “mestre” nessa matéria. Sem falar da sua passagem por Portugal, onde tirou esse curso com distinção, basta dizer o que se passou em Espanha desde que ele impôs como estratégia colectiva a crítica e a pressão sistemática sobre as arbitragens dentro e fora do campo.

Ainda há dias um jornal espanhol de Madrid enumerava os oito penalties, voluntária ou involuntariamente, perdoados ao Real Madrid nestes últimos dez jogos, alguns dos quais, a serem marcados e convertidos, teriam mudado completamente o sentido do resultado.

Falando apenas dos mais recentes: em Sevilha contra o Bétis, no último minuto, Sérgio Ramos defendeu a bola com a mão. O árbitro nada assinalou e o RM ganhou 1-0. Hoje contra o Villarreal, na primeira parte, Arbeloa agarrou a camisola de Nilmar e a de Marco Ruben, ambas as vezes dentro da área, sem que o árbitro nada assinalasse. 

Que pretende Mourinho? Mourinho reage como os animais: vira-se contra o que está mais próximo em caso de adversidade. E como foi da falta sobre que resultou o golo de Sena, Mourinho contesta a falta. Sem qualquer razão. Se culpas houve de alguém, elas foram de Casillas, um grande guarda-redes e um excelente desportista, que para azar seu deu um pequeno passo para a direita no momento em que Sena marcou o livre, ficando depois sem tempo e sem reflexos para rectificar e recuperar a bola chutada para a sua esquerda.

E depois a má criação de Mourinho propaga-se ao banco e aos jogadores. Rui Faria, que frequentemente tem sido indisciplinado no banco, foi expulso mais uma vez. E dentro do campo, Sérgio Ramos, o jogador mais indisciplinado da história do Real Madrid, teve uma entrada assassina sobre um adversário. Logo, só poderia ser expulso. E Özil, tão bom jogador, mas com tão maus exemplos vindos de cima, não se conteve e insultou o árbitro, sendo também expulso. A caminho do balneário, Cristiano Ronaldo, emocionalmente instável pelas fenomenais exibições de Messi e pelos exemplos negativos de Mourinho, “safou-se” de ser expulso, apesar dos gestos com que provocou o árbitro; Pepe, um jogador que raia o ilícito penal, já não teve a mesma sorte: foi também expulso por ter insultado o árbitro no corredor de acesso às cabines.

E, assim, o maior clube da história do futebol mundial vê-se enxovalhado com cinco expulsões, apenas por o seu corpo técnico não aceitar perder pontos nessa luta de vida ou de morte que Mourinho, por idolatria pessoal, trava com o fenomenal Barcelona…o qual, certamente por acaso, nos últimos dez jogos, foi tão prejudicado quanto o Real Madrid foi beneficiado.

Depois do que se passou esta noite e dos ataques que a imprensa madridistas de referência amanhã não vai deixar de fazer ao comportamento de Mourinho, crescem as hipóteses de ele abandonar a Espanha…mesmo sem ganhar nada!

quarta-feira, 21 de março de 2012

AINDA A ARBITRAGEM DE BRUNO PAIXÃO



ARGUMENTOS?

 

Continua a campanha contra Bruno Paixão promovida pelo Sporting e apadrinhada pelo FCP. Agora corre na internet um abaixo-assinado a pedir a sua irradiação. E porquê?

Não se percebe bem porquê. Bruno Paixão não será certamente um árbitro excelente como não é nenhum outro que apita em Portugal. Deve ter cometido durante a sua carreira vários erros como também tantos outros. Parece haver contudo uma pequena grande diferença: é que contra as suas arbitragens têm protestado o Benfica, o Porto e o Sporting. Pedro Proença, por exemplo, poderá dizer o mesmo? Não, seguramente não pode.

E embora um erro seja sempre um erro e um erro grave seja sempre grave seja quem for que dele beneficia não deixa de constituir um ponto a favor de Bruno Paixão o facto de os três grandes serem os principais queixosos. Se no cômputo das suas arbitragens os pequenos acabam por ser aqueles a quem os seus erros involuntários aproveitam então a conclusão que se tem de tirar é que Bruno Paixão é uma excepção à regra. É que os erros de todas as outras arbitragens favorecem sempre, sem excepção, os grandes. E quando circunstancialmente um pequeno é favorecido isso somente acontece (certamente por acaso) para indiretamente favorecer outro grande.

Mas nem disto o Sporting se pode queixar em Barcelos. Que outro grande lucraria com os erros de arbitragem desfavoráveis ao Sporting?

Analisada friamente a arbitragem de Paixão no jogo Gil Vicente-Sporting o único erro que ele cometeu foi o de não ter mostrado um cartão amarelo a João Pereira por ter jogado a bola com a mão dentro da área.

A paranoia sportinguista (desculpem o termo, mas é mesmo disto que se trata) tem sido muito bem acompanhada nos media pelos comentadores afectos ao clube e por todos aqueles outros que, por razões tácticas, os apoiam. Argumentos, porém, não apresentam. Apenas e só insinuações. E perante a evidência dos factos tentam a sua desvalorização antecedendo-os de adjectivos dou de frases destinados a pô-los em dúvida. Perante uma mão dizem a alegada mão; se há uma entrada faltosa falam na alegada falta; se um jogador do Sporting faz falta merecedora de grande penalidade omitem a falta e limitam-se a dizer que o árbitro marcou outro penalty , para deixar na mente de quem lê a ideia de que o penalty é uma invenção do árbitro e não o resultado de uma infracção e assim sucessivamente. Truques de televisões e de comentadores que privilegiam a estupidez e desprezam a inteligência.

De facto, ninguém foi capaz de dizer com factos e interpretações correctas da lei onde é que o homem errou.

Francamente, perguntar a Pedro Henriques como é que ele teria feito é como encarregar um duplo repetente de explicar a matéria em que ele acaba de chumbar pela segunda vez. E aquela de Coroado dizer que apitar é mais do que aplicar um conjunto de regras e que faltam a Pedro Paixão qualidades para dirigir um grupo de homens só nos pode fazer rir. Coroado, o tal que é do Belenenses como antigamente se era da Académica, não tem a menor autoridade para falar nestes termos, pois se alguma coisa o caracterizava era exactamente o contrário daquilo que ele diz faltar a Bruno Paixão. Era um árbitro caprichoso, com tiques acentuados de autoritarismo e sem a inteligência nem a coragem moral para reconhecer os erros. Quem não se lembra daquela famosa expulsão de Cannigia contra o Sporting por ele, Coroado, ao mostrar-lhe o primeiro cartão amarelo ter suposto que lhe estava a mostrar o segundo?


BENFICA NA FINAL DA TAÇA DA LIGA



MUITA PRESSÃO SOBRE OS ÁRBITROS NA FASE FINAL DO CAMPEONATO

 

Começando pelo fim: Artur Soares Dias realizou uma boa arbitragem no Estádio da Luz. Apesar da intensidade do jogo, os jogadores também não complicaram e sempre que estavam em vias de pisar o risco o árbitro interveio para evitar o pior. Houve cartões amarelos para ambos os lados, mas desta vez, com excepção do que foi mostrado a Sandro, todos são aceitáveis.
Não houve lances determinantes mal ajuizados pelo árbitro. Não houve os chamados "lances polémicos" . Pelo menos, para mentes sadias não houve. Um fora de jogo marcado a Hulk, perto do fim, parece bem assinalado. E nada mais de relevo se pode apontar.
Ainda antes de ir ao jogo propriamente dito: tanto o Porto como o Benfica demonstraram grande interesse e empenho na vitória. Porventura não tanto pelo significado do jogo no contexto da prova em que se insere – meias-finais da Taça da Liga – mas pelo efeito desmoralizante que poderia ter, no campeonato, para a equipa perdedora. Se o Porto tivesse ganho, como intensamente tentou, o Benfica ficaria animicamente em muito mau estado para os jogos que faltam do campeonato. Perder, no Estádio da Luz, duas vezes com o Porto no espaço de pouco menos que três semanas seria arrasador. E para o Porto a derrota também não o deixa em bom estado. Reforça a tese daqueles que não acreditam na regularidade da equipa.
Claro que o Benfica, nomeadamente Jesus, aproveitou a vitória para tirar dela consequências que vão muito para além do próprio jogo da mesma forma que o Porto, por parte de Pinto da Costa e de Vítor Pereira, desvalorizou a derrota muito para além daquilo que foi o seu real significado. O Porto queria muito ganhar e como não ganhou tenta por todos os meios evitar que os seus efeitos da derrota se propaguem ao campeonato.
A prova de que a vitória era muito importante para o Porto está no facto de tanto o treinador como o presidente terem, de modo aparentemente ridículo, justificado a derrota com base em erros de arbitragem. Aparentemente porque tanto um como outro sabem muito bem que a arbitragem foi boa. As críticas não visavam o jogo que se jogou na Luz, mas os jogos que aí vêm para o campeonato. Pressão sobre os árbitros, portanto…
Quanto ao jogo em si - vitória do Benfica por 3-2 -,  o que se pode dizer é que a primeira parte foi espectacular e repartida, com períodos de domínio divididos. Quatro golos, dois para cada lado. Logo aos quatro minutos o Benfica marcou por Maxi. O Porto empatou por Lucho aos oito, voltou a marcar aos dezassete por Mangala e o Benfica empatou aos quarenta e dois minutos por Nolito, depois de no espaço de cinco minutos ter enviado três bolas aos ferros, duas por Luisão e uma por Aimar.
Na segunda parte o jogo baixou de intensidade, como não poderia deixar de ser. Os treinadores foram jogando os seus trunfos – o Benfica substituiu Bruno César por Gaitan aos 56 m; aos 65 m Nélson Oliveira por Cardozo; e Aimar por Saviola aos 73 m; o Porto fez entrar James por Lucho aos 63 m; aos 72 m Junko por Kleber; e aos 85 m Iturbe por Sandro – numa clara demostração de que queriam ganhar o jogo e evitar o desempate por grandes penalidades. O Benfica teve durante a segunda parte mais oportunidades e acabou por ser feliz num grande remate de Cardozo aos 77 minutos! Grande passe de Gaitan sobre a linha do meio campo, Cardozo isolou-se e à entrada da área com o pé esquerdo desferiu um remate mortífero.
Percebeu-se também pelo decorrer do jogo que a tal instabilidade do Porto tem a ver com problemas físicos e ausência de substitutos à altura. Hulk só é verdadeiramente perigoso na primeira meia hora, embora o seu grau de perigosidade vá decrescendo a partir do quarto de hora inicial. Depois desaparece do jogo ou deixa de ter nele a mesma participação. A linha média está esgotada e não há quem a substitua. Lucho já não aguenta dois jogos por semana e Moutinho não pode fazer tudo. Na frente continua a haver o problema do ponta de lança. Nem Kleber nem Junko estão à altura do que a equipa necessita.
Por todas estas razões a eventual e provável derrota do Benfica na Liga tem de considerar-se um grande percalço dada a fragilidade do actual FCP. Mais probabilidades de vencer tem indiscutivelmente o Braga …se daqui até ao fim do campeonato não houver “mosquitos por cordas”. Mas infelizmente já se percebeu que vai haver muita luta …fora do campo.


terça-feira, 20 de março de 2012

A ARBITRAGEM DE BRUNO PAIXÃO



OS PROTESTOS SPORTINGUISTAS




Como seria de esperar, vai um imenso alarido nas hostes sportinguista contra a arbitragem de Bruno Paixão. Alarido muito amplificado por uma comunicação social que, por várias razões, está sempre mais empenhada em "ajudar à festa" do que propriamente em informar e esclarecer.

O que parece estar em causa na arbitragem do árbitro (setubalense?) é a marcação sucessiva de duas grandes penalidades contra o mesmo clube e a subsequente expulsão de um jogador da mesma equipa por acumulação de cartões amarelos.

Em primeiro, lugar deve dizer-se que não é nada frequente - é mesmo excepcional - um árbitro assinalar duas grandes penalidades contra a mesma equipa em jogadas sucessivas e ainda para cúmulo depois de a primeira ter sido defendida. De facto, isto não é vulgar. Não é vulgar a mesma equipa cometer duas faltas em jogadas sucessivas merecedoras de grande penalidade e também não é vulgar, quando tal acontece, o árbitro ter coragem suficiente para marcar a segunda.  

Só que nada disto tem a ver com as leis do jogo. Que realmente não prevêem qualquer tipo de atenuação ou de exclusão da ilicitude pelo facto de a segunda falta ter ocorrido logo a seguir à primeira. Se isto tivesse acontecido no meio do campo, toda a gente acharia o procedimento normal. Como aconteceu na área e ainda por cima depois da defesa da primeira grande penalidade pelo guarda-redes estava criado o clima psicológico propício a uma contestação em larga escala. Foi o que aconteceu.

Assim sendo, o que importa saber é se as faltas que deram origem aos penalties existiram mesmo ou se resultaram de uma deficiente análise do árbitro.

Quanto à primeira falta é muito difícil opinar se houve ou não mão, porque a televisão mostra a jogada por trás e, portanto, não se vê o movimento da mão do jogador. Ou seja, o telespectador não vê. Mas esse não é certamente o critério para a sua marcação: quem tem que ver é o árbitro. E se de facto houve mão – e tanto quanto se percebe os intervenientes do lance não a contestam – ela ocorreu dentro da área. O jogador que tocou a bola com a mão está nesse momento – o tal momento em que na TV se não vê a bola – com os pés sobre a linha da grande-área. Logo, é penalty. O facto de a falta ter sido cometida sobre a linha não muda a natureza da falta: sobre a linha ou dentro da área é a mesma coisa.

Quanto ao segundo penalty não pode haver qualquer dúvida. João Pereira, dentro da área, impede com a mão na bola que o jogador do Gil Vicente a recolha mais à frente e fique em posição privilegiada para servir um companheiro. Portanto, nada a dizer sobre a sanção que corresponde à falta de João Pereira.

João Pereira mentiu quando na sequência do apito do árbitro lhe deu a entender que tinha os braços colados ao corpo. Não tinha, como na TV se vê sem margem para dúvidas. Já não é a primeira vez que João Pereira comete destas habilidades. Na fase de grupos da Liga Europa, contra o Vaslui, em Alvalade, cometeu um penalty, pisando propositadamente Wesley (o árbitro não viu), que acabou por ser expulso por ter ido a seguir tirar desforra. Contra o City, em Alvalade, perto do fim do jogo, jogou a bola com a mão dentro da área. Felizmente o árbitro também não viu ou fez que não viu. Se tivesse marcado o penalty lá cairia por terra a excelente exibição do Sporting e todo o esforço da equipa num jogo memorável. E quem sabe, muito provavelmente a eliminatória.

O comportamento frequentemente irresponsável de João Pereira não constitui apenas um problema para o Sporting. Ele é também um problema para a selecção nacional se Paulo Bento insistir em pô-lo a jogar. Com ele e com Pepe, a defesa portuguesa fica muito vulnerável por razões disciplinares. Ninguém fala ou comenta estes factos. Nenhum comentador sportinguista alude a eles. É mais fácil culpar os árbitros…

Mas voltando ao Gil Vicente-Sporting. A expulsão de Schaars. Nenhuma dúvida quanto ao segundo amarela. É uma entrada propositadamente agressiva de um jogador que já não está emocionalmente equilibrado. A questão que se pode pôr – e deve pôr – é a do primeiro amarelo ao mesmo jogador. De facto, não se compreende que Schaars tenha sido punido com um cartão amarelo por ter cometido a falta que originou o primeiro penalty e João Pereira por uma falta exactamente idêntica –  até mais ostensiva – tenha ficado incólume. Afinal, qual é o critério?

Quanto a uma alegada mão, perto do fim do jogo, de um jogador do Gil Vicente, dentro da área, tem de dizer-se que na TV não se vê qualquer mão. A jogada é filmada de costas e o que se vê é a bola bater na barriga do jogador. Se também bateu ou não na mão só o poderá dizer quem estava de frente. E o árbitro estava e disse, por gestos, que não houve nada.

Em conclusão: a principal crítica que se pode fazer a Bruno Paixão é a mesma que se faz à generalidade dos árbitros portugueses. Mostram muitos cartões amarelos por jogadas que os não merecem; apitam demasiado; não mantêm o mesmo critério do princípio ao fim do jogo; não percebem que o futebol é um jogo de contactos.

ADITAMENTO. A malta da RTP (comentadores e locutores de desporto) diz agora que no primeiro penalty a mão de Schaars está fora da área e os pés sobre a linha o que pode ter induzido o árbitro em erro. Não, o árbitro viu bem. O jogador está dentro da área. A linha, como se disse já, faz parte da área. E o que conta são os pés, tal como no off side.
Quanto ao segundo penalty dizem: "O insólito aconteceu. Por alegada mão de João Pereira..." E depois eclarecem: "Dizemos alegada porque nas imagens não se vê a bola a bater na mão". Vê-se. Não foi mão, foi braço. E o próprio João Pereira não negou que tivesse tocado a bola com o braço. O que disse (mentindo) é que tinha os braços colados ao corpo. Esta RTP não tem emenda!


ADITAMENTO II – AUTOCRÍTICA – No anterior aditamento há dois erros pelos quais peço desculpa.

Em primeiro lugar para que haja off side basta que qualquer parte do corpo (cabeça, tronco ou pernas), salvo os braços, esteja adiantada relativamente ao penúltimo defensor.

Em segundo lugar para que haja penalty por mão é preciso que que a mão do jogador esteja dentro da área, linha incluída. Obviamente que se os pés ou qualquer outra parte do corpo estiver dentro da área mas a mão fora não haverá penalty mas livre directo fora da área.

Visto e revisto o lance do primeiro penalty marcado contra o Sporting em Barcelos, com base em novas imagens que agora apareceram na internet - ou, pelo menos, imagens que não tinham sido mostradas na perspectiva com que agora se vêem – não há qualquer dúvida de que a mão de Schaars foi dentro da área. A imagem vista do ângulo em que o árbitro se encontra, que é mesmo por trás do jogador do Sporting, não deixa qualquer dúvida. Schaars toca propositadamente a bola com a mão dentro da área e o árbitro que está praticamente no mesmo “meridiano” do jogador do Sporting não tem dúvidas.

Quanto ao segundo penalty essas mesmas novas imagens, captadas por trás da baliza de Rui Patrício, também não deixam qualquer dúvida sobre a intencionalidade de João Pereira. Penalty sem dúvida.

segunda-feira, 19 de março de 2012

SPORTING EM QUINTO LUGAR



A IRREGULARIDADE DA EQUIPA LEONINA
Muita polémica e pouco Sporting na vitória do Gil Vicente



Contra as expectativas mais correntes entre os homens da bola, o Sporting foi derrotado por 2-0, em Barcelos, pelo Gil Vicente num jogo interessante de seguir.

Logo aos treze minutos o Gil Vicente marcou num excelente remate de longe de Galo que surpreendeu Rui Patrício. Durante longos minutos a equipa de Barcelos dominou o jogo a ponto de Sá Pinto ter ameaçado fazer substituições muito antes do intervalo. Estava-se perante uma equipa completamente diferente daquela que jogou contra o City. Antes do intervalo o Sporting reagiu mas nunca chegou a ameaçar as redes gilistas.

No segundo tempo, com as substituições operadas por Sá Pinto, sairam Polga e Matias Fernandez e entraram Jeffren e André Martins, o Sporting conseguiu dar alguma réplica ao Gil Vicente, que continuava a jogar muito bem para defender o resultado, sem contudo criar nenhuma séria ocasião de golo.

Com dez minutos de jogo, Bruno Paixão, árbitro da partida, assinalou penalty contra o Sporting por mão de Schaars dentro da área. Os sportinguistas protestaram muito este lance, mas sem razão se tiver havido mão. De facto, pelas deficientes imagens televisivas não se consegue ver o momento em que o jogador do Sporting toca a bola com a mão, mas isso não significa que a mão não tenha existido e não tenha sido vista por quem estava lá dentro.

O que parece ter motivado os protestos sportinguistas foi o facto de a falta ter ocorrido sobre a linha da área. Alguns até dizem que foi fora, como disse o putativo candidato à Câmara Municipal de Lisboa ou a qualquer outro cargo em que seja preciso ir a votos – o sr. Fernando Seara, falsamente em representação do Benfica, realmente em permanente campanha eleitoral – mas fazem-no para ser agradáveis ao eleitorado, por facciosismo ou por ignorância. De facto, uma falta cometida sobre a linha da grande área se tiver de ser punida com um livre directo, esse livre será …um penalty. É o que diz a lei do futebol. Infelizmente o adepto ou o comentador empenhado nas cores clubistas acha que a falta por ter sido sobre a linha já não deveria ser penalty…mas livre por ter sido cometida na linha limite da área. Aliás, são estes mesmos analistas de futebol que acham que o árbitro não deve punir com expulsão uma entrada violenta por ter ocorrido no primeiro ou segundo minuto de jogo!

O pior, porém, estava para vir. Na sequência da marcação do penalty, marcado por Cláudio e defendido por Rui Patrício, a bola ressaltou para o lado direito da linha de cabeceira da baliza sportinguista e João Pereira na ânsia de eliminar o perigo de uma potencial recarga voltou a jogar a bola com a mão. Desta vez não há qualquer dúvida: toda a gente viu a mão, logo penalty.  Tem, porém, de se dar os parabéns ao árbitro por ter tido a coragem de marcar um segundo penalty, indiscutivelmente existente, mas que por ter ocorrido logo a seguir ao lance anterior tenderia a criar um natural constrangimento capaz de levar à sua desculpabilização. Desta Cláudio não falhou.

Com dois zero o Gil Vicente se antes já estava a dominar as operações ficou depois deste golo verdadeiramente senhor do jogo. E mais ainda ficou quando Schaars, aos 68 m, derrubou com alguma violência Hugo Vieira, sendo expulso por acumulação de amarelos. Nada a dizer também.

Com o Sporting de cabeça perdida o jogo acabou ai podendo o Sporting dar-se por feliz por não ter sofrido o terceiro golo em mais de uma ocasião.

O Sporting mais uma vez somente tem de se queixar de si próprio. Num campo difícil como o do Gil Vicente, onde o Benfica empatou e o Porto perdeu, seria necessário jogar com outra atitude. E o Sporting não a teve.

Parabéns também ao treinador do Sporting que soube manter a calma e a ponderação nas palavras quando todos esperavam que ele explodisse, para grande desgosto dos jornalistas que tudo fizeram - uns por clubismo, outros por jornalismo - para que tal acontecesse. Ele melhor do que ninguém sabe certamente que somente um outro Sporting, com outra atitude, poderá chegar a outros resultados.

Prestam um péssimo serviço ao Sporting aqueles comentadores que, vivendo obcecados por fantasmas, tudo fazem, embora involuntariamente, para criar nos jogadores uma permanente atitude de desculpabilização pelos erros que cometem, por criarem no imaginário sportinguista a ideia de que há sempre alguém de fora a quem os erros e os desaires devem ser imputados.

À 23.º JORNADA NA FRENTE TUDO NA MESMA


VITÓRIAS TRANQUILAS DOS TRÊS PRIMEIROS
Festa minhota (foto LUSA)



Não se sabe se por influência da decisão da Liga, se por qualquer outra razão menos fácil de explicar, os jogos dos primeiros classificados foram muito monótonos e disputados com pouca agressividade pelas equipas opositoras.

Começou por ser assim na Choupana, onde o Nacional logo nos primeiros minutos de jogo, desperdiçou oportunidades que não voltaria a ter com o desenrolar da partida e ainda acabou por sofrer um golo tão caricato quanto anormal num jogo de alta competição. Dai até ao fim do jogo ambas as equipas se ativesse arrastardo no campo numa espécie de sofrimento obrigatório a que só poderiam pôr fim quando alguém, de fora, desse aquilo como terminado.

Logo a seguir, na Luz, passou-se mais ou menos o mesmo. As equipas foram jogando e deixando o jogo correr. O Benfica à espera do golo, o Beira-Mar a evitar sofrê-lo. Até que o golo chegou pelo incontornável Cardozo, sem que daí resultasse qualquer alteração de atitude da equipa adversária. E lá para o fim da primeira parte, Gaitan marcou o segundo, sem que sequer se possa dizer que com ele se sossegaram as hostes benfiquistas, porque verdadeiramente nunca chegaram a estar incomodadas.

Para pôr um ponto final na contenda, logo no início da segunda parte Cardozo marcou o terceiro a passe de calcanhar de Nélson Oliveira. E se até ai o jogo já estava chato, imagine-se como ele ficou dai para a frente. De uma sonolência insuportável.

Jesus ainda tentou dar algum alento à equipa fazendo entrar um jovem para lateral direito e pondo Witsel no meio campo, trocando Bruno César por Nolito e depois Nélson Oliveira por Rodrigo, mas tudo continuou na mesma ou pior. Tanto assim que o Beira-Mar ainda teve tempo para marcar um golo, que também estava longe de justificar pelo jogo sonolento em que se deixara envolver.

No dia seguinte o Braga ganhou na Feira com toda a facilidade, somando a décima segunda vitória consecutiva na Liga. E com mais esta vitória reforçou a candidatura a campeão. É certo que ainda tem de jogar contra o Porto, o Benfica e o Sporting, mas como dos quatro parece ser a equipa que nesta fase da época pratica o melhor futebol não será de esperar para si uma dificuldade muito diferente daquela que os adversários igualmente experimentarão.

Quanto ao resto, o Marítimo empatando em Setúbal facilitou a vida ao Sporting na luta pelo terceiro lugar – mais logo se verá se sim ou não -, o Guimarães continua arrastando-se em campo com os salários em atraso, o Paços de Ferreira mantém a fase ascensional iniciada com Calisto e, finalmente, o Leiria, depois de muitas derrotas, lá ganhou ao Rio Ave, remetendo o Feirense para o último lugar.


sexta-feira, 16 de março de 2012

BENFICA – CHELSEA

SPORTING – METALIST

A partir de agora já se sabe que encontros vai haver até à final das duas taças europeias.

Mais uma vez Mourinho teve sorte, muita sorte, no sorteio. Vai defrontar o Apoel que, embora sendo uma boa equipa – a equipa sensação da prova – não vai certamente impedir o Real Madrid de atingir as meias-finais. Seria o escândalo do século, se tal acontecesse. Portanto, em princípio, o Real Madrid defrontará o vencedor do confronto entre o Marselha e o Bayern de Munique, evitando, assim, aquilo que Mourinho mais temia, encontrar o Barcelona antes da final.

Do outro lado do sorteio estão os confrontos entre o Benfica e o Chelsea; e Barcelona e o Milan.

O Chelsea não tem feito uma boa época nas provas inglesas, mas na Europa não poderia ter feito melhor. Poderia ter tido melhores resultados, poderia ter evitado certos “apertos”, mas não estaria numa posição diferente daquela que está se tudo tivesse corrido de outra maneira.

O Chelsea parece corresponder, como adversário, aos desejos do treinador do Benfica. Mas talvez houvesse outros mais apetecíveis. O Chelsea tem jogadores muito experientes e com muita classe que tudo farão, numa prova com a Champions, para nela prosseguirem e tentarem demonstrar que não foi por culpa deles que a época correu mal na Inglaterra.

Por outro lado, também não é nada interessante para o Benfica defrontar jogadores que já alinharam na Luz, um deles – David Luiz – por várias épocas. É do interesse do próprio Benfica que sejam bem recebidos na Luz pelos adeptos.

Essa ideia de que o Benfica se dá bem com as equipas inglesas é uma tese que a história não confirma. Certamente que se dá muito melhor do que o FC do Porto que nunca lá ganhou, apesar de uma vez ter obtido um empate que valeu mais do que uma vitória. Mas na estatística global dos confrontos europeus, o Benfica tem um grande défice relativamente às equipas inglesas. O próprio Jorge Jesus foi copiosamente derrotado em Liverpool, em Anfield Road, num jogo em que se disputava a passagem da equipa às meias-finais da Taça UEFA. Portanto, mais uma vez mandaria a prudência que o treinador do Benfica fosse mais comedido.

Na outra taça, na Liga Europa, o Sporting aparentemente evitou as equipas mais difíceis – as espanholas e as alemãs – e talvez tenha ficado com a mais fraca. Mas isso não quer dizer que tenha a passagem às meias-finais assegurada. Só passará se for o mesmo Sporting que jogou em Lisboa contra o City e Sporting dos primeiros sessenta minutos de Manchester. Se a equipa facilitar, se não interiorizar o respeito pelo adversário, será meio caminho andado para ficar fora da prova.

SPORTING NOS QUARTOS-DE-FINAL DA LIGA EUROPA


JOGO DRAMÁTICO EM MANCHESTER

Leões fizeram a festa em Manchester, frente ao City

Depois de concluída a ronda dos oitavos de final da Liga Europa, o que se pode desde já dizer é que os três principais favoritos à vitória final já estão todos eliminados: FC Porto, Manchester United e Manchester City.

O Sporting, depois do jogo brilhante que realizou em Lisboa na primeira mão, não tinha por essa razão a vida facilitada. A única vantagem do Sporting, adquirida por mérito próprio, era a de obrigar o City a tomar a iniciativa do jogo se queria passar a eliminatória, contrariamente ao que fez com o Porto, exactamente por causa do resultado alcançado no Dragão.

O Sporting apresentou-se em Manchester muito bem sob todos os aspectos: anímicos, técnica e taticamente. Defendeu bem e atacou com inteligência sempre que a oportunidade surgia. E foi assim, quase se poderia dizer com toda a naturalidade, que acabou a primeira parte a ganhar por 2-0.

Sabia-se que se a concentração da equipa se mantivesse a eliminatória estaria desde logo arrumada, porque uma tentativa desesperado do City para reduzir a diferença muito provavelmente teria como consequência ampliá-la.

Acontece, porém, que a partir dos sessenta minutos o Sporting mudou completamente. Não certamente na vontade e no empenho dos jogadores, mas na capacidade física, técnica e tática. Talvez um pouco por força da substituição de dois elementos, Matias Fernandez e Capel, que juntamente com Ismailov, haviam sido muito importantes durante toda a primeira parte.

E foi assim que exactamente aos sessenta minutos Aguero, completamente desmarcado na área, fez o primeiro golo dos ingleses.

O Sporting, depois deste golo, perdeu alguma lucidez, mas não tremeu e tudo apontava para que o jogo, apesar do incentivo do golo, continuasse relativamente controlado. Mas não foi isso o que aconteceu. Aos setenta e cinco minutos, Renato acabado de entrar, fez penalty desnecessário sobre Aguero que Balotelli converteu com muita classe.

A partir do empate, o Sporting, muito esgotado, apesar de ainda estar com a vantagem de um golo na eliminatória, tremeu e temeu-se o pior. Aos oitenta e dois minutos, na marcação de um canto, Aguero novamente sem marcação, fez o terceiro golo do City. Operada a reviravolta no resultado pairou no estádio a convicção de que também se operaria a reviravolta na eliminatória. Por mais de uma vez isso esteve para acontecer. O Sporting resistiu como pôde. Foi perdendo tempo e fazendo anti-jogo como as circunstâncias aconselhavam. Mas só a grande exibição de Rui Patrício impediu, no último segundo do jogo, que o guarda-redes adversário, Joe Hart, marcasse o quarto golo e resolvesse a eliminatória a favor do City.

Enfim, o Sporting voltou a jogar muito bem durante sessenta minutos, mas claudicou na meia hora seguinte. O futebol tem noventa minutos e nos jogos europeus já se perderam títulos que pareciam garantidos e seguros nos três minutos finais de compensação.

Por isso, o Sporting tem todos os motivos para se sentir feliz – eliminou uma das mais caras equipas da actualidade – mas no futuro não pode deixar de ter em conta que os jogos só acabam quando o árbitro dá o apito final.

O árbitro do encontro esteve bem e decidiu sempre com rectidão e sabedoria. Não foi em “fitas” nem tão-pouco tomou atitudes disciplinares despropositadas ou desproporcionadas. Somente a paranoia que perpassa no futebol português a propósito da arbitragem permite ver fantasmas onde eles não existiram. É disso exemplo o comentário do locutor da SIC que não se cansou de ver no jogo coisas que não aconteceram em vez de se preocupar com as que realmente estavam a acontecer.

quinta-feira, 15 de março de 2012

REAL MADRID E CHELSEA NOS QUARTOS DE FINAL



CSKA E NÁPOLES ELIMINADOS
 






 O Real Madrid venceu o CSKA de Moscovo por 4-1 no jogo de volta realizado no Estádio Santiago de Bernabéu.
O Real Madrid, embora superior, acabou por ser feliz nos momentos determinantes do jogo.
Foi feliz no primeiro golo por ter beneficiado da posição de fora de jogo em que se encontravam, antes do último passe, dois jogadores, sendo que um deles (Higuain) acabou fazendo o golo. De facto, no momento do excelente passe de Khedira para Kaká havia dois jogadores do Real muito adiantados que acabaram por beneficiar dessa posição quando o brasileiro centrou.
Foi igualmente feliz no segundo golo - um “frango” do guarda-redes - marcado de muito longe, apesar do remate forte de Ronaldo.
Até ao segundo golo do Real o CSKA tinha desfrutado de algumas oportunidades, construídas em contra-ataques muito rápidos, que não foram aproveitadas, com excepção de uma, anulada por fora de jogo aparentemente mal assinalado.
A partir do momento em que o Real Madrid marcou o terceiro golo, o que aconteceu cerca de trinta segundos depois de Benzema entrar em campo, o jogo ficou praticamente terminado. O CSKA ainda marcou por Tosic, aliás um grande golo, e voltou a criar perigo logo a seguir, mas a sorte da eliminatória já estava traçada, o que acabou sendo confirmado perto do fim do jogo por mais um golo de Ronaldo.
O CSKA pareceu uma equipa mais perigosa e mais bem organizada que o Zénite. Mas isso não bastou para dificultar a vida ao Real Madrid, que acabou passando a eliminatória folgadamente.
Mais difícil e sofrida foi a passagem do Chelsea aos quartos-de-final no jogo que esta noite disputou em Stamford Bridge contra o Nápoles.
Apesar da excelente dupla atacante dos napolitanos, Lavezzi e Cavani, acabou por ser a velha guarda do Chelsea a ditar o destino da eliminatória, assim como quem deixa um recado a Villas-Boas sobre quem manda no balneário.
Num jogo jogado com muita garra por Terry, Drogba, Lampard, aliás autores de três golos, o Chelsea levou a melhor sobre um Nápoles cuja valia está longe de justificar uma tão grande diferença de golos. De facto, o Nápoles acabou sendo traído por uma mão de Dossena tão desnecessária quanto fatal.
No prolongamento Ivanovic fez o 4-1, depois de Torres, que entretanto entrara, ter voltado a falhar um remate sem guarda-redes na baliza. Analisado hoje, o espanhol é um jogador sem lugar na Premier League, apesar de ter custado 58 milhões de euros! Raramente se assiste no futebol a uma quebra tão profunda e tão duradoira como a que Torres tem atravessado tanto no Chelsea como na selecção espanhola. É que além de não marcar golos, falha incompreensivelmente situações de baliza aberta.
Esta vitória do Chelsea, a terceira da era Di Matteo, não parece porém suficiente para fazer de uma equipa claudicante uma equipa perigosa. As dificuldades continuam e ainda hoje foram bem visíveis, apesar da garra com os jogadores encararam o jogo.

Ontem o Bayern eliminou o Basileia, copiosamente batido em Munique por 7-0. Os bávaros parecem ser juntamente com o Real e o Barcelona um dos grandes candidatos ao título europeu. Eficácia não lhes falta.



No outro jogo, o Inter deixou-se eliminar perto do fim pelo Marselha quando estava a um pequeno passo do prolongamento. Num final de jogo dramático, o Marselha empatou por Brandão já depois dos noventa e na jogada seguinte o Inter voltou a marcar de penalty. Mas de nada lhe valeu a vitória por 2-1, face ao resultado da primeira volta, derrota por 1-0, com a particularidade de o golo do Marselha também ter sido obtido já no período de compensação.