quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

JESUS SECUNDARIZA LIGA EUROPA



ESTRANHAS DECLARAÇÕES
 

 

Mais uma vez Jorge Jesus volta a surpreender-nos com estranhas declarações na véspera do encontro com o Bayer de Leverkusen para a Liga Europa. Em vez de se mostrar cem por cento empenhado no jogo de logo à tarde e de encorajar a equipa na busca de um excelente resultado que lhe permita passar a eliminatória, veio dizer que está em Leverkusen a pensar no jogo do próximo domingo contra a Académica, uma vez que o campeonato é a grande prioridade da equipa.

Isto é estranho e inaceitável. O jogo mais importante do Benfica é sempre o próximo, qualquer que seja a competição onde se insira. Mas é ainda mais importante se se trata de uma competição europeia. Foi nas competições europeias que o Benfica ganhou a grandeza que hoje tem.
 
Abel Xavier, um dos heróis de Leverkusen no célebre jogo de há 19 anos, também veio criticar Jesus pelas declarações que fez e pelo efeito que elas podem ter no comportamento da equipa.

Este ano o Benfica já foi eliminado da prova-rainha da Europa, quando tinha todas as condições para seguir em frente. Ao consumar-se a eliminatória da Liga dos Campeões, Jesus desculpou-se com a entrada na Liga Europa e a possibilidade de a ganhar. Agora que vai disputar o primeiro jogo da Liga Europa vem dizer-nos que o importante é o campeonato.

Há qualquer coisa que não está bem na cabeça de Jesus. Tem Jesus competência para preparar uma equipa com capacidade para suportar a segunda parte da época? É capaz Jesus de manter a eficácia da equipa na fase crucial da época que é aquela em que se acumulam os jogos das diversas competições em que está integrada?

A experiência do passado diz-nos que não. Mais: os adversários do Benfica até afirmam todos os dias que as equipas de Jesus claudicam sempre a partir de Fevereiro. E assim tem sido desde que está no Benfica. No primeiro ano, a equipa aguentou-se no campeonato, que ganhou, em confronto com o Braga, mas sem a concorrência directa do Porto, e na Taça da Liga, que também ganhou, mas foi eliminada das outras duas provas. Nos dois anos subsequentes perdeu tudo e foi eliminado das competições europeias e da Taça de Portugal, ganhando apenas a minúscula Taça da Liga.

E este ano, como vai ser? As primeiras impressões apontam para um abaixamento do Benfica a partir de Fevereiro. Uma defesa claudicante, sofrendo muitos golos, uma equipa incapaz de controlar o jogo, perdendo muitas bolas e alguns jogadores já em fase de queda física acentuada.

Será por isso que Jesus não se importa de ver o Benfica fora da Europa? Lamentável, se assim for!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

AS DECISÕES DO CONSELHO DE DISCIPLINA DA FPF


 
COMPENSAÇÕES
 
 
Tudo indica que as deliberações hoje tornadas públicas do Conselho de Disciplina da FPF assentaram num princípio de compensação entre as várias partes envolvidas.
Proença errou ao ter expulsado Matic, que nada fez para justificar o vermelho, tendo, pelo contrário, sofrido uma falta do adversário e foi demasiado severo na expulsão de Cardozo já que o seu gesto não pode, no rigor dos princípios, considerar-se uma agressão. Nesta medida o Benfica ficou a perder. Mas essa perda foi compensada com a penalização de apenas um jogo a Cardozo, que, como se viu, puxou a camisola do árbitro com força suficiente para que tal gesto não possa considerar-se uma simples chamada de atenção.
Nestas contas, quem fica a perder é Proença que, para todos os efeitos, é desautorizado.
Havia, porém, outros assuntos em jogo que nada tinham a ver com as incidências do Nacional-Benfica, mas que entram nas grandes contas de "deve e haver" entre o Porto e o Benfica. Como a “mão disciplinar” foi leve relativamente o Benfica, no que respeita a Cardozo, haveria que compensar essa decisão com uma outra que favorecesse o rival. Ou talvez o contrário: como a “mão disciplinar” iria ser leve para o Porto, haveria que compensar essa leveza com algo igualmente leve que dissesse respeito ao Benfica.
Tudo ponderado aceita-se a decisão do Conselho de Disciplina. Prevaleceu o que se pode chamar o "bom senso". Muito provavelmente, ou seguramente, o FC Porto infringiu os regulamentos da Liga ao fazer alinhar na Taça da Liga três jogadores que tinham alinhado na sua equipa B há menos de 72 horas. A diferença era porém de minutos, de escassos minutos, não se podendo dizer, antes pelo contrário, que o Porto, nesse jogo, tenha sido beneficiado por esse facto.
É certo que os regulamentos são para cumprir. Nas normas relativas a prazos (forma dos actos, etc.) dizem os juristas que prevalece a “justiça formal” em detrimento da justiça material. No entanto, se quem aplica a justiça, depois de ter concluído que da infracção ocorrida não resulta prejuízo nem para as partes nem para terceiros e que a norma infringida tinha apenas em vista a protecção de um interesse próprio ou dos seus jogadores, se esse alguém conseguir encontrar um meio de impedir a aplicação da sanção, isso não deverá ser objecto de grande reprovação, nomeadamente, como aconteceu no caso, se a diferença entre a infracção e a legalidade estiver dependente do cumprimento de uns escassos minutos.
A eliminação do Porto iria dar lugar a um rosário de queixas que nunca mais acabaria de ser desfiado. Meia volta, volta e meia, lá estaria o Porto a dizer que lhe “roubaram” na secretaria o que havia ganho no campo. É melhor assim. Além da Taça da Liga ficar mais forte, poder-se-á doravante dizer que houve uma atenuação dos regulamentos relativamente ao Porto. Ponto é que a “jurisprudência” do CD da FPF seja daqui para frente considerada um precedente a ter em conta nas decisões futuras.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O FC PORTO E CARDOZO



DESDE O MONSTRO SERRÃO A PINTO DA COSTA
 

 Os comentadores do Porto, nomeadamente esse monstro ou mostrengo que se dá pelo nome de Serrão, passando pelo fanático Guedes ou pelo arranjista Aguiar e acabando no seu presidente, conhecido homem impoluto do futebol como as escutas sobejamente demonstram, não se cansam de pedir a sanção máxima para Cardozo pelo episódio ocorrido com Proença no último jogo do Benfica com o Nacional.

O lobisomen até diz que a sanção de Cardozo tem de ser exemplar por o seu comportamento não ter tido lugar contra um árbitro qualquer, mas contra o melhor árbitro do mundo! Ora aqui está um monstro sincero e inteligente: as sanções resultantes de comportamentos indevidos contra árbitros não resultam do facto de terem sido praticados contra árbitros, mas dependem e variam em função da qualidade do árbitro. Por exemplo, se for cometida contra um árbitro amigo do FCP a sanção a aplicar deverá ser máxima, se possível irradiação!

Se por um lado esta fúria justiceira demonstra bem o medo, o terror mesmo, que Cardozo lhes infunde, por outro ela é também elucidativa do carácter e da personalidade das pessoas de que estamos a falar.

O Porto, como toda a gente sabe, já fez todo o género de tropelias com árbitros de futebol. Tropelias é uma palavra suave para factos que podem ser documentados com imagens e com gravações de som.

Recorrendo apenas aos factos mais recentes – e quando falamos em factos recentes reportámo-nos à “relação” do Porto com os árbitros iniciada nos anos 80 do século passado com a nomeação de Pinto da Costa para dirigente do departamento de futebol – podemos começar pela célebre cena em que Vítor Baía e C.ª empurraram o Pratas em Coimbra de um lado ao outro do campo, acabando por o meter dentro da baliza do Benfica.

Castigos? Zero!

Depois podemos continuar com Kostandinov a agredir um fiscal de linha, por teranulado um golo ao Porto, marcado na sequência de uma jogada com a mão..
 
Castigo? Zero!

Continuar com Deco a atirar a chuteira ao árbitro Paulo Parati (cena cujas consequências estão suficientemente ilustradas nas ameaças então proferidas no jornal “o Jogo” e nas escutas a Pinto da Costa).
 
Castigo? 2 Jogos, após recurso.

E, para não sobrecarregar os leitores com factos que eles sobejamente conhecem, finalizaremos com três “peitadas” (não uma, nem duas, mas três) de Bellucci a Duarte Gomes.
 
Castigo? Por aquele comportamento, Zero!

Ora aí estão os exemplos em que os homens do Porto se baseiam para exigirem a pena máxima…

 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

PEDRO PROENÇA E O BENFICA


 

QUEM PODE ACEITAR UM ÁRBITRO ASSIM?
 

 

Dizem que Proença foi considerado o melhor árbitro do mundo. Pode ter sido, mas certamente nas exibições tomadas em conta para o efeito não contam as arbitragens dos jogos do Benfica, principalmente – mas não só – contra o FC Porto, e também algumas arbitragens dos jogos do Sporting, principalmente contra o FC Porto. Coincidências!

No que respeita ao Benfica não há coincidências. Há uma impressionante regularidade de prejuízos causados ao clube da Luz em jogadas em que nenhum outro árbitro tomaria as mesmas decisões. E isto dá que pensar e exige investigações. Porquê? Porque não é normal.

Vamos ao jogo de ontem na Madeira entre o Nacional e o Benfica. Tudo a correr normalmente, um jogo emotivo, com poucas faltas, o Benfica cometeu 8 em todo o jogo e o Nacional o dobro (16), sem nenhuma das equipas estar a dar possibilidade ao árbitro de se mostrar. Pois bem, quando o jogo estava empatado 2-2, nos minutos finais da partida, com o Benfica a carregar em busca da vitória e o Nacional à espreita de uma oportunidade que lhe permitisse ganhar, eis que Pedro Proença expulsa Cardozo.

Porquê? Porque um jogador do Nacional, Marçal, tenta retardar a execução de um canto favorável ao Benfica, retendo indevidamente a bola. Cardozo tenta tirá-la com os pés, mas não consegue e num gesto incorrecto toca com o pé na perna do adversário que continuava retendo a bola de costas para o atacante benfiquista. Pedro Proença não hesita: mostra a Cardozo o vermelho directo.

Poder-se-á considerar correcta esta decisão? Não pode. É certo que já vimos expulsões idênticas a esta, uma ou duas vezes, não mais. Uma delas foi a de Jorge Andrade, como jogador do Corunha, num jogo contra o Porto. Deco deixou-se cair para ganhar uma falta numa jogada em que já tinha a bola perdida. Jorge Andrade, dada a excelente relação que mantinha com o ex-colega, brinca com ele e faz que o pisa, pondo-lhe muito ao de leve o pé em cima do corpo. O árbitro interpretou como agressão uma simples brincadeira que no rigor das normas, para quem não tivesse compreendido o sentido lúdico daquele gesto, só poderia ter sido punido com cartão amarelo.

Ontem Cardozo não estava a brincar com Marçal, mas é falso que o tenha agredido ou tentado agredir. O toque de Cardozo na perna do adversário configura um comportamento anti-desportivo passível de cartão amarelo, mas nunca de vermelho, porque não existe agressão.

Logo a seguir, Matic salta com Candeias na disputa de uma bola. Candeias empurra o jogador do Benfica, faz falta sobre Matic e logo a seguir, num gesto tosco, insusceptível de enganar quem que fosse, simula, uma agressão. Toda a gente à volta do campo e também a que estava a ver o jogo na televisão viu sem margem para qualquer dúvida que Matic não fez nada. E o que fez Pedro Proença? Expulsa Matic por agressão!

Se isto não é um comportamento delituoso do árbitro, então o que poderá sê-lo? Não é a primeira, nem a segunda, nem terceira, enfim, basta ir ao You tube e pôr “Pedro Proença Benfica” para logo ficarem identificadas algumas das mais vergonhosas exibições de Pedro Proença.

O Benfica deveria tomar uma posição dura contra ele e declarar solenemente que não o volta a aceitar para arbitrar um jogo seu. E o Ministério Público deveria investigá-lo já que com os órgãos disciplinares da Federação se não pode contar para nada!

 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

JESUS NO PORTO?



UMA ANTEVISÃO

 

Fica claro para qualquer observador minimamente atento que o discurso de Jorge Jesus tem vindo a mudar gradualmente, embora nos últimos tempos com mais intensidade, no sentido de fazer prevalecer o individual sobre o colectivo, a individualidade sobre a instituição.

Uma coisa que todos os praticantes de futebol imediatamente percebem ou que logo lhes ensinam, o mesmo se passando com todas demais pessoas que fazem parte do mundo do futebol, seja no plano técnico, directivo ou outro, é que o futebol é um desporto colectivo, no qual o colectivo, a equipa está acima de qualquer individualidade.

Mesmo quando os grandes atletas ou os técnicos famosos não pensam assim, como é o caso de Ronaldo ou de Mourinho, eles sentem-se obrigados a dizer, hipocritamente, o contrário e a repetir essa ladainha, mesmo quando toda a gente percebe que eles pensam exactamente do que estão a dizer. 
Pois bem, Jesus, no que respeita à sua pessoa e à equipa, tem vindo ultimamente a infringir essa regra de forma cada vez mais ostensiva, sendo caso para perguntar o que poderá estar na raiz de tal mudança. Por que razão a primeira pessoa do singular tem vindo a substituir quase completamente a primeira do plural? Quem o ouve, se não o conhecer, até pode pensar que se trata de um qualquer prarticante de uma modalidade de desporto individual...

Verdadeiramente só Jesus poderá, se souber, responder a esta pergunta. Todavia, nenhum de nós está proibido de tentar perceber o seu comportamento. De encontrar para ele uma justificação racional.

Jesus tem no Benfica um contrato invejável. Tão invejável que até Ulrich do BPI o inveja! Poucos são no mundo do futebol os treinadores que ganham mais do que ele. Provavelmente não chegam a uma dezena. Claro que Jesus teria todo o interesse em melhorar ou, no mínimo, em manter o ordenado que hoje tem. Mas ele sabe que nenhum clube em Portugal lhe poderá continuar a pagar o mesmo. Nem o Benfica. Só no estrangeiro um grande e rico clube o poderia fazer. Mas para isso Jesus teria de ter méritos reconhecidos ao mais alto nível, que não tem, e ser dotado de uma capacidade comunicacional que manifestamente lhe falta, mais a mais numa língua estrangeira.

Portanto, o mais provável é que Jesus pense que, não podendo subir ou sequer manter o ordenado, o mais vantajoso para ele seria rumar para um clube onde o êxito desportivo fosse mais fácil de alcançar do que no Benfica. A partir daí até novos voos se tornariam mais fáceis no futuro.

Esse clube em Portugal só pode ser o F C Porto. Nota-se que Jesus, pelo menos desde o jogo na Luz, tem tratado o Porto com grande respeito e compreensão, mesmo quando atacado em termos técnicos pelo seu actual treinador do Porto, Victor Pereira. Aliás, as duas coisas estão ligadas: Victor Pereira é manifestamente um treinador nervoso, inseguro, apesar da excelente prova que a sua equipa está a fazer. Até já diz que o que lhe interessa são os títulos, pois ganhando não lhe falta emprego em qualquer lado. Tudo isto em jeito de remoque por ainda não lhe ter sido proposta a renovação do contrato.

Pode até ser que se enganem ambos, mas o que neste momento parece é que nem Jesus ficará no Benfica nem Victor Pereira continuará no Porto. O Porto já no passado mostrou interesse em contratar Jesus, mas como não foi suficientemente concludente na hora da abordagem, ele acabou por preferir o certo ao incerto. É natural que Pinto da Costa não se importasse de ficar com Jesus, talvez até mais pelo prazer que lhe dava privar o rival do seu treinador, do que pela falta de alternativas. De facto, tanto o Porto como o Benfica têm outras boas alternativas em Portugal a Victor Pereira e a Jorge Jesus…

sábado, 2 de fevereiro de 2013

SPORTING: GUERRA TOTAL


 

O DESPRESTÍGIO DE UM GRANDE CLUBE
 
Godinho Lopes convocou uma conferência de imprensa para desancar nos contestatários culpando-os por criarem permanente instabilidade, falta de solidariedade e responsabilizando-os pela não concretização das transferências anunciadas no mercado de inverno.

Para quem olha sem paixão, mas com interesse e apreensão, o que se está a passar no Sporting, o menos que se poderá dizer é que há muita irresponsabilidade e incompetência de ambas as partes, sendo que uma delas é constituída por muitas outras.

O primeiro grande falhanço de Godinho Lopes tem desde logo a ver com a constituição da equipa directiva que ele escolheu. O segundo, com a prestação da equipa de futebol na primeira Liga e nas demais competições em que participou.

A equipa de Godinho Lopes desagregou-se completamente, e com alguma celeridade, nestes quase dois anos que leva como presidente do Sporting. Se é grave errar na escolha dos responsáveis pelo futebol ou mesmo naqueles de cuja experiência empresarial poderia ter recolhido algumas vantagens, é ainda mais grave, muito mais grave, ter tido como vice-presidente um sujeito que está hoje acusado por um número considerável de crimes, quase todos cometidos no exercício de funções. E aí o Sporting tem muita sorte e certamente protecções de que nem o Porto nem o Benfica, em circunstâncias semelhantes, teriam podido beneficiar. O que é que teria acontecido ao Porto ou ao Benfica se algum deles tivesse nas suas fileiras um dirigente suspeito da prática de actos idênticos àqueles de que é  acusado o ex-vice presidente Pereira Cristóvão?

Em nome da verdade desportiva, comentadores e jornalistas não afectos ao clube visado teriam exigido este mundo e outro.E com toda a razão, porque uma actuação daquela natureza e no contexto em que aquela ocorreu jamais poderá ser interpretada e compreendida como uma actuação em nome individual, mas como uma actuação de um dirigente desportivo praticada no interesse do clube que representa.

Com o Sporting, porém, nada se passou até agora. Tudo o que aconteceu parece ser um simples assunto privado do sr. Pereira Cristóvão. E toda a gente, a começar por Godinho Lopes, sabe que não foi.

E, assim, ficando tudo como está, lá poderão os comentadores de Alvalade continuar a pregar todas as semanas a superioridade moral do seu clube e dos sportinguistas.

Do lado da gestão da equipa de futebol a situação ainda é mais catastrófica. Cinco treinadores em menos de dois anos – quatro dos quais só nesta época –, um lugar humilhante no campeonato e a eliminação nas restantes três provas em que participou. Finalmente, a venda ou empréstimo de alguns jogadores no mercado de inverno por falta de recursos e o colapso das aquisições anunciadas.

Mas do lado da chamada oposição a irresponsabilidade não é menor. Num momento crítico para a vida do clube essa oposição, absolutamente incapaz de fazer um juízo crítico objectivo sobre aquilo que o clube hoje é, continua a actuar como aquela nobreza falida e decadente que, não compreendendo os tempos em que vive, continua a imaginar acções e a efabular condutas como se a realidade continuasse a ser aquela em que foi criada.

E então assiste-se ao impensável: um presidente da Assembleia Geral que deveria ser em tempos de crise um ponto de referência para a angústia dos sportinguistas, transforma-se em porta-bandeira dos opositores e aproveita a tribuna televisiva a que semanalmente tem acesso para os incitar à revolta sem nunca ter apresentado uma única proposta digna desse nome. Mas pior: não está presente nos grandes debates ocorridos ou a ocorrer no seio do clube, delegando no seu vice-presidente as responsabilidades por uma situação que, em grande medida, ajudou a criar. A justificação, qualquer que ela seja, raia a irresponsabilidade, pois se sabia que não poderia estar presente não deveria ter incentivado a prática de um acto de consequências tão imprevisíveis para a vida do clube como a assembleia geral de Fevereiro.

Entretanto, o Porto vai continuando a colonizar o Sporting, dando-lhe em troca desse domínio umas tristes migalhas. Depois de lhes ter levado, só para falar nos tempos mais próximos, Moutinho, Varela e Izmaialov, também agora lhe contrataram o último grande símbolo de Alvalade: Liedson. E, suprema humilhação: depois de lhe terem “roubado” Kléber, na altura já apalavrado pelo Sporting, e terem ao fim de um ano e tal concluído da sua valia, eis que se propunham reenviá-lo para Alvalade em jeito de esmola. Mas nem isso foi possível porque o representante do jogador recusou o Sporting por falta de credibilidade.

Como recompensa restou-lhes a escolha do Xistra contra o Guimarães. É pouco, mas sempre valeu um ponto. Pior seria perder três!

Infelizmente nenhuma personalidade com credibilidade, desligada dos meios decadentes que têm corroído o Sporting, se perfila para o liderar. E é pena…

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

FIM DO MITO MOURINHO?


 

OS ESTRAGOS JÁ SÃO IRREPARÁVEIS

 

A passagem de Mourinho pelo Real Madrid, o maior clube do mundo, tinha tudo para ser um passeio que na meia-idade coroasse Mourinho como o grande treinador dos tempos modernos.

Dotado dos melhores jogadores do mundo, no clube com mais títulos a nível nacional e mundial, com adeptos e simpatizantes nos quatro cantos do planeta, Mourinho tinha realmente tudo a seu favor. Depois de ter vencido no Porto, no Chelsea e no Inter de Milão, a estadia no Real Madrid era por muitos considerada como aquela que à partida mais condições objectivas reunia para ter êxito.

E todavia nunca em nenhum lado as coisas correram tão mal a Mourinho, apesar da vitória no campeonato na época passada. No entanto, para quem conhece Mourinho e compreende o que é um clube como o Real Madrid a situação a que Mourinho chegou não constitui uma verdaeira surpresa.

Mourinho quis desde o primeiro dia mudar a natureza intrínseca do Real Madrid. Transformá-lo num clube semelhante àqueles por onde passou vitorioso. Um clube no qual ele teria o completo domínio de tudo o que dissesse respeito ao futebol dentro e fora do campo, com toda a gente integralmente subordinada à sua estratégia de líder incontestado, a qual, pelo simples facto de ser sua, nunca poderia ser discutida.

Ora acontece que o Real Madrid não é um clube propriedade de Florentino Pérez ou de qualquer outro presidente que por lá tenha passado ou venha a passar. O Real Madrid é dos sócios. É do madridismo. O Real Madrid tem uma ética e um código de conduta que nenhum treinador pode alterar. E os jogadores que o servem, os grandes jogadores que o servem, nunca estão no clube de passagem. Se eles sabem interpretar com inteligência o que significa estar no Real Madrid também eles passam a fazer parte desse madridismo para toda a vida.  

O Real Madrid tem, como se já disse, os melhores jogadores do mundo. Mas acontece que muitos deles juntam a essa qualidade com a que a natureza os dotou uma outra não menos importante, aprendida nas escolas da democracia: a cidadania e o exercício dos direitos que lhe andam associados.

E também aqui Mourinho falhou. Aquilo que os seus propagandistas apregoavam como a sua principal mais valia como treinador - um homem por quem os seus jogadores são capazes de fazer tudo – revelou-se afinal o exercício de um domínio que os homens livres repelem.

Mas não foi apenas neste domínio que Mourinho falhou. Ele também decepcionou no plano puramente técnico. E os primeiros decepcionados foram os jogadores. Um falhanço directamente relacionado com o anterior. Ou seja, a capacidade técnica de Mourinho exprime-se com mais eficiência nos clubes pequenos do que nos clubes verdadeiramente grandes. Frequentemente os jogadores o acusaram de privilegiar o futebol defensivo, que abria a porta ao futebol directo, de contra ataque rápido, cujo modelo, porém, se mostrava incapaz de responder com eficácia à maior parte das situações com que o Real se defrontava na maior parte dos seus jogos – ataque continuado sem soluções de finalização.

Depois do que já parece ser a derrota inevitável no campeonato e do que esteve a centímetros de acontecer na Taça do Rei (acontecimento que muito provavelmente ocorrerá em Barcelona), resta a Mourinho a Liga dos Campeões para, apesar de todos os erros, de todas as falhas e das múltiplas inimizades que criou a sua passagem por Madrid, sair da capital espanhola com a 10.ª Taça da Liga dos Campeões ganha pelo Real Madrid. Se isso acontecer, a sua imagem não se modificará, mas ele acabará por sair de Madrid com essa indiscutível vitória no seu curriculum. A única que lhe permitirá relançar o “mito Mourinho”.

domingo, 27 de janeiro de 2013

VITÓRIA DO BENFICA EM BRAGA


 

PORTO SOB PRESSÃO
© EPA / HUGO DELGADO (© © EPA / HUGO DELGADO)

A vitória do Benfica em Braga por 1-0 colocou o Porto sob pressão. Vítor Pereira, que já estava muito nervoso, vai certamente ficar ainda mais depois deste jogo. Embora se saiba que parte do nervosismo do treinador do Porto resulta a incógnita sobre o seu futuro, a verdade é que esse nervosismo é cada vez mais evidente apesar de não haver grande razão para ele.

Vítor Pereira deve dar por assente que vai abandonar o Porto no fim da época. Deve também admitir que, como reconhecimento pelos serviços prestados, lhe encontrarão certamente uma equipa na Roménia ou na Grécia para treinar.  E deveria ainda dar-se por satisfeito por ter até agora conseguido manter o Porto no primeiro lugar a par do Benfica e, para já, nos oitavos de final da Liga dos Campeões, apesar da exiguidade do plantel em matéria de qualidade.

Bem, dito isto, vamos ao Braga-Benfica. O jogo de Braga começou com o Benfica praticamente a ganhar. Salvio, no centro do terreno, depois de uma enganadora desmarcação de Lima, rematou fraco por entre dois jogadores do Braga. Beto não segurou e Salvio mais rápido que todos os restantes enfiou, na recarga, a bola na baliza.

O Braga reagiu, mas cedo se percebeu que o Benfica estava muito bem organizado na defesa e no meio campo e perigosíssimo no contra ataque. E foi assim que surgiu o segundo golo. Gaitan a todo o gás conduziu a bola desde a defesa do Benfica pelo lado direito do seu ataque e ao chegar mais ou menos à distância correspondente ao limite da grande área fez um passe de artista, com o pé esquerdo, fazendo a bola passar à frente dos defesas do Braga e entre estes e o guarda-redes. Deu até a ideia que Lima se tivesse sido mais veloz teria podido rematar de primeira. Mas assim não aconteceu. Também Lima não chegou de primeira à bola, mas recuperou-a logo a seguir, um pouco lateralizada, internou-se, simulou sobre o defesa do Braga e rematou para uma defesa incompleta de Beto que não conseguiu impedir o golo.

Beto, e não os centrais, esteve mal nos dois golos. Não foram oferecidos, mas esteve mal. Quim tê-los-ia sofrido? Ninguém pode garantir que não, embora o seu historial não registe golos como estes. Só que Quim jogou muitos anos no Benfica…Domingos quando treinava a Académica também substituiu o guarda-redes titular, formado no Benfica e com largos anos de permanência na Luz, para defrontar o Benfica e logo por azar aconteceu o seu substituto ter dado vários “frangos” nesse jogo.

Na segunda parte quase não houve oportunidades de golo, salvo uma de Salvio, que poderia ter tido outro resultado se tivesse passado a bola a um colega que se encontrava isolado no centro da área e a outra foi o golo do Braga, marcado por João Pedro na sequência de um bom passe que Jardel não soube interceptar por ter calculado mal o tempo de salto ou estar deficientemente colocado.

Antes do fim do jogo, a cinco minutos do fim, o defesa central do Braga foi expulso por ter derrubado Lima quando este de se isolava a caminho da baliza.

A arbitragem esteve bem, não tendo tido qualquer influência no desfecho do jogo. O Braga pode queixar-se dos erros do seu guarda-redes, eventualmente evitáveis, do mesmo modo que o Benfica se poderia ter queixado dos erros da sua defesa e do seu guarda-redes no jogo contra o Porto. Pode, mas não valeria a pena: são incidências do jogo.

No Benfica jogo grande de Lima, Salvio e Gaitan, que regressou aos velhos tempos. Mas toda a equipa esteve bem.

Depois deste jogo as coisas ficaram aparentemente mais fáceis para o Benfica. Só que ainda é cedo para se perceber como tudo vai terminar. Apenas quando a sobrecarga de jogos com muita responsabilidade se começar a fazer sentir – de meados de Fevereiro até Abril – é que se vai ficar com uma ideia mais clara do que poderá acontecer.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

LIEDSON DRAGÃO DESDE PEQUENINO


 

VITOR PEREIRA CONTENTE COM PROENÇA

Enquanto o Sporting se afunda na crise, dividido entre grupos tribais que se digladiam até à destruição do clube, com alianças de ocasião que logo se desfazem mal o objectivo conjunturalmente principal tenha sido atingido, Liedson, o homem que fez chorar Alvalade, numa despedida como há muito não se via desde que o profissionalismo tomou conta do futebol, desferiu mais um golpe profundo no orgulho e na moral dos sportinguistas.

Liedson muito provavelmente falou verdade. O que ele muito simplesmente quis dizer é que se tivesse ido para o Porto há mais tempo teria tido uma carreira profissional muito mais vantajosa e com mais êxitos colectivos. É normal que o diga e é normal que como profissional do futebol o sinta. Embora com esta confissão o que ele verdadeiramente revela é que o Sporting já não é – e já não o é há muitos anos – um clube atractivo para um bom futebolista.

Entretanto, o Porto somou nova vitória, derrotando o Setúbal em sua casa por 3-0 contra 9 jogadores adversários em campo. A expulsão de dois jogadores é normal em futebol, no sentido de que quem infringe as regras não têm de se queixar da punição. Mas já nada tem de normal quando a conduta que infringe as regras de forma alguma justifica aquele tipo de sanção. E foi o que na quarta-feira à noite se passou no Bonfim. Os comportamentos que deram lugar à amostragem do segundo cartão amarelo a dois jogadores do Setúbal de forma alguma mereciam tal punição. Então a segunda expulsão é gritantemente injusta. O jogador do Setúbal caiu devido ao contacto. Ver naquela queda e no gesto de levar a mão à cara, sem qualquer espectáculo, uma simulação, é uma interpretação quer somente Pedro Proença será capaz de fazer quando está a apitar jogos do Porto.

Não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira, enfim, não têm conta as vezes que Pedro Proença favorece o Porto. Aqueles que supunham que as recentes declarações de Pedro Proença sobre o “Apito dourado” e sobre os treinadores que criticam a arbitragem representavam um começo de distanciamento relativamente ao Porto não passam de uns ingénuos, uns grandes ingénuos.

E até se deixa aqui um desafio: Proença apitará o próximo Porto-Benfica para o campeonato…se for necessário…

E para concluir mais uma nota: o presidente do Setúbal tal como o do Braga não tem críticas a dirigir à arbitragem. Ficam todas guardadas para outros jogos… Mas também aqui nada de novo. É assim que há muitos anos em Setúbal se comportam os que mandam no clube…

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O CAMPEONATO E OS ÁRBITROS NO FIM DA PRIMEIRA VOLTA


 

O SPORTING EM DESAGREGAÇÃO
 

Nota-se que os meios afectos ao Futebol Clube do Porto estão nervosos com a evolução do campeonato.

Nos media isso é notório. Ontem, cerca de uma hora antes do Moreirense-Benfica, a Antena 1 passou uma inacreditável reportagem sobre a arbitragem em que o locutor de serviço e os entrevistados (Presidente do Braga e um jogador do Moreirense) culpavam abertamente o Benfica por uns castigos que estavam a ser aplicados ou vão ser aplicados a jogadores, respectivamente, do Moreirense e Braga, resultantes de acções por eles praticadas em jogos com os quais o Benfica nada tinha a ver, apesar de estar a ser directamente visado. O Presidente do Braga com a boçalidade que o caracteriza chegou a fazer insinuações torpes sobre a expulsão de um seu jogador no jogo contra o Sertúbal, nem sequer percebendo o ridículo em que estava a incorrer por estar a responsabilizar o Benfica pelo facto de o Braga não ter outros jogadores disponíveis para aquele lugar, facto obviamente da sua exclusiva responsabilidade. Mas além de boçal, o presidente do Braga é muito pouco corajoso, pois como toda a gente sabe calou-se que nem um rato depois dos jogos contra o Porto, nos quais, provavelmente por infelicidade do árbitro, o Braga foi prejudicado.  

Mas não é apenas a Antena 1 que está nervosa, também Sousa Martins na TVI 24 passou imagens do jogo do Braga enquanto se discutia o jogo do Benfica em Moreira de Cónegos para subliminarmente deixar no espectador a ideia de que a expulsão do defesa do Braga era algo que estava ligado ao Benfica. Enfim, espertezas saloias...

Mas não só. Também Vítor Pereira, treinador do Porto, depois daquele triste espectáculo que deu na Luz durante conferência de imprensa, voltou hoje com a questão dos árbitros completamente a despropósito. Numa intervenção que seria deselegante se não fora dar-se o caso de ele estar a atravessar um período de grande nervosismo, disse que Matic iria jogar contra o Braga (por que não haveria de jogar? E que tem ele com isso?), que o central do Braga iria ficar de fora no jogo contra o Benfica (não quererá ele emprestar um jogador ao Braga?) e que Fernando não poderia alinhar no próximo jogo do Porto (mas o que queria ele? mudar as regras e permitir que os seus jogadores pudessem alinhar com cinco amarelos?). Além de que se fica a saber que Vítor Pereira como homem do futebol gostaria que o seu mais directo rival só pudesse jogar com elementos de segunda linha. Ou seja, já está contaminado pela cultura da casa…

Porquê tanto nervoso? Amanhã Porto e Benficapodem ficar a par. Estão a fazer um bom campeonato. Porquê tanta insegurança? De facto, parece que os meios afectos ao Porto não gostam de ter adversários que lhes façam sombra. É claro que o nervoso de Vítor Pereira advém de duas coisas que mutuamente se influenciam. A primeira resulta do reconhecimento da consistência competitiva com que o Benfica está a jogar este ano; a segunda decorre de ele estar a ver a porta de saída se não for campeão ou porventura até sendo-o. Só que neste caso arranjar-lhe-iam um clube para treinar na Grécia ou na Roménia…

Nesta guerra de nervos entre o Benfica e o Porto, o Benfica parece mais forte. Mas tudo vai depender dos jogos de domingo. Se o Benfica ganhar, o Porto vai ficar muito nervoso. Se o Benfica perder ou não ganhar, o Porto respirará de alívio. Veremos o que dirão da arbitragem do Braga-Benfica…

Entretanto, o Sporting, apesar das três vitórias alcançadas por Jesualdo Ferreira, vai-se desfazendo aos bocados. Esta parceria que eles têm com o Porto, está a tornar-se humilhante e fortemente desmoralizadora para as hostes sportinguistas. Então não é que o Porto está em vias de demonstrar que os jogadores têm um valor quando alinham na sua equipa e outro completamente diferente quando jogam pelo Sporting. Isto desmoraliza qualquer equipa, mas ainda mais a contratação, em fim de carreira, de jogadores que foram uma referência no clube de Alvalade, como é o caso de Liedson, se a transferência se concretizar.

Por outro lado, as guerras internas não param e tendem até a agravar-se. Enquanto o Sporting continuar prisioneiro daqueles “senhoritos” que falam nas televisões e nos jornais só vai agravar a sua já muito triste situação. O Sporting precisava de “varrer” toda essa gente que perturba o seu funcionamento. A decisão mais sensata que os sportinguistas normais (caso tenham voz) poderiam tomar seria a de entregar, no mínimo, por um ano a gestão do clube, da SAD e do futebol a uma pessoa competente, séria, que perceba de futebol e seja simultaneamente um gestor. Nem sequer precisava de ser sportinguista. Bastava que fosse um bom profissional e pudesse escolher a sua equipa e simultaneamente só deixasse falar em público, em nome do Sporting, as pessoas que para esse efeito ele escolhesse. Com esta gente, com os que lá estão e com os que palram nas televisões e nos jornais, o Sporting vai a caminho do abismo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

BENFICA-PORTO UM TREINADOR NERVOSO E MALCRIADO


 

O PORTO E AS ARBITRAGENS

 

Foi decepcionante para os benfiquistas o empate desta noite na Luz contra o FC Porto. A decepção não decorre tanto do modo como o jogo decorreu, mas das expectativas que os benfiquistas nele punham: uma vitória que os deixaria realmente isolados.

O jogo iniciou-se sob o signo do golo. Em poucos minutos dois golos para cada equipa fizeram supor que a partida poderia terminar com score invulgar. Infelizmente não foi assim e o jogo acabou tal como ficou nos primeiros dezasseis minutos.

Sem embargo, não foi tanto por mérito de ambas as equipas que os golos surgiram, mas por falhas inacreditáveis de ambas as defesas. Se não vejamos: o primeiro golo do Porto resulta de uma falha inconcebível da defesa do Benfica que deixou passar uma bola perfeitamente ao seu alcance. O segundo golo do Porto é simplesmente inacreditável: por muitas que tenham sido as grandes exibições de Artur na baliza do Benfica, o certo é que também tem pautado as suas intervenções com erros e falhas inacreditáveis. O segundo golo Porto é o exemplo acabado do que acabamos de dizer. Por outro lado, o segundo golo do Benfica resulta também de um falhanço inaceitável de Otamendi.
 
Golo, grande golo, apenas o de Matic, que foi sem dúvida o homem do jogo. Não apenas pelo golo, mas pelo que jogou e fez jogar durante todo o jogo.

Dito isto, tem de reconhecer-se que o Porto colectivamente esteve melhor do que o Benfica. Não que o Benfica tenha estado mal, o que esteve foi abaixo do seu nível médio e da eficácia que os seus adeptos esperavam.

A vitória poderia ter caído para qualquer dos lados, embora tivesse sido o Benfica, do ponto de vista das oportunidades perdidas, que mais perto esteve dela. Aos setenta e oito minutos Cardozo que tão endeusado tinha sido durante a semana e até antes do jogo, acabou por perder a oportunidade mais flagrante de toda a partida: isolado perante Helton atirou para o pior lado permitindo ao guarda-redes do Porto uma excelente defesa.

No fim, frustração de ambas as partes. Do lado do Benfica pela não concretização das expectativas existentes; do lado do Porto, por se ter deparado durante o jogo com facilidades bem superiores às esperadas.

A arbitragem esteve no essencial bem e equilibrada. Do ponto de vista técnico pode ter havido dois off sides mal assinalados ao Porto, embora em ambos os casos a decisão tenha porventura errado por poucos, pouquíssimos, milímetros. Do ponto de vista disciplinar, João Ferreira poderia ter transformado facilmente o jogo numa partida de futebol muito nervosa e quase incontrolável. Bastava que tivesse mostrado muito mais cedo o cartão amarelo a Moutinho, que fez mais do que um terço de todas as faltas do Porto, e expulsado ou, no mínimo, advertido Mangala por entrada brutal sobre Cardozo.

Não o fez e fez bem. Como fez bem não ter mostrado o segundo amarelo a Maxi no fim do jogo ou a Matic por volta do minuto oitenta.

As declarações do treinador do Porto são claramente de um homem nervoso, que se sente inseguro no lugar que ocupa, e que se presta a todos os fretes que o “grande Chefe” lhe exige, mesmo que para isso tenha de recorrer à ordinarice e ao ridículo. Foi o que aconteceu esta noite ao recusar participar na conferência de imprensa com total desprezo pelos jornalistas presentes...que, de resto, não se queixam. Enfim, eles lá sabem poquê...

Minutos mais tarde, o “grande Chefe” veio atacar a arbitragem com a sua costumada conversa ordinária sempre que não a pode controlar.

Quando o "grande Chefe" ou os seus apaniguados, sejam eles comentadores ou jornalistas, criticam a arbitragem ou atacam com ferocidade a crítica isso significa que o Porto (ainda) não controla esses árbitros ou esses jornalistas desportivos.  De facto, são raros os árbitros e os jornalistas que o Porto ataca…raridade obviamente pelas piores razões.

Só a grande falta de vergonha do “grande Chefe” e dos seus apaniguados lhes permite falar de arbitragem!

O treinador do Benfica abordou jogo e falou sobre ele de modo completamente diferente, quer quanto ao jogo quer quanto à arbitragem, quer mesmo quanto à equipa adversária cuja prestação começou por elogiar logo no início da sua intervenção.

Lá mais para Maio/Junho perceber-se-á se esta é uma estratégia do Benfica quanto à arbitragem ou de Jorge Jesus. E talvez se perceba também por que razão o treinador do Porto estava tão nervoso e malcriado…

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

MESSI O MELHOR DE SEMPRE


 
DEL BOSQUE O PRIMEIRO ENTRE OS TREINADORES
Messi gana su cuarto Balón de Oro

 

Sem surpresa o melhor jogador de todos os tempos, Leonel Messi, ganhou a Bola de Ouro pela quarta vez consecutiva.

Se fisicamente nada de anormal se passar, Messi continuará a somar títulos nos anos que vem. Nunca o futebol conheceu na sua história um jogador como Messi.

Ronaldo é um grande jogador, um extraordinário atleta, mas teve o azar (sorte para o futebol) de ser contemporâneo de Messi.

Entre os treinadores Vicente Del Bosque ganhou o que se pode chamar um prémio de carreira. Uma carreira brilhante ao serviço do Real Madrid – duas Ligas dos Campeões, dois campeonatos, uma Super Taça de Espanha, uma Super Taça Europeia, um Mundial Interclubes – e da Selecção Espanhola – um Campeonato de Mundo e um Campeonato da Europa.

Mourinho, apesar da vitória do campeonato de Espanha, não ganhou. Guardiola, que só fez meio ano, também foi preterido apesar de tudo o que de novo trouxe ao futebol – um estilo de jogo que não existia antes dele e que agora perdura no extraordinário Barcelona de Tito Villanova.

Nas notas à margem da cerimónia e das votações dos diversos intervenientes (capitães, treinadores e jornalistas) fica a nota desagradável de Messi não ter feito no discurso da vitória uma referência a Cristiano Ronaldo. Não lhe serve de desculpa, antes pelo contrário, Ronaldo ser em regra mal-educado neste género de cerimónias. A sua classe como jogador exigia e impunha uma outra atitude. Igualmente lamentável, como capitão da selecção da Argentina, não ter na votação do “melhor do mundo” dado um único ponto a Ronaldo. Essa falta é a confissão de que Ronaldo é, depois dele, o melhor. E parece ter sido isso o que ele quis dizer na conferência de imprensa conjunta em que tentou explicar o sentido do seu voto.

Do lado de Ronaldo, como capitão da selecçã,o assistiu-se àquela "soloice" de entregar a responsabilidade do voto a Bruno Alves…por Ronaldo ter um golpe no sobrolho. Incrível. E claro Bruno Alves (o capitão de ocasião) ignorou Messi, o que igualmente significa que ele é o melhor de todos.

Paulo Bento, embora tendo votado em Cristiano Ronaldo, deu um voto a Messi, claramente para apaziguar a consciência, e Joaquim Rita colocou o argentino em segundo lugar atrás de Ronaldo…

Para os treinadores, os três portugueses com direito a voto – Bruno Alves, Paulo Bento e Joaquim Rita - elegeram Mourinho, tendo os dois últimos atribuído pontos ao vencedor – Vicente del Bosque…que não votou em nenhum português.

Mourinho, como já se sabia, não esteve presente na cerimónia. Mourinho não sabe perder…Nada mais há dizer.
No onze do ano, domínio absoluto da Liga Espanhola. Empate entre o Barça e o Real Madrid, com cinco cada, mais Falcao do Atlético de Madrid.

domingo, 9 de dezembro de 2012

A QUESTÃO DO ADIAMENTO DO SPORTING-BENFICA


A ARGUMENTAÇÃO DE OLIVEIRA E COSTA



Uma discussão imbecil decorre neste momento na RTP Informação num programa desportivo sobre o adiamento do jogo entre o Sporting e o Benfica.
 
O representante do Sporting, Sr. Oliveira e Costa, entende que o Sporting formulou junto da Liga um pedido de adiamento que não foi atendido, porque o Benfica não deu o seu assentimento ao adiamento. Portanto, o não adiamento do jogo ficou a dever-se exclusivamente ao Benfica.
 
O representante do Benfica afirma que o Benfica não foi ouvido nem formalmente contactado para o efeito. O do Sporting insiste que a Liga só respondeu negativamente depois de ter ouvido o Benfica.
 
Como toda a gente se recordará, o Sporting supunha que poderia adiar o jogo. E até foi muito categórico a esse respeito, ameaçando não estar presente se o jogo fosse marcado. Depois percebeu que os regulamentos não davam qualquer apoio à sua pretensão e mesmo assim continuou a insistir no pedido de adiamento.
 
É claro que o adiamento só seria possível se o Benfica desse a sua anuência, sendo para isso necessário que o Benfica tivesse sido formal e protocolarmente contactado. Ora o Sporting não fez qualquer diligência nesse sentido. Portanto, se não fez, tem que aceitar como facto natural a decisão da Liga por ser conforme aos regulamentos.
 
Se a Liga ouviu ou não o Benfica é algo perfeitamente irrelevante. Provavelmente a Liga falou com o Benfica, mas mesmo que isso tenha acontecido o mais natural é que o Benfica lhe tenha respondido o que qualquer entidade responsável responderia. Ou seja: não temos conhecimento desse pedido de adiamento; o Sporting não falou connosco!
 
E só assim se compreende que a Liga não tenha na resposta dada ao Sporting feito qualquer alusão ao Benfica. Não fez nem tinha que fazer, dando de barato que tal contacto tenha existido. Por uma razão muito simples: é que quem tinha de contactar formalmente o Benfica era o Sporting e não a Liga.
 
Esta discussão imbecil mostra mais uma vez como actua o sr. Oliveira e Costa. Que princípios regem a sua conduta e que tipo de comportamento ele é capaz de pôr em prática na defesa dos seus pontos de vista. E está tudo dito…

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

MESSI E ARTUR


MESSI JOGA SOZINHO?

 

A imprensa espanhola continua a dar o maior realce à putativa lesão de Messi, deixando implícito pelo teor dos artigos que tem publicado que ninguém pode tocar no astro argentino. Certamente que Messi tem de ser protegido, segundo as leis do jogo, exactamente nos mesmos termos em que devem ser defendidos os demais jogadores.

É certo que determinados jogadores pelo protagonismo que adquiriram em campo, mercê da sua classe, podem ser alvo da violência ostensiva ou disfarçada de outros praticantes, quer como único processo eficaz de os travar,  quer como processo intimidatório relativamente a jogadas futuras. E os árbitros devem estar particularmente atentos a essas situações, antes de mais por serem contrárias às leis do jogo, mas também por serem premeditadas e nada terem de casuais. É nesse sentido, e apenas nesse, que vale a ideia de que os “grandes artistas” devem ser protegidos.

Mas nada disso obsta a que contra esses jogadores os adversários joguem como costumam jogar contra qualquer outro. E o futebol, como se sabe, é um desporto de choques permanentes, susceptíveis de ocasionar lesões, sem que daí decorra qualquer punição para qualquer dos contendores ou sequer qualquer responsabilidade, nem mesmo no plano moral.

Quem viu o jogo entre o Benfica e o Barcelona sabe perfeitamente que o choque entre Messi e Artur foi um choque perfeitamente normal entre o jogador que caminha isolado para a baliza e o guarda-redes que pretende evitar o golo de modo completamente legal.
 
Foi o que sucedeu: Messi tentou passar Artur e este conseguiu com uma notável intervenção desviar a bola com a mão impedindo Messi de prosseguir isolado em direcção à baliza. Foi Artur que chocou com Messi? Só por demagogia se poderia afirmar tal coisa. E por que não o contrário? Aliás, num tecnicista da categoria de Messi exigia-se mais naquela jogada. Exigia-se que tivesse sabido contornar Artur. Mas daí a imputar-se a responsabilidade a Messi pelo choque também vai uma grande distância que ninguém de boa-fé pode transpor. O choque não é da responsabilidade de nem de outro jogador. É uma situação perfeitamente normal num jogo de futebol.

Por isso é completamente ridícula, para não dizer outra coisa, a imputação que a imprensa espanhola, mesmo a de Madrid, tem feito a Artur a propósito da jogada com Messi, equiparando-a ou pondo-a no mesmo plano de certas “patadas” que o craque argentino tem sofrido em Espanha. Quando se exagera cai-se com facilidade no ridículo.
Deve ainda ddizer-se que neste plano se progrediu muito no futebol. Que o diga Maradona que foi vítima de entradas brutais  durante a sua carreira, como antes dele tinha sido Eusébio e outros. Hoje, para bem do futebol, isso já não é possível.

 

 

LIGA DOS CAMPEÕES


 

O DESPREZO ESPANHOL
O argentino Lionel Messi caiu no gramado e deixou os torcedores preocupados

 

Mais importante do que o jogo entre o Barcelona e o Benfica em Camp Nou foi o modo como a imprensa espanhola o tratou. Sobre o Benfica e sobre o jogo em si praticamente não se falou, fosse o jornal, generalista ou desportivo, de Barcelona ou de Madrid.

Entre eles pode haver guerras, serem uns aparentemente muito soberanistas e outros exageradamente centralizadores, mas quando se trata do estrangeiro são todos espanhóis.

Ainda ontem assim aconteceu. O Benfica fez um bom jogo em Barcelona contra uma equipa em que não alinharam algumas das principais vedetas, mas em que participaram muitos dos que normalmente jogam na equipa principal, sem que isso constitua desculpa para quem quer que seja, como também não serviu o facto de no último duelo contra o Real Madrid, o Barcelona ter alinhado com uma equipa que estava longe de constituir a sua melhor formação.

Além de ter feito um bom jogo, o Benfica desfrutou de várias oportunidades de golo que só por inépcia não concretizou. Aliás, uma delas constitui uma grave violação de um dos princípios fundamentais de futebol – o colectivo vale mais do que qualquer individualidade. O que conta no futebol são os triunfos da equipa, sendo meramente secundários e sempre subalternizados os triunfos individuais. É por isso que não tem desculpa o comportamento de Rodrigo, causador de um grave dano ao clube pelo qual tem de ser desportivamente responsabilizado.

Pois bem, a imprensa espanhola ignorou o jogo e o Benfica para se concentrar exclusivamente na “lesão” de Messi. Como toda a gente sabe, Messi lesionou-se, felizmente sem gravidade, sozinho ou num choque com Artur que ele não soube ou não quis evitar. Um lance puramente casual, insusceptível de imputação a quem que seja, salvo ao próprio lesionado. Mas tal lance foi suficiente não apenas para que a imprensa esquecesse o jogo, como também para apelidar de duro o jogo do Benfica. Acusação sem qualquer fundamento, já que se dureza houve ela ficou a dever-se a Adriano, que deveria ter sido expulso. É certo que houve também uma entrada mais ousada de Luisão que foi punida com cartão amarelo e uma outra de Matic semelhante a tantas outras que acontecem durante os jogos. Em conclusão: não houve dureza nenhuma, nem o jogo alguma vez correu o risco de descambar num mero confronto físico entre os jogadres.

Bem, mas o facto de o Benfica ter feito um jogo interessante, de poder ter ganho e outras coisas mais, de forma alguma pode servir de compensação ou fazer esquecer a má campanha que a equipa fez na fase de grupos da Liga dos Campeões. O percurso do Benfica foi um fracasso que o empate em Camp Nou de forma alguma desculpa. Oito pontos na fase de grupos é muito pouco. É, como se viu, uma pontuação insuficiente para a qualificação.

O empate em Glasgow e a derrota em Moscovo são, como logo se disse, resultados altamente comprometedores, que somente com o auxílio de terceiros poderiam permitir a passagem à fase seguinte. Como isso não aconteceu, o Benfica baixa à Liga Europa onde encontrará seguramente equipas bem fortes, contra as quais não terá quaisquer hipóteses se jogar como jogou em Moscovo.

O Porto, pelo contrário, passou folgadamente a fase de grupos, qualificando-se, podendo até ter terminado em primeiro lugar não fora um inacreditável “frango” de Helton. Já o Braga foi decepcionante, repetindo erros que deixam supor deficiências de orientação técnica. Ficou em  ultimo lugar no seu grupo, com apenas uma vitória fora e cinco derrotas, três em casa e duas fora.