terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

MÁRIO COLUNA


 

CONDECORADO PELO GOVERNO PORTUGUÊS
 

 
Mário Esteves Coluna é juntamente com Eusébio a maior glória do futebol benfiquista e um dos nomes incontornáveis da história do futebol português. Chegado a Portugal nos longínquos anos de 1954, vindo do Desportivo de Lourenço Marques, Coluna logo se impôs na equipa do Benfica, treinada pelo célebre Otto Glória – o homem que tirou o futebol português da época da “pedra lascada” e protagonizou a sua primeira grande modernização; a segunda haveria de caber a um outro treinador, também do Benfica, Steven Goran Erickson.
Coluna iniciou a sua carreira no Benfica no mesmo ano que Otto Glória havia chegado ao clube. Otto Glória renovou a equipa – a primeira grande renovação dos pós guerra - apostando fortemente em jogadores oriundos das ex-colónias, modernizou os métodos de treino, introduziu o famoso 4-2-4 e o profissionalismo no futebol português. Juntamente com Coluna, sob a direcção de Otto Glória, entraram para a equipa do Benfica nesse ano Costa Pereira e Naldo, vindos ambos de Lourenço Marques, e depois Pegado, Garrido e Chipenda, para se juntarem àqueles que eram então as grandes vedetas do Benfica – José Águas, Caiado, Ângelo, Arsénio, Artur, Palmeiro, entre outros.
Estreou-se  oficialmente no Estádio Nacional contra o Setúbal em 12 de Setembro com uma vitória por 5-0, tendo marcado dois golos.
Logo no ano da chegada a Portugal Coluna ganhou o Campeonato e a Taça de Portugal. Foi o ano em que se inaugurou o Estádio da Luz – 1 de Dezembro de 1954 – a que sempre terá de ficar associado o nome desse grande benfiquista, verdadeiro símbolo da matriz popular e democrática do clube – Joaquim Bogalho. Foi também nesse ano que o Benfica fez uma célebre digressão ao Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo, na qual Coluna e Costa Pereira foram muito elogiados pela exigente imprensa brasileira, pelas grandes exibições que realizaram no Maracanã e em S. Paulo.
Depois, a partir de 1959/ 60 e durante três épocas é o "reinado" do grande Bela Guttman e da equipa maravilha do Benfica, na qual Coluna assumiu o papel indisputado de "grande partrão" - o mostro sagrado do futebol português. Dois campeonatos, duas Taças dos Campeões europeus e uma Taça de Portugal é o palmarés de Bela Gutman na sua primeira passagem pelo Benfica e, obviamente, dos jogadores que compunham a equipa.
De 1954 a 1970 – foram dezasseis épocas ao serviço do Benfica. Uma carreira recheada de títulos – 10 campeonatos, 7 taças de Portugal, 2 Taças dos Campeões Europeus – e muitas internacionalizações pela selecção portuguesa onde rubricou exibições memoráveis, nomeadamente no Mundial de Inglaterra de 1966.
Ficou famosa a agressão de que foi alvo na final da Taça dos Campeões Europeus, em Wembley, 1963, contra o Milan, num jogo que o Benfica perdeu por 2-1. Na altura não havia substituições e Coluna esteve mais de vinte minutos ausente do jogo a receber assistência nos balneários. Reentrou em campo inferiorizado e assim se manteve até final da partida. O Benfica marcou primeiro por Eusébio, tendo-se mantido à frente do marcador durante uma hora, mas a lesão de Coluna, propositadamente provocada pelos italianos e durante décadas erradamente atribuída a Trapattoni, deitou tudo a perder. Dois anos mais tarde, em 1965, em San Siro, contra o Inter, o Benfica voltaria a perder a final com dez homens em campo, desta vez por lesão do guarda-redes, Costa Pereira, que Germano – o grande Germano, o homem que jogava em todas as posições – teve de substituir desde os 57 minutos, naquela que foi porventura uma das melhores épocas de sempre do Benfica na Taça dos Campeões, com uma vitória em Lisboa sobre o grande Real Madrid por 5-1!
Coluna realizou no Benfica 525 jogos, foi internacional 57 vezes, marcou o último golo em 25 de Outubro de 1969 contra o Boavista na Luz e fez o último jogo oficial pelo Benfica, no Estádio Nacional, em 8 de Fevereiro de 1970, contra a CUF do Barreiro.
É hoje condecorado em Maputo pelo Governo português com o Colar de Honra de Mérito Desportivo. No Benfica merecia uma estátua, no mínimo como a de Eusébio!

A IGNORÂNCIA DO DIA SEGUINTE


 

OS LANCES DA JORNADA

É absolutamente espantoso que três comentadores de futebol, por acaso todos do PSD, pertencentes a clubes diferentes, todos licenciados em direito, não saibam interpretar as leis do jogo em lances óbvios e sem nenhuma dificuldade de interpretação. A maior parte das vezes actuam completamente de má-fé ou no quadro de um sectarismo que só prejudica o futebol como aqui tantas vezes temos dito. Outras, como hoje foi o caso, por manifesta ignorância.
Tudo isto vem a propósito do lance de Rui Patrício na Amoreira. Para esse lance só há uma solução: penalty e expulsão. Então não é óbvio que o jogador do Estoril, se não tivesse sido rasteirado, teria marcado golo? Que interessa a direcção do corpo em que ocasionalmente se encontra o jogador rasteirado, se a baliza está escancarada a cerca de 12 metros, bastando ao jogador rematar com uma simples torsão da perna para fazer golo? É preciso ser realmente estúpido para supor que somente quando o jogador está virado de frente para a baliza é que há vermelho directo. Então os jogadores não têm mobilidade mais que suficiente para se mudar de posição imediatamente ou devem antes ser equiparados a pesados petroleiros que precisam de uma longa manobra para mudar de rumo? O decisivo é a possibilidade ou não de fazer golo quando o jogador que segue isolado é rasteirado ou quando quem rasteira já não tem ninguém atrás de si, nem sequer o guarda-redes, que foi aliás o que se passou no Estoril. Isso é que importa e não a posição em que o jogador tem o corpo.
A verdade é que estes tipos são os mesmos que também acham que os seus amigalhotes se podem candidatar vezes sem conta a uma câmara municipal desde que se vão mudando de terra de tempos a tempos. 
 São pouco inteligentes e objectivamente batoteiros.
Mais à frente a história repetiu-se com uma falta de Otamendi sobre um jogador do Rio Ave que o árbitro não marcou. Mas esse mesmo árbitro já não teve dúvida em assinalar penalty a favor do Porto (mais um) numa bola chutada à queima-roupa contra o braço de um defesa do Rio Ave. O comentador do FCP é tão aldrabão que até teve a pouca vergonha de afirmar que o jogador do Rio Ave agarrou o defesa do Porto. O impoluto sportinguista, o tal que é portador de uma moral acima de qualquer mortal, concordou com o comentador portista: não foi penalty. Estes sportinguistas estão completamente colonizados…
Entretanto, o Sporting vai de mal a pior no plano desportivo e no plano “político”. No jogo do Estoril foi perdoado um vermelho a Rui Patrício e um segundo amarelo salvo erro a Eduardo. No plano "político" continua luta entre a direcção cessante e a mesa da assembleia geral não apenas directamente, mas também por via dos novos candidatos. Com ou sem bancos, o Sporting caminha para o abismo. E talvez seja no abismo, depois de lá cair, que venha a regenerar-se. Mas não vai ser fácil…
Quanto aos outros jogos, importa destacar a vitória tranquila do Benfica frente ao Paços de Ferreira, por 3-0 e a difícil vitória do Porto contra o Rio Ave, por 2-1.
Esta vitória do Benfica parece desmentir a tese que os comentadores portistas e a seus apaniguados desde há algumas semanas andavam defendendo de que o Benfica estava estourado e que muito brevemente iria começar a ceder. Afinal, quem revelado grandes dificuldades em Fevereiro, apesar de quase só estar a fazer um jogo por semana e de ter tido vários penalties a seu favor, é o Porto.  Veremos se mesmo assim com vários penalties a favor e com lances ilegais, não assinalados, dentro da sua área ou ainda com cargas ao guarda-redes adversário o Porto se aguenta.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

JOÃO GOBERN É INGÉNUO OU EXCESSIVAMENTE EDUCADO?


 
COMENTÁRIO SOBRE O COMENTÁRIO
 

 João Gobern é no panorama do comentário desportivo português um caso à parte. Vê-se que é uma pessoa bem formada, com grande consciência cívica, educado nas suas críticas e moderado nos seus aplausos. Talvez por isso tenha sido banido do comentário crítico desportivo da RTP. Um operador de câmara apanhou-o a fazer um gesto de regozijo por o Benfica ter marcado um golo ao Braga, quase no fim do jogo, que lhe assegurava a vitória numa partida que tinha sido muito difícil.
O realizador não teve qualquer problema em pôr as imagens no ar e a RTP hipocritamente despediu-o como comentador.
Se a RTP, nomeadamente a RTP Porto, pusesse no ar os aplausos que os seus “independentes jornalistas” desportivos fazem quando o Porto marca um golo, nem seria necessário fazer a tal remodelação de que fala o Relvas. Já tinham sido todos despedidos. Mas como as imagens de João Gobern vieram para o domínio publico, a “ética” desportiva da RTP impôs o seu despedimento. A mesma “ética” que os impede de parar as imagens para que se possa medir bem o off side de Moutinho contra o Málaga ou a mesma “ética” que os impele a passar as imagens em câmara lenta sempre que convém distorcer a realidade, imagens que às vezes nem sequer passaram à velocidade normal.
Se houvesse ética na RTP, a primeira coisa que a sua administração deveria fazer era acabar imediatamente com os programas desportivos comentados por adeptos dos clubes ou de pessoas que estão a soldo do clube que representam. Como aqui tantas vezes se tem dito, são programas anti-futebol, estupidificantes e que só propagam no país o atraso mental. E deveria manter programas desportivos de qualidade, compostos por comentadores independentes e com a presença de um árbitro na análise da jornada do fim de semana e das jornadas europeias. Com uma condição: todos os comentadores, bem como o próprio árbitro, teriam de declarar publicamente as suas simpatias clubistas. Quem não declarasse ou fizesse batota, do género o meu clube é a selecção nacional ou a Académica, não poderia participar. Só assim se elevaria o nível do comentário desportivo e se atribuiria alguma dignidade ao futebol enquanto desporto para ser visto.
Tudo isto a propósito de João Gobern participar num programa desportivo para o qual não está manifestamente talhado e que jamais conseguirá morigerar com comentários sérios porque não está a tratar com pessoas como ele. Está a tratar com pessoas que frequentemente estão de má fé e sempre imbuídas do maior fanatismo. Se vivessem um pouquinho mais a sul, onde o “desporto” é outro, toda a gente sabe onde eles militariam e o que fariam, caso dedicassem a essa outra causa o mesmo fanatismo e o mesmo fundamentalismo com que defendem o seu clube.
Se o João Gobern pensa que pode modificar o programa em que participa, então ele está a ser um grande ingénuo. Se actua como actua apenas por educação – e não há nenhuma razão para supor que essa não seja a verdadeira causa do seu comportamento – então deve retirar-se.
Ele, por muito que isso custe à sua integridade moral, não pode estar num programa daqueles para elogiar o adversário diga o elogio respeito a jogadores, a dirigentes, a treinadores ou o que quer que seja, nem para dar razão aos seus adversários seja qual for o assunto. Se isso afronta os seus princípios que ao menos fique calado quando os outros abordam esses temas ou lhe solicitam que o faça. Que João Gobern analise com frieza o modo como eles actuam contra ele: sempre que um ou outro dão razão a alguma coisa relacionada com o clube que JG defende, é para logo a seguir poderem desferir com mais intensidade e, pensam eles, credibilidade, um ataque feroz contra esse mesmo clube.
Isto não quer dizer que o clube de JG esteja bem representado nos programas homólogos da concorrência. Não está. Entre a exaltação permanente e o radicalismo insustentável e a sonsice de quem não defende coisa alguma e só lá está por razões que nada tem a ver com o Benfica há um imenso caminho que poderia ser percorrido.
Mas o ideal, o ideal mesmo, era que esses programas acabassem!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

JESUS QUER BENFICA FORA DA LIGA EUROPA?


 

OUTRAS NOTAS SOBRE A JORNADA EUROPEIA
 

 

Mais uma vez o treinador do Benfica, na véspera de um importante jogo para a Liga Europa, contra uma grande equipa alemã, fez declarações incompreensíveis para a maior parte dos adeptos.

Não só repete o que já tinha disto antes do encontro de Leverkusen – o campeonato é a prioridade, o jogo contra o Paços de Ferreira é mais importante – como acrescenta a inacreditável previsão (desejo?) de que das duas equipas que em Portugal lutam pelo título terá mais hipóteses a que primeiramente for eliminada das competições europeias.

Interpretado à letra, isto deixa aso a que se diga que Jesus está ansioso que o Benfica seja arredado da Liga Europa. É essa a mensagem que parece transmitir aos seus jogadores. Uma mensagem de um treinador pouco ambicioso e nada confiante nas capacidades da equipa para se bater em várias frentes.

Que garantias tem Jesus na vitória no campeonato se o Benfica for eliminado, logo à noite, da Liga Europa e, por acréscimo, na próxima quarta-feira, da Taça da Liga, contra o Braga? Nenhumas, absolutamente nenhumas, como se viu nos dois últimos anos.

Obviamente que estar em quatro frentes nesta altura da época é obra e raros são os que não sucumbem. Mas isso não significa que as equipas com ambição, com plantéis caríssimos, não devam tudo fazer para se manter nas respectivas provas, a lutar pelos títulos, até ao fim. Ao treinador cabe fazer a gestão desse esforço, doseando-o inteligentemente pelos diversos elementos do grupo.

Jesus conta, porém, com uma contrariedade: os jogadores estão muito interessados na prova europeia e tudo farão para nela se manter o mais tempo possível. É com essa vontade que  os benfiquistas contam.

Entretanto, a jornada europeia da Champions League terminou com uma quase irrecuperável derrota do Barcelona frente ao Milan, em San Siro. Os catalães dão-se mal com os ares de Milão, seja com o Inter, seja com o Milan. O jogo de ontem à noite foi dos mais pobres que o Barcelona fez nos últimos cinco anos.

O Barcelona pode queixar-se do árbitro por o primeiro golo ter sido marcado na sequência de uma mão não assinalada, mas já só se pode queixar de si próprio por ter feito durante todo o jogo um único remate à baliza!

Além de Messi ter estado quase ausente do jogo - ver-se-á mais tarde se por acaso ou por estar a pagar o preço de uma época intensa –, o Barcelona continua demonstrando grande fragilidade defensiva. Na próxima época vai ter de rever de alto a baixo a sua linha defensiva. Piqué está longe de dar garantias e dá-las-á tanto menos quanto mais o trio maravilha do meio campo demonstrar saturação e cansaço. Puyol ainda é dos quatro da defesa o melhor, mas a sua imensa combatividade e vontade de vencer não vão ser suficientes para superar outras limitações, que o tempo necessariamente impõe. Se esta questão não for resolvida com tempo, afiguram-se tempos difíceis para o Barcelona.

Ver-se-á até meados de Março quem em Espanha segue em frente na Champions. Tal como as coisas estão, não seria de admirar que não seguisse ninguém. Málaga, Barcelona e Real Madrid podem todos ser eliminados. Ainda assim, o que tem mais hipóteses de passar é o Real Madrid. Mourinho tem muita sorte nas provas a eliminar.

Quanto ao jogo do Porto, continua o silêncio na imprensa portuguesa (e também nas televisões) sobre o golo de Moutinho. O que não se compreende tanto mais que o off side é óbvio. O Porto apesar de não ter desfrutado de nenhuma outra ocasião de golo, exerceu um domínio intenso sobre o Málaga e está fisicamente muitíssimo mais forte. Tem, portanto, todas as possibilidades de passar.

Para terminar, uma nota mais. Corre na imprensa europeia que Villas-Boas será o substituto de Mourinho no Real Madrid. Seria uma boa solução para o Real Madrid. Villas-Boas não só é um grande treinador, como um homem inteligente capaz de imediatamente perceber a “idiossincrasia” dos merengues. Além de que é uma pessoa educada no verdadeiro sentido do termo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

VITÓRIA DO PORTO COM GOLO OFF SIDE


 

A "INTELIGÊNCIA BACOCA" DOS COMENTADORES
[foto de la noticia]

 

Não há nada mais nocivo ao futebol português do que os comentadores que semana após semana aparecem nas televisões a emitir opiniões sobre os jogos da jornada. Salvo raríssimas excepções, eles causam no espectador uma tão forte repulsa pelo fenómeno desportivo que só por este ter mesmo muita força consegue resistir a quem o trata tão mal. E então os chamados comentadores dos clubes são execráveis. Nem mais nem menos: execráveis. Os do Sporting são os grandes responsáveis pelo clube estar na posição em que se encontra e a analisar pelo que se continua a ver parece que não descansarão enquanto não puserem o clube na segunda divisão.

Mas os que escondem (com o rabo de fora) a sua cor clubista não são melhor. Pelo contrário, até conseguem em muitos casos ser pior. Umas vezes por paixão clubista exacerbada e falsamente escondida, outras por medo dos grandes patrões da bola que não se ensaiam nada para os pôr na prateleira se desalinham da norma estabelecida.

Tudo isto vem a propósito da vitória de hoje à noite do Porto contra o Málaga. Toda a gente viu que o golo foi marcado em fora de jogo. E quem não viu à primeira poderia ter visto à segunda ou à terceira. Mas não: quiseram esconder o que não poderia ser escondido. Não pararam nunca a imagem – e este é dos poucos casos em se que justifica a imagem parada – e quiseram enganar o espectador. Como se por essa Europa fora não houvesse mais televisões. Eles que param a imagem por tudo e por nada, a maior parte das vezes para distorcer a realidade, desta vez nada fizeram. Nem as famosas linhas puseram. Enfim, uma vergonha.

A vergonha não é a vitória ter sido obtida com um golo ilegal. Isso acontece, infelizmente. A vergonha é tentar esconder isso. É certo que esse erro pode ser decisivo no desfecho da eliminatória, mas nem por isso deixa de ser verdade que coisas dessas acontecem por mais atentos que os árbitros estejam. Toda a gente se recordará daquela vitória na Liga dos Campeões do Porto de Mourinho, por caso obtida contra duas equipas da 2.ª divisão (o Deportivo da Corunha e Mónaco) – facto de que o Porto não tem culpa nenhuma), ter sido obtida com um erro gigantesco cometido pelo árbitro no jogo do Porto contra o Manchester United nas Antas – um golo indevidamente anulado. Um golo que se tivesse sido validado tudo poderia ter sido diferente.

No jogo desta noite o Porto foi indiscutivelmente superior, sem contudo ter criado verdadeiras oportunidades de golo, além do golo. O Málaga é inferior, embora tenha uma boa defesa e um meio campo defensivo que actua com muito rigor. Mas o ataque não existe. E Roque Santa Cruz é agora uma completa nulidade. Incrível como Pellegrini permitiu que acabasse o jogo.

O Porto parece ser este ano cada vez mais Moutinho. E depois a um nível diferente, mas muito eficaz, Sandro (o tal que eles, os comentadores do Porto, diziam que não jogava nada quando comparado com Álvaro Pereira!) e à frente, como finalizador, com grande porte atlético, Jackson Martinez. E é tudo em matéria de individualidades, salvo uma nota para a excessiva dureza de Mangala. Mas apesar da falta de verdadeiros artistas, a equipa como conjunto é sólida, muito sólida. E por isso ganha e não deixa marcar golos ao adversário.
E foi o que hoje mais uma vez aconteceu!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

ACADÉMICA NA LUZ COM ENCOMENDA DO PORTO


 

SAIU FURADA A ESTRATÉGIA DE PEDRO EMANUEL
Benfica vence Académica com penálti nos descontos
 A académica jogou este ano contra o Benfica quatro vezes. Em todos os jogos anteriores a Académica tentou ganhar e esteve perto de o conseguir por duas vezes. Quando empatou em Coimbra para o campeonato e quando perdeu na Luz para a Taça da Liga. Em ambos os jogos marcou quatro golos ao Benfica, dois em cada. Só no jogo da Taça de Portugal as coisas correram francamente mal à Académica.
Por isso não deixa de ser estranho, muito estranho, que a Académica tenha vindo à Luz com a atitude que hoje demonstrou. Com uma atitude de quem despreza completamente a possibilidade de atacar o Benfica….porque, percebe-se, dessa atitude poderia resultar alguma fragilidade defensiva. E a Académica não quis arriscar nem um milímetro. Ficou a ideia de que a encomenda que trazia para o jogo da Luz passava por um empate.
Não é que a atitude da Académica seja nova no futebol português. A novidade está em Académica ter feito isto este ano, ao arrepio de tudo o que tem feito até aqui.
Quando o Benfica foi campeão com Trapattoni, o Belenenses de Carvalhal foi à luz jogar durante 90 minutos dentro da sua área. Acabou por perder por 1-0 com um golo de Mantorras. Precisava o Belenenses desse ponto na Luz? Não. Ficava exactamente no lugar em que estava qualquer que fosse o resultado. Por que razão abdicou então o Belenenses de atacar, de tentar chegar à área do Benfica? Só Carvalhal poderá responder. No mesmo campeonato, Lito treinava o Estoril. O jogo da segunda volta realizou-se no Estádio do Algarve, por acordo ou a pedido do Estoril. Não foi o Benfica que marcou o jogo no Algarve, porque não é o Benfica que marca o lugar onde se realizam os jogos do clube visitado. Pois Lito jogou durante 90 minutos a defender, sem sequer tentar chegar uma vez à baliza do Benfica. Porquê? Só Lito poderá responder. Mas não lhe valeu de nada. Mais uma vez Mantorras no tempo de compensação marcou o golo da vitória.
Hoje passou-se o mesmo. Pedro Emanuel teve a ousadia de afirmar que também o Manchester jogou assim na terça-feira passada contra o Real Madrid, no primeiro jogo da eliminatória dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Só por brincadeira Pedro Emanuel pode ter dito o que disse. Como o jogo a que ele se referiu foi há 5 dias e há milhões de pessoas que o viram, não vale a pena responder …
Vamos ver como é que Pedro Emanuel vai jogar contra o Porto. Está muita gente com curiosidade…
Hoje a estratégia do treinador da Académica saiu derrotada da Luz com toda a justiça. Quem faz anti-jogo, quem vai competir apenas para impedir o adversário de jogar não merece ganhar um ponto que seja. Fez-se justiça: Lima no nonagésimo quarto minuto marcou e o Benfica ganhou!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

BENFICA VENCE EM LEVERKUSEN


 
AFINAL, O BENFICA JOGOU A SÉRIO
Matchwinner in Leverkusen: Oscar Cardozo überlupft Bayer-Keeper Bernd Leno zum 1:0 für Benfica

 Aquilo que parecia ser uma jornada pouco interessante para os benfiquistas, acabou por se tornar numa jornada vitoriosa num país tradicionalmente difícil para as equipas portuguesas, e para o Benfica em particular. De facto, raras são as equipas portuguesas que têm saído vitoriosas na Alemanha.
Esta noite, em Leverkusen, o Benfica somou a segunda vitória na Alemanha, depois de muitos e muitos anos a perder e a empatar com equipas germânicas. Foi um jogo interessante em que o Benfica, contrariamente ao que é costume, soube reter e controlar a bola e jogar com muita eficácia na defesa perante uma equipa que apresentava o seu ponto forte exactamente no ataque.
Na primeira parte o Bayer quase não teve uma verdadeira oportunidade, enquanto o Benfica poderia ter marcado num excelente remate de André Almeida. Na segunda parte, o jogo recomeçou menos rápido e com a Benfica a defender mais.
Depois de quase ter sofrido um golo numa jogada confusa em frente à baliza de Artur, o Benfica lançou um rápido contra-ataque conduzido por Sálvio que não conseguiu dar seguimento à jogada por ter aparentemente falhado o passe para um companheiro. A jogada parecia perdida, mas André Almeida conseguiu recupera a bola, correr pela direita e cruzar, Gaitan deixou passar para Cardozo que depois de uma brilhante simulação marcou em jeito o golo do Benfica.
Perto do fim o Benfica, esteve, por duas vezes, quase a fazer golo por Ola John, mas acabou por ser Melgarejo no último minuto a segurar a vitória ao cortar de cabeça sobre a linha de golo uma bola que ia direitinha para dentro da baliza.
O Benfica neste jogo demonstrou mais consistência defensiva com André Gomes e Melgarejo nas alas e mais segurança no meio campo com Matic e Enzo Peres, ambos muito bem.
Matic realizou uma excelente exibição, sem dúvida o melhor do Benfica, mas o homem do jogo acabou por ser Cardozo, que marcou o golo da vitória, e a seguir Melgarejo que evitou o empate quando o golo já parecia inevitável.
Urreta jogou de início e foi substituído por Salvio um pouco antes dos 60 minutos. Já antes André Gomes por lesão havia dado o lugar a Enzo Peres. Antes do quarto de hora final, Cardozo foi substituído por Lima. A substituição de Cardozo por Lima parece resultar de uma daquelas “fèzadas” que às vezes os treinadores têm relativamente a certos jogadores, já que nada naquela altura justificava a saída de Cardozo. O paraguaio demonstrou grande disponibilidade física durante todo o encontro, estava moralizado e via-se que ainda aguentava em bom ritmo mais uns minutos. Desta vez Lima pouco ou nada fez. Não parece ser o tipo de jogador adequado a um jogo como o de hoje em que quem lá estivesse, naquele lugar, teria de jogar muitas vezes sem apoios.
A eliminatória não está ganha, mas foi um grande passo. Na próxima quinta-feira se verá e ver-se-á também como vai reagir o Benfica à série de jogos que aí vem.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

JESUS SECUNDARIZA LIGA EUROPA



ESTRANHAS DECLARAÇÕES
 

 

Mais uma vez Jorge Jesus volta a surpreender-nos com estranhas declarações na véspera do encontro com o Bayer de Leverkusen para a Liga Europa. Em vez de se mostrar cem por cento empenhado no jogo de logo à tarde e de encorajar a equipa na busca de um excelente resultado que lhe permita passar a eliminatória, veio dizer que está em Leverkusen a pensar no jogo do próximo domingo contra a Académica, uma vez que o campeonato é a grande prioridade da equipa.

Isto é estranho e inaceitável. O jogo mais importante do Benfica é sempre o próximo, qualquer que seja a competição onde se insira. Mas é ainda mais importante se se trata de uma competição europeia. Foi nas competições europeias que o Benfica ganhou a grandeza que hoje tem.
 
Abel Xavier, um dos heróis de Leverkusen no célebre jogo de há 19 anos, também veio criticar Jesus pelas declarações que fez e pelo efeito que elas podem ter no comportamento da equipa.

Este ano o Benfica já foi eliminado da prova-rainha da Europa, quando tinha todas as condições para seguir em frente. Ao consumar-se a eliminatória da Liga dos Campeões, Jesus desculpou-se com a entrada na Liga Europa e a possibilidade de a ganhar. Agora que vai disputar o primeiro jogo da Liga Europa vem dizer-nos que o importante é o campeonato.

Há qualquer coisa que não está bem na cabeça de Jesus. Tem Jesus competência para preparar uma equipa com capacidade para suportar a segunda parte da época? É capaz Jesus de manter a eficácia da equipa na fase crucial da época que é aquela em que se acumulam os jogos das diversas competições em que está integrada?

A experiência do passado diz-nos que não. Mais: os adversários do Benfica até afirmam todos os dias que as equipas de Jesus claudicam sempre a partir de Fevereiro. E assim tem sido desde que está no Benfica. No primeiro ano, a equipa aguentou-se no campeonato, que ganhou, em confronto com o Braga, mas sem a concorrência directa do Porto, e na Taça da Liga, que também ganhou, mas foi eliminada das outras duas provas. Nos dois anos subsequentes perdeu tudo e foi eliminado das competições europeias e da Taça de Portugal, ganhando apenas a minúscula Taça da Liga.

E este ano, como vai ser? As primeiras impressões apontam para um abaixamento do Benfica a partir de Fevereiro. Uma defesa claudicante, sofrendo muitos golos, uma equipa incapaz de controlar o jogo, perdendo muitas bolas e alguns jogadores já em fase de queda física acentuada.

Será por isso que Jesus não se importa de ver o Benfica fora da Europa? Lamentável, se assim for!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

AS DECISÕES DO CONSELHO DE DISCIPLINA DA FPF


 
COMPENSAÇÕES
 
 
Tudo indica que as deliberações hoje tornadas públicas do Conselho de Disciplina da FPF assentaram num princípio de compensação entre as várias partes envolvidas.
Proença errou ao ter expulsado Matic, que nada fez para justificar o vermelho, tendo, pelo contrário, sofrido uma falta do adversário e foi demasiado severo na expulsão de Cardozo já que o seu gesto não pode, no rigor dos princípios, considerar-se uma agressão. Nesta medida o Benfica ficou a perder. Mas essa perda foi compensada com a penalização de apenas um jogo a Cardozo, que, como se viu, puxou a camisola do árbitro com força suficiente para que tal gesto não possa considerar-se uma simples chamada de atenção.
Nestas contas, quem fica a perder é Proença que, para todos os efeitos, é desautorizado.
Havia, porém, outros assuntos em jogo que nada tinham a ver com as incidências do Nacional-Benfica, mas que entram nas grandes contas de "deve e haver" entre o Porto e o Benfica. Como a “mão disciplinar” foi leve relativamente o Benfica, no que respeita a Cardozo, haveria que compensar essa decisão com uma outra que favorecesse o rival. Ou talvez o contrário: como a “mão disciplinar” iria ser leve para o Porto, haveria que compensar essa leveza com algo igualmente leve que dissesse respeito ao Benfica.
Tudo ponderado aceita-se a decisão do Conselho de Disciplina. Prevaleceu o que se pode chamar o "bom senso". Muito provavelmente, ou seguramente, o FC Porto infringiu os regulamentos da Liga ao fazer alinhar na Taça da Liga três jogadores que tinham alinhado na sua equipa B há menos de 72 horas. A diferença era porém de minutos, de escassos minutos, não se podendo dizer, antes pelo contrário, que o Porto, nesse jogo, tenha sido beneficiado por esse facto.
É certo que os regulamentos são para cumprir. Nas normas relativas a prazos (forma dos actos, etc.) dizem os juristas que prevalece a “justiça formal” em detrimento da justiça material. No entanto, se quem aplica a justiça, depois de ter concluído que da infracção ocorrida não resulta prejuízo nem para as partes nem para terceiros e que a norma infringida tinha apenas em vista a protecção de um interesse próprio ou dos seus jogadores, se esse alguém conseguir encontrar um meio de impedir a aplicação da sanção, isso não deverá ser objecto de grande reprovação, nomeadamente, como aconteceu no caso, se a diferença entre a infracção e a legalidade estiver dependente do cumprimento de uns escassos minutos.
A eliminação do Porto iria dar lugar a um rosário de queixas que nunca mais acabaria de ser desfiado. Meia volta, volta e meia, lá estaria o Porto a dizer que lhe “roubaram” na secretaria o que havia ganho no campo. É melhor assim. Além da Taça da Liga ficar mais forte, poder-se-á doravante dizer que houve uma atenuação dos regulamentos relativamente ao Porto. Ponto é que a “jurisprudência” do CD da FPF seja daqui para frente considerada um precedente a ter em conta nas decisões futuras.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O FC PORTO E CARDOZO



DESDE O MONSTRO SERRÃO A PINTO DA COSTA
 

 Os comentadores do Porto, nomeadamente esse monstro ou mostrengo que se dá pelo nome de Serrão, passando pelo fanático Guedes ou pelo arranjista Aguiar e acabando no seu presidente, conhecido homem impoluto do futebol como as escutas sobejamente demonstram, não se cansam de pedir a sanção máxima para Cardozo pelo episódio ocorrido com Proença no último jogo do Benfica com o Nacional.

O lobisomen até diz que a sanção de Cardozo tem de ser exemplar por o seu comportamento não ter tido lugar contra um árbitro qualquer, mas contra o melhor árbitro do mundo! Ora aqui está um monstro sincero e inteligente: as sanções resultantes de comportamentos indevidos contra árbitros não resultam do facto de terem sido praticados contra árbitros, mas dependem e variam em função da qualidade do árbitro. Por exemplo, se for cometida contra um árbitro amigo do FCP a sanção a aplicar deverá ser máxima, se possível irradiação!

Se por um lado esta fúria justiceira demonstra bem o medo, o terror mesmo, que Cardozo lhes infunde, por outro ela é também elucidativa do carácter e da personalidade das pessoas de que estamos a falar.

O Porto, como toda a gente sabe, já fez todo o género de tropelias com árbitros de futebol. Tropelias é uma palavra suave para factos que podem ser documentados com imagens e com gravações de som.

Recorrendo apenas aos factos mais recentes – e quando falamos em factos recentes reportámo-nos à “relação” do Porto com os árbitros iniciada nos anos 80 do século passado com a nomeação de Pinto da Costa para dirigente do departamento de futebol – podemos começar pela célebre cena em que Vítor Baía e C.ª empurraram o Pratas em Coimbra de um lado ao outro do campo, acabando por o meter dentro da baliza do Benfica.

Castigos? Zero!

Depois podemos continuar com Kostandinov a agredir um fiscal de linha, por teranulado um golo ao Porto, marcado na sequência de uma jogada com a mão..
 
Castigo? Zero!

Continuar com Deco a atirar a chuteira ao árbitro Paulo Parati (cena cujas consequências estão suficientemente ilustradas nas ameaças então proferidas no jornal “o Jogo” e nas escutas a Pinto da Costa).
 
Castigo? 2 Jogos, após recurso.

E, para não sobrecarregar os leitores com factos que eles sobejamente conhecem, finalizaremos com três “peitadas” (não uma, nem duas, mas três) de Bellucci a Duarte Gomes.
 
Castigo? Por aquele comportamento, Zero!

Ora aí estão os exemplos em que os homens do Porto se baseiam para exigirem a pena máxima…

 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

PEDRO PROENÇA E O BENFICA


 

QUEM PODE ACEITAR UM ÁRBITRO ASSIM?
 

 

Dizem que Proença foi considerado o melhor árbitro do mundo. Pode ter sido, mas certamente nas exibições tomadas em conta para o efeito não contam as arbitragens dos jogos do Benfica, principalmente – mas não só – contra o FC Porto, e também algumas arbitragens dos jogos do Sporting, principalmente contra o FC Porto. Coincidências!

No que respeita ao Benfica não há coincidências. Há uma impressionante regularidade de prejuízos causados ao clube da Luz em jogadas em que nenhum outro árbitro tomaria as mesmas decisões. E isto dá que pensar e exige investigações. Porquê? Porque não é normal.

Vamos ao jogo de ontem na Madeira entre o Nacional e o Benfica. Tudo a correr normalmente, um jogo emotivo, com poucas faltas, o Benfica cometeu 8 em todo o jogo e o Nacional o dobro (16), sem nenhuma das equipas estar a dar possibilidade ao árbitro de se mostrar. Pois bem, quando o jogo estava empatado 2-2, nos minutos finais da partida, com o Benfica a carregar em busca da vitória e o Nacional à espreita de uma oportunidade que lhe permitisse ganhar, eis que Pedro Proença expulsa Cardozo.

Porquê? Porque um jogador do Nacional, Marçal, tenta retardar a execução de um canto favorável ao Benfica, retendo indevidamente a bola. Cardozo tenta tirá-la com os pés, mas não consegue e num gesto incorrecto toca com o pé na perna do adversário que continuava retendo a bola de costas para o atacante benfiquista. Pedro Proença não hesita: mostra a Cardozo o vermelho directo.

Poder-se-á considerar correcta esta decisão? Não pode. É certo que já vimos expulsões idênticas a esta, uma ou duas vezes, não mais. Uma delas foi a de Jorge Andrade, como jogador do Corunha, num jogo contra o Porto. Deco deixou-se cair para ganhar uma falta numa jogada em que já tinha a bola perdida. Jorge Andrade, dada a excelente relação que mantinha com o ex-colega, brinca com ele e faz que o pisa, pondo-lhe muito ao de leve o pé em cima do corpo. O árbitro interpretou como agressão uma simples brincadeira que no rigor das normas, para quem não tivesse compreendido o sentido lúdico daquele gesto, só poderia ter sido punido com cartão amarelo.

Ontem Cardozo não estava a brincar com Marçal, mas é falso que o tenha agredido ou tentado agredir. O toque de Cardozo na perna do adversário configura um comportamento anti-desportivo passível de cartão amarelo, mas nunca de vermelho, porque não existe agressão.

Logo a seguir, Matic salta com Candeias na disputa de uma bola. Candeias empurra o jogador do Benfica, faz falta sobre Matic e logo a seguir, num gesto tosco, insusceptível de enganar quem que fosse, simula, uma agressão. Toda a gente à volta do campo e também a que estava a ver o jogo na televisão viu sem margem para qualquer dúvida que Matic não fez nada. E o que fez Pedro Proença? Expulsa Matic por agressão!

Se isto não é um comportamento delituoso do árbitro, então o que poderá sê-lo? Não é a primeira, nem a segunda, nem terceira, enfim, basta ir ao You tube e pôr “Pedro Proença Benfica” para logo ficarem identificadas algumas das mais vergonhosas exibições de Pedro Proença.

O Benfica deveria tomar uma posição dura contra ele e declarar solenemente que não o volta a aceitar para arbitrar um jogo seu. E o Ministério Público deveria investigá-lo já que com os órgãos disciplinares da Federação se não pode contar para nada!

 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

JESUS NO PORTO?



UMA ANTEVISÃO

 

Fica claro para qualquer observador minimamente atento que o discurso de Jorge Jesus tem vindo a mudar gradualmente, embora nos últimos tempos com mais intensidade, no sentido de fazer prevalecer o individual sobre o colectivo, a individualidade sobre a instituição.

Uma coisa que todos os praticantes de futebol imediatamente percebem ou que logo lhes ensinam, o mesmo se passando com todas demais pessoas que fazem parte do mundo do futebol, seja no plano técnico, directivo ou outro, é que o futebol é um desporto colectivo, no qual o colectivo, a equipa está acima de qualquer individualidade.

Mesmo quando os grandes atletas ou os técnicos famosos não pensam assim, como é o caso de Ronaldo ou de Mourinho, eles sentem-se obrigados a dizer, hipocritamente, o contrário e a repetir essa ladainha, mesmo quando toda a gente percebe que eles pensam exactamente do que estão a dizer. 
Pois bem, Jesus, no que respeita à sua pessoa e à equipa, tem vindo ultimamente a infringir essa regra de forma cada vez mais ostensiva, sendo caso para perguntar o que poderá estar na raiz de tal mudança. Por que razão a primeira pessoa do singular tem vindo a substituir quase completamente a primeira do plural? Quem o ouve, se não o conhecer, até pode pensar que se trata de um qualquer prarticante de uma modalidade de desporto individual...

Verdadeiramente só Jesus poderá, se souber, responder a esta pergunta. Todavia, nenhum de nós está proibido de tentar perceber o seu comportamento. De encontrar para ele uma justificação racional.

Jesus tem no Benfica um contrato invejável. Tão invejável que até Ulrich do BPI o inveja! Poucos são no mundo do futebol os treinadores que ganham mais do que ele. Provavelmente não chegam a uma dezena. Claro que Jesus teria todo o interesse em melhorar ou, no mínimo, em manter o ordenado que hoje tem. Mas ele sabe que nenhum clube em Portugal lhe poderá continuar a pagar o mesmo. Nem o Benfica. Só no estrangeiro um grande e rico clube o poderia fazer. Mas para isso Jesus teria de ter méritos reconhecidos ao mais alto nível, que não tem, e ser dotado de uma capacidade comunicacional que manifestamente lhe falta, mais a mais numa língua estrangeira.

Portanto, o mais provável é que Jesus pense que, não podendo subir ou sequer manter o ordenado, o mais vantajoso para ele seria rumar para um clube onde o êxito desportivo fosse mais fácil de alcançar do que no Benfica. A partir daí até novos voos se tornariam mais fáceis no futuro.

Esse clube em Portugal só pode ser o F C Porto. Nota-se que Jesus, pelo menos desde o jogo na Luz, tem tratado o Porto com grande respeito e compreensão, mesmo quando atacado em termos técnicos pelo seu actual treinador do Porto, Victor Pereira. Aliás, as duas coisas estão ligadas: Victor Pereira é manifestamente um treinador nervoso, inseguro, apesar da excelente prova que a sua equipa está a fazer. Até já diz que o que lhe interessa são os títulos, pois ganhando não lhe falta emprego em qualquer lado. Tudo isto em jeito de remoque por ainda não lhe ter sido proposta a renovação do contrato.

Pode até ser que se enganem ambos, mas o que neste momento parece é que nem Jesus ficará no Benfica nem Victor Pereira continuará no Porto. O Porto já no passado mostrou interesse em contratar Jesus, mas como não foi suficientemente concludente na hora da abordagem, ele acabou por preferir o certo ao incerto. É natural que Pinto da Costa não se importasse de ficar com Jesus, talvez até mais pelo prazer que lhe dava privar o rival do seu treinador, do que pela falta de alternativas. De facto, tanto o Porto como o Benfica têm outras boas alternativas em Portugal a Victor Pereira e a Jorge Jesus…

sábado, 2 de fevereiro de 2013

SPORTING: GUERRA TOTAL


 

O DESPRESTÍGIO DE UM GRANDE CLUBE
 
Godinho Lopes convocou uma conferência de imprensa para desancar nos contestatários culpando-os por criarem permanente instabilidade, falta de solidariedade e responsabilizando-os pela não concretização das transferências anunciadas no mercado de inverno.

Para quem olha sem paixão, mas com interesse e apreensão, o que se está a passar no Sporting, o menos que se poderá dizer é que há muita irresponsabilidade e incompetência de ambas as partes, sendo que uma delas é constituída por muitas outras.

O primeiro grande falhanço de Godinho Lopes tem desde logo a ver com a constituição da equipa directiva que ele escolheu. O segundo, com a prestação da equipa de futebol na primeira Liga e nas demais competições em que participou.

A equipa de Godinho Lopes desagregou-se completamente, e com alguma celeridade, nestes quase dois anos que leva como presidente do Sporting. Se é grave errar na escolha dos responsáveis pelo futebol ou mesmo naqueles de cuja experiência empresarial poderia ter recolhido algumas vantagens, é ainda mais grave, muito mais grave, ter tido como vice-presidente um sujeito que está hoje acusado por um número considerável de crimes, quase todos cometidos no exercício de funções. E aí o Sporting tem muita sorte e certamente protecções de que nem o Porto nem o Benfica, em circunstâncias semelhantes, teriam podido beneficiar. O que é que teria acontecido ao Porto ou ao Benfica se algum deles tivesse nas suas fileiras um dirigente suspeito da prática de actos idênticos àqueles de que é  acusado o ex-vice presidente Pereira Cristóvão?

Em nome da verdade desportiva, comentadores e jornalistas não afectos ao clube visado teriam exigido este mundo e outro.E com toda a razão, porque uma actuação daquela natureza e no contexto em que aquela ocorreu jamais poderá ser interpretada e compreendida como uma actuação em nome individual, mas como uma actuação de um dirigente desportivo praticada no interesse do clube que representa.

Com o Sporting, porém, nada se passou até agora. Tudo o que aconteceu parece ser um simples assunto privado do sr. Pereira Cristóvão. E toda a gente, a começar por Godinho Lopes, sabe que não foi.

E, assim, ficando tudo como está, lá poderão os comentadores de Alvalade continuar a pregar todas as semanas a superioridade moral do seu clube e dos sportinguistas.

Do lado da gestão da equipa de futebol a situação ainda é mais catastrófica. Cinco treinadores em menos de dois anos – quatro dos quais só nesta época –, um lugar humilhante no campeonato e a eliminação nas restantes três provas em que participou. Finalmente, a venda ou empréstimo de alguns jogadores no mercado de inverno por falta de recursos e o colapso das aquisições anunciadas.

Mas do lado da chamada oposição a irresponsabilidade não é menor. Num momento crítico para a vida do clube essa oposição, absolutamente incapaz de fazer um juízo crítico objectivo sobre aquilo que o clube hoje é, continua a actuar como aquela nobreza falida e decadente que, não compreendendo os tempos em que vive, continua a imaginar acções e a efabular condutas como se a realidade continuasse a ser aquela em que foi criada.

E então assiste-se ao impensável: um presidente da Assembleia Geral que deveria ser em tempos de crise um ponto de referência para a angústia dos sportinguistas, transforma-se em porta-bandeira dos opositores e aproveita a tribuna televisiva a que semanalmente tem acesso para os incitar à revolta sem nunca ter apresentado uma única proposta digna desse nome. Mas pior: não está presente nos grandes debates ocorridos ou a ocorrer no seio do clube, delegando no seu vice-presidente as responsabilidades por uma situação que, em grande medida, ajudou a criar. A justificação, qualquer que ela seja, raia a irresponsabilidade, pois se sabia que não poderia estar presente não deveria ter incentivado a prática de um acto de consequências tão imprevisíveis para a vida do clube como a assembleia geral de Fevereiro.

Entretanto, o Porto vai continuando a colonizar o Sporting, dando-lhe em troca desse domínio umas tristes migalhas. Depois de lhes ter levado, só para falar nos tempos mais próximos, Moutinho, Varela e Izmaialov, também agora lhe contrataram o último grande símbolo de Alvalade: Liedson. E, suprema humilhação: depois de lhe terem “roubado” Kléber, na altura já apalavrado pelo Sporting, e terem ao fim de um ano e tal concluído da sua valia, eis que se propunham reenviá-lo para Alvalade em jeito de esmola. Mas nem isso foi possível porque o representante do jogador recusou o Sporting por falta de credibilidade.

Como recompensa restou-lhes a escolha do Xistra contra o Guimarães. É pouco, mas sempre valeu um ponto. Pior seria perder três!

Infelizmente nenhuma personalidade com credibilidade, desligada dos meios decadentes que têm corroído o Sporting, se perfila para o liderar. E é pena…

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

FIM DO MITO MOURINHO?


 

OS ESTRAGOS JÁ SÃO IRREPARÁVEIS

 

A passagem de Mourinho pelo Real Madrid, o maior clube do mundo, tinha tudo para ser um passeio que na meia-idade coroasse Mourinho como o grande treinador dos tempos modernos.

Dotado dos melhores jogadores do mundo, no clube com mais títulos a nível nacional e mundial, com adeptos e simpatizantes nos quatro cantos do planeta, Mourinho tinha realmente tudo a seu favor. Depois de ter vencido no Porto, no Chelsea e no Inter de Milão, a estadia no Real Madrid era por muitos considerada como aquela que à partida mais condições objectivas reunia para ter êxito.

E todavia nunca em nenhum lado as coisas correram tão mal a Mourinho, apesar da vitória no campeonato na época passada. No entanto, para quem conhece Mourinho e compreende o que é um clube como o Real Madrid a situação a que Mourinho chegou não constitui uma verdaeira surpresa.

Mourinho quis desde o primeiro dia mudar a natureza intrínseca do Real Madrid. Transformá-lo num clube semelhante àqueles por onde passou vitorioso. Um clube no qual ele teria o completo domínio de tudo o que dissesse respeito ao futebol dentro e fora do campo, com toda a gente integralmente subordinada à sua estratégia de líder incontestado, a qual, pelo simples facto de ser sua, nunca poderia ser discutida.

Ora acontece que o Real Madrid não é um clube propriedade de Florentino Pérez ou de qualquer outro presidente que por lá tenha passado ou venha a passar. O Real Madrid é dos sócios. É do madridismo. O Real Madrid tem uma ética e um código de conduta que nenhum treinador pode alterar. E os jogadores que o servem, os grandes jogadores que o servem, nunca estão no clube de passagem. Se eles sabem interpretar com inteligência o que significa estar no Real Madrid também eles passam a fazer parte desse madridismo para toda a vida.  

O Real Madrid tem, como se já disse, os melhores jogadores do mundo. Mas acontece que muitos deles juntam a essa qualidade com a que a natureza os dotou uma outra não menos importante, aprendida nas escolas da democracia: a cidadania e o exercício dos direitos que lhe andam associados.

E também aqui Mourinho falhou. Aquilo que os seus propagandistas apregoavam como a sua principal mais valia como treinador - um homem por quem os seus jogadores são capazes de fazer tudo – revelou-se afinal o exercício de um domínio que os homens livres repelem.

Mas não foi apenas neste domínio que Mourinho falhou. Ele também decepcionou no plano puramente técnico. E os primeiros decepcionados foram os jogadores. Um falhanço directamente relacionado com o anterior. Ou seja, a capacidade técnica de Mourinho exprime-se com mais eficiência nos clubes pequenos do que nos clubes verdadeiramente grandes. Frequentemente os jogadores o acusaram de privilegiar o futebol defensivo, que abria a porta ao futebol directo, de contra ataque rápido, cujo modelo, porém, se mostrava incapaz de responder com eficácia à maior parte das situações com que o Real se defrontava na maior parte dos seus jogos – ataque continuado sem soluções de finalização.

Depois do que já parece ser a derrota inevitável no campeonato e do que esteve a centímetros de acontecer na Taça do Rei (acontecimento que muito provavelmente ocorrerá em Barcelona), resta a Mourinho a Liga dos Campeões para, apesar de todos os erros, de todas as falhas e das múltiplas inimizades que criou a sua passagem por Madrid, sair da capital espanhola com a 10.ª Taça da Liga dos Campeões ganha pelo Real Madrid. Se isso acontecer, a sua imagem não se modificará, mas ele acabará por sair de Madrid com essa indiscutível vitória no seu curriculum. A única que lhe permitirá relançar o “mito Mourinho”.