terça-feira, 10 de setembro de 2013

RONALDO E A SELECÇÃO



A IDOLATRIA QUE A EGOLATRIA RECLAMA
 

 

Cristiano Ronaldo é, sem dúvida, um dos maiores atletas portugueses de todos os tempos. No futebol, ao serviço do Manchester United e, principalmente, no Real Madrid, ele tem demonstrado toda a sua imensa classe como futebolista de eleição a ponto de ombrear com génios do futebol como Messi, Iniesta, Xavi e Ribéry, entre outros. Por uma vez já foi eleito o melhor futebolista do ano. Também por uma vez venceu, no Manchester United, a Liga dos Campeões Europeus que é, como se sabe, a mais prestigiosa prova do futebol internacional.

Nos últimos três anos, Ronaldo foi algumas vezes determinante nas vitórias do Real Madrid (um campeonato, uma Taça, uma Supertaça) talvez até mais do que nos cinco anos que esteve ao serviço do Manchester United, porventura por no clube inglês prevalecer uma mentalidade mais colectivista imposta por um treinador para quem não havia “estrelas” que, independentemente do jogo jogado, brilhassem mais do que outras.

Na selecção portuguesa, onde Ronaldo já alinhou mais de cem vezes, as suas prestações têm sido infelizmente bem menos determinantes do que nos dois grandes clubes por onde até hoje passou. A par de alguns jogos conseguidos, Ronaldo na selecção, talvez pela diferença que ele entende ou intui existir entre a sua capacidade como jogador e a dos colegas, não tem sido na maior parte das vezes feliz. Mais: muitas vezes, nomeadamente no tempo de Queirós como seleccionador, as prestações de Ronaldo foram prejudiciais pelo excessivo individualismo que, voluntaria ou involuntariamente, acabava por “impor” à equipa. Muitos críticos, principalmente nas redes sociais, pediram o afastamento de Ronaldo por entenderem que jogando daquele modo a sua presença era prejudicial à selecção. Aliás, numa das poucas lesões da sua carreira, em que por razões óbvias esteve afastado da selecção, essa ausência correspondeu a um dos melhores períodos da selecção nessa fase de apuramento.

Nada disto lhe retira a classe que indiscutivelmente tem nem a importância de que a sua presença, desde que devidamente integrada na equipa, se pode revestir para os êxitos da selecção. A verdade, porém, é que Ronaldo na selecção está longe – ainda muito longe –, ao longo dos anos que já leva como internacional, de ter sido tão determinante como outros jogadores, alguns deles ainda seus contemporâneos, como Figo, Deco, Rui Costa ou mesmo João Pinto, prematuramente afastado por razões disciplinares. E se recuarmos no tempo e nos situarmos nos períodos em que o futebol português brilhou, como aconteceu no europeu de França e no Mundial de Inglaterra, então Ronaldo perde por pontos para Chalana (que encantou a França) e fica a uma longa distância de Eusébio que em 1966 teve uma das mais memoráveis participações que um jogador pode ter numa fase final de um Campeonato do Mundo de Futebol.

Algumas destas glórias não eram tão badaladas depois dos feitos ocorridos porque os meios de comunicação da época dedicavam o seu tempo a assuntos mais importantes deixando ao futebol apenas o tempo necessário para descrever ou mostrar o que se passara. Ainda não estávamos na era das sociedades da comunicação...

Hoje não é assim. Por todo lado há canais especializados em futebol que falam ou mostram futebol 24 horas por dia. Há vários programas semanais sobre futebol nos canais generalistas e há nos canais noticiosos, abertos 24 horas, múltiplos programas sobre futebol desde os mais indigentes aos mais interessantes, estes muito escassos ou quase inexistentes. É por isso normal que pequenos e grandes feitos, nomeadamente se tais feitos têm alguma ligação ao pátrio solo, sejam empolados, exagerados e repetidos até à saciedade, criando na ideia de quem ouve e de quem vê que este é um tempo excepcional em que no futebol se fazem coisas que nunca noutros tempos foram feitas.  

Ainda agora a propósito dos três golos de Cristiano Ronaldo à fraca e ingénua selecção da Irlanda do Norte se teceram loas e fizeram comparações completamente despropositadas ou mesmo absurdas. Se um jogador faz cento e tal jogos pela selecção e com eles sobe a sua marca para mais de quatro dezenas de golos é evidente que essa marca não pode ser comparada com as mesmas quatro dezenas de golos obtidos por outro jogador em cerca de metade dos jogos. Assim como o record de golos da selecção em poder de um determinado jogador não pode ser analisado comparativamente sem entrar em linha de conta com as equipas contra as quais a  maior parte desses golos foi marcada. É importante marcar golos, mas os golos não valem todos o mesmo. Não têm todos o mesmo significado e importância. Dependem da equipa a que foram marcados e dependem também da importância que eles tiveram para o resultado do jogo!

Esta idolatria à volta de Cristiano Ronaldo, que ele alimenta e sinceramente deseja com a sua exagerada egolatria, pode ter efeitos nefastos na selecção. De facto, é hoje patente aos olhos de qualquer observador a influência de Ronaldo na selecção. Jogadores em fim de carreira ou já sem performance para representar a selecção, a propósito e a despropósito, desdobram-se em elogios a Ronaldo e em qualificações que só podem ter uma interpretação: "Se eu o elogiar ele vai-me proteger e ninguém ousará tirar-me da selecção sabendo que outra é a vontade de Ronaldo".

E mais: Ronaldo parece ter um estatuto que outros jogadores não têm. Era importante que Ronaldo estivesse esta noite em Boston para defrontar o Brasil. Das duas últimas vezes que jogou contra a equipa brasileira as suas exibições foram fracas, de modo que esta seria uma excelente oportunidade para se mostrar ao público norte-americano frente a uma grande equipa, composta por grandes jogadores entre os quais desponta uma vedeta que ameaça disputar na época em curso as atenções que agora quase são monopolizadas a Messi e a Ronaldo.

Infelizmente, Ronaldo não estará presente. Mas no próximo fim-de-semana alinhará pelo Real Madrid contra o Villa Real.  

terça-feira, 3 de setembro de 2013

OS PROBLEMAS DO BENFICA


A CONFIRMAÇÃO DO QUE SE PREVIA

 

O lamentável, embora esperado, início do Campeonato confirma o que se esperava do Benfica para a época em curso.

Depois do descalabro da época passada em que em pouco mais de três semanas deitou a perder tudo o que durante a época fora amealhando, o Benfica começou a época – e antes dela a pré-época – com o mesmo estado de espírito com que ficou depois do empate em casa com o Estoril e da derrota no Porto: uma equipa desanimada, descrente e incapaz de reagir à adversidade. E quando este é o estado de espírito de uma equipa (ou de uma pessoa) todas as suas qualidades caem em flecha. O brilhantismo que ontem era atingido com naturalidade, tanto a nível individual como colectivo, torna-se agora numa espécie de miragem do passado, incapaz de se repetir e - pior do que isso – torna-se para os mesmos protagonistas incompreensível como tal brilhantismo chegou a ser alcançado outrora tão longe ele está hoje de poder ser repetido.

Este estado de espírito da equipa do Benfica, e que somente a presença de um outro jogador novo a momentos disfarça, não vai passar com o decurso do tempo, correndo, pelo contrário, o sério risco de se agravar a cada dia que passa.

Foi notório no jogo da Madeira a incapacidade de reacção da equipa, como notória foi a ausência de processos alternativos que pudessem inverter a situação ou que, no mínimo, criassem na mente dos jogadores a convicção de que ela poderia ser invertida. A mediocridade da exibição contra o Gil Vicente, marcada por um grau de desperdício inaceitável e que nada tem a ver com a sorte do jogo, confirma o que na Madeira se começara a evidenciar. Finalmente, o jogo do passado sábado contra o Sporting voltou a mostrar uma equipa sem ideias – ou muito saturada das ideias que tem –, dominada em largos períodos do jogo por uma equipa de novatos praticamente acabada de formar, que apenas alcançou um empate graças à genialidade de um jogador, o mesmo se podendo dizer do único lance que, depois do golo, poderia ter dado a vitória ao Benfica.

Há indiscutivelmente uma fadiga psicológica na equipa que nada tem a ver com a incerteza do desfecho sobre o mercado de transferências, ele próprio muito afectado, no que respeita ao Benfica, por essa mesma fadiga que degrada e desvaloriza o valor negocial dos jogadores. De facto, os jogadores do Benfica eventualmente transferíveis não sofrem de instabilidade emocional reflectida na sua prestação desportiva por não saberem se vão ou não ser transferidos ou da eventual oposição do clube a essa transferência, mas por saberem que apesar de o clube os querer vender, pelo menos três ou quatro – Matic, Garay, Sálvio e, eventualmente, Gaitan – não há quem lhes pegue pelo valor que eles realmente têm. Esta sim a causa dessa instabilidade, ela própria gerada pela situação psíquico-desportiva da equipa.

A primeira conclusão que inevitavelmente tem de se tirar é que esta situação não é fruto do acaso nem das famosas contingências do futebol – esta situação era previsível e tem responsáveis. Tanto mais responsáveis quanto mais fácil de prever seria o que se iria passar se tudo continuasse na mesma.

O primeiro grande responsável pelo que se está a passar no Benfica é aquilo que de uns tempos a esta parte se passou a denominar um pouco enigmaticamente por a “estrutura do Benfica”. Ou seja, os responsáveis pela gestão, organização e condução do futebol do Benfica – algo que no Benfica não se sabe bem o que seja.

Sabe-se que o Presidente tem um forte pendor autocrático, remetendo para a subalternidade subserviente os que com ele trabalham, e sabe-se também que a sua ignorância em matéria de futebol e do próprio mundo do futebol tem a mesma dimensão, se não até maior, que a sua autocracia.

No plano técnico, algo que numa equipa organizada segundo os mais modernos padrões de gestão do futebol deveria estar completamente subordinada àquela estrutura no plano, digamos, “político”, sabe-se que o Benfica tem um treinador incapaz de expor uma ideia com clareza e de formular um raciocínio escorreito com princípio, meio e fim. Tem um treinador – e certamente o mesmo se passará com a equipa técnica que o acompanha – que, não obstante os méritos do seu autodidatismo – quase sempre insuficientes, qualquer que seja o ramo de actividade -, está longe de corresponder na presente fase ddo clube ao tipo de treinador que o Benfica precisaria, quer no plano técnico-táctico, quer no plano comunicacional, quer no do relacionamento com o plantel .

Durante um certo período, já manifestamente ultrapassado no ano passado, Jorge Jesus serviu os interesses do Benfica tendo em conta a fase em que o clube se encontrava. Desde há mais de dois anos que existe um desajustamento evidente entre as novas necessidades e a capacidade de resposta da equipa técnica, a que se deveria ter posto cobro normalmente.

Finalmente, consequência dessa ausência de “estrutura” e de condução técnica subordinada é a actual composição do plantel independentemente de quem ainda possa vir a sair ou a entrar. O Benfica não tem uma defesa à altura das suas pretensões, facto que já o ano passado era muito visível.

Artur é incerto e pode comprometer gravemente a equipa a qualquer momento como se viu na época passada em quatro jogos decisivos. Maxi não para há cinco anos, está muito instável – também já estava o ano passado – e pode a todo o momento e em qualquer jogo ser expulso em lances cuja perigosidade não exigia tal comportamento. Luisão tem o peso dos anos. Ou está bem posicionado e se antecipa ou só tem como recurso a obstrução ou ser batido. Garay, o melhor dos cinco, está ausente e até parece que perdeu sentido posicional. Cortez, mais uma invenção de Jesus – e pela valia das invenções se avalia o nível do inventor …-, vai dar certamente muitas dores de cabeça à equipa e comprometê-la ainda mais do que ela já está.

Com esta defesa o Benfica irá somar um número record de golos sofridos.

Perante isto, o que fazer? Era preciso mudar quase tudo, mas como isso não será fácil o mais provável é que se vá assistindo a uma lenta mas persistente degradação capaz de comprometer o destino do clube muito para além dos resultados desportivos de uma época.

domingo, 18 de agosto de 2013

BENFICA: O QUE SE O PREVIA


 
BENFICA COMEÇA COMO ACABOU

 

Aconteceu o que se previa. O Benfica depois de uma pré-época decepcionante começou o campeonato tal como o acabou. As desculpas começarão por recair sobre as arbitragens, mas essa não é nem será a verdadeira razão da fraca época que o Benfica se prepara para fazer.

Depois do que aconteceu o ano passado, a equipa e os benfiquistas em geral caíram numa espécie de depressão colectiva da qual só poderiam sair por uma de duas vias: ou substituindo a maior parte dos jogadores, injectando sangue novo na equipa e nos adeptos, ou substituindo o treinador, dando aos jogadores e  aos adeptos uma anova razão para acreditarem num futuro diferente e melhor.

Por razões nunca completamente esclarecidas, o Benfica – a direcção do Benfica ou o seu presidente – entendeu que deveria manter em funções Jorge Jesus quando o estado de espírito dos jogadores e dos adeptos aconselhava uma profunda substituição da equipa técnica em virtude de as três derrotas sucessivas do ano passado, que ditaram a perda de três importantes competições, terem deixado a “nação benfiquista” profundamente desconfiada sobre a capacidade de os derrotados de ontem poderem hoje inverter a situação.

Os lamentáveis episódios da final da Taça de Portugal, pelos quais ninguém até hoje foi responsável, a situação de Cardozo que se arrastou também sem solução até aos dias de hoje - e já lá vão quase três meses - indiciam ausência de liderança e demonstram também a incapacidade de a direcção do Benfica estar à altura do clube que dirige.

Numa altura da época em que ainda se não sabe quem fica e quem sai na equipa de futebol, em que, ao contrário do que é hábito, se vê o Benfica mais interessado em vender do que em conservar jogadores fundamentais, que só ainda não saíram por o mercado se encontrar em fase de profunda contracção, o mais provável é que o Benfica venha a perder alguns dos melhores jogadores por baixo preço sem que as aquisições entretanto efectuadas estejam em condições de colmatar essas prováveis lacunas.

Quanto ao jogo da Madeira de hoje contra o Marítimo, o que se assistiu foi a uma equipa completamente falha de ideias, uma equipa deprimida, absolutamente incapaz de dar a volta ao jogo quando teve de atacar e errante e inconsistente quando teve de defender. Dos centrais ao avançados, passando pelos laterais, só Matic no meio campo parecer um pouco do fulgor do ano passado.
A vitória do Marítimo por 2-1 não sofre contestação. O Benfica nunca esteve à altura da vitória.

A jogar assim – é assim que o Benfica vai jogar durante a época, a menos que algo de muito radical aconteça – o campeonato estará entregue por volta da décima jornada.

 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O FRACASSO DE MOURINHO


 

PRINCÍPIO DO FIM DE UM MITO?

As três épocas de Mourinho à frente do Real Madrid constituem o falhanço mais completo de uma carreira que se julgava imparável e que só tinha o céu como limite. Uma vitória na taça do rei, outra no campeonato e uma supertaça é muito pouco para um treinador que rumou a Madrid com o objectivo de acabar com a hegemonia do Barcelona e conquistar a “décima” Copa da Europa para os merengues.

Dotado de plenos poderes na condução do futebol madridista e reunindo um dos melhores plantéis do mundo, se não mesmo o melhor, Mourinho não só não conseguiu atingir nenhum dos objectivos que a sua contratação pressupunha, como, pelo contrário, logrou pôr em causa alguns dos mitos que a propaganda à volta do seu nome havia laboriosamente construído nestes últimos dez anos – a empatia com o público da sua equipa e a relação indissolúvel com os jogadores do plantel, dos quais e dizia, para citar a propaganda, “serem capazes de morrer em campo por Mourinho!”.

Quanto ao futebol jogado, Mourinho, que segundo os mais entendidos críticos do desporto-rei nunca havia trazido nada de novo ao futebol, confirmou em Madrid a sua vocação para um futebol “resultadista”, desta vez completamente falhada, mas incansavelmente tentada, sem êxito, até ao último suspiro.

O que se passou em Madrid não significa necessariamente o princípio do fim de um mito, principalmente para quem nunca olhou para Mourinho como um caso marcante do futebol mundial, mas ajuda a definir com clareza que tipo de treinador ele é e o que se pode esperar do seu desempenho.

Mourinho é, antes de mais, um treinador que não serve para todas as equipas. As grandes equipas populares do futebol mundial, aquelas cujo poder está democraticamente distribuído pelos seus apoiantes, quanto mais não seja pela receptividade que a sua opinião acaba por ter nos órgãos directivos, não são equipas para Mourinho nem nelas Mourinho pode pôr em prática tudo o que considera imprescindível para alcançar o êxito, ou seja, os resultados.

Mourinho é um treinador para quem o futebol só parcialmente se joga dentro do campo, muito à semelhança, aliás, do que pensa aquele que foi o seu grande mentor já na sua idade madura e que tão fortemente o marcou a ponto de esbater ou quase apagar as influências de grandes nomes do futebol jogado, como Boby Robson e Van Gaal.

Além disso, Mourinho entende o papel do treinador como o de um dirigente autocrático, alheio e avesso ao diálogo que o contrarie, no círculo do qual só cabem aqueles que acrítica ou disciplinadamente o secundem, dispensando-lhes como contrapartida dessa devoção, verdadeira ou fingida, um falso paternalismo de cuja concessão se não cansa de extrair todas as vantagens.

Por último, Mourinho tem de ser o “Special one”. É ele que tem de estar sob as luzes da ribalta, mesmo quando fingidamente as reparte com os verdadeiros artistas do espectáculo.

É óbvio, como neste blogue foi antecipado há três anos, que um treinador com estas características não tinha grandes hipóteses de êxito num clube como o Real Madrid. E foi isso o que realmente aconteceu. Os mil e um episódios de confronto entre Mourinho e os apoiantes do Real Madrid, entre Mourinho e a imprensa madridista, e, por fim, com os próprios jogadores, mesmo com aqueles que à partida lhe pareciam garantir indefectível fidelidade, mais não são do que a expressão dessa incapacidade de adaptação de Mourinho a uma realidade que não aceitava e que queria todo o custo alterar.

Para desconforto e decepção de Mourinho, pode ainda dizer-se aquilo que parece ser a irreversível perda de hegemonia do Barcelona a nível mundial nada tem a ver com a sua presença à frente do Real Madrid, sendo antes o fim natural de um ciclo, porventura antecipado por um conjunto de factores aleatórios e também por uma certa incapacidade de prever e prover atempadamente às manifestas deficiências da equipa, visíveis há mais de um ano por quem não se deixasse inebriar pela extraordinária capacidade técnica e atlética de Messi que, de tão excepcional, tendia a ocultar o que de outro modo seria evidente.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

PARABÉNS, JORGE JESUS


 

PARABÉNS TAMBÉM PELA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA DESTA NOITE

Muitos benfiquistas estão sinceramente desiludidos com a prestação do Benfica esta época nas quatro provas em que participou. Desilusão e tristeza pela perda das provas em que participou não são sinónimos.

A desilusão é descrença, é perda da ilusão de ganhar. Tristeza é um sentimento diferente que tem a ver com a sensação de perda, de prejuízo, mas não descrença nem falta de ilusão.

O Benfica progrediu muito nestes últimos quatro anos. Progrediu no plano desportivo, no plano competitivo e encurtou consideravelmente as distâncias relativamente ao Porto que, nos últimos vinte anos, têm ganho no plano interno com relativa facilidade as várias provas em que participa, independentemente do juízo sobre como muitas dessas vitórias foram alcançadas.

O Benfica subiu a nível interno e a nível internacional. É certo que nos dois últimos anos perdeu dois campeonatos nas últimas jornadas quando os liderava, respectivamente, com cinco e quatro pontos de avanço. Mas isso também significa que esteve lá, no topo, fazendo estas dolorosas derrotas parte de um processo de crescimento que nunca é linear até verdadeiramente se consolidar.

No plano internacional, o Benfica atingiu nestes últimos quatro anos os quartos-de-final da Liga dos Campeões, com excelentes prestações, inclusive nos jogos em que foi eliminado e chegou igualmente aos quartos-de-final, às meias-finais e à final da Liga Europa.

Para uma equipa que salvo uma ou outra excepção soçobrava na primeira fase da prova em que participava pode e deve considerar-se um excelente resultado.

Os benfiquistas certamente queriam mais. A verdade, porém, é que antes tinham menos. Muito menos e desde há muito tempo.

Por tudo isto e também porque a equipa tem apresentado um futebol agradável e vistoso apesar de em todas as épocas ter perdido jogadores nucleares que vão sendo substituídos por jogadores que chegam de novo, que é preciso formar e integrar na equipa, sendo assim necessário em cada época começar parcialmente de novo, bem pode dizer-se que a prestação do Benfica tem sido boa e às vezes mesmo muito boa.

Parece ter sido isto o que Jorge Jesus hoje quis dizer, ou disse, na conferência de imprensa – uma das melhores desde que é treinador do Benfica.

De facto, Jesus sublinhou muito bem o facto de este ano a equipa ter estado em todas as grandes decisões. Perdeu-as ou perdeu três, mas só o Benfica, em Portugal, poderia ganhar as três. Ou seja, só pode ganhar quem disputa as finais e não quem fica pelo caminho.

Sobre dar os parabéns ao Porto, Jesus disse que não mudava de discurso em função da conjuntura – ou seja, criticou, como devia, aqueles que transformam um campeonato sujo num campeonato excepcional apenas por o terem ganho – e disse ainda que se o Porto ganhou foi porque fez mais pontos e quem faz mais pontos é quem merece ganhar.

Esta e outras respostas que deu na conferência de imprensa desta noite foram respostas de grande categoria.

Sobre painel da SIC Notícias que tanto criticou Jorge Jesus e a sua última conferência de imprensa pouco há dizer. De facto um painel composto pelo ressabiado Ribeiro Cristóvão – um saudoso do salazarismo – que ainda não percebeu que o seu clube não “conta para o totobola”, pelo David Borges que faz, como comentador desportivo, da crítica desonesta profissão e de Marques Lopes que aplaude Pinto da Costa e diz criticar os ladrões do BPN, ou seja, um tipo para quem a corrupção é má se for praticada na política e boa se favorecer o seu clube, pouco ou nada há a dizer para além do que foi dito. Não têm um pingo de credibilidade.

Para concluir falta ainda dizer que, neste último terço do campeonato, todas as equipas que defrontaram o Benfica fizeram desse jogo o jogo das suas vidas. Foi assim com o Beira-Mar de Costinha, que nunca mais fez um jogo como aquele, sendo, por isso, remetido muito justamente para a 2.ª divisão; a Académica que em nenhum outro jogo voltou a jogar como jogou contra o Benfica na Luz; o Marítimo que terá feito contra o Benfica o seu melhor jogo do campeonato; o Olhanense, que até levantou, com “dinheiro caído do céu”, uma greve para poder jogar contra o Benfica e o Estoril, um dos mais assanhado, para falar apenas de alguns.

O Benfica não jogou contra nenhum Nacional dócil e admirador das virtudes alheias nem nas provas internacionais lhe calhou jogar contra uma equipa que está a 40 (!!!) pontos da liderança …e muito menos ser eliminado por ela. Nem nunca disputou, como noutra ocasião já se disse, uma final europeia contra uma equipa da segunda divisão nem contra uma equipa que nunca ganhou um campeonato na sua terra!

Por tudo isto, parabéns Jorge Jesus!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

AS DERROTAS DO BENFICA


 

NO PORTO E EM AMESTERDÃO

O Benfica jogou a sua nona final europeia – 7 na Taça/Liga dos Campeões e 2 na Taça UEFA/Europa – e a imprensa de todo o mundo, desta vez, atribuiu a derrota à “maldição” de Bela Guttman que embora não seja o que se diz começa cada vez mais a parecer-se com aquilo que dela se conta.

Realmente, a “maldição” do Benfica é ter jogado 9 finais contra o Barcelona, Real Madrid, Milan (2 vezes), Inter de Milão, Manchester United, Chelsea, PSV e Anderlecht. Ou seja, exceptuando o Anderlecht que não é um grande europeu, apesar de crónico vencedor do campeonato belga e, em certa medida, do PSV (que até já deu 5-0 ao Porto na Taça dos Campeões), também sempre presente nas competições europeias, os restantes dispensam apresentações tanto no presente como historicamente. Por isso, a “maldição” do Benfica é nunca ter jogado uma final contra uma equipa da 2.ª divisão ou contra uma equipa que nunca ganhou um campeonato na sua terra! Mesmo assim ganhou duas, como se sabe, uma contra o Barcelona, outra contra o Real Madrid à época penta campeão europeu!

O jogo de quarta-feira não teve nada a ver com a de sábado passado. Se o Benfica tivesse jogado no Porto como jogou em Amesterdão a esta hora já seria campeão. O jogo de quarta-feira é um daqueles em que uma equipa como o Benfica sofre as consequências de jogar numa liga como a portuguesa. Em jogos internacionais desta envergadura, o domínio exercido sobre o adversário tem de ser convertido em golos sob pena de a surpresa a todo o momento poder aparecer.

Provavelmente há alguma desconcentração durante a marcação do canto. Provavelmente, terá pesado na mente dos jogadores a derrota no Porto no último minuto. Mas nada do que se passou nesses breves segundos, por mais importantes que tenha sido para o desfecho da partida, poderá anular ou fazer esquecer o que se passou durante todo o tempo restante.

E o que nós vimos, o que todo o mundo viu, durante todo o jogo, foi um Benfica manifestamente superior ao Chelsea em todos os domínios da partida.

É certo que os golos do Chelsea não resultam tanto do mérito do adversário como de falhas da equipa do Benfica. No primeiro golo, houve uma falha de, pelo menos, dois jogadores, embora o trabalho realizado por Torres tenha sido de grande classe e merece o aplauso de quem gosta de futebol. Já o segundo, resulta de uma incompreensível falta de marcação de quem tinha a seu cargo aquele sector da zona, tanto mais incompreensível quanto é certo saber-se que aquele era um dos pontos fortes do Chelsea.

Não pode, por isso, falar-se de azar, mas pode dizer-se que o Benfica foi superior ao adversário, fez uma exibição vistosa, que enche de satisfação os amantes do futebol, com duas fatídicas falhas pontuais, nomeadamente a última.

Os comentadores de futebol, viciados no comentário em função do resultado do jogo ou, noutros casos, obcecados pelas suas simpatias clubistas ou por outros interesses, prevalecem-se desse resultado para analisar o jogo do fim para o princípio e desfigurar completamente o que se passou em campo.

Não é assim com todos. Há também gente séria e competente a comentar, nomeadamente na RTP Informação. Mas isso é raro. O mais frequente é ouvirmos comentadores intriguistas que tudo fazem para defender as cores do seu clube, tentando destabilizar o adversário com conversas aparentemente técnicas. De futebol não percebem praticamente nada, passando a maior parte do seu tempo na intriga, na insinuação, na maledicência, enfim, na tentativa de criação de um clima que em última instância possa servir as suas cores. O expoente máximo deste tipo de comentadores é Rui Santos.

Depois há outros que tendo ficado profundamente decepcionados com o resultado entram num verdadeiro delírio crítico procurando pôr tudo em causa, chegando ao ridículo de menosprezar as últimas quatro épocas do Benfica em comparação com o que se passou nos cinco ou seis anos anteriores, onde, com excepção de Trappatoni e porventura de Fernando Santos, o que se viu foi um Benfica inconsistente e sem perspectivas. É o caso de Jorge Baptista cujas críticas nunca são objectivas, raramente têm nada a ver com que o se passou no jogo, mas com os seus estados de alma ou, porventura, com a defesa de interesses insuficientemente explicados.

Não quer isto dizer que Jorge Jesus não tenha cometido erros, alguns deles graves, e não tenha falhas como treinador. Certamente que sim. O seu maior erro foi não ter rodado a equipa no jogo contra o Estoril, como aqui logo se referiu, e depois do desaire não ter encarado noutros termos o jogo contra o Porto. Esses, os dois grandes erros da época cometidos num tempo em que já era proibido errar.

Como treinador, as suas maiores falhas são, porém, de comunicação. Não se trata tanto de criticar o modo como diz, mas o que diz. Jesus incorre frequentemente em triunfalismo fácil que se tem revelado fatal. Essa euforia em que Jesus incorre, entusiasmado com a qualidade do seu trabalho, acaba por ter efeitos perniciosos sobre a própria equipa. Este ano Jesus deve ter definitivamente compreendido que a vitória verdadeiramente só existe depois de conquistada e não enquanto se conquista.

Se Jesus tiver compreendido bem o que se passou na sua vida de treinador entre sábado e quarta feira à noite será certamente um treinador mais competente nos anos que vem, fique ele no Benfica ou não.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O QUE CORREU MAL AO BENFICA



CONSEQUÊNCIAS DE ERROS DE CÁLCULO

 

Há cinquenta e um anos, pouco tempo antes de vencer de vencer a segunda Taça dos Campeões Europeus, Bela Gutman disse a um jornalista do jornal A Bola que o entrevistava que o “Benfica não tinha cu para se sentar em duas cadeiras”, afastando assim a hipótese de uma dupla vitória na competição europeia e no campeonato nacional.

E hoje, terá? Jorge Jesus admitiu que sim, apesar de muitas vezes ter dito que o campeonato nacional era a primeira prioridade da equipa. A verdade é que não há nenhuma equipa com pretensões na Europa que despreze a possibilidade de chegar a uma final, mesmo que para a alcançar possa pôr em causa outro objectivo que teoricamente se afigurava mais fácil.

Percebeu-se, depois de assegurada a final na Liga Europa, que Jorge Jesus pretendia resolver o mais rapidamente possível a questão do campeonato, certamente para deixar os jogadores mais soltos tanto mentalmente como fisicamente para o jogo da final em Amesterdão. Se tivesse seguido à risca o plano que até ontem seguira, o mais natural teria sido que parte da equipa que jogou contra o Fenerbahçe não tivesse jogado contra o Estoril.

É que há vitórias que emocionalmente são tão devastadoras como as derrotas. E a vitória de uma equipa que alcança a final com dificuldade é um desses casos. A maior parte dos jogadores que participaram nesse jogo precisa, em regra, de descanso. Precisa de digerir bem a vitória, principalmente quando ganhar sempre e há vários anos não faz parte do quotidiano da equipa.

Este foi o primeiro erro do Benfica. Deveria ter havido rotação no jogo contra o Estoril. Assim corre-se o risco de levar para o Porto uma equipa sob grande tensão emocional que não existiria, mesmo que o Benfica tivesse perdido ou empatado, se os principais titulares não tivessem jogado ontem. A obrigação de pontuar no Porto a seguir a um desaire pelos próprios que participaram nesse desaire é psicologicamente muito desgastante.

Depois, em termos de comunicação, foi um erro, um grande erro, vir dizendo desde há algum tempo que o jogo das Antas não seria decisivo. O que qualquer pessoa minimamente avisada deveria ter dito é que na altura do jogo se saberia se ele seria ou não decisivo. Acrescentando que decisivo era o Benfica ir ganhando os jogos que tinha até lá.

Dizer agora que o Benfica depende apenas de si próprio é uma afirmação que escamoteia parte da realidade. Desde há muito que neste campeonato o Benfica depende apenas de si próprio. O pior é que a partir de ontem o Porto passou também a estar na mesma situação – a depender apenas de si próprio, facto que desde há várias jornadas não acontecia. Houve portanto uma verdadeira alteração qualitativa a partir do jogo de ontem. Uma alteração que fragiliza o Benfica.

Por último, o principal problema do Benfica consiste no facto de as equipas de Jesus “perderem gás” na ponta final do campeonato. Os jogadores, o treinador, os adeptos em geral e os adversários têm isso presente, pesando esse conhecimento muito diferentemente em cada um dos lados. Além de que Jesus tem um registo muito negativo nos jogos contra o Porto, independentemente de serem ou não determinantes. Nem sequer no primeiro ano impediu uma pesada derrota (3-1) quando a equipa estava à porta de se tornar campeã.

Concluindo, o Benfica não tem a vida nada facilitada e menos ficará ainda se o Paços de Ferreira resolver a questão do acesso à Liga dos Campeões no próximo sábado…

 

BENFICA AINDA NA FRENTE


 

ESTORIL IMPÕE EMPATE NA LUZ

 

Desde o primeiro minuto se percebeu que este não era o jogo do Benfica. Lima que, durante o campeonato, tantas vezes foi decisivo, dificilmente voltará a repetir uma exibição tão má como a que esta noite fez na Luz. Acontece um jogador estar em dia não, embora isso aconteça com pouquíssima frequência aos grandes jogadores e nos grandes jogos. Aos vinte minutos de jogo ou, quando muito, no fim da primeira parte, percebia-se que Lima estava a mais naquele jogo. Que não acertava uma! Não se trata de arranjar um bode expiatório para uma noite que correu mal a muitos. Trata-se de criticar as opções técnicas, baseadas em fezadas ou superstições, que se recusam a olhar a realidade tal como ela é. Se Lima estava num dos dias mais desastrados da sua carreira, deveria ter sido substituído.

Mas não foi só Lima que esteve mal. A equipa entrou ansiosa e sem capacidade para responder à velocidade que o Estoril soube impor a partir dos vinte minutos de jogo. O Benfica teve esse tempo inicial para ganhar o jogo e desconjuntar o Estoril. Não o fez e depois foi dominado quase sempre. Foi uma sorte, uma grande sorte, não ter perdido.
 
Para a história icará o empate a um golo, ambos marcados no segundo tempo. O primeiro por Jefferson e o segundo por Maxi Pereira.

Artur deixou entrar um golo incrível. Daqueles que tira pontos, embora depois tenha feito uma ou duas defesas de média dificuldade. Mas antes disso já havia pisado Luís Leal podendo ter dado origem a uma grande penalidade. É certo que no golo sofrido havia um jogador do Estoril em fora de jogo que lhe estorvou a visão do lance. Mas que árbitro iria apitar essa falta?

Carlos Martins que entrou a substituir Enzo Pérez, lesionado, nada fez de relevante, salvo a expulsão que aconteceu por culpa exclusiva sua. Inadmissível.

Os restantes também jogaram abaixo das suas possibilidades, embora sem erros individuais gritantes, mas tudo isso teria sido esquecido se o ataque tivesse cumprido o seu dever: marcar nas inúmeras oportunidades de que desfrutou.

O que mais incomodou na equipa do Benfica não foi tanto a fraca exibição mas a incontrolada ansiedade que se foi acentuando com a passagem do tempo. E não há campeões ansiosos. Os campeões são serenos e confiantes.

É isso que se exige ao Benfica nos dois jogos que restam do campeonato. Ambos igualmente importantes. Nenhum dos dois é mais difícil que o outro. São ambos difíceis e só podem ser ganhos com serenidade e concentração.

No Porto, o Benfica vai encontrar um ambiente de grande hostilidade que pode, inclusive, ultrapassar as fronteiras do adversário. O Benfica tem de estar preparado para tudo isso e não ter medo. Não ter medo, nem perder a cabeça. Não conceder pretextos a quem quer que seja. Sabe-se, por experiência própria, que se vai jogar num ambiente onde tudo valerá para alcançar a vitória. Tudo…menos a classe da equipa do Benfica. E essa chegará para fazer frente a todas as ameaças…

sexta-feira, 3 de maio de 2013

BENFICA NA FINAL DA LIGA EUROPA


 
UMA VITÓRIA INSISCUTÍVEL
Veja as imagens da vitória do Benfica // Veja as imagens da vitória do Benfica

Cinquenta e um anos depois de ter vencido a segunda Taça dos Campeões, o Benfica apurou-se frente ao Fenerbahçe da Turquia para a disputa da sua nona final europeia – sete na Taça dos Campeões, uma na Taça UEFA e outra na Liga Europa.
Perante um adversário que fez na presente temporada uma boa série de resultados nos jogos até ontem disputados fora de casa, temia-se que a vantagem que os turcos traziam de Istambul pudesse ser suficiente para lhes assegurar a passagem à final. Mas logo se percebeu que assim não seria. O Benfica terá feito ontem os melhores vinte minutos iniciais de todos os jogos este ano disputados nas competições europeias. Percebia-se na cara dos jogadores que o Benfica ia ganhar e percebia-se também que os jogadores, a começar por Cardozo, estavam plenamente confiantes na vitória.

O primeiro golo surgiu cedo, por Gaitan, numa excelente jogada pelo flanco direito benfiquista e adivinhava-se o segundo a todo o momento tal o ritmo que o Benfica estava impondo ao jogo . Quis, porém, o destino que assim não tivesse sido. Um penalty caído do céu colocou o Fenerbahçe na frente da eliminatória, obrigando o Benfica a ter de marcar dois golos para chegar à final.
Atordoados com o insólito resultado que por força do penalry se estabeleceu contra a corrente do jogo, os jogadores do Benfica apenas precisaram de uns minutos, cerca de dez, para se recomporem e recomeçarem com a toada inicial que retirava aos turcos todas as hipóteses de aguentar o resultado, como de facto veio a acontecer.

E assim foi. Pouco antes do intervalo, o inigualável Cardozo marcou o segundo golo num excelente trabalho sobre quatro adversários à entrada da área. E a partir daí a equipa estava lançada para o acesso à final que mais tarde ou mais cedo haveria de consumar-se.

Foi já no segundo tempo, pouco depois dos sessenta minutos de jogo, que Cardozo, mais uma vez, marcou o segundo, desta vez a passe de Luisão. E mais teria marcado Cardozo se Lima tivesse sido, como quase sempre é, um pouquinho menos egoísta. Teria Cardozo marcado o terceiro e encerrado de vez a sorte da eliminatória.

Assim não aconteceu, mas apesar da ansiedade dos últimos minutos, a passagem do Benfica nunca esteve em risco.

O jogo de ontem demonstrou que nos grandes momentos não há cansaço;  que Cardozo é um avançado insubstituível; que Matic é um jogador do outro mundo; e que o Benfica tem uma grande, grande, equipa. Certamente uma das melhores da sua história. Seguramente por força da valia dos jogadores, mas em grande parte devido ao mérito do seu treinador, Jorge Jesus, que trouxe muito ao Benfica, mas que também aprendeu muito no Benfica, a ponto de hoje ser um treinador muito mais completo do que aquele que há quatro anos pegou na equipa. O que só demonstra a sua  inteligência e capacidade de aprender com os próprios erros. 

Na final contra o Chelsea, objectivamente, o Benfica tem este ano menos hipóteses do que tinha o ano passado nos quartos-de-final da Liga dos Campeões pela razão simples de Benitez ser muito melhor treinador do que Di Matteo. Benitez é um treinador perito em finais e em jogos a eliminar como o seu passado no Valência e no Liverpool sobejamente demonstra. E também no Chelsea…

Para o caixote do lixo da história fica o ridículo treinador do Porto e os adeptos do Sporting tipo Eduardo Barroso, Dias Ferreira e Oliveira e Costa…

terça-feira, 30 de abril de 2013

O BENFICA VENCEU NA MADEIRA


 

E ESTÁ A UM PASSO DE SER CAMPEÃO
Benfica mais perto do título

Foi um grande jogo o encontro desta noite entre o Marítimo e o Benfica. O Benfica teve a felicidade de entra a ganhar: um penalty cometido nos minutos iniciais da partida, bem convertido por Lima, deveria ter-lhe proporcionado a tranquilidade de que necessitava para abordar o jogo.

Mas não foi assim. O Marítimo reagiu muito bem e encostou o Benfica à sua baliza durante quase toda a primeira parte, com cruzamentos largos de ambos os lados da defesa do Benfica, adivinhando-se o golo do empate a todo o momento. E ele acabou por aparecer, com toda a justiça, perto do intervalo.

O que estranhou durante todo este longo período não foi tanto que o Marítimo tivesse reagido com grande ânimo e confiança, mas que o Benfica não tivesse aproveitado esse balanceamento da equipa madeirense para fazer algumas jogadas perigosas de contra-ataque. Das vezes que o tentou fazer, Ola John não soube dar a sequência devida aos lances.

Na segunda parte tudo mudou. O Benfica entrou disposto a resolver o jogo desde o início, sem esperar, como tantas vezes acontece, pelos minutos finais para dar tudo por tudo. O Benfica atacou e foi agora a vez de encostar o Marítimo à sua baliza durante longos períodos. Durante esse assédio à baliza dos madeirenses, Lima enviou duas bolas ao poste. Mais tarde, Cardozo que entrou para o lugar de Ola John, foi derrubado na área, mas o árbitro nada assinalou. Até que Salvio, concluindo com um centro uma boa jogada pelo flanco direito do ataque do Benfica, fez com que o jogador do Marítimo – o mesmo que marcara o golo do empate (Igor) – introduzisse a bola na sua própria baliza.

Foi um jogo muito bem disputado com o Marítimo a dar tudo para tirar pontos ao Benfica. Viva o futebol quando assim acontece.

Na equipa do Benfica há manifestas debilidades em todo o flanco esquerdo. Hoje André Almeida substituiu Melgarejo. Almeida defende melhor que o paraguaio, mas ataca pior. Todavia, a maior fragilidade está em Ola John que é apenas sofrível a defender e no ataque está uma sombra do que já foi.

De louvar, como sempre, a abnegação de Salvio, a classe e a combatividade de Lima. Maxi, por seu turno, parece estar a regressar à forma. Com Enzo Pérez e Matic o meio campo fica forte, apesar de Rodrigo, como elo de ligação entre o meio campo e o ponta de lança, continuar aquém das expectativas.

Com a vitória desta noite o Benfica deu um passo decisivo para a conquista do título que agora está praticamente ganho.

Os benfiquistas, principalmente os mais novos, menos habituados às vitórias, devem demonstrar que sabem ganhar não entrando em provocações inúteis e desprestigiantes.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

RESCALDO DA JORNADA




 
ANTES DO JOGO DO BENFICA
 
 

A campanha histérica contra Capela já começou a dar os seus frutos. Quanto ao Porto nem adianta tecer grandes considerações porque já se percebeu que nenhum árbitro, absolutamente nenhum, marcará ao Porto um penalty por mão na área. No sábado, por duas vezes, voltou a acontecer o que esta época já aconteceu um sem número de vezes e sempre com o mesmo resultado: impunidade! 

Mas esta directiva ou critério ou o que lhe queiram chamar só vale para o Porto e não para os seus adversários, pois nesse mesmo jogo o Setúbal foi punido por um lance exactamente idêntico.

No Sporting – Nacional foi também o que se viu, com prejuízo daqueles que lutam com o Sporting pelo quinto lugar. O segundo golo do Sporting foi obtido em fora de jogo visível. Apesar de a jogada ter sido corrida não há nenhuma razão para não ver a falta. É claro que o sr. Coroado que tem uma grossa camisola às riscas verdes e brancas por baixo de uma falsa camisola do Belenenses já veio dizer que não foi off side. Como outros o virão a dizer. Mas a verdade é a que está vista de toda a gente. De notar que o sr. M. Machado nem uma palavra proferiu sobre o assunto. O que também não admira. A gente já os conhece a todos…

Em Coimbra, o Moreirense foi espoliado de uma grande personalidade por Pedro Proença. Um corte evidente com a mão que igualmente toda a gente viu. Proença enganou-se? Não viu? Mas em Braga, o ano passado, castigou o Emerson e puniu o Benfica com um penalty por uma bola à queima-roupa lhe ter batido no braço, encostado ao corpo, com ele de costas. Nesse lance não teve dúvidas. Proença, digam o que disserem, é um daqueles sobre que não há qualquer dúvida quanto à sua honorabilidade.

Mas há mais. Rui Santos que é como toda a gente sabe um intriguista vulgar e um trampolineiro, que teve a sorte, como dizia o Scolari, de ter uma tia rica (melhor: um tio sério que por acaso ficou rico), teve o desplante de afirmar na SIC N que o jogo do Benfica na Madeira estava facilitado por o Marítimos não ter actualmente boas relações com o Porto, tendo tranquilamente concluído que esse facto possibilitaria ao Benfica um jogo num contexto diferente (entenda-se favorável).

Este tipo na sua ânsia de intrigar nem sequer mede o verdadeiro sentido das suas palavras. O que ele por outras palavras está a dizer, sem saber, é que todos os jogos do Porto contra clubes com os quais Pinto da Costa mantém boas relações são jogos facilitados. Se é assim isto quer dizer que a “fruta” vai muito para além do “café com leite”…E provavelmente vai…

Quanto ao Benfica, por muito que se diga o contrário, tem de reconhecer-se que o jogo de logo à noite é o jogo do ano. Dele depende praticamente tudo. Se o Benfica ganhar, ganhará o campeonato e irá à final da Liga Europa. Se empatar ou perder, pode perder tudo…

sexta-feira, 26 de abril de 2013

BENFICA: UMA DERROTA PREOCUPANTE


 

A FINAL MAIS LONGE
Benfica perde por 1-0 no reduto do Fenerbahçe - 1 (© LUSA SEDAT SUNA)
 

O Benfica sofreu ontem a terceira derrota da época. Tal como as anteriores, em provas internacionais. As duas primeiras na Liga dos Campeões, contra o Barcelona em casa (0-2) e contra o Spartak de Moscovo, fora (2-1) e a terceira na Liga Europa, em Istambul, contra o Fenerbahçe (1-0).

Tão preocupante como a derrota, ou porventura mais, foi ter ficado a zero numa prova a eliminar. Este ano o Benfica só tinha ficado a zero, até ontem, quatro vezes: duas vezes contra o Barcelona - uma na Luz, no jogo acima referido, outra em Camp Nou (empate) - uma contra o Celtic, em Glasgow, também empate e outra contra o Braga, na meia final da Taça da Liga.

Nos jogos a eliminar das competições europeias é muito difícil suplantar uma derrota fora por 1-0, como as estatísticas sobejamente demonstram. Em mais de 50 anos de jogos na Europa, o Benfica nunca foi eliminado, depois de ter vencido em casa o primeiro jogo por 1-0. A pressão de não sofrer golos pesa decisivamente no segundo jogo e acaba por inibir a equipa muito para além daquilo que seria normal. Quando o valor das equipas é sensivelmente o mesmo, é mais fácil virar fora uma derrota em casa por 0-1 do que o contrário.

Nesta eliminatória, nem sequer é tanto o valor intrínseco do adversário que torna a vida do Benfica complicada. É mais o factor psicológico que tudo poderá complicar. Neste sentido, o jogo dos Barreiros será decisivo. Se o Benfica não ganhar, a equipa entrará em crise e tudo se poderá complicar. A pressão externa, nomeadamente através de factores extra-futebol, permanentemente exacerbados pelos seus adversários, é muito grande, e tudo pode acabar por perder-se …mesmo junto à praia.

Exactamente por estas razões, ou seja, por razões psicológicas, continuamos a achar contraproducente o discurso de Jorge Jesus, conferindo a prioridade das prioridades ao campeonato. Chegados a esta fase, todos os jogos e todas as competições têm a mesma prioridade. O jogo de ontem era para o Benfica tão importante como o da próxima segunda-feira contra o Marítimo: a vitória é sempre meio caminho andado para a vitória. A vitória soma vitória, enquanto a derrota tende a somar derrota.

O que ontem correu mal em Istambul está à vista de toda a gente. Em primeiro lugar, o lado esquerdo do Benfica. Dois erros de palmatória poderiam ter deitado tudo a perder. Felizmente só um foi aproveitado. Melgarejo remedeia, mas não é solução. E quanto a Ola John não se pode exagerar nas suas funções defensivas, pelo menos em áreas de risco. Em segundo lugar, a capacidade atacante do meio-campo: Matic muito sozinho não pode fazer tudo à frente e atrás. É certo que, neste caso, devido ao castigo de Enzo Pérez, pouco haveria a fazer. Por último, a manifesta incapacidade de Cardozo jogar em contra-ataque. Sem hipóteses de fazer funcionar o seu pontapé de meia distância e sem a habitual frequência de bolas na área, a aposta em Cardozo só na frente, era, à partida, uma aposta de risco com grande probabilidade de ser uma aposta falhada, como na realidade foi. Se Lima não podia jogar por razões físicas, deveria ter jogado de início Rodrigo, fazendo a ligação entre os sectores e com instruções para jogar até “estourar”. A probabilidade de com Rodrigo na frente o Benfica poder marcar era incomparavelmente maior do que aquela que resultaria da opção escolhida. Rodrigo quando entrou, mal e tarde, já nada poderia fazer. Aliás, Rodrigo é um daqueles jogadores que entra quase sempre mal. Por isso, é preferível, quando ele tem de jogar, pô-lo a jogar de início.

Em conclusão: depois do jogo de ontem, a probabilidade de o Benfica estar na final baixou para 30%/40%, quando antes do jogo era, pelo menos, de 50% ou até superior.

terça-feira, 23 de abril de 2013

O BENFICA - SPORTING DE DOMINGO PASSADO


 

O RIDICULO E A DECADÊNCIA
 

 

Os sportinguistas, apoiados pelos batoteiros do FCP e com a complacência de comentadores incompetentes, passaram as horas que se seguiram ao jogo de domingo entre o Benfica e o Sporting a comentar a arbitragem e a injuriar o árbitro de quanto havia, enquanto o resto do mundo se deliciava a ver os golos do Benfica.

Esses pobres do Sporting não fazem a mais pequena ideia do que é o futebol no resto do mundo, principalmente fora da Europa, onde as centenas de milhões de pessoas que assistem aos jogos e que a toda a hora os revêem só estão preocupadas com o lado artístico do futebol.

Por cá, programas imbecis, propositadamente feitos para servirem de escape a múltiplas frustrações, vão pondo de parte o futebol e afastando as pessoas dos estádios. Mesmo os que só vêem os jogos pela televisão, na maior parte dos casos não ouvem os comentadores, que em Portugal são, como se sabe, um factor de instabilidade e de perturbação por a maior parte deles, quase todos, não ter ainda percebido qual o seu papel. Mas deixemos isso para outra ocasião…

O exemplo deste fim-de-semana mostra que a burguesia decadente de Lisboa, na sua maior parte adepta do Sporting, tem no futebol mais um factor de frustração e de angústia. E como sempre acontece nessas ocasiões transpõe para o outro as suas incapacidades e as suas impotências.

É por isso que os adeptos do Sporting, além de somarem derrotas atrás de derrotas, passaram a juntar a estas um rol infindável de queixas cada vez mais próximas da paranóia.   

Os sportinguistas vivem na nostalgia de um pretenso paraíso perdido, sintoma indiscutível de decadência que a todos afecta por igual e lhes faz perder a noção do ridículo. Enquanto os “falsos aliados” do Norte se aproveitam perfidamente deste triste estado de alma para os instrumentalizar a troco de apoios selectivos que estrategicamente interessam muito mais ao apoiante do que ao apoiado.

Enquanto o Sporting vive mergulhado numa profunda paranóia, os seus “falsos aliados” do norte fazem o possível para se aproveitarem dela, instrumentalizando-os como colaboradores nas múltiplas malvadezas que pretendem por em prática no futebol português, sobejamente conhecidas por toda a gente. Como se não bastasse a “fruta”, a pancada nos jornalistas independentes, as ameaças e as agressões, também agora se ficou a saber que o dopping faz parte do receituário dos "31 anos gloriosos"!

Voltando ao jogo. O jogo ficou marcado para a história, e também para a enorme plateia mundial que semanalmente acompanha o futebol europeu, por dois excelentes golos do Benfica, sendo um deles – o segundo – uma das mais belas obras de arte da presente temporada futebolística em todo o mundo. Desta vez não conseguiram evitar que o mundo inteiro a apreciasse e comentasse. Aqui há dois anos, em Paços de Ferreira, o mesmo Gaitan marcou um golo que finalizou uma das mais empolgantes jogadas do futebol moderno. Só que quase ninguém viu a jogada toda. Logo a seguir ao jogo, a jogada não foi repetida e numa outra televisão a escolha dos lances da jornada pelo “sr. Freitas Lobo” conseguiu cometer a proeza de a eliminar pura e simplesmente das escolhas da semana.

Finalmente, quanto aos lances do jogo que tanta celeuma levantaram entre os sportinguistas e aos seus “falsos aliados”, depois de vistos e revistos na SIC N em câmara lenta e com imagem aproximada, o que se pode concluir é o seguinte:

No lance entre Wolfswinkel e Garay, é o jogador do Sporting que com a parte externa da perna esquerda afasta com muita energia o jogador do Benfica - nada, portanto; se Garay estivesse de pé, seria falta contra o Sporting.

No Lance entre Maxi e Capel, o jogador do Benfica não toca no jogador do Sporting; Capel, aparecendo nas costas de Maxi, quando se apercebe que já perdeu completamente o controlo da bola atira-se para a frente tentando enganar o árbitro.

No lance entre Gaitan e Llori, Gaitan é ostensivamente pontapeado numa perna; talvez o árbitro não tenha punido a jogada por entender que Gaitan exagerou as consequências do pontapé.

No lance de off side assinalado a Cardozo, há erro do fiscal de linha; Cardozo está aquém do penúltimo jogador do Sporting; fora de jogo mal assinalado numa jogada em que Cardozo ficaria isolado frente a Rui Patrício.

No lance de Matic com um jogador do Sporting, entrada a destempo de Matic merecedor de amarelo.

No lance de Maxi com um jogador do Sporting, entrada impetuosa de Maxi, merecedora de amarelo.

No lance, na área, entre Gaitan e um jogador do Sporting, há falta clara deste que impede Gaitan de saltar…mas é normal que os árbitros não marquem na área estas faltas a não ser quando são muito ostensivas e enérgicas.

No lance entre Maxi e Viola, Maxi impede ao de leve o jogador do Sporting de chegar à bola – o árbitro poderia ter marcado penalty.

No lance de um jogador do Sporting que vai contra Jardel nem sequer se percebe o que pretendem os sportinguistas e o fanático Guedes do Porto; queriam que o Jardel saísse do campo sempre que alguém tentasse passar por ele?

Concluindo: não se passou nada de especial com a arbitragem.