segunda-feira, 27 de agosto de 2012

BENFICA ARRASA SETÚBAL


 

UMA VITÓRIA EXPRESSIVA E INDISCUTÍVEL

 

O Benfica arrasou ontem o Vitória de Setúbal no Bonfim por cinco a zero. O Vitória começou agressivo, a raiar a violência, com a nítida intenção de intimidar os jogadores do Benfica. Até ao segundo golo do Benfica todas as bolas divididas bem como as jogadas perdidas eram seguidas de faltas. Se passava o jogador não passava a bola. Numa competição internacional uma equipa que entrasse a jogar como ontem fez o Setúbal rapidamente ficaria reduzida a dez unidades e depois a nove até “acalmar”. Sabe-se por experiência que esta forma de jogar conta em Portugal com a complacência dos árbitros. E sabe-se também que as equipas de José Mota usam e abusam deste expediente.

Ontem, Jorge de Sousa fugiu à regra. Para evitar dúvidas puniu como devia uma entrada violente de Amoreirinha logo no início do jogo. Os portugueses não estão habituados a isto. “Se fosse aos 70 minutos ainda se compreenderia, dizem, mas aos 7 é inadmissível”. Inadmissível é que se digam coisas destas. Amoreirinha foi muito bem expulso. Mal teria andado o árbitro se o não fizesse.

Não há qualquer semelhança entre a jogada violenta sobre Melgarejo e o cartão amarelo a Luisão. A falta de Luisão é uma falta vulgar. Uma falta que noutras condições – isto é, se não houvesse um jogador expulso da equipa adversária – nem amarelo teria tido.

É igualmente inamissível que se conteste o primeiro golo do Benfica com base num pretenso fora de jogo de Melgarejo. O paraguaio está em linha com o penúltimo defesa setubalense. E mesmo que estivesse à sua frente cinco ou dez centímetros, a jogada continuaria ser “legal”, já que a FIFA ordena que, em caso de dúvida, se interprete a norma no sentido mais favorável a quem ataca.

Portanto, e para finalizar esta parte, o Setúbal, ou melhor, José Mota, só tem de se queixar de si próprio e do modo como concebeu a recepção ao Benfica. O mesmo se diga do presidente vitoriano a quem claramente faltam créditos para se pronunciar sobre o Benfica. O seu anti-benfiquismo primário retira-lhe qualquer legitimidade.

A expressiva vitória benfiquista não é, porém, concludente sobre a verdadeira valia da equipa. Certamente que Sávio é um fantástico jogador – rende muito mais no Benfica do que no Atlético de Madrid -, que Rodrigo promete fazer uma grande época, que Enzo Pres parece finalmente integrado e que a maior parte dos restantes, dos que já deram provas, parece estar à altura das circunstâncias.  É verdade tudo isso, mas também é verdade que o Benfica pode nos quatro dias que faltam para acabar o mês ficar muito desequilibrado se certos jogadores saírem.
Fala-se da saída de Javi para o M. City, de Witsel, de Garay, além de Cardozo e de Gaitan. Javi e Witsel não podem sair ambos, seria o descalabro do meio campo defensivo. A ausência de Javi seria porventura mais difícil de colmatar que a de Witsel. O Benfica ficaria muito desequilibrado com a sua saída. E de Garay nem se fala. Sem Garay na defesa o Benfica não teria qualquer hipótese de competir sequer a nível interno, quanto mais internacionalmente. Tanto mais que Luisão, além de muito provavelmente vir a ser castigado, está na curva descendente da sua carreira. Uma curva que será muito acentuada como no decorrer da época se verá…

Quanto ao grande motivo de polémica da jornada passada – Melgarejo – o jogo de ontem não trouxe nada de muito novo. É certo que Melgarejo está na origem da expulsão de Amoreirinha e do primeiro golo do Benfica. São aspectos positivos, mas que não devem ser exageradamente encarecidos. O adversário era fraco e o problema de Melgarejo a defesa esquerdo só se evidencia, como é óbvio, com equipas fortes. Portanto, o jogo de ontem não deu para tirar dúvidas. Mas dúvidas parece também não haver quanto à titularidade de Melgarejo. É um excelente jogador sem rival, neste momento, na ala esquerda dianteira do Benfica. Por outras palavras, a venda, a bom preço, de Gaitan seria um bom negócio sem qualquer consequência no plano desportivo. Mas vai ser difícil vender Gaitan a bom preço. Ele não tem “ajudado” nada…

O Braga ganhou sem dificuldade com uma espécie de equipa B ao Beira-Mar, por 3-1 e Porto derrotou sem apelo o Vitória de Guimarães por 4-0. Ou seja, tudo se inquilina para que o campeonato venha a ser um campeonato a três, a menos que o Sporting resolva intrometer-se. A ver vamos…

domingo, 19 de agosto de 2012

JESUS BRINCA COM O FOGO




BENFICA COMEÇA MAL



Não se pode dizer que tenha constituído uma grande surpresa o empate do Benfica frente ao Braga no primeiro jogo do campeonato. Primeiro, porque o Benfica não ganha o primeiro jogo há muitos, muitos anos; depois, porque o plantel tem fragilidades inaceitáveis e incompreensíveis tendo em conta os milhões gastos em aquisições.

De facto, foram essas fragilidades, bem patentes desde a venda de Fábio Coentrão, que ontem ditaram o empate do Benfica – um empate com sabor a derrota. A responsabilidade por estas fragilidades é, sem dúvida, de Jorge Jesus. Se o treinador não conseguiu contratar o jogador que pretendia para o lugar de defesa esquerdo só tinha que manter na equipa quem sabe jogar nesse lugar. E mais: se não havia dinheiro para comprar o jogador pretendido, deveria ter-se prescindido de outras aquisições para lugares onde há jogadores em excesso, como é o caso dos extremos.

Inaceitável, absolutamente inaceitável, é que a estúpida teimosia do treinador decida colocar no lugar de defesa esquerdo um jovem cheio de potencialidades que foi contratado para jogar a extremo. Inaceitável, incompreensivelmente inaceitável, é que Jorge Jesus num jogo de grande responsabilidade – de responsabilidade máxima – resolva adaptar uma jovem promessa a um lugar onde já tinha dada provas mais do quer suficientes de que não tinha capacidade para lá jogar.

Os golos do Braga não são, portanto, da responsabilidade de Melgarejo, mas de Jorge Jesus. Uma responsabilidade dupla: a responsabilidade de fragilizar a equipa e a responsabilidade de “queimar” um excelente jogador.

Como já aqui dissemos muitas vezes, Jesus está longe, muito longe, de ser um treinador inteligente. As suas limitações nessa matéria são correspondentes às limitações que espelha quando tenta explicar ou descrever o que quer que seja. O Benfica precisa, portanto, de alguém com prestígio e autoridade ao lado de Jesus para colmatar as suas muitas lacunas.

Luisão, mais uma vez, deu provas da sua insegurança em vários lances. Luisão é outro problema que o Benfica vai ter de resolver com urgência, sob pena de vir a sofrer muitos dissabores.

O jogo foi dividido, o empate ajusta-se ao que as equipas fizeram e não parece, pelo que se viu, que o Benfica esteja melhor do que na época passada. Pelo contrário… Já o Braga pareceu igual ao que tem sido nas últimas épocas.

Finalmente, a arbitragem não esteve isenta de erros. Soares Dias expulsou Douglão perto do fim do jogo por mão de Custódio dentro da área. O penalty foi bem assinalado, mas a expulsão não. E como é hábito em Portugal uma onda inacabável de especulações terá agora lugar sobre o que o Braga teria feito se tivesse jogado com onze. Além disso há um terceiro golo do Benfica marcado no 88.º minuto que foi anulado por alegada falta de Cardozo sobre o guarda-redes. Visto e revisto o lance, não parece que o avançado benfiquista tenha sequer tocado no guarda-redes do Braga. Aparentemente foi um golo legal que o árbitro invalidou.

sábado, 18 de agosto de 2012

VOLTOU O FUTEBOL A SÉRIO






A LIGA PORTUGUESA



Depois do Euro 2012, do Tour de França – o maior espectáculo desportivo do mundo -, dos Jogos Olímpicos - onde, diga-se o que se disser, sempre se joga o prestígio desportivo dos Estados -  e dos jogos de preparação, estão à porta as grandes competições futebolísticas da Europa.

Na Espanha alarga-se o fosso entre o duo Real Madrid, Barcelona e os demais. Um fosso que a iníqua e inaceitável distribuição das receitas da TV agrava todos os anos. De facto, o campeonato espanhol é, na perspectiva dos candidatos ao título, um dos menos competitivos de toda a Europa. A competição resume-se ao confronto Barça-Real, sendo cada vez maior a distância que os separa  dos restantes. Basta dizer que a diferença pontual entre o vencedor da época passada, Real Madrid, e o terceiro classificado, Valência, é bem maior que a diferença que separa o Valência do último classificado! Um campeonato em que o primeiro classificado faz mais de cem pontos e marca mais de cem golos é necessariamente um campeonato pouco interessante.

Um campeonato bem diferente do italiano, do Inglês, do alemão e do francês, onde, apesar de haver em alguns deles um conjunto de equipas que frequentemente repetem a vitória, nem por isso deixa de haver competição tanto por sempre poder surgir como vencedora uma equipa que não se esperaria pudesse alcançar o título (Alemanha e França), como por as vitórias ao longo destes últimos dez anos terem sido repartidas entre várias equipas e não apenas entre duas (Itália e Inglaterra).

Em Portugal, o futebol estás confinado a uma indústria dominada pela Olivedesportos. Soube-se agora que são eles que abastecem a Federação de automóveis e já há muito se sabe que são eles também que mandam na Federação e que condicionam seriamente a vida dos clubes. Porto e Benfica têm repartido os triunfos nos últimos tempos, com larga vantagem para o FCP.  Nos últimos anos o Braga logrou juntar-se aos dois primeiros sem nunca verdadeiramente ameaçar a sua hegemonia, enquanto o Sporting se tem arrastado penosamente atrás do Porto, Benfica e Braga sempre na ilusão, cada dia mais irrealizável, de poder chegar ao título.

Na época que ontem se iniciou com a vitória tangencial (2-1) do Olhanense sobre o Estoril, o Benfica e o Porto reforçaram-se moderadamente (e ainda não perderam nenhum dos jogadores da época passada), o Sporting conseguiu créditos onde não se esperava pudesse encontrá-los e inicia, por isso, o campeonato cheio de renovadas ilusões, enquanto o Braga parece manter o equilíbrio das últimas épocas.

O Benfica parte para o campeonato com reforços em excesso nas alas dianteiras e no meio campo e com fragilidades nas laterais defensivas e no centro da defesa. Além disso, que já não era pouco, entra no campeonato marcado pelo triste “episódio Luisão”, que, bem vistas as coisas, apenas evidencia aquilo que na época passada fomos aqui dizendo do central benfiquista: deficiente condição física, excessiva lentidão e exagerada utilização do físico em substituição dos recursos verdadeiramente futebolísticos. Com a sua inaceitável conduta, Luisão causou ao Benfica um grave dano patrimonial e moral, agravado pelas manifestações de solidariedade que alguns responsáveis benfiquistas exageradamente protagonizaram. De facto, a conduta de Luisão é altamente reprovável, mesmo que o efeito por ela produzido tenha sido manifestamente desproporcionado. Mas é um gesto, um lamentável e reprovável gesto, que vai marcar por muitos e muitos anos o Benfica. E tanto mais quanto mais for defendido e justificado o comportamento de Luisão. Luisão deve ser punido, com justiça, pelas autoridades disciplinares portuguesas e também pelo Benfica, principalmente pecuniariamente.

O jogo de logo à noite, contra o Braga, acaba, por causa de tudo isto, de ser muito mais que um simples jogo de início do campeonato. Nele se avaliará do equilíbrio emocional da equipa e da sua capacidade para resistir ao “episódio Luisão” que vai inevitavelmente marcar o comentário desportivo deste campeonato…

terça-feira, 3 de julho de 2012

RESCALDO DO EURO 2012



A VITÓRIA DE ESPANHA

A primeira e mais importante nota sobre o Euro 2012 é a vitória da selecção espanhola por mais que o assunto já tenha sido tratado em todo o mundo. Algo de extraordinário se passou em Espanha para que a partir de 2008 a selecção espanhola de futebol ser a principal favorita das provas em que participa e simultaneamente tivesse feito jus a esse favoritismo vencendo-as. Algo de extraordinário se passou para que num país onde sempre existiram jogadores de classe mundial e onde em diversas épocas se encontraram gerações de grandes futebolistas, mas sempre sem ganhar nada, com excepção de uma copa de europa (1964) em moldes muito diferentes dos actuais, algo de extraordinário se passou, dizíamos, para que a partir de 2008 Espanha, em futebol, seja sinónimo de vitória.
A primeira coisa que há a sublinhar é o facto de a Espanha passar a ter um estilo que nada tem com o das selecções do passado. Antes era a fúria, aquela força bem espanhola feita de vontade e paixão, que se apresentava em campo para ganhar. Agora o que se apresenta em campo é um conjunto de jogadores dotados de uma técnica extraordinária e de uma inteligência de jogo que faz com que na maior parte dos casos os jogadores das equipas adversárias sejam meras espectadores do futebol que eles praticam. Mas espectadores especiais, pois contrariamente aos que estão na bancada eles têm a pretensão de também participar no jogo; eles também querem jogar, embora passem a maior parte do seu tempo à procura da bola que permanentemente lhes escapa.  
Quem implantou este futebol em Espanha foi Guardiola exactamente na época em que a Espanha ganhou o primeiro desta série de títulos, o Euro 2008. O Barcelona começou a praticá-lo na época 2007/2008. Depois foi-o refinando, ganhando títulos em série. A marca deste jogo era tão forte que a selecção adoptou-o, adaptando-se facilmente a ele os excelentes futebolistas que vinham de outras paragens (Real Madrid, Sevilha, Valência, enfim, clubes estrangeiros). Em 2010 na África do Sul estilo de jogo já estava consolidado e a Espanha voltou a vencer. Em 2012, embora também mais conhecido e estudado, atingiu o seu apogeu. A Espanha experimentou dificuldades no primeiro jogo contra a Itália, sem nunca ter corrido o risco de perder, passou por momentos difíceis contra a Croácia – e ninguém sabe o que teria sucedido se o árbitro tivesse visto o que toda a gente viu – e foi superada por Portugal nos 90 minutos, tendo recuperado no prolongamento.
Este futebol que a Espanha pratica nada tem a ver com o do Real Madrid, seja o RM deste ano, seja o dos anos anteriores, apesar de lá ter quatro titulares. A sua base, a sua concepção de jogo, é a do Barcelona. Este ano até mais do que qualquer outro dada a posição em que Fábregas jogou. E sendo assim a questão que se põe é se a hegemonia da selecção espanhola poderá sobreviver à eventual perda de hegemonia do Barcelona.
Depois houve outras notas interessantes que convém sumariar muito rapidamente:
Apenas houve três expulsões e uma delas, a de Sokratis da Grécia, mal decidida; houve apenas três penalties, dois a favor da Grécia e um da Alemanha; foi disciplinarmente um Euro muito correcto – os jogadores facilitaram muito a vida aos árbitros e estes erraram muito menos. Os fora de jogo foram quase todos bem assinalados o que não deixa de ser uma performance extraordinária inclusive para equipas de arbitragens que nos seus respectivos países nem sempre primam pelo rigor. Uma das excepções ocorreu num lance que deu lugar a uma das mais polémicas questões de todo o campeonato – o golo da Ucrânia contra a Inglaterra não validado; se o off side tivesse sido assinalado a questão do golo já não se teria posto. É o que se chama escrever direito por linhas tortas. Houve ainda três ou quatro lances que levantaram mais polémica, todos eles relacionados com faltas cometidas pela equipa defendente dentro da sua área – dois na área da Espanha contra a Croácia; um na área da Itália contra a República da Irlanda e um outro na área da Alemanha no jogo contra a Dinamarca. Na final, Pedro Proença não assinalou uma mão na área italiana por ter entendido que não houve intencionalidade.
Quanto a jogadores, os que mais se distinguiram foram os da equipa espanhola, não sendo exagerado colocar vários deles entre os melhores do Europeu, a saber: Casillas, Sérgio Ramos, Jordi Alba, Xabi Alonso, Iniesta e Fábregas. Na Itália Pirlo e também Balotelli, sempre muito presente e decisivo nas duas vitórias da equipa; na Alemanha Özil; e na equipa portuguesa Pepe, Coentrão e Moutinho. Ronaldo só esteve bem em dois jogos, tendo ficado muito aquém das necessidades da equipa nos outros três.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

ESPANHA CAMPEÃ DA EUROPA



QUE SE PASSOU, ITÁLIA?
[foto de la noticia]



A Espanha venceu o terceiro grande título consecutivo do futebol internacional, um feito único na história do futebol. Depois do grande jogo que a Itália fez contra a Alemanha nas meias-finais do torneio ainda houve quem tivesse admitido que a Espanha poderia vir a ter dificuldades nesta final, sendo, pelo menos, obrigada a fazer um jogo tão disputado como o que realizou contra a Holanda na África do Sul.

Não foi assim. Este foi upara Espanha um dos jogos mais fáceis do campeonato.Pouco depois de o jogo ter começado logo se percebeu que aquela Itália estava perdida na defesa, transfigurada e pronta para o desastre. De facto, nem era a Itália dos tempos passados, forte defensivamente, nem a Itália deste Euro, forte na linha média e no ataque, com segurança na defesa. Dava a ideia de uma equipa que pela primeira vez estava a tentar pôr em prática um modelo de jogo novo e que tudo lhe saia mal. Não era a Itália dos jogos anteriores, nem conseguia ser a Itália que, pelos vistos, estava pensada para este jogo.

Daí que a Espanha tenha chegado ao golo bem mais cedo do que é habitual nela e tenha também praticado um futebol bem mais atractivo do que praticado nos jogos anteriores. Adivinhava-se o golo a todo o momento: grande passe de Iniesta a Fabregas que vai à linha, junto á baliza, cruza atrasado e Silva de cabeça marca.

Depois do golo espanhol a Itália reagiu. A melhor forma de dar tréguas à sua atribulada defesa era manter a bola bem longe dela. Mas dessa reacção não resultou o empate que a Itália tanto procurava, acabando por ser a Espanha que numa combinação magistral entre Xavi e Jordi Alba marca o segundo golo.

A sorte da Itália estava decidida. Entretanto os azares começavam a persegui-la: Chiellini, que tão bem tinha estado nos jogos em que alinhou, teve uma lesão muscular e foi substituído por Abate.

No segundo tempo os azares continuaram. Prandelli substituiu Cassano por De Natale, que logo no primeiro minuto teve oportunidade de marcar, como voltaria a ter mais tarde. Só que da primeira vez atirou sobre a barra e da segunda Casillas defendeu. Depois foi a inesperada substituição de Montolivo por Tiago Motta. Pouco mais de cinco minutos esteve Motta em campo: nova lesão muscular e a Itália reduzida a dez unidades com mais de meia-hora para jogar. Foram trinta minutos de sofrimento, quase de pesadelo. Sem qualquer capacidade de reacção a Itália sofreu o terceiro por Torres que entrara para o lugar de Fábregas e quarto por Mata no primeiro toque que deu na bola.

Não há sobre o jogo muito mais a dizer. A Espanha é uma grande equipa, uma das grandes equipas da história do futebol, e a Itália de quem tanto se esperava, fosse pelo seu passado mais remoto, fosse pelo mais recente, frustrou todas as expectativas na final, fazendo um jogo como não há memória na história do futebol italiano em grandes competições.

Mas não pode nem deve imputar-se o êxito espanhol à fraca prestação italiana. A Espanha, como já se disse, tem uma equipa que ficará para a história do futebol internacional como uma das melhores de sempre. Servida por jogadores excelentes onde não desponta uma grande estrela, porque são todos grandes estrelas. Estrelas sem vedetismo e com muito profissionalismo.

Depois deste êxito da Espanha está relançada a questão da “bola de ouro” deste ano. Cristiano Ronaldo e o marketing que o apoia tudo têm feito fora do campo para que seja ele o escolhido. A verdade é que dentro do campo, apesar da vitória na Liga espanhola e dos golos que marcou, tem de reconhecer-se que Messi foi melhor do que ele. Ganhou dois títulos e marcou mais golos. E jogou melhor, foi mais espectacular. Mas seria uma injustiça, uma grande injustiça, não premiar um jogador espanhol. Um daqueles que repetiu com a vitória de hoje, as vitórias do Euro 2008 e a vitória do Mundial de 2010. E três nomes se perfilam: Casillas, Xabi e Iniesta. A escolha é difícil. Qualquer um deles a merece. Talvez Casillas devesse ser distinguido pelo que ganhou este ano, pelas exibições que realizou, pela carreira, por ser guarda-redes (desde Yashin nunca mais outro a venceu) e por ser um exemplo de desportista e de cidadão.

sábado, 30 de junho de 2012

A ENTREVISTA DE PAULO BENTO





O DÉFICE DEMOCRÁTICO NO FUTEBOL
Queirós e Manuel José aproveitaram-se: Paulo Bento



Paulo Bento parece ser uma pessoa séria tão convencido das suas opções técnicas como das suas virtudes morais. Mas mesmo que estas qualidades lhe fossem unanimemente reconhecidas elas não o isentariam nunca da crítica. A sua actividade, como qualquer outra, está sujeita à crítica. A entrevista de ontem à noite na RTP deveria ter servido para aprofundar a questão da crítica no futebol, nomeadamente quando está em causa a selecção. Carlos Daniel, um dos entrevistadores, não enjeitou o tema, mas breve percebeu que havia pouco campo para isso, principalmente pelas posições categóricas defendidas pelo entrevistado sobre o modo como exige que os outros interpretem o seu papel ou, dito ao contrário, sobre o modo como exige que os outros se comportem.

Nas críticas à selecção, genericamente consideradas, houve três ou quatro assuntos que de modo mais ou menos directo constituíram o objecto das preocupações de quem escreveu ou de quem falou.

O primeiro, levantado por Manuel José e secundado por Carlos Queiroz, tinha a ver com o planeamento da preparação para o Europeu e com o papel dos patrocinadores;

O segundo, muito discutido na imprensa, embora nem sempre com a consistência devida, respeitava às escolhas de Paulo Bento;

O terceiro com as opções técnicas do seleccionador em momentos decisivos do Euro como o modo de abordagem do jogo contra Alemanha, o desamparo de Coentrão no jogo contra a Dinamarca, a “política” das substituições em todos os jogos e a escolha da lista dos marcadores das grandes penalidades bem como da respectiva ordem, no jogo contra a Espanha;

O quarto com o papel de Ronaldo na selecção, questão umas vezes ostensivamente outras subliminarmente presente em todas as análises, embora muito atenuada depois da prestação do jogador nos jogos contra a Holanda e a República Checa.

Paulo Bento não aceita que colegas de profissão e mais ainda ex-seleccionadores o critiquem relativamente a uma matéria que, segundo ele, desconheciam. É claro que esta resposta visa deitar poeira nos olhos de quem o ouve. De facto, a crítica incidiu sobre aspectos que estavam à vista de toda a gente, tendo as palavras de Manuel José sido secundadas por legiões de adeptos e que se justificavam plenamente depois das péssimas exibições da selecção nos jogos particulares de preparação. Por outro lado, a chamada de atenção sobre o papel dos patrocinadores é também uma questão muito importante, porque eles tendem a destruir a independência de quem é formalmente responsável. Paulo Bento até deveria ter agradecido esta crítica. Paulo Bento reagiu mal às críticas porque no fundo é contra a crítica. Acha que a crítica põe em causa a sua pessoa e a sua competência e reage a isto como se de uma questão de honra se tratasse. É uma atitude que revela insegurança - uma característica típica das personalidades autoritárias - que todavia pode vir a ser corrigida com mais maturidade que o tempo lhe permitirá adquirir. Por outro lado, a ostentação exibida pelos jogadores e o modo como Ronaldo se dirigiu ao Presidente da República, além de demonstrarem falta de senso, revelam também falta de preparação dos actos em que a selecção participou.

A questão das escolhas não foi abordada na entrevista. Mas alguma coisa está mal quando há sete jogadores que nem um minuto jogam em cinco jogos, um deles com prolongamento. Se eram assim tão diferentes dos titulares e se tinham dificuldades em se adaptar ao modelo de jogo do seleccionador por que foram convocados? Por que não se escolheu outros? É certo que não há “muita fartura” mas sempre teria sido possível escolher alguém “mais parecido” com os titulares e que se adaptasse melhor às ideias do treinador. Por que foram escolhidos Quaresma e Hugo Barbosa se manifestamente não tinham qualquer hipótese de jogar?

Relativamente às críticas relacionadas com questões técnico-tácticas, como elas foram feitas também por ex-jogadores de renome na selecção, Paulo Bento deu a entender que as aceitava, mas desculpou-se logo a seguir com a dificuldade que por vezes os jogadores têm de pôr em prática a estratégia visada, não necessariamente por culpa deles, mas como consequência das vicissitudes do próprio jogo. Também ficou por esclarecer quem estabeleceu a ordem de marcação das grandes penalidades e ninguém perguntou por que razão foi escolhido Moutinho. Aqui havia campo para muita mais conversa. E é bem melhor ter “estas conversas” quando as coisas correm bem do que quando correm mal.

Finalmente, a questão de Ronaldo foi contornada por Paulo Bento. Compreende-se: é um assunto delicado para qualquer treinador. Mas é óbvio que salta aos olhos de toda a gente que Ronaldo não é líder de coisa nenhuma a não ser dele próprio. Ególatra e narcísico como é, preocupa-se apenas com a sua pessoa. Está muito longe pelas características da sua personalidade de personificar o líder que uma equipa de futebol por vezes precisa. Não se é líder por se ser bom jogador. São coisas diferentes. Ronaldo em muitos jogos o que realmente precisava era de alguém que “mandasse” nele dentro do campo…

Repare-se que as críticas que foram dirigidas à selecção nem sequer são assim tão contundentes, pelo menos a maior parte delas, como se pretendeu fazer crer. O que é lamentável é que o seleccionador ache que elas se “não devem fazer”. Seja por razões éticas sejam por razões técnicas.

Infelizmente há quem no jornalismo desportivo siga à risca os pontos de vista de Paulo Bento, o que desde logo deixa perceber qual o grau de independência e de profissionalismo de muita gente que se dedica à imprensa desportiva. Alguns programas, bem como os respectivos protagonistas, foram caricatos. Na TVI 24 o seguidismo e o tom ofendido com que foram recebidas as críticas deixa em suspenso dúvidas que certamente só mais tarde se desvanecerão. As críticas não são aceitáveis porque os comentadores são amigos do criticado? Porque querem estar nas boas graças da Federação? Porque estão à espera de alguma coisa? É que o papel de um jornalista desportivo não é fazer a crítica em função das amizades ou das recompensas que espera obter. O seu compromisso é apenas com os telespectadores. Se não tem condições para respeitar esse compromisso deve abandonar a profissão. Mas nem todos pautaram o seu comportamento pelo exemplo da maioria. Na RTP Informação houve muita mais compreensão pelas críticas e respeito pelos seus autores, mesmo quando não se concordava com elas, do que em qualquer outraa estação de TV. Pelo menos, de uma parte considerável dos comentadores…


sexta-feira, 29 de junho de 2012

GRANDE ITÁLIA, PIRLO, BALOTELLI & C.ª




A MANNSCHAFT VAI PARA CASA
Mario Balotelli dopo il 2-0.


A meia-final desta noite entre a Alemanha e Itália foi um grande jogo de futebol. Uma grande Itália venceu a Alemanha (2-1) com dois golos notáveis de Balotelli, uma exibição excelente de Pirlo, uma notável organização táctica e um futebol tecnicamente quase perfeito não fora algumas perdidas que a terem sido concretizadas teriam feito passar o jogo de hoje para o pequeno número dos jogos com resultados históricos entre grandes equipas. Sim, a Itália poderia ter goleado a Alemanha.


Todos aqueles que apostavam no rigor e na força física alemãs estão agora com muita dificuldade para explicar uma vitória que não deixou dúvidas. Dizem que Joachim Löw errou tacticamente, que não deveria ter mudado a equipa no jogo contra a Grécia, que os titulares perderam rotinas e ritmo. É claro que estas explicações só podem fazer rir. A selecção alemã tem mais de duas dezenas de jogadores praticamente iguais. Não é possível a um seleccionador nestas circunstâncias marginalizar permanentemente meio grupo, como fez, por exemplo, Paulo Bento. Também não é verdade que o ritmo altamente competitivo deste tipo de torneios não cause fadiga aos jogadores.  Causa e não será pouca: fadiga física e mental. Por isso nada melhor do que fazê-los rotativamente descansar, podendo. Se alguma coisa de errado houve na equipa alemã, essa coisa foi a actuação dos centrais – os tais centrais quer alguns dos nossos comentadores tanto tinham elogiado. Mas isso já não é culpa do seleccionador.

Pegar em duas ou três jogadas minuciosamente escolhidas para com base nelas, a maior parte das vezes com a imagem parada, fazer uma demonstração de como foi o jogo não passa de uma batota. De uma grande batota. Há no jogo múltiplos factores aleatórios e muitas ouras jogadas iguais às escolhidas que têm um desfecho completamente diferente. As estatísticas, inclusive as que se referem à ocupação espacial pelos jogadores, são infinitamente mais fiáveis de que estes exemplos tácticos com base em jogadas escolhida. Estes exemplos apenas servem para demostrar ou para explicar por que razão as coisas se passaram assim naquele lance. Nada mais.  

Na verdade o que nós hoje vimos foi uma super equipa italiana baseada na Juventus, com um maestro extraordinário – Pirlo – e um Balotelli muito inspirado sempre muito bem acompanhado pela genialidade de Cassano. Como não reconhecer classe, classe pura, a uma equipa que passa a bola de forma tão perfeita, que progride com ela sempre tão perigosamente e que defende com tanta eficiência dentro da sua área, às vezes quase sobre o risco de golo? Sem nunca perder o sentido do jogo, fazendo as coisas com a tranquilidade e o saber dos grandes mestres e que além do mais conta com um guarda-redes de eleição. Sim, que dizer de uma equipa destas?

Pois essa equipa, essa extraordinária equipa, é a Itália. A Itália para a qual a dificuldade, a grande dificuldade, está sempre na fase de grupos. Uma vez passada esta fase a Itália é sempre um potencial candidato, porque é uma equipa que vai crescendo com o avançar da prova. Tem sido assim neste Euro como assim já foi em muitos Mundiais ou Europeus anteriores.

 Para concluir, é nossa convicção que o grande adversário da Itália na final de domingo não será a Espanha, mas o cansaço. A Itália jogou os quartos-de-final, com prolongamento, no domingo; jogou as meias-finais hoje (quinta-feira) e vai jogar a final menos de três dias depois. A Espanha como se viu no jogo contra Portugal está mais fresca. Vai ser em qualquer caso uma final muito difícil para Espanha.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

O FUTEBOL E A CRÍTICA






A PROPÓSITO DOS PENALTIES E DE OUTRAS OPÇÕES



O futebol dá-se muito mal com a crítica. Pelo menos, em Portugal é assim. É verdade que poucas pessoas gostarão de ser criticadas qualquer que seja o ramo de actividade a que se dediquem sempre que a crítica ponha em causa o que por elas foi feito. Se a crítica é elogiosa a situação muda por completo. De rejeitada a crítica passa a ser citada. Alguns outros estabelecem uma distinção entre crítica construtiva ou destrutiva. A primeira teria em vista ajudar a fazer melhor e seria ditada pela única preocupação de aferir o objecto da crítica com o paradigma perfilhado pelo crítico. Já a destrutiva teria como única finalidade dizer mal, pôr em causa o que está sendo feito pelos outros e seria ditada pela baixa formação moral do crítico.

É claro que tudo isto não passa de conversa. A crítica é uma actividade fundamental e imprescindível em qualquer sociedade democrática, tendo apenas – e este apenas é tudo – a sua validade que aferir-se pelo seu valor intrínseco. Não é necessário que crítico e criticado perfilhem os mesmos valores ou que o crítico saiba fazer o que ao criticado critica. O que é imprescindível é que a crítica seja técnica e valorativamente sustentável.

E o que se passa numa sociedade como a nossa é que, apesar de os criticados em regra não gostarem da crítica, vêem-se na maior parte das vezes obrigados a tê-la em conta e a responder-lhe. Passa-se assim antes de mais na política. Raramente na política os criticados concordarão com a crítica que fazem às suas opções, mas isso não significa que não saiam a terreiro a defender as suas posições. Passa-se assim também nas actividades profissionais mais ou menos especializadas. O criticado responde à crítica e defende o seu ponto de vista. Igualmente assim se procede nas artes. O artista, apesar de não gostar nada da crítica que ponha em causa a sua obra ou alguns aspectos dela, não pode fazer de conta que a crítica não existe e, embora contrariado, vê-se obrigado a responder-lhe. Até em questões da vida pessoal todos nós nos vemos obrigados a responder à crítica quando ela vem de pessoas com quem estamos estreitamente relacionados.

Mas há em Portugal uma excepção a tudo isto. É o futebol. No futebol, principalmente a crítica feita aos técnicos, nunca tem resposta. O conteúdo da crítica nunca tem. E se em vez de uma equipa de clube se tratar da selecção, então as coisas ainda agravam-se mais. A resposta, quando existe, nunca está relacionada com aquilo que se disse mas com o facto de se ter dito aquilo. A resposta nunca incide sobre o conteúdo da crítica mas sobre a própria crítica. E sempre com insinuações e adjectivações estúpidas.

O técnico de futebol é alguém que está acima de toda a crítica. A sua imensa sabedoria só encontra paralelo na sua incomensurável arrogância.

Basta ver o que se passou recentemente com Paulo Bento para não haver qualquer espécie de dúvida sobre a arrogância com que na selecção as críticas foram tidas em conta. Já antes se tinha passado assim com Queiroz e o mesmo se passa nos clubes, por exemplo, com Jesus ou com José Mourinho, o mais arrogante de todos. E todavia – voltando à selecção – Paulo Bento tem muito que explicar. Explicar, a propósito os penalties, por que pôs Ronaldo a marcar o último, opção criticada por toda a imprensa internacional, por que incluiu Moutinho na lista dos marcadores, sabendo, como não poderia deixar de saber, o historial de Moutinho nessa matéria? Por que utilizou tão pouco Varela, apesar das boas provas que deu sempre que foi chamado, quando se estava a ver pela repetição dos jogos que de Nani nunca iria sair nada de excepcional? Por que convocou Hugo Viana e Ruben Michaelis se nunca os pôs a jogar, para mais alinhando eles na zona de maior desgaste da equipa portuguesa? Por que não convocou jogadores com características mais parecidas com as dos três médios titulares se era esse o modelo de jogo em que ele acreditava? Por que deixou nos dois primeiros jogos – contra a Alemanha e a Dinamarca – que o corredor esquerdo da defesa portuguesa ficasse apenas entregue a Coentrão quando logo se percebeu que Ronaldo não marcava?

Seria interessante ouvir Paulo Bento sobre estas questões e outras certamente pertinentes para avaliar da consistência das suas opções. Seria muito mais interessante do que ouvi-lo mais uma vez a criticar a crítica, pelo simples facto de ter sido feita, esgrimido agora, como muito provavelmente fará, com a prestação global da equipa, género: “Chegamos com muito mérito às meias-finais e só fomos eliminados pelo campeão do mundo nas grandes penalidades”!

A ESPANHA NAS MEIAS FINAIS






PORTUGAL CAIU NOS PENALTIES



A selecção portuguesa deu hoje em Donetz uma grande lição sobre como se deve jogar contra a temível selecção espanhola. Durante os noventa minutos regulamentares as poucas oportunidades de golo repartiram-se por ambas as equipas. O jogo foi intenso e tacticamente bem jogado, dai que uma boa parte dele tenha sido jogado longe das respectivas balizas.

Da selecção espanhola sabia-se tudo: guarda bola com ninguém; recupera-a pouco depois de a perder. Hoje não se passou nada disso. Não conseguiu fazer circular a bola com a eficiência habitual, perdeu muitos passes e teve muita dificuldade em a recuperar. Não deixou por isso de ser uma grande equipa, mas a verdade é que não fez contra Portugal o jogo que conseguiu fazer contra outras selecções. Nem nada que se pareça. A equipa portuguesa jogou de igual para igual. Não dominou nem se deixou dominar apesar de estar ajogar contra uma grande equipa.

Com um Cristiano Ronaldo mais eficiente, embora fosse difícil sê-lo pela múltipla marcação a que esteva sujeito, a selecção portuguesa poderia ter saído vitoriosa no fim dos noventa minutos.

No prolongamento a Espanha foi superior. Portugal claudicou fisicamente e esteve à beira de perder não fosse uma boa defesa de Rui Patrício. Ficou a sensação de que Paulo Bento demorou muito tempo a mexer na equipa. É certo que a equipa estava a jogar bem, mas era óbvio que as forças começavam a faltar. Principalmente no ataque e no meio campo. Na linha média somente Moutinho se aguentou fisicamente. Tanto Veloso como Meireles davam sinais de esgotamento. No ataque não foi somente Hugo Almeida, substituído aos 80 minutos ,que se ressentiu, também Nani e até Ronaldo.

Paulo Bento deveria ter substituído mais cedo um médio e Nani. Fez mal ter deixado ficar Nani em campo e não ter feito entrar Varela mais cedo.

Com a equipa já muito esgotada e sem a força anímica com que terminou os 90 minutos iniciais antevia-se uma situação difícil na decisão do jogo por grandes penalidades. A isso acresceu a escolha errada de pelo menos um dos marcadores. Paulo Bento não sabe quantos penalties Moutinho falhou no Sporting? Objectivamente era uma má escolha. O facto de ter realizado uma boa exibição não significa que deva ser escolhido para marcar um dos cinco primeiros penalties e muito menos o primeiro. Não se pode dizer que Moutinho que tenha tido azar. Não, o penalty foi mesmo mal marcado. Azar teve Bruno Alves que quis marcar um penalty indefensável e viu a bola bater na barra. Fica provado para quem ainda o não soubesse que a decisão do jogo por este meio pressupõe técnica e grande força psicológica. Não adianta ter uma sem a outra.

No que respeita às penalidades marcadas pelos espanhóis bem terá andado Cristiano Ronaldo se disse a Rui Patrício o que qualquer observador atento certamente saberia. Ou seja, que Xabi Alonso marca sempre para a direita do guarda-redes, sendo portanto de presumir que num jogo como o de hoje, com vários colegas de clube na equipa adversária, escolhesse o lado esquerdo. Pena foi que ninguém tivesse dito a Rui Patrício que das últimas duas vezes que Sérgio Ramos foi chamado a marcar atirou a bola para as nuvens sendo, por isso ,também de presumir que hoje, tendo sido escolhido, iria rematar de forma diferente. Por outras palavras, Rui Patrício não se deveria ter mexido. Dizer isto agora é obviamente fácil, mas dizê-lo antes de Sérgio Ramos ter marcado também foi. Estes os reparos que há a fazer quanto às grandes penalidades.

Mas nada disto deslustra, nem sequer as substituições tardias ou a até ausência delas, o excelente comportamento da equipa portuguesa. Desde que começou a senda de jogos vitoriosos este foi sem dúvida um dos mais difíceis da selecção espanhola. Mérito, portanto, da selecção portuguesa.

Na equipa portuguesa o melhor em campo foi sem dúvida Coentrão. Simplesmente excelente. Moutinho e Pepe também jogaram muito bem, pena apenas que neste jogo Pepe tenha cometido mais faltas do que nos quatro anteriores. Sabe-se como é com Pepe: percebe-se quando e porque começa mas nunca se sabe como acaba. Bruno Alves e Pereira também cumpriram exemplarmente. À linha média e à sua boa articulação com os demais sectores da equipa se ficou a dever muito da grande exibição da equipa portuguesa tanto na contenção da equipa espanhola como da explanação do seu jogo. No ataque Hugo Almeida dentro do seu estilo esteve bem. Foi bem servido por Ronaldo por duas vezes, mas rematou ao lado, e poderia também ter dado melhor direcção a um remate fontal. Nélson Oliveira, embora cumprindo tacticamente, não trouxe vivacidade ao ataque. Ronaldo jogou para a equipa, mas individualmente não esteve ao nível dos últimos dois jogos. Falhou todos os livres e também não acertou com a baliza nos dois ou três remates que fez. E este era um jogo para não falhar. Nani esteve discreto, como de resto em quase todo o Europeu. Além de que não é um jogador esclarecido. Deveria ter sido substituído mais cedo. Paulo Bento não aproveitou o bom momento psicológico de Varela depois do golo contra a Dinamarca e fez mal. Muito mal!

Na equipa espanhola o grande maestro é hoje Iniesta. Mas o que nela não faltam são grandes jogadores. Tanto os que jogam regularmente como os que estão no banco. Merecem passar à final tanto como os portugueses o teriam merecido ao fim dos noventa minutos.  No prolongamento e nos penalties prém a Espanha esteve melhor, sem que estar melhor signifique ter sido hegemónica ou dominadora.

Portanto, acabado o jogo, já se pode dizer que pelo lado português não haverá uma final inédita. Agora isso depende apenas da Itália. Se passar a Itália, a Espanha vai ter mais dificuldades do que terá se passar a Alemanha.

terça-feira, 26 de junho de 2012

AS MEIAS-FINAIS DO EURO 2012




UMA FINAL INÉDITA OU REPETIDA?
[foto de la noticia]



À medida que se aproximam os jogos das meias-finais vão se multiplicando as análises sobre o que poderá ser o comportamento das equipas nesses confrontos e vai-se prognosticando sobre a hipótese de haver uma final inédita - o que sempre aconteceria se a Itália vencesse o seu confronto com a Alemanha ou se Portugal ganhasse a Espanha.

A Itália de crise em crise e de empate em empate chega, como quase sempre acontece, à fase decisiva da prova, podendo perfeitamente ganhá-la. A Itália, o futebol italiano, é uma espécie de “mourinho” com fair play fora do campo, antes e depois dos jogos. É um futebol que não empolga, mas que ganha. Desta vez há algo de diferente no futebol italiano. Essa diferença tem a ver com a ineficácia atacante dos dianteiros ou do homem que joga mais avançado. Nesse sentido Balotelli não é verdadeiro jogador italiano. É de outras paragens, com outra cultura futebolística. O dianteiro italiano típico para falar apenas das últimas décadas é Paolo Rossi ou, mais recentemente, Pippo Inzaghi. Uma equipa como a Itália não pode dar-se ao luxo de desperdiçar tantas oportunidades como as que Balotelli ingenuamente tem perdido em quase todos os jogos. Por isso não será erado afirmar que ele descaracteriza o futebol italiano. Di Natale, apesar da idade, já demonstrou, num jogo muito difícil, como se faz. Mas agora já não há nada a fazer: Prandelli é vítima das suas próprias opções.

Apesar de a Alemanha ter uma equipa superior, no jogo contra a Itália, tudo pode acontecer como em outras vezes já aconteceu. Além de que, como acontece com todas as equipas, também a Alemanha se não dá bem com todos os “futebóis”. E o italiano é um deles com o qual já perdeu várias finais. Mas não acabam aí as dificuldades dos alemães. Se os espanhóis passarem, como quase toda a gente supõe que passem e como Platini já vaticinou, terão aí uma não menor dificuldade. Perderam com esta Espanha na final do Euro 2008 e na meia-final do Mundial 2010. A grande vantagem da Alemanha relativamente a qualquer outra equipa, mesmo que essa equipa seja a Espanha, é que tem no banco uma equipa que vale praticamente o mesmo da que está em campo. Num torneio como este, de grande exigência física em que se fazem seis jogos em três semanas muito mal distribuídos na sua parte final, pelo menos para algumas equipas, aquela é uma vantagem que não pode ser desprezada. Ela vale tanto relativamente aos italianos como relativamente a qualquer uma das outras duas equipas que poderão disputar a final.

Quanto à Espanha é difícil dizer se a equipa está melhor ou pior que há quatro ou dois anos. Há quatro anos apareceu na Europa uma equipa espanhola decalcada do Barcelona, apesar de o seu treinador de então nada ter a ver com o Barcelona, com um futebol muito semelhante ao que Guardiola nesse mesmo ano pôs o Barcelona a jogar. E toda a gente disse que a habitual “fúria” espanhola, tantas vezes inconsequente e quase sempre sem resultados no plano internacional, tinha dado lugar a um futebol de tipo novo – o futebol de uma equipa que sabia guardar a bola como nenhuma outra e que quando a perdia recuperava-a muito rapidamente. Ao longo destes últimos quatro anos esse futebol, apesar da mudança de seleccionador, tem-se refinado, a ponto de haver já muita gente que se sente “enjoado” com ele. Diz-se que não tem profundidade, que retira emoção ao jogo, que não empolga, etc. Pois a verdade é que esse “futebol sádico” dos espanhóis tem-lhe assegurado as maiores vitórias não tendo havido até hoje nenhuma equipa que tenha conseguido destroná-lo. Apenas a Suíça no primeiro jogo do Mundial de 2010 lhe pregou um valente susto, vencendo por 1-0, e pondo a Espanha a jogar sob tensão os dois restantes jogos do grupo. Mas tudo se resolveu, como se viu. A Espanha foi campeã do mundo.

A equipa deste ano está mais madura sob todos os pontos de vista e até hoje somente a Croácia lhe causou verdadeiros problemas, podendo inclusive tê-la derrotado se o árbitro tivesse visto o que toda a gente viu.

Será todavia muito difícil vencer a Espanha. Começa logo por ser difícil saber como se joga contra a Espanha. É muito difícil tirar-lhe a bola, porque eles jogam muito juntos e tem excelente precisão no passe. Recuperam a bola com muita facilidade pela forma como rodeiam o jogador que está na sua posse. Portugal não tem a mesma precisão de passe nem a mesma capacidade de recuperação. Andar permanentemente atrás da bola cansa muito como se viu no último jogo com a França e como Portugal também já sabe pela experiência falhada de 2010.

Mourinho contra o Barcelona privilegiou o futebol directo apoiado numa forte organização defensiva (trivote) mas os resultados não foram famosos. Em duas épocas, em dez jogos, apenas ganhou dois e foi eliminado em duas provas. Mas talvez tenha que ser assim que Portugal deva jogar, com a agravante de a selecção espanhola, ao contrário do Barcelona, jogar com duplo pivot. Enfim, tudo dificuldades, muitas dificuldades. Se a equipa portuguesa passar comete um grande feito. Se perder, será normal. Além de que temos "menos jogadores" que a Espanha (isto por culpa de Paulo Bento que não fez uma escolha de acordo com as necessidades do torneio, apesar das limitações de recrutamento) e os que podem alinhar tem alinhado sempre. estão naturalmente mais cansados..

Nota final: a ninguém passou despercebido a eficiência com que a arbitragem de Paulo Proença, no último Itália- Inglaterra, assinalou os milimétricos off side da equipa italiana. Pelos vistos, Proença  tem juízes de linha muito bons, logo….

domingo, 24 de junho de 2012

ALEMANHA E ESPANHA NAS MEIAS-FINAIS




A GRÉCIA E A FRANÇA REGRESSAM A CASA
Video: Eurocopa 2012. Cuartos. España 2-0 Francia



O encontro entre a Alemanha e a Grécia era mais importante pelo clima político que o rodeava, não necessariamente da parte dos intervenientes, do que propiamente do ponto de vista futebolístico. A Alemanha é uma potência do futebol mundial, que apenas terá à sua frente o Brasil e quase ao lado a Itália, mas muito longe de todos os demais, chamem-se eles Argentina, França, Espanha ou Inglaterra. Por isso não admira que o jogo fosse tão desequilibrado, além do mais por a actual equipa da Alemanha ser uma super equipa contra uma Grécia que nunca tendo sido uma grande equipa, mesmo quando em 2004 ganhou o Europeu, estava este ano muito longe de poder de ir além de onde foi. Aliás, foi notável que a Grécia tivesse chegado aos quartos-de-final.

Foi um jogo triste para quem esperava encontrar nele alguma espécie de desforra do que passa com o outro euro. Viu-se uma Grécia sem argumentos para contrariar os alemães, sempre muito recuada, tentando não sofrer golos e tentando também manter viva a esperança de numa única oportunidade fazer um golo. Acontece que a Alemanha marcou no primeiro tempo, depois de já ter falhado outras oportunidades, por Lahm – um grande golo - e a Grécia conseguiu no início da segunda parte fazer o que parecia impossível – empatou! Na única oportunidade que teve aproveitou-a! Grande jogada de   Salpingidis bem aproveitada por Samaras. Notável.

Só que o sonho grego durou uns minutos. Khedira conclui com um remate fantástico um centro da direita e fez um grande golo. E os gregos já não reagiram. A força anímica que os aguentava, apesar da vontade que punham no jogo, foi-se. Um pouco depois o regressado Klose concluiu de cabeça mais centro vindo da direita, batendo em altura vários defensores gregos, guarda redes incluído. E mais tarde foi o 4-1 por Reos num pontapé excelente da entrada da área em recarga a um remate de Müller que entretanto tinha entrado. Os golos alemães foram todos de excelente execução, sendo poucas, ou talvez nenhuma, as equipas que disponham nas suas fileiras tantos executantes de qualidade.

Quando o jogo já caía no ocaso e a Grécia se via livre da goleada que a partir de certa altura tanto se temeu um penalty caído do céu permitiu à Grécia reduzir a diferença  (outra vez Salpingidis) e ficar com um resultado que nem de perto nem de longe espelha a diferença entre as duas equipas e do próprio jogo.

Enfim, tal como no quotidiano da vida helénica, também a participação da equipa neste Euro foi triste, trágica e azarada, tendo mesmo assim conseguido ir além das suas possibilidades.

No jogo desta noite a Espanha bateu a França por 2-0, com dois golos de Xabi Alonso, alcançando assim a sua primeira vitória em jogos oficiais sobre os vizinhos gauleses.

É muito difícil jogar contra a Espanha. Se as equipas fazem pressão sobre quem transporta a bola e a recebe, os jogadores correm o risco de correrem quilómetros sem qualquer hipótese de tocar na bola em noventa por cento dos casos. À fadiga física junta-se a fadiga psicológica que agrava aquela e faz perder o discernimento e a vontade. Se as equipas não fazem pressão e esperam a Espanha perto da área correm o risco de naqueles movimentos em que os espanhóis são exímios deixarem um adversário isolado frente à baliza. Além de que só pode fazer este jogo quem souber jogar com serenidade na área. Em regra, os jogadores portugueses que jogam que nos três primeiros ou nas equipas grandes da Europa não sabem fazer este jogo por falta de hábito.

É muito difícil jogar contra a Espanha – repete-se – não apenas pela facilidade com que eles trocam a bola mas também pela facilidade com que a recuperam. Além de que quem vê um jogo da Espanha fica com a sensação que a equipa domina todos os tempos e todos os ritmos do jogo. E de sensação passa a certeza quando se observa o jogo depois de a Espanha marcar um golo, ou seja, depois de estar à frente no marcador.

Indiscutivelmente uma grande equipa, tal como a Alemanha. Todavia, tanto a Itália como Portugal têm uma palavra a dizer. E importante.

Mourinho diz que não percebe por que se diz que a Espanha joga à Barcelona quando o RM tem lá vários jogadores, cinco, dos quais jogam regularmente três. Se Mourinho fosse pouco inteligente a gente fazia-lhe um desenho. Como não é o caso basta dizer a Mourinho que, mesmo que ele lá tivesse o dobro dos jogadores que tem, se eles continuassem a jogar como joga a Espanha não jogariam à Real Madrid, mas algo mais próximo do jogo do Barcelona. A grande diferença do jogo do Barcelona relativamente à selecção espanhola não é tanto a falta de Messi, como se poderia supor, mas o duplo pivot que Del Bosque não dispensa. Mas nem nisso imita Mourinho, porque contra o Barça ele joga com triplo pivot, aquilo a que os jogadores depreciativamente chamam trivote. E depois, em jogos deste nível ou com adversários de respeito Mourinho prefere o jogo directo,para um ponta de lança que faça toda a área (tipo Drogba) ou para um Cristiano Ronaldo. Enfim, não há qualquer semelhança.




sexta-feira, 22 de junho de 2012

MOURINHO FAZ NOVA VÍTIMA



DESTA VEZ É ZIDANE

Jorge Valdano foi a primeira vítima de Mourinho no Real Madrid. E nem sequer se pode dizer que tenha sido uma surpresa. Quando há dois anos Mourinho assinou pelo Real Madrid logo aqui se vaticinou a sorte de Valdano. Um intelectual do futebol, amante do futebol espectáculo e respeitador de um código ético cujas normas valem em qualquer circunstância, nas boas e nas más, fácil era prever a impossibilidade de coabitação com Mourinho a quem somente a vitória interessa qualquer que seja o meio para a alcançar.

Agora passa-se o mesmo com o substituto de Jorge Valdano, Zinedine Zidane. Tudo começou, ou melhor, tudo se agudizou, depois do jogo contra o Villareal que terminou empatado a um golo. Apesar da vantagem que o Real Madrid ainda mantinha naquela fase da Liga sobre o seu mais directo adversário, aquele empate, segundo Mourinho, poderia pôr em perigo a conquista do título, tanto mais que se seguia uma série de jogos difíceis onde tudo poderia acontecer. Sentindo que o título lhe poderia fugir, Mourinho pediu aos jogadores e ao clube que o apoiassem numa campanha de comunicação destinada a acusar os árbitros de conspiração contra o Real Madrid. É claro que os jogadores sabendo perfeitamente que não tinham sido prejudicados, pelo contrário até tinham sido beneficiados como aconteceu em Villareal, recusaram-se a participar na “jogada” de Mourinho, tendo nessa recusa sido acompanhados por Zidane.

Zidane que já tinha participado contrariado na defesa de Mourinho, a pedido deste, depois da derrota frente ao Barcelona, em Bernabéu, e sabendo que os jogadores não tinham apreciado as suas palavras, tanto mais que se sentiam injustamente atingidos por elas, desta vez não teve dúvidas sobre a posição a tomar. Recusou apoiar Mourinho numa campanha que no fundo tinha em vista condicionar os árbitros, fazendo pressão sobre eles, e retirando-lhes o discernimento necessário para arbitragens imparciais.

A partir desse dia a sorte de Zidane, não obstante o estatuto de que goza no Real Madrid, ficou marcado. Mourinho só aceita súbditos. É um déspota. Zidane ficou com o destino traçado.

O afastamento do homem cujos princípios de ética desportiva não integram comportamentos como os de Mourinho ficou decidida. Tendo, porém, em conta o passado de Zidane no clube ele vai ficar responsável pela cantera do Real Madrid em substituição de Alberto Giráldez.

Todos aqueles que em Madrid sabem dar o devido valor à formação de jovens futebolistas ficaram apreensivos com estas mudanças que acabam por atingir um homem a que o clube muito deve – Giráldez. Teme-se inclusive que Mourinho com o tempo acabe por interferir naquela que é uma das jóias da coroa do clube – a academia de Valdebebas.

PORTUGAL NAS MEIAS-FINAIS




GRANDE JOGO DE EQUIPA

Las imágenes del República Checa-Portugal



Num jogo que se adivinhava complicado pela forma de jogar da República Checa, a selecção portuguesa numa grande demonstração de futebol de equipa acabou por vencer com o golo de Cristiano Ronaldo marcado a cerca de dez minutos do fim. Tal como no jogo contra a Holanda o nome de Cristiano Ronaldo fica nos media de todo o mundo associado a esta vitória. A verdade porém é que a vitória é da equipa apesar da excelente exibição do craque português.

Como de costume o jogo não começou fácil para os portugueses que tardaram mais de vinte minutos a controlar a partida. Não quer isto dizer que durante esse tempo os checos tenham feito perigar as redes portuguesas, mas sempre iam tendo a iniciativa do jogo. A partir de meio da primeira parte a partida foi mudando de feição com os portugueses mais dentro do jogo. No último quarto de hora da primeira parte Postiga lesionou-se e Hugo Almeida entrou para o seu lugar sem que esta substituição tenha alterado em nada o modo de jogar da equipa.

Ronaldo, esta noite com cabelo à Puskas, que já tinha aparecido num livre voltou aparecer com toda a sua classe perto do fim da primeira parte num passe longo de Coentrão que ele dominou com o peito, rodou sobre o adversário e atirou à trave da baliza de Peter Chec. Teria sido um grande golo.

Na segunda parte tudo foi diferente para melhor. Com excepção de um breve período por volta dos sessenta minutos em que os checos estiveram por cima foi notória a superioridade dos portugueses na parte restante do tempo. Ronaldo voltou de livre a enviar a bola ao poste e nos demais remates ela teimava em não entrar umas vezes por falta de pontaria outras por força das excelentes defesas de Chec. Até que já perto do fim Nani na direita passa para Moutinho na intermediária que corre em direcção à linha de fundo centrando para um excelente golo de cabeça de Ronaldo. Foi um grande e merecido golo numa selecção onde Rui Patrício voltou a não ter qualquer trabalho.

A defesa esteve excelente. Pepe mais uma vez esteve perfeito. Jogou limpo, completamente limpo, e fez mais um jogo extraordinário. Coentrão que vem claramente a subir de forma terá realizado hoje o seu melhor jogo no Euro, já muito próximo dos que jogou na África do Sul. Bruno Alves também voltou a estar bem, aparte um ou outro passe longo falhado, como é hábito e João Pereira esteve perto do golo não fora uma extraordinária defesa de Chec.

Na linha média Moutinho esteve hoje acima de todos os demais. Uma exibição de luxo: fez um remate notável que Peter Chec defendeu com classe, desarmou, construiu, correu quilómetros e ainda teve talento e força para fazer o centro de que resultou o golo. Veloso manteve a regularidade de nível médio alto das suas exibições e Meireles terá sido a exibição menos conseguida, principalmente pelos passes falhados e pelos remates sem nexo. A defender esteve bem. Parece o mais cansado dos três.

Na frente a grande exibição foi outra vez de Ronaldo. Apesar da grande exibição que fez cometeu dois erros na segunda parte que puseram a equipa em apuros. Numa transição rápida falhou o passe para Coentrão, deixando a equipa desequilibrada e de outra vez falhou o passe para Meireles em circunstâncias e com consequências idênticas, embora neste caso a culpa deva ser repartida com o médio do Chelsea por este se ter adiantado demasiado no terreno. Mas Ronaldo foi excelente nos remates de bola parada, nas jogadas pela direita, pelo centro e pela esquerda até que a sua exibição acabou por ser coroada por um golo que tem tanto de técnica como de inteligência. Nani voltou a errar alguns passes, rematou de ângulo impossível uma bola que deveria ter centrado e nem sempre terá dado o seguimento mais rápido às jogadas de ataque. Tentou o golo, mas mais uma vez Peter Chec se opôs com classe. Nani se tivesse mais discernimento táctico poderia ser um grande jogador. Depois do golo foi substituído por Custódio. Postiga jogou pouco mais de meia hora e pouco se viu. Hugo Almeida sempre muito esforçado fez alguns remates de cabeça sem direcção. Marcou um golo mas estava em off side, embora, analisando a jogada, seja curioso realçar que Ronaldo tendo arrancado para a bola ao mesmo tempo que ele soube manter-se em jogo. Só que, dessa vez, a bola não passou para Ronaldo e o golo foi correctamente anulado.

O que interessa sublinhar é que a equipa tem reagido bem a diferentes modos de jogar dos adversários. Desta vez teve mais posse de bola e obrigou o adversário a cansar-se correndo atrás dela. E sabe-se como em futebol custa correr sem bola – cansa muito mais.

Agora só resta esperar o resultado do França-Espanha para saber qual o adversário. Portugal nunca ganhou a França em jogos oficiais, mas já ganhou a Espanha. Se o próximo adversário for a Espanha, parece que a melhor forma de jogar contra ela é como fez a Croácia. Nem nos jogos do Mundial, com excepção da surpreendente Suíça, a Espanha encontrou um adversário tão difícil de bater como a Croácia. Portanto, o mais aconselhável é copiar…
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REPÚBLICA CHECA -O - PORTUGAL - 1


quinta-feira, 21 de junho de 2012

PAULO PEREIRA CRISTÓVÃO NA TVI




ENTREVISTADO POR JUDITE DE SOUSA




Pela entrevista que Paulo Pereira Cristóvão, ex-vice presidente do Sporting, ontem concedeu a Judite de Sousa na TVI ficámos a saber que o arguido (suspeito da prática de vários crimes) é um estrénuo defensor do segredo de justiça. Se esse crime, que é vulgar e corrente, ele não comete mal andará o Ministério Público se supõe poder encontrar factos susceptíveis de sustentar a acusação de outros bem mais graves. Por este lado estamos conversados.

E pelo outro também: ficou claro na entrevista do ex-dirigente sportinguista que o Sporting, isto é, a direcção do Sporting, não só tinha conhecimento de todos os actos por ele praticados enquanto dirigente como é solidária com o autor de tais actos. Portanto, para bom entendedor, está tudo dito.

Depois há aquela coisa do dinheiro na conta do árbitro: uma série de coincidências sem qualquer significado, uma viagem à Madeira de um subalterno de Cristóvão certamente para ajudar Jardim a reduzir o défice e uma secretária que entregou um monte de notas ao dito viajante seguramente a título de ajudas de custo.

O que é espantoso é que os órgãos de disciplina da Liga de Clubes e da Federação continuem à margem de tudo isto, principalmente depois de se ter ficado a saber que tudo o que se passou é da responsabilidade de todos, isto é, do Sporting. Vão continuar os órgãos de disciplina daquelas entidades a “assobiar para o lado” como se não tivessem nada com o assunto?

Para concluir só falta falar no defensor de Cristóvão. Que outro indício seria necessário para fazer supor que os factos que lhe estão sendo imputados são da responsabilidade de todos (Sporting) do que a escolha como seu defensor de um conhecido causídico muito conhecido pela “extrema imparcialidade” com que costuma tratar as questões do Sporting?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

EURO 2012 – FIM DA FASE DE GUPOS



AS SURPRESAS E A NORMALIDADE

A fase de grupos terminou com poucas surpresas. Tudo ficou mais ou menos dentro do esperado. Fala-se muito da Holanda, mas para que a Holanda tivesse sido apurada era preciso que Portugal ou a Alemanha tivessem ficado de fora. Mas isso não seria normal. Desde 1996, ou melhor, sempre que Portugal foi à fase final do Europeu de futebol passou a fase de grupos. E Alemanha só não passou uma vez. Em contrapartida já foi campeã. A Holanda uma vez campeã, bem como a Dinamarca, é que nem sempre passaram a fase de grupos. Portanto, como neste grupo, muito forte, dois tinham que sair – como em qualquer outro – surpresa só haveria se um dos eliminados fosse a Alemanha. Fora isso tudo normal.

O outro caso é o da Rússia, principalmente pelo que fez nestes últimos dois anos. É bom não esquecer que a Rússia tem falhado as fases finais do Mundial e do Europeu. E se é verdade que tem estado melhor ultimamente essa melhoria não foi contudo suficiente para se qualificar. A Grécia e a República Checa não são duas grandes potências futebolísticas, mas a Polónia e a Rússia, os outros dois do seu grupo, também não.

Depois, é natural que tenha passado a Itália e a Espanha, bem como a França e a Inglaterra. A Inglaterra não fez ontem um bom jogo contra a Ucrânia. Mas teve mais sorte. Desde logo por não ter sido validado um golo que entrou. Mais uma vez se constata a quase inutilidade dos árbitros de baliza. Aliás, em questões como a de ontem – que não são assuntos de opinião nem de avaliação subjectiva – mais valia recorrer ao vídeo e decidir de acordo com ele sempre que as imagens não deixassem dúvidas. A Inglaterra foi recompensada na Ucrânia do golo que não lhe validaram na África do Sul contra a Alemanha.

Assim, tendo em conta as equipas que passaram, bem se poderá dizer que vamos ter alguns jogos interessantes nos quartos-de-final…nem todos pelas mesmas razões. De todos o que suscita maior entusiasmo é o Grécia-Alemanha por razões extra-futebol. Seria uma grande festa na Grécia e nos países do sul da Europa se os “rapazes do Fernando Santos” eliminassem a Alemanha. Que pena o Karagounis não jogar, injustamente afastado por uma falta que não cometeu.

O Itália-Inglaterra vai ser um jogo interessante principalmente por esta Inglaterra estar futebolisticamente falando mais perto da Itália do que alguma vez já esteve. Já se sabe como é: a Itália nunca deslumbra, mas se defender bem e for eficiente na frente pode sempre ganhar a qualquer equipa. Sempre assim foi e não há razões para supor que vai deixar de ser desta vez.

O Espanha-França é um jogo que, em princípio, a Espanha ganhará, apesar de não ter estado nada bem contra a Croácia. Já não é a “máquina” de há quatro anos nem de há dois, mas deve chegar para a França.

No jogo porventura menos desinteressante da próxima eliminatória, Portugal-República Checa, a questão está em saber como vai a equipa portuguesa lidar com o favoritismo que lhe é atribuído e como vai também lidar com a iniciativa do jogo que os checos lhe vão conceder, ela que é a segunda equipa com menos posse de bola. O clima de euforia em regra nunca traz nada de bom aos portugueses e a idolatria à volta da figura de Ronaldo menos ainda. É preciso que se diga que Ronaldo jogou bem contra a Holanda – uma equipa que tem um futebol do nosso agrado – do mesmo modo que a maior parte dos seus companheiros. E que marcou dois golos, é certo, o segundo com arte, a mesma arte que não teve quando contra a Dinamarca falhou outros tantos. Portanto, nada de exageros…