sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O PORTUGAL – COREIA DO NORTE DE 1966


 

COMPARAÇÕES E ANÁLISES

 
Analisemos o jogo que em 23 de Julho opôs a Selecção Portuguesa à da Coreia do Norte no Mundial de 1966, disputado na Inglaterra, e que ontem tivemos ocasião de rever na íntegra numa emissão da TVI 24.
Para quem não é daquela época e ainda não tem a dimensão do tempo que, infelizmente, só a idade confere, a primeira coisa que lhe ocorrerá dizer, principalmente se estiver de má vontade, como alguns certamente estarão, é que o futebol que se jogou foi medíocre e que os jogadores de uma e de outra equipa não teriam hoje lugar em qualquer equipa da primeira divisão de actualidade.

Puro engano e total imbecilidade. Tal afirmação, a ser feita – e verão que vai ser feita -, seria tão imbecil como afirmar que dois dos maiores cabos de guerra da história da humanidade, como Alexandre e Júlio César, seriam hoje facilmente derrotados por uma qualquer divisão de um exército moderno. Obviamente, que só um rematado estúpido poderá fazer tal comparação e acreditar nela. Mas como no futebol há lugar para todas as alarvidades, mais vale prevenir e antecipar a argumentação do que estar a responder depois de a asneira ser dita.

Certamente que o futebol nestes últimos 50 anos evoluiu muito táctica, técnica e fisicamente. Rapidamente se percebe vendo um jogo daquela época integralmente quão grande foi a evolução táctica do desporto-rei e como os próprios jogadores evoluíram técnica e fisicamente.

Mas não só. Evolução muito mais acentuada verificou-se nos meios técnicos que nos permitem ver em directo e ao vivo algo que está a acontecer a milhares de quilómetros de distância. À época, as transmissões televisivas em directo não tinham mais que meia dúzia de anos. E o melhor que no mundo se fazia em matéria de transmissões televisivas de eventos desportivos era aquilo que a BBC ontem nos proporcionou ao vermos o filme de há 48 anos. Ninguém filmava tão bem o futebol como os ingleses (ainda hoje é assim, de resto) e, todavia, aquela transmissão está a anos-luz do que hoje se faz, do que hoje a mesma BBC faz!

Com o futebol passava-se exactamente o mesmo. Aquele era o melhor futebol que à época se jogava. Ninguém no Campeonato do Mundo de 1966 jogou melhor. Uns anos antes, no fim da década de 50 e no começo da época de 60, talvez o Real Madrid e a selecção do Brasil apresentassem um melhor futebol ou, no mínimo, mais artístico, mas no Campeonato de 66 ninguém jogou melhor do que ontem se viu. Aliás, a FIFA e a e a FA (English Football Association) consideram o Portugal-Coreia do Norte e o Inglaterra-Portugal como os dois melhores jogos do Campeonato, sob todos os pontos de vista.

Depois há outros aspectos em que o futebol de então até hoje regrediu e de que maneira. Desde logo, no fair play tanto no que respeita às relações dos jogadores com o árbitro como dos jogadores entre si. Alguém viu algum jogador a protestar uma decisão do árbitro? Alguém viu algum jogador a pressionar o árbitro para marcar uma falta não assinalada? Alguém viu alguma jogada que tivesse posto em risco a integridade física do adversário? E todos certamente notaram a preocupação dos jogadores relativamente a algum adversário que saísse ligeiramente molestado de uma jogada, embora neste plano, apesar da correcção reinante, Eusébio bata todos os demais em fair play.

Quanto ao jogo propriamente dito, visto à luz da época em que se jogou, deve dizer-se que José Pereira esteve mal num dos golos, que o centro da defesa (Alexandre Baptista e Vicente) abriu muitas brechas, que Coluna, no meio campo, esteve muito longe das suas normais exibições (quase sempre de alto nível) só se tendo encontrado quando o jogo já estava virado e que Jaime Graça, embora tendo estado em bom plano, teria sido muito mais útil no meio, como volante, do que na ponta. Os laterais, que à época jogavam sem outros apoios – nem os centrais os dobravam, nem os extremos defendiam -, estiveram bem não tendo sido por culpa de Morais nem de Hilário que os portugueses sofreram três golos em 25 minutos.

Na frente, Torres também esteve longe do que costumava fazer, tendo sido muitas vezes batido nas bolas por alto. José Augusto fez alguns bons remates e o passe para o primeiro golo de Eusébio, mas teria sido mais útil se tivesse jogado a extremo-direito, que era o seu lugar. Simões foi extraordinário, foi sempre o mais inconformado e fez uma grande exibição seja qual for a época da história em que o jogo é analisado.

Eusébio com 4 golos, dois deles magníficos, principalmente o primeiro, pela rapidez e velocidade de execução e pela jogada individual que deu lugar à marcação do segundo penalty, foi a grande figura do encontro. Foi um grande jogo de Eusébio mas não foi, nem de perto, o melhor jogo de Eusébio. Foi um jogo marcante pela viragem do resultado mas houve muitos outros jogos em que Eusébio foi ainda muito maior!

Finalmente, viu-se ontem que os jogadores portugueses, apesar de jogarem em clubes rivais, não se viam uns aos outros como inimigos. Pelo contrário, havia e há sólidos laços de amizade e de camaradagem entre todos eles.

Sobre o que se passou depois, o jogo em Wembley contra a Inglaterra, a derrota e tudo o mais que antecedeu esta partida, tendo a considerar que José Carlos tem razão: houve falta de ambição do corpo técnico, principalmente do seleccionador, que se apresentou perante os ingleses como um súbdito (enfim, consequências ainda decorrentes de durante mais de 100 anos essa ter sido a posição de Portugal relativamente à Inglaterra).

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A IGNORÂNCIA E O FANATISMO DE EDUARDO BARROSO


 

EDUARDO BARROSO, UMA VERDADEIRA MÁQUINA DE ANTI-SPORTINGUISMO
 É difícil encontrar no futebol alguém tão sectário, tão parcial e simultaneamente tão ignorante como Eduardo Barroso.

As pessoas comuns que o ouvem na televisão chegam a pensar que não se trata de uma pessoa normal ou então que é alguém completamente transformado quando fala de futebol, porventura por ter acumulado décadas e décadas de frustrações futebolísticas de que já não tem idade para se libertar.

Num programa onde está acompanhado por um provocador nato, que se está positivamente nas tintas para a repercussão que as suas palavras possam ter fora da sua tribo e por um sonso, que apenas procura tirar vantagens de outra ordem, nomeadamente políticas, da sua participação num programa em que o Benfica desempenha um papel meramente instrumental, Barroso pode dar livre curso às suas frustrações, provocações e ódios de estimação porque nenhum dos outros dois está verdadeiramente interessado em o contrariar.

Essa pretensa vantagem de Barroso acaba por ser o seu principal inimigo. Falando como fala, sem contenção, fanaticamente, ele é uma verdadeira máquina de fazer anti-sportinguistas. Pessoas que não sendo adeptas do Sporting e não tendo nenhuma especial antipatia pelo clube tornar-se-ão com muita facilidade anti-sportinguistas militantes depois de ouvirem Barroso no Programa “Prolongamento”.

É caso para dizer que intelectual e emocionalmente ele está ao nível de Dias Ferreira e a léguas da “perspicácia política” de Oliveira e Costa.

No começo do programa da noite passada – e só essa pequena parte tive paciência para ver – disse Barroso que essa coisa de o Eusébio ser um homem da selecção não passa de uma treta. O Eusébio é um símbolo do Benfica e na selecção não fez nada de importante com excepção desses jogos de 66 em que a equipa da selecção era o Benfica mais dois!

Barroso, além de ser “politicamente” uma desgraça, é muito ignorante em coisas do futebol. O que é mais uma prova do seu irreprimível fanatismo, pois, dedicando ele tanto tempo à modalidade, de futebol só “conhece” as fantasias com se deleita recriando a história do “seu Sporting”.

Para sua informação futura: Para participar no campeonato do Mundo de 66 foram convocados 22 jogadores (só mais tarde a FIFA permitiu a escalação de 23 para que as equipas pudessem contar com três guarda redes sem desguarnecer o princípio de haver dois jogadores para cada lugar).

Desses 22 jogadores convocados, 9 eram do Sporting: Carvalho, Peres, Figueiredo, Lourenço, Hilário, Manuel Duarte, Morais, Alexandre Baptista e José Carlos; 7 eram do Benfica: Germano, Cruz, Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e Simões; do Porto, 3: Américo, Custódio Pinto e Festa; do Belenenses, 2: José Pereira e Vicente; e do Vitória de Setúbal,1: Jaime Graça.

Portanto, o Sporting foi o clube que mais jogadores deu à selecção de 66. Certamente que nem todos jogaram, já que, alguns, para jogar, teriam de deixar de fora outros jogadores do Sporting (como era o caso de José Carlos) e outros, os avançados, teriam de colocar na reserva algum ou alguns dos cinco titulares do Benfica. Mas haveria alguém no lote dos 22 que pudesse pôr em causa a titularidade de Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e Simões? Só por incapacidade física de algum deles poderiam os outros atacantes aspirar à titularidade, já que à época – provavelmente Barroso não sabe – não havia substituições. Do Sporting, jogou Carvalho o primeiro jogo e jogaram regularmente Alexandre Baptista, Hilário e Morais, tendo este, tal como Vicente, falhado o jogo contra a Inglaterra por lesão.

Em conclusão: a equipa era constituída por 5 jogadores do Benfica (dos melhores da História do Benfica e dos melhores que havia na Europa, à época); por 3 do Sporting; 2 do Belenenses e um do Vitória de Setúbal.

Ao desqualificar ou, pelo menos, tentar diminuir, o papel de Eusébio na selecção de 66, Barroso demonstra mais uma vez que tem a “inteligência” completamente embotada pelo fanatismo, pois se há algo sobre o qual há um consenso mundial em matéria de futebol esse algo é certamente o papel de Eusébio no Mundial de Inglaterra: as suas exibições fazem parte da História do Futebol!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

EUSÉBIO

EUSÉBIO E PELÉ

EUSÉBIO

 
EUSÉBIO E PELÉ

EUSÉBIO

OBRIGADO EUSÉBIO!
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domingo, 5 de janeiro de 2014

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

BENFICA E PORTO NA 2.ª DIVISÃO EUROPEIA


 

VALE A PENA APOSTAR NA LIGA EUROPA?
 

 
Como a partir da terceira jornada da fase de grupos se esperava, o Benfica e o Porto não se qualificaram para a fase seguinte da Liga dos Campeões.
 
Para o Benfica, a eliminação precoce numa competição onde no passado escreveu as páginas mais gloriosas da sua história não pode deixar de considerar-se uma grande derrota. Pela terceira vez, o Benfica, com Jesus no comando técnico, não logra alcançar a fase seguinte. Apenas uma vez, na era Jesus, o Benfica seguiu em frente. Das restantes transitou para a Liga Europa, onde fez uma carreira regular, mas que ninguém no plano internacional verdadeiramente valoriza, mesmo quando o resultado final dessa participação é a vitória.

A Liga Europa é a segunda divisão das competições europeias, residindo o seu maior interesse na pontuação que nela se pode arrecadar para efeitos de ranking das competições da UEFA. Quanto ao resto – visibilidade, dinheiro, audiências, prestígio – a sua importância é escassa ou quase nula.

A eliminação deste ano, previsível a partir do empate na Luz contra o Olympiakos, é inaceitável, apesar dos dez pontos conquistados, exactamente por ocorrer na época em que o Benfica tem um dos melhores planteis da sua história, depois dos tempos gloriosos de Eusébio, Coluna e C.ª. É certo que o Benfica fez uma grande exibição em Atenas, donde não merecia ter saído derrotado, mas é igualmente verdade que realizou, principalmente na primeira parte, uma péssima exibição na Luz contra esse mesmo Olympiakos, que ganhou por sorte ao Anderlecht em Bruxelas e teve um comportamento deplorável em Paris contra o PSG.

Portanto, os dez pontos do Benfica não são assim tão brilhantes como à primeira vista poderiam parecer. As estatísticas podem dizer que os resultados do Benfica na Champions, com Jesus, são dos melhores que o Benfica conseguiu neste novo formato da prova, mas a realidade que as estatísticas não revelam diz outra coisa. Diz que a melhor participação do Benfica neste novo formato ocorreu com Ronald Koeman, dirigindo uma equipa que, nem de perto, se equiparava em valores individuais aos que este ano estão à disposição do treinador.

Jesus falha, assim, interna e externamente, pela manifesta incapacidade de tirar partido dos excelentes jogadores que tem à sua disposição.

O Porto, também eliminado, teve uma participação deplorável na Liga dos Campeões. Com um plantel reduzido e manifestamente mais fraco que o do Benfica, com um treinador inexperiente e um público muito exigente, suspirando pelos jogadores que não tem, o Porto conseguiu a “proeza” de ser apurado para a Liga Europa com uma das mais baixas pontuações de sempre: cinco pontos!

Com muitas presenças na Liga dos Campeões e de nela já ter feito história, o Porto, este ano, relativamente ao Benfica,  sempre pode apresentar como desculpa para a sua péssima prestação, a perda de dois dos seus mais influentes jogadores e a má vontade com que outros se mantêm no plantel por a direcção ter recusado propostas que, apesar de ficarem aquém das cláusulas de rescisão, eram muito vantajosas para os jogadores em questão, como é o caso de Mangala, Fernando e Jackson Martinez.

Algo de novo está acontecendo para os lados das Antas, pois onde antes se atestava a grande honra e o enorme prazer que era continuar no clube, apesar das solicitações e pretensões externas, ouve-se agora o público desagrado pelas transferências frustradas para clubes com outras potencialidades financeiras.

Depois deste desaire dos dois mais importantes clubes portugueses, a questão que a ambos agora se coloca é se vale a pena a aposta a sério na Liga Europa com as inevitáveis consequências competitivas no plano interno, nomeadamente no campeonato….

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ONTEM, RONALDO FOI EUSÉBIO


 
A SELECÇÃO PORTUGUESA NA FASE FINAL DO MUNDIAL DO BRASIL

Ontem Ronaldo foi efectivamente decisivo para o apuramento da selecção portuguesa de futebol. E nem sequer se pode dizer como alguns insinuaram que a Suécia não é uma grande selecção. A verdade é que a Suécia ficou no seu grupo de apuramento no único lugar a que poderia aspirar: o segundo lugar já que desse grupo fazia parte a Alemanha, com a qual essa mesma Suécia empatou um jogo e perdeu outro pela diferença mínima. Dois jogos nos quais a Suécia marcou nada menos que sete golos à poderosa Alemanha!

Portanto, a exibição de Ronaldo e os golos que marcou são mesmo um feito. Um feito que ficará nos anais do futebol português. E mais vincado ficaria se Ronaldo tivesse marcado o quarto golo, que esteve a centímetros de obter.

Claro que Ronaldo não ganhou sozinho, embora tenha dado um contributo decisivo para a vitória. Mas seria injusto não sublinhar aqui os magníficos passes de Moutinho dos quais resultaram dois golos. Mourinho está para esta selecção e para Ronaldo como o grande Mário Coluna estava para Eusébio e para a selecção portuguesa e o Benfica.

Todos os títulos, todos os encómios iam para Eusébio, mas nada teria sido como foi tanto na selecção como no Benfica se não tivesse havido Coluna. O mesmo se passa com Moutinho. Também vão para Ronaldo – e muito justamente – todos os títulos da imprensa, das rádios e das televisões. Mas nada teria sido como foi, sem Moutinho.

Neste elenco de apreciações individuais, mal ficaria não lembrar aqui a exibição de Rui Patrício, que defendeu, momentos antes do primeiro golo do Ronaldo, uma bola que se tivesse entrado poderia ter dado ao jogo um rumo completamente diferente. E nem sequer é justo culpar Rui Patrício pelo segundo golo. A bola foi batida com muita força, adquiriu grande velocidade, perfurou a barreira e deixou o guarda-redes sem qualquer hipótese de reacção em tempo útil. Como disse Manuel José num programa televisivo ontem à noite, Patrício só com o pé poderia ter tido alguma hipótese de defender aquela bola.

Louros também para Pepe, aqui tantas vezes criticado, que esteve “intratável” e não deixou nunca que pelo seu lado alguém ameaçasse a baliza de Portugal. Bruno Alves, que esteve bem até ao segundo golo da Suécia, falhou na marcação a “Ibra” por ter sido traído pelo sueco que saltou à sua frente. Ou seja, Bruno Alves supôs que o sueco chegaria à bola e depois, ao constatar que não, ficou sem reacção para saltar. Tudo se passou em fracções de segundo, mas foi o suficiente para que o golo tivesse acontecido como aconteceu – remate de cabeça do craque sueco sem oposição.

Finalmente, uma palavra para Paulo Bento. Bento tem mérito na qualificação pela mesma razão que sobre ele recairia todo o demérito se Portugal não tivesse sido apurado para a fase final do mundial. Reconhece-se também a integridade de carácter do seleccionador e sua firmeza de princípios. Mas há em Paulo Bento comportamentos por vezes incompreensíveis. A generalidade da crítica e de todos aqueles que sobre o futebol se pronunciam nas televisões e nos jornais como comentadores, bem como nas redes sociais, são unânimes sobre o momento de forma de Nani. Afastado da equipa principal no Manchester, Nani deixou há muito tempo de corresponder na selecção ao que dele se esperava. Varela, porventura entre outros, estaria certamente em muito melhores condições e já deveria ter merecido a confiança do seleccionador, ou, pelo menos, ter entrado na equipa mais vezes e durante mais tempo no decorrer da segunda parte. Mas isso não acontece, apesar de Nani piorar de jogo para jogo.

Muitos acham que esta opção de Paulo Bento tem como única e exclusiva razão de ser a pública demonstração de que ele como seleccionador não se deixa pressionar por ninguém. É bom que o seleccionador se não deixe pressionar, mas já seria péssimo que o seleccionador não tome as decisões que deveria tomar pelos simples facto de elas estarem a ser reclamadas na praça pública. Essa teimosia não seria sinónimo de inteligência. Pelo contrário, seria prova de falta dela. E nem sequer adianta argumentar, como indirectamente Paulo Bento já o fez, com a afirmação de que ele assume por completo as consequências das suas decisões. E não adianta porque isso de nada vale depois de a asneira estar feita. Que é que todos nós ganharíamos com essa assumpção de responsabilidade por Paulo Bento se Portugal ontem tivesse sido eliminado por fraca prestação de alguns jogadores que ele, teimosamente, recusa substituir?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

GRANDE JOGO NA LUZ E GRANDE VITÓRIA DO BENFICA


 

O PRESIDENTE DO SPORTING É “CASCA GROSSA”
Cardozo: “Jogámos muito bem e merecemos ganhar”

 

Grande jogo de futebol na Luz como há muito se não via entre os grandes rivais de Lisboa. Um jogo de Taça com incerteza no resultado até final, apesar de na primeira meia hora ter parecido que o jogo estava definitivamente resolvido a favor do Benfica.

Notável recuperação do Sporting, com um primeiro golo espectacular e mais dois de bola parada em mais dois inacreditáveis erros defensivos do Benfica. Erros que põem definitivamente à prova a defesa à zona em que Jorge Jesus insiste apesar da evidência da recorrência dos erros em que a defesa do Benfica frequentemente incorre a ponto de tais erros poderem pôr em causa o desempenho da equipa em jogos da máxima importância.

Jorge Jesus não pode nem deve esperar mais para mudar. A derrota em Atenas pôs o Benfica praticamente fora da Liga dos Campeões. Só mesmo um milagre o pode salvar. O segundo e o terceiro golos do Sporting só por acaso não puseram o Benfica fora da Taça de Portugal. O golo do Belenenses pode ter sido fatal para as aspirações do Benfica no Campeonato – a perda de pontos em casa é normalmente irrecuperável.

Se Jesus, ao fazer entrar para o meio campo Ruben Amorim para apoiar os esforços de Matic e Enzo Pérez, tornando a equipa mais compacta e mais competitiva, já foi capaz de demonstrar que era capaz de mudar o sistema de jogo em que insistia fazer jogar a equipa, descurando durante jogos sucessivos o meio campo, deixando sistematicamente um dos dois alas alheado do jogo num completo desperdício da capacidade da totalidade dos elementos em campo, também tem que ser capaz de mudar o sistema da marcação à zona nas bolas paradas, principalmente nos cantos, nem que seja por um sistema misto que simultaneamente guarneça a baliza, defenda homem a homem relativamente aos elementos mais perigosos da equipa adversária, nomeadamente ao segundo poste e mantenha a zona quanto à parte restante da equipa.

Enfim, é inevitável nesta pequena alusão ao que se passou ontem não referir a extraordinária exibição de Cardozo com três magníficos golos marcados no primeiro tempo. Cardozo pelo que já fez desde que recomeçou a jogar é, fora de qualquer dúvida, o elemento mais fundamental da equipa até esta fase da época.

Como já vem sendo hábito com o Sporting, mais uma vez ontem os principais responsáveis culparam o árbitro pela derrota. Antes de mais num jogo tão espectacular como o que ontem se jogou na Luz constitui uma prova de covardia desportiva imputar ao árbitro um resultado que poderia ter pendido para qualquer dos lados. Pode ter havido um ou outro erro da equipa de arbitragem, mas nenhum deles teve qualquer influência no desfecho do jogo. Importância tiveram ou poderiam ter tido os erros defensivos do Benfica nas bolas paradas, dos quais resultaram dois golos para o Sporting e o erro fatal de Rui Patrício que, mais uma vez, brindou os espectadores com um monumental “frango” como há muito não se via em jogos desta importância.

Não desculpa Rui Patrício o facto de o golo ter sido antecedido de uma falta da sua equipa punível com a marcação de uma grande penalidade, porque ninguém poderá assegurar que o árbitro a marcaria e menos ainda alguém poderá garantir que, marcando-a, o Benfica a convertesse.

Procurar justificar uma derrota com um invisível – em bola corrida – off side de Cardozo ou hipotético e, se real, milimétrico, em imagem parada (segundo o critério de quem a pára) é uma imbecilidade que uma inteligência normal tem muita dificuldade em aceitar. Além de que Cardozo não tira nenhuma vantagem dessa hipotética (e, se real, milimétrica) posição, antes pelo contrário. Ou seja, nem sequer os pressupostos racionais da justificação do fora de jogo estão presentes na jogada em causa.

Fora isso parece haver uma falta de um jogador do Sporting sobre Luisão, que os responsáveis leoninos querem transformar em penalty a favor do Sporting. E depois apenas sobra um eventual raspão da bola num braço do jogador do Benfica, sem qualquer intencionalidade, num remate à queima, a curtíssima distância.

Infelizmente, os responsáveis pelo Sporting, a começar pelo treinador que “jurou” não falar sobre arbitragens, pelos vistos apenas quando o beneficiam, passando por alguns jogadores e terminando no presidente não encontraram outra justificação para a derrota que não fosse o árbitro! O presidente mais uma vez passou as marcas e revelou ser aquilo que desde o início da sua presidência se antevia: um “casca grossa”, perigoso pelo clima que cria antes, durante e depois dos jogos, que se assume mais como membro de uma claque composta, como praticamente todas, pelo que de mais negativo existe no futebol, do que como o primeiro responsável por um dos clubes mais prestigiados de Portugal.

 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

DEPLORÁVEL PRIMEIRA PARTE DO BENFICA


 

BENFICA QUASE FORA DA CHAMPIONS
Roberto evitou a tragédia grega na "piscina" da Luz

 

É difícil compreender como uma equipa constituída com os mesmos jogadores do ano passado, mais um conjunto de caríssimos reforços, consegue jogar tão mal como o Benfica jogou na primeira parte no jogo desta noite contra o Olympiakos. Uma equipa sem ideias, sem qualquer fio jogo digno desse nome, sem alguém capaz, uma única vez que fosse, de exprimir uma ideia diferente daquele fastidioso e repetitivo futebol que permanentemente se via: Artur, quando consegue não falhar, passa a Luisão que passa a Garay que devolve a Luisão, que entrega a Matic, que, depois de dar uma volta sobre si próprio, lateraliza para a direita, entregando a Ola John ao qual se junta de imediato Almeida para receber um passe curto com a intenção de repassar um pouco mais à frente ao mesmo Ola John, que ora chega à bola, ora não chega, e quando chega tenta centrar em regra para onde não está ninguém. E esta “brilhante” jogada repete-se vezes sem conta até o espectador, completamente enfastiado, começar a assobiar.

O futebol do Benfica, não apenas neste jogo, mas em todos os jogos desta época, é um futebol repetitivo, sem ideias, nem brilhantismo de qualquer espécie. Os jogadores parece que desaprenderam, principalmente aqueles que o ano passado se exibiram sempre ao mais alto nível. Garay e Matic são uma sombra do que foram e até o esforçado Enzo Pérez está longe do nível exibicional da última época.

Onde está aquele vistoso futebol de ataque que o Benfica começou a praticar no primeiro ano de Jesus como treinador? Onde está esse futebol? Esse futebol que nunca mais foi praticado e foi decaindo época após época, parece ter este ano atingido o ponto zero de espectacularidade e eficiência.

Paradoxalmente, o que esta noite valeu ao Benfica foi o “dilúvio” que se abateu sobre o Estádio da Luz. A impossibilidade de fazer aquele futebol “mastigado” da primeira parte, com falhanços sucessivos da defesa e ineficiência do meio campo, levou a equipa a jogar um futebol directo, de bola para a frente, que aturdiu os gregos e criou múltiplas dificuldades à sua defesa, a começar por Roberto. Num desses lances, como poderia ter acontecido noutros, o Benfica marcou, por Cardozo, e conseguiu o empate.

Um empate que, contrariamente ao que diz Jorge Jesus, é um resultado negativo. Muito negativo. Um resultado que praticamente põe o Benfica, mais uma vez, fora da Liga dos Campeões após os primeiros três jogos da fase de grupos.

Só por ignorância ou “esperteza saloia” se podem considerar idênticos os quatro pontos que neste momento têm tanto o Benfica como o Olympiakos. Os quatro pontos dos gregos foram obtidos fora de casa enquanto os do Benfica foram conquistados em casa. Basta esta simples comparação para imediatamente se perceber que o Benfica só teria garantida a passagem à fase seguinte se ganhasse na Grécia e em Bruxelas. O que com este futebol não acontecerá, seguramente. Além de que o Benfica nunca ganhou ao Anderlecht em Bruxelas e quase nunca alcançou resultados positivos na Grécia, principalmente contra os grandes clubes de Atenas, como se viu em 2008, na Taça UEFA, em que foi copiosamente derrotado por 5-1 por este mesmo Olympiacos que agora vai revisitar.

Enfim, o fraco percurso que o Benfica está fazendo em todas as provas em que participa, aliado  à fraquíssima qualidade exibicional da equipa, deixam antever uma época para esquecer…

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

PORTO VÍTIMA DA IMPUNIDADE DE QUE GOZA NO FUTEBOL NACIONAL


 
BOM JOGO DO PORTO CONTRA O DÍNAMO
F. C. Porto derrotado pelo Zenit, 1-0, no Dragão

 

Os responsáveis e os comentadores afectos ao Futebol Clube do Porto não pararam de se lamentar no jogo desta noite por o árbitro ter mostrado no mesmo minuto dois cartões amarelos a um jogador do Porto que cometeu duas faltas evidentes. À luz das regras do jogo, por que razão não há-de ser punido um jogador que comete duas num curto espaço de tempo? Há algo nas leis do jogo que lhe garanta a impunidade relativamente à segunda falta?

Não há, como toda a gente sabe. O que há é uma impunidade generalizada que leva a que as equipas grandes em Portugal, e dentre elas o FCP, muito particularmente, contem sistematicamente com a benevolência dos árbitros em situações semelhantes. Ou porque o jogo começou há poucos minutos, ou porque ninguém ousa punir uma falta que nem todos os árbitros marcam, ou porque a contestação seria muito violenta e duradoira, ou por outras inconfessáveis razões, a verdade é que o Porto não está habituado – ou talvez mais correctamente -, nas provas nacionais,  o Porto não admite que um jogador seu seja expulso no início do jogo e muito menos por duas faltas merecedoras de cartão amarelo.

E é claro que isto cria na equipa um sentimento de impunidade que a leva a actuar com alguma leviandade em competições internacionais onde frequentemente aparecem árbitros dispostos a fazer cumprir as leis do futebol qualquer que seja a fase do jogo em que a infracção tem lugar. Isto não significa que os jogadores do Porto não estejam suficientemente advertidos de que não podem fazer nos jogos internacionais o que fazem nas competições nacionais. Estão. E qualquer observador atento reconhece isso com muita facilidade. Mas esses avisos não garantem, como hoje não garantiram, que a força do hábito por vezes se sobreponha à força da lei.

Realçado isto apenas com o propósito de demonstrar que o cumprimento rigoroso, no plano interno, das leis do jogo acaba por reforçar a competitividade das equipas portuguesas e muito particularmente do FCP o qual, não obstante todos os favores de que pode beneficiar, continua sendo a melhor equipa portuguesa e que mais probabilidade tem de se bater quase de igual para igual com as grandes equipas europeias. O Porto pode não ter o melhor plantel – e muito provavelmente não o terá – mas continua a ter a melhor equipa.

No jogo desta noite, o Porto jogando com dez desde os seis minutos foi sempre melhor equipa que o Zénite de S. Petersburgo durante toda a primeira parte. Na segunda parte, o enorme esforço da primeira parte fez-se sentir, porventura mais cedo do que se esperava. O Zénite, embora sem criar lances de grande perigo, salvo um perdida de Hulk resultante de uma “oferta” de Otamendi, foi dominando o jogo e aproximando-se gradualmente da baliza de Helton. Numa dessas jogadas, já muito perto do final, Kerzhakov, a centro de Hulk, fez o golo da vitória num excelente remate de cabeça. Mesmo assim, o Porto por duas vezes ainda esteve perto do empate.

Com duas derrotas em casa o Porto compromete muito seriamente a passagem à fase seguinte, agora apenas possível se obtiver duas vitórias (uma delas necessariamente em S. Petersburgo) e o Zénite perder dois dos três jogos que lhe faltam jogar ou perder um (necessariamente contra o Porto) e empatar outro, ganhando o terceiro.

 

 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

PORTUGAL FORA DO MUNDIAL?


 
 
SUÉCIA, UM ADVERSÁRIO MUITO DIFÍCIL
 
Portugal terá no play off de apuramento para o Mundial do Brasil (2014) uma das três equipas que, à partida, tendo em conta o historial da selecção portuguesa, lhe poderiam causar maiores problemas – a França, a Grécia e a Suécia. Calhou-lhe a Suécia, contra a qual tem um lamentável registo de 6 derrotas, 3 empates e 3 derrotas com a agravante de nunca ter ganho aos suecos em Portugal.
A situação não seria melhor se em vez da Suécia lhe tivesse saído em sorte a selecção da Grécia, à qual nunca ganhou, ou a França, contra a qual sempre perdeu os confrontos mais decisivos das provas oficiais em que a defrontou.
Acresce a esta estatística o facto de a Suécia ter hoje nas suas fileiras um jogador que tem sido determinante nos jogos da selecção (Zlatan Ibrahimovic). Apesar dos registos da Suécia na série de apuramento em que participou não serem nada de extraordinário – 6 vitórias, 2 empates e duas derrotas; 19 golos marcados e 14 sofridos – num grupo que contava com a presença da Alemanha, mas também das Ilhas Faroé e do Cazaquistão, a verdade é que daqueles 19 golos sete foram marcados à poderosa Alemanha que no cômputo geral apenas sofreu mais três.
Por outro lado, se tivermos em conta a decepcionante participação de Portugal no Grupo F, em que ficou em segundo lugar a um ponto da Rússia, com empates em casa contra a fraquíssima selecção da Irlanda do Norte e também contra Israel (num jogo decisivo que poderia ter alterado a classificação que desde há muito parecia estabelecida), tudo aponta para uma dificílima tarefa da selecção portuguesa.
Além de não ter um jogador verdadeiramente determinante nos confrontos decisivos (jogador que Cristiano Ronaldo manifestamente não é, como o seu historial na selecção inequivocamente demonstra), Portugal tem uma defesa fraca onde militam dois centrais em fim de carreira, perigosos pelas muitas faltas que fazem e pelo jogo violento que frequentemente praticam. A isto acresce um Rui Patrício muito longe da forma que o notabilizou, provavelmente frustrado por ter de permanecer no Sporting por ausência de propostas irrecusáveis ,e um Coentrão que desde que foi para o Real Madrid nunca mais voltou a ser o jogador que tanto se distinguiu no Benfica e no Mundial da África do Sul.
Na frente, apenas Cristiano Ronaldo verdadeiramente conta, já que Nani, de quem tanto se esperava, tem vindo a decair com a passagem dos anos e Varela é hoje uma sombra do jogador que já “ameaçou” poder vir a ser, principalmente na selecção. De Postiga, Hugo Almeida ou Nelson Oliveira pouco haverá a esperar e de Dani nunca há certeza se estará em condições físicas para alinhar na selecção.
Por tudo isto e também por ausência de uma linha média renovada, onde verdadeiramente só Moutinho continua a ter lugar, muito dificilmente Portugal marcará presença no Mundial do Brasil.
Esperemos para ver…


 

 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

RONALDO E A SELECÇÃO



A IDOLATRIA QUE A EGOLATRIA RECLAMA
 

 

Cristiano Ronaldo é, sem dúvida, um dos maiores atletas portugueses de todos os tempos. No futebol, ao serviço do Manchester United e, principalmente, no Real Madrid, ele tem demonstrado toda a sua imensa classe como futebolista de eleição a ponto de ombrear com génios do futebol como Messi, Iniesta, Xavi e Ribéry, entre outros. Por uma vez já foi eleito o melhor futebolista do ano. Também por uma vez venceu, no Manchester United, a Liga dos Campeões Europeus que é, como se sabe, a mais prestigiosa prova do futebol internacional.

Nos últimos três anos, Ronaldo foi algumas vezes determinante nas vitórias do Real Madrid (um campeonato, uma Taça, uma Supertaça) talvez até mais do que nos cinco anos que esteve ao serviço do Manchester United, porventura por no clube inglês prevalecer uma mentalidade mais colectivista imposta por um treinador para quem não havia “estrelas” que, independentemente do jogo jogado, brilhassem mais do que outras.

Na selecção portuguesa, onde Ronaldo já alinhou mais de cem vezes, as suas prestações têm sido infelizmente bem menos determinantes do que nos dois grandes clubes por onde até hoje passou. A par de alguns jogos conseguidos, Ronaldo na selecção, talvez pela diferença que ele entende ou intui existir entre a sua capacidade como jogador e a dos colegas, não tem sido na maior parte das vezes feliz. Mais: muitas vezes, nomeadamente no tempo de Queirós como seleccionador, as prestações de Ronaldo foram prejudiciais pelo excessivo individualismo que, voluntaria ou involuntariamente, acabava por “impor” à equipa. Muitos críticos, principalmente nas redes sociais, pediram o afastamento de Ronaldo por entenderem que jogando daquele modo a sua presença era prejudicial à selecção. Aliás, numa das poucas lesões da sua carreira, em que por razões óbvias esteve afastado da selecção, essa ausência correspondeu a um dos melhores períodos da selecção nessa fase de apuramento.

Nada disto lhe retira a classe que indiscutivelmente tem nem a importância de que a sua presença, desde que devidamente integrada na equipa, se pode revestir para os êxitos da selecção. A verdade, porém, é que Ronaldo na selecção está longe – ainda muito longe –, ao longo dos anos que já leva como internacional, de ter sido tão determinante como outros jogadores, alguns deles ainda seus contemporâneos, como Figo, Deco, Rui Costa ou mesmo João Pinto, prematuramente afastado por razões disciplinares. E se recuarmos no tempo e nos situarmos nos períodos em que o futebol português brilhou, como aconteceu no europeu de França e no Mundial de Inglaterra, então Ronaldo perde por pontos para Chalana (que encantou a França) e fica a uma longa distância de Eusébio que em 1966 teve uma das mais memoráveis participações que um jogador pode ter numa fase final de um Campeonato do Mundo de Futebol.

Algumas destas glórias não eram tão badaladas depois dos feitos ocorridos porque os meios de comunicação da época dedicavam o seu tempo a assuntos mais importantes deixando ao futebol apenas o tempo necessário para descrever ou mostrar o que se passara. Ainda não estávamos na era das sociedades da comunicação...

Hoje não é assim. Por todo lado há canais especializados em futebol que falam ou mostram futebol 24 horas por dia. Há vários programas semanais sobre futebol nos canais generalistas e há nos canais noticiosos, abertos 24 horas, múltiplos programas sobre futebol desde os mais indigentes aos mais interessantes, estes muito escassos ou quase inexistentes. É por isso normal que pequenos e grandes feitos, nomeadamente se tais feitos têm alguma ligação ao pátrio solo, sejam empolados, exagerados e repetidos até à saciedade, criando na ideia de quem ouve e de quem vê que este é um tempo excepcional em que no futebol se fazem coisas que nunca noutros tempos foram feitas.  

Ainda agora a propósito dos três golos de Cristiano Ronaldo à fraca e ingénua selecção da Irlanda do Norte se teceram loas e fizeram comparações completamente despropositadas ou mesmo absurdas. Se um jogador faz cento e tal jogos pela selecção e com eles sobe a sua marca para mais de quatro dezenas de golos é evidente que essa marca não pode ser comparada com as mesmas quatro dezenas de golos obtidos por outro jogador em cerca de metade dos jogos. Assim como o record de golos da selecção em poder de um determinado jogador não pode ser analisado comparativamente sem entrar em linha de conta com as equipas contra as quais a  maior parte desses golos foi marcada. É importante marcar golos, mas os golos não valem todos o mesmo. Não têm todos o mesmo significado e importância. Dependem da equipa a que foram marcados e dependem também da importância que eles tiveram para o resultado do jogo!

Esta idolatria à volta de Cristiano Ronaldo, que ele alimenta e sinceramente deseja com a sua exagerada egolatria, pode ter efeitos nefastos na selecção. De facto, é hoje patente aos olhos de qualquer observador a influência de Ronaldo na selecção. Jogadores em fim de carreira ou já sem performance para representar a selecção, a propósito e a despropósito, desdobram-se em elogios a Ronaldo e em qualificações que só podem ter uma interpretação: "Se eu o elogiar ele vai-me proteger e ninguém ousará tirar-me da selecção sabendo que outra é a vontade de Ronaldo".

E mais: Ronaldo parece ter um estatuto que outros jogadores não têm. Era importante que Ronaldo estivesse esta noite em Boston para defrontar o Brasil. Das duas últimas vezes que jogou contra a equipa brasileira as suas exibições foram fracas, de modo que esta seria uma excelente oportunidade para se mostrar ao público norte-americano frente a uma grande equipa, composta por grandes jogadores entre os quais desponta uma vedeta que ameaça disputar na época em curso as atenções que agora quase são monopolizadas a Messi e a Ronaldo.

Infelizmente, Ronaldo não estará presente. Mas no próximo fim-de-semana alinhará pelo Real Madrid contra o Villa Real.  

terça-feira, 3 de setembro de 2013

OS PROBLEMAS DO BENFICA


A CONFIRMAÇÃO DO QUE SE PREVIA

 

O lamentável, embora esperado, início do Campeonato confirma o que se esperava do Benfica para a época em curso.

Depois do descalabro da época passada em que em pouco mais de três semanas deitou a perder tudo o que durante a época fora amealhando, o Benfica começou a época – e antes dela a pré-época – com o mesmo estado de espírito com que ficou depois do empate em casa com o Estoril e da derrota no Porto: uma equipa desanimada, descrente e incapaz de reagir à adversidade. E quando este é o estado de espírito de uma equipa (ou de uma pessoa) todas as suas qualidades caem em flecha. O brilhantismo que ontem era atingido com naturalidade, tanto a nível individual como colectivo, torna-se agora numa espécie de miragem do passado, incapaz de se repetir e - pior do que isso – torna-se para os mesmos protagonistas incompreensível como tal brilhantismo chegou a ser alcançado outrora tão longe ele está hoje de poder ser repetido.

Este estado de espírito da equipa do Benfica, e que somente a presença de um outro jogador novo a momentos disfarça, não vai passar com o decurso do tempo, correndo, pelo contrário, o sério risco de se agravar a cada dia que passa.

Foi notório no jogo da Madeira a incapacidade de reacção da equipa, como notória foi a ausência de processos alternativos que pudessem inverter a situação ou que, no mínimo, criassem na mente dos jogadores a convicção de que ela poderia ser invertida. A mediocridade da exibição contra o Gil Vicente, marcada por um grau de desperdício inaceitável e que nada tem a ver com a sorte do jogo, confirma o que na Madeira se começara a evidenciar. Finalmente, o jogo do passado sábado contra o Sporting voltou a mostrar uma equipa sem ideias – ou muito saturada das ideias que tem –, dominada em largos períodos do jogo por uma equipa de novatos praticamente acabada de formar, que apenas alcançou um empate graças à genialidade de um jogador, o mesmo se podendo dizer do único lance que, depois do golo, poderia ter dado a vitória ao Benfica.

Há indiscutivelmente uma fadiga psicológica na equipa que nada tem a ver com a incerteza do desfecho sobre o mercado de transferências, ele próprio muito afectado, no que respeita ao Benfica, por essa mesma fadiga que degrada e desvaloriza o valor negocial dos jogadores. De facto, os jogadores do Benfica eventualmente transferíveis não sofrem de instabilidade emocional reflectida na sua prestação desportiva por não saberem se vão ou não ser transferidos ou da eventual oposição do clube a essa transferência, mas por saberem que apesar de o clube os querer vender, pelo menos três ou quatro – Matic, Garay, Sálvio e, eventualmente, Gaitan – não há quem lhes pegue pelo valor que eles realmente têm. Esta sim a causa dessa instabilidade, ela própria gerada pela situação psíquico-desportiva da equipa.

A primeira conclusão que inevitavelmente tem de se tirar é que esta situação não é fruto do acaso nem das famosas contingências do futebol – esta situação era previsível e tem responsáveis. Tanto mais responsáveis quanto mais fácil de prever seria o que se iria passar se tudo continuasse na mesma.

O primeiro grande responsável pelo que se está a passar no Benfica é aquilo que de uns tempos a esta parte se passou a denominar um pouco enigmaticamente por a “estrutura do Benfica”. Ou seja, os responsáveis pela gestão, organização e condução do futebol do Benfica – algo que no Benfica não se sabe bem o que seja.

Sabe-se que o Presidente tem um forte pendor autocrático, remetendo para a subalternidade subserviente os que com ele trabalham, e sabe-se também que a sua ignorância em matéria de futebol e do próprio mundo do futebol tem a mesma dimensão, se não até maior, que a sua autocracia.

No plano técnico, algo que numa equipa organizada segundo os mais modernos padrões de gestão do futebol deveria estar completamente subordinada àquela estrutura no plano, digamos, “político”, sabe-se que o Benfica tem um treinador incapaz de expor uma ideia com clareza e de formular um raciocínio escorreito com princípio, meio e fim. Tem um treinador – e certamente o mesmo se passará com a equipa técnica que o acompanha – que, não obstante os méritos do seu autodidatismo – quase sempre insuficientes, qualquer que seja o ramo de actividade -, está longe de corresponder na presente fase ddo clube ao tipo de treinador que o Benfica precisaria, quer no plano técnico-táctico, quer no plano comunicacional, quer no do relacionamento com o plantel .

Durante um certo período, já manifestamente ultrapassado no ano passado, Jorge Jesus serviu os interesses do Benfica tendo em conta a fase em que o clube se encontrava. Desde há mais de dois anos que existe um desajustamento evidente entre as novas necessidades e a capacidade de resposta da equipa técnica, a que se deveria ter posto cobro normalmente.

Finalmente, consequência dessa ausência de “estrutura” e de condução técnica subordinada é a actual composição do plantel independentemente de quem ainda possa vir a sair ou a entrar. O Benfica não tem uma defesa à altura das suas pretensões, facto que já o ano passado era muito visível.

Artur é incerto e pode comprometer gravemente a equipa a qualquer momento como se viu na época passada em quatro jogos decisivos. Maxi não para há cinco anos, está muito instável – também já estava o ano passado – e pode a todo o momento e em qualquer jogo ser expulso em lances cuja perigosidade não exigia tal comportamento. Luisão tem o peso dos anos. Ou está bem posicionado e se antecipa ou só tem como recurso a obstrução ou ser batido. Garay, o melhor dos cinco, está ausente e até parece que perdeu sentido posicional. Cortez, mais uma invenção de Jesus – e pela valia das invenções se avalia o nível do inventor …-, vai dar certamente muitas dores de cabeça à equipa e comprometê-la ainda mais do que ela já está.

Com esta defesa o Benfica irá somar um número record de golos sofridos.

Perante isto, o que fazer? Era preciso mudar quase tudo, mas como isso não será fácil o mais provável é que se vá assistindo a uma lenta mas persistente degradação capaz de comprometer o destino do clube muito para além dos resultados desportivos de uma época.