sábado, 18 de janeiro de 2014

RESCALDO DA JORNADA: PINTO DA COSTA E JESUS




DEPOIS DO BENFICA-PORTO

Nada mais haveria a dizer relativamente à última jornada para além daquilo que já estava dito – que o Benfica ganhou concludentemente ao Porto e que o Estoril e Sporting se anularam mutuamente – se as declarações de Jesus e de Pinto da Costa não tivessem aberto uma nova frente de discussão não tanto pelo que disseram mas pelo que se depreende daquilo que disseram.

Pinto da Costa falou obviamente da arbitragem de Soares Dias – era o pretexto da entrevista – considerando-a escandalosa. Pinto da Costa a criticar a arbitragem é um pouco como Al Capone a exigir o cumprimento da lei. Não pode ser levado a sério e, de facto, ninguém o leva a sério quando ele critica os árbitros, embora toda a gente o leve a sério – muito a sério - quando ele se ocupa da arbitragem com a eficiência que toda a gente lhe reconhece, exuberantemente demonstrada nos mais de trinta anos que leva à frente do FCP.

O que verdadeiramente Pinto da Costa pretendeu com a entrevista que concedeu ao seu canal foi, por um lado, dar um sinal claro aos críticos que tomará boa nota daqueles que continuam a não acreditar na equipa e que tanto tem contribuído para a desmoralizar. Pinto da Costa conhece como ninguém as fragilidades do plantel que tem, assim como está ciente das limitações do treinador que escolheu. Todavia, sabe que não é agora o tempo certo para remediar os problemas criados por aquelas duas graves deficiências e por isso fez questão de vir dizer aos seus apaniguados que não aceita mais críticas ao plantel nem ao treinador. Exige unidade em torno das escolhas feitas, tanto mais que o Benfica vai ficar fragilizado na segunda metade do campeonato e o Sporting verdadeiramente ainda não conta para ele. Ele acha que um Porto a cinquenta por cento será suficiente, se internamente novas fissuras não forem abertas.

Este, o primeiro recado. O segundo tem a ver com a sucessão. Pelo que disse, Pinto da Costa quis igualmente sinalizar que não apoia Fernando Gomes (presidente da FPF) nem António Oliveira para presidentes do Porto.

Que Pinto da Costa não apoia um nem outro é absolutamente claro. Partir daqui para afirmar que ele já tomou partido pela luta que no seu “inner circle” se trava pela sua sucessão é que parece um pouco exagerado, mesmo que um dos putativos ou pretensos sucessores seja o seu filho. É que Pinto da Costa, como todos os ditadores que se prezam, não aborda a sucessão nem a encara…apesar de ela inevitavelmente vir a ocorrer. E nessas circunstâncias, ou seja, no contexto que os próprios ditadores acabam por criar, tentar saber quem eles pretenderiam para lhes suceder será perfeitamente irrelevante.

De Jorge Jesus apenas a confirmação de que não conta com os jovens jogadores portugueses nem nada fará por eles mesmo que pertençam à formação do clube que lhe paga rios de dinheiro…para ele disputar à Liga Europa.

O que Jorge Jesus disse a propósito da substituição de Matic é absolutamente inaceitável, quaisquer que tenham sido ou venham a ser as correcções posteriores às suas palavras. Jesus não sabe falar, nem sabe português suficiente para se exprimir com correcção, mas o que ele disse, por palavras e por gestos, a propósito das hipóteses de os jovens da formação virem a integrar o primeiro team é absolutamente eloquente. Não precisa de tradução nem de interpretações.

Mais: não é a primeira vez que Jesus desincentiva a formação. Ainda há umas semanas atrás, a propósito da permanência de Ivan Cavaleiro na equipa principal, as suas palavras se tivessem sido ditas por um inimigo do jogador não seriam mais contundentes. Também disse claramente que o Benfica tinha naquela posição excelentes jogadores e que quando todos estivessem aptos as hipóteses daquela jovem promessa seriam muito escassas.

Acontece, para além de tudo o que significa esta atitude de Jesus, que ele é exactamente uma das pessoas que menos – ou nenhuma – legitimidade tem para se pronunciar sobre a afirmação dos jovens valores portugueses. Jesus está principescamente pago no Benfica, tem beneficiado de plantéis fabulosos, como o deste ano, e apenas ganhou um campeonato com jogadores como Luisão, David Luiz, Aimar, Saviola, Cardozo, Di Maria, Ramires, Fábio Coentrão, entre outros. Tem contratado ou proposto a contratação de jogadores medíocres e recusa-se a abrir oportunidades para jovens valores portugueses, como, por exemplo, André Gomes, escandalosamente ostracizado pelo treinador. Apenas um nome entre vários.

O próprio Matic que ele agora tanto admira só despontou no Benfica em estado de necessidade. Tivessem Xavi Garcia e Witzel ficado na equipa mais um ano e ainda hoje Matic continuaria no banco ou já estaria dispensado ou emprestado a um qualquer clube sem ambições.


Perante situações como esta, o presidente do Benfica deveria intervir publicamente, desautorizando Jorge Jesus. É o que verdadeiramente se exige, já que a "reinterpretação" que Jesus possa vir a fazer das suas próprias palavras é manifestamente irrelevante!

domingo, 12 de janeiro de 2014

BENFICA-PORTO: VITÓRIA SEM DISCUSSÃO


 

A HOMENAGEM QUE EUSÉBIO QUERIA
Benfica venceu o F.C. Porto por 2-0

Ainda mal tinha chegado a casa, depois de ter assistido, no Estádio da Luz, a uma indiscutível vitória do Benfica sobre o Porto por 2-0, e já na TVI 24 um conhecido ex- jogador, especialista em boîtes e em noitadas por todos os clubes por onde passou, comentava, irado, a arbitragem por ter prejudicado o FCP numa fase crucial do jogo, afirmando mesmo que tais erros foram fatais para o Porto e para o resultado final da partida. O mais curioso é que o dito comentador é um conhecido sportinguista nado e criado em Alvalade! Conclusão: a fúria com que falava da arbitragem num programa onde somente um ex-árbitro costuma opinar sobre esse tema mais não significa do que a continuação, por outra via, das “parvoíces” que Presidente do Sporting não se cansa de exibir sempre que lhe põem um microfone na frente.

Este triste e lamentável exemplo, ocorrido como comentário a um jogo, em que desde a claque do Porto ao mais descontraído adepto do Benfica a ninguém ficou dúvidas sobre a supremacia do Benfica durante toda a partida, é um indício, mas um indício muito elucidativo, do que vão ser até ao fim da época os comentários dos sportinguistas que nas várias estações de televisão actuam disfarçados de comentadores.

E a propósito deste lamentável exemplo ocorre-nos recordar mais uma vez o jogo entre Portugal e a Coreia do Norte que na última quarta-feira aquela mesma estação de televisão transmitiu. Que saudade dos jogos em que não havia repetições e em que quem estava a ver pela TV tinha uma percepção do jogo semelhante à de quem está no estádio situado no mesmo ângulo da câmara!

Deixando de parte essas excrescências, que nada adiantam nem atrasam relativamente  ao jogo que realmente se jogou, o que todos vimos na Luz foi, para começar, uma sentida e espectacular homenagem a Eusébio. Aparte alguns, muito poucos, elementos da claque do Porto que não respeitaram o minuto de silêncio, pode dizer-se que tanto fora como dentro do campo tudo correu com aceitável desportivismo. Mesmo algumas decisões da arbitragem eventualmente mais discutíveis foram aceites pelos jogadores sem protestos. Para isto muito contribuiu a supremacia que o Benfica demonstrou desde o primeiro minuto.

O Benfica esteve, na verdade, muito forte na contenção do jogo do Porto e sempre muito perigoso no contra-ataque. O facto de o Benfica ter jogado com Lima e com Rodrigo, contrariamente ao que o treinador do Porto esperava, de forma alguma significou que tivesse jogado no sistema habitual de Jorge Jesus. O Benfica esteve sempre muito forte no meio-campo, que nunca desguarneceu, e soube sempre partir com muito perigo para o ataque, deixando frequentemente desequilibrada a equipa do Porto.

O primeiro golo, de Rodrigo – um golo à Eusébio – foi disso a prova. Dois jogadores do Benfica chegaram para desequilibrar toda a defensiva portista. E o mesmo Rodrigo poderia ter marcado o terceiro num lance idêntico.

Enfim, para terminar uma referência especial a Garay que marcou o segundo golo na sequência de um canto e também a Oblak, muito acarinhado pelos adeptos do Benfica, que mais uma vez deixou o adversário a zero. É obra ter na baliza de um clube como o Benfica um guarda-redes tão jovem! Que o exemplo de Oblak ilumine Jorge Jesus e faça com que outros jovens de muito valor que no Benfica existem possam ter as mesma oportunidades.
 

sábado, 11 de janeiro de 2014

EFABULAÇÕES SOBRE A VIDA DE EUSÉBIO


A LENDA VAI TOMANDO O LUGAR DA HISTÓRIA

Muito se tem falado de essa coisa de “Eusébio ser património nacional”. Ele também falou disso, mas sempre com aquela ironia africana tão Xipamanine e Mafalala. Dizem-se coisas absolutamente contraditórias sobre as frustradas transferências de Eusébio para a Itália, primeiro para a Juventus e depois para o Inter de Milão.

É verdade que a Juventus manifestou interesse em ter Eusébio nas suas fileiras em 1964 (e não em 1966, como já vi para aí escrito). Nessa altura já Eusébio havia ganho uma Taça dos Campeões Europeus (1962) e já tinha participado noutra final da mesma Taça em 1963. Na época seguinte 1963/64, o Benfica ganhou o campeonato, mas foi estrondosamente eliminado pelo Borússia de Dortmund (ganhou 2-1, na Luz e perdeu 5-0, em Dortmund, sem Eusébio).

Foi neste contexto que surgiu a proposta italiana. À época os jogadores não eram livres de se transferir como hoje. Os contratos não tinham prazo e quando passaram a ter o clube que detinha o passe podia sempre exercer o direito de preferência pela ridícula quantia de 10% do valor da proposta. Eram uma espécie de servos da gleba, com a diferença de que não estavam ligados à terra mas ao clube. Portanto, Eusébio só se transferiria se o Benfica autorizasse (nessa época a FIFA não intervinha nestas coisas; noutra ocasião falar-se-á aqui do caso Puskas, que não é verdadeiramente uma excepção ao afirmado). E muito provavelmente o Benfica não autorizaria.

Mas há mais. O Eusébio como todos os mancebos da sua idade tinha de cumprir o serviço militar. E ninguém era autorizado a emigrar sem primeiramente cumprir o serviço militar. Era por isso que os jovens dessa época “iam a salto” sempre que queriam trabalhar no estrangeiro. Eusébio não o poderia fazer, não poderia “ir a salto”, porque sem a autorização do clube a que pertencia não poderia “trabalhar” no estrangeiro.

Estas as razões por que Eusébio não foi para a Juventus. Nunca à época ou posteriormente ouvi dizer que Salazar se tivesse metido nisto. Nem precisava de o fazer. As leis vigentes encarregavam-se de assegurar que Eusébio não sairia. Aliás, Eusébio, que se saiba, apenas foi recebido por Salazar duas vezes, uma em 1962, juntamente com a equipa do Benfica, para assinalar a vitória na Taça dos Campeões Europeus e outra em 1966, juntamente com os colegas de selecção, para comemorar o terceiro lugar no Mundial de Inglaterra.

Basta atentar nas datas para logo se perceber que essa coisa do “património nacional” a propósito da transferência da Juventus não passa de uma fábula.

Mais tarde, depois do Mundial de 1966, no defeso, apareceu a tal proposta do Inter de Milan e ao que parece, dados os montantes envolvidos – um milhão de dólares (hoje ninguém imagina o que era à época um milhão de dólares por um futebolista!) – o Benfica estaria na disposição de vender. Eusébio foi a Milan e quando estava iminente a transferência, a Federação Italiana (ou o Governo italiano, não posso precisar com rigor) proibiu as transferências de estrangeiros para o futebol italiano. Porquê? Porque os italianos imputaram a eliminação da Squadra Azzurra na fase de grupos do mundial de 66 (curiosamente em consequência do resultado do jogo contra a Coreia do Norte) à proliferação de jogadores estrangeiros no futebol italiano, nomeadamente na Série A.

Esta a razão por que se gorou a segunda hipótese de transferência para a Itália.

Repare-se que a propósito desta gorada transferência nunca ninguém responsabilizou o regime (Salazar). Mas se não havia entraves à sua saída em 1966 (porque já tinha cumprido o serviço militar) por razão haveria em 1964 de haver outras proibições que não as que resultavam do incumprimento do serviço militar?  

É evidente, porém, que Eusébio não saiu para outro lado,  depois de frustrada a transferência para o Inter de Milão, porque o regime que vigorava no futebol era como acima já foi dito de completo desrespeito pelos direitos do jogador. Mas isso não acontecia apenas em Portugal. Acontecia em toda a parte, embora alguns clubes noutros países, principalmente os clubes latino-americanos da Argentina e do Brasil e também nalguma medida em França (Kopa, por exemplo, foi autorizado a transferir-se do Reims para o Real Madrid), fossem mais permissivos.

De qualquer modo, Eusébio beneficiou deste “assédio”, melhorando significativamente a partir de 66 a sua situação no Benfica, tendo na negociação sido acompanhado pelo recém-licenciado em Direito, Silva Resende, jornalista de A Bola, sportinguista e grande admirador de Salazar e da Ditadura. Só que as melhorias daquele tempo, comparadas com as que beneficia hoje um grande crack, quando renegoceia o vínculo contratual, não têm nenhum significado, mesmo fazendo o cálculo actuarial do valor do dinheiro.

Quanto ao Panteão Nacional, apenas uma pequena nota: será que Eusébio gostaria de lá estar? Será que não preferiria outro “palco”, o seu “palco” predilecto?


E para terminar, toda a gente parece esquecer que Eusébio também era Moçambicano. Optou ficar em Portugal, mas sempre teve muito orgulho nas suas origens. Seria de muito bom tom que isto não fosse esquecido, principalmente pelo Benfica, pelos seus adeptos, pela Federação e pelos desportistas em geral, já que dos políticos, sempre prontos a aproveitar-se de tudo que os possa beneficiar, nada se pode esperar.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O PORTUGAL – COREIA DO NORTE DE 1966


 

COMPARAÇÕES E ANÁLISES

 
Analisemos o jogo que em 23 de Julho opôs a Selecção Portuguesa à da Coreia do Norte no Mundial de 1966, disputado na Inglaterra, e que ontem tivemos ocasião de rever na íntegra numa emissão da TVI 24.
Para quem não é daquela época e ainda não tem a dimensão do tempo que, infelizmente, só a idade confere, a primeira coisa que lhe ocorrerá dizer, principalmente se estiver de má vontade, como alguns certamente estarão, é que o futebol que se jogou foi medíocre e que os jogadores de uma e de outra equipa não teriam hoje lugar em qualquer equipa da primeira divisão de actualidade.

Puro engano e total imbecilidade. Tal afirmação, a ser feita – e verão que vai ser feita -, seria tão imbecil como afirmar que dois dos maiores cabos de guerra da história da humanidade, como Alexandre e Júlio César, seriam hoje facilmente derrotados por uma qualquer divisão de um exército moderno. Obviamente, que só um rematado estúpido poderá fazer tal comparação e acreditar nela. Mas como no futebol há lugar para todas as alarvidades, mais vale prevenir e antecipar a argumentação do que estar a responder depois de a asneira ser dita.

Certamente que o futebol nestes últimos 50 anos evoluiu muito táctica, técnica e fisicamente. Rapidamente se percebe vendo um jogo daquela época integralmente quão grande foi a evolução táctica do desporto-rei e como os próprios jogadores evoluíram técnica e fisicamente.

Mas não só. Evolução muito mais acentuada verificou-se nos meios técnicos que nos permitem ver em directo e ao vivo algo que está a acontecer a milhares de quilómetros de distância. À época, as transmissões televisivas em directo não tinham mais que meia dúzia de anos. E o melhor que no mundo se fazia em matéria de transmissões televisivas de eventos desportivos era aquilo que a BBC ontem nos proporcionou ao vermos o filme de há 48 anos. Ninguém filmava tão bem o futebol como os ingleses (ainda hoje é assim, de resto) e, todavia, aquela transmissão está a anos-luz do que hoje se faz, do que hoje a mesma BBC faz!

Com o futebol passava-se exactamente o mesmo. Aquele era o melhor futebol que à época se jogava. Ninguém no Campeonato do Mundo de 1966 jogou melhor. Uns anos antes, no fim da década de 50 e no começo da época de 60, talvez o Real Madrid e a selecção do Brasil apresentassem um melhor futebol ou, no mínimo, mais artístico, mas no Campeonato de 66 ninguém jogou melhor do que ontem se viu. Aliás, a FIFA e a e a FA (English Football Association) consideram o Portugal-Coreia do Norte e o Inglaterra-Portugal como os dois melhores jogos do Campeonato, sob todos os pontos de vista.

Depois há outros aspectos em que o futebol de então até hoje regrediu e de que maneira. Desde logo, no fair play tanto no que respeita às relações dos jogadores com o árbitro como dos jogadores entre si. Alguém viu algum jogador a protestar uma decisão do árbitro? Alguém viu algum jogador a pressionar o árbitro para marcar uma falta não assinalada? Alguém viu alguma jogada que tivesse posto em risco a integridade física do adversário? E todos certamente notaram a preocupação dos jogadores relativamente a algum adversário que saísse ligeiramente molestado de uma jogada, embora neste plano, apesar da correcção reinante, Eusébio bata todos os demais em fair play.

Quanto ao jogo propriamente dito, visto à luz da época em que se jogou, deve dizer-se que José Pereira esteve mal num dos golos, que o centro da defesa (Alexandre Baptista e Vicente) abriu muitas brechas, que Coluna, no meio campo, esteve muito longe das suas normais exibições (quase sempre de alto nível) só se tendo encontrado quando o jogo já estava virado e que Jaime Graça, embora tendo estado em bom plano, teria sido muito mais útil no meio, como volante, do que na ponta. Os laterais, que à época jogavam sem outros apoios – nem os centrais os dobravam, nem os extremos defendiam -, estiveram bem não tendo sido por culpa de Morais nem de Hilário que os portugueses sofreram três golos em 25 minutos.

Na frente, Torres também esteve longe do que costumava fazer, tendo sido muitas vezes batido nas bolas por alto. José Augusto fez alguns bons remates e o passe para o primeiro golo de Eusébio, mas teria sido mais útil se tivesse jogado a extremo-direito, que era o seu lugar. Simões foi extraordinário, foi sempre o mais inconformado e fez uma grande exibição seja qual for a época da história em que o jogo é analisado.

Eusébio com 4 golos, dois deles magníficos, principalmente o primeiro, pela rapidez e velocidade de execução e pela jogada individual que deu lugar à marcação do segundo penalty, foi a grande figura do encontro. Foi um grande jogo de Eusébio mas não foi, nem de perto, o melhor jogo de Eusébio. Foi um jogo marcante pela viragem do resultado mas houve muitos outros jogos em que Eusébio foi ainda muito maior!

Finalmente, viu-se ontem que os jogadores portugueses, apesar de jogarem em clubes rivais, não se viam uns aos outros como inimigos. Pelo contrário, havia e há sólidos laços de amizade e de camaradagem entre todos eles.

Sobre o que se passou depois, o jogo em Wembley contra a Inglaterra, a derrota e tudo o mais que antecedeu esta partida, tendo a considerar que José Carlos tem razão: houve falta de ambição do corpo técnico, principalmente do seleccionador, que se apresentou perante os ingleses como um súbdito (enfim, consequências ainda decorrentes de durante mais de 100 anos essa ter sido a posição de Portugal relativamente à Inglaterra).

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A IGNORÂNCIA E O FANATISMO DE EDUARDO BARROSO


 

EDUARDO BARROSO, UMA VERDADEIRA MÁQUINA DE ANTI-SPORTINGUISMO
 É difícil encontrar no futebol alguém tão sectário, tão parcial e simultaneamente tão ignorante como Eduardo Barroso.

As pessoas comuns que o ouvem na televisão chegam a pensar que não se trata de uma pessoa normal ou então que é alguém completamente transformado quando fala de futebol, porventura por ter acumulado décadas e décadas de frustrações futebolísticas de que já não tem idade para se libertar.

Num programa onde está acompanhado por um provocador nato, que se está positivamente nas tintas para a repercussão que as suas palavras possam ter fora da sua tribo e por um sonso, que apenas procura tirar vantagens de outra ordem, nomeadamente políticas, da sua participação num programa em que o Benfica desempenha um papel meramente instrumental, Barroso pode dar livre curso às suas frustrações, provocações e ódios de estimação porque nenhum dos outros dois está verdadeiramente interessado em o contrariar.

Essa pretensa vantagem de Barroso acaba por ser o seu principal inimigo. Falando como fala, sem contenção, fanaticamente, ele é uma verdadeira máquina de fazer anti-sportinguistas. Pessoas que não sendo adeptas do Sporting e não tendo nenhuma especial antipatia pelo clube tornar-se-ão com muita facilidade anti-sportinguistas militantes depois de ouvirem Barroso no Programa “Prolongamento”.

É caso para dizer que intelectual e emocionalmente ele está ao nível de Dias Ferreira e a léguas da “perspicácia política” de Oliveira e Costa.

No começo do programa da noite passada – e só essa pequena parte tive paciência para ver – disse Barroso que essa coisa de o Eusébio ser um homem da selecção não passa de uma treta. O Eusébio é um símbolo do Benfica e na selecção não fez nada de importante com excepção desses jogos de 66 em que a equipa da selecção era o Benfica mais dois!

Barroso, além de ser “politicamente” uma desgraça, é muito ignorante em coisas do futebol. O que é mais uma prova do seu irreprimível fanatismo, pois, dedicando ele tanto tempo à modalidade, de futebol só “conhece” as fantasias com se deleita recriando a história do “seu Sporting”.

Para sua informação futura: Para participar no campeonato do Mundo de 66 foram convocados 22 jogadores (só mais tarde a FIFA permitiu a escalação de 23 para que as equipas pudessem contar com três guarda redes sem desguarnecer o princípio de haver dois jogadores para cada lugar).

Desses 22 jogadores convocados, 9 eram do Sporting: Carvalho, Peres, Figueiredo, Lourenço, Hilário, Manuel Duarte, Morais, Alexandre Baptista e José Carlos; 7 eram do Benfica: Germano, Cruz, Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e Simões; do Porto, 3: Américo, Custódio Pinto e Festa; do Belenenses, 2: José Pereira e Vicente; e do Vitória de Setúbal,1: Jaime Graça.

Portanto, o Sporting foi o clube que mais jogadores deu à selecção de 66. Certamente que nem todos jogaram, já que, alguns, para jogar, teriam de deixar de fora outros jogadores do Sporting (como era o caso de José Carlos) e outros, os avançados, teriam de colocar na reserva algum ou alguns dos cinco titulares do Benfica. Mas haveria alguém no lote dos 22 que pudesse pôr em causa a titularidade de Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e Simões? Só por incapacidade física de algum deles poderiam os outros atacantes aspirar à titularidade, já que à época – provavelmente Barroso não sabe – não havia substituições. Do Sporting, jogou Carvalho o primeiro jogo e jogaram regularmente Alexandre Baptista, Hilário e Morais, tendo este, tal como Vicente, falhado o jogo contra a Inglaterra por lesão.

Em conclusão: a equipa era constituída por 5 jogadores do Benfica (dos melhores da História do Benfica e dos melhores que havia na Europa, à época); por 3 do Sporting; 2 do Belenenses e um do Vitória de Setúbal.

Ao desqualificar ou, pelo menos, tentar diminuir, o papel de Eusébio na selecção de 66, Barroso demonstra mais uma vez que tem a “inteligência” completamente embotada pelo fanatismo, pois se há algo sobre o qual há um consenso mundial em matéria de futebol esse algo é certamente o papel de Eusébio no Mundial de Inglaterra: as suas exibições fazem parte da História do Futebol!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

EUSÉBIO

EUSÉBIO E PELÉ

EUSÉBIO

 
EUSÉBIO E PELÉ

EUSÉBIO

OBRIGADO EUSÉBIO!
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domingo, 5 de janeiro de 2014

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

BENFICA E PORTO NA 2.ª DIVISÃO EUROPEIA


 

VALE A PENA APOSTAR NA LIGA EUROPA?
 

 
Como a partir da terceira jornada da fase de grupos se esperava, o Benfica e o Porto não se qualificaram para a fase seguinte da Liga dos Campeões.
 
Para o Benfica, a eliminação precoce numa competição onde no passado escreveu as páginas mais gloriosas da sua história não pode deixar de considerar-se uma grande derrota. Pela terceira vez, o Benfica, com Jesus no comando técnico, não logra alcançar a fase seguinte. Apenas uma vez, na era Jesus, o Benfica seguiu em frente. Das restantes transitou para a Liga Europa, onde fez uma carreira regular, mas que ninguém no plano internacional verdadeiramente valoriza, mesmo quando o resultado final dessa participação é a vitória.

A Liga Europa é a segunda divisão das competições europeias, residindo o seu maior interesse na pontuação que nela se pode arrecadar para efeitos de ranking das competições da UEFA. Quanto ao resto – visibilidade, dinheiro, audiências, prestígio – a sua importância é escassa ou quase nula.

A eliminação deste ano, previsível a partir do empate na Luz contra o Olympiakos, é inaceitável, apesar dos dez pontos conquistados, exactamente por ocorrer na época em que o Benfica tem um dos melhores planteis da sua história, depois dos tempos gloriosos de Eusébio, Coluna e C.ª. É certo que o Benfica fez uma grande exibição em Atenas, donde não merecia ter saído derrotado, mas é igualmente verdade que realizou, principalmente na primeira parte, uma péssima exibição na Luz contra esse mesmo Olympiakos, que ganhou por sorte ao Anderlecht em Bruxelas e teve um comportamento deplorável em Paris contra o PSG.

Portanto, os dez pontos do Benfica não são assim tão brilhantes como à primeira vista poderiam parecer. As estatísticas podem dizer que os resultados do Benfica na Champions, com Jesus, são dos melhores que o Benfica conseguiu neste novo formato da prova, mas a realidade que as estatísticas não revelam diz outra coisa. Diz que a melhor participação do Benfica neste novo formato ocorreu com Ronald Koeman, dirigindo uma equipa que, nem de perto, se equiparava em valores individuais aos que este ano estão à disposição do treinador.

Jesus falha, assim, interna e externamente, pela manifesta incapacidade de tirar partido dos excelentes jogadores que tem à sua disposição.

O Porto, também eliminado, teve uma participação deplorável na Liga dos Campeões. Com um plantel reduzido e manifestamente mais fraco que o do Benfica, com um treinador inexperiente e um público muito exigente, suspirando pelos jogadores que não tem, o Porto conseguiu a “proeza” de ser apurado para a Liga Europa com uma das mais baixas pontuações de sempre: cinco pontos!

Com muitas presenças na Liga dos Campeões e de nela já ter feito história, o Porto, este ano, relativamente ao Benfica,  sempre pode apresentar como desculpa para a sua péssima prestação, a perda de dois dos seus mais influentes jogadores e a má vontade com que outros se mantêm no plantel por a direcção ter recusado propostas que, apesar de ficarem aquém das cláusulas de rescisão, eram muito vantajosas para os jogadores em questão, como é o caso de Mangala, Fernando e Jackson Martinez.

Algo de novo está acontecendo para os lados das Antas, pois onde antes se atestava a grande honra e o enorme prazer que era continuar no clube, apesar das solicitações e pretensões externas, ouve-se agora o público desagrado pelas transferências frustradas para clubes com outras potencialidades financeiras.

Depois deste desaire dos dois mais importantes clubes portugueses, a questão que a ambos agora se coloca é se vale a pena a aposta a sério na Liga Europa com as inevitáveis consequências competitivas no plano interno, nomeadamente no campeonato….

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ONTEM, RONALDO FOI EUSÉBIO


 
A SELECÇÃO PORTUGUESA NA FASE FINAL DO MUNDIAL DO BRASIL

Ontem Ronaldo foi efectivamente decisivo para o apuramento da selecção portuguesa de futebol. E nem sequer se pode dizer como alguns insinuaram que a Suécia não é uma grande selecção. A verdade é que a Suécia ficou no seu grupo de apuramento no único lugar a que poderia aspirar: o segundo lugar já que desse grupo fazia parte a Alemanha, com a qual essa mesma Suécia empatou um jogo e perdeu outro pela diferença mínima. Dois jogos nos quais a Suécia marcou nada menos que sete golos à poderosa Alemanha!

Portanto, a exibição de Ronaldo e os golos que marcou são mesmo um feito. Um feito que ficará nos anais do futebol português. E mais vincado ficaria se Ronaldo tivesse marcado o quarto golo, que esteve a centímetros de obter.

Claro que Ronaldo não ganhou sozinho, embora tenha dado um contributo decisivo para a vitória. Mas seria injusto não sublinhar aqui os magníficos passes de Moutinho dos quais resultaram dois golos. Mourinho está para esta selecção e para Ronaldo como o grande Mário Coluna estava para Eusébio e para a selecção portuguesa e o Benfica.

Todos os títulos, todos os encómios iam para Eusébio, mas nada teria sido como foi tanto na selecção como no Benfica se não tivesse havido Coluna. O mesmo se passa com Moutinho. Também vão para Ronaldo – e muito justamente – todos os títulos da imprensa, das rádios e das televisões. Mas nada teria sido como foi, sem Moutinho.

Neste elenco de apreciações individuais, mal ficaria não lembrar aqui a exibição de Rui Patrício, que defendeu, momentos antes do primeiro golo do Ronaldo, uma bola que se tivesse entrado poderia ter dado ao jogo um rumo completamente diferente. E nem sequer é justo culpar Rui Patrício pelo segundo golo. A bola foi batida com muita força, adquiriu grande velocidade, perfurou a barreira e deixou o guarda-redes sem qualquer hipótese de reacção em tempo útil. Como disse Manuel José num programa televisivo ontem à noite, Patrício só com o pé poderia ter tido alguma hipótese de defender aquela bola.

Louros também para Pepe, aqui tantas vezes criticado, que esteve “intratável” e não deixou nunca que pelo seu lado alguém ameaçasse a baliza de Portugal. Bruno Alves, que esteve bem até ao segundo golo da Suécia, falhou na marcação a “Ibra” por ter sido traído pelo sueco que saltou à sua frente. Ou seja, Bruno Alves supôs que o sueco chegaria à bola e depois, ao constatar que não, ficou sem reacção para saltar. Tudo se passou em fracções de segundo, mas foi o suficiente para que o golo tivesse acontecido como aconteceu – remate de cabeça do craque sueco sem oposição.

Finalmente, uma palavra para Paulo Bento. Bento tem mérito na qualificação pela mesma razão que sobre ele recairia todo o demérito se Portugal não tivesse sido apurado para a fase final do mundial. Reconhece-se também a integridade de carácter do seleccionador e sua firmeza de princípios. Mas há em Paulo Bento comportamentos por vezes incompreensíveis. A generalidade da crítica e de todos aqueles que sobre o futebol se pronunciam nas televisões e nos jornais como comentadores, bem como nas redes sociais, são unânimes sobre o momento de forma de Nani. Afastado da equipa principal no Manchester, Nani deixou há muito tempo de corresponder na selecção ao que dele se esperava. Varela, porventura entre outros, estaria certamente em muito melhores condições e já deveria ter merecido a confiança do seleccionador, ou, pelo menos, ter entrado na equipa mais vezes e durante mais tempo no decorrer da segunda parte. Mas isso não acontece, apesar de Nani piorar de jogo para jogo.

Muitos acham que esta opção de Paulo Bento tem como única e exclusiva razão de ser a pública demonstração de que ele como seleccionador não se deixa pressionar por ninguém. É bom que o seleccionador se não deixe pressionar, mas já seria péssimo que o seleccionador não tome as decisões que deveria tomar pelos simples facto de elas estarem a ser reclamadas na praça pública. Essa teimosia não seria sinónimo de inteligência. Pelo contrário, seria prova de falta dela. E nem sequer adianta argumentar, como indirectamente Paulo Bento já o fez, com a afirmação de que ele assume por completo as consequências das suas decisões. E não adianta porque isso de nada vale depois de a asneira estar feita. Que é que todos nós ganharíamos com essa assumpção de responsabilidade por Paulo Bento se Portugal ontem tivesse sido eliminado por fraca prestação de alguns jogadores que ele, teimosamente, recusa substituir?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

GRANDE JOGO NA LUZ E GRANDE VITÓRIA DO BENFICA


 

O PRESIDENTE DO SPORTING É “CASCA GROSSA”
Cardozo: “Jogámos muito bem e merecemos ganhar”

 

Grande jogo de futebol na Luz como há muito se não via entre os grandes rivais de Lisboa. Um jogo de Taça com incerteza no resultado até final, apesar de na primeira meia hora ter parecido que o jogo estava definitivamente resolvido a favor do Benfica.

Notável recuperação do Sporting, com um primeiro golo espectacular e mais dois de bola parada em mais dois inacreditáveis erros defensivos do Benfica. Erros que põem definitivamente à prova a defesa à zona em que Jorge Jesus insiste apesar da evidência da recorrência dos erros em que a defesa do Benfica frequentemente incorre a ponto de tais erros poderem pôr em causa o desempenho da equipa em jogos da máxima importância.

Jorge Jesus não pode nem deve esperar mais para mudar. A derrota em Atenas pôs o Benfica praticamente fora da Liga dos Campeões. Só mesmo um milagre o pode salvar. O segundo e o terceiro golos do Sporting só por acaso não puseram o Benfica fora da Taça de Portugal. O golo do Belenenses pode ter sido fatal para as aspirações do Benfica no Campeonato – a perda de pontos em casa é normalmente irrecuperável.

Se Jesus, ao fazer entrar para o meio campo Ruben Amorim para apoiar os esforços de Matic e Enzo Pérez, tornando a equipa mais compacta e mais competitiva, já foi capaz de demonstrar que era capaz de mudar o sistema de jogo em que insistia fazer jogar a equipa, descurando durante jogos sucessivos o meio campo, deixando sistematicamente um dos dois alas alheado do jogo num completo desperdício da capacidade da totalidade dos elementos em campo, também tem que ser capaz de mudar o sistema da marcação à zona nas bolas paradas, principalmente nos cantos, nem que seja por um sistema misto que simultaneamente guarneça a baliza, defenda homem a homem relativamente aos elementos mais perigosos da equipa adversária, nomeadamente ao segundo poste e mantenha a zona quanto à parte restante da equipa.

Enfim, é inevitável nesta pequena alusão ao que se passou ontem não referir a extraordinária exibição de Cardozo com três magníficos golos marcados no primeiro tempo. Cardozo pelo que já fez desde que recomeçou a jogar é, fora de qualquer dúvida, o elemento mais fundamental da equipa até esta fase da época.

Como já vem sendo hábito com o Sporting, mais uma vez ontem os principais responsáveis culparam o árbitro pela derrota. Antes de mais num jogo tão espectacular como o que ontem se jogou na Luz constitui uma prova de covardia desportiva imputar ao árbitro um resultado que poderia ter pendido para qualquer dos lados. Pode ter havido um ou outro erro da equipa de arbitragem, mas nenhum deles teve qualquer influência no desfecho do jogo. Importância tiveram ou poderiam ter tido os erros defensivos do Benfica nas bolas paradas, dos quais resultaram dois golos para o Sporting e o erro fatal de Rui Patrício que, mais uma vez, brindou os espectadores com um monumental “frango” como há muito não se via em jogos desta importância.

Não desculpa Rui Patrício o facto de o golo ter sido antecedido de uma falta da sua equipa punível com a marcação de uma grande penalidade, porque ninguém poderá assegurar que o árbitro a marcaria e menos ainda alguém poderá garantir que, marcando-a, o Benfica a convertesse.

Procurar justificar uma derrota com um invisível – em bola corrida – off side de Cardozo ou hipotético e, se real, milimétrico, em imagem parada (segundo o critério de quem a pára) é uma imbecilidade que uma inteligência normal tem muita dificuldade em aceitar. Além de que Cardozo não tira nenhuma vantagem dessa hipotética (e, se real, milimétrica) posição, antes pelo contrário. Ou seja, nem sequer os pressupostos racionais da justificação do fora de jogo estão presentes na jogada em causa.

Fora isso parece haver uma falta de um jogador do Sporting sobre Luisão, que os responsáveis leoninos querem transformar em penalty a favor do Sporting. E depois apenas sobra um eventual raspão da bola num braço do jogador do Benfica, sem qualquer intencionalidade, num remate à queima, a curtíssima distância.

Infelizmente, os responsáveis pelo Sporting, a começar pelo treinador que “jurou” não falar sobre arbitragens, pelos vistos apenas quando o beneficiam, passando por alguns jogadores e terminando no presidente não encontraram outra justificação para a derrota que não fosse o árbitro! O presidente mais uma vez passou as marcas e revelou ser aquilo que desde o início da sua presidência se antevia: um “casca grossa”, perigoso pelo clima que cria antes, durante e depois dos jogos, que se assume mais como membro de uma claque composta, como praticamente todas, pelo que de mais negativo existe no futebol, do que como o primeiro responsável por um dos clubes mais prestigiados de Portugal.

 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

DEPLORÁVEL PRIMEIRA PARTE DO BENFICA


 

BENFICA QUASE FORA DA CHAMPIONS
Roberto evitou a tragédia grega na "piscina" da Luz

 

É difícil compreender como uma equipa constituída com os mesmos jogadores do ano passado, mais um conjunto de caríssimos reforços, consegue jogar tão mal como o Benfica jogou na primeira parte no jogo desta noite contra o Olympiakos. Uma equipa sem ideias, sem qualquer fio jogo digno desse nome, sem alguém capaz, uma única vez que fosse, de exprimir uma ideia diferente daquele fastidioso e repetitivo futebol que permanentemente se via: Artur, quando consegue não falhar, passa a Luisão que passa a Garay que devolve a Luisão, que entrega a Matic, que, depois de dar uma volta sobre si próprio, lateraliza para a direita, entregando a Ola John ao qual se junta de imediato Almeida para receber um passe curto com a intenção de repassar um pouco mais à frente ao mesmo Ola John, que ora chega à bola, ora não chega, e quando chega tenta centrar em regra para onde não está ninguém. E esta “brilhante” jogada repete-se vezes sem conta até o espectador, completamente enfastiado, começar a assobiar.

O futebol do Benfica, não apenas neste jogo, mas em todos os jogos desta época, é um futebol repetitivo, sem ideias, nem brilhantismo de qualquer espécie. Os jogadores parece que desaprenderam, principalmente aqueles que o ano passado se exibiram sempre ao mais alto nível. Garay e Matic são uma sombra do que foram e até o esforçado Enzo Pérez está longe do nível exibicional da última época.

Onde está aquele vistoso futebol de ataque que o Benfica começou a praticar no primeiro ano de Jesus como treinador? Onde está esse futebol? Esse futebol que nunca mais foi praticado e foi decaindo época após época, parece ter este ano atingido o ponto zero de espectacularidade e eficiência.

Paradoxalmente, o que esta noite valeu ao Benfica foi o “dilúvio” que se abateu sobre o Estádio da Luz. A impossibilidade de fazer aquele futebol “mastigado” da primeira parte, com falhanços sucessivos da defesa e ineficiência do meio campo, levou a equipa a jogar um futebol directo, de bola para a frente, que aturdiu os gregos e criou múltiplas dificuldades à sua defesa, a começar por Roberto. Num desses lances, como poderia ter acontecido noutros, o Benfica marcou, por Cardozo, e conseguiu o empate.

Um empate que, contrariamente ao que diz Jorge Jesus, é um resultado negativo. Muito negativo. Um resultado que praticamente põe o Benfica, mais uma vez, fora da Liga dos Campeões após os primeiros três jogos da fase de grupos.

Só por ignorância ou “esperteza saloia” se podem considerar idênticos os quatro pontos que neste momento têm tanto o Benfica como o Olympiakos. Os quatro pontos dos gregos foram obtidos fora de casa enquanto os do Benfica foram conquistados em casa. Basta esta simples comparação para imediatamente se perceber que o Benfica só teria garantida a passagem à fase seguinte se ganhasse na Grécia e em Bruxelas. O que com este futebol não acontecerá, seguramente. Além de que o Benfica nunca ganhou ao Anderlecht em Bruxelas e quase nunca alcançou resultados positivos na Grécia, principalmente contra os grandes clubes de Atenas, como se viu em 2008, na Taça UEFA, em que foi copiosamente derrotado por 5-1 por este mesmo Olympiacos que agora vai revisitar.

Enfim, o fraco percurso que o Benfica está fazendo em todas as provas em que participa, aliado  à fraquíssima qualidade exibicional da equipa, deixam antever uma época para esquecer…