segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

BENFICA-PORTO UM TREINADOR NERVOSO E MALCRIADO


 

O PORTO E AS ARBITRAGENS

 

Foi decepcionante para os benfiquistas o empate desta noite na Luz contra o FC Porto. A decepção não decorre tanto do modo como o jogo decorreu, mas das expectativas que os benfiquistas nele punham: uma vitória que os deixaria realmente isolados.

O jogo iniciou-se sob o signo do golo. Em poucos minutos dois golos para cada equipa fizeram supor que a partida poderia terminar com score invulgar. Infelizmente não foi assim e o jogo acabou tal como ficou nos primeiros dezasseis minutos.

Sem embargo, não foi tanto por mérito de ambas as equipas que os golos surgiram, mas por falhas inacreditáveis de ambas as defesas. Se não vejamos: o primeiro golo do Porto resulta de uma falha inconcebível da defesa do Benfica que deixou passar uma bola perfeitamente ao seu alcance. O segundo golo do Porto é simplesmente inacreditável: por muitas que tenham sido as grandes exibições de Artur na baliza do Benfica, o certo é que também tem pautado as suas intervenções com erros e falhas inacreditáveis. O segundo golo Porto é o exemplo acabado do que acabamos de dizer. Por outro lado, o segundo golo do Benfica resulta também de um falhanço inaceitável de Otamendi.
 
Golo, grande golo, apenas o de Matic, que foi sem dúvida o homem do jogo. Não apenas pelo golo, mas pelo que jogou e fez jogar durante todo o jogo.

Dito isto, tem de reconhecer-se que o Porto colectivamente esteve melhor do que o Benfica. Não que o Benfica tenha estado mal, o que esteve foi abaixo do seu nível médio e da eficácia que os seus adeptos esperavam.

A vitória poderia ter caído para qualquer dos lados, embora tivesse sido o Benfica, do ponto de vista das oportunidades perdidas, que mais perto esteve dela. Aos setenta e oito minutos Cardozo que tão endeusado tinha sido durante a semana e até antes do jogo, acabou por perder a oportunidade mais flagrante de toda a partida: isolado perante Helton atirou para o pior lado permitindo ao guarda-redes do Porto uma excelente defesa.

No fim, frustração de ambas as partes. Do lado do Benfica pela não concretização das expectativas existentes; do lado do Porto, por se ter deparado durante o jogo com facilidades bem superiores às esperadas.

A arbitragem esteve no essencial bem e equilibrada. Do ponto de vista técnico pode ter havido dois off sides mal assinalados ao Porto, embora em ambos os casos a decisão tenha porventura errado por poucos, pouquíssimos, milímetros. Do ponto de vista disciplinar, João Ferreira poderia ter transformado facilmente o jogo numa partida de futebol muito nervosa e quase incontrolável. Bastava que tivesse mostrado muito mais cedo o cartão amarelo a Moutinho, que fez mais do que um terço de todas as faltas do Porto, e expulsado ou, no mínimo, advertido Mangala por entrada brutal sobre Cardozo.

Não o fez e fez bem. Como fez bem não ter mostrado o segundo amarelo a Maxi no fim do jogo ou a Matic por volta do minuto oitenta.

As declarações do treinador do Porto são claramente de um homem nervoso, que se sente inseguro no lugar que ocupa, e que se presta a todos os fretes que o “grande Chefe” lhe exige, mesmo que para isso tenha de recorrer à ordinarice e ao ridículo. Foi o que aconteceu esta noite ao recusar participar na conferência de imprensa com total desprezo pelos jornalistas presentes...que, de resto, não se queixam. Enfim, eles lá sabem poquê...

Minutos mais tarde, o “grande Chefe” veio atacar a arbitragem com a sua costumada conversa ordinária sempre que não a pode controlar.

Quando o "grande Chefe" ou os seus apaniguados, sejam eles comentadores ou jornalistas, criticam a arbitragem ou atacam com ferocidade a crítica isso significa que o Porto (ainda) não controla esses árbitros ou esses jornalistas desportivos.  De facto, são raros os árbitros e os jornalistas que o Porto ataca…raridade obviamente pelas piores razões.

Só a grande falta de vergonha do “grande Chefe” e dos seus apaniguados lhes permite falar de arbitragem!

O treinador do Benfica abordou jogo e falou sobre ele de modo completamente diferente, quer quanto ao jogo quer quanto à arbitragem, quer mesmo quanto à equipa adversária cuja prestação começou por elogiar logo no início da sua intervenção.

Lá mais para Maio/Junho perceber-se-á se esta é uma estratégia do Benfica quanto à arbitragem ou de Jorge Jesus. E talvez se perceba também por que razão o treinador do Porto estava tão nervoso e malcriado…

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

MESSI O MELHOR DE SEMPRE


 
DEL BOSQUE O PRIMEIRO ENTRE OS TREINADORES
Messi gana su cuarto Balón de Oro

 

Sem surpresa o melhor jogador de todos os tempos, Leonel Messi, ganhou a Bola de Ouro pela quarta vez consecutiva.

Se fisicamente nada de anormal se passar, Messi continuará a somar títulos nos anos que vem. Nunca o futebol conheceu na sua história um jogador como Messi.

Ronaldo é um grande jogador, um extraordinário atleta, mas teve o azar (sorte para o futebol) de ser contemporâneo de Messi.

Entre os treinadores Vicente Del Bosque ganhou o que se pode chamar um prémio de carreira. Uma carreira brilhante ao serviço do Real Madrid – duas Ligas dos Campeões, dois campeonatos, uma Super Taça de Espanha, uma Super Taça Europeia, um Mundial Interclubes – e da Selecção Espanhola – um Campeonato de Mundo e um Campeonato da Europa.

Mourinho, apesar da vitória do campeonato de Espanha, não ganhou. Guardiola, que só fez meio ano, também foi preterido apesar de tudo o que de novo trouxe ao futebol – um estilo de jogo que não existia antes dele e que agora perdura no extraordinário Barcelona de Tito Villanova.

Nas notas à margem da cerimónia e das votações dos diversos intervenientes (capitães, treinadores e jornalistas) fica a nota desagradável de Messi não ter feito no discurso da vitória uma referência a Cristiano Ronaldo. Não lhe serve de desculpa, antes pelo contrário, Ronaldo ser em regra mal-educado neste género de cerimónias. A sua classe como jogador exigia e impunha uma outra atitude. Igualmente lamentável, como capitão da selecção da Argentina, não ter na votação do “melhor do mundo” dado um único ponto a Ronaldo. Essa falta é a confissão de que Ronaldo é, depois dele, o melhor. E parece ter sido isso o que ele quis dizer na conferência de imprensa conjunta em que tentou explicar o sentido do seu voto.

Do lado de Ronaldo, como capitão da selecçã,o assistiu-se àquela "soloice" de entregar a responsabilidade do voto a Bruno Alves…por Ronaldo ter um golpe no sobrolho. Incrível. E claro Bruno Alves (o capitão de ocasião) ignorou Messi, o que igualmente significa que ele é o melhor de todos.

Paulo Bento, embora tendo votado em Cristiano Ronaldo, deu um voto a Messi, claramente para apaziguar a consciência, e Joaquim Rita colocou o argentino em segundo lugar atrás de Ronaldo…

Para os treinadores, os três portugueses com direito a voto – Bruno Alves, Paulo Bento e Joaquim Rita - elegeram Mourinho, tendo os dois últimos atribuído pontos ao vencedor – Vicente del Bosque…que não votou em nenhum português.

Mourinho, como já se sabia, não esteve presente na cerimónia. Mourinho não sabe perder…Nada mais há dizer.
No onze do ano, domínio absoluto da Liga Espanhola. Empate entre o Barça e o Real Madrid, com cinco cada, mais Falcao do Atlético de Madrid.

domingo, 9 de dezembro de 2012

A QUESTÃO DO ADIAMENTO DO SPORTING-BENFICA


A ARGUMENTAÇÃO DE OLIVEIRA E COSTA



Uma discussão imbecil decorre neste momento na RTP Informação num programa desportivo sobre o adiamento do jogo entre o Sporting e o Benfica.
 
O representante do Sporting, Sr. Oliveira e Costa, entende que o Sporting formulou junto da Liga um pedido de adiamento que não foi atendido, porque o Benfica não deu o seu assentimento ao adiamento. Portanto, o não adiamento do jogo ficou a dever-se exclusivamente ao Benfica.
 
O representante do Benfica afirma que o Benfica não foi ouvido nem formalmente contactado para o efeito. O do Sporting insiste que a Liga só respondeu negativamente depois de ter ouvido o Benfica.
 
Como toda a gente se recordará, o Sporting supunha que poderia adiar o jogo. E até foi muito categórico a esse respeito, ameaçando não estar presente se o jogo fosse marcado. Depois percebeu que os regulamentos não davam qualquer apoio à sua pretensão e mesmo assim continuou a insistir no pedido de adiamento.
 
É claro que o adiamento só seria possível se o Benfica desse a sua anuência, sendo para isso necessário que o Benfica tivesse sido formal e protocolarmente contactado. Ora o Sporting não fez qualquer diligência nesse sentido. Portanto, se não fez, tem que aceitar como facto natural a decisão da Liga por ser conforme aos regulamentos.
 
Se a Liga ouviu ou não o Benfica é algo perfeitamente irrelevante. Provavelmente a Liga falou com o Benfica, mas mesmo que isso tenha acontecido o mais natural é que o Benfica lhe tenha respondido o que qualquer entidade responsável responderia. Ou seja: não temos conhecimento desse pedido de adiamento; o Sporting não falou connosco!
 
E só assim se compreende que a Liga não tenha na resposta dada ao Sporting feito qualquer alusão ao Benfica. Não fez nem tinha que fazer, dando de barato que tal contacto tenha existido. Por uma razão muito simples: é que quem tinha de contactar formalmente o Benfica era o Sporting e não a Liga.
 
Esta discussão imbecil mostra mais uma vez como actua o sr. Oliveira e Costa. Que princípios regem a sua conduta e que tipo de comportamento ele é capaz de pôr em prática na defesa dos seus pontos de vista. E está tudo dito…

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

MESSI E ARTUR


MESSI JOGA SOZINHO?

 

A imprensa espanhola continua a dar o maior realce à putativa lesão de Messi, deixando implícito pelo teor dos artigos que tem publicado que ninguém pode tocar no astro argentino. Certamente que Messi tem de ser protegido, segundo as leis do jogo, exactamente nos mesmos termos em que devem ser defendidos os demais jogadores.

É certo que determinados jogadores pelo protagonismo que adquiriram em campo, mercê da sua classe, podem ser alvo da violência ostensiva ou disfarçada de outros praticantes, quer como único processo eficaz de os travar,  quer como processo intimidatório relativamente a jogadas futuras. E os árbitros devem estar particularmente atentos a essas situações, antes de mais por serem contrárias às leis do jogo, mas também por serem premeditadas e nada terem de casuais. É nesse sentido, e apenas nesse, que vale a ideia de que os “grandes artistas” devem ser protegidos.

Mas nada disso obsta a que contra esses jogadores os adversários joguem como costumam jogar contra qualquer outro. E o futebol, como se sabe, é um desporto de choques permanentes, susceptíveis de ocasionar lesões, sem que daí decorra qualquer punição para qualquer dos contendores ou sequer qualquer responsabilidade, nem mesmo no plano moral.

Quem viu o jogo entre o Benfica e o Barcelona sabe perfeitamente que o choque entre Messi e Artur foi um choque perfeitamente normal entre o jogador que caminha isolado para a baliza e o guarda-redes que pretende evitar o golo de modo completamente legal.
 
Foi o que sucedeu: Messi tentou passar Artur e este conseguiu com uma notável intervenção desviar a bola com a mão impedindo Messi de prosseguir isolado em direcção à baliza. Foi Artur que chocou com Messi? Só por demagogia se poderia afirmar tal coisa. E por que não o contrário? Aliás, num tecnicista da categoria de Messi exigia-se mais naquela jogada. Exigia-se que tivesse sabido contornar Artur. Mas daí a imputar-se a responsabilidade a Messi pelo choque também vai uma grande distância que ninguém de boa-fé pode transpor. O choque não é da responsabilidade de nem de outro jogador. É uma situação perfeitamente normal num jogo de futebol.

Por isso é completamente ridícula, para não dizer outra coisa, a imputação que a imprensa espanhola, mesmo a de Madrid, tem feito a Artur a propósito da jogada com Messi, equiparando-a ou pondo-a no mesmo plano de certas “patadas” que o craque argentino tem sofrido em Espanha. Quando se exagera cai-se com facilidade no ridículo.
Deve ainda ddizer-se que neste plano se progrediu muito no futebol. Que o diga Maradona que foi vítima de entradas brutais  durante a sua carreira, como antes dele tinha sido Eusébio e outros. Hoje, para bem do futebol, isso já não é possível.

 

 

LIGA DOS CAMPEÕES


 

O DESPREZO ESPANHOL
O argentino Lionel Messi caiu no gramado e deixou os torcedores preocupados

 

Mais importante do que o jogo entre o Barcelona e o Benfica em Camp Nou foi o modo como a imprensa espanhola o tratou. Sobre o Benfica e sobre o jogo em si praticamente não se falou, fosse o jornal, generalista ou desportivo, de Barcelona ou de Madrid.

Entre eles pode haver guerras, serem uns aparentemente muito soberanistas e outros exageradamente centralizadores, mas quando se trata do estrangeiro são todos espanhóis.

Ainda ontem assim aconteceu. O Benfica fez um bom jogo em Barcelona contra uma equipa em que não alinharam algumas das principais vedetas, mas em que participaram muitos dos que normalmente jogam na equipa principal, sem que isso constitua desculpa para quem quer que seja, como também não serviu o facto de no último duelo contra o Real Madrid, o Barcelona ter alinhado com uma equipa que estava longe de constituir a sua melhor formação.

Além de ter feito um bom jogo, o Benfica desfrutou de várias oportunidades de golo que só por inépcia não concretizou. Aliás, uma delas constitui uma grave violação de um dos princípios fundamentais de futebol – o colectivo vale mais do que qualquer individualidade. O que conta no futebol são os triunfos da equipa, sendo meramente secundários e sempre subalternizados os triunfos individuais. É por isso que não tem desculpa o comportamento de Rodrigo, causador de um grave dano ao clube pelo qual tem de ser desportivamente responsabilizado.

Pois bem, a imprensa espanhola ignorou o jogo e o Benfica para se concentrar exclusivamente na “lesão” de Messi. Como toda a gente sabe, Messi lesionou-se, felizmente sem gravidade, sozinho ou num choque com Artur que ele não soube ou não quis evitar. Um lance puramente casual, insusceptível de imputação a quem que seja, salvo ao próprio lesionado. Mas tal lance foi suficiente não apenas para que a imprensa esquecesse o jogo, como também para apelidar de duro o jogo do Benfica. Acusação sem qualquer fundamento, já que se dureza houve ela ficou a dever-se a Adriano, que deveria ter sido expulso. É certo que houve também uma entrada mais ousada de Luisão que foi punida com cartão amarelo e uma outra de Matic semelhante a tantas outras que acontecem durante os jogos. Em conclusão: não houve dureza nenhuma, nem o jogo alguma vez correu o risco de descambar num mero confronto físico entre os jogadres.

Bem, mas o facto de o Benfica ter feito um jogo interessante, de poder ter ganho e outras coisas mais, de forma alguma pode servir de compensação ou fazer esquecer a má campanha que a equipa fez na fase de grupos da Liga dos Campeões. O percurso do Benfica foi um fracasso que o empate em Camp Nou de forma alguma desculpa. Oito pontos na fase de grupos é muito pouco. É, como se viu, uma pontuação insuficiente para a qualificação.

O empate em Glasgow e a derrota em Moscovo são, como logo se disse, resultados altamente comprometedores, que somente com o auxílio de terceiros poderiam permitir a passagem à fase seguinte. Como isso não aconteceu, o Benfica baixa à Liga Europa onde encontrará seguramente equipas bem fortes, contra as quais não terá quaisquer hipóteses se jogar como jogou em Moscovo.

O Porto, pelo contrário, passou folgadamente a fase de grupos, qualificando-se, podendo até ter terminado em primeiro lugar não fora um inacreditável “frango” de Helton. Já o Braga foi decepcionante, repetindo erros que deixam supor deficiências de orientação técnica. Ficou em  ultimo lugar no seu grupo, com apenas uma vitória fora e cinco derrotas, três em casa e duas fora.

 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

MOURINHO: FIM À VISTA NO REAL MADRID



UM DESFECHO ESPERADO

 

Desde a primeira hora se disse neste blogue que a passagem de Mourinho pelo Real Madrid iria ser muito diferente dos seus anteriores percursos no Porto, no Chelsea e no Inter de Milão.

Mourinho não percebeu que o Real Madrid era um clube com uma especificidade muito própria, alicerçada numa prática vitoriosa centenária, incapaz de se vergar à idiossincrasia de um treinador, por mais méritos e sucessos que esse treinador exibisse como obra exclusivamente sua.

Mourinho não percebeu, ou, tendo percebido, convenceu-se, dominado pela sua egolatria, que até o grande Real Madrid se vergaria aos seus mais que discutíveis processos. E quando começou a constatar que as coisas se não passariam exactamente como ele tinha previsto e desejado, tratou de imputar a ausência de vitórias à impossibilidade de pôr em prática os seus métodos, procurando com esta estratégia criar, dentro e fora do clube, um clima que favorecesse todas as suas exigências. Mas também aqui Mourinho se enganou. O Madrid histórico, orgulhoso do seu passado e cioso da sua maneira de estar no futebol, não só não cedeu às exigências de Mourinho, como abriu relativamente a ele uma clivagem que o andar dos tempos e as subsequentes atitudes do treinador só fizeram agravar cada vez mais. Do lado de Mourinho ficou apenas a famigerada claque do topo sul, arruaceira e nada recomendável pelas suas simpatias nazis.

Todavia, Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, cedeu mais do que porventura contava, mas não cedeu tanto quanto Mourinho pretendia, tendo inclusive condicionado a satisfação das últimas exigências de Mourinho a uma vitória de vulto, o mesmo é dizer, da Liga dos Campeões.

De facto, foi para quebrar a hegemonia do Barcelona, no plano interno, e para reganhar a hegemonia do Real, no plano internacional, que Mourinho foi contratado. Até à data, ao cabo de quase três anos de permanência no clube, Mourinho não conseguiu uma coisa nem outra.

No plano interno, é certo que ganhou uma Liga, embora entre muitos dos adeptos do Real Madrid não haja a certeza se não foi o Barcelona que a perdeu, dúvida que a presente temporada tende indiscutivelmente a consolidar.

No plano internacional, é certo que o Real Madrid chegou nas duas última épocas a uma fase donde há quase uma década estava arredado, mas - e isso é que importa – perdeu a Liga dos Campeões para o Barcelona e para o Chelsea. Na presente temporada, apesar da fraca prestação na fase de grupos, ainda está tudo em aberto, sendo certo que Mourinho tudo fará para ganhar a Liga dos Campeões, no que é seguramente acompanhado, posto que por opostas razões, pelos craques do Real que também quererão demonstrar, agora mais do que nunca, que não foi por culpa deles que o treinador não obteve os êxitos que o presidente e a afición esperavam. Com esta vitória na bagagem, Mourinho partiria certamente depois de tudo o que se passou. E sem ela partirá também, embora por pressão da direcção.

O problema de Mourinho é conhecido: por um lado, é dominado por um espírito antidemocrático que o leva a não aceitar qualquer opinião ou posição que contrarie as suas convicções. Mourinho não se impõe pela persuasão, nem pelo convencimento daqueles que dirige, mas pela exigência de uma obediência cega que ele depois gratifica e recompensa com o mesmo espírito com que  qualquer ditador premeia os seus acólitos. E há sempre, tanto no futebol como em qualquer outra actividade, gente disposta a abdicar da sua dignidade para cair boas graças do chefe e ser por ele “paternalmente” recompensado; mas há também, felizmente, quem não abdique dela por entender que a disciplina que o futebol exige é compatível com a individualidade e a personalidade de cada um.

E foi essa lição que os espanhóis do Real Madrid, a que juntaram alguns outros jogadores de outras nacionalidades, souberam dar a Mourinho. Duas vezes campeões da Europa e campeões do Mundo, eles sabem que o seu indiscutível valor não conflitua com a defesa da sua autonomia enquanto cidadãos.

É, porém, mais duvidoso que Mourinho tenha aprendido a lição. As suas últimas exigências - contratação de um porta-voz que secunde e amplifique as suas posições, nomeadamente nas críticas aos árbitros, aos adversários e aos próprios jogadores; atribuição à sua pessoa de um poder disciplinar de natureza ditatorial sobre o plantel e todas as demais pessoas ligadas ao futebol; contratação de dois ou três jogadores manifestamente destinados a substituir as actuais glórias do Real Madrid e da selecção espanhola que mais se opuseram aos métodos de Mourinho – as suas últimas exigências, dizíamos, deixam entender que Mourinho não sabe trabalhar de outra maneira, mostrando-se totalmente incapaz de contornar ou evitar conflitos sempre que a realidade se opõe aos seus processos.

Educado na pior “escola do futebol português” na qual o que conta é a vitória qualquer que seja o meio para a conseguir, Mourinho ainda vai ter mais dissabores na sua vida profissional se teimar na institucionalização de processos que a generalidade das pessoas rejeita.

O segundo problema de Mourinho tem a ver com as suas concepções técnico-tácticas, embora se trate de um problema intimamente relacionado com o anterior. O futebol de Mourinho é pouco atractivo e adapta-se com mais facilidade a equipas sem uma grande tradição de vitórias do que a equipas grandes que aliam a uma tradição vitoriosa o gosto pelo espectáculo. Em Espanha, treinando um grande clube, Mourinho experimentou problemas de dois tipos. Por um lado, soçobrou durante mais de época e meia face ao futebol do seu grande rival (Barcelona) e por outro demonstrou uma dificuldade inesperada perante equipas pequenas que se fecham na defesa.

Contra o Barcelona demorou mais de dezoito meses a encontrar o antídoto (jogar com as linhas muito baixas e privilegiar o futebol directo para tirar partido da velocidade de Cristiano Ronaldo), tendo-se deparado, para surpresa sua, com a forte oposição tanto da afición esclarecida, como dos jogadores, que discordavam liminarmente da assunção desta atitude “menorista” por parte de uma equipa com os pergaminhos do Real Madrid.

Contra as equipas menores que se fecham na defesa, Mourinho tem igualmente revelado grandes dificuldades, queixando-se os jogadores da ausência de esquemas tácticos eficazes para superar estas situações. Dizem os jogadores que privilegiando Mourinho o futebol vertical acaba por não dotar a equipa para o tipo de situações mais frequentes na Liga espanhola, que são exactamente aquelas em que, por força da debilidade das equipas adversárias, tal futebol não pode ser aplicado.

Tudo se encaminha, portanto, para uma saída pouco gloriosa de Mourinho do Real Madrid. Mas atenção: a época ainda não acabou…

 

domingo, 11 de novembro de 2012

PEDRO PROENÇA É UM ÁRBITRO SÉRIO?


O SPORTING GANHA AO BRAGA COM PEDRO PROENÇA

A dúvida tem toda a razão de ser. Pedro Proença é o árbitro mais prestigiado do futebol português a nível internacional. Já apitou finais europeias de clubes e de selecções e tudo corre bem. Exageradamente bem, se o termo é permitido. A sua equipa, no estrangeiro, chega a assinalar correctamente off-sides de dois ou três centímetros. Fantástico!
 
Em Portugal, principalmente nos jogos em que intervém o Benfica, se o adversário for o Porto, é uma lástima. Vamos dizer lástima, e não vergonha, porque Proença é um árbitro muito prestigiado internacionalmente. Em Portugal tem azar! Não vê off-sides de metro e meio, dois metros, assinala penalties que só ele vê. Expulsa jogadores por faltas insignificantes, sempre em benefício, directo ou indirecto, do mesmo clube. Mas também costuma apitar o mal o Sporting se o adversário for o Porto. Que estranha coincidência!
 
Hoje num jogo absolutamente vital para o Sporting e importante para o Braga, como grande equipa portuguesa e europeia que é, Proença não teve dúvidas em anular um golo ao Braga descortinando uma falta que até agora ninguém conseguiu ver.
 
Que dizer depois disto? Que o Sporting ganhou – e não se sabe se ganharia ou não se o golo de Alan tem sido validado-, que o Braga perdeu e que Rui Patrício fez uma grande exibição. Numa noite menos feliz, o Sporting teria perdido por vários, apesar de ter tido uma ligeira evolução positiva. O que será do Sporting esta época ver-se-á depois, embora esta vitória tenha sido muito animadora.
 
Os comentadores do Porto acham que tem de se dar o benefício da dúvida a Proença, porque embora não seja muito visível a falta também não se pode dizer que ela não existiu. Ora aqui está um comentário inteligente de quem não brinca em serviço. Os do Sporting acham que o campeonato que o Sporting perdeu na Luz a três jornadas do fim é o “campeonato Paulo Parati”. Ora ai está uma resposta bem ao nível da gente que, de dentro e de fora, tem dirigido o Sporting nesta última meia dúzia de anos. Quem hoje voltar a ver esse famoso golo de Luisão imediatamente percebe que Ricardo é batido normalmente e que os protestos do guardião do Sporting se referem a uma mão do central benfiquista. É contra esta mão - e o gesto de Ricardo é elucidativo -, que não existiu, que os protestos do Sporting começaram. Depois, o resto é conversa fiada daqueles que puseram o Sporting na situação em que se encontra.
 
Antes do Sporting, o Benfica, jogando mal, muito mal na segunda parte, ganhou por 1-0 em Vila do Conde, com golo de Lima no minuto de compensação da primeira parte. É confrangedor ver que os jogadores do Benfica têm falhas de recepção inaceitáveis para o seu nível de vencimentos (ordenados) e idênticas falhas de passe. Já vem acontecendo isso há vários jogos e assim o Benfica vai voltar a decepcionar os seus adeptos mais tarde ou mais cedo. Hoje valeu-lhe Artur e os centrais que jogaram muito bem. Ola John continua a jogar bem e mostra pela forma como trata a bola e como “vê” o jogo que tem formação. Uma formação que lhe apurou a técnica e a cultura táctica, muito ao nível do que se costuma fazer na Holanda.
 
O Benfica continua à frente juntamente com o Porto que venceu com dificuldade em Coimbra (2-1), embora se perceba que tem mais futebol do que o Benfica. Pode ser que o Benfica melhore, mas não deixa de ser irónico que esta seja uma das melhores épocas de Jorge Jesus no Benfica…jogando o pior futebol. É certo que o Benfica tem tido lesões no meio-campo que é o sector que sofreu perdas mais difíceis de substituir  e até de esquecer. E esta luta corpo a corpo que tem mantido com o Porto tem de ser creditada ao treinador do Benfica que viu o seu plantel reduzido de forma a afectar a estrutura da equipa. A dúvida está em saber até onde pode ir esta equipa, principalmente no plano interno, já que internacionalmente as hipóteses são quase nulas.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

BENFICA GANHA, MAS FICA LONGE DO APURAMENTO


 
AS TÁCTICAS DE JESUS

 

O Benfica venceu esta noite o Spartak de Moscovo por 2-0 com golos de Cardozo. Esta vitória pode constituir um passo importante para o acesso à Liga Europa (a segunda divisão europeia), mas dificilmente contribuirá para a passagem aos quartos de final da Liga dos Campeões.

Jesus diz que o Benfica está a fazer um percurso dentro da normalidade. O treinador do Benfica acha que, em quatro jogos, perder um em casa e ganhar outro e empatar fora um jogo e perder outro é um percurso normal. É de facto espantoso que tal afirmação tenha sido feita. O que Jorge Jesus não disse é que ele neste percurso não estava a contar apenas com o resultado dos jogos do Benfica, mas também com o resultado dos outros jogos, nomeadamente com os resultados do Barcelona.

E é exactamente por ter entrado em linha de conta com o que não dependia dele que o Benfica está agora na situação de praticamente ter perdido o apuramento para os oitavos de final. O Benfica tinha obrigação de ganhar em Moscovo se queria concorrer directamente com o Celtic para aquele apuramento. Foi isso que o Celtic fez: contou apenas consigo, ganhando em Moscovo e ganhando hoje ao Barcelona.

Para que o Benfica se apurasse seria necessário ganhar ao Celtic e esperar que o Spartak vá a Glasgow ganhar, já que não parece nada provável que o Barcelona perca o último jogo contra o Benfica, quer, nessa altura, esteja ou não apurado.

E não parece nada provável, porque dos três adversários do Barcelona, o Benfica foi o que menos dificuldades lhe levantou. O Spartak marcou dois golos em Camp Nou, esteve a ganhar, e foi com muita dificuldade que o Barcelona virou o resultado. O mesmo se diga do Celtic, que em Barcelona também perdeu pela margem mínima, mesmo no fim do jogo e que hoje na Escócia ganhou por idêntico resultado. O Benfica, pelo contrário, no jogo contra o Barcelona andou o tempo todo a correr atrás da bola.

Bem, no jogo desta noite o Benfica terminou a primeira parte empatado a zero com uma dupla atacante – Lima e Rodrigo – pouco produtiva e com um Sálvio manifestamente desinspirado e um Ola John com muito pouco jogo.

Na segunda parte tudo mudou: Cardozo entrou para o lugar de Rodrigo e pouco depois marcou um golo. Um golo que o árbitro anulou indevidamente. Fá-lo-ia a seguir por duas vezes e ainda poderia ter marcado mais se não tivesse falhado um penalty e desperdiçado duas oportunidades.

A justificação de Jesus para não ter metido Cardozo de início – Cardozo o melhor marcador da equipa – é caricata e só serve para demonstrar que o treinador do Benfica não respeita o espectador. Dizer que Rodrigo jogou para inviabilizar a construção ofensiva do Spartak é uma rematada mentira, como qualquer pessoa que reveja o jogo facilmente constatará. O que se passa é que Jesus errou como tantas vezes tem acontecido por não olhar para os jogos e para os jogadores com objectividade, antes se fiando em "fèzadas" ou em qualquer outra irracionalidade.

Haja em vista o que se passa com Ola John, um extremo excepcional, elegante, criativo, jogando para a equipa e que o Jesus ainda não tinha posto a jogar por razões puramente subjectivas, ou seja, por razões que nada tem a ver com o rendimento do jogador. Assim como não se compreende a insistência em Salvio durante o jogo todo, em detrimento de Gaitan, quando toda a gente vê que Salvio não está em forma há muito mais de um mês, o mesmo se passando com Maxi que está criando problemas contínuos à defesa do Benfica.

Em resumo: o Benfica ganhou bem, embora no primeiro tempo tenha jogado pouco. Teve na segunda parte várias oportunidades, mas vê-se que é uma equipa com fragilidades. Portanto, a classificação na Champions está em linha com a sua real valia. O Benfica tem uma equipa que para as lides internas tem sido, para já, suficiente para levar de vencida as dificuldades que tem encontrado, mas que no plano internacional fica àquem do desejável.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

OS OBJECTIVOS DE EDUARDO BARROSO


 

O SPORTING SOFRE AS CONSEQUÊNCIAS DAS SEITAS QUE O INFESTAM
 

 Eduardo Barroso é um caso típico do Sporting da actualidade. De um Sporting dominado por um conjunto de seitas,  de incompetentes, de petulantes, que vergonhosamente se exibem nas televisões, nos jornais e na rádio, sempre desejosos de um protagonismo que nada, absolutamente nada, da sua passagem pelo futebol justifica ou recomenda.   
Claro que o Sporting tem um problema de classe, um típico problema classista, de desadequação do clube às realidades dos nossos dias.

Toda essa gente que infesta o Sporting e lhe propaga os vícios de que ela própria padece, se tivesse um mínimo de respeito pelo clube, se tivesse um pingo de sportinguismo, afastava-se definitivamente e deixava que gente que ninguém conhece, mas seguramente competente que o Sporting tem, tomasse conta do clube, o modernizasse e o gerisse de acordo com as exigências do nosso tempo.

Assim, com esta gente, o Sporting, aos objectivos de Eduardo Barroso – entrada directa na Liga dos Campeões, Taça Europa, Taça de Portugal e Taça da Liga – vai ter de juntar um outro: a luta pela manutenção.

Que o Sporting se “desfaça” dessas seitas, dessa gente que mediaticamente o representa, o mais rapidamente possível e acredite num outro tipo de pessoas que realmente estejam à altura dos pergaminhos do clube.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O BENFICA DEIXOU DE SER UM CLUBE DEMOCRÁTICO?




 
TUDO INDICA QUE SIM
 
 

A campanha eleitoral para a presidência do Benfica tem decorrido ao mais baixo nível, obviamente por culpa do presidente em exercício e da maior parte da gente que o acompanha. Desde Rui Gomes da Silva, uma presença televisiva que envergonha os benfiquistas passando pelo manipulador, vendedor de lixo televisivo, Moniz, até alguns outros personagens que nem merecem citação, tudo na actual nomenklatura benfiquista é mau demais para poder continuar num novo mandato.

De Vieira o que se pode dizer? Que endividou o Benfica a níveis jamais conhecidos na sua história comprometendo gravemente o futuro do clube; que frequentemente envergonhou os benfiquistas nas suas declarações públicas, arrogantes e inconsequentes; que é o alvo da chacota do presidente do clube rival; e que se deixa enganar pelos múltiplos agentes disfarçados de Pinto da Costa que não perdem uma ocasião para alcançarem com o seu apoio os lugares que de outro modo não conseguiriam. Pior que tudo isto, se é que há pior, é arrogância antidemocrática que passou a imperar no Benfica desde que Vieira chegou à presidência do clube. As tradições democráticas do Benfica mantidas com sageza pela cultura popular do clube, principalmente durante os tempos difíceis da ditadura, foram gravemente adulteradas pela presença de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica.

O modo como o presidente do Benfica se apropriou do clube, fazendo dele coisa sua, a ponto de injuriar e tentar por qualquer meio afastar qualquer opositor, não apenas desta vez, mas sempre que alguém ousou disputar-lhe democraticamente a presidência, constitui uma vergonha que a história do clube não pode aceitar que se mantenha por mais tempo.

Se no plano político e social o consulado de LFV representa a descaracterização do Benfica, ele também não tem nada para oferecer aos milhões de benfiquistas no plano desportivo. Dois campeonatos em onze anos, uma Taça de Portugal e milhões e milhões de euros gastos em jogadores e em treinadores é uma contabilidade que ninguém pode ter por boa. Se é certo que o Benfica tem um estádio novo e um centro de estágio também não é menos verdade que tem um passivo que ronda os seiscentos milhões de euros. É muito, muito pouco. Está na hora de mudar!

 

 

LIGA DOS CAMPEÕES



OS OUTROS JOGOS
 

 

Dentre as equipas portuguesas há a destacar a excelente exibição do Braga na primeira parte em Manchester. Não há equipa em Portugal mais segurança no passe e recepção do que o Braga. Dá gosto ver o modo como o Braga desenvolve uma jogada de contra-ataque, bem como ver girar a bola entre os seus jogadores num futebol objectivo e de grande qualidade. Nenhuma outra equipa tem em Portugal exibe um futebol tão vistoso e atraente.

Foi uma pena que não tivesse segurado a vitória ou, pelo menos, o empate, sendo qualquer um destes resultados amplamente merecidos. As deficiências do Braga deste ano são fundamentalmente de marcação. De posicionamento defensivo. A equipa sofre demasiados golos em situações que não são assim tão difíceis de evitar.

Apesar da derrota em casa contra o Cluj, o Braga mantém intactas as possibilidades de se qualificar. E provavelmente qualificar-se-á.

Já o Porto, com três vitórias nos três primeiros jogos, tem a qualificação praticamente garantida. A vitória desta noite contra o Dínamo de Kiev demonstrou que o Porto tem força na Europa, apesar de o seu futebol estar muito longe de corresponder aos resultados obtidos. Não foi um grande jogo, o Porto não tem uma grande equipa, mas chega para o que se lhe pede. Chega em Portugal, como se verá e vai ser suficiente para na Europa seguir em frente até uma fase honrosa.

Nos demais jogos, sobressai a derrota do Real Madrid em Dortmund, contra o Borússia. O Real Madrid perdeu por 2-1, mas poderia ter perdido por mais se o árbitro não lhe tivesse perdoado duas grandes penalidades evidentes, uma cometida por Pepe, aliás responsável pelo primeiro golo dos alemães, outra por Xabi Alonso. Desta vez Mourinho não vai certamente culpar o árbitro. Ronaldo marcou o golo do Real, mas o mérito todo vai inteirinho para esse extraordinário jogador que é Özil – o tal que Mourinho já pôs de “quarentena” por mais de uma vez. É mesmo preciso não apreciar o futebol como uma arte para censurar publicamente um dos melhores jogadores do plantel e seguramente o mais talentoso.

O outro grande de Espanha, ou melhor da Catalunha, ganhou ontem à tangente ao Celtic, quase nos momentos finais. Por um triz o Celtic teria acabado com as hipóteses de qualificação que os responsáveis benfiquistas ainda tentam fazer crer que têm. Mas não adianta continua a insistir num tema sobre o qual dentro de muito pouco tempo deixará de se poder especular.

No grupo do Real Madrid o Ajax bateu por um confortável 3-1 um Manchester City ainda incapaz de se habituar a estas andanças de alta roda do futebol europeu. O dinheiro não resolve tudo…

Para finalizar, será interessante lançar uma vista de olhos sobre o comentário desportivo português na rádio e na TV em dia de Liga dos Campeões.

Na RDP o responsável pelo desporto exultava com o triunfo portista em termos ditirâmbicos tanto relativamente à equipa como em relação a Jackson. O que diria ele se o Porto tivesse jogado bem. Quem o ouve sem ter visto o jogo teria suposto que o Porto fez uma exibição retumbante. Não está em causa o mérito do Porto nem a justeza da vitória, tal como não estaria o empate. O que está em causa é a ausência de profissionalismo da maior parte dos comentadores da RDP.

Na TV, o facciosismo prende-se mais com os comentários sobre a equipa de Mourinho e de Cristiano Ronaldo. Raramente, para não dizer nunca, eles olham para o adversário do Real Madrid com independência e isenção. Seja relativamente ao jogo por ele praticado, seja relativamente aos jogadores que o põem em prática. Aliás, o mesmo se passa quanto aos jogadores do Real Madrid. Raramente são capazes de enaltecer a extraordinária qualidade da maior parte dos colegas de equipa de Cristiano Ronaldo, a quem ele tanto deve os resultados desportivos que tem obtido. Como facilmente se comprova comparando o seu rendimento no Real Madrid com o alcançado na selecção portuguesa. Todos os demais jogadores do Real Madrid são simplesmente tratados pelos comentadores portugueses como se fossem meros ajudantes ao serviço do português. O mesmo se diga relativamente às arbitragens. Desta vez, porém, os comentadores do programa acabaram por corrigir o comentador de imagens, mas nem essa pequena excepção serviu para Pedro Henriques ver que Pepe não só empurra o jogador do Borússia como também o rasteira. Como é que um ex-árbitro que certamente viu e reviu as imagens não foi capaz de ver que Pepe depois do empurrão ainda toca nas pernas do dianteiro alemão?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O BENFICA NÃO JOGA NADA


 

DERROTADO EM MOSCOVO E PRATICAMENTE AFASTADO DA LIGA DOS CAMPEÕES

 

 

DERROTA DO EM MOSCOVO E PRATICAMENTE AFASTADO DA LIGA DOS CAMPEÕES

 

O Benfica foi derrotado em Moscovo pela diferença mínima (2-1), mas ao intervalo já podia estar a perder por quatro ou cinco. De facto, a equipa do Benfica falha com frequência o primeiro passe, quase sempre o segundo e rarissimamente consegue dar três ou mais toques seguidos na bola.

Por outro lado, não há no futebol do Benfica nada de que a equipa se possa orgulhar. Ninguém consegue descortinar uma ideia de jogo. Para quem exibe a prosápia do treinador do Benfica sobre a “ideia de jogo” e outras tretas a que frequentemente se refere é confrangedor ver uma equipa que não sabe como há-de sair para o ataque, não sabe como há-de desenvolver o ataque quando lá chega e até a capacidade de transição rápida, que durante algum tempo (faz tempo…) a caraterizou, se perdeu.

Até aos setenta e cinco minutos foi confrangedor ver jogar o Benfica. Depois os jogadores empertigaram-se um pouco e deram alguma luta, porém sempre sem deslumbrar e sem a tal ideia de jogo que a equipa manifestamente não tem.

Não pense Jorge Jesus que se pode desculpar com as ausências de Javi e de Witzel.  De facto, já lá não estão e por isso não contam. Aliás, estavam lá o ano passado e foi o que se viu. De qualquer modo, Jesus já teve tempo mais do que suficiente para preparar um meio campo eficaz e eficiente, coisa que o Benfica manifestamente não tem.

De ano para ano o Benfica joga pior. No primeiro ano de Jesus o Benfica ganhou o campeonato e de uma maneira geral os adeptos gostaram do futebol exibido. Um futebol intenso, de ataque, que não dava tréguas aos adversários, tanto em ataque continuado como em transições ofensivas rápidas. No ano seguinte, a espaços, a equipa jogou bem. Ou melhor: entre Dezembro e Fevereiro jogou bem, mas depois afundou-se como, aliás, já se tinha afundado na primeira parte do campeonato. O ano passado foi o que se viu. Ia à frente com cinco pontos e perdeu o campeonato; tinha vantagem na Taça de Portugal e foi eliminado; saiu da Liga dos Campeões nos quartos-de-final e acabou apenas por ganhar a insignificante Taça da Liga. Este ano, a equipa vai à frente no campeonato juntamente com o Porto, mas não é uma equipa confiável. Qualquer espectador imparcial percebe que este Benfica não vai longe, como se está a ver na Liga dos Campeões, na qual em três jogos fez um ponto e marcou apenas um golo. Perdeu dois jogos e empatou outro.

Não há muito mais a dizer, salvo fazer justiça a Lima que foi o melhor jogador do Benfica e o mais esforçado. Sálvio chegou à Luz vindo do Atlético de Madrid em grande forma. Entretanto perdeu a forma física, não tem força e Salvio sem forma física é um jogador vulgar. É caso para perguntar o que fazem os jogadores do Benfica nos treinos. Uma pergunta que faz todo o sentido não apenas pela forma física de alguns jogadores mas também por vários episódios de jogo em que se fica com a ideia de que os jogadores estão a deparar-se com aquela situação pela primeira vez.

Para terminar, interessa dizer que com o resultado de hoje o Benfica está praticamente eliminado da Liga dos Campeões e dificilmente irá à Liga Europa. A jogar assim corre o risco de ser goleado em Camp Nou. De facto, que confiança pode merecer uma equipa que não consegue dar três toques seguidos….

 

 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

SELECÇÃO COMPROMETE PRESENÇA NO BRASIL


 

PAULO BENTO É TEIMOSO
Sem razões para festejar na noite centenária de Ronaldo

 

Como aqui tantas vezes temos dito, Portugal está longe de ter um lote razoável de jogadores de primeira categoria. Tem poucos, muito poucos, dificilmente junta onze, e quando tem de indicar vinte e três há vários que estão muito longe de ter o nível dos melhores.

Esta degradação do valor intrínseco da selecção vem-se manifestando desde o fim do Euro 2004 e depois muito mais claramente a seguir ao Mundial de 2006. Não obstante o fraco ponto de partida, a verdade é que depois daquelas datas a selecção portuguesa de futebol conseguiu estar em todas as fases finais das grandes competições mundiais e europeias de futebol e passar em todas elas a fase de grupos. Todavia, com excepção do Euro 2012, tem sucumbido logo na primeira eliminatória. E também é verdade que desde 2008 não alcança directamente a fase de grupos, tendo sempre tido necessidade de jogar o play off para se apurar.

Desta vez, para o Mundial de 2014, se se apurar – e isso está muito longe de estar garantido – também não será directamente. Não se pode dizer que exista uma certeza absoluta, mas a probabilidade de isso acontecer é diminuta. Se essa probabilidade tivesse de se exprimir em percentagem, ela não iria além dos 5%.

Paulo Bento como qualquer outro seleccionador debate-se com a dificuldade assinalada – a falta de grandes valores em quantidade suficiente. Na selecção portuguesa eles não existem, bastando portanto a ausência de dois jogadores habituais – Meireles e Coentrão – para que a equipa imediatamente se ressinta.

Ressente-se tanto que Cristiano Ronaldo, que em situações normais está longe de ser na selecção o jogador que é no Real Madrid ou foi no Manchester United, fica reconduzido à condição de jogador vulgar se a equipa sofre a falta de dois ou três imprescindíveis. Foi o que se passou nos jogos contra a Rússia em Moscovo e contra a Irlanda do Norte no Porto.  Ronaldo nada fez que o distinguisse. Foi tão vulgar como os outros. E isso até lhe deveria fazer pensar e depois perceber quanto ele deve aos jogadores que jogam a seu lado no Real Madrid, como aliás já devia aos do Manchester. Em vez de andar a dizer que está triste com base em motivos fúteis, deveria dizer que está muito contente e muito realizado por ter a seu lado no RM os jogadores que tem. Que olhe para os que tem a seu lado em Portugal e depois tire as diferenças.

Mas para além desta limitação que ninguém de imediato está em condições de superar, Paulo Bento ainda agrava mais as coisas com a sua conhecida “casmurrice” que infelizmente não é prova de forte personalidade mas de falta de inteligência.

No Euro 2012 Paulo Bento deixou em Portugal jogadores melhores dos que os que foram. Não muitos, mas alguns. Quis, porém, a sorte que as coisas lhe tivessem corrido bem e ele sentiu-se muito fortalecido por não ter “cedido a pressões”. Desta vez fez o mesmo e os resultados estão à vista.

Mas não é só por não ter selecionado os dois ou três jogadores que inequivocamente teriam lugar no lote dos convocados em vez de dois ou três que lá não deveriam estar. É também por persistir num modelo uniforme de jogo qualquer que seja o adversário e o seu modo de jogar.

Iludido com a posse de bola, que ele logo extrapola para dizer que “fizemos um bom jogo” ou que “não merecíamos perder ou empatar”, Paulo Bento insiste em jogar sempre da mesma maneira sem sequer atender convenientemente às características dos jogadores que tem em campo.

Hoje isso foi evidente. Perante uma linha média sem ideias e sem criatividade, absolutamente incapaz de encontrar uma solução de golo para os avançados, sem laterais com capacidade para subir nas faixas e com Ronaldo a desempenhar poucas vezes o papel de extremo, com um ponta de lança que não sabe jogar sozinho na frente, não era previsível um grande jogo, como não foi, nem sequer um jogo com algumas oportunidades de golo, que também não houve praticamente até ao 80 minutos de jogo.

Seguem-se os jogos com Israel (fora e em casa), com a Rússia, o Azabeijão e o Luxemburgo em casa, e com a Irlanda fora. Muitos jogos, mas tudo vai depender muito do próximo jogo contra Israel. A selecção tem de ganhar sob pena de até o segundo lugar ficar em risco.

Depois da derrota da Rússia por 1-0, o empate de hoje (1-1) contra a Irlanda do Norte deixa a selecção em muito má situação. A qualificação para o Brasil, apesar de ainda faltarem seis jogos está manifestamente em causa.

domingo, 7 de outubro de 2012

O BENFICA GANHA MAS NÃO CONVENCE


 
AS CONFERÊNCIAS DE IMPRENSA E OS COMENTADORES
 
Benfica vence à tangente com reviravolta na Luz

 

O jogo que o Benfica jogou esta noite com o Beira-Mar não tem muito que comentar. O Benfica vinha de um “exercício” muito traumatizante. O jogo contra o Barcelona, principalmente na segunda, parte foi penoso. É provável que aquele jogo do Barcelona cause uma fadiga psicológica difícil de superar. Enquanto se mantiver na lembrança dos jogadores aquele correria atrás de uma bola que nunca se alcança é natural que os jogadores abordem os jogos com intranquilidade.

E isso viu-se logo no começo do jogo contra o Beira-Mar. O golo dos aveirenses é a prova manifesta dessa intranquilidade. A equipa do Benfica lá conseguiu reagir mas não acertava com a baliza. Valeu-lhe o facto de o Beira-Mar nunca ter incomodado. Apenas defendia e nada mais.

No fim da primeira parte lá apareceu um penalty que nem sempre é marcado quando aquele tipo de falta acontece na área, mas que é sempre assinalada quando ocorre no meio campo.

Na segunda parte o Benfica durante os primeiros quinze minutos revelou-se incapaz de alterar o resultado, até que Maxi Pereira lá desencantou um golo que só ele sabe marcar, mesmo quando não está em forma. E logo a seguir, por força de um erro da defesa do Beira-Mar, o Benfica lá marcou o segundo golo, mercê também da clarividência de Lima que não ousou rematar e preferiu dar o golo a Rodrigo.

Depois da viragem do resultado, o Benfica terá criado mais uma ou outra situação, mas perdeu muitas bolas incompreensivelmente. E intranquilizou-se tanto que o Beira-Mar, sem jogar grande coisa e sem nunca ter chegado a ser perigoso, deu a sensação de que estava a assustar o Benfica. E talvez estivesse, mas por demérito do Benfica e não por força da prestação dos aveirenses.

No fim do jogo Ulisses Morais, como sempre faz quando vai à Luz, seja qual a equipa que orienta, iniciou uma conversa completamente imbecil sobre a influência psicológica do árbitro no resultado do encontro. Como tem o lugar em risco, provavelmente não passará desta semana, aproveitou a feliz circunstância de jogar na Luz para desancar o árbitro que nada teve a ver com o resultado e simultaneamente denegrir a vitória do Benfica, seu principal objectivo.
Jorge Jesus numa conferência anormalmente longa lá deu a sua versão dos factos e até se referiu especificamente a alguns jogadores  - Enzo Perez, Maxi - depreendendo-se das suas palavras que a derrota contra o Barcelona ainda pesa. Ou dito de outro modo: que o modo de jogar do Barcelona ainda se mantém como um pesadelo que só se desvanecerá depois do segundo jogo.

Na SIC N um comentador, manifestamente frustrado com a situação do Sporting, achou que as palavras de Morais faziam algum sentido. Para João Rosado, fanaticamente anti-benfiquista, tudo o que seja contra o clube da Luz “faz todo o sentido”. Que se cure das mágoas que o Sporting lhe causa e não seja ridículo!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A LIGA PORTUGUESA E AS COMPETIÇÕES EUROPEIAS


O BENFICA-BARCELONA DE LOGO A NOITE
Paços de Ferreira vs Benfica (LUSA)

Na última jornada da Liga portuguesa patenteou-se uma certa capacidade competitiva dos clubes ditos mais fracos com que muitos manifestamente não contavam. Até à última jornada a generalidade dos comentadores, para não dizer todos, era unânime na perda de capacidade competitiva das equipas ditas mais fracas. Por outras palavras, a diferença de potencial entre o Porto, o Benfica e também o Braga e as demais equipas, com excepção do Sporting deixado numa posição intermédia, era tão acentuada que seria de prever um “passeio” dos grandes nos jogos contra os pequenos.
 
Afinal, não é isso o que se tem verificado e a última jornada ilustra bem quão errada estava aquela previsão. O Benfica ganhou pela diferença mínima (2-1) em Paços de Ferreira com grande dificuldade, apesar de ter falhado boas oportunidades de golo. Em contrapartida, aquelas em que marcou decorreram de falhas defensivas dos pacenses, sem menosprezo para o sentido de oportunidade de Lima que se tem revelado altamente concretizador nestes escassos dias que leva de Benfica.
 
Por seu turno, o FC Porto não conseguiu melhor do que um empate em Vila do Conde (2-2) alcançado já no último minuto do jogo. Em toda a segunda parte o Rio Ave foi melhor equipa em campo e não teria sido nenhum escândalo se tivesse ganho. Aliás, esteve sempre mais perto da vitória do que o Porto e poderia mesmo ter marcado mais golos se não fosse o árbitro ter desencantado um fora de jogo que somente ele viu.
 
O Braga, pelo contrário, foi dos três da frente o que ganhou com muita facilidade a um Guimarães (0-2) muito longe daquilo que tem sido nos últimos tempos e que certamente este ano se candidata a ser uma das piores equipas vimaranenses das últimas décadas.
 
Em Alvalade, o Sporting continua o calvário de jogos inconsequentes. Depois da derrota contra o Rio Ave e da vitória muito suada contra o Gil Vicente, aconteceu no fim-de-semana passado o empate contra o Estoril Praia (2-2). Um empate injusto e imerecido para os estorilistas que foram sempre a melhor equipa em campo. O Sporting, que realmente não joga nada, deve o empate ao árbitro da partida. Mais uma vez à semelhança do que tantas vezes tem acontecido o Sporting foi beneficiado pela arbitragem. Primeiro foi a não marcação de um penalty escandaloso a meio da primeira parte e depois uma expulsão incompreensível de um jogador do Estoril a quinze minutos da segunda. Com menos um jogador em campo durante um pouco mais de meia hora o Estoril perdeu algum do fulgor que até tinha tido e acabou por se deixar empatar a poucos minutos do fim do jogo. Entretanto, continua em Alvalade o “folhetim Sá Pinto”. É voz corrente entre os entendidos que a incompetente direcção sportinguista já despediu Sá Pinto, mas ainda não encontrou o pretexto certo para lhe comunicar o despedimento. Se os resultados do Sporting na Liga Europa e no campeonato continuarem como os actuais, ou piores, ainda este ano iremos assistir a muitas convulsões pelo lado de Alvalade.
 
Terminada a jornada com o excelente resultado da Académica na Madeira contra o Marítimo (0-2), a vitória suada do Gil Vicente sobre o Moreirense (4-3), a derrota do Olhanense em casa contra o Nacional (1-2), e o empate do Setúbal em Aveiro (1-1), segue-se a Liga dos Campeões.
 
Na jornada de hoje o Barcelona defronta o Benfica na Luz. Contando por vitórias todos os jogos disputados na Liga Espanhola, o Barcelona apresenta-se na Luz como o grande favorito não apenas ao jogo mas à vitória na competição. Paira uma certa curiosidade sobre como irá o Benfica afrontar a equipa maravilha destes últimos seis anos. Entre o receio de uma humilhação e a esperança num resultado que não deslustre, o benfiquista vão aguardando com ansiedade o jogo de logo à noite. Cresce a curiosidade sobre como irá Jesus “montar” a equipa, ele que é tão dado ao futebol ofensivo. Como irá o Benfica tentar neutralizar o trio maravilha do Barcelona (Xavi, Messi e Iniesta) a que se junta um lote de jogadores de excelente valia.
A resposta parece ser: se nem o Real Madrid, que tem os melhores jogadores do muno, joga de igual para igual contra Barcelona, não será certamente o Benfica que o irá fazer. Se o Benfica conseguisse repetir o excelente jogo que o ano passado o Porto fez contra os catalães na final da Supertaça já seria muito bom. Só que o ano passado, na altura do jogo, o Porto ainda estava muito embalado pelas vitórias da época passada. A tarefa do Benfica deve ser muito mais difícil...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

LUÍS FILIPE VIEIRA DERROTADO


 
O QUE SE SEGUE?

 

O património mais valioso do Sport Lisboa e Benfica, por muito que na sua história pesem os êxitos desportivos, era a sua origem popular e democrática. No Benfica sempre houve eleições livres no tempo da ditadura. Nenhum presidente do Benfica foi eleito ou reeleito sem ter de se bater contra um opositor. E mais de uma vez aconteceu o presidente em exercício perder as eleições no confronto com o outro candidato.

Nada disto se passava nos outros grandes clubes portugueses onde vigoravam princípios e métodos que nada tinham a ver com as regras democráticas.

No Sporting era a “aristocracia” sportinguista, sediada no Conselho Leonino, que tinha nas mãos os destinos do clube. Só muito recentemente o Sporting passou a ter eleições democráticas, mas ainda hoje se ressente desse seu passado “aristocrático”. Gonçalves foi, como se sabe, o primeiro presidente do Sporting eleito pelos sócios e depois, como a experiência foi má, entrou-se num período de co-optação em que as eleições apenas serviam para ratificar a escolha já feita e em exercício. Somente com Bettencourt e agora com Godinho Lopes se institucionalizou verdadeiramente a regra democrática.

No Porto, como toda a gente sabe, vive-se em ditadura com percentagens de aprovação que fazem da Coreia do Norte uma experiência quase democrática. Da única vez em que sob o consulado de Pinto da Costa alguém ousou desafiá-lo esse pobre candidato foi apodado de louco e só por um triz não correu o risco de internamento num hospital psiquiátrico no bom estilo brejnoviano.

Infelizmente, no Benfica durante a gestão de Vieira passou-se algo de semelhante. Pela primeira vez um candidato às eleições foi impedido de participar com base em artifícios estatutários. No fundo, mais perigosa do que a concorrência desse candidato era a ousadia de alguém desafiar o chefe. Era isso que se pretendia evitar. E foi isso que, para vergonha dos benfiquistas, aconteceu.

Felizmente que ontem, para alegria dos benfiquistas, ficou demonstrado que continua viva no clube a pulsão popular e democrática que sempre foi a sua matriz. O Relatório e Contas da gestão de Luís Filipe Vieira foi reprovado por uma margem significativa de sócios.

Vieira, se conhecesse a história do Benfica, se fosse um verdadeiro benfiquista e não um ex-sócio do Alverca, do FCP e do Sporting, demitia-se e convocava eleições. O “chumbo” das contas é também a expressão do descontentamento benfiquista pelos métodos e processos de gestão do Benfica. Não é, pelo facto, de Vieira ter apenas, como ele faz gala em afirmar, a quarta classe que ele deixa de ser quem é para passar a ser um lídimo representante do sentimento popular de que acima falámos. E o mesmo se diga da sua adesão aos princípios democráticos - o modo como trata os adversários internos e frequentemente se imiscui nos assuntos internos de outros clubes demonstra que Vieira não está à altura da tradição do Benfica. Está na hora de sair. E seria bom que ele percebesse isso e poupasse o Benfica a uma luta fraccionista certamente muito negativa para o futuro do clube. Que Vieira vá e que deixe aos benfiquistas o encargo de escolher o novo presidente entre os candidatos que se perfilam para o substituir.