quinta-feira, 3 de julho de 2014

OS JOGADORES PORTUGUESES NO MUNDIAL DO BRASIL


 

UM POR UM

A prestação da selecção portuguesa no Mundial do Brasil foi muito má, como toda a gente reconhece. As responsabilidades têm recaído quase inteiramente sobre a equipa técnica e sobre a estrutura federativa, sem dúvida os principais culpados, mas os jogadores também não estão isentos de culpas.

Será por isso interessante analisar uma por uma a prestação de todos os que se exibiram no Brasil. Vinte e um ao todo, já que dos vinte e três seleccionados apenas Rafa e Neto não jogaram sequer um minuto.

Assim, temos:

Rui Patrício – Jogou contra a Alemanha, no jogo inaugural, e a partir desse jogo foi dado como lesionado. E dizemos dado como lesionado porque ninguém durante a partida vislumbrou o menor indício de lesão do guarda-redes português. Nesse jogo a prestação de Rui Patrício foi simplesmente deplorável, como aliás de toda a defesa. Mal o jogo tinha começado, já Rui Patrício estava a colocar a bola nos pés de Khedira com a baliza completamente desguarnecida. Só por falha de pontaria do médio germânico a Alemanha não fez o primeiro golo logo nos minutos iniciais. A intranquilidade do guarda-redes manteve-se durante toda a partida, tendo na segunda parte repetido o erro da primeira, do qual haveria de resultar o quarto golo da Alemanha. Considerando que durante a fase de apuramento Rui Patrício colocou a equipa em sérias dificuldades (Israel e Azerbaijão), a ponto de ter comprometido a sua presença no Brasil, só mesmo por teimosia de Paulo Bento Patrício poderá manter a titularidade.  

Beto – Fez o segundo jogo contra os Estados Unidos e parte do terceiro contra o Gana. Não fez nada de especial, mas também não cometeu nenhum erro. Os golos que sofreu foram mais por culpa dos médios ou da defesa do que propriamente sua. Enfim, uma participação condizente com o seu valor…que é médio. Apesar de tudo esteve melhor na baliza do que a falar em nome da selecção. De facto, somente uma completa ausência de respeito pelos adeptos o pode ter levado a dizer que os jogadores não tinham de se envergonhar daquilo que fizeram…

Eduardo - Jogou uns escassos minutos no último jogo por lesão (mais uma) de Beto. Apenas repôs a bola em jogo por duas vezes.

João Pereira – Começou o Mundial da pior maneira, cometendo nos minutos iniciais um penalty contra a Alemanha por derrube de Müller. Depois foi jogando ao seu nível…que é baixo, acabando por ser substituído no último jogo. Diga-se, todavia, em abono da verdade que, com excepção do já referido penalty do qual resultou o primeiro golo da Alemanha, não foi pelo lado dele que se desenvolveram as jogadas das quais resultaram os restantes seis golos que Portugal sofreu. De positivo, um centro na primeira parte do jogo contra os Estados Unidos que Cristiano Ronaldo desperdiçou infantilmente.

Pepe – Uma participação para esquecer. Responsável juntamente com Bruno Alves pelo segundo golo da Alemanha e depois a expulsão por volta da meia hora de jogo marcaram a presença de um jogador que não estava em condições físicas para participar no Mundial, o que agrava consideravelmente a sua propensão para a delinquência dentro do rectângulo de jogo. Responsabilidade do seleccionador que tem obrigação de conhecer o cadastro de Pepe e as condições em que são praticados a maior parte dos actos violentos que ditaram as muitas expulsões e penalizações que tem sofrido ao longa da carreia. Voltou a jogar no último jogo contra os Estados Unidos não tendo feito nada de especial nem pelo lado positivo nem pelo negativo. O facto de não pedido desculpa aos portugueses e aos colegas (publicamente) deixa antever a forte probabilidade de voltar a reincidir. Igualmente de ponderar a continuidade da sua presença na selecção tanto mais que com a idade e a natural perda de faculdades físicas é de esperar um aumento de acções violentas ou anti-desportivas fortemente prejudiciais à equipa.

Bruno Alves – Mais um jogador que não estava fisicamente em condições de participar no Mundial. No jogo contra a Alemanha foi responsável juntamente com Pepe pelo segundo golo e inteiramente responsável pelo terceiro. Na partida contra os Estados Unidos é responsável pelo segundo golo americano por ter levado uma eternidade a levantar-se, colocando em jogo Dempsey. Enfim, é um dos que deveria dizer adeus à selecção no Brasil já que tem vindo a revelar uma quebra continuada de forma, consideravelmente agravada pelas fracas prestações no Mundial.

Ricardo Costa – O melhor da defesa. Jogou meio jogo contra a Alemanha, entrando com o resultado em 3-0, e foi titular contra os Estados Unidos. Não teve responsabilidades nos golos sofridos. Inexplicavelmente, Paulo Bento retirou-lhe a titularidade no jogo contra o Gana. Foi também o jogador que se apresentou fisicamente em melhores condições.

Fábio Coentrão – Fez pouco mais que meio jogo contra a Alemanha. Lesionou-se, foi substituído e nunca mais jogou. Estava mal fisicamente e mesmo que não se tivesse lesionado não é crível que estivesse em condições de repetir as exibições do Mundial da África do Sul.  No jogo contra a Alemanha poderia ter marcado logo no início do jogo, se não fosse a dependência de Ronaldo. Em vez de rematar passou a bola a Ronaldo…que a deixou escapar pela linha de fundo.

André Almeida – Jogou pouco menos que meio jogo contra a Alemanha e outro meio contra os Estados Unidos, tendo sido substituído por lesão. Também não se apresentou nas melhores condições físicas. Chamado a substituir Coentrão como defesa esquerdo, nunca comprometeu apesar de ocupar o posto como substituto de recurso e de Ronaldo não auxiliar rigorosamente nada nas tarefas defensivas. Nenhum golo entrou ou se desenvolveu pelo seu lado. Depois da sua saída foi pelo lado esquerdo que se desenvolveram as jogadas de golo dos Estados Unidos. Nas tarefas defensivas cumpriu.

Miguel Veloso – Começou por jogar a médio contra a Alemanha, tendo depois recuado para defesa esquerdo a partir do momento em que André Almeida se lesionou no jogo contra os Estados Unidos. Como médio a sua prestação foi medíocre como medíocre foi a dos seus colegas de sector no jogo contra a Alemanha. Como defesa esquerdo defendeu mal, tentando compensar as suas deficiências defensivas com incursões atacantes pelo respectivo flanco. Fez mais de uma dezena de centros, tendo sido de dois centros falhados (contra os Estados Unidos e contra o Gana) que resultaram dois golos de Portugal. No cômputo geral, exibição medíocre.

João Moutinho – Moutinho está a léguas do jogador que foi na penúltima época que passou no Porto. Exibiu-se na selecção ao mesmo nível da época que fez no Mónaco. Ou seja, mediocremente. Falhou muitos passes, tendo de um deles resultado o golo do Gana (fatal para as aspirações da equipa portuguesa), e nunca foi o elemento do meio campo que a selecção precisava. Disse em entrevista, a propósito da sua prestação, que “não tinha de provar nada a ninguém”. É lamentável que assim seja, pois somente essa ausência de avaliação permanente pode justificar a titularidade que Paulo Bento lhe concedeu e que ele esteve longe de justificar.

Raul Meireles – Apresentou-se em más condições físicas, parecendo cansado e desmotivado. Jogou apenas os dois primeiros jogos não tendo em nenhum deles justificado a chamada à selecção, não obstante o seu passado na equipa. Contribuiu com a sua fraca prestação para o descalabro do meio campo português.

William Carvalho – Tendo aparecido como uma espécie de “messias” ou “salvador” da selecção portuguesa, mais por imposição das contingências do jogo (a multiplicidade de lesões) do que por opção de Paulo Bento, o jovem jogador do Sporting alinhou meio tempo contra os Estados Unidos e a tempo inteiro contra o Gana. Apesar de ter sido bem melhor que qualquer um dos tradicionais ocupantes do sector, William Carvalho tem limitações várias, umas eventualmente superáveis, outras não. É lento, não é criativo e tem dificuldade no passe de risco – o passe que distingue o médio de classe – por isso nunca o faz, preferindo o passe para o lado e para trás. Mas desarma bem e tem algum sentido posicional, embora neste aspecto precise ainda de aprender muito. Não é a estrela que os sportinguistas apregoam, mas tem lugar indiscutivelmente na selecção.

Ruben Amorim – Chamado à titularidade no último jogo, Ruben Amorim alinhou a médio, sobre o lado esquerdo (onde não costuma jogar), e depois a defesa direito em substituição de João Pereira. No meio campo, Amorim deu outra alegria ao jogo da selecção como o seu inteligente posicionamento e passes clarividentes. Na defesa cumpriu. Deveria ter sido titular em todos os jogos.

Nani – Tendo jogado muito pouco durante a época, duvidava-se que Nani tivesse o ritmo necessário para a competição. Esteve melhor do que habitualmente, principalmente no início dos dois primeiros jogos. Depois, na partida contra o Gana, decaiu, principalmente quando passou a ocupar as zonas mais interiores do relvado. Marcou um golo contra os Estados Unidos, acabando por ter uma prestação meritória.

Varela – Nunca alinhou de início, tendo apenas participado nos jogos contra os Estados Unidos e o Gana. Para a história fica o golo do empate contra os americanos no último segundo do jogo – o golo que impediu a desqualificação da selecção portuguesa logo no segundo jogo. Não fez muito mais…mas também não lhe deram oportunidade para o fazer.

Hugo Almeida - Lesionou-se no início do jogo contra a Alemanha, depois de ter tido uma oportunidade em que poderia ter feito mais do que fez. Foi ao Brasil para estar em campo cerca de 15 minutos.

Hélder Postiga – Foi titular contra os Estados Unidos, não tocou na bola e lesionou-se nos minutos iniciais. Inadmissível a convocatória de dois pontas de lança sem condições físicas para jogarem!

Eder – O jovem avançado do Braga acabou por alinhar nos três jogos em virtude das lesões de Almeida e Postiga. Teve tempo mais do que suficiente para mostrar o seu valor. Tem limitações várias e a equipa nada ganhou em o ter na posição de centro-avante. Tem de aguardar melhores dias.

Vieirinha – Entrou por saída de João Pereira na partida contra o Gana no decorrer da segunda parte. Animou o jogo da equipa e pareceu estar em boas condições físicas não tendo merecido, apesar disso, a preferência de Paulo Bento.

Cristiano Ronaldo – Decepcionante. Num grande palco onde os grandes artistas se exibem, Ronaldo não compareceu. É a terceira participação sem história do badalado jogador português numa fase final do Mundial. Falhou um golo contra a Alemanha quando o resultado ainda estava empatado a zero. Fez uma exibição medíocre contra os Estados Unidos. Falhou três ou quatro golos contra o Gana. Remata muito, mas com pouco ou nenhuma eficácia. Em três participações no Mundial tem três golos. Um em cada. O primeiro de penalty contra o Irão; o segundo, ridículo, contra a Coreia do Norte; o terceiro contra o Gana. Porventura, no melhor Mundial de sempre, onde as grandes estrelas brilham intensamente (Robben, Messi, Müller, James, Neymar e tantos, tantos outros), Ronaldo não apareceu. Se a jogar esteve simplesmente vulgar, a falar a sua prestação ainda foi pior. As palavras que proferiu após o jogo contra os Estados Unidos são indignas de um capitão. Ronaldo que é em grande medida um produto do marketing marcou seguramente o fim da sua fase ascensional nesta sua passagem pelo Mundial do Brasil. Se tinha pretensões a ficar no top ten da história do futebol, pode esquecer…  

 

Em resumo, a equipa portuguesa foi uma das piores do torneio como agora se está tornando evidente com o avançar da prova.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A SELECÇÃO PORTUGUESA NO MUNDIAL DO BRASIL


 

O DESPREZO PELO ESSENCIAL

Muitos foram os erros e as manifestações de incompetência que acompanharam a triste deslocação ao Brasil da selecção nacional de futebol. Desde a convocatória até ao local escolhido para sede da selecção durante o Mundial, passando pela preparação, tudo correu mal.

Como já foi dito e redito por toda a crítica é inaceitável a convocação de jogadores que além de terem tido um fraco desempenho durante a época apresentavam também problemas de ordem física impossíveis de superar no curto espaço de tempo em que se realiza o Mundial de Futebol. Como inaceitável é que se tenham deixado de fora alguns valores indiscutíveis do futebol português que apenas não foram escolhidos por atritos com o seleccionador, bem como alguns jovens promissores que, pelo menos, se encontravam em excelentes condições físicas e poderiam garantir uma presença de 90 minutos em cada jogo sem incidentes físicos. A estes preferiu o seleccionador jogadores em fim de carreira, em baixo de forma técnica e em estado físico deficiente.

As consequências destas escolhas desastradas, prepotentemente feitas pelo seleccionador, com o compadrio dos seus apaniguados ou sob a orientação dos seus tutores, estão à vista: ainda a prova não tinha começado e já havia vários jogadores no “estaleiro”, número que se foi ampliando mal soou o apito inicial do árbitro e se consolidou à medida que o jogo decorria e as duas partidas subsequentes se iniciavam.

Mas se sobre a composição da selecção nada havia a fazer depois comunicada à FIFA o mágico número de 23 participantes, já o mesmo se não poderá dizer daquilo que foi o erro fatal que desde o início acompanhou esta selecção: o mais completo desprezo pelo sagrado princípio de que o futebol é um desporto colectivo. A loucura posta à volta do nome e da figura de Cristiano Ronaldo por uma comunicação social completamente acéfala e irresponsável e a aceitação no seio da selecção desse estúpido endeusamento acabaram por ser fatais para a equipa portuguesa.

Aliás, entre a “loucura” da comunicação social e o “endeusamento” no interior da selecção da figura de Cristiano Ronaldo existe uma relação muito mais íntima do que se possa supor. O endeusamento de Cristiano Ronaldo no seio da selecção é feito por todos aqueles que carecem do seu apoio para lá continuarem e que serão certamente os primeiros a criticá-lo, quando, por força das leias da vida, deixarem de ser convocados. Mas esse endeusamento é igualmente promovido no interior da selecção pelo seu empresário como forma de manter sobre ela e sobre as estruturas da Federação o domínio e a influência que toda a gente que conhece os meandros do futebol sabe existir.

Por outro lado, Cristiano Ronaldo na sua idolatria ególatra aceita tudo isso como a coisa mais natural deste mundo e deleita-se de prazer e vaidade pela vassalagem prestada sem sequer se dar conta de que ela tem um reverso que o prejudica seriamente e o remete, como já está a acontecer, para o lugar dos simples mortais que jogam futebol igual a tantos outros…mas diferente, muito diferente, dos melhores!

De facto, esta loucura à volta de Cristiano Ronaldo e a completa secundarização da equipa como entidade autónoma, colectiva, independente no seu ser daqueles que a constituem, foi fatal para o desempenho da selecção portuguesa e há-de também, historicamente, ser fatal para Cristiano Ronaldo.

Foi fatal para a selecção portuguesa, porque o futebol é um desporto colectivo onde as individualidades podem, ocasionalmente, fazer a diferença sem que porém o colectivo alguma vez deixe de ser o essencial e o individual o secundário. Quando as prioridades e os valores se invertem, o resultado certo e seguro é a derrota. E foi isso o que aconteceu. Portugal foi eliminado na fase de grupos, apesar de objectivamente ter condições para passar à fase seguinte no grupo em que estava inserido.

E foi fatal para Cristiano Ronaldo, porque, mais tarde, quando se fizer a inventariação e a história dos grandes jogadores de futebol, dos cinco ou dez grandes nomes do futebol mundial, nunca Ronaldo figurará nessa lista em consequência do péssimo desempenho que sempre teve na grande montra do futebol mundial. Em três participações em fases finais passou sempre ao lado, nada tendo feito que particularmente o distinguisse pela positiva. E logo outros lembrarão que, com excepção de alguns lampejos no Real Madrid, também nunca ele se exibiu em grande nível noutros grandes palcos, isto é, contra grandes adversários ou em grande jogos, como já aconteceu nas finais da Champions em que participou.

O futuro da selecção passa, portanto, pelo seu rejuvenescimento, pelo regresso aos valores do colectivismo e, se Cristiano Ronaldo nela quiser continuar, pela sua colocação no seu verdadeiro lugar, ou seja, um lugar exactamente igual ao dos seus colegas! Para isso será necessário mudar muita coisa na Federação – aliás, se os responsáveis pela selecção tivessem um mínimo de dignidade demitiam-se logo à chegada a Lisboa – e mudar também o seleccionador, escolhendo um profissional verdadeiramente independente que compreenda o que é a selecção nacional de futebol – que não é uma equipa de clube, nem uma equipa da Federação. É muito mais do que isso, pela afectividade e pelo entusiasmo que o seu desempenho suscita em milhões de portugueses!

A vitória tangencial de ontem contra o Gana revelou novamente um Cristiano Ronaldo incapaz de fazer a diferença, com perdas sucessivas de golos que a terem sido concretizadas poderiam, não obstante o triste espectáculo que esta selecção nos tem dado, ter garantido a passagem à fase seguinte.

Cristiano Ronaldo fez 23 remates no Mundial e marcou um golo. Participou em três fases finais e apenas marcou um golo em cada uma delas. São recordes lamentáveis que espelham bem, infelizmente, o que normalmente acontece a uma equipa que esquece o princípio fundamental do futebol – um jogo colectivo!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

AS DERROTAS DE ESPANHA E DE PORTUGAL NO MUNDIAL DE FUTEBOL


 

DOIS RESULTADOS QUASE IDÊNTICOS DUAS ATITUDES COMPLETAMENTE DIFERENTES

No segundo dia da primeira jornada da fase de grupos do Mundial de Futebol de 2014 a Espanha foi cilindrada por uma notável Holanda por um expressivo 5-1, algo que não acontecia à “Roja” há muitas décadas.

O orgulho espanhol, campeão do mundo e bicampeão europeu, ficou profundamente ferido mais ainda numa época em que a Espanha corre o sério risco de se desagregar territorialmente e em que está simultaneamente sendo posta em causa a legitimidade das instituições decorrentes do processo de transição que marcou o fim do franquismo e o começo da democracia representativa de estilo ocidental.

Perante o descalabro da derrota para a qual contribuíram apenas parcialmente alguns erros técnicos dos seus jogadores, a selecção espanhola, jogadores, responsáveis técnicos e dirigentes, não buscaram encontrar em comportamentos alheios a justificação do acontecido, antes assumiram com dignidade e coragem a responsabilidade individual e colectiva da derrota, pedindo desculpa ao povo espanhol pela vergonha e tristeza por que o fizeram passar por aqueles noventa e tal minutos da Arena Fonte Nova de Salvador.

Dias mais tarde, a selecção portuguesa de futebol, depois de uma insuportável campanha de propaganda de quase 24 horas por dia a cargo dos media, principalmente dos canais de televisão, que não se cansavam de enaltecer os seus méritos e de endeusar Cristiano Ronaldo, foi positivamente ridicularizada naquele mesmo estádio por uma imponente Alemanha que a bateu por 4 a 0, apesar de ter jogado toda a segunda parte em jeito de passeio.

Contrariamente ao que se passou com a selecção espanhola, a derrota da selecção portuguesa não assentou apenas na indiscutível superioridade técnica e físico-táctica da equipa alemã, mas também no comportamento disciplinarmente indecoroso Pepe, nos repetidos erros individuais de Patrício e Alves, no vedetismo oco de Cristiano Ronaldo e na ausência de atitude de todo o conjunto, além obviamente das limitações estratégico-tácticas do seleccionador.

Perante um tal grau de responsabilidades nenhum jogador, nenhum responsável técnico, nenhum dirigente assumiu a responsabilidade pela derrota nem apresentou um pedido de desculpas ao povo português amante da selecção. Pelo contrário, o seleccionador manteve-se na sua obscura arrogância, refugiando-se num conceito de saber incontestável que não admite discussão, os dirigentes, principescamente pagos e rodeados de mordomias, eclipsaram-se e os jogadores, instrumentalizados ou não, tentaram ridiculamente atribuir ao árbitro a responsabilidade pelo que aconteceu, enquanto Cristiano Ronaldo, à semelhança do que fizera durante todo o jogo, ia tomando as devidas precauções para que a sua imagem física não saísse prejudicada do confronto.

Esta sobranceria, esta arrogância estúpida, feita de ignorância e desprezo, tem muito a ver com o modo como o futebol, principalmente o futebol da selecção, é entendido entre nós. O futebol, apesar de interessar a quase todos e de condicionar emocionalmente a vida de tanta gente, está excluído da democracia, como algo sobre o qual apenas os iniciados e os entendidos podem intervir, fundamentalmente para espalhar a palavra dos "sacerdotes supremos" inatacáveis e incriticáveis pelo seu imenso saber.

E, assim, uma legião de comentadores acéfalos e “situacionistas” vai não somente endeusando os artistas do jogo, qualquer que seja a sua real valia ou merecimento, e simultaneamente resguardando de qualquer crítica os tais “sacerdotes supremos” por maiores que sejam os seus erros. E aquilo que a todos parece óbvio pela evidência das respectivas manifestações, deixa de o ser em futebol porque outra é a decisão do seleccionador, que os tais comentadores acéfalos logo se encarregam de justificar do modo mais imbecil.

Como se explica que não haja qualquer alteração entre a equipa que alinhou no euro 2012 e da do Mundial deste ano? São os jogadores que constituem a equipe de uma categoria tão excepcional que nenhum outro nos dois anos que entretanto decorreram pode aspirar a integrá-la? E continuam a ser intocáveis qualquer que seja a sua forma? Ou o seu estado físico? Ou a época que fizeram nas respectivas equipas de clube?

E como se explica que jogadores de reconhecida classe nem sequer tenham sido convocados para fazer parte dos eleitos? E como se explica que em vinte e três convocados a selecção não tenha, em certos lugares, dois jogadores para a mesma posição? E como se explica que face ao primeiro esforço a sério, e que nem sequer foi nada de extraordinário dado o ritmo que a Alemanha “não impôs” na segunda parte, logo três dos convocados e utilizados tenham ficado inoperacionais para o resto do Mundial por lesões musculares? E como se explica que um jogador cadastrado com dezenas de expulsões, muitas delas por agressão, não tenha sido severamente avisado do que não poderia fazer? E como se explica que a equipa tenha chegado tão tardiamente ao Brasil e ainda por cima se tenha alojado numa zona geográfica que nada tem a ver, do ponto de vista climatérico, com os locais onde se iriam realizar os jogos da fase de grupos?

A tudo isto o seleccionador, os jogadores e os dirigentes têm de responder racionalmente e não com respostas imbecis como são normalmente aquelas que usam nas conferências de imprensa.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

AS ESCOLHAS DE PAULO BENTO


 

A DÚVIDA LEGÍTIMA
 

 Mundial 2014: Paulo Bento anuncia os 23 eleitos para o Brasil


Paulo Bento faz questão de alardear a sua completa independência nas decisões que toma como seleccionador nacional, quer no respeita à escolha dos jogadores seleccionados, quer nos jogos a realizar, quer ainda na localização dos estágios, enfim, independente em tudo quanto diga respeito à selecção nacional.

Não se trata de pôr em causa a palavra de Paulo Bento, trata-se apenas de explicar que Paulo Bento move-se num meio – o meio do futebol – onde hoje ninguém é independente. Se os clubes pequenos não são independentes – e toda a gente sabe porquê – e se os próprios grandes clubes também já deixaram de o ser, como pode a Federação Portuguesa de Futebol garantir essa independência a Paulo Bento? Se os grandes empresários – ou deixando-nos de sofismas – se o grande empresário do futebol europeu impõe a sua vontade ao Benfica, ao Porto e ao Sporting como pode Paulo Bento fugir a essa influência se os interesses do dito empresário também estiverem em causa na selecção nacional?

Dito isto, a lista dos trinta deixou de fora alguns jogadores jovens que lá deveriam ter figurado, não incluiu um jogador consagrado como Dani (relativamente ao qual Paulo Bento tinha obrigação de encontrar uma solução sem perder a face do mesmo modo que Scolari também soube, em seu tempo, encontrar uma solução para Maniche) e não deveria ter integrado Quaresma se a decisão subsequente do treinador fosse a de não o incluir nos vinte e três definitivos. De facto, Quaresma já não é um jovem, é um jogador com trinta anos que deveria merecer algum respeito ao seleccionador. Ou não o incluía na lista dos trinta ou, incluindo-o, deveria tê-lo seleccionado. Aliás, é opinião generalizada que Quaresma pode fazer falta. E não venham com a conversa do costume sobre a personalidade do jogador, porque o que a selecção mais tem é jogadores com excesso de personalidade e com falta de personalidade. Portanto, Quaresma não é muito diferente dos outros…

Quanto aos demais, estranha-se que Paulo Bento se satisfaça com um número tão reduzido de médios, apenas cinco, já que Rafa não é de forma alguma um médio. Se Portugal vier a ter uma campanha razoável na fase de grupos essa falta de médios vai necessariamente fazer-se sentir e Paulo Bento já nada então poderá fazer. Em contrapartida, os pontas de lança estão em excesso…e infelizmente todos de categoria abaixo do desejável. E quanto aos extremos ver-se-á melhor daqui a algum tempo o que vai acontecer: isto é, depois de se saber o que realmente se passa com a condição física de Ronaldo e depois de conhecer a forma com que Nani se vai apresentar em campo, tendo em conta a época que fez.

No domingo passado, no programa play-off, António Oliveira acertou em tudo o que disse sobre os seleccionáveis por Paulo Bento, tendo apenas deixado a dúvida sobre a escolha entre Rafa e André Gomes. Sobre estes limitou-se a insinuar que, apesar de representados pelo mesmo empresário, a balança deveria pender para o lado de Rafa por André Gomes já ter colocação assegurada na próxima época. Também acertou…Fala que sabe!

Dito isto, e em conclusão, não se pode supor que Portugal tem uma boa selecção. É apenas uma selecção média que vai ter grande dificuldade em passar a fase de grupos. Verdadeiramente, somente Ronaldo, Coentrão, Moutinho e, eventualmente, Pepe têm categoria mundial. Se Tiago e Dani também estivessem presentes, pelo menos meia-equipa seria de grande nível. Assim, ver-se-á dentro de pouco tempo o que vai acontecer…                                                         

terça-feira, 20 de maio de 2014

A ÉPOCA DO BENFICA


 

SIM, MAS …

 

O Benfica fez uma excelente época. Ganhou todas as provas nacionais e perdeu a final a Liga Europa, competição em que participou por eliminação da Liga dos Campeões. Nunca outra equipa portuguesa havia ganho as três provas nacionais desde a introdução da Taça da Liga, há sete épocas, no calendário futebolístico nacional, embora o F C do Porto tenha ganho, com Villas-Boas, na mesma época duas provas nacionais (Campeonato e Taça de Portugal) e uma europeia (Liga Europa).

As vitórias do Benfica são todas incontestáveis. Foi a equipa mais regular no Campeonato Nacional, vencendo-o com 74 pontos, deixando o Sporting a 7 e o Porto a 13! A vitória da Taça de Portugal ainda é mais concludente: para chegar à final o Benfica eliminou o Sporting e o Porto. E quanto à Taça da Liga, embora o seu formato se destine manifestamente o favorecer os “grandes”, o Benfica para chegar à final teve no seu percurso de eliminar o Porto, o que significa que também esta vitória não foi isenta de dificuldades.

No que respeita à Liga Europa, prova a que o Benfica acedeu – é bom não esquecê-lo – por ter sido eliminado da Liga dos Campeões na fase de grupos, o percurso do Benfica até à final foi igualmente excelente na medida em que teve de se bater, entre os quatro adversários que lhe calharam em sorteio, com duas grandes equipas – o Tottenham (sexto classificado da Liga Inglesa) e a Juventus (campeão de Itália) -, além de ter eliminado o segundo classificado do campeonato grego e o sétimo do campeonato holandês. Na final, porém, o Benfica ficou aquém das expectativas, acabando por ser derrotado no desempate por grandes penalidades pelo Sevilha, quinto classificado do Campeonato espanhol a 27 pontos do campeão. Embora tenha sido manifestamente prejudicado pela arbitragem e tenha jogado desfalcado de três dos seus principais jogadores, por castigo, a verdade é que mesmo assim o Benfica tinha obrigação de fazer melhor: ser mais eficaz durante o jogo e mais competente na marcação das grandes penalidades. A final de Turim ficará para sempre na história do Benfica como a final que o Benfica “tinha obrigação” de ganhar e não ganhou. A derrota de Turim, apesar de decidida por grandes penalidades, é desprestigiante para o Benfica. É desprestigiante para um clube com o palmarés do Benfica ser eliminado pelo quinto classificado da Liga espanhola!

Ao fim de cinco épocas no Benfica, Jorge Jesus venceu 2 campeonatos, três Taças da Liga e uma Taça de Portugal.

Na Europa, o comportamento da equipa tem sido meritório, fundamentalmente na Liga Europa, e não tanto na Liga dos Campeões, onde apenas por uma vez passou a fase de grupos. Na Liga Europa, no primeiro ano de Jesus, o Benfica chegou aos quartos-de-final, tendo sido eliminado pelo Liverpool (2-1 e 1-4). Na época seguinte, foi eliminado pelo Braga nas meias-finais, depois de ter sido eliminado da Liga dos Campeões na fase de grupos, pelo Schalke 04 e pelo Lyon. Na terceira época de Jesus, o Benfica passou a fase de grupos da Liga dos Campeões, tendo sido o primeiro classificado com 12 pontos (o dobro do ano anterior) à frente do Basileia, do Manchester United e do Otelul, acabando por ser eliminado nos quartos-de-final pelo Chelsea, depois de ter eliminado o Zenit nos oitavos.

A carreira do Benfica na Liga dos Campeões, com Jesus ao leme, não tem sido boa. Em 2010/2011, foi eliminado na fase de grupos pelo Schalke 04 e pelo Lyon. O mesmo aconteceu em 2012/2013, também eliminado na fase de grupos, com 8 pontos, pelo Barcelona e pelo Celtic de Glasgow, tendo transitado para a Liga Europa, na qual chegou à final, sendo derrotado pelo Chelsea por 2-1. Em 2013/2014, o Benfica voltou a ser eliminado, na fase de Grupos, pelo PSG e pelo Olympiakos, desta vez com 10 pontos, tendo novamente transitado para a Liga Europa, onde teve o desfecho que se conhece. Somente em 2011/2012 o Benfica passou a fase de grupos e superou a primeira eliminatória, tendo sido eliminado na seguinte (quartos-de-final), devendo esta considerar-se a melhor participação internacional da equipa na era Jorge Jesus.

Em conclusão, nas cinco épocas de Jesus no Benfica, em quatro participações na Liga dos Campeões, somente por uma vez o Benfica passou a fase de grupos, enquanto na Liga Europa, em quatro participações, o Benfica foi por duas vezes à final, atingiu a meia-final uma vez (tendo sido eliminado pelo Braga) e ficou uma outra pelos quartos-de-final (eliminado pelo Liverpool). Donde se conclui que o Benfica de Jesus está mais vocacionado para jogar a Liga Europa do que a prova rainha do futebol europeu, embora os resultados obtidos pela equipa nestes últimos cinco anos, na Europa e especificamente na Liga Europa, sejam incomparavelmente superiores aos dos últimos dezanove anteriores à chegada de Jesus ao Benfica!

No plano interno, o Benfica com Jesus perdeu 3 campeonatos, quatro Taças de Portugal, uma Taça da Liga e uma Supertaça, o que, feitas as contas, dá, em termos absolutos, um rendimento ligeiramente inferior a 50%, embora – e é sempre bom não esquecê-lo – os resultados do Benfica nestes últimos 5 anos sejam incomparavelmente melhores do que os das duas décadas anteriores.

O futuro próximo do Benfica está, assim, muito dependente do que acontecer na próxima época e do modo como o Porto irá reagir ao desaire deste ano. É que, também é bom não esquecê-lo, apesar de Porto estar em quebra há cerca de três anos, neste últimos cinco anos da era Jesus no Benfica a média de pontos obtidos pelo FCP no campeonato nacional é de 75, 125 por época, enquanto a do Benfica se fica pelos 71,8. O que quer dizer que o Benfica tem de melhorar, relativamente a este ano – ano em que foi campeão -, se quiser ter a garantia de que voltará a ganhar.

Jesus tem indiscutíveis méritos, mas também tem indiscutíveis defeitos que tarda em corrigir. E já nem sequer nos referimos à manifesta egolatria do treinador e à sua conhecida “ciência”, que por vezes parece querer encarar os jogadores como simples marionetes de um plano “cientificamente” estabelecido que sempre resultará se for bem executado, cabendo os méritos do sucesso quase por inteiro ao conceptualizador e muito pouco, ou quase nada, aos executantes, porque essa forma de estar no futebol de Jesus faz parte da sua personalidade e será obviamente incorrigível. Mas referimo-nos àquilo que pode ser corregido e não é. Jesus deveria perguntar a si próprio por que razão as derrotas do Benfica acontecem nos momentos decisivos, quase sempre com equipas grandes ou em grandes provas do futebol internacional. Por que razão o Benfica quase nunca falha com os mais fracos e falha tantas vezes com os mais fortes ou com os seus iguais. Tem de haver uma explicação científica (sem aspas) para isto e é na busca dessa explicação que Jesus deveria gastar uma parte do seu tempo, tanto mais que não faltam entre aqueles que percebem de futebol e que actuam relativamente a Jesus e ao Benfica sem qualquer desejo de vingança e sem qualquer propósito mesquinho explicações que parecem válidas e que Jesus se recusa a considerar.

No futebol tudo pode acontecer e ainda bem que acontece porque é isso que faz com o futebol continue a ser um jogo. Mas quando as mesmas coisas acontecem várias vezes, tanto no futebol como na vida, temos obrigação de encontrar uma resposta racional para essas “coincidências”!  

sexta-feira, 2 de maio de 2014

BENFICA ELIMINA JUVENTUS E VAI À FINAL


 

CONTE QUEIXA-SE DO ÁRBITRO
El Benfica aguanta en Turín con diez y jugará la gran final

É difícil conceber maior decepção para os tiffosi da Juventus do que a eliminação desta noite, nas meias-finais da Liga Europa, ocorrida seu próprio estádio, numa época em que a final da prova se disputará nesse mesmo estádio.

Quem ouvia os italianos desde o dia em que o sorteio lhes reservou o Benfica como adversário ficava imediatamente a saber que a passagem à final era algo que parecia estar de antemão garantido. A ponto de Pirlo ter dito que tinha pena, pelo Benfica, do azar que teve – o azar de ter de defrontar a Juventus, o vencedor antecipado da Liga Europa.

Mas não foi isso o que aconteceu ontem à noite à semelhança aliás do que já tinha acontecido em 1968 para a Taça dos Campeões, quando a 15 de Maio daquele ano o Benfica derrotou a Juventus em Turim por 1-0, depois de ter ganho na Luz por 2-0, assegurando, assim, um lugar na final de Wembley contra o Manchester United.

Só que nessa altura não se ouviram os protestos que hoje “preencheram” a conferência de imprensa do treinador da Juventus, António Conte. Sem que nada o justificasse, a Juventus queixou-se do árbitro. De um árbitro que expulsou dois jogadores do Benfica e que concedeu à Juve um tempo extra de oito minutos e quinze segundos, depois de o ter fixado em seis minutos!

Ouvir Conte ou a própria Juventus queixar-se da arbitragem é o mesmo que ouvir Al Capone queixar-se do incumprimento da lei. Para quem não saiba ou já se tenha esquecido é bom lembrar que Conte já foi punido com dez meses de suspensão dos relvados italianos, pelo Tribunal de Justiça da Federação Italiana de Futebol, por não ter revelado a manipulação do resultado da partida Albinoleffe-Siena quando era treinador desta última equipa, tendo, posteriormente, a FIFA ampliado para nível mundial a punição da justiça italiana. E quanto à Juventus, como todos se recordarão, foi em 2006 punida com o rebaixamento de divisão (Série B) e perda dos títulos conquistados em 2005 e 2006 por manipulação de resultados na Série A! Portanto, em matéria de arbitragem estamos conversados…

Enfim, o árbitro não foi a personagem central do encontro desta noite em Turim. Não foi para ninguém, nem mesmo para a imprensa italiana que não alinha nas considerações de Conte, obviamente ditadas pela frustração da eliminação e como desculpa para o semi-fracasso de uma época que, a partir da eliminação da Liga dos Campeões, passou a apostar tudo nas vitórias no campeonato (em vias de ser alcançada) e numa prova europeia.

Quanto ao jogo, propriamente dito, fica a passagem à final do Benfica mercê do empate a zero alcançado em Turim num jogo de proporções épicas em que o Benfica conseguiu segurar a vantagem trazida de Lisboa (2-1)com dez em campo, por expulsão de Enzo Pérez, a partir dos 66 minutos e depois com nove nos últimos sete minutos por lesão de Garay. Como ressaca ainda a impossibilidade de poder dispor de Enzo Pérez e de Markovic na final, ambos expulsos – o primeiro do terreno de jogo e o segundo do banco – e ainda de Salvio que levou o segundo amarelo por alegadamente ter cortado com o braço um remate à entrada da área.

No Benfica não há jogadores a destacar, todos lutaram como verdadeiros campeões por um lugar na final. E conseguiram-no. É tudo!

Assim, a 14 de Maio o Benfica voltará a Turim para defrontar o Sevilha que no último minuto do tempo de compensação conseguiu marcar o golo que o coloca na final, apesar de derrotado por 3-1 em Valência.

Esta é a segunda final consecutiva do Benfica de Jesus na Liga Europa e a décima final europeia do Benfica, onde não voltou a conhecer a vitória depois da “maldição” de Guttman.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

LIGA DOS CAMPEÕES: FINAL MADRILENA EM LISBOA



BAYERN E CHELSEA DERROTADOS
El punta marcó desde el punto de penalti y celebró el tanto con su entrenador.

 

As meias-finais da Liga dos Campeões, hoje concluídas, proporcionaram uma final madrilena em Lisboa, entre o Real Madrid e o Atlético de Madrid, os dois grandes rivais da capital espanhola.

Mais do que uma vitória das duas equipas espanholas, os jogos das meias-finais talvez tenham ditado o fim de um certo tipo de futebol quando praticado por equipas de altíssimo nível, servidas por praticantes de primeiríssima qualidade. De facto, os resultados são tão evidentes que dificilmente alguém quererá voltar a copiar o “estilo Mourinho” ou o “tika taka” de Guardiola como caminhos seguros para a vitória.

É que, bem vistas as coisa, tanto um como outro constituem a negação do futebol espectáculo alicerçado numa obsessão defensiva que, enquanto se não encontrou o respectivo antídoto, retirava ao jogo a incerteza e espectacularidade que o deve caracterizar para ser apaixonante.

Pode parecer estranho que se encaixe sob a mesma denominação genérica dois estilos de jogo, o de Mourinho e o de Guardiola, aparentemente tão diferentes. A verdade é que só na aparência são diferentes, resultando essa aparente diferença no facto de um – o de Mourinho - atribuir a iniciativa do jogo ao adversário enquanto o de outro – o de Guardiola – tentar impedir durante todo o jogo a iniciativa do adversário - ou seja, confluem no propósito  comum defensivo que a ambos caracteriza, mas divergem no modo de organizar essa defesa.

Mourinho, usando um sistema clássico ou mesmo arcaico, defende sem bola, com dez jogadores atrás da linha da bola, reservando a um avançado de grande qualidade o trabalho extenuante de bloquear o início da construção do jogo do adversário e de aproveitar as oportunidades de golo que transições rapidíssimas possam proporcionar; além disso aguarda, como quem aguarda uma dádiva da natureza, que um livre perto da área ou um canto possam gerar um golo salvador. Guardiola, fazendo uso de um sistema mais moderno e eficaz enquanto não foi descoberto o antídoto, procurava garantir a inviolabilidade das suas balizas, mediante uma permanente defesa com bola, baseado na ideia muito simples de que o adversário se não tiver bola não pode marcar. No fundo é apenas uma outra forma de defender: é a defesa a partir da posse da bola, uma posse que não tem qualquer espectacularidade, que torna o futebol monótono e aborrecido tanto mais que se trata de uma posse que não arrisca, exactamente para a não perder, tentando por essa via evitar ao máximo a concessão de qualquer chance ao adversário.

A falência do estilo Mourinho consolidou-se nos três anos que passou em Madrid, embora os sintomas já viessem de trás, inclusive da primeira passagem pelo Chelsea, mas acabaram por ser atenuados em consequência da vitória alcançada ao serviço do Inter, apesar de ninguém poder esquecer a arbitragem de Olegário Benquerença no jogo que lhe assegurou a passagem à final…De todo o modo, o ano em curso apenas confirma o que há muito se adivinhava, mesmo contando o treinador conta com a colaboração disciplinada dos jogadores, o que nem sempre aconteceu em Madrid por os grandes nomes do Real Madrid considerarem indigno dos pergaminhos do clube e dos seus méritos de campeões da Europa e do Mundo o sistema de “pequena equipa” que Mourinho lhes pretendia impor.

Guardiola teve ontem a sua primeira grande derrota e vai certamente levar algum tempo a perceber se o “sistema Guardiola” também não tem mais futuro, como de resto Beckenbauer já o deixou bem explícito.

Pelo contrário, Ancelotti e Simeone estão em alta e nela vão continuar durante muito mais tempo. Apesar de serem dois estilos diferentes, e de o de Ancelotti assentar em individualidades altíssimo valor, ambos têm em comum, além do respeito pelos jogadores, a alegria e a espectacularidade que o jogo de ambos transmite, o de um com mais arte e o de outro com mais empenho e esforço.

Por isso, porque ambos gostam de futebol, a final está bem entregue e vai ser certamente um grande espectáculo. O Real parte com vantagem pelos valores individuais que o compõem, mas o Atlético, sem vedetismos, pode muito bem contrariar essa vantagem e sagrar-se campeão, o que seria, nos tempos que correm, um feito espectacular.

Por falar em vedetismo, é cada vez mais evidente – e a prazo pernicioso – o vedetismo de Cristiano Ronaldo, como mais uma vez no jogo de ontem aconteceu, dividindo o seu tempo entre a câmara e o jogo propriamente dito. Apesar de o grande mérito individual no jogo de ontem ir inteirinho para Sérgio Ramos, dois golos, Cristiano Ronaldo não aparece nos festejos dos golos. Depois, volta a fazer muito espectáculo no primeiro golo que marca, apesar de se tratar de um golo fácil cujo mérito pertence integralmente a Bale. E que seria das vedetas sem o trabalho extenuante de Benzema?

Em conclusão, sem Xabi Alonso na final, as coisas complicam-se para o Real e ainda se complicarão muito mais se não vencer…porque nesse caso o excesso de “vedetismo” em detrimento do colectivo acabará por vir ao de cima com consequências difíceis de antecipar…Claro, que se houver vitória – a famosa décima – tudo será esquecido…até à próxima derrota.

 

domingo, 27 de abril de 2014

OXALÁ MOURINHO PERCA


A NEGAÇÃO DO FUTEBOL
Inför Liverpool - Chelsea

Mourinho é verdadeiramente a negação do futebol. Se treinasse uma equipa barata, composta por jogadores modestos, de parco orçamento à qual se exigisse a manutenção na divisão principal ainda se compreenderia que Mourinho jogasse como efectivamente joga – ou seja, privilegiasse o anti-futebol, exclusivamente preocupado com o resultado. Mas andando Mourinho na alta-roda do futebol mundial, tendo ao seu dispor orçamentos de milhões, servido pelos melhores jogadores, é absolutamente inaceitável que pratique o futebol que infelizmente vemos sempre que as suas equipas entram em campo assim como é inaceitável que a crítica não se manifeste contundentemente contra aquela “filosofia de jogo”.

Aliás, como já por várias vezes o dissemos, o “êxito” de Mourinho só é possível em equipas que representam pouco e muito poucos no futebol do país a que pertencem.

Mourinho teve êxito no Porto, no Chelsea e no Inter de Milão, porque nenhuma destas equipas têm um número de adeptos suficientemente vasto e diversificado nem um passado alicerçado em tradições e níveis de exigência exibicionais capazes de impor outra atitude desportiva. O que lhes interessa é ganhar seja como for. Tentam por via da vitória alcançada a qualquer preço compensar a grandeza que efectivamente lhes falta e supõem ainda, contra o que os factos e a história ensinam, que é da soma dessas vitórias alcançadas de qualquer jeito que acabará por lhes advir a grandeza que realmente lhes falta.

Em equipas de pergaminhos firmados, com uma respeitável e brilhante história de dignidade desportiva, como por exemplo o Real Madrid, o “resultadismo” de Mourinho está de antemão votado ao fracasso como efectivamente veio a acontecer e voltará a acontecer se por equívoco Mourinho voltar a ser contratado por uma equipa de idênticos pergaminhos.

Nestas equipas o resultado não conta como algo completamente desligado do modo como é alcançado. Nestas equipas o resultado que conta é o alcançado dentro das quatro linhas com níveis exibicionais invejáveis e no respeito pelo adversário. Em equipas com este padrão de exigência ética e desportiva, não só não interessam como até incomodam os “jogos fora do campo” de Mourinho contra os adversários, contra árbitros, contra o poder regulador do futebol. Toda essa inacreditável lenga-lenga que Mourinho põe permanentemente em prática para tentar condicionar o resultado é vista nas equipas com passado como uma séria ameaça de descaracterização da história e da tradição da clube, causadora de um mal estar que acaba por corroer a relação de confiança que inevitavelmente tem de haver entre o treinador e a equipa encarada na sua mais viva individualidade.

Esta forma de encarar o futebol tem no plano técnico táctico o modelo de jogo que infelizmente vemos o Chelsea praticar jogo após jogo. Ou seja, um modelo exclusivamente voltado para o resultado, quase sempre alcançado à custa de um futebol covarde que se recusa a jogar de igual para igual contra os seus adversários e antes se refugia num triste e traiçoeiro futebol defensivo que tudo é capaz de hipotecar, inclusive a própria dignidade dos jogadores, a um resultado positivo.

Foi assim contra o Atlético de Madrid na semana passada e voltou a ser hoje contra o Liverpool. Portanto, quem gosta verdadeiramente de futebol, só pode fazer votos muito sinceros para que Mourinho e a sua equipa não alcancem nenhum dos resultados que almejam. Que Mourinho seja derrotado na Liga dos Campeões e na Premier League é o mínimo que um adepto de futebol pode verdadeiramente desejar a bem do futebol!


segunda-feira, 21 de abril de 2014

BENFICA CAMPEÃO


 

33 CAMPEONATOS



 O Benfica e os benfiquistas estão de parabéns. Conquistaram ontem o trigésimo terceiro campeonato nacional de futebol, a prova maior do futebol português.

Na hora da vitória é preciso saber ganhar. E a primeira coisa que naturalmente ocorrerá perguntar, antes de falar dos principais adversários do Benfica, é se foram justas e adequadas todas as críticas dirigidas durante a época ao presidente Luís Filipe Vieira e ao treinador Jorge Jesus, um e outro tantas vezes alvo das críticas, por vezes contundentes, deste blogue.

Na hora da vitória, além de saber ganhar, é também preciso saber fazer a autocrítica quando ela se justifica. E a primeira autocrítica a fazer, aconteça o que acontecer até ao fim da época, é que Vieira tinha razão quando aguentou Jesus contra a maioria da direcção e contra a opinião e o desejo de muitos benfiquistas de longa data. Jesus ganhou o campeonato e isso é muito importante, ou o campeonato não fosse a prova maior do futebol português e a que garante a entrada directa na Liga dos Campeões.

Mas não basta fazer esta autocrítica. É preciso também reconhecer que nesta época Jorge Jesus aprendeu muito. É certo que o orgulho e uma certa incultura levam-no a não reconhecer o muito que aprendeu nesta quinta época ao serviço do Benfica. Mas, diga ele o que disser, a verdade é que actualmente o futebol do Benfica é mais consistente e mais seguro do que nas épocas anteriores. Jorge Jesus foi gradualmente trocando a loucura do futebol de ataque espectacular por um futebol mais seguro defensivamente, por força das alterações introduzidas no meio campo e também, é bom não esquecê-lo, por força do extenuante papel de cobertura desempenhado pelos dois principais goleadores do Benfica – Lima e Rodrigo.

Mas com este facto prende-se uma outra crítica que frequentemente lhe foi feita e que, analisadas as coisas com calma, nem sempre se justifica ou, pelo menos, se não justifica nos termos em que foi feita. E a questão é esta: é óbvio que a equipa perdia eficácia, ficava um pouco mais vulnerável (embora os números dificilmente o demonstrem) sempre que a famosa "rotatividade" impunha alterações à equipa tipo. Isso era notório. Todos viam isso e, seguramente, Jorge Jesus também. Mas o que nem todos viam é que essa menor eficácia era mais que compensada por uma “gestão do balneário” inteligente. Com a rotatividade todos os jogadores do plantel, ou quase todos, se sentiam úteis e titulares. A equipa não era constituída por onze e mais alguns, mas por vinte e tal jogadores e todos jogavam, todos puxavam para o mesmo lado e todos eram solidários. E a “gestão do balneário” é tão importante para as vitórias como a inteligência táctica do treinador.

E foi ainda com essa rotatividade que se conseguiu alcançar a excelente forma de Sálvio, de Sílvio e de Rúben Amorim, todos infelizmente lesionados, com maior ou menor gravidade. Somente Cardozo, apesar das inúmeras oportunidades de que desfrutou, não conseguiu alcançar o nível de outros tempos. Embora haja razões específicas para isso: Cardozo não fez a pré-época e depois esteve cerca de três meses parado por lesão. Mesmo assim, antes da lesão, Cardozo foi decisivo naqueles jogos em que o Benfica ainda não tinha superado os danos psicológicos causados pela época passada.

Analisado este ponto, resta dizer que o Benfica foi a equipa que melhor futebol jogou, a mais espectacular, a mais consistente, a mais eficaz, a mais regular. Por tudo isso, a vitória não tem contestação.

Na equipa do Benfica todos sobressaíram pela positiva. Os dois guarda-redes, os quatro laterais, os seis médios, os quatro médios ala, e os avançados propriamente ditos.

É preciso, porém, continuar. A vitória por 2-0 contra o Olhanense, com dois golos de Lima, assegurou a vitória no Campeonato. Mas ainda está por jogar a final da Taça de Portugal, as meias-finais da Liga Europa e e a meia final da Taça da Liga, provas onde o Benfica tem uma importante palavra a dizer, agora que a questão do campeonato está arrumada!

terça-feira, 15 de abril de 2014

AMANHÃ, TAÇA DE PORTUGAL


 

BENFICA A UM PASSO
"Queremos estar no Jamor"

O Benfica está a um passo de quase tudo. A um passo de ser campeão, a um passo de passar à final da Taça de Portugal, a um passo de jogar a final da Taça da Liga e a dois passos de estar presente na final da Liga Europa.

De todos, o passo mais fácil de dar é o que levará à vitória no campeonato. Com dois jogos em casa, um contra um aflito e outro contra uma equipa que começou a jogar bem na segunda volta, o Benfica tem tudo para já ir ao Dragão campeão.

Os outros passos, simples ou duplos, são todos difíceis de dar. Contra o Porto não vai ser fácil amanhã nem a 27 de Abril. Nos últimos anos, com excepção de uma final da Taça da Liga jogada no Algarve, todos os jogos decisivos contra o Porto não têm sido pêra doce. E amanhã, para a Taça de Portugal, também não vai ser. Ainda com tudo em jogo, o Benfica não terá a tranquilidade necessária para fazer um jogo calmo. E o Porto joga amanhã o pouco que lhe resta da época. Antevê-se uma partida muito difícil. A derrota fora por 1-0, nos jogos a eliminar, é dos piores e mais traiçoeiros resultados que se pode trazer para a segunda eliminatória.

Na Taça da Liga já tudo será diferente. Por essa altura já o Benfica terá a questão do campeonato arrumada e também resolvida a ida ou não à final da Liga Europa. Mas não será a vitória nesta competição, mesmo a juntar à do campeonato, que fará da época do Benfica uma grande época. Uma grande época pressupõe, além da vitória no campeonato, uma vitória na Taça de Portugal ou na Liga Europa. Fora disso, são serviços mínimos, tendo em conta o plantel de que o Benfica dispõe.

Contrariamente ao que muitos dizem, o Benfica não tem qualquer vantagem em jogar duas vezes contra a Juventus, seria bem melhor jogar contra uma equipa espanhola e apanhar a Juve na final, num só jogo, mesmo que esse jogo seja em Turim.

Em conclusão, amanhã a época do Benfica começa a definir-se e logo veremos em que sentido…

sexta-feira, 11 de abril de 2014

BENFICA NAS MEIAS-FINAIS DA LIGA EUROPA


 
FCP ELIMINADO

 

O Benfica está nas meias-finais da Liga Europa, depois de esta noite ter eliminado facilmente o AZ Alkmaar, com uma vitória por 2-0 a juntar à obtida na Holanda na semana passada por 1-0.

Não há nada de muito extraordinário nesta qualificação do Benfica. Era o mínimo que se lhe exigia, quer pela qualidade dos adversários que teve de defrontar, quer pela própria natureza da prova.

Já aqui o dissemos várias vezes: a Liga Europa é uma prova menor disputada na fase de grupos entre equipas de pouca categoria – algumas nunca ninguém ouviu falar – e depois, nas fases a eliminar, entre os vencedores e segundos classificados dos grupos mais os derrotados da Liga dos Campeões. O Benfica tinha equipa para ter continuado na Liga dos Campeões, em mais uma ou duas eliminatórias, pelo menos.
Dá pena ver jogar na Liga Europa jogadores como Luisão, Garay, Siqueira, Enzo Pérez, Salvio, Markovic, Rodrigo e Lima. Estão em forma excepcional e teriam feito furor numa prova a sério. Ainda esta noite Rodrigo e Luisão voltaram a exibir-se a grande nível, embora outros, como Garay, Djuricic e Salvio também tivessem estado muito bem. Os dois golos de Rodrigo são também a prova da sua extraordinária forma física ...apesar de jogar muitas vezes.

E disto é que Jorge Jesus tem de falar e não tanto nos sucessos da Liga Europa que, verdadeiramente, nada tem de muito relevante. Os jogadores mereciam muito mais. É claro que Jesus pode dizer que nos últimos anos anteriores à sua chegada ao Benfica, nada de semelhante se fez. É verdade. Mas também toda a gente sabe que nunca nenhum desses treinadores teve à sua disposição plantéis como aqueles que Jorge Jesus tem tido. E embora haja mérito de Jesus na escolha desses plantéis, se não tivesse havido investimento, essas escolhas não poderiam ter sido feitas.

O Benfica foi grande na Europa na Taça dos Campeões e só voltará a ser grande na Europa nessa competição é não nesta em que agora está. Esta não passa de um prémio de consolação dos derrotados…

Mas há mais: o Benfica tem obrigação de ir à final, seja qual for o adversário que o sorteio lhe reserve. Quem tem no seu plantel Luisão, Garay, Siqueira, Enzo Pérez, Gaitan, Salvio, Markovic, Rodrigo e Lima não pode aspirar a menos. Mas é evidente que se Jesus continuar a insistir numa equipa integrada por dois jogadores em péssima forma…tudo poderá acontecer.

Importante no plano nacional, além do campeonato -  que o Benfica não pode perder - é a Taça de Portugal. Aqui também não poderá haver desculpas, o Benfica tem de eliminar o Porto. Se não eliminar, será um fracasso. Já quanto à Taça da Liga, tanto dá ganhar como perdê-la. Portanto, nada de inverter as prioridades.

Os jogadores do Benfica que mais jogam – Luisão, Garay, Rodrigo – são os que estão em melhor forma, portanto a rotatividade apenas serve para fazer jogar outros, não para fazer descansar os que não jogam. Ganhar…não cansa!

Não há palavras para descrever a infelicidade de Sílvio, um excelente jogador. Que azar tem Sílvio, estava em forma, teria lugar na selecção e merecia participar nas vitórias que todos aguardam. Infelizmente, vai ficar parado muito tempo.

A outra equipa portuguesa – O FC Porto – foi copiosamente derrotada em Sevilha por 4-1.

O Porto atravessa uma grave crise cujas causas são múltiplas. Em primeiro lugar, um futebol mais limpo que o de há anos atrás. Depois, a decadência de uma gestão que teima em não ceder o lugar aos mais novos. Finalmente, um conjunto de negócios de valor muito duvidoso para o clube explicam o resto.

Falta dizer que nas meias-finais da Liga Europa estarão Benfica, Sevilha, Valência (ambos clubes de segunda linha da Liga espanhola) e Juventus.

Na Liga dos Campeões: Real Madrid, Chelsea, Bayern de Munique e Atlético de Madrid.

Mais logo se saberá como uns e outros ficarão acasalados.

sexta-feira, 28 de março de 2014

PERDER CANSA MUITO


 

MAS JESUS NÃO SE CONVENCE...



Se havia necessidade de provar que há dois “Benficas”, um com Fejsa e Enzo Pérez, no meio e com Markovic, Rodrigo, Lima e Gaitan na frente e outro com Rúben Amorim e qualquer outro no meio campo, e com Salvio, Cardozo e Sulejmani na frente, essa prova ficou ontem definitivamente feita no Porto.

Um Benfica irreconhecível, incapaz de construir uma jogada, perdendo bolas umas atrás das outras, um Benfica de pontapé parta a frente, completamente dominado por um Porto que não tem sido capaz de dominar sequer as mais fracas equipas que este ano defrontou, foi o Benfica que ontem tivemos no Dragão durante toda a primeira parte. Na segunda, compôs-se um pouquinho, principalmente depois da entrada de Gaitan e mais tarde, quase no fim, de Markovic, mas mesmo estes já nada de essencial poderiam mudar, porque o pior já estava feito.

Por todas as razões, desde logo as psicológicas, mais importantes que quaisquer outras pelo que aconteceu o ano passado, o Benfica tinha obrigação, o Benfica precisava de ganhar no Dragão ou, no mínimo, de não perder. O que o Benfica não precisava nada, mesmo nada, era de perder contra o Porto e ainda menos de fazer uma triste e pobre exibição, que só não teve outra consequência ao nível do resultado por sorte, muita sorte.

Jesus do alto da sua auto-suficiência entende que dá descanso aos jogadores não os pondo a jogar em jogos importantes e decisivos, deixando a sorte da equipa entregue aos acasos do jogo. Os melhores jogadores do Benfica têm de estar preparados, tal como os do Real Madrid ou do Barcelona ou do Chelsea, para jogar duas vezes por semana e para jogar todos os jogos importantes e decisivos.

Jogar e ganhar não cansa. O que cansa é perder, tanto para quem joga como para quem não joga. A equipa ficou ontem muito mais fatigada e descrente ao fim daqueles tristes 90 minutos do que teria ficado se tivesse feito um jogo de grande intensidade e tivesse ganho. Mas isto Jesus não percebe. Jesus não tem ponta final. Como o ano passado se viu e este ano se poderá ver novamente…

Hoje, pense Jesus o que pensar, o Benfica não sabe jogar com Cardozo. Aquele futebol de pontapé para frente não é nada. Além de que Cardozo não está jogando realmente nada como ontem mais uma vez se viu. De realçar também a péssima exibição de Rúben Amorim na primeira parte que falhou passes em série e esteve quase sempre mal posicionado. Infelizmente, também Garay esteve irreconhecível. Com o esquema de jogo de ontem até Rodrigo desaprende, apesar de ter sido juntamente com Luisão o melhor que o Benfica apresentou em campo. Mas Rodrigo não pode, por muito bom que seja e por melhor que seja a sua forma, fazer o papel dele e de mais dois. Não é humano exigir-lhe isso. Saiu duplamente cansado: por se ter esforçado tanto em vão e por ter perdido.

Em conclusão: dificilmente o Benfica passará à eliminatória seguinte, a derrota por 1-0 fora é, nas provas a eliminar, um péssimo resultado. Diz a história que neste tipo de provas mais vale, no primeiro jogo, perder em casa por 1-0 do que fora pela mesma marca. Se a memória não falha nunca o Benfica perdeu uma eliminatória depois de uma vitória em casa, no primeiro jogo, por 1-0. Por isso, as hipóteses do Benfica são escassas e serão nulas se Jesus insistir em não colocar a jogar a melhore equipa.

Jesus não compreendeu o que ontem se jogava no Dragão. Domingo, em Braga saber-se-á...

Finalmente, pelo que se vê e pelo que se ouve que é de crer que, na próxima época, o Porto  queira ficar ou com Jesus ou com Leonardo Jardim. O Benfica, desde que devidamente ressarcido, não deve ficar muito incomodado com isso. Mas cautela, nada de contratar um treinador que até hoje, como jogador ou como treinador, só jogou ou só treinou equipas pequenas. Se os erros do Porto servem para alguma coisa...esta é uma delas.

 


quarta-feira, 26 de março de 2014

QUEM NÃO GOSTA DO TREINADOR DO PORTO?


 

HOJE À NOITE PORTO-BENFICA PARA A TAÇA
 

 

Depois de mais uma jornada para a Liga, que foi mais empolgante lá fora, principalmente em Espanha e em Inglaterra, do que cá dentro, não houve verdadeiramente nada de importante a assinalar. Até o Sporting esteve mais ou menos calado relativamente ao jogo que fez na Madeira, embora tivesse mais uma vez mostrado a sua boa educação nuns comentários feitos a propósito de um jogo passado. Assim algo como uma digestão retardada…

Pois bem, o Benfica ganhou concludentemente à Académica, sendo muitíssimo injustas as palavras que o treinador da Briosa dirigiu à sua própria equipa, sejam elas entendidas à letra – dirigidas à Académica – sejam elas interpretadas com o sentido que verdadeiramente ele lhes quis dar – desvalorização da vitória e da exibição do Benfica. Mas também não é de admirar vindas elas de onde vieram. O que o treinador da Académica deveria ter dito é que nunca este ano levou uma lição de futebol equiparável à que no domingo levou na Luz, apesar das suas “brilhantes estratégias” para a impedir.

O Sporting ganhou bem na Madeira, embora a defesa do Marítimo seja muito permissiva e o meio-campo pouco compacto. Mas disso o Sporting não tem culpa e, claro, com a vitória alcançada tratou logo de fazer a comparação com as derrotas que o Benfica e do Porto sofreram no mesmo Estádio. Os dirigentes não tiraram publicamente conclusões, mas a gente advinha as que lhes iam na cabeça. Como o Sporting verdadeiramente só é notícia pelas pressões e tentativas de coacção que exerce sobre os árbitros convém recordar as palavras de Victor Pereira que na semana que antecedeu o jogo da Madeira revelou que os árbitros estavam com medo e que muitos deles temiam pela vida e integridade física tanto deles como dos que lhes são próximos, já que as ameaças por todos os meios, inclusive, por telefonemas anónimos não paravam de lhes chegar. Espantoso é que sendo este o estado anímico dos árbitros ninguém tome medidas disciplinares sérias para pôr cobro a esta situação, já que toda a gente sabe donde partem essas pressões e quem tornou público os telefones e as moradas dos árbitros. Por que razão ninguém actua?

O Porto ganhou com muita dificuldade a um Belenenses que jogou com dez toda a segunda parte, quando, se o árbitro tivesse tido coragem, poderia ter jogado em vantagem pelo menos durante toda a primeira parte por expulsão de Mangala logo no começo, por conduta violenta. Acabou, todavia, por ganhar e do Porto, não obstante o empenho que os jogadores estão pondo nos jogos, o que verdadeiramente sobressai é o treinador, Luís de Castro, uma pessoa de quem toda a gente gosta. Correcto, educado, cortês, competente, simpático e profissional. É difícil aparecer no futebol alguém como ele.

Em Espanha, o Real Madrid perdeu em casa com o Barcelona por 3-4 e ficou igualado com o Atlético de Madrid na frente e ficando ambos apenas a um ponto do Barça. No pior estilo português Ronaldo atribuiu ao árbitro a responsabilidade pela derrota. Sim, o árbitro incorreu no erro de ter assinalado uma grande penalidade a favor do RM por falta sobre Ronaldo cometida fora da área. Na mesma onda alinhou Sérgio Ramos, que já deve ser hoje o recordista mundial das expulsões. Só no RM já leva 25! Claro, culpa dos árbitros.

Em Inglaterra, Mourinho que é um homem com sorte, depois de ter na conferência de imprensa humilhado Arsène Wenger com palavras sarcásticas e impróprias, pelas quais um dia há-de pagar, acabou por no campo ver a sua equipa infligir ao Arsenal uma contundente derrota por 6-0. Mais uma vez o Arsenal começa bem e acaba mal, outras começa mal e só tarde e a más horas recupera. O Chelsea continua em primeiro, mas o campeonato ainda não está ganho. Tanto o Manchester City como o Liverpool poderão lá chegar, apesar da irregularidade de que ambos dão mostras.

Logo à noite, o Benfica parte tranquilo e confiante para jogar com o Porto a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. Provavelmente, com tranquilidade a mais. No entanto, se o Benfica jogar – como deve – com a equipa tipo, dificilmente perderá. Mas se Jesus insistir na rotação em jogos importantes e decisivos como este, dificilmente ganhará sendo muito mais provável que perca, não necessariamente contra a classe do Porto, mas sobretudo contra a vontade do Porto…

sexta-feira, 21 de março de 2014

OS SORTEIOS DA UEFA


 

BENFICA E PORTO COM JOGOS ACESSÍVEIS
Así quedan los cuartos de final de la Champions League
 
Basilea-Valencia y Porto-Sevilla en cuartos de la Europa League

 

Na Liga dos Campeões o sorteio emparelhou as equipas mais fortes com as teoricamente mais fracas. Nesse aspecto, Mourinho que costuma ser bafejado pela sorte desta vez não teve a fada da fortuna a protegê-lo. Por um lado, o sorteio não ditou nenhum encontro entre dois “tubarões”, o que seria útil para Mourinho porque, nesse caso, um deles ficaria depois dos quartos de final necessariamente de fora, e, por outro, porque o adversário do Chelsea – PSG – faz com que este seja o jogo provavelmente mais equilibrado dos quatro.

O Real Madrid que é, este ano, juntamente com o Bayern de Munique, o grande favorito, não deverá ter agora as mesmas dificuldades que teve o ano passado com o Borússia Dortmund, ao qual não conseguiu ganhar tanto na fase de grupos como nas meias-finais. O Real Madrid está a jogar incomparavelmente mais com Ancelotti do que com Mourinho e o Dortmund está claramente mais fraco do que no ano passado – em segundo lugar na Bundesliga a 23 pontos do primeiro (Bayern).

O Bayern, o outro grande favorito, vai defrontar-se com um destroçado Manchester United - em sétimo lugar na Premier League a 18 pontos do primeiro - que está a léguas do que costumava, em regra, ser com Fergusson. Em princípio, passará apesar das dificuldades que manifestou nos oitavos contra o Arsenal.

O Barcelona, a quem calhou em sorte o Atlético de Madrid, também seguirá em frente, apesar da boa época que o Atlético está fazendo em Espanha e na Europa. Mas não é crível que em dois jogos o Atlético leve a melhor.

Finalmente, o Chelsea - PSG vaticina-se como o encontro mais equilibrado da jornada. Somente Mourinho, de um lado, com as suas tácticas superdefensivas e com o seu futebol pouco corajoso, resultadista ou até covarde, como alguns dizem, e Ibrahimovic, do outro, com a sua classe e o seu talento o poderão desequilibrar.

Na Liga Europa, a II Divisão da Europa, tanto o Benfica como o Porto se podem dar por felizes, quer por o sorteio não ter ditado um confronto entre ambos, quer por terem sido poupados a uma disputa com a Juventus ou até mesmo com o Valência. Em princípio, passarão à fase seguinte, embora o Benfica não possa facilitar como ontem aconteceu, sob pena de ficar pelo caminho. Jorge Jesus tem de se convencer que o Benfica tem plantel para jogar nas várias competições em que está.

Ao Benfica saiu o AZ Alkmaar que está na Liga Holandesa a 19 pontos do primeiro, o Ajax, e tem no campeonato 12 vitórias, 12 derrotas e 4 empates. Enfim, uma equipa contra a qual o Benfica tem a obrigação de resolver a eliminatória logo no primeiro jogo.

O Porto defrontará o Sevilha que está em sétimo lugar no campeonato espanhol a 26 pontos do primeiro (Real Madrid) com 12 vitórias, 8 empates e 8 derrotas. Apesar da irregularidade da equipa portista, também não se espera – não se pode esperar - outro resultado que não seja a passagem à fase seguinte.