terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O VIGARISTA DA VERDADE DESPORTIVA


 
O QUE IMPORTA SABER

O vigarista da verdade desportiva é o que apela à verdade das decisões com base nas “novas tecnologias” e simultaneamente passa o seu tempo de antena a proferir juízos de intenções, contrapondo factos reais a factos congeminados pela sua mente doentia. O vigarista da verdade desportiva é o que apela à utilização das “novas tecnologias” sem sequer se dar ao trabalho de explicar aos telespectadores que esse uso é bem limitado e que, a aplicarem-se, apenas tinham a virtualidade de substituir um árbitro por outro, com a diferença de esse outro estar longe dos jogadores e das jogadas.

A “verdade desportiva” na boca de um vigarista é sempre uma grande mentira.

Começando pelas mentiras: era ou não importante os telespectadores saberem a quem pertence o tempo de antena da televisão onde se propaga a “verdade desportiva”? De quem é esse tempo de antena: é da cadeia de televisão sob cujo sinal ele se transmite ou é de alguém que lá está e que o paga para a ele ter acesso? Para começar era importante saber isto: a “verdade desportiva” exige-o!

Passemos depois aos processos de intenções que são a forma mais covarde e insidiosa de espalhar a mentira e o ódio. O exemplo típico é este: perguntar, deixando subentendida a resposta, o que teria decidido o árbitro se fosse um jogador do Benfica a faltar-lhe ao respeito?

Antes de mais, é bom que se perceba que somente um vigarista profissional formula a pergunta nestes termos Uma pessoa séria trataria o assunto, apresentando factos. E então afirmaria: os jogadores x, y e z do Benfica nos jogos tal e tal faltaram ao respeito ao árbitro e não foram expulsos. Mas mesmo que isso tivesse acontecido jamais tal atitude do árbitro poderia ser invocada para justificar a não punição de comportamentos futuros da mesma natureza. O erro do árbitro não muda a regra, que se mantém válida e eficaz, devendo tal erro justificar uma grave censura e uma penalização ao árbitro que não cumpriu a lei.

Ou, então, um comentador sério afirmaria: Coroado, num jogo contra o sporting, expulsou Cannigia por uso de palavras impróprias (apesar de toda a gente ter ficado convencida de que Coroado se enganou, supondo que estava mostrar o segundo amarelo; mas como o que conta é a palavra do árbitro, Cannigia foi expulso por palavras indecorosas proferidas contra o árbitro); João Pinto foi expulso mais de meia dúzia de vezes pelo mesmo motivo; Petit foi expulso no Bessa por João Ferreira pelo mesmo motivo; idem Coentrão; e os exemplos poderiam multiplicar-se. E então teríamos múltiplos casos de jogadores do Benfica expulsos por palavras ou gestos impróprios dirigidos ao árbitro.

Obviamente, que um vigarista da verdade desportiva passa por cima de tudo isto, porque o que verdadeiramente lhe interessa é lançar a suspeita e deixar consolidar a suspeição.

Passemos agora à “verdade desportiva” propriamente dita. Qualquer pessoa minimamente instruída sabe ou percebe, se lhe explicarem, que as regras, quaisquer que elas sejam – jurídicas, morais, religiosas, de cortesia, desportivas, etc – não têm uma aplicação matemática. Só em circunstâncias muito especiais e raras é que as coisas se passam assim. Ou seja, só em casos raríssimos é que a aplicação da norma é unívoca, querendo com isto dizer que todas as pessoas chegam ao mesmo resultado. Na maior parte dos casos, porém, há que fazer uma avaliação, há que analisar valorativamente se um concreto comportamento corresponde ou não ao comportamento abstractamente prescrito na norma. E como este juízo não é um juízo de ciência, mas um juízo valorativo, é normal que as pessoas perante uma determinada situação não cheguem todas à mesma conclusão – umas avaliarão de um modo o comportamento, outras de outro. Isto passa-se em todos os complexos normativos.

Daqui resulta, antes de mais, que a esmagadora maioria das situações ocorridas num jogo de futebol têm de ser avaliadas seja por quem o dirige dentro do campo, seja por alguém fora do campo. Mas o juízo que esse árbitro terá de formular será sempre um juízo susceptível de controvérsia, já que se trata de um juízo valorativo, ou seja, um juízo que varia ou que pode variar de pessoa para pessoa. Se esse juízo não for formulado pelo árbitro que está no campo, alguém vai ter de o fazer por ele fora do campo. E não é por esse alguém, fora do campo, poder ver a jogada repetida pela televisão, que esse juízo deixa de ser um juízo de valor para se tornar num juízo de ciência. Esse juízo, como se já disse, mantém-se valorativo, quanto à sua natureza, o que quer dizer que duas pessoas podem chegar a conclusões opostas.

Juízos de ciência, possibilitados pelo uso das novas tecnologias no futebol, só existem, em três situações: saber se a bola ultrapassou ou não a linha de golo; saber se a bola saiu ou não do rectângulo de jogo; e saber se há ou não off side.

Apesar de apenas haver estes três casos qualquer pessoa minimamente inteligente percebe que eles não estão todos no mesmo plano. Digamos que há duas situações verdadeiramente absolutas, no sentido de que sempre podem ser aplicadas, e uma outra que é relativa, já que apenas poderá servir parcialmente, digamos, para evitar o pior, mas nunca absolutamente.

No primeiro grupo de casos, estão as decisões sobre se houve ou não golo, por a bola ter ultrapassado a linha de baliza, e sobre se a bola saiu ou não do rectângulo de jogo. Se a resposta for afirmativa, no primeiro caso, o árbitro interrompe o jogo, valida o golo e manda a bola ao centro e no segundo ou manda efectuar o lançamento lateral, ou pontapé de baliza ou o corner, consoante o lado por onde a bola tiver saído e consoante quem a tiver posto fora do campo.

Quanto ao fora de jogo, a questão é mais complicada. Das duas, uma: ou os árbitros assistentes deixavam de assinalar foras de jogo e tudo ficava entregue às “novas tecnologias” ou os árbitros assistentes mantêm essas competências e nesse caso o uso das novas tecnologias é meramente relativo, já que serve apenas para invalidar os golos irregularmente marcados.

Dificilmente se poderia aceitar como regra geral que os árbitros assistentes deixassem de assinalar os fora de jogo. Isso tornava o futebol quase inviável como espectáculo, além de o transformar num jogo ultradefensivo. Portanto, como os árbitros assistentes têm de continuar a assinalar os fora de jogo, as novas tecnologias neste caso só servem para invalidar os golos marcados irregularmente e não para corrigir os off side incorrectamente assinalados que vão continuar a existir sem outras consequências.

Fora destes três casos, que o vigarista da verdade desportiva nunca sequer abordou com a complexidade que eles têm, o que o vigarista da verdade desportiva pretende é substituir o árbitro do campo, por um árbitro de televisão susceptível de todo o tipo de pressões pelos comentadores seus pares. Só que o vigarista da verdade desportiva tenta passar como verdadeira a ideia de que por essa via as decisões serão sempre corrrectas e unívocas. Para se perceber como o vigarista da verdade desportiva está a tentar vigarizar as pessoas basta atentar no modo como ele próprio aprecia os lances e a qualificação que deles faz.

E não voltaremos a perder tempo com vigaristas nem com moços de fretes, que de futebol nada percebem, do qual quase não falam e quando falam é apenas para intrigar e lançar suspeitas infundadas. Se fizessem um boicote aos vigaristas da verdade desportiva, eles teriam que ir gozar os rendimentos da tia para outra freguesia.

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O BENFICA QUE SE CUIDE




 

UMA CAMPANHA DE GRANDES PROPORÇÕES ESTÁ EM CURSO
Moreirense-Benfica, 1-3 (crónica)
 
 

Desde a radio à televisão, passando por alguma imprensa, está em curso uma gigantesca campanha contra o Benfica com base em factos que, por vezes são verdadeiros, mas que de forma alguma justificam as conclusões que a partir deles se prtendem tirar.

Analisemos o jogo de ontem  contra o Moreirense. Há no jogo de ontem dois factos incontroversos, que acontecem em cada jornada, nos mais diversos cantos do mundo, às dezenas, sem da sua constatação se tirem outras consequências que aquelas que eles próprios encerram.

Mas não foi isso que se passou em Portugal logo a seguir ao jogo. Os dois factos incontroversos são os seguintes: nos muitos, muitos cantos que o Benfica conquistou no jogo de ontem, houve um que foi erradamente assinalado. Não era canto, era pontapé de baliza. Quantas vezes isso acontece? Mas acontece também que desse canto resultou o primeiro golo do Benfica.

Bem, que ligação existe entre os dois factos – o canto erradamente assinalado e o golo? Nenhuma, absolutamente nenhuma. Só mesmo uma mente estúpida, profundamente estúpida pode acreditar que há alguma ligação entre os dois factos. Na verdade, o jogo, depois de a bola ter saído do campo, recomeçou tendo cada uma das equipas adoptado o posicionamento que julgava mais correcto. Foi golo. E depois que ligação tem esse golo com o canto incorrectamente assinado? Se tiver, se alguém concluir que tem, então essa mente que assim pensa terá de concluir que todos os jogos colectivos, quaisquer que eles sejam, ou até os individuais, estão adulterados sempre que no seu decurso haja um erro por mínimo que seja. É que depois de esse erro nada do que se passa a seguir se teria passado do mesmo modo.

O outro facto incontroverso é o de um jogador do Moreirense ter sido expulso por palavras dirigidas ao árbitro. Que é que se pode dizer? O que diz a lei? É tudo muito claro.

Pois mal o jogo tinha acabado já um pseudocomentador da Antena 1, chamado Manuel Queirós, destilava ódio sobre a arbitragem e fazia aquilo que todos os falsos comentadores fazem: preparar o terreno para um clima de contestação generalizado à arbitragem, que, mais tarde ou mais cedo, desembocará em violência. Sim, são os falsos comentadores os verdadeiros incendiários do futebol. As claques são apenas o reflexo ou a consequência desses comentadores.

Esse senhor Manuel Queirós se tivesse falado como adepto fanático do FCP, enfim, seria lamentável que lhe tivessem dado tempo de antena (a ele como a qualquer outro fanático, seja do Benfica ou do Sporting), mas como comentador da rádio pública é francamente condenável.

Além do mais, entre outras coisas, o senhor Queirós não é inteligente. Porque se há uma lei no futebol que ordena a expulsão de qualquer interveniente no jogo por palavras indecorosas dirigidas ao árbitro como pode esse falso comentador tomar como critério de decisão aquilo que ele pensa que teria acontecido se essas mesmas palavras fossem proferidas por um jogador do Benfica? É burro e é desonesto, porque perante um facto incontroverso ele vem invocar um facto hipotético apenas existente na sua mente doentia e ressabiada.

E o que se diz do Senhor Queirós diga-se do maior vigarista do comentário desportivo português, pseudo defensor da verdade desportiva – da verdade dele, vestida fanaticamente de verde e branco. Vigarista e pérfido, um dos maiores coveiros do futebol pelo veneno que semanalmente destila contra o desporto-rei, tendo o Benfica como alvo predilecto da sua desonestidade. Neste pseudocomentador tudo nele são processos de intenção, tudo nele é maledicência da pior. A propósito do jogo do Benfica contra o Moreirense foi pena que ele não tivesse podido concluir o raciocínio que estava fazendo sobre a expulsão do jogador do Moreirense. Tudo nele se inclinava para lançar a suspeita sobre a conduta do jogador do Moreirense, como conduta ao serviço de outros interesses que não os do seu clube. Quem puder, que reveja as declarações desse inqualificável comentador e retire as conclusões. E diga depois que tipo de pessoa é esta que aparece semanalmente na televisão. Uma vergonha para o canal televisivo que o alberga, mesmo que o seu tempo de antena seja pago pelo próprio.

Perante o que se passou este fim-de-semana somado ao que se tem passado nos anteriores, o Benfica ou passa a ter uma capacidade de comunicação que até agora nunca teve ou vai ver-se mal. De facto, desde o presidente ao treinador passando pelo director de comunicação e pelos comentadores do clube ninguém está à altura deste desafio. E como a campanha é muito forte, de grande intensidade, ela não poderá deixar de ter consequências.

Além de que há uma aliança tácita entre os comentadores do Sporting e os do Porto. Os do Porto estão desesperados por o investimento não estar a dar o resultado esperado no plano interno. Estão a entrar em pânico. E os do Sporting, na esteira do seu presidente, fazem-no por ódio e despeito. Que ganhe quem ganhar desde que não sejam os vermelhos!

Finalmente, o Benfica de Jesus nunca ganhou um campeonato com o Porto a persegui-lo. Ganhou ao Braga e ao Sporting, que são, como toda a gente sabe, adversários menores relativamente ao Porto. Portanto, as previsões não podem ser muito positivas e se ao histórico aliarmos a campanha em curso essas previsões ainda ficarão mais pessimistas. Daí que não seja errado afirmar que se o Porto não voltar a perder pontos até ao fim do campeonato, o Benfica não será campeão.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A INSOLÊNCIA DE EDUARDO BARROSO


 

A POBREZA DO COMENTÁRIO DE ADEPTO

 

O comentário de adepto é, pela própria natureza das coisas (paixão, facciosismo, desconhecimento do outro), um comentário pobre e quase sempre prejudicial ao futebol quando se expressa através dos grandes meios de comunicação social.

Daí as críticas que este blogue tem feito a todos os programas de adepto (trio de ataque, dia seguinte e prolongamento) que as televisões nos proporcionam. A questão não está em saber qual é o melhor, porque são todos maus, mas qual é o pior. E depois qual o pior de todos os comentadores com base em critérios de avaliação das qualidades pessoais dos respectivos intervenientes.

Para quem, mesmo esporadicamente, assista a esses programas dificilmente poderá deixar de concluir que o comentador mais nefasto, qualquer que seja o ângulo por que é apreciado, é sem qualquer dúvida Eduardo Barroso.

É certo que há outros comentadores tão facciosos quanto ele. Também incapazes de um pequeno gesto de imparcialidade. Mas todos eles marcam uma diferença de vulto relativamente a Barroso: uns são propositadamente irónicos e, por mais brutais ou cáusticos que sejam os seus comentários, o que verdadeiramente os diverte é o efeito que causam no oponente. Outros são “arranjistas”. A televisão serve os seus propósitos de promoção pessoal, desde a política até à profissão a que se dedicam. Outros são “manhosos”: pretendem dar a ideia de que estão a exercitar um juízo imparcial quando na realidade o que fazem é defender o ponto de vista que outros lhe encomendaram.

Com Barroso tudo é diferente. Barroso assenta o seu comentário no mais puro sectarismo, de estilo jihadista – um comentário em que as pessoas, sejam elas os árbitros ou os adversários, são sempre tidos como seres inferiores relativamente a si próprio e aos que ele defende.

Mas não se fica por aí: além disso, ele viola frequentemente os mais elementares padrões éticos que devem guiar o comportamento de uma pessoa. Perante duas situações exactamente iguais, ele encontra sempre uma resposta diferente para o “seu Sporting” não apenas por simples facciosismo, o que seria desculpável, mas pela baixíssima consideração que os seus oponentes lhe merecem.

A defesa que ele faz dos inúmeros lances em que o “seu Sporting” é beneficiado são prova disso mesmo. Na sua arrogância insolente até chega a dizer: “Sim, mas nós merecemos”.

Aliás, a sua personalidade fica completamente evidenciada na defesa convicta que ele faz das alarvidades do presidente do Sporting, uma das piores coisas que chegou ao futebol nestas últimas décadas – o que não deixa de ser significativo tendo em conta aquilo que o futebol tem tido no dirigismo desportivo.

Por último, a sua insolência, a sua arrogância e a sua insuportável “superioridade moral” não lhe permitem suportar críticas seja de quem for. “Atrasados mentais”, “catedráticos” (diz ele depreciativamente; ele que sobre essas matérias até deveria estar calado…) e outros epítetos ainda mais depreciativos é a receita que ele prescreve para quem o critica.

Campanha negra contra Barroso? Não. Apenas o retrato de uma personalidade que se não recomenda como exemplo!

Barroso e Bruno de Carvalho têm feito pelo Sporting o que nem em sonhos o mais fanático dos adversários dos “leões” julgaria possível. Que se conservem lá por muito tempo, apesar do triste espectáculo e do péssimo exemplo que vão dando a quem, mesmo sem querer, os escuta!

 

 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O DOMÍNIO DO SPORTING





 

A MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Sporting 1-1 Paços Ferreira

 

O Sporting não domina no campo, onde regista 4 vitórias, 5 empates e uma derrota, e está em sétimo lugar da classificação com risco de hoje descer para oitavo, mas o mesmo se não passa nos órgãos de comunicação social, onde a maior parte dos comentadores de imagens e redactores de notícias manipulam a informação descaradamente com a intenção de fazer passar uma imagem diferente da realidade.

O Sporting e o seu presidente têm excelente imprensa. Ninguém, directa ou indirectamente, ligado às hostes de Alvalade admite por um momento que o lugar em que o Sporting se encontra seja o resultado do valor da equipa, mas antes a consequência de uma conjura internacional (e não apenas nacional) que tem em vista arredar o clube dos títulos que honestamente merece.

O mesmo se diga relativamente às intervenções do presidente. Por mais absurdas, malcriadas ou contraproducentes que elas sejam, e acabem por prejudicar muito mais do que beneficiar a própria equipa, elas são sempre tidas como a expressão sincera e justa de uma revolta e de uma indignação justificadas.

O que se passou este fim-de-semana é elucidativo. O Sporting defrontou o Paços de Ferreira, que está à sua frente na classificação geral e que em Alvalade lhe foi manifestamente superior. Foi superior na primeira parte e somente nos últimos quinze minutos do jogo, com o Paços em inferioridade numérica, é que o Sporting exibiu alguma supremacia. Mas no cômputo geral o Sporting foi inferior. O resultado final, empate a um golo, é um resultado que se pode considerar bom , para o que o Sporting fez em campo.
Pois bem, mal o jogo terminou, desde o treinador (que, coitado tem de fazer pela vida…) até aos comentadores com nome, passando pelos famigerados comentadores anónimos, todos inventaram a lenda de que o Sporting foi mais uma vez prejudicado e espoliado de dois pontos pela equipa de arbitragem, ao serviço (isto é dito nas entrelinhas) de uma outra equipa…

E, todavia, o que se passou em campo foi algo bem diferente. No primeiro tempo o árbitro não assinalou uma grande penalidade contra o Sporting por falta de Cedric (empurrão) sobre um jogador do Paços, depois houve uma expulsão de um jogador do Paços de Ferreira por faltas (acumulação de amarelos) que na UEFA nunca levariam à amostragem de cartão amarelo e por fim um golo invalidado ao Sporting por fora de jogo de Selimani.

Queixam-se os sportinguistas de que o golo foi injustamente invalidado porque Montero, o seu autor, estava em jogo, sendo o off side de Selemani meramente posicional, portanto, irrelevante.

Ora bem, esta não é uma questão de opinião. É uma legal, de aplicação da lei. E o que a lei diz é que o off side posicional é irrelevante, porém se o jogador que está em fora de jogo se envolver na jogada (se se fizer à bola, independentemente de lhe tocar) o fora de jogo será assinalado. Como toda a gente viu, Selimani fez à bola, envolveu-se na jogada até ao remate de Montero, por isso o fora de jogo está correctamente assinalado.

O Sporting tem sido o clube mais beneficiado pelas arbitragens nos últimos anos. O que acontece é que sempre que uma decisão errada do árbitro o prejudica ergue-se um coro de protestos enquanto um manto de silêncio se abate sobre todas as decisões erradas que o beneficiam. Ainda nos dois últimos jogos da Liga dos Campeões contra o Schalke 04 isso se passou. Na Alemanha o Sporting foi prejudicado…e foi o que se viu e ouviu, em Lisboa foi beneficiado (penalty não assinalado num momento crucial do jogo) e ninguém falou.

Na última época o Sporting foi o clube do mundo que mais beneficiou de grandes penalidades, que menos grandes penalidades sofreu e que mais golos dos seus adversários viu anulados.

Esta época têm sido inúmeras as decisões erradas dos árbitros que beneficiam o Sporting e nenhum comentador anónimo ou com nome fala delas. A própria forma como nas televisões é feito o comentário das imagens é manifestamente manipuladora. Nas jogadas em que o Sporting é prejudicado, o comentador anónimo qualifica expressamente o erro do árbitro, dizendo, por exemplo, “o árbitro não assinalou tal ou tal falta favorável ao Sporting”. Quando não assinala erradamente uma falta contra o Sporting, o comentador ou não diz nada, ou então diz displicentemente: “houve protestos da equipa X que pediu isto ou aquilo”.

Em contrapartida, os lances das outras equipas são analisados e comentados ao milímetro, às vezes com deturpação da própria imagem. Por exemplo, no jogo de ontem Nacional-Benfica não há nenhuma imagem que permita afirmar que o segundo golo do Benfica (Jonas) foi marcado em fora de jogo. O mais que se pode dizer é que o jogador estava em linha. Aliás, é estranho que Sport TV não tenha outras imagens…Na última jornada os comentadores do Sporting crucificaram o árbitro assistente do Benfica-Rio Ave por ter acertado uma decisão, com o argumento de que estava três metros atrás da linha da bola. Pois bem, esses mesmos comentadores com base numa imagem tirada a cerca de 20 metros atrás da linha da bola (e portanto oblíqua)  afirmam hoje peremptoriamente que Jonas estava em fora de jogo, a começar por esse paladino da “verdade desportiva” que se dá pelo nome de Rui Santos. Como este nome é sinónimo de descrédito e de deturpação da verdade não é preciso dizer mais nada relativamente ao dito lance nem à verdade desportiva que ele advoga.

É, porém, verdade que houve no Nacional-Benfica um lance mal anulado que deixava o jogador do Nacional obliquamente isolado frente a Júlio César. Mas ninguém pode afirmar que o guarda-redes do Benfica não defenderia essa bola se o lance não tivesse sido anulado ou que o Benfica não teria ganho o jogo se essa jogada tivesse terminado em golo. Ninguém!

 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O BENFICA VENCEU, MAS NÃO CONVENCEU


JORGE JESUS QUER SER SEMPRE O CENTRO DO MUNDO

 
Talisca mantém o Benfica na difícil luta pelos "oitavos"

 

Por muito que Jorge Jesus se esforce por tentar convencer os seus ouvintes de que os méritos do Benfica são exclusivamente seus e os deméritos imputáveis aos jogadores que ainda não apreenderam "os momentos do jogo”, ninguém na imprensa nacional e internacional se deixa seduzir pelas palavras do treinador do Benfica.

Lê-se a imprensa nacional e internacional desta quarta-feira e há unanimidade nas manchetes e no desenvolvimento das notícias: Talisca foi o homem do jogo e perfila-se como a grande revelação do futebol europeu desta época, apesar de a exibição do Benfica ter ficado aquém do exigível.

De facto, algumas das declarações proferidas por Jorge Jesus logo após o fim do jogo e um pouco mais tarde na conferência de imprensa parecem incompreensíveis.

Desde logo, a que que classifica a vitória como indiscutível. O Benfica ganhou como poderia ter ganho o Mónaco, sendo certo que o resultado que melhor se ajustava ao jogo praticado por ambas as equipas era o empate. O Benfica esteve melhor nos primeiros vinte e cinco minutos, ou mesmo em toda a primeira parte durante a qual desfrutou de duas boas oportunidades de golo e o Mónaco esteve melhor na primeira meia-hora da segunda parte, a ponto de poder ter marcado por mais de uma vez, tendo o jogo começado a ficar equilibrado apenas um pouco antes do golo de Talisca. Aliás, na primeira parte, o Mónaco acercou-se por duas vezes com perigo da baliza de Júlio César tendo valido ao Benfica duas boas defesas do experiente guardião brasileiro, embora numa delas – soube-se depois do remate – houvesse fora de jogo.

Também não se compreende por que razão Jorge Jesus sente necessidade de apoucar as exibições de Talisca e de Júlio César não lhes atribuindo o devido relevo. Uma coisa é dizer que a equipa vale pelo seu todo e que as exibições individuais se valorizam nesse contexto. Outra ,bem diferente ,é não querer reconhecer quem foi decisivo. E no jogo de ontem se houve na equipa do Benfica jogadores decisivos, eles foram, inequivocamente, Talisca pelo golo, Júlio César,pelas três extraordinárias defesas que realizou, apesar da irregularidade do lance numa delas, Luisão pelo acerto e classe com que defendeu e comandou toda defesa, e Maxi pela sua inesgotável vontade de lutar para vencer.

Dizer que houve jogadores que nunca tinham alinhado na Champions e que ainda não dominavam os “momentos do jogo” só pode rigorosamente referir-se a Derley, que não jogou nem pior nem melhor do que costuma jogar nas provas nacionais e até teve o mérito de ter feito a assistência para o golo de Talisca e, quando muito, também a este, apesar de já ter jogado, no cômputo geral, mais do que um jogo. Nomeações injustas, principalmente a de Talisca, já que foi ele que acertou mais passes (e quase todos longos) e um dos que menos passes falhou, não tendo nunca comprometido.

Para além das habituais debilidades tácticas do Benfica, que deixa este ano “partir o jogo” com grande frequência, independentemente do valor do adversário, o Benfica pode queixar-se da noite não de Sálvio (nada lhe saía bem, desde logo o falhanço da primeira grande oportunidade de golo), da apatia de Enzo Pérez, uma sombra do jogador das duas últimas épocas, da incapacidade de André Almeida fazer o lugar de defesa esquerdo (vai ser um problema nos dois jogos que ai vêm), da falta de brilho do genial Gaitan e de Samaris continuar a jogar num lugar que não é o seu por teimosia de Jorge Jesus.

Contrariamente ao que muitos benfiquistas supõem, a próxima saída de Enzo em Janeiro não representará um grave prejuízo para a equipa. Enzo está claramente com a cabeça noutro lado, gostava de ter sido transferido, não tendo a permanência no Benfica contra sua vontade sido benéfica para ninguém. Se Enzo sair dentro de dois meses, o meio campo do Benfica ficará melhor do que está hoje, pois Samaris, que é um grande jogador, será capaz de desempenhar esse lugar muitíssimo melhor do que aquele que agora Jesus erradamente lhe atribui. E no lugar dele jogará ou Fejsa ou Ruben Amorim qualquer um deles mais capacitado para a função.

Em conclusão: o jogo de ontem demonstrou que o Benfica vai ter muita dificuldade em passar a fase de grupos, tudo dependendo, inclusiva a participação na Liga Europa, da questão de saber até onde irá o percurso descendente do Zénite.

 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A RESPONSABILIDADE DE JORGE JESUS


 

O BENFICA TEM UM GRANDE PLANTEL

 

Já se percebeu que há na comunicação social, em certa comunicação social, uma campanha orquestrada para responsabilizar a direcção do Benfica, ou mais concretamente Vieira, pelos maus resultados do clube em todos os jogos importantes disputados esta época, a saber: Sporting, Zénite, Bayer de Leverkusen, Mónaco e Braga.

A “música” desses comentadores é conhecida: o plantel do Benfica é mais pobre que o do ano passado e Jorge Jesus por muito bom que seja não pode fazer milagres. Esta tese é completamente falsa nas suas premissas e conclusões.

Em primeiro lugar, o plantel do Benfica não é pobre. É, pelo contrário, um plantel fortíssimo. Acontece apenas que o ano passado ainda era mais forte, a ponto de se poder dizer que era um dos melhores da Europa. Apesar disso, nem a fase de grupos da Liga dos Campeões passou…a jogar ainda com Matic! Como noutro post já dissemos, do ano passado para este ano as baixas que não foram colmatadas por jogadores de igual valia foram apenas as de Garay e Markovic.

Em segundo lugar, Jesus não faz milagres. Muito pelo contrário até se dá o caso de perder várias competições com excelente plantel. Já perdeu dois campeonatos para um Porto com um plantel manifestamente inferior, uma Taça da Europa para o Sevilha e falhar vários apuramentos da fase grupos da Liga dos Campeões.

O problema do Benfica é outro e não tem nada a ver com o plantel, mas antes com o treinador.

Explicando melhor: o Benfica ao longo destes últimos cinco anos (a caminho dos seis…) tem tido um futebol empolgante contra equipas mais fracas ou contra equipa relativamente mal organizadas. Mas sempre que defronta uma equipa da mesma envergadura técnica, as fragilidades tácticas do Benfica vêm rapidamente ao de cima. E então acontecem golos como os sofridos esta época contra o Zenite, contra o Bayer, contra o Braga, o mesmo se tendo passado nas épocas anteriores.

O Benfica é uma equipa excessivamente lançada para o ataque, que não sabe defender com bola, nem impor vários ritmos de jogo consoante as necessidades e as características do adversário. É sempre uma equipa de tudo ou nada, mal estruturada no meio-campo, de modo que quando perde a bola numa acção ofensiva corre sempre o risco de passar por uma grande dificuldade, dificuldade que se transforma em golo sempre que o adversário tem argumentos suficientes para não falhar.

Culpar Samaris pelo que se está a passar é de uma grande desonestidade. Samaris não tem características para jogar com a missão que Jesus lhe atribui. Nem vai ter, mas não deixa, por isso, de ser um excelente jogador. A culpa do insucesso do Benfica nos jogos grandes não é deste ou daquele jogador: é do treinador que tem uma visão imutável do sistema de jogo quaisquer que sejam os jogadores do plantel.

Um treinador inteligente, que não seja de pensamento quadrado, tem que dar ao Benfica mais estabilidade defensiva no meio campo (em vez de ter dois jogadores um à frente do outro terá de ter dois a par) e tem que saber acelerar o jogo apenas pela certa e não sempre que a equipa tem a bola nos pés. Por outras palavras, fazer o que está a fazer Ancelotti (que, sem ofensa, se encontra a anos luz de Jesus), ou seja, ter a bola, fazer o adversário correr atrás dela, e só acelerar pela certa. O recente jogo do Real Madrid contra o Barcelona é um jogo que Jesus deveria analisar sem preconceitos e talvez, se perceber o que se passou ou se quiser perceber, tire desse jogo bons ensinamentos para o Benfica.

O Benfica ainda está a tempo de inverter o que já parece inevitável. Parece, mas não é, porque no futebol a inevitabilidade só ocorre quando os jogadores não têm classe. O que não é o caso. Quem tem de mostrar que é ainda capaz de inverter o caminho é Jesus, mudando. Se não mudar, vai voltar a perder.

E como nos dias de hoje o futebol é um grande e arriscado negócio, essa questão da inteira e completa liberdade do treinador é coisa que já não se justifica. Ou seja, o treinador tem de ter autonomia técnico-táctica, mas se repetidamente falha por força dos mesmos erros alguém terá de o obrigar a corrigir o que ele, de livre vontade, não parece disposto a fazer.

 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A DERROTA DO BENFICA EM BRAGA


 

QUEM É O RESPONSÁVEL?
Éder com Maxi Pereira (foto ASF)

 

A ideia de que o Benfica tem um plantel mais fraco de que o do ano passado vai passando de jornada para jornada, de comentário em comentário, como justificação para os resultados negativos já registados no campeonato nacional e, por maioria de razão, na Liga dos Campeões.

Não se pode dizer que esta ideia não tenha pernas para andar…porque ela está fazendo o seu caminho e prepara-se para ser o bode expiatório de tudo o que de mau possa acontecer. O que se pode dizer é que ela não resiste a uma reflexão minimamente racional.

De facto, o Benfica tem um plantel ligeiramente inferior ao do ano passado em consequência da saída de Markovic e de Garay. Apenas, e nada mais.

Indo a factos: Oblak não esteve na baliza o tempo suficiente para demonstrar que era muito melhor do que os que agora lá estão. Foi melhor no tempo que jogou, mas nada garante que este ano continuasse ao mesmo nível. Pelo menos, no Atlético de Madrid não está e até já se fala na sua saída em Janeiro.

Siqueira fez uma boa época, melhor do que a que está a fazer em Madrid, mas Eliseu tem estado muito bem e Sílvio, que o ano passado jogou várias vezes na mesma posição, está aí pronto para entrar mais dia, menos dia.

Na linha média defensiva não falta ninguém, já que Matic havia saído em Janeiro e tanto Fejsa como Ruben Amorim continuam na equipa, apenas estão lesionados, devendo regressar em Dezembro. Dir-se-á que falta André Gomes. Mas só por brincadeira se pode dizer que falta André Gomes, já que Jesus antes da venda ao fundo que o comprou não o colocou a jogar mais do que 5 minutos!

No ataque faltam Rodrigo -  mas há Jonas e Talisca - e Cardozo, que já não tinha lugar na equipa, havendo em seu lugar Derley. Djuricic saiu …porque Jesus não o quis; Sulejmani continua na equipa, apenas está lesionado e Ola John também.

A equipa é, portanto, praticamente a mesma com vários reforços escolhidos por Jesus: Além dos já indicados, Júlio César, Samaris, Tiago, Pizzi, César, Benito, Cristante, Jara, Nelson Oliveira e os miúdos da formação.

Portanto, o Benfica tem um plantel de luxo, tanto para uso interno como externo.

Dir-se-á que os centrais não têm a mesma valia dos do ano passado. De facto, não há no futebol mundial Garays aos pontapés, mas Luisão e Lisando Lopez são, não obstante, ainda a melhor dupla de centrais a jogar em Portugal. E mesmo Jardel e César não são inferiores aos do Sporting, qualquer que seja a dupla, e, todavia, mesmo com essa deficiência, Marco Silva tem sabido construir uma equipa mais competitiva do que a do Benfica!

Diz-se também que o Benfica não tem um número 6 feito à medida das exigências de Jesus. Por um lado, esta afirmação é falsa: o Benfica até tem mais soluções do que tinha o ano passado, apenas se dá o caso de dois dos quatro elementos que poderiam ocupar essa posição estarem lesionados. Por outro lado, o treinador tem de saber trabalhar com os jogadores que tem e adaptar o sistema aos jogadores do plantel. Isso de o treinador escolher o plantel é cada vez mais raro nas grandes equipas. Quem escolhe é quem manda e quem manda é quem tem o dinheiro ou quem o arranja. Cada vez são em menor número os outros exemplos. Como se pode admitir que jogadores como André Gomes, Cancelo e Bernardo Silva não sirvam ao Benfica?

 Jesus que se reveja no exemplo de Carlo Ancelotti que, de um momento paras outro, ficou quase sem linha média defensiva e  apenas com avançados de luxo com a exigência de todos terem de jogar. E mesmo assim ele tem sabido dar conta do recado muito bem.
O que se passou ontem em Braga e o que já se tinha passado contra o Zenit e em Leverkusen e ainda contra o Sporting prova que Jesus é “quadrado”, não tem flexibilidade, nem capacidade para mudar em função das circunstâncias.

Jesus está a fazer uma triste figura na Liga dos Campeões não porque não tenha jogadores à altura de alcançar outros resultados, mas pela mesma razão por que sempre tem falhado desde que está no Benfica, com excepção do ano em que chegou aos quartos-de-final. E está a perder pontos internamente pela mesma razão por que perdeu, pelo menos, dois campeonatos que tinha obrigação de ganhar por ter um plantel bem melhor que o do Porto. Mas quem os ganhou foi Vítor Pereira, que soube construir uma equipa bem mais segura e compacta que a do Benfica.

Deixem-se de desculpas, os Ruis Santos (este só por perfídia), os Antónios Simões e vários outros. O Benfica tem um grande plantel. Se não ganhar é por culpa exclusiva do treinador.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

EXIBIÇÃO MISERÁVEL DO BENFICA EM LEVERKUSEN


 

"IMPORTANTE É GANHAR AO AROUCA"!Jorge Jesus
 

A exibição do Benfica, esta noite, em Leverkusen é uma das páginas negras do futebol benfiquista em competições internacionais. Desde o primeiro minuto que se evidenciou uma completa diferença de atitude entre as duas equipas: uma pressionante, com vontade de vencer, e uma disponibilidade física total; outra lenta, absolutamente incapaz de fugir à pressão adversária e sem interesse especial pelo resultado do jogo.

Como é possível? Como é possível que na prova rainha do futebol mundial haja uma equipa que encara essa competição como coisa secundária? Tal atitude só é possível por o treinador repetidas vezes ter mentalizado os jogadores para a irrelevância da Champions relativamente ao campeonato nacional. Foi isso que Jorge Jesus repetidas vezes disse. Não, seguramente, numa manifestação de desprezo pela mais importante competição mundial a nível de clubes, mas por covardia desportiva.

Jorge Jesus temendo a valia das equipas que ia defrontar, desvalorizou covardemente a prova mais importante que o Benfica tinha este ano para disputar. Com isso demonstrou que é um treinador para uso doméstico ou para jogar na 2.ª divisão europeia. Mais uma vez Jesus demonstrou que a Champions é uma prova demasiado grande para ele. Importante é ganhar ao Arouca!

Para além desta atitude de princípio, filiada, como se já disse, numa evidente covardia competitiva, Jesus foi absolutamente incapaz durante todo o jogo de perceber o que se estava a passar e também deixou evidente que não preparou a partida com a inteligência que ela exigia.

Toda a gente percebeu que o Benfica não conseguia sair a jogar. Tentou uma, duas, trinta vezes e o resultado foi sempre o mesmo. O Bayer fazia pressão sobre os defesas do Benfica e a bola ou se perdia nas imediações da baliza ou se perdia perto da linha do meio-campo fosse quem fosse o jogador que a transportava. Pois bem, se uma equipa não é capaz de sair a jogar, tem de jogar directo, procurando, no mínimo, recuperar as segundas bolas em, pelo menos, cinquenta por cento das vezes. E até tinha jogadores para isso. Talisca, por exemplo, tiraria alguma vantagem de jogar de frente para a baliza adversária. No esquema de Jesus andou completamente perdido durante todo tempo que esteve em campo. Culpa, como é óbvio, do treinador.

Mas não foi Talisca o único jogador que andou perdido. Enzo deve ter feito a sua pior exibição com a camisola do Benfica e Gaitan também andou lá muito perto. Para já não falar em Cristante, manifestamente lançado às feras.

Enfim, uma vergonha. Jesus em vez de passar o tempo a gabar-se deveria olhar para o exemplo de Marco Silva, que, jogando habitualmente apenas com “oito jogadores”, consegue dar ao jogo do Sporting um brilho e um brio que o Benfica de Jesus não tem na grande competição internacional.

Jesus gosta de jogar contra o Arouca e de alinhar na segunda divisão europeia. É ai que se sente bem.

Em conclusão: mais uma participação falhada de Jesus na Champions. O Benfica “já está eliminado”.

 

sábado, 2 de agosto de 2014

VIEIRA TEM DE FALAR AOS BENFIQUISTAS



O BENFICA À BEIRA DO DESCALABRO
 

 

Era fácil antecipar o que está a acontecer ao Benfica. O que era difícil era esperar que o presidente do Benfica se escondesse atrás do treinador e da equipa e deixasse os sócios, adeptos e simpatizantes sem uma explicação do que se está a passar como se o que se está a passar não fosse da sua exclusiva responsabilidade. É uma covardia deixar o treinador sozinho perante estes resultados como se da sua parte houvesse a obrigação de refazer uma equipa com jogadores medíocres e sem categoria para representar o Benfica.

Uma equipa que perde Oblak, Garay, Siqueira, André Gomes, Markovic e Rodrigo. Que tem à beira da saída Cardozo, Gaitan e Enzo Pérez, que dispensou Djuricic e tem lesionados Fejsa, Luisão, Jardel, Sulejmani não pode aspirar a mais do que uma participação medíocre nas competições que tem pela frente.

Cinco derrotas em sete jogos, quase todas no estrangeiro, é um golpe profundo no prestígio do Benfica. Sempre seria difícil substituir de uma assentada seis ou sete titulares de grande classe, mas mais difícil se torna substituí-los por jogadores de categoria mediana que parecem não ter aquele mínimo de qualidade para representar o Benfica.

Luís Filipe Vieira é o único responsável já que todas as saídas estão intimamente relacionadas com a situação financeira do Benfica. Um dirigente que conduz a sua empresa, o seu clube a esta situação é um dirigente com graves responsabilidades. Porque a situação a que se chegou não foi criada ontem, nem anteontem. É uma situação que vem de trás e que a todo o momento poderia “rebentar”. “Rebentou” este ano.

Adivinha-se um anno horribilis para o glorioso clube da Luz, interna e internacionalmente, para desgosto e vergonha de todos os benfiquistas. Será penoso e vergonhoso ver o Benfica participar na Liga dos Campeões e ainda por cima como cabeça de série.

O resultado de esta tarde, a humilhação a que o Benfica foi submetido no Emirates Stadium, é a gota de água que não permite esperar mais tempo. O Presidente do Benfica tem de dar a cara. De se explicar. De esclarecer os benfiquistas sobre o que se está a passar e por que se está a passar.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A DERROTA DA SELECÇÃO BRASILEIRA


 
UM CASO ISOLADO OU A CONSEQUÊNCIA DE UM ATRASO?

 

Há na Europa a convicção generalizada de que o futebol do Brasil está muito atrasado relativamente ao que se pratica no velho continente. O Brasil tem óptimos executantes, os talentos nascem como cogumelos em dia de chuva, sem plantação e sem escola, despontam na Europa grandes jogadores brasileiros de que a generalidade dos brasileiros nunca tinha ouvido falar. Mas há também no Brasil uma escola que terá começado com Parreira (e de que a selecção de 94 já é um exemplo, não obstante os talentos que a constituíam), se acentuou com Scolari (idem, relativamente à de 2002) e depois se generalizou na formação tendente a privilegiar o físico, a rudeza em detrimento do talento puro. Esses jogadores quase todos defesas (zagueiros) e cabeças de área (de que os “Fenandinhos”, os “Paulinhos”, os "Luís Gustavos” são hoje os mais acabados exemplos) expulsaram do meio campo a tradicional criatividade e imprevisibilidade do futebol brasileiro. E o mais grave é que essa tendência está a lastrar às partes mais avançadas do campo onde também o físico tende a prevalecer sobre a arte, como é óbvio na presente selecção com os casos de Fred e de Hulk.

A par disto, que já era muito, o Brasil convive muito mal com a ideia de não ter sempre nas suas fileiras “o melhor do mundo”. Ora, como se sabe, nos últimos anos essa imputação recaiu sistematicamente em dois jogadores, embora um deles a mereça muito mais do que outro, daí que o Brasil, o futebol brasileiro, esperasse ansiosamente o despertar de um talento para logo o guindar ao pedestal de “o melhor do mundo” e à volta dele construir a sua equipa. Desgraçadamente para Neymar recaiu sobre ele essa maldição e desde então o pobre do rapaz vem arcando com a responsabilidade de levar a equipa às costas.

Esta ideia de idolatrar um jogador a quem falta ainda completar um longo percurso e fazer a equipa girar à sua volta como coisa secundária dá sempre mau resultado. Não apenas com Neymar, mas com qualquer outro que esteja na sua posição, chame-se ele Messi ou Cristiano Ronaldo. Deste último nem vale a pena falar tão evidentes são os exemplos que demostram que sem equipa, ou com a equipa secundarizada, ele não passa de um jogador comum. E o próprio Messi só foi grande no Barcelona com uma grande, enorme, equipa, onde despontavam talentos imensos como Xavi e Iniesta, para falar apenas destes, e um treinador “cinco estrelas”. Mas quando todo este contexto começou a esboroar-se, principalmente pela perda do treinador, Messi, embora continuando a ser um grande jogador, nunca mais foi o mesmo. Foi cada vez mais o Messi da selecção argentina…

Para além disto tudo, que já não era pouco, é evidente aos olhos de todos que no plano da metodologia de treino e do “pensar” o futebol, o Brasil perdeu hoje, ou melhor já perdeu há muito, na própria América Latina a hegemonia para os argentinos (mais próximos dos europeus, mas sempre muito criativos, como Bielsa, Sampaioli, entre tantos outros) e para os próprios colombianos que percebem hoje mais de futebol do que os brasileiros. Mas se no seu próprio continente perderam a hegemonia que dizer relativamente à Europa?

Esta questão é, porém, muito fácil de resolver. O Brasil tem de importar este saber até que o assimile e o supere, por muito que isso custe ao “país do futebol”. O Brasil vai ter fazer o mesmo que fizeram os inventores do futebol. Também os ingleses, durante muito tempo, não olhavam, ou olhavam com desdém, para o que se passava na Europa continental, apesar de os confrontos entre os clubes britânicos e os europeus continentais deixarem cada vez mais a nu essa fragilidade. E acabaram por constatar o que do lado de cá da Mancha já há muito se sabia: estavam atrasados. E o remédio foi importar o saber onde ele se encontrava. É isso que o Brasil vai ter de fazer. Importar tudo, desde a formação até ao futebol jogado pelas grandes equipas.

Como ao Brasil o que não falta é matéria-prima, depressa o atraso que agora existe será colmatado e ultrapassado. E nisto não pode haver orgulhos estúpidos. Da mesma forma que os brasileiros, os técnicos brasileiros, durante várias décadas, a partir de 50 do século passado, ensinaram futebol ao mundo, também agora o mundo onde o futebol está muito mais adiantado (Europa) deverá ser chamado a ensinar futebol ao Brasil, seguramente com resultados espectaculares a um prazo relativamente curto.

Dito isto, é preciso porém ter em conta que para além das debilidades técnico-tácticas da selecção brasileira, já amplamente expostas em confrontos anteriores, o Brasil foi ontem vítima de um colapso emocional, que se não tivesse existido não lhe asseguraria a vitória, mas certamente teria evitado o vexame por que passou. De facto, é quase incompreensível que jogadores excelentes, que jogam nas grandes equipas mundiais, quase todos fora do continente americano, com excepção de Júlio César (sem nenhuma culpa no aconteceu) e Fred, tenham cometido erros tão graves como os que cometeram durante todo o jogo. Erros que nunca teriam cometido se estivessem a jogar nas suas equipas europeias. Sem falar em nomes para não ser desagradável, como explicar os repetidos erros defensivos a que ontem sistematicamente assistimos? Isso era impossível nas equipas europeias em que jogam. E se porventura, por descuido, tais erros tivessem sido cometidos uma vez, jamais seriam repetidos.

Mas estes erros são apenas um exemplo do descontrolo emocional, sem o qual o Brasil sempre perderia. Claro, que no futebol o factor emocional, tanto no aspecto positivo como negativo, não pode ser desprezado. Ele existe, quer os treinadores queiram ou não. Mas do que também não há dúvida é que o futebol fica muito mais fragilizado quando os treinadores propositadamente o procuram convencidos de que ele terá um efeito positivo inigualável – um efeito que nenhuma ciência poderá igualar.

Pensar assim é um erro. Mais vale pensar o contrário, ou seja fazer como a Alemanha: o factor emocional existe no futebol, mas o nosso papel é contrariá-lo. É limitar os seus efeitos. E mesmo assim ainda resta muita aleatoriedade ao futebol: por a bola ser redonda e ser jogado com os pés…

Vamos esperar que estes 7-1 que a Alemanha deu ao Brasil acabem por ter um efeito positivo, muito mais positivo do que teria uma simples vitória tangencial…

terça-feira, 8 de julho de 2014

AFINAL, O QUE É O BENFICA?


 

 

UM ENTREPOSTO? UMA FEITORIA?
Festejos Benfica

Não perguntamos de quem é o Benfica porque os sócios, adeptos e simpatizantes já não têm ilusões acerca da resposta. O Benfica é dos credores em consequência da dívida que necessariamente se tornará insustentável dentro de pouco tempo.

A nossa pergunta é antes outra: afinal, o que é o Benfica? É um clube de futebol com um passado glorioso que não soube adaptar-se à época da globalização, ou seja, que pretendeu ser o que não poderia ser deixando ser o que estava ao seu alcance ou é antes um simples entreposto por onde passam jogadores durante uns escassos meses na expectativa de se valorizarem para imediatamente serem vendidos na busca do lucro fácil e rápido? É uma espécie, para pior, de uma feitoria unicamente preocupada com a comercialização dos produtos comprados que, além do mais, facilitam a comercialização pela venda dos produtos “fabricados” ou que, tendo sido comprados, se lhes juntou um considerável valor acrescentado?

E como é distribuído o produto desses negócios? Quanto cabe ao financiador? Quanto fica para o intermediário? Quanto é destinado a amortizações? E, depois de todas estas partilhas, quanto sobra para a colectividade que gerou o “valor acrescentado”?

O futebol, tal como o mundo do capital financeiro, que actualmente domina por completo o capitalismo e os negócios em geral, logo a vida das pessoas, está hoje minado pela ideologia dominante – a que recusa a justa repartição dos rendimentos e que advoga o crédito como panaceia para todos os males ou como solução para todos os problemas, com as consequências que, por todo o lado, se conhecem: o capital financeiro e especulativo cada vez mais forte e a sociedade cada vez mais desigual.

O Benfica está hoje draconianamente submetido a esta lógica, sendo o que se está a passar um exemplo muito mais eloquente do quaisquer palavras. De uma equipa campeã, quem restará? Afinal, quantos jogadores, participando nas vitórias do ano passado, eram propriedade do Benfica? Essa a grande incógnita.

Vejamos um por um a situação de alguns jogadores:

Oblak: Dizia-se que o esloveno tinha um contrato com o Benfica até 2018 com uma cláusula de rescisão de 20 M€. O que é que isto tem de verdade? Os direitos sobre Oblak são de quem? E a cláusula de rescisão, afinal, é de quanto? Como se explica, sendo verdade o que se dizia, que o guarda-redes não se tenha apresentado na data prevista e tenha antes entrado em negociações e exames preliminares com outro clube? Como se explica algo que a FIFA não permite? Por que é que o Benfica não actua? O Benfica não actua por duas simples razões, cumulativas ou não: primeiro, porque o Benfica já não manda no Benfica e depois porque, muito provavelmente, Oblak não é do Benfica ou não é na percentagem que se apregoou.

Garay – Dizia-se que os direitos sobre Garay eram em partes iguais do Benfica e do Real Madrid e que a cláusula de rescisão era de 20 M €. Afinal, o Benfica comunicou a transferência de Garay para o Zénite por 6 M €, cabendo-lhe apenas 2,4 M €! Afinal, tudo o que antes se dizia era mentira ou, pelo contrário, é mentira o que agora se anuncia? Alguém acredita que um jogador como Garay, titular da selecção argentina, tenha sido vendido apenas por 6 M €? Alguém está a ser enganado. Quem?

Siqueira – Siqueira estava no Benfica por empréstimo. A sua passagem pela Luz, de pouco mais de meio ano, valorizou enormemente o seu passe. Quanto pagou o Benfica para o ter por empréstimo? E quanto recebeu o Benfica pela valorização do passe? Terão sido estas questões devidamente acauteladas no negócio? O que sabem os sócios sobre isso?

Sílvio – Dizia-se que estava emprestado pelo Atlético de Madrid. Agora está lesionado. Onde se apresentará no início da época: em Lisboa ou em Madrid? E onde ficará? Tem o Benfica algum direito sobre ele? Aparentemente, não.

Enzo Pérez – Renovou o contrato com o Benfica antes de iniciado o Campeonato do Mundo. Diz-se que vai para o Valência. Ele nega ter conhecimento de algo, mas no Benfica ninguém se pronuncia. Primeira questão: de quem são os direitos sobre Enzo? Se são do Benfica, está o clube disposto a vendê-lo bem abaixo da cláusula penal ao tal oligarca de Singapura? Ou apenas se está à espera que as questões legais, relacionadas com a compra do Valência pelo dito oligarca, estejam resolvidas para formalizar a transferência? E nesse caso, quem ordena a transferência? A mesma pessoa que já “impingiu” um treinador português ao Valência? Que direito tem essa pessoa sobre o Benfica?

André Gomes - Foi a meio da época vendido a um “Fundo” por 15 M €. Todavia, no início da época apresentou-se no Seixal. Vai esse “Fundo” alugá-lo ao Benfica durante mais uns meses ou está o dito “Fundo” apenas à espera que se concretize a compra do Valência para se saber o destino de André Gomes?

Rodrigo – Idem. Foi na mesma altura vendido ao mesmo “Fundo” por 30 M €, mas igualmente se apresentou no Seixal por ninguém lhe ter comunicado a sua transferência para outro clube. Qual vai ser o seu futuro? Ou também ele está à espera da compra do Valência? E qual o papel do Benfica no meio de tudo isto? Ao abrigo de que contrato ficou Rodrigo na Luz depois de já estar vendido? Por quanto tempo e sob que condições? Os sócios não sabem!

Gaitan - Diz-se que vai para o Atlético de Madrid. Por quanto? De quem são os direitos sobre Gaitan? Diz-se que tem uma cláusula de rescisão de 45 M €. É para cumprir? O jogador diz que quer ficar na Luz. Se quer, então que estranha força impele o Benfica a vendê-lo bem abaixo da cláusula?

Markovic – Supunha-se que Marcovic era do Benfica. Afinal, diz-se agora que lhe pertence apenas por metade. Dizia-se igualmente que tinha uma cláusula de rescisão alta. Agora se percebe melhor porque nunca foi oficialmente revelada. Por uma razão simples: porque qualquer que seja o montante inscrito no contrato, o Benfica não tem qualquer poder negocial sobre a dita cláusula. A cláusula de rescisão é do montante que esse misterioso “comparsa” do Benfica quiser. Se esse “comparsa” achar que a valorização do jogador já mais que compensa o investimento, vende …e o Benfica aceita. E mais: porventura, estabelece no contrato com o vendedor cláusulas que numa venda futura só a ele o favorecem. Se não for assim, o Benfica que se explique. Que explique por que vendeu por 25 M € um jogador fantástico, de 20 anos, que tinha uma margem de progressão e de valorização infinitamente superior.

 

E já vamos em nove jogadores. Se a estes juntarmos Maxi (afinal, de quem é Maxi), Cardozo (idem?) e Sálvio (idem) de quem igualmente se fala, com quantos jogadores da época passada fica o Benfica? É isto um clube de futebol com uma das maiores massas associativas e adeptos do mundo ou é um simples entreposto comercial/financeiro gerido completamente à margem dos sócios?
Dir-se-á, outros vêm a caminho ou já cá estão. Quem os conhece? O que valem como jogadores? Ninguém o poderá agora dizer. Perante isto que os adeptos não exijam “milagres” a Jesus…porque “milagres” destes ninguém faz!
 
Uma coisa é certa: se os "Fundos" não forem proibidos e banidos do futebol, eles, a curto prazo, destruirão o futebol