MANOBRAS DE DIVERSÃO NÃO BASTAM

É visível para qualquer observador minimamente atento que o
Sporting está em pânico. Os últimos resultados não enganam ninguém. Eliminação
da Taça de Portugal com derrota em Braga; eliminação da Taça da Liga com
derrota humilhante em Portimão; empate em casa com o Tondela, para o campeonato,
alcançado a ferros; são exemplos que não animam ninguém e assustam os seus
principais responsáveis sobre o que poderá vir a seguir.
Jorge Jesus é o exemplo perfeito dessa intranquilidade.
Perdido no seio de uma estrutura que ele não domina e que falha frequentemente,
percebe-se a sua intranquilidade por não ter meios para evitar as óbvias
consequências das quebras de forma de alguns dos principais elementos do
plantel. Prevendo esta situação, normal nas suas equipas, tentou no início da
época prevenir-se mediante a formação de um plantel cuja composição lhe
assegurasse alternativas em caso de crise. Todas as contas lhe saíram furadas
porque tanto o Benfica como o Porto se anteciparam na contratação de jogadores
que ele tencionava ter no Sporting. Veio o mercado de Janeiro e então a desilusão
ainda foi maior. Com excepção de Bruno César, no qual nem o Porto nem o Benfica
estavam interessados, todas as demais contratações que ele tinha em vista
falharam clamorosamente, não apenas por incompetência, mas – e isso ele percebeu
muito bem – por o Sporting não ser o Porto nem o Benfica. O Sporting
defronta-se com graves problemas financeiros que qualquer agente desportivo
conhece, além de ter uma direcção não credível. Uma direcção que já rasgou
compromissos e que tem em atraso muitos outros.
Concomitantemente com todos estes acontecimentos mais ou
menos previsíveis, mas nunca surpreendentes, o mundo do futebol assiste um
pouco estupefacto, face às previsões que havia feito, a uma extraordinária
subida de forma do Benfica, presente em todas as competições, com excepção da Taça
de Portugal, que nos últimos trinta dias ganhou oito pontos ao Porto e cinco ao
Sporting, distribuindo goleadas nos múltiplos jogos realizados nas diversas
competições em que participa. Com a subida de forma do Benfica, o Sporting
entrou positivamente em pânico, depreendendo-se do comportamento dos seus
principais responsáveis e da sua equipa técnica que já têm como certo que, mais
dia, menos dia, perderão a liderança para o vizinho da Luz.
Perante este quadro, com que diariamente se deitam e levantam
dirigentes do Sporting e os seus principais empregados, resta-lhes continuar a
tentar cavalgar alimárias já estafadas e sem fôlego para desviar as atenções do
essencial e agitar o acessório.
Como se previa – nem outra coisa poderia acontecer – a Liga
de Clubes arquivou a queixa do Sporting sobre as ofertas de cortesia feitas
pelo Benfica às equipas de arbitragem. E abriu um processo a Selimani por
agressão a Samaris no último Sporting – Benfica, tendo igualmente arquivado
todas as queixas que o Sporting havia feito contra jogadores do Benfica por
pretensas acções faltosas ocorridas durante o mesmo jogo.
O Sporting, a gente que dirige o Sporting, ainda não percebeu
que há uma diferença abissal entre os actos decididos pelo árbitro durante o
jogo e aqueles igualmente ocorridos durante o jogo sobre os quais o árbitro
nada decidiu porque não os viu.
Este princípio basilar de qualquer sociedade civilizada, o
respeito pelo “caso julgado”, é natural, pelas razões explicadas no último post, que o Sporting não seja capaz de o
compreender e por isso tenha posto a falar sobre ele um bronco furioso e
agressivo recentemente contratado para fazer aquele tipo de trabalho que
somente algumas (poucas) pessoas aceitam fazer.
Essa é mais uma prova do desnorte do Sporting. Não lhe bastavam
as atoardas do presidente, agora tacticamente calado para ver se escapa à aplicação
de uma pesada sanção, foi preciso pôr também a falar uma das pessoas
desportivamente mais desprestigiadas do futebol português dando do clube uma
imagem bem à medida da sua actual natureza.
Percebe-se, pelo que se passa na comunicação social, que no
Sporting soou o toque a reunir, não se fazendo rogados os seus diversos comentadores
para, com mais ou menos habilidade, fazerem coro com as posições da direcção.
Ainda ontem, na TVI 24, José Manuel Freitas se prestou a um espectáculo pouco
edificante, tentando como falso comentador independente fazer a defesa das
posições do Sporting. Além de necessitar de umas aulas de argumentação, tão
pobre e às vezes tão ridículo é o seu argumentário, aconselha-se também a que
nos próximos programas vá equipado com o equipamento do Sporting, no mínimo a
camisola, para os espectadores poderem ser um pouco mais condescendentes com as
suas insuficiências, dando-lhe o desconto que costumam dar aos que na
qualidade de adeptos desempenham papel semelhante.











