domingo, 6 de março de 2016

A RESPOSTA NA HORA CERTA




O BENFICA NA FRENTE DO CAMPEONATO



No jogo disputado entre o Sporting e o Benfica nas últimas duas horas de sábado, o Benfica ganhou 1-0, golo de Mitroglou, e ficou à frente do campeonato. Por outras palavras, até ontem, sexta-feira, o Benfica tinha perdido os jogos disputados esta época contra o Sporting e contra o Porto, mas ganhou hoje aquele que mais importava – o jogo que o colocou o Benfica na frente da classificação com dois pontos de avanço sobre o Sporting!
Três notas prévias, a qualquer apreciação, impõem-se:

A primeira, a grande desilusão da clique dirigente sportinguista e seus acólitos que estavam plenamente convencidos desde algumas jornadas que o campeonato já estava ganho; não está; e o Sporting está mais perto de o perder do que o Benfica ou o Porto.

A segunda, a grande “cachola” de Jorge Jesus que, além de não ter percebido o jogo, continua sem perceber por que lhe acontece “isto” tantas vezes.

A terceira, a grande classe de Rui Vitória tanto no flash interview  como na conferência de imprensa: a elegância, a moderação, a única resposta que se impõe á bazófia balofa e à falta de educação.

Quanto ao jogo, qualquer observador imparcial percebe que o Benfica entrou no jogo para vencer. O seu objectivo era claramente pôr-se à frente do marcador, instabilizar o Sporting, dilatar o resultado se possível, ou, não o sendo, aguentá-lo, empatando o jogo na pior das hipóteses. Esse objectivo foi alcançado com sucesso, sem necessidade de ter de recorrer ao plano B.

Na primeira parte, o Benfica marcou o golo na sequência de uma brilhante jogada de Jonas e dominou claramente o jogo até à meia hora, altura em que o Sporting reagiu. Em consequência de uma atabalhoada saída da defesa do Benfica para o “off side”, Bruno César isolou-se na ala direita do Sporting e centrou, tendo a bola ressaltado para a entrada da área onde estava Jefferson que rematou com força à barra. E por aqui se ficou o jogo do Sporting na primeira parte.

Na segunda parte, o Benfica entrou manifestamente a jogar na contenção com indicação para jogar no contra-ataque, explorando o claro adiantamento da equipa do Sporting. Esta estratégia, que no decurso do jogo pareceu ter sido adoptada cedo demais, foi bem sucedida do ponto de vista do resultado final, mas não foi conseguida do ponto de vista da exploração do contra-ataque. Não obstante as muitas bolas recuperadas pelo Benfica, houve sucessivas perdas de bola no último passe ou no passe decisivo. O que mesmo assim não impediu que, por duas vezes, o Benfica tenha conseguido criar perigo, uma por Renato, que rematou cruzado junto ao poste direito de Rui Patrício, outra por Gaitan, que rematou sobre a linha da área por cima da barra.

Durante todo esse tempo o Sporting teve o aparente domínio do jogo, mas sem consequências ou sem sequer ter criado uma pressão contínua difícil de suportar. Com efeito, com excepção da gritante perdida de Bryan Ruiz sobre a linha de golo, o Sporting fez um remate perigoso ao lado por João Mário e tentou por Gutiérrez fazer um chapéu ao guarda-redes do Benfica, que este desfez com uma palmada para canto. São estas as oportunidades do Sporting. Ou melhor, foi a perdida de Ruiz a única oportunidade de golo do Sporting. As outras são tão oportunidades de golo quanto as de Renato e de Gaitan. Em conclusão: nada que se compare às perdidas do Benfica contra o Porto, no jogo da Luz.

Foi uma estratégia que resultou, mas que se poderia ter revelado perigosa, se o Sporting tivesse cedo marcado um golo. O Benfica poucas vezes joga assim e em princípio não deve fazê-lo numa competição por pontos. Diferente é fazê-lo no segundo jogo de uma competição a eliminar.

Jorge Jesus, além de ter sido deselegante, como é seu timbre, não apenas por falta de educação, mas também por egolatria, não consegue compreender o que se passou, como nunca compreende, sempre que aquilo que, na sua cabeça, tinha como relativamente simples se complica. Viu-se esse filme várias vezes nos seis anos em que esteve no Benfica. Jorge Jesus não percebe ou não quer perceber que o Benfica só jogou como jogou na segunda parte, porque estava a ganhar. Se não estivesse ou se estivesse empatado a sua atitude teria sido completamente diferente. Aliás, Jorge Jesus também não percebeu por que razão o Sporting na primeira parte correu mais cerca de cinco quilómetros que o Benfica...sem qualquer consequência prática.

A estratégia do Benfica passava por não perder em Alvalade, convencido como está de que se não perdesse teria todas as hipóteses de ser campeão, por ter como certo que nos jogos que faltam o Sporting perderá pontos.

Defrontado com uma contrariedade de última hora, o Benfica viu lesionar-se Júlio César poucas horas antes do início do jogo, tendo de recorrer ao guarda-redes número dois, Ederson, que, mais uma vez, cumpriu. Na equipa do Benfica de realçar a excelente exibição dos dois centrais. Lindelöf está um jogador de grande craveira e Jardel exibiu-se ao seu melhor nível “secando” completamente Slimani. No meio campo, excelente também a exibição de Jonas enquanto teve forças. Muito castigado pelas sucessivas entradas em falta de William Carvalho, Jonas foi o cérebro da equipa do Benfica na sua manobra de cortar a iniciativa de jogo ao Sporting. Brilhante também Mitroglou que, apesar de muito penalizado por Ewerton, mais uma vez, não falhou na hora certa. Renato, no desempenho de uma função difícil, sempre marcado de perto por Adrian, foi importante no meio campo, embora tenha perdido algumas bolas na manobra atacante (por retardar o passe na hora devida). Samaris esteve imperial a defender, embora também tenho tido uma perdida de bola muito comprometedora. Eliseu e André Almeida, muito solicitados na defesa, principalmente Eliseu, estiveram também em bom nível. Quem esteve manifestamente abaixo das suas capacidades foram Pizzi, apesar do auxílio que prestou ao meio campo, e Gaitan, que tarda em reaparecer.

Fejsa substituiu Pizzi para reforçar o meio campo, Jiménez substituiu Mitroglou para dar mais largueza ao ataque e explorar o contra-ataque e Salvio entrou para o lugar de Jonas.

Finalmente, a arbitragem: toda a equipa de arbitragem esteve bem e não teve qualquer influência no resultado. É no entanto perfeitamente natural que os psicopatas do Sporting e os pobres dependentes assalariados do clube leonino com voz nas televisões inventem mil e uma coisas nos dias que aí vêm para por essa via tentarem atenuar a imensa frustração de quem já se vê mais próximo do terceiro lugar do que do primeiro. Mas não há realmente nada de importante a assinalar à arbitragem, salvo a manifesta alteração de critérios entre a primeira parte e a segunda, não em proveito ou desvantagem de uma ou outra equipa, mas relativamente a lances que na primeira parte não mereceram disciplinarmente sanção especial e na segunda mereceram. Nesta divergência de critérios o Benfica acabou sendo o mais prejudicado, mas por mero acaso. Houve da parte do árbitro e dos seus auxiliares a preocupação de fazer uma boa arbitragem. E esse objectivo foi alcançado.


ADITAMENTO

Revisto o jogo sem a emoção de quem a ele está a assistir em directo, tenho de concluir que a exibição do Benfica na segunda parte foi muito superior à que à primeira vista me pareceu. De facto, o Benfica começou o jogo ao ataque com duas excelentes jogadas que poderiam ter dado golo – as de Renato e Gaitan, acima referidas, e praticamente seguidas.

Depois o Benfica foi sempre controlando o jogo com classe e poderia ter feito muito mais se não tivesse falhado com excessiva frequência o último passe nas jogadas de ataque. A inviabilização dessas múltiplas – sim, múltiplas (é ver…) – jogadas não resultou de mérito do Sporting, mas de erros dos jogadores do Benfica. Umas vezes porque se agarravam excessivamente à bola (Renato), outras porque na hora de passar bem entregavam a bola ao adversário (Jonas, Gaitan, Samaris. Pizzi, etc.).

Quanto ao árbitro, também se impõe uma correcção. Não penalizou com amarelo Ewerton na primeira parte apesar de ter travado irregularmente Mitroglou por seis vezes! Não puniu as jogadas em que os jogadores do Benfica foram manifestamente empurrados contra os painéis de publicidade (Gaitan, Mitroglou, Jonas), mas assinalou uma falta a Eliseu que não existiu. Todavia, na segunda parte, na primeira falta (ligeira) que Jonas cometeu, no primeiro terço do terreno do Sporting, foi imediatamente punido com um carão amarelo. Idem, para Gaitan, por falta idêntica na mesma zona do terreno. Amarelo também para Mitroglou por ter retardado ligeiramente a saída. Mas nada aconteceu a Ewerton na meia dúzia de vezes em que em falta impediu Mitroglou de prosseguir a jogada, umas vezes de contra-ataque, outras de ataque. Por último, o erro dos erros, aconteceu perto do minuto 90 quando Jiménez disputando na frente de ataque uma bola com Jefferson (ou Ewerton), caindo ambos, foi impedido de se isolar pelo jogador do Sporting que o puxou por um braço. Era falta e expulsão. Como de costume não houve repetições da TV Sport, que, como sabemos, só mostra o que lhe convém. É aliás na imediata sequência dessa jogada que Renato, em manifesto desforço pela falta não assinalada a favor do Benfica, entra sobre Bryan (ou outro) e apanha o amarelo.

Para concluir, Jorge Jesus se tivesse um mínimo de imparcialidade, ou se tivesse um resquício de vergonha, revia o jogo e pedia desculpa pelo que disse. Acrescentando que a sua equipa foi inepta, incapaz de ultrapassar o sistema de jogo do Benfica por ter posto em prática um futebol vulgar sem criatividade nem imaginação. Esta a verdade do derby!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

PORTO E SPORTING, EQUIPAS VULGARES




MAIS DUAS DERROTAS NA EUROPA

O Sporting, que nem sequer merecia ter passado a fase de grupos da Liga Europa, voltou a perder nesta competição, jogando um futebol vulgar, sem brilho e nenhuma criatividade.

Covardemente, Jesus imputa a responsabilidade da derrota a Semedo, quando a equipa já perdia nessa altura por um zero e até poderia estar a perder por mais, sem que o Sporting até então ou depois tenha criado uma única oportunidade de golo.

Mas Jesus não se manca. As suas declarações não ficaram por ai. Teve a lata, a suprema lata, de afirmar que o uruguaio, Coates, saiu porque vem da Inglaterra onde se não joga com esta intensidade nem frequência! Jesus é também um caso de psiquiatria.

Mas deixemos Jesus, que, segundo disse, até já ganhou em Leverkusen. Que equipa será esta que já ganhou em Leverkusen? Percorro os anais das competições europeias e não encontro nenhuma equipa “Jorge Jesus”. Esta egolatria de Jesus bem pode ser tratada juntamente com as múltiplas doenças do foro psiquiátrico que campeiam entre os dirigentes de Alvalade e seus principais adeptos.

Continuando: Jesus não desvaloriza os jogos na Europa, mesmo os da II Divisão, como é o caso, o que Jesus não tem é a coragem de os valorizar pelas múltiplas derrotas que as equipas sob a sua direcção tem sofrido no plano internacional. Qualquer adepto do futebol se recorda, só para falar das últimas, da humilhante derrota do Benfica em Leverkusen, por 3-1, e da derrota do mesmo Benfica em casa, por 2-0, contra o Zénite de Villas-Boas. Tanto uma como outra são imputáveis a Jorge Jesus que insistiu do primeiro ao último minuto num modelo de jogo que não era o adequado para o adversário em questão. Basta ler o que então se disse neste blogue para logo se concluir que esta não é uma opinião de hoje, ou seja, numa data em que Jesus está no Sporting, é a opinião que se teve quando o Jesus treinava o Benfica.

E vamos então falar claro para encerrar o tema Jesus: há algum treinador na Europa, seja ele de Malta, da Moldávia, da Alemanha ou da Inglaterra que desvalorize ou despreze um jogo europeu, mesmo da secundária Liga Europa? Um treinador com esse pensamento não tem lugar em nenhuma equipa com um mínimo de pretensões. Se Jesus o faz, é por pura covardia desportiva. Apenas para tentar disfarçar a sua incompetência neste plano.

Quanto ao resto, o Sporting, diminuído por esta atitude do seu treinador, jogou ao nível de uma equipa vulgar. Não é que o Sporting tenha jogado muito diferentemente desde que defrontou o Tondela, mas sempre foi ganhando alguns jogos. A continuar a jogar assim, o Sporting perderá tudo. No que aliás se acredita.

O Porto, que costuma ter outra atitude nos jogos europeus, apresentou-se em Signal Iduna Park como uma equipa pequena. Uma equipa, no estilo do antigo Estrela da Amadora, que se remete completamente à defesa, com onze jogadores atrás da linha da bola, esperando o “milagre” de um contra-ataque que lhe possa proporcionar um golo. E dizemos “milagre” porque não basta que aguarde a possibilidade de um contra-ataque vitorioso, é preciso fazer algo para que ele aconteça. E o Porto nada fez, apesar de estar a perder desde o sexto minuto.

Se nesse jogo houve uma equipa que nos decepcionou, essa equipa não foi a do Porto, da qual não esperávamos muito mais, mas a do Borússia de Dortmund, que nos pareceu uma equipa lenta, pouco criativa, incapaz de explorar as debilidades do Porto e de criar as oportunidades de golo que um ataque mais veloz e mais imaginativo seguramente criaria.

De certo modo, até foi penoso assistir a um jogo tão pouco participado por ambas as equipas. Uma jogando à defesa durante noventa minutos, incapaz de criar oportunidades de golo, salvo um ressalto que Suk não aproveitou, ou melhor, que o guarda-redes do Borússia não deixou aproveitar, e outra jogando lentamente, lateralizando sistematicamente o jogo, sempre à espera de uma aberta ou de um erro que permitisse chegar ao golo.

De facto, Pinto da Costa tinha razão quando disse que comparar o Benfica com o Dortmund era uma brincadeira. Basta atentar nas oportunidades de golo que o Benfica criou e compará-las com as do Borússia. Mas, enfim, isso já é história, embora história quase impossível de repetir.

Com estes resultados, tanto o Porto como o Sporting estão praticamente eliminados.

Em tempo: Jesus, na conferência de imprensa, tentou corrigir o que disse na flash interview sobre a intensidade e a frequência dos jogos em Inglaterra. Mas erradamente, porque também a equipa donde Coates veio jogou com a mesma frequência que as outras equipas inglesas, já que nos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro não há jogos europeus nem cá nem lá! Se Coates não jogou é porque era suplente!

Mais: Jesus, nessa conferência, insurgiu-se contra os adeptos por terem assobiado Teo (e a razão é simples: venderam contra a sua vontade Montero e ficaram com Teo, logo têm de o aguentar…) e mostrou mais uma vez a instabilidade emocional que reina em Alvalade, quando afirmou que nunca permitirá que “Isto corra mal para mim!”. Jesus, como aqui já foi dito, tudo fará para ser campeão no Sporting, mas também já decidiu que para o ano lá não ficará. Ponto é saber se vai para o Porto ou se haverá noutro país alguma equipa, minimamente importante (talvez o Valencia), que o queira.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

PINTO DA COSTA PREPARA A DERROTA




PINTO DA COSTA DEFENDE O LUGAR



Como qualquer ditador, Pinto da Costa só largará o poder quando a natureza o impossibilitar de continuar ou se for corrido do lugar que ocupa. Não obstante o seu passado ao serviço do FC Porto, nunca esteve tão perto de ser “expulso” do lugar que ocupa como este ano. São muitas as vozes que o culpam dos sucessivos insucessos da equipa em três épocas consecutivas – que até poderiam ter sido cinco se não tivesse acontecido o que todos sabemos…-, a ponto de este ano considerarem indesculpável o fraco rendimento da equipa depois de tão grande investimento.

Pinto da Costa sabe tudo isso. Sabe que “deu” a Paulo Fonseca um dos piores plantéis do Porto contemporâneo; sabe que contratou um treinador incompetente a quem concedeu, como a nenhum outro, o direito de escolher os jogadores que quis (a “famosa armada espanhola”) e sabe também que está hoje muito longe de poder desempenhar fora do campo o grande papel que noutros tempos soube com muito êxito pôr em prática.

E como, não obstante a sua grande paixão clubista, sabe perfeitamente que o Porto deste ano não vai longe, não apenas por ter começado mal e ter sido incompetentemente dirigido, mas também porque lhe faltam, em zonas nevrálgicas do campo, os artistas que noutras ocasiões já teve, é que Pinto da Costa trata de valorizar os pequenos sucessos que a fortuna lhe concedeu para, por antecipação, tentar atenuar os insucessos que ai vem. E para isso nada melhor do que através de comparações que ele sabe serem falsas estar já a preparar os adeptos para as derrotas que estão à porta.

Quando Pinto da Costa afirma que o Dortmund não é o Benfica, apenas se limita a fazer uma constatação evidente. Mas quando além disso acrescenta que só por brincadeira se poderia supor tal coisa, o que Pinto da Costa pretende dizer é que o Borússia de Dortmund, não obstante as suas limitações, não irá certamente desperdiçar as oportunidades de golo que o Benfica perdeu só na primeira parte do seu confronto com o Porto.

Pinto da Costa sabe, como sabe qualquer outro espectador, que, só na primeira parte do jogo contra o Benfica, o Porto, além do golo que sofreu, poderia ter sofrido mais três e partir para o segundo tempo já goleado. Bastava que Pizzi, Mitroglou e Samaris não tivessem falhado o que normalmente não falham. Bem poderia Casillas ter feito a exibição que fez, defendendo os remates de Jonas (primeiro tempo) e de Mitroglou, Gaitan e Martins Indi (segunda parte) que ninguém tiraria ao Porto uma goleada.

Ora, é este espectro que Pinto da Costa tem em mente e cuja concretização teme.

Aliás, há outros indícios da perturbação que actualmente reina no Porto. A crítica à arbitragem no jogo contra o Arouca é digna dos psicopatas do Sporting pelas ligações inverosímeis estabelecidas entre factos que não tem entre si qualquer conexão. Sendo certo que o árbitro anulou ao Porto um golo válido, é também indiscutível que quando tal aconteceu ainda faltava jogar muito jogo, como certo é que depois desse evento o Arouca marcou. Ligar a anulação desse golo ao facto de o árbitro ser irmão de um ex-árbitro pertencente à comissão de arbitragem (ex-árbitro esse que o Porto gostaria de ver a dirigir a arbitragem portuguesa) e à circunstância de um dos adjuntos de Lito Vidigal, treinador do Arouca, ser filho do presidente da comissão de arbitragem é algo que até à data só estava ao alcance das mentes doentias e pequeninas do Sporting.

Em conclusão: muito vai ter de falar Pinto da Costa durante o que resta para o termo da época se quiser tentar novamente ser presidente do Porto no próximo mandato. Todavia, por muito que fale vai ter dificuldade em enganar os adeptos mais lúcidos do seu clube que há muito já perceberam que a “máquina” deixou de funcionar e que ele não é mais o timoneiro que outrora já foi.
Os rivais agradecem a sua continuação...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A DERROTA DESTA NOITE




O MÉRITO DO PORTO

Em primeiro lugar, é importante saber perder. Depois de tantos e tantos maus exemplos, é reconfortante que o Benfica, perdendo, tenha sabido perder.

Dito isto, sem prejuízo de voltar ao tema, gostaria agora de dizer como vi o jogo desta noite entre o Benfica e o Porto.

O Benfica e os seus adeptos partiram para este jogo com uma extraordinária dose de confiança, uma confiança que só recuando mais de três décadas pode ter paralelo noutros confrontos com o Porto. Confiança não é arrogância, ou não deve ser. É crença nas capacidades da equipa. Na sua eficácia goleadora. Na solidariedade do conjunto. Na excelente forma dos seus elementos.

E foi assim que o jogo começou. Logo nos primeiros minutos se ficou com a convicção de que o jogo poderia ser igual a outros destes últimos dois meses. É certo que antes do golo de Mitroglous já tinha havido duas perdidas, mas logo a seguir veio o golo e a confiança restabeleceu-se. Depois, a superioridade do Benfica continuou a ser evidente, mas a falta de eficácia manteve-se e a juntar a ela começou a desenhar-se uma grande exibição de Casillas. Até que o Porto, dez minutos volvidos, empatou na primeira oportunidade que teve e na sequência de uma clamorosa falta de marcação do meio campo, sem com isto querer retirar mérito à jogada do Porto e ao remate de Herrera.

O Porto empatou, mas o Benfica continuou por cima. Voltou a ter oportunidade de marcar. Umas vezes por inépcia do rematador, outras por mérito de Casillas, a bola não entrava.

Até que veio o segundo tempo e a ideia que pairava no espectador que se guia pelo que tinha acabado de observar era a de que se o Benfica continuasse a jogar como tinha jogado na primeira parte ganharia o jogo sem dificuldade, não obstante a ligeira vantagem que o Porto ia tendo no jogo a meio do campo e o sistemático recuo de Jonas para zonas longe da baliza adversária.

Só que a segunda parte foi muito diferente da primeira. Cedo se começou a perceber que o Porto iria dar uma réplica muito mais forte e consistente do que a que deu na primeira parte e percebeu-se também que a ineficácia que o Benfica demonstrou na primeiro tempo se iria manter na segundo, assim como a exibição de Casillas.

E passou então a admitir-se que a todo o momento o Porto poderia passar para a frente do marcador. O seu jogo a meio campo fortaleceu-se, o Benfica passou a ter menos hipóteses de chegar com facilidade à área adversária, levando tudo isto somado à convicção de que se o Porto viesse a ter uma oportunidade a não desperdiçaria.

E foi o que aconteceu numa jogada em parte também construída por Aboubackar, mas acima de tudo por ele finalizada com muito mérito. Depois deste golo, salvo numa ocasião (acidental), o Benfica da primeira parte não voltou a aparecer no jogo e desapareceu completamente depois das substituições de Samaris por Talisca e de Pizzi por Carcela. E mais ainda com a de Eliseu pelo sacrificado Sálvio que não merecia entrar num jogo destes. A dez minutos do fim, depois de uma lesão gravíssima que o inabilitou durante nove meses, meter Salvio é algo inexplicável!

Com esta derrota, limpinha, sem árbitros, sem arrogância, sem insultos, resultante da ineficácia própria e do mérito e brio do adversário, o Benfica desceu à terra. Perdeu o quinto clássico da época, pode até perder o sexto, mas mesmo assim ser campeão se psicologicamente não ficar abalado com o que aconteceu esta noite.

É preciso que se diga que esta noite poderia ter sido uma noite igual às muitas que se viveram nestes últimos dois meses se não tivesse havido tanta ineficácia. Com um Benfica medianamente eficaz o Porto não teria condições para resistir, tendo em conta o estado anímico em que seguramente se encontraria se o Benfica tivesse concretizado duas ou três oportunidades das que teve na primeira parte. Se… Mas como os “ses” não contam, e como não foi isso o que aconteceu, o que interessa agora saber é como ficará a equipa depois desta derrota.

Em si, esta derrota, nos termos em que aconteceu, não teria força suficiente para derrubar psicologicamente a equipa. Mas como ela acontece na sequência de quatro anteriores desaires com equipas da mesma igualha, sem contar com a derrota em casa contra o Atlético de Madrid e a derrota em Istambul contra o Galatasaray, pode ter efeitos muitíssimo perniciosos.

O futuro dependerá do estado anímico da equipa. Se se mantiver em alta pode até acontecer que a disputa a três seja mais favorável ao Benfica do que a disputa a dois. Como o Sporting vai seguramente perder pontos, mesmo que o Benfica perca em Alvalade, se nos restantes onze jogos estiver como esteve nos últimos onze continuará com todas as hipóteses de ser campeão.

Para isso nada melhor do que ganhar ao Zénite já na próxima terça-feira!     

domingo, 7 de fevereiro de 2016

BENFICA ARRASADOR


 

ATÉ 8 DE MARÇO TUDO SE DECIDIRÁ
belenenses - benfica

 

O Benfica tem estado verdadeiramente arrasador. Oitenta golos (80) marcados em todas as competições oficiais até ontem disputadas, cinquenta e nove (59) no campeonato, vinte e seis (26) sofridos, catorze (14) dos quais no campeonato.

A dois pontos do Sporting, vencendo categoricamente os diversos jogos em que participa, o Benfica espalha o pânico nos seus principais adversários, nomeadamente no Sporting, cuja estrutura dirigente e a própria equipa técnica não têm o equilíbrio emocional suficiente para suportar os resultados e o nível exibicional do Benfica.

Perguntar-se –á por que razão o Benfica respira no campo uma confiança que nunca demonstrou em nenhum dos seis anos de Jorge Jesus? Claro que a confiança decorre dos resultados e das exibições, mas tanto estas como os resultados decorrem do novo sistema de jogo da equipa e dos seus magníficos intérpretes.

No tempo de Jorge Jesus, a equipa nunca foi uma equipa tranquila. O "frenesim atacante" que Jorge Jesus imprimia à equipa, às vezes com grande brilho exibicional, era, paradoxalmente, a sua grande força e sua grande fraqueza.

No primeiro ano de Jesus, os efeitos negativos deste “frenesim” notaram-se menos do que nos anos subsequentes. Primeiro, porque o principal rival do Benfica – o FC Porto – estava mal e o sistema de jogo do Benfica era suficientemente inovador para deixar a maior parte dos adversários perplexos. Mesmo assim, o Benfica não ganhou vantagem suficiente sobre o seu principal adversário (Sporting de Braga) para poder descansar. Só na última jornada o campeonato foi ganho.

Depois, sempre com o mesmo sistema, o Benfica foi derrotado em todas as competições (salvo na Taça da Liga em dois anos) nos três anos seguintes, sempre pelo Futebol Clube do Porto.

Somente quando o Porto voltou a fraquejar, uma das vezes com um dos piores plantéis da sua história recente (2013/2014) e outra, no ano seguinte, com um plantel recheado de estrelas mas comandado por um treinador manifestamente incompetente, é que o Benfica exibiu manifesta superioridade sobre os seus principais opositores, embora sem nunca ter sido capaz de expressar essa superioridade em expressiva diferença pontual.

Sem falar nos desaires europeus e na Taça de Portugal (excepto num ano), tudo isto porquê se a equipa durante esses seis anos esteve sempre servida por excelentes intérpretes?

Porque nesse seu "frenesim atacante "a equipa desguarnecia frequentemente a sua rectaguarda, principalmente o meio campo (de consequências fatais contra equipas técnica e tacticamente evoluídas) e empurrava toda a equipa adversária para trás da linha da bola, nas imediações ou dentro da sua grande área. Consequências: faltava espaço ao Benfica e sobrava campo ao adversário para explorar com êxito, como tantas vezes aconteceu, as costas da defesa benfiquista.

Isto passava-se durante todo o jogo. Aquela imensa correria acima e abaixo era a imagem de marca das equipas de Jesus. Uma imagem que faz vibrar o espectador, pela espectacularidade do jogo, apesar de muitas vezes os golos não aparecerem ou aparecerem tardiamente e de frequentemente a equipa ficar excessivamente exposta às arremetidas do adversário. Claro que se essas arremetidas eram, com todo o respeito, do Gil Vicente ou Olhanense, as consequências eram umas; se eram do Bayer Leverkusen, do Zenit de São Petersburgo ou do Futebol Clube do Porto eram outras, completamente diferentes.

No tempo de Jesus, o Benfica, como hoje o Sporting, registava quase sempre uma posse de bola esmagadora, mesmo quando os resultados eram fracos.

Com Rui Vitória tudo isto mudou. A equipa abandonou aquele” louco frenesim” atacante, divide muito mais o jogo com o adversário, chame-se ele Atlético de Madrid ou Moreirense, tem muito menos posse de bola (veja-se o que se tem passado nos jogos em que o Benfica tem goleado), marca muitos mais golos e sofre menos!

Tudo isto porquê? Muito simplesmente porque tem mais consistência defensiva, é uma equipa muito mais equilibrada e coesa e porque beneficia de muitos mais espaços no ataque.

É por estas singelas razões, decorrentes do sistema de jogo que Rui Vitória soube pôr em prática, que me atrevo a afirmar que o Benfica este ano será campeão com uma diferença pontual sobre o segundo classificado superior à de qualquer um dos três anos em que foi campeão com Jesus e fará um percurso na Liga dos Campões à altura da sua história.

Restringir os êxitos do Benfica ao “aparecimento” de Renato Sanches e de Pizzi é muito redutor e, simultaneamente, enganador, apesar do excelente contributo que ambos têm dado na consolidação do sistema de jogo da equipa. E é redutor porque estes mesmos dois jogadores com Jorge Jesus não jogariam como estão a jogar hoje. Ele não os deixaria jogar assim. Atenção: isto não é uma crítica. É uma constatação. A “ideia de jogo” de Jesus opor-se-ia à liberdade de acção de Renato Sanches e ao actual posicionamento de Pizzi, como o ano passado se viu relativamente a este.
A oito de Março logo se verá se o prognóstico que hoje aqui deixo se confirma ou não.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

BREVE ANÁLISE DOS PROGRAMAS DESPORTIVOS DAS TELEVISÕES




A MEDIOCRIDADE E A TOXIDADE SÃO A REGRA



Deixando de lado as transmissões de espectáculos desportivos (alguns deles apenas manchados pelo sectarismo de alguns comentadores) e os canais dos clubes, de qualidade muito diferenciada, podendo até encontrar-se em algum deles programas bem mais interessantes do que os apresentados pelos canais generalistas abertos e pelos canais do cabo, noticiosos ou desportivos,  o que se pode dizer sem medo de errar é que a esmagadora maioria dos demais programas desportivos sobre futebol das nossas televisões são lixo tóxico.

Entre estes, para que não haja dúvidas, colocamos à cabeça o “Tempo Extra”, o “Play Off”, o “Dia Seguinte” e o “Prolongamento”. Depois, mas ainda lixo tóxico, vem o “Trio de Ataque”, “Mais Bastidores” e o programa de domingo da TVI 24 que não sabemos como se chama.

Era suposto que nestes programas se falasse de futebol. É certo que alguns dos participantes nestes programas percebem pouco de futebol, nunca jogaram à bola, nem nunca exerceram a profissão de crítico desportivo, mas também há participantes que têm desempenhado desde há longos anos essas funções e outros até foram jogadores, alguns, ou muitos deles, internacionais, e outros, além de jogadores, foram treinadores, sendo, por isso, suposto que percebam de futebol e falem sobre ele.

Infelizmente não é isso o que acontece. Vejamos um por um. “O Tempo Extra” nem sequer merecia ser qualificado como programa desportivo sobre futebol, dada a sua natureza, a sua configuração e os seus fins, mas como os seus dois intervenientes insistem em falar sobre assuntos que marginalmente tocam o futebol que se joga nos campos, importa dizer que este programa é uma das maiores fraudes do nosso panorama desportivo. O apresentador é um simples “moço de recados” do principal interveniente no programa, limitando-se a dar-lhes as deixas do guião por aquele previamente estabelecido e a controlar os tempos de antena.

E a primeira questão que a propósito deste programa se põe é esta: a quem pertence de facto o “Tempo Extra”? À SIC ou ao seu protagonista? Esta pergunta já foi feita várias vezes, mas nunca obteve resposta, o que deixa desde logo na sombra ou até no escuro o princípio da transparência. Dito isto, toda a gente sabe que neste programa se não fala de futebol, de futebol jogado. Neste programa intriga-se, manipula-se e frequentemente mente-se, quer directamente, quer sob a forma de insinuação, quer mediante processos de intenção. O que também não admira, porque dada a personalidade, o carácter e o passado do seu do seu protagonista só poderia esperar-se a produção semanal de lixo tóxico! E é isso o que o programa produz.

Depois vem o “Play Off”, que, aparentemente, apareceu ao domingo à noite para se substituir ao lixo tóxico que na SIC, nesse mesmo espaço, era semanalmente jogado sobre os telespectadores. E foi para poder competir com a concorrência que se contrataram antigos jogadores de futebol, também eles ex-treinadores, para que, finalmente, se falasse de futebol. E no começo isso conseguiu-se apesar dos fortes vestígios de lixo tóxico que transitaram do anterior programa. Todavia, a personalidade de Toni, de Manuel Fernandes e de António Oliveira era garantia suficiente de que o programa se poderia manter acima da média. A saída de Toni foi bem colmatada com entrada de António Simões e o seu nível manteve-se acima da média. Depois saiu Oliveira, por razões que se desconhecem, embora se intuam, e o programa ressentiu-se logo da sua falta. O seu substituto embora alardeasse, em palavras, grande independência de análise, não precisou de muito tempo para dizer ao que vinha. De facto, desde muito cedo se percebeu que privilegiava uma aliança com o “lixo tóxico” por entender que esse era o melhor meio de transmitir o recado que se propunha deixar e de cumprir a tarefa de que se incumbira. Com a passagem do tempo tudo isso se tornou mais evidente e foi pelo seu lado, sempre em aliança com o “lixo tóxico”, que se começou a deixar de falar de futebol. Posteriormente, com a saída de Manuel Fernandes, um desportista exemplar e de grande integridade moral, e a sua substituição por um vulgar assalariado, de cariz arruaceiro, que já esteve ao serviço de outro senhor, que o programa começou a aproximar-se do nível zero. Prevendo, em tempo útil, esse desfecho, António Simões desligou-se e bateu com a porta. Foi substituído por João Alves, que já nada poderá fazer para impedir aquilo que o programa hoje já é. “Lixo tóxico polifónico”. Se Alves quer ouvir um conselho, eu lho dou de graça: Vá-se embora e quanto mais depressa melhor!

Em próximos posts continuará a análise dos demais programas.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

OS JIHADISTAS DO SPORTING




DECLARAÇÃO DE GUERRA AOS ÁRBITROS



Tal como o Estado Islâmico, também o Sporting declarou guerra aos infiéis. Se infiéis para o IS são todos os que não seguem o Corão, na interpretação que dele fazem os jihadistas, também para o Sporting os inimigos a abater são todos os que não seguem as orientações do Grande Líder, doravante chamado mulá Carvalho, pela manifesta falta de curriculum para poder aspirar à categoria de líder supremo.

A “verdade desportiva" está para o Sporting, como o Corão para os jihadistas. Alguém já viu ou ouviu um jihadista pronunciar-se sobre um projecto de sociedade no plano económico, social, cultural tentando por essa via ganhar simpatizantes para a sua causa? Não, ninguém viu nem ouviu, porque os jihadista só falam do Corão, o livro sagrado, de cuja aplicação tudo resultará. O mesmo se passa com os jihadistas do Sporting. Desde que o mulá Carvalho alcançou a presidência do Sporting, alguém viu ou ouviu um jihadista do Sporting falar de futebol? Falar do modo como joga o Sporting, como jogam as outras equipas, como se exibem os principais jogadores da Liga Portuguesa? Não, ninguém ouviu. O que repetidamente se ouve é falar da “verdade desportiva”, da observância da qual, aparentemente, resultaria o reino dos céus na terra.

E aqui é que está a principal e indesmentível semelhança entre o Estado Islâmico e o Sporting. Da mesma forma que para o IS o Corão não passa de instrumento de domínio que lhes permite exercer a tirania sobre os seus súbditos e fanatizar os seus apaniguados contra todos os que o não seguem, também para o Sporting a “verdade desportiva” não passa de um slogan instrumental por via da qual querem amedrontar, ostracizar, manipular, condicionar todos os que humildemente se limitam a reconhecer que “errar é humano”.

Os jihadistas do Sporting não admitem o erro humano nem a divergência de opiniões ou avaliações, porque já estão a antecipar o que seria um “vídeo árbitro”, dirigido por Rui Santos como juiz supremo, assessorado por José Manuel de Freitas e Fernando Correia, escolhidos pelo mulá Carvalho sob proposta de Octávio Machado, José Eduardo e Inácio.

O que se passou este fim-de-semana depois do jogo de Alvalade foi uma vergonha para o futebol português. Certamente que Cosme Machado errou onde não devia ter errado. Desse erro poderiam ter resultado prejuízos para o Sporting. Acontece que os jihadistas do Sporting não estão satisfeitos com estas conclusões e menos ainda com o reconhecimento público, por parte do árbitro, do erro cometido e do respectivo pedido de desculpas. Nada disso interessa ao Sporting. Como nada lhe interessa a ocorrência de situações idênticas àquela em vários outros jogos no decurso de um campeonato, seja ele o português ou qualquer outro. Como também lhe não interessa que esse mesmo árbitro ainda recentemente num jogo contra o Arouca, quando o resultado era 0-0, tenha perdoado a breves minutos do fim um penalty ao Sporting, do qual poderia resultar a derrota e a perda de três pontos.

Nada disto importa ao Sporting. O que importa ao Sporting e aos seus jihadistas, sejam eles os já acima citados, ou outros que semanalmente defendem exactamente as mesmas posições e pontos de vista, como Rui Oliveira e Costa, é dramatizar o ocorrido com base numa gigantesca campanha de desmoralização da arbitragem destinada a condicioná-la e a manipulá-la para tentarem por esta via ganhar o que no campo já perceberam que vão perder.

É esse pânico em que o Sporting vive que faz com que todos os seus jihadistas afiem as armas para atacar os árbitros, para insultar Vítor Pereira, para lançar calúnias sobre os que fatalmente os irão derrotar.

Voltamos ao início: alguém mais ouviu falar de futebol? O Sporting está empenhadíssimo em tirar esse assunto da agenda porque sabe que os elogios ao Benfica são tantos e vêm de tantos lados que só poderiam ter um efeito desmoralizador.

Até o “Rei da Táctica” já quase não fala de futebol. Já está a antecipar o que lhe vai acontecer, preferindo falar na hipótese de treinar o Porto ou o Atlético de Madrid, certamente por já ter percebido que se foi meter num ninho de vespas donde não conseguirá sair incólume.

Bem podem os jihadistas do Sporting gritar, espernear, insultar, vilipendiar, já que destes comportamentos apenas restará o retrato fiel que todos fazemos deles – gente indigna de estar no desporto. Os árbitros não se deixarão condicionar. O Sporting não será campeão!








domingo, 31 de janeiro de 2016

O SPORTING TEM MENTALIDADE DE EQUIPA PEQUENA




MAIS CENAS EM ALVALADE

Octávio Machado: «Peço para nunca mais nomearem Cosme Machado para jogos do Sporting»



Não há qualquer espécie de dúvida, o Sporting tem mentalidade de equipa pequena. Como sempre acontece com os pequenos sejam eles equipas de futebol ou outra coisa qualquer, as pequeninas contrariedades são exacerbadas, são vistas como conspirações universais destinadas a apoucá-los e a prejudicá-los. Nunca são vistas na sua verdadeira dimensão, mas como assuntos de importância vital dos quais em última análise depende a realização do fim que esses pequenos seres têm em vista alcançar.

Esta noite em Alvalade, mais uma vez o Sporting se viu atrapalhado para ganhar ao penúltimo classificado. Mais uma vez os jogadores do Sporting ultrapassaram os limites do permitido, sem que a sua conduta tivesse sido devidamente punida. Mais uma vez o treinador do Sporting foi expulso por algo, certamente grave, no conteúdo ou na forma, que disse ao árbitro (ao quarto árbitro).

O Sporting queixa-se de um golo sofrido em fora de jogo aos 59 minutos (cinquenta e nove minutos, imagine-se!). Ainda não tivemos oportunidade de rever o lance com tranquilidade, embora pela imagem a que tivemos acesso nos pareça que há fora de jogo. Um fora de jogo ocorrido numa jogada pouco comum, cuja validação parece corresponder a um erro do árbitro. Ou seja, o defesa não costuma ser o último jogador; o último jogador costuma ser o guarda-redes, daí a confusão do árbitro se estiver correcta a imagem que temos do lance.

Só mesmo uma equipa em pânico, completamente desorientada e emocionalmente destabilizada, pode tomar por definitivo o resultado verificado ao minuto 59 contra o penúltimo classificado. Basta comparar o que se passou com o Benfica à terceira jornada da primeira volta. Depois de uma pré-época decepcionante, da derrota na Supertaça e da derrota contra o Arouca na segunda jornada, o Benfica jogando contra o Moreirense viu a equipa de Moreira de Cónegos empatar ao 84.º minuto, num golo marcado em off side – um off side “normal” com cerca de dois metros. Faltavam seis minutos para acabar o jogo e mesmo assim o Benfica assegurou a vitória dois minutos depois. Não convocou conferências de imprensa especiais, não veio insinuar manobras de bastidores, não veio chamar incompetente ao árbitro, nem veio, em suma, exigir que Jorge Ferreira nunca mais arbitrasse o Benfica. E no Rio Ave – Benfica da 14.ª jornada, que o Benfica ganhou por 3-1, depois de ter estado longo tempo empatado, foram perdoados aos vila-condenses três penalties e nem por isso o Benfica se pôs aos gritos por no jogo de amanhã, em Moreira de Cónegos, ter como árbitro exactamente a mesma pessoa (Manuel de Oliveira) que em 20 de Dezembro passado não viu os três penalties que não foram marcados ou ajuizou mal os lances que lhes deram origem.

É claro que quando um clube tem mentalidade de equipa pequena tudo é exageradamente exacerbado, tudo o que é eventualmente prejudicial é elevado aos píncaros e simultaneamente é esquecido ou omitido tudo o que o favorece, como no jogo desta noite aconteceu relativamente a Ewerton e a Adrien que só não vieram para a rua por o árbitro lhes ter perdoado o segundo amarelo.

No fim do jogo assistiu-se a mais um conjunto de declarações lamentáveis de um director-geral ensandecido que espuma ódio e raiva por todos os poros. Atacou o árbitro, responsabilizou o presidente do conselho de arbitragem e insinuou, sem margem para dúvidas, que há quem esteja por detrás de todas estas cabalas para impedir que o Sporting se intrometa num negócio de milhões. Bem pode o ensandecido director geral do Sporting dizer, como lhe recomendaram que dissesse, que não era a honorabilidade do árbitro que estava em causa (apesar de todos sabermos que é, aliás com o Sporting é sempre a honorabilidade do árbitro que está em causa), porque a sua parca inteligência logo mais à frente deixou a descoberto os seus verdadeiros propósitos quando afirmou que tudo “ o que aconteceu” se devia ao facto de haver alguém que quer impedir que o Sporting se intrometa na alternância (ou seja, o que liminarmente o ensandecido director geral afirmou foi que há alguém do Porto ou do Benfica que influencia os árbitros levando-os a actuarem contra o Sporting para por essa via impedirem que a referida alternância seja posta em causa). Tais declarações não podem deixar de merecer a sanção devida. Basta ouvi-las!

sábado, 30 de janeiro de 2016

JESUS AFASTADO DE BRUNO DE CARVALHO?




SINAIS QUE INDICIAM DESAVENÇA



Sem fontes privilegiadas., apenas com base no conhecimento que se tem dos intervenientes, principalmente de Jesus, tendo em conta apenas nas chamadas fontes abertas, há razões para supor que o treinador leonino tem vindo a afastar-se gradualmente do presidente.

Em primeiro lugar, a Jesus nunca lhe agradou ter Bruno de Carvalho no banco. É para ele inaceitável que no “lugar sagrado” do treinador haja alguém que hierarquicamente lhe seja superior. Não se trata de saber se há interferências do presidente em áreas que não são suas, trata-se pura e simplesmente de uma questão de estatuto. Acontece que Jesus se viu obrigado a ter de aceitar Bruno de Carvalho, depois das provocações que logo na pré-época Rodolfo Reis lhe lançou no programa “play off”. Depois do que o ex-jogador portista disse a Jesus, Bruno de Carvalho tinha mesmo de ir para o banco. Foi uma provocação totalmente conseguida, já que Rodolfo quando a fez tinha perfeita consciência do resultado da sua provocação (obter o efeito contrário àquele que ele garantia não acontecer, por contraposição a Marco Silva) e apostava, como é óbvio, na erosão da relação entre duas personalidades que não foram feitas para conviver num pequeno espaço de grande tensão.

Já havia indícios da erosão da relação entre ambos por força de comportamentos de Bruno de Carvalho, no banco, que Jesus não aprovava e até já havia avisos feitos publicamente, mas a prova evidente de que, para Jesus, Bruno de Carvalho causava um mal-estar prejudicial à equipa aconteceu no jogo contra o Tondela. Não que Jesus tenha estado calmo quando Bruno de Carvalho se manifestava, mas porque imediatamente percebeu que o presidente se excedeu perigosamente chamando “corruptos” à equipa de arbitragem, o que, independentemente do castigo que lhe será aplicado, Jesus teme que passe a haver da parte dos árbitros má vontade contra a sua equipa. Tanto assim que no final daquele jogo responsabilizou pelo empate…o Tondela. No dia seguinte, Bruno de Carvalho verberou aqueles que no Sporting têm vozes discordantes das que se devem ouvir na defesa do clube.  

Depois veio a história das transferências falhadas. Elas já tinham acontecido na pré-época, o efeito desse desaire tinha sido mal digerido, embora algumas vitórias, nomeadamente contra o Benfica, tenham atenuado os seus efeitos. Só que elas repetiram-se no mercado de Janeiro e então Jesus não pôde calar a sua revolta e manifestou-se contra a incompetência reinante no Sporting, dando publicamente conta desse seu mal-estar depois do jogo da Taça da Liga contra o Arouca.

Mas foi exactamente no lançamento do jogo desta tarde, contra a Académica, ao abordar o “caso Carrillo”, que Jesus publicamente se desviou abertamente da linha oficial ao reconhecer sem reticências o direito de Carrillo a decidir do seu futuro. Nunca foi segredo para ninguém que Jesus queria contar com Carrilho até ao fim do contrato, ou seja, até ao fim da época à semelhança do que o ano passado aconteceu no Benfica com Maxi Pereira. Ontem, Jesus foi muito claro na defesa da decisão de Carrillo. É certo que essa defesa também lhe interessava como auto-justificação, embora, que se saiba, ninguém no Benfica tenha contestado a sua saída, mas apenas o modo como o fez.

Sobre Carrillo, independentemente de saber se vai ou não para o Benfica, o que é lamentável é que um jogador de futebol, um trabalhador, tenha sido impedido pela entidade patronal de exercer a sua profissão, apenas porque não quer renovar o contacto com ela. E mais lamentável que ninguém tenha juridicamente defendido o jogador, que, segundo aqui dissemos, até tinha o direito de rescindir com justa causa o seu contrato com o Sporting com base no comportamento por este adoptado. E mais do que isso, poderia inclusive pedir uma indemnização ao clube por ser por demais evidente pelas declarações públicas dos dirigentes e de outros responsáveis, como por exemplo, Inácio, que a proibição de treinar-se com a equipa principal tinha exclusivamente como causa com a sua recusa em renovar.

Em conclusão: eliminado na Taça de Portugal, eliminado na Taça da Liga, com uma eliminatória muito difícil na Liga Europa, que tem todos os condimentos para correr mal, bastará o menor desaire do Sporting no campeonato, se não for acompanhado de idêntico desaire por parte do Benfica, para que a relação entre o treinador e o presidente se deteriore gravemente com as conhecidas consequências que Bruno de Carvalho costuma emprestar a essas deteriorações. E nem será de estranhar – fica aqui dito para memória futura – que Bruno de Carvalho venha, por qualquer coisa que corra mal, a acusar Jesus de já estar com a “cabeça no Porto”.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O SPORTING DESESPERADO E EM PÂNICO


MANOBRAS DE DIVERSÃO NÃO BASTAM

Octávio Machado: «Não queremos pensar que há castigos pelas cores da camisola»




É visível para qualquer observador minimamente atento que o Sporting está em pânico. Os últimos resultados não enganam ninguém. Eliminação da Taça de Portugal com derrota em Braga; eliminação da Taça da Liga com derrota humilhante em Portimão; empate em casa com o Tondela, para o campeonato, alcançado a ferros; são exemplos que não animam ninguém e assustam os seus principais responsáveis sobre o que poderá vir a seguir.

Jorge Jesus é o exemplo perfeito dessa intranquilidade. Perdido no seio de uma estrutura que ele não domina e que falha frequentemente, percebe-se a sua intranquilidade por não ter meios para evitar as óbvias consequências das quebras de forma de alguns dos principais elementos do plantel. Prevendo esta situação, normal nas suas equipas, tentou no início da época prevenir-se mediante a formação de um plantel cuja composição lhe assegurasse alternativas em caso de crise. Todas as contas lhe saíram furadas porque tanto o Benfica como o Porto se anteciparam na contratação de jogadores que ele tencionava ter no Sporting. Veio o mercado de Janeiro e então a desilusão ainda foi maior. Com excepção de Bruno César, no qual nem o Porto nem o Benfica estavam interessados, todas as demais contratações que ele tinha em vista falharam clamorosamente, não apenas por incompetência, mas – e isso ele percebeu muito bem – por o Sporting não ser o Porto nem o Benfica. O Sporting defronta-se com graves problemas financeiros que qualquer agente desportivo conhece, além de ter uma direcção não credível. Uma direcção que já rasgou compromissos e que tem em atraso muitos outros.

Concomitantemente com todos estes acontecimentos mais ou menos previsíveis, mas nunca surpreendentes, o mundo do futebol assiste um pouco estupefacto, face às previsões que havia feito, a uma extraordinária subida de forma do Benfica, presente em todas as competições, com excepção da Taça de Portugal, que nos últimos trinta dias ganhou oito pontos ao Porto e cinco ao Sporting, distribuindo goleadas nos múltiplos jogos realizados nas diversas competições em que participa. Com a subida de forma do Benfica, o Sporting entrou positivamente em pânico, depreendendo-se do comportamento dos seus principais responsáveis e da sua equipa técnica que já têm como certo que, mais dia, menos dia, perderão a liderança para o vizinho da Luz.

Perante este quadro, com que diariamente se deitam e levantam dirigentes do Sporting e os seus principais empregados, resta-lhes continuar a tentar cavalgar alimárias já estafadas e sem fôlego para desviar as atenções do essencial e agitar o acessório.

Como se previa – nem outra coisa poderia acontecer – a Liga de Clubes arquivou a queixa do Sporting sobre as ofertas de cortesia feitas pelo Benfica às equipas de arbitragem. E abriu um processo a Selimani por agressão a Samaris no último Sporting – Benfica, tendo igualmente arquivado todas as queixas que o Sporting havia feito contra jogadores do Benfica por pretensas acções faltosas ocorridas durante o mesmo jogo.

O Sporting, a gente que dirige o Sporting, ainda não percebeu que há uma diferença abissal entre os actos decididos pelo árbitro durante o jogo e aqueles igualmente ocorridos durante o jogo sobre os quais o árbitro nada decidiu porque não os viu.

Este princípio basilar de qualquer sociedade civilizada, o respeito pelo “caso julgado”, é natural, pelas razões explicadas no último post, que o Sporting não seja capaz de o compreender e por isso tenha posto a falar sobre ele um bronco furioso e agressivo recentemente contratado para fazer aquele tipo de trabalho que somente algumas (poucas) pessoas aceitam fazer.  

Essa é mais uma prova do desnorte do Sporting. Não lhe bastavam as atoardas do presidente, agora tacticamente calado para ver se escapa à aplicação de uma pesada sanção, foi preciso pôr também a falar uma das pessoas desportivamente mais desprestigiadas do futebol português dando do clube uma imagem bem à medida da sua actual natureza.

Percebe-se, pelo que se passa na comunicação social, que no Sporting soou o toque a reunir, não se fazendo rogados os seus diversos comentadores para, com mais ou menos habilidade, fazerem coro com as posições da direcção. Ainda ontem, na TVI 24, José Manuel Freitas se prestou a um espectáculo pouco edificante, tentando como falso comentador independente fazer a defesa das posições do Sporting. Além de necessitar de umas aulas de argumentação, tão pobre e às vezes tão ridículo é o seu argumentário, aconselha-se também a que nos próximos programas vá equipado com o equipamento do Sporting, no mínimo a camisola, para os espectadores poderem ser um pouco mais condescendentes com as suas insuficiências, dando-lhe o desconto que costumam dar aos que na qualidade de adeptos desempenham papel semelhante.




quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A LIDERANÇA DO SPORTING É DE TIPO FASCISTA?




O QUE IMPORTA ACAUTELAR




O Sporting é dirigido por fascistas? A liderança do Sporting é de tipo fascista? Bem sabemos que o fascismo é uma doutrina política que visa pôr em prática um projecto de sociedade. Seguramente, para felicidade de todos nós, o Sporting não tem capacidade para tanto, nem a ordem política portuguesa lho permitiria.

Sucede, porém, que no governo de entidades de natureza associativa que funcionam com relativa autonomia é possível tentar pôr em prática princípios e características semelhantes aos que norteiam as sociedades fascistas. Assim, o poder absoluto do chefe e a idolatria com que é seguido; o desrespeito, melhor dizendo, o desprezo pelos adversários imediatamente transformados em inimigos a abater; a completa ausência de debate e de pluralismo de opiniões; o desprezo pela lei e pelas mais elementares liberdades.

O rosário poderia continuar ou até ser apresentado com outra elaboração. Mas basta o que está dito. E a partir do que está dito não é difícil perceber que a actual liderança do Sporting e os seus principais sequazes perfilham princípios e põem em prática ideias muito parecidas com as que governam as sociedades fascistas.

O presidente do Sporting é idolatrado pela generalidade dos adeptos, sejam eles trabalhadores indiferenciados e incultos ou catedráticos. Diga ele o que disser, faça ele o que fizer, é imediatamente apoiado por todos eles e todas as suas actuações são justificadas, com argumentação pretensamente elaborada ou não, consoante o apoiante, por mais grotescas e malcriadas que elas sejam. Tudo em nome do “supremo interesse” que o líder define e tem por meta concretizar.

O Sporting não tem adversários. O Sporting tem inimigos. Muitos inimigos! Inimigos que devem ser abatidos, neutralizados por qualquer meio. O Sporting, a actual liderança do Sporting, não aceita no seio da sua colectividade qualquer divergência de fins, qualquer diferença de opinião, qualquer interpretação ou apreciação que não seja a veiculada pelo presidente. Quem ousar divergir é expulso, ameaçado de expulsão e vilipendiado na praça pública. Finalmente, o Sporting, em nome de fins que são exclusivamente seus, não aceita a hegemonia da lei. O Sporting quer em todas as ocasiões e para todos os casos uma lei à sua medida. Seja ela a lei do futebol, a lei que regula o jogo ou a lei aplicável a todos os cidadãos. Em todas estas situações a liderança do Sporting exige um tratamento à medida dos seus interesses. E insulta, calunia ou ameaça, não tendo qualquer pejo em adoptar os comportamentos mais grosseiros ou usar as expressões mais abjectas, sempre que a norma que lhe deve ser aplicada se não ajusta à medida dos seus interesses. 

Evidentemente que estes comportamentos do presidente e dos demais órgãos directivos do Sporting não teriam grande importância, ou dizendo de outro modo, até teriam muito pouca importância e morreriam pelo ridículo se não fosse dar-se o caso – e dá-se – de os princípios em que os mesmos se inscrevem serem fielmente seguidos por uma legião de adeptos e simpatizantes, alguns dos quais com assento regular nos principais órgãos de informação, sejam eles da imprensa escrita, radiofónica ou televisiva.

Todos estes sequazes da liderança sportinguista, tão fanatizados quanto ela, propagam semanalmente, em vários dias da semana, a mesma semente de ódio e de intolerância que o presidente regularmente alimenta sempre que os seus interesses não são atingidos.

O que se passou no último fim-de-semana, depois do jogo com o Tondela, em que o Sporting empatou por via de uma excelente exibição da equipa beirã, é o exemplo acabado de tudo o que acima se afirma.

Em uníssono com o presidente, os fanatizados adeptos com voz na comunicação social recusaram-se todos eles, com excepção da posição mitigada assumida apenas por um, a “ver” o que todo o mundo viu, continuando a alimentar um clima de confronto que pode ter consequências nefastas para o futebol em Portugal. Recusaram-se todos eles a censurar o comportamento, por palavras e por actos, do presidente do Sporting. Todos eles, sem excepção, estavam também de acordo em que um acto legal (jogar a bola com a cabeça) tivesse sido gravemente punido (penalty), por esta ser a consequência coincidente com os interesses do Sporting.

Insisto, desde os assalariados que representam a “voz do dono” (apesar de já terem tido outros donos), passando pelos licenciados, até aos catedráticos, todos, sem excepção, aplaudem o comportamento do presidente e julgam-no justificado.

Se as autoridades não actuarem rapidamente com muita firmeza, sejam elas as autoridades desportivas ou outras, isto vai acabar mal. Pelo caminho que as coisas vão, isto vai acabar muito mal!

É preciso actuar e punir exemplarmente!

sábado, 16 de janeiro de 2016

A INQUALIFICÁVEL PRESSÃO DO SPORTING SOBRE OS ÁRBITROS



HÁ QUE TOMAR MEDIDAS, ISTO NÃO PODE CONTINUAR!


João Gabriel: «O Sr. Facebook que explique como se puxa e insulta o árbitro auxiliar»



Voltámos ontem a assistir a um lamentável espectáculo em Alvalade. Mais uma vez o Sporting pretendeu criar em redor do árbitro um clima que o impedisse de exercer com competência e imparcialidade as suas funções. Felizmente não conseguiu, mas o espectáculo ficou indelevelmente marcado pelo comportamento inaceitável de toda a área técnica do Sporting.
Vamos a factos. Jogava-se em Alvalade o primeiro jogo da segunda volta do campeonato entre a equipa da casa, primeira classificada com quatro pontos de vantagem sobre os seus mais directos rivais, e o Tondela, último classificado, com oito pontos, a dois pontos do penúltimo e a oito do antepenúltimo.
À partida um jogo fácil para o Sporting, apesar de no confronto da primeira volta, em Aveiro, o Sporting ter vencido com muita dificuldade pela diferença mínima (2-1) com um golo marcado já quase no fim do jogo, de penalty, precedido de um lance escandalosamente irregular. Aliás, as imagens desse jogo demonstram não houve falta do jogador do Tondela, a falta geradora da grande penalidade, mas, pelo contrário, do jogador do Sporting sobre o jogador do Tondela. O Sporting queixa-se igualmente de um golo marcado com a mão. Não querendo revisitar o que se passou o que se pode dizer é que a jogada do golo do Tondela é confusa e de difícil análise.
Entretanto, jogaram-se mais dezasseis jornadas, o Tondela afundou-se no último lugar, já trocou três vezes de treinador, e Sporting segue na frente, como se sabe, não obstante as polémicas que têm acompanhado a maior parte dos seus jogos . Mas vamos ao jogo de ontem.
Ontem, quem assistisse ao jogo desconhecendo a posição relativa das duas equipas, dificilmente acreditaria que o Sporting ocupava o primeiro lugar e o Tondela o último à distância de trinta e seis pontos! O Tondela exibiu-se em grande nível durante os primeiros vinte minutos, com excelentes toques de bola dos seus jogadores, remetendo o Sporting para um cinzentismo irreconhecível. Por volta da meia hora, aproveitando uma das conhecidas debilidades das equipas de Jesus, em mais uma boa jogada do Tondela, Tavares apareceu isolado frente a Rui Patrício, que, para o travar, teve de o derrubar dentro da área  com uma entrada muito agressiva que, tivesse-se ela passado em qualquer outra parte o campo, seria sempre merecedora do cartão vermelho.
E foi o que o árbitro, competentemente, fez. Marcou grande penalidade e expulsou Rui Patrício, dando a entender que o fazia por o jogador do Tondela já não ter à sua frente outro adversário e seguir verticalmente em direcção à baliza, embora, como acima se disse, a entrada de Rui Patrício, fosse ele defesa, médio ou avançado, e tivesse-se ela passado em qualquer outro lugar do campo, devesse ser sempre punível com cartão vermelho.
Dentro do campo, os protestos dos jogadores do Sporting, com excepção de Rui Patrício, foram enormes. Adrian, capitão da equipa, foi punido com um amarelo e os protestos ficaram por ali. Rui Patrício foi substituído por Marcelo, Bruno César saiu, e o penalty foi convertido.
O pior, porém, foi o que se passou junto do árbitro auxiliar e do quarto árbitro. Toda a gente da área técnica do Sporting, com o presidente à cabeça e com Jesus, verdadeiramente possesso, largando impropérios e ameaças sobre a equipa de arbitragem, tentando todos, em uníssono, condicionar a actuação do árbitro, com vista a impedi-lo de marcar o penalty e de expulsar o guarda-redes, Rui Patrício.
Um espectáculo indigno e degradante, que não pode ser ignorado. A televisão passou profusamente as imagens do protesto e do modo como o mesmo se fez. O árbitro auxiliar pediu “auxílio” ao árbitro, sinalizando repetidamente com a bandeirola a gravidade do que se estava a passar. O árbitro expulsou o presidente do Sporting, useiro e vezeiro em comportamentos incorrectos, mas inexplicavelmente condescendeu com Jorge Jesus e alguns outros elementos. Curiosamente, a generalidade dos jogadores suplentes do Sporting manteve-se à margem do protesto.
O jogo continuou sempre com o Tondela por cima durante toda a primeira parte. O intervalo foi mais dilatado do que o habitual, desconhecendo-se se qualquer razão extra-futebol determinou esse atraso.
Na segunda parte o Sporting entrou com vontade de virar o resultado, apesar de ter em campo menos um jogador. Acabou por marcar num golo atribuído a Selimane, mas que na realidade foi marcado por um desvio com o peito de um jogador do Tondela. A partir desse golo o Tondela desuniu-se e passou a perder, inexplicavelmente, várias bolas na sua defesa. Numa dessas saídas em falso, o Sporting ficou com a bola, e Brian Ruiz, depois de com várias simulações ter tirado da frente os defesas do Tondela e o guarda redes, rematou para o que seria o 2 a 1 do Sporting. Acontece que um defesa do Tondela, que dobrou o seu guarda-redes, conseguiu impedir com um afortunado golpe de cabeça que a bola entrasse na baliza.
Certamente devido ao indescritível clima de pressão que se vivia em Alvalade, o árbitro foi levado a supor, para espanto dos jogadores do Tondela, que o corte havia sido feito com a mão e apontou para a marca da grande penalidade.
Por indicação do árbitro auxiliar ou do quarto árbitro a decisão do árbitro foi corrigida (e pode sempre sê-lo enquanto o jogo não recomeça) e não houve marcação do penalty.
Bem, o que mais uma vez se passou com os elementos da área técnica do Sporting é indescritível. De cabeça completamente perdida toda a área técnica do Sporting, inclusive funcionários do clube cujo papel se desconhece, insultou o árbitro, o auxiliar e o quarto árbitro de quanto havia, com Jesus completamente tresloucado a proferir toda a gama de impropérios que conhece e a gesticular como um louco.
O árbitro, serenamente, manteve a anulação da sua primeira decisão, e não expulsou ninguém.
O Sporting acabou por fazer o 2-1 em mais uma perda de bola do Tondela, mas já perto do fim, no 85.º minuto, em mais uma jogada de contra-ataque, num passe longo e cruzado, o Tondela, aproveitando pela segunda vez as conhecidas debilidades defensivas das equipas de Jesus, acabou por fazer o empate.
Do jogo fica a excelente exibição do Tondela na primeira parte, o seu declínio na maior parte da segunde, porventura por quebra física, o seu ressurgimento na parte final do jogo e um empate justíssimo perante um Sporting vulgar, certamente como sintoma das conhecidas fraquezas das equipas de Jesus nas segundas voltas do campeonato.
Do que se passou fora do campo, durante o jogo e depois dele, fica a inqualificável pressão exercida sobre os árbitros pelo Sporting, principalmente nos momentos mais críticos do jogo. Vai ser muito difícil daqui para a frente apitar em Alvalade. A estratégia do Sporting é conhecida: atacar sem contemplações todas as equipas de arbitragem com vista a condicioná-las e a impedi-las de qualquer decisão que lhe possa ser prejudicial. A impunidade que tem estado associada a este tipo de comportamento e as indiscutíveis vantagens que o Sporting dele já retirou em inúmeros jogos apenas fazem com que se espere daqui para a frente o seu agravamento em todas as situações do jogo, principalmente sempre que o Sporting estiver em dificuldades.
Há que tomar medidas urgentemente e exemplarmente. As pressões exercidas sobre os árbitros antes dos jogos, os comentários absolutamente indecorosos dos responsáveis sportinguistas depois dos jogos, o seu comportamento durante os jogos, não podem de forma alguma continuar impunes.Têm de ser exemplarmente punidos, a começar pelo castigo a aplicar desde já ao presidente, depois da expulsão de ontem. Mas a justiça tem de se estender aos demais: a Jesus, a Octávio, ao adjunto, aos funcionários, enfim, a toda aquela gente que se levanta e arregimenta contra a arbitragem, como se fosse para um campo de batalha, sempre que uma decisão lhes desagrada ou não convém ao Sporting.
Quanto aos comentadores, sejam os comentadores dos jornais, alguns deles com comportamentos demenciais, como Dias Ferreira, Barroso e até Daniel Sampaio, para falar apenas nos mais conhecidos, quer os das televisões, Rui Santos, o João “dos fretes”, Inácio, Rogério Alves, deixando de lado o hilariante Pina, pelo divertimento que nos proporciona, há que lhes responder adequadamente em cada programa, confrontando-os com o ridículo das suas posições.