MAIS CENAS EM ALVALADE

Não há qualquer espécie de dúvida, o Sporting tem mentalidade
de equipa pequena. Como sempre acontece com os pequenos sejam eles equipas de
futebol ou outra coisa qualquer, as pequeninas contrariedades são exacerbadas,
são vistas como conspirações universais destinadas a apoucá-los e a prejudicá-los.
Nunca são vistas na sua verdadeira dimensão, mas como assuntos de importância
vital dos quais em última análise depende a realização do fim que esses
pequenos seres têm em vista alcançar.
Esta noite em Alvalade, mais uma vez o Sporting se viu
atrapalhado para ganhar ao penúltimo classificado. Mais uma vez os jogadores do
Sporting ultrapassaram os limites do permitido, sem que a sua conduta tivesse
sido devidamente punida. Mais uma vez o treinador do Sporting foi expulso por
algo, certamente grave, no conteúdo ou na forma, que disse ao árbitro (ao quarto
árbitro).
O Sporting queixa-se de um golo sofrido em fora de jogo aos
59 minutos (cinquenta e nove minutos, imagine-se!). Ainda não tivemos
oportunidade de rever o lance com tranquilidade, embora pela imagem a que
tivemos acesso nos pareça que há fora de jogo. Um fora de jogo ocorrido numa jogada
pouco comum, cuja validação parece corresponder a um erro do árbitro. Ou seja,
o defesa não costuma ser o último jogador; o último jogador costuma ser o
guarda-redes, daí a confusão do árbitro se estiver correcta a imagem que temos
do lance.
Só mesmo uma equipa em pânico, completamente desorientada e
emocionalmente destabilizada, pode tomar por definitivo o resultado verificado
ao minuto 59 contra o penúltimo classificado. Basta comparar o que se passou
com o Benfica à terceira jornada da primeira volta. Depois de uma pré-época
decepcionante, da derrota na Supertaça e da derrota contra o Arouca na segunda
jornada, o Benfica jogando contra o Moreirense viu a equipa de Moreira de
Cónegos empatar ao 84.º minuto, num golo marcado em off side – um off side “normal”
com cerca de dois metros. Faltavam seis minutos para acabar o jogo e mesmo
assim o Benfica assegurou a vitória dois minutos depois. Não convocou
conferências de imprensa especiais, não veio insinuar manobras de bastidores,
não veio chamar incompetente ao árbitro, nem veio, em suma, exigir que Jorge
Ferreira nunca mais arbitrasse o Benfica. E no Rio Ave – Benfica da 14.ª
jornada, que o Benfica ganhou por 3-1, depois de ter estado longo tempo
empatado, foram perdoados aos vila-condenses três penalties e nem por isso o
Benfica se pôs aos gritos por no jogo de amanhã, em Moreira de Cónegos, ter como
árbitro exactamente a mesma pessoa (Manuel de Oliveira) que em 20 de Dezembro
passado não viu os três penalties que não foram marcados ou ajuizou mal os
lances que lhes deram origem.
É claro que quando um clube tem mentalidade de equipa pequena
tudo é exageradamente exacerbado, tudo o que é eventualmente prejudicial é
elevado aos píncaros e simultaneamente é esquecido ou omitido tudo o que o
favorece, como no jogo desta noite aconteceu relativamente a Ewerton e a Adrien
que só não vieram para a rua por o árbitro lhes ter perdoado o segundo amarelo.
No fim do jogo assistiu-se a mais um conjunto de declarações
lamentáveis de um director-geral ensandecido que espuma ódio e raiva por todos
os poros. Atacou o árbitro, responsabilizou o presidente do conselho de
arbitragem e insinuou, sem margem para dúvidas, que há quem esteja por detrás
de todas estas cabalas para impedir que o Sporting se intrometa num negócio de
milhões. Bem pode o ensandecido director geral do Sporting dizer, como lhe recomendaram
que dissesse, que não era a honorabilidade do árbitro que estava em causa (apesar
de todos sabermos que é, aliás com o Sporting é sempre a honorabilidade do árbitro
que está em causa), porque a sua parca inteligência logo mais à frente deixou a
descoberto os seus verdadeiros propósitos quando afirmou que tudo “ o que
aconteceu” se devia ao facto de haver alguém que quer impedir que o Sporting se
intrometa na alternância (ou seja, o que liminarmente o ensandecido director
geral afirmou foi que há alguém do Porto ou do Benfica que influencia os
árbitros levando-os a actuarem contra o Sporting para por essa via impedirem
que a referida alternância seja posta em causa). Tais declarações não podem
deixar de merecer a sanção devida. Basta ouvi-las!