domingo, 19 de março de 2017

BENFICA: O CAMINHO PARA O DESASTRE




A DIRECÇÃO E O TREINADOR EM CAUSA
O Benfica não conseguiu marcar um golo na Mata Real e perdeu dois pontos antes de receber o FC Porto



Depois de ter sido “despedido” da Liga dos Campeões sem honra nem glória com uma vergonhosa derrota em Dortmund por 4-0, antecedida de um jogo deplorável na Luz em que a milagrosa vitória por 1-0 não chega para escamotear o que realmente se passou, o Benfica perdeu desde a 16.ª jornada do Campeonato sete (7) pontos, oferecendo de bandeja, como tudo indica, o título ao Porto numa época em que, mais do que em qualquer outra, importava vencer para pela primeira vez na sua história somar quatro campeonatos seguidos – ser tetracampeão.

Se é certo que matematicamente nada está perdido, não há ninguém que fria e racionalmente acredite que tal objectivo ainda seja possível. Por uma ou duas razões muito simples: primeiro, porque o Benfica está a jogar pouco, muito pouco; segundo, porque o Benfica não tem um plantel à altura das suas ambições e dos desejos dos seus fervorosos adeptos.

Vê-se, muito mais nitidamente nas últimas jornadas, que desde que a equipa adversária se feche com onze homens atrás da linha da bola que o Benfica não tem soluções para ultrapassar esse obstáculo. Ainda hoje, em Paços de Ferreira, essa incapacidade foi confrangedoramente visível. Os defesas trocam a bola entre si sem progressão e sem que qualquer adversário os incomode, perdendo o Benfica por jogo nessa farsa de posse de bola inútil cerca de 20 minutos úteis. Depois a bola chega aos extremos que ou a centram sem nexo ou não sabem o que fazer com ela. O jogo interior é quase nulo e o que é tentado através de passes curtos ou um pouco mais longos acabam por cair invariavelmente nos pés dos adversários.

E tudo isto acontece porquê? Porque o Benfica não tem (deixou de ter) quem no meio campo seja capaz de romper as linhas adversárias, nomeadamente quando elas jogam muito juntas. Depois percebe-se que também não há nenhum trabalho prévio, nenhum treino específico para as bolas paradas. Sempre que há um livre Pizzi acerca-se da bola, seis, sete ou as vezes que calhar por jogo, para fazer um passe em arco para a cabeça de quem lá está, repetindo até ao fim do jogo sem alterar, ou sem que ninguém dê uma ordem de mudança, jogadas inúteis e inofensivas. O mesmo se diga dos cantos. Pizzi marca mal e sem nexo os cantos, sempre da mesma maneira, tantos quantos houver, de um lado e do outro, sem qualquer resultado prático e sem que dentro do campo chegue uma ordem de mudança.

Pois bem, se nas bolas paradas o jogo interior é uma lástima, no jogo corrido ainda é mais.

E tudo isto porque o Benfica deixou de ter dois jogadores fundamentais no meio campo: os tais que poderiam romper as linhas quando as equipas adversárias se fecham e deixou de ter também quem seja capaz de rematar a meia distância tanto em bola parada como em bola corrida.

Se muitos destes defeitos, visíveis há várias jornadas, são da responsabilidade do treinador, que nada faz para os alterar e para tentar dar outra dinâmica à equipa, outros – a maior parte – são da responsabilidade da direcção, nomeadamente do presidente Luís Filipe Vieira.

O Benfica fundamentou o despedimento de Jesus na ausência de aposta na formação. E era sem dúvida um grande e importante fundamento. Jesus atreito à ideia de que somente queria jogadores feitos ou por ele “formatados” deixou que grandes talentos saíssem do Benfica sem terem retribuído o muito que o clube investiu na sua formação.

Dizia-se que, com Rui Vitória, o Benfica iria apostar na formação e revelar ao mundo da bola as “pérolas” do Seixal, passando o Benfica a ter a partir de então uma equipa que fosse uma mescla bem combinada de experiência e formação, deixando assim de gastar milhões e milhões de euros em jogadores de duvidosa qualidade. Diminuiria a dívida e o seu serviço e aumentariam as receitas e, pelo efeito combinado de ambas, os lucros.

Acontece que essa famosa aposta na formação não passa de um grande embuste. De facto, quando se fala em aposta na formação o que toda a gente pensa é que o plantel principal do Benfica passaria a integrar criteriosamente jovens vindos do Seixal, capazes de se imporem na equipa principal e de nela ganharem maturidade para que um dia mais tarde, esses talentos, a meio da sua carreira, pudessem ser vendidos se o Benfica necessitasse dessas vendas.

Ora, não foi nada disto o que aconteceu. O que aconteceu foi algo muito diferente e muito grave. Esses jovens talentos realmente despontaram, entusiasmaram o mundo do futebol, mas sem que tivessem adquirido um mínimo de maturidade, seis ou dez meses depois de terem aparecido na equipa principal do Benfica foram vendidos.

Consequências: a primeira é a direcção do Benfica, mais concretamente o presidente,  estar-se completamente nas tintas para o que possa acontecer a esses jovens jogadores nas suas novas equipas; miúdos de 18, 19 ou 20 anos, sem qualquer maturidade, vêem-se obrigados nas equipas para que foram transferidos a assumir, perante a nova equipa e os seus adeptos  a grande responsabilidade de terem sido comprador por quantias milionárias; a segunda, é a de o Benfica como equipa não ter usufruído minimamente dessa formação – jogadores que poderiam durante mais três ou quatro anos dar o seu contributo à equipa são vendidos ao fim de meses sem que ninguém os substitua.

Por que é que isto acontece? Por que tem o Benfica necessidade de comprar Rafa por 18 milhões e vender Gonçalo Guedes por 20?

A resposta é simples: ao Benfica, ou seja, ao presidente e aos seus empresários, o que interessa é vender e comprar. Porque a vender e a comprar é que se ganha dinheiro. Mas não é certamente o Benfica que o ganha já que a sua dívida, apesar de todas as tiradas demagógicas em contrário, não cessa de aumentar.

A venda de Renato Sanches e a de Gonçalo Guedes, os tais dois únicos jogadores capazes de em momentos críticos romperem as linhas adversárias, vai custar o campeonato ao Benfica. Eles foram e ficaram outros que bem poderiam ter ido por metade ou um terço do preço que, mesmo assim, o negócio seria, sob todos os pontos de vista, mais bem lucrativo para o Benfica e para os seus adeptos!




sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

JORGE JESUS DESESPERADO




POR QUE PERDE JESUS COM AS GRANDES EQUIPAS?
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O holandês, com o golo marcado no último minuto contra o Belenenses, salvou Jorge Jesus e o Sporting de uma crise de proporções inimagináveis. Entendamo-nos: o facto de o Sporting estar a oito pontos do primeiro classificado e de por um triz não ter ficado a dez na véspera de Natal não tem nada de anormal na história do clube. É isso o que em regra vem acontecendo há décadas.

A grande diferença relativamente a situações passadas está em o Sporting ter, desde a última época, um dos mais caros treinadores do futebol europeu, vencendo réditos avultados, incompatíveis com a realidade do nosso futebol. E de essa contratação, caríssima, ter sido acompanhada de expectativas, quase certezas, que a ligavam à inevitável conquista de títulos.    Por outro lado, sendo o presidente Bruno de Carvalho um empregado do clube, do qual vive, isso faz com os habituais desaires tenham agora uma ressonância incomparavelmente maior do que tiveram antes pelas consequências de incidência pessoal que inevitavelmente lhe estão ligadas.

Ou seja, se o Sporting tivesse empatado ou perdido hoje no Restelo, o mais provável seria que os sócios exigissem a cabeça de Jesus, resultando dessa exigência ou da sua eventual concretização a fragilização da posição de Bruno de Carvalho, ficando a partir dai muito problemática a sua continuação à frente do clube.

O presidente, como age com a atitude típica do adepto, ficou muito feliz com a vitória, sem sequer se dar ao trabalho de reflectir sobre a actual situação do Sporting. Vive e age o dia a dia e enquanto lá vai estando vai garantindo o emprego. Nos intervalos dos jogos vai cultivando a sua doentia obsessão pelo Benfica continuando a debitar dislates e disparates até ao dia em que os seus lhe exijam contas pelo trabalho prestado e tirem depois as inevitáveis consequências.

Com Jesus as coisas passam-se de forma diferente. Por mais que Jesus fale ou queira falar como adepto, ele sabe, tal como os adeptos, que com o ordenado que recebe o seu “sportinguismo” soa a falso, é oco como um tronco bichado. Vendo a prestação da equipa, por mais que queira convencer os seus ouvintes do contrário, ele percebe que a crise está à porta, sempre na iminência de acontecer como percebe que são muito diminutas, para não dizer nulas, as hipóteses de conquista de um título importante.

Por essa razão são tão tristemente desesperadas as suas prestações nas conferências de imprensa, principalmente as que ocorrem fora de Alvalade, já que no seu recinto reina um clima de intimidação que leva a maior parte dos jornalistas a fazer-lhe apenas as perguntas que ele quer ouvir.

O se desespero é, porém, notório como hoje se viu no Restelo. A arrogância com que pretende impedir que lhe falem da sua prestação nas competições europeias e a bazófia com que pretende fazer passar a mensagem de que com vitória ou sem vitória tudo continuaria na mesma são manifestações típicas de quem já compreendeu que chegou ao fim da linha

Se dúvidas houvesse elas seriam imediatamente dissipadas pela repetição da esfarrapada desculpa de a crise do Sporting ser uma “crise Jorge Sousa”, tentando fazer uma ligação absurda entre o desempenho do árbitro que apitou o Sporting na Luz com os 15 (quinze!) pontos já perdidos no Campeonato bem como o humilhante desempenho da equipa na Liga dos Campeões onde somou 5 (cinco!) derrotas e uma única vitória contra o fraquíssimo Legia de Varsóvia, porventura a mais fraca das 32 equipas em prova!

Jesus, se não estivesse realmente desesperado, teria certamente vergonha de apresentar semelhantes argumentos à consideração da opinião pública.

Aliás, tendo em conta a sua experiência de seis anos no Benfica e de um e meio que já leva no Sporting o que Jesus deveria fazer era interrogar-se por que razão perde sistematicamente contra as grandes equipas e por que falha tão repetidamente nas grandes ocasiões, qualquer que seja a categoria do adversário.

Mas isso Jesus nunca o fará. E nunca o fará porque tem mentalidade de treinador de equipa pequena. O seu autodidatismo baseado numa grande incultura geral e até futebolística e os longos anos passados a lutar para manter o emprego em equipas de segundo e terceiro plano fazem com que ele encare todas essas derrotas como vitórias morais. Foi assim que fez no Benfica quando perdeu por três anos consecutivos o campeonato para o Porto, quando perdeu as finais da liga Europa, depois de eliminado da Liga dos Campeões, onde apenas por uma vez superou a fase de grupos, e voltou a fazê-lo agora com o Sporting quando perdeu com o Real Madrid e com o Borussia de Dortmund por quatro vezes, duas com cada equipa.

A exuberância com que se vangloriou da derrota de Madrid, festejada como se de uma vitória se tratasse, impediu-o de voltar à terra, apesar das tristes consequências desses festejos no plano puramente interno terem ocorrido logo a seguir.

A nossa convicção, porém, é a de que Jesus não tem cura. Se ganha e gosta da exibição manifesta um optimismo e uma arrogância desmedidos; se perde ou joga mal tenta com desculpas esfarrapadas imputar a terceiros uma responsabilidade que é sua. É esta conduta bipolar, que o situa permanentemente entre a euforia e o desespero, que efectivamente o impede de perceber por que perde tantas vezes e por que perde quando aparentemente a vitória está ao alcance da mão!


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

PLAY OFF, A GRANDE MANIPULAÇÃO



 


O QUE REALMENTE METE NOJO!
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Como a generalidade dos leitores saberá, o Play Off é um programa de comentário desportivo, da SIC N, emitido ao domingo à noite, que tem como intervenientes três sportinguistas confessos (Rui Santos, provavelmente o dono do programa, um tal João, um ex-jogador do Sporting, actualmente Manuel Fernandes), Rodolfo Reis, anti-benfiquista primário, subsidiariamente adepto e ex-jogador do Porto, e João Alves, ex-jogador do Benfica durante 4 épocas (duas mais duas), Boavista, PSG e Salamanca.
Actualmente o objectivo deste programa é denegrir o Benfica, tentando fazer passar a mensagem de que ganha jogos e títulos com o favor da arbitragem e pressionar intensa e permanentemente os árbitros com base em falsos factos representativos de pretensos prejuízos causados nos jogos em que intervêm o Porto e o Sporting.
Esta campanha, orquestrada por Rui Santos, com a colaboração do tal João que o acompanha, tem como principais falsificadores Rodolfo Reis e o representante do Sporting, Inácio, actualmente a afundar o Moreirense, agora substituído, como se já disse, por Manuel Fernandes.
João Alves tenta remar contra a maré, mas raramente consegue por falta de acutilância adequada e por ter caído no estratagema, urdido pelos outros quatro, de se ter deixado colocar à defesa quando a sua posição, pelo que se passou na arbitragem durante cerca de trinta anos, deveria ser a de ataque sem tréguas aos batoteiros contumazes.
De facto, o que R. Reis pretende quando fala em nojo, roubos e outras aleivosias era regressar aos tempos em que os árbitros se encarregavam de ganhar os jogos pelo Porto, quer marcando-lhe golos inexistentes, quer favorecendo-o com penalties inventados ou anulando golos válidos aos adversários,  ou permitindo no campo, nomeadamente aos defesas, um clima de violência nunca punido com expulsão directa ou sequer com um segundo amarelo, além de concederem ao guarda-redes portista a faculdade de tirar golos dentro da baliza e de defender com a mão fora da área.
Este é que era o nojo que Rodolfo Reis gostaria de voltar a saborear e quem diz Rodolfo Reis, diz Miguel Guedes ou Pinto da Costa que, depois de vários meses de mudez absoluta, voltou a palrar, também convencido de que pode repetir os “tempos gloriosos” dos seus mais famosos "pontas-de-lança" – Adriano Pinto, Lourenço Pinto, Pinto de Sousa, entre “guímaros”, “calheiros”, “martinsdossantos”, entre tantos e tantos outros!
É neste contexto que surgem os ridículos quinze penalties não assinalados a favor do Porto, com base numa contabilidade criativa que se fosse seguida pelos restantes clubes passar-se-ia mais de metade do tempo de jogo a marcar penalties. Penalties que o Porto, apesar de ter beneficiado de vários, se mostra incapaz de concretizar.
Se os comentadores do Porto, nomeadamente os que jogaram futebol, tivessem sido formados num ambiente desportivamente saudável, a primeira coisa que deveriam fazer era aconselhar os jovens jogadores do seu clube a não serem batoteiros, aldabrões, simulando faltas inexistentes, conselhos, aliás, que reverteriam no interesse dos próprios jogadores, já que com semelhantes hábitos jamais serão contratados por equipas pertencentes a uma liga que se preze.
Vem isto a propósito das simulações de Octávio e das vergonhosas simulações de André Silva, tão jovem e já tão batoteiro! Só mesmo um árbitro inexperiente e incompetente poderia ter sancionado com um penalty a simulação contra o Feirense, da qual decorreu a expulsão do adversário e a marcação do primeiro golo do Porto. Simulação que ontem, contra o Chaves, voltou a ser ridiculamente encenada pelo mesmo jogador, novamente sem punição! Como ridículos são os protestos portistas relativamente a outros lances desse jogo. Boa arbitragem, sem nenhum caso. Sempre o mesmo critério para ambas as partes. É bom lembrar que os golos como os do Maicon, na Luz, não valem! Valiam para o Pedro Proença, mas para as leis que regulam o futebol não valem. Entendido?
O que diria o Benfica, se quisesse falar do jogo contra o Estoril. Quantos penalties teria o Porto contabilizado se o jogo tivesse sido com eles? Sim, quantos? O Benfica, porém, não criticou a arbitragem. E toda a gente sabe quantos penalties esta época já ficaram por marcar, como conhece a validação de golos inválidos bem como a anulação de golos válidos. Enfim, o Benfica tem tido de tudo. Mas não se queixa, nem se deve queixar, porque nos jogos que perdeu pontos, perdeu-os por culpa própria.
Finalmente, um reparo. Incompreensíveis as declarações de Toni sobre a arbitragem do jogo contra o Sporting. Antes de continuar é preciso distinguir duas situações completamente diferentes.
Uma coisa é os benfiquistas não abdicarem da sua liberdade de crítica relativamente a todas as situações que digam respeito à vida do clube – aos actos de gestão, à política de aquisições e de vendas, enfim, crítica sobre tudo o que discordam, sejam essas vozes isoladas ou com muita ressonância. Esta é uma liberdade que um benfiquista nunca pode nem deve comprometer ou pôr em causa, sob pena de estar a destruir os verdadeiros fundamentos do clube – um clube popular e democrático.
Outra é contribuir com actos ou palavras para alimentar as campanhas que inimigos jurados do Benfica têm em curso com a intenção de prejudicar o clube, afastando-o da senda dos títulos e das vitórias. Toda a gente conhece o historial do Porto em matéria de arbitragem para logo se perceber o que eles realmente pretendem quando atacam e injuriam o Benfica. Toda a gente igualmente percebe que o Sporting, a sua direcção, os seus comentadores, a maior parte dos seus adeptos, estão completamente obcecados com o Benfica. Sabe-se que para eles uma arbitragem isenta é a que favoreça o Sporting e prejudique o Benfica. Os exemplos, às dezenas, estão à vista de todos, pela loucura de comentários e afirmações que fazem a propósito de situações perfeitamente normais. Ora bem, depois da enorme campanha, diariamente alimentada, que o Sporting tem feito contra o Benfica, nomeadamente invocando os lances do jogo da Luz – lances que oitenta a noventa por cento dos árbitros e especialistas da arbitragem consideram bem resolvidos, lances que nas grandes ligas europeias jamais seriam dignos de qualquer sanção - como pode um benfiquista vir dizer que houve penalties por assinalar com influência no resultado? Como pode dizer que houve penalties, se as imagens que existem não provam nada disso, e como pode, além disso, acrescentar que influenciaram o resultado? Como sabe Toni que o resultado seria diferente se porventura algum penalty tivesse sido assinalado? O que sabe Toni do rumo que o jogo tomaria se outra ou outras tivessem sido as decisões do árbitro? São declarações inaceitáveis, principalmente por terem sido feitas por alguém que tem experiência e conhecimentos suficientes para não ser ingénuo.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

BENFICA – SINAL VERMELHO


OS DOIS PRÓXIMOS JOGOS

Dois do últimos jogos do Benfica deixaram uma angustiante dúvida nos adeptos sobre como se comportará a equipa nos dois próximos importantíssimos jogos em que se decidirá a permanência na Liga dos Campeões e a liderança do campeonato.

Tanto o jogo de Istambul como o da Madeira deixam legítimas apreensões. Na Turquia, estando o Benfica à beira de construir um resultado histórico e de assegurar o apuramento para a continuação na Liga dos Campeões, assistiu-se à queda da equipa em consequência de erros defensivos inaceitáveis. Se é certo que o primeiro golo do Besiktas foi um excelente golo, também é verdade que o seu autor agiu dentro da área, na sequência de um cruzamento, sem a menos oposição. Todavia, um golo do adversário quando se tem uma vantagem de três não é, na esmagadora maioria dos casos, nada de muito importante. Pode até proporcionar a marcação do quarto já que o adversário nestas circunstâncias tem tendência a desguarnecer a defesa na ânsia de alcançar o segundo golo. E o Benfica estava a conseguir segurar o jogo, tanto assim que entre o primeiro golo e a marcação do segundo mediaram quase trinta minutos! Todavia, esse segundo golo acontece em consequência de um erro inadmissível de Lindlöf, que jogou desnecessariamente a bola com a mão no extremo limite da grande área, para cortar uma jogada, que não levava qualquer perigo, a que por deficiência de posicionamento não chegou com a cabeça.  Depois do segundo golo,  que expressava uma brilhante recuperação do adversário e com poucos minutos para jogar num ambiente adverso, era de prever que o golo do empate aparecesse, como apareceu perto do fim do jogo. Entre o segundo e o terceiro golo, a esquipa desorientou-se por completo, cometeu erros em série e mais uma vez Lindelöf, de parceria com Eliseu, se revelou incapaz, novamente por erro de posicionamento, de cortar um cruzamento que nunca deveria ter chegado, principalmente como chegou, aos pés do adversário.

Depois de dois jogos simples, ambos em casa, para competições diferentes, o Benfica iria ter novo teste frente ao Marítimo, no Funchal, para o campeonato. E novamente num teste importante, a equipa falhou. Falhou outra vez no plano defensivo; falhou na concretização; e falhou na estabilidade emocional.

No plano defensivo, tem de se dizer que tendo sido os centrais, nos últimos anos, o grande baluarte defensivo do Benfica, eles são hoje um grande problema, pelo menos, nas duplas que têm sido testadas.  De facto, em Nápoles, com a dupla Lisandro/Lindlöf, foi Lisandro quem falhou. Falhou, mas tinha sido importante no jogo contra o Tondela como importantíssimo foi no jogo (para esquecer) com o Porto. Depois deste jogo, Lisandro, sem que nada o justificasse voltou a sair para não mais entrar. Entrou Luisão que no primeiro grande teste, contra o Nápoles, não conseguiu estabilizar a defesa e que na passada sexta-feira foi o responsável pelo primeiro golo do Marítimo e também não foi capaz de acudir, por falta de velocidade, àquele que poderia ter sido o segundo. Aliás, neste lance é incompreensível como após a primeira defesa de Ederson, o jogador do Marítimo, face a quatro jogadores do Benfica, tem tempo suficiente para fazer sem oposição um novo remate muito bem colocado  que só não foi golo por Ederson ter correspondido com uma nova e excelente defesa.

Depois de assegurado o empate, o Benfica dispôs de oportunidades para marcar, mas nem Mitroglou, nem Sálvio, nem Rafa, nem jiménes tiveram o discernimento suficiente para o fazer. E aqui notou-se, como antes nunca se havia notado, a falta de Jonas! A somar a esta ineficácia juntou-se a inoperância defensiva que novamente se manifestou ao voltar a ser a ser incapaz de controlar uma bola cruzada, desta vez de canto. Tanto André Almeida como Lindlöf foram incapazes de cortar a bola ou de estorvar a acção do avançado maritimista.

Finalmente, foi por demais notória a perda de estabilidade emocional da equipa que, perante o anti-jogo do Marítimo, nada mais foi capaz de fazer do que lançar, sem nexo nem critério, bolas pelo ar para a entrada da área adversária, sistematicamente perdidas no confronto com a defesa insular.

Perante este quadro, a pergunta que se coloca é esta: que Benfica vamos ter contra o Nápoles? Contra um Nápoles a quem o empate serve para passar e que sabe jogar como poucos no contra-ataque. Não parece, francamente, que a defesa deva ficar incólume, isto é, inalterada. Se é certo que do lado esquerdo pouco há a fazer (a menos que Lindlöf pudesse desempenhar esse lugar), no centro há que fazer mexidas. Luisão não tem condição para jogar partidas como a que vai disputar-se contra o Nápoles. Se Rui Vitória continuar a insistir no erro, vai seguramente pagá-lo caro. O ideal seria jogar com Jardel sobre a esquerda e Lindlöf ou Lisandro sobre a direita. Se Jardel não estiver em condições (que estranha lesão a sua…), o melhor será alinhar com o sueco e o argentino.

Na frente, Rafa tem de saber que muito mais importante do que marcar um golo pelo Benfica é que o Benfica marque golos seja quem for quem os mete. Rafa não foi capaz de concretizar na hora própria contra o Moreirense e quando o tentou fazê-lo já se sabia que o não conseguiria. Por acaso a bola foi ter com o pés de Jiménez …e tudo se resolveu. E na Madeira voltou a não marcar, não obstante a oportunidade de que desfrutou.

Para o Benfica, o jogo contra o Nápoles é um jogo importantíssimo porque decide a continuidade na Liga dos Campeões. Se o Benfica não conseguir o apuramento, para além do prejuízo que daí resulta, há as consequências anímicas da derrota. Anímicas para equipa que fica de rastos e anímicas para o Sporting que virá à Luz moralizadíssimo convencido de que a vitória está garantida.

Não se pense que o Sporting tem nessa mesma semana um jogo igualmente importante em Varsóvia, contra o Legia, porque não tem. Para o Sporting, e principalmente para Jesus, esse jogo nada representa. E para os seus adeptos também não. Jesus que só uma vez passou, como treinador, a fase de grupos da Liga dos Campeões, não está interessado em disputar a Liga Europa, não por ser uma competição menor, mas para não ter a equipa envolvida em duas competições exigentes, uma vez que  o seu único objectivo é a vitória no campeonato. Além de que tendo já comemorado, como “vitórias”, quatro derrotas da fase de grupos, dá-se por satisfeito e os sportinguistas também.

É preciso ter isso em conta. O Sporting é no seu palmarés uma equipa de segunda linha quando comparada com o Benfica ou com o Porto. É, e sempre foi, uma equipa de trazer por casa. Tal como Jorge Jesus. De facto, à parte as vitórias nacionais, que se perdem na nuvem dos tempos, o Sporting nunca teve qualquer protagonismo internacional. E mesmo no tempo dos “5 violinos”, de que os sportinguistas tanto falam, a equipa (e o futebol que então se jogava em Portugal) era fraco, muito fraco. Um dos piores da Europa, como o atestam os resultados da selecção nacional e como o atesta também o desempenho do Sporting nos confrontos com equipas estrangeiras (não em competições, que então não existiam, salvo a Taça Latina, a partir de certa altura, mas em jogos particulares, à época muito frequentes, e que eram o verdadeiro espelho do prestígio das respectivas equipas).

Portanto, é vital para o futuro da equipa esta época que o Benfica passe à fase seguinte da Liga dos Campeões e ganhe ao Sporting na Luz.

Pela primeira vez, esta época, a equipa sente a falta dos seus titulares: de Jardel no centro da defesa; de Grimaldo à esquerda; e de Jonas na frente!


terça-feira, 15 de novembro de 2016

O DELINQUENTE




QUANTO MAIS TEMPO FICAR, MELHOR
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De facto, somente no futebol é possível negar os factos que toda a gente está a ver ou fazer exactamente o contrário, ver o que não existe. E todos ou quase todos acham normal. A começar pelos jornalistas desportivos que são os grandes fautores da corrupção no desporto. Salvo raríssimas excepções, eles branqueiam os comportamentos mais miseráveis, escondem os factos que não interessa mostrar, enfim, não contribuem em nada para a morigeração do desporto.

O caso do Sporting-Arouca é paradigmático. É provável que haja outras imagens, mas pelas imagens que vieram a público o que se vê não deixa dúvidas de nenhuma espécie.

O presidente do Sporting espera o presidente do Arouca (sim, sem a menor dúvida: está à espera do presidente do Arouca; aliás, enquanto espera faz questão de ir olhando para o seu lado esquerdo para ver se alguém se aproxima). Quando o presidente do Arouca se aproxima em passo apressado, Bruno de Carvalho dá uns passos na sua direcção e diz-lhe diz qualquer coisa à distância. Certamente algo ofensivo, dada a reacção de Carlos Pinho, que responde e gesticula. Quando ambos se aproximam um do outro, Bruno de Carvalho cospe-lhe no rosto.

Depois, bem depois o que se passou já tem pouco interesse, a menos que no parque de estacionamento tenha havido qualquer outra coisa de que não imagens nem testemunhos (até à data) fiáveis.

Como é possível ver as coisas de outra maneira e defendê-las em público. As imagens da SIC N e as da Bola são mais que óbvias.

Tem que se reconhecer, independentemente de tudo o resto, que Rogério Alves não pôde negar o comportamento delinquente de Bruno de Carvalho. Paulo Morais é um pedante sem vergonha e sem dignidade. Pina, José Pina, o pobre palhaço triste, além de pequeno mental, é vergonhosamente desonesto. Os comentários que ontem fez no Prolongamento, além de porem a nu o seu insignificante coeficiente de inteligência, desacreditaram-no completamente como cidadão. Não passa de uma pobre marioneta, desprovida de massa cinzenta, comandada à distância. Que pequenez!

Com Bruno de Carvalho na presidência do Sporting, Benfica e Porto têm o futuro garantido.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O COMENTÁRIO DESPORTIVO E O BENFICA




É TEMPO DE ESCOLHER
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A poucos horas de um jogo decisivo (sim, decisivo, mesmo que Rui Vitória diga o contrário e a aritmética o não demonstre) da Liga dos Campeões é tempo de voltar a analisar a situação do comentário desportivo em Portugal.

O comentário de adepto está desde há muito envenenado pelo facciosismo e sectarismo dos seus intervenientes, consideravelmente agravados por esse comentário ter lugar no espaço público, quase sempre com larga audiência.

Se tais programas sempre aqui foram considerados nocivos pelos danos que causam ao futebol e por agravarem as paixões desenfreados dos que os vêem ou escutam, eles tornaram-se nos últimos tempos, mais concretamente nos últimos dois anos, insuportáveis e susceptíveis de causar danos irremediáveis com a amplitude que ninguém está em condições de prever.

Esse agravamento ficou certamente a dever-se a um comportamento agressivo e belicoso da actual direcção do Sporting, que dependendo para sobreviver, isto é, dos empregos, de vitórias não olha a meios para alcançar os fins a que está ligada a sua permanência à frente do clube. Se já havia da maior parte dos comentadores do Sporting um fanatismo e uma arrogância até então baseada numa pretensa superioridade moral alicerçada num espírito elitista de classe, o que se pode dizer é que depois da chegada de Bruno de Carvalho à presidência a esta arrogância e fanatismo juntaram-se um comportamento ralé, de claque rasca, até então desconhecido no futebol português.

Nesta estratégia ou talvez mais correctamente nesta atitude comportamental alinham não apenas todos os comentadores afectos ao clube, mesmo aqueles que episodicamente se opuseram ao agora presidente, como também aqueles que sob a capa de “independentes” intervêm nas rádios e televisões.

Nesta campanha sem paralelo nos anais do futebol português o grande alvo, o inimigo a abater, é, como não poderia deixar de ser, o Benfica. Campanha consideravelmente agravada depois da contratação de Jorge Jesus, ido directamente para Alvalade depois de seis anos ao serviço do clube da Luz.

Posto perante este ataque sem precedentes, o Benfica agiu institucionalmente, através da sua comunicação e agiu também ao sabor das competências e das característas psicológicas dos seus comentadores.

Nesta resposta o Benfica agiu frequentemente mal e continua sob alguns aspectos importantes a agir mal. A primeira asneira que o Benfica cometeu, e, pelos vistos continua a cometer, foi ter-se sentido ofendido e traído por Jorge Jesus. Um clube com a dimensão e com a história do Benfica não pode nem deve alimentar ressentimentos por um seu ex-empregado ter mudado de clube, mesmo que esse clube seja um clube rival. Além de que é óbvio para qualquer pessoa que foi o Benfica que não quis que Jesus continuasse na Luz. Como óbvio também era que saindo Jesus do Benfica e sendo praticamente nulas, pelas suas conhecidas limitações, as hipóteses de Jesus ser contratado no estrangeiro (que lhe interesse) a probabilidade de ele rumar às Antas ou a Alvalade, ambos em crise, era muito grande. O que o Benfica não pode é pretender condicionar o futuro de Jesus depois de ter concluído que não desejava continuar com ele, independentemente de ele ter estado clube um, seis ou dez anos!

Encenar uma história que não convence ninguém e que ainda para mais cair no ridículo de interpor judicialmente uma acção condenada ao insucesso permitiu alimentar uma história que nunca deveria ter existido, ou, a existir, ter-se circunscrito à constatação da mágoa com que Jesus deixou o Benfica, bem patente na sua permanente tentativa de demonstrar à direcção do Benfica que aquele por quem o trocou (fosse ele quem fosse) é muito inferior a si. Esse porventura o único aproveitamento que o Benfica, como grande Senhor, deveria ter feito da saída de Jesus. Agindo de outro modo, o Benfica fez como aqueles maridos que se divorciam por estarem fartos da mulher ou terem arranjado outra, mas que apesar disso pretendem continuar a dirigir o futuro dela!

É claro que há aqui uma razão que ninguém invoca, mas que deve ter existido, já que todos os actos humanos tem uma explicação. E a que aponta no sentido da estupidez de quem os pratica raramente estará correcta. Por isso é de crer que a direção do Benfica, temendo a reacção dos sócios e adeptos à saída de Jesus, para mais para o clube rival, tivesse encenado esta história. O que também não deixa de ser lamentável por os sócios e os adeptos do Benfica conhecerem melhor que ninguém as limitações de Jorge Jesus…

Depois vem a questão dos “vouchers”. É evidente que o presidente do Sporting pretendeu atingir o Benfica e as suas vitórias sugerindo abertamente o condicionamento, se não mesmo a corrupção dos árbitros. A direcção do Benfica, sem ter cometido aqui erros de vulto, deveria ter-se limitado a constatar e a reiterar a prática de um comportamento de cortesia, requerer uma averiguação urgente dos órgãos disciplinares do futebol e subsequentemente agir disciplinarmente (através dos órgãos do futebol) contra Bruno de Carvalho e também civil e criminalmente, nos tribunais, depois de decidida a averiguação solicitada. Aliás, o presidente do Sporting está a brincar com o fogo, porque estando pendente de recurso judicial a decisão sobre actos praticados por um vice-presidente do Sporting, como tal, destinados a corromper a arbitragem ou a criar dolosamente a ficção de corrupção, corre o risco de ver o seu clube na 2.ª Divisão, se a o recurso em questão confirmar a decisão da primeira instância.

Finalmente, o comentário desportivo de adepto. É sabido que o Sporting com a conivência de elementos seus nos órgãos de comunicação social fez desta plataforma um campo de ataque violento, permanente e coordenado contra o Benfica. Posto perante este ataque que nada tem a ver com o futebol que se joga dentro do campo, embora pretenda condicioná-lo e adulterá-lo, a pior coisa que o Benfica pode fazer é apostar em comentadores iguais ao do Sporting.

A história e a tradição do Benfica não é essa. O Benfica deve deixar o Sporting a falar sozinho, seja pela voz do seu chefe de claque, Bruno de Carvalho, seja por parte dos comentadores a soldo, dependentes ou falsos independentes. Entrar no jogo do Sporting, além de favorecer o Porto, que esfrega as mãos e disso tira proveito apesar da debilidade em que se encontra, descredibiliza o Benfica por o tornar igual ao Sporting. Só quem está de fora perceba a repulsa, o nojo, com que tantos e tantos adeptos do Benfica assistem a este espectáculo quase diário. Comentadores como Pedro Guerra e Gomes da Silva não servem os interesses do clube nem honram o seu passado, por muito que custe dizê-lo, embora outros haja que se sentem na obrigação de responder taco a taco às calúnias do Sporting.  O Benfica revê-se em comentadores como José Calado, João Gobern, Toni, João Alves, António Simões, Telmo Correia e tantos outros que, falando pela sua própria cabeça, sem guiões nem discursos encomendados, sabem honrar em cada intervenção a história do clube a que pertencem!

Esperando que Filipe Vieira tenha falado a sério quando fez um apelo semelhante só resta aguardar pela desautorização dos que reiteradamente infringem uma recomendação que deve ser respeitada.

Deixem o Sporting com as suas aleivosias a falar sozinho. Deixem que o lixo corra todo na direcção certa…Não há pior imagem do que ver um jogador do Sporting a falar na zona mista, depois de um jogo internacional ou nacional de grande relevância, “policiado” por uma espécie de “pide” de terceira categoria sempre pronto a intervir, com cara patibular, quer para condicionar e amedrontar o jornalista quer para “policiar” o jogador!




domingo, 16 de outubro de 2016

AS DIFICULDADES DO BENFICA




O QUE SE PODE ESPERAR
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É do conhecimento geral que o Benfica teve e continua a ter um começo de época atribulado. Contrariamente ao que supunha há um mês, o Benfica continua com muitos dos seus principais jogadores lesionados, impossibilitados de dar o seu contributo à equipa nas várias frentes em que está envolvida.

Estamos a meio de mês de Outubro, ou seja, dois meses depois de iniciada a época, e ainda se não sabe quando Jonas, Rafa, Jardel, Samaris, Jiménez e André Horta voltarão à equipa. Se a estes acrescentarmos Júlio César e Grimaldo, recentemente lesionados e sobre os quais não há notícias seguras, o Benfica parte muito desfalcado para abordar um período crucial da primeira fase da época, aquela onde se define o destino da equipa na Liga dos Campeões.

Há, portanto, todas as razões para supor que o Benfica não poderá contar com o seu plantel completo para os dois próximos jogos com o Dínamo de Kiev, em que se decidirá o futuro da equipa na Liga dos Campeões.

Se no plano interno, tanto no Campeonato como na Taça de Portugal, os jogadores disponíveis ainda são suficientes para manter acesa a chama da vitória, já o mesmo se não poderá esperar de uma competição tão exigente como a Liga dos Campeões. Seria um feito difícil de igualar se o Benfica, nas condições em que actualmente se encontra, tivesse capacidade para manter viva a hipótese de seguir em frente na competição.

No plano interno, como se viu na última sexta-feira, a equipa poderá também claudicar se os jogos se não iniciarem da melhor forma. Se, pelo contrário, nas próximas três jornadas, o Benfica não perder pontos, estariam criadas as condições para que a fase de jogos a iniciar em 4 de Novembro até 11 de Dezembro pudesse ser abordada com outra tranquilidade e com  o plantel recomposto, salvo, porventura, o caso de Jonas que, pelos vistos, é ou tem sido muito mais grave do que se supunha por não ter verdadeiramente a ver com uma lesão contraída durante o jogo, mas resultar antes de uma doença contraída por ocasião da lesão.

Tendo em conta a situação de Jonas, que muito provavelmente só poderá voltar a dar o seu contributo à equipa em 2017, seria da máxima importância que Rafa, Jardel, Jiménez, Samaris e Horta pudessem estar em condições de integrar os trabalhos da equipa até ao fim deste mês de Outubro. Se isso não acontecer, o departamento médico do Benfica vai ter de se explicar perante os sócios e adeptos para que se possa compreender não apenas o número inusitado de lesões, mas também as dificuldades que tem havido na recuperação dos jogadores.

Para obviar a estas dificuldades nem sequer vale a pena esgrimir com a excelência do plantel do Benfica em número e qualidade, porque a realidade não é bem essa. É certo que o Benfica está bem servido na defesa, guarda-redes incluídos, com onze jogadores (Paulo Lopes incluído) capazes de desempenhar o seu papel sem problemas, mas já o mesmo se não poderá dizer da linha média. Com efeito, Fejsa não tem nenhum substituto à altura, porque na realidade nem Samaris, nem Danilo (ainda uma incógnita) desempenham o lugar do mesmo modo e com a mesma eficiência. Como médio ofensivo o Benfica tem Horta e dai para a frente tudo o que arranjar não passa de isso mesmo: “arranjos”. Celis, pelo que já fez, pelos erros graves que cometeu e que muito comprometeram a equipa, não é confiável, nem é crível que Rui Vitória continue a apostar nele.

Na linha avançada, além dos pontas de lança que são os mesmos do ano passado, sem referir José Gomes ainda muito “verde”, o Benfica poderia (ou poderá, logo que as condições o permitam) contar com Rafa para o lugar de Jonas ou com Gonçalo Guedes, mas tanto um como outro com estilos e desempenhos completamente diferentes dos do “astro” brasileiro. No lado direito do ataque, o Benfica com Salvio e Pizzi até está um pouco melhor do que o ano passado, enquanto do lado esquerdo não há ninguém que até hoje tenha aparecido em condições de, já não dizemos, fazer esquecer, mas de substituir Gaitan. De facto, nem Cervi, apesar de todo o entusiasmo que põe nos jogos, nem o abúlico Carrillo são verdadeiras alternativas para o lado esquerdo. Zivkovic ainda não teve tempo suficiente para se mostrar. Talvez não fosse pior ir rodando na equipa B, tal como Carrillo, como forma de se saber se a equipa principal pode esperar deles alguma coisa, principalmente de Carrillo.

É neste quadro e com este quadro que o Benfica terá de se haver até Janeiro…


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A DERROTA DE NÁPOLES




O QUE FAZ FALTA
Jogadores agradeceram apoio em Nápoles (Foto ASF)


Em primeiro lugar, importa dizer que a derrota de Nápoles não é grave. Grave foi ter empatado em casa o primeiro jogo contra uma equipa muito abaixo do Benfica. É certo que houve factores impeditivos de um melhor resultado, mas mesmo tendo em conta esses factores o Benfica tinha a “obrigação” de ganhar o jogo. Somando apenas um ponto em duas jornadas, o Benfica vai ter de somar 10 pontos para pela certa se apurar. Todavia, até oito podem bastar, se os resultados do Dínamo de Kiev e do Besiktas forem o que se espera. Mas, atenção: para fazer oito ponto é necessário ganhar os dois jogos contra o Dínamo de Kiev e empatar com o Besiktas ou com o Nápoles.

A experiência e também as estatísticas demonstram que vencer o primeiro jogo em casa é quase sempre um passaporte para os oitavos de final. Perdendo-o, como foi o caso, somente vencendo na terceira e na quarta jornada se relança a equipa para o apuramento.

A verdade é que o Benfica tem equipa suficiente para se apurar, desde que joguem os melhores e não haja excessivas “invenções”. Jogar os melhores significa pôr na baliza Ederson, não apenas por Júlio César ter tido ontem uma noite para esquecer, mas porque Ederson é francamente melhor em todos os aspectos: muito bom a jogar com os pés, bom entre os postes, bom a sair nos cruzamentos e muitíssimo bom a antecipar-se aos avançados adversários nas bolas em profundidade, estejam eles isolados ou não. Digamos que Júlio César reproduziu ontem em Nápoles, agravada, a exibição que na época passada fez na Luz contra o Sporting. Todos sabemos que não é fácil para um treinador pôr simultaneamente no banco Luisão e Júlio César. Mas lá terá que ser.

Depois, ao contrário do que muitos comentadores afirmam, André Almeida defende melhor e dá mais segurança à defesa do que Nelson Semedo, que pode jogar mais vezes na posição que ontem ocupou, ou seja, como ala direito.

No meio da defesa é imperioso o regresso de Jardel e o retorno de Lindlöf ao seu lugar de central direito, lugar onde vale muito mais do que no lado oposto.

Na frente, depois do regresso de Jonas e de Rafa, a dificuldade vai consistir na escolha do que vai sair. Considerando que Mitroglou é inamovível, ou Jiménez quando entrar a substitui-lo, a escolha terá de recair em Pizzi ou em Salvio, para já não falar em Gonçalo Guedes que igualmente tem classe suficiente para ser titular. Aqui sim, aqui haverá um grande problema, muito mais difícil de resolver do que o do guarda-redes ou o da defesa.

Finalmente, o meio campo. No meio campo há um problema que está longe de estar resolvido. E é a esse problema que Rui Vitória terá de dedicar toda a sua atenção e saber. Se Fejsa não suscita dúvidas como médio defensivo (o volante dos brasileiros), salvo se se lesionar, hipótese que ocorre com alguma frequência, já a titularidade de André Horta levanta algumas interrogações. Nos jogos em que seja necessário segurar o meio campo, Samaris pode entrar e fazer bem o lugar; se, pelo contrário, for necessário um 8 criativo e, simultaneamente, seguro a defender já as dificuldades aumentam. É certo que o Benfica tem Celis e também Danilo, mas nem um nem outro ainda deram provas de poder desempenhar o lugar com a eficiência que se pretende. Talvez a solução resida, mais uma vez, em Pizzi, verdadeiro pau para toda a obra, fazendo-o regressar à função que desempenhou no último ano de Jesus. A questão não estará em saber se Pizzi rende mais noutro lugar, mas se Pizzi rende mais do que qualquer outro neste lugar. E se tal acontecesse lá teríamos Rui Vitória a repetir uma solução já ensaiada o ano passado até ter desencantado Renato Sanches, único lugar que no Benfica de hoje continua por preencher à altura das necessidades da equipa.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

BENFICA: NADA ESTÁ PERDIDO




UM EMPATE COM SABOR A DERROTA



Gosto de Rui Vitória como treinador. Mesmo nas situações mais adversas, nas hipóteses mais difíceis de acontecer, nas improbabilidades menos prováveis, Vitória não se queixa e aceita com naturalidade as contingências do futebol por mais inverosímeis que sejam.

De facto, é relativamente normal numa época de onze meses, uma equipa ficar momentaneamente, ou até durante algumas semanas, sem um, dois ou até três elementos base do onze titular. Ninguém gosta que isso lhe aconteça, mas todas as equipas têm de estar preparadas para essa eventualidade. Não têm os jogadores em falta, mas terão outros que actuam nas mesmas posições e que serão os naturais substitutos dos lesionados ou castigados.

O que não será normal é uma equipa perder simultaneamente os três guarda-redes do plantel, perder ao mesmo tempo quatro centrais ou todos os pontas de lança. E foi isso o que aconteceu ao Benfica: de um momento para o outro perdeu todas as referências atacantes por um período indeterminado, mas nunca inferior a um mês. Sem Mitroglou, Jiménez, Jonas e Rafa, o Benfica ficou sem atacantes de raiz.

E foi neste contexto, além da lesão de Jardel, que o Benfica teve de enfrentar esta noite o campeão da Turquia – o Besiktas.

Apesar das dificuldades de construção da equipa, Vitória optou por uma frente muito móvel na qual Gonçalo Guedes e também Cervi, a espaços, iam desempenhando diversos lugares. A equipa foi correspondendo na primeira parte, com um golo aos 12 minutos por Cervi, mas foi perdendo no segundo tempo alguma intensidade à medida que o tempo passava. A substituição de Cervi por Samaris e mais tarde a saída forçada de Fejsa e a entrada de Celis, ocorridas na parte final da segunda parte, não trouxeram à equipa o que ela necessitava. Por uma razão muito simples: porque o que a equipa necessitava não estava no banco.

A equipa necessitava de rigor no último passe, principalmente se feito dentro da área e isso somente Jonas sabe fazer com mestria; e necessitava também de um matador que soubesse “matar” o jogo logo que a oportunidade surgisse – e ela surgiu por mais de uma vez. E esse matador também não estava presente fosse ele Jonas, Mitroglou ou Jiménez.

Daí que eu não alinhe muito com a crítica de o Rui Vitória ter agido tarde de mais. Rui Vitória viu, como todos vimos, que a equipa estava segura nos processos defensivos, e que seria ariscado, com excepção de Samaris, lançar no jogo alguém que pudesse perturbar essa eficácia defensiva. De facto, tanto Guedes, como Cervi, enquanto jogou, como Salvio e Pizzi defenderam muito e bem, tendo recuperado muitas bolas.

A relativa ascendência do Besiktas quando lançou dois pontas de lança foi rapidamente neutralizda com a melhoria dos posicionamentos e depois com a entrada fresca de Samaris, acabando por ser mais uma lesão – ou o começo dela – que ditou o empate do Benfica. Tivesse Fejsa podido concluir o jogo e outro certamente teria sido o resultado do encontro.

É desagradável não ganhar na Liga dos Campeões o primeiro jogo em casa, mas nada está perdido. O Benfica tem equipa para recuperar este resultado na Turquia.

Quanto à questão do golo do Besiktas não interessa quem o marcou, nem como foi marcado, sendo muito mais importante saber como foi sofrido, bem como o contexto que o proporcionou.

O Benfica continua sem ganhar na Luz esta época. É preciso pôr rapidamente ponto final nesse precedente!


terça-feira, 13 de setembro de 2016

ANTECEDENDO A JORNADA EUROPEIA




DO QUE SE FALA…
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Tem-se falado de tudo, menos de futebol, nas vésperas da primeira jornada europeia desta época, apesar de Portugal ter três equipas na Champions e uma na Liga Europa. Mas as televisões e os jornalistas estão mais interessados nas intrigas e nas disputas verbais entre jornalistas do que propriamente no futebol.

O ridículo está a matar o futebol em Portugal. Vejamos o que se passa com a “comunicação” do Sporting.

No final da época passada, Jesus, para disfarçar o insucesso que foi o seu primeiro ano à frente da equipa leonina, atribuiu as causas da derrota à “comunicação” do Sporting. Como o Sporting durante toda a época não fez outra coisa senão falar – falou o presidente até mais não poder, falou o treinador várias vezes por semana, falou o Octávio sempre que era preciso “morder nas canelas” de alguém, falou o Inácio sempre que o “trabalho sujo” exigia um intérprete à altura, falou o Rogério Alves sempre que era necessário adulterar os factos e falou o Rui Santos sempre que era necessário passar uma falsa imagem de crítica independente – a única conclusão que das palavras de Jesus se pode tirar é a de que ele queria uma comunicação “construída” à sua imagem e semelhança. Esta imensa vozearia do Sporting teve como alvos privilegiados os árbitros – incompetentes, desonestos, ladrões que deveriam ir para a cadeia (dizia o presidente) e o Benfica, principalmente nas pessoas de Vieira e de Renato Sanches (cada um por suas razões) e ainda Rui Vitória, a “bête noir” de Jesus.

Este ano, ano da “revolução” da comunicação do Sporting, aquilo a que nós assistimos é muito simples de explicar: a “comunicação” propriamente dita tem por objectivo “plantar” notícias contra o Benfica nos jornais (quase sempre sem êxito), escamotear os múltiplos falhanços do presidente do Sporting na gestão do clube (as contratações falhadas, as divergências com os jogadores, as dívidas por pagar, os prejuízos da SAD, etc.), uniformizar o argumentário usado pelos comentadores (oficiais, oficiosos e disfarçados de independentes) nos mais diversos canais de televisão e rádio, elogiar o trabalho da arbitragem (contrapartida de uma vantagem que se tem como certa e segura) e reservar para o presidente o trabalho institucional, como se de um “grande senhor” se tratasse. Ele que só sente bem a falar de cuecas, de nádegas e de outras "pérolas" semelhantes...

A uniformização do comentário é tão ridícula que até faria corar de vergonha aqueles partidos políticos que privilegiam acima de tudo a disciplina partidária. É triste ver o pobre Pina, feito palhaço triste, a pedir que lhe mostrem as faltas do Rafa (do Rafa, imagine-se…) para justificar uma delirante expulsão que ficou por concretizar. Como triste é a adulteração dos factos que toda a gente está a presenciar, com a agravante de já não lhes bastar ter para esse serviço gente como o Rogério Alves e o Inácio, obrigando os demais a dizer o mesmo por mais constrangidos e envergonhados que se sintam!

O ataque a Rafa iniciado esta semana, muito semelhante ao que durante a época passada foi permanentemente desencadeado contra Renato Sanches, só pode encher de orgulho os adeptos do Benfica – esse ataque permanente é o reconhecimento da enorme valia do jogador atacado. Aí não se enganam. Enganam-se é supondo que com o ataque vão mudar o rendimento do jogador.

Depois vem o inenarrável Jesus. Jesus não aceitou a sua saída do Benfica. Incapaz de se esquecer do Benfica por se ter visto obrigado a trocá-lo por um clube de categoria muito inferior, tanto pela sua história, como pelos seus títulos e pergaminhos, e antevendo um regresso impossível, Jesus é absolutamente incapaz de esconder a mágoa e a frustração que o abandono do Benfica lhe provocou e continua a provocar. Daí que, de cada vez que é convidado a falar, tenha de passar grande parte do seu tempo a falar do Benfica. Ele sente necessidade de esconjurar aquele “demónio” que o não deixa viver tranquilo e o persegue por toda a parte como a própria sombra.

E aqui é que entra aquilo que me parece ser o grande erro que o Benfica tem cometido no tratamento desta questão. Como houve muitos adeptos e simpatizantes do Benfica que tinham Jesus em grande conta, a direcção do Benfica sentiu necessidade, num primeiro tempo, de tentar demonstrar que foi Jesus que traiu o Benfica. Evidentemente que para a direcção do Benfica houve uma “traição”, embora essa “traição” não consista em Jesus ter saído do Benfica – já que essa era obviamente a vontade da direcção – mas em ter saído para o outro lado da “segunda circular” e não para o clube que o Benfica e a sua gente estariam na disposição de lhe arranjar no estrangeiro.

Pois bem, resolvida a contento do Benfica a saída de Jesus – nova vitória no campeonato, boa carreira na Liga dos Campeões, vitória na Taça da Liga –, o Benfica deveria pura e simplesmente ter deixado cair o “assunto Jesus”. Quando muito sublinhar, sem enfatizar, os grandes valores que Jesus desprezou enquanto treinador do Benfica, os “flops” da esmagadora maioria das contratações ocorridas durante o tempo em que esteve à frente da equipa técnica, as escandalosas derrotas na Taça de Portugal e em dois campeonatos nacionais, além das medíocres prestações na Liga dos Campeões. E de Jesus nada mais haveria a dizer. Apenas aproveitar as suas múltiplas fragilidades por quem tão bem o conhece.

O que não faz sentido é afirmar que o Benfica queria mudar de paradigma, optando por um para o qual Jesus não servia, e depois vir dizer que houve uma “traição” do ex-treinador por não ter renovado o contrato. Além de que tais afirmações são juridicamente devastadoras para quem acalentava certas (irrealistas) pretensões indemnizatórias. Não haverá juristas pelo Estádio da Luz?....

Mas tudo isto, como acima está dito, não passa de conversa. O que interessa e muito é o que hoje e amanhã se passará com as equipas portuguesas. Aí é que se vai ver, nesta jornada e nas cinco seguintes, quem tem categoria para jogar na Europa e quem não tem.

É certo que nem todos tiveram a mesma sorte no sorteio. O Benfica é o que joga no grupo mais equilibrado: qualquer das quatro equipas pode passar à fase seguinte. O Sporting é o que joga no grupo mais forte, contra duas equipas que lhe são manifestamente superiores e contra uma terceira que lhe é inferior. Enquanto o Porto integra um grupo que mais parece da Liga Europa, embora seja constituído por três campeões…mas todos fraquinhos.

Todavia, nada disso importa: o que vai ficar para a história e para o ranking é saber quem passa e quem não passa.

O Braga, na Liga Europa, está numa situação semelhante à do Benfica: joga num grupo muito equilibrado, onde tudo pode acontecer.
Do Benfica, depois do que se viu em Arouca, e depois do que se viu o ano passado na mesma competição, em que várias vezes jogou desfalcado de pedras fundamentais, só a esperar a continuação de tudo o que de bom  tem sido feito.