segunda-feira, 22 de agosto de 2016

BENFICA SEM SOLUÇÕES


 

DOIS PONTOS PERDIDOS EM CASA À SEGUNDA JORNADA

 

Desde que começou a pré-época que se evidenciavam, jogo após jogo, as insuficiências do Benfica. Um coro de comentadores afectos ao clube e alguns jornalistas incompetentes bem podiam tentar passar a imagem de um super-Benfica alicerçado num grande plantel, mas a verdade é que essa nunca foi a imagem que o Benfica deixou a quem percebe alguma coisa de futebol, depois de vistos todos os jogos da pré-época e os dois primeiros jogos oficiais.

De facto, a posse de bola acumulada pelo Benfica nunca correspondeu a um efectivo domínio do adversário nem a sua perda se traduzia numa pressão imediata e eficaz sobre o adversário com vista à sua pronta recuperação. Pelo contrário, o Benfica demorava muito a reagir à perda de bola e era muitas vezes assediado com perigo pelo adversário quando este a recuperava.

Tudo isto, porque o Benfica sem três peças caves da época passada corre o risco de se transformar numa equipa vulgar. Uma equipa que perdeu rapidez nas transições ofensivas, incapaz de criar roturas nas hostes adversárias, simplesmente mediana nas bolas paradas e com fragilidades nas soluções defensivas.

Foi isto o que se viu durante a pré-época e foi isto que ontem se repetiu no Estádio da Luz contra o Setúbal. Uma equipa que não conseguiu evitar um golo por deficiente posicionamento defensivo e tempo de entrada à bola. Uma equipa que não conseguiu criar uma única situação de perigo em jogadas de bola corrida e que demonstrou sempre muita falta de inspiração nas bolas paradas.

O espectro da derrota pairou sobre o Estádio da Luz, tendo o empate sido alcançado por penalty (Jimenes) quando faltavam menos de oito minutos para o fim do jogo. É certo que o Benfica até poderia ter ganho. Teve oportunidades para isso, mas não ganhou. Nem as jogadas que teriam proporcionado essa vitória seriam suficientes para alterar a análise do jogo e da equipa.

Mais do que aborrecidos, os adeptos saíram do Estádio da Luz apreensivos com o futuro da equipa na prova.

E têm fundadas razões para estarem apreensivos. O Benfica vai pagar bem caro aa venda de Renato Sanches. Inacreditável que um jovem de 18 anos tenha sido sofregamente vendido cerca de seis meses depois de ter despontado. Que o Benfica tivesse de vender Gaitan compreende-se e aceita-se. Que vendesse Sálvio, idem. Agora Renato, não se compreende nem se pode aceitar. Com a lesão de Jonas e sem Renato, o Benfica vai ficar exposto logo no começo do campeonato aos piores resultados. E desta vez a desvantagem dificilmente será recuperável.

Tudo isto se torna ainda menos aceitável por duas razões: primeiro, porque a venda de Renato assenta na arrogância de quem supõe que é a “estrutura” que ganha campeonatos; e depois na ignorância de quem não percebe que uma quarta derrota de Bruno Carvalho e uma segunda consecutiva de Jesus seriam o fim de um e o começo do fim de outro.

Em Maio vamos ver quem tem razão…

sexta-feira, 1 de julho de 2016

RENATO SANCHES, O HOMEM DA SELECÇÃO


CLASSE PURA!
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Durante meses a fio Renato foi atacado pelos comentadores sportinguistas, vilipendiado pelo presidente dos lagartos, desvalorizado pela maior parte dos portistas, a comecar pelo execrável Guedes e o rapaz, o miudo de dezoito anos, a tudo resistiu.

Foi considerado imaturo, violento, pediram se castigos e punições. E o miudo a todos resistiu, demonstando em cada domingo a sua enorme classe.

Veio depois a selecção. Renato foi chamado para participar em dois particulares. Jogou algum tempo, e em ambos os jogos em que participou, tanto no Norte como Sul, de cada vez que pegava na bola…o estádio vinha abaixo.

E logo começa outra campanha, orientada pelos sportinguistas e apoiada por alguns falsos teóricos do futebol, destinada a impedir que o miudo fosse convocado para o Euro de França.

Santos hesita, talvez preferisse não o levar, mas Bernardo Silva esta lesionado e Tiago saído de uma lesão. Tiago, pelo prestigio e pela antiguidade, poder-lhe-ia criar problemas se não fosse titular. Então, para evitar um mal maior, Santos convoca Renato com a intenção de o deixar no banco. O seu protagonismo nnatural não agrada aos patrões da selecção.

E de imediato outra campanha começa : Renato não deve ser titular. Há jogadores com muita mais experiencia [Moutinho] e otros mais entrosados com os colegas convocados [Adrien]. Até Jesus entra no jogo, sentenciando um Renato inexperiente que não deve ser titular.

Nas televisões, falsos teóricos, como C. Daniel, afirmam premptoriamente que Renato não traz nada de novo ao jogo da selecção.
Todo o mumdo , literalmente TODO O MUNDO,  pensa exactamente o contrário destes senhores. Todo o mundo vê que Renato, quando entra, muda por completo o jogo da selecção.
 
Santos está como quer. Tem lá o Renato e só o mete quando muito bem entende, sabendo que, pelo lado do miudo, não serão levantados problemas.

Contra a Croácia foi o que se viu. à medida que Renato brilha, Santos sente-se na necessidade de proteger Ronaldo como estrela da selecção. E vai aqui e ali dando para trás ao Renato.

Cá fora cresce o clamor. Renato é o melhor. Ele tem de jogar sempre. Diz se em Portugal, agora até por alguns comentadores do Sporting, o que se diz no resto do mundo. Os jornais estrangeiros enchem páginas com Renato Santos. A Gazzetta dello Sport e a Marca não poupam elogios. Antigos jogadores, treinadores, jornalistas dizem o mesmo. Numa selecção tao cinzenta, ele é a única estrela reluzente.

Fernando Santos não consegue continuar a resistir. Tem de ceder e põe Renato a titular contra a Polónia nos quartos de final.

Renato marca o golo do empate . Ronaldo falha dois golos. Tem uma exibiçao esforcada, mas sem brilho. Todo o mundo elogia Renato Sanches, novamente considerado o homem do jogo.

Santos, com medo que Ronaldo se ressinta, volta a desvalorizar a participação de Renato, engrandecendo a de Ronaldo…que falhou dois golos, foi muito esforcçdo…mas não deu nas vistas.

E absolutamente espantoso como um miudo de dezoito anos resiste a tudo isto. Quem esta fora fica com a sensaçãoo que Renato nem os ouve. Ele não está lá para competir contra ninguém da selecção portuguesa. Apenas quer jogar e derrotar os adversários.

Grande Renato, és o maior ! Nunca em Portugal se tinha assistido a uma campanha tão bem orquestrada contra um génio do futebol. Tão bem …que ate os árbitros nela participam.

RENATO, porém, a tudo resiste com grande maturidade. E vai continuar a resistir porque ele será dentro de muito pouco tempo o grande talento da selecção portuguesa. Quem não puder aceitar esta realidade objectiva, só tem um caminho a seguir : afastar se e desimpedir a estrada.

FORCA RENATO!

 

 

terça-feira, 21 de junho de 2016

CARLOS DANIEL, RONALDO E O SELECCIONADOR


 

PORTUGAL NO EURO 2016
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Para começar é bom que se diga sem metáforas nem circunlóquios que a selecção portuguesa está a fazer,em França, um mau Euro 2016, frustrando as expectativas de milhões de adeptos que acreditaram num comportamento bem diferente daquele que desde o primeiro jogo tem existido. Portugal tem em risco a participação na fase seguinte da prova se não ganhar o jogo de amanhã. E nada, absolutamente nada, deixa antever que o resultado contra a Hungria tenha que ser diferente dos dois resultados anteriores.

Há jogadores em baixo rendimento, há manifesta incapacidade de pôr em prática um modelo de jogo razoavelmente eficiente e há um seleccionador sem ideias ou, se as tem, sem independência e autonomia suficientes para as pôr em prática.

Carlos Daniel, porventura o comentador desportivo mais bem preparado em Portugal, tem defendido a tese de que o seleccionador deve manter a ideia que trabalhou durante os anos que está à frente da selecção a qual acabará por produzir os resultados esperados. E na execução dessa ideia deve manter a jogar os jogadores em que acredita e que melhor a sabem pôr em prática, que são, como é óbvio, aqueles que têm jogado.

Carlos Daniel, como acredita que o futebol é uma ciência que obedece a critérios estritamente racionais, esquece ou não entra em consideração com o facto de o futebol ser um jogo, logo aleatório, no desenlace do qual intervêm múltiplos factores além dos racionais. Desde logo o factor sorte e depois a atitude, melhor dizendo, o estado de alma dos jogadores que pode mudar muito de um jogo para outro. Além disso há factores de confiança, de camaradagem, de companheirismo, de espírito de equipa que são igualmente importantes, se não mesmo decisivos, para o resultado final, além evidentemente da valia do adversário nas suas múltiplas vertentes.

Carlos Daniel, tal como Jesus, acredita que os jogadores podem ser transformados em simples autómatos de uma ideia de jogo. O facto de um ser muito mais alfabetizado que outro não impede que estejam irmanados na conclusão de que uma correcta interpretação da “ideia de jogo” leva necessariamente ao resultado esperado. Tanto para um como para outro o factor individual conta pouco, seja pela positiva, seja pela negativa e todavia que seria do futebol se por ele não tivessem passado Si Stefano, Puskas, Pelé, Garrincha, Eusébio, Cruyff, Maradona, Zidane e Messi entre tantos outros. Se bem repararem, nunca – mas mesmo nunca – nas suas esquemáticas análises técnico-tácticas dos jogos entra o talento individual do jogador. Pelo contrário, sempre que faz referência à acção individual é para a desmerecer, numa criteriosa escolha do que corre mal.

Enfim, ao recusar-se a comentar e a criticar a prestação de alguns jogadores da selecção portuguesa e a incapacidade (seja técnica, seja de outra ordem) do seleccionador para reconhecer e corrigir essas incapacidades, Carlos Daniel presta um mau serviço à selecção e a todos quanto desejavam um outro desfecho para as cores portuguesas.

Antes de mais, a análise do comportamento da selecção portuguesa (não apenas a deste Euro 2016, mas também das anteriores mais recentes) passa obviamente por Ronaldo. Não pode deixar de passar. Pela sua prestação, pela análise das suas prestações na selecção, pelo seu protagonismo, pelo seu comportamento enquanto elemento do grupo, pela sua influência no seleccionador e na Federação bem como de todos os (grandes) interesses que o rodeiam.

Como a prestação de Ronaldo tem sido muito fraca, embora não muito diferente da que tem tido em fases finais de Europeus e Mundiais anteriores, mais concretamente desde o Mundial da África do Sul (2010), não falta quem aproveite ocasião proporcionado por mais este falhanço para um ataque demolidor ao seu carácter e à sua personalidade, como fez John Carlin, em El Pais de 19 de Junho (ver tradução). 

Mas não é necessário, nem decente, chegar tão longe. Um dia, já muito distante dos tempos de glória da grande equipa do Real Madrid dos anos 50, princípios de 60 do século passado, perguntaram a Di Stefano o que tinha a comentar sobre a personalidade de Puskas, como pessoa, de quem se dizia “cobras e lagartos”. O grande jogador do futebol de todos os tempos foi muito claro. Afirmou que não tinha relações com Puskas fora do campo e, portanto, não se podia pronunciar sobre o que diziam dele. Mas conhecia-o muito bem dentro do campo. Era um jogador brilhante como poucos, inteligente, generoso, altruísta, companheiro, um verdadeiro jogador de equipa. Era essa a imagem que tinha dele. A imagem que construiu a partir do que viveu e sentiu dentro do campo como seu colega de equipa.

É sobre Ronaldo dentro do campo, como elemento de uma equipa, que as críticas, positivas e negativas, devem ser feitas. É evidente para toda a gente que Ronaldo é um super atleta, para o qual a ideia da superação dos seus próprios limites está permanentemente presente. Mas é também óbvio que Ronaldo não é um virtuoso do futebol, não tem a magia dos grandes artistas, nem sequer a inteligência de quem sabe pensar o futebol como um jogo eminentemente colectivo. Durante anos e anos nunca Ronaldo festejou os golos da equipa por que alinhava se não fossem marcados por si. Nunca, durante anos, se viu Ronaldo em campo agradecido a um colega por lhe ter feito um passe de golo ou aplaudir uma jogada magistral de um companheiro de equipa. Vê-se Ronaldo na televisão e percebe-se que ele passa parte do seu tempo mais preocupado com as câmaras, com a imagem que dele transmitem, do que com a sua equipa. Tudo gira à volta de seu enorme EGO, diariamente alimentado por uma enorme falange de aduladores.

Por força dos recordes individuais que bateu, dos títulos individuais que conquistou, Ronaldo (e o seu entorno….) adquiriu no seio da selecção um poder que nunca outro jogador teve. Há a convicção generalizada que o seleccionador não tem qualquer poder de direcção táctica, e muito menos técnica, sobre Ronaldo. Todos os treinadores, depois da sua saída do Manchester, que tentaram interferir no modo de jogar de Ronaldo e sobre o seu posicionamento relativamente à equipa foram mal sucedidos (Mourinho, Carlos Queiroz, Paulo Bento, Benitez). O mesmo se diga dos jogadores que tentaram, mesmo que discretamente, lutar contra o seu excesso de protagonismo.
Com Fernando Santos tudo isto é mais evidente do que com qualquer outro treinador. Fernando Santos não tem qualquer poder de direcção sobre Ronaldo. Nem sobre Ronaldo nem para contrariar o que eventualmente possa não agradar a Ronaldo. A subserviência de alguns, bastantes, jogadores relativamente a Ronaldo é lamentável. O santo e a senha para entrar no lote dos amigos de Ronaldo é não apenas elogiá-lo acriticamente, mas afirmar peremptoriamente que ele é o melhor jogador do mundo. É quase certo que não tem lugar como titular nenhum jogador, por mais brilhante que seja, que não tenha afirmado que “Ronaldo é o melhor do mundo”. E se algum tiver a ousadia de deixar algum juízo objetivo que não agrade ao craque português, logo o clã Aveiro e Jorge Mendes se encarregarão de o anatemizar.

Fernando Santos exibe perante os jornalistas uma arrogância como treinador da selecção que nunca teve como treinador de clube. Quanto mais se deixa enredar pela “ronaldodependência” mais afirmativo se torna relativamente objectivos e metas que não tem qualquer hipótese de alcançar. É um fenómeno de compensação bem conhecido…mas nem por isso deixa de ser um pouco ridículo.

Quanto à selecção, é certo que o segundo jogo foi aparentemente mais bem conseguido que o primeiro, embora com a mesma ineficácia e completa ausência de criatividade no meio-campo ofensivo. Quanto a Ronaldo não há que estranhar, com excepção do penalty falhado, ele precisa sempre de fazer muitos remates para marcar um golo. Já o mesmo se não deverá dizer dos restantes jogadores que igualmente desperdiçaram várias oportunidades. Grandes equipas são as que aproveitam as oportunidades que surgem e não as que apenas as criam. Não é com oportunidades criadas que se ganham jogos. É com golos!

William esteve melhor do que Danilo. Sem ter sido criativo – isso, ele nunca é – esteve mais presente no jogo, adiantou-se mais no terreno e não falhou passes. Teve a seu favor não ter de defrontar avançados tão poderosos como os que Danilo encontrou pela frente no primeiro jogo e também o posicionamento ofensivo da equipa da Áustria que lhe concedeu mais liberdade para se adiantar. João Moutinho, ridiculamente considerado o “homem do jogo” pela UEFA, mais uma vez esteve mal. Mal no sentido de não dado nenhum contributo positivo à equipa: um passe, um rompimento das linhas adversárias, uma presença na área. Nada. Não se compreende por que razão continua a jogar como titular. Ninguém que perceba um mínimo de futebol compreende esta insistência em Moutinho!

João Mário continua ausente. Incompreensivelmente ausente. André Gomes, mais uma vez, o melhor da linha média. Na frente, ficou provado que só podem jogar dois, embora a dúvida seja quem deverão ser esses dois. De Ronaldo não há que esperar muito mais. Com excepção dos jogos de “play-off” contra aa Suécia, para o apuramento do Mundial do Brasil, nunca Ronaldo foi uma figura absolutamente decisiva nos jogos da selecção. É certo que em 127 jogos marcou golos, tem o record absoluto de golos na selecção, mas está muito longe de ter o record em termos relativos. Sendo certo que no jogo de amanhã Ronaldo vai jogar qualquer que seja a forma em que se encontre, Quaresma deverá sair entrando porventura Rafa para o lugar de João Mário. Quanto ao resto não é de crer que haja mudanças.

Fica-se, porém, com a impressão de que se trata de um simples remendo. De facto, a ausência de um verdadeiro ponta de lança, a recusa em fazer alinhar um “oito” ofensivo, a fraca forma física de Ronaldo condicionam a estrutura da equipa e a sua movimentação em campo. Nada nos permite, portanto, esperar grandes diferenças.

Renato Sanches não jogará certamente. Entre outras razões por que nunca disse que “Ronaldo é o melhor jogador do mundo!”. Faz bem Renato em não dobrar a espinha. O futuro será seu. Na selecção e fora dela. Oxalá nunca perca a cabeça nem se deixe jamais apanhar pelo vedetismo…

 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

SELECÇÃO: AS MUDANÇAS QUE SE IMPÕEM


 

SÁBADO, CONTRA A ÁUSTRIA
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Vai haver mudanças no jogo contra a Áustria do próximo sábado. O seleccionador já o admitiu. Falta saber que mudanças. E se são as que se impõem, depois do que se viu contra a Islândia, ou se serão meramente cosméticas para atender aa alguns interesses de ocasião.

Não tenho ouvido os comentários da SIC nem da TVI, nem mesmo os da Sport TV e da BTV, se é que esta última os faz, pelo não posso comentar o que nestas estações tem sido dito sobre o jogo da selecção. Apenas tenho seguido os comentários da RTP. E confesso que não posso deixar de manifestar a minha surpresa pelo que tenho ouvido. A seguir ao jogo contra a Islândia, dois dos comentadores mais influentes (Carvalhal e Carlos Daniel) deram a entender (ou mais do que isso) que o problema da selecção não estava nos jogadores, deixando subentendido que o “falhanço” era do treinador. Marco Silva, mais cauteloso, “politicamente correcto”, foi tendo aquela conversa que de nada serve: “O treinador é que sabe o que pediu aos jogadores e a situação em que os mesmos se encontram”. Todavia, à medida que o programa decorria começou a ser evidente que a responsabilidade do acontecido também não era do seleccionador. Se não era do seleccionador nem dos jogadores, de quem seria afinal? No dia seguinte, no mesmo programa, Manuel José, sempre tão directo, também alinhou mais ou menos na mesma conversa, salvo no que respeita a Ronaldo. Com a agravante de este segundo programa pós jogo ter a presença de Miguel Guedes – o execrável Guedes do Trio de Ataque. Antes de mais, é caso para pergunta: Que faz Guedes no programa? Se o programa é para falar tecnicamente de futebol, o que faz lá Guedes? Só se for para denegrir Renato Sanches ou qualquer outra coisa que “cheire” a Benfica…

Deixando de lado o que pensam ou dizem estes comentadores, que se têm a si próprios como o supra-sumo do comentário futebolístico, vamos então abordar aas mudanças que se impõem.

Na defesa, a única alteração que poderia justificar-se era a de Pepe por José Fonte. Pepe tem causado muitos problemas à selecção. É um jogador, a justo título, marcado pelos árbitros, perde com relativa facilidade a compostura e muito facilmente compromete a selecção, como aconteceu no último Mundial. A selecção só ficaria a ganhar se fosse substituído. Vieirinha pode ser substituído por Cedric mas a selecção não ganha nada com isso. Perde um atacante razoável e não ganha nada na defesa.

Na linha média terá de haver profundas alterações. Seja por culpa do seleccionador ou dos jogadores, é óbvio que o sector esteve muito aquém do pretendido. E como o seleccionador não pode ser mudado, as mudanças terão de recair sobre os jogadores. Assim, Danilo vai ser um dos sacrificados. Provavelmente vai entrar para o seu lugar William Carvalho. Provavelmente, não se ganhará nada com a mudança, mas é uma alteração que terá de acontecer depois de tudo o que se disse de Danilo. Moutinho tem de ser substituído por Renato Sanches. É mais que óbvio que Renato é hoje um jogador imprescindível no meio campo. Quanto aos alas, João Mário deve continuar. Deve ter mais uma chance, podendo do outro lado manter-se André Gomes ou ser chamado Rafa.

Na frente só podem jogar dois. Se Quaresma está em forma e com muita vontade de jogar, como parece que está, talvez seja de lhe conferir a titularidade, em detrimento de Ronaldo que não está bem, precisa de descansar, não sendo nada conveniente a sua utilizaação nas condições em que se eencontra, como se viu há dois anos no Brasil. E do outro lado começar com Nani.

Estas seriam as alterações que um treinador independente, que pensasse pela sua própria cabeça, muito provavelmente faria. Mas não é o caso, Fernando Santos, como outros antes dele, tem um raio de acção muito limitado. Não pode tocar em Ronaldo nem em nenhum daqueles jogadores que proclame aos quatro ventos que “Ronaldo é o melhor do mundo”. Essa a razão por que as alterações vão ser meramente cosméticas. Provavelmente sairá Danilo, talvez também Vieirinha e na linha média João Mário ou André Gomes para entrar Quaresma, alterando-se a estrutura da equipa tal como foi concebida pelo próprio seleccionador.

Esperemos para ver…

quarta-feira, 15 de junho de 2016

A SELECÇÃO PORTUGUESA NO EURO 2016


 

O EMPATE COM A ISLÂNDIA
 
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Criou-se a ideia de que Portugal tinha uma grande selecção capaz, inclusive, de vencer o torneio europeu que se está disputando em França.  Trata-se de, todavia, de uma ideia assente numa avaliação exagerada das capacidades da selecção.

Portugal, integrado num grupo de apuramento relativamente fácil, fez uma campanha normal, face às selecções em presença, sem nunca deslumbrar.

Em França, na fase final do Europeu, Portugal volta a estar integrado num grupo aparentemente ainda mais fácil. De facto, nem a Islândia, nem a Hungria, nem a Áustria, têm, nestes últimos quinze anos, marcado presença ou dado nas vistas nas grandes montras do futebol mundial, tanto a nível de clubes, como de selecções. O que não quer dizer que não possam ter equipas muito competitivas na prova em curso.

Aliás, é bom lembrar que a Áustria fez uma fase de grupos extraordinária, melhor que a Espanha, a Alemanha, a Itália e Portugal, apenas suplantada pela Inglaterra que ganhou todos os jogos. Por outro lado, a Islândia apurou-se em segundo lugar num grupo do qual fazia parte a Holanda, que foi eliminada. Portanto, a ideia de que a equipa portuguesa tinha uma passadeira vermelha estendida para alcançar a fase seguinte, era uma ideia que tinha de ser confirmada no campo, em cada jogo. Sabia-se-se de antemão que os jogos contra a Áustria e a Islândia seriam difíceis, adivinhando-se mais fácil o jogo contra a Hungria, que acabou, como se sabe, de derrotar a Áustria, complicando as contas do grupo.

No jogo de ontem, contra a Islândia, cedo se percebeu que a selecção portuguesa iria defrontar uma equipa difícil, muito competitiva, que privilegiaria o jogo directo, através de lançamentos longos, procurando tirar partido das “segundas” bolas por força da sua mais bem apetrechada compleição física.

Perante este quadro, que era ou deveria ser esperado, a selecção portuguesa teria de saber penetrar na estrutura da equipa adversária, procurando por meio dessas brechas impor o seu jogo. Acontece que a selecção raramente foi capaz de fazer isto. Os médios contornaram a equipa da Islândia, sem nunca verdadeiramente a penetrar.

Danilo, como “seis”, pouco adiantou relativamente a William Carvalho. Tal como o sportinguista, foi lento, pouco ou nada criativo, jogou sempre muito recuado e, apesar disso, nas poucas vezes em que poderia ter tirado vantagem desse recuo, não estava lá.

Os demais médios também estiveram muito mal, com excepção de André Gomes, que começou bem e foi depois piorando sempre até sair. Dos três (Moutinho, João Mário e André Gomes), Moutinho foi de longe o pior. Há muito que Moutinho está jogando pouco. Explicando melhor: com excepção de dois dos anos passados no Porto, nunca Moutinho jogou mais do que joga agora. E agora joga pouco, sendo óbvio que não tem lugar na equipa, a ponto de se dever questionar a sua convocação. João Mário, estranhamente, tarda em reaparecer. Quem desconhecesse a época que fez este ano no Sporting, perguntaria o que estava aquele rapaz a fazer na selecção. André Gomes começou bem, foi único que tentou penetrar na organização da equipa adversária, mas, muito contagiado pelo que via à sua volta, acabou, tal como os outros, por desaparecer da equipa. Não é, portanto, por acaso que os três foram substituídos.

Na defesa, Rui Patrício esteve bem, defendeu o que tinha de defender, nada podendo fazer no golo sofrido. O mesmo se diga dos laterais, embora Guerreiro tenha estado melhor do que Vieirinha. No centro da defesa, Pepe voltou a comprometer a equipa. Lutou, algumas vezes a raiar a violência, outras fazendo-se de palhaço, mas acabou por ter grandes culpas no golo sofrido por, com a sua movimentação, ter desorganizado a defesa portuguesa. Ricardo Carvalho esteve bem melhor.

Contudo, o grande problema da defesa não consiste na prestação individual dos seus componentes, mas na sua organização como bloco, fundamental para a estruturação da equipa, tanto em acções defensivas, como na primeira fase de construção do jogo. Defensivamente, o modo como o bloco se comportou é de tal modo lamentável que dificilmente poderá deixar de se imputar ao treinador essa deficiência. O posicionamento dos defesas no golo sofrido pertence à pré-história do futebol. Como pode na segunda década do século XXI posicionar-se naqueles termos o bloco defensivo? A defesa tem de acompanhar a linha da bola, mantendo-se nela sem aquelas tontas movimentações em que Pepe incorreu e, por culpa dele, Vieirinha. Por outro lado, apesar do constante recuo de Danilo, nunca os centrais foram capazes de iniciar uma penetrante jogada de construção, salvo, uma vez, em Pepe que colocou nos pés de Ronaldo uma bola de golo que Ronaldo desperdiçou com um pontapé em falso.

Tudo isto é da responsabilidade do treinador, como também é da sua responsabilidade a inépcia, por falta de ideias, de toda a linha média.     

Na frente, Nani esteve bem melhor do que é habitual, sem deslumbrar, mas demonstrando grande eficiência no golo e no remate de cabeça que o guarda-redes adversário defendeu brilhantemente. Já Ronaldo esteve igual a si próprio. Ou seja, vulgar se a equipa se vulgariza ou é vulgar. Ronaldo nunca foi um jogador de agarrar o jogo e transformá-lo. Não tem essa mestria, nem se pode esperar isso dele. Ronaldo tem de ser servido e tem sempre de se contar que precisa de várias oportunidades, em regra quatro, excecionalmente três, para marcar um golo. Se a linha média não jogar, se não produzir jogo, Ronaldo passa à margem do jogo, como quase sempre tem acontecido na selecção. No Manchester United e, principalmente, no Real Madrid, isso não acontece porque são (ou foram) equipas com grandes jogadores, que possibilitam, com a sua acção, potenciar todas as qualidades de Ronaldo. Essa a razão por que ele não rende na selecção.

Veremos se a substituição (que se impõe) da linha média no jogo contra a Áustria poderá trazer algo de novo, já que da parte do treinador não se poderá esperar que tenha ideias muito diferentes das que até agora tem posto em prática.

Para terminar, uma palavra sobre a Islândia, que fez um excelente jogo, dentro daquilo que era o seu plano de jogo. Desmerecer na prestação da equipa islandesa é não compreender o que se passou. E isso é mau pelo que prenuncia relativamente ao futuro.

terça-feira, 31 de maio de 2016

OS COMUNICADORES DO SPORTING DESCOBREM QUE SÃO INCOMPETENTES




JESUS DIZ, EDUARDO BARROSO REPETE

Jesus descobriu, finalmente, a razão do seu inêxito. Contrariamente ao que supunha o embevecido Rui Santos, o Sporting não perdeu o Campeonato por culpa das arbitragens, o Sporting perdeu o campeonato por mérito da implacável máquina de comunicação do Benfica.

Disse-o Jesus no ameno bate-papo que teve com Rui Santos e a partir de agora jamais alguém ousará atribuir outra causa à perda do campeonato. Nem o empedernido Inácio, nem o mercenário Octávio, nem qualquer empregado ou comentador do Sporting ousará pôr em causa esta verdade absoluta, proferida pelo infalível Jorge Jesus, o cérebro dos cérebros, o grande condutor de Ferraris!

O primeiro a convencer-se da sua incompetência foi Eduardo Barroso. Eduardo Barroso que ostenta outros títulos além de comentador do Sporting, como o de cirurgião e ao que se diz de doutorado em medicina, não tem dúvidas em subscrever sem reservas o “veredicto” do seu amado guia e condutor! De facto, não obstante as suas qualificações, Barroso deixa-se avaliar pela bitola de Jesus e concorda com ele a cem por cento. Não há nada como ter génios por perto, criadores, inovadores para tornar mais evidente a nossa pequenez. Quando isso acontece, quando se tem a rara felicidade de ter um exemplar destes por perto, todos os demais títulos e qualificações se apagam para deixar falar o génio.

E por isso, diz Barroso, repetindo Jesus: “ Tiro o meu chapéu à comunicação do Benfica. A coesão e a união provocadas pelo clima de guerra civil contra nós desencadeado, e não o trabalho apuradíssimo, foram as razões que levaram o melhor desta época ficar em segundo”.

Jesus pode não ser um génio, mas quando se tem por perto alguém que diz isto, é natural que qualquer ser minimamente racional se considere um génio. O confronto é confrangedor!

Esta da comunicação do Benfica é a última coisa que se esperaria ouvir. Como toda a gente sabe, O Sporting, primeiro por intermédio de Jesus e depois pelo presidente, desencadeou uma verdadeira batalha verbal contra o Benfica desde a Supertaça. As “bocas” de Jesus antes e depois do jogo; as provocações a Jonas no próprio terreno de jogo; o famigerado facebook de Bruno de Carvalho sempre insultuoso e agressivo; as desqualificações de Rui Vitória (descerebrado e sem mãos para o “Ferrari”, etc.); a provocação dos vouchers; os insultos à arbitragem, enfim, um nunca mais acabar de “bocas” e “dichotes” de mau gosto, desde Agosto a Maio.

Para além destes dois, Rui Santos, duas vezes por semana, acolitado por um tal João, intrigava, mentia, insinuava, tentando por todos os meios desqualificar o Benfica; e também o empedernido Inácio, de inteligência pobre e obediência rica, dizendo como sabia o que lhe mandavam dizer; Oliveira e Costa, embora relativamente distanciado dos “institucionais”, destilando por sua conta e risco anti-benfiquismo primário; e também Rogério Alves, um papagaio falante, desdobrando-se em pseudo-argumentos e falácias para atacar o Benfica; e ainda José Pina, o palhaço triste, tentando fazer o seu papel.

Além destes, Octávio, actuando como um “rottweiler” furioso contra o Benfica; e para concluir a “turma” dos sportinguistas “independentes” na RTP (Tadeia, entre outros), na TVI (Fernando Correia, José Manuel Freitas), na SIC (João Rosado, o mais decente de todos), e muitos outros na radio e na imprensa.

Comunicação e comunicadores foi o que não faltou ao Sporting! O que faltou ao Sporting foi vencer o play off de acesso à Liga dos Campeões; foi fazer uma prestação aceitável na Liga Europa, onde perdeu mais jogos do que aqueles que ganhou, alguns com equipas que ninguém conhece; o que faltou ao Sporting foi eliminar equipas da segunda divisão na Taça da Liga; foi não ser eliminado na Taça de Portugal. O que faltou ao Sporting foi ganhar ao Benfica no jogo decisivo do campeonato. O que faltou ao Sporting foi ter ganho QUALQUER COISINHA esta época. Isso é que faltou ao Sporting.

Apesar desta sucessão de derrotas os sportinguistas estão muito contentes. Até atribuem prémios a Jorge Jesus e eles próprios consideram-se os maiores. Ainda bem que assim . Eles não têm mentalidade de equipa pequena, eles são equipa pequena! Eles só comemoram derrotas!

Mas há agora um desenvolvimento da “tese” de Jesus, hoje veiculado por Zé Pina no Prolongamento. “O Sporting teve excesso de comunicação”, diz Pina.

Se este for o desenvolvimento da “tese” de Jesus, o que este desenvolvimento quer dizer – independentemente de o Pina o saber ou não – é que o presidente na próxima época tem de estar calado. O presidente e os que ele manda falar. Por outras palavras, Jesus culpa o presidente e a sua gente do insucesso.

Vamos lá ver se o presidente obedece ou não a Jesus. Aparentemente, já está a obedecer, sendo porventura essa a razão por que ninguém no Sporting comentou a condenação de Pereira Cristóvão que, a confirmar-se na instância de recurso, fará reabrir o processo desportivo que poderá ter como provável consequência a descida de divisão do Sporting

terça-feira, 24 de maio de 2016

A SABUJICE DE RUI SANTOS E DE UM TAL JOÃO PERANTE JORGE JESUS




UM EPISÓDIO DO FUTEBOL PORTUGUÊS



Não tinha ainda visto, embora já tivesse ouvido falar, na pseudo-entrevista do sr. Rui Santos e de um tal João a Jorge Jesus na SIC Notícias. Só hoje pude, com indisfarçável relutância, assistir ao triste espectáculo proporcionado pela SIC.

A primeira questão que obviamente se coloca é a seguinte: quem é o sr. Rui Santos na SIC? Como se compreende que uma estação de televisão proporcione a um intriguista profissional, a um anti-jornalista um espaço televisivo de tão longa duração? Durante a semana o sr. Rui Santos participa no Play-Off, programa de comentário a cargo de ex-futebolistas, e no Tempo Extra em que debita as suas mentiras e os seus processos de intenções acolitado, em jeito de ponto, por um tal João. Como se explica? É a SIC naqueles programas não uma estação de televisão, mas uma simples “Barriga de aluguer”? De quem são os programas? Da SIC ou do sr. Rui Santos, que, nesse caso, pagará à Sic o aluguer do tempo de antena?

Se o sr. Rui Santos não fosse o tal da “Mentira desportiva” valeria a pena fazer-lhe a pergunta. Assim, não adianta, nem a ele nem ao tal João. Mas adianta fazê-la à SIC que tem a obrigação deontológica de a ela responder. Infelizmente, vamos ficar sem resposta mais uma vez. Quem aposta e joga na mistificação não pode responder a perguntas simples.

Pois bem, a dita “pseudo-entrevista” é de bradar aos céus. Nada a opor se ela tivesse sido feita no Canal do Sporting ou se tivesse sido anunciada como tempo de antena do Sporting. Mas não foi. O sr. Rui Santos e o tal João apresentam-se como sendo aquilo que realmente não são e ai é que está a batota.

Todavia, o resultado final é deplorável. Não tanto por Jorge Jesus, que é igual a si próprio, detentor de um EGO sem limites, convencido de que é único. Quanto a isso nada a dizer diferente daquilo que toda a gente já sabe e que aqui desde há, pelo menos, sete anos tem vindo a ser reflectido neste blogue.

O único aspecto que poderia ser sublinhado é o de mais uma vez ter mentido para se esquivar a uma situação difícil. Referimo-nos à desconsideração pública de Rui Vitória. Jesus não disse o que disse por ter sido induzido em erro por um jornalista, Jesus disse o que disse porque estava e está plenamente convencido da sua imensa superioridade. E depois, porque junta a esse seu convencimento, o tal toque rufia que nunca o larga. De facto, Jesus mente ao desculpar-se com o jornalista. Rui Vitória tinha falado 24 horas antes e as suas declarações tinham passado abundantemente em todas as televisões, estações de radio e imprensa escrita. Jesus não poderia deixar de as conhecer, diga ele o que disser.

Mas deixemos Jorge Jesus e voltemos ao sr. Rui Santos. O que mais impressiona, o que mais sobressai no tal comentador que se diz (mentirosamente) independente é o ar perfeitamente babado com que fala com Jesus. Toda a entrevista é feita com um tal grau de admiração que a todo o momento se estava à espera que a baba lhe escorresse pela boca numa manifestação de apreço e de idolatria raramente vistas.

Não vale a pena sequer passar em detalhe os passos da conversa. Basta referir duas ou três situações para se perceber o tipo de conversa havida com Jorge Jesus. O sr. Rui Santos evitou cautelosamente qualquer alusão à carreira europeia do Sporting, bem como à carreira internacional de Jorge Jesus. Não podendo deixar de saber que Jesus é um treinador essencialmente doméstico, o sr. Rui Santos evitou colocá-lo perante essa evidência. Foi preciso que um telespectador levantasse a questão para ela pudesse ser ao de leve abordada. Questão da qual o sr. Rui Santos saiu logo que pôde.

A segunda tem a ver com a atribuição do “troféu” de melhor treinador do ano a Jorge Jesus, tanto quanto se percebeu por decisão do sr. Santos. Nos critérios usados pelo sr. Santos só entravam os jogos do campeonato – Ligas europeias, Taça de Portugal e Taça da Liga, nada! Mas há mais: as vitórias não valem todas os mesmos pontos: as vitórias fora valem mais e os golos marcados fora, também. Enfim, uma montagem que ilustra na perfeição a personalidade do sr. Santos.

Terceira e última nota: estava o sr. Santos todo embalado para concluir com a conivência (supunha ele) de Jorge Jesus que as arbitragens tinham sido decisivas para a vitória do Benfica no campeonato, quando este, para seu espanto, lhe diz: “ O que estou a falar não tem nada a ver com arbitragens!”. O sr. Santos, um biltre como não há segundo, não percebeu duas coisas. Primeiro, que Jorge Jesus pode ser muitas coisas mas não é burro; segundo, que não se deixa cegar pela paixão clubista que é coisa que ele não tem. A sua paixão é por ele próprio. E foi por não ter percebido isto a tempo e horas que o sr. Santos ficou com aquela cara sem vergonha que o caracteriza, perante a resposta de Jesus! Mas como desavergonhado que é, passou rapidamente para outro assunto como se nada tivesse acontecido. Ele que tinha preparado a conversa para evidenciar aquela conclusão viu-se desmentido pelo seu idolatrado Jorge Jesus!

Que nojo, sr. Santos, você causa às pessoas normais!

SANGRIA NO BENFICA?




O QUE PRETENDE VIEIRA?

Causa a maior perplexidade a “sangria” que diariamente os jornais vão anunciando da equipa campeã. Além de Renato Sanches e de Gaitan, já vendidos, diz-se que Vieira foi à China negociar Jonas e Talisca e que além destes estarão de saída Ederson e Lindelöf. Que há boas propostas por Jardel, que Carcela também deverá sair, que Carrillo será vendido sem nunca ter envergado a camisola do Benfica e, quem sabe, porventura outros, se houver propostas.

A primeira pergunta que ocorre fazer é a seguinte: afinal o que é o Benfica? É um clube de futebol, o maior de Portugal e um clube com grande projecção europeia e mundial ou é, muito pura e simplesmente, um mero entreposto de compra e venda de jogadores?

É isto que o presidente do Benfica tem de explicar aos sócios e adeptos do Benfica. Qual é a estratégia da direcção do Benfica? É vender, sempre que haja uma proposta? Ou é manter uma equipa vencedora?

O presidente do Benfica dispensa-se de dar explicações. Age como se fosse dono do clube e seu senhor absoluto. Alguns benfiquistas, indispostos com estas considerações (apenas porque estão a ganhar), já vieram a este blogue explicar a estratégia da direcção. Dizem eles, o objectivo da direcção é reduzir ou extinguir a divida, vendendo muito rapidamente tudo o que houver para vender, de modo a que as verbas que o Benfica gasta anualmente no seu serviço possam ser aplicadas no pagamento de uma massa salarial (de um plantel) compatível com a categoria do Benfica.

Em primeiro lugar, é preciso dizer que esta explicação nunca foi apresenta por nenhum responsável do Benfica; e em segundo lugar, que ela é rotundamente desmentida pelos factos: o Benfica tem vendido muito e caro e a dívida não tem deixado de crescer. Portanto, há aqui qualquer coisa que não bate certo.

O primeiro sinal altamente preocupante é o montante da dívida do Benfica. Um montante que só pode ser sinónimo de má gestão. O segundo sinal, que as considerações antecedentes parecem confirmar, é o de que o serviço da dívida do Benfica (entenda-se por serviço da dívida os juros e as amortizações devidos em cada ano) é muito mais pesado do que se poderia supor ou esperar. Por comparação, até parece ser mais pesado que o do Sporting, a confirmar-se a notícia de que os seus principais “activos” só sairão pela cláusula de rescisão.

De facto, a “conversa” de que o negócio com a “NOS” teria por objectivo reduzir a zero a dívida parece não passar de isso mesmo: de uma simples “conversa”. Se esse fosse o objectivo e se o negócio fosse tão importante e vantajoso como o pintaram, como se explica então que exactamente no ano em que o contrato vai entrar em vigor o Benfica se proponha vender mais de metade do plantel? E logo o mais valioso?

Há aqui qualquer coisa que não bate certo…

Apesar das grandes vitórias alcançadas este ano e da brilhante participação na Liga dos Campeões é bom que ninguém despreze a conjugação de dois factores que, a não terem ocorrido, poderiam ter feito com o que o desfecho da época fosse completamente diferente. São eles: a lesão de alguns jogadores, nomeadamente dos mais idosos, e o simultâneo aparecimento de três jovens que alteraram radicalmente o rumo do campeonato: Renato Sanches, Ederson e Lindelöf.

Dir-se á: apareceram porque estavam na formação. Certamente. Mas três jovens jogadores como aqueles dificilmente aparecem numa década quanto mais todos os anos…

Em conclusão: que Gaitan tenha sido vendido, compreende-se. Esteve seis temporadas no Benfica e a sua presença no plantel durante seis épocas mais que rentabilizou o investimento nele feito. Agora que Jonas, um jogador que entrou no Benfica a custo zero e que em duas épocas marcou mais de 50 golos, seja vendido “apenas para fazer dinheiro”, quando estava em condições de render mais duas, é absolutamente incompreensível. Seriam os 20 milhões mais caros da história recente do Benfica. E quanto ao jovens já dissemos noutro post como é ainda mais incompreensível a sua venda.

Quanto ao mais, é bom que ninguém se esqueça que uma grande equipa não se faz com jogadores inexperientes, sem provas dadas, nem com jogadores que já atingiram o seu “prazo de validade”. Pode custar ver sair do Benfica jogadores que já deram (e receberam) muito ao clube. Infelizmente, é a lei do futebol. Assim aconteceu sempre – aconteceu com Eusébio, com Coluna, com José águas, com Nené, com Chalana e tantos outros – e assim continuará a acontecer. Retardar esse momento é uma decisão que se paga caro!

Na última sexta-feira, o Benfica venceu brilhantemente mais um título derrotando o Marítimo por 6-2, em Coimbra, na final da Taça da Liga. Uma vitória concludente, que igualmente serve para comprovar o que acima se disse acerca da conjugação de factores que levou o Benfica ao TRI!






sexta-feira, 20 de maio de 2016

BENFICA: ALERTA VERMELHO


 
NÃO HÁ MILAGRES
 
Resultado de imagem para imagens  da Benfica SAD

 

Que os benfiquistas não tenham ilusões: no futebol não há milagres. Ganha o melhor. Se as notícias que têm vido a público se confirmarem, nem que seja apenas em 50%, o Benfica perderá a hegemonia que, a duras penas, recuperou no futebol português e será de novo remetido para uma zona de penumbra durante vários anos.
 
Agora que o Benfica está na crista da onda e muito provavelmente se prepara para festejar outro título é que importa dizer as coisas. Depois, quando já não houver remédio, não vai faltar quem fale.
 
Então, é bom que se diga que não há estrutura, nem equipa técnica que possa tornar vitorioso um plantel sem classe. E é isso o que acontecerá se o Benfica vender Ederson, Jardel, Lindelöf, Renato Sanches (este já vendido), Talisca, Jonas e Gaitan. Se nada for feito para impedir a “sangria” do plantel de nada adiantarão os protestos posteriores. Aliás, a primeira vítima deste processo será Rui Vitória. Como sempre é o treinador quem pagará as asneiras da direcção já que esta, infelizmente, arranjará sempre maneira de sair incólume pelo menos perante uma parte dos adeptos.
 
Se há eleições no Benfica, os sócios têm de saber que garantias oferece a actual direcção de manter a estrutura base da equipa. Se os sócios nada exigirem, se acreditarem em milagres, perdem toda a legitimidade para protestar mais tarde.
 
Há aqui vários aspectos que não podem deixar de ser analisados, sob pena de nos iludirmos a nós próprios. O primeiro a ter em conta, ou melhor, a não ter em conta é a opinião dos comentadores do Benfica na B TV. Ninguém se fie no que eles disserem sobre a venda de jogadores. Eles são empregados do clube, logo veicularão a tese que o “patrão” quer fazer vingar entre os associados. Em segundo lugar, se os jovens jogadores forem vendidos, como, de resto já foram, André Gomes, Ivan Cavaleiro, João Cancelo, Bernardo Silva e Renato Sanches, como pode a direcção do Benfica continuar a afirmar que aposta na formação? Se apostasse manteria estes jogadores no clube, pelo menos durante três anos, vendendo-os depois de terem “retribuído” desportivamente a formação que tiveram.
 
A terceira questão que tem de ser abordada com toda aa crueza é a seguinte: a vitória no campeonato que acaba de findar beneficiou do contributo decisivo de Ederson, Lindelöf, Renato Sanches e Jonas. Sem eles o Benfica, muito provavelmente, não teria sido campeão!
 
Depois é preciso ter em conta o que se está a passar com os principais adversários. Comecemos pelo Sporting: Bruno de Carvalho, merece-nos como adversário e no modo como põe em prática essa adversidade todos os adjectivos com que ao longo destes três últimos anos aqui tem sido mimoseado. Mas nada disso impede que se diga que ele ama o Sporting, que tem pelo seu clube uma verdadeira paixão, fazendo tudo o que está ao seu alcance para o guindar ao lugar cimeiro do futebol português. É na execução dessa sua política de defesa dos interesses do Sporting que se deve analisar a sua luta contra os fundos e contra os empresários. O Sporting não vai vender os seus jogadores chave já que ninguém pagará por eles a cláusula de rescisão por que estão contratados. Foi essa a promessa que ele fez a Jesus e vai cumpri-la. Disso ninguém tenha dúvidas. É nesse contexto que deve ser entendida a renovação de Jesus. A renovação que hoje foi assinada apenas quer dizer  que está garantida por mais um ano a estadia do treinador e a sua saída após esse ano. Escusado será dizer que, no ano em que ainda se vai manter no Sporting, Jesus tudo fará para se sagrar campeão.

Por outro lado, o patrocinador do Porto (MEO) tem todo o interesse em ter um Porto ganhador, sob pena de perder rios de dinheiro com o seu patrocínio. Portanto, tudo fará para apoiar o Porto e tentar levá-lo à vitória. Em conclusão: é contra esta concorrência que o Benfica vai ter de lutar na próxima época.
 
Assim, se os referidos jogadores  do Benfica, e eventualmente outros, forem vendidos, os sócios e adeptos têm o direito de saber, sem subterfúgios, a quem pertencem esses jogadores. Como se explica que uma equipa que tanto facturou durante a época se veja forçada a desfazer-se em dois meses da equipa campeã?
 
Finalmente, uma palavra para Rui Vitória. Que Rui Vitória ponha “os pés à parede” e recuse o desmembramento da equipa. Hoje, o Benfica precisa mais do Rui Vitória do que o Rui Vitória do Benfica. Por isso deve impor-se. Se nada fizer, se aceitar disciplinadamente o que lhe quiserem impor pode ter a certeza de que será ele dentro de poucos meses a “pagar a factura”. Ninguém então se lembrará dos 88 pontos somados neste campeonato, dos golos que a equipa marcou, das vitórias que alcançou. Do que toda a gente se lembrará é do que então estiver a acontecer!
 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

GRANDE VITÓRIA DO BENFICA


 
O SPORTING NÃO GANHOU NADA
 
 

 

O Benfica venceu brilhantemente o 82.º campeonato nacional de futebol, somando com esta vitória o 35.º campeonato da sua história. Não fora a incompetência de Jorge Jesus, estaria agora a comemorar não o tri, mas o penta, já que os dois campeonatos perdidos para o Futebol Clube do Porto de Vítor Pereira são duas das derrotas mais difíceis de aceitar pelos benfiquistas. Não por demérito do adversário, que ganhou bem os referidos campeonatos, mas por o Benfica os ter perdido depois de ter chegado a ter uma vantagem de oito pontos em 2011/2012 e uma vantagem de cinco pontos em 2012/2013, a três jornadas do fim.

Este ano Jesus repetiu no Sporting o que no Benfica já tinha feito por duas vezes. Tendo chegado a usufruir de uma vantagem de sete pontos sobre o Benfica, o Sporting, depois de se ter dado como campeão, perdeu nove pontos para o Benfica, três dos quais em confronto directo.

 

Os números falam por si: o Benfica somou ao fim de 34 jornadas o maior número de pontos até hoje alcançados (88) numa liga com 18 clubes. Depois de um começo irregular, três derrotas à oitava jornada, uma delas em casa contra o Sporting, o Benfica, com excepção do jogo da Madeira, contra o União, jogado a 15 de Dezembro, não voltou a tremer. É certo que perdeu um jogo – um jogo que poderia muito mais cedo ter arrumado com a questão do título -, mas esse jogo foi um claro acidente de percurso, daqueles em que o futebol é fértil, já que a exibição do Benfica na primeira parte e as oportunidades desperdiçadas, defesas de Casillas à parte, davam para chegar ao intervalo com uma vantagem confortável de dois ou três golos. Tanto assim que a equipa não se ressentiu minimamente dessa derrota continuando a jogar o resto do campeonato como se tivesse ganho esse jogo.

 

O Sporting, além de ter perdido os pontos que levava de avanço, perdeu também no confronto directo contra o Benfica num jogo que era vital para as suas aspirações. Tendo desde a primeira hora posto em prática uma política de comunicação arrogante e agressiva, o Sporting, para disfarçar as suas próprias carências, iludir os adeptos e tentar condicionar a arbitragem, utilizou métodos tipicamente nazis, de tipo goebbelianos, segundo os quais uma mentira muitas vezes repetida substitui a verdade.

 

Foi essa a mensagem que Bruno de Carvalho, acolitado por Octávio Machado e Inácio, tentou fazer passar desde o primeiro até ao último dia. Para infelicidade sua recorreu a duas personagens completamente desqualificadas, sem crédito no meio desportivo e nele conhecidas pelas piores razões. Octávio, que sempre se destacou no trabalho sujo, actuando sabujamente de acordo com a voz do dono, é o que se pode chamar um mercenário do futebol. De facto, ele não actua por convicção: actua por dinheiro, fazendo o que lhe pedem, tanto ao serviço do seu inimigo de véspera, como contra o seu aliado de ontem. Inácio, intelectualmente pouco dotado, roçando a mediocridade, foi o exemplo acabado daquilo a que se pode chamar o polícia que exige ao acusado que demonstre a sua inocência. Era entre gente assim que na “outra senhora” se recrutavam os agentes da pide.

 

O pior é que as mentiras falaciosamente propagadas pela cúpula leonina são religiosamente aceites e repetidas pelos adeptos e comentadores espalhados por toda aa comunicação social. Nesse aspecto são todos iguais…

 

Algumas dessas mentiras são absolutamente inacreditáveis e não deixa de ser espantoso como são sistematicamente repetidas sempre que um comentador do Sporting abre a boca.

 

Vejamos algumas: o primeiro jogo do campeonato contra o Estoril. Insiste o Sporting num pseudo-penalty cometido por Luisão. Em primeiro lugar, importa dizer que noventa por cento dos árbitros europeus não consideram aquele contacto susceptível de falta, subindo na Inglaterra esse número para 100 por cento. Mas vamos admitir que o árbitro marcava essa falta, ocorrida no começo da primeira parte, e que o Estoril fazia golo. Iria esse golo alterar alguma coisa aquilo que foi o jogo? Iria o Estoril jogar de modo diferente, estando a ganhar, do que jogou, estando empatado, até aos 73 minutos? Certamente que não. O Benfica teria ganho à mesma, desfazendo a desvantagem do mesmo modo que desfez a igualdade. Há todas as razões para supor que o Benfica (que ganhou por 4-0, é bom não esquecer) viraria o jogo e ganharia. Que provas se podem adiantar nesse sentido? Provas não podem adiantar-se, mas pode apresentar-se, como exemplos, o que se passou nos jogos contra o Moreirense e contra o Rio Ave, ocorridos pouco tempo depois. No jogo contra o Moreirense, o Benfica entrou a perdeu (29 m), só logrando empatar aos 75 m e adquirir vantagem aos 76m. Todavia, seis minutos depois, o Moreirense marcou um golo em claro off side, que foi validado, tendo o Benfica voltado a marcar ao 86 m. Ou seja, virou o jogo em condições muitíssimo mais dificeis do que as que, hipotecticamente, existiriam no jogo contra o Estoril. No jogo contra o Rio Ave, o Benfica marcou primeiro, aos 4 minutos, o Rio Ave empatou aos 13 m, tendo havido entre este golo e o intervalo três bolas que bateram nas mãos dos defesas do Rio Ave dentro da área, lances que o árbitro de acordo com o seu critério considerou de “bola na mão” e não de “mão na bola”. Não obstante a persistência do empate, o Benfica desfê-lo aos 81 m e confirmou a vitória com o terceiro golo aos 83 m!

 

Por aqui se pode ver a importância que o pseudo-penalty do jogo contra o Estoril e a “bola na mão” de Talisca no jogo contra o Nacional tiveram na discussão do título. Como nenhuma importância teve o golo anulado ao Benfica, por Nuno Almeida (o mesmo que apitou o jogo contra o Nacional), contra o Arouca – golo que até hoje ainda ninguém conseguiu explicar por que foi anulado – nem a expulsão de Renato Sanches na Madeira (Marítimo) por acumulação de cartões amarelos, sendo que o primeiro deveria ter sido exibido ao jogador do Marítimo que rasteirou Renato e marcada grande penalidade (rasteira indiscutível como se comprova pelas imagens exibidas pela SIC dois dias depois, apesar de não terem sido exibidas pela Sport TV)!

 

Não adianta sequer enumerar aqui os muitos lances decisivos julgados erradamente a favor do Sporting ao longo de 34 jornadas. Foram muitos, sendo indiscutivelmente o Sporting o clube que neste campeonato mais beneficiou de erros de arbitragem, além de outros “erros”, como o de Tonel, que, no último minuto do jogo entre o Sporting e o Belenenses, resolveu, num lance inofensivo, meter dentro da área a mão à bola e permitir ao Sporting beneficiar de um penalrty que lhe possibilitou ganhar o jogo. Não vale a pena escalpelizar nada disso, mas vale a pena relembrar, por ilustrar bem o que é o Sporting, o jogo de Alvalade contra o Tondela, em que, depois do vergonhoso espectáculo que se seguiu à (justíssima) expulsão de Rui Patrício, o treinador, directores e demais corpo técnico quiseram obrigar o árbitro a marcar um penalty contra o Tondela por um seu jogador ter defendido com a CABEÇA uma bola que ia na direcção da baliza!

 

Se na Liga o Sporting foi bem batido, apesar de ter feito um campeonato meritório, que dizer da sua prestação nas demais provas? Na Liga dos Campeões foi o que se viu: o Sporting foi eliminado no play off, pelo CSKA – uma equipa que ficou em último lugar no seu grupo, com apenas 4 pontos -, e remetido para a Liga Europa, uma espécie de segunda divisão europeia. Integrado num grupo fraquíssimo, o Sporting sofreu várias derrotas, uma delas por goleada contra uma equipa da Albânia cujo nome ninguém se lembra, tendo passado à tangente à fase seguinte, para nela ser copiosamente derrotado em ambos os jogos pelo Bayer de Leverkusen. Na Taça da Liga foi eliminado logo na fase de grupos pelo Portimonense da segunda divisão e na Taça de Portugal foi eliminado pelo Braga, depois de uma vitória contra o Benfica, no prolongamento, proporcionada por erros de arbitragem.

 

O Benfica, pelo contrário, está na final da Taça da Liga e fez uma notável prova na Champions na qual foi eliminado nos quartos-de-final pelo Bayern – uma equipa que, nesta competição,  nos anteriores oito jogos havia marcado 25 golos! - num confronto em que o Benfica, se tivesse sido eficaz, principalmente em Munique, teria tido grandes hipóteses de passar à fazer seguinte. Derrotado fora por 1-0 e tendo empatado em casa por 2-2, o Benfica, tendo realizado dois excelentes jogos, ficou a um pequeno passo da passagem à fase seguinte.

 

De facto, não há comparação possível entre a época do Benfica e a do Sporting. A do Sporting é uma sucessão de derrotas, enquanto a do Benfica regista êxitos assinaláveis.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A MALA DE QUE NINGUÉM FALA




POR RAZÕES ÓBVIAS



Quem, não sendo muito dado às coisas do futebol, por estes dias ouvir a comunicação social, radio, imprensa, televisão, fica a saber que há no futebol português um título em disputa, entre dois clubes – o Benfica e o Sporting -, que no próximo domingo se decidirá.

Desde há pelo menos três semanas que esta informação vem sendo massivamente veiculada. Mas não só. Quem não souber mais nada, quem não for informado destas coisas da bola fica a supor que há um clube – o Benfica – que tem de ganhar todos os jogos que lhe faltam jogar para ser campeão, enquanto o outro clube – o Sporting – apenas precisa de esperar por uma derrota ou um empate do Benfica para ser campeão. O que levará essa pessoa pouco informada a deduzir que o Sporting já realizou e ganhou todos os jogos que tinha que jogar. Só lhe restando agora esperar…

Todavia, não é assim que as coisas se passam. O Sporting, tal como o Benfica, também tem de jogar todas as semanas e só poderia ser campeão se ganhasse todos os jogos e o Benfica empatasse ou perdesse algum. Mas, então, se é assim por que é que ninguém fala na hipótese de o Sporting não ganhar ou de empatar um dos jogos que ainda tinha para jogar e somente se falava nos jogos do Benfica?

Agora, que chegamos à última jornada, o Benfica jogará em casa contra o Nacional da Madeira, enquanto o Sporting vai a Braga jogar contra o quarto classificado, exactamente o mesmo clube que há dois meses o eliminou da Taça de Portugal. Pois apesar de o jogo do Benfica ser teoricamente um jogo mais fácil do que o do Sporting todo o mundo dá o do Sporting por antecipadamente ganho e o do Benfica por ganhar, havendo quem veja hipóteses de o perder.

Mas não é apenas na última jornada que isto acontece. Já na jornada em que o Sporting se deslocou ao Dragão, ninguém questionava a vitória do Sporting, questionando-se antes muito dramaticamente a do Benfica sobre o Guimarães.

Acontecerá isto porque o Sporting tem uma equipa tão poderosa e tão superior a todas as restantes que até seria de mau tom admitir outro desfecho que não a vitória, enquanto o Benfica, pobre equipa, tem de lutar pela vida como um náufrago jornada a jornada? Mas se assim fosse o Sporting estaria muito à frente no campeonato, todos os seus índices desde os pontos aos golos seriam inquestionavelmente incomparáveis aos demais. Ora como não é nada disso o que se passa, bem pelo contrário, temos de encontrar outra explicação mais convincente para este modo de apresentar as coisas.

Uma hipótese seria a de o Sporting saber antecipadamente que vai ganhar, com transmissão desse conhecimento à comunicação social, que actua sempre com muita mais racionalidade do que aquilo que em regra se supõe. A favor desta tese poderia invocar-se a mal disfarçada felicidade com que os dirigentes, adeptos e comentadores do Futebol Clube do Porto acolheram a derrota da sua equipa contra o Sporting. E também o facto de tanto o União da Madeira como o Vitória de Setúbal terem jogado contra o Sporting propositadamente desfalcados de mais de meia equipa. Já quanto ao Braga, próximo adversário, ainda é um pouco cedo para tentar perceber o estado de espírito com que se apresentará no domingo, embora a hipotética contratação de Paulo Fonseca como treinador do Sporting, por fuga de Jesus para o Porto, possa ser um índice a ter em conta.

Por outro lado, percebe-se bem por que razão a comunicação social tem posto e continua a pôr tanta ênfase nos jogos a disputar pelo Benfica, qualquer que seja o adversário. Compreende-se a partir da observação do modo como essas equipas jogam contra o Benfica. É natural que a comunicação social analisando e percebendo o imenso estímulo que para essas equipas representa defrontar o Benfica admita permanentemente a hipótese de o Benfica perder ou empatar o próximo jogo, qualquer que seja o valor da equipa em causa. A comunicação social, como todos nós, não pode deixar de observar a garra, a fúria com que essas equipas defrontam o Benfica, uma garra e uma fúria que parecem impulsionadas por uma força exterior. Algo que vindo de fora as impele a ter um comportamento único, um comportamento que nunca tiveram, nem vão voltar a ter contra qualquer outro adversário.

Pelo contrário, as equipas que jogam contra o Sporting fazem o jogo normalmente – às vezes nem isso – não havendo qualquer evidência ou sequer indício de estarem a actuar impulsionadas por uma força exterior. Ora, isto só demostra que nenhuma mola as impele a ter um comportamento diferente. Não há mola, nem mala que as compense.

E no caso dos adversários do Benfica poderá dizer-se o mesmo? Será certamente a partir da resposta a esta questão que se poderá compreender o modo diferenciado como a comunicação social tem feito a antevisão dos jogos do Benfica e do Sporting. A comunicação social nunca se engana, sabe sempre mais do que parece saber e sabe certamente acerca disto muito mais do que nós!