quarta-feira, 14 de setembro de 2016

BENFICA: NADA ESTÁ PERDIDO




UM EMPATE COM SABOR A DERROTA



Gosto de Rui Vitória como treinador. Mesmo nas situações mais adversas, nas hipóteses mais difíceis de acontecer, nas improbabilidades menos prováveis, Vitória não se queixa e aceita com naturalidade as contingências do futebol por mais inverosímeis que sejam.

De facto, é relativamente normal numa época de onze meses, uma equipa ficar momentaneamente, ou até durante algumas semanas, sem um, dois ou até três elementos base do onze titular. Ninguém gosta que isso lhe aconteça, mas todas as equipas têm de estar preparadas para essa eventualidade. Não têm os jogadores em falta, mas terão outros que actuam nas mesmas posições e que serão os naturais substitutos dos lesionados ou castigados.

O que não será normal é uma equipa perder simultaneamente os três guarda-redes do plantel, perder ao mesmo tempo quatro centrais ou todos os pontas de lança. E foi isso o que aconteceu ao Benfica: de um momento para o outro perdeu todas as referências atacantes por um período indeterminado, mas nunca inferior a um mês. Sem Mitroglou, Jiménez, Jonas e Rafa, o Benfica ficou sem atacantes de raiz.

E foi neste contexto, além da lesão de Jardel, que o Benfica teve de enfrentar esta noite o campeão da Turquia – o Besiktas.

Apesar das dificuldades de construção da equipa, Vitória optou por uma frente muito móvel na qual Gonçalo Guedes e também Cervi, a espaços, iam desempenhando diversos lugares. A equipa foi correspondendo na primeira parte, com um golo aos 12 minutos por Cervi, mas foi perdendo no segundo tempo alguma intensidade à medida que o tempo passava. A substituição de Cervi por Samaris e mais tarde a saída forçada de Fejsa e a entrada de Celis, ocorridas na parte final da segunda parte, não trouxeram à equipa o que ela necessitava. Por uma razão muito simples: porque o que a equipa necessitava não estava no banco.

A equipa necessitava de rigor no último passe, principalmente se feito dentro da área e isso somente Jonas sabe fazer com mestria; e necessitava também de um matador que soubesse “matar” o jogo logo que a oportunidade surgisse – e ela surgiu por mais de uma vez. E esse matador também não estava presente fosse ele Jonas, Mitroglou ou Jiménez.

Daí que eu não alinhe muito com a crítica de o Rui Vitória ter agido tarde de mais. Rui Vitória viu, como todos vimos, que a equipa estava segura nos processos defensivos, e que seria ariscado, com excepção de Samaris, lançar no jogo alguém que pudesse perturbar essa eficácia defensiva. De facto, tanto Guedes, como Cervi, enquanto jogou, como Salvio e Pizzi defenderam muito e bem, tendo recuperado muitas bolas.

A relativa ascendência do Besiktas quando lançou dois pontas de lança foi rapidamente neutralizda com a melhoria dos posicionamentos e depois com a entrada fresca de Samaris, acabando por ser mais uma lesão – ou o começo dela – que ditou o empate do Benfica. Tivesse Fejsa podido concluir o jogo e outro certamente teria sido o resultado do encontro.

É desagradável não ganhar na Liga dos Campeões o primeiro jogo em casa, mas nada está perdido. O Benfica tem equipa para recuperar este resultado na Turquia.

Quanto à questão do golo do Besiktas não interessa quem o marcou, nem como foi marcado, sendo muito mais importante saber como foi sofrido, bem como o contexto que o proporcionou.

O Benfica continua sem ganhar na Luz esta época. É preciso pôr rapidamente ponto final nesse precedente!


terça-feira, 13 de setembro de 2016

ANTECEDENDO A JORNADA EUROPEIA




DO QUE SE FALA…
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Tem-se falado de tudo, menos de futebol, nas vésperas da primeira jornada europeia desta época, apesar de Portugal ter três equipas na Champions e uma na Liga Europa. Mas as televisões e os jornalistas estão mais interessados nas intrigas e nas disputas verbais entre jornalistas do que propriamente no futebol.

O ridículo está a matar o futebol em Portugal. Vejamos o que se passa com a “comunicação” do Sporting.

No final da época passada, Jesus, para disfarçar o insucesso que foi o seu primeiro ano à frente da equipa leonina, atribuiu as causas da derrota à “comunicação” do Sporting. Como o Sporting durante toda a época não fez outra coisa senão falar – falou o presidente até mais não poder, falou o treinador várias vezes por semana, falou o Octávio sempre que era preciso “morder nas canelas” de alguém, falou o Inácio sempre que o “trabalho sujo” exigia um intérprete à altura, falou o Rogério Alves sempre que era necessário adulterar os factos e falou o Rui Santos sempre que era necessário passar uma falsa imagem de crítica independente – a única conclusão que das palavras de Jesus se pode tirar é a de que ele queria uma comunicação “construída” à sua imagem e semelhança. Esta imensa vozearia do Sporting teve como alvos privilegiados os árbitros – incompetentes, desonestos, ladrões que deveriam ir para a cadeia (dizia o presidente) e o Benfica, principalmente nas pessoas de Vieira e de Renato Sanches (cada um por suas razões) e ainda Rui Vitória, a “bête noir” de Jesus.

Este ano, ano da “revolução” da comunicação do Sporting, aquilo a que nós assistimos é muito simples de explicar: a “comunicação” propriamente dita tem por objectivo “plantar” notícias contra o Benfica nos jornais (quase sempre sem êxito), escamotear os múltiplos falhanços do presidente do Sporting na gestão do clube (as contratações falhadas, as divergências com os jogadores, as dívidas por pagar, os prejuízos da SAD, etc.), uniformizar o argumentário usado pelos comentadores (oficiais, oficiosos e disfarçados de independentes) nos mais diversos canais de televisão e rádio, elogiar o trabalho da arbitragem (contrapartida de uma vantagem que se tem como certa e segura) e reservar para o presidente o trabalho institucional, como se de um “grande senhor” se tratasse. Ele que só sente bem a falar de cuecas, de nádegas e de outras "pérolas" semelhantes...

A uniformização do comentário é tão ridícula que até faria corar de vergonha aqueles partidos políticos que privilegiam acima de tudo a disciplina partidária. É triste ver o pobre Pina, feito palhaço triste, a pedir que lhe mostrem as faltas do Rafa (do Rafa, imagine-se…) para justificar uma delirante expulsão que ficou por concretizar. Como triste é a adulteração dos factos que toda a gente está a presenciar, com a agravante de já não lhes bastar ter para esse serviço gente como o Rogério Alves e o Inácio, obrigando os demais a dizer o mesmo por mais constrangidos e envergonhados que se sintam!

O ataque a Rafa iniciado esta semana, muito semelhante ao que durante a época passada foi permanentemente desencadeado contra Renato Sanches, só pode encher de orgulho os adeptos do Benfica – esse ataque permanente é o reconhecimento da enorme valia do jogador atacado. Aí não se enganam. Enganam-se é supondo que com o ataque vão mudar o rendimento do jogador.

Depois vem o inenarrável Jesus. Jesus não aceitou a sua saída do Benfica. Incapaz de se esquecer do Benfica por se ter visto obrigado a trocá-lo por um clube de categoria muito inferior, tanto pela sua história, como pelos seus títulos e pergaminhos, e antevendo um regresso impossível, Jesus é absolutamente incapaz de esconder a mágoa e a frustração que o abandono do Benfica lhe provocou e continua a provocar. Daí que, de cada vez que é convidado a falar, tenha de passar grande parte do seu tempo a falar do Benfica. Ele sente necessidade de esconjurar aquele “demónio” que o não deixa viver tranquilo e o persegue por toda a parte como a própria sombra.

E aqui é que entra aquilo que me parece ser o grande erro que o Benfica tem cometido no tratamento desta questão. Como houve muitos adeptos e simpatizantes do Benfica que tinham Jesus em grande conta, a direcção do Benfica sentiu necessidade, num primeiro tempo, de tentar demonstrar que foi Jesus que traiu o Benfica. Evidentemente que para a direcção do Benfica houve uma “traição”, embora essa “traição” não consista em Jesus ter saído do Benfica – já que essa era obviamente a vontade da direcção – mas em ter saído para o outro lado da “segunda circular” e não para o clube que o Benfica e a sua gente estariam na disposição de lhe arranjar no estrangeiro.

Pois bem, resolvida a contento do Benfica a saída de Jesus – nova vitória no campeonato, boa carreira na Liga dos Campeões, vitória na Taça da Liga –, o Benfica deveria pura e simplesmente ter deixado cair o “assunto Jesus”. Quando muito sublinhar, sem enfatizar, os grandes valores que Jesus desprezou enquanto treinador do Benfica, os “flops” da esmagadora maioria das contratações ocorridas durante o tempo em que esteve à frente da equipa técnica, as escandalosas derrotas na Taça de Portugal e em dois campeonatos nacionais, além das medíocres prestações na Liga dos Campeões. E de Jesus nada mais haveria a dizer. Apenas aproveitar as suas múltiplas fragilidades por quem tão bem o conhece.

O que não faz sentido é afirmar que o Benfica queria mudar de paradigma, optando por um para o qual Jesus não servia, e depois vir dizer que houve uma “traição” do ex-treinador por não ter renovado o contrato. Além de que tais afirmações são juridicamente devastadoras para quem acalentava certas (irrealistas) pretensões indemnizatórias. Não haverá juristas pelo Estádio da Luz?....

Mas tudo isto, como acima está dito, não passa de conversa. O que interessa e muito é o que hoje e amanhã se passará com as equipas portuguesas. Aí é que se vai ver, nesta jornada e nas cinco seguintes, quem tem categoria para jogar na Europa e quem não tem.

É certo que nem todos tiveram a mesma sorte no sorteio. O Benfica é o que joga no grupo mais equilibrado: qualquer das quatro equipas pode passar à fase seguinte. O Sporting é o que joga no grupo mais forte, contra duas equipas que lhe são manifestamente superiores e contra uma terceira que lhe é inferior. Enquanto o Porto integra um grupo que mais parece da Liga Europa, embora seja constituído por três campeões…mas todos fraquinhos.

Todavia, nada disso importa: o que vai ficar para a história e para o ranking é saber quem passa e quem não passa.

O Braga, na Liga Europa, está numa situação semelhante à do Benfica: joga num grupo muito equilibrado, onde tudo pode acontecer.
Do Benfica, depois do que se viu em Arouca, e depois do que se viu o ano passado na mesma competição, em que várias vezes jogou desfalcado de pedras fundamentais, só a esperar a continuação de tudo o que de bom  tem sido feito.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A LIGA À QUARTA JORNADA




O QUE HÁ DE NOVO?
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De novo, muito pouco. Apenas o facto de o Sporting ter deixado de contestar as arbitragens e ter passado, do dia para a noite, a considerar excelentes os árbitros que antes injuriava e insultava em cada jornada.

Algo se terá passado para que comentadores e dirigentes tão insultuosos contra a arbitragem tenham passado a enxergar mérito onde antes só viam incompetência e desonestidade.

Será porque o Sporting passou a ser escandalosamente favorecido pelas arbitragens que se alterou a sua avaliação dos árbitros? Não cremos. É certamente muito mais do que isso. De facto, no ano passado o Sporting foi o clube mais favorecido por erros de arbitragem e nem por isso a campanha contra os árbitros esmoreceu por um minuto que fosse.

Parece – por enquanto apenas se diz “parece” – que a substituição de Vítor Pereira à frente da arbitragem durante dez anos – anos durante os quais o FC Porto ganhou seis campeonatos – por um árbitro de futebol de praia terá trazido ao Sporting uma tranquilidade cujos fundamentos se desconhecem.

Os fundamentos podem desconhecer-se, mas sabe-se – e sabe-se porque toda a gente viu – o que aconteceu em Alvalade no último Sporting-Porto não apenas nas jogadas ou lances que antecedam os dois golos do Sporting como igualmente se sabe como foram avaliadas as jogadas violentas de jogadores do Sporting – Slimani (o rei das cotoveladas), Bruno César, William Carvalho e Adrien Siva. E sabe-se também o que ontem aconteceu ao jogador do Moreirense que teve duas entradas exactamente iguais às dos jogadores do Sporting que no jogo contra o Porto ficaram impunes!

E sabe-se ainda como foi marcado o golo do Setúbal no único jogo que o Benfica esta época realizou no Estádio da Luz a contar para a Liga. E sabe-se, olá se se sabe, que o árbitro que na sexta-feira passada apitou o Arouca-Benfica foi o mesmo que o ano passado no jogo Sporting-Tondela deu ordem de expulsão a um jogador do Tondela por ter defendido uma bola com a cabeça dentro da sua área e ordenou a marcação da “respectiva” grande penalidade. Factos que somente se não consumaram porque um juiz assistente se opôs corajosamente a essa decisão. E sabe-se que foi também o mesmo árbitro que, num jogo decisivo para o campeonato, converteu numa falta contra o Benfica um derrube (rasteira) a Renato Sanches dentro da área do Marítimo e “respectivo” cartão amarelo do qual haveria de resultar uns minutos depois a expulsão de Renato por acumulação de amarelos. E recorda-se ainda a quem já tenha esquecido que foi o mesmo árbitro que este ano assinalou (e bem) a favor do Porto um penalty por uma carga exactamente idêntica àquela de que na última sexta feira foi vítima Rafa quando seguia isolado para a baliza. Isto para não falar naquele escandaloso empurrão a Pizzi fora do campo que o árbitro (o mesmo árbitro) puniu com um cartão amarelo ao dito Pizzi!

Se na arbitragem o Sporting está tranquilo, o mesmo se poderá dizer no comentário desportivo, onde os seus representantes mantêm prestações exactamente idênticas às do ano passado. Rogério Alves é o exemplo acabado da “honestidade intelectual”. É difícil encontrar no comentário em Portugal, seja ele de que natureza for, alguém com a “estatura moral” de Rogério Alves. Já Pina e Oliveira e Costa continuam iguais a si próprios – o primeiro fazendo de palhaço triste e debitando tudo o que lhe encomendam, e o segundo demonstrando em cada intervenção que está de acordo com tudo que possa favorecer o Sporting, qualquer que seja o fundamento que serve de base a essa pretensa vantagem.

Já no Play-Off, onde acampa a versão oficiosa da comunicação do Sporting, com a colaboração de Rodolfo Reis, ficámos a saber pelo “impoluto” Rui Santos – essa pérola pútrida do jornalismo português – que o Kapo Inácio “deixou” todos os cargos que ocupava no Sporting para se dedicar de “modo independente” ao comentário desportivo. Disse-o Rui Santos solenemente numa das primeiras edições desta época do referido programa. Com essa “independência” Inácio fica a coberto das sanções da Liga por críticas à arbitragem. Só temos de nos regozijar com este arrobo de honestidade e de desprendimento material em defesa de uma causa. A menos que o Sporting pague tão pouco a quem se prontifica a todos os fretes e a SIC, ou o sr. Rui Santos, ou ambos, paguem tão bem a que tão dedicadamente se propõe servi-los!

É isto o futebol português! É isto o nosso jornalismo desportivo.

Quanto ao futebol jogado dentro do campo parece que o Porto está um pouquinho melhor que o ano passado, que o Porto do fim da época passada, embora fique a impressão de que não terá equipa para se aguentar na disputa do título até ao fim. Até talvez se possa dizer mais: enquanto a sucessão de Pinto da Costa não for inequivocamente resolvida, o Porto não terá hipóteses de voltar a ganhar.

O Sporting, que vendeu dois jogadores pelo dobro do preço que eles realmente valem e que poderia ter vendido mais dois nas mesmas circunstâncias, só tem que se regozijar por ter “embolsado” (ele ou os bancos, já que aos outros credores o Sporting não paga…) tão vultuosa quantia que lhe terá dado para contratar uma meia dúzia de jogadores escolhidos pelo “infalível e inteligentíssimo” Jorge Jesus. Se o Sporting, como é hábito em Jesus, se dedicasse apenas ao campeonato, talvez estivesse este ano mais regular do que o ano passado, já que, ao que se tem visto, quando a irregularidade surgir haverá sempre quem esteja encarregado de a repor.

Todavia, como o Sporting vai ter de jogar a Liga dos Campeões, ainda é cedo para se saber com que Sporting se vai poder contar durante a época. Uma coisa, porém, é certa: eles estão dispostos a investir o que for necessário e onde for necessário para ganhar o campeonato. Tanto o presidente como o treinador têm a “cabeça a prémio” se não ganharem!

Quanto ao Benfica, no meio de tanta desgraça (Jonas, Jardel, Jiménez, Rafa, Mitroglou lesionados) e de algumas decisões incompreensíveis, como a venda de Renato Sanches, a boa notícia é a grande exibição que o Benfica fez em Arouca, principalmente na primeira parte.

Salvo para o jornalista do Correio da Manhã, que classificou Renato Sanches como o pior jogador português no Europeu de França, e para outros que por lá, ou nas proximidades, andam, a exibição do Benfica em Arouca foi excelente, talvez até melhor do que os primeiros vinte minutos da supertaça contra o Braga, não passando o resultado final de uma pálida imagem do que se passou em campo.

Rafa esteve brilhante – alguém vai ter de sair para ele entoar – e Gonçalo Guedes é um “menino de ouro”, que vai ter de jogar em todos os jogos. A jogar como em Arouca, mesmo tendo em conta a ineficácia concretizadora – algo que acontecerá uma vez ou duas, mas não acontecerá sempre a quem jogue assim – O Benfica não terá em Portugal quem lhe face frente dentro do campo.

Nos três jogos anteriores, houve um – contra o Setúbal – em que o Benfica jogou francamente mal, e nos outros dois jogou sempre o suficiente para ganhar tranquilamente. Brilhante, mesmo0 brilhante, só foi contra o Arouca. Se assim continuar nada haverá a recear. Nem mesmo a “tranquilidade” com o que o Sporting está vivendo a arbitragem…

Não se compreende por que razão tanto Jonas como Jardel foram convocados e jogaram, depois de lesões que exigiam algum cuidado e tempo de recuperação, se na sequência desses jogos voltaram a ficar lesionados. Há aqui uma avaliação que foi mal feita. E isso é indesculpável num clube da dimensão do Benfica…

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

BENFICA SEM SOLUÇÕES


 

DOIS PONTOS PERDIDOS EM CASA À SEGUNDA JORNADA

 

Desde que começou a pré-época que se evidenciavam, jogo após jogo, as insuficiências do Benfica. Um coro de comentadores afectos ao clube e alguns jornalistas incompetentes bem podiam tentar passar a imagem de um super-Benfica alicerçado num grande plantel, mas a verdade é que essa nunca foi a imagem que o Benfica deixou a quem percebe alguma coisa de futebol, depois de vistos todos os jogos da pré-época e os dois primeiros jogos oficiais.

De facto, a posse de bola acumulada pelo Benfica nunca correspondeu a um efectivo domínio do adversário nem a sua perda se traduzia numa pressão imediata e eficaz sobre o adversário com vista à sua pronta recuperação. Pelo contrário, o Benfica demorava muito a reagir à perda de bola e era muitas vezes assediado com perigo pelo adversário quando este a recuperava.

Tudo isto, porque o Benfica sem três peças caves da época passada corre o risco de se transformar numa equipa vulgar. Uma equipa que perdeu rapidez nas transições ofensivas, incapaz de criar roturas nas hostes adversárias, simplesmente mediana nas bolas paradas e com fragilidades nas soluções defensivas.

Foi isto o que se viu durante a pré-época e foi isto que ontem se repetiu no Estádio da Luz contra o Setúbal. Uma equipa que não conseguiu evitar um golo por deficiente posicionamento defensivo e tempo de entrada à bola. Uma equipa que não conseguiu criar uma única situação de perigo em jogadas de bola corrida e que demonstrou sempre muita falta de inspiração nas bolas paradas.

O espectro da derrota pairou sobre o Estádio da Luz, tendo o empate sido alcançado por penalty (Jimenes) quando faltavam menos de oito minutos para o fim do jogo. É certo que o Benfica até poderia ter ganho. Teve oportunidades para isso, mas não ganhou. Nem as jogadas que teriam proporcionado essa vitória seriam suficientes para alterar a análise do jogo e da equipa.

Mais do que aborrecidos, os adeptos saíram do Estádio da Luz apreensivos com o futuro da equipa na prova.

E têm fundadas razões para estarem apreensivos. O Benfica vai pagar bem caro aa venda de Renato Sanches. Inacreditável que um jovem de 18 anos tenha sido sofregamente vendido cerca de seis meses depois de ter despontado. Que o Benfica tivesse de vender Gaitan compreende-se e aceita-se. Que vendesse Sálvio, idem. Agora Renato, não se compreende nem se pode aceitar. Com a lesão de Jonas e sem Renato, o Benfica vai ficar exposto logo no começo do campeonato aos piores resultados. E desta vez a desvantagem dificilmente será recuperável.

Tudo isto se torna ainda menos aceitável por duas razões: primeiro, porque a venda de Renato assenta na arrogância de quem supõe que é a “estrutura” que ganha campeonatos; e depois na ignorância de quem não percebe que uma quarta derrota de Bruno Carvalho e uma segunda consecutiva de Jesus seriam o fim de um e o começo do fim de outro.

Em Maio vamos ver quem tem razão…

sexta-feira, 1 de julho de 2016

RENATO SANCHES, O HOMEM DA SELECÇÃO


CLASSE PURA!
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Durante meses a fio Renato foi atacado pelos comentadores sportinguistas, vilipendiado pelo presidente dos lagartos, desvalorizado pela maior parte dos portistas, a comecar pelo execrável Guedes e o rapaz, o miudo de dezoito anos, a tudo resistiu.

Foi considerado imaturo, violento, pediram se castigos e punições. E o miudo a todos resistiu, demonstando em cada domingo a sua enorme classe.

Veio depois a selecção. Renato foi chamado para participar em dois particulares. Jogou algum tempo, e em ambos os jogos em que participou, tanto no Norte como Sul, de cada vez que pegava na bola…o estádio vinha abaixo.

E logo começa outra campanha, orientada pelos sportinguistas e apoiada por alguns falsos teóricos do futebol, destinada a impedir que o miudo fosse convocado para o Euro de França.

Santos hesita, talvez preferisse não o levar, mas Bernardo Silva esta lesionado e Tiago saído de uma lesão. Tiago, pelo prestigio e pela antiguidade, poder-lhe-ia criar problemas se não fosse titular. Então, para evitar um mal maior, Santos convoca Renato com a intenção de o deixar no banco. O seu protagonismo nnatural não agrada aos patrões da selecção.

E de imediato outra campanha começa : Renato não deve ser titular. Há jogadores com muita mais experiencia [Moutinho] e otros mais entrosados com os colegas convocados [Adrien]. Até Jesus entra no jogo, sentenciando um Renato inexperiente que não deve ser titular.

Nas televisões, falsos teóricos, como C. Daniel, afirmam premptoriamente que Renato não traz nada de novo ao jogo da selecção.
Todo o mumdo , literalmente TODO O MUNDO,  pensa exactamente o contrário destes senhores. Todo o mundo vê que Renato, quando entra, muda por completo o jogo da selecção.
 
Santos está como quer. Tem lá o Renato e só o mete quando muito bem entende, sabendo que, pelo lado do miudo, não serão levantados problemas.

Contra a Croácia foi o que se viu. à medida que Renato brilha, Santos sente-se na necessidade de proteger Ronaldo como estrela da selecção. E vai aqui e ali dando para trás ao Renato.

Cá fora cresce o clamor. Renato é o melhor. Ele tem de jogar sempre. Diz se em Portugal, agora até por alguns comentadores do Sporting, o que se diz no resto do mundo. Os jornais estrangeiros enchem páginas com Renato Santos. A Gazzetta dello Sport e a Marca não poupam elogios. Antigos jogadores, treinadores, jornalistas dizem o mesmo. Numa selecção tao cinzenta, ele é a única estrela reluzente.

Fernando Santos não consegue continuar a resistir. Tem de ceder e põe Renato a titular contra a Polónia nos quartos de final.

Renato marca o golo do empate . Ronaldo falha dois golos. Tem uma exibiçao esforcada, mas sem brilho. Todo o mundo elogia Renato Sanches, novamente considerado o homem do jogo.

Santos, com medo que Ronaldo se ressinta, volta a desvalorizar a participação de Renato, engrandecendo a de Ronaldo…que falhou dois golos, foi muito esforcçdo…mas não deu nas vistas.

E absolutamente espantoso como um miudo de dezoito anos resiste a tudo isto. Quem esta fora fica com a sensaçãoo que Renato nem os ouve. Ele não está lá para competir contra ninguém da selecção portuguesa. Apenas quer jogar e derrotar os adversários.

Grande Renato, és o maior ! Nunca em Portugal se tinha assistido a uma campanha tão bem orquestrada contra um génio do futebol. Tão bem …que ate os árbitros nela participam.

RENATO, porém, a tudo resiste com grande maturidade. E vai continuar a resistir porque ele será dentro de muito pouco tempo o grande talento da selecção portuguesa. Quem não puder aceitar esta realidade objectiva, só tem um caminho a seguir : afastar se e desimpedir a estrada.

FORCA RENATO!

 

 

terça-feira, 21 de junho de 2016

CARLOS DANIEL, RONALDO E O SELECCIONADOR


 

PORTUGAL NO EURO 2016
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Para começar é bom que se diga sem metáforas nem circunlóquios que a selecção portuguesa está a fazer,em França, um mau Euro 2016, frustrando as expectativas de milhões de adeptos que acreditaram num comportamento bem diferente daquele que desde o primeiro jogo tem existido. Portugal tem em risco a participação na fase seguinte da prova se não ganhar o jogo de amanhã. E nada, absolutamente nada, deixa antever que o resultado contra a Hungria tenha que ser diferente dos dois resultados anteriores.

Há jogadores em baixo rendimento, há manifesta incapacidade de pôr em prática um modelo de jogo razoavelmente eficiente e há um seleccionador sem ideias ou, se as tem, sem independência e autonomia suficientes para as pôr em prática.

Carlos Daniel, porventura o comentador desportivo mais bem preparado em Portugal, tem defendido a tese de que o seleccionador deve manter a ideia que trabalhou durante os anos que está à frente da selecção a qual acabará por produzir os resultados esperados. E na execução dessa ideia deve manter a jogar os jogadores em que acredita e que melhor a sabem pôr em prática, que são, como é óbvio, aqueles que têm jogado.

Carlos Daniel, como acredita que o futebol é uma ciência que obedece a critérios estritamente racionais, esquece ou não entra em consideração com o facto de o futebol ser um jogo, logo aleatório, no desenlace do qual intervêm múltiplos factores além dos racionais. Desde logo o factor sorte e depois a atitude, melhor dizendo, o estado de alma dos jogadores que pode mudar muito de um jogo para outro. Além disso há factores de confiança, de camaradagem, de companheirismo, de espírito de equipa que são igualmente importantes, se não mesmo decisivos, para o resultado final, além evidentemente da valia do adversário nas suas múltiplas vertentes.

Carlos Daniel, tal como Jesus, acredita que os jogadores podem ser transformados em simples autómatos de uma ideia de jogo. O facto de um ser muito mais alfabetizado que outro não impede que estejam irmanados na conclusão de que uma correcta interpretação da “ideia de jogo” leva necessariamente ao resultado esperado. Tanto para um como para outro o factor individual conta pouco, seja pela positiva, seja pela negativa e todavia que seria do futebol se por ele não tivessem passado Si Stefano, Puskas, Pelé, Garrincha, Eusébio, Cruyff, Maradona, Zidane e Messi entre tantos outros. Se bem repararem, nunca – mas mesmo nunca – nas suas esquemáticas análises técnico-tácticas dos jogos entra o talento individual do jogador. Pelo contrário, sempre que faz referência à acção individual é para a desmerecer, numa criteriosa escolha do que corre mal.

Enfim, ao recusar-se a comentar e a criticar a prestação de alguns jogadores da selecção portuguesa e a incapacidade (seja técnica, seja de outra ordem) do seleccionador para reconhecer e corrigir essas incapacidades, Carlos Daniel presta um mau serviço à selecção e a todos quanto desejavam um outro desfecho para as cores portuguesas.

Antes de mais, a análise do comportamento da selecção portuguesa (não apenas a deste Euro 2016, mas também das anteriores mais recentes) passa obviamente por Ronaldo. Não pode deixar de passar. Pela sua prestação, pela análise das suas prestações na selecção, pelo seu protagonismo, pelo seu comportamento enquanto elemento do grupo, pela sua influência no seleccionador e na Federação bem como de todos os (grandes) interesses que o rodeiam.

Como a prestação de Ronaldo tem sido muito fraca, embora não muito diferente da que tem tido em fases finais de Europeus e Mundiais anteriores, mais concretamente desde o Mundial da África do Sul (2010), não falta quem aproveite ocasião proporcionado por mais este falhanço para um ataque demolidor ao seu carácter e à sua personalidade, como fez John Carlin, em El Pais de 19 de Junho (ver tradução). 

Mas não é necessário, nem decente, chegar tão longe. Um dia, já muito distante dos tempos de glória da grande equipa do Real Madrid dos anos 50, princípios de 60 do século passado, perguntaram a Di Stefano o que tinha a comentar sobre a personalidade de Puskas, como pessoa, de quem se dizia “cobras e lagartos”. O grande jogador do futebol de todos os tempos foi muito claro. Afirmou que não tinha relações com Puskas fora do campo e, portanto, não se podia pronunciar sobre o que diziam dele. Mas conhecia-o muito bem dentro do campo. Era um jogador brilhante como poucos, inteligente, generoso, altruísta, companheiro, um verdadeiro jogador de equipa. Era essa a imagem que tinha dele. A imagem que construiu a partir do que viveu e sentiu dentro do campo como seu colega de equipa.

É sobre Ronaldo dentro do campo, como elemento de uma equipa, que as críticas, positivas e negativas, devem ser feitas. É evidente para toda a gente que Ronaldo é um super atleta, para o qual a ideia da superação dos seus próprios limites está permanentemente presente. Mas é também óbvio que Ronaldo não é um virtuoso do futebol, não tem a magia dos grandes artistas, nem sequer a inteligência de quem sabe pensar o futebol como um jogo eminentemente colectivo. Durante anos e anos nunca Ronaldo festejou os golos da equipa por que alinhava se não fossem marcados por si. Nunca, durante anos, se viu Ronaldo em campo agradecido a um colega por lhe ter feito um passe de golo ou aplaudir uma jogada magistral de um companheiro de equipa. Vê-se Ronaldo na televisão e percebe-se que ele passa parte do seu tempo mais preocupado com as câmaras, com a imagem que dele transmitem, do que com a sua equipa. Tudo gira à volta de seu enorme EGO, diariamente alimentado por uma enorme falange de aduladores.

Por força dos recordes individuais que bateu, dos títulos individuais que conquistou, Ronaldo (e o seu entorno….) adquiriu no seio da selecção um poder que nunca outro jogador teve. Há a convicção generalizada que o seleccionador não tem qualquer poder de direcção táctica, e muito menos técnica, sobre Ronaldo. Todos os treinadores, depois da sua saída do Manchester, que tentaram interferir no modo de jogar de Ronaldo e sobre o seu posicionamento relativamente à equipa foram mal sucedidos (Mourinho, Carlos Queiroz, Paulo Bento, Benitez). O mesmo se diga dos jogadores que tentaram, mesmo que discretamente, lutar contra o seu excesso de protagonismo.
Com Fernando Santos tudo isto é mais evidente do que com qualquer outro treinador. Fernando Santos não tem qualquer poder de direcção sobre Ronaldo. Nem sobre Ronaldo nem para contrariar o que eventualmente possa não agradar a Ronaldo. A subserviência de alguns, bastantes, jogadores relativamente a Ronaldo é lamentável. O santo e a senha para entrar no lote dos amigos de Ronaldo é não apenas elogiá-lo acriticamente, mas afirmar peremptoriamente que ele é o melhor jogador do mundo. É quase certo que não tem lugar como titular nenhum jogador, por mais brilhante que seja, que não tenha afirmado que “Ronaldo é o melhor do mundo”. E se algum tiver a ousadia de deixar algum juízo objetivo que não agrade ao craque português, logo o clã Aveiro e Jorge Mendes se encarregarão de o anatemizar.

Fernando Santos exibe perante os jornalistas uma arrogância como treinador da selecção que nunca teve como treinador de clube. Quanto mais se deixa enredar pela “ronaldodependência” mais afirmativo se torna relativamente objectivos e metas que não tem qualquer hipótese de alcançar. É um fenómeno de compensação bem conhecido…mas nem por isso deixa de ser um pouco ridículo.

Quanto à selecção, é certo que o segundo jogo foi aparentemente mais bem conseguido que o primeiro, embora com a mesma ineficácia e completa ausência de criatividade no meio-campo ofensivo. Quanto a Ronaldo não há que estranhar, com excepção do penalty falhado, ele precisa sempre de fazer muitos remates para marcar um golo. Já o mesmo se não deverá dizer dos restantes jogadores que igualmente desperdiçaram várias oportunidades. Grandes equipas são as que aproveitam as oportunidades que surgem e não as que apenas as criam. Não é com oportunidades criadas que se ganham jogos. É com golos!

William esteve melhor do que Danilo. Sem ter sido criativo – isso, ele nunca é – esteve mais presente no jogo, adiantou-se mais no terreno e não falhou passes. Teve a seu favor não ter de defrontar avançados tão poderosos como os que Danilo encontrou pela frente no primeiro jogo e também o posicionamento ofensivo da equipa da Áustria que lhe concedeu mais liberdade para se adiantar. João Moutinho, ridiculamente considerado o “homem do jogo” pela UEFA, mais uma vez esteve mal. Mal no sentido de não dado nenhum contributo positivo à equipa: um passe, um rompimento das linhas adversárias, uma presença na área. Nada. Não se compreende por que razão continua a jogar como titular. Ninguém que perceba um mínimo de futebol compreende esta insistência em Moutinho!

João Mário continua ausente. Incompreensivelmente ausente. André Gomes, mais uma vez, o melhor da linha média. Na frente, ficou provado que só podem jogar dois, embora a dúvida seja quem deverão ser esses dois. De Ronaldo não há que esperar muito mais. Com excepção dos jogos de “play-off” contra aa Suécia, para o apuramento do Mundial do Brasil, nunca Ronaldo foi uma figura absolutamente decisiva nos jogos da selecção. É certo que em 127 jogos marcou golos, tem o record absoluto de golos na selecção, mas está muito longe de ter o record em termos relativos. Sendo certo que no jogo de amanhã Ronaldo vai jogar qualquer que seja a forma em que se encontre, Quaresma deverá sair entrando porventura Rafa para o lugar de João Mário. Quanto ao resto não é de crer que haja mudanças.

Fica-se, porém, com a impressão de que se trata de um simples remendo. De facto, a ausência de um verdadeiro ponta de lança, a recusa em fazer alinhar um “oito” ofensivo, a fraca forma física de Ronaldo condicionam a estrutura da equipa e a sua movimentação em campo. Nada nos permite, portanto, esperar grandes diferenças.

Renato Sanches não jogará certamente. Entre outras razões por que nunca disse que “Ronaldo é o melhor jogador do mundo!”. Faz bem Renato em não dobrar a espinha. O futuro será seu. Na selecção e fora dela. Oxalá nunca perca a cabeça nem se deixe jamais apanhar pelo vedetismo…

 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

SELECÇÃO: AS MUDANÇAS QUE SE IMPÕEM


 

SÁBADO, CONTRA A ÁUSTRIA
Crossed-Flag-Pins Portugal-Austria

 

Vai haver mudanças no jogo contra a Áustria do próximo sábado. O seleccionador já o admitiu. Falta saber que mudanças. E se são as que se impõem, depois do que se viu contra a Islândia, ou se serão meramente cosméticas para atender aa alguns interesses de ocasião.

Não tenho ouvido os comentários da SIC nem da TVI, nem mesmo os da Sport TV e da BTV, se é que esta última os faz, pelo não posso comentar o que nestas estações tem sido dito sobre o jogo da selecção. Apenas tenho seguido os comentários da RTP. E confesso que não posso deixar de manifestar a minha surpresa pelo que tenho ouvido. A seguir ao jogo contra a Islândia, dois dos comentadores mais influentes (Carvalhal e Carlos Daniel) deram a entender (ou mais do que isso) que o problema da selecção não estava nos jogadores, deixando subentendido que o “falhanço” era do treinador. Marco Silva, mais cauteloso, “politicamente correcto”, foi tendo aquela conversa que de nada serve: “O treinador é que sabe o que pediu aos jogadores e a situação em que os mesmos se encontram”. Todavia, à medida que o programa decorria começou a ser evidente que a responsabilidade do acontecido também não era do seleccionador. Se não era do seleccionador nem dos jogadores, de quem seria afinal? No dia seguinte, no mesmo programa, Manuel José, sempre tão directo, também alinhou mais ou menos na mesma conversa, salvo no que respeita a Ronaldo. Com a agravante de este segundo programa pós jogo ter a presença de Miguel Guedes – o execrável Guedes do Trio de Ataque. Antes de mais, é caso para pergunta: Que faz Guedes no programa? Se o programa é para falar tecnicamente de futebol, o que faz lá Guedes? Só se for para denegrir Renato Sanches ou qualquer outra coisa que “cheire” a Benfica…

Deixando de lado o que pensam ou dizem estes comentadores, que se têm a si próprios como o supra-sumo do comentário futebolístico, vamos então abordar aas mudanças que se impõem.

Na defesa, a única alteração que poderia justificar-se era a de Pepe por José Fonte. Pepe tem causado muitos problemas à selecção. É um jogador, a justo título, marcado pelos árbitros, perde com relativa facilidade a compostura e muito facilmente compromete a selecção, como aconteceu no último Mundial. A selecção só ficaria a ganhar se fosse substituído. Vieirinha pode ser substituído por Cedric mas a selecção não ganha nada com isso. Perde um atacante razoável e não ganha nada na defesa.

Na linha média terá de haver profundas alterações. Seja por culpa do seleccionador ou dos jogadores, é óbvio que o sector esteve muito aquém do pretendido. E como o seleccionador não pode ser mudado, as mudanças terão de recair sobre os jogadores. Assim, Danilo vai ser um dos sacrificados. Provavelmente vai entrar para o seu lugar William Carvalho. Provavelmente, não se ganhará nada com a mudança, mas é uma alteração que terá de acontecer depois de tudo o que se disse de Danilo. Moutinho tem de ser substituído por Renato Sanches. É mais que óbvio que Renato é hoje um jogador imprescindível no meio campo. Quanto aos alas, João Mário deve continuar. Deve ter mais uma chance, podendo do outro lado manter-se André Gomes ou ser chamado Rafa.

Na frente só podem jogar dois. Se Quaresma está em forma e com muita vontade de jogar, como parece que está, talvez seja de lhe conferir a titularidade, em detrimento de Ronaldo que não está bem, precisa de descansar, não sendo nada conveniente a sua utilizaação nas condições em que se eencontra, como se viu há dois anos no Brasil. E do outro lado começar com Nani.

Estas seriam as alterações que um treinador independente, que pensasse pela sua própria cabeça, muito provavelmente faria. Mas não é o caso, Fernando Santos, como outros antes dele, tem um raio de acção muito limitado. Não pode tocar em Ronaldo nem em nenhum daqueles jogadores que proclame aos quatro ventos que “Ronaldo é o melhor do mundo”. Essa a razão por que as alterações vão ser meramente cosméticas. Provavelmente sairá Danilo, talvez também Vieirinha e na linha média João Mário ou André Gomes para entrar Quaresma, alterando-se a estrutura da equipa tal como foi concebida pelo próprio seleccionador.

Esperemos para ver…

quarta-feira, 15 de junho de 2016

A SELECÇÃO PORTUGUESA NO EURO 2016


 

O EMPATE COM A ISLÂNDIA
 
fsantos

 

Criou-se a ideia de que Portugal tinha uma grande selecção capaz, inclusive, de vencer o torneio europeu que se está disputando em França.  Trata-se de, todavia, de uma ideia assente numa avaliação exagerada das capacidades da selecção.

Portugal, integrado num grupo de apuramento relativamente fácil, fez uma campanha normal, face às selecções em presença, sem nunca deslumbrar.

Em França, na fase final do Europeu, Portugal volta a estar integrado num grupo aparentemente ainda mais fácil. De facto, nem a Islândia, nem a Hungria, nem a Áustria, têm, nestes últimos quinze anos, marcado presença ou dado nas vistas nas grandes montras do futebol mundial, tanto a nível de clubes, como de selecções. O que não quer dizer que não possam ter equipas muito competitivas na prova em curso.

Aliás, é bom lembrar que a Áustria fez uma fase de grupos extraordinária, melhor que a Espanha, a Alemanha, a Itália e Portugal, apenas suplantada pela Inglaterra que ganhou todos os jogos. Por outro lado, a Islândia apurou-se em segundo lugar num grupo do qual fazia parte a Holanda, que foi eliminada. Portanto, a ideia de que a equipa portuguesa tinha uma passadeira vermelha estendida para alcançar a fase seguinte, era uma ideia que tinha de ser confirmada no campo, em cada jogo. Sabia-se-se de antemão que os jogos contra a Áustria e a Islândia seriam difíceis, adivinhando-se mais fácil o jogo contra a Hungria, que acabou, como se sabe, de derrotar a Áustria, complicando as contas do grupo.

No jogo de ontem, contra a Islândia, cedo se percebeu que a selecção portuguesa iria defrontar uma equipa difícil, muito competitiva, que privilegiaria o jogo directo, através de lançamentos longos, procurando tirar partido das “segundas” bolas por força da sua mais bem apetrechada compleição física.

Perante este quadro, que era ou deveria ser esperado, a selecção portuguesa teria de saber penetrar na estrutura da equipa adversária, procurando por meio dessas brechas impor o seu jogo. Acontece que a selecção raramente foi capaz de fazer isto. Os médios contornaram a equipa da Islândia, sem nunca verdadeiramente a penetrar.

Danilo, como “seis”, pouco adiantou relativamente a William Carvalho. Tal como o sportinguista, foi lento, pouco ou nada criativo, jogou sempre muito recuado e, apesar disso, nas poucas vezes em que poderia ter tirado vantagem desse recuo, não estava lá.

Os demais médios também estiveram muito mal, com excepção de André Gomes, que começou bem e foi depois piorando sempre até sair. Dos três (Moutinho, João Mário e André Gomes), Moutinho foi de longe o pior. Há muito que Moutinho está jogando pouco. Explicando melhor: com excepção de dois dos anos passados no Porto, nunca Moutinho jogou mais do que joga agora. E agora joga pouco, sendo óbvio que não tem lugar na equipa, a ponto de se dever questionar a sua convocação. João Mário, estranhamente, tarda em reaparecer. Quem desconhecesse a época que fez este ano no Sporting, perguntaria o que estava aquele rapaz a fazer na selecção. André Gomes começou bem, foi único que tentou penetrar na organização da equipa adversária, mas, muito contagiado pelo que via à sua volta, acabou, tal como os outros, por desaparecer da equipa. Não é, portanto, por acaso que os três foram substituídos.

Na defesa, Rui Patrício esteve bem, defendeu o que tinha de defender, nada podendo fazer no golo sofrido. O mesmo se diga dos laterais, embora Guerreiro tenha estado melhor do que Vieirinha. No centro da defesa, Pepe voltou a comprometer a equipa. Lutou, algumas vezes a raiar a violência, outras fazendo-se de palhaço, mas acabou por ter grandes culpas no golo sofrido por, com a sua movimentação, ter desorganizado a defesa portuguesa. Ricardo Carvalho esteve bem melhor.

Contudo, o grande problema da defesa não consiste na prestação individual dos seus componentes, mas na sua organização como bloco, fundamental para a estruturação da equipa, tanto em acções defensivas, como na primeira fase de construção do jogo. Defensivamente, o modo como o bloco se comportou é de tal modo lamentável que dificilmente poderá deixar de se imputar ao treinador essa deficiência. O posicionamento dos defesas no golo sofrido pertence à pré-história do futebol. Como pode na segunda década do século XXI posicionar-se naqueles termos o bloco defensivo? A defesa tem de acompanhar a linha da bola, mantendo-se nela sem aquelas tontas movimentações em que Pepe incorreu e, por culpa dele, Vieirinha. Por outro lado, apesar do constante recuo de Danilo, nunca os centrais foram capazes de iniciar uma penetrante jogada de construção, salvo, uma vez, em Pepe que colocou nos pés de Ronaldo uma bola de golo que Ronaldo desperdiçou com um pontapé em falso.

Tudo isto é da responsabilidade do treinador, como também é da sua responsabilidade a inépcia, por falta de ideias, de toda a linha média.     

Na frente, Nani esteve bem melhor do que é habitual, sem deslumbrar, mas demonstrando grande eficiência no golo e no remate de cabeça que o guarda-redes adversário defendeu brilhantemente. Já Ronaldo esteve igual a si próprio. Ou seja, vulgar se a equipa se vulgariza ou é vulgar. Ronaldo nunca foi um jogador de agarrar o jogo e transformá-lo. Não tem essa mestria, nem se pode esperar isso dele. Ronaldo tem de ser servido e tem sempre de se contar que precisa de várias oportunidades, em regra quatro, excecionalmente três, para marcar um golo. Se a linha média não jogar, se não produzir jogo, Ronaldo passa à margem do jogo, como quase sempre tem acontecido na selecção. No Manchester United e, principalmente, no Real Madrid, isso não acontece porque são (ou foram) equipas com grandes jogadores, que possibilitam, com a sua acção, potenciar todas as qualidades de Ronaldo. Essa a razão por que ele não rende na selecção.

Veremos se a substituição (que se impõe) da linha média no jogo contra a Áustria poderá trazer algo de novo, já que da parte do treinador não se poderá esperar que tenha ideias muito diferentes das que até agora tem posto em prática.

Para terminar, uma palavra sobre a Islândia, que fez um excelente jogo, dentro daquilo que era o seu plano de jogo. Desmerecer na prestação da equipa islandesa é não compreender o que se passou. E isso é mau pelo que prenuncia relativamente ao futuro.

terça-feira, 31 de maio de 2016

OS COMUNICADORES DO SPORTING DESCOBREM QUE SÃO INCOMPETENTES




JESUS DIZ, EDUARDO BARROSO REPETE

Jesus descobriu, finalmente, a razão do seu inêxito. Contrariamente ao que supunha o embevecido Rui Santos, o Sporting não perdeu o Campeonato por culpa das arbitragens, o Sporting perdeu o campeonato por mérito da implacável máquina de comunicação do Benfica.

Disse-o Jesus no ameno bate-papo que teve com Rui Santos e a partir de agora jamais alguém ousará atribuir outra causa à perda do campeonato. Nem o empedernido Inácio, nem o mercenário Octávio, nem qualquer empregado ou comentador do Sporting ousará pôr em causa esta verdade absoluta, proferida pelo infalível Jorge Jesus, o cérebro dos cérebros, o grande condutor de Ferraris!

O primeiro a convencer-se da sua incompetência foi Eduardo Barroso. Eduardo Barroso que ostenta outros títulos além de comentador do Sporting, como o de cirurgião e ao que se diz de doutorado em medicina, não tem dúvidas em subscrever sem reservas o “veredicto” do seu amado guia e condutor! De facto, não obstante as suas qualificações, Barroso deixa-se avaliar pela bitola de Jesus e concorda com ele a cem por cento. Não há nada como ter génios por perto, criadores, inovadores para tornar mais evidente a nossa pequenez. Quando isso acontece, quando se tem a rara felicidade de ter um exemplar destes por perto, todos os demais títulos e qualificações se apagam para deixar falar o génio.

E por isso, diz Barroso, repetindo Jesus: “ Tiro o meu chapéu à comunicação do Benfica. A coesão e a união provocadas pelo clima de guerra civil contra nós desencadeado, e não o trabalho apuradíssimo, foram as razões que levaram o melhor desta época ficar em segundo”.

Jesus pode não ser um génio, mas quando se tem por perto alguém que diz isto, é natural que qualquer ser minimamente racional se considere um génio. O confronto é confrangedor!

Esta da comunicação do Benfica é a última coisa que se esperaria ouvir. Como toda a gente sabe, O Sporting, primeiro por intermédio de Jesus e depois pelo presidente, desencadeou uma verdadeira batalha verbal contra o Benfica desde a Supertaça. As “bocas” de Jesus antes e depois do jogo; as provocações a Jonas no próprio terreno de jogo; o famigerado facebook de Bruno de Carvalho sempre insultuoso e agressivo; as desqualificações de Rui Vitória (descerebrado e sem mãos para o “Ferrari”, etc.); a provocação dos vouchers; os insultos à arbitragem, enfim, um nunca mais acabar de “bocas” e “dichotes” de mau gosto, desde Agosto a Maio.

Para além destes dois, Rui Santos, duas vezes por semana, acolitado por um tal João, intrigava, mentia, insinuava, tentando por todos os meios desqualificar o Benfica; e também o empedernido Inácio, de inteligência pobre e obediência rica, dizendo como sabia o que lhe mandavam dizer; Oliveira e Costa, embora relativamente distanciado dos “institucionais”, destilando por sua conta e risco anti-benfiquismo primário; e também Rogério Alves, um papagaio falante, desdobrando-se em pseudo-argumentos e falácias para atacar o Benfica; e ainda José Pina, o palhaço triste, tentando fazer o seu papel.

Além destes, Octávio, actuando como um “rottweiler” furioso contra o Benfica; e para concluir a “turma” dos sportinguistas “independentes” na RTP (Tadeia, entre outros), na TVI (Fernando Correia, José Manuel Freitas), na SIC (João Rosado, o mais decente de todos), e muitos outros na radio e na imprensa.

Comunicação e comunicadores foi o que não faltou ao Sporting! O que faltou ao Sporting foi vencer o play off de acesso à Liga dos Campeões; foi fazer uma prestação aceitável na Liga Europa, onde perdeu mais jogos do que aqueles que ganhou, alguns com equipas que ninguém conhece; o que faltou ao Sporting foi eliminar equipas da segunda divisão na Taça da Liga; foi não ser eliminado na Taça de Portugal. O que faltou ao Sporting foi ganhar ao Benfica no jogo decisivo do campeonato. O que faltou ao Sporting foi ter ganho QUALQUER COISINHA esta época. Isso é que faltou ao Sporting.

Apesar desta sucessão de derrotas os sportinguistas estão muito contentes. Até atribuem prémios a Jorge Jesus e eles próprios consideram-se os maiores. Ainda bem que assim . Eles não têm mentalidade de equipa pequena, eles são equipa pequena! Eles só comemoram derrotas!

Mas há agora um desenvolvimento da “tese” de Jesus, hoje veiculado por Zé Pina no Prolongamento. “O Sporting teve excesso de comunicação”, diz Pina.

Se este for o desenvolvimento da “tese” de Jesus, o que este desenvolvimento quer dizer – independentemente de o Pina o saber ou não – é que o presidente na próxima época tem de estar calado. O presidente e os que ele manda falar. Por outras palavras, Jesus culpa o presidente e a sua gente do insucesso.

Vamos lá ver se o presidente obedece ou não a Jesus. Aparentemente, já está a obedecer, sendo porventura essa a razão por que ninguém no Sporting comentou a condenação de Pereira Cristóvão que, a confirmar-se na instância de recurso, fará reabrir o processo desportivo que poderá ter como provável consequência a descida de divisão do Sporting

terça-feira, 24 de maio de 2016

A SABUJICE DE RUI SANTOS E DE UM TAL JOÃO PERANTE JORGE JESUS




UM EPISÓDIO DO FUTEBOL PORTUGUÊS



Não tinha ainda visto, embora já tivesse ouvido falar, na pseudo-entrevista do sr. Rui Santos e de um tal João a Jorge Jesus na SIC Notícias. Só hoje pude, com indisfarçável relutância, assistir ao triste espectáculo proporcionado pela SIC.

A primeira questão que obviamente se coloca é a seguinte: quem é o sr. Rui Santos na SIC? Como se compreende que uma estação de televisão proporcione a um intriguista profissional, a um anti-jornalista um espaço televisivo de tão longa duração? Durante a semana o sr. Rui Santos participa no Play-Off, programa de comentário a cargo de ex-futebolistas, e no Tempo Extra em que debita as suas mentiras e os seus processos de intenções acolitado, em jeito de ponto, por um tal João. Como se explica? É a SIC naqueles programas não uma estação de televisão, mas uma simples “Barriga de aluguer”? De quem são os programas? Da SIC ou do sr. Rui Santos, que, nesse caso, pagará à Sic o aluguer do tempo de antena?

Se o sr. Rui Santos não fosse o tal da “Mentira desportiva” valeria a pena fazer-lhe a pergunta. Assim, não adianta, nem a ele nem ao tal João. Mas adianta fazê-la à SIC que tem a obrigação deontológica de a ela responder. Infelizmente, vamos ficar sem resposta mais uma vez. Quem aposta e joga na mistificação não pode responder a perguntas simples.

Pois bem, a dita “pseudo-entrevista” é de bradar aos céus. Nada a opor se ela tivesse sido feita no Canal do Sporting ou se tivesse sido anunciada como tempo de antena do Sporting. Mas não foi. O sr. Rui Santos e o tal João apresentam-se como sendo aquilo que realmente não são e ai é que está a batota.

Todavia, o resultado final é deplorável. Não tanto por Jorge Jesus, que é igual a si próprio, detentor de um EGO sem limites, convencido de que é único. Quanto a isso nada a dizer diferente daquilo que toda a gente já sabe e que aqui desde há, pelo menos, sete anos tem vindo a ser reflectido neste blogue.

O único aspecto que poderia ser sublinhado é o de mais uma vez ter mentido para se esquivar a uma situação difícil. Referimo-nos à desconsideração pública de Rui Vitória. Jesus não disse o que disse por ter sido induzido em erro por um jornalista, Jesus disse o que disse porque estava e está plenamente convencido da sua imensa superioridade. E depois, porque junta a esse seu convencimento, o tal toque rufia que nunca o larga. De facto, Jesus mente ao desculpar-se com o jornalista. Rui Vitória tinha falado 24 horas antes e as suas declarações tinham passado abundantemente em todas as televisões, estações de radio e imprensa escrita. Jesus não poderia deixar de as conhecer, diga ele o que disser.

Mas deixemos Jorge Jesus e voltemos ao sr. Rui Santos. O que mais impressiona, o que mais sobressai no tal comentador que se diz (mentirosamente) independente é o ar perfeitamente babado com que fala com Jesus. Toda a entrevista é feita com um tal grau de admiração que a todo o momento se estava à espera que a baba lhe escorresse pela boca numa manifestação de apreço e de idolatria raramente vistas.

Não vale a pena sequer passar em detalhe os passos da conversa. Basta referir duas ou três situações para se perceber o tipo de conversa havida com Jorge Jesus. O sr. Rui Santos evitou cautelosamente qualquer alusão à carreira europeia do Sporting, bem como à carreira internacional de Jorge Jesus. Não podendo deixar de saber que Jesus é um treinador essencialmente doméstico, o sr. Rui Santos evitou colocá-lo perante essa evidência. Foi preciso que um telespectador levantasse a questão para ela pudesse ser ao de leve abordada. Questão da qual o sr. Rui Santos saiu logo que pôde.

A segunda tem a ver com a atribuição do “troféu” de melhor treinador do ano a Jorge Jesus, tanto quanto se percebeu por decisão do sr. Santos. Nos critérios usados pelo sr. Santos só entravam os jogos do campeonato – Ligas europeias, Taça de Portugal e Taça da Liga, nada! Mas há mais: as vitórias não valem todas os mesmos pontos: as vitórias fora valem mais e os golos marcados fora, também. Enfim, uma montagem que ilustra na perfeição a personalidade do sr. Santos.

Terceira e última nota: estava o sr. Santos todo embalado para concluir com a conivência (supunha ele) de Jorge Jesus que as arbitragens tinham sido decisivas para a vitória do Benfica no campeonato, quando este, para seu espanto, lhe diz: “ O que estou a falar não tem nada a ver com arbitragens!”. O sr. Santos, um biltre como não há segundo, não percebeu duas coisas. Primeiro, que Jorge Jesus pode ser muitas coisas mas não é burro; segundo, que não se deixa cegar pela paixão clubista que é coisa que ele não tem. A sua paixão é por ele próprio. E foi por não ter percebido isto a tempo e horas que o sr. Santos ficou com aquela cara sem vergonha que o caracteriza, perante a resposta de Jesus! Mas como desavergonhado que é, passou rapidamente para outro assunto como se nada tivesse acontecido. Ele que tinha preparado a conversa para evidenciar aquela conclusão viu-se desmentido pelo seu idolatrado Jorge Jesus!

Que nojo, sr. Santos, você causa às pessoas normais!

SANGRIA NO BENFICA?




O QUE PRETENDE VIEIRA?

Causa a maior perplexidade a “sangria” que diariamente os jornais vão anunciando da equipa campeã. Além de Renato Sanches e de Gaitan, já vendidos, diz-se que Vieira foi à China negociar Jonas e Talisca e que além destes estarão de saída Ederson e Lindelöf. Que há boas propostas por Jardel, que Carcela também deverá sair, que Carrillo será vendido sem nunca ter envergado a camisola do Benfica e, quem sabe, porventura outros, se houver propostas.

A primeira pergunta que ocorre fazer é a seguinte: afinal o que é o Benfica? É um clube de futebol, o maior de Portugal e um clube com grande projecção europeia e mundial ou é, muito pura e simplesmente, um mero entreposto de compra e venda de jogadores?

É isto que o presidente do Benfica tem de explicar aos sócios e adeptos do Benfica. Qual é a estratégia da direcção do Benfica? É vender, sempre que haja uma proposta? Ou é manter uma equipa vencedora?

O presidente do Benfica dispensa-se de dar explicações. Age como se fosse dono do clube e seu senhor absoluto. Alguns benfiquistas, indispostos com estas considerações (apenas porque estão a ganhar), já vieram a este blogue explicar a estratégia da direcção. Dizem eles, o objectivo da direcção é reduzir ou extinguir a divida, vendendo muito rapidamente tudo o que houver para vender, de modo a que as verbas que o Benfica gasta anualmente no seu serviço possam ser aplicadas no pagamento de uma massa salarial (de um plantel) compatível com a categoria do Benfica.

Em primeiro lugar, é preciso dizer que esta explicação nunca foi apresenta por nenhum responsável do Benfica; e em segundo lugar, que ela é rotundamente desmentida pelos factos: o Benfica tem vendido muito e caro e a dívida não tem deixado de crescer. Portanto, há aqui qualquer coisa que não bate certo.

O primeiro sinal altamente preocupante é o montante da dívida do Benfica. Um montante que só pode ser sinónimo de má gestão. O segundo sinal, que as considerações antecedentes parecem confirmar, é o de que o serviço da dívida do Benfica (entenda-se por serviço da dívida os juros e as amortizações devidos em cada ano) é muito mais pesado do que se poderia supor ou esperar. Por comparação, até parece ser mais pesado que o do Sporting, a confirmar-se a notícia de que os seus principais “activos” só sairão pela cláusula de rescisão.

De facto, a “conversa” de que o negócio com a “NOS” teria por objectivo reduzir a zero a dívida parece não passar de isso mesmo: de uma simples “conversa”. Se esse fosse o objectivo e se o negócio fosse tão importante e vantajoso como o pintaram, como se explica então que exactamente no ano em que o contrato vai entrar em vigor o Benfica se proponha vender mais de metade do plantel? E logo o mais valioso?

Há aqui qualquer coisa que não bate certo…

Apesar das grandes vitórias alcançadas este ano e da brilhante participação na Liga dos Campeões é bom que ninguém despreze a conjugação de dois factores que, a não terem ocorrido, poderiam ter feito com o que o desfecho da época fosse completamente diferente. São eles: a lesão de alguns jogadores, nomeadamente dos mais idosos, e o simultâneo aparecimento de três jovens que alteraram radicalmente o rumo do campeonato: Renato Sanches, Ederson e Lindelöf.

Dir-se á: apareceram porque estavam na formação. Certamente. Mas três jovens jogadores como aqueles dificilmente aparecem numa década quanto mais todos os anos…

Em conclusão: que Gaitan tenha sido vendido, compreende-se. Esteve seis temporadas no Benfica e a sua presença no plantel durante seis épocas mais que rentabilizou o investimento nele feito. Agora que Jonas, um jogador que entrou no Benfica a custo zero e que em duas épocas marcou mais de 50 golos, seja vendido “apenas para fazer dinheiro”, quando estava em condições de render mais duas, é absolutamente incompreensível. Seriam os 20 milhões mais caros da história recente do Benfica. E quanto ao jovens já dissemos noutro post como é ainda mais incompreensível a sua venda.

Quanto ao mais, é bom que ninguém se esqueça que uma grande equipa não se faz com jogadores inexperientes, sem provas dadas, nem com jogadores que já atingiram o seu “prazo de validade”. Pode custar ver sair do Benfica jogadores que já deram (e receberam) muito ao clube. Infelizmente, é a lei do futebol. Assim aconteceu sempre – aconteceu com Eusébio, com Coluna, com José águas, com Nené, com Chalana e tantos outros – e assim continuará a acontecer. Retardar esse momento é uma decisão que se paga caro!

Na última sexta-feira, o Benfica venceu brilhantemente mais um título derrotando o Marítimo por 6-2, em Coimbra, na final da Taça da Liga. Uma vitória concludente, que igualmente serve para comprovar o que acima se disse acerca da conjugação de factores que levou o Benfica ao TRI!