segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

BENFICA – SINAL VERMELHO


OS DOIS PRÓXIMOS JOGOS

Dois do últimos jogos do Benfica deixaram uma angustiante dúvida nos adeptos sobre como se comportará a equipa nos dois próximos importantíssimos jogos em que se decidirá a permanência na Liga dos Campeões e a liderança do campeonato.

Tanto o jogo de Istambul como o da Madeira deixam legítimas apreensões. Na Turquia, estando o Benfica à beira de construir um resultado histórico e de assegurar o apuramento para a continuação na Liga dos Campeões, assistiu-se à queda da equipa em consequência de erros defensivos inaceitáveis. Se é certo que o primeiro golo do Besiktas foi um excelente golo, também é verdade que o seu autor agiu dentro da área, na sequência de um cruzamento, sem a menos oposição. Todavia, um golo do adversário quando se tem uma vantagem de três não é, na esmagadora maioria dos casos, nada de muito importante. Pode até proporcionar a marcação do quarto já que o adversário nestas circunstâncias tem tendência a desguarnecer a defesa na ânsia de alcançar o segundo golo. E o Benfica estava a conseguir segurar o jogo, tanto assim que entre o primeiro golo e a marcação do segundo mediaram quase trinta minutos! Todavia, esse segundo golo acontece em consequência de um erro inadmissível de Lindlöf, que jogou desnecessariamente a bola com a mão no extremo limite da grande área, para cortar uma jogada, que não levava qualquer perigo, a que por deficiência de posicionamento não chegou com a cabeça.  Depois do segundo golo,  que expressava uma brilhante recuperação do adversário e com poucos minutos para jogar num ambiente adverso, era de prever que o golo do empate aparecesse, como apareceu perto do fim do jogo. Entre o segundo e o terceiro golo, a esquipa desorientou-se por completo, cometeu erros em série e mais uma vez Lindelöf, de parceria com Eliseu, se revelou incapaz, novamente por erro de posicionamento, de cortar um cruzamento que nunca deveria ter chegado, principalmente como chegou, aos pés do adversário.

Depois de dois jogos simples, ambos em casa, para competições diferentes, o Benfica iria ter novo teste frente ao Marítimo, no Funchal, para o campeonato. E novamente num teste importante, a equipa falhou. Falhou outra vez no plano defensivo; falhou na concretização; e falhou na estabilidade emocional.

No plano defensivo, tem de se dizer que tendo sido os centrais, nos últimos anos, o grande baluarte defensivo do Benfica, eles são hoje um grande problema, pelo menos, nas duplas que têm sido testadas.  De facto, em Nápoles, com a dupla Lisandro/Lindlöf, foi Lisandro quem falhou. Falhou, mas tinha sido importante no jogo contra o Tondela como importantíssimo foi no jogo (para esquecer) com o Porto. Depois deste jogo, Lisandro, sem que nada o justificasse voltou a sair para não mais entrar. Entrou Luisão que no primeiro grande teste, contra o Nápoles, não conseguiu estabilizar a defesa e que na passada sexta-feira foi o responsável pelo primeiro golo do Marítimo e também não foi capaz de acudir, por falta de velocidade, àquele que poderia ter sido o segundo. Aliás, neste lance é incompreensível como após a primeira defesa de Ederson, o jogador do Marítimo, face a quatro jogadores do Benfica, tem tempo suficiente para fazer sem oposição um novo remate muito bem colocado  que só não foi golo por Ederson ter correspondido com uma nova e excelente defesa.

Depois de assegurado o empate, o Benfica dispôs de oportunidades para marcar, mas nem Mitroglou, nem Sálvio, nem Rafa, nem jiménes tiveram o discernimento suficiente para o fazer. E aqui notou-se, como antes nunca se havia notado, a falta de Jonas! A somar a esta ineficácia juntou-se a inoperância defensiva que novamente se manifestou ao voltar a ser a ser incapaz de controlar uma bola cruzada, desta vez de canto. Tanto André Almeida como Lindlöf foram incapazes de cortar a bola ou de estorvar a acção do avançado maritimista.

Finalmente, foi por demais notória a perda de estabilidade emocional da equipa que, perante o anti-jogo do Marítimo, nada mais foi capaz de fazer do que lançar, sem nexo nem critério, bolas pelo ar para a entrada da área adversária, sistematicamente perdidas no confronto com a defesa insular.

Perante este quadro, a pergunta que se coloca é esta: que Benfica vamos ter contra o Nápoles? Contra um Nápoles a quem o empate serve para passar e que sabe jogar como poucos no contra-ataque. Não parece, francamente, que a defesa deva ficar incólume, isto é, inalterada. Se é certo que do lado esquerdo pouco há a fazer (a menos que Lindlöf pudesse desempenhar esse lugar), no centro há que fazer mexidas. Luisão não tem condição para jogar partidas como a que vai disputar-se contra o Nápoles. Se Rui Vitória continuar a insistir no erro, vai seguramente pagá-lo caro. O ideal seria jogar com Jardel sobre a esquerda e Lindlöf ou Lisandro sobre a direita. Se Jardel não estiver em condições (que estranha lesão a sua…), o melhor será alinhar com o sueco e o argentino.

Na frente, Rafa tem de saber que muito mais importante do que marcar um golo pelo Benfica é que o Benfica marque golos seja quem for quem os mete. Rafa não foi capaz de concretizar na hora própria contra o Moreirense e quando o tentou fazê-lo já se sabia que o não conseguiria. Por acaso a bola foi ter com o pés de Jiménez …e tudo se resolveu. E na Madeira voltou a não marcar, não obstante a oportunidade de que desfrutou.

Para o Benfica, o jogo contra o Nápoles é um jogo importantíssimo porque decide a continuidade na Liga dos Campeões. Se o Benfica não conseguir o apuramento, para além do prejuízo que daí resulta, há as consequências anímicas da derrota. Anímicas para equipa que fica de rastos e anímicas para o Sporting que virá à Luz moralizadíssimo convencido de que a vitória está garantida.

Não se pense que o Sporting tem nessa mesma semana um jogo igualmente importante em Varsóvia, contra o Legia, porque não tem. Para o Sporting, e principalmente para Jesus, esse jogo nada representa. E para os seus adeptos também não. Jesus que só uma vez passou, como treinador, a fase de grupos da Liga dos Campeões, não está interessado em disputar a Liga Europa, não por ser uma competição menor, mas para não ter a equipa envolvida em duas competições exigentes, uma vez que  o seu único objectivo é a vitória no campeonato. Além de que tendo já comemorado, como “vitórias”, quatro derrotas da fase de grupos, dá-se por satisfeito e os sportinguistas também.

É preciso ter isso em conta. O Sporting é no seu palmarés uma equipa de segunda linha quando comparada com o Benfica ou com o Porto. É, e sempre foi, uma equipa de trazer por casa. Tal como Jorge Jesus. De facto, à parte as vitórias nacionais, que se perdem na nuvem dos tempos, o Sporting nunca teve qualquer protagonismo internacional. E mesmo no tempo dos “5 violinos”, de que os sportinguistas tanto falam, a equipa (e o futebol que então se jogava em Portugal) era fraco, muito fraco. Um dos piores da Europa, como o atestam os resultados da selecção nacional e como o atesta também o desempenho do Sporting nos confrontos com equipas estrangeiras (não em competições, que então não existiam, salvo a Taça Latina, a partir de certa altura, mas em jogos particulares, à época muito frequentes, e que eram o verdadeiro espelho do prestígio das respectivas equipas).

Portanto, é vital para o futuro da equipa esta época que o Benfica passe à fase seguinte da Liga dos Campeões e ganhe ao Sporting na Luz.

Pela primeira vez, esta época, a equipa sente a falta dos seus titulares: de Jardel no centro da defesa; de Grimaldo à esquerda; e de Jonas na frente!


terça-feira, 15 de novembro de 2016

O DELINQUENTE




QUANTO MAIS TEMPO FICAR, MELHOR
Resultado de imagem para bruno de carvalho cospe no presidente do arouca



De facto, somente no futebol é possível negar os factos que toda a gente está a ver ou fazer exactamente o contrário, ver o que não existe. E todos ou quase todos acham normal. A começar pelos jornalistas desportivos que são os grandes fautores da corrupção no desporto. Salvo raríssimas excepções, eles branqueiam os comportamentos mais miseráveis, escondem os factos que não interessa mostrar, enfim, não contribuem em nada para a morigeração do desporto.

O caso do Sporting-Arouca é paradigmático. É provável que haja outras imagens, mas pelas imagens que vieram a público o que se vê não deixa dúvidas de nenhuma espécie.

O presidente do Sporting espera o presidente do Arouca (sim, sem a menor dúvida: está à espera do presidente do Arouca; aliás, enquanto espera faz questão de ir olhando para o seu lado esquerdo para ver se alguém se aproxima). Quando o presidente do Arouca se aproxima em passo apressado, Bruno de Carvalho dá uns passos na sua direcção e diz-lhe diz qualquer coisa à distância. Certamente algo ofensivo, dada a reacção de Carlos Pinho, que responde e gesticula. Quando ambos se aproximam um do outro, Bruno de Carvalho cospe-lhe no rosto.

Depois, bem depois o que se passou já tem pouco interesse, a menos que no parque de estacionamento tenha havido qualquer outra coisa de que não imagens nem testemunhos (até à data) fiáveis.

Como é possível ver as coisas de outra maneira e defendê-las em público. As imagens da SIC N e as da Bola são mais que óbvias.

Tem que se reconhecer, independentemente de tudo o resto, que Rogério Alves não pôde negar o comportamento delinquente de Bruno de Carvalho. Paulo Morais é um pedante sem vergonha e sem dignidade. Pina, José Pina, o pobre palhaço triste, além de pequeno mental, é vergonhosamente desonesto. Os comentários que ontem fez no Prolongamento, além de porem a nu o seu insignificante coeficiente de inteligência, desacreditaram-no completamente como cidadão. Não passa de uma pobre marioneta, desprovida de massa cinzenta, comandada à distância. Que pequenez!

Com Bruno de Carvalho na presidência do Sporting, Benfica e Porto têm o futuro garantido.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O COMENTÁRIO DESPORTIVO E O BENFICA




É TEMPO DE ESCOLHER
Resultado de imagem para inacio no play off



A poucos horas de um jogo decisivo (sim, decisivo, mesmo que Rui Vitória diga o contrário e a aritmética o não demonstre) da Liga dos Campeões é tempo de voltar a analisar a situação do comentário desportivo em Portugal.

O comentário de adepto está desde há muito envenenado pelo facciosismo e sectarismo dos seus intervenientes, consideravelmente agravados por esse comentário ter lugar no espaço público, quase sempre com larga audiência.

Se tais programas sempre aqui foram considerados nocivos pelos danos que causam ao futebol e por agravarem as paixões desenfreados dos que os vêem ou escutam, eles tornaram-se nos últimos tempos, mais concretamente nos últimos dois anos, insuportáveis e susceptíveis de causar danos irremediáveis com a amplitude que ninguém está em condições de prever.

Esse agravamento ficou certamente a dever-se a um comportamento agressivo e belicoso da actual direcção do Sporting, que dependendo para sobreviver, isto é, dos empregos, de vitórias não olha a meios para alcançar os fins a que está ligada a sua permanência à frente do clube. Se já havia da maior parte dos comentadores do Sporting um fanatismo e uma arrogância até então baseada numa pretensa superioridade moral alicerçada num espírito elitista de classe, o que se pode dizer é que depois da chegada de Bruno de Carvalho à presidência a esta arrogância e fanatismo juntaram-se um comportamento ralé, de claque rasca, até então desconhecido no futebol português.

Nesta estratégia ou talvez mais correctamente nesta atitude comportamental alinham não apenas todos os comentadores afectos ao clube, mesmo aqueles que episodicamente se opuseram ao agora presidente, como também aqueles que sob a capa de “independentes” intervêm nas rádios e televisões.

Nesta campanha sem paralelo nos anais do futebol português o grande alvo, o inimigo a abater, é, como não poderia deixar de ser, o Benfica. Campanha consideravelmente agravada depois da contratação de Jorge Jesus, ido directamente para Alvalade depois de seis anos ao serviço do clube da Luz.

Posto perante este ataque sem precedentes, o Benfica agiu institucionalmente, através da sua comunicação e agiu também ao sabor das competências e das característas psicológicas dos seus comentadores.

Nesta resposta o Benfica agiu frequentemente mal e continua sob alguns aspectos importantes a agir mal. A primeira asneira que o Benfica cometeu, e, pelos vistos continua a cometer, foi ter-se sentido ofendido e traído por Jorge Jesus. Um clube com a dimensão e com a história do Benfica não pode nem deve alimentar ressentimentos por um seu ex-empregado ter mudado de clube, mesmo que esse clube seja um clube rival. Além de que é óbvio para qualquer pessoa que foi o Benfica que não quis que Jesus continuasse na Luz. Como óbvio também era que saindo Jesus do Benfica e sendo praticamente nulas, pelas suas conhecidas limitações, as hipóteses de Jesus ser contratado no estrangeiro (que lhe interesse) a probabilidade de ele rumar às Antas ou a Alvalade, ambos em crise, era muito grande. O que o Benfica não pode é pretender condicionar o futuro de Jesus depois de ter concluído que não desejava continuar com ele, independentemente de ele ter estado clube um, seis ou dez anos!

Encenar uma história que não convence ninguém e que ainda para mais cair no ridículo de interpor judicialmente uma acção condenada ao insucesso permitiu alimentar uma história que nunca deveria ter existido, ou, a existir, ter-se circunscrito à constatação da mágoa com que Jesus deixou o Benfica, bem patente na sua permanente tentativa de demonstrar à direcção do Benfica que aquele por quem o trocou (fosse ele quem fosse) é muito inferior a si. Esse porventura o único aproveitamento que o Benfica, como grande Senhor, deveria ter feito da saída de Jesus. Agindo de outro modo, o Benfica fez como aqueles maridos que se divorciam por estarem fartos da mulher ou terem arranjado outra, mas que apesar disso pretendem continuar a dirigir o futuro dela!

É claro que há aqui uma razão que ninguém invoca, mas que deve ter existido, já que todos os actos humanos tem uma explicação. E a que aponta no sentido da estupidez de quem os pratica raramente estará correcta. Por isso é de crer que a direção do Benfica, temendo a reacção dos sócios e adeptos à saída de Jesus, para mais para o clube rival, tivesse encenado esta história. O que também não deixa de ser lamentável por os sócios e os adeptos do Benfica conhecerem melhor que ninguém as limitações de Jorge Jesus…

Depois vem a questão dos “vouchers”. É evidente que o presidente do Sporting pretendeu atingir o Benfica e as suas vitórias sugerindo abertamente o condicionamento, se não mesmo a corrupção dos árbitros. A direcção do Benfica, sem ter cometido aqui erros de vulto, deveria ter-se limitado a constatar e a reiterar a prática de um comportamento de cortesia, requerer uma averiguação urgente dos órgãos disciplinares do futebol e subsequentemente agir disciplinarmente (através dos órgãos do futebol) contra Bruno de Carvalho e também civil e criminalmente, nos tribunais, depois de decidida a averiguação solicitada. Aliás, o presidente do Sporting está a brincar com o fogo, porque estando pendente de recurso judicial a decisão sobre actos praticados por um vice-presidente do Sporting, como tal, destinados a corromper a arbitragem ou a criar dolosamente a ficção de corrupção, corre o risco de ver o seu clube na 2.ª Divisão, se a o recurso em questão confirmar a decisão da primeira instância.

Finalmente, o comentário desportivo de adepto. É sabido que o Sporting com a conivência de elementos seus nos órgãos de comunicação social fez desta plataforma um campo de ataque violento, permanente e coordenado contra o Benfica. Posto perante este ataque que nada tem a ver com o futebol que se joga dentro do campo, embora pretenda condicioná-lo e adulterá-lo, a pior coisa que o Benfica pode fazer é apostar em comentadores iguais ao do Sporting.

A história e a tradição do Benfica não é essa. O Benfica deve deixar o Sporting a falar sozinho, seja pela voz do seu chefe de claque, Bruno de Carvalho, seja por parte dos comentadores a soldo, dependentes ou falsos independentes. Entrar no jogo do Sporting, além de favorecer o Porto, que esfrega as mãos e disso tira proveito apesar da debilidade em que se encontra, descredibiliza o Benfica por o tornar igual ao Sporting. Só quem está de fora perceba a repulsa, o nojo, com que tantos e tantos adeptos do Benfica assistem a este espectáculo quase diário. Comentadores como Pedro Guerra e Gomes da Silva não servem os interesses do clube nem honram o seu passado, por muito que custe dizê-lo, embora outros haja que se sentem na obrigação de responder taco a taco às calúnias do Sporting.  O Benfica revê-se em comentadores como José Calado, João Gobern, Toni, João Alves, António Simões, Telmo Correia e tantos outros que, falando pela sua própria cabeça, sem guiões nem discursos encomendados, sabem honrar em cada intervenção a história do clube a que pertencem!

Esperando que Filipe Vieira tenha falado a sério quando fez um apelo semelhante só resta aguardar pela desautorização dos que reiteradamente infringem uma recomendação que deve ser respeitada.

Deixem o Sporting com as suas aleivosias a falar sozinho. Deixem que o lixo corra todo na direcção certa…Não há pior imagem do que ver um jogador do Sporting a falar na zona mista, depois de um jogo internacional ou nacional de grande relevância, “policiado” por uma espécie de “pide” de terceira categoria sempre pronto a intervir, com cara patibular, quer para condicionar e amedrontar o jornalista quer para “policiar” o jogador!




domingo, 16 de outubro de 2016

AS DIFICULDADES DO BENFICA




O QUE SE PODE ESPERAR
Resultado de imagem para jonas lesionado



É do conhecimento geral que o Benfica teve e continua a ter um começo de época atribulado. Contrariamente ao que supunha há um mês, o Benfica continua com muitos dos seus principais jogadores lesionados, impossibilitados de dar o seu contributo à equipa nas várias frentes em que está envolvida.

Estamos a meio de mês de Outubro, ou seja, dois meses depois de iniciada a época, e ainda se não sabe quando Jonas, Rafa, Jardel, Samaris, Jiménez e André Horta voltarão à equipa. Se a estes acrescentarmos Júlio César e Grimaldo, recentemente lesionados e sobre os quais não há notícias seguras, o Benfica parte muito desfalcado para abordar um período crucial da primeira fase da época, aquela onde se define o destino da equipa na Liga dos Campeões.

Há, portanto, todas as razões para supor que o Benfica não poderá contar com o seu plantel completo para os dois próximos jogos com o Dínamo de Kiev, em que se decidirá o futuro da equipa na Liga dos Campeões.

Se no plano interno, tanto no Campeonato como na Taça de Portugal, os jogadores disponíveis ainda são suficientes para manter acesa a chama da vitória, já o mesmo se não poderá esperar de uma competição tão exigente como a Liga dos Campeões. Seria um feito difícil de igualar se o Benfica, nas condições em que actualmente se encontra, tivesse capacidade para manter viva a hipótese de seguir em frente na competição.

No plano interno, como se viu na última sexta-feira, a equipa poderá também claudicar se os jogos se não iniciarem da melhor forma. Se, pelo contrário, nas próximas três jornadas, o Benfica não perder pontos, estariam criadas as condições para que a fase de jogos a iniciar em 4 de Novembro até 11 de Dezembro pudesse ser abordada com outra tranquilidade e com  o plantel recomposto, salvo, porventura, o caso de Jonas que, pelos vistos, é ou tem sido muito mais grave do que se supunha por não ter verdadeiramente a ver com uma lesão contraída durante o jogo, mas resultar antes de uma doença contraída por ocasião da lesão.

Tendo em conta a situação de Jonas, que muito provavelmente só poderá voltar a dar o seu contributo à equipa em 2017, seria da máxima importância que Rafa, Jardel, Jiménez, Samaris e Horta pudessem estar em condições de integrar os trabalhos da equipa até ao fim deste mês de Outubro. Se isso não acontecer, o departamento médico do Benfica vai ter de se explicar perante os sócios e adeptos para que se possa compreender não apenas o número inusitado de lesões, mas também as dificuldades que tem havido na recuperação dos jogadores.

Para obviar a estas dificuldades nem sequer vale a pena esgrimir com a excelência do plantel do Benfica em número e qualidade, porque a realidade não é bem essa. É certo que o Benfica está bem servido na defesa, guarda-redes incluídos, com onze jogadores (Paulo Lopes incluído) capazes de desempenhar o seu papel sem problemas, mas já o mesmo se não poderá dizer da linha média. Com efeito, Fejsa não tem nenhum substituto à altura, porque na realidade nem Samaris, nem Danilo (ainda uma incógnita) desempenham o lugar do mesmo modo e com a mesma eficiência. Como médio ofensivo o Benfica tem Horta e dai para a frente tudo o que arranjar não passa de isso mesmo: “arranjos”. Celis, pelo que já fez, pelos erros graves que cometeu e que muito comprometeram a equipa, não é confiável, nem é crível que Rui Vitória continue a apostar nele.

Na linha avançada, além dos pontas de lança que são os mesmos do ano passado, sem referir José Gomes ainda muito “verde”, o Benfica poderia (ou poderá, logo que as condições o permitam) contar com Rafa para o lugar de Jonas ou com Gonçalo Guedes, mas tanto um como outro com estilos e desempenhos completamente diferentes dos do “astro” brasileiro. No lado direito do ataque, o Benfica com Salvio e Pizzi até está um pouco melhor do que o ano passado, enquanto do lado esquerdo não há ninguém que até hoje tenha aparecido em condições de, já não dizemos, fazer esquecer, mas de substituir Gaitan. De facto, nem Cervi, apesar de todo o entusiasmo que põe nos jogos, nem o abúlico Carrillo são verdadeiras alternativas para o lado esquerdo. Zivkovic ainda não teve tempo suficiente para se mostrar. Talvez não fosse pior ir rodando na equipa B, tal como Carrillo, como forma de se saber se a equipa principal pode esperar deles alguma coisa, principalmente de Carrillo.

É neste quadro e com este quadro que o Benfica terá de se haver até Janeiro…


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A DERROTA DE NÁPOLES




O QUE FAZ FALTA
Jogadores agradeceram apoio em Nápoles (Foto ASF)


Em primeiro lugar, importa dizer que a derrota de Nápoles não é grave. Grave foi ter empatado em casa o primeiro jogo contra uma equipa muito abaixo do Benfica. É certo que houve factores impeditivos de um melhor resultado, mas mesmo tendo em conta esses factores o Benfica tinha a “obrigação” de ganhar o jogo. Somando apenas um ponto em duas jornadas, o Benfica vai ter de somar 10 pontos para pela certa se apurar. Todavia, até oito podem bastar, se os resultados do Dínamo de Kiev e do Besiktas forem o que se espera. Mas, atenção: para fazer oito ponto é necessário ganhar os dois jogos contra o Dínamo de Kiev e empatar com o Besiktas ou com o Nápoles.

A experiência e também as estatísticas demonstram que vencer o primeiro jogo em casa é quase sempre um passaporte para os oitavos de final. Perdendo-o, como foi o caso, somente vencendo na terceira e na quarta jornada se relança a equipa para o apuramento.

A verdade é que o Benfica tem equipa suficiente para se apurar, desde que joguem os melhores e não haja excessivas “invenções”. Jogar os melhores significa pôr na baliza Ederson, não apenas por Júlio César ter tido ontem uma noite para esquecer, mas porque Ederson é francamente melhor em todos os aspectos: muito bom a jogar com os pés, bom entre os postes, bom a sair nos cruzamentos e muitíssimo bom a antecipar-se aos avançados adversários nas bolas em profundidade, estejam eles isolados ou não. Digamos que Júlio César reproduziu ontem em Nápoles, agravada, a exibição que na época passada fez na Luz contra o Sporting. Todos sabemos que não é fácil para um treinador pôr simultaneamente no banco Luisão e Júlio César. Mas lá terá que ser.

Depois, ao contrário do que muitos comentadores afirmam, André Almeida defende melhor e dá mais segurança à defesa do que Nelson Semedo, que pode jogar mais vezes na posição que ontem ocupou, ou seja, como ala direito.

No meio da defesa é imperioso o regresso de Jardel e o retorno de Lindlöf ao seu lugar de central direito, lugar onde vale muito mais do que no lado oposto.

Na frente, depois do regresso de Jonas e de Rafa, a dificuldade vai consistir na escolha do que vai sair. Considerando que Mitroglou é inamovível, ou Jiménez quando entrar a substitui-lo, a escolha terá de recair em Pizzi ou em Salvio, para já não falar em Gonçalo Guedes que igualmente tem classe suficiente para ser titular. Aqui sim, aqui haverá um grande problema, muito mais difícil de resolver do que o do guarda-redes ou o da defesa.

Finalmente, o meio campo. No meio campo há um problema que está longe de estar resolvido. E é a esse problema que Rui Vitória terá de dedicar toda a sua atenção e saber. Se Fejsa não suscita dúvidas como médio defensivo (o volante dos brasileiros), salvo se se lesionar, hipótese que ocorre com alguma frequência, já a titularidade de André Horta levanta algumas interrogações. Nos jogos em que seja necessário segurar o meio campo, Samaris pode entrar e fazer bem o lugar; se, pelo contrário, for necessário um 8 criativo e, simultaneamente, seguro a defender já as dificuldades aumentam. É certo que o Benfica tem Celis e também Danilo, mas nem um nem outro ainda deram provas de poder desempenhar o lugar com a eficiência que se pretende. Talvez a solução resida, mais uma vez, em Pizzi, verdadeiro pau para toda a obra, fazendo-o regressar à função que desempenhou no último ano de Jesus. A questão não estará em saber se Pizzi rende mais noutro lugar, mas se Pizzi rende mais do que qualquer outro neste lugar. E se tal acontecesse lá teríamos Rui Vitória a repetir uma solução já ensaiada o ano passado até ter desencantado Renato Sanches, único lugar que no Benfica de hoje continua por preencher à altura das necessidades da equipa.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

BENFICA: NADA ESTÁ PERDIDO




UM EMPATE COM SABOR A DERROTA



Gosto de Rui Vitória como treinador. Mesmo nas situações mais adversas, nas hipóteses mais difíceis de acontecer, nas improbabilidades menos prováveis, Vitória não se queixa e aceita com naturalidade as contingências do futebol por mais inverosímeis que sejam.

De facto, é relativamente normal numa época de onze meses, uma equipa ficar momentaneamente, ou até durante algumas semanas, sem um, dois ou até três elementos base do onze titular. Ninguém gosta que isso lhe aconteça, mas todas as equipas têm de estar preparadas para essa eventualidade. Não têm os jogadores em falta, mas terão outros que actuam nas mesmas posições e que serão os naturais substitutos dos lesionados ou castigados.

O que não será normal é uma equipa perder simultaneamente os três guarda-redes do plantel, perder ao mesmo tempo quatro centrais ou todos os pontas de lança. E foi isso o que aconteceu ao Benfica: de um momento para o outro perdeu todas as referências atacantes por um período indeterminado, mas nunca inferior a um mês. Sem Mitroglou, Jiménez, Jonas e Rafa, o Benfica ficou sem atacantes de raiz.

E foi neste contexto, além da lesão de Jardel, que o Benfica teve de enfrentar esta noite o campeão da Turquia – o Besiktas.

Apesar das dificuldades de construção da equipa, Vitória optou por uma frente muito móvel na qual Gonçalo Guedes e também Cervi, a espaços, iam desempenhando diversos lugares. A equipa foi correspondendo na primeira parte, com um golo aos 12 minutos por Cervi, mas foi perdendo no segundo tempo alguma intensidade à medida que o tempo passava. A substituição de Cervi por Samaris e mais tarde a saída forçada de Fejsa e a entrada de Celis, ocorridas na parte final da segunda parte, não trouxeram à equipa o que ela necessitava. Por uma razão muito simples: porque o que a equipa necessitava não estava no banco.

A equipa necessitava de rigor no último passe, principalmente se feito dentro da área e isso somente Jonas sabe fazer com mestria; e necessitava também de um matador que soubesse “matar” o jogo logo que a oportunidade surgisse – e ela surgiu por mais de uma vez. E esse matador também não estava presente fosse ele Jonas, Mitroglou ou Jiménez.

Daí que eu não alinhe muito com a crítica de o Rui Vitória ter agido tarde de mais. Rui Vitória viu, como todos vimos, que a equipa estava segura nos processos defensivos, e que seria ariscado, com excepção de Samaris, lançar no jogo alguém que pudesse perturbar essa eficácia defensiva. De facto, tanto Guedes, como Cervi, enquanto jogou, como Salvio e Pizzi defenderam muito e bem, tendo recuperado muitas bolas.

A relativa ascendência do Besiktas quando lançou dois pontas de lança foi rapidamente neutralizda com a melhoria dos posicionamentos e depois com a entrada fresca de Samaris, acabando por ser mais uma lesão – ou o começo dela – que ditou o empate do Benfica. Tivesse Fejsa podido concluir o jogo e outro certamente teria sido o resultado do encontro.

É desagradável não ganhar na Liga dos Campeões o primeiro jogo em casa, mas nada está perdido. O Benfica tem equipa para recuperar este resultado na Turquia.

Quanto à questão do golo do Besiktas não interessa quem o marcou, nem como foi marcado, sendo muito mais importante saber como foi sofrido, bem como o contexto que o proporcionou.

O Benfica continua sem ganhar na Luz esta época. É preciso pôr rapidamente ponto final nesse precedente!


terça-feira, 13 de setembro de 2016

ANTECEDENDO A JORNADA EUROPEIA




DO QUE SE FALA…
Resultado de imagem para BENFICA-BESIKTAS



Tem-se falado de tudo, menos de futebol, nas vésperas da primeira jornada europeia desta época, apesar de Portugal ter três equipas na Champions e uma na Liga Europa. Mas as televisões e os jornalistas estão mais interessados nas intrigas e nas disputas verbais entre jornalistas do que propriamente no futebol.

O ridículo está a matar o futebol em Portugal. Vejamos o que se passa com a “comunicação” do Sporting.

No final da época passada, Jesus, para disfarçar o insucesso que foi o seu primeiro ano à frente da equipa leonina, atribuiu as causas da derrota à “comunicação” do Sporting. Como o Sporting durante toda a época não fez outra coisa senão falar – falou o presidente até mais não poder, falou o treinador várias vezes por semana, falou o Octávio sempre que era preciso “morder nas canelas” de alguém, falou o Inácio sempre que o “trabalho sujo” exigia um intérprete à altura, falou o Rogério Alves sempre que era necessário adulterar os factos e falou o Rui Santos sempre que era necessário passar uma falsa imagem de crítica independente – a única conclusão que das palavras de Jesus se pode tirar é a de que ele queria uma comunicação “construída” à sua imagem e semelhança. Esta imensa vozearia do Sporting teve como alvos privilegiados os árbitros – incompetentes, desonestos, ladrões que deveriam ir para a cadeia (dizia o presidente) e o Benfica, principalmente nas pessoas de Vieira e de Renato Sanches (cada um por suas razões) e ainda Rui Vitória, a “bête noir” de Jesus.

Este ano, ano da “revolução” da comunicação do Sporting, aquilo a que nós assistimos é muito simples de explicar: a “comunicação” propriamente dita tem por objectivo “plantar” notícias contra o Benfica nos jornais (quase sempre sem êxito), escamotear os múltiplos falhanços do presidente do Sporting na gestão do clube (as contratações falhadas, as divergências com os jogadores, as dívidas por pagar, os prejuízos da SAD, etc.), uniformizar o argumentário usado pelos comentadores (oficiais, oficiosos e disfarçados de independentes) nos mais diversos canais de televisão e rádio, elogiar o trabalho da arbitragem (contrapartida de uma vantagem que se tem como certa e segura) e reservar para o presidente o trabalho institucional, como se de um “grande senhor” se tratasse. Ele que só sente bem a falar de cuecas, de nádegas e de outras "pérolas" semelhantes...

A uniformização do comentário é tão ridícula que até faria corar de vergonha aqueles partidos políticos que privilegiam acima de tudo a disciplina partidária. É triste ver o pobre Pina, feito palhaço triste, a pedir que lhe mostrem as faltas do Rafa (do Rafa, imagine-se…) para justificar uma delirante expulsão que ficou por concretizar. Como triste é a adulteração dos factos que toda a gente está a presenciar, com a agravante de já não lhes bastar ter para esse serviço gente como o Rogério Alves e o Inácio, obrigando os demais a dizer o mesmo por mais constrangidos e envergonhados que se sintam!

O ataque a Rafa iniciado esta semana, muito semelhante ao que durante a época passada foi permanentemente desencadeado contra Renato Sanches, só pode encher de orgulho os adeptos do Benfica – esse ataque permanente é o reconhecimento da enorme valia do jogador atacado. Aí não se enganam. Enganam-se é supondo que com o ataque vão mudar o rendimento do jogador.

Depois vem o inenarrável Jesus. Jesus não aceitou a sua saída do Benfica. Incapaz de se esquecer do Benfica por se ter visto obrigado a trocá-lo por um clube de categoria muito inferior, tanto pela sua história, como pelos seus títulos e pergaminhos, e antevendo um regresso impossível, Jesus é absolutamente incapaz de esconder a mágoa e a frustração que o abandono do Benfica lhe provocou e continua a provocar. Daí que, de cada vez que é convidado a falar, tenha de passar grande parte do seu tempo a falar do Benfica. Ele sente necessidade de esconjurar aquele “demónio” que o não deixa viver tranquilo e o persegue por toda a parte como a própria sombra.

E aqui é que entra aquilo que me parece ser o grande erro que o Benfica tem cometido no tratamento desta questão. Como houve muitos adeptos e simpatizantes do Benfica que tinham Jesus em grande conta, a direcção do Benfica sentiu necessidade, num primeiro tempo, de tentar demonstrar que foi Jesus que traiu o Benfica. Evidentemente que para a direcção do Benfica houve uma “traição”, embora essa “traição” não consista em Jesus ter saído do Benfica – já que essa era obviamente a vontade da direcção – mas em ter saído para o outro lado da “segunda circular” e não para o clube que o Benfica e a sua gente estariam na disposição de lhe arranjar no estrangeiro.

Pois bem, resolvida a contento do Benfica a saída de Jesus – nova vitória no campeonato, boa carreira na Liga dos Campeões, vitória na Taça da Liga –, o Benfica deveria pura e simplesmente ter deixado cair o “assunto Jesus”. Quando muito sublinhar, sem enfatizar, os grandes valores que Jesus desprezou enquanto treinador do Benfica, os “flops” da esmagadora maioria das contratações ocorridas durante o tempo em que esteve à frente da equipa técnica, as escandalosas derrotas na Taça de Portugal e em dois campeonatos nacionais, além das medíocres prestações na Liga dos Campeões. E de Jesus nada mais haveria a dizer. Apenas aproveitar as suas múltiplas fragilidades por quem tão bem o conhece.

O que não faz sentido é afirmar que o Benfica queria mudar de paradigma, optando por um para o qual Jesus não servia, e depois vir dizer que houve uma “traição” do ex-treinador por não ter renovado o contrato. Além de que tais afirmações são juridicamente devastadoras para quem acalentava certas (irrealistas) pretensões indemnizatórias. Não haverá juristas pelo Estádio da Luz?....

Mas tudo isto, como acima está dito, não passa de conversa. O que interessa e muito é o que hoje e amanhã se passará com as equipas portuguesas. Aí é que se vai ver, nesta jornada e nas cinco seguintes, quem tem categoria para jogar na Europa e quem não tem.

É certo que nem todos tiveram a mesma sorte no sorteio. O Benfica é o que joga no grupo mais equilibrado: qualquer das quatro equipas pode passar à fase seguinte. O Sporting é o que joga no grupo mais forte, contra duas equipas que lhe são manifestamente superiores e contra uma terceira que lhe é inferior. Enquanto o Porto integra um grupo que mais parece da Liga Europa, embora seja constituído por três campeões…mas todos fraquinhos.

Todavia, nada disso importa: o que vai ficar para a história e para o ranking é saber quem passa e quem não passa.

O Braga, na Liga Europa, está numa situação semelhante à do Benfica: joga num grupo muito equilibrado, onde tudo pode acontecer.
Do Benfica, depois do que se viu em Arouca, e depois do que se viu o ano passado na mesma competição, em que várias vezes jogou desfalcado de pedras fundamentais, só a esperar a continuação de tudo o que de bom  tem sido feito.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A LIGA À QUARTA JORNADA




O QUE HÁ DE NOVO?
Resultado de imagem para rafa em arouca



De novo, muito pouco. Apenas o facto de o Sporting ter deixado de contestar as arbitragens e ter passado, do dia para a noite, a considerar excelentes os árbitros que antes injuriava e insultava em cada jornada.

Algo se terá passado para que comentadores e dirigentes tão insultuosos contra a arbitragem tenham passado a enxergar mérito onde antes só viam incompetência e desonestidade.

Será porque o Sporting passou a ser escandalosamente favorecido pelas arbitragens que se alterou a sua avaliação dos árbitros? Não cremos. É certamente muito mais do que isso. De facto, no ano passado o Sporting foi o clube mais favorecido por erros de arbitragem e nem por isso a campanha contra os árbitros esmoreceu por um minuto que fosse.

Parece – por enquanto apenas se diz “parece” – que a substituição de Vítor Pereira à frente da arbitragem durante dez anos – anos durante os quais o FC Porto ganhou seis campeonatos – por um árbitro de futebol de praia terá trazido ao Sporting uma tranquilidade cujos fundamentos se desconhecem.

Os fundamentos podem desconhecer-se, mas sabe-se – e sabe-se porque toda a gente viu – o que aconteceu em Alvalade no último Sporting-Porto não apenas nas jogadas ou lances que antecedam os dois golos do Sporting como igualmente se sabe como foram avaliadas as jogadas violentas de jogadores do Sporting – Slimani (o rei das cotoveladas), Bruno César, William Carvalho e Adrien Siva. E sabe-se também o que ontem aconteceu ao jogador do Moreirense que teve duas entradas exactamente iguais às dos jogadores do Sporting que no jogo contra o Porto ficaram impunes!

E sabe-se ainda como foi marcado o golo do Setúbal no único jogo que o Benfica esta época realizou no Estádio da Luz a contar para a Liga. E sabe-se, olá se se sabe, que o árbitro que na sexta-feira passada apitou o Arouca-Benfica foi o mesmo que o ano passado no jogo Sporting-Tondela deu ordem de expulsão a um jogador do Tondela por ter defendido uma bola com a cabeça dentro da sua área e ordenou a marcação da “respectiva” grande penalidade. Factos que somente se não consumaram porque um juiz assistente se opôs corajosamente a essa decisão. E sabe-se que foi também o mesmo árbitro que, num jogo decisivo para o campeonato, converteu numa falta contra o Benfica um derrube (rasteira) a Renato Sanches dentro da área do Marítimo e “respectivo” cartão amarelo do qual haveria de resultar uns minutos depois a expulsão de Renato por acumulação de amarelos. E recorda-se ainda a quem já tenha esquecido que foi o mesmo árbitro que este ano assinalou (e bem) a favor do Porto um penalty por uma carga exactamente idêntica àquela de que na última sexta feira foi vítima Rafa quando seguia isolado para a baliza. Isto para não falar naquele escandaloso empurrão a Pizzi fora do campo que o árbitro (o mesmo árbitro) puniu com um cartão amarelo ao dito Pizzi!

Se na arbitragem o Sporting está tranquilo, o mesmo se poderá dizer no comentário desportivo, onde os seus representantes mantêm prestações exactamente idênticas às do ano passado. Rogério Alves é o exemplo acabado da “honestidade intelectual”. É difícil encontrar no comentário em Portugal, seja ele de que natureza for, alguém com a “estatura moral” de Rogério Alves. Já Pina e Oliveira e Costa continuam iguais a si próprios – o primeiro fazendo de palhaço triste e debitando tudo o que lhe encomendam, e o segundo demonstrando em cada intervenção que está de acordo com tudo que possa favorecer o Sporting, qualquer que seja o fundamento que serve de base a essa pretensa vantagem.

Já no Play-Off, onde acampa a versão oficiosa da comunicação do Sporting, com a colaboração de Rodolfo Reis, ficámos a saber pelo “impoluto” Rui Santos – essa pérola pútrida do jornalismo português – que o Kapo Inácio “deixou” todos os cargos que ocupava no Sporting para se dedicar de “modo independente” ao comentário desportivo. Disse-o Rui Santos solenemente numa das primeiras edições desta época do referido programa. Com essa “independência” Inácio fica a coberto das sanções da Liga por críticas à arbitragem. Só temos de nos regozijar com este arrobo de honestidade e de desprendimento material em defesa de uma causa. A menos que o Sporting pague tão pouco a quem se prontifica a todos os fretes e a SIC, ou o sr. Rui Santos, ou ambos, paguem tão bem a que tão dedicadamente se propõe servi-los!

É isto o futebol português! É isto o nosso jornalismo desportivo.

Quanto ao futebol jogado dentro do campo parece que o Porto está um pouquinho melhor que o ano passado, que o Porto do fim da época passada, embora fique a impressão de que não terá equipa para se aguentar na disputa do título até ao fim. Até talvez se possa dizer mais: enquanto a sucessão de Pinto da Costa não for inequivocamente resolvida, o Porto não terá hipóteses de voltar a ganhar.

O Sporting, que vendeu dois jogadores pelo dobro do preço que eles realmente valem e que poderia ter vendido mais dois nas mesmas circunstâncias, só tem que se regozijar por ter “embolsado” (ele ou os bancos, já que aos outros credores o Sporting não paga…) tão vultuosa quantia que lhe terá dado para contratar uma meia dúzia de jogadores escolhidos pelo “infalível e inteligentíssimo” Jorge Jesus. Se o Sporting, como é hábito em Jesus, se dedicasse apenas ao campeonato, talvez estivesse este ano mais regular do que o ano passado, já que, ao que se tem visto, quando a irregularidade surgir haverá sempre quem esteja encarregado de a repor.

Todavia, como o Sporting vai ter de jogar a Liga dos Campeões, ainda é cedo para se saber com que Sporting se vai poder contar durante a época. Uma coisa, porém, é certa: eles estão dispostos a investir o que for necessário e onde for necessário para ganhar o campeonato. Tanto o presidente como o treinador têm a “cabeça a prémio” se não ganharem!

Quanto ao Benfica, no meio de tanta desgraça (Jonas, Jardel, Jiménez, Rafa, Mitroglou lesionados) e de algumas decisões incompreensíveis, como a venda de Renato Sanches, a boa notícia é a grande exibição que o Benfica fez em Arouca, principalmente na primeira parte.

Salvo para o jornalista do Correio da Manhã, que classificou Renato Sanches como o pior jogador português no Europeu de França, e para outros que por lá, ou nas proximidades, andam, a exibição do Benfica em Arouca foi excelente, talvez até melhor do que os primeiros vinte minutos da supertaça contra o Braga, não passando o resultado final de uma pálida imagem do que se passou em campo.

Rafa esteve brilhante – alguém vai ter de sair para ele entoar – e Gonçalo Guedes é um “menino de ouro”, que vai ter de jogar em todos os jogos. A jogar como em Arouca, mesmo tendo em conta a ineficácia concretizadora – algo que acontecerá uma vez ou duas, mas não acontecerá sempre a quem jogue assim – O Benfica não terá em Portugal quem lhe face frente dentro do campo.

Nos três jogos anteriores, houve um – contra o Setúbal – em que o Benfica jogou francamente mal, e nos outros dois jogou sempre o suficiente para ganhar tranquilamente. Brilhante, mesmo0 brilhante, só foi contra o Arouca. Se assim continuar nada haverá a recear. Nem mesmo a “tranquilidade” com o que o Sporting está vivendo a arbitragem…

Não se compreende por que razão tanto Jonas como Jardel foram convocados e jogaram, depois de lesões que exigiam algum cuidado e tempo de recuperação, se na sequência desses jogos voltaram a ficar lesionados. Há aqui uma avaliação que foi mal feita. E isso é indesculpável num clube da dimensão do Benfica…

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

BENFICA SEM SOLUÇÕES


 

DOIS PONTOS PERDIDOS EM CASA À SEGUNDA JORNADA

 

Desde que começou a pré-época que se evidenciavam, jogo após jogo, as insuficiências do Benfica. Um coro de comentadores afectos ao clube e alguns jornalistas incompetentes bem podiam tentar passar a imagem de um super-Benfica alicerçado num grande plantel, mas a verdade é que essa nunca foi a imagem que o Benfica deixou a quem percebe alguma coisa de futebol, depois de vistos todos os jogos da pré-época e os dois primeiros jogos oficiais.

De facto, a posse de bola acumulada pelo Benfica nunca correspondeu a um efectivo domínio do adversário nem a sua perda se traduzia numa pressão imediata e eficaz sobre o adversário com vista à sua pronta recuperação. Pelo contrário, o Benfica demorava muito a reagir à perda de bola e era muitas vezes assediado com perigo pelo adversário quando este a recuperava.

Tudo isto, porque o Benfica sem três peças caves da época passada corre o risco de se transformar numa equipa vulgar. Uma equipa que perdeu rapidez nas transições ofensivas, incapaz de criar roturas nas hostes adversárias, simplesmente mediana nas bolas paradas e com fragilidades nas soluções defensivas.

Foi isto o que se viu durante a pré-época e foi isto que ontem se repetiu no Estádio da Luz contra o Setúbal. Uma equipa que não conseguiu evitar um golo por deficiente posicionamento defensivo e tempo de entrada à bola. Uma equipa que não conseguiu criar uma única situação de perigo em jogadas de bola corrida e que demonstrou sempre muita falta de inspiração nas bolas paradas.

O espectro da derrota pairou sobre o Estádio da Luz, tendo o empate sido alcançado por penalty (Jimenes) quando faltavam menos de oito minutos para o fim do jogo. É certo que o Benfica até poderia ter ganho. Teve oportunidades para isso, mas não ganhou. Nem as jogadas que teriam proporcionado essa vitória seriam suficientes para alterar a análise do jogo e da equipa.

Mais do que aborrecidos, os adeptos saíram do Estádio da Luz apreensivos com o futuro da equipa na prova.

E têm fundadas razões para estarem apreensivos. O Benfica vai pagar bem caro aa venda de Renato Sanches. Inacreditável que um jovem de 18 anos tenha sido sofregamente vendido cerca de seis meses depois de ter despontado. Que o Benfica tivesse de vender Gaitan compreende-se e aceita-se. Que vendesse Sálvio, idem. Agora Renato, não se compreende nem se pode aceitar. Com a lesão de Jonas e sem Renato, o Benfica vai ficar exposto logo no começo do campeonato aos piores resultados. E desta vez a desvantagem dificilmente será recuperável.

Tudo isto se torna ainda menos aceitável por duas razões: primeiro, porque a venda de Renato assenta na arrogância de quem supõe que é a “estrutura” que ganha campeonatos; e depois na ignorância de quem não percebe que uma quarta derrota de Bruno Carvalho e uma segunda consecutiva de Jesus seriam o fim de um e o começo do fim de outro.

Em Maio vamos ver quem tem razão…

sexta-feira, 1 de julho de 2016

RENATO SANCHES, O HOMEM DA SELECÇÃO


CLASSE PURA!
 Image result for renato sanches na seleccao
 

Durante meses a fio Renato foi atacado pelos comentadores sportinguistas, vilipendiado pelo presidente dos lagartos, desvalorizado pela maior parte dos portistas, a comecar pelo execrável Guedes e o rapaz, o miudo de dezoito anos, a tudo resistiu.

Foi considerado imaturo, violento, pediram se castigos e punições. E o miudo a todos resistiu, demonstando em cada domingo a sua enorme classe.

Veio depois a selecção. Renato foi chamado para participar em dois particulares. Jogou algum tempo, e em ambos os jogos em que participou, tanto no Norte como Sul, de cada vez que pegava na bola…o estádio vinha abaixo.

E logo começa outra campanha, orientada pelos sportinguistas e apoiada por alguns falsos teóricos do futebol, destinada a impedir que o miudo fosse convocado para o Euro de França.

Santos hesita, talvez preferisse não o levar, mas Bernardo Silva esta lesionado e Tiago saído de uma lesão. Tiago, pelo prestigio e pela antiguidade, poder-lhe-ia criar problemas se não fosse titular. Então, para evitar um mal maior, Santos convoca Renato com a intenção de o deixar no banco. O seu protagonismo nnatural não agrada aos patrões da selecção.

E de imediato outra campanha começa : Renato não deve ser titular. Há jogadores com muita mais experiencia [Moutinho] e otros mais entrosados com os colegas convocados [Adrien]. Até Jesus entra no jogo, sentenciando um Renato inexperiente que não deve ser titular.

Nas televisões, falsos teóricos, como C. Daniel, afirmam premptoriamente que Renato não traz nada de novo ao jogo da selecção.
Todo o mumdo , literalmente TODO O MUNDO,  pensa exactamente o contrário destes senhores. Todo o mundo vê que Renato, quando entra, muda por completo o jogo da selecção.
 
Santos está como quer. Tem lá o Renato e só o mete quando muito bem entende, sabendo que, pelo lado do miudo, não serão levantados problemas.

Contra a Croácia foi o que se viu. à medida que Renato brilha, Santos sente-se na necessidade de proteger Ronaldo como estrela da selecção. E vai aqui e ali dando para trás ao Renato.

Cá fora cresce o clamor. Renato é o melhor. Ele tem de jogar sempre. Diz se em Portugal, agora até por alguns comentadores do Sporting, o que se diz no resto do mundo. Os jornais estrangeiros enchem páginas com Renato Santos. A Gazzetta dello Sport e a Marca não poupam elogios. Antigos jogadores, treinadores, jornalistas dizem o mesmo. Numa selecção tao cinzenta, ele é a única estrela reluzente.

Fernando Santos não consegue continuar a resistir. Tem de ceder e põe Renato a titular contra a Polónia nos quartos de final.

Renato marca o golo do empate . Ronaldo falha dois golos. Tem uma exibiçao esforcada, mas sem brilho. Todo o mundo elogia Renato Sanches, novamente considerado o homem do jogo.

Santos, com medo que Ronaldo se ressinta, volta a desvalorizar a participação de Renato, engrandecendo a de Ronaldo…que falhou dois golos, foi muito esforcçdo…mas não deu nas vistas.

E absolutamente espantoso como um miudo de dezoito anos resiste a tudo isto. Quem esta fora fica com a sensaçãoo que Renato nem os ouve. Ele não está lá para competir contra ninguém da selecção portuguesa. Apenas quer jogar e derrotar os adversários.

Grande Renato, és o maior ! Nunca em Portugal se tinha assistido a uma campanha tão bem orquestrada contra um génio do futebol. Tão bem …que ate os árbitros nela participam.

RENATO, porém, a tudo resiste com grande maturidade. E vai continuar a resistir porque ele será dentro de muito pouco tempo o grande talento da selecção portuguesa. Quem não puder aceitar esta realidade objectiva, só tem um caminho a seguir : afastar se e desimpedir a estrada.

FORCA RENATO!