sexta-feira, 28 de setembro de 2012

LUÍS FILIPE VIEIRA DERROTADO


 
O QUE SE SEGUE?

 

O património mais valioso do Sport Lisboa e Benfica, por muito que na sua história pesem os êxitos desportivos, era a sua origem popular e democrática. No Benfica sempre houve eleições livres no tempo da ditadura. Nenhum presidente do Benfica foi eleito ou reeleito sem ter de se bater contra um opositor. E mais de uma vez aconteceu o presidente em exercício perder as eleições no confronto com o outro candidato.

Nada disto se passava nos outros grandes clubes portugueses onde vigoravam princípios e métodos que nada tinham a ver com as regras democráticas.

No Sporting era a “aristocracia” sportinguista, sediada no Conselho Leonino, que tinha nas mãos os destinos do clube. Só muito recentemente o Sporting passou a ter eleições democráticas, mas ainda hoje se ressente desse seu passado “aristocrático”. Gonçalves foi, como se sabe, o primeiro presidente do Sporting eleito pelos sócios e depois, como a experiência foi má, entrou-se num período de co-optação em que as eleições apenas serviam para ratificar a escolha já feita e em exercício. Somente com Bettencourt e agora com Godinho Lopes se institucionalizou verdadeiramente a regra democrática.

No Porto, como toda a gente sabe, vive-se em ditadura com percentagens de aprovação que fazem da Coreia do Norte uma experiência quase democrática. Da única vez em que sob o consulado de Pinto da Costa alguém ousou desafiá-lo esse pobre candidato foi apodado de louco e só por um triz não correu o risco de internamento num hospital psiquiátrico no bom estilo brejnoviano.

Infelizmente, no Benfica durante a gestão de Vieira passou-se algo de semelhante. Pela primeira vez um candidato às eleições foi impedido de participar com base em artifícios estatutários. No fundo, mais perigosa do que a concorrência desse candidato era a ousadia de alguém desafiar o chefe. Era isso que se pretendia evitar. E foi isso que, para vergonha dos benfiquistas, aconteceu.

Felizmente que ontem, para alegria dos benfiquistas, ficou demonstrado que continua viva no clube a pulsão popular e democrática que sempre foi a sua matriz. O Relatório e Contas da gestão de Luís Filipe Vieira foi reprovado por uma margem significativa de sócios.

Vieira, se conhecesse a história do Benfica, se fosse um verdadeiro benfiquista e não um ex-sócio do Alverca, do FCP e do Sporting, demitia-se e convocava eleições. O “chumbo” das contas é também a expressão do descontentamento benfiquista pelos métodos e processos de gestão do Benfica. Não é, pelo facto, de Vieira ter apenas, como ele faz gala em afirmar, a quarta classe que ele deixa de ser quem é para passar a ser um lídimo representante do sentimento popular de que acima falámos. E o mesmo se diga da sua adesão aos princípios democráticos - o modo como trata os adversários internos e frequentemente se imiscui nos assuntos internos de outros clubes demonstra que Vieira não está à altura da tradição do Benfica. Está na hora de sair. E seria bom que ele percebesse isso e poupasse o Benfica a uma luta fraccionista certamente muito negativa para o futuro do clube. Que Vieira vá e que deixe aos benfiquistas o encargo de escolher o novo presidente entre os candidatos que se perfilam para o substituir.

 

 

Sem comentários: