OS GOLOS DE EUSÉBIO NO MUNDIAL DE 1966
A selecção
portuguesa venceu o segundo jogo da fase de grupos depois de ter empatado com a
República Democrática do Congo. Os dois jogos da selecção portuguesa não
permitem tirar conclusões razoavelmente fundadas sobre o seu futuro na prova.
A única
conclusão que com segurança se pode tirar é que já houve até hoje outras
equipas que em dois jogos já mostraram ter um futebol mais atraente do que o da
selecção portuguesa e também mais consistente.
Se no jogo
contra a RDC ficou a impressão de que a equipa portuguesa não estava à altura
de competir com equipas de nível mais elevado, na partida de ontem, contra a
equipa do Uzbequistão, a conclusão mais óbvia é a de que foi tudo muito
fácil contra um adversário muito fraco.
Os cinco golos
marcados pela equipa portuguesa são o resultado dessa fraqueza.
Perante o
que já se viu ninguém poderá garantir que temos equipa para competir com a
França, com a Noruega, com a Argentina, com a Inglaterra, com a Alemanha nem
mesmo contra o Senegal, uma excelente equipa, que teve o azar de cair num grupo
onde estão dois dos mais fortes concorrentes deste Mundial.
O jogo
contra a Colômbia, se for um jogo que interessa ganhar (pode não ser), é um
teste muito importante para avaliar das nossas capacidades nesta
competição. Até lá resta aguardar e ir observando os outros.
A propósito
do jogo de hoje, justificam-se mais duas notas:
Primeira: É
falso que Cristiano Ronaldo tenha batido o record de Eusébio em mundiais; os únicos
recordes que Eusébio tem em mundiais de futebol são: um colectivo e outro
individual. O colectivo é Portugal ter ficado em terceiro lugar no Mundial de
1966, classificação que até hoje nunca foi superada nem igualada; o individual é ter marcado nesse mundial 9 golos, marca que apenas foi
superada por 3 jogadores (Gerd Müller10, em 1970; Kocsis 11em 1954 ; e Juste Fontaine
13 em 1958) Nunca até hoje uma selecção portuguesa de futebol se classificou em
terceiro lugar e nunca, até hoje, nenhum jogador português, nas sete (7 sem
contar a actual) fases finais em Portugal participou, marcou 9 golos num campeonato.. Portanto, não se
percebe que record é que Ronaldo bateu. Se Ronaldo quer falar do conjunto
de golos que ele próprio marcou nas fases finais em que participou até hoje
(6), mais lhe valia estar calado. Primeiro, porque Eusébio não tem nenhum
record nesse contexto e muito menos o tem Ronaldo já que nas seis fases finais
em que participou jogou 23 jogos e marcou 10 golos, ou seja uma média de golos por jogo de 0,23; enquanto Eusébio jogou apenas 6 jogos e marcou 1,5 golos por
jogo , ou seja seis vezes e meia mais golos por jogo do que Ronaldo. Conclusão
somente três jogadores em 23 campeonatos do mundo fizeram, até hoje, melhor do
que Eusébio! O record de Ronaldo, a existir, será muito provavelmente um recoid negativo: nunca um avançado presente em 23 jogos da fase final marcou tão poucos golos do que Ronaldo e esteve tanto tempo sem marcar golos como Ronaldo. O "record" ficaria ainda agravado se, em lugar de falarmos do número de jogos, falássemos no número de paricipações em mundiais (6 participações). Dez golos e 6 paricipações é pouquíssimo. E o número de jogos jogados para um grande jogador também é. No mínimo, exige-se que a equipa de um grande jogador faça 5 jogos por competição, o que daria 30.
A outra nota
tem a ver com a política do seleccionador em matéria de substituições. A menos
que esteja proibido por cláusula contratual (e não é de pôr de parte essa
hipótese), não se compreende que o seleccionador mantenha em campo por
102 minutos o jogador mais velho da equipa quando tem no banco dois excelentes
pontas de lança que fizeram uma grande época nos seus clubes. Hoje, Ronaldo
marcou 2 golos, mas nos dois jogos falhou 5, não se compreendendo como o
jogador mais velho da equipa (muito mais velho) seja o que mais tempo joga,
mesmo nos casos, como ontem, em que nada havia a temer sobre o resultado final.
Como também não se compreende a insistência em meter Conceição no intervalo, quando
tanto no jogo de onteme como no de há oito dias não concluiu com êxito uma única jogada.
Mexeu-se muito, como sempre faz, quando tem a bola, finta- se a si mesmo várias
vezes, sem que ninguém tire proveito dessas piruetas. Algo que não se passa com
Pedro Neto, nem com Cancelo nem com Semedo como ainda hoje se viu. Com esta
política de substituições, sem dar tempo a Matheus Nunes, Ruben Neves, Gonçalo Ramos,
Gonçalo Guedes, Dalot e Samu,, Martinez arrisca-se a ficar a falar apenas
para meia dúzia.
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