quarta-feira, 28 de abril de 2021

PARABÉNS HUGO MIGUEL



NO "CIRCO" DE MOREIRA DE CÓNEGOS MONTADO PELO FCP

Para falarmos sobre o que se passou em Moreira de Cónegos comecemos pelo que se passou dentro do campo, tanto durante o jogo como depois deste terminado.

 Na última década o Porto tem tido muitas dificuldades em Moreira de Cónegos. Ou perde ou empata. Só ganhou uma vez. Como toda a gente sabe, o Porto não aceita a arbitragem de nenhum árbitro cujo desfecho termine num empate ou numa derrota. Ressuscitando velhos demónios, o Porto volta a entender, depois de um jejum de vários anos, que os árbitros têm a obrigação de lhes assegurar a vitória nos jogos em que o arbitram. Se a vitória não acontece, o árbitro vai sofrer as consequências. No passado as consequências eram conhecidas, além das ameaças e até das agressões de que nunca se descobria o autor, o Porto boicotava completamente a carreira desse árbitro. Não o deixava arbitrar a maior parte das vezes e se continuasse a dar provas de que não estava regenerado era rebaixado para o escalão inferior.

Hoje, as coisas são diferentes e o Porto tem de levar com os árbitros de que gosta e de que não gosta. Os que não gosta passam a estar sujeitos ao repetido e reiterado enxovalho no fim de cada jogo na presença seja de quem for, sempre que o resultado não for uma vitória. Chamam-lhes ladrões, insultam-nos com todos os nomes que lhes ocorre de ameaçam-nos quanto mais não seja por interpostas pessoas,  vendo-se os árbitros na necessidade de circular nos pais com a protecção de um guarda-costas, normalmente um agente policial.

Na passada segunda-feira, antevendo as dificuldades do jogo, eles montaram uma estratégia que tinha em vista obrigar o árbitro, mediante pressões sucessivas e sempre muito espectaculares, a marcar uma ou várias grandes penalidades que lhes assegurasse a vitória no jogo.

Ao rever o jogo com cautela e inteligência, percebe-se perfeitamente qual foi a estratégia: como o campo do Moreirense é de dimensões reduzidas, o treinador do Porto durante toda a semana treinou os seus jogadores para sucessivas incursões individuais na área do Moreirense com vista a provocar contactos dos quais haveriam de sair, com simulações mais ou menos credíveis, as desejadas grandes penalidades. No fim de cada uma destas jogada, se o árbitro não assinalasse o desejado penalty, montava-se o habitual coro de protestos em consequência dos quais mais tarde ou mais cedo haveria de resultar o inevitável penalty.    

É difícil encontrar no campeonato português ou em qualquer outro um jogo com tantas jogadas pretensamente polémicas dentro da área, todas elas construídas com o objectivo de levar o árbitro à marcação dos famigerados penalties. À medida que o tempo passava e a vantagem do Moreirense se consolidava, o nervosismo aumentava e as simulações eram cada vez mais toscas e desesperadas.

Sem as enumerar todas, podemos começar por uma palhaçada de Pepe que tenta desesperadamente um contacto com o jogador do Moreirense, metendo-lhe a perna à frente para o impedir de despachar a bola e logo que sente de raspão um ínfimo toque na meia, deita-se desengonçadamente para o chão a berrar que nem uma vitela recém-nascida. Este é o primeiro penalty que eles reclamam.

Depois é o Martinez, que até não tinha esta prática, tanto em Espanha como no Famalicão, mas que rapidamente a adquiriu no Porto para poder ombrear com Taremi na disputa de um lugar na frente de ataque, que consegue, finalmente, por ingenuidade do jogador do Moreirense o desejado contacto, que ele agravou, com receio que não fosse marcado, arrastando a perna direita para a direita da sua marcha para ter a certeza que dessa vez o jogador do Moreirense haveria de tropeçar nela. Hugo Miguel assinalou penalty que deu golo e o empate.

Logo a seguir, o miúdo Porto, muito franzino, mas já com uma considerável dose de manha no corpo, não aguentou o contacto com um jogador fisicamente muito mais forte e projecta-se para o ar chiar que nem uma gata. Hugo Miguel, como é óbvio, mandou seguir. E este é outro penalty que eles reclamam. Na sequência desta jogada o superbatoteiro Taremi faz uma simulação tosca e levou o cartão amarelo.  Desta vez não tiveram lata para pedir penalty

Ainda houve mais uma cena deste teatro feito pelo Porto que foi o derrube de Luís Diaz fora da área, mas perto da linha. Mais uma vez os restantes jogadores do Porto queriam penálty, quando é óbvio para toda e qualquer pessoa que veja as imagens que o pé que é atingido e do qual resulta o derrube do jogador é o pé direito que está fora da área. E este era mais um penalty que eles queriam.

O jogo terminou a seguir, mas depois seguiu-se o que já é habitual nestas circunstâncias com o Porto. Alguns jogadores rodearam a equipa de arbitragem a pedir satisfações e a protestar, a que se juntaram logo a seguir os arruaceiros vindos do banco comandados pelo treinador, que insultou o árbitro com ar agressivo, tendo desta vez sido acompanhado pelo assessor de imprensa que, de cabeça completamente perdida, deixou a impressão de queria agredir o árbitro e só não o terá feito porque o director de futebol do Porto, com muita dificuldade, o impediu de prosseguir o seu propósito agressivo.

Hugo Miguel em condições dificílimas fez um excelente trabalho, sabendo resistir à batota das simulações

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

JORGE JESUS, UM DESASTRE

 



ARSENAL 3 – BENFICA 2

Que o Benfica iria ter vida difícil na segunda mão dos dezasseis avos de final da Liga Europa, já toda a gente sabia, dada a fraca qualidade do futebol do Benfica e a incapacidade da equipa em criar situações de golo ou em concretizá-las nas poucas vezes em que as cria. O que se não sabia era que o treinador iria ter uma tão grande responsabilidade nessa derrota com as substituições que fez por volta dos 60 minutos de jogo.

Para que se perceba: o Benfica voltou a apresentar-se no jogo da segunda volta (disputado em Atenas por causa da COVID 19) com uma defesa de três centrais (Lucas Veríssimo, Otamendi e Vertonghen), mais dois laterais (Diogo Gonçalves ed Grimaldo). Uma linha média de três elementos (Weigl, Taarabt e Pizzi), uma linha avançada de dois: (Seferovic e Rafa).

Esta concepção táctica dos três centrais, mais dois laterais, que o Benfica experimentou, com outros jogadores, numa partida para a Taça de Portugal, salvo erro contra o Estoril, e depois repetiu parcialmente com os mesmos jogadores contra o Arsenal no jogo da primeira mão, foi, em nosso entender, muito mais ditada pela necessidade dc “acantonar” Lucas Veríssimo, que Jesus tanto se esforçou por contratar, do que pelas exigências ditadas pelo Arsenal. Logo aqui começam as “invenções” do treinador, pois sendo este um sistema exigente do ponto de vista do posicionamento defensivo só por muita sorte é que não iriam no decorrer do jogo aparecer situações para as quais a defesa no seu conjunto de cinco não estava suficientemente rotinada para responder com eficácia. Depois, sendo um sistema que exige muito dos laterais, já que terá de ser  por via deles que se poderá dar largura e profundidade ao jogo atacante, só pode ser experimentada e aplicada com sucesso quando se dispõe de laterias rápidos e com grande capacidade de recuperação nas transições defensivas. Por seu turno, competirá aos médios, pelo menos a dois deles, fechar o espaço que os laterais deixam a descoberto quando atacam e não recuperam defensivamente a tempo. Acresce a isto, para que a equipa tenha bola na frente e gente na área, que além dos avançados haja nas jogadas de ataque a presença do médio mais ofensivo e de um dos laterais.

Como o sistema é complexo, pressupõe muito trabalho, rotina ganha em competição, não seria de estranhar, como não foi, que a defesa, e por reflexo toda a equipa, para não se desposicionar, jogasse com lentidão, muita lateralização e passes para trás, enquanto o Arsenal ia tentando furar as linhas sempre que não caía na ratoeira do fora de jogo.

Esta foi a escolha de Jesus que somente não correu mal no primeiro tempo, apesar de o Benfica ter sofrido um golo, porque Diogo Gonçalves marcou de livre directo à entrada da área um excelente golo. Este golo, muito perto do intervalo, animou a equipa que se desprendeu das correias tácticas com que o treinador a agrilhoou a ponto de, nos pucos minutos que lhe faltavam para aa pausa ter estado à beira de marcar o segundo.

Veio a segunda parte e o jogo continuou frouxo nos quinze minutos iniciais, apesar de o Arsenal já estar a dar mostras de que iria arriscar o necessário para mudar o resultado, sem contudo ter criado nenhuma situação para o conseguir.

E foi então, aos 60m minutos, que Jesus cometeu a asneira da noite, previsível para qualquer pessoa que, com dois dedos de testa, venha acompanhando a carreira do Benfica e as capacidades dos seus jogadores. De uma assentada Jesus substituiu Seferovic, Taarabt e Pizzi por Darwin, Gabriel e Cebolinha. Se a substituição de Seferovic por Darwin ainda se pode compreender, pelas alterações que o modo de jogar de Darwin poderia trazer à frente de ataque do Benfica, apesar do suíço estar a cumprir dentro daquilo que são as suas capacidades, já as outras duas se anteviam verdadeiramente suicidárias.

Por sorte, antes que qualquer daqueles jogadores tivesse tido tempo de sequer tocar na bola, houve um canto contra o Benfica que permitiu a Helton Leite lançar rapidamente a bola para frente, antes de a equipa do Arsenal tivesse tido tempo de se reposicionar, bola essa defeituosamente atrasada por um defesa do Arsenal que permitiu a Rafa num dos seus extraordinários sprints ser mais rápido que o guarda-redes adversário e entrar com a bola pela baliza dentro.

Estava marcado o segundo golo e a eliminatória na mão com grande probabilidade de o score ainda poder ser mais dilatado, se o Benfica tivesse em campo jogadores suficientemente rápidos e tacticamente evoluídos capazes de proporcionar aos avançados bolas em profundidade. Pouco depois do golo, Darwin ainda se isolou, flectiu para a esquerda, mas quando chegou perto da baliza começou a não saber o que fazer com a bola, enrolou-se nela e perdeu-a. Numa outra ocasião, Gabriel beneficiando de umas dessas transições ofensivas, tinha tudo para entregar a bola ao colega isolado com grande probabilidade de marcar, mas optou por entregá-la inexplicavelmente ao guarda-redes adversário.

O Arsenal cada vez mais ansioso continuava a atacar pela esquerda e pela direita. Cebolinha completamente perdido em campo, não fazendo a menor ideia de como se defende, deixou de ser o obstáculo que o Benfica precisava para anular as jogadas do lado direito da defesa do Benfica e também à frente de cada vez que pegou na bola nada fez, salvo andar ou passar para trás. Um completo desastre, como, insisto, qualquer pessoa que perceba um pouquinho de futebol estaria em condições de antecipar. Por outro lado, Gabriel, errático nas marcações, como sempre, e sem qualquer hipótese de fazer passes longos, mesmo mal feitos, foi juntamente com Cebolinha mais um homem a menos no meio capo, recaindo sobre Weigl o trabalho que seria de um ou de outro, obrigando-o a desposicionar-se, deixando uma aberta no lugar que deveria ocupar. Veríssimo, pelo seu lado, ia dando sinais de intranquilidade. E assim, numa jogada pelo lado direito do Benfica, em que Cebolinha se portou nas duas vezes em que tentou enfrentar-se com o atacante arsenalista como uma verdadeira barata tonta, surgiu num remate cruzado indefensável o segundo golo do Arsenal.

Para cúmulo das asneiras, Jesus a sete minutos do fim tirou Grimaldo e meteu Nuno Tavares. E então numa bola que, começando por circular pela lado direito da defesa do Benfica sem que ninguém a interceptasse, chegou ao lado esquerdo com Gabriel como espectador e Nuno Tavares, distante do jogador que a recebeu, permitiu que este cruzasse à vontade para o poste oposto onde Aubameyang se antecipou a Lucas Veríssimo e fez o terceiro.

Depois dos 90 ainda entrou, para jogar pouco mais que dois minutos, Waldschmit num sacrifício gratuito, inútil e desnecessário.

E assim terminou uma jornada europeia em que Jorge Jesus mais uma vez deixou claro, sem qualquer dúvida, não somente a sua incapacidade para “ler” o jogo, como para fazer substituições.  Um erro imperdoável, tanto mais quanto mais previsível era o que poderia acontecer.

Jorge Jesus pode não sair pelo seu pé, mas se esse for o caso, como infelizmente parece, o Benfica vai ter que friamente ponderar o que lhe ficará mais caro: se manter Jorge Jesus em posto; ou se despedi-lo imediatamente. Se tivesse vergonha e dignidade, Jorge Jesus faria o que qualquer pessoa decente faz quando falha tão escandalosamente num lugar de alta responsabilidade. Ia-se embora, com ou sem pedido de desculpas.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

BENFICA – O PASSADO QUE AINDA PODERÁ SER FUTURO

 


Se eu fosse treinador do Benfica em Junho e soubesse que estavam para ser comprados Cebolinha, Gilberto, Darwin. Lucas Veríssimo e Pedrinho, comunicaria ao presidente a lista dos jogadores com que desejava ficar:

Vlachodimus, André Almeida, Ruben Dias, Grimaldo, Nuno Tavares, Weigl, Florentino, Samaris, Gedson, Pizzi, Taarabt, Rafa, Vinicius, Cervi e Gonçalo Ramos.

 Pedia o regresso de Diogo Gonçalves.

Vendia, emprestava ou dava os restantes, sem custos para o Benfica

Aceitava as compras de Helton Leite, Vertonghen e Waldschmit

E comprava na Liga Portuguesa sete ou oito dos melhores jogadores que nela jogam – 2 pontas de lança, um defesa esquerdo, um médio defensivo, um médio atacante, dois centrais e um terceiro guarda-redes cujos nomes não vou aqui indicar.

Eventuais dificuldades temporárias seriam supridas pela equipa B ou pela sub 23.

O Benfica teria poupado cerca de 80 milhões de euros, gastaria nas restantes compras, além das três acima citadas, cerca de 15 milhões de euros. E se Ruben Dias tivesse que sair, noutras condições, embora para o mesmo destino, aceitaria ficar com Otamendi – ou seja Otamendi comprado mais barato e Ruben vendido mais caro.

Com esta equipa o Benfica seria campeão nas calmas e teria entrado na Liga dos campeões, continuaria superavitário e não teria hipotecado financeiramente o futuro e muito menos desportivamente.

Com Jorge Jesus foi, infelizmente, a desgraça: desportiva e financeira, não apenas porque não ganhando desportivamente não se tem saúde financeira, mas também porque as compras por ele indicadas são uma tragédia, desportiva e financeiramente. Ele é tão mau, tão mau a escolher jogadores que nem se percebe como é que uma pessoa que anda nisto há cerca de 30 anos comete erros tão graves e irremediáveis.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

BENFICA - QUE FAZER?

 

O QUE MUDAR?




A maior parte das análises que estão sendo feitas sobre a situação do Benfica, apontam para respostas difíceis de pôr em prática.

Não é fácil substituir o presidente se ele não tomar a iniciativa de se demitir, dando lugar à marcação de eleições.  

Também não é fácil substituir o treinador se ele não aceitar um acordo de rescisão amigável, sem custos para cada uma das partes.

Mas também é verdade que mantendo estes dois intervenientes se torna difícil alterar o rumo das coisas. Se o presidente se não demitir nem for demitido, ele deve tudo fazer par rescindir com Jesus nas condições acima indicadas.

De facto, o Benfica é uma equipa sem alma, triste, que parece exclusivamente manietada pela ideia de não perder a bola. Isso faz com que os jogadores com menos técnica baixem a intensidade do jogo para não falharem o passe, que quase todos privilegiem o passe para trás ou para o lado, sem risco, mas também sem progressão, e mesmo quando conseguem chegar às imediações da área adversária e não encontram uma linha de passe segura, prefiram, por não haver quem remate de meia distância, em passes sucessivos atrasar novamente o jogo recuando até às imediações da sua área se não mesmo do guarda-redes, mesmo quando a equipa está empatada ou a perder.

Isto não é culpa dos jogadores. Alguém os deixa jogar assim. As agora chamadas transições ofensivas, os contra-ataques, em que o Benfica era fortíssimo, desapareceram quase completamente da equipa, seja por a velocidade não ser a desejada, seja por o jogador que conduz a bola não fazer a mínima ideia de como fazer o último passe. Este mal não é apenas aplicável às transições, ele está também presente sempre que se cria uma oportunidade. Normalmente, perde-se por o último passe ser quase sempre defeituoso. E nas raríssimas vezes em que o passe é bem feito, o jogador que o recebe, na esmagadora maioria das vezes, não acerta na baliza. Por outro lado, mesmo quando o avançado está isolado e tem a baliza obliquamente à sua esquerda ou à sua direita, o remate cruzado vai quase sempre para fora e outros vão directos ao guarda-redes.

As bolas paradas são hoje um verdadeiro quebra-cabeças para a equipa. Há muitos e muitos jogos que o Benfica não consegue marcar um golo de livre (talvez tenha marcado um, no princípio do campeonato), indo a maior parte deles para fora ou contra a barreira. Nos cantos, a mesma situação. Com excepção de Waldschmit não há quem saiba marcar cantos. O Benfica pode ter uma dúzia ou mais de cantos, por jogo, que daí não virá nenhum prejuízo para o adversário. A bola vai sempre para os adversários ou para onde nunca está ninguém.

No sentido oposto, o Benfica sofre sempre muito nos contra-ataques adversários, porque mesmo quando tem vários homens na defesa eles limitam-se a descer paralelamente à frente d portador da bola, sem tentarem interceptar o lance, permitindo àquele meter a bola onde deseja.

Tudo isto se treina e se corrige, mas no Benfica parece que não há quem o faça. A equipa está apática, sem garra, sem crença, comete sucessivamente os nmesmos erros, tem as mesmas falhas, e joga sem convicção. Dá até a impressão, desde o princípio, que está cansada do treinador. Um cansaço que até parece ter começado antes dele chegar.

Substituir Jesus é um imperativo, apesar de já pouco se poder fazer. O segundo lugar começa a ficar longe, a Liga Europa tem tudo para correr mal, e a Taça de Portugal, se o Benfica chegar à final, vai depender muito de como até lá as coisas tiverem corrido. Mais difícil é escolher quem pode ser chamado para fazer o resto da época. O Benfica, nos tempos que correm, não aguenta outra asneira. Quem chegar vai ter mudar muita coisa e vai ter de experimentar outros jogadores. Deixando de fora quem nestes seis meses não provou e dar uma hipótese a quem praticamente as não teve. 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

BENFICA - A CHAMA TRISTE

 

BENFICA – UMA EQUIPA TRISTE


Depois da grave crise do fim do século passado e da primeira década deste, em que durante 15 épocas   apenas se ganhou um campeonato, o Benfica, depois do seu ressurgimento em 2009/2010 até hoje, nos jogos contra o Futebol Clube do Porto na Liga, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça, ganhou 8 (embora num deles a vitória valesse de pouco por ter sido eliminado), perdeu 17 e empatou 8. Ou seja, mesmo que tivesse ganho os que empatou as suas vitórias continuariam a ser inferiores às do FCP. Isto para dizer que o resultado de hoje, visto à luz das últimas 10 épocas, não tem nada de anormal. O que parece difícil de explicar é a falta de alegria com que a equipa joga. O jogo para quem o está a observar de fora apresenta-se com laivos de sofrimento para os jogadores, para o treinador e demais elementos do banco.

Provavelmente todos percebem que a equipa joga mal, todos igualmente parecem ter interiorizado não acreditar que possa melhorar e todos parecem admitir que a equipa está à mercê de qualquer adversário bem dirigido mesmo quando os oponentes, individualmente considerados, estejam longe de representar um valor não substimável. E é essa convicção que a todos perpassa desde os adeptos, aos jogadores, à equipa técnica e aos dirigentes que vai tornar muito difícil a recuperação anímica do Benfica por haver uma profunda decepção enraizada em processos que, jogo após jogo, parecem não resultar.

E sem deixar de aprofundar este assunto, a que voltaremos mais à frente, no espírito de todos paira o enorme investimento realizado não apenas em termos absolutos, mas principalmente quando comparado com o dos três mais próximos rivais, dois deles em grandes dificuldades financeiras, os quais, com a prata da casa ou com investimentos de baixo custo em jogadores de equipas secundárias da nossa liga, apresentam equipas muito mais competitivas e mais atractivas que a do Benfica. E não vai ser a contratação de mais um ou dois jogadores ou a venda de dois ou três que vai resolver o problema, venha quem vier e saia quem sair. O problema é mais profundo e não pode nem deve por mais tempo ser escamoteado pela equipa dirigente.

O futebol do Benfica tem de mudar de estilo, tem de se adaptar às características dos jogadores que compõem o plantel e tem de permitir aos jogadores que joguem sem medo, que arrisquem mais. Se todos o fizeram tornar-se-ão mais solidários e os riscos serão menores.

Ora, a questão que se põe é esta: estará o treinador e a sua equipa técnica à altura deste desafio?

 E quanto ao plantel, o que nos disse o jogo de hoje? Acho que o jogo confirmou que Vlachodimos, não sendo um excepcional guarda-redes, é mais do que suficiente para guardar as redes do Benfica; que para encontrar um lateral como Gabriel não era necessário ter ido aos Brasil; que os centrais, tanto os que jogaram (e Otamendi até terá feito hoje o seu melhor jogo pelo Benfica), como os outros são suficientes para jogar no campeonato português e que Grimaldo tem qualidades excepcionais como atacante, tendo necessariamente de ser compensado pelo central esquerdo ou por um médio sempre que sobe. Na linha média, a questão é mais complicada: insistir em Taarabt é insistir em inúmeras bolas perdidas, frequentemente desequilibradoras da equipa; Gabriel é mais seguro, embora os seus passes longos falhem muitas vezes o alvo, todavia com menos perigo que as perdas antes referidas; Weigl tem tido ma adaptação difícil, mas se tivesse uma boa companhia poderia vir a ser um jogador de eleição, Nas alas, Everton, como já disse noutro post, dificilmente irá além daquilo que tem feito, mesmo assim é inacreditável que o treinador não o ponha também a jogar do oposto no qual, pelo menos, poderia tirar partido dos seus cruzamentos;  Rafa dá uma certa emoção à equipa, mas é uma emoção estéril porque na maior arte das vezes os seus desequilíbrios não produzem qualquer efeito útil e às vezes, quando produzem, como aconteceu hoje, eles acabam por se reflectir na parte oposta do campo. Quanto aos avançados, a questão é muito simples: têm de marcar golos e para os marcar têm de rematar à baliza, de frente de lado e até de costas e não assemelharem-se a um mestre de cerimónias quando têm a baliza pela frente.

Em conclusão: as perspectivas não são boas…

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

 

O REGRESSO DE JORGE JESUS E O ACTUAL BENFICA




PODE O BENFICA CONTINUAR A JOGAR NO MESMO SISTEMA?

 

Jorge Jesus regressou ao Benfica cinco épocas depois de o ter deixado, aureolado com as espectaculares vitórias alcançadas no Flamengo, mas debaixo de uma chuva de críticas que, todavia, não foram suficientes para pôr em causa a continuidade de Luís Filipe Vieira como presidente do clube, reconduzido por mais quatro anos em eleições recentemente realizadas.

A maior parte das críticas ao regresso de Jorge Jesus nada tinham a ver com a sua competência técnico-táctica como treinador de futebol, mas com as questiúnculas havidas durante os primeiros tempos do sua entrada no Sporting que levaram muitos sócios e adeptos a sentirem-se ofendidos com as palavras de Jorge Jesus. Essas questões, no que a mim me respeita, não me afectam nada na apreciação do trabalho do treinador nem interferem com a opinião que posso ter sobre o seu regresso ao Benfica.

Somente quem tem fraca memória e não sabe interpretar os factos não perceberá que não foi Jorge Jesus que quis sair do Benfica, mas o Benfica que não quis continuar com Jorge Jesus. O treinador tendo percebido antes do final da época que não era o preferido para continuar, tratou da vida – de uma vida diferente da que o Benfica estava disposto a arranjar-lhe (um contrato no Qatar) – e firmou um contrato com o Sporting que todos, sem excepção, consideravam não ter dinheiro para contratar um treinador tão caro. Vieira que não queria continuar com Jesus, mas também não queria que ele fosse para o Porto nem para o Sporting, quando percebeu que estava iminente a sua contratação pelo Sporting tentou evitar, sem êxito, o seu ingresso no clube de Alvalade.

A partir desse momento, convinha ao presidente do Benfica dar a entender que foi Jesus que “fugiu” do Benfica, para assim poder amortecer o coro de críticas da maior parte dos adeptos, que não admitiam a sua ida para o outro lado da Segunda Circular e ao treinador agradava-lhe a ideia posta a circular de que foi ele que resolveu dar um novo e diferente rumo à sua vida desportiva.

Consumado o facto, Vieira estava empenhado em demonstrar que ganhava com qualquer um, dada a excelência das condições que o Benfica e a sua estrutura do futebol proporcionavam a quem lá estivesse como treinador e Jorge Jesus pretendia demonstrar exactamente o contrário: que quem ganhava era ele, no Benfica ou no Sporting.

Nesta luta de galos devidamente amplificada e travada com alguma virulência pelos acólitos de ambas as partes, quem ganhou foi Vieira e com ele o Benfica, que poderia ter ganhado muito mais se o seu presidente não tivesse tido a soberba arrogância de supor que dali para a frente seriam “favas contadas”, qualquer que fosse o plantel à disposição do treinador. Do ponto de vista de Jorge Jesus a derrota foi total. Após o primeiro ano de contrato, a sua passagem pelo Sporting foi penosa e humilhante, com episódios nunca vistos no futebol português, tendo acabado por se refugiar no lugar que recusara ocupar quando o Benfica lho ofereceu: treinador nas “Arábias”, lugar donde também teve que partir antes do tempo por razões ainda hoje não completamente esclarecidas.

Frustrada a hipótese do seu regresso ao Benfica, pelo excepcional desempenho da equipa de Bruno Lage quando tudo já parecia perdido, depois de esgotada a solução Rui Vitória, Jesus viu-se forçado a fazer novamente o que não gostava: emigrar para um lugar longínquo do futebol europeu. Só que desta vez, esse lugar, apesar de longínquo, é um lugar a que está permanentemente no foco do futebol mundial, não só porque tem milhares de jogadores espalhados pelos quatro cantos do mundo, desde as melhores equipas até às mais modestas, mas também porque tem uma selecção que de quatro em quatro anos luta sempre para vencer o título mundial, já alcançado por seis vezes.

Contratado pelo clube mais popular do Brasil – o Flamengo – Jesus fez história, ganhando tudo o que havia para ganhar com excepção da Copa do Brasil e do Campeonato Mundial de Clubes, em que foi vice-campeão. Mas não só ganhou tudo como revolucionou o futebol brasileiro e pôs a nu a escassa competência técnica dos seus  treinadores.

 E é na sequência destas vitórias e de nova crise do Benfica que, depois de liderar campeonato com sete pontos de vantagem e apenas três pontos cedidos à 19.ª jornada, perdeu nas quinze seguintes 22 pontos!

Contratado Jorge Jesus sem surpresa e sem oposição explícita, tal fora o descalabro da equipa na época anterior, a partir da 20.ª jornada, com a promessa de ter um plantel “europeu”, foram chegando ao Benfica: Helton Leite (guarda-redes brasileiro vindo do Boavista, não escolhido por Jesus), Gilberto (brasileiro, defesa direito, vindo do Fluminense, indicado por Jesus), Vertonghen (belga, ex-Totenham), Diogo Gonçalves (regressado do Famalicão), Ferreyra (regressado do Espanyol), Darwin Nuñez (uruguaio, vindo do Almeria), Waldschmit (alemão, vindo do Freiburg), Everton “Cebolinha” (brasileiro, vindo do Grémio de Porto Alegre, indicado por Jesus), Pedrinho (brasileiro, vindo do Corinthians). Depois de iniciada a época saiu Ruben Dias e entrou Otamendi (argentino, vindo do Manchester City) e também Todibo, (francês, defesa central, vindo do Barcelona com opção de compra).

Da época transacta transitaram: Vlachodimus, Sevilar, Grimaldo, André Almeida, Ferro, Jardel, Nuno Tavares, Samaris, Taarabt, Cervi, Gabriel, Weigl, Pizzi, Chiquinho, Seferovic, Rafa e Gonçalo Ramos (que subiu dos escalões inferiores).

A estreia de Jorge Jesus não poderia ter corrido pior: a terceira eliminatória da Liga dos Campeões, jogada numa única mão por causa da “pandemia”, contra os gregos do PAOK, treinados por Abel Ferreira, traduziu-se numa derrota por 2-1, que afastou o Benfica da competição milionária mais prestigiada do futebol mundial, sem possibilidade de sequer jogar o play-off, logo num ano em que as equipas apuradas não representam o que de melhor há no futebol europeu.

Esta derrota teve consequências muito negativas na época em curso, não apenas porque retirou o Benfica do acesso a receitas insubstituíveis e da possibilidade de com elas melhorar o plantel em zonas nevrálgicas, como, pelo contrário, obrigou o clube o clube a pôr no mercado o seu jogador mais valioso - Ruben Dias – criando um buraco no eixo defensivo dificilmente colmatável. A solução de recurso encontrada foi a de receber como “contrapeso” desta transferência um jogador para o mesmo lugar de que o City desejava ver-se livre.

Iniciadas as competições nacionais e internacionais alguns dias depois da derrota de Salónica, o Benfica somou, consecutivamente, cinco vitórias internas e duas na Liga Europa. Durante este ciclo de vitórias ocorreram as eleições, as mais concorridas de toda a era Vieira e de sempre, que reelegeram por margem mais competitiva (cerca de um terço, dois terços) o actual presidente que beneficiou do bom momento que a equipa atravessava, não obstante a “inapagável mancha” resultante da derrota na Grécia.

Jogando no seu sistema de jogo habitual – 4-4-2; 4-2-4 -, o Benfica, embora tendo ganho folgadamente em Famalicão (5-1), em Vila do Conde (3-0), jogado mais ou menos normalmente contra o Moreirense (2-0), o Belenenses (2-0) e o S. de Liège (3-0), experimentou dificuldades inesperadas contra o Farense (3-2) e contra o Poznan (4-2) na Polónia que deixavam antever uma fraca capacidade defensiva no seu todo, embora mais notória no sector defensivo, individualmente muito fragilizado pela lesão de André Almeida em Vila do Conde, pela ausência de Ruben Dias depois da segunda jornada e também pela lesão, muito menos grave, mas impeditiva, de Grimaldo.

A partir daí foi o descalabro, a equipa entrou em queda livre sofreu 9 golos em três jogos consecutivos, perdeu 2 jogos e empatou um – Boavista, no Bessa (0-3), Rangers, na Luz (3-3) e Braga, também na Luz (2-3).

Mantendo-se fiel ao seu habitual sistema de jogo, Jorge Jesus ainda não compreendeu que não tem plantel para continuar do mesmo modo. Se este sistema já tinha sido, nos jogos com as equipas grandes, o grande calcanhar de Aquiles do Benfica nas primeiras seis épocas de Jesus, principalmente nos anos em que não reunia um plantel de luxo, esta época com um plantel apenas valioso no ataque, com uma linha defensiva individualmente fraca e lenta, uma linha média que verdadeiramente não tem um seis nem um oito, capazes de jogar box to box, embora um mais perto da cabeça da área a maior parte do tempo, com alas com pouca apetência defensiva e muitas vezes sem capacidade ofensiva para resolverem os jogos, o Benfica tornou-se presa fácil das bem orientadas equipas adversárias, que, aproveitando as quase nulas capacidades do Benfica nas transições defensivas, penetram na área e entre as linhas do Benfica como faca em manteiga quente.

Como não vai ser possível reformular todo o plantel, nem contratar em Janeiro, no mínimo, um central competente e dois médios que façam a diferença, o Benfica, se não quer que lhe aconteça o mesmo que aconteceu o ano passado a partir da 20.ª jornada, vai ter de mudar de sistema de jogo muito rapidamente, tornando-se mais forte no meio campo e protegendo melhor os corredores laterais.

As contratações dos vários jogadores que chegaram esta época só não são um “flop” completo, porque há jogadores que continuam a mostrar o seu real valor, não obstante as fragilidades colectivas da equipa, como é o caso de Darwin Nuñez e Waldschmit, dois excelentes jogadores em qualquer parte do mundo. Pedrinho, a jogar sempre fora do seu lugar natural, tem potencialidades para crescer se lhe for dada mais liberdade e jogar preferencialmente nas zonas centrais do ataque. Vertonghen também tem provado, não sendo de sua responsabilidade os desacertos defensivos da equipa. Enquanto jogou ao lado de Ruben Dias jogou bem. Já os demais deixam muito a desejar e nem sequer é expectável, do meu ponto de vista, que venham a melhorar.  Gilberto é o que é. Aquilo e nada mais. Distante de poder substituir um jogador como André Almeida. Otamendi, que nunca apreciámos, é um completo desastre. Foi um desastre contra o Farense, contra o Boavista, contra o Rangers foi logo expulso aos 19 minutos numa jogada que deixou a nu as suas limitações como central e contra o Braga teve uma exibição inqualificável, tendo estado nos três golos dos bracarenses em jogadas inadmissíveis mesmo na divisão inferior. Everton (Cebolinha) que chegou incensado em grande craque, está muito longe de confirmar os atributos que o recomendavam. E como de jogo para jogo vai jogando cada vez menos, diz-nos a experiência que num jogador com aquelas características físicas e anímicas (nos últimos jogos já entrou derrotado em campo e sem alegria) não é de esperar uma reviravolta que o catapulte para um nível compatível com o seu custo (talvez não fosse má ideia, se continuar assim até Janeiro, começar a pensar em negociá-lo no Brasil como moeda de troca por jogadores brasileiros que dêem mais garantias). Dentre os que continuaram apenas Seferovic tem estado ao seu melhor nível sempre que é chamado. Os restantes têm as virtudes e as limitações que se conhecem- Pizzi não defende, nem sabe defender; Taarabt também não e quando tenta faz falta, quebra por vezes o ritmo de jogo, ficando com a bola tempo de mais, mas, de tempos a tempos, lá vai fazendo um passe fenomenal. É pouco. Samaris e Weigl defendem melhor do que constroem e não dão progressão ao jogo. Gabriel faz um grande esforço para acertar os passes longos, tenta defender, mas igualmente se nota que é um pouco um peixe fora de água. Gosta de construir, pode desarmar quando passam por ele, mas deixa muito a desejar em matéria de ocupação de espaços. Cervi e Chiquinho pouco jogam e talvez merecessem mais, principalmente Cervi. Nuno Tavares começou bem, mas tem vindo a descer em ambos os aspectos: tanto a atacar como a defender. Se não tiver auxílio por parte de quem esteja daquele lado do terreno será um problema para a equipa. Gonçalo Ramos ainda não teve possibilidade de se mostrar e seria lamentável pô-lo a jogar quando o resultado já não é recuperável, como aconteceu contra o Boavista. Finalmente, Rafa e Grimaldo. Rafa está em grande forma. Se tivesse um pouco mais de discernimento no último passe e soubesse rematar cruzado (quase nenhum jogador português sabe) seria um jogador excepcional. Mesmo assim é insubstituível. Grimaldo tem um pé esquerdo que faz obras-primas. Não é, nunca foi, um primor a defender, mas é o jogador que melhor sabe interpretar e finalizar as transições ofensivas. Indiscutível na equipa do Benfica, porventura noutro lugar.

Para finalizar: Jorge Jesus tem de jogar noutro sistema. Se o não fizer é porque não aprende com os erros. Se os jogadores não são capazes de interpretar e actuar o sistema do treinador, terá de ser o trinador a pôr em campo um sistema em consonância com as características dos jogadores. Isto é um assunto que nem vale a pena discutir. E Jorge Jesus somente tem que escolher entre aumentar as possibilidades de ganhar ou reforçar as hipóteses de perder. Simples, portanto.

Jorge Jesus tem de adoptar um sistema de jogo que potencie as capacidades dos seus atletas, perfilhando um sistema que privilegie as suas ompetências e diminua ou atenue as suas insuficiências. Isso passa por um maior povoamento do meio campo na zona central e por um maior resguardo das faixas laterais, deixando na frente um trio muito móvel que possa na maior parte dos lances de ataque ser numericamente reforçado pelos alas e por uma subida de, pelo menos, um médio.

Tanto o 4-3-3 como o 3-4-3 servem aqueles objectivos. É uma questão de treino e de escolha dos jogadores certos para os interpretar, que não serão os mesmos num e noutro caso.

Com 4-3-3 terá de manter os actuais laterais com Tavares à esquerda, no centro da defesa Otamendi tem de ser substituído por qualquer um dos actuais centrais do plantel ao qual se juntará Vertonghen, deixando o meio campo entregue a Pizzi (ou Taarabt), a Gabriel, Weigl (ou Samaris) e Grimaldo, privilegiando a sua intervenção nos lances atacantes sem deixar de cuidar da defesa na ajuda a Tavares; na frente Rafa, Darwin e Waldschmit.

Se optar pelo 3-4-3 terá de colocar três centrais Todibo (ou Ferro ou Samaris), Jardel e Vertonghen; no meio campo Diogo Gonçalves, Gabriel (ou Pizzi), Weigl e Grimaldo; na frente, Rafa, Darwin e Waldschmit.

Na frente, Seferovic poderá sempre entrar, dependo do jogo e do modo em que esteja a decorrer; Cervi deveria também ter mais tempo, quer substituindo Grimaldo num dos sistemas ou Rafa, noutro. Chiquinho tenderia a substituir Taarabt ou Pizzi, mais excepcionalmente Waldschmit. Pedrinho também terá sempre possibilidade de entrar e Everton igualmente, dependendo da sua evolução, se cá ficar, bem como Gonçalo Ramos.

Continuando como até aqui, o Benfica vai continuar a perder o que deveria ganhar!

 

 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

O BENFICA BATEU NO FUNDO

 Luís Filipe Vieira: "Jorge Mendes não tem um ca... de um jogador ...


E DO FUNDO JAMAIS SAIRÁ COM VIEIRA

Sim, bateu no fundo e de lá não sairá enquanto toda esta gente que lá está, fora ou dentro,  não for corrida. É a sobrevivência do Benfica que está em causa. O actual presidente do Benfica, o maior demagogo da história do clube, levá-lo-á à ruína e à falência se não for imediatamente substituído com toda a gente que à sua volta gravita. Mas não haja ilusões: o Benfica não pode ficar nas mãos de quem andou de braço dado com Vieira e que somen te dele se afastou…quando foi afastado. Tem de aparecer alguém à altura da história do clube, capaz, primeiro que tudo, de lhe restituir a dignidade perdida e depois de empenhar-se na reconquista da competitividade desportiva.
Manter quem lá está é passar uma certidão de óbito ao Benfica. E mesmo que esta gente viesse mais tarde a ter que prestar contas na justiça por tudo o que fez à frente do Benfica, isso já de nada adiantaria porque por essa altura já o clube estaria de rastos e incapaz de se levantar.
Este homem que lá está e em quem os benfiquistas confiaram é um homem que não tem na sua vida anterior à sua entrada para o Benfica nada de que se possa orgulhar. Apenas falências, dívidas, muitas dívidas e negócios estranhíssimos que fazem a felicidade dos adversários do Benfica e já fazem parte do anedotário desportivo nacional.
E no Benfica, o que fez? Vendas, muitas vendas e compras, muitas compras, geradoras de muitas e avultadíssimas comissões. Negócios, quase todos ruinosos para o Benfica, mas altamente lucrativos para quem neles participa como intermediário ou como “parceiro” dos intermediários. O passivo do Benfica fala por si...
No Benfica, a sua história desportiva também fala por si. Desportivamente, averba a pior classificação da história do Benfica; a escolha de treinadores de opereta e, este ano, uma segunda volta, como a actual, que coloca o Benfica a rivalizar com o último classificado – o Desportivo das Aves. Se este fosse também o espelho da primeira volta, o Benfica lutaria para não descer de divisão.
Apenas durante o período de Jorge Jesus, por mérito exclusivo do treinador, o Benfica esteve à sua altura. Internamente, sem dúvida, e externamente lutou sempre pelos lugares cimeiros da divisão a que na Europa, infelizmente, pertence – a segunda. Fora este período e depois dele, somente a extraordinária competência individual de alguns jogadores guindou o Benfica a posições a que nunca chegaria por mérito da sua direcção. Portanto e em conclusão: quem quiser salvar o Benfica terá de correr com Vieira, prometendo ajustar contas com ele na justiça. E com ele terá também de marchar o seu principal cúmplice – Domingos Soares de Oliveira. Corrido igualmente terá de ser também o dorminhoco (sleepy) Rui Costa, a quem o Benfica nada, mas mesmo nada, deve e que tem sido um parasita pernicioso e inútil, principescamente pago. E também Tiago Pinto, cujo trabalho se esgota nos insultos aos árbitros e aos responsáveis das equipas adversárias.
A ver vamos se o Benfica ainda tem força anímica suficiente para se regenerar …Oxalá tenha!

quinta-feira, 11 de junho de 2020

A DESGRAÇA QUE ASSOLA O BENFICA


O QUE FAZ FALTA


BENFICA: VIEIRA PROMETE RESPOSTA 'FORTE' ÀS DERROTAS NA LIGA DOS ...

Os males do Benfica estão há muito identificados. Mas isso de pouco vale tendo em conta o que hoje se passa no futebol. E o que hoje se passa no futebol está à vista de quem ainda pode ver: o negócio domina completamente toda a actividade futebolística e é sabiamente aproveitado por quem o comanda e o dirige.

Estamos a falar num negócio de milhões. De centenas de milhões. Muito longe do pobrezinho negócio de tostões que ainda há pouco tempo era a regra na maior parte dos clubes. Não estamos a falar de lucros. Estamos a falar do dinheiro que gira no futebol. No dinheiro que passa nos cofres dos clubes. Sejam grandes ou pequenos, sejam muito milhões ou apenas alguns, quem domina as rédeas desse negócio tudo faz para não as perder.

Por isso hoje a gerência dos clubes, principalmente dos grandes clubes, é o local ideal para albergar a malandragem que pretende levar uma vida milionária sem ter que temer as consequências da sua actividade contrariamente ao que sucederia em qualquer outra pela fiscalização a que necessariamente estaria sujeita. Como no futebol reina a impunidade quase total e a paixão tudo desculpa e compreende, ele tornou-se naquilo que hoje é: um antro de negócios escuros, que os adeptos perdoam completamente desde que se ganhe e que imputam à maledicência e calúnia dos adversários quando se perde.

A paixão clubística, o fanatismo dos adeptos, é o terreno ideal onde medram dirigentes sem escrúpulos que beneficiam tanto nas boas como nas más ocasiões de quem os defenda incondicionalmente em quase todas as circunstâncias por antecipadamente saberem que, por mais verosímeis que elas sejam, acabarão sempre por ser imputadas à  “mão interesseira e perversa” dos seus rivais de sempre.

Estamos portanto muito longe daquele amor saudável e aguerrido que cimentou a mística dos clubes, correspondido por dirigentes sérios e dedicados, que sofriam tanto ou mais que os adeptos com as derrotas e que vibravam de desinteressada felicidade com as vitórias.

A situação do Benfica explica-se em poucas palavras, embora os remédios para o mal que o afecta possam ser bem mais complicados e difíceis de encontrar.

O Benfica sofre de um mal que a sua gloriosa história desconhecia: o poder pessoal de um dirigente que nem sequer adepto do clube era, que dele se apoderou com o apoio de um conjunto de indivíduos principescamente pagos, muitos deles também sem qualquer ligação afectiva ao clube, que vão entrando e saindo segundo as conveniência e os interesses do “chefe”.

Portanto, para regenerar o Benfica e tentar trazer de volta a sua verdadeira identidade (objectivo muito difícil de atingir), o primeiro passo a dar é afastar do poder, a bem ou mal, quem dele se apropriou e o mantém como propriedade sua. Dizemos a bem ou a mal, porque dificilmente seria viável uma substituição “democrática” pela natureza manifestamente antidemocrática de quem ocupa o poder.

Mas não basta uma qualquer substituição. Também aqui tem de haver linhas vermelhas: quem colaborou intimamente com quem lá está e apenas se afastou por ter sido afastado, também não serve. Tem de ser alguém cujo passado de benfiquista seja inquestionável e cuja personalidade seja um exemplo de honradez e seriedade. E há, ainda há, quem preencha estes requisitos. Se nada for feito neste plano, se os sócios e os adeptos continuarem a deixar-se enganar, o futuro do Benfica estará comprometido e nunca mais este clube voltará a luzir no firmamento do futebol.

Aos benfiquistas cabe a escolha.




terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

VOLTO PELAS PIORES RAZÕES



ASSIM NÃO VAMOS LÁ
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Volto ao blogue não porque esteja a ver agora o que não vi antes, mas pela simples razão de as coisas só poderem piorar daqui para a frente.
Desde há muito se percebia que o Benfica deste ano, sem nenhum jogador de génio, ia precisar muito de um treinador. Quando uma equipa tem um ou dois jogadores geniais, com um mínimo de cultura táctica, pode não ganhar tudo mas ganha o essencial, mesmo que o treinador “não exista”. O caso do Barcelona depois da saída de Guardiola é um bom exemplo.
No Benfica não havia nenhum Messi, nem mesmo Iniesta, mas havia jogadores que resolviam os problemas mais difíceis no contexto nacional. Com a sua ausência, o papel do treinador passaria a ser decisivo.
E isso foi exactamente o que no Benfica não se viu desde o princípio desta época. As falhas que agora são mais evidentes já lá estavam todas, disfarçadas pela fraqueza dos adversários internos e pela boa forma de dois ou três atacantes. E é por lá estarem que o Benfica perdeu com o Porto na Luz e fez a figura que todos conhecemos na Liga dos Campeões.
Quando os atacantes baixaram de forma e deixaram de marcar golos, a equipa,  na ausência os tais dois grandes jogadores, viu-se perdida sem ter ninguém que lhe valesse, salvo o Vlachodimos que passou a fazer a figura normal dos guarda-redes competentes de equipas pequenas - fazem muitas defesas.
Para além da lamentável forma de alguns jogadores e da fraca capacidade física de outros, o Benfica não sabe como sair a jogar sempre que a equipa contrária o pressiona e também não sabe pressionar na hipótese inversa, mesmo que esteja a ver como o adversário faz. O modo como o Benfica tenta condicionar a saída de bola do adversário traduz-se num desgaste físico inútil em que nenhum dos objectivos dessa pretensa pressão é atingido. Depois há o reverso da medalha. O Benfica tenta sair, mas não consegue e acaba por desferir o pontapé para a frente sem haja nenhum treino nem posicionamento adequado para ficar com a “segunda bola”. Ou seja, o Benfica não consegue aguentar a posse de bola. Mas não somente por isto: quando por outra razão a recupera, raramente a não perde por passes falhados. Se a perde no ataque, perde-se uma oportunidade; se a perde no meio campo ou na defesa, oferece-se uma oportunidade ao adversário. Pior que tudo é o que se passa nas agora chamadas “transições defensivas” – a equipa fica completamente perdida e não sabe como posicionar-se. A consequência é óbvia: os adversários aparecem velozes de frente para a defesa sem que ninguém os estorve. E a defesa que nestas circunstâncias ficaria sempre exposta, fica ainda mais por haver nela quem nem sequer saiba como “ir à bola” e pela manifesta falta de forma de outros. A ausência de uma adequada cobertura do chamado meio campo resulta também, como aconteceu em jogos anteriores, principalmente contra o Famalicão e contra o Braga, de em dois momentos da mesma jogada serem batidos vários jogadores do Benfica, número que já chegou a seis (!!!). Com seis, cinco ou quatro jogadores batidos numa jogada não há defesa que se aguente E menos ainda se a cultura táctica dos jogadores que a compõem for baixa.
Em conclusão: o plantel do Benfica foi mal construído e tem falhas gritantes, mas a maior falha é a do treinador. Bruno Lage é uma pessoa educada, bem comportada, toda a gente que se preza aprecia esses seus comportamentos, mas para treinador do Benfica não chega. E a prova de que o treinador está perdido são as suas intervenções no fim dos jogos. O desfasamento com a realidade é de tal ordem que até confrange. Por outro lado, mesmo nesta anarquia que é o jogo do Benfica, há opções incompreensíveis do treinador e a aposta noutras que igualmente ninguém compreende. Se um jogador não está em forma e vai de jogo para jogo demonstrando que não melhora, terá necessariamente que ir para o banco.
A menos que um milagre aconteça, prevejo um fim de época penoso mesmo sendo muito fraco o jogo do nosso principal adversário.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

FCP – O RIDÍCULO MATA


UM TREINADOR À MEDIDA
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O Porto de Pinto da Costa e seus apaniguados está desesperado e não é caso para menos. Apesar de ninguém formal e institucionalmente lhe ter ainda perguntado para onde foram os milhões que o FCP arrecadou em receitas da Liga dos Campeões e nas milionárias vendas de jogadores que durante anos o colocaram o top das receitas de transferências, ele sabe, face aos sucessivos desaires da equipa de futebol, que essa pergunta vai inevitavelmente surgir. E o que ele tenta com a sua conversa é atrasar o mais possível ser confrontado com essa realidade, insultando os árbitros, atacando o Benfica com a manifesta intenção de lançar areia nos olhos e fazer com que os seus fiéis lacaios o aguentem por mais uns meses, defendendo-o e secundando-o nos debates e comentários televisivos.

A seu lado terá, para defesa do seu próprio pêlo, o treinador que noutro qualquer país já teria reunido castigos suficientes para não voltar a aparecer até ao fim da época. Mas não. Em Portugal tudo lhes é permitido. Insultam os árbitros. Cercam as equipas de arbitragem no fim dos jogos com ameaças e inventam as desculpas mais estúpidas que um ser humano pode apresentar para justificar o seu insucesso.

Dizer que o Benfica ganhou no Bessa com golo ilegal, naquela que é unanimemente consideradas pela crítica como a melhor exibição do Benfica, esta época, fora de casa ou considerar o golo do Belenenses, que jogou sempre mais do que eles, precedido de falta é algo que só se concebe quando a irracionalidade já tomou conta do comentário futebolístico e deixou de haver por parte dos órgãos de comunicação um papel corrector das aleivosias neles proferidas

O golo de Cervi é à luz das imagens que as televisões têm passado um golo precedido de uma falta para penalty do jogador do Boavista que não foi marcada para não beneficiar o infractor. E o golo do Belenenses é legalíssimo, como os comentadores de arbitragem se não têm cansado de repetir, bastando para chegar a essa conclusão saber ler o que diz a “lei”. Mas não. Desde os “guedes” aos “rudolfos”, passando pelo destemperado treinador e até ao “falido marques” , todos eles estão empenhados em justificar a sua incompetência com falsas acusações convencidos de que poderão por essa via chegar à vitória.

O ridículo mata. E hoje os representantes do Porto a começar no seu presidente e acabar no treinador são simplesmente RIDÍCULOS!

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O JORNALISTA DO JN NO RIO DE JANEIRO

O BENFICA DEVERIA PROCESSÁ-LO


Um tal Miguel Gaspar que se intitulou jornalista do Jornal de Notícias, do Porto, interveio na conferência de imprensa que Jorge Jesus estava a dar no final do jogo contra o CSA, para, completamente a despropósito, se afirmar sportinguista, tendo na qualidade de jornalista lamentado muito a perda do campeonato, no primeiro ano em que Jesus treinou o Sporting, lembrando a época extraordinária então realizada da qual  só não saíram vitoriosos porque o campeonato lhes foi escandalosamente roubado, pelos padres, que o deram a outra equipa. E insistiu, perante a estupefação dos presentes, tendo depois formulado uma qualquer pergunta sem qualquer interesse.
Jesus não comentou o comentário do jornalista, mas daí não resulta que a calúnia não tivesse sido publicamente proferida. E o nome do Benfica enxovalhado perante todos aqueles que em Portugal o ouviram  e no Brasil por quem se tenha dado ao trabalho de se informar sobre o campeão nessa época.
Embora o comentário reflita a mentalidade pequena e mesquinha do adepto que não ganha nada com interesse há muitos anos e que muito provavelmente nada ganhará no futuro, seria profilático que o Benfica o processasse civilmente e lhe exigisse uma indemnização que o mandasse durante anos para a insolvência  Servir-lhe-ia de lição.
Essa pergunta pode ser encontrada neste video por volta do minuto 23.
  

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

VIEIRA, FORA!




ESTÁ NA HORA DE ACABAR COM ISTO – FORA COM ELES
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O Benfica é hoje a vergonha do futebol português na Europa. Da mentalidade que projectou e construiu o Benfica europeu não sobra hoje, dentro das estruturas dirigentes, nada. Absolutamente nada.

O descalabro começou com Jorge de Brito que apenas tem a seu favor ter sido um grande benfiquista mas que começou a afundar o clube por não perceber nada de futebol e se ter rodeado de oportunistas que já nessa altura estavam mais interessados em se mostrar e em beneficiar de algumas prebendas do que empenhados no lançamento das bases de um clube moderno condizente com as profundas mudanças que estavam a ocorrer na Europa desenvolvida.

Depois vieram o Damásio e a Prieto, as capelas, e um jet set falido das revistas cor-de-rosa que endividaram o clube, deixando uma dívida monstruosa e uma equipa em cacos. Foram eles que prepararam o terreno para que o primeiro grande oportunista tomasse conta do clube durante três anos o que somados aos três de Damásio é mais do que suficiente para arruinar a mais sólida herança. O que, infelizmente,  já não era o caso.

Todavia, o espírito popular democrático do clube mantinha-se, a muito custo, é certo, mas mantinha-se. Tanto assim que todas estas abencerragens foram corridas pela via democrática.

Sob o signo da regeneração entrou Vilarinho, não se sabe bem como, nem ele verdadeiramente sabia ao que vinha. Dele apenas a triste recordação de ter despedido um promissor treinador para contratar um benfiquista, seu “colega de copo e de cruz”, que “projectou” o Benfica para a mais humilhante classificação da sua história – sexto lugar!

Depois segue-se o que toda a gente sabe ou que só não sabe quem não quer. Vilarinho foi ao Alverca resgatar um comerciante de pneus usados, que aspirava projectar-se socialmente através do futebol, sócio dos três maiores clubes portugueses e amigo de Pinto da Costa com quem urdiu várias tramóias em prejuízo do Benfica.

Mesmo assim, por razões que se desconhecem, Vilarinho apostou nele e entregou-lhe a presidência do maior clube português

Seja o que for que tenha sido feito depois, esse é o dia em que o Benfica começou a perder a identidade que desde sempre, e principalmente durante os quase cinquenta anos de ditadura, o caracterizou – um clube democrático.

Luís Filipe Vieira instalou-se no Benfica em 2003 e desde então aqueles que ousassem disputar-lhe o poder eram tidos por traidores, tendo, à semelhança do que ocorre em todas as ditaduras, criado um regime jurídico eleitoral que praticamente inviabiliza qualquer alternativa por mais credível que seja.

O tempo e alguns êxitos desportivos caseiros permitiram-lhe criar uma falange de “apparatchiks”, dispersos pelos órgãos de comunicação do clube e também pelas rádios e televisões, pelas “Casas do Benfica”, que à menor crítica saltam em defesa do chefe, insultando e vilipendiando quem ousa desafiar o seu poder.

Transformado o Benfica num clube provinciano, havia que potenciar o “negócio” com parceiros escolhidos a dedo. Pouco importava que no passado tivessem actuado conluiados com os inimigos do Benfica. Quem era o presidente que se iria interessar com isso, desde que o negócio fluísse, se o próprio nesse mesmo ramo já tinha feito mesmo? Não era certamente o presidente do Benfica…

Primeiro, veio o Veiga com quem, por razões “negociais”, acabou ao fim de algum tempo por se incompatibilizar. Depois de um período de relativa orfandade chegou Jorge Mendes e a partir de então o negócio não deixou de prosperar.

Apesar de inculto e bastante grosseiro nas suas actuações, o presidente do Benfica percebeu que teria de ter qualquer coisa para entreter os sócios, passando a seduzi-los com promessas permanentemente incumpridas e com essa palavra mágica que é a “formação” -  a formação de uma equipa constituída por benfiquistas desde pequeninos …para ganhar na Europa..

Só que, como toda a gente vê, essa formação só serve para fazer negócios, vendendo talentos mal despontam e comprando – o negócio assim o exige - fiascos uns atrás dos outros.

O provincianismo do actual presidente do Benfica aliado à sua imperiosa necessidade de “fazer negócios” minou e destruiu por muitos anos o que tinha feito do Benfica um grande clube mundial – os seus êxitos europeus.

Hoje não há nenhum clube estrangeiro, por mais modesto que seja, que não “reze” para que lhe caia em sorteio o Benfica numa competição internacional. O Benfica soma não sei quantos derrotas internacionais com Vieira, dezenas e dezenas, não sei há quanto jogos não ganha nas competições europeias, certamente muitos, sendo hoje motivo de chacota dos seus adversários e de pena daqueles que o conheceram campeão.

Com Vieira esta situação só irá agravar-se por mais intensa que seja a campanha para desviar para outros a responsabilidade que somente a ele lhe cabe.

Vieira tem de sair, a bem ou a mal, para bem do Benfica, do bom nome e do prestígio do clube. E com ele todos aqueles que diária ou semanalmente envergonham o nome do Benfica e nos envergonham a todos nós.
Fora com eles!!!


sexta-feira, 20 de setembro de 2019

BRUNO LAGE – COMPETÊNCIA É GANHAR NA EUROPA


MAIS UMA DERROTA NA CHAMPIONS
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Mais uma vez o Benfica entrou na Champions a perder em casa. Aos adeptos mais velhos do Benfica, que têm bem viva a memória dos anos gloriosos que deram fama ao Benfica em todo o mundo, fica a ideia de que nesta “gestão Vieira” a Champions é uma competição menor, a que apenas interessa chegar para cobrar o prémio de presença. Com o prémio de presença no bolso, o Benfica encara a Champions como um clube de terceira linha da Liga portuguesa encara a Liga Europa quando por sorte lá vai.

O Benfica está atacado por um irremediável “provincianismo” e por um “negocismo” a que somente uma radical mudança de mentalidades pode pôr cobro. “Provincianismo” que infelizmente atinge uma parte considerável dos adeptos, para os quais o mais importante é ganhar o campeonato nacional. A Liga dos Campeões serve para rodar e para experimentar jovens da formação, chegando inacreditavelmente ao ponto de na mais importante prova do futebol mundial serem postos a jogar de início jogadores que não tinham até então um único minuto na equipa principal ou que estavam para ser dispensados e que somente não foram porque o “empresário” os não conseguiu colocar.

Tão grave ou até mais grave do que o “provincianismo” é o “negocismo”. O Benfica é hoje um clube dominado pelo negócio. Viera e Jorge Mendes, Jorge Mendes e Vieira têm no Benfica a sua galinha dos ovos de oiro. Mal desponta um talento, mal um jogador vindo de fora dá nas vistas, logo Vieira e Jorge Mendes quase não dormem, ansiosos que abra ou reabra o mercado para o vender. Vendem o que é bom, às vezes muito bom, e compram muitas vezes o que não presta ou presta pouco. O que importa é comprar e vender; ganha-se quando se vende e ganha-se quando se compra. A dívida, porém, mantém-se não obstante as verbas astronómicas que, desde há anos a esta parte têm entrado  nos cofres do Benfica. O pagamento das dívidas aos bancos é fundamentalmente substituído por nova dívida, agora resultante da emissão de obrigações.

Dito isto, que não é pouco, o Benfica não consegue ter no plano internacional uma equipa competitiva. Não só não é competitiva apenas contra os colossos da Alemanha, da Inglaterra ou da Espanha, que já encaram os jogos na Luz como um destino turístico, como também não é competitiva contra as segundas linhas desses países ou contra as equipas da Itália, da Suíça, da Holanda e da França. E às vezes até da Rússia.

Enfim, uma vergonha. Uma vergonha para todos os benfiquistas que não deixam esbater na sua memória as noites gloriosas do Benfica europeu no velho Estádio da Luz.

Ontem mais uma vez o Benfica perdeu. Perdeu como equipa pequena, tal como já havia perdido contra o Porto, em Agosto, jogo em que, para vergonha de todos nós, nem um único remate fez à baliza. Pior ainda, jogo em que o mérito do Porto não esteve em ter feito uma grande exibição – que não fez – mas em ter conseguido impedir o Benfica de jogar, o que diz bem das fragilidades técnico-tácticas do actual Benfica.

Certamente que o presidente do Benfica é o principal responsável por não dotar a equipa dos jogadores necessários para participar numa competição da envergadura da Champions. Mas logo a seguir vem Bruno Lage, que mais uma vez revelou a sua imaturidade para afrontar grandes jogos, quer na estratégia que põe em campo, quer nos jogadores que escolhe para a sua execução. As razões que apresentou para deixar Rafa, Samaris e André Almeida de fora ou são ridículas ou são inconsistentes. É ridículo afirmar que Rafa fica no banco por ter perdido ritmo por não ter jogado na selecção, e colocar Pizzi, que igualmente quase não jogou na selecção, e que em jogos grandes é como se não existisse, com um histórico de fracassos raramente visto em jogos internacionais. Por outro lado, é absolutamente inconsistente a afirmação de que num jogo como o de terça-feira, contra o Leipzig, Samaris e Fejsa são incompatíveis. Não só não são incompatíveis, como, pelo contrário, se justificava o reforço do meio campo com mais um médio, um deles (Taarabt) um pouco mais à frente.

Ontem, toda a gente estava à espera que o Benfica alinhasse com André Almeida na defesa, com Fejsa, Samaris e Taarabt no meio campo e na frente com Rafa, Seferovic ou RDT e Pizzi, embora este sob especial vigilância, devendo ser substituído logo que se concluísse que mais uma vez ficaria à margem do jogo, como realmente aconteceu.

Infelizmente, nada disto parece ter grande importância para parte considerável dos adeptos do Benfica que exultam com as vitórias caseiras, sejam elas contra o Gil Vicente ou o Paços de Ferreira, e secundarizam as derrotas no palco internacional, o único que realmente enobrece uma equipa, lhe dá fama, proveito e glória!


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

BENFICA – O JOGO CONTRA O PORTO E OUTRAS COISAS MAIS




UMA DERROTA MARCANTE
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Qualquer benfiquista que se preze, conhecedor da história do clube e defensor dos ideais que sempre o nortearam, sente-se envergonhado, para não dizer ultrajado, quando liga a BTV e lhe aparece pela frente gente como Pedro Guerra ou José Nuno Martins, para apenas citar dois dos colaboradores daquela estação que mais danos causam ao Sport Lisboa e Benfica.

Nem um nem outro sabem que o Benfica só será fiel às suas origens e à sua história se continuar a ser um clube popular e democrático que pauta o seu comportamento, externamente, pelo respeito pelos seus adversários e, internamente, aberto, como sempre foi, à divergência de opiniões e ao confronto de ideias

O fascismo “rasca” de comentadores que desrespeitam os adversários, que baseiam o seu comentário na mais reles demagogia e que desavergonhadamente insultam quem se lhes opõe ou deturpam os factos dos que os confrontam com os seus desonestos comportamentos não têm, não podem ter lugar, na comunicação do Benfica.

Se tiverem, se continuarem a ter, é porque algo vai muito mal no “reino” do maior de Portugal.

Todos sabemos, desde tempos imemoriais, que não há nada mais grave para o saúde de uma comunidade, seja ela grande ou pequena, do que a perpetuação do poder nas mãos da mesma pessoa e de uma só pessoa. A ausência de rotatividade do poder leva sempre à sua corrupção. Cria-se uma legião de apoiantes, actuando sabujamente às ordens do chefe, dispostos a fazer tudo o que necessário for para manterem e perpetuarem o poder que lhes garante mordomias, benesses e notoriedade que jamais alcançariam pelos seus próprios méritos.

Assinante do BTV apenas para ver os jogos, de preferência sem comentários, como faço em qualquer outro canal, rarissimamente me predisponho a ver, por momentos que seja, um programa “baseado em conversa”. Hoje, de manhã, tive a desdita de passar pela BTV quando a antena estava aberta ao público e depois de ouvir uma ou duas intervenções interessantes de simpatizantes do Benfica sobre o jogo de sábado passado e as suas futuras repercussões, levei logo com uma longa, demagógica, monocórdica e subserviente peroração de Pedro Guerra que fala para os benfiquistas como se fossem atrasados mentais e logo a seguir com as ordinarices protofascistas de José Nuno Martins. Senti-me enojado e deliguei a televisão.

Sobre o jogo contra o Porto, também eu pertenço ao número dos que se sentiram humilhados e envergonhados com o que no sábado aconteceu na Luz, a ponto de somente hoje ter voltado a ligar a televisão, tal era a necessidade de me manter mentalmente afastado de tudo o que directa ou indirectamente tivesse a ver com um dos jogos mais traumatizantes da história recente do Benfica.

Comecemos pelo princípio, pelo que estava à vista de todos e que somente não via, ou não vê, quem não quer ver. Ou seja, o Benfica não pode jogar com dois avançados que não marcam golos e que até sábado passado vinham perdendo cinco a seis oportunidades de golo por jogo. Antes de mais, a “ilusão Seferovic”. Mercê de circunstâncias excepcionais o esforçado avançado suíço marcou na época passada mais de duas dezenas de golos, tendo-se a partir daí – em grande parte do culpa do treinador – deixado criar a falsa ideia de que Seferovic era o avançado de que o Benfica precisava para afrontar a exigente época que tem pela frente. Não era nem nunca o será. Seferovic não tem lugar numa equipa com as aspirações e ambições do Benfica. Se RDT terá ou não, é algo que somente o futuro o dirá, já que do que até agora se tem visto nada permite tirar a conclusão de que é o homem certo para aquele lugar. Digamo-lo sem rodeios: Jonas a trinta por cento e João Félix valiam o triplo dos golos que Seferovic e RDT serão capazes de marcar.

Bruno Lage andou mal e passou um atestado de estupidez aos benfiquistas quando afirmou que se devia à acção daqueles dois homens os zero golos que o Benfica havia sofrido até ao jogo de domingo, porque “eles correm muito”…

Em segundo lugar, o Benfica não pode jogar com um lateral direito esquerdino, como já se tinha visto nos jogos anteriores e muito menos quando joga com um ala direito que não participa em acções defensivas. Isso pode resultar contra cerca de quinze equipas da Liga Portuguesa, mas não resultará contra as outras quatro nem contra as equipas estrangeiras que o Benfica defrontará na Liga dos Campeões.  

Se o Benfica já tinha problemas no ataque mas com mais problemas ficou depois da lesão de Chiquinho, escasseando o tempo para contratar um reforço à altura, não diremos dos avançados que saíram, mas das aspirações do Benfica.

Finalmente, não se compreende como não foi o treinador capaz de, durante 90 minutos, ensaiar um plano capaz de contrariar o jogo do Porto. Que o Porto tenha surpreendido nos primeiros 15, 20 minutos, é algo que sem dificuldade se aceita. O que se não aceita nem compreende é que o treinador não nada tenha feito para sequer tentar desfazer a teia em que o Porto envolveu o Benfica durante todo o jogo

É que não se tratou do colapso de um ou dois jogadores, mas de toda a equipa, com excepção de Vlachodimos, o que, obviamente, deixa perceber a ausência de uma voz de comando capaz de inverter a situação. Algo, portanto, que dá que pensar.

Os benfiquistas não esquecem a época 2010/11, segunda época de Jorge Jesus, em que antes de tudo começar se dava como certo a uma caminhada vitoriosa …que terminou a 21 pontos de distância do FCP. Também este ano parecia que as vitórias já estavam asseguradas antes de se começar a jogar a sério…e, para já, foi o que se viu. Esperemos que, pela terceira vez nesta década, o Benfica não repita o que nela já fez por duas vezes: soçobrar no preciso momento em que a vitória faria mergulhar o seu mais directo rival numa crise sem paralelo nos últimos 35 anos. Há qualquer coisa que continua a faltar a este Benfica…