POR QUE NÃO MOSTRAM COM IMAGENS DA UEFA O QUE SE PASSOU
EM CAMPO?
No contexto sociopolítico em que
vivemos a posição politicamente correcta do Benfica seria esta: a acusação
feita ao jogador do Benfica, Prestianni, na primeira mão do play off da Liga
dos Campeões contra o Real Madrid, é grave, sendo nossa obrigação investigá-la
a fundo, porque no mundo do futebol, como em qualquer outro domínio da vida em sociedade,
comportamentos racistas são inaceitáveis, sendo nosso obrigação tudo fazer para
os prevenir e punir, caso ocorram. Ou seja, o politicamente correcto obrigaria
a que o Benfica partisse do pressuposto de que o jogador é culpado, salvo se
conseguir demonstrar a sua inocência.
O Benfica não seguiu este caminho
e fez bem, mesmo estando em jogo a autocrática UEFA e o poderoso Real Madrid,
porventura mais poderoso fora do campo do que dentro.
É igualmente de louvar a posição
assumida por José Mourinho, que apesar de estar no Benfica há apenas 7 meses,
tem defendido o Benfica, desde que chegou, em todas as ocasiões muito mais do
que muitos que se dizem benfiquistas há décadas e passam grande parte do seu tempo
a atacar o Benfica – Presidente, Treinador, Jogadores, etc., contemporizando,
além do mais, com os grandes detractores do Benfica.
É inadmissível que em quase todas
as estações de televisão, com destaque para a CMTV, que se aludam a factos que
não constam da transmissão da UEFA, não tendo, portanto, a mínima credibilidade,
que dêem como provados factos que não o estão e que no seu delírio
anti-benfiquista cheguem ao ponto de afirmar que é o “suspeito” – sim, suspeito
é o máximo se poderá dizer – que tem de provar a sua inocência.
Estão muito preocupados com um pretenso
acto de racismo - todos, desde o “Promotor” Vítor Pinto e os seus ajudantes do
Sporting e do FCPorto- mas não dizem nem uma palavra sobre a afirmação inacreditável
do grande defensor da ética e da moralidade no desporto, quando a propósito de
um episódio sobre “ bolas e toalhas
“teve o desplante de afirmar que: “Nós
não estamos em África” . Isto sim, isto é uma reles manifestação supremacista,
tão racista e xenófoba como a daquele partido que encheu Portugal de norte a sul
com cartazes dizendo: “Portugal não é o Bangladesh”. Pois pode o Sr. Varandas
estar descansado e continuar como guardião imaculado da ética, porque com
tiradas destas não passa as fronteiras de Alvalade.
Voltando ao que nos interessa e
deixando-os a ver passar a caravana, a nossa opinião é a de que o Benfica actuou
correctamente, de acordo com as regras da sociedade em que nos inserimos, e que
tanto se aplicam a nós como à UEFA.
Acho que o Benfica actuou da
forma mais consentânea com o que realmente se passou e também conforme ao clima
emocional gerado no Estádio. Toda a gente (do Benfica) que estava assistir ao
jogo ficou muito chocada com o comportamento de Vinicius Jr, depois da marcação
do golo aos 50 m de jogo. Vinicius é um provocador insuportável, um malcriado e
um daqueles tipos que se aproveita da cor da pele para dela tirar vantagens
colaterais ou directas. Não tenho conhecimentos científicos para afirmar que se
trata de um comportamento ditado por um profundo complexo de inferioridade ou
antes de superioridade. Sei como ele se comporta nos relvados, principalmente
nos de Espanha, com cerca de trinta queixas de racismo e também fora de Espanha
e até no próprio Brasil. Havendo na Europa centenas de jogadores negros, de
alto nível, tanto nas cinco principais ligas europeias como nas restantes, não
há noticias de que tenham sido alvo de comportamentos racistas nos países onde
actuam, salvo excepcionalmente. Muito excepcionalmente. Pois Vinicius nestes
últimos 5 ou 6 anos regista no seu percurso muitíssimos mais episódios desta
natureza do que todos os milhares de jogadores, igualmente negros, que jogam na
Europa no mesmo espaço de tempo. Algo de
estranho se passa…
Após o golo, ele provocou os
adeptos do Benfica, a dois ou três metros deles, com uma dança que nunca mais
acabava, gozou com a bandeira do Benfica colocada no topo da bandeirola de
canto, e com a própria águia batendo com os braços em forma de asa, com um descaído,
a ponto de o Mbappé se ter aproximado dele, aconselhando-o certamente a acabar
com a brincadeira, mas já não a tempo de evitar o cartão amarelo com o árbitro o
sancionou por comportamento anti-desportivo.
Na sequência desse “show”, ele correu
em direcção a Prestianni, chamando-lhe várias vezes “cabrão” ou “cagão”. Foi
então que este se aproximou dele e com a camisola a tapar a boca disse-lhe
qualquer coisa. De imediato o Vinicius começou a correr em direcção ao árbitro,
gritando: “Juiz, Juiz, Juiz”, ele (apontando para o argentino), ele chamou-me “mono”,
“mono”.
É nessa altura, quando passou por
Mbappé, a gritar, que este corre, em direcção a Prestianni, com ar muito
agressivo. De imediato, dois jogadores negros do Real Madrid (Rüdiger e, creio,
Tchouameni) e ainda um branco (Arda Güller, se não erro) se abeiraram do
argentino e com ar muito amistoso puseram-lhe, à vez, o braço sobre o pescoço,
levando-o para longe da confusão, enquanto Rüdiger afastava rispidamente
Mbappé, que continuava a barafustar.
E é a interpretação gestual destas
cenas que me leva a concluir que os jogadores do RM, nomeadamente Mbappé, não
ouviram nada do que Prestianni disse e a concluir também que, com excepção de
Mbappé, me não pareceu que os jogadores do RM estivessem incomodados ou
ofendidos com o que se passou entre Vinicius e Prestianni, certamente por todos
eles conhecerem muito bem estas cenas do brasileiro.
Hoje, como estamos sob a ditadura
do “politicamente correcto”, valendo a hipocrisia muito mais do que a
sinceridade, é preciso ser muito cauteloso com meia dúzia de temas
hipocritamente muito sensíveis (entenda-se: não os temas em si, que podem até
ser muito graves, mas o aproveitamento que deles se pode fazer), havendo,
portanto, que separar muito cautelosamente o que é realmente grave e o que não
tem gravidade nenhuma, quer pelo contexto em que ocorreu quer pela
intencionalidade com os respectivos actos foram praticados.
Eu, se tivesse, como juiz, de
julgar um caso destes, mesmo no contexto de um jogo de futebol, não atribuiria
a este caso (dando como provado o que não está e que dificilmente poderá vir a estar)
uma conotação racista, mas antes uma reacção normal, entre futebolistas,
decorrente de uma provocação.
Alguém diria, se o Vinicius fosse
branco, e o Prestianni negro, que se tratava de um comportamento racista, se
Prestianni lhe dissesse: “Deixa de ser macaco e põe-te andar para o teu campo.”?
A minha, não vou dizer opinião,
mas digo, a minha suspeita é que Vinicius faz todas estas provocações com a intenção
de gerar comportamentos racistas, que o vitimizem e dos quais se possa aproveitar.
Com que amplitude, não sei. O que sei é que o jogo de terça-feira passada terminou
ao cinco minutos da segunda parte e o da próxima quarta-feira já está completamente
envenenado. E o Real Madrid, como bem diz o Barcelona, não é alheio a nada disto!
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