quinta-feira, 11 de junho de 2026

SAI MOURINHO ENTRA MARCO SILVA

 A NORMALIDADE IMPÔS AS SUAS REGRAS



Mourinho, ligado contratualmente ao Benfica por mais um ano, rescindiu o contrato para se ligar ao Real Madrid. Sem conflitos pessoais ou institucionais, Mourinho comunicou ao Benfica a sua decisão; o Benfica receberá a indemnização a que tem direito, devida por Mourinho, embora seja óbvio que será o Real Madrid a pagá-la.

Quinze milhões de euros são o que o Benfica receberá a título indemnizatório.
Tudo se passou naturalmente, no tempo adequado.
O Benfica agradeceu a Mourinho o seu trabalho como treinador e Mourinho agradeceu ao Benfica a honra e o privilégio de o ter escolhido como treinador,

Dois minutos depois de confirmada a rescisão de Mourinho, o Benfica anunciou Marco Silva como seu treinador nos próximos dois anos.
Os grandes derrotados deste negócio, vulgar e corrente em futebol, são os jornalistas do Record e os paineleiros da CMTV e da NOW que passaram, durante cerca de três meses, dezenas de horas a anunciar catástrofes causadoras de danos irrecuperáveis, acumulando mentiras e meias verdades com a intenção de segurar audiências que de outro modo não teriam. É uma derrota histórica da CMTV e do Record, embora a conhecida falta de vergonha com que mudam de posição e de narrativa nos leve a antecipar que em breve voltarão a estar presentes 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

SOBRE A "NOVELA" MOURINHO-BENFICA

 

 MOURINHO E O BENFICA

Salvo a questão da “camisola”, não vejo nenhuma razão para que o Benfica e os benfiquistas se sintam melindrados por Mourinho ter rumado ou estar em vias de rumar ao Real Madrid, se Florentino Perez ganhar as eleições, como parece provável..
Mourinho ofereceu-se ao Benfica por mais três anos sem exigir nada diferente daquilo que já tinha. O Benfica, a direcção do Benfica, entendeu não responder. É certo que quem está calado não diz que sim nem que não, todavia Mourinho interpretou esse silêncio como uma falta de interesse do Benfica na sua continuidade a médio prazo. E como no contrato que o ligava ao Benfica se previa a possibilidade de, no fim da época, durante dez dias, qualquer das partes poder rescindir o contrato, mediante o pagamento de uma indemnização "simbólica" (cerca de três milhões de Euros), Mourinho, ciente do interesse que por ele tinha o Presidente do Real Madrid, terá encarregado o seu agente (Jorge Mendes) de iniciar negociações com vista a uma possível transferência para o clube madrileno. Deu-se-porém o caso de às eleições do clube madrileno, previstas para o próximo fim-de-semana (6/7 de Junho de 2026), se ter apresentado um candidato com que não se contava. E esse facto, obrigaria Mourinho a ter de esperar pela realização do acto eleitoral, para comunicar ao Benfica a sua intenção de se desvincular do contrato vigente (por mais um ano) já que o compromisso de Florentino Pérez de nada valeria se ele não fosse eleito Presidente do Real Madrid.
Este facto inesperado levou a que a transferência de Mourinho para o Real Madrid passasse a ser muito mais onerosa (15 milhões) do que teria sido se Florentino concorresse sozinho, como se esperava.
Entretanto, para não deixarem o Benfica "pendurado", Pérez já comunicou ao Benfica que, se ganhar as eleições, Mourinho se vinculará ao Real Madrid, responsabilizando-se o clube espanhol a pagar a indemnização resultante do incumprimento (15 milhões de euros).
Diz-se que Mourinho jogou com o tempo por não ter tomado de imediato a decisão de se desvincular do Benfica. Mourinho, de certo modo, teve um comportamento idêntico ao do Benfica: sendo certo, ou como tal parecendo, que o Benfica não queria continuar com Mourinho como treinador, também o Benfica poderia, no fim da época, ter rescindido o contrato com Mourinho, primeiro por uma verba baixa ou depois, passado o prazo acima referido, por uma verba cinco vezes superior.
O Benfica não o fez porque estava à espera que fosse Mourinho a fazê-lo e Mourinho também o não fez por entender que deveria ser o Benfica a tomar a iniciativa, já que não desejava a sua continuidade como treinador. Por outras palavras, nem uma parte nem a outra tomaram a iniciativa de se desvincular por nem uma nem outra quererem assumir a responsabilidade de pagar a indemnização resultante da desvinculação.
Portanto, não vejo que as críticas a Mourinho se justifiquem. Mourinho teve sempre como treinador do Benfica um comportamento exemplar. De grande respeito pelo clube, empenhado na sua defesa em todas as ocasiões.

Aparecer com a camisola do RM quando ainda estava vinculado ao Benfica é um acto reprovável, se for verdadeiro. Fontes próximas de Mourinho garantem que é um produto da inteligência artificial. Estou certo de que Mourinho acabará por esclarecer o assunto.


Rui Costa, Presidente do Benfica, também me não parece passível de críticas, tendo em conta a apreciação que ele terá feito da prestação de Mourinho. Todos os indícios apontam no sentido de Rui Costa estar desde o início do ano em curso (2026) francamente desiludido com a prestação de Mourinho. Bem cedo Rui Costa terá antecipado que Mourinho iria perder o campeonato (desde o jogo contra o Braga, no fim da primeira volta); desiludido também ficou com as três derrotas seguidas na Liga dos Campeões e depois com a posterior eliminação (nove jogos: três vitórias e seis derrotas); também com a eliminação da Taça da Liga, contra o Braga, depois de uma prestação sofrível nas jornadas anteriores; eliminação da Taça de Portugal contra o FCP, igualmente depois de uma prestação insatisfatória nas jornadas antecedentes contra equipas menores; e, por fim, perda do acesso à Liga dos Campeões a favor do Sporting.
A proposta de Rui Costa para renovação por mais três anos do contrato de Mourinho, apresentada quando o próprio Mourinho já tinha decidido sair, deve interpretar-se como um gesto destinado a dar aos sócios a ideia de que Moutinho saiu porque quis e  não por culpa do Presidente. Interessa em todo o caso afirmar, para afastar muitas as neiras que sobre o assunto se disse, que esta proposta já caducou há muito tempo e não tem neste momento qualquer eficácia jurídica.

O que neste momento continua vigente é o contrato por mais um ano entre o Benfica e Mourinho. Quem o denunciar ou rescinfir vai ter que pagar a respectiva indemnização.

E a partir daí, o comportamento de Rui Costa foi "politicamente" correcto. Esperou que Mourinho rescindisse para que o Benfica pudesse ainda tirar algum proveito dessa rescisão.
Questão completamente diferente é a de que pensam sobre tudo isto os sócios e os adeptos do Benfica.
Antes de mais interessa dizer que os benfiquistas foram "envenenados “durante, pelo menos, dois meses, com comentários diários, à tarde e à noite, e "noticias" da CMTV, da CNN, da SIC N, da NOW e também de alguns comentadores da RTP. Comentários e comentadores de inimigos do Benfica, que por mais contraditórios que fossem tinham em vista apresentar o Benfica como um clube à deriva, um Presidente sem rumo, a caminho do caos ou do precipício. Por razões que não vem agora ao caso explicar, comentadores ligados  ao Benfica, alinharam ingenuamente nestas narrativas, ou não tiveram a capacidade e até a liberdade suficientes para as contrariar.
É natural que não haja unanimidade entre os benfiquistas: uns podem achar que o Benfica deveria logo em Março responder afirmativamente ao repto de Mourinho, concedendo-lhe um contrato de médio, logo prazo e outros entenderão que Mourinho deveria ter sido despedido logo no fim da época.

A minha opinião é de que Mourinho é um grande treinador como também foram outros que passaram pelo Benfica sem ganhar nada. Preferia que Mourinho continuasse no Benfica. Porém, a partir do momento em que começou a aceitar a ideia de ir para o RM, a solução era deixá-lo partir, com indemnização

É minha convicção que o problema do Benfica não está no treinador. Noutro post darei a minha posição sobre o assunto. Lembro que o Benfica nunca foi campeão sem um ou dois grandes goleadores. As oportunidades que o Benfica perdeu durante a época e os erros defensivos individuais que cometeu davam para o Benfica ser campeão, ir à Final da Taça de Portugal e ter outra classificação na primeira fase da Liga dos Campeões, inclusive para golear copiosamente o Real Madrid.

 






sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

EM DEFESA DO BENFICA E DE PRESTIANNI

 POR QUE NÃO MOSTRAM COM IMAGENS DA UEFA O QUE SE PASSOU


EM CAMPO?

No contexto sociopolítico em que vivemos a posição politicamente correcta do Benfica seria esta: a acusação feita ao jogador do Benfica, Prestianni, na primeira mão do play off da Liga dos Campeões contra o Real Madrid, é grave, sendo nossa obrigação investigá-la a fundo, porque no mundo do futebol, como em qualquer outro domínio da vida em sociedade, comportamentos racistas são inaceitáveis, sendo nosso obrigação tudo fazer para os prevenir e punir, caso ocorram. Ou seja, o politicamente correcto obrigaria a que o Benfica partisse do pressuposto de que o jogador é culpado, salvo se conseguir demonstrar a sua inocência.

O Benfica não seguiu este caminho e fez bem, mesmo estando em jogo a autocrática UEFA e o poderoso Real Madrid, porventura mais poderoso fora do campo do que dentro.

É igualmente de louvar a posição assumida por José Mourinho, que apesar de estar no Benfica há apenas 7 meses, tem defendido o Benfica, desde que chegou, em todas as ocasiões muito mais do que muitos que se dizem benfiquistas há décadas e passam grande parte do seu tempo a atacar o Benfica – Presidente, Treinador, Jogadores, etc., contemporizando, além do mais, com os grandes detractores do Benfica.

É inadmissível que em quase todas as estações de televisão, com destaque para a CMTV, que se aludam a factos que não constam da transmissão da UEFA, não tendo, portanto, a mínima credibilidade, que dêem como provados factos que não o estão e que no seu delírio anti-benfiquista cheguem ao ponto de afirmar que é o “suspeito” – sim, suspeito é o máximo se poderá dizer – que tem de provar a sua inocência.

Estão muito preocupados com um pretenso acto de racismo - todos, desde o “Promotor” Vítor Pinto e os seus ajudantes do Sporting e do FCPorto- mas não dizem nem uma palavra sobre a afirmação inacreditável do grande defensor da ética e da moralidade no desporto, quando a propósito de um episódio sobre  “ bolas e toalhas “teve o desplante de afirmar que: “Nós não estamos em África” . Isto sim, isto é uma reles manifestação supremacista, tão racista e xenófoba como a daquele partido que encheu Portugal de norte a sul com cartazes dizendo: “Portugal não é o Bangladesh”. Pois pode o Sr. Varandas estar descansado e continuar como guardião imaculado da ética, porque com tiradas destas não passa as fronteiras de Alvalade.

Voltando ao que nos interessa e deixando-os a ver passar a caravana, a nossa opinião é a de que o Benfica actuou correctamente, de acordo com as regras da sociedade em que nos inserimos, e que tanto se aplicam a nós como à UEFA.

Acho que o Benfica actuou da forma mais consentânea com o que realmente se passou e também conforme ao clima emocional gerado no Estádio. Toda a gente (do Benfica) que estava assistir ao jogo ficou muito chocada com o comportamento de Vinicius Jr, depois da marcação do golo aos 50 m de jogo. Vinicius é um provocador insuportável, um malcriado e um daqueles tipos que se aproveita da cor da pele para dela tirar vantagens colaterais ou directas. Não tenho conhecimentos científicos para afirmar que se trata de um comportamento ditado por um profundo complexo de inferioridade ou antes de superioridade. Sei como ele se comporta nos relvados, principalmente nos de Espanha, com cerca de trinta queixas de racismo e também fora de Espanha e até no próprio Brasil. Havendo na Europa centenas de jogadores negros, de alto nível, tanto nas cinco principais ligas europeias como nas restantes, não há noticias de que tenham sido alvo de comportamentos racistas nos países onde actuam, salvo excepcionalmente. Muito excepcionalmente. Pois Vinicius nestes últimos 5 ou 6 anos regista no seu percurso muitíssimos mais episódios desta natureza do que todos os milhares de jogadores, igualmente negros, que jogam na Europa no mesmo espaço de tempo.  Algo de estranho se passa…

Após o golo, ele provocou os adeptos do Benfica, a dois ou três metros deles, com uma dança que nunca mais acabava, gozou com a bandeira do Benfica colocada no topo da bandeirola de canto, e com a própria águia batendo com os braços em forma de asa, com um descaído, a ponto de o Mbappé se ter aproximado dele, aconselhando-o certamente a acabar com a brincadeira, mas já não a tempo de evitar o cartão amarelo com o árbitro o sancionou por comportamento anti-desportivo.

Na sequência desse “show”, ele correu em direcção a Prestianni, chamando-lhe várias vezes “cabrão” ou “cagão”. Foi então que este se aproximou dele e com a camisola a tapar a boca disse-lhe qualquer coisa. De imediato o Vinicius começou a correr em direcção ao árbitro, gritando: “Juiz, Juiz, Juiz”, ele (apontando para o argentino), ele chamou-me “mono”, “mono”.

É nessa altura, quando passou por Mbappé, a gritar, que este corre, em direcção a Prestianni, com ar muito agressivo. De imediato, dois jogadores negros do Real Madrid (Rüdiger e, creio, Tchouameni) e ainda um branco (Arda Güller, se não erro) se abeiraram do argentino e com ar muito amistoso puseram-lhe, à vez, o braço sobre o pescoço, levando-o para longe da confusão, enquanto Rüdiger afastava rispidamente Mbappé, que continuava a barafustar.

E é a interpretação gestual destas cenas que me leva a concluir que os jogadores do RM, nomeadamente Mbappé, não ouviram nada do que Prestianni disse e a concluir também que, com excepção de Mbappé, me não pareceu que os jogadores do RM estivessem incomodados ou ofendidos com o que se passou entre Vinicius e Prestianni, certamente por todos eles conhecerem muito bem estas cenas do brasileiro.

Hoje, como estamos sob a ditadura do “politicamente correcto”, valendo a hipocrisia muito mais do que a sinceridade, é preciso ser muito cauteloso com meia dúzia de temas hipocritamente muito sensíveis (entenda-se: não os temas em si, que podem até ser muito graves, mas o aproveitamento que deles se pode fazer), havendo, portanto, que separar muito cautelosamente o que é realmente grave e o que não tem gravidade nenhuma, quer pelo contexto em que ocorreu quer pela intencionalidade com os respectivos actos foram praticados.

Eu, se tivesse, como juiz, de julgar um caso destes, mesmo no contexto de um jogo de futebol, não atribuiria a este caso (dando como provado o que não está e que dificilmente poderá vir a estar) uma conotação racista, mas antes uma reacção normal, entre futebolistas, decorrente de uma provocação.

Alguém diria, se o Vinicius fosse branco, e o Prestianni negro, que se tratava de um comportamento racista, se Prestianni lhe dissesse: “Deixa de ser macaco e põe-te andar para o teu campo.”?

A minha, não vou dizer opinião, mas digo, a minha suspeita é que Vinicius faz todas estas provocações com a intenção de gerar comportamentos racistas, que o vitimizem e dos quais se possa aproveitar. Com que amplitude, não sei. O que sei é que o jogo de terça-feira passada terminou ao cinco minutos da segunda parte e o da próxima quarta-feira já está completamente envenenado. E o Real Madrid, como bem diz o Barcelona, não é alheio a nada disto!  

 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

AS QUEIXAS DE VINICIUS JUNIOR

 

AS PALHAÇADAS  DE VINICIUS JÚNIOR NO ESTÁDIO DA LUZ



Por volta dos 50 minutos do jogo Benfica-Real Madrid, primeira mão do play off da Liga dos Campeões, Vinicius Júnior marcou um excelente golo, tendo posto o Real Madrid a ganhar por 1-0.

Imediatamente depois, dirigiu-se para o canto esquerdo, sul, do relvado da Luz e iniciou em frente da bandeirola de canto, no topo da qual estava uma bandeira do Benfica, uma dança manifestamente provocatória dos adeptos do Benfica que ocupavam todo aquele espaço da bancada.

O gesto de Vinicius foi largamente assobiado pelos adeptos e levou mesmo à exibição, pelo árbitro, de um cartão amarelo por comportamento antidesportivo. Depois da dança, quando se dirigia para o seu lugar, com vista ao recomeço do jogo, Vinicius deslocou-se em corrida lenta abanando os braços, imitando o bater de asas de uma ave ferida (referência à águia, como é óbvio, e na frente da qual já tinha feito todas as palhaçadas que levaram à exibição do cartão amarelo).  

Foi então que Prestianni se dirigiu a ele, protestando contra a sua conduta. Ninguém ouviu o que Vinicius lhe disse, tendo Prestianni respondido qualquer coisa, indecifrável, por ter subido a camisola ao nível da boca, como hoje quase todos os jogadores fazem quando tapam a boca com a mão.

É então que Vinicius sai desembestado a correr na direcção do árbitro, que estava no meio campo preparado para reiniciar o jogo, e lhe comunica que tinha alvo de insultos racistas. O árbitro ouviu as queixas e pôs em prática o “protocolo anti-racismo”. Depois de muita conversa entre vários jogadores, e destes com o árbitro, Prestianni negou sempre os insultos racistas e acusou as provocações de Vinicius, levando a que o árbitro que, nada tinha ouvido, reiniciasse o jogo, sob reserva de o terminar imediatamente se algo idêntico voltasse a suceder.

Bem, a partir deste episódio, o jogo nunca mais foi o mesmo. Houve apreensão e desmotivação em campo e houve perda de entusiasmo nas bancadas.

Em campo, o jogo acabou, com a vitória do Real Madrid por 1-0. Mas fora do campo, outro jogo sem regras e sem árbitro começou a jogar-se.

Hoje, quando se fala de racismo no desporto, a ligação é explosiva. Entra nesse jogo a paixão dos adeptos, a inimizade dos adeptos de outros clubes, que rejubilam com hipotéticos castigos aplicados ao pretenso infractor, bem como o desencadeamento da fúria do politicamente correcto que de imediato aceita a acusação e lavra a sentença do acusado sem direito a qualquer tipo de defesa.

Vamos, então, analisar o caso como nos parece que deve ser analisado.

Os jogadores em campo têm os mesmos direitos e obrigações qualquer que seja a cor da sua pele: branca, negra, amarela, ou com várias tonalidades decorrentes da mestiçagem.

Se o branco não se pode aproveitar da cor da sua pele para com base nela exercer uma espécie de supremacia sobre os demais, o mesmo se terá de passar com o negro que igualmente se não pode prevalecer da cor da sua cor pele para dela tirar vantagem em campo relativamente aos demais.

O comportamento de Vinicius depois da marcação do golo é inaceitável em qualquer jogador, seja ele branco ou negro. Vinicius desrespeitou desnecessariamente os adeptos do Benfica, tanto os que estavam no estádio, como os que assistiam ao jogo pela televisão. Vinicius, por ser negro, não tem direitos diferentes dos outros, apesar de as ocorrências desta natureza acontecerem com ele muito frequentemente.

Se, em vez de negro, Vinicius fosse branco e tivesse tido em campo o mesmo comportamento, as reacções dos adversários e adeptos do clube visado, como também as do árbitro,  seriam exactamente as mesmas. Seria punido com cartão amarelo, por comportamento antidesportivo, e ouviria certamente algumas “bocas” dos jogadores adversários, como, por exemplo, “vai fazer macacadas para o teu estádio; não queremos cá dessas palhaçadas”. E ninguém diria que a resposta era racista, fossem estas reacções ditas por um branco ou por um negro. Vinicius, sabendo que, hoje, o “politicamente correcto” leva à defesa do negro quase incondicionalmente e muito mais eficazmente do que do branco, prevalece-se da cor da sua pele para gozar de uma vantagem relativamente aos demais. Ora, isto é inaceitável, como inaceitável é prevalecer-se da cor da pele para tirar uma vantagem em campo.

No dia seguinte, ou seja hoje, as acusações vindas dos mais diversos quadrantes correram célere. Acusações não fundadas em nenhuma prova (Mbappé que diz ter ouvido, estava longe do acontecimento, como se comprova pelas imagens; aliás, Mbappé certamente por considerar inaceitáveis os festejos de Vinícius foi o primeiro a “convidá-lo” a acabar com “aquilo”.

Diz-se agora: nada justifica um insulto racista. Sim, mas também nada justifica que as provocações de um negro sejam desvalorizadas, a ponto de apenas contarem as reacções que aquele comportamento provoca, se forem da responsabilidade de um branco.

De facto, se em vez de Vinicius fosse um jogador branco a fazer o que ele fez, toda a gente aceitaria como normal as reacções dos jogadores adversários, fossem eles brancos ou negros.

É exactamente por este ponto de vista ser inaceitável, que todos, brancos e negros, devem ser tratados da mesma maneira.

Ninguém sabe, com excepção de ambos, o que Prestianni disse a Vinicius, nem o que Vinicius disse a Prestianni. O que se sabe é que Vinicius é useiro e vezeiro neste tipo de situações que não acontecem com nenhum outro jogador da mesma cor com a mesma frequência.

É inadmissível que um jogador brasileiro, que jogou no Benfica durante largos anos, venha agora fazer uma acusação ao Benfica, sabendo ele muito bem que no Benfica nunca houve racismo. As duas maiores glórias, de todos os tempos, do Benfica – Eusébio e Coluna – são africanos e jogaram no Benfica durante largos anos, há mais de 50 anos, portanto numa época diferente da de hoje, sem que nunca essa questão sequer se tenha posto.

Aliás, grandes jogadores do futebol mundial, como Pelé, Eusébio, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros nunca, em parte alguma do mundo, foram alvo de racismo, contrariamente ao que acontece com Vinicius que já por várias vezes se queixou de algo que só lhe acontece a ele. No Real Madrid de hoje jogam vários negros e nenhum deles é vítima dos insultos racistas que Vinicius diz ser alvo.

Se Vinicius tem complexos de inferioridade, que tenta ultrapassar exibindo um comportamento supremacista, desrespeitando os espectadores e adversários com proviocações e insultos inaceitáveis, o problema é dele e não de quem é alvo das suas provocações e faltas de respeito.  

A conclusão a tirar de tudo isto, a mais importante, é esta: Com as suas palhaçadas e provocações Vinicius acabou com o jogo aos 50 minuos e já "envenenou" o jogo da segunda mão em Chamartin. Com uma equipa muito jovem, sem experiência destes duelos, com excepção de dois ou três jogadores, vai ser necessária muita concentração e Mourinho vai ter trabalho extra na preparação psicológica da equipa.

 

 

sábado, 8 de novembro de 2025

ELEIÇÕES NO BENFICA

 

SOBRE O ÚLTIMO DEBATE (06/11/2025)



Somente ontem de madrugada pude ver o debate de quinta-feira na BTV entre Noronha Lopes e Rui Costa. E foi logo a seguir que escrevi o texto a seguir transcrito, tendo-o propositadamente reservado a sua publicação para depois do encerramento das urnas. Ei-lo:

Fiquei desiludido com o baixo nível do debate que mais parecia um debate entre dois inimigos políticos do que um debate entre dois adeptos do mesmo clube.

Noronha Lopes entrou no debate seguindo uma cartilha exclusivamente preparada para atacar Rui Costa do primeiro ao último minuto, sem qualquer preocupação pelas perguntas que eventualmente lhe fossem feitas e muito menos sobre o que espera fazer no futuro. 

O seu guião era muito diferente dos que seguiu anteriormente, tanto na primeira volta, como até anteontem nesta segunda volta.

O seu "treinador" de debates ordenou-lhe que do primeiro ao último minuto não estivesse preocupado com as perguntas a que supostamente teria de responder, nem com as intervenções de Rui Costa. O que era preciso deixar bem claro, repetindo essas ideias até  exaustão, era o seguinte: 

Que Rui Costa em quatro anos não ganhou praticamente nada; 

Que nesses quatro anos gastou centenas de milhões de euros, esbanjando o património do Benfica;

Que vendeu excelentes jogadores, alguns a preço de saldo, e comprou outros que não servem para o treinador em exercício;

Que foi enganado pelo Proença, comprometendo com esse engano o futuro do Benfica, insistindo na ideia de que foi um dos apoiantes da sua candidatura (ou seja, cavalgando um ponto forte da campanha de Vieira);

Que não sabe proteger os interesses desportivos e patrimoniais do Benfica;

Que a sua gestão é um caos com a entrada e saída constante de pessoas que desempenham funções importantes, (cavalgando outro ponto da campanha de Vieira);

Que não tem quem saiba escolher os jogadores que interessam ao Benfica;

Que ele corrigirá todas essas graves falhas com pessoas competentes para os diversos lugares;

Que com ele o Benfica funcionará como uma máquina moderna.

Tudo isto dito com grande agressividade e impedindo sistematicamente, por via de interrupções sucessivas, o seu opositor de exprimir uma ideia do princípio ao fim.

 O debate foi preparado pelo moderador no pressuposto de que seria um debate entre gente séria. E esse foi o erro. Noronha nunca exibiu a preocupação de responder a qualquer  pergunta  ou de esclarecer o seu projecto, mas apenas, como já se disse, de acusar e responsabilizar o seu opositor por tudo o que correu mal e mesmo o que correu bem, distorcendo os factos para passar a ideia de tudo correu mal (serve de exemplo, a prestação do Benfica na Liga dos Campeões durante o mandato de Rui Costa; de facto, nunca o Benfica jogou tantos jogos na Europa como durante o mandato de Rui Costa – 14 por duas vezes).

Rui Costa atacou-o certeiramente em dois pontos. Um quando lhe demonstrou documentalmente que foi o tal extraordinário descobridor de talentos para quem Noronha reserva um lugar de destaque na sua equipa, que tinha aconselhado a contratação de Maitê, contratação que num debate anterior tinha servido de exemplo do que não deve ser feito.

A outra “farpa” tem a ver com o benfiquismo de Noronha, tendo Rui Costa apresentado um documento autêntico que provava ter o Noronha, da primeira vez que passou pelo Benfica, abando nado o cargo 58 dias depois de ter siso empossado.

Em ambos os casos, Noronha perdeu a computara, e aos berros dizia: “É mentira, é mentira”, sem mais nada acrescentar.

Por curiosidade fui logo a seguir ver e ouvir o que diziam os comentadores habituais da sexta-feira da CMTV.E devo dizer que fiquei surpreendido com alguns desses comentários.

Então, vou dizer, em linguagem simples a percepção (é mesmo percepção), o que achei dos comentadores e seus comentários.

Então é assim:

Malheiro, que durante anos tem assumido vaidosa e ridiculamente a função de porta-voz (sem título) do Benfica e particularmente de Rui Costa, dando sempre a ideia que "bebe do fino" e que está "por dentro", pareceu-me estar em "cima muro", uma espécie de equidistância " mais perto" de Noronha, posição que eu logo interpretei como resposta a algo com que contava e não chegou; se for esse o caso, acho que Rui Costa e, principalmente, o Benfica só ficariam a ganhar com o seu afastamento.

O advogado (Miguel) é manifestamente contra Rui Costa desde que Bruno Lage afirmou que não queria receber nenhuma indemnização do Benfica. Este está na CMTV em representação do seu patrão e quanto ao resto somente apoia aqueles que lhe proporcionam altíssimos pagamentos. É, portanto, mercenário do comentário, não havendo nada mais a dizer sobre ele.

Em terceiro lugar, Manuel Queiroz, não sei se por ser adepto do FCP ou por convicção, apoia claramente Noronha Lopes, mostrando- se sempre disponível para tanto, qualquer que seja o pretexto.

Achei espantoso que tivesse ficado chocadíssimo por Rui Costa ter apresentado um documento autêntico (acta de uma reunião da direcção do Benfica) que comprova o abandono ao fim de 58 dias do lugar para que havia sido empossado. Não se percebe onde está o “jogo sujo” deste comportamento. É ou não verdade que a acta confirma a renúncia de Noronha como vice-presidente 58 dias depôs de empossado? Mesmo sendo verdade, o que duvido, que Noronha tenha como vice-presidente suplente trabalhado na direcção de Vilarinho, é ou não verdade que, depois de empossado, deixou o Benfica cerca de dois meses depois? Se é mentira, então é acta que está falsificada. Interessa relembrar que esta direcção, embora tenha derrotado, com a colaboração de Eusébio, Vale a Azevedo foi de longe e de má memória a mais inepta que o Benfica alguma vez teve. Vilarinho é o responsável directo pela saída de Mourinho: foi com Vilarinho que o Benfica teve no campeonato nacional de futebol a pior classificação de sempre (6.º lugar); foi com esta direcção que foi tomada a decisão de não ser construído o novo Estádio da Luz; isto para falar apenas de factos do domínio público, porque se entrássemos nos “rumores” não sairíamos tão cedo daqui.

Como também se não compreende a crítica que foi feita a Rui Costa por ter apresentado os relatórios de apreciação das qualidades de um jogador, que Noronha havia criticado como exemplo dos erros cometidos, por essa apreciação positiva ter sido feita por um daqueles “excelentes profissionais” que Noronha levará para a sua equipa, se ganhar, quando o que se quis dizer ao apresenta-la é que até os “melhores” podem errar.  

Pode, com base neste pobre debate, tirar-se a conclusão de que há uma certa categoria de eleitores que pode mudar o sentido do seu voto, da primeira para a segunda volta? A única conclusão que se pode tirar é que essa mudança de voto da primeira para a segunda volta muito provavelmente só ocorra nos que têm o sentido do seu voto ligado à promessa de um “taxo”, sendo altamente improvável que ocorra naqueles que decidem o sentido do seu voto ligado ao que julgam melhor para o futuro do Benfica.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

BENFICA - BAYER LEVERKUSEN

 AS INJUSTIÇAS DO FUTEBOL 


Um jogador marca um golo de baliza aberta e é um herói. Um jogador falha um golo de baliza aberta, quando o jogo está empatado e teve azar.

Se um defesa faz um passe imprudente e o adversário aproveita o erro, desempatando o jogo, alcançando com esse golo a vitória, o responsável pela derrota é o defesa.

Esta é a regra que se segue na apreciação de um jogo de futebol. Foi exactamente isso que ontem aconteceu no jogo que, no Estádio da Luz, opôs o Benfica ao Bayer de Leverkusen, a contar para a quarta jornada da fase de apuramento da Liga dos Campeões Europeus.

Dahal ao aliviar com a cabeça uma bola, defendida pelo guarda redes, colocou-a involuntariamente  na cabeça do atacante da equipa adversária, que fez golo, apesar de rodeado por três jogadores do Benfica. E assim se consumou uma derrota que poderia ter sido evitada se os atacantes do Benfica, Pavlidis e Bukerbakio, não tivessem falhado duas oportunidades de golo cada um, que, se convertidas, teriam assegurado uma vitória tranquila do Benfica.  

O Benfica fez um jogo cauteloso, de média intensidade, no qual o receio de o perder ou de não o ganhar, desempenhou sempre um papel mais visível do que a ousada vontade de o ganhar. Não quero dizer com isto que o Benfica jogou para empatar. Não foi isso o que se passou. O que se passou é que o Benfica não entrou em campo com a intensidade e a velocidade de quem tinha de ganhar e queria ganhar o jogo rapidamente. Não. O Benfica entrou em campo para ganhar o jogo com segurança. Sem a intenção de arriscar nem de assustar o adversário. E quando assim acontece, apesar das cautelas defensivas, que levaram a que o adversário apenas tivesse tido em todo o jogo duas oportunidades: uma construída por mérito da equipa adversária, outra oferecida pelo Benfica, o resultado final é quase sempre imprevisível.

A ausência da tal ousadia, de quem está disposto a correr riscos, deixa ficar o adversário relativamente confortável na sua missão de ir deixando correr o jogo.

A partir de agora não haverá lugar para mais cautelas. Tanto na Holanda como no Estádio da Luz, nos dois próximos jogos, o Benfica  tem de realizar dois jogos completamente diferentes dos que tem feito até agora. Com outra intensidade, com outra velocidade, com outra ambição, com a ambição de quer ganhar o jogo depressa, para, depois de ter feito a sua parte, ficar à espera do que o jogo dá.




terça-feira, 4 de novembro de 2025

TIAGO SILVA

  COMENTADOR ADEPTO DO FCP NO "PÉ EM RISTE"

Ó Tiago não volte a dizer, como hoje disse ao Marco Pina e ao Marco Ferreira, que as regras que regulam o futebol, sobre os múltiplos assuntos sobre que incidem, são regras jurídicas. Não são. 

Não sei o que hoje se estuda nas Faculdades de Direito sobre o assunto, nomeadamente na cadeira de Introdução ou se estuda noutras disciplinas Noções Elementares de Teoria do Direito a diferença entre norma jurídica e outro tipo de normas. Mas é elementar que um jurista saiba distinguir a norma jurídica (material sobre o qual trabalha) de outras normas pertencentes a outros complexos normativos , que nada têm de jurídico. Aliás. o Marco Ferreira que é sempre muito competente nas suas explicações, disse-lhe em termos muito claros que certos conceitos usados nas regras do futebol apesar de serem também usados no Direito, como acontece com certos conceitos normativos, não têm em ambos os casos necessariamente o mesmo sentido e alcance. Antes de mais, qualquer conceito deste tipo, apareça ele onde aparecer, deve começar por ser interpretado no seu sentido corrente, mas se houver no complexo normativo em que está intergrado um sentido técnico, específico desse tipo de normas, é nesse sentido que deve ser interpretado. É o que acontece com conceitos  como negligência, imprudência, força excessiva ou outros, que têm sentidos diferentes no direito e no futebol. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

AS ELEIÇÕES NO BENFICA

 SEGUNDA VOLTA

 

 



Digam o que disserem a grande vitória das eleições de 25 de Outubro de 2025 foi do Benfica. Votaram 85 710 sócios, algo nunca visto num clube de futebol, em qualquer parte do mundo. Todavia, aquele elevadíssimo número de votantes não foi suficiente para atribuir a maioria absoluta dos votos a um dos seis candidatos que concorreram às eleições, elegendo o presidente à primeira volta. Com secções de voto em múltiplos pontos do território nacional e também em vários países da Europa, de África, da América do Norte e do Sul, o Benfica demonstrou que é um dos maiores clubes do mundo, apesar de os resultados desportivos das últimas décadas não lhe terem proporcionado nenhum título (colectivo) de relevo mundial .

Rui Costa teve o voto de 32 898 eleitores a que corresponderam 744 655 votos (43,13%) e João Noronha Lopes, o candidato classificado em segundo lugar, teve 27 109 eleitores a que correspondem 534 818 votos (30/26%).

O acto eleitoral terá segunda volta no próximo dia 8 de Novembro. De certo modo continua tudo em aberto até ao apuramento dos resultados da segunda volta, na qual, segundo certos comentadores, se poderá atingir a participação de cem mil eleitores.

As incógnitas são muitas: o candidato mais votado conseguirá manter ou até aumentar a mobilização dos seus eleitores, tendo em conta que, em muitas secções de voto, tanto no território nacional como no estrangeiro, continuará a ser necessário percorrer longas distâncias para votar? Em quem votarão na segunda volta os eleitores que deram o seu voto aos demais quatro candidatos, dois deles com um número apreciável de votos? Haverá nestas eleições (para escolher os órgãos sociais de um clube de futebol) alguma semelhança com que o que se passa em eleições em que participam partidos políticos? Ou seja, que valores poderão ter as indicações de voto eventualmente dadas aos eleitores pelos candidatos derrotados?

É muito difícil fazer extrapolações com algum rigor, porque no desporto em geral a racionalidade não é necessariamente o que mais impera nem tão-pouco existe a fidelidade partidária. Mais vale falar em nome próprio e dar conta das motivações individuais.

Eu não gosto de candidatos nem de campanhas que afrontem o outro como se fosse um inimigo. Como se aquele que se defronta pertencesse a um clube diferente. Não gosto de candidatos que têm apoiantes despeitados, como acontece quase sempre com os antigos futebolistas que aceitam fazer parte das campanhas e que olham para os candidatos equacionando as vantagens que a sua vitória lhes poderia trazer. Não gosto de candidatos que não sabem reconhecer a grande obra que se fez neste século, não obstante os erros que possam ter sido cometidos. E também não gosto de candidatos que não inspirem confiança, quando fazem do seu trajecto de vida um elemento fundamental da campanha e depois se vem a saber que não é assim tão brilhante como o pintaram. Nem que olhem para o Benfica como um bom modo de vida, como uma profissão muito bem paga. Embora o futebol tenha mudado muito, há limites. E, finalmente, vejo com apreensão a simpatia com que os adversários do Benfica ou até os inimigos, implícita ou até explicitamente, deixam transparecer o seu apoio a um candidato.

Ainda do ponto de vista eleitoral vejo como detestável que certos “comentadores do Benfica” usem o seu tempo de antena para apoiar um dos candidatos, nomeadamente quando esses comentadores estão sempre mais próximos de quem lhes proporciona vantagens e se comportam como “lambe botas” de quem manda. 


domingo, 26 de outubro de 2025

AS ELEIÇÕES NO BENFICA

 ENQUANTO SE ESPERA O RESULTADO

Acredito em eleições, como não poderia deixar de ser. Todos devem ter o direito de votar, neste caso os sócios. A vontade de quem vota é soberana. O que não acredito nem apoio é que todos possam ser escolhidos.

Daí que aguarde com muita apreensão o resultado das eleições que estão a decorrer. E se dúvidas tivesse, elas teriam sido desvanecidas pelo representante de um dos candidatos - um ex jogador do Benfica e de outros clubes - que convidado há poucos minutos a comentar a noite eleitoral, concluiu: "Uma coisa é certa. Se ganharmos, amanhã de manhã estarei no Seixal". Fez-me lembrar aqueles herdeiros que ainda o corpo do morto não arrefeceu e já estão completamente doidos por encontrar a chave do cofre e o seu segredo. 

O outro sintoma é o de haver entre os apoiantes próximos de candidatos que vão a votos bem como entre os que constam das listas apresentadas para os diversos órgão sociais muita gente desempregada ou muito mal ou precariamente empregada.


segunda-feira, 22 de setembro de 2025

SOBRE O DESPEDIMENTO DE BRUNO LAGE

 O ADVOGADO LUÍS MIGUEL HENRIQUE, NA CMTV,  SOBRE O DESPEDIMENTO DE LAGE 

A conversa do Advogado Luís Miguel Henrique, na CMTV, na passada sexta-feira, sobre o despedimento de Bruno Lage,  é preocupante por várias razões.

Primeira – Com base num interesse pecuniário pessoal indirecto, o advogado Luís Miguel Henrique-, aproveitando o palco que alguém lhe concedeu (ele está lá em representação de quem?), usou o seu tempo de antena, pretensamente dedicado ao comentário futebolístico, para objectivamente o usar como tribuna de defesa dos seus indirectos interesses pessoais, de natureza pecuniária, a partir de uma pretensa conspiração urdida no interior do Benfica para despedir Bruno Lage.

A sua tese assenta num primarismo muito fácil de enunciar, mas impossível de provar pelo absurdo em que assentam algumas das suas premissas e conclusões. Segundo o advogado, que falou durante todo o programa como conselheiro ou advogado de Lage, este- teria a garantia de Rui Costa de que, alcançados os dois principais objectivos a que o Benfica se propunha no início da época – vitória na Supertaça e participação na fase de grupos da Liga dos Campeões Europeus –, de que até às eleições (25 de Outubro) não seria despedido. Depois se veria.

Segundo o advogado, esta promessa não foi cumprida por no interior do Benfica se ter urdido uma conspiração destinada a despedir Lage. Nas meias palavras depreende-se que esta conspiração foi urdida pelos apoiantes da contratação de Mourinho, depois do seu despedimento do Fenerbahce, após a sua eliminação, pelo Benfica, no “play off” da Liga dos Campeões. Depreende-se também de que nesta conspiração estariam envolvidos o actual director desportivo do Benfica – Mário Branco - que no ano passado tinha trabalhado com Mourinho no clube turco e outras personalidades, nomeadamente aquelas que concordaram com a antecipação do jogo contra o Santa Clara de 13 para 12 de Setembro. Prova ainda de que essa conspiração existia assenta no facto de, estando o Benfica a ganhar por 2-0 ao Qarabag, bastou que aos vinte e poucos minutos tivesse havido uma pequena falha para que a equipa fosse de imediato assobiada e vaiada.

Perante estes factos, bem como em consequência do “incumprimento” do compromisso assumido por Rui Costa, o advogado Luís Miguel Henrique reprovou com veemência a decisão assumida por Lage, na noite de 16 de Setembro e reiterada no dia seguinte, quando o seu despedimento já estava consumado, de apenas cobrar ao Benfica o mês de Setembro e os prémios a que tinha direito e incita-o a não respeitar a palavra dada (publicamente), devendo, em seu entender, exigir tudo a que tinha direito até ao fim do contrato – dois milhões de euros, segundo o advogado.

Lamentável, muito lamentável, é o advogado estar a aproveitar-se do tempo de antena para defesa do que não pode deixar de ser entendido como um interesse pessoal indirecto, efectivado mediante o aconselhamento de um comportamento indigno ao seu aconselhado.

Segunda – Esta versão do advogado não tem a menor comprovação factual, por razões óbvias, que mais abaixo podem ser enunciadas, sendo a única que aparece como válida o facto de o advogado, conselheiro de Lage, lhe ter dito que discordava do seu comportamernto, deixando claro que ele só trataria do assunto, como advogado , se “as coisas fossem feitas à sua maneira”, ou seja rompendo o compromisso assumido por Lage publicamente e exigindo do Benfica os tais dois milhões de euros a que teria direito por “despedimento sem justa causa”.

Escusado será falar no interesse indirecto que o advogado tem neste desfecho da questão, pelos honorários que cobraria a Lage, certamente nunca inferiores a vinte por cento.

Terceira - A questão da traição tem muito que se lhe diga. Sim, mesmo que Rui Costa tenha prometido a Lage que ficaria no clube até à data das eleições, depois da vitória na Supertaça e da entrada na Liga dos Campeões, esse duplo êxito, porém, não estava a ser suficiente para acalmar os adeptos que viram em todo os restantes jogos o que toda a gente viu – uma equipa sem ideias, com um futebol fastidioso, incapaz de empolgar o mais fanático benfiquista, ganhando jogos tangencialmente, sempre a “milímetros” de os perder ou empatar. Portanto, era perfeitamente natural que ao menor desaire, a pressão sobre o presidente, para despedir Lage, aumentasse consideravelmente, a ponto de se tornar insustentável. E houve não um, mas dois desaires, em poucos dias. Perante este cenário, que levaria provavelmente à derrota eleitoral de Rui Costa, este, aproveitando-se do facto de Mourinho estar livre, tenha visto nele a sua tábua de salvação, pelo prestígio mundial associado ao seu nome. Isto não obedece a qualquer complot, mas apenas e só às leis da sobrevivência.

Quarta – O facto de o Branco já estar no Benfica, apenas terá facilitado as coisas. Mas com Branco ou sem Branco, Rui Costa faria exactamente o mesmo. E é também absolutamente ridículo afirmar que havia uma conjura organizadas contra Bruno Lage, pelo facto de a equipa ter sido assobiada, quando estava a ganhar por 2-0 ao Qarabag. A equipa foi assobiada porque se estava mesmo a ver o que poderia acontecer…Como já tinha acontecido antes contra o Santa Clara e somente por alguma sorte não aconteceu contra o Alverca e o Estrela da Amadora

Quinta - No lugar de Rui Costa, eu teria na quarta–feira, convocado os candidatos à presidência do Benfica para lhes comunicar que tencionava contratar de imediato Mourinho, com base no argumento de que uma eleição num clube de futebol nada tem que ver com uma eleição no domínio político, porque nestas os objectivos dos candidatos são diferentes ou mesmo antagónicos, enquanto num clube de futebol os grandes objectivos são os mesmos para todos, o que o pode ser muito diferente é o caminho que cada um propõe para lá chegar. E tentaria, nessa conversa, que o nome do treinador escolhido fosse consensual. Se não houvesse acordo, manteria a minha escolha. Costa optou por alcançar esse consenso à posteriori…

Sexta - Advertiria os sócios, adeptos e simpatizantes da mais que provável campanha de intrigas que os adversários do Benfica – principalmente o Sporting – iriam pôr em prática, nos meios de comunicação que dominam, sobre o contrato de Mourinho ou qualquer outro assunto, com vista a destabilizar o Benfica internamente.