terça-feira, 29 de agosto de 2017


O VÍDEO ÁRBITRO NO FUTEBOL

A MÁ-FÉ, A ESTUPIDEZ E A IMBECILIDADE DE ALGUNS COMENTADORES
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Fiel aos princípios, aparentemente simples, que regem o futebol, o IFAB (International Football Association Board) hesitou durante muitos anos na introdução do chamado vídeo árbitro por temer que a presença de um elemento estranho ao terreno de jogo pudesse descaracterizá-lo e contribuir por essa via para a perda de popularidade de um jogo simples, que toda a gente entende (ou pensa que entende), que é hoje também uma importantíssima fonte de negócios.

Dado, porém, os progressos da ciência que permitiram avanços tecnológicos antes impensáveis, o IFAD ciente, como qualquer pessoa racional sabe, que há na aplicação das 17 regras de futebol dois tipos de juízos muito distintos um do outro, acabou, logo que entendeu estarem reunidas as condições financeiras que o permitam, admitir a título experimental a introdução do vídeo árbitro no futebol, apenas e só naqueles domínios em que o juízo do árbitro deveria ser um juízo de ciência. E dizemos deveria ser, porque não obstante esse juízo ser um juízo de ciência, nem sempre, por falência das capacidades humanas, esse juízo que, deveria ser de ciência, acaba por sê-lo.

De facto, os juízes que durante um jogo de futebol aplicam as leis que o regem, formulam no desempenho dessa aplicação dois tipos de juízos: um juízo de ciência, em casos contados, e um juízo de valor, na generalidade das situações.

Assim, ajuizar se a bola entrou ou na baliza é um juízo de ciência. Não há aqui qualquer juízo de valor, qualquer avaliação. Se o árbitro erra neste juízo não é por ele não ser um juízo de ciência, é por ele, árbitro, não dispor dos meios que hoje a ciência lhe pode facultar para impedir que esse juízo de ciência não seja um juízo errado.

O que se diz de a bola ter ou não transposto a linha de golo, pode igualmente dizer-se da bola que ultrapassou qualquer outra linha do campo. E ainda é o mesmo tipo de juízo que se formula quando se aplica a regra de fora de jogo. Os erros que poderiam existir na aplicação desta regra podem, dada a natureza do juízo em questão, ser hoje evitados mediante o recurso a tecnologias que a ciência prodigalizou, embora o fora de jogo posicional possa dar lugar a um juízo de valor.

É também um juízo de ciência a decisão sobre o local onde a falta foi cometida – se dentro, se fora da área. Como juízo de ciência é a identificação do jogador que cometeu a falta que o árbitro puniu.

Pois bem, além destes casos, que são todos eles típicos juízos de ciência, o Internacional Board admitiu como muito próximos destes certos juízos de valor em que a factualidade em que assentam é tão evidente que não suscitam, ou não deveriam suscitar, divergências de avaliação. Referimo-nos a faltas grosseiras cometidas dentro da área pela equipa que defende, a comportamentos inequivocamente violentos cometidos em qualquer zona do campo, que tenham escapado ao juízo punitivo do árbitro, e ainda a golos antecedidos de faltas grosseiras cometidas pela equipa que os marca.

Ora bem, é nestes casos e apenas nestes casos que o vídeo árbitro pode e deve intervir, quer por sua iniciativa, quer por iniciativa do árbitro.

A razão de ser desta limitação é óbvia e somente a não percebe quem nada percebe da aplicação de regras. O IFAB não pretendeu que o vídeo árbitro fosse uma instância de recurso, nem tão-pouco quis retirar ao árbitro do jogo, melhor dizendo à equipa de arbitragem, o direito de fazer a avaliação que lhe compete na aplicação das regras do jogo. O IFAD, e bem, quis apenas e só evitar o erro nos juízos de ciência, que, por definição, se são científicos, não podem ser errados e por analogia evitar também que nas avaliações inequívocas, face à factualidade em que assentam, o árbitro se equivoque, ou porque não viu o lance, ou porque a sua colocação no terreno lhe dava uma perspectiva defeituosa do comportamento dos jogadores ou da direcção da bola.

Portanto, meus caros leitores, é apenas para isto e somente para isto que o vídeo árbitro foi introduzido. Ou seja, para reforçar a certeza dos juízos de ciência e não para substituir as avaliações do árbitro pelas de qualquer outra pessoa.

Há comentadores que não percebem isto e logo aproveitam para lançar a maior confusão sobre o vídeo árbitro e sobre as decisões da arbitragem. Os que julgavam, como Rui Santos, que seriam uma espécie de “ruisantos” que iriam substituir ou sobrepor-se à equipa de arbitragem, não passam, como já dissemos há uns anos atrás, de uns tontos, sem com isto quer dizer que não possam cumulativamente ser outra coisa pior. De facto, os “ruisantos” deste país pensavam que iriam ser eles a arbitrar os jogos do Sporting e do Benfica, como se de uma macaqueção da “liga real” se tratasse. Pobres de espírito!

Depois há os ignorantes fanfarrões, como o representante do FC Porto no “Play off”, que muito ganhariam em ter mais conhecimento e menos cabeleireiro, ou os puros analfabetos, que até dão pena, como o limitado Manuel Fernandes. Além destes há os desonestos para quem o futebol não passa de é um campo de exercício para as suas actividades quotidianas, como acontece com o palhaço triste do Sporting e com o marginal do FC Porto.

E entre os desonestos não pode deixar de enumerar-se Jorge Jesus, que é um homem desportivamente desonesto, além de também ser burro, quando não percebe que a sua desonestidade assenta numa argumentação estúpida, que a ser seguida pelos árbitros, teria forte probabilidade de o vir a prejudicar. Referimo-nos como é óbvio aos comentários feitos após o jogo do último domingo relacionados com o golo anulado ao Estoril. Jorge Jesus não percebe, na sua estúpida desonestidade, que o futebol, depois da introdução do vídeo árbitro, tem todo o interesse em que os juízes de linha, em caso de dúvida, mesmo que ela seja puramente subjectiva, deixem seguir as jogadas de eventual fora de jogo, porque, se o fora de jogo se confirmar, o golo que dele eventualmente resultar não será validado, enquanto a decisão contrária pode levar a uma situação irremediável – se o juiz de linha assinalar um fora de jogo inexistente numa jogada da qual poderia resultar um golo, nada mais pode ser feito depois de assinalada a falta e interrompido o jogo . Neste caso, o vídeo árbitro nada poderá fazer para repara a situação.

A aliança entre o “Sporting Clube do Porto” e o “Porto Sporting Clube” é apenas a expressão da grandeza do Benfica e da pequenez dos aliados. Pobres adeptos os destes despeitados clubes.

Para finalizar uma palavra sobre Eliseu que tem sido crucificado como nunca ninguém em qualquer outra actividade terá sido em qualquer canto do mundo. Televisões sem ética, sem princípios deontológicos, instilam ódio em adeptos fanatizados fazendo passar por uma jogada assassina uma jogada relativamente vulgar nos campos de futebol. Mas mesmo que assim não fosse nada justificaria que a TVI 24, no dia do jogo do Benfica contra o Belenenses, tivesse em escassos minutos de comentário passado o lance 67 vezes! O que na altura parecia uma enormidade tornou-se com a passagem do tempo uma raridade. É que nessa noite e nas noites subsequentes até hoje o lance passou mais de 1000 vezes nas televisões. É este o lixo com que temos para “nosso consumo”!

E o que se vê nesse lance, mal ou bem, SANCIONADO pelo árbitro? Vê-se o jogador do Belenenses a entrar a varrer a uma bola dividida, sem qualquer preocupação com as consequências que pudessem resultar para o seu adversário do corte que pretendia efectuar e vê-se o jogador do Benfica a defender-se das consequências dessa entrada, saltando por cima do jogador do Belenenses, sem contudo evitar que na parte final desse salto o tivesse pisado, atingindo-o na coxa, do mesmo modo que o jogador do Belenenses o atingiu na perna esquerda depois do “varrimento” da jogada”. Mal ou bem, o árbitro viu a jogada e sancionou-a, logo não há lugar, não poderá haver lugar, a nenhuma outra apreciação dessa jogada. São estas as leis do futebol. Aliás, são estas as leis que regulam a vida das pessoas civilizadas. Quando não há instância de recurso, o que está decidido, mal ou bem, decidido está!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017


QUE ESPERAR DESTE BENFICA?


O QUE SE VIU EM VILA DO CONDE
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Em primeiro lugar, uma explicação aos meus leitores por esta tão longa ausência de cinco meses e alguns dias. Nada de grave aconteceu que me tivesse impedido de escrever ou comentar o futebol português. Apenas a saturação de quem acha que no ponto em que as coisas estão não adianta falar racionalmente do que quer que seja ligado ao futebol, porque quase ninguém está interessado numa conversa racional. Isso vê-se desde logo nas estúpidas conversas que semana após semana preenchem o espaço televisivo reservado ao comentário dos jogos de futebol. É uma tristeza…. Depois, a incapacidade de os adeptos verem o que se está a passar com os seus clubes, principalmente se estão a ganhar internamente, já que na arena internacional as hipóteses de Portugal nas competições de clubes poder fazer algo de jeito é cada vez mais uma miragem.

Dito isto, retomemos a conversa no ponto em que a deixámos. Antevi no último comentário deste blog que o Benfica iria perder o campeonato e, com essa perda, deixar cair a hipótese de fazer algo inédito na história do clube – ser tetra campeão pela primeira vez. Enganei-me, felizmente. Enganei-me duplamente: enganei-me quanto às reais capacidades de os adversários, principalmente o Porto, serem capazes de aproveitar as debilidades do Benfica e enganei-me quanto à capacidade de o Benfica ser capaz de reagir a esta inegável incapacidade dos seus adversários. Sim, o Benfica continuou a perder pontos, mas os seus perseguidores ainda perderam muito mais! É um mérito relativo, mas é um mérito.

Esse mérito não tira que as debilidades assinaladas ao Benfica não existissem. Existiam, só que não foram suficientemente marcantes a ponto de poderem ser suplantadas pelos seus rivais. As deles ainda eram maiores.

E este ano, o que dizer? Bem, deste ano repetir ponto por ponto o que no último post se disse quanto à formação, realçando o embuste de quem quer fazer crer aos adeptos que o Benfica aposta na formação. O Benfica, isto é, a Direcção aposta no negócio, de que à frente voltaremos a falar, estando-se completamente nas tintas para a formação fora desta estrita perspectiva. Basta ver que nas últimas épocas o Benfica vendeu todos – atenção TODOS! – os jovens talentos da sua formação, antes que qualquer um deles pudesse retribuir em êxitos desportivos o investimento feito. Saíram Bernardo Silva (o jogador mais parecido com Messi em todo o mundo), João Cancelo, André Gomes, Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Ederson, Nelson Semedo e Lindelof, para falar apenas nos mais importantes.  E que ganhou o Benfica em troca? Até ver a dívida aumentou. Portanto, a primeira conclusão que se pode tirar é que o produto dessas vendas não serviu para amortizar o passivo. E sem amortização do passivo, o mais que o Benfica pode aspirar é a formação de uma equipa de “trazer por casa”. Essa perspectiva pode parecer muito interessante para adeptos que se contentam com vitórias sobre o Sporting ou até sobre o Porto, mas está muito longe de poder satisfazer os que ainda não desistiram de assistir à reconstituição de um grande Benfica, de um Benfica à altura dos seus grandes vultos do passado e dos grandes êxitos internacionais por eles alcançados.

Quanto às debilidades assinaladas no post de 19 de Março passado, elas não só se mantiveram como se ampliaram perigosamente a ponto de porem em causa a competitividade do clube no plano interno, mesmo contra equipas médias, como a seguir se tentará demonstrar. De facto, o desmantelamento de um importante sector da equipa – a defesa – como este ano aconteceu, sem que quem presida aos destinos do Benfica se tenha minimamente preocupado com a contratação de substitutos à altura é um acto grave de gestão, sabendo – como não poderia deixar de saber – que com a actual composição defensiva o Benfica não está em condições de lutar pela conquista do “penta” e muito menos de competir na Europa, onde corre o risco de ser humilhado, com resultados inadmissíveis (como a pré-época já indiciou), e de ser eliminado por clubes de outra dimensão. A participação na Liga dos Campeões Europeus, que deveria ser um motivo de alegria e entusiasmo para todos os benfiquistas, pode tornar-se angustiante ou até transformar-se num pesadelo se tudo correr mal como tem todas as condições para correr.

Para além da defesa, o Benfica tem debilidades no meio campo. Elas foram confrangedoramente evidentes no recente jogo contra o Rio Ave. Fejsa, não obstante a sua inegável classe, é um jogador com que se pode contar apenas em cerca de 50% dos jogos. Na outra metade está lesionado. E Filipe Augusto não parece que tenha lugar na equipa do Rio Ave. Samaris é um jogador de classe média que pode servir o Benfica como unidade de recurso, se, entretanto, a direcção não o conseguir vender, como desesperadamente parece estar a tentar. Pizzi, apesar de todos os atributos que se lhe reconhecem, falha muitos passes, marca mal a maior parte dos livres e dos cantos, além de não ser um jogador com características para romper as linhas adversárias sempre que o desenrolar do jogo a tanto obrigue. Depois de tantos elogios aos “olheiros” do Benfica e ao seu famoso “scouting” é difícil perceber como deixaram ir para o Sporting um jogador como Bruno Fernandes…que, além do mais, até português é! Ou seja, Renato Sanches não foi substituído e ao Benfica faz muita falta de um jogador como Renato, principalmente depois de Guedes também ter saído.

Nas alas, Carrillo foi-se embora e ainda bem, desde que a sua saída compense financeiramente a sua entrada (o que se duvida) e Cervi parece ter regredido relativamente à época passada. Depois temos o sérvio, Zivkovic, que é um jogador promissor e Salvio, que continua a ser o melhor de todos, apesar de fustigado por lesões e da sua falta de discernimento em muitas jogadas de finalização; além destes, temos Rafa, o maior “flop” da história recente do Benfica, pelo preço que se diz ter custado, não sendo conveniente acrescentar por agora algo mais…para não ser antipático com o jogador.

Na frente de ataque, a contratação de Seferovic tornou o ataque do Benfica, com Jonas, Jimenes e Mitroglou, um ataque de classe média alta europeia. Mas nada garante que o quarteto se mantenha, porque o presidente tudo fará para se livrar de Jimenes ou de Mitroglou, se não conseguir vender aquele. A propósito, é caso para perguntar a Rui Vitória porquê a entrada sempre tão tardia de Jimenes em jogos onde a sua presença é indispensável aos olhos de qualquer leigo.

Vai ser um campeonato muito difícil se as faltas assinaladas não forem supridas com qualidade. O tempo escasseia e não seria ousado supor ou até antever que é muito mais provável a saída de algum jogador importante do que a contratação de alguém que possa suprir as lacunas abertas no plantel. E em Janeiro já será tarde para fazer ajustes. No futebol não é como no ciclismo. No futebol na há a possibilidade de recuperar na “montanha” o tempo perdido na “planície”, porque no futebol, ao contrário do ciclismo, não se joga todos os dias contra todos. Joga-se contra todos, mas com cada um de cada vez…


domingo, 19 de março de 2017

BENFICA: O CAMINHO PARA O DESASTRE




A DIRECÇÃO E O TREINADOR EM CAUSA
O Benfica não conseguiu marcar um golo na Mata Real e perdeu dois pontos antes de receber o FC Porto



Depois de ter sido “despedido” da Liga dos Campeões sem honra nem glória com uma vergonhosa derrota em Dortmund por 4-0, antecedida de um jogo deplorável na Luz em que a milagrosa vitória por 1-0 não chega para escamotear o que realmente se passou, o Benfica perdeu desde a 16.ª jornada do Campeonato sete (7) pontos, oferecendo de bandeja, como tudo indica, o título ao Porto numa época em que, mais do que em qualquer outra, importava vencer para pela primeira vez na sua história somar quatro campeonatos seguidos – ser tetracampeão.

Se é certo que matematicamente nada está perdido, não há ninguém que fria e racionalmente acredite que tal objectivo ainda seja possível. Por uma ou duas razões muito simples: primeiro, porque o Benfica está a jogar pouco, muito pouco; segundo, porque o Benfica não tem um plantel à altura das suas ambições e dos desejos dos seus fervorosos adeptos.

Vê-se, muito mais nitidamente nas últimas jornadas, que desde que a equipa adversária se feche com onze homens atrás da linha da bola que o Benfica não tem soluções para ultrapassar esse obstáculo. Ainda hoje, em Paços de Ferreira, essa incapacidade foi confrangedoramente visível. Os defesas trocam a bola entre si sem progressão e sem que qualquer adversário os incomode, perdendo o Benfica por jogo nessa farsa de posse de bola inútil cerca de 20 minutos úteis. Depois a bola chega aos extremos que ou a centram sem nexo ou não sabem o que fazer com ela. O jogo interior é quase nulo e o que é tentado através de passes curtos ou um pouco mais longos acabam por cair invariavelmente nos pés dos adversários.

E tudo isto acontece porquê? Porque o Benfica não tem (deixou de ter) quem no meio campo seja capaz de romper as linhas adversárias, nomeadamente quando elas jogam muito juntas. Depois percebe-se que também não há nenhum trabalho prévio, nenhum treino específico para as bolas paradas. Sempre que há um livre Pizzi acerca-se da bola, seis, sete ou as vezes que calhar por jogo, para fazer um passe em arco para a cabeça de quem lá está, repetindo até ao fim do jogo sem alterar, ou sem que ninguém dê uma ordem de mudança, jogadas inúteis e inofensivas. O mesmo se diga dos cantos. Pizzi marca mal e sem nexo os cantos, sempre da mesma maneira, tantos quantos houver, de um lado e do outro, sem qualquer resultado prático e sem que dentro do campo chegue uma ordem de mudança.

Pois bem, se nas bolas paradas o jogo interior é uma lástima, no jogo corrido ainda é mais.

E tudo isto porque o Benfica deixou de ter dois jogadores fundamentais no meio campo: os tais que poderiam romper as linhas quando as equipas adversárias se fecham e deixou de ter também quem seja capaz de rematar a meia distância tanto em bola parada como em bola corrida.

Se muitos destes defeitos, visíveis há várias jornadas, são da responsabilidade do treinador, que nada faz para os alterar e para tentar dar outra dinâmica à equipa, outros – a maior parte – são da responsabilidade da direcção, nomeadamente do presidente Luís Filipe Vieira.

O Benfica fundamentou o despedimento de Jesus na ausência de aposta na formação. E era sem dúvida um grande e importante fundamento. Jesus atreito à ideia de que somente queria jogadores feitos ou por ele “formatados” deixou que grandes talentos saíssem do Benfica sem terem retribuído o muito que o clube investiu na sua formação.

Dizia-se que, com Rui Vitória, o Benfica iria apostar na formação e revelar ao mundo da bola as “pérolas” do Seixal, passando o Benfica a ter a partir de então uma equipa que fosse uma mescla bem combinada de experiência e formação, deixando assim de gastar milhões e milhões de euros em jogadores de duvidosa qualidade. Diminuiria a dívida e o seu serviço e aumentariam as receitas e, pelo efeito combinado de ambas, os lucros.

Acontece que essa famosa aposta na formação não passa de um grande embuste. De facto, quando se fala em aposta na formação o que toda a gente pensa é que o plantel principal do Benfica passaria a integrar criteriosamente jovens vindos do Seixal, capazes de se imporem na equipa principal e de nela ganharem maturidade para que um dia mais tarde, esses talentos, a meio da sua carreira, pudessem ser vendidos se o Benfica necessitasse dessas vendas.

Ora, não foi nada disto o que aconteceu. O que aconteceu foi algo muito diferente e muito grave. Esses jovens talentos realmente despontaram, entusiasmaram o mundo do futebol, mas sem que tivessem adquirido um mínimo de maturidade, seis ou dez meses depois de terem aparecido na equipa principal do Benfica foram vendidos.

Consequências: a primeira é a direcção do Benfica, mais concretamente o presidente,  estar-se completamente nas tintas para o que possa acontecer a esses jovens jogadores nas suas novas equipas; miúdos de 18, 19 ou 20 anos, sem qualquer maturidade, vêem-se obrigados nas equipas para que foram transferidos a assumir, perante a nova equipa e os seus adeptos  a grande responsabilidade de terem sido comprador por quantias milionárias; a segunda, é a de o Benfica como equipa não ter usufruído minimamente dessa formação – jogadores que poderiam durante mais três ou quatro anos dar o seu contributo à equipa são vendidos ao fim de meses sem que ninguém os substitua.

Por que é que isto acontece? Por que tem o Benfica necessidade de comprar Rafa por 18 milhões e vender Gonçalo Guedes por 20?

A resposta é simples: ao Benfica, ou seja, ao presidente e aos seus empresários, o que interessa é vender e comprar. Porque a vender e a comprar é que se ganha dinheiro. Mas não é certamente o Benfica que o ganha já que a sua dívida, apesar de todas as tiradas demagógicas em contrário, não cessa de aumentar.

A venda de Renato Sanches e a de Gonçalo Guedes, os tais dois únicos jogadores capazes de em momentos críticos romperem as linhas adversárias, vai custar o campeonato ao Benfica. Eles foram e ficaram outros que bem poderiam ter ido por metade ou um terço do preço que, mesmo assim, o negócio seria, sob todos os pontos de vista, mais bem lucrativo para o Benfica e para os seus adeptos!




sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

JORGE JESUS DESESPERADO




POR QUE PERDE JESUS COM AS GRANDES EQUIPAS?
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O holandês, com o golo marcado no último minuto contra o Belenenses, salvou Jorge Jesus e o Sporting de uma crise de proporções inimagináveis. Entendamo-nos: o facto de o Sporting estar a oito pontos do primeiro classificado e de por um triz não ter ficado a dez na véspera de Natal não tem nada de anormal na história do clube. É isso o que em regra vem acontecendo há décadas.

A grande diferença relativamente a situações passadas está em o Sporting ter, desde a última época, um dos mais caros treinadores do futebol europeu, vencendo réditos avultados, incompatíveis com a realidade do nosso futebol. E de essa contratação, caríssima, ter sido acompanhada de expectativas, quase certezas, que a ligavam à inevitável conquista de títulos.    Por outro lado, sendo o presidente Bruno de Carvalho um empregado do clube, do qual vive, isso faz com os habituais desaires tenham agora uma ressonância incomparavelmente maior do que tiveram antes pelas consequências de incidência pessoal que inevitavelmente lhe estão ligadas.

Ou seja, se o Sporting tivesse empatado ou perdido hoje no Restelo, o mais provável seria que os sócios exigissem a cabeça de Jesus, resultando dessa exigência ou da sua eventual concretização a fragilização da posição de Bruno de Carvalho, ficando a partir dai muito problemática a sua continuação à frente do clube.

O presidente, como age com a atitude típica do adepto, ficou muito feliz com a vitória, sem sequer se dar ao trabalho de reflectir sobre a actual situação do Sporting. Vive e age o dia a dia e enquanto lá vai estando vai garantindo o emprego. Nos intervalos dos jogos vai cultivando a sua doentia obsessão pelo Benfica continuando a debitar dislates e disparates até ao dia em que os seus lhe exijam contas pelo trabalho prestado e tirem depois as inevitáveis consequências.

Com Jesus as coisas passam-se de forma diferente. Por mais que Jesus fale ou queira falar como adepto, ele sabe, tal como os adeptos, que com o ordenado que recebe o seu “sportinguismo” soa a falso, é oco como um tronco bichado. Vendo a prestação da equipa, por mais que queira convencer os seus ouvintes do contrário, ele percebe que a crise está à porta, sempre na iminência de acontecer como percebe que são muito diminutas, para não dizer nulas, as hipóteses de conquista de um título importante.

Por essa razão são tão tristemente desesperadas as suas prestações nas conferências de imprensa, principalmente as que ocorrem fora de Alvalade, já que no seu recinto reina um clima de intimidação que leva a maior parte dos jornalistas a fazer-lhe apenas as perguntas que ele quer ouvir.

O se desespero é, porém, notório como hoje se viu no Restelo. A arrogância com que pretende impedir que lhe falem da sua prestação nas competições europeias e a bazófia com que pretende fazer passar a mensagem de que com vitória ou sem vitória tudo continuaria na mesma são manifestações típicas de quem já compreendeu que chegou ao fim da linha

Se dúvidas houvesse elas seriam imediatamente dissipadas pela repetição da esfarrapada desculpa de a crise do Sporting ser uma “crise Jorge Sousa”, tentando fazer uma ligação absurda entre o desempenho do árbitro que apitou o Sporting na Luz com os 15 (quinze!) pontos já perdidos no Campeonato bem como o humilhante desempenho da equipa na Liga dos Campeões onde somou 5 (cinco!) derrotas e uma única vitória contra o fraquíssimo Legia de Varsóvia, porventura a mais fraca das 32 equipas em prova!

Jesus, se não estivesse realmente desesperado, teria certamente vergonha de apresentar semelhantes argumentos à consideração da opinião pública.

Aliás, tendo em conta a sua experiência de seis anos no Benfica e de um e meio que já leva no Sporting o que Jesus deveria fazer era interrogar-se por que razão perde sistematicamente contra as grandes equipas e por que falha tão repetidamente nas grandes ocasiões, qualquer que seja a categoria do adversário.

Mas isso Jesus nunca o fará. E nunca o fará porque tem mentalidade de treinador de equipa pequena. O seu autodidatismo baseado numa grande incultura geral e até futebolística e os longos anos passados a lutar para manter o emprego em equipas de segundo e terceiro plano fazem com que ele encare todas essas derrotas como vitórias morais. Foi assim que fez no Benfica quando perdeu por três anos consecutivos o campeonato para o Porto, quando perdeu as finais da liga Europa, depois de eliminado da Liga dos Campeões, onde apenas por uma vez superou a fase de grupos, e voltou a fazê-lo agora com o Sporting quando perdeu com o Real Madrid e com o Borussia de Dortmund por quatro vezes, duas com cada equipa.

A exuberância com que se vangloriou da derrota de Madrid, festejada como se de uma vitória se tratasse, impediu-o de voltar à terra, apesar das tristes consequências desses festejos no plano puramente interno terem ocorrido logo a seguir.

A nossa convicção, porém, é a de que Jesus não tem cura. Se ganha e gosta da exibição manifesta um optimismo e uma arrogância desmedidos; se perde ou joga mal tenta com desculpas esfarrapadas imputar a terceiros uma responsabilidade que é sua. É esta conduta bipolar, que o situa permanentemente entre a euforia e o desespero, que efectivamente o impede de perceber por que perde tantas vezes e por que perde quando aparentemente a vitória está ao alcance da mão!


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

PLAY OFF, A GRANDE MANIPULAÇÃO



 


O QUE REALMENTE METE NOJO!
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Como a generalidade dos leitores saberá, o Play Off é um programa de comentário desportivo, da SIC N, emitido ao domingo à noite, que tem como intervenientes três sportinguistas confessos (Rui Santos, provavelmente o dono do programa, um tal João, um ex-jogador do Sporting, actualmente Manuel Fernandes), Rodolfo Reis, anti-benfiquista primário, subsidiariamente adepto e ex-jogador do Porto, e João Alves, ex-jogador do Benfica durante 4 épocas (duas mais duas), Boavista, PSG e Salamanca.
Actualmente o objectivo deste programa é denegrir o Benfica, tentando fazer passar a mensagem de que ganha jogos e títulos com o favor da arbitragem e pressionar intensa e permanentemente os árbitros com base em falsos factos representativos de pretensos prejuízos causados nos jogos em que intervêm o Porto e o Sporting.
Esta campanha, orquestrada por Rui Santos, com a colaboração do tal João que o acompanha, tem como principais falsificadores Rodolfo Reis e o representante do Sporting, Inácio, actualmente a afundar o Moreirense, agora substituído, como se já disse, por Manuel Fernandes.
João Alves tenta remar contra a maré, mas raramente consegue por falta de acutilância adequada e por ter caído no estratagema, urdido pelos outros quatro, de se ter deixado colocar à defesa quando a sua posição, pelo que se passou na arbitragem durante cerca de trinta anos, deveria ser a de ataque sem tréguas aos batoteiros contumazes.
De facto, o que R. Reis pretende quando fala em nojo, roubos e outras aleivosias era regressar aos tempos em que os árbitros se encarregavam de ganhar os jogos pelo Porto, quer marcando-lhe golos inexistentes, quer favorecendo-o com penalties inventados ou anulando golos válidos aos adversários,  ou permitindo no campo, nomeadamente aos defesas, um clima de violência nunca punido com expulsão directa ou sequer com um segundo amarelo, além de concederem ao guarda-redes portista a faculdade de tirar golos dentro da baliza e de defender com a mão fora da área.
Este é que era o nojo que Rodolfo Reis gostaria de voltar a saborear e quem diz Rodolfo Reis, diz Miguel Guedes ou Pinto da Costa que, depois de vários meses de mudez absoluta, voltou a palrar, também convencido de que pode repetir os “tempos gloriosos” dos seus mais famosos "pontas-de-lança" – Adriano Pinto, Lourenço Pinto, Pinto de Sousa, entre “guímaros”, “calheiros”, “martinsdossantos”, entre tantos e tantos outros!
É neste contexto que surgem os ridículos quinze penalties não assinalados a favor do Porto, com base numa contabilidade criativa que se fosse seguida pelos restantes clubes passar-se-ia mais de metade do tempo de jogo a marcar penalties. Penalties que o Porto, apesar de ter beneficiado de vários, se mostra incapaz de concretizar.
Se os comentadores do Porto, nomeadamente os que jogaram futebol, tivessem sido formados num ambiente desportivamente saudável, a primeira coisa que deveriam fazer era aconselhar os jovens jogadores do seu clube a não serem batoteiros, aldabrões, simulando faltas inexistentes, conselhos, aliás, que reverteriam no interesse dos próprios jogadores, já que com semelhantes hábitos jamais serão contratados por equipas pertencentes a uma liga que se preze.
Vem isto a propósito das simulações de Octávio e das vergonhosas simulações de André Silva, tão jovem e já tão batoteiro! Só mesmo um árbitro inexperiente e incompetente poderia ter sancionado com um penalty a simulação contra o Feirense, da qual decorreu a expulsão do adversário e a marcação do primeiro golo do Porto. Simulação que ontem, contra o Chaves, voltou a ser ridiculamente encenada pelo mesmo jogador, novamente sem punição! Como ridículos são os protestos portistas relativamente a outros lances desse jogo. Boa arbitragem, sem nenhum caso. Sempre o mesmo critério para ambas as partes. É bom lembrar que os golos como os do Maicon, na Luz, não valem! Valiam para o Pedro Proença, mas para as leis que regulam o futebol não valem. Entendido?
O que diria o Benfica, se quisesse falar do jogo contra o Estoril. Quantos penalties teria o Porto contabilizado se o jogo tivesse sido com eles? Sim, quantos? O Benfica, porém, não criticou a arbitragem. E toda a gente sabe quantos penalties esta época já ficaram por marcar, como conhece a validação de golos inválidos bem como a anulação de golos válidos. Enfim, o Benfica tem tido de tudo. Mas não se queixa, nem se deve queixar, porque nos jogos que perdeu pontos, perdeu-os por culpa própria.
Finalmente, um reparo. Incompreensíveis as declarações de Toni sobre a arbitragem do jogo contra o Sporting. Antes de continuar é preciso distinguir duas situações completamente diferentes.
Uma coisa é os benfiquistas não abdicarem da sua liberdade de crítica relativamente a todas as situações que digam respeito à vida do clube – aos actos de gestão, à política de aquisições e de vendas, enfim, crítica sobre tudo o que discordam, sejam essas vozes isoladas ou com muita ressonância. Esta é uma liberdade que um benfiquista nunca pode nem deve comprometer ou pôr em causa, sob pena de estar a destruir os verdadeiros fundamentos do clube – um clube popular e democrático.
Outra é contribuir com actos ou palavras para alimentar as campanhas que inimigos jurados do Benfica têm em curso com a intenção de prejudicar o clube, afastando-o da senda dos títulos e das vitórias. Toda a gente conhece o historial do Porto em matéria de arbitragem para logo se perceber o que eles realmente pretendem quando atacam e injuriam o Benfica. Toda a gente igualmente percebe que o Sporting, a sua direcção, os seus comentadores, a maior parte dos seus adeptos, estão completamente obcecados com o Benfica. Sabe-se que para eles uma arbitragem isenta é a que favoreça o Sporting e prejudique o Benfica. Os exemplos, às dezenas, estão à vista de todos, pela loucura de comentários e afirmações que fazem a propósito de situações perfeitamente normais. Ora bem, depois da enorme campanha, diariamente alimentada, que o Sporting tem feito contra o Benfica, nomeadamente invocando os lances do jogo da Luz – lances que oitenta a noventa por cento dos árbitros e especialistas da arbitragem consideram bem resolvidos, lances que nas grandes ligas europeias jamais seriam dignos de qualquer sanção - como pode um benfiquista vir dizer que houve penalties por assinalar com influência no resultado? Como pode dizer que houve penalties, se as imagens que existem não provam nada disso, e como pode, além disso, acrescentar que influenciaram o resultado? Como sabe Toni que o resultado seria diferente se porventura algum penalty tivesse sido assinalado? O que sabe Toni do rumo que o jogo tomaria se outra ou outras tivessem sido as decisões do árbitro? São declarações inaceitáveis, principalmente por terem sido feitas por alguém que tem experiência e conhecimentos suficientes para não ser ingénuo.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

BENFICA – SINAL VERMELHO


OS DOIS PRÓXIMOS JOGOS

Dois do últimos jogos do Benfica deixaram uma angustiante dúvida nos adeptos sobre como se comportará a equipa nos dois próximos importantíssimos jogos em que se decidirá a permanência na Liga dos Campeões e a liderança do campeonato.

Tanto o jogo de Istambul como o da Madeira deixam legítimas apreensões. Na Turquia, estando o Benfica à beira de construir um resultado histórico e de assegurar o apuramento para a continuação na Liga dos Campeões, assistiu-se à queda da equipa em consequência de erros defensivos inaceitáveis. Se é certo que o primeiro golo do Besiktas foi um excelente golo, também é verdade que o seu autor agiu dentro da área, na sequência de um cruzamento, sem a menos oposição. Todavia, um golo do adversário quando se tem uma vantagem de três não é, na esmagadora maioria dos casos, nada de muito importante. Pode até proporcionar a marcação do quarto já que o adversário nestas circunstâncias tem tendência a desguarnecer a defesa na ânsia de alcançar o segundo golo. E o Benfica estava a conseguir segurar o jogo, tanto assim que entre o primeiro golo e a marcação do segundo mediaram quase trinta minutos! Todavia, esse segundo golo acontece em consequência de um erro inadmissível de Lindlöf, que jogou desnecessariamente a bola com a mão no extremo limite da grande área, para cortar uma jogada, que não levava qualquer perigo, a que por deficiência de posicionamento não chegou com a cabeça.  Depois do segundo golo,  que expressava uma brilhante recuperação do adversário e com poucos minutos para jogar num ambiente adverso, era de prever que o golo do empate aparecesse, como apareceu perto do fim do jogo. Entre o segundo e o terceiro golo, a esquipa desorientou-se por completo, cometeu erros em série e mais uma vez Lindelöf, de parceria com Eliseu, se revelou incapaz, novamente por erro de posicionamento, de cortar um cruzamento que nunca deveria ter chegado, principalmente como chegou, aos pés do adversário.

Depois de dois jogos simples, ambos em casa, para competições diferentes, o Benfica iria ter novo teste frente ao Marítimo, no Funchal, para o campeonato. E novamente num teste importante, a equipa falhou. Falhou outra vez no plano defensivo; falhou na concretização; e falhou na estabilidade emocional.

No plano defensivo, tem de se dizer que tendo sido os centrais, nos últimos anos, o grande baluarte defensivo do Benfica, eles são hoje um grande problema, pelo menos, nas duplas que têm sido testadas.  De facto, em Nápoles, com a dupla Lisandro/Lindlöf, foi Lisandro quem falhou. Falhou, mas tinha sido importante no jogo contra o Tondela como importantíssimo foi no jogo (para esquecer) com o Porto. Depois deste jogo, Lisandro, sem que nada o justificasse voltou a sair para não mais entrar. Entrou Luisão que no primeiro grande teste, contra o Nápoles, não conseguiu estabilizar a defesa e que na passada sexta-feira foi o responsável pelo primeiro golo do Marítimo e também não foi capaz de acudir, por falta de velocidade, àquele que poderia ter sido o segundo. Aliás, neste lance é incompreensível como após a primeira defesa de Ederson, o jogador do Marítimo, face a quatro jogadores do Benfica, tem tempo suficiente para fazer sem oposição um novo remate muito bem colocado  que só não foi golo por Ederson ter correspondido com uma nova e excelente defesa.

Depois de assegurado o empate, o Benfica dispôs de oportunidades para marcar, mas nem Mitroglou, nem Sálvio, nem Rafa, nem jiménes tiveram o discernimento suficiente para o fazer. E aqui notou-se, como antes nunca se havia notado, a falta de Jonas! A somar a esta ineficácia juntou-se a inoperância defensiva que novamente se manifestou ao voltar a ser a ser incapaz de controlar uma bola cruzada, desta vez de canto. Tanto André Almeida como Lindlöf foram incapazes de cortar a bola ou de estorvar a acção do avançado maritimista.

Finalmente, foi por demais notória a perda de estabilidade emocional da equipa que, perante o anti-jogo do Marítimo, nada mais foi capaz de fazer do que lançar, sem nexo nem critério, bolas pelo ar para a entrada da área adversária, sistematicamente perdidas no confronto com a defesa insular.

Perante este quadro, a pergunta que se coloca é esta: que Benfica vamos ter contra o Nápoles? Contra um Nápoles a quem o empate serve para passar e que sabe jogar como poucos no contra-ataque. Não parece, francamente, que a defesa deva ficar incólume, isto é, inalterada. Se é certo que do lado esquerdo pouco há a fazer (a menos que Lindlöf pudesse desempenhar esse lugar), no centro há que fazer mexidas. Luisão não tem condição para jogar partidas como a que vai disputar-se contra o Nápoles. Se Rui Vitória continuar a insistir no erro, vai seguramente pagá-lo caro. O ideal seria jogar com Jardel sobre a esquerda e Lindlöf ou Lisandro sobre a direita. Se Jardel não estiver em condições (que estranha lesão a sua…), o melhor será alinhar com o sueco e o argentino.

Na frente, Rafa tem de saber que muito mais importante do que marcar um golo pelo Benfica é que o Benfica marque golos seja quem for quem os mete. Rafa não foi capaz de concretizar na hora própria contra o Moreirense e quando o tentou fazê-lo já se sabia que o não conseguiria. Por acaso a bola foi ter com o pés de Jiménez …e tudo se resolveu. E na Madeira voltou a não marcar, não obstante a oportunidade de que desfrutou.

Para o Benfica, o jogo contra o Nápoles é um jogo importantíssimo porque decide a continuidade na Liga dos Campeões. Se o Benfica não conseguir o apuramento, para além do prejuízo que daí resulta, há as consequências anímicas da derrota. Anímicas para equipa que fica de rastos e anímicas para o Sporting que virá à Luz moralizadíssimo convencido de que a vitória está garantida.

Não se pense que o Sporting tem nessa mesma semana um jogo igualmente importante em Varsóvia, contra o Legia, porque não tem. Para o Sporting, e principalmente para Jesus, esse jogo nada representa. E para os seus adeptos também não. Jesus que só uma vez passou, como treinador, a fase de grupos da Liga dos Campeões, não está interessado em disputar a Liga Europa, não por ser uma competição menor, mas para não ter a equipa envolvida em duas competições exigentes, uma vez que  o seu único objectivo é a vitória no campeonato. Além de que tendo já comemorado, como “vitórias”, quatro derrotas da fase de grupos, dá-se por satisfeito e os sportinguistas também.

É preciso ter isso em conta. O Sporting é no seu palmarés uma equipa de segunda linha quando comparada com o Benfica ou com o Porto. É, e sempre foi, uma equipa de trazer por casa. Tal como Jorge Jesus. De facto, à parte as vitórias nacionais, que se perdem na nuvem dos tempos, o Sporting nunca teve qualquer protagonismo internacional. E mesmo no tempo dos “5 violinos”, de que os sportinguistas tanto falam, a equipa (e o futebol que então se jogava em Portugal) era fraco, muito fraco. Um dos piores da Europa, como o atestam os resultados da selecção nacional e como o atesta também o desempenho do Sporting nos confrontos com equipas estrangeiras (não em competições, que então não existiam, salvo a Taça Latina, a partir de certa altura, mas em jogos particulares, à época muito frequentes, e que eram o verdadeiro espelho do prestígio das respectivas equipas).

Portanto, é vital para o futuro da equipa esta época que o Benfica passe à fase seguinte da Liga dos Campeões e ganhe ao Sporting na Luz.

Pela primeira vez, esta época, a equipa sente a falta dos seus titulares: de Jardel no centro da defesa; de Grimaldo à esquerda; e de Jonas na frente!


terça-feira, 15 de novembro de 2016

O DELINQUENTE




QUANTO MAIS TEMPO FICAR, MELHOR
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De facto, somente no futebol é possível negar os factos que toda a gente está a ver ou fazer exactamente o contrário, ver o que não existe. E todos ou quase todos acham normal. A começar pelos jornalistas desportivos que são os grandes fautores da corrupção no desporto. Salvo raríssimas excepções, eles branqueiam os comportamentos mais miseráveis, escondem os factos que não interessa mostrar, enfim, não contribuem em nada para a morigeração do desporto.

O caso do Sporting-Arouca é paradigmático. É provável que haja outras imagens, mas pelas imagens que vieram a público o que se vê não deixa dúvidas de nenhuma espécie.

O presidente do Sporting espera o presidente do Arouca (sim, sem a menor dúvida: está à espera do presidente do Arouca; aliás, enquanto espera faz questão de ir olhando para o seu lado esquerdo para ver se alguém se aproxima). Quando o presidente do Arouca se aproxima em passo apressado, Bruno de Carvalho dá uns passos na sua direcção e diz-lhe diz qualquer coisa à distância. Certamente algo ofensivo, dada a reacção de Carlos Pinho, que responde e gesticula. Quando ambos se aproximam um do outro, Bruno de Carvalho cospe-lhe no rosto.

Depois, bem depois o que se passou já tem pouco interesse, a menos que no parque de estacionamento tenha havido qualquer outra coisa de que não imagens nem testemunhos (até à data) fiáveis.

Como é possível ver as coisas de outra maneira e defendê-las em público. As imagens da SIC N e as da Bola são mais que óbvias.

Tem que se reconhecer, independentemente de tudo o resto, que Rogério Alves não pôde negar o comportamento delinquente de Bruno de Carvalho. Paulo Morais é um pedante sem vergonha e sem dignidade. Pina, José Pina, o pobre palhaço triste, além de pequeno mental, é vergonhosamente desonesto. Os comentários que ontem fez no Prolongamento, além de porem a nu o seu insignificante coeficiente de inteligência, desacreditaram-no completamente como cidadão. Não passa de uma pobre marioneta, desprovida de massa cinzenta, comandada à distância. Que pequenez!

Com Bruno de Carvalho na presidência do Sporting, Benfica e Porto têm o futuro garantido.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O COMENTÁRIO DESPORTIVO E O BENFICA




É TEMPO DE ESCOLHER
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A poucos horas de um jogo decisivo (sim, decisivo, mesmo que Rui Vitória diga o contrário e a aritmética o não demonstre) da Liga dos Campeões é tempo de voltar a analisar a situação do comentário desportivo em Portugal.

O comentário de adepto está desde há muito envenenado pelo facciosismo e sectarismo dos seus intervenientes, consideravelmente agravados por esse comentário ter lugar no espaço público, quase sempre com larga audiência.

Se tais programas sempre aqui foram considerados nocivos pelos danos que causam ao futebol e por agravarem as paixões desenfreados dos que os vêem ou escutam, eles tornaram-se nos últimos tempos, mais concretamente nos últimos dois anos, insuportáveis e susceptíveis de causar danos irremediáveis com a amplitude que ninguém está em condições de prever.

Esse agravamento ficou certamente a dever-se a um comportamento agressivo e belicoso da actual direcção do Sporting, que dependendo para sobreviver, isto é, dos empregos, de vitórias não olha a meios para alcançar os fins a que está ligada a sua permanência à frente do clube. Se já havia da maior parte dos comentadores do Sporting um fanatismo e uma arrogância até então baseada numa pretensa superioridade moral alicerçada num espírito elitista de classe, o que se pode dizer é que depois da chegada de Bruno de Carvalho à presidência a esta arrogância e fanatismo juntaram-se um comportamento ralé, de claque rasca, até então desconhecido no futebol português.

Nesta estratégia ou talvez mais correctamente nesta atitude comportamental alinham não apenas todos os comentadores afectos ao clube, mesmo aqueles que episodicamente se opuseram ao agora presidente, como também aqueles que sob a capa de “independentes” intervêm nas rádios e televisões.

Nesta campanha sem paralelo nos anais do futebol português o grande alvo, o inimigo a abater, é, como não poderia deixar de ser, o Benfica. Campanha consideravelmente agravada depois da contratação de Jorge Jesus, ido directamente para Alvalade depois de seis anos ao serviço do clube da Luz.

Posto perante este ataque sem precedentes, o Benfica agiu institucionalmente, através da sua comunicação e agiu também ao sabor das competências e das característas psicológicas dos seus comentadores.

Nesta resposta o Benfica agiu frequentemente mal e continua sob alguns aspectos importantes a agir mal. A primeira asneira que o Benfica cometeu, e, pelos vistos continua a cometer, foi ter-se sentido ofendido e traído por Jorge Jesus. Um clube com a dimensão e com a história do Benfica não pode nem deve alimentar ressentimentos por um seu ex-empregado ter mudado de clube, mesmo que esse clube seja um clube rival. Além de que é óbvio para qualquer pessoa que foi o Benfica que não quis que Jesus continuasse na Luz. Como óbvio também era que saindo Jesus do Benfica e sendo praticamente nulas, pelas suas conhecidas limitações, as hipóteses de Jesus ser contratado no estrangeiro (que lhe interesse) a probabilidade de ele rumar às Antas ou a Alvalade, ambos em crise, era muito grande. O que o Benfica não pode é pretender condicionar o futuro de Jesus depois de ter concluído que não desejava continuar com ele, independentemente de ele ter estado clube um, seis ou dez anos!

Encenar uma história que não convence ninguém e que ainda para mais cair no ridículo de interpor judicialmente uma acção condenada ao insucesso permitiu alimentar uma história que nunca deveria ter existido, ou, a existir, ter-se circunscrito à constatação da mágoa com que Jesus deixou o Benfica, bem patente na sua permanente tentativa de demonstrar à direcção do Benfica que aquele por quem o trocou (fosse ele quem fosse) é muito inferior a si. Esse porventura o único aproveitamento que o Benfica, como grande Senhor, deveria ter feito da saída de Jesus. Agindo de outro modo, o Benfica fez como aqueles maridos que se divorciam por estarem fartos da mulher ou terem arranjado outra, mas que apesar disso pretendem continuar a dirigir o futuro dela!

É claro que há aqui uma razão que ninguém invoca, mas que deve ter existido, já que todos os actos humanos tem uma explicação. E a que aponta no sentido da estupidez de quem os pratica raramente estará correcta. Por isso é de crer que a direção do Benfica, temendo a reacção dos sócios e adeptos à saída de Jesus, para mais para o clube rival, tivesse encenado esta história. O que também não deixa de ser lamentável por os sócios e os adeptos do Benfica conhecerem melhor que ninguém as limitações de Jorge Jesus…

Depois vem a questão dos “vouchers”. É evidente que o presidente do Sporting pretendeu atingir o Benfica e as suas vitórias sugerindo abertamente o condicionamento, se não mesmo a corrupção dos árbitros. A direcção do Benfica, sem ter cometido aqui erros de vulto, deveria ter-se limitado a constatar e a reiterar a prática de um comportamento de cortesia, requerer uma averiguação urgente dos órgãos disciplinares do futebol e subsequentemente agir disciplinarmente (através dos órgãos do futebol) contra Bruno de Carvalho e também civil e criminalmente, nos tribunais, depois de decidida a averiguação solicitada. Aliás, o presidente do Sporting está a brincar com o fogo, porque estando pendente de recurso judicial a decisão sobre actos praticados por um vice-presidente do Sporting, como tal, destinados a corromper a arbitragem ou a criar dolosamente a ficção de corrupção, corre o risco de ver o seu clube na 2.ª Divisão, se a o recurso em questão confirmar a decisão da primeira instância.

Finalmente, o comentário desportivo de adepto. É sabido que o Sporting com a conivência de elementos seus nos órgãos de comunicação social fez desta plataforma um campo de ataque violento, permanente e coordenado contra o Benfica. Posto perante este ataque que nada tem a ver com o futebol que se joga dentro do campo, embora pretenda condicioná-lo e adulterá-lo, a pior coisa que o Benfica pode fazer é apostar em comentadores iguais ao do Sporting.

A história e a tradição do Benfica não é essa. O Benfica deve deixar o Sporting a falar sozinho, seja pela voz do seu chefe de claque, Bruno de Carvalho, seja por parte dos comentadores a soldo, dependentes ou falsos independentes. Entrar no jogo do Sporting, além de favorecer o Porto, que esfrega as mãos e disso tira proveito apesar da debilidade em que se encontra, descredibiliza o Benfica por o tornar igual ao Sporting. Só quem está de fora perceba a repulsa, o nojo, com que tantos e tantos adeptos do Benfica assistem a este espectáculo quase diário. Comentadores como Pedro Guerra e Gomes da Silva não servem os interesses do clube nem honram o seu passado, por muito que custe dizê-lo, embora outros haja que se sentem na obrigação de responder taco a taco às calúnias do Sporting.  O Benfica revê-se em comentadores como José Calado, João Gobern, Toni, João Alves, António Simões, Telmo Correia e tantos outros que, falando pela sua própria cabeça, sem guiões nem discursos encomendados, sabem honrar em cada intervenção a história do clube a que pertencem!

Esperando que Filipe Vieira tenha falado a sério quando fez um apelo semelhante só resta aguardar pela desautorização dos que reiteradamente infringem uma recomendação que deve ser respeitada.

Deixem o Sporting com as suas aleivosias a falar sozinho. Deixem que o lixo corra todo na direcção certa…Não há pior imagem do que ver um jogador do Sporting a falar na zona mista, depois de um jogo internacional ou nacional de grande relevância, “policiado” por uma espécie de “pide” de terceira categoria sempre pronto a intervir, com cara patibular, quer para condicionar e amedrontar o jornalista quer para “policiar” o jogador!