sábado, 19 de março de 2016

O BENFICA EM MUNIQUE




SÓ NO FIM É QUE SE SABE


Tarefa difícil espera o Benfica em Munique no próximo dia 5 de Março. O Benfica já defrontou o Bayern de Munique por três vezes, duas na Taça dos Campeões (1975/76 – quartos de final e 1981/82 – segunda eliminatória) e uma para a Taça UEFA (1995/96 – terceira eliminatória). Perdeu quatro vezes e empatou duas, na Luz, a zero. Mas de todas as vezes foi eliminado e a diferença entre golos marcados e sofridos é enorme (16-3).

Da primeira vez que as duas equipas se defrontaram, o Bayern ganhou a Taça dos Campeões, vencendo o Saint-Ettiénne por 1-0 e somando a terceira vitória consecutiva na competição, feito que nunca mais repetiu. Da segunda vez, foi à final, mas perdeu a Taça por 1-0 para o Aston Villa. Da terceira vez, para a Taça UEFA, ganhou a final, então em duas mãos, vencendo ambos os jogos contra o Bordéus (2-0 e 1-3), inscrevendo assim o seu nome pela primeira e até hoje única vez entre os vencedores da Taça UEFA.

Por outro lado, das vezes em que o Benfica defrontou o Bayern para as competições europeias somente por uma vez ganhou, nessa época, o campeonato. Foi em 1975/76, treinado por Mário Wilson. Das outras duas vezes, treinado, respectivamente, por Lajos Baroti e Mário Wilson, ficou em segundo lugar.

Portanto, para quem acredita em superstições ou atribui uma grande importância às estatísticas, mesmo quando os números a que as mesmas respeitam estejam distanciados dos dias de hoje 40, 35 e 25 anos, respectivamente, o aparecimento do Bayern de Munique como adversário do Benfica não augura nada de bom.

Acontece que os tempos hoje são outros. As equipas estão muito mais igualadas sob todos os pontos de vista. Os plantéis são mais ricos. As equipas técnicas estão muito mais bem preparadas e podem se tiverem a inteligência suficiente para compreender o adversário fazer coisas e alcançar resultados, antes impensáveis.

O Benfica, como uma das equipas europeias mais bem posicionadas no ranking da época e como a quarta das oito equipas presentes nos quartos-de-final com mais palmarés na Taça/Liga dos Campeões, tem todo o interesse em jogar contra um dos três grandes que se encontram acima de si no ranking europeu. Se ganhar a eliminatória, o seu êxito será enorme, de proporções mundiais; se perder, dir-se-á que perdeu contra um dos melhores e isso em nada afectará internamente a sua prestação. Pelo contrário, se tivesse de jogar contra uma das quatros menos cotadas, algumas sem nunca sequer tendo estado nos quartos-de-final, por melhores e mais apetrechadas que essas equipas hoje estejam, se ganhasse não se atribuiria a essa vitória o mérito devido e se perdesse ficaria sempre a marca de uma derrota que “historicamente” deveria ter sido evitada. E isso poderia afectar, e certamente afectaria ,o comportamento da equipa nas provas nacionais.

Por outro lado, é bom ter presente que o Bayern de Guardiola, por maiores e mais cantados que sejam os seus atributos, não é o Barcelona de Guardiola, nem há nele nenhum Messi. E isso tem consequências práticas que certamente serão exploradas pela equipa técnica do Benfica.

Como se viu recentemente e como sabe quem acompanha a Bundesliga, o Bayern experimenta grandes dificuldades sempre que o seu começo de jogo é barrado na origem. O seu modelo de jogo como que se desintegra um pouco, ficando um pouco à mercê das vicissitudes do jogo vertical – algo que Guardiola detesta. No jogo interior, perto ou dentro da área, a defesa do Benfica, desde que se não desorganize, tem capacidade suficiente para suster o ataque do Bayern. Mais difícil é inviabilizar com êxito as diagonais por alto dentro da área, onde tanto Lewandowski como Müller, se indevidamente marcados, são letais. Principalmente Müller ,que tem o raro condão de os defesas nunca saberem bem onde ele se encontra e de aparecer com muita facilidade no local onde menos se esperava e mais dano pode causar. Este sim, o verdadeiro perigo do Bayern de Munique.

Importante para o Benfica, decisivo mesmo, é não errar passes ou perder bolas infantilmente em qualquer zona do terreno. Como se viu contra a Juventus, o Bayern não perdoará. Para que isso não aconteça é necessário antes de mais que Renato não abuse na posse de bola e seja rigoroso nos passes, que Samaris, se jogar, não falhe nenhum passe (mais vale despachar para a frente do que passar ao adversário), que Pizzi não incorra no mesmo erro quando a equipa está em fase de construção. Isto é fundamental, como fundamental é o Benfica insistir, por intermédio de Ederson, no jogo vertical para a área do Bayern (onde ele é frágil) e posicionar-se inteligentemente para a segunda bola.

Não parece que haja muitas outras formas de tentar ganhar ao Bayern.

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