domingo, 20 de janeiro de 2019

A PRISÃO DO HACKER DO PORTO E O ACOMPANHAMENTO PATERNO




AS PERGUNTAS QUE NINGUÉM FEZ
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Rui Pinto, natural do grande Porto foi preso no dia 16 deste mês Janeiro, pela polícia húngara com a colaboração da polícia portuguesa, na execução de um mandado de detenção europeia.
Pela reportagem do CMTV hoje apresentada, realizada em Budapeste pela jornalista Tânia Laranjo, ficámos a saber que o pai do hacker Rui Pinto já se encontrava em Budapeste desde a véspera da prisão do filho, ou seja, desde terça-feira, dia 15 e Janeiro, tendo no dia seguinte assistido à prisão do filho, com a qual já contava.
E a pergunta que se impõe é esta: como é possível que uma jornalista tão arguta e tão especializada no jornalismo de investigação como Tânia Laranjo não tenha perguntado ao pai de Rui Pinto como se explica essa coincidência de ele ter chegado à Hungria na véspera da prisão do filho?
Sobre a CMTV, dos seus propósitos, dos meios que usa e dos fins que tem em vista já todos sabemos o suficiente para não ser necessário fazer novas considerações, salvo as que decorrem do facto inquestionável de a CMTV e o jornal CM terem um grande interesse financeiro nesta “novela” contra o Benfica e na sua permanente descredibilização. Tudo o que possa favorecer a sua continuação bem como os ataques ao Benfica não só lhe interessam como ela própria as fomenta, se outras razões não houvesse, como fonte de negócio.
Todavia, o importante não são as considerações antecedentes já que todos conhecemos suficientemente bem a dimensão ética do CM e sua televisão para não haver motivo para qualquer admiração.
Importante é saber por que razão viajou para Budapeste o pai do “pirata informático” na véspera da execução do mandado de detenção europeia, bem como quem o informou da próxima prisão do filho, à qual assistiu e com a qual já estava a contar, como ele próprio disse.  
A teia, apesar de tecida a várias mãos, começa a ficar cada vez mais explícita: dificilmente poderá deixar de se suspeitar que o pai do hacker tenha sido informado do dia e hora em que o filho iria ser preso, tendo por essa razão viajado de imediato para Budapeste para o “aconselhar” sobre o comportamento a adoptar, “aconselhamento” este que muito provavelmente lhe foi “aconselhado” por quem estava em condições de orientar o comportamento futuro do  hacker ..
Mais uma vez estamos no domínio da violação de um segredo. E um segredo só pode ser violado por quem o tenha à sua guarda. Portanto, alguém que tinha o segredo à sua guarda terá informado alguém, a quem o conhecimento do segredo também interessava muito, do que se iria passar, tendo este outro “alguém”, por seu turno, informado o pai do hacker sobre o que iria acontecer bem como o comportamento que aquele deveria adoptar. Ou seja, o efeito surpresa perdeu-se e com a sua perda pode muito provavelmente ter-se também perdido muita prova.
É assim que as coisas funcionam em Portugal. Ou será que as coisas só funcionam assim relativamente a certos assuntos numa dada zona do país?
As autoridades de investigação criminal, sejam elas policiais ou de outro nível, só não descobrem se não quiserem…



sábado, 19 de janeiro de 2019

O BENFICA EM GUIMARÃES




BRUNO LAGE EM GRANDE
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Entre terça e sexta-feira desta semana, o Benfica averbou duas importantes vitórias em Guimarães, ambas por 1-0, a primeira para a Taça de Portugal e segunda para a Liga.

Com estes dois jogos Bruno Lage soma quatro vitórias consecutivas como treinador da equipa principal do SLB. Mais importante do que as vitórias é a diferença de atitude da equipa e o modo como se posiciona em campo. O Benfica tem vindo gradualmente a fazer progressos em todos os sectores, com especial incidência no defensivo que era, juntamente com o do meio acampo, aquele em que as deficiências eram mais notórias.

Essa a razão por que, contrariamente à generalidade dos comentadores, eu acho que o jogo de ontem foi mais bem conseguido que o de terça-feira. Com efeito, na primeira parte houve um relativo domínio benfiquista apenas posto em causa nos últimos dez minutos. Na primeira parte, o Benfica dispôs de várias oportunidades – João Félix, Carrillo, Conti e Pizzi – que penas não resultaram em golo por ineficácia dos protagonistas. Com um jogador capaz de rematar ao primeiro toque, como Jonas ou até Mitroglou, o Benfica teria ido para o intervalo com uma vantagem confortável. Nesse mesmo período, o Vitória dispôs de um remate à entrada da área e dois outros, ambos defendidos por Vlakodimus, embora um deles tivesse pudesse ter tido outro resultado.

Na segunda parte até ao golo do Benfica, o Vitoria jogou mais no sentido de que teve mais bola. Deu a sensação de que estava dominando o jogo, ma a verdade é que durante esse período o Benfica, embora tenha atacado pouco ou quase nada e quase sempre mal, jogou bem a defender, conseguindo neutralizar completamente as investidas vitorianas. Tanto assim que o Vitória não teve uma única oportunidade de golo e apenas por uma vez rematou à baliz, bem ao lado.

Seria portanto errado não valorizar a acção defensiva da equipa tanto mais que noutras ocasiões, em situações semelhantes, passou por vários calafrios tendo inclusive perdido ou empatado os respectivos jogos.

Nos últimos dez minutos, ou até um pouco antes, depois de uma grande jogada de Rafa, o Benfica passou a ser claramente superior, tendo o golo sido fruto de um excelente passe de Gabriel e de uma notável assistência de André Almeida que permitiu a Seferovic, sempre no sítio certo, fazer o golo com facilidade.

Bruno Lage bem nas conferências de imprensa. Acabou a conversa redonda que durante anos as preencheu.

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O HACKER DO PORTO E A DEFESA ENGENDRADA PELOS SEUS DOIS NOVOS ADVOGADOS




UMA DEFESA INSÓLITA…
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Rui Pinto, natural do grande Porto, detido em Budapeste ao abrigo de um mandato de detenção europeia, emitido pelas autoridades portuguesas, prescindiu, ao que parece, do seu anterior Advogado, Aníbal Pinto, também comentador desportivo afecto ao Futebol Clube do Porto.

Os novos advogados de Rui Pinto são William Bourdon e Teixeira da Mota.

Como tem repetidamente sido dito e explicado pelos órgãos de comunicação social mais bem informados um mandado de detenção europeia não é juridicamente equiparável a um pedido de extradição.

O mandado de detenção europeia emitido por uma autoridade judicial de um Estado membro da União Europeia é executável em todo o território da União Europeia e consiste num processo simplificado por via do qual aquela autoridade solicita a detenção de uma pessoa às autoridades de outro Estado membro e a sua entrega para efeitos de instauração de acção penal ou de execução de uma pena ou medida de segurança privativas de liberdade já decretada pelo Estado solicitante. Na emissão e execução de um mandado de detenção europeia as autoridades devem respeitar os direitos processuais dos suspeitos, arguidos, acusados ou condenados, nomeadamente o direito à informação, advogado, intérprete e apoio judiciário. 

A extradição pressupõe um acordo entre o Estado que a requer e o Estado que recebe o pedido, conservando este o direito de o analisar e sobre ele decidir tanto do ponto de vista formal como material. A Constituição Portuguesa no artigo 33.º regula com algum detalhe os requisitos fundamentais a que deve obedecer o processo de extradição. Neste processo, contrariamente ao de mandado de detenção europeia, o Estado solicitado, nomeadamente as autoridades judiciárias, mas também as autoridades políticas, conservam uma larga margem de autonomia que manifestamente não existe no mandado de detenção europeia visto este assentar no mútuo reconhecimento das decisões judiciais e tender a considerar como um único território todo o território da União Europeia.  

Será portanto neste contexto que os advogados agora constituídos pelo hacker detido em Budapeste terão de organizar a sua defesa relativamente ao mandado emitido. Segundo o que foi tornado público pelos advogados constituídos, a sua linha de defesa consistirá no seguinte:

“O Sr. Rui Pedro Gonçalves Pinto tornou-se num importante denunciante europeu no âmbito dos chamados Football Leaks, relembrando-se que muitas revelações feitas ao abrigo destas partilhas de informação estiveram na origem da publicação, durante vários anos, de notícias que deram lugar à abertura de muitas investigações em França e noutros países europeus"

Os causídicos alegam que, ao longo deste processo, Rui Pinto "foi seriamente ameaçado, sendo o seu silêncio o objectivo de muitos intervenientes no mundo do futebol".

Igualmente consideram que: "As autoridades portuguesas (...) ter-se-ão precipitado na detenção do seu cliente", influenciadas pelas alegações do fundo de investimento Doyen Sports, que apresentou uma queixa-crime em Portugal contra Rui Pinto.

Os advogados manifestam ainda "estranheza" relativamente à rapidez com que o mandado de detenção foi executado e, "juntamente com os seus colegas em Budapeste, opor-se-ão ao pedido de extradição".

E acrescentam que: “Não pode deixar de se notar, em particular, o incrível paradoxo que resulta da tentativa de criminalização do seu cliente, quando, na verdade, o seu gesto cívico e as suas revelações permitiram a numerosas autoridades judiciais europeias um avanço histórico no conhecimento das práticas criminosas no mundo do futebol".

Os advogados dizem ainda que o seu cliente cumpre os critérios de protecção dos lançadores de alertas [whistleblowers], resultantes das últimas disposições da legislação europeia e de muitos países europeus.

E concluem afirmando: "Ao contrário do que pretendem aqueles que têm vindo a perseguir o Sr. Rui Pedro Gonçalves Pinto, a importância da indústria do futebol não deve ser utilizada para manter na opacidade as práticas gravemente contrárias à lei que no mundo deste desporto se verificam".

Destas breves declarações conclui-se, sem grande esforço, que a linha de defesa do hacker Rui Pinto (não se percebe bem se para evitar o cumprimento do mandado de detenção europeia, se para evitar a instrução do processo em Portugal) consiste em considerá-lo um herói, uma espécie de Robin dos Bosques da tão vituperada “verdade desportiva”, disposto a tudo para conseguir a justiça no futebol.

Este argumento não deixa de ser espantoso quando empregado por profissionais do Direito!

Ele assenta na ideia de que os meios justificam os fins e de que tudo vale para alcançar o fim que se tem em vista. Obviamente, que tal argumento é inadmissível num Estado de direito, seja ele justificativo de uma conduta privada ou pública. Pior ainda, é a hipocrisia ou mesmo a má fé que lhe está subjacente já que ele tem como suporte subliminar a mensagem de que o fim que se tinha em vista é nobre e amplamente compreendido pela sociedade, não obstante a natureza do meio através do qual foi prosseguido.

Este é, como imediatamente se compreende, um argumento hipócrita e desonesto porque o primeiro objectivo que o hacker tinha em vista, como aliás acontece cada vez mais com os criminosos deste tipo de crime, é a extorsão. Ou seja, é um crime que se pratica para com base nele praticar um outro ainda mais grave. Esta a “nobreza” do comportamento do hacker e a pobreza da argumentação dos seus advogados. Tudo isto, sem prejuízo de a tentativa de extorsão, nomeadamente nos casos em que antecipadamente se suspeita do seu inêxito, poder ter em vista o encobrimento de outro crime cometido por outro ou outros agentes.

Portanto, quando aquele objectivo não é alcançado, como foi o caso, o hacker – na hipótese pouco provável de o trabalho não lhe ter sido encomendado – tentará vendê-lo a quem dele possa tirar proveito e causar dano àquele que recusou a extorsão. E foi isso o que no caso do roubo do correio electrónico do Benfica aconteceu, quer se tenha verificado a primeira hipótese ou a segunda: os dois dos habituais pressupostos deste tipo de crime estão presentes no que realmente aconteceu - o produto do crime foi parar às mãos de quem dele podia tirar proveito e o dano foi causado a quem resistiu à extorsão.

Assim, apenas falta provar quem pagou para receber o produto do roubo ou quem o encomendou, embora esta prova não seja excepcionalmente difícil já que o comportamento habitual neste tipo de crimes é o pagamento ser feito por quem tira proveito do roubo. Difícil também não será a prova de que o dinheiro foi parar às mãos do assaltante, mais fácil ainda quando alicerçada na evidência de o ladrão ter passado a fazer vida fora do país sem nenhuma fonte de rendimentos declarada, de se dar ao luxo de fazer gastos elevadíssimos, como serão certamente os honorários de caríssimos advogados para o defender. Fazer crer que tudo isto acontece por solidariedade evangélica dos que defendem a boa nova da verdade desportiva é uma ingenuidade em que ninguém acreditará.

Mas há mais: a pseudo heroicidade do assaltante é também traída pelo orientação unilateral do “nobre gesto” que o levou a assaltar apenas um clube e não os outros dois que com ele concorrem pela hegemonia do futebol português, apesar das breves “cócegas” feitas a ambos para dar a entender que a todos tocava por igual. Este comportamento unidireccional praticado por um profissional da pirataria informática é igualmente um indício de que o trabalho lhe foi encomendado, objectivo, no caso, facilitado pelas amizades e identidades que se conhecem.

Estamos assim perante um crime com indícios suficientes para não se poder pôr de parte a hipótese, bem provável, de se inserir na criminalidade organizada pela sintonia com que durante mais de ano e meio se foi construindo através de elementos roubados, truncados, falsificados e sempre descontextualizados uma verdadeira mistificação da realidade que permitiu manter uma actividade puramente especulativa altamente nociva para a reputação da vítima e do seu desempenho desportivo De facto, trata-se de um crime que ultrapassa largamente a violação da correspondência informática e consequente possibilidade de extorsão, mas que se insere claramente na intenção de causar dano reputacional irreparável.

Escusado será dizer que o grande beneficiário de toda esta actividade não foi apenas Rui Pinto, quaisquer que tenham sido os proventos que a sua actividade criminosa lhe proporcionou, mas o Futebol Clube do Porto como principal divulgador e fomentador da campanha de descrédito do Sport Lisboa e Benfica. Como também poucas dúvidas poderá haver que apenas existe um suspeito de ter pago ou encomendado esta actividade criminosa, sendo de estranhar e acima de tudo de lamentar que perante indícios tão evidentes as autoridades não tenham materializado processualmente essas suspeitas, tendo, pelo contrário, com a sua passiva conduta concedido a esse suspeito todo o tempo e espaço do mundo para se livrar dos vestígios materiais que o comprometessem.

Mas, enfim, vamos continuar a acreditar que outros farão o que até agora ainda não foi feito

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

O HACKER DO PORTO, O ADVOGADO DO PORTO E O MAIS QUE ADIANTE SE VERÁ





O QUE PARA JÁ É EVIDENTE
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Evidente para já é a prisão em Budapeste do “hacker” Rui Pinto, natural do grande Porto, ao abrigo de um mandato de detenção europeia, emitido pelas autoridades judiciárias portuguesas, que, em princípio, terá como consequência a sua entrega às autoridades portuguesas para prestar declarações no (ou nos) processo(s) em que é arguido, vendo-se depois se ficará sujeito a alguma medida de coacção bem como a natureza da mesma, no caso, mais que provável, de a elas ficar sujeito.

Evidente é também que Rui Pinto, apesar de jovem, é um velho conhecido da polícia portuguesa por força da actividade a que se tem dedicado desde que atingiu a idade adulta ou porventura ainda antes. Foi no quadro desta sua actividade que contou com o patrocínio do advogado portuense, Aníbal Pinto, também comentador de futebol afecto ao Futebol Clube do Porto.

Até ontem era do conhecimento público, por via de notícias publicadas pela comunicação social com fonte na Polícia Judiciária, que Rui Pinto levantara indevidamente de uma conta de terceiros, sediada num banco das Ilhas Caiman, duzentos e setenta mil euros e que tentara extorquir do fundo Doyen uma verba de muitas centenas de milhares de euros como “compra” do seu silêncio, ou seja, não publicação da correspondência electrónica de que ilicitamente se tinha apoderado.

A partir de ontem, pela voz do seu então advogado, Aníbal Pinto, ficamos a saber mais duas coisas muito interessantes:

A primeira é que a Doyen tentou “comprar” a Aníbal Pinto a identidade do seu cliente; e a segunda, não menos interessante, de que Aníbal Pinto foi encarregado pelo seu cliente (hacker Rui Pinto) de negociar com a Doyen um contrato trabalho, com uma cláusula de confidencialidade, mediante a entrega de uma determinada prestação, tendo tal contrato acabado por não se concluir por, segundo Aníbal Pinto, no decurso da sua negociação se ter apercebido que tal negócio poderia configurar um crime, tendo em consequência aconselhado o seu cliente a desistir da sua pretensão, mesmo sob a forma de doação (sic).

Estas informações foram prestadas sob a forma de esclarecimento por Aníbal Pinto no programa da noite da CMTV, do dia 16 de Janeiro de 2019. A gente ouve ou lê isto que acaba de ser escrito e tem dificuldade em acreditar que tais informações tenham sido prestadas e mais dificuldade tem ainda em compreender que ninguém, entre os presentes no programa, a começar pelo seu ”pivot”, tenha interrogado o depoente sobre o óbvio.

Primeiro, como poderia Aníbal Pinto negociar um “contrato de trabalho” para o seu cliente sem o identificar? Por que razão pretendia a Doyen pagar para identificar uma pessoa com a qual iria celebrar um contrato?

Nada disto faz o menor sentido e só mesmo alguém muito perturbado pode apresentar tal discurso em sua defesa.

A história é outra e muito simples de contar, seguindo aliás as explicações que a PJ tornou públicas, via Correio da Manhã. E ela conta-se assim: Rui Pinto assaltou a correspondência informática da Doyen, tendo tentado extorquir desta entidade uma determinada quantia em dinheiro, bem avultada, segundo se diz. A Doyen não pagou, mas terá entrado, ao que também se diz, numa operação montada pela polícia, para apanhar o assaltante, aceitando negociar com alguém em seu nome um pretenso “contrato” (de trabalho, de doação? para o caso pouco importa) com o objectivo de identificar o assaltante ou, caso não o conseguisse, justificar uma prisão em flagrante delito do seu representante naquele negócio.

O facto de o negócio estar a ser negociado numa área de serviço da A1 e de os seus contornos o terem tornado suspeito levou o representante de Rui Pinto a abortar a negociação e a aconselhar por escrito ao seu representado a desistência do mesmo.

E a pergunta que qualquer pessoa minimamente capaz de raciocinar fará será certamente esta: o representante do hacker apresentou-se ao encontro convencido de que iria negociar um contrato de trabalho? A resposta fica ao cuidado dos leitores.

Se a defesa do primitivo advogado de Rui Pinto foi esta, a dos advogados agora constituídos depois da sua prisão em Budapeste não terá sido muito melhor, como em novo post se demonstrará.

sábado, 5 de janeiro de 2019

BENFICA NOVAMENTE ATACADO, AGORA VIA PJ DO PORTO



MAIS UMA TENTATIVA
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Depois da vergonhosa derrota sofrida no processo “E- Toupeira”, cujo nome apenas se justifica como acto falhado, em que uma “acusação” indigente já foi em 90% desmontada pelas autoridades judiciais e o os restantes 10% sê-lo-ão também em processo de julgamento, a PJ do Porto, sempre em pareceria com o mensageiro da investigação criminal, Correio da Manhã, volta ao ataque com mais uma infundada suspeição digna da mais da cega paixão clubística.

O espantoso é não haver naquelas casas, MP e PJ, quem se disponha a pôr cobro a situações que estão a ferir de morte a credibilidade da investigação criminal em Portugal nas áreas que dividem a sociedade portuguesa, como é o caso da política e do futebol, já que deveria ser exactamente nesses domínios em que o rigor, a seriedade e a imparcialidade deveriam imperar.

Não é isso infelizmente o que se passa. Qualquer jurista mediano teria logo percebido que a fundamentação da acusação do tal processo “E-Toupeira”, cujo nome tem grandes probabilidades de se justificar pelas razões opostas às que levaram à sua acintosa denominação, não teria sido redigido com mais paixão e menos credibilidade, se tivesse sido apresentada por um qualquer director de comunicação ou “furioso” comentador de um clube rival.

Agora, a PJ do Porto, que nunca foi capaz de investigar um único crime ocorrido na sua área metropolitana relacionado com o futebol, apesar de a famosa “história dos êxitos” estar directamente relacionada com a história do crime, volta à carga com mais um rol de suspeições, amplamente publicitadas com o objectivo de atingir a honorabilidade dos investigados, tão absurdas e inconsequentes quanto elas poderiam ser se apresentadas num programa semanal de comentário futebolístico pelos tais “furiosos” comentadores rivais.

É inadmissível que este estado de coisas continue a alimentar o dia-a-dia das autoridades de investigação criminal. As recentes declarações da Procuradora Geral da República deixam entender, sem margem para qualquer dúvida, que não será por via da acção interna que estes comportamentos deixarão de existir ou que a regeneração da investigação criminal ocorrerá. Bem pelo contrário. O MP e a PJ, na política e no futebol, continuarão a somar derrotas, continuarão a deixar “condenar” na praça pública os investigados, tanto mais convictamente quanto mais frágeis são os fundamentos em que se apoiam, continuarão a alimentar um “populismo” que só precisa de bons pretextos para medrar, continuarão insensatamente esta caminhada para a sua descredibilização se noutros domínios do Estado não forem tomadas as medidas que se impõem e que não podem por mais tempo ser adiadas.


segunda-feira, 12 de novembro de 2018

OS ARGUIDOS DO FCP – FUTEBOL SAD




MELHOR SERIA DIFICIL

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Vi alguns benfiquistas muito satisfeitos por, finalmente, os administradores da SAD do Porto terem sido constituído arguidos por …prática de crime de ofensa a pessoa colectiva.

Não se compreende de onde vem essa satisfação. Muito resumidamente, convém esclarecer o seguinte: tendo em conta o que se passou, esta decisão do DCIAP é o melhor que poderia ter acontecido aos dirigentes do FC Porto. A pedido, não poderia ser melhor.

O Benfica foi assaltado. O Futebol Clube do Porto exibiu publicamente o produto desse assalto, tendo-o veiculado em proveito próprio e em prejuízo do Benfica. Assim sendo, o Porto é objectivamente suspeito de ter assaltado o Benfica ou de ser o mandante desses assalto ou, no mínimo, de ser o receptador. Não há nem pode haver nenhuma dúvida sobre a qualificação do comportamento do F C do Porto, por intermédio dos seus agentes e representantes, nomeadamente depois de o Benfica ter dado público conhecimento de que havia sido assaltado e que o FCP estava publicamente a exibir e utilizar em proveito próprio o produto desse assalto.

Sabe-se também como se comportaram as autoridades de investigação penal. Nada fizeram, apesar de a sua acção preventiva e punitiva ter sido repetidamente solicitada. Nada fizeram... até ao momento em que resolveram actuar contra a própria vítima.

Do crime praticado não quiseram aparentemente saber as autoridades de investigação e repressão penal, tendo sido pela via cível que acabou por se pôr cobro àquele inacreditável escândalo. Não quiseram nem há notícias de que estejam interessadas nisso. O assaltante continua por prender ou até por identificar, os receptadores continuam por responsabilizar e o crime continua por investigar.

E quando se esperava que a convocatória dos administradores da SAD portista, pelo DCIAP, tinha em visto inquirir os suspeitos da prática ou da colaboração na prática daquele crime, ficámos a saber que tinham por lá passado para cumprir uma simples formalidade – a de, em menos de 40 minutos cada um, serem identificados e constituídos arguidos por …”crime de ofensa a pessoa colectiva”. E para que não houvesse dúvidas, as autoridades de investigação e acção penal logo vieram esclarecer que “aqueles senhores” não têm nada a ver com o processo dos e mails!

Ou seja, este processo dificilmente terá resultados práticos ou, se porventura tiver, os acusados (que não acreditamos venham a ser) serão facilmente absolvidos. E embora a acção penal se não confunda com a acção cível, dada a suas diferentes naturezas, a provável absolvição ou até arquivamento, só virá facilitar a posição do FCP na acção cível indemnizatória.

Continuamos a achar inacreditável que o Benfica e os seus comentadores não insistam diariamente na questão do assalto do correio electrónico, na identificação dos responsáveis, na constituição de arguidos dos óbvios suspeitos, assim como também na inexistência de buscas e outras diligências destinadas ao esclarecimento da verdade.

Que justiça é esta!

terça-feira, 6 de novembro de 2018

JORGE JESUS NO BENFICA?




O QUE IMPORTA TER EM CONTA…
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Comecemos pelo princípio: Jorge jesus saiu do Benfica porque o Benfica (Vieira) não quis que Jesus continuasse. Jesus adquirira grande protagonismo, depois de ter ganho dois campeonatos seguidos e outros títulos, e esse protagonismo incomodava Vieira que quer ser no Benfica o verdadeiro “dono da bola”. A isto acresciam duas coisas: a primeira tinha a ver com a formação; a segunda, com a demonstração de que o Benfica era uma “máquina”, capaz de fazer ganhar quem nele estivesse como treinador.

No que respeita à formação, é bom que se diga o que hoje é óbvio: é verdade que Jesus depositava mais confiança em jogadores maduros, “reformatados” por si, do que em jovens vindos do Seixal; daí que no seu tempo não tenha verdadeiramente despontado, por iniciativa sua, nenhum grande jogador jovem, salvo quando as circunstâncias (lesão do titular, por exemplo) o impuseram, como aconteceu com Oblack. Mas também é verdade que Vieira queria a formação apenas para fazer dinheiro e não para firmar os talentos da casa na equipa principal, como agora parece pretender.

Quanto à outra questão, porventura por imitação, Vieira achou que já estava em condições de demonstrar que as vitórias do Benfica não dependiam do treinador, mas da “máquina” benfiquista -  ganharia quem lá estivesse. E assim foi nos dois primeiros anos de Rui Vitória, embora agora, esbatidos que estão certos efeitos, se tenha voltado a admitir que o papel do treinador é fundamental numa equipa de futebol.

Voltando ao começo: Jesus foi embora (ninguém pode esquecer a imensa tristeza com que festejou o último título de campeão) porque o Benfica não quis que ele continuasse. Evidentemente que ao Benfica, antes de mais a Vieira, também não interessava que Jesus, com o seu saber acumulado em seis épocas de Benfica, se transferisse para um dos rivais, nomeadamente para o Porto. E, como é óbvio, com Jesus passou-se exactamente o contrário: queria demonstrar que era ele e não a “máquina” quem ganhava os campeonatos. Por isso, logo que percebeu  que Vieira não desejava a sua continuidade  jamais aceitaria qualquer proposta alternativa que o Benfica lhe proporcionasse (Qatar, Arábia, ou qualquer coisa semelhante) e tratou de se fixar num rival que estivesse disposto a recebê-lo. E o Sporting estava.

A partir do momento em que se soube que Jesus recusara a proposta alternativa e se dispunha ingressar no Sporting, a “máquina” do Benfica, para se defender dos adeptos, passou a perfilhar a tese de que Jesus traiu. E Jesus também embarcou nessa tese, que lhe não desagradava, por ter colocado na sua pessoa a decisão de mudar de clube, sem ter de se estar a defender de um despedimento encapotado. E a seguir passou-se o que sabe: guerra aberta de ambos os lados, até ao restabelecimento das pazes com Vieira, o que, diga-se, quando se tornou evidente – muito pelo tom dos comentadores oficiosos do Benfica -, teve o condão de destabilizar completamente Bruno de Carvalho.  

Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, nada disto tem hoje grande importância. No futebol moderno, o que verdadeiramente importa por parte dos que dirigem, dos que treinam e dos que jogam é profissionalismo – um grande profissionalismo e muita competência. A paixão, a exacerbada paixão, como é o caso da paixão clubística, turva a inteligência e entorpece a razão não apenas na vida privada, mas também no futebol.

Essa história de o Benfica necessitar de um treinador que seja adepto do Benfica é à partida uma aposta perdida. O que o Benfica precisa é de um treinador competente que seja um grande profissional. E se nele estiverem reunidas ambas as qualidades podem todos estar certos de que ele estará mais interessado em ganhar do que o adepto mais ferrenho.

Alguns exemplos: Cândido de Oliveira, um grande benfiquista, nunca treinou o Benfica, tendo, pelo contrário, ganho campeonatos pelo Sporting; Artur Jorge, também benfiquista, tinha uma imensa vontade de treinar o Benfica; depois de ter garantido a Pinto da Costa que não viria directamente do Porto para o Benfica, respeitou o prometido, mas logo que a ocasião se proporcionou ingressou no Benfica pela mão de Damásio  - um dos piores presidentes da história do Benfica -  e os resultados estão à vista: desmantelamento de uma equipa campeã e início de um longo pesadelo, o mais crítico de toda a história do Benfica. Vilarinho, por seu turno, disse na campanha eleitoral que queria no Benfica um treinador benfiquista (Toni), acabando por despedir o promissor Mourinho que então iniciara a carreira de treinador principal. Conhece-se o resultado: nessa atribulada época – Jupp Heynckes, Mourinho e Toni – o Benfica “obteve” no campeonato o pior resultado da sua gloriosa história – sexto lugar!

Diabolizar Jorge Jesus ou até insultá-lo, como alguns já fazem nas redes sociais, é um mau princípio. Jesus pode e deve ser criticado no plano técnico, tanto por alguns erros graves que cometeu, como por erros que possa vir a cometer, mas de forma alguma deve ser ostracizado por ter treinado o Sporting!

O que infelizmente se verifica é que há hoje no Benfica comentadores que mais parecem discípulos de Bruno de Carvalho do que verdadeiros benfiquistas. Que o Presidente do Benfica se não deixe influenciar nas suas decisões por benfiquistas despeitados – benfiquistas que passaram para a oposição por terem deixado de fazer parte da direcção – e muito menos por benfiquistas demagogos que esperam há anos por uma pequena oportunidade para cavalgar uma onda de contestação. Seria o fim do Benfica, tal como o conhecemos, se isso acontecesse. Essa gente, com toda a franqueza, em tudo o que fala e em tudo o que diz não exprime uma ideia que possa servir de rumo ao Benfica. Não há neles uma ideia inspiradora que possa ser aproveitada para guiar o futuro do Benfica. O que há, é interesses pessoais que se servem do Benfica e que aproveitam algum ressentimento dos adeptos para se projectarem e afirmarem. E disso o Benfica não precisa.

O Benfica apenas teve na sua história 4 treinadores que ganharam por três vezes o campeonato – János Biri, Otto Glória, Seven-Göran Eriksson e Jorge Jesus – tendo dois deles regressado ao Benfica depois de terem treinado outros clubes (Otto Glória e Eriksson). Aliás, o que o Benfica mais tem na sua história é treinadores que regressaram ao clube depois de terem lá estado – Lipo Hertzka, Otto Gloria, Béla Guttmann, Fernando Riera, Fernando Cabrita, Mario Wilson (três vezes), John Mortimore, Eriksson, Camacho e Toni (três vezes).

Que o Presidente decida em função dos superiores interesses do Benfica e não de interesses mesquinhos como são muitos dos que temos visto defendidos na comunicação social!




quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O BENFICA ASSALTADO E A ENTREVISTA DE VIEIRA


O QUE SE PASSA COM AS INVESTIGAÇÕES?
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É de facto espantoso que num Estado de Direito uma pessoa, seja ela singular ou colectiva, e, neste caso, pública ou privada, e, sendo privada, de utilidade pública ou não, seja assaltada e todos os dias na comunicação social ou na redes sociais seja exibido o produto desses assaltos, em manifesto proveito de quem o exibe.

Como inacreditável é que num Estado de Direito, factos que constam de processos em segredo de justiça, estejam elas a cargo da Polícia Judiciária ou do Ministério Público, sejam colocados na praça pública seja por intermédio da comunicação social, seja por intermédio das redes sociais, sempre que a divulgação desses factos serve ou pode servir a estratégia dos investigadores ou acusadores e prejudicar os investigados ou acusados.

E é espantoso que uma e outra coisa aconteçam porque nem uma nem outra poderiam acontecer sem a passividade, a conivência ou até a colaboração das autoridades. Das autoridades que têm a seu cargo prevenir e reprimir a prática de crimes ou das autoridades que têm à sua guarda o que não pode ser divulgado.

Mais recentemente, atingiu-se um novo patamar: uma conversa telefónica entre duas pessoas, relativa à eventual realização de um negócio, é colocada nas redes sociais, por via de uma gravação que, aparentemente, não terá sido feita por nenhum dos interlocutores e, aparentemente, também não constará de nenhum processo. Daí a pergunta: como se explica que isto tenha acontecido?

Pois bem, tudo isto que aqui está genericamente descrito se passou, concretamente, com o Benfica.

O correio electrónico do Benfica foi assaltado e o produto desse assalto passou a ser publicamente exibido por um clube rival, em proveito próprio. Aqui não há nenhum mistério e as suspeitas são óbvias: o clube rival não pode deixar de ser considerado suspeito de ter perpetrado o assalto, ou de o ter encomendado (o que juridicamente é uma situação idêntica à anterior); ou de ser o receptador do produto roubado.

Em qualquer outra situação semelhante a esta não há, nem pode haver, nenhuma dúvida de que as autoridades actuariam imediatamente sobre os suspeitos, qualquer que fosse a natureza dos bens roubados, materiais ou imateriais. Daí a óbvia pergunta: por que razão nada se fez não obstante as insistente queixas do roubado? Sim, porquê? Esta resposta não pode deixar de ser dada e o Benfica e os benfiquistas não podem deixar de a pôr insistentemente, seja perante as autoridades, seja perante a comunicação social. Mas a situação agrava-se ainda mais e assume contornos dificilmente inimagináveis, mesmo na ficção policial, se se disser que as autoridades não só não reprimiram o crime como se aproveitaram do seu produto para investigar a vítima!

Vou dar um exemplo para que se compreenda e fique para a posteridade o que se passou. Imaginemos que o Pingo Doce tinha sido assaltado e que os produtos roubados eram diariamente postos à venda numa barraca de feira situada relativamente perto do supermercado assaltado. As autoridades, apesar das insistentes queixas do lesado, entendiam que nada poderiam fazer por o dono da barraca estar a actuar ao abrigo da liberdade de comércio. Porém, perante a insistência do lesado, resolveram as autoridades inspeccionar o material roubado que estava sendo vendido na feira, tendo então constatado qua alguns produtos estavam fora do prazo de validade. E o que fizeram as autoridades perante tal situação? Retiraram os produtos do mercado? NÃO! Instauraram um processo ao Pingo Doce por produtos com a sua marca estarem a ser vendidos numa barraca de feira fora de prazo!

Foi isto sem tirar nem pôr o que as autoridades fizeram ao Benfica.

Perante semelhante absurdo é perfeitamente natural que um ou mais benfiquistas situados no âmbito das investigações tenham por amor clubístico fornecido a alguém do Benfica informações sobre a marcha daquele processo. Era seguramente, no espírito de quem o fez, a forma de compensar a tremenda injustiça de que o Benfica tinha sido vítima por inacção, ou pior do que isso, das autoridades. Actuaram estes benfiquistas legalmente? Certamente não, embora o seu comportamento não possa deixar de ser compreendido à luz do circunstancialismo em que actuaram.

E vamos admitir que alguém do Benfica teve conhecimento dessas informações. O conhecimento de uma informação é algo que não pode ser apagado. Já o recebimento de um produto roubado, contra a vontade ou sem a vontade de quem o recebe, pode ser revertido, entregando o produto ao seu dono ou às autoridades. Uma informação…não. Não pode deixar de ficar com quem a recebe, mesmo que não solicitada.

De qualquer modo, o conhecimento de uma informação sobre a marcha de um processo e a subsequente actuação de quem a recebeu em consonância com o seu conteúdo, que influência pode ter sobre a chamada “verdade desportiva”? Que é que isso tem a ver com a verdade desportiva ou a adulteração de resultados desportivos? Só uma mente doente, perigosamente ferida de facciosismo clubístico, pode fazer tal associação. Por esse lado podem os benfiquistas ficar descansados.

Ontem, o presidente do SL Benfica, em entrevista a um canal de televisão, esteve bem em tudo quanto respeita à gestão do clube, à sua estratégia empresarial e desportiva, mas já o mesmo se não poderá dizer no que respeita aos famosos processos que envolvem o Benfica. Neste campo deveria ter sido mais incisivo. Ter sido capaz por meio de comparações e de outras demonstrações de deixar claro quão absurdas são a maior parte das insinuações que diariamente fustigam o Benfica.

Deveria ter sublinhado muito mais enfaticamente o roubo de que o Benfica foi vítima, a passividade das autoridades perante o crime organizado no desporto e deveria também ter deixado no ar elementos suficientes para se demonstrar que o que está sendo feito ao Benfica não tem qualquer comparação com o que se passa relativamente a outros clubes.

Alguém quer saber que pessoas são convidadas pelos presidentes do Porto ou do Sporting para assistir aos jogos nas respectivas tribunas presidenciais? Alguém quer saber em que fases se encontram processos que envolve gente do Porto e do Sporting? Processos relativos a acções que visavam directamente a adulteração de resultados desportivos ou o constrangimento de árbitros mediante ameaças de agressões físicas.

E mais grave que tudo é a inacção das autoridades relativamente ao assalto de que o Benfica foi vítima que tem levado a que seja o próprio lesado a fazer e a pagar as investigações com vista à descoberta da verdade que caberia às autoridades realizar. Daí, novamente a pergunta: por que não agem as autoridades como a lei lhes impõe e a moral reclama? Esta uma questão que não pode deixar de ser respondida e que os benfiquistas não podem deixar de formular a todo o momento!

terça-feira, 30 de outubro de 2018

RUI VITÓRIA, SIMÕES E O VARANDAS



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I - Rui Vitória e o seu record

Rui Vitória sentindo-se acossado com a baixa acentuada do Benfica no ranking europeu depois da derrota de Amesterdão que, em princípio eliminará o Benfica na fase de grupos da Liga dos Campeões, sentiu necessidade de vir a terreiro demonstrar que é o treinador com o melhor “ratio” de vitórias na Liga dos Campeões por jogos disputados.

Em primeiro lugar, convém dizer que, embora o futebol seja fértil em surpresas, podendo sempre acontecer o inesperado, para o Benfica ter o apuramento garantido contra todo e qualquer imprevisto necessitaria de ganhar todos os jogos que lhe faltam disputar. Fora desta hipótese muito pouco provável, o apuramento também se verificaria se o Benfica ganhasse os jogos que vai disputar em casa e o Ajax não fizesse mais do que um ponto ou dois com o Bayern e o AEK, neste caso dependendo do resultado do confronto com o Benfica. Ou seja, tanto o Bayern como o Ajax apenas precisam de uma vitória, se o Benfica ganhar os jogos em casa, para se qualificarem. Portanto, as hipóteses de o Benfica se qualificar são muito escassas.

É neste contexto que Rui Vitória vem falar da Liga dos Campeões. A Liga dos Campeões e a Taça dos Campeões são a mesma competição, uma competição que existe desde 1955/56, tendo passado a disputar-se em moldes diferentes a partir de finais do século passado. Limitar a participação do Benfica à Liga os Campeões para o actual treinador pretender tirar um efeito meramente estatístico é limitar a história do Benfica e a sua grandeza já que foi na Taça dos Campeões que o Benfica se tornou no grande clube que hoje é.

Em segundo lugar, é mais que óbvio que Rui Vitória apenas pretende afirmar que a sua participação, até hoje, é melhor do que a de Jesus. Isto, apesar de todos sabermos que tanto um como outro apenas por uma vez terem verdadeiramente honrado o nome do Benfica, com a qualificação para os quartos-de-final, ficando, portanto, ambas muito aquém do que os adeptos esperariam. Ou seja, tanto um como outro tiveram 4 participações na Liga dos Campeões. Jesus apenas por uma vez passou a fase de grupos; Rui Vitória já passou por duas vezes. Jesus disputou como treinador 38 jogos: ganhou 14, empatou 10 e perdeu 14; Rui Vitória disputou 31, ganhou 11, empatou 6 e perdeu 14. Da vez em que não passou a fase de grupos Rui Vitória ficou em último lugar, com zero pontos, seis derrotas. Jesus das três vezes em que não passou a fase de grupos, somente uma vez ficou em último, tendo das outras duas disputado a Liga Europa.

Rui Vitória, no primeiro ano em que esteve no Benfica participou na Liga dos Campeões, por ter beneficiado da vitória alcançada no campeonato, no ano anterior, sob o comando de Jorge Jesus: Jesus, pelo contrário, no primeiro ano em que esteve no Benfica não participou na Liga dos Campeões.

Na Liga Europa, que Vitória até hoje nunca disputou ao serviço do Benfica, Jorge Jesus tem um palmarés imbatível em Portugal. Ao serviço do Benfica Jorge Jesus participou por quatro vezes la Liga Europa, a primeira vez chegou aos quartos-de-final, a segunda às meias-finais e as duas últimas à final. Disputou 40 jogos, ganhou 26, empatou 8 e perdeu 6.

Entretanto, refeitas as contas, mesmo circunscritas à Liga dos Campeões com o formato que hoje tem, Rui Vitória não é o treinador com melhor “ratio” jogos/vitórias, situando-se em 5.º lugar, atrás de Fernando Santos, R. Koeman, Artur Jorge e Souness. Este ratio, aliás. Interessa muito pouco e até pode ser enganador. Só voltamos a ele por Rui Vitória ter feito questão de o apresentar como um troféu. De facto, o que realmente interessa é a fase da prova a que se chega.

Ainda Rui Vitória não tinha saído desta, já estava metido noutra: a derrota contra o Belenenses no Jamor. Rui Vitória começa a ficar sem espaço para continuar, não apenas pelas derrotas, mas por se perceber que a equipa não sabe o que anda a fazer em campo. E isso com os jogadores que o Benfica tem é imperdoável. Questão é saber quem o pode substituir…

II - Dito isto passemos ao segundo tema: SIMÔES

Têm sido notícia em toda a comunicação social as declarações de Simões sobre o “momento judicial” do Benfica, bem como as respostas que lhe têm sido dadas por gente próxima da actual direcção, como Pedro Guerra. Sobre esta polémica a nossa posição enuncia-se facilmente. Simões tem o direito de expressar a sua opinião, bem como o seu desconforto pela situação em que o Benfica tem sido colocado. Essas declarações valem mais ou menos não por Simões ter sido campeão europeu pelo Benfica e ter participado numa das melhores equipas da história do clube ou por ter participado na selecção nacional de futebol que até hoje alcançou o melhor classificação num Mundial de Futebol, mas pelos méritos intrínsecos das opiniões proferidas. Digamos até que aqueles atributos, se algum peso têm – e têm – é obriga-lo a ser reflectido em tudo quanto diz uma vez que as suas declarações se forem feitas sem essa precaução prestam-se a ser aproveitadas por uns ou por outros consoante a sua natureza.

Dito isto, passemos a outro aspecto da questão: Que Simões se sinta desconfortável, é aceitável e compreensível. Que Simões não goste de alguns “comunicadores” oficiais ou oficiosos do Benfica, ainda mais aceitável é. O que não é aceitável é Simões desconhecer que o clube foi vítima de um assalto de gigantescas proporções que ofendeu gravemente a sua privacidade e que um funcionário de um clube rival aparece aos olhos do público ou como suspeito de ter praticado esse assalto ou de o ter encomendado ou, no mínimo, suspeito de ser um receptador que usa o produto do roubo em proveito próprio, ou seja, do clube em nome do qual fala. Isto Simões não pode desconhecer nem menosprezar, conhecendo. E Simões também não pode ser indiferente ao aproveitamento que das suas declarações está sendo feito por alguém que ele próprio ainda há bem pouco tempo considerava responsável pelo que há de pior no futebol português, a ponto de várias vezes ter dito a representantes dessa entidade que quando se fizer a verdadeira história do futebol português se vai ficar a saber tudo de quão vergonhoso se passou nestas últimas décadas. Isto Simões não pode esquecer, se pretende que a sua voz seja ouvida. E já que falamos em voz, seria no mínimo exigível pela boa educação, de que Simões tanto se reclama, que quando dialoga com outros benfiquistas, inclusive antigos jogadores, antes de mais os deixe expor as suas opiniões e fosse tão educado com eles quanto Simões exige dos outros relativamente a si. Cumpridos estes pressupostos, poderá Simões continuar a emitir as suas opiniões que daqui não ouvirá qualquer crítica.

III – Finalmente, passemos ao Varandas.

Varandas, presidente de um clube em ruínas, parece apostado, tal como o seu antecessor, a fazer do seu antibenfiquismo o grande factor identitário do Sporting. Se assim for, se Varandas pretende seguir a estratégia que a CM TV ainda não abandonou, ao Benfica apenas lhe resta deixá-lo afundar-se na defesa de uma estratégia que acabará por destruir o Sporting.



Por todas estas razões – escutas, roubos, antibenfiquismo primário do Sporting e da CM TV, jogo sujo do Porto – o Benfica precisa urgentemente de começar a ganhar. Ganhando nada disto terá importância…

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

AS LIMITAÇÕES DE RUI VITÓRIA




O BENFICA NA LIGA DOS CAMPEÕES
Diapositivo 1 de 7: Imprensa internacional reagiu assim ao desaire do Benfica em Amesterdão

Não sei se os benfiquistas mais novos ou mesmo os treinadores mais jovens compreendem o que significa para um benfiquista mais velho fazer má figura na Liga dos Campeões. Lutar até ao último jogo da fase de grupos por um lugarzinho que garanta o apuramento já seria uma humilhação quando esse apuramento, como tem acontecido nos últimos tempos, se faz com oito ou até com sete pontos. Mas a verdadeira humilhação, aquela que nos enche de tristeza e de vergonha, é ver o Benfica perder nove jogos nos últimos dez disputados ou ver o clube à terceira jornada praticamente eliminado.

Se isso acontecesse numa época em que a equipa, do ponto de vista do plantel, era fraca e sem recursos, como infelizmente aconteceu na década de 90 do século passado ou nos primeiros anos da primeira década deste século, ainda se aceitava como uma inevitabilidade. Mas se isso acontece quando a equipa dispõe de recursos suficientes, como é o caso desde há dez anos, somente a incompetência de quem a dirige pode justificar semelhante descalabro.

O que o Benfica faz ou deve fazer, no plano interno, é o óbvio. Tem o melhor plantel, joga numa liga pouco exigente, logo deve ganhar e não faz mais do que a sua obrigação. Por isso, os êxitos internos nunca podem servir para desculpar ou fazer esquecer os insucessos internacionais.

Jorge Jesus nunca teve êxito na Liga dos Campeões. Somente uma vez passou a fase de grupos, embora tenha tido boas participações na Liga Europa, que é uma competição da segunda divisão europeia, essa a razão por que somente quem a ganha ascende, entre as largas dezenas de clubes que nela participam, à primeira divisão – a Liga dos Campeões.

As equipas de Jesus, salvo porventura no último ano, eram equipas desequilibradas para jogar uma competição do tipo da Liga dos Campeões. Praticavam frequentemente futebol atractivo e os jogadores sabiam que papel desempenhar em campo. Mas os frequentes desequilíbrios no meio campo sempre que a equipa perdia a bola foram-lhe fatais. No Sporting, com jogadores de mais baixa qualidade, apesar de ter melhorado nos três anos em que lá esteve, principalmente nos dois últimos, também nunca conseguiu passar a fase de grupos embora aí tenha a desculpa de sempre ter ficado incluído em grupos muito fortes.

Esta chamada de JJ a este post apenas tem em vista sublinhar que com Rui Vitória tudo se agravou. A equipa não só não ganha – o ano passado até só perdeu – como continua desequilibrada. Só que agora o desequilíbrio é outro. O Benfica quase não tem presença na área e, além disso, os jogadores, quase sem excepção, acusam uma falta de cultura táctica confrangedora. Só mesmo aqueles que não podem deixar de a ter como o volante (ou pivot) Fejsa ou o guarda-redes a mantêm. Os outros dão muitas vezes a sensação de que somente sabem jogar numa parte do campo, ficando o resto da sua participação no jogo de equipa entregue ao acaso e à inspiração do momento. Até aqueles que tinham uma cultura táctica adquirida ao longo de anos dão sinais evidentes de que a perderam.

Ora, isto é culpa do treinador, da sua equipa técnica. Há erros que se repetem jogo após jogo sem nunca serem corrigidos. Há jogadores cujas potencialidades estão subaproveitadas por causa de erros que se não corrigem. O caso de Salvio, que não é único, é o mais evidente e o que mais prejuízo traz à equipa. Se as jogadas em que Salvio participa tivessem outro aproveitamento, muito a equipa beneficiaria.

Desde que Rui Vitória pôs de parte o 4-4-2 nunca mais o Benfica ganhou um título. O 4-3-3 de Rui Vitória, que é muito mais um 4-3-2-1 com o 1 muito desacompanhado na frente, nunca pode servir ao Benfica internamente. E externamente terá de ter outra mobilidade e flexibilidade para poder funcionar com alguma eficácia. E não tem.

É sabido pelos 4 anos que vai levando à frente do Benfica que Rui Vitória “lê” mal o jogo do banco e além disso não tem qualquer espécie de audácia na sua actuação. Actua sempre pelo seguro. Troca Gedson por Gabriel, Pizzi por Alfa Semedo se quer segurar o resultado, Rafa por Cervi ou Cervi por Rafa. Se o resultado é desfavorável mete avançados, mas é incapaz de querer ganhar um jogo que esteja empatado sempre que o empate não corresponda a uma derrota. Nunca tem a flexibilidade suficiente para criar algo de novo relativamente ao modelo que os adversários conhecem. Claro que isto não pode ser improvisado, tem de ser treinado e preparado. Se não for não se vê como possam vir a jogar jogadores de grande categoria como os que o Benfica tem no banco.

Em Amesterdão tudo isto que aqui se refere foi muito evidente. A partir da segunda metade da segunda parte ou até talvez um pouco antes, o Benfica passou a jogar para o empate. A entrada de um jovem como João Félix, para jogar mais próximo do ponta de lança (eventualmente substituído por Jonas), poderia ter virado o resultado. Teria de sair Salvio, alguém teria de encostar à direita, que não Pizzi, que também deveria sair para entrar Alfa Semedo. A equipa refrescava-se com dois jovens cheios de força, seria mais criativa com J. Felix e Jonas e muito mais segura com Alfa Semedo.

Uma reviravolta destas, operada, no mínimo a 30/20 minutos do fim do jogo, confundiria o adversário e daria um novo elan à nossa equipa. Mas, é claro, tudo isto tem de ser treinado e muito.

Rui Vitória que não volte com a conversa do “pontinho” fazendo dos adeptos tontos, porque já é segunda vez em seis meses que perde jogos decisivos por querer segurar o empate!