quarta-feira, 16 de março de 2016

PORTO E SPORTING EM CRISE




SPORTING VAI FALHAR, PORTO JÁ FALHOU



Antes de entrar na “ordem do dia”, que obviamente tem a ver com a situação do Porto e do Sporting, convém dizer alguma coisa sobre os castigos que o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol aplicou aos presidentes do Sporting e do Benfica.

Os castigos estão relacionados com o comportamento do presidente do Sporting durante o jogo Sporting-Tondela (2-2) e as declarações de Luís Filipe Vieira depois do jogo Benfica-Rio Ave (3-1).

Não deixa de ser absolutamente surpreendente que ao presidente do Benfica tenha sido aplicada uma pena de suspensão de 23 dias e ao do Sporting a de 19 dias.

Os comportamento do presidente do Sporting, da equipa técnica e demais dirigentes presentes no banco foram vistos e revistos por toda a gente que assistia ao jogo ou que posteriormente teve acesso às imagens. Depois de um penalty indiscutível cometido por Rui Patrício - que foi expulso, e bem, pela falta em que incorreu -, toda a gente acima referida pressionou de modo absolutamente inaceitável a equipa de arbitragem com vista à alteração da decisão. Foi público e notório que o presidente do Sporting se dirigiu à equipa de arbitragem em termos injuriosos, a ponto de ser afastado pelo “pacífico” Jorge Jesus. Foi expulso, seguidamente no facebook continuou a verberar a actuação do árbitro e numa reunião posterior com sportinguistas (assembleia geral ou qualquer coisa parecida) foi grosseira e malcriadamente injurioso para com o árbitro, chegando ao ponto de afirmar que somente não lhe deu um pontapé no c., porque ele poderia gostar. Enfim, desde esta linguagem que está ao nível ao nível do Sporting até às ameaças e pressões, valeu tudo. E o Conselho de Disciplina acha adequado para este comportamento uma pena de suspensão de 19 dias!

Uma vergonha! Uma decisão de quem não se respeita, de quem não respeita a Federação e de quem não respeita os amantes do futebol. Mais a mais para punir um comportamento que ocorreu num jogo onde até um penalty fantasma foi exigido pelo banco do Sporting. Uma exigência tão caricata e tão típica da forma de agir do actual Sporting que nem palavras foram necessárias para a qualificar: bastava assistir às imagens incessantemente repetidas pela televisão.

Pois bem. Filipe Vieira, depois do jogo do Benfica com o Rio Ave, em que por três vezes a bola foi cortada com o braço, dentro da área, por jogadores do Rio Ave sem que o árbitro nada tenha assinalado, disse em resposta às múltiplas afirmações e insinuações de favorecimento do Benfica feitas por adeptos e dirigentes do Sporting e do Porto, que gostaria de ver se no dia seguinte os jornais e as televisões diriam em título “Roubo na Luz”.

É óbvio para qualquer pessoa capaz de saber interpretar as declarações de outrem que o presidente do Benfica não chamou ladrão ao árbitro, nem disse que o que se passou na Luz foi um roubo. Nada disso, o que o presidente do Benfica quis dizer foi se aqueles que nas televisões e nos jornais passam o seu tempo a insinuar manobras sediciosas da arbitragem pelo Benfica viriam amanhã (no dia seguinte) afirmar que o que se passou na Luz foi um roubo! Este e não outro é o sentido da sua declaração. Uma declaração que pode ser ouvida e devidamente interpretada por quem tenha um mínimo de inteligência e actue de boa-fé.

Deturpando gravemente o sentido da declaração proferida, o Conselho de Disciplina puniu Vieira com 23 dias de suspensão. Que vergonha! Que falta de competência!

Deixando este assunto e entrando, embora brevemente, na análise da grave crise por que passam Porto e Sporting, bastará dizer, quanto a este último, que o plano que este fim de semana o Sporting tentou pôr em prática é absolutamente ridículo e suficientemente ilustrativo do imenso nervosismo com que estes dias estão sendo vividos no interior da sua estrutura dirigente e da sua equipa técnica.

A primeira coisa a dizer quanto à estrutura dirigente do Sporting é que ela é composta por um conjunto de pessoas pouco aptas, algumas manifestamente atrasadas do ponto de vista intelectual, todas elas assalariadas, dependentes do clube para poderem continuar a viver sem cair no drama do desemprego. Todos eles vivem do clube, desde o presidente de ex-empresas falidas até ao desgraçado do Inácio, que, coitado, deve pouco à inteligência, embora faça tudo o que lhe pedem para manter um emprego que (apesar de Jesus) continua a estar no plano da remuneração muitíssimo acima das suas capacidades. Até chega a dar pena o modo desastrado e prejudicial como ele interpreta e desempenha o papel que lhe atribuíram. Coitado, é tão triste não ter o que se não pode comprar… O presidente que corre o sério risco de pelo terceiro ano consecutivo deixar incumpridas as promessas com que inebriou os adeptos sabe que precisa do êxito de Jesus como se de uma necessidade vital (e é, para ele…) se tratasse. Entre responsabilizar Jesus, por já ter perdido todas as competições em que participou, com excepção da supertaça (um único jogo!), e continuar a apoiá-lo para ver se ainda consegue chegar à vitória no campeonato, o presidente segue um caminho errático traçado pelo seu hiperactivismo balofo, embora sabendo que é no Benfica – na classe do Benfica – que residem todas as suas desgraças. E então põe o desgraçado do Inácio, pobre pau-mandado, a invectivar o clube da Luz por tudo o que acontece ao Sporting! Que pobreza de espírito e que luta pela sobrevivência!

O próprio Jesus dando mostras de já estar contagiado pelo clima de histerismo que se vive em Alvalade até já atribui os êxitos que obteve no Benfica à capacidade de destabilização dos adversários posta em prática pelos “cérebros” da Luz. A que pequenez ele se remete para tentar deixar passar a ideia de que está sintonizado com o “seu” presidente e que grandeza ele reconhece ao Benfica! Parabéns ao Jesus por esta confissão tardia das suas "capacidades"!

Quanto aos comentadores do Sporting, deixando de lado Rui Santos, que não é audível por uma questão de higiene, e compreendendo a grande dificuldade em que se movimenta o cómico triste José Pina, só resta a desonestidade intelectual de Rogério Alves, apesar de muito primária.

Já no que toca ao Porto, a questão não é tanto como no Sporting uma questão de sobrevivência, mas um problema de consolidação e repartição da riqueza entre um pequeno número de privilegiados. Fazendo fé nas declarações dos portistas mais informados, a guerra pelo dinheiro no interior da SAD portista foi arbitrada por Pinto da Costa salomonicamente. Ou seja, dando aos diversos grupos concorrentes e rivais igualdade de acesso ao dinheiro…que por aquelas bandas têm corrido aos milhões.

A crise do Porto, equipe de futebol, é hoje o reflexo inquestionável do fim de uma era e de uma luta pelo dinheiro numa entidade em crise mas com uma altíssima facturação. Tal como se passa hoje em muitos Estados, também o FCP passa por uma crise semelhante – uma crise que corrói o clube como somente as crises que têm o seu epicentro no dinheiro são capazes de corroer.

A isto acresce o facto de o FCP nunca ter vivido em consonância com a sociedade democrática. O 25 de Abril nunca passou pelo FCP. Primeiro, foi afastado por uma ditadura férrea, que não permitia internamente a liberdade de opinião, que controlava externamente a imprensa e as televisões e vivia em coabitação promíscua com a arbitragem. Claro que nada disto chegava para assegurar a hegemonia se simultaneamente não fosse alicerçada numa grande equipa e em escolhas criteriosas pelo menos em cinquenta por cento dos casos.  

Como estas ajudas hoje não existem e a equipa é fraca pelas reprováveis razões acima apontadas, o Porto entrou numa crise de que não vai sair tão cedo. Hoje, contrariamente ao que se passava ontem, a presença de Pinto da Costa à frente do clube é um desejo ciosamente guardado por todos os seus adversários.

Mas atenção, embora a crise do Porto tenda a agravar-se – e é isso que certamente vai acontecer –, não é conjunturalmente do interesse do Benfica que o Porto se continue a afastar do segundo lugar.


quinta-feira, 10 de março de 2016

BENFICA NOS QUARTOS DE FINAL DA LIGA DOS CAMPEÕES




GRANDE VITÓRIA EM S. PETERSBURGO


Depois da vitória em Alvalade, o Benfica eliminou o Zénite em S. Petersburgo, vencendo por 2-1, o que juntamente com o resultado da primeira eliminatória perfaz o resultado agregado de 3-1. Brilhante! O Benfica está nos quartos-de-final da Champions, fase a que neste século somente por duas vezes havia chegado.

Depois de tudo o que já foi dito sobre esta vitória, talvez valha a pena começar pelos temas laterais, que apesar de laterais não deixam de exprimir o modo como o futebol se vê em Portugal.

Para começar, na conferência de imprensa houve um jornalista português, a quem certamente alguém pagou a longa viagem até à antiga capital da Rússia, que perguntou a Rui Vitória o que tinha ele a dizer aos adeptos que, muito realisticamente, achavam não ter o Benfica equipa para passar dos quartos de final. Esta foi a pergunta que ele tinha para fazer depois da vitória sobre o Zénite! Que imprensa é esta? Rui Vitória respondeu-lhe à letra.

Mas há mais. Na RTP 3 estão Ricardo Rocha, antigo defesa central do Benfica, Bruno Pratas, Fidalgo e o pivot, Manuel Fernandes da Silva, a comentar o jogo. Ao fim de pouco tempo toda a conversa se centra sobre o próximo adversário do Benfica. Com excepção de Ricardo, sobre o jogo acabado de jogar não há grande interesse em falar. Importante é falar sobre um adversário que ninguém sabe quem será e que somente daqui a cerca de dez dias será sorteado. Mais uma vez, com excepção de Ricardo, que acha que até lá há coisas mais importantes para o Benfica, a tónica dos outros dois comentadores é a de que os quartos de final vão ser muito difíceis, que há equipas muito fortes, dando a entender que o Benfica terá poucas possibilidades. Um pouco misericordiosamente, Fidalgo acha que importante é não sair ao Benfica o Borússia Dortmund, equipa muito difícil, diz. Corrige o pivot: “O Borússia está na Liga Europa”. “Peço desculpa”, diz Fidalgo e logo vem em seu auxílio o Bruno Pratas: “São as confusões resultantes de na Liga Europa haver grandes equipas” (percebe-se o que ele quer dizer, não percebe?). E Fidalgo acrescenta: “O Liverpool também não convinha nada”. Insiste o pivot: “O Liverpool também não está na Champions”. É a vez de Bruno Prata.: “Também não seria mau se lhe calhasse o Manchester United”. O pivot já não sabe o que há-de fazer: “Não é o United, é o City que está na Champions”. Prata não se dá por vencido e conclui: “Se fosse apurado, o Wolfsburg também não seria mau”. “O Wolfsburg já foi apurado ontem”, remata o pivot. Enfim, jornalistas desportivos a falar sobre assuntos que não interessam ao seu clube…

Mais ainda: também a despropósito, um jornalista português pergunta no fim do jogo a Villas-Boas o que espera ele do Benfica na Champions. Villas-Boas, despindo o fato de treino do Zénite e vestindo o da claque dos Superdragões, diz-lhe que o percurso do Benfica na Champions não lhe interessa nada. E depois acrescenta: “Desculpe a franqueza. O que o Benfica fará ou não fará na Champions não me interessa. Eu sei que é uma equipa portuguesa, mas eu sou portista”. Se é certo que a pergunta não faz nenhum sentido, também não é menos verdade que Villas-Boas poderia iludir a resposta com mais elegância. O que não se compreende é que um profissional de futebol, ao serviço de um emblema, se manifeste como um vulgar adepto de claque por um outro clube. É uma falta de profissionalismo reprovável.

Quanto ao jogo de hoje à tarde e à respectiva eliminatória, a nossa apreciação é muito simples: no cômputo dos dois jogos o Benfica foi superior e mais eficaz. Há qualquer coisa nesta equipa do Benfica que faz com que ela seja algo mais do que uma equipa de grandes profissionais. Parece que há uma necessidade colectiva, individualmente expressa por cada um dos jogadores, de demonstrar que eles é que são os artistas da bola. E que se é importante o papel do treinador, da organização, sem eles nada se conseguiria.

Quanto ao jogo de hoje, propriamente dito, o Benfica jogou sempre de igual para igual. As oportunidades repartiram-se por ambas as equipas, apesar de durante todo o jogo o Benfica ter demonstrado sempre melhor organização (e mais vontade) do que o Zénite… O Benfica apenas se desequilibrou no lance do primeiro golo, muito em consequência do choque que deitou por terra Nelson Semedo e logo a seguir na jogada de Dzyuba, em que os jogadores do Benfica manifestamente preocupados em não cometer falta para penalty o deixaram ir até à baliza, tendo valido a grande defesa de Ederson. Fora estas duas situações, o Zénite não dispôs de nenhuma outra em jogada corrida.

O Benfica, pelo seu lado, além dos golos, teve um grande remate de Renato na primeira parte, a centímetros do poste, um outro de Jonas na segunda parte, que, isolado, perdeu no confronto com Lodigin e uma excelente cabeçada de Lindlöf a que Lodigin correspondeu com mais uma excelente defesa.

A grande vitória obtida no Estádio Petrovsky é fundamentalmente uma vitória da equipa. Da solidariedade, do colectivismo, da entreajuda, enfim, do “espírito Rui Vitória”. Todavia, mesma na vitória mais colectiva, há sempre quem se destaque. Em primeiro lugar, o guarda-redes – Ederson – um jovem com grande futuro. Chamado a substituir Júlio César, Ederson é já hoje um guarda-redes de primeiro plano: arrojado e eficaz nas saídas, sólido entre os postes, seguro nos cruzamentos e portentoso a jogar com os pés. Depois Samaris, que substituiu Jardel no centro da defesa. Ninguém diria, depois do jogo de hoje, que aquele não era o seu lugar de sempre. Jogador muito inteligente, com grande cultura táctica, desempenha com brilhantismo qualquer lugar no centro do terreno. Renato, uma fera. Ai, que será do Renato no dia em que não errar nenhum passe. Seguramente um dos portentos do futebol mundial. Fejsa, notável a defender, depois de longa paragem. Jonas, excelente a distribuir jogo, a pautar o jogo da equipa, daí que nos jogos em que tem de desempenhar estas funções não marque golos ou marque menos, mas nem por isso a sua exibição é menos brilhante. A seguir Gaitan, que marcou um golo importantíssimo, pleno de oportunidade, embora achemos que ele sempre pode fazer mais como acontece nos dias em que tem a genialidade à solta. Mitroglou, que igualmente esteve em bom plano dentro dos condicionalismos impostos pela natureza do próprio jogo, foi substituído por Jiménez cuja acção acabou por ser determinante para o apuramento do Benfica dentro do tempo regulamentar. Um grande remate e muita mobilidade. Finalmente, Eliseu que cresce nos jogos importantes, fez uma exibição muito segura e personalizada. Nelson Semedo, bom a atacar, deixa muito espaço nas suas costas quando as coisas lhe não correm bem lá na frente. Em jogos como o de hoje André Almeida é mais seguro. Pizzi está em abaixamento de forma desde há alguns jogos. Ele que foi tão importante na recuperação do Benfica, fazendo vários jogos de grande nível, tem decaído um pouco nos últimos tempos. Salvio que entrou para o substituir, ainda não está com o ritmo necessário. Talvez tenha sido um erro pôr Salvio a jogar nos jogos mais importantes. Depois de uma lesão tão longa e tão grave, justificava-se que entrasse de preferência na Luz em jogos de menos responsabilidade ou quando o resultado já estivesse feito. Tanto mais que Carcela estava a jogar muito bem durante a ausência de Gaitan. Por último, uma palavra para o fantástico Talisca que entrou a dois minutos do fim do jogo e fez história. Um grande golo. O golo da vitória.

A idade traz experiência e saber acumulado, mas a juventude encerra potencialidades que ninguém pode desprezar. Ederson, Lindelöf e Renato Sanches são estrelas que nenhum treinador pode dispensar!




terça-feira, 8 de março de 2016

O PORTO A SEIS PONTOS DO BENFICA




E A QUATRO DO SPORTING
"Erro de Casillas? Baía defenderia a bola com a mão fora da área...": Antigo candidato à presidência do Benfica e um dos futuros possíveis oponentes de Luís Filipe Vieira criticou qualidade do FC Porto e elogiou jogadores das 'águias'.

O Porto perdeu em Braga por 3-1. Não vi a primeira parte que terminou empatada a zero golos. Nem vou ver. O que vi na segunda parece-me suficiente para fazer a análise da equipa do Porto.

Já se tinha percebido, pelo jogo da Luz, contra o Benfica, que, depois da saída de Lopetegui, se entra com demasiada facilidade na área portista. Na Luz, como se sabe, só na primeira parte, além do golo, o Benfica poderia ter marcado mais três dentro da área.

Hoje, em Braga, viu-se na segunda parte uma equipa com grande capacidade de organização em todo o campo – e essa equipa foi o Sporting de Braga. Do Porto o que viu? Viu-se uma equipa acossada durante cerca de 50 minutos. Uma equipa sem ideias. Sem capacidade. Sem criatividade. Com dois centrais que, com todo o respeito, não teriam lugar numa boa equipa da segunda divisão. Com um guarda-redes emocionalmente perdido. Enfim, uma equipa que somente por acaso poderia empatar. E acaso deu-se por minutos. Numa incrível desatenção da defensiva bracarense, que apostou num fora de jogo inexistente, o Porto empatou numa recarga de Maxi Pereira. Mas depressa se percebeu que o Braga, que minutos antes estivera a centímetros do dois zero, poderia rapidamente reverter o resultado e desfazer o empate. E isso aconteceu com toda a naturalidade, mais uma vez por mérito do Braga e em virtude de um grande desequilíbrio defensivo do Porto. O terceiro golo é o resultado do tal desequilíbrio emocional do FC Porto, que nestes momentos perde a cabeça como uma vulgar equipa sem pergaminhos.

Tentar desculpar a derrota do Porto com Carlos Xistra é de uma enorme desonestidade intelectual. Carlos Xistra não teve a menor influência no resultado nem no modo como as equipas jogaram. Se os comentadores do Porto, como Miguel Guedes, continuarem a imputar as derrotas do Porto aos árbitros, os adversários apenas têm que agradecer. Agradecer esta incapacidade de perceber o que se passa com o Porto apenas pode ter como consequência manter o Porto tal qual está. Que Miguel Guedes e seus pares continuem a crucificar Vítor Pereira, o conselho de arbitragem e os árbitros que apitam as derrotas do Porto, óptimo para os adversários do Porto. O que se passa com o Porto é muito mais grave e nada tem a ver com as arbitragens.

Além de que – e nunca é exagerado lembrá-lo – ouvir os comentadores portistas falar de arbitragem como se houvesse uma cabala montada contra o seu clube só é possível por quem supõe que pode existir na actual arbitragem portuguesa algo de semelhante ao que durante décadas o Porto montou desde os famosos “Quinhentinhos” até ao mais recente “Apito Dourado”. Isso acabou e não voltará por muito que ainda haja quem sonhe com o regresso desses tempos. Hoje ganha-se ou perde-se no campo. Com erros, de vez em quanto, evidentemente, mas nunca erros tão grosseiros como os que às vezes os jogadores cometem. Como hoje Marcano e ontem Bryan Ruiz.

Depois do jogo desta noite, em Braga, o Porto fica a seis pontos do Benfica e a quatro do Sporting.

Daqui até ao fim o Benfica tem um calendário aparentemente mais fácil, mas tem, além dos jogos do campeonato, pelo menos mais um jogo na Liga dos Campeões e outro na Taça da Liga. Se na Taça da Liga fazer apenas mais um jogo pouca influência terá no ânimo dos jogadores, qualquer que venha a ser o resultado desse jogo, já o mesmo se não poderá dizer da Liga dos Campeões. Se o Benfica for eliminado em Sampetersburgo, essa derrota pesará imenso no ânimo dos jogadores. Se passar, a confiança cresce, mas o cansaço e a possibilidade de novas lesões também. Deste ponto de vista o Benfica está em pior situação do que o Sporting ou o Porto, ambos afastados das competições europeias e apenas, um deles, o Porto, como mais um jogo para realizar (final da Taça de Portugal) quando o campeonato já tiver acabado.

Portanto, nada está decidido. Para o Benfica cada jogo é uma final. A próxima é com o Zénite e a seguinte com o Tondela!

Para concluir: no Trio de Ataque desta noite, Oliveira e Costa, embora de certo modo conformado com o que aconteceu ao Sporting, um pouco n linha de quem já estava à espera que “essas desgraças” pudessem acontecer a Jesus, não se esqueceu de inventar (com pouca convicção) dois ou três penalties a favor do Sporting no jogo de ontem. Por aqui já poderemos ficar com a ideia do que os psicopatas do Sporting vão dizer da arbitragem nos próximos dias. Se é que hoje, noutros programas, os tristes e dependentes assalariados já não disseram isso e muito mais.

Tem que se reconhecer que, no Prolongamento, Pina foi relativamente comedido. Enfim, os adeptos "normais" sabem perfeitamente compreender e distinguir entre as incidências do jogo e as incidências que "alguém leva" para o jogo. Serrão também sabe fazer esta distinção. E sabe que o problema do Porto não é Carlos Xistra. Mas há quem não saiba...


domingo, 6 de março de 2016

A RESPOSTA NA HORA CERTA




O BENFICA NA FRENTE DO CAMPEONATO



No jogo disputado entre o Sporting e o Benfica nas últimas duas horas de sábado, o Benfica ganhou 1-0, golo de Mitroglou, e ficou à frente do campeonato. Por outras palavras, até ontem, sexta-feira, o Benfica tinha perdido os jogos disputados esta época contra o Sporting e contra o Porto, mas ganhou hoje aquele que mais importava – o jogo que o colocou o Benfica na frente da classificação com dois pontos de avanço sobre o Sporting!
Três notas prévias, a qualquer apreciação, impõem-se:

A primeira, a grande desilusão da clique dirigente sportinguista e seus acólitos que estavam plenamente convencidos desde algumas jornadas que o campeonato já estava ganho; não está; e o Sporting está mais perto de o perder do que o Benfica ou o Porto.

A segunda, a grande “cachola” de Jorge Jesus que, além de não ter percebido o jogo, continua sem perceber por que lhe acontece “isto” tantas vezes.

A terceira, a grande classe de Rui Vitória tanto no flash interview  como na conferência de imprensa: a elegância, a moderação, a única resposta que se impõe á bazófia balofa e à falta de educação.

Quanto ao jogo, qualquer observador imparcial percebe que o Benfica entrou no jogo para vencer. O seu objectivo era claramente pôr-se à frente do marcador, instabilizar o Sporting, dilatar o resultado se possível, ou, não o sendo, aguentá-lo, empatando o jogo na pior das hipóteses. Esse objectivo foi alcançado com sucesso, sem necessidade de ter de recorrer ao plano B.

Na primeira parte, o Benfica marcou o golo na sequência de uma brilhante jogada de Jonas e dominou claramente o jogo até à meia hora, altura em que o Sporting reagiu. Em consequência de uma atabalhoada saída da defesa do Benfica para o “off side”, Bruno César isolou-se na ala direita do Sporting e centrou, tendo a bola ressaltado para a entrada da área onde estava Jefferson que rematou com força à barra. E por aqui se ficou o jogo do Sporting na primeira parte.

Na segunda parte, o Benfica entrou manifestamente a jogar na contenção com indicação para jogar no contra-ataque, explorando o claro adiantamento da equipa do Sporting. Esta estratégia, que no decurso do jogo pareceu ter sido adoptada cedo demais, foi bem sucedida do ponto de vista do resultado final, mas não foi conseguida do ponto de vista da exploração do contra-ataque. Não obstante as muitas bolas recuperadas pelo Benfica, houve sucessivas perdas de bola no último passe ou no passe decisivo. O que mesmo assim não impediu que, por duas vezes, o Benfica tenha conseguido criar perigo, uma por Renato, que rematou cruzado junto ao poste direito de Rui Patrício, outra por Gaitan, que rematou sobre a linha da área por cima da barra.

Durante todo esse tempo o Sporting teve o aparente domínio do jogo, mas sem consequências ou sem sequer ter criado uma pressão contínua difícil de suportar. Com efeito, com excepção da gritante perdida de Bryan Ruiz sobre a linha de golo, o Sporting fez um remate perigoso ao lado por João Mário e tentou por Gutiérrez fazer um chapéu ao guarda-redes do Benfica, que este desfez com uma palmada para canto. São estas as oportunidades do Sporting. Ou melhor, foi a perdida de Ruiz a única oportunidade de golo do Sporting. As outras são tão oportunidades de golo quanto as de Renato e de Gaitan. Em conclusão: nada que se compare às perdidas do Benfica contra o Porto, no jogo da Luz.

Foi uma estratégia que resultou, mas que se poderia ter revelado perigosa, se o Sporting tivesse cedo marcado um golo. O Benfica poucas vezes joga assim e em princípio não deve fazê-lo numa competição por pontos. Diferente é fazê-lo no segundo jogo de uma competição a eliminar.

Jorge Jesus, além de ter sido deselegante, como é seu timbre, não apenas por falta de educação, mas também por egolatria, não consegue compreender o que se passou, como nunca compreende, sempre que aquilo que, na sua cabeça, tinha como relativamente simples se complica. Viu-se esse filme várias vezes nos seis anos em que esteve no Benfica. Jorge Jesus não percebe ou não quer perceber que o Benfica só jogou como jogou na segunda parte, porque estava a ganhar. Se não estivesse ou se estivesse empatado a sua atitude teria sido completamente diferente. Aliás, Jorge Jesus também não percebeu por que razão o Sporting na primeira parte correu mais cerca de cinco quilómetros que o Benfica...sem qualquer consequência prática.

A estratégia do Benfica passava por não perder em Alvalade, convencido como está de que se não perdesse teria todas as hipóteses de ser campeão, por ter como certo que nos jogos que faltam o Sporting perderá pontos.

Defrontado com uma contrariedade de última hora, o Benfica viu lesionar-se Júlio César poucas horas antes do início do jogo, tendo de recorrer ao guarda-redes número dois, Ederson, que, mais uma vez, cumpriu. Na equipa do Benfica de realçar a excelente exibição dos dois centrais. Lindelöf está um jogador de grande craveira e Jardel exibiu-se ao seu melhor nível “secando” completamente Slimani. No meio campo, excelente também a exibição de Jonas enquanto teve forças. Muito castigado pelas sucessivas entradas em falta de William Carvalho, Jonas foi o cérebro da equipa do Benfica na sua manobra de cortar a iniciativa de jogo ao Sporting. Brilhante também Mitroglou que, apesar de muito penalizado por Ewerton, mais uma vez, não falhou na hora certa. Renato, no desempenho de uma função difícil, sempre marcado de perto por Adrian, foi importante no meio campo, embora tenha perdido algumas bolas na manobra atacante (por retardar o passe na hora devida). Samaris esteve imperial a defender, embora também tenho tido uma perdida de bola muito comprometedora. Eliseu e André Almeida, muito solicitados na defesa, principalmente Eliseu, estiveram também em bom nível. Quem esteve manifestamente abaixo das suas capacidades foram Pizzi, apesar do auxílio que prestou ao meio campo, e Gaitan, que tarda em reaparecer.

Fejsa substituiu Pizzi para reforçar o meio campo, Jiménez substituiu Mitroglou para dar mais largueza ao ataque e explorar o contra-ataque e Salvio entrou para o lugar de Jonas.

Finalmente, a arbitragem: toda a equipa de arbitragem esteve bem e não teve qualquer influência no resultado. É no entanto perfeitamente natural que os psicopatas do Sporting e os pobres dependentes assalariados do clube leonino com voz nas televisões inventem mil e uma coisas nos dias que aí vêm para por essa via tentarem atenuar a imensa frustração de quem já se vê mais próximo do terceiro lugar do que do primeiro. Mas não há realmente nada de importante a assinalar à arbitragem, salvo a manifesta alteração de critérios entre a primeira parte e a segunda, não em proveito ou desvantagem de uma ou outra equipa, mas relativamente a lances que na primeira parte não mereceram disciplinarmente sanção especial e na segunda mereceram. Nesta divergência de critérios o Benfica acabou sendo o mais prejudicado, mas por mero acaso. Houve da parte do árbitro e dos seus auxiliares a preocupação de fazer uma boa arbitragem. E esse objectivo foi alcançado.


ADITAMENTO

Revisto o jogo sem a emoção de quem a ele está a assistir em directo, tenho de concluir que a exibição do Benfica na segunda parte foi muito superior à que à primeira vista me pareceu. De facto, o Benfica começou o jogo ao ataque com duas excelentes jogadas que poderiam ter dado golo – as de Renato e Gaitan, acima referidas, e praticamente seguidas.

Depois o Benfica foi sempre controlando o jogo com classe e poderia ter feito muito mais se não tivesse falhado com excessiva frequência o último passe nas jogadas de ataque. A inviabilização dessas múltiplas – sim, múltiplas (é ver…) – jogadas não resultou de mérito do Sporting, mas de erros dos jogadores do Benfica. Umas vezes porque se agarravam excessivamente à bola (Renato), outras porque na hora de passar bem entregavam a bola ao adversário (Jonas, Gaitan, Samaris. Pizzi, etc.).

Quanto ao árbitro, também se impõe uma correcção. Não penalizou com amarelo Ewerton na primeira parte apesar de ter travado irregularmente Mitroglou por seis vezes! Não puniu as jogadas em que os jogadores do Benfica foram manifestamente empurrados contra os painéis de publicidade (Gaitan, Mitroglou, Jonas), mas assinalou uma falta a Eliseu que não existiu. Todavia, na segunda parte, na primeira falta (ligeira) que Jonas cometeu, no primeiro terço do terreno do Sporting, foi imediatamente punido com um carão amarelo. Idem, para Gaitan, por falta idêntica na mesma zona do terreno. Amarelo também para Mitroglou por ter retardado ligeiramente a saída. Mas nada aconteceu a Ewerton na meia dúzia de vezes em que em falta impediu Mitroglou de prosseguir a jogada, umas vezes de contra-ataque, outras de ataque. Por último, o erro dos erros, aconteceu perto do minuto 90 quando Jiménez disputando na frente de ataque uma bola com Jefferson (ou Ewerton), caindo ambos, foi impedido de se isolar pelo jogador do Sporting que o puxou por um braço. Era falta e expulsão. Como de costume não houve repetições da TV Sport, que, como sabemos, só mostra o que lhe convém. É aliás na imediata sequência dessa jogada que Renato, em manifesto desforço pela falta não assinalada a favor do Benfica, entra sobre Bryan (ou outro) e apanha o amarelo.

Para concluir, Jorge Jesus se tivesse um mínimo de imparcialidade, ou se tivesse um resquício de vergonha, revia o jogo e pedia desculpa pelo que disse. Acrescentando que a sua equipa foi inepta, incapaz de ultrapassar o sistema de jogo do Benfica por ter posto em prática um futebol vulgar sem criatividade nem imaginação. Esta a verdade do derby!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

PORTO E SPORTING, EQUIPAS VULGARES




MAIS DUAS DERROTAS NA EUROPA

O Sporting, que nem sequer merecia ter passado a fase de grupos da Liga Europa, voltou a perder nesta competição, jogando um futebol vulgar, sem brilho e nenhuma criatividade.

Covardemente, Jesus imputa a responsabilidade da derrota a Semedo, quando a equipa já perdia nessa altura por um zero e até poderia estar a perder por mais, sem que o Sporting até então ou depois tenha criado uma única oportunidade de golo.

Mas Jesus não se manca. As suas declarações não ficaram por ai. Teve a lata, a suprema lata, de afirmar que o uruguaio, Coates, saiu porque vem da Inglaterra onde se não joga com esta intensidade nem frequência! Jesus é também um caso de psiquiatria.

Mas deixemos Jesus, que, segundo disse, até já ganhou em Leverkusen. Que equipa será esta que já ganhou em Leverkusen? Percorro os anais das competições europeias e não encontro nenhuma equipa “Jorge Jesus”. Esta egolatria de Jesus bem pode ser tratada juntamente com as múltiplas doenças do foro psiquiátrico que campeiam entre os dirigentes de Alvalade e seus principais adeptos.

Continuando: Jesus não desvaloriza os jogos na Europa, mesmo os da II Divisão, como é o caso, o que Jesus não tem é a coragem de os valorizar pelas múltiplas derrotas que as equipas sob a sua direcção tem sofrido no plano internacional. Qualquer adepto do futebol se recorda, só para falar das últimas, da humilhante derrota do Benfica em Leverkusen, por 3-1, e da derrota do mesmo Benfica em casa, por 2-0, contra o Zénite de Villas-Boas. Tanto uma como outra são imputáveis a Jorge Jesus que insistiu do primeiro ao último minuto num modelo de jogo que não era o adequado para o adversário em questão. Basta ler o que então se disse neste blogue para logo se concluir que esta não é uma opinião de hoje, ou seja, numa data em que Jesus está no Sporting, é a opinião que se teve quando o Jesus treinava o Benfica.

E vamos então falar claro para encerrar o tema Jesus: há algum treinador na Europa, seja ele de Malta, da Moldávia, da Alemanha ou da Inglaterra que desvalorize ou despreze um jogo europeu, mesmo da secundária Liga Europa? Um treinador com esse pensamento não tem lugar em nenhuma equipa com um mínimo de pretensões. Se Jesus o faz, é por pura covardia desportiva. Apenas para tentar disfarçar a sua incompetência neste plano.

Quanto ao resto, o Sporting, diminuído por esta atitude do seu treinador, jogou ao nível de uma equipa vulgar. Não é que o Sporting tenha jogado muito diferentemente desde que defrontou o Tondela, mas sempre foi ganhando alguns jogos. A continuar a jogar assim, o Sporting perderá tudo. No que aliás se acredita.

O Porto, que costuma ter outra atitude nos jogos europeus, apresentou-se em Signal Iduna Park como uma equipa pequena. Uma equipa, no estilo do antigo Estrela da Amadora, que se remete completamente à defesa, com onze jogadores atrás da linha da bola, esperando o “milagre” de um contra-ataque que lhe possa proporcionar um golo. E dizemos “milagre” porque não basta que aguarde a possibilidade de um contra-ataque vitorioso, é preciso fazer algo para que ele aconteça. E o Porto nada fez, apesar de estar a perder desde o sexto minuto.

Se nesse jogo houve uma equipa que nos decepcionou, essa equipa não foi a do Porto, da qual não esperávamos muito mais, mas a do Borússia de Dortmund, que nos pareceu uma equipa lenta, pouco criativa, incapaz de explorar as debilidades do Porto e de criar as oportunidades de golo que um ataque mais veloz e mais imaginativo seguramente criaria.

De certo modo, até foi penoso assistir a um jogo tão pouco participado por ambas as equipas. Uma jogando à defesa durante noventa minutos, incapaz de criar oportunidades de golo, salvo um ressalto que Suk não aproveitou, ou melhor, que o guarda-redes do Borússia não deixou aproveitar, e outra jogando lentamente, lateralizando sistematicamente o jogo, sempre à espera de uma aberta ou de um erro que permitisse chegar ao golo.

De facto, Pinto da Costa tinha razão quando disse que comparar o Benfica com o Dortmund era uma brincadeira. Basta atentar nas oportunidades de golo que o Benfica criou e compará-las com as do Borússia. Mas, enfim, isso já é história, embora história quase impossível de repetir.

Com estes resultados, tanto o Porto como o Sporting estão praticamente eliminados.

Em tempo: Jesus, na conferência de imprensa, tentou corrigir o que disse na flash interview sobre a intensidade e a frequência dos jogos em Inglaterra. Mas erradamente, porque também a equipa donde Coates veio jogou com a mesma frequência que as outras equipas inglesas, já que nos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro não há jogos europeus nem cá nem lá! Se Coates não jogou é porque era suplente!

Mais: Jesus, nessa conferência, insurgiu-se contra os adeptos por terem assobiado Teo (e a razão é simples: venderam contra a sua vontade Montero e ficaram com Teo, logo têm de o aguentar…) e mostrou mais uma vez a instabilidade emocional que reina em Alvalade, quando afirmou que nunca permitirá que “Isto corra mal para mim!”. Jesus, como aqui já foi dito, tudo fará para ser campeão no Sporting, mas também já decidiu que para o ano lá não ficará. Ponto é saber se vai para o Porto ou se haverá noutro país alguma equipa, minimamente importante (talvez o Valencia), que o queira.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

PINTO DA COSTA PREPARA A DERROTA




PINTO DA COSTA DEFENDE O LUGAR



Como qualquer ditador, Pinto da Costa só largará o poder quando a natureza o impossibilitar de continuar ou se for corrido do lugar que ocupa. Não obstante o seu passado ao serviço do FC Porto, nunca esteve tão perto de ser “expulso” do lugar que ocupa como este ano. São muitas as vozes que o culpam dos sucessivos insucessos da equipa em três épocas consecutivas – que até poderiam ter sido cinco se não tivesse acontecido o que todos sabemos…-, a ponto de este ano considerarem indesculpável o fraco rendimento da equipa depois de tão grande investimento.

Pinto da Costa sabe tudo isso. Sabe que “deu” a Paulo Fonseca um dos piores plantéis do Porto contemporâneo; sabe que contratou um treinador incompetente a quem concedeu, como a nenhum outro, o direito de escolher os jogadores que quis (a “famosa armada espanhola”) e sabe também que está hoje muito longe de poder desempenhar fora do campo o grande papel que noutros tempos soube com muito êxito pôr em prática.

E como, não obstante a sua grande paixão clubista, sabe perfeitamente que o Porto deste ano não vai longe, não apenas por ter começado mal e ter sido incompetentemente dirigido, mas também porque lhe faltam, em zonas nevrálgicas do campo, os artistas que noutras ocasiões já teve, é que Pinto da Costa trata de valorizar os pequenos sucessos que a fortuna lhe concedeu para, por antecipação, tentar atenuar os insucessos que ai vem. E para isso nada melhor do que através de comparações que ele sabe serem falsas estar já a preparar os adeptos para as derrotas que estão à porta.

Quando Pinto da Costa afirma que o Dortmund não é o Benfica, apenas se limita a fazer uma constatação evidente. Mas quando além disso acrescenta que só por brincadeira se poderia supor tal coisa, o que Pinto da Costa pretende dizer é que o Borússia de Dortmund, não obstante as suas limitações, não irá certamente desperdiçar as oportunidades de golo que o Benfica perdeu só na primeira parte do seu confronto com o Porto.

Pinto da Costa sabe, como sabe qualquer outro espectador, que, só na primeira parte do jogo contra o Benfica, o Porto, além do golo que sofreu, poderia ter sofrido mais três e partir para o segundo tempo já goleado. Bastava que Pizzi, Mitroglou e Samaris não tivessem falhado o que normalmente não falham. Bem poderia Casillas ter feito a exibição que fez, defendendo os remates de Jonas (primeiro tempo) e de Mitroglou, Gaitan e Martins Indi (segunda parte) que ninguém tiraria ao Porto uma goleada.

Ora, é este espectro que Pinto da Costa tem em mente e cuja concretização teme.

Aliás, há outros indícios da perturbação que actualmente reina no Porto. A crítica à arbitragem no jogo contra o Arouca é digna dos psicopatas do Sporting pelas ligações inverosímeis estabelecidas entre factos que não tem entre si qualquer conexão. Sendo certo que o árbitro anulou ao Porto um golo válido, é também indiscutível que quando tal aconteceu ainda faltava jogar muito jogo, como certo é que depois desse evento o Arouca marcou. Ligar a anulação desse golo ao facto de o árbitro ser irmão de um ex-árbitro pertencente à comissão de arbitragem (ex-árbitro esse que o Porto gostaria de ver a dirigir a arbitragem portuguesa) e à circunstância de um dos adjuntos de Lito Vidigal, treinador do Arouca, ser filho do presidente da comissão de arbitragem é algo que até à data só estava ao alcance das mentes doentias e pequeninas do Sporting.

Em conclusão: muito vai ter de falar Pinto da Costa durante o que resta para o termo da época se quiser tentar novamente ser presidente do Porto no próximo mandato. Todavia, por muito que fale vai ter dificuldade em enganar os adeptos mais lúcidos do seu clube que há muito já perceberam que a “máquina” deixou de funcionar e que ele não é mais o timoneiro que outrora já foi.
Os rivais agradecem a sua continuação...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A DERROTA DESTA NOITE




O MÉRITO DO PORTO

Em primeiro lugar, é importante saber perder. Depois de tantos e tantos maus exemplos, é reconfortante que o Benfica, perdendo, tenha sabido perder.

Dito isto, sem prejuízo de voltar ao tema, gostaria agora de dizer como vi o jogo desta noite entre o Benfica e o Porto.

O Benfica e os seus adeptos partiram para este jogo com uma extraordinária dose de confiança, uma confiança que só recuando mais de três décadas pode ter paralelo noutros confrontos com o Porto. Confiança não é arrogância, ou não deve ser. É crença nas capacidades da equipa. Na sua eficácia goleadora. Na solidariedade do conjunto. Na excelente forma dos seus elementos.

E foi assim que o jogo começou. Logo nos primeiros minutos se ficou com a convicção de que o jogo poderia ser igual a outros destes últimos dois meses. É certo que antes do golo de Mitroglous já tinha havido duas perdidas, mas logo a seguir veio o golo e a confiança restabeleceu-se. Depois, a superioridade do Benfica continuou a ser evidente, mas a falta de eficácia manteve-se e a juntar a ela começou a desenhar-se uma grande exibição de Casillas. Até que o Porto, dez minutos volvidos, empatou na primeira oportunidade que teve e na sequência de uma clamorosa falta de marcação do meio campo, sem com isto querer retirar mérito à jogada do Porto e ao remate de Herrera.

O Porto empatou, mas o Benfica continuou por cima. Voltou a ter oportunidade de marcar. Umas vezes por inépcia do rematador, outras por mérito de Casillas, a bola não entrava.

Até que veio o segundo tempo e a ideia que pairava no espectador que se guia pelo que tinha acabado de observar era a de que se o Benfica continuasse a jogar como tinha jogado na primeira parte ganharia o jogo sem dificuldade, não obstante a ligeira vantagem que o Porto ia tendo no jogo a meio do campo e o sistemático recuo de Jonas para zonas longe da baliza adversária.

Só que a segunda parte foi muito diferente da primeira. Cedo se começou a perceber que o Porto iria dar uma réplica muito mais forte e consistente do que a que deu na primeira parte e percebeu-se também que a ineficácia que o Benfica demonstrou na primeiro tempo se iria manter na segundo, assim como a exibição de Casillas.

E passou então a admitir-se que a todo o momento o Porto poderia passar para a frente do marcador. O seu jogo a meio campo fortaleceu-se, o Benfica passou a ter menos hipóteses de chegar com facilidade à área adversária, levando tudo isto somado à convicção de que se o Porto viesse a ter uma oportunidade a não desperdiçaria.

E foi o que aconteceu numa jogada em parte também construída por Aboubackar, mas acima de tudo por ele finalizada com muito mérito. Depois deste golo, salvo numa ocasião (acidental), o Benfica da primeira parte não voltou a aparecer no jogo e desapareceu completamente depois das substituições de Samaris por Talisca e de Pizzi por Carcela. E mais ainda com a de Eliseu pelo sacrificado Sálvio que não merecia entrar num jogo destes. A dez minutos do fim, depois de uma lesão gravíssima que o inabilitou durante nove meses, meter Salvio é algo inexplicável!

Com esta derrota, limpinha, sem árbitros, sem arrogância, sem insultos, resultante da ineficácia própria e do mérito e brio do adversário, o Benfica desceu à terra. Perdeu o quinto clássico da época, pode até perder o sexto, mas mesmo assim ser campeão se psicologicamente não ficar abalado com o que aconteceu esta noite.

É preciso que se diga que esta noite poderia ter sido uma noite igual às muitas que se viveram nestes últimos dois meses se não tivesse havido tanta ineficácia. Com um Benfica medianamente eficaz o Porto não teria condições para resistir, tendo em conta o estado anímico em que seguramente se encontraria se o Benfica tivesse concretizado duas ou três oportunidades das que teve na primeira parte. Se… Mas como os “ses” não contam, e como não foi isso o que aconteceu, o que interessa agora saber é como ficará a equipa depois desta derrota.

Em si, esta derrota, nos termos em que aconteceu, não teria força suficiente para derrubar psicologicamente a equipa. Mas como ela acontece na sequência de quatro anteriores desaires com equipas da mesma igualha, sem contar com a derrota em casa contra o Atlético de Madrid e a derrota em Istambul contra o Galatasaray, pode ter efeitos muitíssimo perniciosos.

O futuro dependerá do estado anímico da equipa. Se se mantiver em alta pode até acontecer que a disputa a três seja mais favorável ao Benfica do que a disputa a dois. Como o Sporting vai seguramente perder pontos, mesmo que o Benfica perca em Alvalade, se nos restantes onze jogos estiver como esteve nos últimos onze continuará com todas as hipóteses de ser campeão.

Para isso nada melhor do que ganhar ao Zénite já na próxima terça-feira!     

domingo, 7 de fevereiro de 2016

BENFICA ARRASADOR


 

ATÉ 8 DE MARÇO TUDO SE DECIDIRÁ
belenenses - benfica

 

O Benfica tem estado verdadeiramente arrasador. Oitenta golos (80) marcados em todas as competições oficiais até ontem disputadas, cinquenta e nove (59) no campeonato, vinte e seis (26) sofridos, catorze (14) dos quais no campeonato.

A dois pontos do Sporting, vencendo categoricamente os diversos jogos em que participa, o Benfica espalha o pânico nos seus principais adversários, nomeadamente no Sporting, cuja estrutura dirigente e a própria equipa técnica não têm o equilíbrio emocional suficiente para suportar os resultados e o nível exibicional do Benfica.

Perguntar-se –á por que razão o Benfica respira no campo uma confiança que nunca demonstrou em nenhum dos seis anos de Jorge Jesus? Claro que a confiança decorre dos resultados e das exibições, mas tanto estas como os resultados decorrem do novo sistema de jogo da equipa e dos seus magníficos intérpretes.

No tempo de Jorge Jesus, a equipa nunca foi uma equipa tranquila. O "frenesim atacante" que Jorge Jesus imprimia à equipa, às vezes com grande brilho exibicional, era, paradoxalmente, a sua grande força e sua grande fraqueza.

No primeiro ano de Jesus, os efeitos negativos deste “frenesim” notaram-se menos do que nos anos subsequentes. Primeiro, porque o principal rival do Benfica – o FC Porto – estava mal e o sistema de jogo do Benfica era suficientemente inovador para deixar a maior parte dos adversários perplexos. Mesmo assim, o Benfica não ganhou vantagem suficiente sobre o seu principal adversário (Sporting de Braga) para poder descansar. Só na última jornada o campeonato foi ganho.

Depois, sempre com o mesmo sistema, o Benfica foi derrotado em todas as competições (salvo na Taça da Liga em dois anos) nos três anos seguintes, sempre pelo Futebol Clube do Porto.

Somente quando o Porto voltou a fraquejar, uma das vezes com um dos piores plantéis da sua história recente (2013/2014) e outra, no ano seguinte, com um plantel recheado de estrelas mas comandado por um treinador manifestamente incompetente, é que o Benfica exibiu manifesta superioridade sobre os seus principais opositores, embora sem nunca ter sido capaz de expressar essa superioridade em expressiva diferença pontual.

Sem falar nos desaires europeus e na Taça de Portugal (excepto num ano), tudo isto porquê se a equipa durante esses seis anos esteve sempre servida por excelentes intérpretes?

Porque nesse seu "frenesim atacante "a equipa desguarnecia frequentemente a sua rectaguarda, principalmente o meio campo (de consequências fatais contra equipas técnica e tacticamente evoluídas) e empurrava toda a equipa adversária para trás da linha da bola, nas imediações ou dentro da sua grande área. Consequências: faltava espaço ao Benfica e sobrava campo ao adversário para explorar com êxito, como tantas vezes aconteceu, as costas da defesa benfiquista.

Isto passava-se durante todo o jogo. Aquela imensa correria acima e abaixo era a imagem de marca das equipas de Jesus. Uma imagem que faz vibrar o espectador, pela espectacularidade do jogo, apesar de muitas vezes os golos não aparecerem ou aparecerem tardiamente e de frequentemente a equipa ficar excessivamente exposta às arremetidas do adversário. Claro que se essas arremetidas eram, com todo o respeito, do Gil Vicente ou Olhanense, as consequências eram umas; se eram do Bayer Leverkusen, do Zenit de São Petersburgo ou do Futebol Clube do Porto eram outras, completamente diferentes.

No tempo de Jesus, o Benfica, como hoje o Sporting, registava quase sempre uma posse de bola esmagadora, mesmo quando os resultados eram fracos.

Com Rui Vitória tudo isto mudou. A equipa abandonou aquele” louco frenesim” atacante, divide muito mais o jogo com o adversário, chame-se ele Atlético de Madrid ou Moreirense, tem muito menos posse de bola (veja-se o que se tem passado nos jogos em que o Benfica tem goleado), marca muitos mais golos e sofre menos!

Tudo isto porquê? Muito simplesmente porque tem mais consistência defensiva, é uma equipa muito mais equilibrada e coesa e porque beneficia de muitos mais espaços no ataque.

É por estas singelas razões, decorrentes do sistema de jogo que Rui Vitória soube pôr em prática, que me atrevo a afirmar que o Benfica este ano será campeão com uma diferença pontual sobre o segundo classificado superior à de qualquer um dos três anos em que foi campeão com Jesus e fará um percurso na Liga dos Campões à altura da sua história.

Restringir os êxitos do Benfica ao “aparecimento” de Renato Sanches e de Pizzi é muito redutor e, simultaneamente, enganador, apesar do excelente contributo que ambos têm dado na consolidação do sistema de jogo da equipa. E é redutor porque estes mesmos dois jogadores com Jorge Jesus não jogariam como estão a jogar hoje. Ele não os deixaria jogar assim. Atenção: isto não é uma crítica. É uma constatação. A “ideia de jogo” de Jesus opor-se-ia à liberdade de acção de Renato Sanches e ao actual posicionamento de Pizzi, como o ano passado se viu relativamente a este.
A oito de Março logo se verá se o prognóstico que hoje aqui deixo se confirma ou não.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

BREVE ANÁLISE DOS PROGRAMAS DESPORTIVOS DAS TELEVISÕES




A MEDIOCRIDADE E A TOXIDADE SÃO A REGRA



Deixando de lado as transmissões de espectáculos desportivos (alguns deles apenas manchados pelo sectarismo de alguns comentadores) e os canais dos clubes, de qualidade muito diferenciada, podendo até encontrar-se em algum deles programas bem mais interessantes do que os apresentados pelos canais generalistas abertos e pelos canais do cabo, noticiosos ou desportivos,  o que se pode dizer sem medo de errar é que a esmagadora maioria dos demais programas desportivos sobre futebol das nossas televisões são lixo tóxico.

Entre estes, para que não haja dúvidas, colocamos à cabeça o “Tempo Extra”, o “Play Off”, o “Dia Seguinte” e o “Prolongamento”. Depois, mas ainda lixo tóxico, vem o “Trio de Ataque”, “Mais Bastidores” e o programa de domingo da TVI 24 que não sabemos como se chama.

Era suposto que nestes programas se falasse de futebol. É certo que alguns dos participantes nestes programas percebem pouco de futebol, nunca jogaram à bola, nem nunca exerceram a profissão de crítico desportivo, mas também há participantes que têm desempenhado desde há longos anos essas funções e outros até foram jogadores, alguns, ou muitos deles, internacionais, e outros, além de jogadores, foram treinadores, sendo, por isso, suposto que percebam de futebol e falem sobre ele.

Infelizmente não é isso o que acontece. Vejamos um por um. “O Tempo Extra” nem sequer merecia ser qualificado como programa desportivo sobre futebol, dada a sua natureza, a sua configuração e os seus fins, mas como os seus dois intervenientes insistem em falar sobre assuntos que marginalmente tocam o futebol que se joga nos campos, importa dizer que este programa é uma das maiores fraudes do nosso panorama desportivo. O apresentador é um simples “moço de recados” do principal interveniente no programa, limitando-se a dar-lhes as deixas do guião por aquele previamente estabelecido e a controlar os tempos de antena.

E a primeira questão que a propósito deste programa se põe é esta: a quem pertence de facto o “Tempo Extra”? À SIC ou ao seu protagonista? Esta pergunta já foi feita várias vezes, mas nunca obteve resposta, o que deixa desde logo na sombra ou até no escuro o princípio da transparência. Dito isto, toda a gente sabe que neste programa se não fala de futebol, de futebol jogado. Neste programa intriga-se, manipula-se e frequentemente mente-se, quer directamente, quer sob a forma de insinuação, quer mediante processos de intenção. O que também não admira, porque dada a personalidade, o carácter e o passado do seu do seu protagonista só poderia esperar-se a produção semanal de lixo tóxico! E é isso o que o programa produz.

Depois vem o “Play Off”, que, aparentemente, apareceu ao domingo à noite para se substituir ao lixo tóxico que na SIC, nesse mesmo espaço, era semanalmente jogado sobre os telespectadores. E foi para poder competir com a concorrência que se contrataram antigos jogadores de futebol, também eles ex-treinadores, para que, finalmente, se falasse de futebol. E no começo isso conseguiu-se apesar dos fortes vestígios de lixo tóxico que transitaram do anterior programa. Todavia, a personalidade de Toni, de Manuel Fernandes e de António Oliveira era garantia suficiente de que o programa se poderia manter acima da média. A saída de Toni foi bem colmatada com entrada de António Simões e o seu nível manteve-se acima da média. Depois saiu Oliveira, por razões que se desconhecem, embora se intuam, e o programa ressentiu-se logo da sua falta. O seu substituto embora alardeasse, em palavras, grande independência de análise, não precisou de muito tempo para dizer ao que vinha. De facto, desde muito cedo se percebeu que privilegiava uma aliança com o “lixo tóxico” por entender que esse era o melhor meio de transmitir o recado que se propunha deixar e de cumprir a tarefa de que se incumbira. Com a passagem do tempo tudo isso se tornou mais evidente e foi pelo seu lado, sempre em aliança com o “lixo tóxico”, que se começou a deixar de falar de futebol. Posteriormente, com a saída de Manuel Fernandes, um desportista exemplar e de grande integridade moral, e a sua substituição por um vulgar assalariado, de cariz arruaceiro, que já esteve ao serviço de outro senhor, que o programa começou a aproximar-se do nível zero. Prevendo, em tempo útil, esse desfecho, António Simões desligou-se e bateu com a porta. Foi substituído por João Alves, que já nada poderá fazer para impedir aquilo que o programa hoje já é. “Lixo tóxico polifónico”. Se Alves quer ouvir um conselho, eu lho dou de graça: Vá-se embora e quanto mais depressa melhor!

Em próximos posts continuará a análise dos demais programas.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

OS JIHADISTAS DO SPORTING




DECLARAÇÃO DE GUERRA AOS ÁRBITROS



Tal como o Estado Islâmico, também o Sporting declarou guerra aos infiéis. Se infiéis para o IS são todos os que não seguem o Corão, na interpretação que dele fazem os jihadistas, também para o Sporting os inimigos a abater são todos os que não seguem as orientações do Grande Líder, doravante chamado mulá Carvalho, pela manifesta falta de curriculum para poder aspirar à categoria de líder supremo.

A “verdade desportiva" está para o Sporting, como o Corão para os jihadistas. Alguém já viu ou ouviu um jihadista pronunciar-se sobre um projecto de sociedade no plano económico, social, cultural tentando por essa via ganhar simpatizantes para a sua causa? Não, ninguém viu nem ouviu, porque os jihadista só falam do Corão, o livro sagrado, de cuja aplicação tudo resultará. O mesmo se passa com os jihadistas do Sporting. Desde que o mulá Carvalho alcançou a presidência do Sporting, alguém viu ou ouviu um jihadista do Sporting falar de futebol? Falar do modo como joga o Sporting, como jogam as outras equipas, como se exibem os principais jogadores da Liga Portuguesa? Não, ninguém ouviu. O que repetidamente se ouve é falar da “verdade desportiva”, da observância da qual, aparentemente, resultaria o reino dos céus na terra.

E aqui é que está a principal e indesmentível semelhança entre o Estado Islâmico e o Sporting. Da mesma forma que para o IS o Corão não passa de instrumento de domínio que lhes permite exercer a tirania sobre os seus súbditos e fanatizar os seus apaniguados contra todos os que o não seguem, também para o Sporting a “verdade desportiva” não passa de um slogan instrumental por via da qual querem amedrontar, ostracizar, manipular, condicionar todos os que humildemente se limitam a reconhecer que “errar é humano”.

Os jihadistas do Sporting não admitem o erro humano nem a divergência de opiniões ou avaliações, porque já estão a antecipar o que seria um “vídeo árbitro”, dirigido por Rui Santos como juiz supremo, assessorado por José Manuel de Freitas e Fernando Correia, escolhidos pelo mulá Carvalho sob proposta de Octávio Machado, José Eduardo e Inácio.

O que se passou este fim-de-semana depois do jogo de Alvalade foi uma vergonha para o futebol português. Certamente que Cosme Machado errou onde não devia ter errado. Desse erro poderiam ter resultado prejuízos para o Sporting. Acontece que os jihadistas do Sporting não estão satisfeitos com estas conclusões e menos ainda com o reconhecimento público, por parte do árbitro, do erro cometido e do respectivo pedido de desculpas. Nada disso interessa ao Sporting. Como nada lhe interessa a ocorrência de situações idênticas àquela em vários outros jogos no decurso de um campeonato, seja ele o português ou qualquer outro. Como também lhe não interessa que esse mesmo árbitro ainda recentemente num jogo contra o Arouca, quando o resultado era 0-0, tenha perdoado a breves minutos do fim um penalty ao Sporting, do qual poderia resultar a derrota e a perda de três pontos.

Nada disto importa ao Sporting. O que importa ao Sporting e aos seus jihadistas, sejam eles os já acima citados, ou outros que semanalmente defendem exactamente as mesmas posições e pontos de vista, como Rui Oliveira e Costa, é dramatizar o ocorrido com base numa gigantesca campanha de desmoralização da arbitragem destinada a condicioná-la e a manipulá-la para tentarem por esta via ganhar o que no campo já perceberam que vão perder.

É esse pânico em que o Sporting vive que faz com que todos os seus jihadistas afiem as armas para atacar os árbitros, para insultar Vítor Pereira, para lançar calúnias sobre os que fatalmente os irão derrotar.

Voltamos ao início: alguém mais ouviu falar de futebol? O Sporting está empenhadíssimo em tirar esse assunto da agenda porque sabe que os elogios ao Benfica são tantos e vêm de tantos lados que só poderiam ter um efeito desmoralizador.

Até o “Rei da Táctica” já quase não fala de futebol. Já está a antecipar o que lhe vai acontecer, preferindo falar na hipótese de treinar o Porto ou o Atlético de Madrid, certamente por já ter percebido que se foi meter num ninho de vespas donde não conseguirá sair incólume.

Bem podem os jihadistas do Sporting gritar, espernear, insultar, vilipendiar, já que destes comportamentos apenas restará o retrato fiel que todos fazemos deles – gente indigna de estar no desporto. Os árbitros não se deixarão condicionar. O Sporting não será campeão!








domingo, 31 de janeiro de 2016

O SPORTING TEM MENTALIDADE DE EQUIPA PEQUENA




MAIS CENAS EM ALVALADE

Octávio Machado: «Peço para nunca mais nomearem Cosme Machado para jogos do Sporting»



Não há qualquer espécie de dúvida, o Sporting tem mentalidade de equipa pequena. Como sempre acontece com os pequenos sejam eles equipas de futebol ou outra coisa qualquer, as pequeninas contrariedades são exacerbadas, são vistas como conspirações universais destinadas a apoucá-los e a prejudicá-los. Nunca são vistas na sua verdadeira dimensão, mas como assuntos de importância vital dos quais em última análise depende a realização do fim que esses pequenos seres têm em vista alcançar.

Esta noite em Alvalade, mais uma vez o Sporting se viu atrapalhado para ganhar ao penúltimo classificado. Mais uma vez os jogadores do Sporting ultrapassaram os limites do permitido, sem que a sua conduta tivesse sido devidamente punida. Mais uma vez o treinador do Sporting foi expulso por algo, certamente grave, no conteúdo ou na forma, que disse ao árbitro (ao quarto árbitro).

O Sporting queixa-se de um golo sofrido em fora de jogo aos 59 minutos (cinquenta e nove minutos, imagine-se!). Ainda não tivemos oportunidade de rever o lance com tranquilidade, embora pela imagem a que tivemos acesso nos pareça que há fora de jogo. Um fora de jogo ocorrido numa jogada pouco comum, cuja validação parece corresponder a um erro do árbitro. Ou seja, o defesa não costuma ser o último jogador; o último jogador costuma ser o guarda-redes, daí a confusão do árbitro se estiver correcta a imagem que temos do lance.

Só mesmo uma equipa em pânico, completamente desorientada e emocionalmente destabilizada, pode tomar por definitivo o resultado verificado ao minuto 59 contra o penúltimo classificado. Basta comparar o que se passou com o Benfica à terceira jornada da primeira volta. Depois de uma pré-época decepcionante, da derrota na Supertaça e da derrota contra o Arouca na segunda jornada, o Benfica jogando contra o Moreirense viu a equipa de Moreira de Cónegos empatar ao 84.º minuto, num golo marcado em off side – um off side “normal” com cerca de dois metros. Faltavam seis minutos para acabar o jogo e mesmo assim o Benfica assegurou a vitória dois minutos depois. Não convocou conferências de imprensa especiais, não veio insinuar manobras de bastidores, não veio chamar incompetente ao árbitro, nem veio, em suma, exigir que Jorge Ferreira nunca mais arbitrasse o Benfica. E no Rio Ave – Benfica da 14.ª jornada, que o Benfica ganhou por 3-1, depois de ter estado longo tempo empatado, foram perdoados aos vila-condenses três penalties e nem por isso o Benfica se pôs aos gritos por no jogo de amanhã, em Moreira de Cónegos, ter como árbitro exactamente a mesma pessoa (Manuel de Oliveira) que em 20 de Dezembro passado não viu os três penalties que não foram marcados ou ajuizou mal os lances que lhes deram origem.

É claro que quando um clube tem mentalidade de equipa pequena tudo é exageradamente exacerbado, tudo o que é eventualmente prejudicial é elevado aos píncaros e simultaneamente é esquecido ou omitido tudo o que o favorece, como no jogo desta noite aconteceu relativamente a Ewerton e a Adrien que só não vieram para a rua por o árbitro lhes ter perdoado o segundo amarelo.

No fim do jogo assistiu-se a mais um conjunto de declarações lamentáveis de um director-geral ensandecido que espuma ódio e raiva por todos os poros. Atacou o árbitro, responsabilizou o presidente do conselho de arbitragem e insinuou, sem margem para dúvidas, que há quem esteja por detrás de todas estas cabalas para impedir que o Sporting se intrometa num negócio de milhões. Bem pode o ensandecido director geral do Sporting dizer, como lhe recomendaram que dissesse, que não era a honorabilidade do árbitro que estava em causa (apesar de todos sabermos que é, aliás com o Sporting é sempre a honorabilidade do árbitro que está em causa), porque a sua parca inteligência logo mais à frente deixou a descoberto os seus verdadeiros propósitos quando afirmou que tudo “ o que aconteceu” se devia ao facto de haver alguém que quer impedir que o Sporting se intrometa na alternância (ou seja, o que liminarmente o ensandecido director geral afirmou foi que há alguém do Porto ou do Benfica que influencia os árbitros levando-os a actuarem contra o Sporting para por essa via impedirem que a referida alternância seja posta em causa). Tais declarações não podem deixar de merecer a sanção devida. Basta ouvi-las!

sábado, 30 de janeiro de 2016

JESUS AFASTADO DE BRUNO DE CARVALHO?




SINAIS QUE INDICIAM DESAVENÇA



Sem fontes privilegiadas., apenas com base no conhecimento que se tem dos intervenientes, principalmente de Jesus, tendo em conta apenas nas chamadas fontes abertas, há razões para supor que o treinador leonino tem vindo a afastar-se gradualmente do presidente.

Em primeiro lugar, a Jesus nunca lhe agradou ter Bruno de Carvalho no banco. É para ele inaceitável que no “lugar sagrado” do treinador haja alguém que hierarquicamente lhe seja superior. Não se trata de saber se há interferências do presidente em áreas que não são suas, trata-se pura e simplesmente de uma questão de estatuto. Acontece que Jesus se viu obrigado a ter de aceitar Bruno de Carvalho, depois das provocações que logo na pré-época Rodolfo Reis lhe lançou no programa “play off”. Depois do que o ex-jogador portista disse a Jesus, Bruno de Carvalho tinha mesmo de ir para o banco. Foi uma provocação totalmente conseguida, já que Rodolfo quando a fez tinha perfeita consciência do resultado da sua provocação (obter o efeito contrário àquele que ele garantia não acontecer, por contraposição a Marco Silva) e apostava, como é óbvio, na erosão da relação entre duas personalidades que não foram feitas para conviver num pequeno espaço de grande tensão.

Já havia indícios da erosão da relação entre ambos por força de comportamentos de Bruno de Carvalho, no banco, que Jesus não aprovava e até já havia avisos feitos publicamente, mas a prova evidente de que, para Jesus, Bruno de Carvalho causava um mal-estar prejudicial à equipa aconteceu no jogo contra o Tondela. Não que Jesus tenha estado calmo quando Bruno de Carvalho se manifestava, mas porque imediatamente percebeu que o presidente se excedeu perigosamente chamando “corruptos” à equipa de arbitragem, o que, independentemente do castigo que lhe será aplicado, Jesus teme que passe a haver da parte dos árbitros má vontade contra a sua equipa. Tanto assim que no final daquele jogo responsabilizou pelo empate…o Tondela. No dia seguinte, Bruno de Carvalho verberou aqueles que no Sporting têm vozes discordantes das que se devem ouvir na defesa do clube.  

Depois veio a história das transferências falhadas. Elas já tinham acontecido na pré-época, o efeito desse desaire tinha sido mal digerido, embora algumas vitórias, nomeadamente contra o Benfica, tenham atenuado os seus efeitos. Só que elas repetiram-se no mercado de Janeiro e então Jesus não pôde calar a sua revolta e manifestou-se contra a incompetência reinante no Sporting, dando publicamente conta desse seu mal-estar depois do jogo da Taça da Liga contra o Arouca.

Mas foi exactamente no lançamento do jogo desta tarde, contra a Académica, ao abordar o “caso Carrillo”, que Jesus publicamente se desviou abertamente da linha oficial ao reconhecer sem reticências o direito de Carrillo a decidir do seu futuro. Nunca foi segredo para ninguém que Jesus queria contar com Carrilho até ao fim do contrato, ou seja, até ao fim da época à semelhança do que o ano passado aconteceu no Benfica com Maxi Pereira. Ontem, Jesus foi muito claro na defesa da decisão de Carrillo. É certo que essa defesa também lhe interessava como auto-justificação, embora, que se saiba, ninguém no Benfica tenha contestado a sua saída, mas apenas o modo como o fez.

Sobre Carrillo, independentemente de saber se vai ou não para o Benfica, o que é lamentável é que um jogador de futebol, um trabalhador, tenha sido impedido pela entidade patronal de exercer a sua profissão, apenas porque não quer renovar o contacto com ela. E mais lamentável que ninguém tenha juridicamente defendido o jogador, que, segundo aqui dissemos, até tinha o direito de rescindir com justa causa o seu contrato com o Sporting com base no comportamento por este adoptado. E mais do que isso, poderia inclusive pedir uma indemnização ao clube por ser por demais evidente pelas declarações públicas dos dirigentes e de outros responsáveis, como por exemplo, Inácio, que a proibição de treinar-se com a equipa principal tinha exclusivamente como causa com a sua recusa em renovar.

Em conclusão: eliminado na Taça de Portugal, eliminado na Taça da Liga, com uma eliminatória muito difícil na Liga Europa, que tem todos os condimentos para correr mal, bastará o menor desaire do Sporting no campeonato, se não for acompanhado de idêntico desaire por parte do Benfica, para que a relação entre o treinador e o presidente se deteriore gravemente com as conhecidas consequências que Bruno de Carvalho costuma emprestar a essas deteriorações. E nem será de estranhar – fica aqui dito para memória futura – que Bruno de Carvalho venha, por qualquer coisa que corra mal, a acusar Jesus de já estar com a “cabeça no Porto”.