quinta-feira, 27 de agosto de 2015

JESUS IGUAL A SI PRÓPRIO


 

BENFICA À DERIVA
 
Sporting não entra na Champions

 

A prestação de Jesus na Liga dos Campeões acabou por ser igual àquela a que durante seis épocas habituou os portugueses: um fracasso.

Jesus é como é. E nesse seu ser como é está também a incapacidade de aprender com os erros do passado. Quem se der ao trabalho de analisar os golos que o Sporting sofreu esta noite em Moscovo e os comparar com os que o Benfica na época passada sofreu contra o Bayer de Leverkusen e contra o Zénite chegará facilmente à conclusão de que há entre eles muitas semelhanças.

As equipas de Jesus são equipas desequilibradas. Atacam com muitos e defendem com poucos. Para defender com poucos é preciso, primeiro, defender muito bem e depois que o adversário não seja da mesma igualha. Em Portugal, o modo como as equipas de Jesus defendem é em regra suficiente para ganhar a oitenta por cento dos adversários. Nas provas internacionais de primeira grandeza, como a Liga dos Campeões, esse modo de defender é insuficiente por melhor que sejam os executantes e a por mais aprimorada que seja a sua organização.

É preciso jogar com equipas mais compactas e ter capacidade para alterar o plano de jogo em função do resultado e dos objetivos que ele encerra. Também neste particular Jorge Jesus evidencia conhecidas debilidades. As substituições de Jesus ocorrem, salvo caso de força maior, invariavelmente, a primeira, entre os 65 e os 70 minutos, entrando normalmente um jogador de características semelhantes ao que saiu e as outras duas nos últimos cinco minutos do tempo regulamentar, sendo que a última ocorre frequentemente já no período de compensação.

Estas são as duas grandes deficiências de Jesus: desequilíbrio no conjunto e ausência de um verdadeiro plano B para pôr em prática sempre que necessário, seja em consequência da marcha do resultado, seja em consequência da valia do adversário.

Fora isto, que é muito – e é tanto que, mesmo internamente, para o campeonato, o Benfica, em 12 jogos, somente ganhou três vezes ao Porto – Jorge Jesus apresenta equipas com um futebol vistoso, francamente agradável, técnica e tacticamente disciplinadas onde cada jogador sabe exactamente o que anda a fazer (ou seja, aquilo que o treinador lhe ordena) – se não chega é porque as ordens nem sempre serão as melhores.

O jogo desta noite contra o CSKA de Moscovo não fugiu à regra. O Sporting, apoiado por um enorme coro de carpideiras, bem pode fazer uma enorme choradeira imputando – à semelhança do que faz internamente – ao árbitro o fundamento da derrota. Mas sem razão.

Não há nenhum golo marcado ilegalmente. O golo do Sporting é legal – Gutierrez está em linha; o primeiro golo do CSKA é marcado com o corpo – se a bola ressalta para o braço do marcador, esse toque é absolutamente não intencional. Percebe-se que o jogador tem a preocupação de encolher o braço para evitar que a bola lhe toque e percebe-se também que o jogador nem sabe bem como a bola entrou e somente umas fracções de segundo depois se apercebe do que aconteceu. E no futebol, como se sabe, somente a mão ou o braço intencionais são puníveis.

Quanto ao golo anulado ao Sporting, o que o árbitro, por gestos, explica é que a bola saiu do campo. A televisão não tira as dúvidas, embora se perceba que a bola faz uma curva. Se saiu ou não do campo, somente o juiz de linha o poderá dizer – e disse – por ser o mais bem colocado para o efeito. É curioso que ainda na segunda-feira passada o fanático sportinguista Eduardo Barroso, num conselho que se atreveu aa dar a Jesus, lhe pedia para os cantos do lado direito serem marcados com o pé esquerdo e os do lado esquerdo com o pé direito, para evitar que se diga que a bola saiu do campo.

Isto quanto ao Sporting de Jorge Jesus. Quanto ao Benfica, a ideia que se fica depois de vistos mais de meia dúzia de jogos com apenas uma vitória é que é uma equipa à deriva. Contrariamente ao que se passa com as equipas de Jesus, no Benfica actual ninguém sabe bem o que anda a fazer em campo. Nem tão pouco se percebe o que é que o treinador pretende dos jogadores.

Se se pretende manter um sistema próximo do habitual em Jesus, nomeadamente nestes últimos três anos, por que razão foi Lima vendido? E por que foram comprados Mitroglos e Jimenez? Aliás, não se percebe por que razões se contratam dois jogadores mais caros do que aquele que saiu e com muito menor rendimento. Ou melhor, só se percebe que se venda relativamente barato o que provadamente se sabia que servia e se compre relativamente caro o que por completo se desconhece porque certamente há quem ganhe com as vendas e com as compras. De outro modo tratar-se-ia de um acto de gestão completamente irracional.

Se, pelo contrário, Rui Vitória pretende que a equipe jogue num sistema diferente por que razão não passou a pré-época a enraizar esse sistema? E por que insiste em fazer o contrário do que acha melhor?

O que infelizmente parece é que Rui Vitória não tem capacidade para comandar um barco tão complexo como o Benfica e denota insuficiências em que um simples interessado nas coisas do futebol jamais incorreria – as substituições do último jogo contra o Arouca são disso a prova.

Está à vista que Vieira mais uma vez se enganou. Enganou-se no treinador e enganou-se quando supôs que iria ter uma espécie de aliança tácita com o Porto. Neste segundo caso, não basta ser ingénuo. É preciso que se seja algo mais ..

terça-feira, 11 de agosto de 2015

A MANIPULAÇÃO DA RDP


 

JORGE JESUS “VÍTIMA” DA SUA MÁ CRIAÇÃO
Jonas foi pedir
 

 

É no mínimo surpreendente o modo como a RDP iniciou hoje o seu programa de desporto das 12h30m. Diz o locutor, lendo o sumário, que será tratado o caso Jonas/Jesus no fim da Supertaça, a transferência de Jimenez, etc, etc.

Antes de mais é bom que se diga que não houve no fim do jogo Benfica-Sporting do último domingo nenhum caso Jonas/Jesus. Jonas não se meteu com ninguém. Seguia para os balneários como os seus colegas de equipa. Quem se meteu com Jonas foi Jesus que lhe deu uma valente “tapa” (para usar a terminologia brasileira) no pescoço quando Jonas passava perto dele. Perante o insólito e agressividade do falso carinho, Jonas, como é óbvio, reagiu, olhando para Jesus com cara de poucos amigos, no que logo foi apoiado por vários jogadores do Benfica.

Portanto, se houve algum caso no termo do jogo, não foi um caso Jonas/Jesus, mas Jesus/Jonas.

O pior, porém, veio depois. Sem que se conheça a pergunta e a descrição do acontecimento, a RDP ouve o comentário de um ex-treinador de Jonas (Celso Roth), do Grémio de Porto Alegre, que se mostra muito surpreendido com o comportamento do seu ex-pupilo. Descreve a personalidade de Jonas, como jogador intelectualizado, inteligente, educado e critica o que lhe dizem ter sido o seu comportamento. E insiste na crítica, agravada por o dito acontecimento ter ocorrido com o seu anterior treinador. Frisa, porém, por mais de uma vez, que não viu o que se passou, por a essa hora estar a dirigir um jogo.

Qualquer pessoa percebe imediatamente que o relato que a RDP fez ao ex-treinador de Jonas do que se passou no fim do jogo não só foi tendenciosamente descrito, como é manifestamente falso. A RDP não se limitou a manipular os factos; actuou covardemente por nem sequer ter tido a coragem de pôr no ar a descrição que fez dos factos ao ex-treinador de Jonas.

No futebol já estamos habituados a todo o tipo de vigarices. Desde o arautos da “verdade desportiva”, propagandeada pelos maiores escroques do comentário e do dirigismo desportivo,  até ao comentário dos adeptos, passando pela manipulação ou ocultação de imagens, vale tudo. O que ainda não tínhamos visto era a estação pública radiofónica esconder a sua própria descrição de um acontecimento quando pede a um terceiro, que o não presenciou, o seu comentário sobre o mesmo.

Jorge Jesus mais uma vez demonstrou que ainda não percebeu que não é treinador do Benfica. É compreensível que lhe custe digerir a passagem de um grande clube para um clube pequeno. Mas vai ter de se habituar. Além do mais, com a sua incultura e a sua pouca ou nenhuma educação, também ainda não compreendeu que ao desrespeitar os jogadores do Benfica, como sistematicamente tem feito desde que saiu do clube, não só está a ofender esses jogadores, como também está a apoucar-se perante os jogadores que agora treina. Que consideração e que respeito na verdadeira acepção da palavra poderão ter os jogadores por um treinador que os considera simples marionetes do seu cérebro privilegiado? Que reclama para si todos os méritos das vitórias a ponto de deixar dito ou subentendido que sem ele nada teria sido alcançado?

Foi isto, tanto quanto se percebe, o que, já depois de serenados os ânimos, Jonas foi dizer a Jesus quando este já se encontrava no autocarro do Sporting – “Tu deves respeitar os jogadores do Benfica”. Grande Jonas!

Na conferência de imprensa, Jesus, como é seu hábito, mentiu descaradamente, dando uma versão idílica dos factos. Já assim tinha feito muitas outras vezes sem nunca enganar ninguém.

Apenas se espera, depois de tudo o que se viu e o que se ouviu, que Joaquim Rita volte a dizer que “Jesus é reles!”

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

PREOCUPAÇÃO NO BENFICA


 

OS ADEPTOS ACREDITAM EM RUI VITÓRIA?
Jorge Jesus dá indicações durante a final da Taça da Liga

 

No jogo desta noite confirmou-se a tendência de toda a pré-época: a equipa do Benfica não sabe o que anda a fazer em campo. Contrariamente ao que dz Jesus, o Benfica não tem nenhuma ideia de jogo definida. Há certamente deficiências no plantel, resultantes da saída de Maxi e de Lima, principalmente de Lima, mas o que verdadeiramente falta é uma ideia de jogo compatível com a grandeza do Benfica e com o plantel de que dispõe.

O futebol de Jesus é sobejamente conhecido, embora o sabor amargo da derrota o tenha obrigado a alterar alguma coisa nestes últimos dois anos – exactamente os anos em que foi campeão. A matriz de Jesus é um futebol de risco, de tendência atacante, assente numa defesa de poucos, embora bem organizada. No Sporting, como já deu para perceber pelo jogo de hoje, Jesus vai ter de refrear o risco, se não vai perder muitas vezes, porque nem de perto nem de longe dispõe de jogadores que lhe permitam fazer o mesmo que fazia no Benfica. A derrota do Benfica se servir de alento a Jesus, como confirmação da eficácia das suas concepções futebolísticas, vai a breve trecho tornar-se no seu contrário. Qualquer equipa média da primeira divisão bem dirigida estará em condições de criar sérios problemas ao Sporting, se Jesus tiver a ousadia de continuar ou até de potenciar o seu futebol de risco.

No jogo desta noite, embora nunca tivesse estado em questão a hipótese de o Benfica o poder ganhar, viu-se que o Sporting está muito longe de apresentar um futebol tão conseguido como o que o Benfica praticava.

Do lado do Benfica, a grave situação por que a equipa passa – e que somente poderá agravar-se com o decurso do tempo – tem de ser imputada inteiramente ao treinador, não obstante as tais ausências de que já falámos. Dificilmente, os adeptos do Benfica acreditarão em Rui Vitória. Toda a gente aceitaria que o Benfica fosse mais seguro, menos espectacular e menos dependente das concepções dde jogo e Jesus. O que dificilmente se aceitará é que o Benfica não tenha ideia nenhuma do modo como quer jogar.

Jonas a jogar sozinho na frente é um desperdício; Samaris perdeu o sentido de médio ofensivo e cometeu vários erros como médio defensivo; Jardel aventurou-se em acções para as quais não tem manifestamente capacidade; os laterais não estão sincronizados com os centrais na defesa em linha; o lado direito da defesa e também o esquerdo não tem grande capacidade ofensiva e deixam a desejar defensivamente. Enfim, tudo se conjuga para uma época medíocre. Como se confirmará, Rui Vitória não está nem estará à altura do Benfica. O que já fez até hoje comprova-o.

Jesus mais ma vez arranjou confusão no fim do jogo. E mentiu quanto ao desfecho do episódio que provocou. Como é seu hábito!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

INGENUIDADE DE VIEIRA


 

BENFICA DERROTADO À PARTIDA?

 

À medida que a poeira vai lentamente assentando, percebe-se que o presidente do Benfica pretende demonstrar que com a organização existente no clube qualquer treinador pode nele ser campeão.

Apesar de o campeonato ainda não ter começado e ser portanto prematuro avançar algumas conclusões, há razões para supor que o pressuposto de que Vieira partiu ainda está longe de se verificar.

É natural que a um presidente não seja fácil conviver com um treinador como Jorge Jesus. Jesus é, à sua maneira, um ególatra. Ele parece desconhecer que o futebol é um desporto colectivo e que a vitória tem múltiplas paternidades. Para Jesus tudo o que de positivo aconteça em clube por onde ele passe deve ser-lhe totalmente creditado. Claro, que Jesus pode dar-se ao luxo de fazer isto porque somente treinou clubes que ou nunca tinham ganho nada ou já não ganhavam algo há muito tempo. Se tivesse treinado um clube com vitórias sucessivas, tal discurso seria impossível de manter. Como, porém, o Benfica já não ganhava sucessivamente algo que se visse há muitos anos, Jesus pôde dar-se ao luxo de reclamar para si todas os louros, omitindo inclusive o relevantíssimo facto de ter contado durante a sua estadia de seis anos com os melhores plantéis da história do Benfica. Mesmo que esquecesse a organização que o Benfica lhe proporcionou, aquele facto ele nunca deveria tê-lo omitido. E omitiu-o porque se o relembrasse, fácil seria chegar à conclusão de que ficou aquém, muito aquém, dos meios de que dispunha.

É natural que o presidente do Benfica não fique agradado com este tipo de personalidade, principalmente depois de ter ganho e de saber, como ninguém, o enorme investimento que teve de realizar para o conseguir.

Ora, como Jesus é irreformável, justificava-se, por isso, a vinda de um outro treinador. Mas a escolha teria de ser altamente criteriosa. Se o que se pretendia era manter a senda das vitórias, exigia-se a escolha de um treinador que já tivesse ganho algo. Rui Vitória não parece ser o treinador de que o Benfica precisa. Havia outros muito mais credenciados que o Benfica parece ter menosprezado…

A tudo isto acresce a perda de elementos importantes do plantel. O plantel já era limitado, com as saídas já confirmadas mais as que diariamente se anunciam o mais provável é que fique muito fragilizado. E Rui Vitória não parece ter a firmeza suficiente para evitar a sangria. A posição em que se encontra perante o presidente retira-lhe a distância suficiente para fazer as exigências que se impõem. Quer dizer, se Jesus tinha arrogância a mais, Rui Vitória parece ter a menos aquilo que Jesus tinha a mais!

Mas Vieira foi também ingénuo quando acreditou em Pinto da Costa. O presidente do Porto não é aliado de ninguém. Limita-se a utilizar os outros de acordo com as suas necessidades e interesses. A escolha de Proença para assaltar a Federação com o objectivo de voltar a pôr a arbitragem sob o comando dos “pintos e dos chitos” - os maiores pontas de lança da história do futebol português, com um número extraordinário de golos por eles marcados - representa outra grande derrota de Luís Filipe Vieira.

Proença tem em Portugal um curriculum invejável como árbitro. Basta ir ao You Tube, procurar “Pedro Proença” e logo se fica com uma ideia muito completa daquilo que ele é capaz.

Proença vai para a Liga para servir. Foi o já que fez quando era árbitro. O presidente do Sporting, que chamou imbecil e senil a Pinto da Costa, é agora por este elogiado. Se as suas ambições se mantiveram altas, será obviamente a próxima vítima. Se, porém, se contentar com o que lhe podem dar, muito acima das suas “posses”, não terá razões para se queixar.

Para se ter uma ideia da trama que já está sendo urdida, basta lembrar o seguinte: O presidente do Marítimos estava a ferro e fogo com o do Porto por causa da transferência de um brasileiro que não avalia nada mas relativamente ao qual o presidente do Marítimo queria o “seu”. Vieira supôs que estavam criadas as condições para desfazer uma aliança de décadas. Enganou-se. Uns anos, não muitos, depois da zanga, surge no Marítimo um jogador transferível para um dos grandes – Danilo Pereira. O jogador queria ir para o Sporting, com a “ilusion” de ser treinado por Jorge Jesus. O Porto meteu-se de permeio. Sem hipóteses, admitiu-se nas hostes sportinguistas. O presidente do Marítimo está de relações cortadas com o do Porto, reforçaram os comentadores sportinguistas. Conclusão: Danilo foi para o Porto e o presidente do Marítimo “mandou Vieira às urtigas” e aliou-se ao do Porto na escolha de Proença.

E depois não nos venham dizer que as transferências não são o sangue arterial do futebol português! Dos patrões do futebol português!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O BENFICA E JORGE JESUS


 

O QUE IMPORTA ASSEGURAR

 

As reacções à saída de Jorge Jesus por parte da denominada “estrutura” do Benfica não têm sido muito saudáveis. Diz-se – e certamente será verdade – que Jorge Jesus se portou mal com o clube. Que se recusou durante todo o dia de ontem a atender as chamadas de Luís Filipe Vieira. Que não avisou o Benfica de que estava em negociações com o Sporting. Que rompeu as negociações com base num motivo fútil.

Vamos dar por assente que tudo isto é verdade. Mais: que o comportamento de Jesus é ainda pior do que aquilo que corre nos meandros do futebol. Pois mesmo assim nem por isso o Benfica por respeito por si próprio, por respeito pela instituição, por respeito para com os sócios deveria ter actuado como está a actuar. O Benfica deveria ter autorizado Jesus a entrar no Seixal para levantar as suas coisas, embora o devesse fazer com horas marcadas e tempo delimitado. Também não deveria ter retirado a fotografia de Jesus do plantel do Benfica. Não fica bem.

O Benfica não perde a sua identidade nem o seu prestígio por mudar de treinador. Deveria ser com superioridade, sem ressentimentos, que o Benfica deveria ter encarado a partida de Jesus, alardeando altivamente a convicção de que Jesus precisará muito mais do Benfica do que o Benfica de Jesus.

Por outro lado, a ida de Jesus para o Sporting é o que se pode chamar um verdadeiro down grade ou antes, em bom português, passar de cavalo para burro. O que aliás também demonstra que, afinal, Jesus não tinha grande mercado.

Do lado do Sporting nada há a esperar diferente daquilo a que Bruno de Carvalho já nos habituou. E o que de mais significativo há a evidenciar é que o presidente do Sporting não honra os seus compromissos, não paga as suas contas, pelo que, dentro de pouco tempo, ninguém negociará com ele. O Sporting não cumpre as mais elementares regras contratuais. E quem não cumpre as regas contratuais também não cumpre as regras éticas. Foi isso o que Sporting fez com Marco Silva. E o que se diz do Sporting relativamente às regras éticas diga-se igualmente de Jesus: também Jesus demonstrou ter o mais profundo desprezo e desrespeito pelo seu colega de profissão – Marco Silva. De modo que, feitas as contas, Jesus e o presidente do Sporting estão bem um para o outro.

O Benfica, não por retaliação, mas por reconhecimento da necessidade de ter um treinador competente e com provas já dadas ao mais alto nível (com matéria prima de segunda categoria) deveria contratar Marco Silva e assegurar um plantel ao nível daqueles que proporcionou a Jesus. E se isso acontecer os benfiquistas poderão ficar ter a certeza de que não será nada difícil fazer melhor do que Jesus!

Marco Silva, já!

BENFIQUISTAS


 

JORGE JESUS
 

 

Nas seis épocas em que esteve ao serviço do Benfica, Jorge Jesus foi o treinador que beneficiou dos maiores investimentos da história do Benfica. E teve por isso plantéis excelentes, que fariam a inveja de qualquer clube de topo das grandes ligas europeias. Com os grandes recursos que o clube lhe proporcionou ganhou 3 campeonatos, perdeu 2 por incompetência e 1 em que ficou a 27 pontos do Porto de Villas-Boas.

À parte a Taça da Liga – a mais desprestigiada prova do calendário futebolístico português – que venceu por 5 vezes,  apenas ganhou uma Taça de Portugal e uma Supertaça.

Na Europa, os resultados foram decepcionantes. Nada ganhou. Mesmo na Liga Europa, que é segunda divisão do futebol do futebol europeu e a que o Benfica acedeu por ter sido eliminado da Liga dos Campeões, Jesus com planteis de excelência perdeu duas finais.

Na Liga dos Campeões foi o descalabro. É por isso conveniente recordar: Em 2010/2011, foi eliminado na fase de grupos pelo Schalke 04 e pelo Lyon. O mesmo aconteceu em 2012/2013, também eliminado na fase de grupos, com 8 pontos, pelo Barcelona e pelo Celtic de Glasgow, tendo transitado para a Liga Europa, na qual chegou à final, sendo derrotado pelo Chelsea por 2-1. Em 2013/2014, o Benfica voltou a ser eliminado, na fase de Grupos, pelo PSG e pelo Olympiakos, desta vez com 10 pontos, tendo novamente transitado para a Liga Europa, onde teve o desfecho que se conhece contra o Sevilha. Em 2014/2015, o Benfica de Jesus classificou-se em último lugar na fase de grupos, com apenas 4 pontos, atrás do Bayer de Leverkusen, do Mónaco e do Zenit de San Petersburgo. O Benfica apenas marcou dois golos e sofreu seis. Somente em 2011/2012 o Benfica passou a fase de grupos e superou a primeira eliminatória, tendo sido eliminado na seguinte (quartos-de-final), devendo esta considerar-se a melhor participação internacional da equipa na era Jorge Jesus.

Em conclusão, nas seis épocas de Jesus no Benfica, em cinco participações na Liga dos Campeões, somente por uma vez o Benfica passou a fase de grupos, enquanto na Liga Europa, em quatro participações, o Benfica foi por duas vezes à final, atingiu a meia-final uma vez (tendo sido eliminado pelo Braga) e ficou uma outra pelos quartos-de-final (eliminado pelo Liverpool). Donde se conclui que o Benfica de Jesus estava mais vocacionado para jogar a Liga Europa do que a prova rainha do futebol europeu.

Internamente, o Benfica com Jesus ganhou 3 campeonatos como se já disse, mas o Benfica perdeu sempre muitos pontos, mesmo nos anos em que foi campeão. Senão vejamos:

 2009/10 – 17 Pontos perdidos

2010/11 – 27 Pontos perdidos

2011/12 – 21 Pontos perdidos

2012/13 – 13 Pontos perdidos

2013/14 – 16 Pontos perdidos

2014/15 – 17 Pontos perdidos

Média por época 18,5.

Finalmente, o principal defeito que se aponta a Jesus como treinador é o de que é forte contra os fracos e fraco contra os fortes. Quem analisar um por um todos os jogos de Jesus à frente do Benfica chegará à inevitável conclusão de que no plano interno perdeu duelos decisivos com equipas da envergadura do Benfica e no plano internacional não ganhou um único jogo a uma grande equipa nem tão-pouco ganhou nenhuma final.

Dir-se-á: mesmo assim Jesus alcançou resultados muito superiores aos seus antecessores nas duas últimas décadas. Certamente que sim. Mas também é inegável que nenhum dos seus antecessores beneficiou sequer de um quinto dos recursos que Jesus teve à sua disposição em qualquer das épocas que passou pelo Benfica.

A seu favor Jesus tem inegavelmente a prática de um futebol atraente, por vezes empolgante, embora mais empolgante e mais atraente contra equipas fracas do que contra equipas fortes.

Em conclusão: o que o Benfica precisa é de bons plantéis. Com plantéis semelhantes aos que Jesus teve à sua disposição, o Benfica, com um treinador razoavelmente competente, continuará a ganhar porventura até mais do que com Jesus.

A escolha do treinador é importante. E parece não haver muitas dúvidas sobre quem essa escolha deveria recair: sobre o treinador mais competente da Primeira Liga Portuguesa – Marco Silva!

 

quinta-feira, 19 de março de 2015

LOPETEGUI, O TREINADOR DO PORTO


 

O DRAMA DE LOPETEGUI

 

O treinador do Porto passa o tempo a queixar-se. A queixar-se das arbitragens que prejudicam o Porto. Das arbitragens que beneficiam o Benfica. Em Portugal e na Europa.

Se eu fosse basco ficaria muito preocupado por ter como compatriota um cidadão como Lopetegui. Conhecidos, como são, pelo seu espírito lutador contra a adversidade e a prepotência, os bascos têm um Lopetegui um triste e pobre exemplo do que é a negação do seu espírito. Não luta. Queixa-se. Lamenta-se. Chora. Repete sem personalidade nem honra a voz do dono. Parece um pobre animalzinho amestrado. Que tristeza.

Temos então de ir aos factos. Pinto da Costa fez um dos maiores investimentos de sempre no Futebol Clube do Porto. E os resultados estão por aparecer.

Na Taça de Portugal já foram eliminados.

Na Taça da Liga ainda não sabem se vão à final. E indo já estão com medo de ser derrotados.

Na Liga dos Campeões aparentemente têm tido algum êxito. Mas apenas aparentemente. Pelo menos até agora. De facto, o Porto teve a sorte de participar num grupo da segunda, terceira divisão da Europa. A equipa que com o Porto foi apurada para prosseguir na Liga dos Campeões – e tinham de ser dois – já foi despachada com uma das derrotas mais humilhantes da história da competição. A equipa que foi apurada para participar na Liga Europa foi eliminada por uma equipa de segunda linha. A que ficou em último no grupo nem na Liga Sagres tinha lugar. Portanto, só agora se verá o que a equipa do Porto vale na Europa …se não lhe sair em sorte o Mónaco.

No campeonato nacional estão a quatro pontos do Benfica e não vêem forma de o ultrapassar. Por isso tentam ganhar fora do campo. Por qualquer meio.

Lopetegui é o grande responsável pelo fracasso do investimento. Nunca no Porto um treinador tinha gozado de tanta autonomia e foi exactamente durante o exercício dessa autonomia que Lopetegui se afundou. Se o Benfica tivesse ganho em Paços de Ferreira, Lopetegui já estaria por esta hora no Pais Basco a gozar “as delícias” do clima local. Foi exactamente quando na SAD portista lhe retiraram essa autonomia – como os comentadores afectos ao FCP confirmam – que o Porto começou a subir e a jogar melhor. Enquanto Lopetegui mandou, o Porto, com um investimento fabuloso, corria o sério risco de fazer este ano uma época pior que a do ano passado.

Este o drama de Lopetegui. A sua incompetência. A sua falta de personalidade. O não passar hoje de uma marionete da SAD portista. Uma marionete da qual a SAD se livrará se o pobre Lopetegui somar quatro derrotas, como tudo indica que somará.

E nem sequer vale a pena fazer a história do futebol em Portugal nos últimos trinta anos. Lopetegui não quer saber disso. Lopetegui apenas quer salvar a pele, mesmo que para tanto tenha de caluniar, mentir, denegrir os adversários que lhe são superiores. É um mau exemplo. Um triste exemplo.

Se eu fosse basco ficaria envergonhado por ter um compatriota como Lopetegui!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O VIGARISTA DA VERDADE DESPORTIVA


 
O QUE IMPORTA SABER

O vigarista da verdade desportiva é o que apela à verdade das decisões com base nas “novas tecnologias” e simultaneamente passa o seu tempo de antena a proferir juízos de intenções, contrapondo factos reais a factos congeminados pela sua mente doentia. O vigarista da verdade desportiva é o que apela à utilização das “novas tecnologias” sem sequer se dar ao trabalho de explicar aos telespectadores que esse uso é bem limitado e que, a aplicarem-se, apenas tinham a virtualidade de substituir um árbitro por outro, com a diferença de esse outro estar longe dos jogadores e das jogadas.

A “verdade desportiva” na boca de um vigarista é sempre uma grande mentira.

Começando pelas mentiras: era ou não importante os telespectadores saberem a quem pertence o tempo de antena da televisão onde se propaga a “verdade desportiva”? De quem é esse tempo de antena: é da cadeia de televisão sob cujo sinal ele se transmite ou é de alguém que lá está e que o paga para a ele ter acesso? Para começar era importante saber isto: a “verdade desportiva” exige-o!

Passemos depois aos processos de intenções que são a forma mais covarde e insidiosa de espalhar a mentira e o ódio. O exemplo típico é este: perguntar, deixando subentendida a resposta, o que teria decidido o árbitro se fosse um jogador do Benfica a faltar-lhe ao respeito?

Antes de mais, é bom que se perceba que somente um vigarista profissional formula a pergunta nestes termos Uma pessoa séria trataria o assunto, apresentando factos. E então afirmaria: os jogadores x, y e z do Benfica nos jogos tal e tal faltaram ao respeito ao árbitro e não foram expulsos. Mas mesmo que isso tivesse acontecido jamais tal atitude do árbitro poderia ser invocada para justificar a não punição de comportamentos futuros da mesma natureza. O erro do árbitro não muda a regra, que se mantém válida e eficaz, devendo tal erro justificar uma grave censura e uma penalização ao árbitro que não cumpriu a lei.

Ou, então, um comentador sério afirmaria: Coroado, num jogo contra o sporting, expulsou Cannigia por uso de palavras impróprias (apesar de toda a gente ter ficado convencida de que Coroado se enganou, supondo que estava mostrar o segundo amarelo; mas como o que conta é a palavra do árbitro, Cannigia foi expulso por palavras indecorosas proferidas contra o árbitro); João Pinto foi expulso mais de meia dúzia de vezes pelo mesmo motivo; Petit foi expulso no Bessa por João Ferreira pelo mesmo motivo; idem Coentrão; e os exemplos poderiam multiplicar-se. E então teríamos múltiplos casos de jogadores do Benfica expulsos por palavras ou gestos impróprios dirigidos ao árbitro.

Obviamente, que um vigarista da verdade desportiva passa por cima de tudo isto, porque o que verdadeiramente lhe interessa é lançar a suspeita e deixar consolidar a suspeição.

Passemos agora à “verdade desportiva” propriamente dita. Qualquer pessoa minimamente instruída sabe ou percebe, se lhe explicarem, que as regras, quaisquer que elas sejam – jurídicas, morais, religiosas, de cortesia, desportivas, etc – não têm uma aplicação matemática. Só em circunstâncias muito especiais e raras é que as coisas se passam assim. Ou seja, só em casos raríssimos é que a aplicação da norma é unívoca, querendo com isto dizer que todas as pessoas chegam ao mesmo resultado. Na maior parte dos casos, porém, há que fazer uma avaliação, há que analisar valorativamente se um concreto comportamento corresponde ou não ao comportamento abstractamente prescrito na norma. E como este juízo não é um juízo de ciência, mas um juízo valorativo, é normal que as pessoas perante uma determinada situação não cheguem todas à mesma conclusão – umas avaliarão de um modo o comportamento, outras de outro. Isto passa-se em todos os complexos normativos.

Daqui resulta, antes de mais, que a esmagadora maioria das situações ocorridas num jogo de futebol têm de ser avaliadas seja por quem o dirige dentro do campo, seja por alguém fora do campo. Mas o juízo que esse árbitro terá de formular será sempre um juízo susceptível de controvérsia, já que se trata de um juízo valorativo, ou seja, um juízo que varia ou que pode variar de pessoa para pessoa. Se esse juízo não for formulado pelo árbitro que está no campo, alguém vai ter de o fazer por ele fora do campo. E não é por esse alguém, fora do campo, poder ver a jogada repetida pela televisão, que esse juízo deixa de ser um juízo de valor para se tornar num juízo de ciência. Esse juízo, como se já disse, mantém-se valorativo, quanto à sua natureza, o que quer dizer que duas pessoas podem chegar a conclusões opostas.

Juízos de ciência, possibilitados pelo uso das novas tecnologias no futebol, só existem, em três situações: saber se a bola ultrapassou ou não a linha de golo; saber se a bola saiu ou não do rectângulo de jogo; e saber se há ou não off side.

Apesar de apenas haver estes três casos qualquer pessoa minimamente inteligente percebe que eles não estão todos no mesmo plano. Digamos que há duas situações verdadeiramente absolutas, no sentido de que sempre podem ser aplicadas, e uma outra que é relativa, já que apenas poderá servir parcialmente, digamos, para evitar o pior, mas nunca absolutamente.

No primeiro grupo de casos, estão as decisões sobre se houve ou não golo, por a bola ter ultrapassado a linha de baliza, e sobre se a bola saiu ou não do rectângulo de jogo. Se a resposta for afirmativa, no primeiro caso, o árbitro interrompe o jogo, valida o golo e manda a bola ao centro e no segundo ou manda efectuar o lançamento lateral, ou pontapé de baliza ou o corner, consoante o lado por onde a bola tiver saído e consoante quem a tiver posto fora do campo.

Quanto ao fora de jogo, a questão é mais complicada. Das duas, uma: ou os árbitros assistentes deixavam de assinalar foras de jogo e tudo ficava entregue às “novas tecnologias” ou os árbitros assistentes mantêm essas competências e nesse caso o uso das novas tecnologias é meramente relativo, já que serve apenas para invalidar os golos irregularmente marcados.

Dificilmente se poderia aceitar como regra geral que os árbitros assistentes deixassem de assinalar os fora de jogo. Isso tornava o futebol quase inviável como espectáculo, além de o transformar num jogo ultradefensivo. Portanto, como os árbitros assistentes têm de continuar a assinalar os fora de jogo, as novas tecnologias neste caso só servem para invalidar os golos marcados irregularmente e não para corrigir os off side incorrectamente assinalados que vão continuar a existir sem outras consequências.

Fora destes três casos, que o vigarista da verdade desportiva nunca sequer abordou com a complexidade que eles têm, o que o vigarista da verdade desportiva pretende é substituir o árbitro do campo, por um árbitro de televisão susceptível de todo o tipo de pressões pelos comentadores seus pares. Só que o vigarista da verdade desportiva tenta passar como verdadeira a ideia de que por essa via as decisões serão sempre corrrectas e unívocas. Para se perceber como o vigarista da verdade desportiva está a tentar vigarizar as pessoas basta atentar no modo como ele próprio aprecia os lances e a qualificação que deles faz.

E não voltaremos a perder tempo com vigaristas nem com moços de fretes, que de futebol nada percebem, do qual quase não falam e quando falam é apenas para intrigar e lançar suspeitas infundadas. Se fizessem um boicote aos vigaristas da verdade desportiva, eles teriam que ir gozar os rendimentos da tia para outra freguesia.

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O BENFICA QUE SE CUIDE




 

UMA CAMPANHA DE GRANDES PROPORÇÕES ESTÁ EM CURSO
Moreirense-Benfica, 1-3 (crónica)
 
 

Desde a radio à televisão, passando por alguma imprensa, está em curso uma gigantesca campanha contra o Benfica com base em factos que, por vezes são verdadeiros, mas que de forma alguma justificam as conclusões que a partir deles se prtendem tirar.

Analisemos o jogo de ontem  contra o Moreirense. Há no jogo de ontem dois factos incontroversos, que acontecem em cada jornada, nos mais diversos cantos do mundo, às dezenas, sem da sua constatação se tirem outras consequências que aquelas que eles próprios encerram.

Mas não foi isso que se passou em Portugal logo a seguir ao jogo. Os dois factos incontroversos são os seguintes: nos muitos, muitos cantos que o Benfica conquistou no jogo de ontem, houve um que foi erradamente assinalado. Não era canto, era pontapé de baliza. Quantas vezes isso acontece? Mas acontece também que desse canto resultou o primeiro golo do Benfica.

Bem, que ligação existe entre os dois factos – o canto erradamente assinalado e o golo? Nenhuma, absolutamente nenhuma. Só mesmo uma mente estúpida, profundamente estúpida pode acreditar que há alguma ligação entre os dois factos. Na verdade, o jogo, depois de a bola ter saído do campo, recomeçou tendo cada uma das equipas adoptado o posicionamento que julgava mais correcto. Foi golo. E depois que ligação tem esse golo com o canto incorrectamente assinado? Se tiver, se alguém concluir que tem, então essa mente que assim pensa terá de concluir que todos os jogos colectivos, quaisquer que eles sejam, ou até os individuais, estão adulterados sempre que no seu decurso haja um erro por mínimo que seja. É que depois de esse erro nada do que se passa a seguir se teria passado do mesmo modo.

O outro facto incontroverso é o de um jogador do Moreirense ter sido expulso por palavras dirigidas ao árbitro. Que é que se pode dizer? O que diz a lei? É tudo muito claro.

Pois mal o jogo tinha acabado já um pseudocomentador da Antena 1, chamado Manuel Queirós, destilava ódio sobre a arbitragem e fazia aquilo que todos os falsos comentadores fazem: preparar o terreno para um clima de contestação generalizado à arbitragem, que, mais tarde ou mais cedo, desembocará em violência. Sim, são os falsos comentadores os verdadeiros incendiários do futebol. As claques são apenas o reflexo ou a consequência desses comentadores.

Esse senhor Manuel Queirós se tivesse falado como adepto fanático do FCP, enfim, seria lamentável que lhe tivessem dado tempo de antena (a ele como a qualquer outro fanático, seja do Benfica ou do Sporting), mas como comentador da rádio pública é francamente condenável.

Além do mais, entre outras coisas, o senhor Queirós não é inteligente. Porque se há uma lei no futebol que ordena a expulsão de qualquer interveniente no jogo por palavras indecorosas dirigidas ao árbitro como pode esse falso comentador tomar como critério de decisão aquilo que ele pensa que teria acontecido se essas mesmas palavras fossem proferidas por um jogador do Benfica? É burro e é desonesto, porque perante um facto incontroverso ele vem invocar um facto hipotético apenas existente na sua mente doentia e ressabiada.

E o que se diz do Senhor Queirós diga-se do maior vigarista do comentário desportivo português, pseudo defensor da verdade desportiva – da verdade dele, vestida fanaticamente de verde e branco. Vigarista e pérfido, um dos maiores coveiros do futebol pelo veneno que semanalmente destila contra o desporto-rei, tendo o Benfica como alvo predilecto da sua desonestidade. Neste pseudocomentador tudo nele são processos de intenção, tudo nele é maledicência da pior. A propósito do jogo do Benfica contra o Moreirense foi pena que ele não tivesse podido concluir o raciocínio que estava fazendo sobre a expulsão do jogador do Moreirense. Tudo nele se inclinava para lançar a suspeita sobre a conduta do jogador do Moreirense, como conduta ao serviço de outros interesses que não os do seu clube. Quem puder, que reveja as declarações desse inqualificável comentador e retire as conclusões. E diga depois que tipo de pessoa é esta que aparece semanalmente na televisão. Uma vergonha para o canal televisivo que o alberga, mesmo que o seu tempo de antena seja pago pelo próprio.

Perante o que se passou este fim-de-semana somado ao que se tem passado nos anteriores, o Benfica ou passa a ter uma capacidade de comunicação que até agora nunca teve ou vai ver-se mal. De facto, desde o presidente ao treinador passando pelo director de comunicação e pelos comentadores do clube ninguém está à altura deste desafio. E como a campanha é muito forte, de grande intensidade, ela não poderá deixar de ter consequências.

Além de que há uma aliança tácita entre os comentadores do Sporting e os do Porto. Os do Porto estão desesperados por o investimento não estar a dar o resultado esperado no plano interno. Estão a entrar em pânico. E os do Sporting, na esteira do seu presidente, fazem-no por ódio e despeito. Que ganhe quem ganhar desde que não sejam os vermelhos!

Finalmente, o Benfica de Jesus nunca ganhou um campeonato com o Porto a persegui-lo. Ganhou ao Braga e ao Sporting, que são, como toda a gente sabe, adversários menores relativamente ao Porto. Portanto, as previsões não podem ser muito positivas e se ao histórico aliarmos a campanha em curso essas previsões ainda ficarão mais pessimistas. Daí que não seja errado afirmar que se o Porto não voltar a perder pontos até ao fim do campeonato, o Benfica não será campeão.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A INSOLÊNCIA DE EDUARDO BARROSO


 

A POBREZA DO COMENTÁRIO DE ADEPTO

 

O comentário de adepto é, pela própria natureza das coisas (paixão, facciosismo, desconhecimento do outro), um comentário pobre e quase sempre prejudicial ao futebol quando se expressa através dos grandes meios de comunicação social.

Daí as críticas que este blogue tem feito a todos os programas de adepto (trio de ataque, dia seguinte e prolongamento) que as televisões nos proporcionam. A questão não está em saber qual é o melhor, porque são todos maus, mas qual é o pior. E depois qual o pior de todos os comentadores com base em critérios de avaliação das qualidades pessoais dos respectivos intervenientes.

Para quem, mesmo esporadicamente, assista a esses programas dificilmente poderá deixar de concluir que o comentador mais nefasto, qualquer que seja o ângulo por que é apreciado, é sem qualquer dúvida Eduardo Barroso.

É certo que há outros comentadores tão facciosos quanto ele. Também incapazes de um pequeno gesto de imparcialidade. Mas todos eles marcam uma diferença de vulto relativamente a Barroso: uns são propositadamente irónicos e, por mais brutais ou cáusticos que sejam os seus comentários, o que verdadeiramente os diverte é o efeito que causam no oponente. Outros são “arranjistas”. A televisão serve os seus propósitos de promoção pessoal, desde a política até à profissão a que se dedicam. Outros são “manhosos”: pretendem dar a ideia de que estão a exercitar um juízo imparcial quando na realidade o que fazem é defender o ponto de vista que outros lhe encomendaram.

Com Barroso tudo é diferente. Barroso assenta o seu comentário no mais puro sectarismo, de estilo jihadista – um comentário em que as pessoas, sejam elas os árbitros ou os adversários, são sempre tidos como seres inferiores relativamente a si próprio e aos que ele defende.

Mas não se fica por aí: além disso, ele viola frequentemente os mais elementares padrões éticos que devem guiar o comportamento de uma pessoa. Perante duas situações exactamente iguais, ele encontra sempre uma resposta diferente para o “seu Sporting” não apenas por simples facciosismo, o que seria desculpável, mas pela baixíssima consideração que os seus oponentes lhe merecem.

A defesa que ele faz dos inúmeros lances em que o “seu Sporting” é beneficiado são prova disso mesmo. Na sua arrogância insolente até chega a dizer: “Sim, mas nós merecemos”.

Aliás, a sua personalidade fica completamente evidenciada na defesa convicta que ele faz das alarvidades do presidente do Sporting, uma das piores coisas que chegou ao futebol nestas últimas décadas – o que não deixa de ser significativo tendo em conta aquilo que o futebol tem tido no dirigismo desportivo.

Por último, a sua insolência, a sua arrogância e a sua insuportável “superioridade moral” não lhe permitem suportar críticas seja de quem for. “Atrasados mentais”, “catedráticos” (diz ele depreciativamente; ele que sobre essas matérias até deveria estar calado…) e outros epítetos ainda mais depreciativos é a receita que ele prescreve para quem o critica.

Campanha negra contra Barroso? Não. Apenas o retrato de uma personalidade que se não recomenda como exemplo!

Barroso e Bruno de Carvalho têm feito pelo Sporting o que nem em sonhos o mais fanático dos adversários dos “leões” julgaria possível. Que se conservem lá por muito tempo, apesar do triste espectáculo e do péssimo exemplo que vão dando a quem, mesmo sem querer, os escuta!

 

 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O DOMÍNIO DO SPORTING





 

A MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Sporting 1-1 Paços Ferreira

 

O Sporting não domina no campo, onde regista 4 vitórias, 5 empates e uma derrota, e está em sétimo lugar da classificação com risco de hoje descer para oitavo, mas o mesmo se não passa nos órgãos de comunicação social, onde a maior parte dos comentadores de imagens e redactores de notícias manipulam a informação descaradamente com a intenção de fazer passar uma imagem diferente da realidade.

O Sporting e o seu presidente têm excelente imprensa. Ninguém, directa ou indirectamente, ligado às hostes de Alvalade admite por um momento que o lugar em que o Sporting se encontra seja o resultado do valor da equipa, mas antes a consequência de uma conjura internacional (e não apenas nacional) que tem em vista arredar o clube dos títulos que honestamente merece.

O mesmo se diga relativamente às intervenções do presidente. Por mais absurdas, malcriadas ou contraproducentes que elas sejam, e acabem por prejudicar muito mais do que beneficiar a própria equipa, elas são sempre tidas como a expressão sincera e justa de uma revolta e de uma indignação justificadas.

O que se passou este fim-de-semana é elucidativo. O Sporting defrontou o Paços de Ferreira, que está à sua frente na classificação geral e que em Alvalade lhe foi manifestamente superior. Foi superior na primeira parte e somente nos últimos quinze minutos do jogo, com o Paços em inferioridade numérica, é que o Sporting exibiu alguma supremacia. Mas no cômputo geral o Sporting foi inferior. O resultado final, empate a um golo, é um resultado que se pode considerar bom , para o que o Sporting fez em campo.
Pois bem, mal o jogo terminou, desde o treinador (que, coitado tem de fazer pela vida…) até aos comentadores com nome, passando pelos famigerados comentadores anónimos, todos inventaram a lenda de que o Sporting foi mais uma vez prejudicado e espoliado de dois pontos pela equipa de arbitragem, ao serviço (isto é dito nas entrelinhas) de uma outra equipa…

E, todavia, o que se passou em campo foi algo bem diferente. No primeiro tempo o árbitro não assinalou uma grande penalidade contra o Sporting por falta de Cedric (empurrão) sobre um jogador do Paços, depois houve uma expulsão de um jogador do Paços de Ferreira por faltas (acumulação de amarelos) que na UEFA nunca levariam à amostragem de cartão amarelo e por fim um golo invalidado ao Sporting por fora de jogo de Selimani.

Queixam-se os sportinguistas de que o golo foi injustamente invalidado porque Montero, o seu autor, estava em jogo, sendo o off side de Selemani meramente posicional, portanto, irrelevante.

Ora bem, esta não é uma questão de opinião. É uma legal, de aplicação da lei. E o que a lei diz é que o off side posicional é irrelevante, porém se o jogador que está em fora de jogo se envolver na jogada (se se fizer à bola, independentemente de lhe tocar) o fora de jogo será assinalado. Como toda a gente viu, Selimani fez à bola, envolveu-se na jogada até ao remate de Montero, por isso o fora de jogo está correctamente assinalado.

O Sporting tem sido o clube mais beneficiado pelas arbitragens nos últimos anos. O que acontece é que sempre que uma decisão errada do árbitro o prejudica ergue-se um coro de protestos enquanto um manto de silêncio se abate sobre todas as decisões erradas que o beneficiam. Ainda nos dois últimos jogos da Liga dos Campeões contra o Schalke 04 isso se passou. Na Alemanha o Sporting foi prejudicado…e foi o que se viu e ouviu, em Lisboa foi beneficiado (penalty não assinalado num momento crucial do jogo) e ninguém falou.

Na última época o Sporting foi o clube do mundo que mais beneficiou de grandes penalidades, que menos grandes penalidades sofreu e que mais golos dos seus adversários viu anulados.

Esta época têm sido inúmeras as decisões erradas dos árbitros que beneficiam o Sporting e nenhum comentador anónimo ou com nome fala delas. A própria forma como nas televisões é feito o comentário das imagens é manifestamente manipuladora. Nas jogadas em que o Sporting é prejudicado, o comentador anónimo qualifica expressamente o erro do árbitro, dizendo, por exemplo, “o árbitro não assinalou tal ou tal falta favorável ao Sporting”. Quando não assinala erradamente uma falta contra o Sporting, o comentador ou não diz nada, ou então diz displicentemente: “houve protestos da equipa X que pediu isto ou aquilo”.

Em contrapartida, os lances das outras equipas são analisados e comentados ao milímetro, às vezes com deturpação da própria imagem. Por exemplo, no jogo de ontem Nacional-Benfica não há nenhuma imagem que permita afirmar que o segundo golo do Benfica (Jonas) foi marcado em fora de jogo. O mais que se pode dizer é que o jogador estava em linha. Aliás, é estranho que Sport TV não tenha outras imagens…Na última jornada os comentadores do Sporting crucificaram o árbitro assistente do Benfica-Rio Ave por ter acertado uma decisão, com o argumento de que estava três metros atrás da linha da bola. Pois bem, esses mesmos comentadores com base numa imagem tirada a cerca de 20 metros atrás da linha da bola (e portanto oblíqua)  afirmam hoje peremptoriamente que Jonas estava em fora de jogo, a começar por esse paladino da “verdade desportiva” que se dá pelo nome de Rui Santos. Como este nome é sinónimo de descrédito e de deturpação da verdade não é preciso dizer mais nada relativamente ao dito lance nem à verdade desportiva que ele advoga.

É, porém, verdade que houve no Nacional-Benfica um lance mal anulado que deixava o jogador do Nacional obliquamente isolado frente a Júlio César. Mas ninguém pode afirmar que o guarda-redes do Benfica não defenderia essa bola se o lance não tivesse sido anulado ou que o Benfica não teria ganho o jogo se essa jogada tivesse terminado em golo. Ninguém!