quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O COMENTÁRIO DESPORTIVO E O BENFICA




É TEMPO DE ESCOLHER
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A poucos horas de um jogo decisivo (sim, decisivo, mesmo que Rui Vitória diga o contrário e a aritmética o não demonstre) da Liga dos Campeões é tempo de voltar a analisar a situação do comentário desportivo em Portugal.

O comentário de adepto está desde há muito envenenado pelo facciosismo e sectarismo dos seus intervenientes, consideravelmente agravados por esse comentário ter lugar no espaço público, quase sempre com larga audiência.

Se tais programas sempre aqui foram considerados nocivos pelos danos que causam ao futebol e por agravarem as paixões desenfreados dos que os vêem ou escutam, eles tornaram-se nos últimos tempos, mais concretamente nos últimos dois anos, insuportáveis e susceptíveis de causar danos irremediáveis com a amplitude que ninguém está em condições de prever.

Esse agravamento ficou certamente a dever-se a um comportamento agressivo e belicoso da actual direcção do Sporting, que dependendo para sobreviver, isto é, dos empregos, de vitórias não olha a meios para alcançar os fins a que está ligada a sua permanência à frente do clube. Se já havia da maior parte dos comentadores do Sporting um fanatismo e uma arrogância até então baseada numa pretensa superioridade moral alicerçada num espírito elitista de classe, o que se pode dizer é que depois da chegada de Bruno de Carvalho à presidência a esta arrogância e fanatismo juntaram-se um comportamento ralé, de claque rasca, até então desconhecido no futebol português.

Nesta estratégia ou talvez mais correctamente nesta atitude comportamental alinham não apenas todos os comentadores afectos ao clube, mesmo aqueles que episodicamente se opuseram ao agora presidente, como também aqueles que sob a capa de “independentes” intervêm nas rádios e televisões.

Nesta campanha sem paralelo nos anais do futebol português o grande alvo, o inimigo a abater, é, como não poderia deixar de ser, o Benfica. Campanha consideravelmente agravada depois da contratação de Jorge Jesus, ido directamente para Alvalade depois de seis anos ao serviço do clube da Luz.

Posto perante este ataque sem precedentes, o Benfica agiu institucionalmente, através da sua comunicação e agiu também ao sabor das competências e das característas psicológicas dos seus comentadores.

Nesta resposta o Benfica agiu frequentemente mal e continua sob alguns aspectos importantes a agir mal. A primeira asneira que o Benfica cometeu, e, pelos vistos continua a cometer, foi ter-se sentido ofendido e traído por Jorge Jesus. Um clube com a dimensão e com a história do Benfica não pode nem deve alimentar ressentimentos por um seu ex-empregado ter mudado de clube, mesmo que esse clube seja um clube rival. Além de que é óbvio para qualquer pessoa que foi o Benfica que não quis que Jesus continuasse na Luz. Como óbvio também era que saindo Jesus do Benfica e sendo praticamente nulas, pelas suas conhecidas limitações, as hipóteses de Jesus ser contratado no estrangeiro (que lhe interesse) a probabilidade de ele rumar às Antas ou a Alvalade, ambos em crise, era muito grande. O que o Benfica não pode é pretender condicionar o futuro de Jesus depois de ter concluído que não desejava continuar com ele, independentemente de ele ter estado clube um, seis ou dez anos!

Encenar uma história que não convence ninguém e que ainda para mais cair no ridículo de interpor judicialmente uma acção condenada ao insucesso permitiu alimentar uma história que nunca deveria ter existido, ou, a existir, ter-se circunscrito à constatação da mágoa com que Jesus deixou o Benfica, bem patente na sua permanente tentativa de demonstrar à direcção do Benfica que aquele por quem o trocou (fosse ele quem fosse) é muito inferior a si. Esse porventura o único aproveitamento que o Benfica, como grande Senhor, deveria ter feito da saída de Jesus. Agindo de outro modo, o Benfica fez como aqueles maridos que se divorciam por estarem fartos da mulher ou terem arranjado outra, mas que apesar disso pretendem continuar a dirigir o futuro dela!

É claro que há aqui uma razão que ninguém invoca, mas que deve ter existido, já que todos os actos humanos tem uma explicação. E a que aponta no sentido da estupidez de quem os pratica raramente estará correcta. Por isso é de crer que a direção do Benfica, temendo a reacção dos sócios e adeptos à saída de Jesus, para mais para o clube rival, tivesse encenado esta história. O que também não deixa de ser lamentável por os sócios e os adeptos do Benfica conhecerem melhor que ninguém as limitações de Jorge Jesus…

Depois vem a questão dos “vouchers”. É evidente que o presidente do Sporting pretendeu atingir o Benfica e as suas vitórias sugerindo abertamente o condicionamento, se não mesmo a corrupção dos árbitros. A direcção do Benfica, sem ter cometido aqui erros de vulto, deveria ter-se limitado a constatar e a reiterar a prática de um comportamento de cortesia, requerer uma averiguação urgente dos órgãos disciplinares do futebol e subsequentemente agir disciplinarmente (através dos órgãos do futebol) contra Bruno de Carvalho e também civil e criminalmente, nos tribunais, depois de decidida a averiguação solicitada. Aliás, o presidente do Sporting está a brincar com o fogo, porque estando pendente de recurso judicial a decisão sobre actos praticados por um vice-presidente do Sporting, como tal, destinados a corromper a arbitragem ou a criar dolosamente a ficção de corrupção, corre o risco de ver o seu clube na 2.ª Divisão, se a o recurso em questão confirmar a decisão da primeira instância.

Finalmente, o comentário desportivo de adepto. É sabido que o Sporting com a conivência de elementos seus nos órgãos de comunicação social fez desta plataforma um campo de ataque violento, permanente e coordenado contra o Benfica. Posto perante este ataque que nada tem a ver com o futebol que se joga dentro do campo, embora pretenda condicioná-lo e adulterá-lo, a pior coisa que o Benfica pode fazer é apostar em comentadores iguais ao do Sporting.

A história e a tradição do Benfica não é essa. O Benfica deve deixar o Sporting a falar sozinho, seja pela voz do seu chefe de claque, Bruno de Carvalho, seja por parte dos comentadores a soldo, dependentes ou falsos independentes. Entrar no jogo do Sporting, além de favorecer o Porto, que esfrega as mãos e disso tira proveito apesar da debilidade em que se encontra, descredibiliza o Benfica por o tornar igual ao Sporting. Só quem está de fora perceba a repulsa, o nojo, com que tantos e tantos adeptos do Benfica assistem a este espectáculo quase diário. Comentadores como Pedro Guerra e Gomes da Silva não servem os interesses do clube nem honram o seu passado, por muito que custe dizê-lo, embora outros haja que se sentem na obrigação de responder taco a taco às calúnias do Sporting.  O Benfica revê-se em comentadores como José Calado, João Gobern, Toni, João Alves, António Simões, Telmo Correia e tantos outros que, falando pela sua própria cabeça, sem guiões nem discursos encomendados, sabem honrar em cada intervenção a história do clube a que pertencem!

Esperando que Filipe Vieira tenha falado a sério quando fez um apelo semelhante só resta aguardar pela desautorização dos que reiteradamente infringem uma recomendação que deve ser respeitada.

Deixem o Sporting com as suas aleivosias a falar sozinho. Deixem que o lixo corra todo na direcção certa…Não há pior imagem do que ver um jogador do Sporting a falar na zona mista, depois de um jogo internacional ou nacional de grande relevância, “policiado” por uma espécie de “pide” de terceira categoria sempre pronto a intervir, com cara patibular, quer para condicionar e amedrontar o jornalista quer para “policiar” o jogador!




domingo, 16 de outubro de 2016

AS DIFICULDADES DO BENFICA




O QUE SE PODE ESPERAR
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É do conhecimento geral que o Benfica teve e continua a ter um começo de época atribulado. Contrariamente ao que supunha há um mês, o Benfica continua com muitos dos seus principais jogadores lesionados, impossibilitados de dar o seu contributo à equipa nas várias frentes em que está envolvida.

Estamos a meio de mês de Outubro, ou seja, dois meses depois de iniciada a época, e ainda se não sabe quando Jonas, Rafa, Jardel, Samaris, Jiménez e André Horta voltarão à equipa. Se a estes acrescentarmos Júlio César e Grimaldo, recentemente lesionados e sobre os quais não há notícias seguras, o Benfica parte muito desfalcado para abordar um período crucial da primeira fase da época, aquela onde se define o destino da equipa na Liga dos Campeões.

Há, portanto, todas as razões para supor que o Benfica não poderá contar com o seu plantel completo para os dois próximos jogos com o Dínamo de Kiev, em que se decidirá o futuro da equipa na Liga dos Campeões.

Se no plano interno, tanto no Campeonato como na Taça de Portugal, os jogadores disponíveis ainda são suficientes para manter acesa a chama da vitória, já o mesmo se não poderá esperar de uma competição tão exigente como a Liga dos Campeões. Seria um feito difícil de igualar se o Benfica, nas condições em que actualmente se encontra, tivesse capacidade para manter viva a hipótese de seguir em frente na competição.

No plano interno, como se viu na última sexta-feira, a equipa poderá também claudicar se os jogos se não iniciarem da melhor forma. Se, pelo contrário, nas próximas três jornadas, o Benfica não perder pontos, estariam criadas as condições para que a fase de jogos a iniciar em 4 de Novembro até 11 de Dezembro pudesse ser abordada com outra tranquilidade e com  o plantel recomposto, salvo, porventura, o caso de Jonas que, pelos vistos, é ou tem sido muito mais grave do que se supunha por não ter verdadeiramente a ver com uma lesão contraída durante o jogo, mas resultar antes de uma doença contraída por ocasião da lesão.

Tendo em conta a situação de Jonas, que muito provavelmente só poderá voltar a dar o seu contributo à equipa em 2017, seria da máxima importância que Rafa, Jardel, Jiménez, Samaris e Horta pudessem estar em condições de integrar os trabalhos da equipa até ao fim deste mês de Outubro. Se isso não acontecer, o departamento médico do Benfica vai ter de se explicar perante os sócios e adeptos para que se possa compreender não apenas o número inusitado de lesões, mas também as dificuldades que tem havido na recuperação dos jogadores.

Para obviar a estas dificuldades nem sequer vale a pena esgrimir com a excelência do plantel do Benfica em número e qualidade, porque a realidade não é bem essa. É certo que o Benfica está bem servido na defesa, guarda-redes incluídos, com onze jogadores (Paulo Lopes incluído) capazes de desempenhar o seu papel sem problemas, mas já o mesmo se não poderá dizer da linha média. Com efeito, Fejsa não tem nenhum substituto à altura, porque na realidade nem Samaris, nem Danilo (ainda uma incógnita) desempenham o lugar do mesmo modo e com a mesma eficiência. Como médio ofensivo o Benfica tem Horta e dai para a frente tudo o que arranjar não passa de isso mesmo: “arranjos”. Celis, pelo que já fez, pelos erros graves que cometeu e que muito comprometeram a equipa, não é confiável, nem é crível que Rui Vitória continue a apostar nele.

Na linha avançada, além dos pontas de lança que são os mesmos do ano passado, sem referir José Gomes ainda muito “verde”, o Benfica poderia (ou poderá, logo que as condições o permitam) contar com Rafa para o lugar de Jonas ou com Gonçalo Guedes, mas tanto um como outro com estilos e desempenhos completamente diferentes dos do “astro” brasileiro. No lado direito do ataque, o Benfica com Salvio e Pizzi até está um pouco melhor do que o ano passado, enquanto do lado esquerdo não há ninguém que até hoje tenha aparecido em condições de, já não dizemos, fazer esquecer, mas de substituir Gaitan. De facto, nem Cervi, apesar de todo o entusiasmo que põe nos jogos, nem o abúlico Carrillo são verdadeiras alternativas para o lado esquerdo. Zivkovic ainda não teve tempo suficiente para se mostrar. Talvez não fosse pior ir rodando na equipa B, tal como Carrillo, como forma de se saber se a equipa principal pode esperar deles alguma coisa, principalmente de Carrillo.

É neste quadro e com este quadro que o Benfica terá de se haver até Janeiro…


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A DERROTA DE NÁPOLES




O QUE FAZ FALTA
Jogadores agradeceram apoio em Nápoles (Foto ASF)


Em primeiro lugar, importa dizer que a derrota de Nápoles não é grave. Grave foi ter empatado em casa o primeiro jogo contra uma equipa muito abaixo do Benfica. É certo que houve factores impeditivos de um melhor resultado, mas mesmo tendo em conta esses factores o Benfica tinha a “obrigação” de ganhar o jogo. Somando apenas um ponto em duas jornadas, o Benfica vai ter de somar 10 pontos para pela certa se apurar. Todavia, até oito podem bastar, se os resultados do Dínamo de Kiev e do Besiktas forem o que se espera. Mas, atenção: para fazer oito ponto é necessário ganhar os dois jogos contra o Dínamo de Kiev e empatar com o Besiktas ou com o Nápoles.

A experiência e também as estatísticas demonstram que vencer o primeiro jogo em casa é quase sempre um passaporte para os oitavos de final. Perdendo-o, como foi o caso, somente vencendo na terceira e na quarta jornada se relança a equipa para o apuramento.

A verdade é que o Benfica tem equipa suficiente para se apurar, desde que joguem os melhores e não haja excessivas “invenções”. Jogar os melhores significa pôr na baliza Ederson, não apenas por Júlio César ter tido ontem uma noite para esquecer, mas porque Ederson é francamente melhor em todos os aspectos: muito bom a jogar com os pés, bom entre os postes, bom a sair nos cruzamentos e muitíssimo bom a antecipar-se aos avançados adversários nas bolas em profundidade, estejam eles isolados ou não. Digamos que Júlio César reproduziu ontem em Nápoles, agravada, a exibição que na época passada fez na Luz contra o Sporting. Todos sabemos que não é fácil para um treinador pôr simultaneamente no banco Luisão e Júlio César. Mas lá terá que ser.

Depois, ao contrário do que muitos comentadores afirmam, André Almeida defende melhor e dá mais segurança à defesa do que Nelson Semedo, que pode jogar mais vezes na posição que ontem ocupou, ou seja, como ala direito.

No meio da defesa é imperioso o regresso de Jardel e o retorno de Lindlöf ao seu lugar de central direito, lugar onde vale muito mais do que no lado oposto.

Na frente, depois do regresso de Jonas e de Rafa, a dificuldade vai consistir na escolha do que vai sair. Considerando que Mitroglou é inamovível, ou Jiménez quando entrar a substitui-lo, a escolha terá de recair em Pizzi ou em Salvio, para já não falar em Gonçalo Guedes que igualmente tem classe suficiente para ser titular. Aqui sim, aqui haverá um grande problema, muito mais difícil de resolver do que o do guarda-redes ou o da defesa.

Finalmente, o meio campo. No meio campo há um problema que está longe de estar resolvido. E é a esse problema que Rui Vitória terá de dedicar toda a sua atenção e saber. Se Fejsa não suscita dúvidas como médio defensivo (o volante dos brasileiros), salvo se se lesionar, hipótese que ocorre com alguma frequência, já a titularidade de André Horta levanta algumas interrogações. Nos jogos em que seja necessário segurar o meio campo, Samaris pode entrar e fazer bem o lugar; se, pelo contrário, for necessário um 8 criativo e, simultaneamente, seguro a defender já as dificuldades aumentam. É certo que o Benfica tem Celis e também Danilo, mas nem um nem outro ainda deram provas de poder desempenhar o lugar com a eficiência que se pretende. Talvez a solução resida, mais uma vez, em Pizzi, verdadeiro pau para toda a obra, fazendo-o regressar à função que desempenhou no último ano de Jesus. A questão não estará em saber se Pizzi rende mais noutro lugar, mas se Pizzi rende mais do que qualquer outro neste lugar. E se tal acontecesse lá teríamos Rui Vitória a repetir uma solução já ensaiada o ano passado até ter desencantado Renato Sanches, único lugar que no Benfica de hoje continua por preencher à altura das necessidades da equipa.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

BENFICA: NADA ESTÁ PERDIDO




UM EMPATE COM SABOR A DERROTA



Gosto de Rui Vitória como treinador. Mesmo nas situações mais adversas, nas hipóteses mais difíceis de acontecer, nas improbabilidades menos prováveis, Vitória não se queixa e aceita com naturalidade as contingências do futebol por mais inverosímeis que sejam.

De facto, é relativamente normal numa época de onze meses, uma equipa ficar momentaneamente, ou até durante algumas semanas, sem um, dois ou até três elementos base do onze titular. Ninguém gosta que isso lhe aconteça, mas todas as equipas têm de estar preparadas para essa eventualidade. Não têm os jogadores em falta, mas terão outros que actuam nas mesmas posições e que serão os naturais substitutos dos lesionados ou castigados.

O que não será normal é uma equipa perder simultaneamente os três guarda-redes do plantel, perder ao mesmo tempo quatro centrais ou todos os pontas de lança. E foi isso o que aconteceu ao Benfica: de um momento para o outro perdeu todas as referências atacantes por um período indeterminado, mas nunca inferior a um mês. Sem Mitroglou, Jiménez, Jonas e Rafa, o Benfica ficou sem atacantes de raiz.

E foi neste contexto, além da lesão de Jardel, que o Benfica teve de enfrentar esta noite o campeão da Turquia – o Besiktas.

Apesar das dificuldades de construção da equipa, Vitória optou por uma frente muito móvel na qual Gonçalo Guedes e também Cervi, a espaços, iam desempenhando diversos lugares. A equipa foi correspondendo na primeira parte, com um golo aos 12 minutos por Cervi, mas foi perdendo no segundo tempo alguma intensidade à medida que o tempo passava. A substituição de Cervi por Samaris e mais tarde a saída forçada de Fejsa e a entrada de Celis, ocorridas na parte final da segunda parte, não trouxeram à equipa o que ela necessitava. Por uma razão muito simples: porque o que a equipa necessitava não estava no banco.

A equipa necessitava de rigor no último passe, principalmente se feito dentro da área e isso somente Jonas sabe fazer com mestria; e necessitava também de um matador que soubesse “matar” o jogo logo que a oportunidade surgisse – e ela surgiu por mais de uma vez. E esse matador também não estava presente fosse ele Jonas, Mitroglou ou Jiménez.

Daí que eu não alinhe muito com a crítica de o Rui Vitória ter agido tarde de mais. Rui Vitória viu, como todos vimos, que a equipa estava segura nos processos defensivos, e que seria ariscado, com excepção de Samaris, lançar no jogo alguém que pudesse perturbar essa eficácia defensiva. De facto, tanto Guedes, como Cervi, enquanto jogou, como Salvio e Pizzi defenderam muito e bem, tendo recuperado muitas bolas.

A relativa ascendência do Besiktas quando lançou dois pontas de lança foi rapidamente neutralizda com a melhoria dos posicionamentos e depois com a entrada fresca de Samaris, acabando por ser mais uma lesão – ou o começo dela – que ditou o empate do Benfica. Tivesse Fejsa podido concluir o jogo e outro certamente teria sido o resultado do encontro.

É desagradável não ganhar na Liga dos Campeões o primeiro jogo em casa, mas nada está perdido. O Benfica tem equipa para recuperar este resultado na Turquia.

Quanto à questão do golo do Besiktas não interessa quem o marcou, nem como foi marcado, sendo muito mais importante saber como foi sofrido, bem como o contexto que o proporcionou.

O Benfica continua sem ganhar na Luz esta época. É preciso pôr rapidamente ponto final nesse precedente!


terça-feira, 13 de setembro de 2016

ANTECEDENDO A JORNADA EUROPEIA




DO QUE SE FALA…
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Tem-se falado de tudo, menos de futebol, nas vésperas da primeira jornada europeia desta época, apesar de Portugal ter três equipas na Champions e uma na Liga Europa. Mas as televisões e os jornalistas estão mais interessados nas intrigas e nas disputas verbais entre jornalistas do que propriamente no futebol.

O ridículo está a matar o futebol em Portugal. Vejamos o que se passa com a “comunicação” do Sporting.

No final da época passada, Jesus, para disfarçar o insucesso que foi o seu primeiro ano à frente da equipa leonina, atribuiu as causas da derrota à “comunicação” do Sporting. Como o Sporting durante toda a época não fez outra coisa senão falar – falou o presidente até mais não poder, falou o treinador várias vezes por semana, falou o Octávio sempre que era preciso “morder nas canelas” de alguém, falou o Inácio sempre que o “trabalho sujo” exigia um intérprete à altura, falou o Rogério Alves sempre que era necessário adulterar os factos e falou o Rui Santos sempre que era necessário passar uma falsa imagem de crítica independente – a única conclusão que das palavras de Jesus se pode tirar é a de que ele queria uma comunicação “construída” à sua imagem e semelhança. Esta imensa vozearia do Sporting teve como alvos privilegiados os árbitros – incompetentes, desonestos, ladrões que deveriam ir para a cadeia (dizia o presidente) e o Benfica, principalmente nas pessoas de Vieira e de Renato Sanches (cada um por suas razões) e ainda Rui Vitória, a “bête noir” de Jesus.

Este ano, ano da “revolução” da comunicação do Sporting, aquilo a que nós assistimos é muito simples de explicar: a “comunicação” propriamente dita tem por objectivo “plantar” notícias contra o Benfica nos jornais (quase sempre sem êxito), escamotear os múltiplos falhanços do presidente do Sporting na gestão do clube (as contratações falhadas, as divergências com os jogadores, as dívidas por pagar, os prejuízos da SAD, etc.), uniformizar o argumentário usado pelos comentadores (oficiais, oficiosos e disfarçados de independentes) nos mais diversos canais de televisão e rádio, elogiar o trabalho da arbitragem (contrapartida de uma vantagem que se tem como certa e segura) e reservar para o presidente o trabalho institucional, como se de um “grande senhor” se tratasse. Ele que só sente bem a falar de cuecas, de nádegas e de outras "pérolas" semelhantes...

A uniformização do comentário é tão ridícula que até faria corar de vergonha aqueles partidos políticos que privilegiam acima de tudo a disciplina partidária. É triste ver o pobre Pina, feito palhaço triste, a pedir que lhe mostrem as faltas do Rafa (do Rafa, imagine-se…) para justificar uma delirante expulsão que ficou por concretizar. Como triste é a adulteração dos factos que toda a gente está a presenciar, com a agravante de já não lhes bastar ter para esse serviço gente como o Rogério Alves e o Inácio, obrigando os demais a dizer o mesmo por mais constrangidos e envergonhados que se sintam!

O ataque a Rafa iniciado esta semana, muito semelhante ao que durante a época passada foi permanentemente desencadeado contra Renato Sanches, só pode encher de orgulho os adeptos do Benfica – esse ataque permanente é o reconhecimento da enorme valia do jogador atacado. Aí não se enganam. Enganam-se é supondo que com o ataque vão mudar o rendimento do jogador.

Depois vem o inenarrável Jesus. Jesus não aceitou a sua saída do Benfica. Incapaz de se esquecer do Benfica por se ter visto obrigado a trocá-lo por um clube de categoria muito inferior, tanto pela sua história, como pelos seus títulos e pergaminhos, e antevendo um regresso impossível, Jesus é absolutamente incapaz de esconder a mágoa e a frustração que o abandono do Benfica lhe provocou e continua a provocar. Daí que, de cada vez que é convidado a falar, tenha de passar grande parte do seu tempo a falar do Benfica. Ele sente necessidade de esconjurar aquele “demónio” que o não deixa viver tranquilo e o persegue por toda a parte como a própria sombra.

E aqui é que entra aquilo que me parece ser o grande erro que o Benfica tem cometido no tratamento desta questão. Como houve muitos adeptos e simpatizantes do Benfica que tinham Jesus em grande conta, a direcção do Benfica sentiu necessidade, num primeiro tempo, de tentar demonstrar que foi Jesus que traiu o Benfica. Evidentemente que para a direcção do Benfica houve uma “traição”, embora essa “traição” não consista em Jesus ter saído do Benfica – já que essa era obviamente a vontade da direcção – mas em ter saído para o outro lado da “segunda circular” e não para o clube que o Benfica e a sua gente estariam na disposição de lhe arranjar no estrangeiro.

Pois bem, resolvida a contento do Benfica a saída de Jesus – nova vitória no campeonato, boa carreira na Liga dos Campeões, vitória na Taça da Liga –, o Benfica deveria pura e simplesmente ter deixado cair o “assunto Jesus”. Quando muito sublinhar, sem enfatizar, os grandes valores que Jesus desprezou enquanto treinador do Benfica, os “flops” da esmagadora maioria das contratações ocorridas durante o tempo em que esteve à frente da equipa técnica, as escandalosas derrotas na Taça de Portugal e em dois campeonatos nacionais, além das medíocres prestações na Liga dos Campeões. E de Jesus nada mais haveria a dizer. Apenas aproveitar as suas múltiplas fragilidades por quem tão bem o conhece.

O que não faz sentido é afirmar que o Benfica queria mudar de paradigma, optando por um para o qual Jesus não servia, e depois vir dizer que houve uma “traição” do ex-treinador por não ter renovado o contrato. Além de que tais afirmações são juridicamente devastadoras para quem acalentava certas (irrealistas) pretensões indemnizatórias. Não haverá juristas pelo Estádio da Luz?....

Mas tudo isto, como acima está dito, não passa de conversa. O que interessa e muito é o que hoje e amanhã se passará com as equipas portuguesas. Aí é que se vai ver, nesta jornada e nas cinco seguintes, quem tem categoria para jogar na Europa e quem não tem.

É certo que nem todos tiveram a mesma sorte no sorteio. O Benfica é o que joga no grupo mais equilibrado: qualquer das quatro equipas pode passar à fase seguinte. O Sporting é o que joga no grupo mais forte, contra duas equipas que lhe são manifestamente superiores e contra uma terceira que lhe é inferior. Enquanto o Porto integra um grupo que mais parece da Liga Europa, embora seja constituído por três campeões…mas todos fraquinhos.

Todavia, nada disso importa: o que vai ficar para a história e para o ranking é saber quem passa e quem não passa.

O Braga, na Liga Europa, está numa situação semelhante à do Benfica: joga num grupo muito equilibrado, onde tudo pode acontecer.
Do Benfica, depois do que se viu em Arouca, e depois do que se viu o ano passado na mesma competição, em que várias vezes jogou desfalcado de pedras fundamentais, só a esperar a continuação de tudo o que de bom  tem sido feito.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A LIGA À QUARTA JORNADA




O QUE HÁ DE NOVO?
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De novo, muito pouco. Apenas o facto de o Sporting ter deixado de contestar as arbitragens e ter passado, do dia para a noite, a considerar excelentes os árbitros que antes injuriava e insultava em cada jornada.

Algo se terá passado para que comentadores e dirigentes tão insultuosos contra a arbitragem tenham passado a enxergar mérito onde antes só viam incompetência e desonestidade.

Será porque o Sporting passou a ser escandalosamente favorecido pelas arbitragens que se alterou a sua avaliação dos árbitros? Não cremos. É certamente muito mais do que isso. De facto, no ano passado o Sporting foi o clube mais favorecido por erros de arbitragem e nem por isso a campanha contra os árbitros esmoreceu por um minuto que fosse.

Parece – por enquanto apenas se diz “parece” – que a substituição de Vítor Pereira à frente da arbitragem durante dez anos – anos durante os quais o FC Porto ganhou seis campeonatos – por um árbitro de futebol de praia terá trazido ao Sporting uma tranquilidade cujos fundamentos se desconhecem.

Os fundamentos podem desconhecer-se, mas sabe-se – e sabe-se porque toda a gente viu – o que aconteceu em Alvalade no último Sporting-Porto não apenas nas jogadas ou lances que antecedam os dois golos do Sporting como igualmente se sabe como foram avaliadas as jogadas violentas de jogadores do Sporting – Slimani (o rei das cotoveladas), Bruno César, William Carvalho e Adrien Siva. E sabe-se também o que ontem aconteceu ao jogador do Moreirense que teve duas entradas exactamente iguais às dos jogadores do Sporting que no jogo contra o Porto ficaram impunes!

E sabe-se ainda como foi marcado o golo do Setúbal no único jogo que o Benfica esta época realizou no Estádio da Luz a contar para a Liga. E sabe-se, olá se se sabe, que o árbitro que na sexta-feira passada apitou o Arouca-Benfica foi o mesmo que o ano passado no jogo Sporting-Tondela deu ordem de expulsão a um jogador do Tondela por ter defendido uma bola com a cabeça dentro da sua área e ordenou a marcação da “respectiva” grande penalidade. Factos que somente se não consumaram porque um juiz assistente se opôs corajosamente a essa decisão. E sabe-se que foi também o mesmo árbitro que, num jogo decisivo para o campeonato, converteu numa falta contra o Benfica um derrube (rasteira) a Renato Sanches dentro da área do Marítimo e “respectivo” cartão amarelo do qual haveria de resultar uns minutos depois a expulsão de Renato por acumulação de amarelos. E recorda-se ainda a quem já tenha esquecido que foi o mesmo árbitro que este ano assinalou (e bem) a favor do Porto um penalty por uma carga exactamente idêntica àquela de que na última sexta feira foi vítima Rafa quando seguia isolado para a baliza. Isto para não falar naquele escandaloso empurrão a Pizzi fora do campo que o árbitro (o mesmo árbitro) puniu com um cartão amarelo ao dito Pizzi!

Se na arbitragem o Sporting está tranquilo, o mesmo se poderá dizer no comentário desportivo, onde os seus representantes mantêm prestações exactamente idênticas às do ano passado. Rogério Alves é o exemplo acabado da “honestidade intelectual”. É difícil encontrar no comentário em Portugal, seja ele de que natureza for, alguém com a “estatura moral” de Rogério Alves. Já Pina e Oliveira e Costa continuam iguais a si próprios – o primeiro fazendo de palhaço triste e debitando tudo o que lhe encomendam, e o segundo demonstrando em cada intervenção que está de acordo com tudo que possa favorecer o Sporting, qualquer que seja o fundamento que serve de base a essa pretensa vantagem.

Já no Play-Off, onde acampa a versão oficiosa da comunicação do Sporting, com a colaboração de Rodolfo Reis, ficámos a saber pelo “impoluto” Rui Santos – essa pérola pútrida do jornalismo português – que o Kapo Inácio “deixou” todos os cargos que ocupava no Sporting para se dedicar de “modo independente” ao comentário desportivo. Disse-o Rui Santos solenemente numa das primeiras edições desta época do referido programa. Com essa “independência” Inácio fica a coberto das sanções da Liga por críticas à arbitragem. Só temos de nos regozijar com este arrobo de honestidade e de desprendimento material em defesa de uma causa. A menos que o Sporting pague tão pouco a quem se prontifica a todos os fretes e a SIC, ou o sr. Rui Santos, ou ambos, paguem tão bem a que tão dedicadamente se propõe servi-los!

É isto o futebol português! É isto o nosso jornalismo desportivo.

Quanto ao futebol jogado dentro do campo parece que o Porto está um pouquinho melhor que o ano passado, que o Porto do fim da época passada, embora fique a impressão de que não terá equipa para se aguentar na disputa do título até ao fim. Até talvez se possa dizer mais: enquanto a sucessão de Pinto da Costa não for inequivocamente resolvida, o Porto não terá hipóteses de voltar a ganhar.

O Sporting, que vendeu dois jogadores pelo dobro do preço que eles realmente valem e que poderia ter vendido mais dois nas mesmas circunstâncias, só tem que se regozijar por ter “embolsado” (ele ou os bancos, já que aos outros credores o Sporting não paga…) tão vultuosa quantia que lhe terá dado para contratar uma meia dúzia de jogadores escolhidos pelo “infalível e inteligentíssimo” Jorge Jesus. Se o Sporting, como é hábito em Jesus, se dedicasse apenas ao campeonato, talvez estivesse este ano mais regular do que o ano passado, já que, ao que se tem visto, quando a irregularidade surgir haverá sempre quem esteja encarregado de a repor.

Todavia, como o Sporting vai ter de jogar a Liga dos Campeões, ainda é cedo para se saber com que Sporting se vai poder contar durante a época. Uma coisa, porém, é certa: eles estão dispostos a investir o que for necessário e onde for necessário para ganhar o campeonato. Tanto o presidente como o treinador têm a “cabeça a prémio” se não ganharem!

Quanto ao Benfica, no meio de tanta desgraça (Jonas, Jardel, Jiménez, Rafa, Mitroglou lesionados) e de algumas decisões incompreensíveis, como a venda de Renato Sanches, a boa notícia é a grande exibição que o Benfica fez em Arouca, principalmente na primeira parte.

Salvo para o jornalista do Correio da Manhã, que classificou Renato Sanches como o pior jogador português no Europeu de França, e para outros que por lá, ou nas proximidades, andam, a exibição do Benfica em Arouca foi excelente, talvez até melhor do que os primeiros vinte minutos da supertaça contra o Braga, não passando o resultado final de uma pálida imagem do que se passou em campo.

Rafa esteve brilhante – alguém vai ter de sair para ele entoar – e Gonçalo Guedes é um “menino de ouro”, que vai ter de jogar em todos os jogos. A jogar como em Arouca, mesmo tendo em conta a ineficácia concretizadora – algo que acontecerá uma vez ou duas, mas não acontecerá sempre a quem jogue assim – O Benfica não terá em Portugal quem lhe face frente dentro do campo.

Nos três jogos anteriores, houve um – contra o Setúbal – em que o Benfica jogou francamente mal, e nos outros dois jogou sempre o suficiente para ganhar tranquilamente. Brilhante, mesmo0 brilhante, só foi contra o Arouca. Se assim continuar nada haverá a recear. Nem mesmo a “tranquilidade” com o que o Sporting está vivendo a arbitragem…

Não se compreende por que razão tanto Jonas como Jardel foram convocados e jogaram, depois de lesões que exigiam algum cuidado e tempo de recuperação, se na sequência desses jogos voltaram a ficar lesionados. Há aqui uma avaliação que foi mal feita. E isso é indesculpável num clube da dimensão do Benfica…

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

BENFICA SEM SOLUÇÕES


 

DOIS PONTOS PERDIDOS EM CASA À SEGUNDA JORNADA

 

Desde que começou a pré-época que se evidenciavam, jogo após jogo, as insuficiências do Benfica. Um coro de comentadores afectos ao clube e alguns jornalistas incompetentes bem podiam tentar passar a imagem de um super-Benfica alicerçado num grande plantel, mas a verdade é que essa nunca foi a imagem que o Benfica deixou a quem percebe alguma coisa de futebol, depois de vistos todos os jogos da pré-época e os dois primeiros jogos oficiais.

De facto, a posse de bola acumulada pelo Benfica nunca correspondeu a um efectivo domínio do adversário nem a sua perda se traduzia numa pressão imediata e eficaz sobre o adversário com vista à sua pronta recuperação. Pelo contrário, o Benfica demorava muito a reagir à perda de bola e era muitas vezes assediado com perigo pelo adversário quando este a recuperava.

Tudo isto, porque o Benfica sem três peças caves da época passada corre o risco de se transformar numa equipa vulgar. Uma equipa que perdeu rapidez nas transições ofensivas, incapaz de criar roturas nas hostes adversárias, simplesmente mediana nas bolas paradas e com fragilidades nas soluções defensivas.

Foi isto o que se viu durante a pré-época e foi isto que ontem se repetiu no Estádio da Luz contra o Setúbal. Uma equipa que não conseguiu evitar um golo por deficiente posicionamento defensivo e tempo de entrada à bola. Uma equipa que não conseguiu criar uma única situação de perigo em jogadas de bola corrida e que demonstrou sempre muita falta de inspiração nas bolas paradas.

O espectro da derrota pairou sobre o Estádio da Luz, tendo o empate sido alcançado por penalty (Jimenes) quando faltavam menos de oito minutos para o fim do jogo. É certo que o Benfica até poderia ter ganho. Teve oportunidades para isso, mas não ganhou. Nem as jogadas que teriam proporcionado essa vitória seriam suficientes para alterar a análise do jogo e da equipa.

Mais do que aborrecidos, os adeptos saíram do Estádio da Luz apreensivos com o futuro da equipa na prova.

E têm fundadas razões para estarem apreensivos. O Benfica vai pagar bem caro aa venda de Renato Sanches. Inacreditável que um jovem de 18 anos tenha sido sofregamente vendido cerca de seis meses depois de ter despontado. Que o Benfica tivesse de vender Gaitan compreende-se e aceita-se. Que vendesse Sálvio, idem. Agora Renato, não se compreende nem se pode aceitar. Com a lesão de Jonas e sem Renato, o Benfica vai ficar exposto logo no começo do campeonato aos piores resultados. E desta vez a desvantagem dificilmente será recuperável.

Tudo isto se torna ainda menos aceitável por duas razões: primeiro, porque a venda de Renato assenta na arrogância de quem supõe que é a “estrutura” que ganha campeonatos; e depois na ignorância de quem não percebe que uma quarta derrota de Bruno Carvalho e uma segunda consecutiva de Jesus seriam o fim de um e o começo do fim de outro.

Em Maio vamos ver quem tem razão…

sexta-feira, 1 de julho de 2016

RENATO SANCHES, O HOMEM DA SELECÇÃO


CLASSE PURA!
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Durante meses a fio Renato foi atacado pelos comentadores sportinguistas, vilipendiado pelo presidente dos lagartos, desvalorizado pela maior parte dos portistas, a comecar pelo execrável Guedes e o rapaz, o miudo de dezoito anos, a tudo resistiu.

Foi considerado imaturo, violento, pediram se castigos e punições. E o miudo a todos resistiu, demonstando em cada domingo a sua enorme classe.

Veio depois a selecção. Renato foi chamado para participar em dois particulares. Jogou algum tempo, e em ambos os jogos em que participou, tanto no Norte como Sul, de cada vez que pegava na bola…o estádio vinha abaixo.

E logo começa outra campanha, orientada pelos sportinguistas e apoiada por alguns falsos teóricos do futebol, destinada a impedir que o miudo fosse convocado para o Euro de França.

Santos hesita, talvez preferisse não o levar, mas Bernardo Silva esta lesionado e Tiago saído de uma lesão. Tiago, pelo prestigio e pela antiguidade, poder-lhe-ia criar problemas se não fosse titular. Então, para evitar um mal maior, Santos convoca Renato com a intenção de o deixar no banco. O seu protagonismo nnatural não agrada aos patrões da selecção.

E de imediato outra campanha começa : Renato não deve ser titular. Há jogadores com muita mais experiencia [Moutinho] e otros mais entrosados com os colegas convocados [Adrien]. Até Jesus entra no jogo, sentenciando um Renato inexperiente que não deve ser titular.

Nas televisões, falsos teóricos, como C. Daniel, afirmam premptoriamente que Renato não traz nada de novo ao jogo da selecção.
Todo o mumdo , literalmente TODO O MUNDO,  pensa exactamente o contrário destes senhores. Todo o mundo vê que Renato, quando entra, muda por completo o jogo da selecção.
 
Santos está como quer. Tem lá o Renato e só o mete quando muito bem entende, sabendo que, pelo lado do miudo, não serão levantados problemas.

Contra a Croácia foi o que se viu. à medida que Renato brilha, Santos sente-se na necessidade de proteger Ronaldo como estrela da selecção. E vai aqui e ali dando para trás ao Renato.

Cá fora cresce o clamor. Renato é o melhor. Ele tem de jogar sempre. Diz se em Portugal, agora até por alguns comentadores do Sporting, o que se diz no resto do mundo. Os jornais estrangeiros enchem páginas com Renato Santos. A Gazzetta dello Sport e a Marca não poupam elogios. Antigos jogadores, treinadores, jornalistas dizem o mesmo. Numa selecção tao cinzenta, ele é a única estrela reluzente.

Fernando Santos não consegue continuar a resistir. Tem de ceder e põe Renato a titular contra a Polónia nos quartos de final.

Renato marca o golo do empate . Ronaldo falha dois golos. Tem uma exibiçao esforcada, mas sem brilho. Todo o mundo elogia Renato Sanches, novamente considerado o homem do jogo.

Santos, com medo que Ronaldo se ressinta, volta a desvalorizar a participação de Renato, engrandecendo a de Ronaldo…que falhou dois golos, foi muito esforcçdo…mas não deu nas vistas.

E absolutamente espantoso como um miudo de dezoito anos resiste a tudo isto. Quem esta fora fica com a sensaçãoo que Renato nem os ouve. Ele não está lá para competir contra ninguém da selecção portuguesa. Apenas quer jogar e derrotar os adversários.

Grande Renato, és o maior ! Nunca em Portugal se tinha assistido a uma campanha tão bem orquestrada contra um génio do futebol. Tão bem …que ate os árbitros nela participam.

RENATO, porém, a tudo resiste com grande maturidade. E vai continuar a resistir porque ele será dentro de muito pouco tempo o grande talento da selecção portuguesa. Quem não puder aceitar esta realidade objectiva, só tem um caminho a seguir : afastar se e desimpedir a estrada.

FORCA RENATO!

 

 

terça-feira, 21 de junho de 2016

CARLOS DANIEL, RONALDO E O SELECCIONADOR


 

PORTUGAL NO EURO 2016
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Para começar é bom que se diga sem metáforas nem circunlóquios que a selecção portuguesa está a fazer,em França, um mau Euro 2016, frustrando as expectativas de milhões de adeptos que acreditaram num comportamento bem diferente daquele que desde o primeiro jogo tem existido. Portugal tem em risco a participação na fase seguinte da prova se não ganhar o jogo de amanhã. E nada, absolutamente nada, deixa antever que o resultado contra a Hungria tenha que ser diferente dos dois resultados anteriores.

Há jogadores em baixo rendimento, há manifesta incapacidade de pôr em prática um modelo de jogo razoavelmente eficiente e há um seleccionador sem ideias ou, se as tem, sem independência e autonomia suficientes para as pôr em prática.

Carlos Daniel, porventura o comentador desportivo mais bem preparado em Portugal, tem defendido a tese de que o seleccionador deve manter a ideia que trabalhou durante os anos que está à frente da selecção a qual acabará por produzir os resultados esperados. E na execução dessa ideia deve manter a jogar os jogadores em que acredita e que melhor a sabem pôr em prática, que são, como é óbvio, aqueles que têm jogado.

Carlos Daniel, como acredita que o futebol é uma ciência que obedece a critérios estritamente racionais, esquece ou não entra em consideração com o facto de o futebol ser um jogo, logo aleatório, no desenlace do qual intervêm múltiplos factores além dos racionais. Desde logo o factor sorte e depois a atitude, melhor dizendo, o estado de alma dos jogadores que pode mudar muito de um jogo para outro. Além disso há factores de confiança, de camaradagem, de companheirismo, de espírito de equipa que são igualmente importantes, se não mesmo decisivos, para o resultado final, além evidentemente da valia do adversário nas suas múltiplas vertentes.

Carlos Daniel, tal como Jesus, acredita que os jogadores podem ser transformados em simples autómatos de uma ideia de jogo. O facto de um ser muito mais alfabetizado que outro não impede que estejam irmanados na conclusão de que uma correcta interpretação da “ideia de jogo” leva necessariamente ao resultado esperado. Tanto para um como para outro o factor individual conta pouco, seja pela positiva, seja pela negativa e todavia que seria do futebol se por ele não tivessem passado Si Stefano, Puskas, Pelé, Garrincha, Eusébio, Cruyff, Maradona, Zidane e Messi entre tantos outros. Se bem repararem, nunca – mas mesmo nunca – nas suas esquemáticas análises técnico-tácticas dos jogos entra o talento individual do jogador. Pelo contrário, sempre que faz referência à acção individual é para a desmerecer, numa criteriosa escolha do que corre mal.

Enfim, ao recusar-se a comentar e a criticar a prestação de alguns jogadores da selecção portuguesa e a incapacidade (seja técnica, seja de outra ordem) do seleccionador para reconhecer e corrigir essas incapacidades, Carlos Daniel presta um mau serviço à selecção e a todos quanto desejavam um outro desfecho para as cores portuguesas.

Antes de mais, a análise do comportamento da selecção portuguesa (não apenas a deste Euro 2016, mas também das anteriores mais recentes) passa obviamente por Ronaldo. Não pode deixar de passar. Pela sua prestação, pela análise das suas prestações na selecção, pelo seu protagonismo, pelo seu comportamento enquanto elemento do grupo, pela sua influência no seleccionador e na Federação bem como de todos os (grandes) interesses que o rodeiam.

Como a prestação de Ronaldo tem sido muito fraca, embora não muito diferente da que tem tido em fases finais de Europeus e Mundiais anteriores, mais concretamente desde o Mundial da África do Sul (2010), não falta quem aproveite ocasião proporcionado por mais este falhanço para um ataque demolidor ao seu carácter e à sua personalidade, como fez John Carlin, em El Pais de 19 de Junho (ver tradução). 

Mas não é necessário, nem decente, chegar tão longe. Um dia, já muito distante dos tempos de glória da grande equipa do Real Madrid dos anos 50, princípios de 60 do século passado, perguntaram a Di Stefano o que tinha a comentar sobre a personalidade de Puskas, como pessoa, de quem se dizia “cobras e lagartos”. O grande jogador do futebol de todos os tempos foi muito claro. Afirmou que não tinha relações com Puskas fora do campo e, portanto, não se podia pronunciar sobre o que diziam dele. Mas conhecia-o muito bem dentro do campo. Era um jogador brilhante como poucos, inteligente, generoso, altruísta, companheiro, um verdadeiro jogador de equipa. Era essa a imagem que tinha dele. A imagem que construiu a partir do que viveu e sentiu dentro do campo como seu colega de equipa.

É sobre Ronaldo dentro do campo, como elemento de uma equipa, que as críticas, positivas e negativas, devem ser feitas. É evidente para toda a gente que Ronaldo é um super atleta, para o qual a ideia da superação dos seus próprios limites está permanentemente presente. Mas é também óbvio que Ronaldo não é um virtuoso do futebol, não tem a magia dos grandes artistas, nem sequer a inteligência de quem sabe pensar o futebol como um jogo eminentemente colectivo. Durante anos e anos nunca Ronaldo festejou os golos da equipa por que alinhava se não fossem marcados por si. Nunca, durante anos, se viu Ronaldo em campo agradecido a um colega por lhe ter feito um passe de golo ou aplaudir uma jogada magistral de um companheiro de equipa. Vê-se Ronaldo na televisão e percebe-se que ele passa parte do seu tempo mais preocupado com as câmaras, com a imagem que dele transmitem, do que com a sua equipa. Tudo gira à volta de seu enorme EGO, diariamente alimentado por uma enorme falange de aduladores.

Por força dos recordes individuais que bateu, dos títulos individuais que conquistou, Ronaldo (e o seu entorno….) adquiriu no seio da selecção um poder que nunca outro jogador teve. Há a convicção generalizada que o seleccionador não tem qualquer poder de direcção táctica, e muito menos técnica, sobre Ronaldo. Todos os treinadores, depois da sua saída do Manchester, que tentaram interferir no modo de jogar de Ronaldo e sobre o seu posicionamento relativamente à equipa foram mal sucedidos (Mourinho, Carlos Queiroz, Paulo Bento, Benitez). O mesmo se diga dos jogadores que tentaram, mesmo que discretamente, lutar contra o seu excesso de protagonismo.
Com Fernando Santos tudo isto é mais evidente do que com qualquer outro treinador. Fernando Santos não tem qualquer poder de direcção sobre Ronaldo. Nem sobre Ronaldo nem para contrariar o que eventualmente possa não agradar a Ronaldo. A subserviência de alguns, bastantes, jogadores relativamente a Ronaldo é lamentável. O santo e a senha para entrar no lote dos amigos de Ronaldo é não apenas elogiá-lo acriticamente, mas afirmar peremptoriamente que ele é o melhor jogador do mundo. É quase certo que não tem lugar como titular nenhum jogador, por mais brilhante que seja, que não tenha afirmado que “Ronaldo é o melhor do mundo”. E se algum tiver a ousadia de deixar algum juízo objetivo que não agrade ao craque português, logo o clã Aveiro e Jorge Mendes se encarregarão de o anatemizar.

Fernando Santos exibe perante os jornalistas uma arrogância como treinador da selecção que nunca teve como treinador de clube. Quanto mais se deixa enredar pela “ronaldodependência” mais afirmativo se torna relativamente objectivos e metas que não tem qualquer hipótese de alcançar. É um fenómeno de compensação bem conhecido…mas nem por isso deixa de ser um pouco ridículo.

Quanto à selecção, é certo que o segundo jogo foi aparentemente mais bem conseguido que o primeiro, embora com a mesma ineficácia e completa ausência de criatividade no meio-campo ofensivo. Quanto a Ronaldo não há que estranhar, com excepção do penalty falhado, ele precisa sempre de fazer muitos remates para marcar um golo. Já o mesmo se não deverá dizer dos restantes jogadores que igualmente desperdiçaram várias oportunidades. Grandes equipas são as que aproveitam as oportunidades que surgem e não as que apenas as criam. Não é com oportunidades criadas que se ganham jogos. É com golos!

William esteve melhor do que Danilo. Sem ter sido criativo – isso, ele nunca é – esteve mais presente no jogo, adiantou-se mais no terreno e não falhou passes. Teve a seu favor não ter de defrontar avançados tão poderosos como os que Danilo encontrou pela frente no primeiro jogo e também o posicionamento ofensivo da equipa da Áustria que lhe concedeu mais liberdade para se adiantar. João Moutinho, ridiculamente considerado o “homem do jogo” pela UEFA, mais uma vez esteve mal. Mal no sentido de não dado nenhum contributo positivo à equipa: um passe, um rompimento das linhas adversárias, uma presença na área. Nada. Não se compreende por que razão continua a jogar como titular. Ninguém que perceba um mínimo de futebol compreende esta insistência em Moutinho!

João Mário continua ausente. Incompreensivelmente ausente. André Gomes, mais uma vez, o melhor da linha média. Na frente, ficou provado que só podem jogar dois, embora a dúvida seja quem deverão ser esses dois. De Ronaldo não há que esperar muito mais. Com excepção dos jogos de “play-off” contra aa Suécia, para o apuramento do Mundial do Brasil, nunca Ronaldo foi uma figura absolutamente decisiva nos jogos da selecção. É certo que em 127 jogos marcou golos, tem o record absoluto de golos na selecção, mas está muito longe de ter o record em termos relativos. Sendo certo que no jogo de amanhã Ronaldo vai jogar qualquer que seja a forma em que se encontre, Quaresma deverá sair entrando porventura Rafa para o lugar de João Mário. Quanto ao resto não é de crer que haja mudanças.

Fica-se, porém, com a impressão de que se trata de um simples remendo. De facto, a ausência de um verdadeiro ponta de lança, a recusa em fazer alinhar um “oito” ofensivo, a fraca forma física de Ronaldo condicionam a estrutura da equipa e a sua movimentação em campo. Nada nos permite, portanto, esperar grandes diferenças.

Renato Sanches não jogará certamente. Entre outras razões por que nunca disse que “Ronaldo é o melhor jogador do mundo!”. Faz bem Renato em não dobrar a espinha. O futuro será seu. Na selecção e fora dela. Oxalá nunca perca a cabeça nem se deixe jamais apanhar pelo vedetismo…

 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

SELECÇÃO: AS MUDANÇAS QUE SE IMPÕEM


 

SÁBADO, CONTRA A ÁUSTRIA
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Vai haver mudanças no jogo contra a Áustria do próximo sábado. O seleccionador já o admitiu. Falta saber que mudanças. E se são as que se impõem, depois do que se viu contra a Islândia, ou se serão meramente cosméticas para atender aa alguns interesses de ocasião.

Não tenho ouvido os comentários da SIC nem da TVI, nem mesmo os da Sport TV e da BTV, se é que esta última os faz, pelo não posso comentar o que nestas estações tem sido dito sobre o jogo da selecção. Apenas tenho seguido os comentários da RTP. E confesso que não posso deixar de manifestar a minha surpresa pelo que tenho ouvido. A seguir ao jogo contra a Islândia, dois dos comentadores mais influentes (Carvalhal e Carlos Daniel) deram a entender (ou mais do que isso) que o problema da selecção não estava nos jogadores, deixando subentendido que o “falhanço” era do treinador. Marco Silva, mais cauteloso, “politicamente correcto”, foi tendo aquela conversa que de nada serve: “O treinador é que sabe o que pediu aos jogadores e a situação em que os mesmos se encontram”. Todavia, à medida que o programa decorria começou a ser evidente que a responsabilidade do acontecido também não era do seleccionador. Se não era do seleccionador nem dos jogadores, de quem seria afinal? No dia seguinte, no mesmo programa, Manuel José, sempre tão directo, também alinhou mais ou menos na mesma conversa, salvo no que respeita a Ronaldo. Com a agravante de este segundo programa pós jogo ter a presença de Miguel Guedes – o execrável Guedes do Trio de Ataque. Antes de mais, é caso para pergunta: Que faz Guedes no programa? Se o programa é para falar tecnicamente de futebol, o que faz lá Guedes? Só se for para denegrir Renato Sanches ou qualquer outra coisa que “cheire” a Benfica…

Deixando de lado o que pensam ou dizem estes comentadores, que se têm a si próprios como o supra-sumo do comentário futebolístico, vamos então abordar aas mudanças que se impõem.

Na defesa, a única alteração que poderia justificar-se era a de Pepe por José Fonte. Pepe tem causado muitos problemas à selecção. É um jogador, a justo título, marcado pelos árbitros, perde com relativa facilidade a compostura e muito facilmente compromete a selecção, como aconteceu no último Mundial. A selecção só ficaria a ganhar se fosse substituído. Vieirinha pode ser substituído por Cedric mas a selecção não ganha nada com isso. Perde um atacante razoável e não ganha nada na defesa.

Na linha média terá de haver profundas alterações. Seja por culpa do seleccionador ou dos jogadores, é óbvio que o sector esteve muito aquém do pretendido. E como o seleccionador não pode ser mudado, as mudanças terão de recair sobre os jogadores. Assim, Danilo vai ser um dos sacrificados. Provavelmente vai entrar para o seu lugar William Carvalho. Provavelmente, não se ganhará nada com a mudança, mas é uma alteração que terá de acontecer depois de tudo o que se disse de Danilo. Moutinho tem de ser substituído por Renato Sanches. É mais que óbvio que Renato é hoje um jogador imprescindível no meio campo. Quanto aos alas, João Mário deve continuar. Deve ter mais uma chance, podendo do outro lado manter-se André Gomes ou ser chamado Rafa.

Na frente só podem jogar dois. Se Quaresma está em forma e com muita vontade de jogar, como parece que está, talvez seja de lhe conferir a titularidade, em detrimento de Ronaldo que não está bem, precisa de descansar, não sendo nada conveniente a sua utilizaação nas condições em que se eencontra, como se viu há dois anos no Brasil. E do outro lado começar com Nani.

Estas seriam as alterações que um treinador independente, que pensasse pela sua própria cabeça, muito provavelmente faria. Mas não é o caso, Fernando Santos, como outros antes dele, tem um raio de acção muito limitado. Não pode tocar em Ronaldo nem em nenhum daqueles jogadores que proclame aos quatro ventos que “Ronaldo é o melhor do mundo”. Essa a razão por que as alterações vão ser meramente cosméticas. Provavelmente sairá Danilo, talvez também Vieirinha e na linha média João Mário ou André Gomes para entrar Quaresma, alterando-se a estrutura da equipa tal como foi concebida pelo próprio seleccionador.

Esperemos para ver…

quarta-feira, 15 de junho de 2016

A SELECÇÃO PORTUGUESA NO EURO 2016


 

O EMPATE COM A ISLÂNDIA
 
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Criou-se a ideia de que Portugal tinha uma grande selecção capaz, inclusive, de vencer o torneio europeu que se está disputando em França.  Trata-se de, todavia, de uma ideia assente numa avaliação exagerada das capacidades da selecção.

Portugal, integrado num grupo de apuramento relativamente fácil, fez uma campanha normal, face às selecções em presença, sem nunca deslumbrar.

Em França, na fase final do Europeu, Portugal volta a estar integrado num grupo aparentemente ainda mais fácil. De facto, nem a Islândia, nem a Hungria, nem a Áustria, têm, nestes últimos quinze anos, marcado presença ou dado nas vistas nas grandes montras do futebol mundial, tanto a nível de clubes, como de selecções. O que não quer dizer que não possam ter equipas muito competitivas na prova em curso.

Aliás, é bom lembrar que a Áustria fez uma fase de grupos extraordinária, melhor que a Espanha, a Alemanha, a Itália e Portugal, apenas suplantada pela Inglaterra que ganhou todos os jogos. Por outro lado, a Islândia apurou-se em segundo lugar num grupo do qual fazia parte a Holanda, que foi eliminada. Portanto, a ideia de que a equipa portuguesa tinha uma passadeira vermelha estendida para alcançar a fase seguinte, era uma ideia que tinha de ser confirmada no campo, em cada jogo. Sabia-se-se de antemão que os jogos contra a Áustria e a Islândia seriam difíceis, adivinhando-se mais fácil o jogo contra a Hungria, que acabou, como se sabe, de derrotar a Áustria, complicando as contas do grupo.

No jogo de ontem, contra a Islândia, cedo se percebeu que a selecção portuguesa iria defrontar uma equipa difícil, muito competitiva, que privilegiaria o jogo directo, através de lançamentos longos, procurando tirar partido das “segundas” bolas por força da sua mais bem apetrechada compleição física.

Perante este quadro, que era ou deveria ser esperado, a selecção portuguesa teria de saber penetrar na estrutura da equipa adversária, procurando por meio dessas brechas impor o seu jogo. Acontece que a selecção raramente foi capaz de fazer isto. Os médios contornaram a equipa da Islândia, sem nunca verdadeiramente a penetrar.

Danilo, como “seis”, pouco adiantou relativamente a William Carvalho. Tal como o sportinguista, foi lento, pouco ou nada criativo, jogou sempre muito recuado e, apesar disso, nas poucas vezes em que poderia ter tirado vantagem desse recuo, não estava lá.

Os demais médios também estiveram muito mal, com excepção de André Gomes, que começou bem e foi depois piorando sempre até sair. Dos três (Moutinho, João Mário e André Gomes), Moutinho foi de longe o pior. Há muito que Moutinho está jogando pouco. Explicando melhor: com excepção de dois dos anos passados no Porto, nunca Moutinho jogou mais do que joga agora. E agora joga pouco, sendo óbvio que não tem lugar na equipa, a ponto de se dever questionar a sua convocação. João Mário, estranhamente, tarda em reaparecer. Quem desconhecesse a época que fez este ano no Sporting, perguntaria o que estava aquele rapaz a fazer na selecção. André Gomes começou bem, foi único que tentou penetrar na organização da equipa adversária, mas, muito contagiado pelo que via à sua volta, acabou, tal como os outros, por desaparecer da equipa. Não é, portanto, por acaso que os três foram substituídos.

Na defesa, Rui Patrício esteve bem, defendeu o que tinha de defender, nada podendo fazer no golo sofrido. O mesmo se diga dos laterais, embora Guerreiro tenha estado melhor do que Vieirinha. No centro da defesa, Pepe voltou a comprometer a equipa. Lutou, algumas vezes a raiar a violência, outras fazendo-se de palhaço, mas acabou por ter grandes culpas no golo sofrido por, com a sua movimentação, ter desorganizado a defesa portuguesa. Ricardo Carvalho esteve bem melhor.

Contudo, o grande problema da defesa não consiste na prestação individual dos seus componentes, mas na sua organização como bloco, fundamental para a estruturação da equipa, tanto em acções defensivas, como na primeira fase de construção do jogo. Defensivamente, o modo como o bloco se comportou é de tal modo lamentável que dificilmente poderá deixar de se imputar ao treinador essa deficiência. O posicionamento dos defesas no golo sofrido pertence à pré-história do futebol. Como pode na segunda década do século XXI posicionar-se naqueles termos o bloco defensivo? A defesa tem de acompanhar a linha da bola, mantendo-se nela sem aquelas tontas movimentações em que Pepe incorreu e, por culpa dele, Vieirinha. Por outro lado, apesar do constante recuo de Danilo, nunca os centrais foram capazes de iniciar uma penetrante jogada de construção, salvo, uma vez, em Pepe que colocou nos pés de Ronaldo uma bola de golo que Ronaldo desperdiçou com um pontapé em falso.

Tudo isto é da responsabilidade do treinador, como também é da sua responsabilidade a inépcia, por falta de ideias, de toda a linha média.     

Na frente, Nani esteve bem melhor do que é habitual, sem deslumbrar, mas demonstrando grande eficiência no golo e no remate de cabeça que o guarda-redes adversário defendeu brilhantemente. Já Ronaldo esteve igual a si próprio. Ou seja, vulgar se a equipa se vulgariza ou é vulgar. Ronaldo nunca foi um jogador de agarrar o jogo e transformá-lo. Não tem essa mestria, nem se pode esperar isso dele. Ronaldo tem de ser servido e tem sempre de se contar que precisa de várias oportunidades, em regra quatro, excecionalmente três, para marcar um golo. Se a linha média não jogar, se não produzir jogo, Ronaldo passa à margem do jogo, como quase sempre tem acontecido na selecção. No Manchester United e, principalmente, no Real Madrid, isso não acontece porque são (ou foram) equipas com grandes jogadores, que possibilitam, com a sua acção, potenciar todas as qualidades de Ronaldo. Essa a razão por que ele não rende na selecção.

Veremos se a substituição (que se impõe) da linha média no jogo contra a Áustria poderá trazer algo de novo, já que da parte do treinador não se poderá esperar que tenha ideias muito diferentes das que até agora tem posto em prática.

Para terminar, uma palavra sobre a Islândia, que fez um excelente jogo, dentro daquilo que era o seu plano de jogo. Desmerecer na prestação da equipa islandesa é não compreender o que se passou. E isso é mau pelo que prenuncia relativamente ao futuro.