quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O ÚLTIMO PORTO-BENFICA





O QUE PODE EXPLICAR A AGRESSIVIDADE DE MAXI
 
 

O Porto-Benfica do passado domingo, perdido pelo Benfica no 86.º minuto, foi um jogo razoavelmente interessante com duas partes destintas.

Nos primeiros minutos do jogo, cerca de sete, o Porto pareceu querer justificar o factor casa, tendo a bola mais tempo em seu poder, embora sem ameaçar as redes do Benfica.

A partir dessa altura até cerca de oito minutos do fim da primeira parte o jogo foi dominado pelo Benfica. A equipa da Luz mostrou uma consistência técnico-tática que este ano ainda se não tinha visto, demonstrou ser uma equipa equilibrada, com um meio campo consistente e capaz de tanto em jogadas de futebol corrido como de bola parada pôr em perigo as redes adversárias.

Por duas vezes, em cantos, o Benfica esteve à beira do golo, não foram, em ambos os casos, as excelentes defesas de Casillas, de facto um bom guarda-redes entre os postes. O Porto via jogar o Benfica e quem assistia ao jogo jamais suporia que iria assistir a uma segunda parte completamente diferente.

Na segunda parte o Porto entrou desde início mais forte, dominou o jogo durante a maior parte do tempo, tendo-se acercado da baliza do Benfica com perigo por duas vezes, ambas protagonizadas por Aboubakar, um grande avançado. Apesar de o Porto só ter criado perigo as duas vezes referidas, percebia-se, à medida que o tempo decorria, que a equipa o Benfica estava mais frágil. Mais frágil fisicamente.

Com um número reduzido de jogadores de qualidade o Benfica tinha dificuldade em refrescar a equipa, contrariamente ao que se passava com o Porto onde no banco havia jogadores da mesma valia, ou até superior, da dos que estavam em campo.

E aconteceu exactamente depois das substituições, primeiro de Jonas por Talisca e depois de Guedes por Pizzi, que o Benfica perdeu a bola a meio campo e sofreu o golo. Nos quatro ou sete minutos restantes já não houve tempo para fazer nada. Mais uma vez ao cair do pano o Benfica foi derrotado no Porto.

Do ponto de vista do jogo jogado houve um ligeiro ascendente do Porto, por ter sido melhor equipa durante mais tempo, justificando-se assim, deste estrito ponto de vista, a vitória.

O jogo teve, porém, outras incidências que não podem ser esquecidas. A primeira que interessa realçar é a manifesta intenção por parte da equipa do Porto de intimidar Jonas. Jonas era porventura o jogador mais temido pelos portistas. Ora, tendo em conta o que se passou em campo não será difícil deduzir que houve uma orientação técnica nesse sentido. A entrada de Maicon (que inacreditavelmente ficou impune) no fim da primeira parte – verdadeiro golpe de artes marciais – e o pontapé de Maxi no início da segunda parte são factos integrados na mesma estratégia.

A segunda incidência que não pode passar em claro foi a agressividade Maxi Pereira. Como todos os benfiquistas sabem, Maxi Pereira é um jogador muito competitivo, o que frequentemente o leva a disputar a bola à margem da lei. Isso aconteceu durante muitos anos no Benfica e é também natural que venha a acontecer no Porto nos anos que lá estiver. O que é novo – e muito – é a “beligerância” de Maxi depois de o árbitro apitar a falta. Dezenas de vezes Maxi foi punido com cartão amarelo no Benfica e algumas outras expulso. No Benfica e na selecção do Uruguai. Mas sempre que isso acontecia nada mais se passava a seguir. Maxi aceitava o castigo e continuava como sempre ou pura e simplesmente, quando expulso, saía sem protestar. Assim aconteceu nas duas expulsões mais recentes: contra o Chelsea na Liga dos Campeões e na selecção do Uruguai no primeiro jogo do Mundial do Brasil.

Pois bem. No Porto viu-se Maxi frequentemente envolvido em disputas e quezílias na sequência das faltas e até nos casos em que agrediu um adversário (Mitroglous) sem ser punido. Porquê, se além do mais se tratava de ex-companheiros de equipa? Porque Maxi estava de consciência pesada e queria demonstrar perante a afición portista que estava no Dragão de alma e coração. Deveria ter sido expulso se Artur Soares Dias fosse um árbitro com coragem para actuar disciplinarmente. Infelizmente, não é.

Finalmente, o treinador do Porto mais uma vez demonstrou que é um tipo de mau carácter a quem nenhum tipo de confiança deve ser dado. A sua intervenção na sala de imprensa, cínica e sectária, é o exemplo acabado de uma personalidade tortuosa e desonesta.

CARRILLO E OS VIGARISTAS DA VERDADE DESPORTIVA


 
A COACÇÃO JÁ VALE COMO ARGUMENTO?

 

Os vigaristas da verdade desportiva acham perfeitamente normal que o Sporting ponha de lado Carrillo por o jogador não querer renovar. É uma atitude inadmissível que deveria merecer o mais vivo repúdio de todos os desportistas bem como de todos aqueles que estão ligados ao fenómeno desportivo. Infelizmente não é assim. Acham que se pode coagir um jogador a assinar um contrato, impedindo-o de fazer aquilo que ele mais gosta de fazer: jogar!

Esta situação é até susceptível de constituir o Sporting em responsabilidade civil perante o jogador, da mesmo forma que um trabalhador qualificado também pode demandar o patrão por o impedir de exercer normalmente a sua profissão, marginalizando-o na empresa e não lhe dando trabalho.

Carrillo deveria queixar-se à FIFA e estou certo que desportivamente o Sporting seria punido.

Grave é que os comentadores, principalmente os do Sporting, achem a situação perfeitamente normal. Aliás os mesmos que hipocritamente defendem a “verdade desportiva”.

Bem sabemos que essa prática e até outras piores – como, por exemplo, a de ameaçar o jogador que não quer renovar de levar um tiro no joelho; ou de dar uma tareia ao jogador que se recusa a ser emprestado ao Braga – têm curso em alguns clubes portugueses. Não em todos, felizmente. Lembrámos a título de exemplo os casos do malogrado Robert Enke e, mais recentemente, de Maxi Pereira.

Tanto um como outros são jogadores a que o Benfica deve estar agradecido (a inversa também é verdadeira) por terem sido sempre, até ao último dia, excelentes profissionais. É isso o que se lhes pede. O amor clubístico apenas é exigível aos adeptos. Não obstante o modo como Maxi se comportou no último Porto-Benfica e que noutro post analisaremos.

No caso Carrillo, o que é lamentável é que os comentadores desportivos achem normal a coacção como elemento determinante da vontade. Eles não sabem que um contrato realizado sob coacção não tem valor?

Já a posição de Jorge Jesus merece ser analisada numa outra perspectiva. Jesus é empregado do clube. Como tal tem de obedecer à entidade patronal. Mas não está obrigado a inventar desculpas, nem tem de invocar razões técnicas para Carrillo não jogar. Deve explicar que se trata de uma decisão que o ultrapassa. Todavia, se entender esta decisão do presidente o priva de um jogador fundamental para alcançar os objectivos a que está obrigado poderá proporcionalmente desobrigar-se destes objectivos. De facto, não se trata da privação de um jogador por via de uma transferência, nem de uma qualquer lesão, mas por causa de uma decisão arbitrária assumida pelo presidente como retaliação, e simultaneamente coacção, por o jogador não querer renovar o contrato.

Perante este quadro, Carrillo pode inclusive rescindir o contrato com justa causa. Pena é que no panorama desportivo português, onde campeiam os comentadores por conta, ninguém assuma a defesa do jogador. O jogador é livre de contratar com quem quiser e de não contratar.

Os vigaristas da verdade desportiva não só não defendem o jogador, como igualmente se apressam a afirmar que o caso Carrillo não põe em causa o bom relacionamento entre o treinador e o presidente, como se pudesse ser verdade em qualquer parte do mundo um treinador aceitar com naturalidade prepotências deste género!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

LIGA DOS CAMPEÕES: BENFICA GANHOU, PORTO EMPATOU


AS DESCULPAS DE LOPETEGUI

 

Mais uma vez o treinador do Porto se revela incapaz de assumir as suas responsabilidades e de ver as coisas com elas aconteceram.

O Porto empatou em Kiev, o que até seria um bom resultado se não se desse o caso de o golo do empate dos ucranianos ter sido marcado no octogésimo nono minuto por culpa exclusiva do seu guarda-redes, Iker Casillas.

O facto de haver um jogador em fora de jogo posicional – que até se afasta da jogada para nela não interferir – não invalida o golo marcado por um jogador em posição legal. A defesa do Porto fez o que lhe competia na jogada em causa: adiantou-se para atacar a bola e colocar os adversários em fora de jogo. Só que Casillas não acompanhou a defesa, deixou-se ficar entre os postes e depois não teve a rapidez suficiente para chegar à bola antes do adversário.

Lopetegui, que como todos já sabemos, não é uma pessoa séria, nem corajosa, está-se a defender a ele e a Casillas quando imputa o empate a um erro de arbitragem.

Casillas é aquilo que Mourinho disse dele. Uma lástima fora dos postes, uma calamidade nos cruzamentos, uma desgraça com os pés. Casillas apenas desempenha bem a função entre os postes onde por vezes até é brilhante. No jogo desta noite, só por acaso, sorte, pura sorte, Casillas não sofreu um golo logo aos três minutos por ter largado uma bola cruzada. Teve a sorte de ter um defesa do Porto por perto que impediu o golo.

Em suma, Helton ainda hoje é muito melhor do que Casillas, mas Lopetegui não gosta dele a ponto de na época passada ter preferido um guarda-redes manifestamente inferior.

Ainda sobre Casillas não deixa de ser ridículo o provincianismo dos jornalistas portugueses na promoção que fazem do guarda-redes espanhol. Deles tudo há a esperar, de Pinto da Costa é que se esperava mais lucidez. Todavia, a contratação de Casillas, pelos valores que envolve, demonstra que a lucidez é algo que já não mora perto das Antas.   

Quanto ao mais, o Porto poderia, com os jogadores que tem, ter ganho o jogo se não tivesse uma equipa tão parecida com a da época passada. Com excepção de Maxi, único que tem um jogo vertical, a equipa do Porto perde demasiado tempo com a bola sem nada de relevante fazer com ela. Não fosse a eficácia de Boubacar e o Porto estaria hoje a braços com um resultado bem diferente, apesar de o Dínamos de Kiev não ser nada de especial. Pode dar-se por satisfeito com o empate a duas bolas.

Na Luz, o Benfica não teve vida fácil, apesar de o Astana também não ser uma grande equipa. No primeiro tempo o Benfica não foi capaz de penetrar na defesa dos cazaques. A equipa pareceu na sua mobilidade sempre insuficiente para chegar ao golo. Na segunda parte tudo poderia ter sido diferente do que acabou por ser se o Astana tivesse marcado nos primeiros minutos. Felizmente para o Benfica não marcou e acabou por ser Gaitan a desbloquear o resultado com mais uma grande exibição. Dois zero reflecte a real valia das equipas em confronto.

Ainda é cedo, todavia, para se perceber até onde poderá ir o Benfica de Rui Vitória, tanto interna como internacionalmente. Muito provavelmente no fim deste mês já haverá uma resposta mais fundamentada, depois dos jogos com o Porto e com o Atlético de Madrid.

De sublinhar nesta jornada da Liga dos Campeões os maus resultados das equipas inglesas, com excepção do Chelsea; a performance de dois jovens portugueses (Cancelo e André Gomes), ex-jogadores do Benfica, que com Jesus quase não tiveram hipótese de jogar na equipa principal; o golo de Florenzi  (Roma) e os grandes golos de Hulk e Witsel na vitória do Zénite sobre o Valencia.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O SPORTING E A PARCIALIDADE DO CORREIO DA MANHÃ


 
OS CASOS POLÉMICOS DO SPORTING NESTA TEMPORADA
 

 

Enquanto o Porto no silêncio das conversas sem escutas vai fazendo o seu trabalho com vista a expulsar Vítor Pereira da arbitragem e Fernando Gomes da Federação para colocar nesses lugares os “Pintos” que melhor o sirvam, o Sporting e as suas carpideiras vão continuando a alimentar a conversa de comentadores de mente curta sobre os prejuízos sofridos por culpa da arbitragem com base comunicados e considerações como as recentemente veiculadas pelo seu presidente nas redes sociais. Considerações e comentários a que a UEFA não deixará certamente de responder nos termos adequados, sob pena de o futebol em Portugal se tornar a curto prazo numa espécie de campo privilegiado de actuação de jagunços de toda a ordem.

Aliás, no quadro destas considerações continua a ter pleno cabimento a questão de saber o que vão as autoridades desportivas fazer ao Sporting se um seu vice-presidente, actuando nessa qualidade, for condenado por tentativa de falsa incriminação de um agente do futebol com vista a dela tirar proventos desportivos.

Independentemente dessa questão, que continuará na ordem do dia até que a respectiva sentença transite em julgado, a tal falange de comentadores a cargo do Sporting exibe hoje no Correio da Manhã, os “Lances mais polémicos em jogos do Sporting nesta temporada”.

Primeiro lance – Supertaça – golo anulado a Gutierrez por fora de jogo; correcto; sobre o penalty cometido sobre Gaitan nem uma palavra, porventura por não ser um lance polémico, ou seja, não há dúvidas de que foi penalty (correcto, portanto);

Segundo lance – Liga – Tondela – Luis Alberto marca golo com o braço; aceita-se, principalmente por haver off side; sobre o lance do segundo golo do Sporting nem uma palavra: lançamento irregular de João Pereira e falta de Gelson sobre o jogador do Tondela “transformada” em penalty sobre a equipa da casa; certamente nem uma palavra porque o lance nada tem de polémico: há uma dupla irregularidade não assinaladas;

Terceiro lance – Champions – Defesa do CSKA corta o lance com o braço – falso; ninguém com base nas imagens disponibilizadas pode afirmar tal facto; quem cabeceia a bola é Selimani e ninguém pode afirmar com base no que se viu que o defesa do CSKA tocou com a mão na bola;

Quarto lance – Liga – João Pereira é expulso e o Sporting punido com grande penalidade por falta cometida fora da área; polémico? Ah, certamente porque João Pereira tem uma espécie de bula que lhe permite dar cacetadas na área, fazer placagens, enfim, fazer o que muito bem entenda para evitar que jogada prossiga.

Quinto lance – Champions – Doumbia marca golo com o cotovelo; desnecessário voltar ao tema; já nos dois anteriores posts se explicou que o lance é regular;

Sexto lance – Champions – Golo anulado a Selimani; desnecessário voltar ao tema; enquanto a bola não contiver um chip que assinale inequivocamente a sua saída do terreno de jogo, tem de aceitar-se sem reservas a decisão do árbitro (no caso do fiscal de linha) por inexistência de imagens susceptíveis de infirmar a justeza do seu juízo.

E assim se faz jornalismo desportivo em Portugal. Mas isto é apenas um exemplo. Muitos outros, todos os dias, poderiam ser invocados.

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

AS CARPIDEIRAS DO SPORTING


 

A DERROTA NA LIGA DOS CAMPEÕES
Resultado de imagem para comentadores desportivos
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A numerosa falange de carpideiras sportinguistas que enxameia os meios de comunicação social ainda não compreendeu, ou não quer compreender, uma coisa muito simples. Que em futebol um golo pode ser legalmente marcado com a mão ou com o braço e que pode ser invalidado um golo marcado com a cabeça ou com os pés ou com qualquer outra parte do corpo que não os membros superiores. Isto é básico.

O primeiro golo que o Sporting sofreu em Moscovo contra o CSKA é absolutamente legal, apesar de muito provavelmente ter sido marcado com o braço. As imagens vistas em tempo real, isto é, tal como aconteceram, não deixam margem a dúvidas como dúvidas não deixam as imagens em câmara lenta. Doumbia não tem a mínima intenção de jogar a bola com a mão. Ele desvia a bola que havia sido desviada por um defesa do Sporting; Rui Patrício defende-a, rechaçando para a frente; a bola embate em Doumbia, que está de lado para a baliza, e entra. Só fracções de segundos depois o jogador do CSKA se apercebe do que se passou, embora se perceba que ele tem a preocupação de encolher o braço para a bola lhe não bater nele. Bateu-lhe no braço como lhe teria batido no corpo se o braço não estivesse encostado ao tronco. Golo legal, portanto. Só não seria a legal se a bola tivesse sido intencionalmente marcada com o braço.

Quanto ao golo anulado ao Sporting não há disponível nenhuma imagem esclarecedora. Se fosse um jogo transmitido em Portugal pela Sport TV haveria todas as razões para supor que o golo era legal ou ilegal, conforme as conveniências do canal, por aquela estaçãao televisiva ser useira e vezeira no escamoteamento de imagens que não lhe convém mostrar. O mesmo se não poderá dizer da televisão russa. Por uma razão muito simples: o realizador não se apercebeu da razão pela qual o golo foi anulado. Não viu ou não interpretou correctamente o gesto do árbitro. Essa a razão por que repetiu duas ou três vezes a jogada mostrando que na área não houve qualquer falta. Ou seja, o realizador admitiu que a falta que ditou a anulação o golo teria sido cometida na área, tendo-se esforçado por demonstrar que essa falta não existiu. Assim, na falta de imagens que permitam ter uma opinião minimamente fundamentada sobre a decisão do árbitro, tem de aceitar-se o veredicto daquele que estava em melhores condições para julgar – o fiscal de linha. E segundo ele a bola ultrapassou a linha de fundo, logo já não estava em jogo quando Selimani a cabeceou. O máximo que se pode dizer com base nas imagens visionadas é que a bola fez de facto uma curva à direita; se ultrapassou ou não a linha de fundo apenas o juiz de linha o poderá dizer. E ele já disse!

As carpideiras sportinguistas beneficiando do peso desproporcionado que têm na comunicação social de Lisboa – mais de oitenta por cento dos intervenientes nas televisões, rádios e jornais são adeptos do Sporting – não têm qualquer problema em continuar a campanha que imputa aos árbitros os desaires do Sporting, apesar de estarem a comunicar para uma audiência que em cerca de oitenta por cento não é adepta do Sporting.

Por razões meramente tácticas é natural que, no actual contexto de luta contra a arbitragem, com vista a fazê-la regressar aos tempos de Adriano Pinto, Lourenço Pinto, Pinto de Sousa e outros, de que Pedro Proença seria hoje o lídimo continuador, os comentadores do norte afectos ao FCP alinhem no “choro” do Sporting, desde que tal “choro” não contenda com os seus interesses. Todavia, logo que os seus objectivos estejam alcançados, o Sporting deixará de ter qualquer importância.

Não deixa de ser curioso sublinhar que esses mesmos comentadores que hoje tanto se esforçam por demonstrar que o Sporting marcou um golo legal e sofreu outro ilegal não tenham dispensado uma palavra para analisar o que se passou na última jogada do jogo do Benfica contra o Arouca. Certamente, que o golo de Jonas foi marcado depois de o árbitro ter interrompido o jogo. O que ninguém consegue explicar é a razão pela qual o árbitro interrompeu o jogo. Há quem diga que Lisandro cometeu falta. Todavia o que se vê no pouco que a Sport TV mostra é que a bola bateu no braço do defesa do Arouca.

Mas quanto a isso já estamos habituados. Já estamos habituados a que um dos maiores vigaristas do comentário desportivo apregoe a verdade desportiva e estabeleça as suas classificações com base nas suas “isentíssimas” avaliações e  até nos teremos de habituar a ouvir um ex-árbitro, adepto do Sporting – e que covardemente sempre se refugiou no clube da Cruz de Cristo para não indicar a sua verdadeira filiação clubista – insurgir-se por no jogo do passado domingo, em Aveiro, não ter sido marcado um penalty contra o Benfica por (pretensa) falta de Luisão cometida na área do Arouca!!!

Tudo isto é normal. Como normal é estar agora a ouvir o sportinguista José Manuel Freitas afirmar que o Benfica não se dá bem com a Liga dos Campeões. Nem mais. Quem se dá bem com essa competição é Jorge Jesus…

JESUS IGUAL A SI PRÓPRIO


 

BENFICA À DERIVA
 
Sporting não entra na Champions

 

A prestação de Jesus na Liga dos Campeões acabou por ser igual àquela a que durante seis épocas habituou os portugueses: um fracasso.

Jesus é como é. E nesse seu ser como é está também a incapacidade de aprender com os erros do passado. Quem se der ao trabalho de analisar os golos que o Sporting sofreu esta noite em Moscovo e os comparar com os que o Benfica na época passada sofreu contra o Bayer de Leverkusen e contra o Zénite chegará facilmente à conclusão de que há entre eles muitas semelhanças.

As equipas de Jesus são equipas desequilibradas. Atacam com muitos e defendem com poucos. Para defender com poucos é preciso, primeiro, defender muito bem e depois que o adversário não seja da mesma igualha. Em Portugal, o modo como as equipas de Jesus defendem é em regra suficiente para ganhar a oitenta por cento dos adversários. Nas provas internacionais de primeira grandeza, como a Liga dos Campeões, esse modo de defender é insuficiente por melhor que sejam os executantes e a por mais aprimorada que seja a sua organização.

É preciso jogar com equipas mais compactas e ter capacidade para alterar o plano de jogo em função do resultado e dos objetivos que ele encerra. Também neste particular Jorge Jesus evidencia conhecidas debilidades. As substituições de Jesus ocorrem, salvo caso de força maior, invariavelmente, a primeira, entre os 65 e os 70 minutos, entrando normalmente um jogador de características semelhantes ao que saiu e as outras duas nos últimos cinco minutos do tempo regulamentar, sendo que a última ocorre frequentemente já no período de compensação.

Estas são as duas grandes deficiências de Jesus: desequilíbrio no conjunto e ausência de um verdadeiro plano B para pôr em prática sempre que necessário, seja em consequência da marcha do resultado, seja em consequência da valia do adversário.

Fora isto, que é muito – e é tanto que, mesmo internamente, para o campeonato, o Benfica, em 12 jogos, somente ganhou três vezes ao Porto – Jorge Jesus apresenta equipas com um futebol vistoso, francamente agradável, técnica e tacticamente disciplinadas onde cada jogador sabe exactamente o que anda a fazer (ou seja, aquilo que o treinador lhe ordena) – se não chega é porque as ordens nem sempre serão as melhores.

O jogo desta noite contra o CSKA de Moscovo não fugiu à regra. O Sporting, apoiado por um enorme coro de carpideiras, bem pode fazer uma enorme choradeira imputando – à semelhança do que faz internamente – ao árbitro o fundamento da derrota. Mas sem razão.

Não há nenhum golo marcado ilegalmente. O golo do Sporting é legal – Gutierrez está em linha; o primeiro golo do CSKA é marcado com o corpo – se a bola ressalta para o braço do marcador, esse toque é absolutamente não intencional. Percebe-se que o jogador tem a preocupação de encolher o braço para evitar que a bola lhe toque e percebe-se também que o jogador nem sabe bem como a bola entrou e somente umas fracções de segundo depois se apercebe do que aconteceu. E no futebol, como se sabe, somente a mão ou o braço intencionais são puníveis.

Quanto ao golo anulado ao Sporting, o que o árbitro, por gestos, explica é que a bola saiu do campo. A televisão não tira as dúvidas, embora se perceba que a bola faz uma curva. Se saiu ou não do campo, somente o juiz de linha o poderá dizer – e disse – por ser o mais bem colocado para o efeito. É curioso que ainda na segunda-feira passada o fanático sportinguista Eduardo Barroso, num conselho que se atreveu aa dar a Jesus, lhe pedia para os cantos do lado direito serem marcados com o pé esquerdo e os do lado esquerdo com o pé direito, para evitar que se diga que a bola saiu do campo.

Isto quanto ao Sporting de Jorge Jesus. Quanto ao Benfica, a ideia que se fica depois de vistos mais de meia dúzia de jogos com apenas uma vitória é que é uma equipa à deriva. Contrariamente ao que se passa com as equipas de Jesus, no Benfica actual ninguém sabe bem o que anda a fazer em campo. Nem tão pouco se percebe o que é que o treinador pretende dos jogadores.

Se se pretende manter um sistema próximo do habitual em Jesus, nomeadamente nestes últimos três anos, por que razão foi Lima vendido? E por que foram comprados Mitroglos e Jimenez? Aliás, não se percebe por que razões se contratam dois jogadores mais caros do que aquele que saiu e com muito menor rendimento. Ou melhor, só se percebe que se venda relativamente barato o que provadamente se sabia que servia e se compre relativamente caro o que por completo se desconhece porque certamente há quem ganhe com as vendas e com as compras. De outro modo tratar-se-ia de um acto de gestão completamente irracional.

Se, pelo contrário, Rui Vitória pretende que a equipe jogue num sistema diferente por que razão não passou a pré-época a enraizar esse sistema? E por que insiste em fazer o contrário do que acha melhor?

O que infelizmente parece é que Rui Vitória não tem capacidade para comandar um barco tão complexo como o Benfica e denota insuficiências em que um simples interessado nas coisas do futebol jamais incorreria – as substituições do último jogo contra o Arouca são disso a prova.

Está à vista que Vieira mais uma vez se enganou. Enganou-se no treinador e enganou-se quando supôs que iria ter uma espécie de aliança tácita com o Porto. Neste segundo caso, não basta ser ingénuo. É preciso que se seja algo mais ..

terça-feira, 11 de agosto de 2015

A MANIPULAÇÃO DA RDP


 

JORGE JESUS “VÍTIMA” DA SUA MÁ CRIAÇÃO
Jonas foi pedir
 

 

É no mínimo surpreendente o modo como a RDP iniciou hoje o seu programa de desporto das 12h30m. Diz o locutor, lendo o sumário, que será tratado o caso Jonas/Jesus no fim da Supertaça, a transferência de Jimenez, etc, etc.

Antes de mais é bom que se diga que não houve no fim do jogo Benfica-Sporting do último domingo nenhum caso Jonas/Jesus. Jonas não se meteu com ninguém. Seguia para os balneários como os seus colegas de equipa. Quem se meteu com Jonas foi Jesus que lhe deu uma valente “tapa” (para usar a terminologia brasileira) no pescoço quando Jonas passava perto dele. Perante o insólito e agressividade do falso carinho, Jonas, como é óbvio, reagiu, olhando para Jesus com cara de poucos amigos, no que logo foi apoiado por vários jogadores do Benfica.

Portanto, se houve algum caso no termo do jogo, não foi um caso Jonas/Jesus, mas Jesus/Jonas.

O pior, porém, veio depois. Sem que se conheça a pergunta e a descrição do acontecimento, a RDP ouve o comentário de um ex-treinador de Jonas (Celso Roth), do Grémio de Porto Alegre, que se mostra muito surpreendido com o comportamento do seu ex-pupilo. Descreve a personalidade de Jonas, como jogador intelectualizado, inteligente, educado e critica o que lhe dizem ter sido o seu comportamento. E insiste na crítica, agravada por o dito acontecimento ter ocorrido com o seu anterior treinador. Frisa, porém, por mais de uma vez, que não viu o que se passou, por a essa hora estar a dirigir um jogo.

Qualquer pessoa percebe imediatamente que o relato que a RDP fez ao ex-treinador de Jonas do que se passou no fim do jogo não só foi tendenciosamente descrito, como é manifestamente falso. A RDP não se limitou a manipular os factos; actuou covardemente por nem sequer ter tido a coragem de pôr no ar a descrição que fez dos factos ao ex-treinador de Jonas.

No futebol já estamos habituados a todo o tipo de vigarices. Desde o arautos da “verdade desportiva”, propagandeada pelos maiores escroques do comentário e do dirigismo desportivo,  até ao comentário dos adeptos, passando pela manipulação ou ocultação de imagens, vale tudo. O que ainda não tínhamos visto era a estação pública radiofónica esconder a sua própria descrição de um acontecimento quando pede a um terceiro, que o não presenciou, o seu comentário sobre o mesmo.

Jorge Jesus mais uma vez demonstrou que ainda não percebeu que não é treinador do Benfica. É compreensível que lhe custe digerir a passagem de um grande clube para um clube pequeno. Mas vai ter de se habituar. Além do mais, com a sua incultura e a sua pouca ou nenhuma educação, também ainda não compreendeu que ao desrespeitar os jogadores do Benfica, como sistematicamente tem feito desde que saiu do clube, não só está a ofender esses jogadores, como também está a apoucar-se perante os jogadores que agora treina. Que consideração e que respeito na verdadeira acepção da palavra poderão ter os jogadores por um treinador que os considera simples marionetes do seu cérebro privilegiado? Que reclama para si todos os méritos das vitórias a ponto de deixar dito ou subentendido que sem ele nada teria sido alcançado?

Foi isto, tanto quanto se percebe, o que, já depois de serenados os ânimos, Jonas foi dizer a Jesus quando este já se encontrava no autocarro do Sporting – “Tu deves respeitar os jogadores do Benfica”. Grande Jonas!

Na conferência de imprensa, Jesus, como é seu hábito, mentiu descaradamente, dando uma versão idílica dos factos. Já assim tinha feito muitas outras vezes sem nunca enganar ninguém.

Apenas se espera, depois de tudo o que se viu e o que se ouviu, que Joaquim Rita volte a dizer que “Jesus é reles!”

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

PREOCUPAÇÃO NO BENFICA


 

OS ADEPTOS ACREDITAM EM RUI VITÓRIA?
Jorge Jesus dá indicações durante a final da Taça da Liga

 

No jogo desta noite confirmou-se a tendência de toda a pré-época: a equipa do Benfica não sabe o que anda a fazer em campo. Contrariamente ao que dz Jesus, o Benfica não tem nenhuma ideia de jogo definida. Há certamente deficiências no plantel, resultantes da saída de Maxi e de Lima, principalmente de Lima, mas o que verdadeiramente falta é uma ideia de jogo compatível com a grandeza do Benfica e com o plantel de que dispõe.

O futebol de Jesus é sobejamente conhecido, embora o sabor amargo da derrota o tenha obrigado a alterar alguma coisa nestes últimos dois anos – exactamente os anos em que foi campeão. A matriz de Jesus é um futebol de risco, de tendência atacante, assente numa defesa de poucos, embora bem organizada. No Sporting, como já deu para perceber pelo jogo de hoje, Jesus vai ter de refrear o risco, se não vai perder muitas vezes, porque nem de perto nem de longe dispõe de jogadores que lhe permitam fazer o mesmo que fazia no Benfica. A derrota do Benfica se servir de alento a Jesus, como confirmação da eficácia das suas concepções futebolísticas, vai a breve trecho tornar-se no seu contrário. Qualquer equipa média da primeira divisão bem dirigida estará em condições de criar sérios problemas ao Sporting, se Jesus tiver a ousadia de continuar ou até de potenciar o seu futebol de risco.

No jogo desta noite, embora nunca tivesse estado em questão a hipótese de o Benfica o poder ganhar, viu-se que o Sporting está muito longe de apresentar um futebol tão conseguido como o que o Benfica praticava.

Do lado do Benfica, a grave situação por que a equipa passa – e que somente poderá agravar-se com o decurso do tempo – tem de ser imputada inteiramente ao treinador, não obstante as tais ausências de que já falámos. Dificilmente, os adeptos do Benfica acreditarão em Rui Vitória. Toda a gente aceitaria que o Benfica fosse mais seguro, menos espectacular e menos dependente das concepções dde jogo e Jesus. O que dificilmente se aceitará é que o Benfica não tenha ideia nenhuma do modo como quer jogar.

Jonas a jogar sozinho na frente é um desperdício; Samaris perdeu o sentido de médio ofensivo e cometeu vários erros como médio defensivo; Jardel aventurou-se em acções para as quais não tem manifestamente capacidade; os laterais não estão sincronizados com os centrais na defesa em linha; o lado direito da defesa e também o esquerdo não tem grande capacidade ofensiva e deixam a desejar defensivamente. Enfim, tudo se conjuga para uma época medíocre. Como se confirmará, Rui Vitória não está nem estará à altura do Benfica. O que já fez até hoje comprova-o.

Jesus mais ma vez arranjou confusão no fim do jogo. E mentiu quanto ao desfecho do episódio que provocou. Como é seu hábito!

quarta-feira, 29 de julho de 2015

INGENUIDADE DE VIEIRA


 

BENFICA DERROTADO À PARTIDA?

 

À medida que a poeira vai lentamente assentando, percebe-se que o presidente do Benfica pretende demonstrar que com a organização existente no clube qualquer treinador pode nele ser campeão.

Apesar de o campeonato ainda não ter começado e ser portanto prematuro avançar algumas conclusões, há razões para supor que o pressuposto de que Vieira partiu ainda está longe de se verificar.

É natural que a um presidente não seja fácil conviver com um treinador como Jorge Jesus. Jesus é, à sua maneira, um ególatra. Ele parece desconhecer que o futebol é um desporto colectivo e que a vitória tem múltiplas paternidades. Para Jesus tudo o que de positivo aconteça em clube por onde ele passe deve ser-lhe totalmente creditado. Claro, que Jesus pode dar-se ao luxo de fazer isto porque somente treinou clubes que ou nunca tinham ganho nada ou já não ganhavam algo há muito tempo. Se tivesse treinado um clube com vitórias sucessivas, tal discurso seria impossível de manter. Como, porém, o Benfica já não ganhava sucessivamente algo que se visse há muitos anos, Jesus pôde dar-se ao luxo de reclamar para si todas os louros, omitindo inclusive o relevantíssimo facto de ter contado durante a sua estadia de seis anos com os melhores plantéis da história do Benfica. Mesmo que esquecesse a organização que o Benfica lhe proporcionou, aquele facto ele nunca deveria tê-lo omitido. E omitiu-o porque se o relembrasse, fácil seria chegar à conclusão de que ficou aquém, muito aquém, dos meios de que dispunha.

É natural que o presidente do Benfica não fique agradado com este tipo de personalidade, principalmente depois de ter ganho e de saber, como ninguém, o enorme investimento que teve de realizar para o conseguir.

Ora, como Jesus é irreformável, justificava-se, por isso, a vinda de um outro treinador. Mas a escolha teria de ser altamente criteriosa. Se o que se pretendia era manter a senda das vitórias, exigia-se a escolha de um treinador que já tivesse ganho algo. Rui Vitória não parece ser o treinador de que o Benfica precisa. Havia outros muito mais credenciados que o Benfica parece ter menosprezado…

A tudo isto acresce a perda de elementos importantes do plantel. O plantel já era limitado, com as saídas já confirmadas mais as que diariamente se anunciam o mais provável é que fique muito fragilizado. E Rui Vitória não parece ter a firmeza suficiente para evitar a sangria. A posição em que se encontra perante o presidente retira-lhe a distância suficiente para fazer as exigências que se impõem. Quer dizer, se Jesus tinha arrogância a mais, Rui Vitória parece ter a menos aquilo que Jesus tinha a mais!

Mas Vieira foi também ingénuo quando acreditou em Pinto da Costa. O presidente do Porto não é aliado de ninguém. Limita-se a utilizar os outros de acordo com as suas necessidades e interesses. A escolha de Proença para assaltar a Federação com o objectivo de voltar a pôr a arbitragem sob o comando dos “pintos e dos chitos” - os maiores pontas de lança da história do futebol português, com um número extraordinário de golos por eles marcados - representa outra grande derrota de Luís Filipe Vieira.

Proença tem em Portugal um curriculum invejável como árbitro. Basta ir ao You Tube, procurar “Pedro Proença” e logo se fica com uma ideia muito completa daquilo que ele é capaz.

Proença vai para a Liga para servir. Foi o já que fez quando era árbitro. O presidente do Sporting, que chamou imbecil e senil a Pinto da Costa, é agora por este elogiado. Se as suas ambições se mantiveram altas, será obviamente a próxima vítima. Se, porém, se contentar com o que lhe podem dar, muito acima das suas “posses”, não terá razões para se queixar.

Para se ter uma ideia da trama que já está sendo urdida, basta lembrar o seguinte: O presidente do Marítimos estava a ferro e fogo com o do Porto por causa da transferência de um brasileiro que não avalia nada mas relativamente ao qual o presidente do Marítimo queria o “seu”. Vieira supôs que estavam criadas as condições para desfazer uma aliança de décadas. Enganou-se. Uns anos, não muitos, depois da zanga, surge no Marítimo um jogador transferível para um dos grandes – Danilo Pereira. O jogador queria ir para o Sporting, com a “ilusion” de ser treinado por Jorge Jesus. O Porto meteu-se de permeio. Sem hipóteses, admitiu-se nas hostes sportinguistas. O presidente do Marítimo está de relações cortadas com o do Porto, reforçaram os comentadores sportinguistas. Conclusão: Danilo foi para o Porto e o presidente do Marítimo “mandou Vieira às urtigas” e aliou-se ao do Porto na escolha de Proença.

E depois não nos venham dizer que as transferências não são o sangue arterial do futebol português! Dos patrões do futebol português!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O BENFICA E JORGE JESUS


 

O QUE IMPORTA ASSEGURAR

 

As reacções à saída de Jorge Jesus por parte da denominada “estrutura” do Benfica não têm sido muito saudáveis. Diz-se – e certamente será verdade – que Jorge Jesus se portou mal com o clube. Que se recusou durante todo o dia de ontem a atender as chamadas de Luís Filipe Vieira. Que não avisou o Benfica de que estava em negociações com o Sporting. Que rompeu as negociações com base num motivo fútil.

Vamos dar por assente que tudo isto é verdade. Mais: que o comportamento de Jesus é ainda pior do que aquilo que corre nos meandros do futebol. Pois mesmo assim nem por isso o Benfica por respeito por si próprio, por respeito pela instituição, por respeito para com os sócios deveria ter actuado como está a actuar. O Benfica deveria ter autorizado Jesus a entrar no Seixal para levantar as suas coisas, embora o devesse fazer com horas marcadas e tempo delimitado. Também não deveria ter retirado a fotografia de Jesus do plantel do Benfica. Não fica bem.

O Benfica não perde a sua identidade nem o seu prestígio por mudar de treinador. Deveria ser com superioridade, sem ressentimentos, que o Benfica deveria ter encarado a partida de Jesus, alardeando altivamente a convicção de que Jesus precisará muito mais do Benfica do que o Benfica de Jesus.

Por outro lado, a ida de Jesus para o Sporting é o que se pode chamar um verdadeiro down grade ou antes, em bom português, passar de cavalo para burro. O que aliás também demonstra que, afinal, Jesus não tinha grande mercado.

Do lado do Sporting nada há a esperar diferente daquilo a que Bruno de Carvalho já nos habituou. E o que de mais significativo há a evidenciar é que o presidente do Sporting não honra os seus compromissos, não paga as suas contas, pelo que, dentro de pouco tempo, ninguém negociará com ele. O Sporting não cumpre as mais elementares regras contratuais. E quem não cumpre as regas contratuais também não cumpre as regras éticas. Foi isso o que Sporting fez com Marco Silva. E o que se diz do Sporting relativamente às regras éticas diga-se igualmente de Jesus: também Jesus demonstrou ter o mais profundo desprezo e desrespeito pelo seu colega de profissão – Marco Silva. De modo que, feitas as contas, Jesus e o presidente do Sporting estão bem um para o outro.

O Benfica, não por retaliação, mas por reconhecimento da necessidade de ter um treinador competente e com provas já dadas ao mais alto nível (com matéria prima de segunda categoria) deveria contratar Marco Silva e assegurar um plantel ao nível daqueles que proporcionou a Jesus. E se isso acontecer os benfiquistas poderão ficar ter a certeza de que não será nada difícil fazer melhor do que Jesus!

Marco Silva, já!

BENFIQUISTAS


 

JORGE JESUS
 

 

Nas seis épocas em que esteve ao serviço do Benfica, Jorge Jesus foi o treinador que beneficiou dos maiores investimentos da história do Benfica. E teve por isso plantéis excelentes, que fariam a inveja de qualquer clube de topo das grandes ligas europeias. Com os grandes recursos que o clube lhe proporcionou ganhou 3 campeonatos, perdeu 2 por incompetência e 1 em que ficou a 27 pontos do Porto de Villas-Boas.

À parte a Taça da Liga – a mais desprestigiada prova do calendário futebolístico português – que venceu por 5 vezes,  apenas ganhou uma Taça de Portugal e uma Supertaça.

Na Europa, os resultados foram decepcionantes. Nada ganhou. Mesmo na Liga Europa, que é segunda divisão do futebol do futebol europeu e a que o Benfica acedeu por ter sido eliminado da Liga dos Campeões, Jesus com planteis de excelência perdeu duas finais.

Na Liga dos Campeões foi o descalabro. É por isso conveniente recordar: Em 2010/2011, foi eliminado na fase de grupos pelo Schalke 04 e pelo Lyon. O mesmo aconteceu em 2012/2013, também eliminado na fase de grupos, com 8 pontos, pelo Barcelona e pelo Celtic de Glasgow, tendo transitado para a Liga Europa, na qual chegou à final, sendo derrotado pelo Chelsea por 2-1. Em 2013/2014, o Benfica voltou a ser eliminado, na fase de Grupos, pelo PSG e pelo Olympiakos, desta vez com 10 pontos, tendo novamente transitado para a Liga Europa, onde teve o desfecho que se conhece contra o Sevilha. Em 2014/2015, o Benfica de Jesus classificou-se em último lugar na fase de grupos, com apenas 4 pontos, atrás do Bayer de Leverkusen, do Mónaco e do Zenit de San Petersburgo. O Benfica apenas marcou dois golos e sofreu seis. Somente em 2011/2012 o Benfica passou a fase de grupos e superou a primeira eliminatória, tendo sido eliminado na seguinte (quartos-de-final), devendo esta considerar-se a melhor participação internacional da equipa na era Jorge Jesus.

Em conclusão, nas seis épocas de Jesus no Benfica, em cinco participações na Liga dos Campeões, somente por uma vez o Benfica passou a fase de grupos, enquanto na Liga Europa, em quatro participações, o Benfica foi por duas vezes à final, atingiu a meia-final uma vez (tendo sido eliminado pelo Braga) e ficou uma outra pelos quartos-de-final (eliminado pelo Liverpool). Donde se conclui que o Benfica de Jesus estava mais vocacionado para jogar a Liga Europa do que a prova rainha do futebol europeu.

Internamente, o Benfica com Jesus ganhou 3 campeonatos como se já disse, mas o Benfica perdeu sempre muitos pontos, mesmo nos anos em que foi campeão. Senão vejamos:

 2009/10 – 17 Pontos perdidos

2010/11 – 27 Pontos perdidos

2011/12 – 21 Pontos perdidos

2012/13 – 13 Pontos perdidos

2013/14 – 16 Pontos perdidos

2014/15 – 17 Pontos perdidos

Média por época 18,5.

Finalmente, o principal defeito que se aponta a Jesus como treinador é o de que é forte contra os fracos e fraco contra os fortes. Quem analisar um por um todos os jogos de Jesus à frente do Benfica chegará à inevitável conclusão de que no plano interno perdeu duelos decisivos com equipas da envergadura do Benfica e no plano internacional não ganhou um único jogo a uma grande equipa nem tão-pouco ganhou nenhuma final.

Dir-se-á: mesmo assim Jesus alcançou resultados muito superiores aos seus antecessores nas duas últimas décadas. Certamente que sim. Mas também é inegável que nenhum dos seus antecessores beneficiou sequer de um quinto dos recursos que Jesus teve à sua disposição em qualquer das épocas que passou pelo Benfica.

A seu favor Jesus tem inegavelmente a prática de um futebol atraente, por vezes empolgante, embora mais empolgante e mais atraente contra equipas fracas do que contra equipas fortes.

Em conclusão: o que o Benfica precisa é de bons plantéis. Com plantéis semelhantes aos que Jesus teve à sua disposição, o Benfica, com um treinador razoavelmente competente, continuará a ganhar porventura até mais do que com Jesus.

A escolha do treinador é importante. E parece não haver muitas dúvidas sobre quem essa escolha deveria recair: sobre o treinador mais competente da Primeira Liga Portuguesa – Marco Silva!

 

quinta-feira, 19 de março de 2015

LOPETEGUI, O TREINADOR DO PORTO


 

O DRAMA DE LOPETEGUI

 

O treinador do Porto passa o tempo a queixar-se. A queixar-se das arbitragens que prejudicam o Porto. Das arbitragens que beneficiam o Benfica. Em Portugal e na Europa.

Se eu fosse basco ficaria muito preocupado por ter como compatriota um cidadão como Lopetegui. Conhecidos, como são, pelo seu espírito lutador contra a adversidade e a prepotência, os bascos têm um Lopetegui um triste e pobre exemplo do que é a negação do seu espírito. Não luta. Queixa-se. Lamenta-se. Chora. Repete sem personalidade nem honra a voz do dono. Parece um pobre animalzinho amestrado. Que tristeza.

Temos então de ir aos factos. Pinto da Costa fez um dos maiores investimentos de sempre no Futebol Clube do Porto. E os resultados estão por aparecer.

Na Taça de Portugal já foram eliminados.

Na Taça da Liga ainda não sabem se vão à final. E indo já estão com medo de ser derrotados.

Na Liga dos Campeões aparentemente têm tido algum êxito. Mas apenas aparentemente. Pelo menos até agora. De facto, o Porto teve a sorte de participar num grupo da segunda, terceira divisão da Europa. A equipa que com o Porto foi apurada para prosseguir na Liga dos Campeões – e tinham de ser dois – já foi despachada com uma das derrotas mais humilhantes da história da competição. A equipa que foi apurada para participar na Liga Europa foi eliminada por uma equipa de segunda linha. A que ficou em último no grupo nem na Liga Sagres tinha lugar. Portanto, só agora se verá o que a equipa do Porto vale na Europa …se não lhe sair em sorte o Mónaco.

No campeonato nacional estão a quatro pontos do Benfica e não vêem forma de o ultrapassar. Por isso tentam ganhar fora do campo. Por qualquer meio.

Lopetegui é o grande responsável pelo fracasso do investimento. Nunca no Porto um treinador tinha gozado de tanta autonomia e foi exactamente durante o exercício dessa autonomia que Lopetegui se afundou. Se o Benfica tivesse ganho em Paços de Ferreira, Lopetegui já estaria por esta hora no Pais Basco a gozar “as delícias” do clima local. Foi exactamente quando na SAD portista lhe retiraram essa autonomia – como os comentadores afectos ao FCP confirmam – que o Porto começou a subir e a jogar melhor. Enquanto Lopetegui mandou, o Porto, com um investimento fabuloso, corria o sério risco de fazer este ano uma época pior que a do ano passado.

Este o drama de Lopetegui. A sua incompetência. A sua falta de personalidade. O não passar hoje de uma marionete da SAD portista. Uma marionete da qual a SAD se livrará se o pobre Lopetegui somar quatro derrotas, como tudo indica que somará.

E nem sequer vale a pena fazer a história do futebol em Portugal nos últimos trinta anos. Lopetegui não quer saber disso. Lopetegui apenas quer salvar a pele, mesmo que para tanto tenha de caluniar, mentir, denegrir os adversários que lhe são superiores. É um mau exemplo. Um triste exemplo.

Se eu fosse basco ficaria envergonhado por ter um compatriota como Lopetegui!